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Marcelo Novelino. Direito Constitucional

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  • Objeto:
  • Constitucionalismo:
  • Evolução do Constitucionalismo:
  • Constitucionalismo e Soberania Popular:
  • CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:
  • Concepções de Constituição:
  • Aspectos conclusivos:
  • Classificações das Constituições:
  • HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Supremacia da Constituição:
  • Hierarquia dos Tratados Internacionais:
  • Lei Ordinária X Lei Complementar:
  • Lei complementar Lei ordinária
  • Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:
  • CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:
  • Conceito:
  • Parâmetro ( normas de referência):
  • Formas de Inconstitucionalidade:
  • Formas de Controle de Constitucionalidade :
  • 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:
  • a) Preventivo:
  • b) Repressivo:
  • 4.2) Quanto à natureza do órgão:
  • 4.3) Quanto à competência:
  • a) Difuso:
  • b) Concentrado:
  • 4.4) Quanto à finalidade:
  • a) Concreto:
  • b) Abstrato:
  • e concreto
  • Formas de Declaração da Inconstitucionalidade:
  • 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:
  • 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:
  • 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:
  • 5.4) Quanto à extensão da declaração:
  • Exercício do Controle Jurisdicional:
  • 6.1) Controle difuso-concreto:
  • d) ADI no STF e ADI no TJ:
  • 6.2) Controle concentrado-abstrato:
  • Atuação do PGR:
  • Atuação do AGU:
  • Amicus Curiae:
  • Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:
  • Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:
  • Efeitos da decisão de mérito no MI:
  • Controle Concentrado-Concreto:
  • RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:
  • PODER CONSTITUINTE
  • PODER CONSTITUINTE ::
  • Conceito e finalidade:
  • Natureza:
  • Titularidade do Poder Constituinte:
  • Poder Constituinte Supranacional:
  • Espécies Tradicionais:
  • A) Poder Constituinte (Originário):
  • B) Poder Constituinte Decorrente:
  • C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):
  • Direito Adquirido:
  • Reforma x Revisão:
  • HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:
  • Introdução:
  • Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:
  • (hermenêutica constitucional)
  • Métodos de Interpretação da Constituição:
  • I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):
  • II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):
  • III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):
  • IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):
  • V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller):
  • VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):
  • Interpretativismo e não interpretativismo:
  • Elementos do Sistema Normativo Constitucional:
  • Postulados Normativos de Interpretação:
  • Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:
  • Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:
  • PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:
  • Natureza Jurídica:
  • Preâmbulo como diretriz hermenêutica:
  • APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Classificação das Normas Constitucionais - JAS:
  • Classificação de outros autores:
  • NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:
  • Revogação:
  • Teoria da Desconstitucionalização:
  • Teoria da Recepção:
  • Constitucionalização Superveniente:
  • Repristinação:
  • Mutação Constitucional:
  • Graus de retroatividade da norma constitucional:
  • PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
  • Funções dos Princípios Constitucionais:
  • Princípios Estruturantes:
  • Princípio Republicano:
  • Princípio Federativo:
  • Princípio do Estado Democrático de Direito:
  • FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:
  • Soberania:
  • Cidadania:
  • Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:
  • Pluralismo Político:
  • Dignidade da pessoa humana:
  • DIREITOS FUNDAMENTAIS:
  • Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:
  • Classificação dos Direitos Fundamentais:
  • Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:
  • Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:
  • Natureza dos Direitos Fundamentais:
  • Características dos Direitos Fundamentais:
  • Eficácia e Aplicabilidade:
  • Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:
  • Limite dos limites:
  • Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:
  • DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:
  • Direito à vida:
  • - Direito à privacidade:
  • Princípio da Igualdade:
  • Direitos ligados à liberdade:
  • Direito de propriedade:
  • Direito de segurança jurídica:
  • Direitos Sociais:
  • Direitos da Nacionalidade:
  • Direitos Políticos:

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Partindo. o local e a época. em especial limitar o poder arbitrário. em sentido jurídico. numa terceira acepção possível. como sociológica: “em termos jurídicos. como o inglês. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. sociologicamente. enfeixado na Constituição. e que se encontra acima dos detentores do poder. mas proteger direitos. Tem-se utilizado. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. 4 . o americano e o francês. e. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. um claro juízo de valor. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. E para isso. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. no fundo. mas também de outros assuntos. Numa segunda acepção. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. uma teoria normativa da política. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. por seu turno. do estado e das instituições democráticas. Neste sentido. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. É. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. os fins socioeconômicos do Estado. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. reporta-se a um sistema normativo. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. O conceito de constitucionalismo transporta. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Kildare Gonçalves Carvalho. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. a defesa da Constituição. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. então. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Numa vertente mais restrita. assim.

As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Roma: idéia de liberdade. Atribui competências aos três poderes. 2. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Garantia jurisdicional. c. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. a. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Por isso. a partir da Revolução Francesa. b. 1. porém. como e até onde pode mandar. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. (Livro do Alexandre de Morais). Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Estabelece as regras do jogo político. Como ressaltado por Jorge Miranda. Foi a mais avançada forma de governo. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. se contrapõe ao absolutismo. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Até então todas as constituições eram consuetudinárias. e da França. após a Independência das 13 Colônias.surgiu em substituição ao governo dos homens. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. desde logo. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Grécia antiga: democracia constitucional. Foi uma retrospectiva do direito Grego. b. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. integram-no. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Influenciaram o direito francês e americano. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. A democracia é a representação da vontade da maioria. Inglaterra: rule of law – governo das leis . ii. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Foi a 1ª experiência constitucional. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. fases pelas quais passou a constituição. • Separação dos poderes. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. ii. d. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. quem. em 1787. • Princípio do governo limitado. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Hoje. Estado Hebreu: estado teocrático. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). em 1791. Governo limitado. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia.

Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. A partir dessas novas idéias. direitos fundamentais. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Todos os poderes constituídos (PL.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Constituições da democracia social. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. foi o Abade Sieyès. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Garantia de direitos. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. estarão subordinados a ela. os costumes 6 . Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). na época das Revoluções Liberais. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. as constituições tinham caráter mais político. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Constituições da democracia marxista ou socialista. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. PE e PJ). Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Eram apenas uma diretriz. Idéias principais: i. Novas idéias foram surgindo. Começou a se falar em um direito moral. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Separação de poderes. sem força vinculante. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. aplica-se a analogia. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. O ser humano é um fim em si mesmo. estabelecidos pela Constituição. b. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Hoje. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Rússia. Força normativa da constituição: antes. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. a maioria da nação. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. c. ligada à idéia de liberdade. diretrizes. as quais são denominadas por pós-positivismo. a. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. havia regras. XX). Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. 4. Ex. Segundo a tradição francesa. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constituições de países subdesenvolvidos. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. ii. ou seja. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Constituições da democracia racionalizada. 3. b. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. estabelecendo diretrizes. XIX. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). d. c. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição.

políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. os princípios. Hoje. Hoje. espuma do chopp. Consenso. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Mas essa é uma posição muito radical. c. Participação. demarcação de reservas indígenas. Para Paulo Bonavides. Ex. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Universalização. de uma forma geral. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Solidariedade. Verdade. • • 5. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). mas quem dirá o que ela é. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. d.. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias.  Aplicação direta da constituição. o judiciário aumenta sua força. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Continuidade. Os princípios. EUA: nós estamos submetidos à constituição. verticalização. fidelidade partidária. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Entre uma regra específica e um princípio geral. é o judiciário. aplica-se a regra específica. Quando o legislativo é fraco. é o juiz. que é aplicada mais às regras. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Na Itália. Constitucionalismo do futuro. Na jurisprudência do STF.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Eles são importantes. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. A aplicação da norma se dá pela subsunção. cotas em universidades. Teoria Concretista Geral. etc. etc. b. Ele atua como legislador negativo e positivo. 7 . Para Barroso. f. união homoafetiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. aborto no caso da acrania. tratado internacional tinha status de lei ordinária. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Não se aplica diretamente a constituição. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. há uma euforia dos princípios. g. e. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. pois esta é a concretização de um princípio geral. Integração.

nos termos deste lei e das normas constitucionais. cujo titular é o povo. Act of Settlement de 1701.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. 1º da Lei 9. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Podemos falar. concretizando a soberania popular. Como regra. a continuidade. mediante: plebiscito. caput. de forma expressa. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. nos termos desta Constituição”. a verdade.U. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. O titular do poder é o povo. de soberania popular. a participação. por intermédio de seus representantes. Carta outorgada por Carlos II (1662). 46. Petition of Rights de 1628. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . a solidariedade. Vale dizer. que são os deputados federais (âmbito federal). Habeas Corpus Act de 1679. Bill of Rights de 1689. o exercício deste poder. referendo e iniciativa popular”. 14. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). o povo também o realiza diretamente (democracia direta). 1º. portanto. Contratos de colonização. então. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. dá-se através dos representantes do povo. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Assim. o P. pertinentes. com valor igual para todos. Fundamental Orders of Connecticut (1662). segundo o art. que. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). I. verdadeiro sistema híbrido. CR.709/98 (que regulamentou o art. de acordo com o art. do art. II e III. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. CR). Compact (1620). CR) e.

Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. mas apenas leis constitucionais. é vinculante e obrigatória. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. a Constituição é norma pura. conforme o prisma de análise. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). que surgiram com as constituições mais prolixas. os direitos fundamentais. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. 1°. o restante. Toda a Constituição. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). que adota o conceito decisionista de constituição. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. A Constituição Escrita. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. → Segundo Hans Kelsen. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. o caráter normativo e vinculante da Constituição. quando não corresponde à Real. para ele.. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). com exceção do Preâmbulo. na sociologia. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. não passaria de uma simples “folha de papel”. 242. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. têm a mesma forma de elaboração). ou seja. Para entender tal concepção. PL. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. PJ. Constituição e leis constitucionais são. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. ou seja.: art. §2º. Esta é a concepção que hoje prevalece. na política ou na filosofia). portanto. caso contrário. Essas normas são programáticas. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. A conferência realizada por ele. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. Segundo ele. As leis constitucionais são todo o restante. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Esta concepção atualmente é inadmissível. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. a que Carl Schmitt chama de Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. mas materialmente distintas. como por ex. O art.

A CR/88. posta pelo Estado).a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. por isso não tem nenhum expoente específico. modificando-a. . tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é um elemento conformador. a Constituição tem sim fundamento sociológico. . define tais elementos estruturais. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. . e também jurídico. é a Constituição escrita (CR/88). seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. é: todos devem obedecer a Constituição. não está escrita. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Ou seja. segundo esta concepção. não introduz nenhuma novidade. . Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. qual seja.Povo. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). Seu único comando. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade.Soberania. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. condicionante desta mesma cultura. é apenas uma pressuposição. ao mesmo tempo. mas que trata de todos os aspectos. ela não existe na realidade. neste sentido. quais sejam: . os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). todos os setores da vida social. 10 .Finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . portanto. Gilmar Mendes). devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado.Território. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. é uma norma pressuposta.

por alguns estudiosos. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. ou variadas): ex. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). de maneira unilateral.. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. pois toda constituição é escrita e não-escrita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. a classificação irá ajudar a compreender a constituição.dogmática: sempre escrita. trata-se de modalidade anacrônica. podendo ser: ..codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. Ex.não codificadas (ou legais. . consuetudinária (não é escrita). . .: as constituições outorgadas recebem. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). Nesse caso. Por isso mesmo. surge em um só momento. 11 . Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. 4) *Quanto ao modo de elaboração: .outorgada: é a constituição imposta. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. votada. a constituição não se torna democrática. .escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). 3) Quanto à origem: . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. tem também vários documentos escritos. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). é fruto das idéias. É uma aprovação simbólica). Constituição Espanhola/1930.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. o apelido de “Cartas Constitucionais”. a Constituição Inglesa. 1967. Obs. por ex. . O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. promulgada. como por ex. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. 1937. as constituições outorgadas foram as de 1824. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). de uma só vez.democrática. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. quem vota a matéria são as lideranças. No Brasil. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. há pouco espaço para se ter costumes como regras. toda Constituição histórica é costumeira. e como é bastante prolixa. não surge de uma só vez em um só momento. .

concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. inclusive a CR/88).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. passou a haver hierarquia entre as normas. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. CR). pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. 1º. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. . É uma classificação típica das constituições costumeiras. sem se preocupar com os detalhes. Como se submete a esse tratado internacional.: a Constituição dos EUA). Constituição Inglesa.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . São chamadas também de clássicas. Em 2000. .constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. É uma constituição em sentido material. . Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. portanto muito difícil de serem modificadas. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina.fixas: não poderiam ser modificadas. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes.) . como é o caso da CR/88. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. ou seja. Ex. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Por este motivo. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Ex. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. mas sim o processo mais dificultoso. .: art. (Obs. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Não existe controle de constitucionalidade das leis. Ex. sucintas. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. É uma constituição em sentido formal. sendo assim. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . deixou de ser considerada flexível. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas.

democrática.: art. OBS. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). sucintas. pois valem a todos os entes federados. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. . As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Pactuadas (ou pactuais). Característica das constituições clássicas. o Estados. 59 e segs. o União. formal. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. sumárias. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. Flexíveis (ou plásticas). União. Fixas. porque é fruto de várias ideologias. Constituição em sentido formal. dogmática.: art. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. 13 . rígida (ou super-rígida). Democráticas (populares. codificada. Ecléticas. dogmáticas. prolixa. básicas ou clássicas). mas sim uma obrigatoriedade!). É a CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. Rígidas. o Municípios. Canotilho. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). (processo legislativo). Ex. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). Constituição programática (ou dirigente). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Não-escritas (inorgânicas. votadas ou promulgadas). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. como por ex. 3º. CR. que surgiram com um objetivo pré-definido. o DF. Históricas. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer.: a CR/88 é ainda Eclética. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). costumeiras ou consuetudinárias). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). e não de apenas uma ideologia.

I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. No topo. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. 59. II a VII). as derivadas (art. uma Constituição só possui relevância sociológica. as medidas provisórias. cujo fundamento de validade são as leis e. para fins de controle de constitucionalidade. basicamente. Importa dizer. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. a Constituição. Leis Delegadas. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . No entanto. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. ordinárias e complementares). tem de ser.: decretos e regulamentos. por 3 níveis hierárquicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. Para que exista supremacia formal. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. CR). que existem como complementação dos ANP). se tiver também supremacia formal. 59. 59. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. o indireto. obrigatoriamente escrita. DL e Resoluções – ☺art. enquanto as regras são mais específicas. sejam elas originárias ou derivadas. estaduais. §3º). porque os princípios têm maior amplitude. que a CR/88. distritais e municipais. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. por ser rígida. a Constituição tem que ser rígida. LC.343/SP. as leis delegadas. MP. direitos fundamentais ou não. encontram-se as normas constitucionais originárias. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. 5º. princípios ou regras.

No caso da prisão civil por dívida. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). 69. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. mas somente uma recomendação. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Anotar como complemento posteriormente. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Leis delegadas. que regula a LC. Essa aprovação não é obrigatória. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Quando não exigir LC.☺Art. Portanto. OBS: O art. é sempre o mesmo número ☺Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). por isso não entendo como pode tamanho formalismo. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Por ser uma matéria reservada. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Reservada pela CR/88. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Lei ordinária Art. 69.status constitucional. MPs. 47 é a regra geral. No entanto. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. 47. Residual. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. por uma questão de economia legislativa. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Não varia.☺Art. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. a previsão constitucional exige complementação. ela não pode ser tratada por leis ordinárias.

E. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. 25. Hierarquia entre Lei Federal. Assim. ☺Art. não cabe ADIN. 30 (assunto de interesse local). conforme previsto no art. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. III. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. 102.: lei estadual trata de matéria de competência da União). Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. no caso de repartição vertical. a competência para resolução é do STF. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. d. DF). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. 16 . Assim. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Havendo conflito (ex. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). • Estado – ☺Art. como o controle exercido será de constitucionalidade. pois não está ligada diretamente à Constituição. Parei aqui. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. há hierarquia. assim. 21. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). • União – ☺Arts. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis.

Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. ou seja. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. 17 . quando são equivalentes às EC. seja uma norma de referência para ele. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. o CDC. b) Parte permanente = normas gerais – arts. contudo. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. os TI de direitos humanos. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. . A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Assim. Como não tem caráter normativo. portanto.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. Tirando o preâmbulo. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. visando assegurar a supremacia da constituição.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). como para Canotilho. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. Não existe. Com a EC/45. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. mas também o preâmbulo. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Refere-se. tem função interpretativa). etc. é diretriz hermenêutica. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. deve estar inserida no texto da CR. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. . A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. . Abrangeria não somente a constituição.

se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial.de princípio institutivo (Obs. Assim.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. I – que exige LC para instituir impostos residuais). 3. 154. mas caberá ADIN por omissão). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). ou seja. . ocorre. art. se considerar em relação a uma expressão é total. mas o prof.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Obs. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. A omissão parcial nada mais é que uma ação. MI. quando não é respeitada uma norma de competência. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Formas de Inconstitucionalidade: 3. Não Auto-executável. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. às vezes.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. No STF. . STF não é mais aplicada. as Súm. Ex.: a Súm. 4 e 5. pois. (Obs. Ex. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 3. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. não pode ser suprido pela sua sanção). Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. o Min.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). 18 . a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. e Não Bastante em Si.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Ex. Pode ser: . A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.: competência privativa do PR (☺art. §1º.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. há uma divergência na doutrina. Ou seja.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. 3.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. CR). ADI. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. aliás. Não Auto-aplicável. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. não será cabível mandado de injunção. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Aqui. 61.de princípio programático. ou seja. Assim. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. AIO. 5° a 17). ADC e ADPF. 5. Dependem do prisma de observação.

Relaciona-se. o decreto se torna inconstitucional. Pode ser: b. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. 59. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. toda alínea ou todo inciso (☺art. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. ato originariamente constitucional. e grande parte da doutrina. todo parágrafo. § 2°). não podendo incidir sobre parte do dispositivo. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. não pode ser retirada).: a palavra “não”. aos Atos Normativos Primários. já sendo inconstitucional desde a sua origem. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI).: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88).4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. pode ser questionado. Ex. reflexamente (ou de maneira 19 . a inconstitucionalidade será indireta. ou seja. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. b. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. 66. CR. não se trata de revogação. Assim. Ex.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. atos previstos no art. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. Segundo STF. No caso da lei. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. a inconstitucionalidade será direta. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. refere-se. ou seja. Obs. No caso do decreto. Se o decreto é ilegal. pois. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. 3. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88).: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. decretos regulamentares. Para o prof. Quando se fala em inconstitucionalidade. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. no controle concentrado abstrato. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. como altera sentido do texto. que se ligam indiretamente à constituição. o que houve foi um desrespeito à Constituição. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. que só pode atingir todo artigo. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. de ofício ou a requerimento da parte.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial.

O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. não pode impetrar o MS. assim. porque o ato não fere diretamente a CR). Art. que se exerce através do veto (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. quando ele participa do processo legislativo..ou concreto. porque o chefe do PE. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. IV. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. o projeto 20 .Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). por isso ocorre antes da promulgação da lei. portanto. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. 84. a inconstitucionalidade é indireta. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. pois pode ser derrubado (☺art. IV . CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. por isso aqui não há que se falar em controle). O chefe do PE. mas uma mera análise política. ela não está violando o direito de ninguém). parágrafo. tem fundamento de validade indireto. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). já que de maneira indireta. OBS: não adianta decorar o nome do ato. ele não precisaria impetrar o MS. viola o art. §2º. é fundamento de validade direto e no 2° caso. 84. Caso contrário. segundo o STF. CR).Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. . O veto é relativo. porque ele é o único que participa do processo legislativo. promulgar e fazer publicar as leis. EX:art. como pelo PE e PJ: .Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo.sancionar. O único legitimado para impetrar esse MS. Trata se de um controle incidental. 60 parag 4. embora participe do processo legislativo. inciso ou alínea). O veto tem que ser expresso. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. a inconstitucionalidade será direta. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). No 1° caso. é excepcional. se ele entender que o projeto é inconstitucional. prevenir que a CR seja violada. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. 66. . mas sim analisar cada caso concreto. 66.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. CR. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. Obs.

que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Se o projeto tramita na CD. desta feita. 168): o STF.. V. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. por maioria de votos. etc. universal e periódico.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). mormente. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. vinculam os atos e procedimentos legislativos. já que trata-se de um ato normativo. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). quem tem legitimidade é apenas o Deputado. Questão: o PR. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. muito embora não sejam formalmente constitucionais. 68. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. as cláusulas pétreas. não lhe cabendo. interpretações regimentais. na linha do voto de Gilmar Mendes. Assim. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. que entende que “. na qual o projeto esteja tramitando. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. 21 . que é o chamado Decreto Legislativo. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. ADC ou ADPF. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. pois não se trata de ato normativo. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. vedando-se.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. a fim de repará-la. mas um processo legislativo constitucional. ou seja. 60. ☺art. contudo.. tendo como objeto esse Dec. aos direitos fundamentais”. Legislativo? Sim. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. constituindo-se normas constitucionais interpostas. V . CR. e as normas do RI são questões interna corporis). quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . a separação dos poderes. secreto. §4º. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). em um primeiro momento. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. se na Assembléia Legislativa.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. o Senador. somente o Deputado Estadual. Ademais. No entanto. pode ajuizar uma ADI. Leitura do livro do Lenza (pág. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. que. 49. Na verdade. o PR elaborará então a LD. o voto direto. os direitos e garantias individuais” – ou seja. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. se está no Senado.

CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. ao fazer um Decreto Regulamentar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. por ex. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Antes da CR/88. CR). GE. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. quando. mas segundo o Min. II) art. Legislativo para sustar.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. No entanto. Ele será. através da edição de um Decreto. Gilmar Mendes. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). não é um entendimento consolidado. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). esse rol foi ampliado. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. IV. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. Apenas excepcionalmente. III) Súmula 347. STF: o Tribunal de Contas. já no STJ não há qualquer ressalva. Assim. Desde já. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). segundo o STF? Resposta: em regra. 84. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. Não se analisa o mérito da MP). Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. ajuizar uma ADI. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante.. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . O TC é órgão auxiliar do PL (art. 4. tampouco que o PR. ou seja. no exercício de suas atribuições. Após a CR/88. é necessário fazer-se um controle repressivo). devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. .. . ela deve ser objeto de controle. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. nesse caso. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. estudado de forma detalhada a seguir.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. pois. O chefe do PE (e só ele – PR. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. exorbita os limites do Poder Regulamentar. 71. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. pode o PJ analisar tais pressupostos.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência).2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. 62. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. o chefe do PE teria que. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. mas tão somente aos prefeitos. simultaneamente. clara e evidente – ou seja. CR). Obs. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). ao negar cumprimento à lei. porém.084). não havia relevância alguma). nesse caso o CN pode editar um Dec. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta).

órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. dentro de sua competência. Segundo caso. já foram feitas 56 EC! 23 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison.S.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. difuso e concentrado). já na CR/88. que completa este ano 20. isso não é verdade. em 1803. e é adotado pela maioria dos países europeus. 1792 Hayburn s case. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). ao mesmo tempo. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. porque surgiu na Áustria. mas das espécies de controle. É também chamado de controle aberto. Primeiro caso. 4. inclusive o STF). O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. Obs. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. quem exerce o controle é o PJ. o controle é feito pelo PL.: França – que tem o Conselho Constitucional. para não gerar essa confusão. porque significam coisas diferentes!). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. Por isso. haviam sido feitas apenas 16 EC. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. porque surgiu nos EUA. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). interessante: em 1965. com 19 anos de Constituição. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. Ex. em se tratando de lei nacional.: na Suíça. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. No Brasil. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. em 1920 (bem depois do controle difuso). de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).Hilton x U. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. ou seja. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. Por isso.A. se se tratar de lei local.

CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Com base nesse argumento. também não podem ser objeto de controle abstrato.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. nos EUA chamado de “Binding Effect”. é proteger as normas da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Por isso o Min. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. ou seja. (O STF é o guardião da CR – art. Da mesma forma. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. mas tão somente de controle concreto. A análise da lei sempre será feita em tese. ou tendência de verticalização. Gilmar Mendes. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. A finalidade não se confunde com a competência. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. se fala em efeito vertical. o principal defensor dessa tendência é o Min. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. já não ameaça mais a supremacia da constituição. O efeito vertical. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). e a partir desse antecedente. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. porque em estando revogada. sendo o controle 24 . No direito brasileiro. mas deve ser estendido ao controle concreto). O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Este efeito é típico do controle abstrato. Segundo este instituto. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. No Brasil. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. 102. 97. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. por ser uma relação vertical. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva.

4. ou seja. Assim. Antes. e não erga omnes. Gilmar Mendes. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. CR. No Acre. viola o princípio da igualdade. 52. O Relator da Reclamação foi o Min. ou seja. não há necessidade da suspensão pelo Senado.335/AC). há essa tendência de abstrativização do controle concreto. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. sendo acompanhado pelo Min. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. do PL. Pois no controle difuso. em seu voto. Outra situação interessante foi o RE 197.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. não permite essa mutação). como fica o papel do Senado Federal? ☺art. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). então não sabemos a posição dos demais ministros. Eros Grau. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Então. Gilmar Mendes. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. segundo ele. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Por fim. Então o Min. Assim. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira.917/SP. em ocorrendo isso. Por fim. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. 25 . O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. ou seja. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. houve decisões proferidas em 3 MI (712. se assim fosse. Gilmar Mendes (e também o Min. No Legislativo: Mas. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. o Min. ou seja. pelo menos por parte de alguns ministros.959/SP. X. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. o direito de greve dos servidores públicos. E. Na decisão do STF. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. como a decisão tem efeitos inter partes. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. não uma simples mutação. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. tendo efeito apenas inter partes. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. ainda. que deu provimento à reclamação. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). sem que ocorra modificação no seu texto. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. o STF estaria usurpando uma função que é do SF.

não precisam chegar até o STF. pois tem o papel de guardião da Constituição. O papel do STF não é julgar litígios individuais. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei.417/0 e Lei 11. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. 102. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. § 3°. (☺ Lei 11. não é o objeto principal do pedido. eles não se reúnem fisicamente. 103-A).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. 26 . Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. A súmula vinculante tem natureza constitucional. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. é um instrumento de controle concreto e há. atualmente. mas apenas a causa de pedir (antecedente). Segundo Eduardo Appio.art. político ou jurídico. No controle concreto. julgando-o procedente ou improcedente. Num segundo momento (conseqüente). O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. é uma questão incidental. o que se dá no “plenário virtual”. analisado no dispositivo (conseqüente). concorda com isso). por estarem mais próximos dos indivíduos. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . estão os procedimentalistas. social. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. fundamentação e dispositivo. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. A repercussão geral (art. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. O RE. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. a rigor. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. não tem natureza processual como as súmulas comuns. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. Contrários a essa tendência de abstrativização. por sua vez. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. somando-se os votos de todos eles. não cabe ao STF analisar.418/06). ou seja.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante.

102. secundárias do julgado. Sendo assim. ou seja. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR.erga omnes . P. 10. eles também são vinculantes. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. há previsão não só na lei como também na CR). Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). . Ademais. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.882/99 – ADPF. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .868/99 – Lei da ADI e da ADC. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. 27 . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.: . §2º. . ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. Dispositivo L. art.U.EC 45/04: art. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . 28.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. e ele se encontra no Dispositivo. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.I. a chamada eficácia vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . sejam particulares. a razão determinante da decisão. . . o efeito vinculante atinge as normas paralelas. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. 5.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. 102. art.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. conforme está previsto no caput do art.vinculante. não determinantes para a decisão) não vinculam. sejam poderes públicos. mas também à fundamentação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).Lei 9. mas tão somente a ratio decidendi. .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: .efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.Lei 9. questões ditas de passagem. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.

a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. se as leis devem ser cumpridas. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. Respeitando o efeito vinculante. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. Só atinge a norma impugnada. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. cuja função não é legislativa.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. No entanto. pois atinge apenas o dispositivo. É um entendimento que vem desde 1. . inclusive os chefes do PE. . impedida de evoluir).803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. a função legislativa). com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . mas os sistemas de preclusão processual.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. segundo o prof. estadual e municipal). Obs. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. (20/03/09) 5. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. já os órgãos fracionários do STF. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. até que o PJ a declare inconstitucional. outros dizem ser nulo. também fica vinculado). inclusive o Tribunal de Contas. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. no caso Marbury x Madison). . .Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. como a coisa julgada.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. suas turmas e seus ministros. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. por sua vez. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. que se quiser.o PL (na verdade. 28 . mas sim fiscalizatória. e outros dizem ser um ato anulável. . Por este entendimento. estes estarão sim vinculados). mesmo que não tenham sido impugnadas.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. pode modificar seu entendimento.

Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. como os servidores agiram de boa-fé. poderá o STF. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. não admite a “constitucionalização superveniente”. os efeitos são erga omnes). Assim. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. Mas. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B).Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. o STF. o efeito que produzirá. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). por questão de segurança jurídica. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. autor e réu. e não no de não-recepção). portanto. como a Lei 9. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. porque o ato é nulo desde a sua origem. que revogou a Lei A. Exs. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. Lei 9. 27).683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF.Normas anteriores à CR. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. Visto a natureza do ato inconstitucional. ☺RE 197.)”. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. 11). . assim.882/92 (art. portanto. com inteiro teor). restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. com seus normais efeitos ex tunc.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. no caso do controle abstrato. como regra é retroativo: ex tunc. o Min.” . Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . 27.868/92 (art. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. Neste caso. Ou seja. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. ou 2) excepcional interesse social. . decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade.112/90. decidiu que. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. não precisariam deixar os cargos. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão.. O STF. ☺art. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). exigem o quorum de 2/3 dos Ministros.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos..). etc.

o prof. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional.Corresponde a um juízo de . Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. 5. Ex. . evitando a inconstitucionalidade progressiva. ex. controle difuso-concreto.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. ela progressivamente se tornará inconstitucional). desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. 134.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. o resultado será o mesmo. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. portanto foi recepcionada. Ex. depois de ter sido recepcionada. de fato.O Tribunal não precisaria 30 . mas sua interpretação).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. com um só sentido). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. CR x art. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. assim. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). quando todos os Estados tiverem DP. chamada “Apelo ao Legislador”. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva).O Tribunal precisaria observar . Em alguns casos.2: art. mas. 68. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. quanto . que trata da ação de reparação ex delicto. à medida que a situação fática for alterada. . e a norma já foi recepcionada pela CR e. constitucionalidade. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). pelo MP – a competência é da DP e não do MP. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. mas nem sempre.: a norma x tem dois significados possíveis. um significado A e um B. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. portanto. (A norma já passou pelo crivo da constituição.Corresponde a um juízo de . portanto. Assim. reproduzida pelo STF). Segundo o STF.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. para que este corrija a norma. era uma questão “obter dictum”. com condições de trabalho iguais às do MP. não foram todos os ministros que se manifestaram). a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. CPP.

. (*) Para o STF. declarar a inconstitucionalidade. e são permitidas as demais. a cláusula de reserva de plenário. observar a cláusula da reserva de plenário (*). . . a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. como ambas são equivalentes. 97).É uma técnica de decisão judicial. em razão do Princípio da inércia. . o juiz pode. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. ser objeto de ADI. 1º ou do art. 2º. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. . o texto da norma. dentro de uma mesma lei). se manifestar de ofício sobre o art.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). no controle abstrato. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). 1º e 3º e. b) Com redução de texto: b.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. portanto.É permitida uma interpretação e. por arrastamento. Na declaração com redução de texto. 3º. ou seja. 2º. desde que não altere o sentido do restante da norma. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. . O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. de ofício. se for um dispositivo autônomo. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. ou todo o artigo. b. 2º for dependente do art. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. 2º.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. . Obs. o juiz não pode. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). O STF. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. mesmo que não tenha sido questionado. nem sobre os demais. não poderá. do art. esta só se faz necessária quando se afasta. em princípio.É excluída uma determinada interpretação. Trata-se de controle abstrato. se o art. não podendo. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. no controle concreto. no controle concreto. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. Ocorre que. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato.Não há qualquer modificação no texto da norma. são excluídas as demais. em regra.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. de ofício. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. 1º e 3º. total ou parcialmente. da Lei x.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. portanto.

entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. Mas nem todo controle concreto é difuso. porque. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Ou seja. portanto. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. No Brasil. julga também inconstitucional o decreto. neste caso. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. e por arrastamento. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. mas apenas a causa de pedir. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. julgará procedente ou improcedente o pedido. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. O dispositivo. Contudo. Ex. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). mas também quando há usurpação da competência do STF). mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). dentre elas a ACP. Assim.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. ADCe ADPF). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. já que o STF pode. Neste caso. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. apesar de sozinho não ter aplicação.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Sobre o tema: 32 . nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. O pedido será a proteção de direitos. de ofício. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. mas é que esta não é necessária. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. ACP para fechamento dos bingos. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. portanto. pois será uma questão discutida incidentalmente. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. todo controle difuso é concreto. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele).

na prática. Assim. por entendê-la inconstitucional (inter partes). 97. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. XI – órgão especial: para que seja criado.. assim. que é função política. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. teremos uma lei material. o que só se pode obter por meio de ADI. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. por exemplo. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI.646. 294. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. Segundo esta cláusula. os Tribunais não têm admitido que. pois. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. elaboração de Regimento Interno. no caso. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. em defesa de contribuintes. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. dotada de caráter de universalidade e abstração”. que é mais de 50% dos presentes). A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Assim.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Regra da “full bench”. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. conseqüentemente. 33 . Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). Em outras palavras. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes).022. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. também não pode ser delegada).159.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. porém. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). ☺art. desde que. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. e no mínimo 11 membros. no âmbito dos Tribunais. No tocante. não pode ser delegada. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. 557. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Assim. porém. que é função legislativa. 97.: eleição do Presidente do tribunal. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. STJ ☺ RE 227. Nada impede. 93. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. por ex. é função possível de ser delegada. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. as chamadas leis de efeitos concretos. de efeitos concretos. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Os juízes singulares podem. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. por meio da ACP. STJ ☺ Resp. porém.

são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. pela maioria dos seus membros. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. Quanto à 2ª exceção. sob o argumento de que o dispositivo (art. será lavrado o acórdão. 34 . . apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. podendo decidir o caso concreto. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). CPC) seria inconstitucional: o art. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. assim. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. 481. no entanto.. Há uma repartição funcional de competências. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão).. porque para o STF ambas são equivalentes.U. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). prosseguirá o julgamento. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. de acordo com o posicionamento do STF.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. O professor não concorda. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional..: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. analisando se a lei é ou não compatível com a CR.U. 97. Há quem critique tais exceções. ☺art. se entender que a lei é inconstitucional. ou em caso de interpretação conforme. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Assim. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. sabe-se que o STF é o guardião da CR. 481. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. P. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. Decidido o antecedente. Exceções: P. se existir no Tribunal. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. abstratamente. como guardião da CR. se for acolhida. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. ao órgão especial). a argüição de inconstitucionalidade (.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário.

entendem que se trata de um ato discricionário. Ou seja. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. X. Outros autores. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. 52. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. a decisão do STF. Efeitos. 35 . Esta suspensão só ocorre no controle difuso. ou seja. o SF não pode suspender toda a lei. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. em regra. como se tratasse de uma revogação. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. esta decisão deve ser submetida ao plenário. se assim o fosse ela já seria vinculante). 2) Outros autores. que não comporta delegação. trata-se de uma competência exclusiva. Quando o SF suspende a lei. no todo ou em parte. A cláusula vale também para o controle concentrado. É o entendimento mais correto. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). Na verdade. 178. O STF já admitia essas duas exceções. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. não estando vinculado à decisão do STF. O SF apenas suspende a lei. quando isso ocorre. a lei deixa de ser aplicada. art. ela se refere à decisão do STF. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. por isso o faz dali em diante. A suspensão se dá através de uma Resolução. Ademais. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. sustentam que o efeito é ex tunc. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. CR – compete privativamente ao SF suspender. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. bem como ou STF. passa a ter efeito erga omnes. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. RISTF. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. portanto. que não pode ser retroativa. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. O SF não é obrigado a suspender.

57. Nas situações em que o TJ julga. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. no controle difuso-concreto. já o SF não. É uma construção da jurisprudência do STF. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. Na ADPF este fenômeno também é possível. Gilmar Mendes. a resposta é negativa. em razão do princípio da simetria. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. normas referentes ao TCU. obrigatoriamente. configuraria uma mutação constitucional. não havendo a necessidade de suspensão da lei. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Segundo o STF. um RE para o STF. esta norma não é de observância obrigatória. deve-se recorrer ao entendimento do STF. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. está fazendo uma análise. não se referem ao âmbito estadual e municipal. a partir do momento que resolve fazê-lo. 61: iniciativa do presidente. pela simetria deve ser atribuída ao governador. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. LC. cabe. ou seja. 59 e segs. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. se toda a lei foi declarada inconstitucional. por ser um órgão do PL Federal. Neste caso. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. LO. Ressalta que a letra da norma (art. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. CR) não comporta este entendimento. Segundo o professor. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Por isso. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. sendo norma de observância obrigatória. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). §4°. segundo o Min. o que. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Art. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. desta decisão proferida pelo TJ. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. Quando se fala em decisão definitiva do STF. já que o SF não atua de forma correta. CR: prevê o escrutínio secreto. 66. RISTF) – e isso é óbvio. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Art. e se o STF. mas. cujo modelo. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. O SF. Mas. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). esse entendimento é desejável. 52. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. se for apenas uma parte. CR. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. etc. 178. requisitos para a criação de CPI.

Quando o SF atua como órgão federal. São os dispositivos que se referem tanto à União. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). porém. a suspensão.). O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). 19. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). estadual. art. os que tratam do TCU.: arts. estadual e municipal. quando o SF atua. Ex. só se aplicando ao âmbito federal). 59.: CTN. Ex. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes).112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. retirando a lei do ordenamento jurídico. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. mas não trata apenas dos interesses da União. Ex. do DF e até municipais. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. etc. por não existir uma federação de municípios. CR). É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. Assim. que deve ser observado no âmbito federal. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). no controle abstrato (ADI. sendo específica para os servidores públicos civis da União. ADC ou ADPF). Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. visto que.: Lei 8.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. portanto. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. 58. outros 37 . de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. se aplicando ao âmbito federal.: art. X. não havendo. Sabe-se. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. 37. pelo Senado Federal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. o SF teria um número enorme de representantes). §3º. por isso pode suspender leis também dos Estados. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. como aos Estados. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. da organização da União. Quando o SF suspende os efeitos da lei. distrital e municipal). É também uma lei emanada do CN. no todo ou em parte. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. também. assim. 52. Classificação de Osvaldo Aranha B. Ex. está defendendo interesses apenas da União. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal.” Análise do enunciado pelo prof. por isso pode suspender lei estadual e municipal.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. Portanto. Com efeito. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). visto que. de 10/10/1997. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). é sempre a AL que suspende a lei.346. Entretanto. Poderá. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). por força do referido Decreto nº 2. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. SE e AM. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. não retroativos). o enunciado acima transcrito está corretíssimo. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. pró-ativos (ex nunc). os dois tipos são constitucionais. então. adotou-se. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). é a AL que suspende a lei. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. é a Câmara Municipal. Embora não haja consenso. visto que. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. 38 . O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). TO. Segundo o STF. declarando uma lei inconstitucional. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. 2º grupo: . de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. RN. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. . MS. na sua esfera de competência. de fato.346. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. porque o seu parâmetro não é a CR. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. da AP Federal direta e indireta. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). em decisão definitiva. no âmbito da AP Federal. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”).

A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. deve haver a previsão da legitimidade. e . nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. não cabe. que são a União e os Estados). 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. mas sim legitimados.ADC. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. ela é meramente jurisprudencial). em seu art.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 5) Ação rescisória. Por se tratar de um processo de índole objetiva.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). a competência é do TJ). . 103. 4) Recurso da decisão de mérito. ou na CR ou na lei. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . obviamente. 39 .882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. onde não existem partes formais (autor e réu). . Obs. tendo partes – autor e réu. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. A Constituição. o duplo grau de jurisdição. a ampla defesa.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. ☺Lei 9. de acordo com essas leis. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. Como são ações de controle abstrato.ADPF. e não do trânsito em julgado. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo.

Confederação sindical significa de âmbito federal. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. confederação regional: F. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.. . Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). Para ter âmbito nacional. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). ou seja. Assim. para ter legitimidade. a partir de então. .O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).S. .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. . o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .A entidade de classe.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. segundo a jurisprudência do STF: . Os demais podem fazê-lo sem advogado.Os GE. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Obs. . . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.A norma do art. Executivo PR GE – GDF P. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. confederação local: sindicato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. CS e ECAN.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. nas normas que tratam de outra matéria). . Lei 9. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. 102. decreto regulamentar. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. ele poderá ser objeto. a.Norma formalmente constitucional . ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. Obs.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. a. . sem interferência do PJ. geral e abstrato. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. Não serão objeto de ADI e ADC. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).preceito fundamental da CR (princípios fundamentais.: decreto regulamentar do PR.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. ou seja. 41 .☺art. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. I. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). admite-se o seu controle. caso o decreto emane diretamente da CR. §3º . como por ex. pois geralmente está abaixo do decreto.TIDH (3/5 e 2T) . Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. direitos e garantias fundamentais. o RI pode. 5º. Ex. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). são questões próprias de RI. para ser objeto de ADC e ADI. por isso não é ANP). todas estão no mesmo nível. 1º. 102. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. . I. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . OBS.

Obs. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. Lembrar que não cabe assistência. 103. No caso de emenda. leis suspensas pelo SF. pode ser qualquer ato do poder público. Gilmar Mendes e de um prof. por analogia. § 3° é uma função especial. o STF admitiu.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. devendo ser de todos eles intimado. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente).: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. só podendo ser objeto de controle difuso. ou seja. . da mesma forma na ADPF. sem exceção. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. CR. não ameaça mais a supremacia constitucional. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. se um novo PGR o substituir. ele vai atuar como fiscal da Constituição. §3º. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. 103. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. ainda que ele proponha a ação – ou seja. Atuação do AGU: ☺art. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. CR. também poderá dar parecer em sentido contrário. na outra. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. se seu entendimento for diverso. posteriores a 5/10/88. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). pois não produzem mais efeitos. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. de defensor legis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. Atuação do PGR: ☺art. A função do art. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). ainda. poder-se-ia admitir o veto jurídico. portanto está subordinado ao PR. Lei do DF não pode objeto de ADC.leis revogadas. como está havendo uma influência de um controle no outro. Tem status de ministro de estado. 42 . 103. segundo o STF. Assim. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. . ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). STF). Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou.Súmula. salvo embargos de declaração.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. medidas provisórias revogadas. Função geral do AGU (art. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. O PGR atua como “custus constitutionis”. intervenção de terceiros e recursos. é preciso primeiro ser transformado em EC). §1º. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Hoje. Mas. e. não pode ser objeto de ADPF: . O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida.

que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Ela já existia antes. art. §3º. Na ADI por omissão. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. não há o que se defender. por fim. em seu art. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. nos estados que adotam a commum low. Na ADPF. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. 20. não precisará do AGU para defendê-la. Mas atenção: existe um outro instituto. Nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. §1º e art. em especial no direito norte-americano. 7º. §1º.868. o das audiências públicas. de “defensor legis” e. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). 89. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Não há previsão para a ADC e ADPF. . Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. Portanto. Tem natureza de auxiliar do juízo. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). 43 . art. 7°. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. disciplinou a figura. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. §1º. o AGU não será obrigado a defender a lei. A previsão expressamente contida no art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. Está desempenhando uma função especial. Mesmo sem previsão legal. 6º. 9. Cabe também na ADPF. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). É muito comum nos tribunais internacionais. §2º da Lei 9. Foi introduzida pela Lei 6.868/99 -☺art. A exposição dos motivos da Lei 9. sendo feita por toda a sociedade. §2º e art.385/73 (☺ art. Posteriormente. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. 7º. mas não têm nada haver com amicus curiae. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. por analogia. 31). Ele não é alguém interessado na causa. Quando o AGU desempenha essa função. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Importante: ainda que como Advogado da União.868. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. 482. ☺ art. a Lei 8.868/99 vale só para a ADI.868. o AGU até poderia participar. só vai contribuir para a decisão do tribunal.884/94 (CADE). Amicus Curiae: Em uma tradução. seria “amigo do tribunal”. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. portanto. “amigo da corte”. A audiência pública está prevista na Lei 9.

. a mais correta. Lei 9. admitindo ser intervenção de terceiros (C. seria uma exceção). M. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF.102. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. não tendo partes. Para o prof. “a”. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. porque iria envolver matéria em relação à vida. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. portanto. em despacho irrecorrível. O STF ainda tem exigido pertinência temática. O juiz de primeiro grau. ou seja. poderia afastar esta presunção. Barbosa e E. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. ressalta-se que esta é apenas relativa. admitindo prova em contrário. Foi uma exceção. Quando 44 .: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). é um equívoco. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Mas depois que a lei foi feita. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .Com relação à presunção de constitucionalidade. Obs.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos).não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. R. Surgiu com a EC/03. Mello. . J. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. por ex. I. Aurélio. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). . o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. É. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Lewandowski. Marco Aurélio não admitiu. Apesar de que era relevante. ou seja.868/99. autor e réu. cabe amicus curiae. Gracie). (Obs. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. pois admitiu pessoa física em controle concreto.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros.. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. segundo o professor.

. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim.102. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. na ADPF 33: .869/99. nos quais a lei esteja sendo discutida.14. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. art. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.868/99. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.882/99. Cabe prorrogação. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). Como visto. Não é uma ação de inconstitucionalidade. os preceitos fundamentais são: . em seu art. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). . b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. nas outras ações ela também poderá ocorrer). VII). não há que se declarar uma lei constitucional). neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente.).U. portanto. Através do AGU. Mas. III). Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.Cláusulas Pétreas. art. P. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. Gilmar Mendes. . §1º. a Lei 9. e . . Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. 14.21. CR e Lei 9. 34.Título I: Princípios Fundamentais. Portanto. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O STF admitiu ☺Informativo 518. . que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). ADPF: ☺ Art. é mais restrito: somente a violação. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. O parâmetro. II. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.Cláusulas Pétreas. Segundo a doutrina. 45 .Princípios Constitucionais Sensíveis. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. o FHC ajuizou ADC. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.868/99. . que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC.Princípios Constitucionais. inclusive o Poder Executivo.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. e .Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. no entanto.

2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. § 1° da lei 9. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. Aqui. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. os legitimados podem levar não todo o processo. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. na ADPF. estadual e municipal. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. neste rol. Proposta diretamente no STF. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. embora lá há uma vinculação horizontal. Art. dentro do órgão judiciário).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato.U. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.882/99). 1º. apenas o STF.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). podendo ser um meio de controle difuso. Incluindo-se. Segundo Neri da Silveira. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Um dos legitimados. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. O objeto pode ser da esfera federal. a vinculação é vertical. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). dentro do mesmo tribunal. P. 46 . leva a questão ao STF através de ADPF. Obs. 196 e ao meio ambiente. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Ela vai ao juiz de primeiro grau. art. ou seja. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. embora seja bastante difícil existir esse meio). Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Características: . Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. como guardião da CR.: gestante com feto com acrania. 4°. ainda.: surge a partir de um caso concreto. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. 1º. Ex. Mas se algum dos legitimados souber da ação.882/99.

Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. à soberania e à cidadania”. 129.CR: STF (art. 5°. por ex. mas a converteu em ADI. o STF transforma a ADPF em ADI. 102. Ex.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. . governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. 121. § 4°. 47 . TSE/TER (art. No entanto. 105. à soberania e à cidadania).conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 103. coletivos e individuais indisponíveis (art. § 2º .O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. em se tratando de órgão administrativo.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. É a mesma da ADI.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. É controle concreto. q). . nas CE ou em lei federal).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5°.Admite-se a fungibilidade. h). Obs. ADC e ADPF (art. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . O STF admitiu a ADPF. . Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). V). É controle abstrato. I. I.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. para fazê-lo em trinta dias”. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). . STJ (art. Assegurar a efetividade de suas normas. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. LXXI . II e III).

segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma).3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. Obs. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora.MI Coletivo: o STF o tem admitido. O STF. no entanto. fundamentais em face do Estado. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. é b) Concretista: concretiza a norma. mudou seu posicionamento. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. ECAN e associação c/ 1 ano). Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). ou seja. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. em se tratando de órgão da AP. 5º. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . recentemente.: na ADI 3682 b. não pode concretizar a norma. entes federativos e PJ dir. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. Há. mas esse prazo era direito. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Se o PL) e. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. apenas razoável e não peremptório. Mas atenção. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. autores que admitem. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. concretize a norma (faça a norma concreta). Recentemente. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. público: MI protege dir. portanto. competente de sua omissão (em regra. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. . elaboração da norma não pode ajuizar AIO. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. não pode fazer a norma para o caso concreto. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. portanto não podem impetrar MI. organização sindical. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo.Órgãos públicos. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. ou seja. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . LXX: PP c/ CN.

criando uma norma geral e abstrata. Portanto. o PJ. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. ou seja. Surge a partir do caso concreto. e 2) recusa à execução de lei federal (art. ao mesmo tempo. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. CR (provimento. 652. 708 e 712). ademais. não cabe liminar (antes. O efeito seria apenas inter partes. O STF adotou essa corrente no MI 232. 34. 34. No MI. III. a intervenção é uma exceção (a União não pode. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. 2. A omissão total não cabe MC. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. porque adotava a corrente não concretista). 49 . de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. o STF está atuando como legislador positivo. nestes casos de omissão parcial. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). ou seja. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. 680. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. pelo STF. em um primeiro momento. 36. De acordo com esta concepção. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. Recentemente.040). Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. VII). Não pode haver intervenção federal em município de Estado. Mesmo adotando a corrente concretista. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. VI). A regra é o principio da não-intervenção. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. ou seja. Essa corrente é bastante criticada. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. intervir nos Estados). Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. porque nem a AIO tem esse poder.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. como regra. Ela se subdivide em – geral e individual.

o PR então poderá decretar a intervenção. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. no âmbito do TJ. além. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). é claro. portanto. CR). Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. 50 . §2º. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. OBS. se o STF der provimento à representação do PGR. foi uma criação da jurisprudência do STF. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). ☺art. mas que surge a partir de um caso concreto. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. nem no RISTF. CR. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). mas sim. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. O STF é o guardião da CR. CR. ☺art. §3º. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). Isto está previsto no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. se violados. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. e sim em face da CR. 125. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. CR. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. O RE. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. IV. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Esta forma não foi prevista na CR. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. 35. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. 127. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. 614. É dispensada a apreciação política pelo PL. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. O parâmetro aqui é mais amplo. da ADPF). STF). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. 36. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. que é o pressuposto para a representação interventiva. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. § 1°. no âmbito federal). As partes aqui são o Estado e o Município. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE.

em alguns casos. cria o Estado. Celso de Mello. Portanto. Schmitt). ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. segundo o abade Emmanuel Sieyès. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Modernamente. a vontade do constituinte é a vontade do povo. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. pode usurpar do povo a titularidade do poder. São apenas órgãos aos quais se atribui. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. porém. ou seja. corroborando essa perspectiva. social e juridicamente organizado. que formulou esta teoria no fim do Séc. expressa por meio de seus representantes. Assim. XVIII). analisa-se se o poder é legítimo ou não. que deve observar o direito natural. Bonavides. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. que é sempre superior aos poderes constituídos. editando a nova Constituição. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. é a nação. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. segundo o Abade Sieyès. mas jamais é quem o exerce. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. em nome do povo. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Está acima do direito positivo. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. que. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Assim. C. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. retira sua força do direito natural. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Para os jusnaturalistas. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. É ele um titular passivo. Na 1ª etapa. um dos precursores dessa doutrina. por delegação popular. Obs. pois o Estado decorre da soberania popular. o exercício dessa magna prerrogativa. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). cujo conceito é mais abrangente do que o de nação.

art. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. por conseguinte.Histórico . Espécies Tradicionais: . apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. CR) . 3º.: o prof. Dessa forma. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte.Revisor (art. 25.Material . que é seu verdadeiro titular. há legitimidade objetiva. 11. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Assim. Obs.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . ADCT) . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. 60. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Reformador (art. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. ADCT. correspondendo aos anseios daquela sociedade. já que o poder constituinte já é originário.Formal . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Portanto. para ser considerado legítimo. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Revolucionário . que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Decorrente (art. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder.

→ Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. há alguns valores que são morais. 1934. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. que substituirá a anterior. foi criado um direito natural). 1988. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. ex. Apesar de ser um poder incondicionado. Ex. a nenhum pré-requisito jurídico. independente e soberano. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. Obs. mas não a primeira e sim uma nova. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. Obs. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. ou seja. b) é um poder inalienável. No caso do Brasil. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). 1946. é apenas uma classificação quanto ao momento. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. . Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. 1967/69. O povo é o titular do PCOM. Obs. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior.: se é um poder autônomo e incondicionado. O Abade Sieyes. 53 . mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. GV). Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. No plano axiológico. não perde a titularidade do poder constituinte. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. através de normas constitucionais.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. No caso do Brasil. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. ela nunca deixa de ser do povo. 1937.: este poder tem este nome porque para o Direito. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). através da Constituição.

ele encontra limites no texto da CR. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. No entanto. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. no art. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. A CR/88. No caso da CR/88. 11 do ADCT. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. A partir do momento que a CR surge. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Ainda que o estado seja soberano. O prof. por se tratar de uma conquista da sociedade. por ex. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. a doutrina deduz deste art. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Obs. 54 . mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. não concorda muito com isso.. Quando a CR consagra o art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. na verdade. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). mas continua a existir como característica essencial deste poder. Esta AL. observados os princípios estabelecidos na CR. as constituições estaduais não são recepcionadas. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. De acordo esse limite. ☺art. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Dentro desse limite. contudo. Ex. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. 25. Fábio Konder Comparato fala. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Não se trata de um limite jurídico. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. mas meta jurídico (fora do direito). Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). na pena de morte. ficando um pouco relativizada. com os avanços da sociedade. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. 25.

Obs. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. 34. Há dois grupos: (art. 75. Mas. CR.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. §4º. 58. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. § 3°). Obs. II) Implícitos: CPI (art.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.: presidencialismo x parlamentarismo). vedada a recondução.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. são essas as normas de repetição obrigatória. Segundo o STF. Se subdividem em: 55 . porque o art. 57. ou seja. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. 27. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. V ???) I) Expressos na constituição: art. 93. por enquanto. §1º . .Requisitos para a criação de CPI: ☺art. composição. que se estendem aos Estados. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. . VII. Estão presentes no art. diferente dos extensíveis. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. processo legislativo (art. §4º não é norma de observância obrigatória). CR. 58. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . 61. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração.). 57. não existe um modelo a priori de separação dos poderes.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário.: ☺art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. e o STF decidiu que não havia problema. são as normas de auto-organização da União. 59 e segs. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . mas foi uma decisão super apertada (6x5). c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. § 1°.

cujo procedimento está previsto no art.). portanto.normas vedatórias: ex. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.titularidade: é do povo.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 56 . se for decretado o estado de defesa (art. portanto.normas mandatórias: ex. . Ex.) – contém uma vedação expressa. 3°. 60. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 34). 60. .não é autônomo.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. . se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade.. DF e M. .: art. 37. Trata-se de um poder previsto na CR e. em qualquer estado da Federação (art.é um poder jurídico (e não de fato).: os arts.. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art..é limitado. e se for decretado o estado de sítio (art. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. . Ex. . → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. CR (é vedado à U.exercício: é pelo CN. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. ou seja. E. §1º.. . . CR. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. CR. 136).não é inicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. decorre da lei e não da força. no entanto. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. ADCT). uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. mas é possível deduzi-las. 137).é condicionado. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. . Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. . uma limitação temporal para o poder revisor – art.: art. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. 19. é conseqüente.

no qual há 4 sessões legislativas. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. P. que é o período de 4 anos do mandato do PR. ☺art. . Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. no entanto.A última limitação formal objetiva está prevista no art. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). . GE. CR).Discutido e aprovado. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito).Além do PR. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. se a matéria for rejeitada. A Sessão legislativa (art. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. não veta. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). 60. 60. sendo o art. .). O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. No caso de projeto de lei. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. a PEC será discutida em cada casa do CN. 60. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. 61. CR. DF e DE. do SF ou do CN. . 67. . 60 (incisos I. no âmbito do PJ. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. . também podem propor projeto de lei o povo. é o de que o art.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. ela será chamada de extraordinária. não promulga. 62. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. §5º. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. no âmbito do PE. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. para que. apesar de não existir previsão expressa. ☺art. II e III) uma exceção à regra geral. não pode haver emenda de emenda. apenas o PR. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. possamos usar o procedimento previsto no art. através da iniciativa popular (art. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). Obs. a PEC vai para a promulgação. 57 . por fim. §2º). O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART.Feita a iniciativa. proposta rejeitada no dia 15/01. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). §10). Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. §2º). o PGR. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. §3º. 61. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. o STF e Tribunais Superiores. Ex. também chamadas de implícitas.U.A nossa Constituição é rígida. 61 é a regra geral de iniciativa. ademais. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. após a iniciativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 61. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. b) o entendimento majoritário da doutrina. 44. 60. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. . Este art. no âmbito do MP. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. assim.

não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Expressas: ☺art. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. 150. a). A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. As cláusulas pétreas são. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. b) Preservar a identidade material da Constituição. . Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Universal e Periódico: . Ou seja. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. o que é universal é o direito de sufrágio. pois. universal e periódico. VI.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. . §4º. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. que é o modo como se realiza o exercício do voto. c) Voto Direto. Secreto. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Se elas não existissem. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. 58 . a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. São as chamadas cláusulas pétreas. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. na verdade. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). ademais. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. o voto não é universal. Curiosamente. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. c) Assegurar o processo democrático. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. o direito de participar das eleições. CR. segundo o STF. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. não é secreto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. secreto. mas sim. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). o que é secreto é o escrutínio. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. 60.O voto obrigatório não é cláusula pétrea.

Os direito fundamentais se encontram. .: primeiro. 5º. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. segundo a qual o art.Há quem defenda. Assim. sendo uma garantia individual. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. 60 poderia ser modificado. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. não concorda. sistematicamente. Assim. não tem nada a ver com CP). 60. comportam diferentes interpretações. Lá estão as limitações ao poder reformador. 150. Para ele. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. pois seria uma forma da fraudar a constituição. é CP. Obs. 60 seria CP. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. CR. A CR fala em direitos e garantias individuais. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. em princípio. não seriam cláusulas pétreas. com a dignidade da pessoa humana. posteriormente. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. CR). O art. 2º. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. por isso. é o art. todo o art. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. são CP. que proíbe a pena de morte. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. ou. Ex. para posterior alteração do conteúdo. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Mas o STF já considerou que o art. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. (23/04/09) 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. mas refere-se a uma reforma. 60. não alterando-o). A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. . e não em direitos e garantias fundamentais. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. III. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). inclusive. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 .: FGTS. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. mas os demais não (ex. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. e por conseqüência. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. §4º. não o serem). dispostos do art. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Os demais direitos e garantias fundamentais. CR. CP). far-se-ia uma EC revogando o art. pois. ADCT). b. Um exemplo. como um todo. Chama-se dupla revisão. O prof. 5º. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. por uma questão lógica. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. que não é unânime na doutrina.

comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. tem que haver previsão expressa na constituição. Revisão é a via extraordinária. portanto. Ex. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. ☺art. mas também emendas à constituição. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. b) Média: a retroatividade não é automática. a constituição atinge prestações vencidas. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. XXXVI. não abrangendo apenas leis em sentido formal. art. O direito adquirido pode ser relativizado. . mas ainda não pagas. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . 3º. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. c) Máxima: a retroatividade não é automática. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. ADCT é uma limitação temporal (5 anos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. 3º. 5°. excepcional e transitória de alteração da Constituição. 3º. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. em sentido formal. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. não abrange EC. O ato ocorreu antes. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. 60. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. não sendo um princípio absoluto. Ex. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. Antes da CR/88. A retroatividade mínima é automática. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. esse era o entendimento do STF. Com relação ao assunto acima. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. em sessão unicameral. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). A limitação imposta no art. tem que haver previsão expressa na constituição. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. CR). mas seus efeitos surgem após a constituição. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. Ex. contados da promulgação da Constituição. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. o STF tem entendimento unânime.

(*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. e de forma geralmente mais extensa. 61 . circunstanciais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. 3º. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Além disso. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. 60. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. §§1º e 4º). Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. especificamente. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. ADCT.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

portanto. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Por isso. para o direito privado. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. como todas as demais. para o direito público. Nele estão os valores supremos da sociedade. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. É como se a norma fosse o corpo da constituição. O texto da norma funciona. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Esse método não é apenas sistemático. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Ex: princípio da não contradição. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. devido à complexidade da interpretação constitucional. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. e os valores fossem o seu espírito. Por isso. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Constituição da República. eles são suficientes. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. b) Histórico: no seu desdobramento. esse método também é conhecido como método valorativo. Buscam os valores subjacentes à constituição. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. aqueles desenvolvidos por Savigny. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. esses elementos são insuficientes. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. 65 . Além disso. como início e limite para a interpretação. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). O grande problema é que. Não existe uma norma jurídica sozinha. é também o limite para a interpretação. É o início de uma interpretação. X. entra o elemento histórico evolutivo. com algumas peculiaridades. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Imagine a Constituição norte-americana. mas apenas valores: o preâmbulo. Toda norma está dentro de um sistema. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. partindo da idéia de sistema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. e não isoladamente. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. só tem alma. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Ela não tem normas jurídicas. 52.

vence o argumento que for mais convincente. Se se permite interpretações divergentes. o que geraria uma grande insegurança jurídica). Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. ele também é conhecido como método sociológico. dos princípios gerais do direito. mas sim diante de problemas. lugares comuns. do senso comum. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. da jurisprudência dominante.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. de argumentação.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. certa insegurança jurídica. os operadores do direito servem-se de topoi. por ex. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). que contraria o positivismo jurídico. → Crítica: feita por Canotilho. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. porque trabalham não com a idéia de sistema. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. mais um 66 . mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Por isso. formas de raciocínio. Problema é a questão difícil. Os topoi são esquemas de pensamento. de casos que comportam mais de uma solução possível. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Violação de correspondência de presos. Ex. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). cujo plural é “topoi”. Assim. os quais são submetidos a várias opiniões. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Isso gera certa instabilidade. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Por ter uma feição mais política do que jurídica. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. que é apenas mais um topos. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. ou seja. Este problema será solucionado pela argumentação. Ex. acaba fazendo com que a interpretação seja variável.. pontos de vista ou lugares comuns. Assim. Esses pontos de vista. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. a favor e contra. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. 2. enfraquece-se a força normativa da constituição. como ocorre neste método. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. ou a de que um é mais correto do que o outro).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. pois comporta mais de uma solução possível). da doutrina. Ex. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. como.

por serem métodos concretistas. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. e o problema concreto a resolver. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. mas em concretização). do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Os métodos III e IV. diferentemente dos dois primeiros. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. é bom lembrar. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. não se deve falar em interpretação constitucional. e sim na sua concretização. é preciso que haja um problema. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. Ele parte. e concretizador à aplicação. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). 67 . Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Além de serem métodos aporéticos. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. São métodos indissociáveis. Método concretista. ou seja. Assim. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). ainda que dos mais importantes. este método não poderá ser aplicado. são coisas diversas. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. Para este método. que a questão não seja simples. quando se fala em hermenêutica. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). porém. são também métodos concretistas. pois. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. devendo-se fazer uso de outro método. Hermenêutica e interpretação não se confundem. como já vimos. Assim. na sociedade aberta de intérpretes. Não se pode separar as duas coisas. A principal diferença. sua aplicação a casos complexos. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. se for caso de lacuna. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. a compreensão prévia do intérprete. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). de única solução possível. Ocorre que. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. não podem ser utilizados de forma abstrata. ao lado de Hans Kelsen. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema.

A norma é o mandamento. Não diz respeito aos critérios de interpretação. a norma só surgiria após a interpretação do texto.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Assim. O texto não tem o comando. aberta a toda a sociedade. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. mas refere-se àqueles que podem interpretar. ao mesmo tempo. Judiciário. Segundo ele. bem como a quebra da unidade constitucional. limita a interpretação. Segundo o autor. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Gilmar Mendes). a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). O texto tem duas funções muito relevantes. é o comando que se extrai da norma interpretativa.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. mas também para a interpretação da Constituição. ele na verdade não o é. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). pois. 68 . Para ele. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. regulada pela norma. Fala-se que são utilizados. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. é a realidade social tratada pelo texto da norma. . → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Quando ele fala em democratização. Na prática. ele dirige e. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Friedrich M. traduzido pelo Min. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. A democracia deve servir não apenas para a criação. em regra. que têm legitimidade para a interpretação.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. mas também na sua interpretação. por sua vez. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). Ainda que a Corte seja o intérprete final. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. mas a toda a sociedade. O que ele chama de domínio normativo.Elementos do âmbito da norma . a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Essas duas figuras podem ser. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. Paulo Bonavides o tratar como um método.

a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. No pós-positivismo. Também denominado de originalismo. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Esta questão está ligada à separação dos poderes. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. A segunda corrente. do povo. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. superado o valor da norma). a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Segundo Conrado Hubner. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Entende que. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). textualismo e preservacionismo. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. que se subdivide em princípios e regras. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. vinculante e obrigatória. norma e fato. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Assim. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. sem modificá-la. Após. 69 . O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Assim. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Por isso o judiciário tem ganhado força. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Na verdade. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. quando interpretada. surge o Positivismo Jurídico. Hoje. o poder legislativo é claramente fraco. 3) Existe uma única resposta correta. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. os direitos têm que ser iguais para todos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. preocupado com a segurança jurídica. surge a idéia de norma (gênero). Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). que corresponde à vontade do constituinte originário. bastante discutido nos dias atuais. no Brasil. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. A norma. como a constituição é feita por representantes do povo. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. mas de forma concreta. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis.

Ex. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. genérica. Para Habermas. isto é. como elementos do sistema normativo constitucional: .generalidade . que apontam para o sentido contrário. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica).Regras. dentro do gênero norma jurídica. . Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. ou seja. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Alexy afirma haver exceções. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. peso ou valor. 70 . Assim. → Princípios X Regras: . princípios são “mandamentos de otimização”. quando se vai aplicar um princípio. mas a medida do possível. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.: aposentadoria compulsória.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Ambos são normas. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. bilateral). Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Segundo Robert Alexy. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. imperativa. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. .Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade.Postulados. impessoal. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. As regras possuem aplicação automática. o que ocorre por meio da ponderação. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. há uma subsunção lógica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então.Princípios. A norma é um gênero e. Eles não definem a medida exata. O grau de abstração é a diferença.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. será invalidada. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. e . impõem resultados. . → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios.dimensão que eles ocupam (Alexy) . que envolvem a aplicação deste princípio. ou seja. → Regras: são “mandamentos de definição”. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. é preciso saber quais são as normas opostas. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. em havendo um conflito no âmbito da validade. Dworkin entende regra como mandamento definitivo.

cronológico e da especialidade. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. interpretação conforme a Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Não estão na constituição. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Os postulados são denominados. por isso não são aplicados diretamente. mas não têm a mesma função dos princípios. É um conflito sempre no caso concreto. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). pela maioria da doutrina. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Eles não apontam um fim. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. embasados na supremacia da Constituição. Ex. será feita a análise de alguns postulados que. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. também conhecido como antinomia de princípios.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Nesse aspecto. de modo a realizar os valores nela consagrados.: proporcionalidade. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Segundo a LICC. Com base nessas premissas. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. como princípios. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. nem estabelecem competência ou conduta. 71 . → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção.

Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Se há mais de um significado. não tem como fazer interpretação conforme. No Poder Executivo. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Toda Constituição tem supremacia material. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. é necessário que a Constituição seja rígida. pode ser exercido através do veto jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Ou seja. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. deve optar pela constitucionalidade. por ser presunção relativa. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. excepcionalmente. e. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. na dúvida. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Se o texto tem apenas um significado. o Princípio da Supremacia da Constituição. assim. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. ficam vinculados àquela decisão. Ele pode negar a aplicação da lei. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). se entendê-la inconstitucional. Excepcionalmente. o Chefe do Poder Executivo. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. significa que ele é unívoco. na dúvida. a lei deve ser declarada constitucional. presume-se que agiram de acordo com ela. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Se a constituição é a norma suprema. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. No Brasil. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Todo projeto de lei passa por um controle. o Poder Judiciário. no controle difuso. No Poder Legislativo. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Da mesma forma. como no âmbito do Poder Executivo e. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). quando entender que uma norma é inconstitucional. A 72 . para ter essa supremacia. E. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Não se retira a lei do ordenamento. no Poder Judiciário. significa que as demais leis devem obediência a ela. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Tanto no âmbito do Poder Legislativo.

Segundo Kruger. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. §1º. etc. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Logo. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). ao mesmo tempo. 81. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. mas. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. pois. logo é conhecida como corrente “objetivista”. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Antes. de direito previdenciário. Obs. Portanto. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. 73 . Em uma sociedade democrática e pluralista. Temos o voto direto como cláusula pétrea. normas superiores e normas inferiores.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. prevalece a vontade da lei. Na verdade. há várias tensões entre as normas constitucionais. Outro ex. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. b) Fim pretendido: . a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. sendo. essa corrente é chamada de “subjetivista”. a norma inferior. . Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. necessário harmonizar esses dois princípios. na constituição. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Ex: Brasília é a capital federal. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. isso não ocorre. passando ela pela constituição. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Ao se admitir que essa norma é superior. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. é conhecida como mens legis. existem. É como se filtrasse a lei. Hoje. Isso é impossível. num estado democrático. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Hoje em dia. poderia declarar o art. Geralmente. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. A segunda corrente. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Busca a vontade do objeto interpretado. que busca a vontade da lei.

O que tiver o peso maior irá prevalecer. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. inclusive. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. as duas normas têm conflito entre si. Essa lei. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. Sempre que possível. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. a integração política e social. pelo legislador. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. violava a liberdade de exercício de comércio. Abstratamente. princípios ou valores. se ambos estão consagrados na Constituição da República. O relator indeferiu a petição inicial. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. Uma existe ao lado da outra. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. Eles são muito parecidos. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. deve-se buscar essa concordância prática. Pode ser usada. Nesse caso. Segundo este princípio. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. bens ou interesses. criando um efeito conservador da unidade. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. ele se basearia no princípio da unidade. Ex: voto direto é a norma geral. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. §1º. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. 74 . o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. e não em abstrato). deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. ou seja. qual dos dois grupos tem um peso maior. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. que é anterior à Constituição da República. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. O que é isso? É semelhante a uma balança. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. O STF analisou 02 casos: a) Art. e voto pelo CN é a exceção. valores. no caso concreto. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. O STF declarou constitucional. Se ele entrasse no mérito da questão. na hora de se interpretar a Constituição. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. interesses. é necessário utilizar a ponderação. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. O Juiz irá ver. Quando se tem uma colisão entre bens. 45.

eis que ambos se relacionam. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. cabe ação rescisória (obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. Ex. 343. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. na academia. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. às vezes. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. não. STF não foi abandonada. da tortura. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. 75 . V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Exs. poderia fotografar. Deve haver uma cedência recíproca. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. que contribua para o debate de interesse geral. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais.: a Súm. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. Ex: Se tiver na praia. a privacidade deve ser preservada. não se aplicando para a interpretação constitucional. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. por mais importantes que sejam. para que outros direitos sejam assegurados. e não princípios. do contrário. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. sendo o guardião da constituição. do trabalho escravo são regras. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia.: a proibição da pena de morte. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. até uma compreensão equivocada. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. mas também a ratio decidenti. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. não. proporcionando-lhes uma força otimizadora. ou seja. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. O importante é saber que todos os princípios. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. 2) relativização da coisa julgada: o STF. Caso contrário. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição).

Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva.335/AC. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. o desempenho concreto de sua função social. validade é. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. é também conhecida como eficácia jurídica. sobretudo o Tribunal Constitucional. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. Este princípio. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. . a função social para a qual foi criada. . 2) Direito de greve.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. 76 . de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. §1º. CR/88 (aplicação imediata). Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. . Exs. 5º. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). Ver no Site Editora Método. é também conhecida como eficácia social.com. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . 4. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. a qual significa a realização do direito. no Brasil. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. pois. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. .

Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Não é o entendimento mais cobrado em provas. não se deve abater pardais com canhões. ou seja. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Se o ato for desnecessário. ele tem que ser adequado. Nos sistemas da commum Law. utiliza-se o termo razoabilidade. por isso sua importância. ☺art. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. É uma influência do direito alemão. Para que um ato seja considerado proporcional. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. utiliza-se o termo proporcionalidade. maiores hão 77 . No Brasil. pois. Ex. apto para atingir o fim almejado. Ele está ligado. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Na Alemanha. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. do Prof. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. não está textualmente consagrado. 1º. É um princípio implícito. deveria conceder uma autonomia maior. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. É uma influência do direito norte-americano. à garantia do devido processo legal. Ex. dentre os meios existentes. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. uma restrição à liberdade só será possível se. para que o Estado não atue de forma arbitrária. em sua origem. 5º. LIV. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. será também desproporcional. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. desproporcional. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Para Jellinek. Assim. CR. mas apenas como menções. Alegam que a restrição seria desproporcional. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca.

78 . Nesse caso. o poder público age aquém do que deveria. A face acima exposta do princípio. que é chamada de proibição de insuficiência. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. ou proibição por defeito. Há uma outra face desse princípio. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. pode ser chamada de proibição do excesso.

não é componente necessário de qualquer Constituição. não tendo força normativa. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. não tem relevância jurídica. O min. mais ou menos significante. pois. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. É uma corrente intermediária em relação às demais. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo... mas é a tese por nós adotada. inscritos na Constituição. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. portanto. mas no domínio da política. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. laico ou não-confessional. proclamação mais ou menos solene. O que acontece é que o preâmbulo contém. sendo. Em âmbito estadual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. Como se sabe. Ocorre que todas as constituições brasileiras. 79 . não existindo. incidirão na ordem local. portanto. Para o STF. apresentado de forma não articulada. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. porém. não é norma de repetição obrigatória. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). O nome não é o mais apropriado. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. dado que. No Brasil. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. reproduzidos ou não na Constituição estadual. Assim. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Situa-se no domínio da história ou da política. com exceção das de 1891 e 1937. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. qualquer religião oficial da RFB. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. Esses princípios sim. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. Não tem. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. caráter normativo e. refletindo posição ideológica do constituinte. anteposta ao articulado constitucional. o Brasil é um país leigo. o preâmbulo. de regra. Não contém. pois. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. relevância jurídica.

Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. a liberdade. o bem-estar. Esta é a sua natureza. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. fundada na harmonia social e comprometida. pluralista e sem preconceitos. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. a segurança. com a solução pacífica das controvérsias”. Ao estabelecer os valores supremos. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). 80 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. o desenvolvimento. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. na ordem interna e internacional.

aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. Quando se fala em aplicabilidade imediata. 128. 95.U. Uma NEC. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). 53). O que as difere é o grau desta eficácia. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. enquanto não for restringida por lei. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. no Brasil. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome.: normas que estabelecem imunidades (art. destaca-se a de José Afonso da Silva. mas admite lei. isenções (art. §5º). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. possivelmente restringível ou redutível. prerrogativas (art. §5º). Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. que “contenha” o seu conteúdo. Ela não depende de lei. → Normas de Eficácia Contida: O prof. Não são a mesma coisa. Exs. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. vedações (art. (É a mais cobrada em provas). Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. como se poderia imaginar). A NEC. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais .) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. é uma NEP? Não. imediata e integral. enquanto não for restringida. Não depende de regulamentação. 184. por sua vez. P. A integralidade. dentre as quais. apenas 81 . que poderá variar conforme o seu enunciado.

em regra. mas. VII (direito de greve dos servidores públicos). não há omissão inconstitucional. Assim. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. quais são os efeitos. 5º. ofício ou profissão. 37.por outra norma constitucional (ex. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). mas pode ser). interesse social. ☺art. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. mas não disse quem pode propor. VII.U. art. mas dizer como esse direito será exercido. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. art. 102.: art. de forma que antes da Lei 9. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar.Impositivas: ex. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. é obrigatória. e mediata porque depende de alguma condição.Facultativas: ex. 22. eis que estabelecem o fim a ser atingido. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). PU: União poderá delegar aos estados.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. XXII. etc.: art. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. 82 . . se quiser. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Neste caso. Exs. É indireta ou mediata. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. 5º. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos.). Se ela fosse uma NEP. Não é apenas um conselho. art. 37. caracterizadas justamente por este tipo de norma). ☺art. A lei não irá restringir o direito.U. poderá criar impostos residuais. VII. são NEP (como são as normas dos incisos I. – ex. que dirige os rumos do Estado. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). e art. ela nunca poderia ser restringida. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. 5º. 95. etc. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. mas o seu §1º. que a regulamente. XXIII e XXIV). A NEC pode ser restringida: . . 9º dá a entender tratar-se de NEP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. P.por conceitos de direito público (ex. XIII. II e III deste mesmo art. A norma constitucional tinha eficácia. necessidade ou utilidade pública. mas não é uma NEP. Indireta porque depende de uma outra vontade. etc. art. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.: art. Ex. . As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. As vedações. 154: a União. CR. XII c/c arts.por lei (ex. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. segurança nacional. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. esclarece que trata-se de uma NEC. 3°. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. 136 e 137). mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. conforme a lei. 95).: ordem pública. 9º.: trata de vedações que são impostas aos juízes.: art. art. O caput do art. e não quais são os meios para se atingir o fim. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. 37. que faz parte da mesma norma. que não é norma). Ex.. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho.

NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Assim. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. São as normas do ADCT. as Cláusulas Pétreas. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. cumprida a sua finalidade. Diz que o direito se auto produz. 83 .: As NEP. não depende de outros sistemas. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. Para ela. 2º. porque ela não tem eficácia positiva). Traduz um sistema fechado. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. uma eficácia negativa (e apenas esta. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Uma última classificação. mencionada por alguns autores. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. também conhecidas como normas super-eficazes. Por isso não dependem de outra vontade. ADCT. antes da lei ser feita. OBS. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Marcelo Neves critica essa concepção. ademais. imediata e integral). exaurem sua eficácia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL.: art. tem eficácia. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. Ex. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. pois. a NEL produz efeitos: ela exige lei. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Elabora-se uma norma genérica. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Obs. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível).

sempre que nasce uma nova Constituição. por esta teoria.N. como normas infraconstitucionais. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. serem recepcionadas pela nova Constituição. caso compatíveis com a nova Constituição. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. §2º (que fala do Colégio Pedro II. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. podendo. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. § 1°. 84 . Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. não. 242. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). art. porém.P → A. Faremos o estudo de alguns institutos. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. Ex. parte final). Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. e sim como normas ordinárias. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. com o caráter de normas constitucionais. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga.: ☺art. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. quando do surgimento de uma nova Constituição. 2°. ou seja. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria.N.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. Quando uma nova constituição é criada. Assim. → CR → A.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

Como se percebe. nada impede que a norma constitucional. têm retroatividade mínima. 88 . referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. desde que haja expressa previsão. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. tenha retroatividade média ou máxima. Ex. Assim. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. CR. o STF entendeu que. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. sendo regra a retroatividade mínima. que. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. vale dizer. dentre outras. vale dizer. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. Assim. como é o caso do art. XXXVI – “lei” em sentido amplo). 51 do ADCT. as leis infraconstitucionais. IV. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. c) por outro lado. 5º. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. IV. deve existir expresso pedido na Constituição. diante da aplicação imediata. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. Contudo. para tanto. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. Como outro exemplo de retroatividade mínima. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. por regra. 7º. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art.: art. também limitado juridicamente). podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. com pequenas exceções. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). 7º.

da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. sobretudo. Dessa forma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. da função positiva que 89 . d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. Desse modo. pois servem de critério para o legislador que. seja como orientação para progresso da legislação. os quais estabelecem a sua forma. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. estrutura e fundamento (art. Sob o ponto de vista dogmático. não só das ações dos poderes estatais. como também ao exercício abusivo de certos direitos. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. a menos. é obvio. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. em um todo sistemático. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. por conseqüência. ao elaborar as leis. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. é claro. assim. 1º). Essa supremacia é essencialmente material e decorre. Em situações novas. seja como diretiva na solução de casos concretos. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. atuando como um limite. a divisão de seus poderes (art. ainda não regulamentadas de forma mais específica. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. diverso e opostos. De uma forma geral. Executam. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. 2º). podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. 4º). o que os coloca numa posição de superioridade. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios.

90 . sendo criados novos critérios distintivos da República. 34. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. 1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Com o passar do tempo. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. a Constituição veda. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). quanto para o legislador na elaboração das leis. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. I). os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. No tocante ao Poder Executivo. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). A baixa densidade semântica. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. DF e Município. esses conceitos foram se esvaziando. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. o direito de secessão. CR). aos entes que compõem a federação.

à questão perene da Justiça. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. No que se refere ao princípio democrático. No Estado material de direito. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. sob as circunstancias transitórias. 91 . Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. não é absoluta e ilimitada. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. a legalidade da Administração. seja diretamente. Em um Estado de direito. Em um Estado democrático. seja através de representantes. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. Sob o aspecto material. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. Aqui. não apenas os indivíduos. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. a independência dos juízes. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. ainda. ou. a vontade popular representada pelo parlamento. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça.

A soberania externa se refere à representação dos Estados. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. Todavia. 6º). A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. no plano interno. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. 92 . a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). independente. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. por essa razão. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. Por essa razão. uns para com os outros. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. No plano externo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. o indivíduo se sente útil e respeitado. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. em nenhum momento podem ser colocados de lado. na ordem internacional. por não ter de acatar. na ordem internacional. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. a soberania migrasse do soberano para o povo. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. Supremo. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente.

as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. é um princípio básico do liberalismo econômico. Por essa razão. partidário (art. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. 3º. 220). I). ao contrário. de comunicação. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. Este fundamento é concretizado. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. a profissional. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. independentemente de autorização de órgãos públicos. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. científica. de interesses contraditórios e antinômicos. a filosófico-religiosa. a sexual. cultural (arts. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. de reunião e de associação. salvo nos casos previstos em lei. justa e solidária (art. e. assim. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. A escravidão. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. político (art. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. dentre elas. o que pode levar a divisões irredutíveis. 93 . 170). passando a se revestir de normatividade. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. a de opinião. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. a Constituição. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. III). sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. de idéias e de instituições de ensino (art. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. Mais tarde. artística. 206. mas. a de informação. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. a sociedade pluralista é. conforme os ditames da justiça social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. É ela o valor supremo que irá informar a criação. 170). os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. 1º). 17). por natureza. com a queda do comunismo. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. Por isso. a partir do início da década de 90. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. a intelectual. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. uma sociedade conflitiva. a tortura. ainda. 215 e 216) e dos meios de informação (art. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. deve constituir o seu objetivo supremo. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. derradeiramente. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. Fruto da concepção liberal. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas.

ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. educação fundamental. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Portanto. Por isso. independentemente de usa origem. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. Portanto. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. Assim. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. seja por terceiros. em alguns casos. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. ligada ao valor liberdade. cada vez mais. em um primeiro momento. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. Todavia. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. dentro dos direitos sociais. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. possui um caráter positivo. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. não como um fim em si mesmo. a todo e qualquer cidadão. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. econômicos e culturais. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. mas um atributo que todo ser humano possui. o que significa dizer que na criação.) imprescindíveis para uma vida digna. não apenas por parte do Estado. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. condição social ou qualquer outro requisito. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. mas também dos particulares. Esta acepção. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. na medida em que procura representar um subconjunto. mas. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. menor (minimizando o problema dos custos). Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. o acesso aos valores. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. sexo. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). possui um caráter negativo. por exigir uma abstenção. Por outro prisma. à dignidade da pessoa humana. moradia. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. 94 . sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). por outro. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. seja pelo próprio Estado. que seja efetivamente exigível do Estado. mais importante. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. ou para com a pessoa. sua existência material. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. Poder-se-ia dizer. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. Esta acepção. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. e. etc. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. ligada ao valor igualdade. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. mas também a de que o Estado garanta. idade.

Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos políticos (art. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. . à participação política. .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). portanto. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. os direitos sociais (arts. 5°. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. consagrados no plano internacional. 6° e 7°). 14 e seguintes). basicamente. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. São direitos ligados à cidadania. CF/88. Essa classificação é legislativa. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. pois surgiram em uma única época. . . pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Exigem uma atuação positiva do Estado. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. estão consagrados em normas de eficácia limitada. 6° e seguintes). Têm caráter positivo e negativo. CR/88). 6º ao 11.direitos prestacionais: são. igualdade e dignidade. consagradas ao longo das constituições. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais.direitos individuais. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. são os direitos individuais consagrados no art. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Enfim. devido ao custo de serem prestados. Em sua maioria. Em termos materiais. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. . tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. Têm um caráter negativo. 5°. do qual são espécies: . Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. 12 e seguintes). que divide os direitos fundamentais em: . O Estado deve fazer escolhas trágicas. 95 . Em sua maioria. . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. uma constitucional e uma doutrinária.direitos sociais (art.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Visam proteger o valor igualdade. devido à escassez de recursos. mas também no art. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado.direitos à nacionalidade (art. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. ligados à liberdade. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições.

enfim. diante da necessidade de cooperação. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. sobretudo de princípio programático). segundo Jellinek). direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. 4º. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. por exigirem uma abstenção. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. então. Exigem uma ação do Estado. são direitos de caráter negativo. das gerações. Ou seja. 96 . Como vimos. Vejamos quais foram as gerações. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. diretamente à igualdade material. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. São basicamente os direitos individuais. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Têm caráter negativo. Esta é a sua preocupação principal. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. os direitos prestacionais. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. de 1789: liberdade. CR/88). Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. A 3ª geração. ao lado da 4ª. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. igualdade e fraternidade (nesta ordem). São considerados basicamente como direitos coletivos. direito de comunicação. Obs. movimento encabeçado pelo proletariado. e geralmente em normas auto-aplicáveis. a autodeterminação dos povos (art. e estas gerações coexistem atualmente. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. por exigirem uma prestação do Estado. Não houve substituição de uma geração por outra. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Os direitos de defesa. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. já os de 2ª geração não. econômicos e culturais. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. e a dele é a mais cobrada em concursos). Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. → Igualdade: Direitos Sociais. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Por isso. exigindo uma abstenção. Têm como objetivo. ao desenvolvimento ou progresso. queria que ele respeitasse suas liberdades. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. XX. XVIII. a imprensa livre e o funcionalismo público. como a família.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Eles foram surgindo com o passar do tempo. portanto. à autodeterminação dos povos. Estão ligados. São chamados direitos civis e políticos. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Tais direitos têm caráter positivo. Exs: direito ao meio ambiente. da solidariedade entre países ricos e países pobres. pois.

as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. conserva nossas identidades.). Os argumentos contrários a esta união. 97 . esta alteração não foi feita em seu livro. etc. → Globalização: direito à democracia. os direitos de família.I. 1º. Ou seja. limitam o poder. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. quiçá quanto a 5ª. na mesma disposição constitucional ou legal. outros são difusos). são direitos difusos). nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. de ideologias políticas e partidárias. Esta geração de direitos advém da globalização política.: quanto ao direito à paz. artístico.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. caso violados. Além desse aspecto. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Quando se fala em pluralismo político. Ao lado da vontade da maioria. Ou seja. um pluralismo ideológico. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. Afora esta peculiaridade. inclusive das minorias. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). em defesa dos direitos. Paulo Bonavides. a fixação da garantia. ☺ADPF 132. as disposições assecuratórias. de conteúdo). não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. mas há divergências na doutrina quanto a isso. Ele abrange um pluralismo religioso. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. como os previdenciários. Porém. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. à informação e ao pluralismo (D. Assim. V. um pluralismo cultural. Por isso o direito à democracia é tão importante. e isso acaba por prejudicar as minorias. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. que seria a vontade da maioria. ocorrendo não raro juntar-se. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. as demais características são tratadas pelo prof. Em uma ponderação. São também direitos transindividuais (em sua maioria. o direito a adoção. traz direitos ligados à pluralidade. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. que são as que. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Ex. que alguns dizem trazer os direitos à internet. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. Aquelas instituem os direitos. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial.P. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. de orientações sexuais. o prof. ele tem uma importância muito grande. ao analisar a Constituição de 1891. CR/88). entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. com a declaração do direito”. Ele preserva. estas as garantias. econômico. Quem tem o papel contra-majoritário. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema.

não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.Historicidade: possuem caráter histórico. HD.direito ao juízo natural (direito) – o art. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. se o direito garantido não possui alguma especificidade.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. muitas vezes. O caput do art. coarctando.). os estrangeiros não residentes. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. portanto. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. emite uma opinião (direito de opinar). . . 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. de modo indiscriminado. Contudo.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). Se são sempre exercíveis e exercidos. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. uma vez consagrado o direito.: HC. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). 5º. Obs. no caso concreto. no caso concreto. são indisponíveis. ou magistrado. como é o caso. a todos os seres humanos. juntamente. etc.Universalidade: destinam-se.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. que só pode ser proposta pelo cidadão. . mas nunca a sua renunciabilidade. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. conjugando-a com a sua mínima restrição. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. confronto.. 98 . . os apátridas e as pessoas jurídicas.é inviolável a liberdade de consciência e de crença.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. havendo. Nada impediria. quando. conflito de interesses. por ex. como é o caso da ação popular.: direito de propriedade versus desapropriação). ou caberá ao intérprete. 5º. ilegalmente preso. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Exemplos: .Inalienabilidade: como são conferidos a todos. . Deve-se observar. . Isso porque. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). decidir qual direito deverá prevalecer. ainda que não individualistas. Normas positivas. . ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . XXXVII. através da interpretação sistemática. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. nascendo com o Cristianismo. é claro.

Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. mas. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. causando uma desfiguração no direito privado. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. §1º. 5º. só trazendo relações entre o Estado e o particular. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). fala-se. então. para isso. não dependendo de legislação. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. No entanto. Ingo Sarlet afirma que o art. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. pois. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. ordem pública. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. fática e juridicamente. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). 5º. Não se admitiria. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. então. Assim. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. mas o pressuposto do qual ela parte). o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Posteriormente.). §1º. analisando caso a caso. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. etc. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. 99 . os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria.

. então. . Ainda se trata de uma questão muito nova. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. esta teoria seria a mais adequada.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie.Resp.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. no entanto. Assim. para que os princípios pudessem ser concretizados.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.: empregado e empregador. através de princípios. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. e. Os DF são expressados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. A jurisprudência.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.858.) . com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. de uma forma geral. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão.00 para R$ 86. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. Determinação de observância do Princípio da isonomia. se exteriorizam. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . Se não houver uma previsão expressa na lei. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. Se. é possível a sua aplicação com base na Constituição.*RE 161. O juiz. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. E como os princípios são muito vagos. a proteção tem que ser maior. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.RE 160. que não adota essa teoria). ainda que esta regulamentação não exista. Em contrapartida. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .RE 201. tão somente pela falta de previsão. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. . Segundo esta teoria. contrato de adesão. mas. isso poderia causar uma série de problemas. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Segundo Virgilio da Silva. mas ainda não há decisão quanto a isso.243/DF. Para a realidade brasileira. como a segunda. 249. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.RE 158. mesmo realizando atividades idênticas. . devendo sobre eles prevalecer. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. não sendo necessária uma intermediação legislativa. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. A autonomia da vontade requer tal ponderação. a aplicação será indireta. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. . . houver uma desigualdade fática.24. Mas.☺RE 161.RE 175. em geral. quando há uma relação de igualdade real na relação. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. etc.HC 12. Espanha e Portugal.700. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. muito abertos.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. não há uma renúncia definitiva. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. Obs. à liberdade. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). abre-se mão temporariamente à privacidade. Há dois entendimentos: 104 . ☺art. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. caput. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. A renúncia é definitiva. um outro direito fundamental.: esta segurança que o art. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. à igualdade. O direito a vida. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. 170. é. XLVII. 128. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. não há que se falar em não exercício). CP) a questão é um pouco mais polêmica. como DF é pressuposto dos demais direitos. pois a vida é uma direito irrenunciável. 5º. também não pode ser renunciado. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. 5º. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. CR/88. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). CR. Este pode ocorrer. um caso constitucional de violação de direitos. No caso do big brother. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Nos 78 incisos deste art. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. III e art. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. ☺art. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Por isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. à segurança e à propriedade. II. 1º. Esta questão é bastante clara. pois. Porque o direito à vida é irrenunciável. 5º. por óbvio.

a vida termina com a morte encefálica. A questão ainda está sendo discutida no STF. Nos EUA e na França. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. o art. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. portanto. e. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. OBS. como todos os outros. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. por 7 votos a 4. é uma forma de tortura psicologia. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. 128. insuficiente para a proteção do direito. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Ademais. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. mas sim da acrania. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. 128). por isso. já que na época em que foi feito o art. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. mas de modo geral). deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. o STF não estaria legislando. segundo Canotilho. além de colocar em risco a sua própria vida. mas sim interpretando a CR/88. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. em razão do risco de morte intra-uterina. então. II. ela é a única ação de controle abstrato cabível. E o direito à vida. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. já que o CP é anterior à CR. O STF. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Se isso fosse possível. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. sabendo que ela vai morrer. Para o direito brasileiro. . a morte não decorre do aborto. CP não teria sido recepcionado pela CR. sem o sistema nervoso central. não haveria vida. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). assegurando a autonomia da vontade. Se há dois argumentos defensáveis. nas quais não se tem uma opinião moral definida.Direito à privacidade: 105 . 128 (em 1940). discutida na ADPF 54. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. entendeu que. é relativo. 3) dignidade da pessoa humana. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP.

o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. a gravação é considerada lícita. No entanto. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Ex: matérias de interesse público. são direitos independentes. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. vida privada. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. CR. maior a proteção a ser dada. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. 1. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Não há que se falar em colisão. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Em regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. não há violação à privacidade. a honra e a imagem das pessoas. Se filmar uma passeata. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Questão de Concurso: Gravação clandestina. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Então. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. contra um estelionatário. o direito à imagem foi violado. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Ex: Radares eletrônicos. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Nesses casos. Logo. veremos cada um separadamente. histórico. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. na verdade. de uma forma geral. contra um chantagista. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. a restrição é legítima. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. no art. não tem privacidade. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Ex: policial federal recebendo dinheiro. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. quebra de sigilo e interceptação telefônica. É gênero. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. 5º. O prof. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. etc. pois há uma excludente de antijuridicidade. Neste caso. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. por exemplo. 5º. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. uma gravação feita clandestinamente. sobretudo. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. a imagem pode ser usada num processo. científico ou cultural. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. X. é a esfera da vida privada. Se tiver gravado um crime. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. os princípios da moralidade e da publicidade. É vedada pelo art. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. em seguida. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. O direito de liberdade é maior. X. O agente público. CR. Ex. O direito a privacidade está consagrado. Numa gravação clandestina. Ao realizar essa ponderação. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). que se subdivide em: intimidade. Será considerada prova lícita. Ainda que não afete a honra. 106 . Mas. Esta é excludente de ilicitude. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Proteção da honra e da imagem. ela é ilícita. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. Nesses casos é vedada a gravação como prova. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. quando pratica um ato na condição de agente público. sobretudo. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa.

No entanto. 5º. outros dizem ser pelo art. naquele caso específico. como havia verba pública envolvida. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. 107 . O Min. Tem uma decisão do STF muito comentada. Quando a CR fala em “poder de investigação”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Na Itália. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. a duração da chamada. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. 58. E o Ministério Público? Segundo o STF. ainda que não seja sigilosa. Além do juiz. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. De acordo com o art. Quando se quebra o sigilo telefônico. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Ele alegou a ilegalidade desse ato. mas na decisão acima houve discussão a respeito. 5º. CR. O STF decidiu que. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados.. 2. A lei. ele não pode requisitar diretamente. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. essa decisão foi para um caso específico. outros entendem que não há proteção. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. São poderes instrutórios. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. § 3º. Se ele quiser. XII. Dentro dela. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Essa declaração. fiscal e telefônico. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Dentro do próprio STF há divergência.: Podem existir várias outras exceções. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Quem pode é só o juiz e a CPI. X. 5º. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. falaremos da interceptação telefônica. Os jornais publicaram essas declarações. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. não há decisão do STF. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. informáticos. Essa exceção só confirma a regra. de um cd room. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. por enquanto. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. por ex. etc. 3. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. O inciso X impede a gravação clandestina. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. O prof. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. fiscais. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. está em vigor. Quanto às CPIs municipais. 2°) admite. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Ex: extrato de conta corrente. divulgaram todas as declarações na internet. o BB poderia quebrar o sigilo. não poderá quebrar sigilos. com base no princípio da simetria.). em ação cível originária. que é uma exceção a essa regra. deve ter uma certa salvaguarda. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. às informações constantes na declaração de imposto de renda. já que não existe poder judiciário municipal. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. XII.

Porém. Em relação à comunicação epistolar. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. abrem-se todas as correspondências. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. por uma terceira pessoa. Quando se falou do método tópico problemático. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. protege-se apenas a liberdade de comunicação. neste caso. 5º. Para o prof. Pois. Aliás. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. seja pelo art. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Ela deve ser usada para situações excepcionais. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Na prática. o sigilo poderá ser violado. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. os dados de informática em si não estão protegidos. XII. a liberdade de comunicação. 5º. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Na interceptação. seja pelo art. Ela protege 4 formas de comunicações. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. O art. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. será gravação clandestina.. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Com relação ao sigilo de dados. também protege a privacidade. O STF entende que com base o art. não estaria protegido por esse dispositivo. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Nessas hipóteses. mas. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. No entanto. protege a liberdade de comunicações. sobretudo. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Para o prof. Em relação a essas. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Mas isso não é a posição do STF. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. durante o estado de defesa e o estado de sítio. 5º. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos.. Se um souber. em determinadas hipóteses. Além dessas duas hipóteses. 5º. segundo o prof. Se um souber. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba.. é equivocado. Então. pode haver restrições às comunicações telefônicas. já que protege-se a liberdade de comunicação. XII. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. mas foi feita por um terceiro. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Para o STF. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. será interceptação telefônica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. segundo o STF. Não são admitidas para outras finalidades. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. X. o STF tem um entendimento que.

a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). LX: sigilo imposto a processo judiciário. Nem mesmo CPI. 5°. seja durante o dia seja durante a noite. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. XII: interceptação telefônica b) Art. Sem consentimento já é diferente. a entrada deve ser permitida pela empregada. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Nesse artigo. a polícia pode entrar. nesses casos. CF/88. qualquer pessoa pode entrar. Com relação à inviolabilidade do domicílio. 5º. d) Art. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Segundo o STF. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. O professor acha que há certo abuso neste caso. Vejamos as situações: 1. Ela deve ser o último recurso. A Constituição trata de 2 situações distintas. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. nem a CPI. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. por nenhuma outra autoridade. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Essa decisão foi recente (☺MS 27. pode determinar a prática desses atos. 5º. prorrogáveis por mais 15). → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Se numa situação excepcional. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Além disso. Recentemente. Somente o juiz. Ou seja. Durante o estado de defesa. 5º. XI: violação de domicílio. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. e não pelo dono da casa. Art. 2. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Pode ser que com os abusos recentes.296/96. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Como é o meio mais fácil. vejamos: a) Art. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. • Prestar socorro 109 . Na jurisprudência do STF. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. devemos analisar 2 situações diferentes. salvo o flagrante delito. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. 5º. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. essa lógica tem sido invertida. Com o consentimento. Ex: crime dentro de uma residência. se houver o consentimento de um dos moradores. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. o Min. não há falar em violação de domicílio. e mais ninguém. XII. Então. violado. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. c) Art. LXI: possibilidade de prisão.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Se houver o consentimento. imagine numa situação normal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”.

seja do dia seja da noite. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. consultórios. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. a prova é lícita. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. porque a noite é o período de descanso. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. não só dos moradores daquela casa. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. É utilizado por JAS. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Se entrar com o uso da força. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. entra no conceito de casa. não entra no conceito de casa. Alguns autores. por serem situações emergenciais. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Na maioria dos casos. se estiver vazio. prevista no dispositivo. 2. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). na parte em que o público tem livre acesso. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. não entra em conceito de casa. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. quando o sol se põe é noite. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Segundo ele. Se houver o consentimento do morador. E o carro? O prof. CP. pois se respeitar também o critério cronológico. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Ex: parte de trás do caminhão. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. entre outros aposentos. estabelecimentos comerciais e industriais. Quando o sol nascer é dia. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. compreende escritórios. que traz uma conceituação bastante extensiva. mas dos vizinhos também. mais tradicional. a prova colhida será considerada ilícita. entre eles Alexandre de Moraes. hoje. a casa pode ser invadida a qualquer hora. mais adequado. compartimentos habitados. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. 3. Então. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. 150. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. 110 . a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Só que o STF já proferiu decisões. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. onde o caminhoneiro dorme. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Entra no conceito de casa. o STF considera as provas lícitas por causa disso. ☺Art. Se não provar que a entrada foi com o uso da força.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Segundo o entendimento do STF. não poderá mais entrar no domicílio.

Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. discriminatório. Uma vez dentro do estabelecimento. ele não estará de acordo com o fim consagrado. arbitrário. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. é necessário que ele seja: 1. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. da constituição. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Para que o critério seja constitucional. Nestes casos. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . CF/88. Objetivo 2. XXX. CR. justifica-se a altura. Ex: critério preconceituoso. 7º. Esse critério não é nenhuma discriminação. Para esses casos. Quando se fala em princípio da igualdade. Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. razoável e proporcional. não significa que a lei não possa fazer distinções. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. 5º. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. pois viola o princípio da isonomia. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Se o critério não for objetivo. idade. 111 . Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. 2. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Razoável 3. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. 7º. cor e estado civil. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. É a que está consagrada no caput do art. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. XXX. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Não irá fazer concurso para homens participarem. em situações diferentes. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Esse critério é razoável. Não se tem de analisar se a lei fez distinções.

e não à igualdade material. e os desiguais de forma desigual. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Quando se fala em igualdade material. Porém. Para outros autores. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. e prolongaram as que já existiam. Então. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Isso é igualdade formal. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. 5º c/c art. Essas ações não surgiram nos EUA. Ex: Alíquotas de imposto de renda. ☺art. A cota deve ser proporcional à população. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Visa uma redução das desigualdades fáticas. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Dificilmente. 112 . A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. acha que esse argumento não convence. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. o critério discriminador seria desproporcional. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Para o professor. Não é uma forma de resolver o problema. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. aconteceu o contrário. mas na Constituição Indiana em 1947. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. O prof. por exemplo. No caso da Índia. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. utiliza-se das ações. 3º. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Se o Estado não proporcionar esses direitos. essas ações deveriam existir por 10 anos.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. para tentar reduzir as desigualdades. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. O prof. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. essas ações são constitucionais. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. igualdade e fraternidade. disse que está ligada à igualdade material. Mas. pois elas criam uma discriminação reversa. mas é necessário analisar uma série de fatores. não haverá uma igualdade real. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Criaram-se outras ações afirmativas. surge a questão relacionada às ações afirmativas. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Em princípio. mas reduzir as desigualdades existentes. Quando se fala em igualdade material. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Segundo JAS. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. seria igualdade material. A tendência é que elas aumentem. Ex: Cotas para pessoas carentes. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . que eram desiguais em relação aos seus senhores. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais.

esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. quando se fala em destinatários.Poder Legislativo. . Argumentos contrários: . CF/88.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. miscigenada e multicultural. mas também para quem irá elaborar a lei.favorece negros de classe média alta. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. tolerante. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. sem exceção. Apesar de ser uma relação entre particulares. . é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. 208. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado.em uma sociedade pluralista. não sendo necessária essa distinção. No Brasil. cientificamente falando. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.medida imediatista e inapropriada. visa compensar uma dívida histórica. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. previsto no art.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. pois já faz parte do próprio critério republicano. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. Portanto. A justificativa parece não ser inconstitucional. Isso é uma questão de política pública.fomenta o racismo e o ódio racial . e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. aberta. Então. . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. Poder Executivo e Poder Judiciário). A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. atinge todos os poderes públicos . O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. de saúde. 113 . é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. . Eles não têm apenas a eficácia vertical. mas eles não tiveram oportunidade de escola. são destinatários do princípio da igualdade. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. Eles foram libertados. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . . Juridicamente falando. O problema é com relação à subjetividade do critério. . seja por particulares.princípio da isonomia (discriminação reversa). Além dessa eficácia.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. seja pelo governo.fere o mérito.

→ Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Logo em seguida. Logo. discriminatórias. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. 5º. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. ela pode ser responsabilizada. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Não existem direitos absolutos. em princípio. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Para alguns. É livre a manifestação de pensamento. etc. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. CPC – ação de alimentos. Ex: Lei Maria da Penha. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Basta ser um critério objetivo e para todos. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. desde que essas restrições não sejam autoritárias. e violou direitos de terceiros. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Ex: art. não teria sido recepcionado. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. de expressar o pensamento. não deve ser estendida para os homens. Apologia ao crime é diferente disso. ele deve licitar. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Ex: Passeata para legalização da maconha. As provas 114 . Se o sujeito será responsabilizado ou não. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. O homem não é a parte mais frágil da relação. a lei pode estabelecer distinções. Por que a Constituição. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. ela exerceu o seu direito. para outros teria. Pode defender no plano das idéias. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Questão de Concurso – Cespe: No art. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. 100. Protege a mulher. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. segundo o professor. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. o problema é dele. sendo vedado o anonimato. ela pressupõe responsabilidade. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. É uma denúncia feita anonimamente. em regra. O particular não é obrigado. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. ela é constitucional. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. é outra questão. mas apenas para as mulheres. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Se a pessoa agiu de forma abusiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Não é um direito absoluto. Mas. I. IV. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Isso significa que. 5º. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. É constitucional? Sim. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Se ela não pode ser admitida como prova no processo.

Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. I. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. com o advento da República. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. ou de não ter crença em nada. Garantir a simetria da liberdade religiosa. desde 1989 (advento da República). o equilíbrio das religiões. Isso significa que. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. pedindo resgate. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. de ter crença. ela deve ser protegida. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. → Alguns temas polêmicos: 115 . então. CR. desde que não viole o direito de terceiro. No Brasil não há uma religião oficial. abrangendo a liberdade de crença. 3. Os templos recebem uma proteção especial. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. O dever funcional da autoridade é investigar. Porém. ainda 2. Para Habermas. A liberdade de consciência é a mais ampla. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. de crença e de culto. há 02 hipóteses em que o STF admite. ele não pode ser admitido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. 5º. deve ocorrer uma “tradução institucional”. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. inclusive em lugar aberto ao público. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. 19. 2. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. VI. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Ex: seqüestrador escreve bilhete. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. apesar de a maioria da população ser católica. CR. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. 2. e. O Estado brasileiro. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. não é o caso do Estado brasileiro. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Esta liberdade está consagrada no art. Vejamos: 1. houve a total separação entre Estado e Igreja. Pode fazer um exame grafotécnico. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. O culto pode ser exercido em qualquer local. Não se pode admitir que o parlamento. se não há qualquer identificação. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. A religião desempenha um papel fundamental. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. O Estado deve manter-se neutro. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. por exemplo. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Quando são produzidos pelo próprio acusado. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Em relação ao culto.

e não à justiça do trabalho – ☺art. Segundo o prof. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. CR. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. .. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Entretanto. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. estados e municípios (☺art. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. VIII. CR). questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. a competência é da União. o argumento supracitado não está correto. não poderia ser confessional. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. Mas. 210. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. a escola não deve impor ao menino. Há um trecho do livro do Dworkin. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. inegavelmente. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado.. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. a neutralidade do Poder Judiciário. e o aluno optou a se matricular nessa escola. 215. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. são culturais. fazendo uma ponderação entre os princípios. Não teria sentido acabar com esses feriados. que odeia guerra. O tribunal. Neste caso. e cultura é competência comum – da União. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Pode um ateu. Entretanto. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. imagine uma cidade pequena. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. São feriados puramente religiosos. então. a competência é em relação à cultura. logo. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. CR). Na Alemanha. há algumas ações. ocorreu um caso muito semelhante. 23. Portanto. §1º. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. políticos e religiosos.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. É importante respeitar o ensino de cada um. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. §2º. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. onde se tem poucas escolas boas. O 116 . Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. 5º. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Para o prof.

2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. (Não pode reunir pessoas armadas. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. 5º. de cooperativas. Há. mas direitos individuais de expressão coletiva. mesmo que em locais abertos ao público. 2. elas vão embora. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. o argumento deve ser racionalmente justificado. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. essa hipótese é de representação processual. Liberdade de reunião. JAS diz que não são direitos coletivos. XVI. Não cumprindo com a obrigação. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. XXI. não é necessária a autorização estatal. 5º. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Ex: reunião de condomínio. Ex: fazer segurança. A pessoa alega imperativo de consciência. ainda. IV). mas a de permanecer associado. Para que as pessoas possam se reunir. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. ☺art. 5º. Criação de associações e. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 3. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Quem fará a tradução não é a Igreja. as pessoas se reúnem e. mas os políticos. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). conforme portaria da ANVISA. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Se não houver essa lei. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. 15. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. ☺ art. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. A associação. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. não são os religiosos. 4. XVI. CR. Caso não cumpra com a prestação alternativa. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. CR. então. A República é o governo das razões. tem o caráter permanente.) 2. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. 5º. etc. na forma da lei. Criação de sindicatos. Ex. O prof. CR: Não é só a liberdade de se associar. Criação de partidos políticos. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. por sua vez. existem 2 semelhanças e 1 diferença. terminada a reunião. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). XVII e XXI. desviar o trânsito. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Segundo Jean Rivero. Por que a CR exige prévio aviso.

mas sim contrárias ao direito e. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. 2. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. segundo o prof. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Em seguida. Função Social da propriedade: A CR. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. O que acontece é que se não cumprir a função social. Ela só garante o direito de propriedade. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Se ele tem proteção. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). não precisando de autorização expressa. Segundo ele. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. não impede que o direito de propriedade seja protegido. ter um patrimônio mínimo. XXIII. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. É o entendimento de Daniel Sarmento. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. ADC e ADPF. se não for atendida. não pode existir mais de uma federação por território. em seu art. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Ex: Invasões de terra pelo MST. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. A Constituição não garante o direito à propriedade. do próprio regime desse direito. 5º. como a Constituição garante o direito de propriedade. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. III. 5º. Há um outro entendimento que.. Segundo JAS. 118 . 8º. ☺art. LXX. Segundo o STF. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. no seu art. o direito de propriedade pertence ao direito público. Segundo o STF. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. A associação impetra em nome próprio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. pode ser dada numa Assembléia Geral. CR) quando ajuíza uma ação. tendo um menor peso na ponderação. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. mas faz parte da estrutura desse direito. segundo o qual. ilegítimas. portanto. defendendo direito alheio. por exemplo. XXII. Só pode representar se houver autorização expressa. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. 5º. a propriedade terá uma proteção menor. a função social. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Segundo o STF. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. é mais correto. garante o direito de propriedade. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). O sindicato (☺art. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). não são legítimas essas invasões. segundo o prof. mas não pode ajuizar ADI. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal.

É um aspecto lógico. indenização por títulos da dívida pública). CR. A polícia requisitou determinadas propriedades. em regra. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Além do caráter absoluto. na desapropriação. §4º. normalmente. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Vejamos: a) ☺art. 184. b. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Para atender a função social. VII). 5º. CR. deverá ser em dinheiro. IPTU progressivo no tempo. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Ex: caso de Eloá. por ser inerente ao direito de propriedade. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. CF/88: Trata-se de imóvel rural. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. a indenização será sempre posterior. Como haverá indenização se houver dano. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. A função social. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . ela acaba restringindo uma característica da propriedade. etc. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. b) ☺ art. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. Logo. Os principais aspectos são 2. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. diante de uma emergência. Sempre que há requisição. o proprietário não tem culpa. Propriedade Urbana: ☺art. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. justa e. Vejamos abaixo. No caso de requisição. 182. §2º. há uma transferência compulsória da propriedade. 139. XXV) e as militares (☺art. ele não poderá ser prejudicado. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Sempre haverá indenização. Na requisição. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. 182. como decorrência do primeiro. só haverá indenização se houver dano. 186. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. Desapropriação: Diferentemente da requisição. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. por utilidade pública. como um apartamento. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção.000 habitantes (§1°). A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. a saber: por necessidade pública. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. mas sobre a propriedade em si. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. uma escola pública. restringe o caráter absoluto. que deve ser prévia. a saber: a. 2. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Propriedade Rural: ☺art. ou por interesse social. deve haver indenização? Não.

Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. É sempre indenizável (justa. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Confisco: No Brasil. Se ele tiver outro imóvel. paga em dinheiro). prévia e. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). 184. Necessidades transitórias. possuir o imóvel como se fosse seu. Para esse fim. Vejamos: . É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). 120 . 3. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). 2. é porque ela está cumprindo a sua função social. . Só não podem ser para fins de reforma agrária.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. Requisição Refere-se a bens e serviços.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. A Constituição não permite – ☺art.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). seja urbano ou rural. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. 5º. §3° e art. parágrafo único. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. no máximo. o imóvel deve ter. Obs. precisa recorrer ao judiciário). O confisco de propriedade está previsto no art. no máximo. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. . sem oposição. Necessidades permanentes da sociedade. 191. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. CF/88. emergências da sociedade. não precária. . Usucapião: Na Constituição da República. 243 da CR. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. ininterrupta. regra. 183. São imunes a impostos (☺art. por ter prazo menor. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. . 243. 50 hectares. Como o confisco é uma sanção. Só que. Nesse caso.o morador não pode ter outro imóvel.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Na CR.). tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. pacífica. etc.: Imóveis públicos. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. os bens serão confiscados – art. Se ela é produtiva. sejam urbanos ou rurais. §5º. 185. CR). 250 m2. em Indenização posterior se houver dano. não há pagamento de indenização. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). PU. CR). não podem ser adquiridos por usucapião.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

Em regra. XXXVI. Durante a vigência desse contrato. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. é necessário diferenciar duas situações. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. não. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. 3. outros a interpretavam de maneira (B). na verdade. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. 5º e no art. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. a saber: 1. desde que seja mais benéfica para o réu. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. 5º. Para responder a essa questão. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. média e mínima. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. interpretando a lei da maneira (A). Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . 106. ato jurídico perfeito e coisa julgada. etc. Em resumo. Todas as demais o consagraram. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. mas deve respeitar a coisa julgada. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. XL. As hipóteses mais importantes são: 1. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. não era muito democrática). Alguns a interpretavam de maneira (A). Seria correspondente à primeira hipótese. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). A lei interpretativa retroage.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. a CR/88 entrou em vigor. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. a lei interpretativa retroage.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. 5º. autônomo. é uma conjugação das duas anteriores. mas que vale especificamente para o direito tributário. 2. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. CR). A garantia existe para a proteção desse direito. inicial. só que exclusiva para o direito tributário. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. No direito penal. Retroatividade da Lei Penal. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. b) Retroatividade benigna. Esta hipótese é. a regra também é a não retroatividade (art.

→ Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Não pode haver a redução. Se a Constituição atingir essa prestação. STF. mas isso está superado. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. mas as leis não. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. 2.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. portanto. Só que para haver essa retroatividade. Nesse caso. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. É claro que isso não é desejável. → Coisa julgada: 122 . haverá uma retroatividade máxima.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Havendo mudança de regime jurídico. e não lei em sentido restrito. no caso de retroatividade mínima. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. automaticamente. através de norma de eficácia plena. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. e não as parcelas que compõem o vencimento. 5º. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Na retroatividade máxima. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. Se mudar o real. Ex: Determinada prestação. Ex. extintas. Portanto. As parcelas podem ser reduzidas e. coisa julgada e ato jurídico perfeito.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. 654 e Súm. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. até mesmo. ☺Súm. 473. porque geraria uma insegurança jurídica. de acordo com a legislação da época. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. . interpreta a lei em sentido amplo. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Só que para haver essa retroatividade.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. b) Retroatividade média: pode ocorrer. a Constituição da República entrou em vigor. será necessário que a Constituição diga expressamente. em regra. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. . não há posição prevalecente. É o ato que está apto a produzir os efeitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. . já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. ela afeta a todos. inclusive as de ordem pública. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. e não o ato exaurido. XXXVI) é lei em sentido estrito e. É claro que isso não é desejável. porque geraria uma insegurança jurídica. A EC poderia prejudicar direito adquirido. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. O prof. Antes de a prestação ser paga. . haverá uma retroatividade média. Após a Constituição de 1988.

independentemente da sua natureza. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. segundo Robert Alexy. do seu enunciado. independentemente de qualquer fator. em regra. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. e não propriamente como ministro). Os direitos de defesa são. Eros Grau. consagrados em NEP ou NEC. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. No art. são mandados de otimização. Direitos Sociais: 1. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. geralmente consagram seus direitos em textura aberta.: salário mínimo). ambos eleitos pelo povo de forma democrática. por ex. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Já os direitos sociais. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . eles o são porque ainda poderão ser consagrados. 5º. em sua maioria. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. nós deveríamos interpretar o art. e isso para muitos é um ponto negativo. Eficácia: todo direito tem um custo. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. A administrativa não tem essa proteção. 2. e pelo Min. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Mas isso não é verdade. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. 7º.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. o que significa que possuem um caráter positivo. Ou seja. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Assim. 5º. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais.. pois são mais facilmente implementados. mas é apenas a coisa julgada judicial. como doutrinador. exigem uma atuação positiva do Estado. Dirley Jr. de sociedades pluralistas. para dar decisões concretizando tais direitos. b) o art. Em cada época. §1º. são NEL (de princípio programático). Por isso. . §1º.☺art. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Os princípios. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. ou seja. 5º. . existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. à medida que a sociedade o determine. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. como teórico do direito (ou seja.

o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. por ex. por ser norma programática. Portanto.000. doutrinador do RS. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. é importante definir tais critérios. que estamos buscando. por ex. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Esses direitos sociais não teriam. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. etc. em tese. . Norma de direito social não gera direito subjetivo.). segurança. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. 3ª fase: é a fase desejável.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Argumentos contrários à intervenção judicial: . ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. todas. pois. normatividade. Pedro Taques). O que se busca. pois.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. Por isso.). Em outros lugares.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. quando foi dado um maior papel ao PJ. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. trabalho. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. só porque recorreram ao PJ. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. as normas possuem uma textura aberta. Obs. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. não geram direitos subjetivos. essa atuação talvez não seja tão justa. . rodovias. legítimas (saúde. educação. Como têm apenas eficácia negativa.000. Primeiramente. Esse entendimento já foi superado. previdência. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Quando se fala em direitos sociais. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. A visão do juiz é bilateral. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. implicitamente. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. assim. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe.. Assim. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. lazer. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento.

eleições periódicas. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Não é o entendimento que prevalece. A reserva do possível. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. em razão das limitações orçamentárias existentes. teríamos a maior utilização das ações coletivas. em razão do Princípio da Igualdade. sufrágio universal. . porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. saber se a demanda é razoável. inclusive a minoria. Os direitos sociais estão consagrados em normas. É preciso. no que diz respeito aos direitos sociais. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. por isso. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. em 1972. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. De se ver que quando se fala em direitos sociais. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. eles acabariam sendo inviabilizados. Se não se estabelecer os critérios. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária).Déficit democrático das instituições representativas. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Esses argumentos são os que devem prosperar. Mas.Caráter normativo da constituição. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). pois. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Se um poder se encolhe.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). entra-se muito nas questões ideológicas. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . o outro cresce. e é muito utilizada no Brasil. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. 125 . a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado.A democracia não é apenas vontade da maioria. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Ademais. ou seja. . não se encaixaria na realidade brasileira. Assim. . segundo Ingo Sarlet. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e.

Segundo Ricardo Lobo Torres. mas teria um peso maior na ponderação. em 1953. por ser necessária para a 126 . Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. em razão de sua textura aberta. educação e moradia.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. A efetividade passa pela sociedade. a questão da efetividade será prejudicada. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Ou seja. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Outros autores já falam apenas em saúde. é o entendimento mais adequado. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Segundo Ana Paula de Barcellos. Não é o máximo desejado. que existem z pessoas na mesma situação. . Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. saúde. Assim. essa concretização. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. que a demanda custa y. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Se não definir o conteúdo. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Segundo o prof. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. A reserva do possível é uma matéria de direito público. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. 2. depende de cada época e de cada sociedade. da liberdade material e do princípio do estado social. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. pelo cumprimento voluntário da constituição. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível..“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Vejamos: 1. etc. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. precisam ser concretizados. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. quando se estabelece o mínimo existencial. maior o risco de não ter efetividade. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. . Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. que é a corte suprema na Alemanha. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Por que falamos em “mínimo”. mas deve também ser provada. é o mínimo existencial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. assistência em caso de necessidade. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. No Brasil. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental.

2) posicionamento de um autor português. que significa nação. 5º. e do Estado Democrático e Social de Direito. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. fazem parte da população brasileira. da máxima efetividade (art. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. segundo ele. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Todos que moram no Brasil. assim. passaria a fazer parte do próprio direito social. consciência coletiva. CR). O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. Ex. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. Pode. independentemente da nacionalidade. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. língua. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Por isso. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. da dignidade da pessoa humana. históricos. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. irão concretizar os direitos sociais. Os poderes públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. e. Há dois posicionamentos quanto ao tema. §1º. o que prejudicaria a sociedade. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. População está relacionada ao conceito demográfico. esse prazo não pode mais ser reduzido. Segundo ele. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. só ampliado. fala-se em vedação do retrocesso social. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. um pensamento mais flexível sobre o tema. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. entre eles: laços culturais. haveria um engessamento do legislador e do PE. ao estudar as normas de princípios programáticos. Ele tem. já dizia algo muito semelhante. haver uma redução do grau de concretização. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. 127 . estatístico. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. não pode haver uma redução dessa concretização. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. costumes. JAS. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. pois. A partir do momento que um direito social é concretizado. de acordo com a necessidade.

Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). 12. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. art. o filho terá nacionalidade brasileira. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). por uma questão de soberania nacional. estrangeiros residentes. há direito público subjetivo do estrangeiro. I. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. se não se manifestarem contrariamente. Refere-se aos brasileiros natos. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Refere-se aos brasileiros naturalizados. II) Jus Sanguinis: ascendência. I. §6°. . 12. de acordo com o art. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. A EC 54 alterou o art. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). terá naturalidade brasileira. Se o casal estiver a serviço de outro país. 112 e 115. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu.Diferenças de tratamento 128 .Quase nacionalidade (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CF/88. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. não há direito público subjetivo. Pelo critério funcional. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. c. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Obs. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. não haver condenação penal e requerimento do interessado. . É geralmente adotada por países que estão em formação. a). Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. I. 12. II) Naturalização expressa (art. De acordo com o critério sanguíneo. os pais têm que ser brasileiros. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. adquirem a nacionalidade do país onde residem. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. desde que haja reciprocidade. b). É o caso do Brasil. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. 227. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. considera a nacionalidade dos pais. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. 12.815/80. Quando a pessoa é nascida no Brasil. 12. Neste caso.

em razão da superioridade da Constituição. §4°.segurança nacional: oficial das forças armadas.linha sucessória do presidente da república: PR. 12. b) 6 assentos do Conselho da República (art. Mas. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. Se o estado desrespeita essa regra. só poderá ser extraditado: . Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. 5°. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. 5°. Mas.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. 12. não se poderá invadir esse estado. no entanto. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). Expulsão: consiste na retirada a forca. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. §3°). d) Extradição (art. em razão da soberania nacional. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. Já na entrega. . cria-se um problema de relação internacional. Não se pode.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. portanto. do território brasileiro.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. . o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. XL.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. CF/88): 129 . Princípios relacionados à extradição: . Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. presidente da CD. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. 89. Na extradição. Os critérios utilizados são: . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. . ou que tenha filho brasileiro. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo.Perda da nacionalidade (art.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. A deportação está mais próxima da expulsão. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. presidente do SF. No caso de brasileiro naturalizado. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. . de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. 65 da lei 6. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. dependente da economia paterna. . a ela aplica-se a súmula 1.815 (ato nocivo ao interesse nacional). 12. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. CF/88). o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. confundir a súmula acima com a seguinte. vice. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). Importante analisar a Súmula 421. 5°.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. . A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. §2°.

é direto: é a regra.é periódico: essa periodicidade do voto. na forma da lei (que ainda não existe).: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). com a realização de eleições periódicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Para JAS. .Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). . Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. Além dessas características do voto. A CR/88 adota o sufrágio universal. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. salvo nos casos das alíneas a e b. ou seja. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. Direitos Políticos: . Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. Características que o voto possui no Brasil: . salvo se por meio de ação rescisória. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. one vote”. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). Só se aplica ao brasileiro naturalizado. 14. o sufrágio censitário (ex. 81. . é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. voto é o exercício desse direito. Servem ao controle do próprio direito. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). perderá a nacionalidade brasileira. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. §1º. São requisitos apenas técnico-formais. 14. one vote” – “one person. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. §1º). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). caput). inclusive sendo cláusula pétrea. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. e não requisitos preconceituosos. nacionalidade e alistamento. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. . 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. é o direito político em si. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade.tem valor igual para todos: “one man.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. que exige uma alternância de poder. pelo CN. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. com uma única exceção: art. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. 130 . é o direito de votar (e não de ser votado). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto.

☺§3º. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição.é conhecida como inelegibilidade reflexa. 14. em caso de reeleição. Além dessas condições relativas à idade mínima. 14.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. §7º . os inalistáveis são os estrangeiros. filiação partidária. a inelegibilidade em relação aos militares (art. do art. trata-se de lei ordinária. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. ela é adquirida progressivamente. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. 14). e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . dentistas. até que se atinja a plena cidadania. é o direito da pessoa ser votada. 12. §3º? Segundo o STF. Assim. ou seja. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. então. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. que geralmente admitem desincompatibilização. 14 traz um questionamento. 14. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). 14. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). Quando a Constituição fala apenas em lei. . §3º. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. no governo de SP). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. assim. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. se houver reciprocidade (art. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade).este dispositivo fala em sucessão e em substituição. com exceção dos portugueses equiparados. ou seja. No Brasil. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). 14. 14. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. §8º). Mas o §9º do art. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. etc. ☺ar. salvo se já titular do cargo.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). domicílio eleitoral na circunscrição. Primeiramente. §5º . o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . §1º). . São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). Ex. no caso do art.

adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. Com base nessa distinção. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Kildare. 15 (incisos II. A doutrina (JAS. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. portanto. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. e quanto a isso não há divergência doutrinária. III e V) são hipóteses de suspensão. nos termos do art. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). I. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. não há como readquirir os direitos políticos). é algo temporário. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. 132 . 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Todas as outras hipóteses do art. seus parentes também poderiam ser candidatos. o prof. mas o prof. VIII). 15. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 5º.

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