Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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Numa segunda acepção. do estado e das instituições democráticas. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. no fundo. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Kildare Gonçalves Carvalho. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. mas também de outros assuntos. mas proteger direitos. 4 . em especial limitar o poder arbitrário. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. Numa vertente mais restrita. então. a defesa da Constituição. sociologicamente. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. enfeixado na Constituição. o americano e o francês. Partindo. Tem-se utilizado. E para isso. um claro juízo de valor. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. É. em sentido jurídico. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. como o inglês. como sociológica: “em termos jurídicos. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. os fins socioeconômicos do Estado. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. o local e a época.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. Neste sentido. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. e que se encontra acima dos detentores do poder. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. numa terceira acepção possível. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. e. assim. por seu turno. reporta-se a um sistema normativo. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. uma teoria normativa da política. O conceito de constitucionalismo transporta.

Inglaterra: rule of law – governo das leis . a partir da Revolução Francesa. ii. Roma: idéia de liberdade. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). 1. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). como e até onde pode mandar. e da França. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Grécia antiga: democracia constitucional. em 1787. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Governo limitado. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. integram-no. Hoje. Foi a mais avançada forma de governo. Como ressaltado por Jorge Miranda. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. desde logo. Por isso. Estabelece as regras do jogo político. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. após a Independência das 13 Colônias. quem. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita).surgiu em substituição ao governo dos homens. 2. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. A democracia é a representação da vontade da maioria. Influenciaram o direito francês e americano. b. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Foi a 1ª experiência constitucional. se contrapõe ao absolutismo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. b. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. fases pelas quais passou a constituição. Estado Hebreu: estado teocrático. Garantia jurisdicional. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. • Princípio do governo limitado. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). (Livro do Alexandre de Morais). • Separação dos poderes. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. d. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. ii. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Atribui competências aos três poderes. porém. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. em 1791. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. a. c.

Ex. diretrizes. estabelecidos pela Constituição. ii. PE e PJ). Garantia de direitos. a maioria da nação. havia regras. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Constituições da democracia racionalizada. Eram apenas uma diretriz. O ser humano é um fim em si mesmo. estarão subordinados a ela. ou seja. Constituições da democracia social. A partir dessas novas idéias. b. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. XX). As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. ligada à idéia de liberdade. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Segundo a tradição francesa. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). estabelecendo diretrizes. Hoje. Idéias principais: i. os costumes 6 . É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. direitos fundamentais. 3. Rússia. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. sem força vinculante. d. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Constituições da democracia marxista ou socialista. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. XIX. Força normativa da constituição: antes. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. a.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Começou a se falar em um direito moral. Todos os poderes constituídos (PL. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Constituições de países subdesenvolvidos. as quais são denominadas por pós-positivismo. as constituições tinham caráter mais político. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. O Estado é um meio para atingir determinados fins. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. b. 4. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Novas idéias foram surgindo. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. c. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. foi o Abade Sieyès. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. na época das Revoluções Liberais. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Separação de poderes. c. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. aplica-se a analogia.

f. Para Barroso. são aplicados através de ponderação entre os princípios.  Aplicação direta da constituição. os princípios. é o judiciário. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Hoje. EUA: nós estamos submetidos à constituição. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. g. Para Paulo Bonavides. Na jurisprudência do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. e. pois esta é a concretização de um princípio geral. Integração. união homoafetiva. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Eles são importantes. Solidariedade. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. demarcação de reservas indígenas. aplica-se a regra específica. o judiciário aumenta sua força. • • 5. Ele atua como legislador negativo e positivo. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Quando o legislativo é fraco. espuma do chopp. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. 7 . O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. b.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro).. Entre uma regra específica e um princípio geral. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. é o juiz. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). aborto no caso da acrania. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Hoje. etc. d. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Participação. verticalização. Teoria Concretista Geral. c. Constitucionalismo do futuro. Universalização. etc. mas quem dirá o que ela é. tratado internacional tinha status de lei ordinária. de uma forma geral. Consenso. Não se aplica diretamente a constituição. Ex. Na Itália. Mas essa é uma posição muito radical. que é aplicada mais às regras. Continuidade. cotas em universidades. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. A aplicação da norma se dá pela subsunção. fidelidade partidária. há uma euforia dos princípios. Os princípios. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Verdade.

Bill of Rights de 1689. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. de acordo com o art. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Fundamental Orders of Connecticut (1662). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. concretizando a soberania popular. Assim. CR). caput. a participação. cujo titular é o povo. referendo e iniciativa popular”. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Act of Settlement de 1701. Habeas Corpus Act de 1679. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro.709/98 (que regulamentou o art. verdadeiro sistema híbrido. a continuidade. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. que são os deputados federais (âmbito federal). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. CR) e. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). I. pertinentes. a verdade. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). com valor igual para todos. o exercício deste poder. O titular do poder é o povo. Como regra. 46. portanto. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Contratos de colonização. segundo o art. nos termos desta Constituição”. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). Carta outorgada por Carlos II (1662). 1º da Lei 9. a solidariedade. mediante: plebiscito. dá-se através dos representantes do povo. então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. que. de soberania popular. Compact (1620). do art. 14. II e III. o P. CR. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. por intermédio de seus representantes. 1º. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Petition of Rights de 1628. Vale dizer. de forma expressa.U. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Podemos falar.

PJ. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . Essas normas são programáticas. → Segundo Hans Kelsen. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. Para entender tal concepção. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). ou seja. ou seja. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. PL. têm a mesma forma de elaboração). 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. §2º. o caráter normativo e vinculante da Constituição. mas apenas leis constitucionais. na sociologia.: art. mas materialmente distintas. 242. Segundo ele. a que Carl Schmitt chama de Constituição. Esta concepção atualmente é inadmissível. para ele. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. é vinculante e obrigatória. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). quando não corresponde à Real. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. 1°. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Esta é a concepção que hoje prevalece. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. que adota o conceito decisionista de constituição. a Constituição é norma pura. A Constituição Escrita. As leis constitucionais são todo o restante. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. como por ex. com exceção do Preâmbulo. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. A conferência realizada por ele. O art. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. os direitos fundamentais. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). portanto. na política ou na filosofia). Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro.. o restante. Toda a Constituição. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. conforme o prisma de análise. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Constituição e leis constitucionais são. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. caso contrário. não passaria de uma simples “folha de papel”. que surgiram com as constituições mais prolixas. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação.

A CR/88.Território. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). é apenas uma pressuposição. .Soberania. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. portanto. modificando-a. por isso não tem nenhum expoente específico. segundo esta concepção. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). é: todos devem obedecer a Constituição. não está escrita. condicionante desta mesma cultura. ela não existe na realidade. ao mesmo tempo. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. . a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. é a Constituição escrita (CR/88). → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. posta pelo Estado). seja pela introdução de novos elementos através de emendas. 10 . é um elemento conformador. todos os setores da vida social. qual seja.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. Seu único comando. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. quais sejam: .Finalidade. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. . É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). desde que observadas as regras colocadas pelo Originário.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. . mas que trata de todos os aspectos. é uma norma pressuposta.Povo. a Constituição tem sim fundamento sociológico. Ou seja. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . neste sentido. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. não introduz nenhuma novidade. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. define tais elementos estruturais. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. e também jurídico. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. Gilmar Mendes).

pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. . as constituições outorgadas foram as de 1824. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). a Constituição Inglesa. Constituição Espanhola/1930. quem vota a matéria são as lideranças. Obs. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. ou variadas): ex. É uma aprovação simbólica). . Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional).. pois toda constituição é escrita e não-escrita.dogmática: sempre escrita. de maneira unilateral.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Ex. podendo ser: . há pouco espaço para se ter costumes como regras. 3) Quanto à origem: . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição.outorgada: é a constituição imposta. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). Por isso mesmo. e como é bastante prolixa. por alguns estudiosos. não surge de uma só vez em um só momento. votada.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. a constituição não se torna democrática. surge em um só momento. consuetudinária (não é escrita). A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). trata-se de modalidade anacrônica. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade..não codificadas (ou legais. Nesse caso. por ex. é fruto das idéias. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. . toda Constituição histórica é costumeira. de uma só vez. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). o apelido de “Cartas Constitucionais”. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). como por ex.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. .democrática. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. 1937. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . 1967. promulgada. . dos dogmas predominantes naquele momento histórico. 11 . mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo.: as constituições outorgadas recebem. No Brasil. tem também vários documentos escritos. . Mesmo submetida a plebiscito ou referendo.

portanto muito difícil de serem modificadas. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. sem se preocupar com os detalhes. sucintas. . por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. 1º. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . inclusive a CR/88). Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. CR). É uma constituição em sentido formal. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. passou a haver hierarquia entre as normas.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. (Obs. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . É uma classificação típica das constituições costumeiras.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Por este motivo. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Como se submete a esse tratado internacional. Ex. Constituição Inglesa. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Ex. como é o caso da CR/88. Ex. É uma constituição em sentido material. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. . Em 2000. deixou de ser considerada flexível. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).) . Não existe hierarquia da constituição em relação às leis.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.: a Constituição dos EUA). Não existe controle de constitucionalidade das leis. . pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. São chamadas também de clássicas. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. ou seja. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.: art.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. . Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. .fixas: não poderiam ser modificadas. mas sim o processo mais dificultoso. sendo assim.

dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Rígidas. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. o Municípios. 59 e segs. rígida (ou super-rígida). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. o Estados. costumeiras ou consuetudinárias). votadas ou promulgadas). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Característica das constituições clássicas.: art. pois valem a todos os entes federados. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. formal.: art. sumárias. que surgiram com um objetivo pré-definido. básicas ou clássicas). Flexíveis (ou plásticas). .: a CR/88 é ainda Eclética. É a CR/88.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. dogmáticas. sucintas. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. o DF. codificada. Fixas. porque é fruto de várias ideologias. Históricas. Ex. Não-escritas (inorgânicas. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). dogmática. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. Ecléticas. Democráticas (populares. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. (processo legislativo). Constituição programática (ou dirigente). prolixa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). União. CR. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. OBS. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). democrática. Constituição em sentido formal. 13 . A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Canotilho. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). 3º. Pactuadas (ou pactuais). como por ex. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). e não de apenas uma ideologia. o União. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). mas sim uma obrigatoriedade!). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Semi-rígidas (ou semiflexíveis).

Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. as medidas provisórias. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. se tiver também supremacia formal. direitos fundamentais ou não. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. o indireto. §3º). por 3 níveis hierárquicos. II a VII). a Constituição tem que ser rígida. 5º. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. basicamente. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. CR). para fins de controle de constitucionalidade.343/SP. as leis delegadas. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. Importa dizer. tem de ser. LC. que a CR/88.: decretos e regulamentos. a Constituição. No entanto. porque os princípios têm maior amplitude. que existem como complementação dos ANP). as derivadas (art. distritais e municipais. 59. cujo fundamento de validade são as leis e. DL e Resoluções – ☺art. estaduais. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. sejam elas originárias ou derivadas. encontram-se as normas constitucionais originárias. Leis Delegadas. enquanto as regras são mais específicas. uma Constituição só possui relevância sociológica. por ser rígida. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. 59. MP. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. 59. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. princípios ou regras. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. No topo. obrigatoriamente escrita. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. Para que exista supremacia formal. ordinárias e complementares).

Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Residual. mas somente uma recomendação. Portanto. por uma questão de economia legislativa. No caso da prisão civil por dívida. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. OBS: O art. que regula a LC. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Essa aprovação não é obrigatória. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Não varia. é sempre o mesmo número ☺Art. No entanto. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Reservada pela CR/88. 69. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). 69. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Leis delegadas. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Quando não exigir LC. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. 47 é a regra geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC .☺Art. Por ser uma matéria reservada. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Anotar como complemento posteriormente.☺Art.status constitucional. Lei ordinária Art. a previsão constitucional exige complementação. MPs. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . 47. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros).

Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). III. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. ☺Art. Parei aqui. 30 (assunto de interesse local). há hierarquia. conforme previsto no art. não cabe ADIN. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Havendo conflito (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. • União – ☺Arts. CR. assim. a competência para resolução é do STF. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Assim. DF).: lei estadual trata de matéria de competência da União). nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 21. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). 25. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Hierarquia entre Lei Federal. • Estado – ☺Art. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. pois não está ligada diretamente à Constituição. 16 . 102. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. como o controle exercido será de constitucionalidade. d. Assim. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. E. no caso de repartição vertical.

. 17 . deve estar inserida no texto da CR. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. contudo. Tirando o preâmbulo. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. os TI de direitos humanos. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Como não tem caráter normativo. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. Abrangeria não somente a constituição. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. . Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. é diretriz hermenêutica. ou seja. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Assim. mas também o preâmbulo. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). quando são equivalentes às EC. seja uma norma de referência para ele. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). o CDC. portanto. visando assegurar a supremacia da constituição. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). Refere-se. Com a EC/45. . tem função interpretativa). normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. b) Parte permanente = normas gerais – arts. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Não existe. como para Canotilho. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. etc.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais.

Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. o Min. Ex. 3. Assim. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. mas o prof. ou seja. as Súm. ADC e ADPF. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. ocorre. se considerar em relação a uma expressão é total. .: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. No STF. .1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. 5° a 17). 69 – desrespeito a quorum de aprovação. Pode ser: . Ex. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição.: competência privativa do PR (☺art. há uma divergência na doutrina. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. 18 .Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. não será cabível mandado de injunção. AIO.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). Obs.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. e Não Bastante em Si. Ou seja. não pode ser suprido pela sua sanção). Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. CR). 3. MI. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Dependem do prisma de observação. art. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Formas de Inconstitucionalidade: 3. §1º. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Não Auto-aplicável.de princípio programático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . pois. ADI. 5. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. I – que exige LC para instituir impostos residuais). A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. A omissão parcial nada mais é que uma ação. STF não é mais aplicada. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). 154. quando não é respeitada uma norma de competência. (Obs. ou seja. 4 e 5. às vezes. 3. Ex. 61. Não Auto-executável. Aqui. Assim. mas caberá ADIN por omissão). A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.de princípio institutivo (Obs.: a Súm. aliás.

de ofício ou a requerimento da parte. que só pode atingir todo artigo. 59. 3. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. e grande parte da doutrina. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. a inconstitucionalidade será indireta. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. decretos regulamentares. não pode ser retirada). b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. aos Atos Normativos Primários. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. a inconstitucionalidade será direta. reflexamente (ou de maneira 19 . Assim. Obs. pois. ou seja. refere-se. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. Segundo STF.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. ou seja. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. Ex. toda alínea ou todo inciso (☺art. todo parágrafo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Se o decreto é ilegal. como altera sentido do texto. b. Para o prof. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. o decreto se torna inconstitucional. No caso da lei. no controle concentrado abstrato. No caso do decreto. que se ligam indiretamente à constituição. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. Ex.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. pode ser questionado. 66. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Pode ser: b. ato originariamente constitucional. CR. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. já sendo inconstitucional desde a sua origem. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). Relaciona-se. atos previstos no art. Quando se fala em inconstitucionalidade. não se trata de revogação. § 2°). Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim.: a palavra “não”. o que houve foi um desrespeito à Constituição.

60 parag 4. como pelo PE e PJ: . O chefe do PE. mas sim analisar cada caso concreto. promulgar e fazer publicar as leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. por isso ocorre antes da promulgação da lei. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. por isso aqui não há que se falar em controle).. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. quando ele participa do processo legislativo. ele não precisaria impetrar o MS. . IV . O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. já que de maneira indireta. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). ela não está violando o direito de ninguém). não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). Trata se de um controle incidental.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). 66. EX:art. 84. 84. a inconstitucionalidade é indireta. O único legitimado para impetrar esse MS. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. Caso contrário. porque o chefe do PE. portanto. 66. parágrafo. porque ele é o único que participa do processo legislativo. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. mas uma mera análise política. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. . se ele entender que o projeto é inconstitucional. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). Art. IV. segundo o STF. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. prevenir que a CR seja violada. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade.sancionar. é fundamento de validade direto e no 2° caso. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. que se exerce através do veto (☺art. embora participe do processo legislativo.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. a inconstitucionalidade será direta. tem fundamento de validade indireto. O veto tem que ser expresso. CR). o projeto 20 . porque o ato não fere diretamente a CR). mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE.ou concreto. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. não pode impetrar o MS. assim.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. No 1° caso. pois pode ser derrubado (☺art. CR. O veto é relativo. é excepcional. inciso ou alínea). OBS: não adianta decorar o nome do ato. Obs. §2º.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. viola o art. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução.

decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. e as normas do RI são questões interna corporis). pode ajuizar uma ADI. vinculam os atos e procedimentos legislativos. que. aos direitos fundamentais”. na linha do voto de Gilmar Mendes. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. etc. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. Questão: o PR. Legislativo? Sim. 68. contudo. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. 60. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. vedando-se. o Senador. o CN poderá editar um outro ato normativo primário.. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . Assim. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. a separação dos poderes.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. ou seja. Ademais. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. pois não se trata de ato normativo. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional.. na qual o projeto esteja tramitando. ☺art. que entende que “. 49. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. universal e periódico. §4º. em um primeiro momento. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. as cláusulas pétreas. muito embora não sejam formalmente constitucionais. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. os direitos e garantias individuais” – ou seja. secreto. constituindo-se normas constitucionais interpostas. não lhe cabendo. mormente. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. que é o chamado Decreto Legislativo. se está no Senado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. o voto direto. V . Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. já que trata-se de um ato normativo. se na Assembléia Legislativa. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). No entanto. Leitura do livro do Lenza (pág. ADC ou ADPF.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. 21 . o PR elaborará então a LD. Na verdade. por maioria de votos. interpretações regimentais. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. tendo como objeto esse Dec. mas um processo legislativo constitucional. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. desta feita. a fim de repará-la. V. somente o Deputado Estadual. Se o projeto tramita na CD. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. CR. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. 168): o STF.

é necessário fazer-se um controle repressivo). Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. IV. Desde já. CR).. quando.. No entanto. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. não havia relevância alguma). exorbita os limites do Poder Regulamentar. O TC é órgão auxiliar do PL (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. mas tão somente aos prefeitos. Ele será.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. clara e evidente – ou seja. pode o PJ analisar tais pressupostos. o chefe do PE teria que. Obs. GE. Gilmar Mendes. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. CR).084). através da edição de um Decreto. ao fazer um Decreto Regulamentar. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). 62. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. Antes da CR/88.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. segundo o STF? Resposta: em regra. II) art. Apenas excepcionalmente. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. . CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. Legislativo para sustar. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. no exercício de suas atribuições. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. estudado de forma detalhada a seguir. 4. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). III) Súmula 347. . estendendo-se inclusive ao PR e Gov. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. ou seja. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. ao negar cumprimento à lei. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. tampouco que o PR.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. já no STJ não há qualquer ressalva. simultaneamente. ajuizar uma ADI. 84. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. O chefe do PE (e só ele – PR. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). mas segundo o Min.. Assim. porém. ela deve ser objeto de controle. nesse caso o CN pode editar um Dec. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. Após a CR/88. STF: o Tribunal de Contas. Não se analisa o mérito da MP). que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). esse rol foi ampliado. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . não é um entendimento consolidado. 71. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. pois. por ex. nesse caso.

ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.S. No Brasil. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. isso não é verdade. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). o controle é feito pelo PL. porque surgiu nos EUA. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). porque significam coisas diferentes!).: na Suíça. com 19 anos de Constituição. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). 1792 Hayburn s case. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. se se tratar de lei local. Segundo caso. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. porque surgiu na Áustria. Por isso. mas das espécies de controle. Obs. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ.Hilton x U. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. que completa este ano 20. e é adotado pela maioria dos países europeus.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. para não gerar essa confusão. haviam sido feitas apenas 16 EC. Por isso. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). em 1920 (bem depois do controle difuso). apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. dentro de sua competência.A. ou seja.: França – que tem o Conselho Constitucional. já na CR/88. inclusive o STF). há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. já foram feitas 56 EC! 23 . Primeiro caso. Ex. em 1803. difuso e concentrado). de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. em se tratando de lei nacional. ao mesmo tempo. quem exerce o controle é o PJ. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. É também chamado de controle aberto. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). 4. interessante: em 1965.

102. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. A análise da lei sempre será feita em tese. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. mas tão somente de controle concreto. o principal defensor dessa tendência é o Min. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Este efeito é típico do controle abstrato. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Com base nesse argumento. nos EUA chamado de “Binding Effect”. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. 97. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Segundo este instituto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. No direito brasileiro. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. ou tendência de verticalização. também não podem ser objeto de controle abstrato. e a partir desse antecedente. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Por isso o Min. é proteger as normas da CR. sendo o controle 24 . Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. (O STF é o guardião da CR – art. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. por ser uma relação vertical. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. Da mesma forma. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. se fala em efeito vertical. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Gilmar Mendes. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. No Brasil. mas deve ser estendido ao controle concreto). O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. ou seja. porque em estando revogada. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. O efeito vertical. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). A finalidade não se confunde com a competência. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).

mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. 52. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. X. se assim fosse. houve decisões proferidas em 3 MI (712. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto.959/SP. e não erga omnes. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Assim. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Pois no controle difuso. então não sabemos a posição dos demais ministros. No Legislativo: Mas. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. E. Por fim. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. em seu voto. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl.917/SP. Outra situação interessante foi o RE 197. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. não uma simples mutação. Gilmar Mendes. segundo ele. Não houve reclamação quanto a essa decisão. ou seja. sem que ocorra modificação no seu texto. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Na decisão do STF. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. não há necessidade da suspensão pelo Senado. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. No Acre. Antes. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. 25 . Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. o Min. ainda. viola o princípio da igualdade. Gilmar Mendes. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Eros Grau. tendo efeito apenas inter partes. Então. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. do PL. como a decisão tem efeitos inter partes. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. Gilmar Mendes (e também o Min. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. pelo menos por parte de alguns ministros. ou seja. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Por fim. ou seja. O Relator da Reclamação foi o Min. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. que deu provimento à reclamação. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. sendo acompanhado pelo Min. Assim. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. CR. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. em ocorrendo isso. Então o Min. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. 4.335/AC). o direito de greve dos servidores públicos. não permite essa mutação).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. ou seja. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto.

O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. 103-A). (☺ Lei 11. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. 102. estão os procedimentalistas.418/06). uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. não é o objeto principal do pedido. eles não se reúnem fisicamente. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. A repercussão geral (art. por estarem mais próximos dos indivíduos.art. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. O papel do STF não é julgar litígios individuais. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). somando-se os votos de todos eles. Segundo Eduardo Appio.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. fundamentação e dispositivo. analisado no dispositivo (conseqüente). social. § 3°. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Contrários a essa tendência de abstrativização. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. atualmente. mas apenas a causa de pedir (antecedente). não tem natureza processual como as súmulas comuns. é uma questão incidental. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. 26 . concorda com isso). ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. político ou jurídico.417/0 e Lei 11. por sua vez. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. é um instrumento de controle concreto e há. No controle concreto. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. o que se dá no “plenário virtual”. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. não precisam chegar até o STF. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. a rigor. O RE. julgando-o procedente ou improcedente. ou seja. pois tem o papel de guardião da Constituição. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Num segundo momento (conseqüente). Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. não cabe ao STF analisar. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei.

17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. questões ditas de passagem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. mas tão somente a ratio decidendi. e ele se encontra no Dispositivo.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.erga omnes . A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. 102. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. não determinantes para a decisão) não vinculam. .: .EC 45/04: art. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. ou seja. §2º.U. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. art. 102. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. . eles também são vinculantes. Sendo assim. sejam particulares.882/99 – ADPF. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. . secundárias do julgado.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.vinculante.Lei 9. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Dispositivo L. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Ademais. .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. conforme está previsto no caput do art. a chamada eficácia vinculante.868/99 – Lei da ADI e da ADC. mas também à fundamentação. 10.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. sejam poderes públicos.Lei 9. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . 27 .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.I. 28. há previsão não só na lei como também na CR). . §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. P. art. 5. a razão determinante da decisão.

Obs.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. no caso Marbury x Madison). impedida de evoluir). também fica vinculado). pois atinge apenas o dispositivo. Por este entendimento. até que o PJ a declare inconstitucional.o PL (na verdade. se as leis devem ser cumpridas. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. estes estarão sim vinculados). 28 . mas os sistemas de preclusão processual. Respeitando o efeito vinculante. estadual e municipal). que se quiser. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. Só atinge a norma impugnada.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. . como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. inclusive os chefes do PE.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. mas sim fiscalizatória. suas turmas e seus ministros. outros dizem ser nulo.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. . como a coisa julgada. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. pode modificar seu entendimento. No entanto. e outros dizem ser um ato anulável. a função legislativa).803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. (20/03/09) 5.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. inclusive o Tribunal de Contas. cuja função não é legislativa. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . já os órgãos fracionários do STF. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. mesmo que não tenham sido impugnadas. .a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. segundo o prof. . É um entendimento que vem desde 1. por sua vez. .

Normas anteriores à CR. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). etc. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).” . no caso do controle abstrato. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). porque o ato é nulo desde a sua origem.882/92 (art. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. Ou seja. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral.). poderá o STF. decidiu que. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto.)”. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. O STF.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. assim. portanto. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. ☺art. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. como os servidores agiram de boa-fé. o STF. como a Lei 9. ou 2) excepcional interesse social. e não no de não-recepção). não admite a “constitucionalização superveniente”.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. 11). Mas. autor e réu.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. que revogou a Lei A. 27. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. portanto. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Lei 9.. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. os efeitos são erga omnes). passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. Visto a natureza do ato inconstitucional. com seus normais efeitos ex tunc. não precisariam deixar os cargos. . poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. Exs. com inteiro teor). um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. por questão de segurança jurídica. como regra é retroativo: ex tunc.868/92 (art.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Neste caso. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. o Min. 27). É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.112/90. ☺RE 197. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Assim. o efeito que produzirá. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. . incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção).

quando todos os Estados tiverem DP.Corresponde a um juízo de . controle difuso-concreto. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). 134. para que este corrija a norma. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. ela progressivamente se tornará inconstitucional). CPP.O Tribunal não precisaria 30 . .: a norma x tem dois significados possíveis. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. reproduzida pelo STF). quanto . Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). o prof. constitucionalidade. não foram todos os ministros que se manifestaram). depois de ter sido recepcionada. 5. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). chamada “Apelo ao Legislador”.2: art. mas nem sempre.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. Ex. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas.O Tribunal precisaria observar . mas. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. mas sua interpretação).Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. Segundo o STF. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. evitando a inconstitucionalidade progressiva. o resultado será o mesmo. Em alguns casos. . era uma questão “obter dictum”. 68. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. com condições de trabalho iguais às do MP. portanto. de fato. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. Assim. com um só sentido). um significado A e um B. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. portanto. portanto foi recepcionada. assim. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. CR x art. à medida que a situação fática for alterada. ex. e a norma já foi recepcionada pela CR e. que trata da ação de reparação ex delicto. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. Ex. (A norma já passou pelo crivo da constituição.Corresponde a um juízo de .

.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. são excluídas as demais. 2º. observar a cláusula da reserva de plenário (*). 1º ou do art. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir).Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. ou seja. se for um dispositivo autônomo. Ocorre que. o juiz pode. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. ser objeto de ADI. desde que não altere o sentido do restante da norma. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. Obs.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. declarar a inconstitucionalidade. O STF.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). da Lei x.É excluída uma determinada interpretação. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. b. o texto da norma. nem sobre os demais. ou todo o artigo. no controle concreto. . analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. do art. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . esta só se faz necessária quando se afasta. 97). total ou parcialmente. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). 2º. . portanto. não poderá. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. se manifestar de ofício sobre o art. b) Com redução de texto: b. no controle abstrato.É permitida uma interpretação e. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. Assim. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. 1º e 3º e. em razão do Princípio da inércia. como ambas são equivalentes. Trata-se de controle abstrato. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. e são permitidas as demais. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. se o art. de ofício. no controle concreto. . o juiz não pode. Na declaração com redução de texto.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. 2º for dependente do art. . . de ofício. não podendo. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido.É uma técnica de decisão judicial. em princípio. . em regra. por arrastamento.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. mesmo que não tenha sido questionado. 3º. a cláusula de reserva de plenário.Não há qualquer modificação no texto da norma. 1º e 3º. 2º. (*) Para o STF. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). dentro de uma mesma lei).

já que o STF pode. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. Assim. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. de ofício. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. ADCe ADPF). mas também quando há usurpação da competência do STF). ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). julgará procedente ou improcedente o pedido. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. Ou seja. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. ACP para fechamento dos bingos. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. Mas nem todo controle concreto é difuso. Sobre o tema: 32 . e por arrastamento. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Obs.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. julga também inconstitucional o decreto. neste caso. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Ex. portanto. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. dentre elas a ACP. O pedido será a proteção de direitos.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. portanto. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. porque. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. mas é que esta não é necessária. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. todo controle difuso é concreto. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. mas apenas a causa de pedir. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). apesar de sozinho não ter aplicação. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. O dispositivo. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). porque seu conteúdo é incompatível com a CR. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. Contudo. Neste caso. pois será uma questão discutida incidentalmente. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. No Brasil. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido.

não pode ser delegada.022.159. 557. Assim. elaboração de Regimento Interno. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”.: eleição do Presidente do tribunal. e no mínimo 11 membros. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. ☺art. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). no âmbito dos Tribunais. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. desde que. pois. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. é função possível de ser delegada. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. na prática. que é função legislativa. teremos uma lei material. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). de Hugo Nigro Mazzilli (pg. Segundo esta cláusula. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. Nada impede. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 33 . as chamadas leis de efeitos concretos. No tocante. 93. no caso. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. por ex. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. Regra da “full bench”. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). por entendê-la inconstitucional (inter partes). os Tribunais não têm admitido que. conseqüentemente. XI – órgão especial: para que seja criado. 294. por meio da ACP. Assim. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. porém.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. Em outras palavras. Assim. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. porém. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. dotada de caráter de universalidade e abstração”. 97. que é mais de 50% dos presentes). 97.646. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa.. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. porém. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. também não pode ser delegada). pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. STJ ☺ Resp. STJ ☺ RE 227. assim. de efeitos concretos. por exemplo. em defesa de contribuintes. Os juízes singulares podem. o que só se pode obter por meio de ADI. que é função política.

. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. pela maioria dos seus membros.. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. Há quem critique tais exceções.U. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. P. podendo decidir o caso concreto. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. sabe-se que o STF é o guardião da CR..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. se existir no Tribunal. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). assim. . 481. CPC) seria inconstitucional: o art. ☺art. 97.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. como guardião da CR. Decidido o antecedente. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. de acordo com o posicionamento do STF. a argüição de inconstitucionalidade (. O professor não concorda. Exceções: P. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. prosseguirá o julgamento. ao órgão especial). abstratamente. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. será lavrado o acórdão. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Há uma repartição funcional de competências. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). porque para o STF ambas são equivalentes. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto.U. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Assim. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. 34 . analisando se a lei é ou não compatível com a CR.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. Quanto à 2ª exceção. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). se entender que a lei é inconstitucional. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. no entanto. ou em caso de interpretação conforme. sob o argumento de que o dispositivo (art. se for acolhida. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. 481. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.

A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. X. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). Quando o SF suspende a lei. bem como ou STF. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. A cláusula vale também para o controle concentrado. 178. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. se assim o fosse ela já seria vinculante). O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. passa a ter efeito erga omnes. Na verdade. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. por isso o faz dali em diante. CR – compete privativamente ao SF suspender. a decisão do STF. O SF não é obrigado a suspender. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. quando isso ocorre. art. O STF já admitia essas duas exceções. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. o SF não pode suspender toda a lei. 35 . a lei deixa de ser aplicada. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. Ademais. portanto. trata-se de uma competência exclusiva. no todo ou em parte. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. que não pode ser retroativa. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. O SF apenas suspende a lei. que não comporta delegação. sustentam que o efeito é ex tunc. Outros autores. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. 52. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). ou seja. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. A suspensão se dá através de uma Resolução. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. esta decisão deve ser submetida ao plenário. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. entendem que se trata de um ato discricionário. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. Ou seja. como se tratasse de uma revogação. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. É o entendimento mais correto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. RISTF. ela se refere à decisão do STF. 2) Outros autores. em regra. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. Efeitos. não estando vinculado à decisão do STF. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos.

para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). O SF. Neste caso. esta norma não é de observância obrigatória. Gilmar Mendes. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. não se referem ao âmbito estadual e municipal. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. em razão do princípio da simetria. 57. LO. Art. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. obrigatoriamente. RISTF) – e isso é óbvio. está fazendo uma análise. Ressalta que a letra da norma (art. cabe. 59 e segs. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Mas. 61: iniciativa do presidente. Nas situações em que o TJ julga. 178. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. e se o STF. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. a resposta é negativa. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. no controle difuso-concreto. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Quando se fala em decisão definitiva do STF. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. Por isso. desta decisão proferida pelo TJ. deve-se recorrer ao entendimento do STF. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Esse assunto está sendo discutido pelo STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. 52. a partir do momento que resolve fazê-lo. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Na ADPF este fenômeno também é possível. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. segundo o Min. CR) não comporta este entendimento. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. etc. mas. pela simetria deve ser atribuída ao governador. §4°. Segundo o professor. 66. por ser um órgão do PL Federal. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. já que o SF não atua de forma correta. normas referentes ao TCU. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. um RE para o STF. Art. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. o que. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. CR. Segundo o STF. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. configuraria uma mutação constitucional. já o SF não. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. É uma construção da jurisprudência do STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. se for apenas uma parte. esse entendimento é desejável. CR: prevê o escrutínio secreto. não havendo a necessidade de suspensão da lei. ou seja. LC. sendo norma de observância obrigatória. requisitos para a criação de CPI. cujo modelo.

Ex. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução.: Lei 8. por isso pode suspender leis também dos Estados. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. §3º. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. estadual e municipal. quando o SF atua. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). também. Ex. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira.” Análise do enunciado pelo prof. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. ADC ou ADPF).: arts. Ex. por isso pode suspender lei estadual e municipal. São os dispositivos que se referem tanto à União. a suspensão. da organização da União. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). o SF teria um número enorme de representantes). os que tratam do TCU. no controle abstrato (ADI. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. no todo ou em parte. Classificação de Osvaldo Aranha B. por não existir uma federação de municípios. outros 37 . que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). distrital e municipal). 58. assim. CR). ele está atuando como órgão de caráter nacional. não havendo. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. 59. é como se os Estados e DF também estivessem atuando.: CTN. etc. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Assim. do DF e até municipais. portanto. visto que. Quando o SF suspende os efeitos da lei. Ex. Quando o SF atua como órgão federal. mas não trata apenas dos interesses da União. como aos Estados. porém.: art. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. sendo específica para os servidores públicos civis da União.). 52. se aplicando ao âmbito federal. que deve ser observado no âmbito federal. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. É também uma lei emanada do CN. 19. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. só se aplicando ao âmbito federal). X. pelo Senado Federal. art. está defendendo interesses apenas da União. retirando a lei do ordenamento jurídico. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. 37. estadual. Sabe-se.

por força do referido Decreto nº 2. de fato. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Segundo o STF. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. Embora não haja consenso. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar).346. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). visto que. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. adotou-se.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. TO. Portanto. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. no âmbito da AP Federal. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. Com efeito. MS. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. de 10/10/1997.346. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). não retroativos). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. declarando uma lei inconstitucional. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. RN. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. da AP Federal direta e indireta. 2º grupo: . é sempre a AL que suspende a lei. é a AL que suspende a lei. é a Câmara Municipal. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. os dois tipos são constitucionais. SE e AM. na sua esfera de competência. visto que. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). . ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. pró-ativos (ex nunc). Poderá. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). em decisão definitiva. 38 . Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. porque o seu parâmetro não é a CR. Entretanto. então.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual.

AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). A Constituição.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. ela é meramente jurisprudencial).868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. a competência é do TJ). mas sim legitimados. deve haver a previsão da legitimidade. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. Obs. 5) Ação rescisória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). e . .ADC. Como são ações de controle abstrato. 39 .ADPF. 4) Recurso da decisão de mérito. 103. ☺Lei 9. tendo partes – autor e réu. onde não existem partes formais (autor e réu). ou na CR ou na lei. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. o duplo grau de jurisdição. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. obviamente. a ampla defesa. não cabe. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . . que são a União e os Estados). Por se tratar de um processo de índole objetiva. em seu art. e não do trânsito em julgado.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. de acordo com essas leis.

mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).A norma do art.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. . Assim. . . .A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.Confederação sindical significa de âmbito federal.Os GE. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). CS e ECAN. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.. a partir de então. Obs. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).S.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Executivo PR GE – GDF P.A entidade de classe. segundo a jurisprudência do STF: . ou seja. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . Para ter âmbito nacional. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). . para ter legitimidade.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. confederação local: sindicato. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. confederação regional: F.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). . Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.

as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. 1º. são questões próprias de RI. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. 102. ele poderá ser objeto. sem interferência do PJ. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. a. para ser objeto de ADC e ADI.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . pois geralmente está abaixo do decreto.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. nas normas que tratam de outra matéria). (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.: decreto regulamentar do PR. 102. 41 . Não serão objeto de ADI e ADC. . é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).Norma formalmente constitucional . questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. geral e abstrato.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. 5º. como por ex. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. direitos e garantias fundamentais. a. I. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).TIDH (3/5 e 2T) . decreto regulamentar.☺art. todas estão no mesmo nível. o RI pode. Obs.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. Ex. . OBS. . ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. caso o decreto emane diretamente da CR. por isso não é ANP). §3º . Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). Lei 9. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). admite-se o seu controle. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. I. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.

O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. Função geral do AGU (art.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. segundo o STF. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. medidas provisórias revogadas. No caso de emenda. ainda. leis suspensas pelo SF. também poderá dar parecer em sentido contrário. . §1º. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. Atuação do AGU: ☺art.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. STF). → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. Assim. intervenção de terceiros e recursos. Lembrar que não cabe assistência. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. CR. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. devendo ser de todos eles intimado. Mas. na outra. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. só podendo ser objeto de controle difuso. CR. salvo embargos de declaração. §3º. pois não produzem mais efeitos. . ainda que ele proponha a ação – ou seja. pode ser qualquer ato do poder público. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). posteriores a 5/10/88. § 3° é uma função especial. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. o STF admitiu. se um novo PGR o substituir. Gilmar Mendes e de um prof. por analogia. portanto está subordinado ao PR. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. não ameaça mais a supremacia constitucional. 103. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. 103. ou seja. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. como está havendo uma influência de um controle no outro. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). O PGR atua como “custus constitutionis”. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. 103. ele vai atuar como fiscal da Constituição. Obs. e. Atuação do PGR: ☺art. de defensor legis. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Lei do DF não pode objeto de ADC. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. da mesma forma na ADPF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Tem status de ministro de estado. 42 . A função do art. Hoje. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. sem exceção.leis revogadas. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF.Súmula. se seu entendimento for diverso. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). rejeitadas ou havidas por prejudicadas. não pode ser objeto de ADPF: . poder-se-ia admitir o veto jurídico. é preciso primeiro ser transformado em EC).

CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). 31). o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. 9. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. só vai contribuir para a decisão do tribunal. nos estados que adotam a commum low.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. A previsão expressamente contida no art.868.868/99 -☺art. §1º e art. §2º da Lei 9. por fim. 7°. Cabe também na ADPF. §2º e art. não há o que se defender. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. o AGU até poderia participar. por analogia. sendo feita por toda a sociedade. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. A exposição dos motivos da Lei 9. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. disciplinou a figura. seria “amigo do tribunal”. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Na ADI por omissão. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. “amigo da corte”. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Mas atenção: existe um outro instituto. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. §1º.884/94 (CADE). Quando o AGU desempenha essa função.868. É muito comum nos tribunais internacionais. em especial no direito norte-americano. Não há previsão para a ADC e ADPF. o das audiências públicas. Nesse caso.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. A audiência pública está prevista na Lei 9.385/73 (☺ art. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Portanto. a Lei 8. de “defensor legis” e. Está desempenhando uma função especial. art. não precisará do AGU para defendê-la. Foi introduzida pela Lei 6. ☺ art. Ele não é alguém interessado na causa. Na ADPF. 6º. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. Amicus Curiae: Em uma tradução. Mesmo sem previsão legal. art. o AGU não será obrigado a defender a lei. . estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. 7º. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 482. 89. Importante: ainda que como Advogado da União. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). mas não têm nada haver com amicus curiae. §1º. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. 7º. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. 20. portanto. Tem natureza de auxiliar do juízo. Ela já existia antes. em seu art.868. 43 . §3º. Posteriormente.868/99 vale só para a ADI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato).

Barbosa e E. ou seja. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. O STF ainda tem exigido pertinência temática. R. M. “a”. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. porque iria envolver matéria em relação à vida. Lewandowski. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .Com relação à presunção de constitucionalidade. Quando 44 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. portanto. admitindo ser intervenção de terceiros (C. por ex. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. é um equívoco.868/99. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. I.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. seria uma exceção). Foi uma exceção. Surgiu com a EC/03.. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. (Obs. Mello. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. É. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. autor e réu. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. cabe amicus curiae. .102. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. segundo o professor. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. não tendo partes. em despacho irrecorrível. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. ou seja. Marco Aurélio não admitiu. J. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. . Mas depois que a lei foi feita. Apesar de que era relevante. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). pois admitiu pessoa física em controle concreto.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. poderia afastar esta presunção. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. a mais correta. ressalta-se que esta é apenas relativa. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. Obs. Para o prof. admitindo prova em contrário. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. Aurélio. O juiz de primeiro grau. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Lei 9. .Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Gracie).

Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. é mais restrito: somente a violação. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. art. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. o FHC ajuizou ADC. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. VII).102. em seu art. . b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.868/99. Portanto. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. 34. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Gilmar Mendes. O parâmetro. na ADPF 33: .Princípios Constitucionais Sensíveis.882/99. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. a Lei 9. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. no entanto.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). nos quais a lei esteja sendo discutida.U. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. e .Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. 45 . não há que se declarar uma lei constitucional). que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. inclusive o Poder Executivo. III). nas outras ações ela também poderá ocorrer). para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. §1º. Segundo a doutrina. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). portanto. e .Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. Não é uma ação de inconstitucionalidade. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. Mas. .14.).Princípios Constitucionais. Cabe prorrogação. . 14. O STF admitiu ☺Informativo 518. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. .Título I: Princípios Fundamentais. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. os preceitos fundamentais são: . ADPF: ☺ Art. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. .Cláusulas Pétreas. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.868/99.21. P. II. CR e Lei 9.Cláusulas Pétreas.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.869/99. Como visto. Através do AGU. .

dentro do mesmo tribunal. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. ou seja. Obs. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. § 1° da lei 9. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. P. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. 1º. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. ainda.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. como guardião da CR. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.882/99). Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. neste rol. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. estadual e municipal. a vinculação é vertical. leva a questão ao STF através de ADPF.: gestante com feto com acrania. art. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Características: .: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP.: surge a partir de um caso concreto. Aqui.U. dentro do órgão judiciário). embora seja bastante difícil existir esse meio).882/99. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Ex. O objeto pode ser da esfera federal. 4°. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Segundo Neri da Silveira.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. Proposta diretamente no STF. Art. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. na ADPF. 46 . embora lá há uma vinculação horizontal. 196 e ao meio ambiente. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. podendo ser um meio de controle difuso. Um dos legitimados. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Mas se algum dos legitimados souber da ação. Incluindo-se. apenas o STF. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. 1º. os legitimados podem levar não todo o processo. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário.

105. o STF transforma a ADPF em ADI. mas a converteu em ADI.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. TSE/TER (art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. Obs. . 102. nas CE ou em lei federal). II e III).CR: STF (art. . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. STJ (art. O STF admitiu a ADPF. em se tratando de órgão administrativo. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. à soberania e à cidadania”. Assegurar a efetividade de suas normas. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. V). É controle abstrato. .: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). LXXI . Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).Admite-se a fungibilidade.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. 5°. 103. § 2º . Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: .Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. É controle concreto. É a mesma da ADI. q).. h).Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). coletivos e individuais indisponíveis (art. 47 .MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. ADC e ADPF (art. . Ex. I. I. por ex. para fazê-lo em trinta dias”. No entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 121. à soberania e à cidadania). Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 5°. § 4°. 129.

. Obs. concretize a norma (faça a norma concreta). mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. fundamentais em face do Estado. mudou seu posicionamento. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. ou seja. não pode fazer a norma para o caso concreto. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . no entanto. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. ou seja. Recentemente. portanto. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . LXX: PP c/ CN. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. competente de sua omissão (em regra. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. apenas razoável e não peremptório. Mas atenção. portanto não podem impetrar MI. Há. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b.Órgãos públicos. recentemente. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr).2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. mas esse prazo era direito. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. público: MI protege dir. Se o PL) e. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. é b) Concretista: concretiza a norma. 5º. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. organização sindical. autores que admitem. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora.MI Coletivo: o STF o tem admitido.: na ADI 3682 b. não pode concretizar a norma. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. entes federativos e PJ dir. O STF. ECAN e associação c/ 1 ano). em se tratando de órgão da AP. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI.

porque nem a AIO tem esse poder. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. VII). como regra. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. ao mesmo tempo. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. em um primeiro momento. Portanto. o STF está atuando como legislador positivo. Surge a partir do caso concreto. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. O efeito seria apenas inter partes. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. 34. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. III. A omissão total não cabe MC. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. 652. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. ou seja. ou seja. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. No MI. A regra é o principio da não-intervenção. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. e 2) recusa à execução de lei federal (art. o PJ. 680. VI). nestes casos de omissão parcial. 49 . De acordo com esta concepção. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. ademais. Ela se subdivide em – geral e individual. CR (provimento.040). 2. Mesmo adotando a corrente concretista. criando uma norma geral e abstrata. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). Recentemente. 36. O STF adotou essa corrente no MI 232. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. a intervenção é uma exceção (a União não pode. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. 34. pelo STF. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. porque adotava a corrente não concretista). intervir nos Estados). poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. 708 e 712). ou seja. não cabe liminar (antes. Essa corrente é bastante criticada.

Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. da ADPF). ☺art. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). O RE. no âmbito federal). Isto está previsto no art. se o STF der provimento à representação do PGR. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. mas que surge a partir de um caso concreto. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. é claro. além. mas sim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. nem no RISTF. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. 127. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. CR). e sim em face da CR. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. portanto. § 1°. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. o PR então poderá decretar a intervenção. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. 35. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. 614. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. CR. foi uma criação da jurisprudência do STF. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). que é o pressuposto para a representação interventiva. CR. ☺art. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. no âmbito do TJ. STF). se violados. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. 36. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. 125. 50 . O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. As partes aqui são o Estado e o Município. O STF é o guardião da CR. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. OBS. É dispensada a apreciação política pelo PL. §2º. Esta forma não foi prevista na CR. CR. §3º. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. O parâmetro aqui é mais amplo. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). IV. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Portanto. corroborando essa perspectiva. Celso de Mello. editando a nova Constituição. social e juridicamente organizado. segundo o Abade Sieyès. XVIII). pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Modernamente. cria o Estado. porém. em nome do povo. que é sempre superior aos poderes constituídos. é a nação. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. a vontade do constituinte é a vontade do povo. C. Para os jusnaturalistas. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. analisa-se se o poder é legítimo ou não. mas jamais é quem o exerce. Na 1ª etapa. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. expressa por meio de seus representantes. que formulou esta teoria no fim do Séc. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Obs. retira sua força do direito natural. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. segundo o abade Emmanuel Sieyès. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. que. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. Schmitt). o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Bonavides. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Está acima do direito positivo. em alguns casos. que deve observar o direito natural. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. pois o Estado decorre da soberania popular. pode usurpar do povo a titularidade do poder. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Assim. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. por delegação popular. o exercício dessa magna prerrogativa. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . ou seja. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. São apenas órgãos aos quais se atribui. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. É ele um titular passivo. um dos precursores dessa doutrina. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Assim.

que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Formal . Portanto. correspondendo aos anseios daquela sociedade. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . 25. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal.Reformador (art.: o prof. Espécies Tradicionais: . CR) . se esta correspondência existir o poder será legítimo. Assim. 3º. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. por conseguinte. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. art. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. que é seu verdadeiro titular.Histórico . já que o poder constituinte já é originário. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder.Material . para ser considerado legítimo. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. 11. Dessa forma. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. 60. ADCT) .Revolucionário . ADCT. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. há legitimidade objetiva.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) .Decorrente (art. Obs.Revisor (art. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.

b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. 1946. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). 1934. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. No caso do Brasil. GV). todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. O povo é o titular do PCOM. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente.: este poder tem este nome porque para o Direito. 1988. ou seja. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. há alguns valores que são morais. independente e soberano. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. O Abade Sieyes. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. 53 . O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. No plano axiológico. Apesar de ser um poder incondicionado. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. a nenhum pré-requisito jurídico. através de normas constitucionais. 1967/69. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. que substituirá a anterior. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. mas não a primeira e sim uma nova. foi criado um direito natural). é apenas uma classificação quanto ao momento. Obs. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. é ele que dá início ao ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. não perde a titularidade do poder constituinte. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. 1937. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. No caso do Brasil. ex. . revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. b) é um poder inalienável. através da Constituição.: se é um poder autônomo e incondicionado. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. Obs. Ex.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). ela nunca deixa de ser do povo. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. Obs. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição.

Obs. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. mas continua a existir como característica essencial deste poder. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. 11 do ADCT. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). aqueles sobre os quais há um consenso profundo. 54 . Ainda que o estado seja soberano. O prof. 25. por ex. A CR/88. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. não concorda muito com isso. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. no art. ☺art. com os avanços da sociedade. observados os princípios estabelecidos na CR. na verdade. Quando a CR consagra o art. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). refere-se ao núcleo essencial dos direitos. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. A partir do momento que a CR surge. as constituições estaduais não são recepcionadas. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. ficando um pouco relativizada. Ex. por se tratar de uma conquista da sociedade. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. De acordo esse limite. Dentro desse limite. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. na pena de morte. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. mas meta jurídico (fora do direito). No entanto. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. ele encontra limites no texto da CR. Fábio Konder Comparato fala. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). Esta AL.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. No caso da CR/88. Não se trata de um limite jurídico. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. 25. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Ex. contudo.. a doutrina deduz deste art.

que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. § 1°. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). 57. .traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.: presidencialismo x parlamentarismo). 58. são essas as normas de repetição obrigatória. porque o art. composição. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. mas foi uma decisão super apertada (6x5). este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. V ???) I) Expressos na constituição: art. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. processo legislativo (art. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . II) Implícitos: CPI (art. Estão presentes no art. vedada a recondução. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. 59 e segs. 57. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). Mas. Obs. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. Se subdividem em: 55 . → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . não existe um modelo a priori de separação dos poderes. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art.). 27. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. diferente dos extensíveis.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. Obs. e o STF decidiu que não havia problema. §4º. . Segundo o STF. Há dois grupos: (art. são as normas de auto-organização da União. 75. CR. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. VII.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. 61. que se estendem aos Estados. §1º . CR. 58. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. § 3°). normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. 93. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. §4º não é norma de observância obrigatória). 34. ou seja. por enquanto.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex.Requisitos para a criação de CPI: ☺art.: ☺art.

que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. é conseqüente. CR (é vedado à U.exercício: é pelo CN. 34). A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.: art. DF e M.). E. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. se for decretado o estado de defesa (art. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. . ADCT). Trata-se de um poder previsto na CR e.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada.. CR. . §1º. 60. CR. uma limitação temporal para o poder revisor – art. 56 . 136).normas mandatórias: ex. ou seja. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 3°. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. portanto. mas é possível deduzi-las. . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado.é condicionado.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.é um poder jurídico (e não de fato). .não é autônomo. em qualquer estado da Federação (art. 19. cujo procedimento está previsto no art.é limitado. no entanto.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. 37. . . e se for decretado o estado de sítio (art.normas vedatórias: ex. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Ex. . .. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. 60. portanto. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 137).titularidade: é do povo. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .não é inicial.. .: art. Ex.) – contém uma vedação expressa.: os arts. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. decorre da lei e não da força. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. .

60. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. não promulga. através da iniciativa popular (art. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). do SF ou do CN. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. §10). DF e DE. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). o PGR. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. não veta. 60. Ex. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. possamos usar o procedimento previsto no art. 44.A nossa Constituição é rígida.U.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC.Feita a iniciativa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. no âmbito do PJ. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. a PEC vai para a promulgação. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. 60 (incisos I. assim. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. 61. . 57 . ademais. 60. por fim. Este art. ☺art. não pode haver emenda de emenda. apenas o PR. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art.A última limitação formal objetiva está prevista no art. o STF e Tribunais Superiores.Discutido e aprovado. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. 60. também chamadas de implícitas.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. GE. §2º). b) o entendimento majoritário da doutrina. II e III) uma exceção à regra geral. também podem propor projeto de lei o povo. 61. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. 62. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa).Além do PR. §3º. ela será chamada de extraordinária. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. . por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. No caso de projeto de lei. no entanto. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. apesar de não existir previsão expressa. §5º. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. é o de que o art. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. a PEC será discutida em cada casa do CN. 67. CR. A Sessão legislativa (art. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. . . ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. para que. sendo o art. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. . no âmbito do PE.). P. após a iniciativa. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. ☺art. que é o período de 4 anos do mandato do PR. Obs. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 61 é a regra geral de iniciativa. CR). §2º). no âmbito do MP. . não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). no qual há 4 sessões legislativas. . 61. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. proposta rejeitada no dia 15/01.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. se a matéria for rejeitada.

Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. Expressas: ☺art. Universal e Periódico: . ademais. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. não é secreto. CR. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). universal e periódico. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. 58 . na verdade. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. o direito de participar das eleições. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato).O voto obrigatório não é cláusula pétrea. secreto.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. segundo o STF. §4º. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. São as chamadas cláusulas pétreas. . b) Preservar a identidade material da Constituição. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Se elas não existissem. c) Voto Direto. que é o modo como se realiza o exercício do voto. c) Assegurar o processo democrático. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. Ou seja. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. VI. 60. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. a). o voto não é universal. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Curiosamente. cláusulas que exteriorizam limitações materiais.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. mas sim. pois. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. o que é secreto é o escrutínio. As cláusulas pétreas são. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. Secreto. 150. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. o que é universal é o direito de sufrágio.

far-se-ia uma EC revogando o art. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . 2º. b. CR. e não em direitos e garantias fundamentais. CR). que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. CR. não seriam cláusulas pétreas. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. são CP. comportam diferentes interpretações. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. todo o art. A CR fala em direitos e garantias individuais. 60.: primeiro. Os demais direitos e garantias fundamentais. segundo a qual o art. Para ele. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. posteriormente. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. sendo uma garantia individual. 60 poderia ser modificado. dispostos do art. como um todo. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. . não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos.: FGTS. III. mas refere-se a uma reforma.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. em princípio. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Obs. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. não alterando-o). por isso. com a dignidade da pessoa humana. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. pois. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. sistematicamente. não o serem). Mas o STF já considerou que o art. 5º. é o art. O art. (23/04/09) 2. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. inclusive. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Chama-se dupla revisão. que não é unânime na doutrina. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. por uma questão lógica.Há quem defenda. Assim. não concorda. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. 150. . 5º. não tem nada a ver com CP). que proíbe a pena de morte. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. ADCT). Assim. Ex. Lá estão as limitações ao poder reformador. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. mas os demais não (ex. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. ou. e por conseqüência. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 60 seria CP. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. 60. para posterior alteração do conteúdo. Os direito fundamentais se encontram. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. é CP. CP). Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). O prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Um exemplo. §4º. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina.

CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. não sendo um princípio absoluto. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. 5°. tem que haver previsão expressa na constituição. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. 60. não abrange EC. excepcional e transitória de alteração da Constituição. tem que haver previsão expressa na constituição. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. Ex. portanto. Com relação ao assunto acima. c) Máxima: a retroatividade não é automática.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. 3º. Antes da CR/88. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). mas também emendas à constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. o STF tem entendimento unânime. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. 3º. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . art. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . Revisão é a via extraordinária. XXXVI. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. A limitação imposta no art. A retroatividade mínima é automática. CR). em sessão unicameral. contados da promulgação da Constituição.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Ex. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. não abrangendo apenas leis em sentido formal. a constituição atinge prestações vencidas. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). em sentido formal. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. O ato ocorreu antes. mas seus efeitos surgem após a constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. b) Média: a retroatividade não é automática. esse era o entendimento do STF. Ex. mas ainda não pagas. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). O direito adquirido pode ser relativizado. . O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. 3º. ☺art.

Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. ADCT. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. circunstanciais. §§1º e 4º). e de forma geralmente mais extensa. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. especificamente. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). Além disso. 61 . Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. 3º. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. 60.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). portanto. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Por isso. Imagine a Constituição norte-americana. Constituição da República. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. partindo da idéia de sistema. entra o elemento histórico evolutivo. esse método também é conhecido como método valorativo. Ex: princípio da não contradição. 65 . e não isoladamente. Além disso. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Toda norma está dentro de um sistema. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Não existe uma norma jurídica sozinha. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). como todas as demais. Nele estão os valores supremos da sociedade. O grande problema é que. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. para o direito público. só tem alma. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. esses elementos são insuficientes. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. é também o limite para a interpretação. com algumas peculiaridades. Por isso. É como se a norma fosse o corpo da constituição. devido à complexidade da interpretação constitucional. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. e os valores fossem o seu espírito. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. para o direito privado. Ela não tem normas jurídicas. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. eles são suficientes. como início e limite para a interpretação. aqueles desenvolvidos por Savigny. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. O texto da norma funciona. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. É o início de uma interpretação. b) Histórico: no seu desdobramento. Buscam os valores subjacentes à constituição. X. Esse método não é apenas sistemático. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. mas apenas valores: o preâmbulo. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. 52. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação.

: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. certa insegurança jurídica. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. como ocorre neste método. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. mas sim diante de problemas. como.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Ex. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Os topoi são esquemas de pensamento. ele também é conhecido como método sociológico. Assim. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. os operadores do direito servem-se de topoi. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Ex. vence o argumento que for mais convincente. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. 2. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. que contraria o positivismo jurídico. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. ou seja. dos princípios gerais do direito. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. de casos que comportam mais de uma solução possível. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. lugares comuns. os quais são submetidos a várias opiniões.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. cujo plural é “topoi”. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. do senso comum. pontos de vista ou lugares comuns. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Esses pontos de vista. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Por isso. o que geraria uma grande insegurança jurídica). porque trabalham não com a idéia de sistema. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Violação de correspondência de presos. → Crítica: feita por Canotilho. da jurisprudência dominante. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. mais um 66 . Problema é a questão difícil. da doutrina. ou a de que um é mais correto do que o outro). Se se permite interpretações divergentes. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Isso gera certa instabilidade. enfraquece-se a força normativa da constituição. Este problema será solucionado pela argumentação. que é apenas mais um topos. a favor e contra. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. de argumentação. Assim. pois comporta mais de uma solução possível).. por ex. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Ex. formas de raciocínio. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema.

que a questão não seja simples. é bom lembrar. Assim. são também métodos concretistas. ou seja. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. não se deve falar em interpretação constitucional. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. São métodos indissociáveis. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Método concretista. diferentemente dos dois primeiros. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Os métodos III e IV. devendo-se fazer uso de outro método. pois. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). Ele parte. Assim. se for caso de lacuna. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. de única solução possível. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Hermenêutica e interpretação não se confundem. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Ocorre que. mas em concretização). para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. como já vimos. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. a compreensão prévia do intérprete. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. porém. e concretizador à aplicação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. quando se fala em hermenêutica. e sim na sua concretização. 67 . razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. e o problema concreto a resolver. sua aplicação a casos complexos. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. Para este método. por serem métodos concretistas. é preciso que haja um problema. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). na sociedade aberta de intérpretes. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Não se pode separar as duas coisas. ao lado de Hans Kelsen. são coisas diversas. este método não poderá ser aplicado. ainda que dos mais importantes. A principal diferença. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Além de serem métodos aporéticos. não podem ser utilizados de forma abstrata.

O que ele chama de domínio normativo. Paulo Bonavides o tratar como um método. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. a interpretação constitucional tem que ser democratizada.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). mas também para a interpretação da Constituição.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Friedrich M. é a realidade social tratada pelo texto da norma. . A democracia deve servir não apenas para a criação. Não diz respeito aos critérios de interpretação. mas também na sua interpretação. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). ele na verdade não o é. mas refere-se àqueles que podem interpretar. a norma só surgiria após a interpretação do texto. Ainda que a Corte seja o intérprete final. traduzido pelo Min. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Segundo o autor. limita a interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. ao mesmo tempo. Assim. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. por sua vez. Segundo ele. O texto não tem o comando. Na prática. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. Quando ele fala em democratização. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). bem como a quebra da unidade constitucional. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Judiciário. pois. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. que têm legitimidade para a interpretação. Essas duas figuras podem ser. aberta a toda a sociedade.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Gilmar Mendes). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. regulada pela norma. 68 . Fala-se que são utilizados. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Para ele.Elementos do âmbito da norma . ele dirige e. A norma é o mandamento. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). em regra. O texto tem duas funções muito relevantes.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. mas a toda a sociedade. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes.

que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Esta questão está ligada à separação dos poderes. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Após.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. No pós-positivismo. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. 3) Existe uma única resposta correta. o poder legislativo é claramente fraco. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. textualismo e preservacionismo. Na verdade. A norma. Por isso o judiciário tem ganhado força. sem modificá-la. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. norma e fato. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Assim. 69 . Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. que se subdivide em princípios e regras. Hoje. do povo. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. surge o Positivismo Jurídico. quando interpretada. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. preocupado com a segurança jurídica. que corresponde à vontade do constituinte originário. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. como a constituição é feita por representantes do povo. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Entende que. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. vinculante e obrigatória. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. mas de forma concreta. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. superado o valor da norma). Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Também denominado de originalismo. Segundo Conrado Hubner. A segunda corrente. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. bastante discutido nos dias atuais. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. no Brasil. Assim. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. surge a idéia de norma (gênero). os direitos têm que ser iguais para todos. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada.

há uma subsunção lógica. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. impõem resultados. O grau de abstração é a diferença. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. será invalidada.dimensão que eles ocupam (Alexy) . Eles não definem a medida exata.: aposentadoria compulsória. ou seja. é preciso saber quais são as normas opostas.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) .Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. mas a medida do possível. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. o que ocorre por meio da ponderação. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. que envolvem a aplicação deste princípio. Alexy afirma haver exceções. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. . como elementos do sistema normativo constitucional: . ou seja. Para Habermas. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. em havendo um conflito no âmbito da validade.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. → Princípios X Regras: . A norma é um gênero e. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.generalidade . uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.Regras. impessoal. imperativa. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. Ex. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. → Regras: são “mandamentos de definição”. dentro do gênero norma jurídica. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. peso ou valor. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. bilateral). 70 . ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Assim. Segundo Robert Alexy. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. que apontam para o sentido contrário. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. . Elas se aplicam de acordo com a subsunção.Postulados. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. princípios são “mandamentos de otimização”. genérica. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. quando se vai aplicar um princípio. isto é. Ambos são normas.Princípios. e . .Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. As regras possuem aplicação automática.

será feita a análise de alguns postulados que. por isso não são aplicados diretamente. Ex. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. de modo a realizar os valores nela consagrados. Os postulados são denominados. Segundo a LICC. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Não estão na constituição. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. mas não têm a mesma função dos princípios. Eles não apontam um fim. interpretação conforme a Constituição. também conhecido como antinomia de princípios. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. nem estabelecem competência ou conduta. Com base nessas premissas.: proporcionalidade. É um conflito sempre no caso concreto. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. cronológico e da especialidade. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Mas e os postulados? Segundo esse autor. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). como princípios. Nesse aspecto. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. 71 . Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. pela maioria da doutrina. embasados na supremacia da Constituição.

porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. No Poder Legislativo. no controle difuso. o Princípio da Supremacia da Constituição. Ou seja. para ter essa supremacia. quando entender que uma norma é inconstitucional. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. A 72 . um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. e. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Se a constituição é a norma suprema. na dúvida. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Excepcionalmente. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Da mesma forma. Se há mais de um significado. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. presume-se que agiram de acordo com ela. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. assim. ficam vinculados àquela decisão. pode deixar de aplicar a norma de ofício. deve optar pela constitucionalidade. a lei deve ser declarada constitucional. pode ser exercido através do veto jurídico. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. se entendê-la inconstitucional. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. significa que as demais leis devem obediência a ela. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. No Poder Executivo. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Não se retira a lei do ordenamento. Todo projeto de lei passa por um controle. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Ele pode negar a aplicação da lei. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. no Poder Judiciário. No Brasil. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). significa que ele é unívoco. como no âmbito do Poder Executivo e. por ser presunção relativa. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. não tem como fazer interpretação conforme. é necessário que a Constituição seja rígida. na dúvida. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Se o texto tem apenas um significado. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. o Chefe do Poder Executivo. o Poder Judiciário. excepcionalmente. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Toda Constituição tem supremacia material. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. E.

Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. necessário harmonizar esses dois princípios. Isso é impossível. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). 81. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. pois. na constituição. Hoje em dia. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. poderia declarar o art. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. num estado democrático. Na verdade. Hoje. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Outro ex. Em uma sociedade democrática e pluralista. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Portanto. Logo. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. a norma inferior. essa corrente é chamada de “subjetivista”. etc. normas superiores e normas inferiores. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Antes. 73 . prevalece a vontade da lei. passando ela pela constituição. É como se filtrasse a lei. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Obs. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. há várias tensões entre as normas constitucionais. de direito previdenciário. isso não ocorre. que busca a vontade da lei. A segunda corrente. Busca a vontade do objeto interpretado. b) Fim pretendido: .Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Ex: Brasília é a capital federal. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Segundo Kruger. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Geralmente. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. ao mesmo tempo. existem. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. é conhecida como mens legis. mas. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. . estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. §1º. sendo. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Ao se admitir que essa norma é superior. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos.

inclusive. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. princípios ou valores. deve-se buscar essa concordância prática. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. pelo legislador. Assim. O que tiver o peso maior irá prevalecer. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. violava a liberdade de exercício de comércio. ou seja. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. O STF analisou 02 casos: a) Art. bens ou interesses. O STF declarou constitucional. 45. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. interesses. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. a integração política e social. se ambos estão consagrados na Constituição da República. Se ele entrasse no mérito da questão. criando um efeito conservador da unidade. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. Pode ser usada. Nesse caso. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. as duas normas têm conflito entre si. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. §1º. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. O Juiz irá ver. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Segundo este princípio. no caso concreto. O que é isso? É semelhante a uma balança. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Quando se tem uma colisão entre bens. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Abstratamente. e não em abstrato). qual dos dois grupos tem um peso maior. na hora de se interpretar a Constituição. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. que é anterior à Constituição da República. Sempre que possível. 74 . e voto pelo CN é a exceção. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Eles são muito parecidos. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Uma existe ao lado da outra. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. O relator indeferiu a petição inicial. Essa lei. valores. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. ele se basearia no princípio da unidade. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. é necessário utilizar a ponderação. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. Ex: voto direto é a norma geral. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário.

Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. do trabalho escravo são regras. cabe ação rescisória (obs. do contrário. poderia fotografar. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. para que outros direitos sejam assegurados. Ex: Se tiver na praia. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. sendo o guardião da constituição. 343. às vezes. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. até uma compreensão equivocada. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. por mais importantes que sejam. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. 75 . É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. ou seja. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. e não princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. Caso contrário. da tortura. não se aplicando para a interpretação constitucional. mas também a ratio decidenti.: a proibição da pena de morte. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. eis que ambos se relacionam. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. proporcionando-lhes uma força otimizadora. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Deve haver uma cedência recíproca. na academia. STF não foi abandonada. que contribua para o debate de interesse geral. O importante é saber que todos os princípios. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. não. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Atenção: não confundir princípios com regras – ex.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. a privacidade deve ser preservada. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. não. Ex. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. Exs. 2) relativização da coisa julgada: o STF.: a Súm.

. Exs. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Ver no Site Editora Método.335/AC.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. é também conhecida como eficácia social.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. 5º. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. sobretudo o Tribunal Constitucional. a função social para a qual foi criada. Este princípio. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. 76 . o desempenho concreto de sua função social. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. pois. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: .Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. validade é. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. no Brasil. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. . Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. 4. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). é também conhecida como eficácia jurídica. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. CR/88 (aplicação imediata). §1º. 2) Direito de greve. . a qual significa a realização do direito.com. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.

Se o ato for desnecessário. Na Alemanha. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. uma restrição à liberdade só será possível se. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. não se deve abater pardais com canhões. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. utiliza-se o termo proporcionalidade. ☺art. dentre os meios existentes. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. para que o Estado não atue de forma arbitrária. É um princípio implícito. É uma influência do direito norte-americano. mas apenas como menções. Para Jellinek. É uma influência do direito alemão. utiliza-se o termo razoabilidade. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. ou seja. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Não é o entendimento mais cobrado em provas. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Ele está ligado. desproporcional. do Prof. será também desproporcional. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. deveria conceder uma autonomia maior. por isso sua importância. LIV. Assim. 1º. apto para atingir o fim almejado. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Alegam que a restrição seria desproporcional. uma densidade semântica que ele não tinha antes. à garantia do devido processo legal. em sua origem. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Ex. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. ele tem que ser adequado. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. CR. maiores hão 77 . não está textualmente consagrado. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Ex. No Brasil. Nos sistemas da commum Law. 5º. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Para que um ato seja considerado proporcional. pois.

A face acima exposta do princípio. Há uma outra face desse princípio. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. 78 . o poder público age aquém do que deveria. Nesse caso. que é chamada de proibição de insuficiência. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. ou proibição por defeito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. pode ser chamada de proibição do excesso. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito.

Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. O que acontece é que o preâmbulo contém. com exceção das de 1891 e 1937. não é norma de repetição obrigatória. portanto. O min. caráter normativo e. não existindo. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Ocorre que todas as constituições brasileiras. Não contém. portanto. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. não tendo força normativa. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Em âmbito estadual. Situa-se no domínio da história ou da política. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. mas no domínio da política. qualquer religião oficial da RFB. sendo. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. pois. proclamação mais ou menos solene. refletindo posição ideológica do constituinte. laico ou não-confessional. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. não é componente necessário de qualquer Constituição. Para o STF. Esses princípios sim. 79 . relevância jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. reproduzidos ou não na Constituição estadual. mas é a tese por nós adotada. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. No Brasil. dado que. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Não tem. pois. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. O nome não é o mais apropriado. Assim. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo.. o preâmbulo.. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. É uma corrente intermediária em relação às demais. de regra. inscritos na Constituição. Como se sabe. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). porém. anteposta ao articulado constitucional. mais ou menos significante. incidirão na ordem local. o Brasil é um país leigo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. não tem relevância jurídica. apresentado de forma não articulada.

fundada na harmonia social e comprometida. o desenvolvimento. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Ao estabelecer os valores supremos. a segurança. a liberdade. Esta é a sua natureza. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. pluralista e sem preconceitos. 80 . os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. na ordem interna e internacional. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. com a solução pacífica das controvérsias”. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. o bem-estar. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais.

destaca-se a de José Afonso da Silva. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). enquanto não for restringida por lei. (É a mais cobrada em provas). O que as difere é o grau desta eficácia. dentre as quais. 184. 95. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. §5º). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. vedações (art.: normas que estabelecem imunidades (art. possivelmente restringível ou redutível. 128. no Brasil. enquanto não for restringida. isenções (art. como se poderia imaginar). A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. por sua vez. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. Exs. → Normas de Eficácia Contida: O prof. é uma NEP? Não. P. A integralidade. Ela não depende de lei. 53).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Não são a mesma coisa. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. que “contenha” o seu conteúdo. que poderá variar conforme o seu enunciado.U. apenas 81 . significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Quando se fala em aplicabilidade imediata. A NEC. mas admite lei. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. Não depende de regulamentação. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. imediata e integral. Uma NEC. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). prerrogativas (art. §5º).

☺art.por outra norma constitucional (ex. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei.: art.U. P. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. interesse social. etc.). etc. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. 37. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. 5º. 22.: art.: art. CR. . art. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. é obrigatória. – ex. e art. 154: a União. XXII. 9º. Exs. eis que estabelecem o fim a ser atingido. II e III deste mesmo art. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. Neste caso. Assim. art. Se ela fosse uma NEP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. 9º dá a entender tratar-se de NEP. e mediata porque depende de alguma condição. XXIII e XXIV). VII (direito de greve dos servidores públicos). A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. A lei não irá restringir o direito.por conceitos de direito público (ex. . necessidade ou utilidade pública. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . que a regulamente. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. mas o seu §1º. são NEP (como são as normas dos incisos I. VII. Ex. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. Ex. 102. 3°. se quiser.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. As vedações. não há omissão inconstitucional. e não quais são os meios para se atingir o fim. em regra. ofício ou profissão. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. ☺art. XII c/c arts. art. que faz parte da mesma norma. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). XIII. mas não é uma NEP. PU: União poderá delegar aos estados. 5º. 95. 5º. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. de forma que antes da Lei 9.por lei (ex. mas dizer como esse direito será exercido. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). art. mas não disse quem pode propor. mas pode ser). etc. ela nunca poderia ser restringida. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). 95).: art. 37. conforme a lei. Não é apenas um conselho. que dirige os rumos do Estado.Facultativas: ex. que não é norma). . quais são os efeitos. caracterizadas justamente por este tipo de norma). VII. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. segurança nacional. art. 82 . esclarece que trata-se de uma NEC. 136 e 137). 37. mas. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir.. É indireta ou mediata. poderá criar impostos residuais.Impositivas: ex. A NEC pode ser restringida: .: ordem pública. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. A norma constitucional tinha eficácia. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo.U. O caput do art. Indireta porque depende de uma outra vontade. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição.: trata de vedações que são impostas aos juízes.

: As NEP. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. cumprida a sua finalidade. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). São as normas do ADCT. mencionada por alguns autores. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Para ela. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. exaurem sua eficácia. também conhecidas como normas super-eficazes. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Marcelo Neves critica essa concepção.: art. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. tem eficácia. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. uma eficácia negativa (e apenas esta. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Uma última classificação. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Diz que o direito se auto produz. Obs. pois. imediata e integral). Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. Elabora-se uma norma genérica. ADCT. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. 2º. 83 . ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). a NEL produz efeitos: ela exige lei. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Por isso não dependem de outra vontade. Assim. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. antes da lei ser feita. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. as Cláusulas Pétreas. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. porque ela não tem eficácia positiva). OBS. Ex. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Traduz um sistema fechado. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. ademais. não depende de outros sistemas.

São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição.N. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. caso compatíveis com a nova Constituição. por esta teoria. ou seja. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. porém. §2º (que fala do Colégio Pedro II.: ☺art. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. Quando uma nova constituição é criada.P → A. quando do surgimento de uma nova Constituição. → CR → A. Ex. sempre que nasce uma nova Constituição. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. Assim. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. art. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional).N. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. como normas infraconstitucionais. § 1°. com o caráter de normas constitucionais. podendo. Faremos o estudo de alguns institutos. e sim como normas ordinárias. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. 84 . não. 2°. 242. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. serem recepcionadas pela nova Constituição. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. parte final).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

também limitado juridicamente). dentre outras. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). o STF entendeu que. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. por regra. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. Como se percebe. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. sendo regra a retroatividade mínima. deve existir expresso pedido na Constituição. IV. CR. IV. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. 88 . vale dizer. para tanto. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie.: art. vale dizer. as leis infraconstitucionais. Como outro exemplo de retroatividade mínima. 7º. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. nada impede que a norma constitucional. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. que. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. tenha retroatividade média ou máxima. 51 do ADCT. diante da aplicação imediata. 7º. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. Assim. desde que haja expressa previsão. Ex. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. como é o caso do art. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. Assim. XXXVI – “lei” em sentido amplo). c) por outro lado. com pequenas exceções. têm retroatividade mínima. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. Contudo. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata.

os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. da função positiva que 89 . Sob o ponto de vista dogmático. estrutura e fundamento (art. diverso e opostos. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. a menos. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. é obvio. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Dessa forma. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. 4º). seja como orientação para progresso da legislação. ainda não regulamentadas de forma mais específica. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. em um todo sistemático. não só das ações dos poderes estatais. Desse modo. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. é claro. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. sobretudo. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. ao elaborar as leis. De uma forma geral. como também ao exercício abusivo de certos direitos. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. seja como diretiva na solução de casos concretos. Executam. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. o que os coloca numa posição de superioridade. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. os quais estabelecem a sua forma. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. atuando como um limite. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. por conseqüência. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. 1º). pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. assim. a divisão de seus poderes (art. 2º). 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. pois servem de critério para o legislador que. Em situações novas. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional.

A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). que reinava de forma absoluta e irresponsável. aos entes que compõem a federação. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. quanto para o legislador na elaboração das leis. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. 34. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. CR). 90 . Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. No tocante ao Poder Executivo. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. sendo criados novos critérios distintivos da República. DF e Município. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Com o passar do tempo. a Constituição veda. o direito de secessão. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. A baixa densidade semântica. I). esses conceitos foram se esvaziando. 1º.

ainda. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. a vontade popular representada pelo parlamento. à questão perene da Justiça. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. a legalidade da Administração. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. Em um Estado de direito. Aqui. não é absoluta e ilimitada. não apenas os indivíduos. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. seja através de representantes. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. ou. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. No que se refere ao princípio democrático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. No Estado material de direito. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. sob as circunstancias transitórias. Sob o aspecto material. Em um Estado democrático. 91 . sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. a independência dos juízes. seja diretamente.

No plano externo.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Por essa razão. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. por não ter de acatar. a soberania migrasse do soberano para o povo. Todavia. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. Supremo. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. 6º). O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. por essa razão. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. em nenhum momento podem ser colocados de lado. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. na ordem internacional. uns para com os outros. independente. na ordem internacional. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. no plano interno. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. o indivíduo se sente útil e respeitado. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. 92 .

é um princípio básico do liberalismo econômico. Este fundamento é concretizado. por natureza. 170). a sexual. III). diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. a filosófico-religiosa. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 215 e 216) e dos meios de informação (art. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. Por isso. científica. a de informação. artística. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. I). 1º). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. conforme os ditames da justiça social. salvo nos casos previstos em lei. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. É ela o valor supremo que irá informar a criação. uma sociedade conflitiva. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. dentre elas. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. de idéias e de instituições de ensino (art. A escravidão. partidário (art. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. 3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. 170). e. Por essa razão. Fruto da concepção liberal. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. ainda. 93 . Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a de opinião. independentemente de autorização de órgãos públicos. cultural (arts. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. assim. justa e solidária (art. com a queda do comunismo. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. passando a se revestir de normatividade. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. a sociedade pluralista é. mas. o que pode levar a divisões irredutíveis. de interesses contraditórios e antinômicos. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. a partir do início da década de 90. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. a tortura. 220). 17). a Constituição. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. de comunicação. ao contrário. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. a profissional. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. Mais tarde. político (art. 206. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. derradeiramente. de reunião e de associação. deve constituir o seu objetivo supremo. a intelectual.

mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. em um primeiro momento. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. mais importante.) imprescindíveis para uma vida digna. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. ou para com a pessoa. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. Poder-se-ia dizer. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. condição social ou qualquer outro requisito. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. Portanto. mas um atributo que todo ser humano possui. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. educação fundamental. não como um fim em si mesmo. à dignidade da pessoa humana. em alguns casos. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). independentemente de usa origem. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. moradia. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. a todo e qualquer cidadão. Portanto. Por isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. dentro dos direitos sociais. não apenas por parte do Estado. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. por exigir uma abstenção. mas também dos particulares. ligada ao valor liberdade. possui um caráter positivo. sua existência material. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). idade. menor (minimizando o problema dos custos). 94 . seja por terceiros. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. Todavia. possui um caráter negativo. que seja efetivamente exigível do Estado. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. Por outro prisma. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. sexo. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. mas. mas também a de que o Estado garanta. Assim. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. o acesso aos valores. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. seja pelo próprio Estado. cada vez mais. A dignidade da pessoa humana não é um direito. etc. econômicos e culturais. o que significa dizer que na criação. na medida em que procura representar um subconjunto. Esta acepção. Esta acepção. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). ligada ao valor igualdade. por outro. e.

CF/88. que divide os direitos fundamentais em: . os direitos sociais (arts. São direitos ligados à cidadania. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. Essa classificação é legislativa. estão consagrados em normas de eficácia limitada. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva.direitos sociais (art. .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 12 e seguintes). 6° e seguintes). Em termos materiais. Exigem uma atuação positiva do Estado. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. à participação política. consagrados no plano internacional. portanto. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. são os direitos individuais consagrados no art. basicamente. 6° e 7°). 95 . devido à escassez de recursos. mas também no art. . Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Têm caráter positivo e negativo. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Enfim. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Em sua maioria. 14 e seguintes). Assim. uma constitucional e uma doutrinária. Visam proteger o valor igualdade.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. igualdade e dignidade. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Em sua maioria. ligados à liberdade.direitos políticos (art. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. 5°. consagradas ao longo das constituições.direitos prestacionais: são. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. do qual são espécies: . . exigem prestações materiais ou jurisdicionais.direitos individuais. CR/88). 6º ao 11.direitos à nacionalidade (art. a diferença básica se refere ao plano de consagração. pois surgiram em uma única época.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Têm um caráter negativo. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. . devido ao custo de serem prestados. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. . São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). 5°.

eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. enfim. Não houve substituição de uma geração por outra. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. das gerações. portanto. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. direito de comunicação. São chamados direitos civis e políticos. Tais direitos têm caráter positivo. a autodeterminação dos povos (art. então. econômicos e culturais. são direitos de caráter negativo. Exs: direito ao meio ambiente. como a família. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. São considerados basicamente como direitos coletivos. a imprensa livre e o funcionalismo público. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. e estas gerações coexistem atualmente. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. Estão ligados. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Vejamos quais foram as gerações. de 1789: liberdade. já os de 2ª geração não. Exigem uma ação do Estado. diante da necessidade de cooperação. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. por exigirem uma prestação do Estado. Os direitos de defesa. Obs. → Igualdade: Direitos Sociais.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Têm como objetivo. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. sobretudo de princípio programático). XX. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Eles foram surgindo com o passar do tempo. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. 4º. por exigirem uma abstenção. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. exigindo uma abstenção. Esta é a sua preocupação principal. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. queria que ele respeitasse suas liberdades. A 3ª geração. CR/88). Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. pois. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. à autodeterminação dos povos. Têm caráter negativo. São basicamente os direitos individuais. 96 . movimento encabeçado pelo proletariado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. XVIII. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. os direitos prestacionais. diretamente à igualdade material. ao desenvolvimento ou progresso. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Como vimos. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. ao lado da 4ª. Por isso. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Ou seja. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. segundo Jellinek). a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. e a dele é a mais cobrada em concursos). Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos.

as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. V. a fixação da garantia. Por isso o direito à democracia é tão importante. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Além desse aspecto. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. com a declaração do direito”. Ao lado da vontade da maioria. ele tem uma importância muito grande.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. São também direitos transindividuais (em sua maioria. 97 . Assim. em defesa dos direitos. outros são difusos). → Globalização: direito à democracia. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). que seria a vontade da maioria. que são as que. um pluralismo ideológico. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. artístico. esta alteração não foi feita em seu livro. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. caso violados. limitam o poder. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. quiçá quanto a 5ª. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Ele abrange um pluralismo religioso. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. ocorrendo não raro juntar-se. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Em uma ponderação. etc.I. Aquelas instituem os direitos. que alguns dizem trazer os direitos à internet.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. os direitos de família. Ou seja. de orientações sexuais. Ou seja. na mesma disposição constitucional ou legal. as disposições assecuratórias. Porém. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. ao analisar a Constituição de 1891.: quanto ao direito à paz. CR/88). Paulo Bonavides. as demais características são tratadas pelo prof. inclusive das minorias. traz direitos ligados à pluralidade.). Afora esta peculiaridade. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. 1º. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. econômico. Ex. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. são direitos difusos). Quando se fala em pluralismo político. estas as garantias.P. Quem tem o papel contra-majoritário. mas há divergências na doutrina quanto a isso. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. à informação e ao pluralismo (D. ☺ADPF 132. Esta geração de direitos advém da globalização política. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. de ideologias políticas e partidárias. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. conserva nossas identidades. como os previdenciários. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Ele preserva. um pluralismo cultural. o direito a adoção. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Os argumentos contrários a esta união. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). o prof. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. de conteúdo). e isso acaba por prejudicar as minorias.

se o direito garantido não possui alguma especificidade. .Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. mas nunca a sua renunciabilidade. nascendo com o Cristianismo. os estrangeiros não residentes. .Universalidade: destinam-se. conflito de interesses. HD. etc. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. uma vez consagrado o direito. Obs. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . ou caberá ao intérprete. . ilegalmente preso. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. . já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. XXXVII. 5º. O caput do art. .Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. são indisponíveis.: direito de propriedade versus desapropriação). VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). como é o caso da ação popular. havendo. por ex. conjugando-a com a sua mínima restrição.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. juntamente. Exemplos: .Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade).direito ao juízo natural (direito) – o art. através da interpretação sistemática. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. a todos os seres humanos.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. . não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. confronto. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). 98 .: HC. ainda que não individualistas. Nada impediria. 5º. como é o caso. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. no caso concreto. de modo indiscriminado. que só pode ser proposta pelo cidadão. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. Se são sempre exercíveis e exercidos. Contudo. Normas positivas. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. quando. portanto. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. ou magistrado.. coarctando. é claro. no caso concreto. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. . muitas vezes.Historicidade: possuem caráter histórico. emite uma opinião (direito de opinar). decidir qual direito deverá prevalecer. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. Deve-se observar. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. Isso porque.). os apátridas e as pessoas jurídicas. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art.

Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). mas o pressuposto do qual ela parte). então. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Assim. fática e juridicamente. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. 5º.). Não se admitiria. então. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. analisando caso a caso. Ingo Sarlet afirma que o art. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. 5º. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. para isso. não dependendo de legislação. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). fala-se. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. etc. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. só trazendo relações entre o Estado e o particular. Posteriormente. mas. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. pois. No entanto. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. §1º. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. §1º. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. ordem pública. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. 99 . Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. causando uma desfiguração no direito privado. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados.

321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. devendo sobre eles prevalecer. muito abertos. etc. Assim. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. Se.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. a proteção tem que ser maior. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Os DF são expressados. Segundo Virgilio da Silva. Determinação de observância do Princípio da isonomia. Mas. a aplicação será indireta.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. através de princípios. 249. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.RE 160. não sendo necessária uma intermediação legislativa. então.00 para R$ 86. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. se exteriorizam.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. quando há uma relação de igualdade real na relação. esta teoria seria a mais adequada. Em contrapartida. Ainda se trata de uma questão muito nova. . A jurisprudência. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. O juiz. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. houver uma desigualdade fática.) . Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.RE 175. no entanto. como a segunda. A autonomia da vontade requer tal ponderação.RE 201.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. . devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. para que os princípios pudessem ser concretizados.*RE 161.243/DF. e. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Segundo esta teoria. Espanha e Portugal. ainda que esta regulamentação não exista.HC 12. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). que não adota essa teoria). isso poderia causar uma série de problemas. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. mas. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.Resp.24. Se não houver uma previsão expressa na lei. é possível a sua aplicação com base na Constituição. contrato de adesão. mesmo realizando atividades idênticas. de uma forma geral. tão somente pela falta de previsão. . Para a realidade brasileira. mas ainda não há decisão quanto a isso. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. . em geral. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. .: empregado e empregador.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. E como os princípios são muito vagos. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.RE 158. .819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .700.858. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: .☺RE 161. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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à igualdade. pois. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem.: esta segurança que o art. ☺art. 5º. III e art. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. à segurança e à propriedade. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. é. CR/88. II. ☺art. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. CR. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. um outro direito fundamental. não há uma renúncia definitiva. pois a vida é uma direito irrenunciável. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Esta questão é bastante clara. por óbvio. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. 5º. Obs. Há dois entendimentos: 104 . CP) a questão é um pouco mais polêmica. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Este pode ocorrer. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. XLVII. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. à liberdade. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. 1º. Nos 78 incisos deste art. 128. A renúncia é definitiva. um caso constitucional de violação de direitos. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Porque o direito à vida é irrenunciável. No caso do big brother. também não pode ser renunciado. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. abre-se mão temporariamente à privacidade. 5º. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. como DF é pressuposto dos demais direitos. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. caput. não há que se falar em não exercício). O direito a vida. 170. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Por isso.

. a morte não decorre do aborto. A questão ainda está sendo discutida no STF. por isso. ela é a única ação de controle abstrato cabível. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. é relativo. O STF. Ademais. é uma forma de tortura psicologia. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. nas quais não se tem uma opinião moral definida. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. 128. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. OBS. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. então. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. como todos os outros. Para o direito brasileiro. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. a vida termina com a morte encefálica. o STF não estaria legislando. segundo Canotilho. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. E o direito à vida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. já que o CP é anterior à CR. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. sabendo que ela vai morrer. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Se isso fosse possível. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. mas de modo geral). deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. o art. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. 3) dignidade da pessoa humana. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. portanto. assegurando a autonomia da vontade. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. 128 (em 1940). deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. mas sim interpretando a CR/88. já que na época em que foi feito o art. insuficiente para a proteção do direito. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. mas sim da acrania. em razão do risco de morte intra-uterina. sem o sistema nervoso central. discutida na ADPF 54. não haveria vida. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. CP não teria sido recepcionado pela CR. 128). qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). além de colocar em risco a sua própria vida. Se há dois argumentos defensáveis. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. por 7 votos a 4. II. entendeu que. Nos EUA e na França.Direito à privacidade: 105 . e.

Se tiver gravado um crime. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. é a esfera da vida privada. veremos cada um separadamente. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. em seguida. Então. Não há que se falar em colisão. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Ex: matérias de interesse público. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. O direito de liberdade é maior. Se filmar uma passeata. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Em regra. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Ainda que não afete a honra. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. de uma forma geral. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Esta é excludente de ilicitude. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Ex: Radares eletrônicos. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. O agente público. Neste caso. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. contra um estelionatário. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Há decisões judiciais onde muitas vezes. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). É vedada pelo art. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. no art. Proteção da honra e da imagem. maior a proteção a ser dada. CR. não tem privacidade. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. contra um chantagista. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Logo. pois há uma excludente de antijuridicidade. por exemplo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. que se subdivide em: intimidade. Questão de Concurso: Gravação clandestina. a gravação é considerada lícita. O prof. uma gravação feita clandestinamente. 5º. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). não há violação à privacidade. Numa gravação clandestina. X. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Ex. vida privada. a restrição é legítima. etc. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. CR. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. 1. sobretudo. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. os princípios da moralidade e da publicidade. são direitos independentes. 5º. o direito à imagem foi violado. quebra de sigilo e interceptação telefônica. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. ela é ilícita. na verdade. sobretudo. histórico. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Nesses casos. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Será considerada prova lícita. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. É gênero. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. X. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. 106 . Ao realizar essa ponderação. No entanto. científico ou cultural. quando pratica um ato na condição de agente público. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. O direito a privacidade está consagrado. a honra e a imagem das pessoas. a imagem pode ser usada num processo. Mas. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor.

3. Dentro do próprio STF há divergência. Além do juiz. Essa declaração. O STF decidiu que. com base no princípio da simetria. por ex. essa decisão foi para um caso específico. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Os jornais publicaram essas declarações. informáticos. divulgaram todas as declarações na internet. Tem uma decisão do STF muito comentada.). Isso é uma violação clara do direito de privacidade. XII. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. 5º.. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. São poderes instrutórios. a duração da chamada. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. fiscal e telefônico. 2. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. que é uma exceção a essa regra. outros entendem que não há proteção. Quanto às CPIs municipais. Na Itália.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. falaremos da interceptação telefônica. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. O inciso X impede a gravação clandestina. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. Quem pode é só o juiz e a CPI. Essa exceção só confirma a regra. 107 . 58. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. O prof. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. já que não existe poder judiciário municipal. E o Ministério Público? Segundo o STF. De acordo com o art. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. o BB poderia quebrar o sigilo. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. ainda que não seja sigilosa. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Ele alegou a ilegalidade desse ato. § 3º. não poderá quebrar sigilos. mas na decisão acima houve discussão a respeito. fiscais. A lei. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. está em vigor. não há decisão do STF. No entanto. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Se ele quiser. CR. deve ter uma certa salvaguarda. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. X. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Quando se quebra o sigilo telefônico. O Min. como havia verba pública envolvida. XII. Dentro dela. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. etc. de um cd room. Quando a CR fala em “poder de investigação”. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. ele não pode requisitar diretamente. outros dizem ser pelo art. Ex: extrato de conta corrente. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. 2°) admite. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. 5º. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. naquele caso específico. em ação cível originária.: Podem existir várias outras exceções. 5º. por enquanto.

seja pelo art. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. pode haver restrições às comunicações telefônicas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. o STF tem um entendimento que. não estaria protegido por esse dispositivo. Não são admitidas para outras finalidades. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. sobretudo. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. 5º. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Para o prof. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Na prática. mas. será gravação clandestina. é equivocado. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Em relação à comunicação epistolar. por uma terceira pessoa. protege-se apenas a liberdade de comunicação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Na interceptação. Então. Pois. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. mas foi feita por um terceiro. Aliás. segundo o STF. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Quando se falou do método tópico problemático.. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Em relação a essas. Para o prof. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. XII. em determinadas hipóteses. será interceptação telefônica. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. O STF entende que com base o art. Nessas hipóteses. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. abrem-se todas as correspondências.. os dados de informática em si não estão protegidos. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Com relação ao sigilo de dados. segundo o prof. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Além dessas duas hipóteses. Porém. seja pelo art. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. 5º. o sigilo poderá ser violado. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . X. também protege a privacidade. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Para o STF. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Mas isso não é a posição do STF. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. 5º.. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. No entanto. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Se um souber. 5º. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Se um souber. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Ela protege 4 formas de comunicações. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. a liberdade de comunicação. XII. O art. neste caso. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. já que protege-se a liberdade de comunicação. protege a liberdade de comunicações.

A Constituição trata de 2 situações distintas. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. XI: violação de domicílio. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. a polícia pode entrar. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. 5º. nesses casos. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Se numa situação excepcional. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. 5°. salvo o flagrante delito. 2. XII. Pode ser que com os abusos recentes. se houver o consentimento de um dos moradores. nem a CPI. Essa decisão foi recente (☺MS 27. Ex: crime dentro de uma residência. LXI: possibilidade de prisão. por nenhuma outra autoridade. 5º. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. a entrada deve ser permitida pela empregada. prorrogáveis por mais 15). Art. O professor acha que há certo abuso neste caso. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. d) Art.296/96. Ou seja. Com o consentimento. Na jurisprudência do STF. não há falar em violação de domicílio. 5º. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. e mais ninguém. c) Art. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. imagine numa situação normal. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. pode determinar a prática desses atos. Segundo o STF. Recentemente. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. essa lógica tem sido invertida. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. e não pelo dono da casa. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Sem consentimento já é diferente. Como é o meio mais fácil. Se houver o consentimento. Durante o estado de defesa. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Com relação à inviolabilidade do domicílio. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. CF/88. Vejamos as situações: 1. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. qualquer pessoa pode entrar. violado. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. • Prestar socorro 109 . Além disso. Ela deve ser o último recurso. vejamos: a) Art. XII: interceptação telefônica b) Art. Nesse artigo. Somente o juiz. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. LX: sigilo imposto a processo judiciário. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. o Min. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. 5º. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. seja durante o dia seja durante a noite.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Nem mesmo CPI. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Então. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. devemos analisar 2 situações diferentes.

Entra no conceito de casa. compartimentos habitados. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. hoje. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. estabelecimentos comerciais e industriais. a prova é lícita. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Quando o sol nascer é dia. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. prevista no dispositivo. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. 110 . Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Segundo ele. na parte em que o público tem livre acesso. E o carro? O prof. CP. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Ex: parte de trás do caminhão. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. mais tradicional. Só que o STF já proferiu decisões. Ele deve dizer “aqui você não entra”. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. porque a noite é o período de descanso. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Alguns autores. ☺Art. a casa pode ser invadida a qualquer hora. que traz uma conceituação bastante extensiva. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. não entra em conceito de casa. É utilizado por JAS. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Se entrar com o uso da força. entre outros aposentos. 150. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. onde o caminhoneiro dorme. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. por serem situações emergenciais. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Então. propõem uma utilização conjunta desses critérios. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. entre eles Alexandre de Moraes. não poderá mais entrar no domicílio. pois se respeitar também o critério cronológico. o STF considera as provas lícitas por causa disso. não só dos moradores daquela casa. Se houver o consentimento do morador. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. não entra no conceito de casa. se estiver vazio. Na maioria dos casos. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. mas dos vizinhos também. seja do dia seja da noite. compreende escritórios. entra no conceito de casa. quando o sol se põe é noite. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. 3. Segundo o entendimento do STF. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. consultórios. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. 2. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. mais adequado. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. a prova colhida será considerada ilícita. não encontrou nenhuma decisão a respeito.

razoável e proporcional. não significa que a lei não possa fazer distinções. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Quando se fala em princípio da igualdade. Razoável 3. Se o critério não for objetivo. 5º. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. 7º. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. 7º. CR. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. em situações diferentes. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Para que o critério seja constitucional. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. discriminatório. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. da constituição. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. XXX. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Para esses casos. CF/88. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Uma vez dentro do estabelecimento. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. É a que está consagrada no caput do art. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. 2. Esse critério é razoável. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. 111 . Objetivo 2. é necessário que ele seja: 1. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Esse critério não é nenhuma discriminação. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Mas. Não irá fazer concurso para homens participarem. cor e estado civil. idade. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. pois viola o princípio da isonomia. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. arbitrário. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. justifica-se a altura. Ex: critério preconceituoso. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Nestes casos. XXX. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas.

esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. disse que está ligada à igualdade material. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Tem autores que entendem ser inconstitucional. 112 . A cota deve ser proporcional à população. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Mas. por exemplo. No caso da Índia. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. aconteceu o contrário. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. o critério discriminador seria desproporcional. essas ações são constitucionais. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Visa uma redução das desigualdades fáticas. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. mas na Constituição Indiana em 1947. essas ações deveriam existir por 10 anos. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. surge a questão relacionada às ações afirmativas. acha que esse argumento não convence.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Ex: Cotas para pessoas carentes. 5º c/c art. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. que eram desiguais em relação aos seus senhores. O prof. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. O prof. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. igualdade e fraternidade. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Em princípio. e não à igualdade material. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. utiliza-se das ações. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Quando se fala em igualdade material. e prolongaram as que já existiam. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Não é uma forma de resolver o problema. Para o professor. não haverá uma igualdade real. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Então. Segundo JAS. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. Para outros autores. Essas ações não surgiram nos EUA. Isso é igualdade formal. ☺art. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Porém. 3º. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. mas reduzir as desigualdades existentes. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Quando se fala em igualdade material. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Dificilmente. Criaram-se outras ações afirmativas. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. mas é necessário analisar uma série de fatores. para tentar reduzir as desigualdades. pois elas criam uma discriminação reversa. e os desiguais de forma desigual. seria igualdade material. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. A tendência é que elas aumentem.

favorece negros de classe média alta. .medida imediatista e inapropriada. Poder Executivo e Poder Judiciário). o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. cientificamente falando. visa compensar uma dívida histórica. quando se fala em destinatários. Apesar de ser uma relação entre particulares. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. .Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Eles não têm apenas a eficácia vertical. de saúde. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. A justificativa parece não ser inconstitucional. Juridicamente falando. miscigenada e multicultural. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Eles foram libertados. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária.em uma sociedade pluralista. CF/88. atinge todos os poderes públicos . . Argumentos contrários: . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. . É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. . mas eles não tiveram oportunidade de escola. pois já faz parte do próprio critério republicano. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .fere o mérito. .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. O problema é com relação à subjetividade do critério.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.Poder Legislativo. não sendo necessária essa distinção. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. sem exceção. seja pelo governo. 208.Eficácia vertical: todos os poderes públicos.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. Portanto.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . Então. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. seja por particulares. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. No Brasil. mas também para quem irá elaborar a lei. aberta. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei .fomenta o racismo e o ódio racial . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. .princípio da isonomia (discriminação reversa). eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. Além dessa eficácia. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. previsto no art. Isso é uma questão de política pública. são destinatários do princípio da igualdade. 113 . tolerante.

Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Isso significa que. não deve ser estendida para os homens. o problema é dele. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Se a pessoa agiu de forma abusiva. O homem não é a parte mais frágil da relação. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. ela pode ser responsabilizada. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. Ex: Lei Maria da Penha. em princípio. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Pode defender no plano das idéias. ela é constitucional. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Ex: Passeata para legalização da maconha. segundo o professor. ela exerceu o seu direito. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Ex: art. Apologia ao crime é diferente disso. de expressar o pensamento. CPC – ação de alimentos. para outros teria. Mas. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. É constitucional? Sim. 5º. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. 100. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Logo em seguida. As provas 114 . Logo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Para alguns. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. mas apenas para as mulheres. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. É uma denúncia feita anonimamente. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Questão de Concurso – Cespe: No art. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. ela pressupõe responsabilidade. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. discriminatórias. 5º. É livre a manifestação de pensamento. é outra questão. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. ele deve licitar. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. IV. Protege a mulher. Basta ser um critério objetivo e para todos. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Não existem direitos absolutos. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. sendo vedado o anonimato. a lei pode estabelecer distinções. em regra. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. não teria sido recepcionado. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Por que a Constituição. e violou direitos de terceiros. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. etc. I. Não é um direito absoluto. O particular não é obrigado. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro.

passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Pode fazer um exame grafotécnico. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. 3. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Em relação ao culto. A liberdade de consciência é a mais ampla. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. 2. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. ela deve ser protegida. CR. inclusive em lugar aberto ao público. de ter crença. I. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. O dever funcional da autoridade é investigar. Quando são produzidos pelo próprio acusado. houve a total separação entre Estado e Igreja. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. pedindo resgate. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. e. Garantir a simetria da liberdade religiosa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Isso significa que. ou de não ter crença em nada. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. ainda 2. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Porém. de crença e de culto. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. 2. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. o equilíbrio das religiões. então. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. se não há qualquer identificação. 5º. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. O culto pode ser exercido em qualquer local. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. → Alguns temas polêmicos: 115 . CR. não é o caso do Estado brasileiro. Para Habermas. desde 1989 (advento da República). Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. O Estado brasileiro. abrangendo a liberdade de crença. por exemplo. deve ocorrer uma “tradução institucional”. A religião desempenha um papel fundamental. VI. O Estado deve manter-se neutro. com o advento da República. apesar de a maioria da população ser católica. Esta liberdade está consagrada no art. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Não se pode admitir que o parlamento. 19. ele não pode ser admitido. Vejamos: 1. desde que não viole o direito de terceiro. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. há 02 hipóteses em que o STF admite. No Brasil não há uma religião oficial. Ex: seqüestrador escreve bilhete. Os templos recebem uma proteção especial. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra.

alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. a competência é em relação à cultura. 5º. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. a escola não deve impor ao menino. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso.. Entretanto. onde se tem poucas escolas boas. Segundo o prof. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. estados e municípios (☺art. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Há um trecho do livro do Dworkin. 23. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. VIII. 215. então. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. O 116 . não poderia ser confessional. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. os argumentos religiosos não fazem parte da política. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. são culturais. Portanto. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. Neste caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. há algumas ações. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. §2º. e cultura é competência comum – da União. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. Mas. e o aluno optou a se matricular nessa escola. e não à justiça do trabalho – ☺art. §1º. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. logo. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. fazendo uma ponderação entre os princípios. 210. imagine uma cidade pequena. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Para o prof. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. CR). Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. inegavelmente. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. a competência é da União. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. . CR. Não teria sentido acabar com esses feriados. Entretanto. CR).Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Pode um ateu. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. políticos e religiosos.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos.. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. ocorreu um caso muito semelhante. Na Alemanha. a neutralidade do Poder Judiciário. o argumento supracitado não está correto. O tribunal. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. São feriados puramente religiosos. que odeia guerra. É importante respeitar o ensino de cada um. . o ensino deve ser interconfessional ou não confessional.

☺ art. IV). Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. 15. Ex. A República é o governo das razões. então. por sua vez. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Liberdade de reunião. 5º. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). 2. etc. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. A pessoa alega imperativo de consciência. conforme portaria da ANVISA. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Por que a CR exige prévio aviso. desviar o trânsito. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. terminada a reunião. 5º. as pessoas se reúnem e. Criação de associações e. mas a de permanecer associado. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . XXI. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. mas direitos individuais de expressão coletiva. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. 5º. XVI. XVI. ainda. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Se não houver essa lei. CR. Não cumprindo com a obrigação. não são os religiosos. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). o argumento deve ser racionalmente justificado. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. 3.) 2. (Não pode reunir pessoas armadas. mesmo que em locais abertos ao público. Para que as pessoas possam se reunir. tem o caráter permanente. não é necessária a autorização estatal. JAS diz que não são direitos coletivos. essa hipótese é de representação processual. de cooperativas. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). A associação. Criação de sindicatos. Há. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. na forma da lei. Ex: reunião de condomínio. elas vão embora. mas os políticos. Segundo Jean Rivero. Quem fará a tradução não é a Igreja. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Criação de partidos políticos. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. 5º. CR. ☺art. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. Ex: fazer segurança. O prof. XVII e XXI. Caso não cumpra com a prestação alternativa. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. 4. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. CR: Não é só a liberdade de se associar.

III. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. no seu art. segundo o qual. 5º. não precisando de autorização expressa. Segundo ele. LXX. Se ele tem proteção. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Ela só garante o direito de propriedade. Segundo o STF. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. defendendo direito alheio. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. CR) quando ajuíza uma ação.. Há um outro entendimento que. XXIII. mas faz parte da estrutura desse direito. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Segundo o STF. A Constituição não garante o direito à propriedade. ADC e ADPF. ☺art. se não for atendida. o direito de propriedade pertence ao direito público. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). 5º. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. como a Constituição garante o direito de propriedade. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Segundo JAS. A associação impetra em nome próprio. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. O que acontece é que se não cumprir a função social. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Segundo o STF. O sindicato (☺art. ilegítimas. em seu art. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Função Social da propriedade: A CR. Em seguida. a função social. do próprio regime desse direito. Só pode representar se houver autorização expressa. não são legítimas essas invasões. segundo o prof. não pode existir mais de uma federação por território. XXII. É o entendimento de Daniel Sarmento. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. por exemplo. mas não pode ajuizar ADI. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. a propriedade terá uma proteção menor. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. 118 . a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Ex: Invasões de terra pelo MST. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. garante o direito de propriedade. 8º. 5º. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. é mais correto. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. ter um patrimônio mínimo. tendo um menor peso na ponderação. segundo o prof. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. mas sim contrárias ao direito e. pode ser dada numa Assembléia Geral. 2. não impede que o direito de propriedade seja protegido. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária).

a saber: a. 182. como um apartamento. Os principais aspectos são 2. indenização por títulos da dívida pública). Vejamos abaixo. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. na desapropriação. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. só haverá indenização se houver dano. ele não poderá ser prejudicado. Ex: caso de Eloá. Sempre que há requisição. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Para atender a função social. como decorrência do primeiro. VII). §4º. a saber: por necessidade pública. Sempre haverá indenização. b) ☺ art. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. que deve ser prévia. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. CR. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. 184. Na requisição. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. A polícia requisitou determinadas propriedades. ou por interesse social. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. CF/88: Trata-se de imóvel rural. em regra. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. 5º. 139. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. o proprietário não tem culpa. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Vejamos: a) ☺art. uma escola pública. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. diante de uma emergência. Propriedade Rural: ☺art. Além do caráter absoluto. Desapropriação: Diferentemente da requisição. §2º. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. há uma transferência compulsória da propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Como haverá indenização se houver dano. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Propriedade Urbana: ☺art. No caso de requisição. deverá ser em dinheiro. deve haver indenização? Não. mas sobre a propriedade em si. etc. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. Logo. CR. por utilidade pública. por ser inerente ao direito de propriedade. a indenização será sempre posterior. É um aspecto lógico. 182. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. XXV) e as militares (☺art. 186. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. justa e. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. 2. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. normalmente. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. restringe o caráter absoluto.000 habitantes (§1°). Ocorre quando o imóvel não é utilizado. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. A função social. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. IPTU progressivo no tempo. b.

por ter prazo menor. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. não há pagamento de indenização. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). CR). Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. prévia e. parágrafo único. Se ele tiver outro imóvel. É sempre indenizável (justa. Como o confisco é uma sanção. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Usucapião: Na Constituição da República. ininterrupta. Só que. possuir o imóvel como se fosse seu. .Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. não podem ser adquiridos por usucapião. paga em dinheiro). a propriedade não pode estar cumprindo a função social. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). CF/88. 184.o morador não pode ter outro imóvel. A Constituição não permite – ☺art. Confisco: No Brasil. O confisco de propriedade está previsto no art. Obs. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art.: Imóveis públicos. 50 hectares. CR). . sejam urbanos ou rurais. é porque ela está cumprindo a sua função social. Requisição Refere-se a bens e serviços. precisa recorrer ao judiciário). emergências da sociedade. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. sem oposição.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. 183. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. regra. 3. . Se ela é produtiva. no máximo. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular).Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. seja urbano ou rural.). o imóvel deve ter. Só não podem ser para fins de reforma agrária. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. §5º. 243. 250 m2. Para esse fim. §3° e art. Vejamos: . Necessidades permanentes da sociedade. . 2. não precária. São imunes a impostos (☺art. pacífica. PU. etc. 191. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Necessidades transitórias. Nesse caso. 185. em Indenização posterior se houver dano. 5º. no máximo. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade).CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. Na CR. 120 . a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . os bens serão confiscados – art. 243 da CR.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família).

Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Retroatividade da Lei Penal. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. a regra também é a não retroatividade (art. a lei interpretativa retroage. interpretando a lei da maneira (A). É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. Em resumo. 2. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. desde que seja mais benéfica para o réu. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. inicial. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. As hipóteses mais importantes são: 1. XXXVI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. não. só que exclusiva para o direito tributário. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. A garantia existe para a proteção desse direito. média e mínima. Em regra. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. etc. 5º e no art. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. CR). → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Seria correspondente à primeira hipótese. 5º. Alguns a interpretavam de maneira (A). a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Esta hipótese é. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. autônomo. mas que vale especificamente para o direito tributário. No direito penal. a CR/88 entrou em vigor. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. A lei interpretativa retroage. a saber: 1. XL. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Durante a vigência desse contrato. outros a interpretavam de maneira (B). é uma conjugação das duas anteriores. não era muito democrática). mas deve respeitar a coisa julgada. 5º. Para responder a essa questão. 3. na verdade. b) Retroatividade benigna. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Todas as demais o consagraram. é necessário diferenciar duas situações. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. 106.

. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. Ex: Determinada prestação. . XXXVI) é lei em sentido estrito e. de acordo com a legislação da época. será necessário que a Constituição diga expressamente. É claro que isso não é desejável. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. 654 e Súm. não há posição prevalecente. haverá uma retroatividade máxima. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. dirige-se apenas ao legislador ordinário. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Ex. Após a Constituição de 1988. Só que para haver essa retroatividade. coisa julgada e ato jurídico perfeito. É claro que isso não é desejável. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. automaticamente. STF. porque geraria uma insegurança jurídica. → Coisa julgada: 122 .A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. portanto. haverá uma retroatividade média. 5º. através de norma de eficácia plena. Não pode haver a redução. a Constituição da República entrou em vigor. mas as leis não. ela afeta a todos. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. Havendo mudança de regime jurídico. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. e não o ato exaurido. extintas. Se a Constituição atingir essa prestação. .1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. As parcelas podem ser reduzidas e. 2. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. b) Retroatividade média: pode ocorrer. e não lei em sentido restrito. em regra. e não as parcelas que compõem o vencimento. Nesse caso. Na retroatividade máxima. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. no caso de retroatividade mínima. .Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. interpreta a lei em sentido amplo. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Antes de a prestação ser paga. Só que para haver essa retroatividade. mas isso está superado. 473. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. porque geraria uma insegurança jurídica. até mesmo. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Se mudar o real. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. inclusive as de ordem pública. ☺Súm. A EC poderia prejudicar direito adquirido. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Portanto. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. O prof.

são mandados de otimização. independentemente de qualquer fator. do seu enunciado. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. em regra.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Em cada época. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. §1º. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. e não propriamente como ministro). à medida que a sociedade o determine. são NEL (de princípio programático). O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. Os direitos de defesa são. 5º. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Dirley Jr. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Assim. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. consagrados em NEP ou NEC. . Direitos Sociais: 1. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. de sociedades pluralistas.. 7º. Eros Grau. para dar decisões concretizando tais direitos.☺art. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. 2. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Ou seja. independentemente da sua natureza. em sua maioria. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. exigem uma atuação positiva do Estado. No art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. §1º. ou seja. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. como doutrinador. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. segundo Robert Alexy. como teórico do direito (ou seja. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. pois são mais facilmente implementados. b) o art. e pelo Min. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. 5º. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Por isso. e isso para muitos é um ponto negativo. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas.: salário mínimo). existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Eficácia: todo direito tem um custo. mas é apenas a coisa julgada judicial. A administrativa não tem essa proteção. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. 5º. Mas isso não é verdade. Já os direitos sociais. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. por ex. Os princípios. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. o que significa que possuem um caráter positivo. . nós deveríamos interpretar o art.

para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Quando se fala em direitos sociais. Primeiramente. previdência. 3ª fase: é a fase desejável. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. Argumentos contrários à intervenção judicial: . A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. educação. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. assim. . Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Esses direitos sociais não teriam. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. trabalho. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. pois. Em outros lugares. legítimas (saúde.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. as normas possuem uma textura aberta. pois. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. O que se busca. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. . rodovias.. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral.000. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. por ser norma programática. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. por ex. Norma de direito social não gera direito subjetivo. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. é importante definir tais critérios. essa atuação talvez não seja tão justa. Pedro Taques). lazer. por ex.). O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. em tese. normatividade.). Esse entendimento já foi superado. implicitamente. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. não geram direitos subjetivos. Portanto. quando foi dado um maior papel ao PJ. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . Como têm apenas eficácia negativa. Por isso. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. só porque recorreram ao PJ. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. que estamos buscando. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática.000. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. todas. A visão do juiz é bilateral. segurança. doutrinador do RS. Assim. etc.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais.

ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. . no que diz respeito aos direitos sociais. por isso. saber se a demanda é razoável. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Se um poder se encolhe. eleições periódicas. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. em 1972. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. pois. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. ou seja. . em razão das limitações orçamentárias existentes. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . entra-se muito nas questões ideológicas. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. Mas.Caráter normativo da constituição. Os direitos sociais estão consagrados em normas. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. teríamos a maior utilização das ações coletivas. o outro cresce. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude.Déficit democrático das instituições representativas. É preciso. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. De se ver que quando se fala em direitos sociais. segundo Ingo Sarlet. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. Se não se estabelecer os critérios. e é muito utilizada no Brasil. Ademais. Esses argumentos são os que devem prosperar. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. sufrágio universal. Não é o entendimento que prevalece. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. eles acabariam sendo inviabilizados. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. a democracia tem também um aspecto substancial – todos.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social.A democracia não é apenas vontade da maioria. em razão do Princípio da Igualdade. Assim. 125 . e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. não se encaixaria na realidade brasileira. . A reserva do possível. inclusive a minoria.

é o entendimento mais adequado. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Por que falamos em “mínimo”. depende de cada época e de cada sociedade. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível.. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Não é o máximo desejado. Ou seja.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. A efetividade passa pela sociedade. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. pelo cumprimento voluntário da constituição. Vejamos: 1. Segundo o prof.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. 2. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. mas deve também ser provada. essa concretização. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. precisam ser concretizados. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Outros autores já falam apenas em saúde. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. quando se estabelece o mínimo existencial. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. em 1953. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. que é a corte suprema na Alemanha. maior o risco de não ter efetividade. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. que a demanda custa y. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. mas teria um peso maior na ponderação. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. assistência em caso de necessidade. em razão de sua textura aberta. Se não definir o conteúdo. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. . A reserva do possível é uma matéria de direito público. Assim. Segundo Ana Paula de Barcellos. No Brasil. por ser necessária para a 126 . Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. que existem z pessoas na mesma situação. educação e moradia. etc. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. . a questão da efetividade será prejudicada. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. da liberdade material e do princípio do estado social. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Segundo Ricardo Lobo Torres. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. é o mínimo existencial.

2) posicionamento de um autor português. JAS. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. estatístico. segundo ele. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. assim. que significa nação. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. passaria a fazer parte do próprio direito social. só ampliado. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. fala-se em vedação do retrocesso social. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. ao estudar as normas de princípios programáticos. Pode. língua. de acordo com a necessidade. entre eles: laços culturais. Os poderes públicos. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. irão concretizar os direitos sociais. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. Todos que moram no Brasil. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. já dizia algo muito semelhante. não pode haver uma redução dessa concretização. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. costumes. Ele tem. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). o que prejudicaria a sociedade. da máxima efetividade (art. consciência coletiva. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. pois. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. CR). haver uma redução do grau de concretização. históricos. 127 . independentemente da nacionalidade. e do Estado Democrático e Social de Direito. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. Por isso. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. um pensamento mais flexível sobre o tema. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. A partir do momento que um direito social é concretizado. da dignidade da pessoa humana. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. Há dois posicionamentos quanto ao tema. 5º. haveria um engessamento do legislador e do PE. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. e. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. População está relacionada ao conceito demográfico. Segundo ele. §1º. fazem parte da população brasileira. Ex. esse prazo não pode mais ser reduzido.

De acordo com o critério sanguíneo. Pelo critério funcional. Se o casal estiver a serviço de outro país. Refere-se aos brasileiros naturalizados. há direito público subjetivo do estrangeiro. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. se não se manifestarem contrariamente. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. II) Jus Sanguinis: ascendência. II) Naturalização expressa (art. a). 112 e 115. por uma questão de soberania nacional. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. §6°. 12. 12. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. adquirem a nacionalidade do país onde residem. . b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. desde que haja reciprocidade.815/80. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . não haver condenação penal e requerimento do interessado. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Refere-se aos brasileiros natos. os pais têm que ser brasileiros. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. É geralmente adotada por países que estão em formação. 227.Quase nacionalidade (art. 12. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. de acordo com o art. Neste caso. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. não há direito público subjetivo. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. c. I. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. b). Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. I. considera a nacionalidade dos pais. 12.Diferenças de tratamento 128 . estrangeiros residentes.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Obs. 12. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. terá naturalidade brasileira. I. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. art. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. o filho terá nacionalidade brasileira. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. É o caso do Brasil. CF/88. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. A EC 54 alterou o art. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei.

cria-se um problema de relação internacional.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. 5°. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. Mas. dependente da economia paterna. 5°. portanto. do território brasileiro. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. . Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. no entanto. confundir a súmula acima com a seguinte. .segurança nacional: oficial das forças armadas. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. CF/88). Na extradição. 89. Expulsão: consiste na retirada a forca. A deportação está mais próxima da expulsão. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. §2°. não se poderá invadir esse estado. b) 6 assentos do Conselho da República (art. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma).Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. 12.Perda da nacionalidade (art. XL. presidente da CD. em razão da soberania nacional. . d) Extradição (art. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. vice. em razão da superioridade da Constituição. Os critérios utilizados são: . ou que tenha filho brasileiro. 12. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. §3°). STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. . CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. a ela aplica-se a súmula 1. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. §4°. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Já na entrega. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. No caso de brasileiro naturalizado. presidente do SF. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. só poderá ser extraditado: . Se o estado desrespeita essa regra. Não se pode. . . CF/88): 129 . de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 12. 65 da lei 6. Importante analisar a Súmula 421. Mas. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. Princípios relacionados à extradição: .se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização.linha sucessória do presidente da república: PR. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. 5°.

ou seja. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. Para JAS.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. 130 . com a realização de eleições periódicas. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. one vote”. one vote” – “one person. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas).tem valor igual para todos: “one man. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). A CR/88 adota o sufrágio universal. 14. inclusive sendo cláusula pétrea. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). que exige uma alternância de poder. 81. caput). Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. o sufrágio censitário (ex. pelo CN. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. perderá a nacionalidade brasileira. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. São requisitos apenas técnico-formais.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. salvo nos casos das alíneas a e b. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. §1º). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). . CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Direitos Políticos: . para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. Além dessas características do voto. é o direito político em si. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. com uma única exceção: art. na forma da lei (que ainda não existe). Características que o voto possui no Brasil: . O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. 14.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824).é direto: é a regra. . §1º. e não requisitos preconceituosos. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. salvo se por meio de ação rescisória. nacionalidade e alistamento. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos.é periódico: essa periodicidade do voto. Servem ao controle do próprio direito. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. voto é o exercício desse direito. é o direito de votar (e não de ser votado). Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. .

e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. 14.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). Assim. trata-se de lei ordinária. ou seja. §7º . ela é adquirida progressivamente. No Brasil. §3º? Segundo o STF. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14. Ex. etc. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos.é conhecida como inelegibilidade reflexa. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. 14). São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. 14. 12. ☺ar. a inelegibilidade em relação aos militares (art. em caso de reeleição. salvo se já titular do cargo. Quando a Constituição fala apenas em lei. até que se atinja a plena cidadania. então. . o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. Primeiramente. filiação partidária. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. 14 traz um questionamento. assim. com exceção dos portugueses equiparados. §3º. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. 14. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). os inalistáveis são os estrangeiros. domicílio eleitoral na circunscrição. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). se houver reciprocidade (art. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . do art.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. Além dessas condições relativas à idade mínima. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. §5º .☺§3º. 14. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). ou seja. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político .Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. dentistas. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. §1º). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. que geralmente admitem desincompatibilização. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). 14. §8º). no caso do art. é o direito da pessoa ser votada. no governo de SP). Mas o §9º do art. . e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade.

A doutrina (JAS. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. portanto. 15 (incisos II. nos termos do art. mas o prof. Todas as outras hipóteses do art. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. VIII). I. Kildare. o prof. seus parentes também poderiam ser candidatos. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. é algo temporário. Com base nessa distinção. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. e quanto a isso não há divergência doutrinária. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 15. III e V) são hipóteses de suspensão. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. não há como readquirir os direitos políticos). CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. 15. 5º. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 132 .