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Marcelo Novelino. Direito Constitucional

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  • Objeto:
  • Constitucionalismo:
  • Evolução do Constitucionalismo:
  • Constitucionalismo e Soberania Popular:
  • CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:
  • Concepções de Constituição:
  • Aspectos conclusivos:
  • Classificações das Constituições:
  • HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Supremacia da Constituição:
  • Hierarquia dos Tratados Internacionais:
  • Lei Ordinária X Lei Complementar:
  • Lei complementar Lei ordinária
  • Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:
  • CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:
  • Conceito:
  • Parâmetro ( normas de referência):
  • Formas de Inconstitucionalidade:
  • Formas de Controle de Constitucionalidade :
  • 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:
  • a) Preventivo:
  • b) Repressivo:
  • 4.2) Quanto à natureza do órgão:
  • 4.3) Quanto à competência:
  • a) Difuso:
  • b) Concentrado:
  • 4.4) Quanto à finalidade:
  • a) Concreto:
  • b) Abstrato:
  • e concreto
  • Formas de Declaração da Inconstitucionalidade:
  • 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:
  • 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:
  • 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:
  • 5.4) Quanto à extensão da declaração:
  • Exercício do Controle Jurisdicional:
  • 6.1) Controle difuso-concreto:
  • d) ADI no STF e ADI no TJ:
  • 6.2) Controle concentrado-abstrato:
  • Atuação do PGR:
  • Atuação do AGU:
  • Amicus Curiae:
  • Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:
  • Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:
  • Efeitos da decisão de mérito no MI:
  • Controle Concentrado-Concreto:
  • RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:
  • PODER CONSTITUINTE
  • PODER CONSTITUINTE ::
  • Conceito e finalidade:
  • Natureza:
  • Titularidade do Poder Constituinte:
  • Poder Constituinte Supranacional:
  • Espécies Tradicionais:
  • A) Poder Constituinte (Originário):
  • B) Poder Constituinte Decorrente:
  • C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):
  • Direito Adquirido:
  • Reforma x Revisão:
  • HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:
  • Introdução:
  • Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:
  • (hermenêutica constitucional)
  • Métodos de Interpretação da Constituição:
  • I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):
  • II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):
  • III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):
  • IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):
  • V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller):
  • VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):
  • Interpretativismo e não interpretativismo:
  • Elementos do Sistema Normativo Constitucional:
  • Postulados Normativos de Interpretação:
  • Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:
  • Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:
  • PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:
  • Natureza Jurídica:
  • Preâmbulo como diretriz hermenêutica:
  • APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Classificação das Normas Constitucionais - JAS:
  • Classificação de outros autores:
  • NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:
  • Revogação:
  • Teoria da Desconstitucionalização:
  • Teoria da Recepção:
  • Constitucionalização Superveniente:
  • Repristinação:
  • Mutação Constitucional:
  • Graus de retroatividade da norma constitucional:
  • PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
  • Funções dos Princípios Constitucionais:
  • Princípios Estruturantes:
  • Princípio Republicano:
  • Princípio Federativo:
  • Princípio do Estado Democrático de Direito:
  • FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:
  • Soberania:
  • Cidadania:
  • Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:
  • Pluralismo Político:
  • Dignidade da pessoa humana:
  • DIREITOS FUNDAMENTAIS:
  • Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:
  • Classificação dos Direitos Fundamentais:
  • Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:
  • Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:
  • Natureza dos Direitos Fundamentais:
  • Características dos Direitos Fundamentais:
  • Eficácia e Aplicabilidade:
  • Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:
  • Limite dos limites:
  • Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:
  • DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:
  • Direito à vida:
  • - Direito à privacidade:
  • Princípio da Igualdade:
  • Direitos ligados à liberdade:
  • Direito de propriedade:
  • Direito de segurança jurídica:
  • Direitos Sociais:
  • Direitos da Nacionalidade:
  • Direitos Políticos:

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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por seu turno. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. como o inglês. o local e a época. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. como sociológica: “em termos jurídicos. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. 4 . sociologicamente. É. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. E para isso. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. em sentido jurídico. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. um claro juízo de valor. O conceito de constitucionalismo transporta. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. assim. e. no fundo. mas também de outros assuntos. Numa vertente mais restrita. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. Numa segunda acepção. do estado e das instituições democráticas. reporta-se a um sistema normativo. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. enfeixado na Constituição. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. mas proteger direitos. uma teoria normativa da política. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. a defesa da Constituição. Tem-se utilizado. então. numa terceira acepção possível. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. em especial limitar o poder arbitrário. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Partindo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. os fins socioeconômicos do Estado. e que se encontra acima dos detentores do poder. Neste sentido. o americano e o francês. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Kildare Gonçalves Carvalho. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. afastando-se da visão autoritária do antigo regime.

Por isso. Como ressaltado por Jorge Miranda.surgiu em substituição ao governo dos homens. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). integram-no. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. 1. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). como e até onde pode mandar. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). em 1787. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Foi uma retrospectiva do direito Grego. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Governo limitado. Grécia antiga: democracia constitucional. c. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. quem. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). (Livro do Alexandre de Morais). e da França. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Atribui competências aos três poderes. b. fases pelas quais passou a constituição. se contrapõe ao absolutismo. • Separação dos poderes. após a Independência das 13 Colônias. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. A democracia é a representação da vontade da maioria. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Roma: idéia de liberdade. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. b. ii. Garantia jurisdicional. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). a partir da Revolução Francesa. Influenciaram o direito francês e americano. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Estado Hebreu: estado teocrático. Hoje. desde logo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Foi a 1ª experiência constitucional. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Foi a mais avançada forma de governo. a. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. d. ii. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. 2. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. em 1791. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. • Princípio do governo limitado. porém. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Estabelece as regras do jogo político. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia.

Força normativa da constituição: antes. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Hoje. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. a. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. estabelecendo diretrizes. XX). Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. ligada à idéia de liberdade. aplica-se a analogia. Ex. Constituições da democracia social. XIX. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. foi o Abade Sieyès. A partir dessas novas idéias. d. ou seja. c. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Constituições de países subdesenvolvidos. Rússia. estabelecidos pela Constituição. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. c. Separação de poderes. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Garantia de direitos. Todos os poderes constituídos (PL. b. estarão subordinados a ela. Constituições da democracia marxista ou socialista. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Idéias principais: i. O Estado é um meio para atingir determinados fins. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. direitos fundamentais. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Segundo a tradição francesa. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). O ser humano é um fim em si mesmo. havia regras. ii. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Começou a se falar em um direito moral. as quais são denominadas por pós-positivismo. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Constituições da democracia racionalizada. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. 3. PE e PJ). Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. sem força vinculante. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. as constituições tinham caráter mais político. 4. diretrizes. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Eram apenas uma diretriz. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). a maioria da nação. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Novas idéias foram surgindo. na época das Revoluções Liberais. b. os costumes 6 . A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação.

Não se aplica diretamente a constituição.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. o judiciário aumenta sua força. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. f. Continuidade. espuma do chopp. verticalização. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. aplica-se a regra específica. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. é o juiz. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas.  Aplicação direta da constituição. EUA: nós estamos submetidos à constituição. pois esta é a concretização de um princípio geral. etc. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. cotas em universidades. Eles são importantes. etc. é o judiciário. tratado internacional tinha status de lei ordinária. b. 7 . José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Para Barroso. Na jurisprudência do STF. há uma euforia dos princípios. Quando o legislativo é fraco. Hoje. os princípios. • • 5. Mas essa é uma posição muito radical. Ele atua como legislador negativo e positivo. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Constitucionalismo do futuro. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. fidelidade partidária. Verdade.. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Para Paulo Bonavides. que é aplicada mais às regras. mas quem dirá o que ela é. Consenso. Hoje. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Os princípios. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Universalização. g. e. d. de uma forma geral. Solidariedade. Entre uma regra específica e um princípio geral. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Teoria Concretista Geral. aborto no caso da acrania. A aplicação da norma se dá pela subsunção. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. c. Participação.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Na Itália. Ex. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. união homoafetiva. demarcação de reservas indígenas. Integração.

Assim. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). caput. dá-se através dos representantes do povo. de acordo com o art. pertinentes. 1º da Lei 9. a continuidade. a verdade. Contratos de colonização. CR. então. Petition of Rights de 1628. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Compact (1620). segundo o art. o P. de forma expressa. I. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro.709/98 (que regulamentou o art. com valor igual para todos. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. portanto. de soberania popular. referendo e iniciativa popular”. O titular do poder é o povo. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Vale dizer. o exercício deste poder. 14. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. que são os deputados federais (âmbito federal). que. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. por intermédio de seus representantes. Habeas Corpus Act de 1679.U. a solidariedade. CR). 46. Carta outorgada por Carlos II (1662). verdadeiro sistema híbrido. Como regra. Podemos falar. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. cujo titular é o povo. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). nos termos desta Constituição”. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. a participação. Bill of Rights de 1689. II e III. Fundamental Orders of Connecticut (1662). do art. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Act of Settlement de 1701. concretizando a soberania popular. CR) e. 1º. mediante: plebiscito. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal).

: art. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . §2º. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. Os fins do Estado são diferentes de estrutura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. Segundo ele. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. → Segundo Hans Kelsen. os direitos fundamentais. mas materialmente distintas. a que Carl Schmitt chama de Constituição. 1°. para ele. na política ou na filosofia). Essas normas são programáticas. 242. quando não corresponde à Real. com exceção do Preâmbulo. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. caso contrário. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. como por ex. é vinculante e obrigatória. A Constituição Escrita. conforme o prisma de análise. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). mas apenas leis constitucionais. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. Esta é a concepção que hoje prevalece. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. A conferência realizada por ele. PL. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. que surgiram com as constituições mais prolixas. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). na sociologia. Toda a Constituição. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real.. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. o restante. o caráter normativo e vinculante da Constituição. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. a Constituição é norma pura. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Para entender tal concepção. portanto. que adota o conceito decisionista de constituição. O art. Constituição e leis constitucionais são. PJ. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. não passaria de uma simples “folha de papel”. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Esta concepção atualmente é inadmissível. ou seja. As leis constitucionais são todo o restante. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). ou seja. têm a mesma forma de elaboração).

Território. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. é um elemento conformador. . → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. . ela não existe na realidade. é a Constituição escrita (CR/88). não está escrita. ao mesmo tempo. 10 . . qual seja. e também jurídico. define tais elementos estruturais. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). Gilmar Mendes). modificando-a. . neste sentido. não introduz nenhuma novidade. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). segundo esta concepção. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. por isso não tem nenhum expoente específico. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. condicionante desta mesma cultura. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é).Soberania.Povo. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é apenas uma pressuposição. é: todos devem obedecer a Constituição. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. A CR/88. todos os setores da vida social. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. Ou seja. mas que trata de todos os aspectos. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. é uma norma pressuposta.Finalidade. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. portanto. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Seu único comando.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. quais sejam: . posta pelo Estado). a Constituição tem sim fundamento sociológico.

como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). pois toda constituição é escrita e não-escrita. 1967.: as constituições outorgadas recebem. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. Nesse caso. de maneira unilateral. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo.não codificadas (ou legais. por ex. Constituição Espanhola/1930. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. . Por isso mesmo. quem vota a matéria são as lideranças. . 3) Quanto à origem: . 4) *Quanto ao modo de elaboração: . votada. . toda Constituição histórica é costumeira. promulgada. podendo ser: . de uma só vez.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. Ex. trata-se de modalidade anacrônica. 1937. a constituição não se torna democrática.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. as constituições outorgadas foram as de 1824. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). É uma aprovação simbólica). No Brasil. . tem também vários documentos escritos. 11 . ou variadas): ex.dogmática: sempre escrita. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. a Constituição Inglesa. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). por alguns estudiosos. consuetudinária (não é escrita). o apelido de “Cartas Constitucionais”. é fruto das idéias. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. surge em um só momento. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. Obs.. pelo agente revolucionário (grupo ou governante).democrática. e como é bastante prolixa. há pouco espaço para se ter costumes como regras.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente.. como por ex. não surge de uma só vez em um só momento.outorgada: é a constituição imposta. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. . .

concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. CR). (Obs. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. . . independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). sucintas. Como se submete a esse tratado internacional. Ex. Ex. . É uma constituição em sentido material. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. mas sim o processo mais dificultoso.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . ou seja. . passou a haver hierarquia entre as normas. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.: a Constituição dos EUA).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).: art. São chamadas também de clássicas. Não existe controle de constitucionalidade das leis. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. É uma classificação típica das constituições costumeiras. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. portanto muito difícil de serem modificadas.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). 1º.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Constituição Inglesa. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. deixou de ser considerada flexível. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . Em 2000. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. inclusive a CR/88). Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. . Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Por este motivo. É uma constituição em sentido formal. como é o caso da CR/88.) . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos.fixas: não poderiam ser modificadas. sendo assim. sem se preocupar com os detalhes.

a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. 59 e segs. Característica das constituições clássicas. Pactuadas (ou pactuais). Fixas. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. OBS. Ex. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. pois valem a todos os entes federados. . o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. o DF. Rígidas. (processo legislativo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: art. Flexíveis (ou plásticas).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. que surgiram com um objetivo pré-definido. 3º. Constituição programática (ou dirigente). CR. porque é fruto de várias ideologias. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. o União. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). União. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Constituição em sentido formal. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. formal. mas sim uma obrigatoriedade!). básicas ou clássicas). sucintas. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. como por ex. sumárias. costumeiras ou consuetudinárias). prolixa. 13 . que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). Ecléticas. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. É a CR/88. Não-escritas (inorgânicas. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Canotilho. democrática. rígida (ou super-rígida). e não de apenas uma ideologia. dogmática. codificada. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. o Estados. o Municípios.: a CR/88 é ainda Eclética. dogmáticas.: art. Históricas. votadas ou promulgadas). Democráticas (populares. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos.

por ser rígida. No topo. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . por 3 níveis hierárquicos. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. direitos fundamentais ou não. se tiver também supremacia formal. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. estaduais. tem de ser. enquanto as regras são mais específicas.: decretos e regulamentos. que existem como complementação dos ANP). 59. princípios ou regras. CR). do Senado e do Congresso Nacional (☺art. a Constituição. a Constituição tem que ser rígida. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. porque os princípios têm maior amplitude. sejam elas originárias ou derivadas. ordinárias e complementares). as derivadas (art. LC. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. que a CR/88. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. Leis Delegadas. basicamente. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários.343/SP. uma Constituição só possui relevância sociológica. encontram-se as normas constitucionais originárias. as medidas provisórias. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. cujo fundamento de validade são as leis e. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. para fins de controle de constitucionalidade. Para que exista supremacia formal. distritais e municipais. Importa dizer. 59. obrigatoriamente escrita. DL e Resoluções – ☺art. 59. o indireto. MP. §3º). 5º. No entanto. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. as leis delegadas. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. II a VII).

esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. a previsão constitucional exige complementação.status constitucional. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. 69. que regula a LC. No caso da prisão civil por dívida. Leis delegadas. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Não varia. OBS: O art. ela não pode ser tratada por leis ordinárias.☺Art. Essa aprovação não é obrigatória. mas somente uma recomendação. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Lei ordinária Art. 47.☺Art. Residual. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Portanto. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Por ser uma matéria reservada. é sempre o mesmo número ☺Art. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Anotar como complemento posteriormente. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). No entanto. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). por uma questão de economia legislativa. Reservada pela CR/88. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . MPs. 69. 47 é a regra geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Quando não exigir LC.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada.

30 (assunto de interesse local). não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). 25. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. assim. III. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. a competência para resolução é do STF. DF). Assim. no caso de repartição vertical. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). Hierarquia entre Lei Federal.: lei estadual trata de matéria de competência da União).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Assim. Havendo conflito (ex. d. 16 . Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. ☺Art. há hierarquia. • União – ☺Arts. não cabe ADIN. CR. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. E. 102. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. pois não está ligada diretamente à Constituição. como o controle exercido será de constitucionalidade. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. conforme previsto no art. • Estado – ☺Art. Parei aqui. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). 21.

portanto. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. contudo. etc.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). visando assegurar a supremacia da constituição. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. quando são equivalentes às EC. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. b) Parte permanente = normas gerais – arts. Tirando o preâmbulo. os TI de direitos humanos. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC).Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). tem função interpretativa). OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. ou seja.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. inclusive os princípios implícitos também podem – ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Com a EC/45. é diretriz hermenêutica. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. mas também o preâmbulo. como para Canotilho. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. seja uma norma de referência para ele. Refere-se. . tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). Assim. Abrangeria não somente a constituição. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. o CDC. Como não tem caráter normativo. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. . Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Não existe. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. 17 . . deve estar inserida no texto da CR.

: competência privativa do PR (☺art. e Não Bastante em Si. quando não é respeitada uma norma de competência. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. A omissão parcial nada mais é que uma ação. §1º.de princípio institutivo (Obs. ou seja. Não Auto-aplicável. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . 69 – desrespeito a quorum de aprovação.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Ex. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. pois. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Ex. 61. Aqui. . 3. Dependem do prisma de observação. Pode ser: . as Súm. o Min. mas o prof. Ou seja.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. se considerar em relação a uma expressão é total.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). não será cabível mandado de injunção. . não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. Ex. 5° a 17).2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Assim. No STF.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. MI. 3. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). 5. AIO. Obs. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. ou seja. ADC e ADPF.de princípio programático. 3. 18 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 4 e 5. não pode ser suprido pela sua sanção). (Obs. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art.: a Súm. Não Auto-executável. STF não é mais aplicada. às vezes. há uma divergência na doutrina. ADI. Assim. 154. Formas de Inconstitucionalidade: 3. art. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ocorre.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. CR). Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. I – que exige LC para instituir impostos residuais). mas caberá ADIN por omissão). A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. aliás.

Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. Relaciona-se. Quando se fala em inconstitucionalidade.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. ou seja. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. como altera sentido do texto. CR.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. já sendo inconstitucional desde a sua origem. não se trata de revogação. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. o que houve foi um desrespeito à Constituição. que só pode atingir todo artigo. pode ser questionado. decretos regulamentares. não pode ser retirada). toda alínea ou todo inciso (☺art. ou seja. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. No caso da lei. 3. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. de ofício ou a requerimento da parte. Para o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. b. refere-se. todo parágrafo. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. a inconstitucionalidade será direta. ato originariamente constitucional. o decreto se torna inconstitucional. atos previstos no art. Ex.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). desde que estes estejam diretamente ligados à CR. aos Atos Normativos Primários.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. no controle concentrado abstrato.: a palavra “não”. § 2°). Assim. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. Ex. Obs. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. 66. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. que se ligam indiretamente à constituição. Se o decreto é ilegal. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. reflexamente (ou de maneira 19 . pois. Segundo STF.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Pode ser: b. No caso do decreto. 59. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. e grande parte da doutrina. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. a inconstitucionalidade será indireta.

: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. como pelo PE e PJ: . inciso ou alínea). §2º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. Caso contrário. mas uma mera análise política. é excepcional. O chefe do PE. prevenir que a CR seja violada. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade.ou concreto. 60 parag 4. que se exerce através do veto (☺art. 66. segundo o STF.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. 84. é fundamento de validade direto e no 2° caso. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. 84.sancionar. pois pode ser derrubado (☺art. CR. assim. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. a inconstitucionalidade será direta. promulgar e fazer publicar as leis. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo).. No 1° caso. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. CR).Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. quando ele participa do processo legislativo. o projeto 20 . não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). viola o art. não pode impetrar o MS. mas sim analisar cada caso concreto. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo).Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. ele não precisaria impetrar o MS. IV . tem fundamento de validade indireto.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Trata se de um controle incidental. EX:art. O veto é relativo. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. 66. ela não está violando o direito de ninguém). parágrafo. porque o chefe do PE. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. se ele entender que o projeto é inconstitucional. OBS: não adianta decorar o nome do ato. . IV. O veto tem que ser expresso. portanto. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. por isso ocorre antes da promulgação da lei. Art. embora participe do processo legislativo. porque o ato não fere diretamente a CR). CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. porque ele é o único que participa do processo legislativo. . a inconstitucionalidade é indireta. já que de maneira indireta. Obs. O único legitimado para impetrar esse MS. por isso aqui não há que se falar em controle).

pode ajuizar uma ADI. vinculam os atos e procedimentos legislativos. mormente. o Senador. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. na linha do voto de Gilmar Mendes.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. desta feita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. secreto. tendo como objeto esse Dec. somente o Deputado Estadual. que é o chamado Decreto Legislativo. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. No entanto. 49. Se o projeto tramita na CD. V. 68. vedando-se. etc.. se está no Senado. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. CR. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. mas um processo legislativo constitucional. ou seja. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Na verdade. universal e periódico. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . interpretações regimentais. 168): o STF. Leitura do livro do Lenza (pág. os direitos e garantias individuais” – ou seja. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. V . Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. o PR elaborará então a LD. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. §4º. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). as cláusulas pétreas. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. 60. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. Legislativo? Sim. Ademais. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. 21 . na qual o projeto esteja tramitando. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. a fim de repará-la. por maioria de votos. Questão: o PR. contudo. Assim.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. se na Assembléia Legislativa. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). constituindo-se normas constitucionais interpostas. já que trata-se de um ato normativo. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. muito embora não sejam formalmente constitucionais. que. ☺art. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. a separação dos poderes. ADC ou ADPF. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. o voto direto. e as normas do RI são questões interna corporis). aos direitos fundamentais”. que entende que “. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. pois não se trata de ato normativo. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. em um primeiro momento.. não lhe cabendo. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação.

084). expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). o chefe do PE teria que. 71. CR). O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. por ex. quando.. GE. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. nesse caso o CN pode editar um Dec. II) art. clara e evidente – ou seja. ela deve ser objeto de controle.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. CR). é necessário fazer-se um controle repressivo). pois. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. mas tão somente aos prefeitos. já no STJ não há qualquer ressalva. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. STF: o Tribunal de Contas. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. ajuizar uma ADI. . através da edição de um Decreto. simultaneamente. Após a CR/88. ao fazer um Decreto Regulamentar. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. 4. O TC é órgão auxiliar do PL (art. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). III) Súmula 347.. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). pode o PJ analisar tais pressupostos. Não se analisa o mérito da MP). IV. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. O chefe do PE (e só ele – PR. Legislativo para sustar. no exercício de suas atribuições. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. 62. não havia relevância alguma). suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Gilmar Mendes. 84. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Ele será. tampouco que o PR. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Apenas excepcionalmente. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. mas segundo o Min. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. esse rol foi ampliado. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. nesse caso. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. ou seja.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. segundo o STF? Resposta: em regra. Assim. estudado de forma detalhada a seguir. exorbita os limites do Poder Regulamentar. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. ao negar cumprimento à lei. não é um entendimento consolidado. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. porém. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. Antes da CR/88. Obs. .. No entanto. Desde já. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. só havia um legitimado para propor ADI (PGR).

difuso e concentrado). de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. mas das espécies de controle.S. em 1920 (bem depois do controle difuso). porque significam coisas diferentes!). Por isso. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. 1792 Hayburn s case. Ex. em se tratando de lei nacional. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. No Brasil. ao mesmo tempo. dentro de sua competência. ou seja. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. com 19 anos de Constituição. Segundo caso. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. em 1803. já foram feitas 56 EC! 23 .: na Suíça.: França – que tem o Conselho Constitucional. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. inclusive o STF). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. que completa este ano 20. porque surgiu na Áustria. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. já na CR/88. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). quem exerce o controle é o PJ. porque surgiu nos EUA. Obs. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. É também chamado de controle aberto. se se tratar de lei local. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. para não gerar essa confusão. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. e é adotado pela maioria dos países europeus. isso não é verdade. o controle é feito pelo PL.Hilton x U. Primeiro caso. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. haviam sido feitas apenas 16 EC. interessante: em 1965. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. 4. Por isso.A.

O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Com base nesse argumento. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. Da mesma forma. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. sendo o controle 24 . Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Este efeito é típico do controle abstrato. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Por isso o Min. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). 102. ou seja. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. A análise da lei sempre será feita em tese. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. nos EUA chamado de “Binding Effect”. por ser uma relação vertical. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. se fala em efeito vertical. No direito brasileiro. 97. porque em estando revogada. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. A finalidade não se confunde com a competência. e a partir desse antecedente. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. No Brasil. é proteger as normas da CR. mas tão somente de controle concreto. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). (O STF é o guardião da CR – art. o principal defensor dessa tendência é o Min. O efeito vertical. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. mas deve ser estendido ao controle concreto). ou tendência de verticalização. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Gilmar Mendes. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Segundo este instituto. também não podem ser objeto de controle abstrato. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano).

esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. e não erga omnes. então não sabemos a posição dos demais ministros. 52. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). houve decisões proferidas em 3 MI (712. Antes.917/SP. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. do PL. Então. Gilmar Mendes (e também o Min. tendo efeito apenas inter partes. não há necessidade da suspensão pelo Senado. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. ou seja. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. em ocorrendo isso. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Assim. Por fim. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. CR. Na decisão do STF. O Relator da Reclamação foi o Min. E. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. não permite essa mutação). No Legislativo: Mas. em seu voto. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). 4. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Não houve reclamação quanto a essa decisão. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. sendo acompanhado pelo Min. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. segundo ele. não uma simples mutação. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). ou seja. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Então o Min. o direito de greve dos servidores públicos. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Pois no controle difuso. ainda.959/SP. pelo menos por parte de alguns ministros. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. ou seja. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Eros Grau. Assim. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. se assim fosse. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. 25 . disse que apesar de ser um controle difuso concreto. como a decisão tem efeitos inter partes. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Por fim. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. X. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. que deu provimento à reclamação. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. viola o princípio da igualdade. como fica o papel do Senado Federal? ☺art.335/AC). pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). sem que ocorra modificação no seu texto. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. ou seja. Gilmar Mendes. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Gilmar Mendes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. o Min. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Outra situação interessante foi o RE 197. No Acre. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira.

fundamentação e dispositivo. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. analisado no dispositivo (conseqüente). O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. O papel do STF não é julgar litígios individuais. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes.art.417/0 e Lei 11. por sua vez. não precisam chegar até o STF. o que se dá no “plenário virtual”. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. a rigor. Num segundo momento (conseqüente). a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). ou seja. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. § 3°. (☺ Lei 11. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . atualmente. O RE. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. político ou jurídico.418/06). pois tem o papel de guardião da Constituição. Segundo Eduardo Appio. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. é um instrumento de controle concreto e há.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. não é o objeto principal do pedido. não cabe ao STF analisar. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. estão os procedimentalistas. somando-se os votos de todos eles. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. julgando-o procedente ou improcedente. Contrários a essa tendência de abstrativização. No controle concreto. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. eles não se reúnem fisicamente. 26 . O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. concorda com isso). é uma questão incidental. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. por estarem mais próximos dos indivíduos. mas apenas a causa de pedir (antecedente). uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. A repercussão geral (art. social. 103-A). A súmula vinculante tem natureza constitucional. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. 102. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. não tem natureza processual como as súmulas comuns. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade.

Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. questões ditas de passagem. ou seja. 102. mas também à fundamentação.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . art.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante).17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . P. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. mas tão somente a ratio decidendi. 28. não determinantes para a decisão) não vinculam. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.868/99 – Lei da ADI e da ADC. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. . art. conforme está previsto no caput do art. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Ademais. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . o efeito vinculante atinge as normas paralelas. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. Dispositivo L. a chamada eficácia vinculante.I.erga omnes . eles também são vinculantes. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. secundárias do julgado. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. .: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. §2º. sejam poderes públicos. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.: . 10. há previsão não só na lei como também na CR). O próprio STF já proferiu decisões divergentes. sejam particulares. a razão determinante da decisão. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.Lei 9.vinculante. 5. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. 27 .EC 45/04: art. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. e ele se encontra no Dispositivo.Lei 9. . . Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. 102.882/99 – ADPF.U. Sendo assim. .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.

mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. É um entendimento que vem desde 1. Por este entendimento. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. Só atinge a norma impugnada. e outros dizem ser um ato anulável. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. (20/03/09) 5. pode modificar seu entendimento. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis.o PL (na verdade. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. mas os sistemas de preclusão processual. também fica vinculado).Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. estes estarão sim vinculados). até que o PJ a declare inconstitucional. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. Respeitando o efeito vinculante. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. Obs. como a coisa julgada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . no caso Marbury x Madison).Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. suas turmas e seus ministros. . inclusive o Tribunal de Contas. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. estadual e municipal). . não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. que se quiser. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. mas sim fiscalizatória. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. 28 . No entanto. segundo o prof. já os órgãos fracionários do STF. pois atinge apenas o dispositivo. inclusive os chefes do PE. a função legislativa).803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. se as leis devem ser cumpridas. cuja função não é legislativa. mesmo que não tenham sido impugnadas.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. impedida de evoluir). Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. .Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. outros dizem ser nulo. . a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). . por sua vez.

os efeitos são erga omnes).. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. poderá o STF. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. Ou seja. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. como a Lei 9. Exs. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. portanto. no caso do controle abstrato.Normas anteriores à CR.882/92 (art. 11). resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (.. que revogou a Lei A. com seus normais efeitos ex tunc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. O STF.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). o Min. não precisariam deixar os cargos. Assim. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. por questão de segurança jurídica.112/90. 27). . Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. com inteiro teor). as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. o STF. como os servidores agiram de boa-fé. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. Visto a natureza do ato inconstitucional. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. . ☺RE 197.)”. Mas. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). ou 2) excepcional interesse social. ☺art.868/92 (art. assim. o efeito que produzirá. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 .” .917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. autor e réu. decidiu que. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. etc. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). não admite a “constitucionalização superveniente”. Lei 9. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. 27. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. como regra é retroativo: ex tunc. portanto.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. e não no de não-recepção).). Neste caso. porque o ato é nulo desde a sua origem.

O Tribunal precisaria observar . Segundo o STF. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. 68. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.: a norma x tem dois significados possíveis.O Tribunal não precisaria 30 . 134. 5. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). portanto. chamada “Apelo ao Legislador”. com um só sentido). entende-se que a norma (B) é inconstitucional. . desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. . Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. (A norma já passou pelo crivo da constituição. quando todos os Estados tiverem DP. um significado A e um B. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. Assim. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). o resultado será o mesmo. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. reproduzida pelo STF).2: art. era uma questão “obter dictum”. mas. controle difuso-concreto. ex. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. ela progressivamente se tornará inconstitucional). mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . mas sua interpretação). para que este corrija a norma. portanto foi recepcionada. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo).1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. constitucionalidade. Ex. que trata da ação de reparação ex delicto. CR x art. de fato.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. assim. não foram todos os ministros que se manifestaram). com condições de trabalho iguais às do MP. quanto . pelo MP – a competência é da DP e não do MP.Corresponde a um juízo de . CPP. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. à medida que a situação fática for alterada. depois de ter sido recepcionada. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. Em alguns casos. e a norma já foi recepcionada pela CR e. Ex. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. mas nem sempre. o prof.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. evitando a inconstitucionalidade progressiva. portanto.Corresponde a um juízo de . em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex.

declarar a inconstitucionalidade. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. 3º. (*) Para o STF. . . de ofício. .É uma técnica de decisão judicial. b) Com redução de texto: b. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). . Trata-se de controle abstrato. no controle concreto. ou todo o artigo. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). portanto. o texto da norma. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. . . não poderá. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. observar a cláusula da reserva de plenário (*). por arrastamento. são excluídas as demais. no controle abstrato. O STF. total ou parcialmente. Assim.É excluída uma determinada interpretação. 1º ou do art. a cláusula de reserva de plenário. 97). como ambas são equivalentes. 2º for dependente do art. 1º e 3º e. nem sobre os demais. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. Obs. esta só se faz necessária quando se afasta. mesmo que não tenha sido questionado. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs.É permitida uma interpretação e.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. 2º. Na declaração com redução de texto. se manifestar de ofício sobre o art.Não há qualquer modificação no texto da norma. do art.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). portanto. da Lei x. o juiz pode. dentro de uma mesma lei). em princípio. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. ser objeto de ADI.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. b. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. se for um dispositivo autônomo. Ocorre que. e são permitidas as demais. desde que não altere o sentido do restante da norma. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. em regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. de ofício. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). se o art. no controle concreto. em razão do Princípio da inércia. não podendo.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. 2º. 2º. ou seja. . 1º e 3º. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. o juiz não pode.

e por arrastamento. apesar de sozinho não ter aplicação. Sobre o tema: 32 . ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. O pedido será a proteção de direitos. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI).1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. julga também inconstitucional o decreto. porque. portanto. mas é que esta não é necessária. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. mas também quando há usurpação da competência do STF). pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. todo controle difuso é concreto. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Assim. Mas nem todo controle concreto é difuso. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. neste caso. portanto. já que o STF pode. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. de ofício. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. ACP para fechamento dos bingos. Ex. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Ou seja. julgará procedente ou improcedente o pedido. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. No Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. mas apenas a causa de pedir. pois será uma questão discutida incidentalmente. Neste caso. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. O dispositivo. ADCe ADPF). Contudo. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Obs. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. dentre elas a ACP. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina.

por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. os Tribunais não têm admitido que. porém. elaboração de Regimento Interno. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF).159. por entendê-la inconstitucional (inter partes). 93. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Os juízes singulares podem. de efeitos concretos. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. em defesa de contribuintes. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. no âmbito dos Tribunais. as chamadas leis de efeitos concretos. teremos uma lei material. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. o que só se pode obter por meio de ADI. Regra da “full bench”. que é mais de 50% dos presentes). porém. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Assim. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. que é função legislativa. XI – órgão especial: para que seja criado. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. não pode ser delegada. também não pode ser delegada). é função possível de ser delegada. conseqüentemente. 97. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). e no mínimo 11 membros.022. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. ☺art. Assim. 97. 294. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. na prática. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. STJ ☺ RE 227. Assim. STJ ☺ Resp. Nada impede. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). por meio da ACP. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). no caso. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa.646. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. porém. assim. 33 . 557. Segundo esta cláusula.. desde que.: eleição do Presidente do tribunal. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. No tocante. Em outras palavras. que é função política. por exemplo. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. pois. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha.

como guardião da CR. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. Quanto à 2ª exceção. de acordo com o posicionamento do STF.. O professor não concorda. Decidido o antecedente.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. ou em caso de interpretação conforme.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. se entender que a lei é inconstitucional. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. Exceções: P. P. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. no entanto. se existir no Tribunal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. ao órgão especial). porque para o STF ambas são equivalentes. 481. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). assim. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. sabe-se que o STF é o guardião da CR.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. 97. sob o argumento de que o dispositivo (art. se for acolhida. 34 . dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.U. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. CPC) seria inconstitucional: o art. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. Há quem critique tais exceções. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. podendo decidir o caso concreto.. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. Há uma repartição funcional de competências. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). abstratamente.. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. 481. a argüição de inconstitucionalidade (. Assim. pela maioria dos seus membros. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. ☺art. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. prosseguirá o julgamento. será lavrado o acórdão. .U. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário).

a lei deixa de ser aplicada. ela se refere à decisão do STF. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. É o entendimento mais correto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. A cláusula vale também para o controle concentrado. O SF apenas suspende a lei. como se tratasse de uma revogação. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. bem como ou STF. Ademais. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. A suspensão se dá através de uma Resolução. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. O STF já admitia essas duas exceções. CR – compete privativamente ao SF suspender. X. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. entendem que se trata de um ato discricionário. não estando vinculado à decisão do STF. Quando o SF suspende a lei. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). em regra. esta decisão deve ser submetida ao plenário. por isso o faz dali em diante. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. que não comporta delegação. Efeitos. art. passa a ter efeito erga omnes. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. Outros autores. RISTF. O SF não é obrigado a suspender. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Ou seja. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). trata-se de uma competência exclusiva. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. no todo ou em parte. o SF não pode suspender toda a lei. quando isso ocorre. 2) Outros autores. a decisão do STF. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. que não pode ser retroativa. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 35 . 178. portanto. sustentam que o efeito é ex tunc. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). ou seja. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. se assim o fosse ela já seria vinculante). Na verdade. 52.

o SF só poderá suspender a lei por inteiro. um RE para o STF. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. etc. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. e se o STF. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. não se referem ao âmbito estadual e municipal. 52.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. desta decisão proferida pelo TJ. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). obrigatoriamente. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. 66. deve-se recorrer ao entendimento do STF. Nas situações em que o TJ julga. o que. Neste caso. configuraria uma mutação constitucional. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. sendo norma de observância obrigatória. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Mas. já o SF não. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. ou seja. pela simetria deve ser atribuída ao governador. LC. a resposta é negativa. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Ressalta que a letra da norma (art. §4°. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. 59 e segs. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. a partir do momento que resolve fazê-lo. CR. 57. É uma construção da jurisprudência do STF. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). não havendo a necessidade de suspensão da lei. Gilmar Mendes. se toda a lei foi declarada inconstitucional. normas referentes ao TCU. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. já que o SF não atua de forma correta. Por isso. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. em razão do princípio da simetria. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Na ADPF este fenômeno também é possível. por ser um órgão do PL Federal. se for apenas uma parte. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. Art. Segundo o STF. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. O SF. RISTF) – e isso é óbvio. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. está fazendo uma análise. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Quando se fala em decisão definitiva do STF. segundo o Min. mas. CR: prevê o escrutínio secreto. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. requisitos para a criação de CPI. cabe. 178. Art. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. esta norma não é de observância obrigatória. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. LO. CR) não comporta este entendimento. cujo modelo. no controle difuso-concreto. Segundo o professor. esse entendimento é desejável. 61: iniciativa do presidente. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional.

19. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). no controle abstrato (ADI. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. do DF e até municipais. pelo Senado Federal.: CTN. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. mas não trata apenas dos interesses da União. por isso pode suspender leis também dos Estados.: art. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Quando o SF suspende os efeitos da lei. como aos Estados. só se aplicando ao âmbito federal). mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). está defendendo interesses apenas da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. estadual e municipal. Assim. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. portanto. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. no todo ou em parte. Ex. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. outros 37 . Ex. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. X. 58. quando o SF atua. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. Classificação de Osvaldo Aranha B. §3º. não havendo. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF.). ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. 59. também. Sabe-se. sendo específica para os servidores públicos civis da União. visto que. É também uma lei emanada do CN. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). da organização da União. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. o SF teria um número enorme de representantes). porém. 37.: arts. por não existir uma federação de municípios.: Lei 8. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Ex. que deve ser observado no âmbito federal. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Ex. retirando a lei do ordenamento jurídico. ADC ou ADPF). Quando o SF atua como órgão federal. 52. art. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). estadual. os que tratam do TCU. etc. distrital e municipal). a suspensão. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc.” Análise do enunciado pelo prof. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. se aplicando ao âmbito federal. por isso pode suspender lei estadual e municipal. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. assim. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). São os dispositivos que se referem tanto à União. CR).

se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. visto que. . na sua esfera de competência. visto que. de 10/10/1997. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2.346. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Embora não haja consenso. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). de fato. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF.346. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. é a AL que suspende a lei. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). então. não retroativos). no âmbito da AP Federal. é sempre a AL que suspende a lei. é a Câmara Municipal. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. Poderá. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. pró-ativos (ex nunc).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. Entretanto. da AP Federal direta e indireta. MS. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Segundo o STF. porque o seu parâmetro não é a CR. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. adotou-se. 2º grupo: . d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Portanto. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. os dois tipos são constitucionais. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. RN. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. em decisão definitiva. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Com efeito. declarando uma lei inconstitucional. 38 . mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). TO. SE e AM. por força do referido Decreto nº 2.

AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). obviamente.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. e não do trânsito em julgado. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. Por se tratar de um processo de índole objetiva. ela é meramente jurisprudencial). se concentra em apenas um Tribunal – o STF. tendo partes – autor e réu. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). deve haver a previsão da legitimidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual.ADPF. de acordo com essas leis. . (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. a competência é do TJ). 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. a ampla defesa. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. não cabe. mas sim legitimados. Como são ações de controle abstrato. e . a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . 4) Recurso da decisão de mérito. 5) Ação rescisória. em seu art. ☺Lei 9. 103. que são a União e os Estados).ADC. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. ou na CR ou na lei. onde não existem partes formais (autor e réu). → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. 39 .2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). Obs. o duplo grau de jurisdição. A Constituição. . traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).

é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. confederação regional: F. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).S.Os GE. Os demais podem fazê-lo sem advogado. Obs.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. Para ter âmbito nacional. Executivo PR GE – GDF P.A entidade de classe. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. CS e ECAN.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. . . . para ter legitimidade.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.Confederação sindical significa de âmbito federal. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).A norma do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. . .. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. a partir de então. . ou seja. confederação local: sindicato. Assim. . a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). . Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). segundo a jurisprudência do STF: . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).

pois geralmente está abaixo do decreto.TIDH (3/5 e 2T) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . nas normas que tratam de outra matéria). Não serão objeto de ADI e ADC.Norma formalmente constitucional . Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. como por ex. 1º. 5º. ele poderá ser objeto. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. são questões próprias de RI. o RI pode. geral e abstrato. I.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. 41 .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). admite-se o seu controle. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. por isso não é ANP). o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. decreto regulamentar. direitos e garantias fundamentais.: decreto regulamentar do PR.☺art. para ser objeto de ADC e ADI. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. a.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). Obs. OBS. 102. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. Lei 9. ou seja. 102. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. sem interferência do PJ. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . a. Ex. . . questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. I. todas estão no mesmo nível. §3º . caso o decreto emane diretamente da CR.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. . as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade).

CR. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. como está havendo uma influência de um controle no outro. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. ou seja. da mesma forma na ADPF. Atuação do PGR: ☺art. leis suspensas pelo SF. No caso de emenda. só podendo ser objeto de controle difuso.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Gilmar Mendes e de um prof. o STF admitiu. na outra.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. 103. é preciso primeiro ser transformado em EC). devendo ser de todos eles intimado. se um novo PGR o substituir. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. salvo embargos de declaração. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. e. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. . leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. poder-se-ia admitir o veto jurídico. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. Tem status de ministro de estado. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). 103. § 3° é uma função especial. ainda. posteriores a 5/10/88. STF). Lembrar que não cabe assistência. pois não produzem mais efeitos. O PGR atua como “custus constitutionis”. Obs. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. ele vai atuar como fiscal da Constituição. não pode ser objeto de ADPF: . . A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). Mas. portanto está subordinado ao PR. Hoje. sem exceção. A função do art. não ameaça mais a supremacia constitucional. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). §3º. de defensor legis. Assim. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . por analogia. também poderá dar parecer em sentido contrário. segundo o STF. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. ainda que ele proponha a ação – ou seja. 42 . Lei do DF não pode objeto de ADC. §1º. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo.Súmula. se seu entendimento for diverso. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). 103. Atuação do AGU: ☺art. CR.leis revogadas. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. intervenção de terceiros e recursos. pode ser qualquer ato do poder público. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. medidas provisórias revogadas. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Função geral do AGU (art. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações.

nos estados que adotam a commum low. não precisará do AGU para defendê-la. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. o AGU não será obrigado a defender a lei. a Lei 8. 31). CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). ☺ art. A previsão expressamente contida no art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. §2º da Lei 9. 7º. . só vai contribuir para a decisão do tribunal. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). 43 . portanto. Posteriormente. mas não têm nada haver com amicus curiae. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. disciplinou a figura.868. É muito comum nos tribunais internacionais. Não há previsão para a ADC e ADPF. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9.868/99 -☺art. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. §1º e art.868. por analogia.385/73 (☺ art.884/94 (CADE). Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. A audiência pública está prevista na Lei 9. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Importante: ainda que como Advogado da União. o AGU até poderia participar. Tem natureza de auxiliar do juízo. A exposição dos motivos da Lei 9.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. 9. de “defensor legis” e. em seu art. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). 6º. art. 482. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. art. Mesmo sem previsão legal. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Quando o AGU desempenha essa função. §1º. Está desempenhando uma função especial. Cabe também na ADPF. Foi introduzida pela Lei 6. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). 7º.868. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. sendo feita por toda a sociedade. Na ADPF. Mas atenção: existe um outro instituto.868/99 vale só para a ADI. 89. seria “amigo do tribunal”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). por fim. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Ele não é alguém interessado na causa. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). em especial no direito norte-americano. §1º. 7°. Na ADI por omissão. não há o que se defender. §3º. §2º e art. Portanto. 20. Ela já existia antes. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. o das audiências públicas. “amigo da corte”. Nesse caso. Amicus Curiae: Em uma tradução.

Foi uma exceção. . Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. pois admitiu pessoa física em controle concreto. O juiz de primeiro grau.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. M. Para o prof. ou seja. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Surgiu com a EC/03. cabe amicus curiae. portanto. Mas depois que a lei foi feita. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. não tendo partes. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. J. I. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos).Com relação à presunção de constitucionalidade. Apesar de que era relevante. Barbosa e E.102..: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Obs. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF.868/99. É. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. admitindo prova em contrário. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. ressalta-se que esta é apenas relativa. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. em despacho irrecorrível. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . por ex. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. segundo o professor. “a”. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. poderia afastar esta presunção. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. ou seja. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. Marco Aurélio não admitiu. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Gracie).não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. . Aurélio. Lei 9. R. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. é um equívoco. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Lewandowski. porque iria envolver matéria em relação à vida. (Obs. Quando 44 . O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). . (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Mello. autor e réu. seria uma exceção). o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. a mais correta. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator.

868/99. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. Cabe prorrogação.Cláusulas Pétreas. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. nas outras ações ela também poderá ocorrer). b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.868/99. Mas. o FHC ajuizou ADC. Gilmar Mendes. é mais restrito: somente a violação. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC.Princípios Constitucionais. Através do AGU. 34. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. VII).U. . Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. 45 . II. 14. em seu art. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR).Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). e . a Lei 9. não há que se declarar uma lei constitucional). nos quais a lei esteja sendo discutida. P. ADPF: ☺ Art. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. e .882/99.14.21. os preceitos fundamentais são: .Princípios Constitucionais Sensíveis. Segundo a doutrina. O STF admitiu ☺Informativo 518.). Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.Cláusulas Pétreas. III).102. CR e Lei 9. no entanto. . Não é uma ação de inconstitucionalidade. na ADPF 33: . .Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.869/99. art. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. inclusive o Poder Executivo. §1º. portanto. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. . O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.Título I: Princípios Fundamentais. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. Como visto. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Portanto. art. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. . O parâmetro. .Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.

neste rol. 46 . os legitimados podem levar não todo o processo. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. Incluindo-se. podendo ser um meio de controle difuso. Ela vai ao juiz de primeiro grau. P. ainda.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Ex. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. Segundo Neri da Silveira. na ADPF. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. art. 1º.: gestante com feto com acrania. apenas o STF.882/99. 1º. Aqui. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.: surge a partir de um caso concreto. como guardião da CR. Proposta diretamente no STF. embora seja bastante difícil existir esse meio). Mas se algum dos legitimados souber da ação. Características: . dentro do mesmo tribunal. leva a questão ao STF através de ADPF. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. dentro do órgão judiciário). Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. 4°. Art. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 196 e ao meio ambiente.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. Obs. embora lá há uma vinculação horizontal. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto.: ADPF 54 (questão do anencéfalo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. ou seja. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.882/99). Um dos legitimados. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. O objeto pode ser da esfera federal. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. a vinculação é vertical. § 1° da lei 9.U. estadual e municipal. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar.

Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). . por ex. 102. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. I. O STF admitiu a ADPF.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. I. É a mesma da ADI. § 2º . governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). LXXI . h).conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. V). 129. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. § 4°. 121. Assegurar a efetividade de suas normas. 105.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. .Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). à soberania e à cidadania). TSE/TER (art. à soberania e à cidadania”. q). em se tratando de órgão administrativo. No entanto.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. 5°. o STF transforma a ADPF em ADI. É controle concreto. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). ADC e ADPF (art. 47 . . . para fazê-lo em trinta dias”.CR: STF (art. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. STJ (art.. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . Ex. II e III).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional.Admite-se a fungibilidade. É controle abstrato. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. Obs. coletivos e individuais indisponíveis (art. 103. mas a converteu em ADI. nas CE ou em lei federal). será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. 5°.

segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. O STF. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI.: na ADI 3682 b. portanto. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. não pode concretizar a norma. 5º. concretize a norma (faça a norma concreta). Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. em se tratando de órgão da AP. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. Obs. LXX: PP c/ CN. organização sindical. apenas razoável e não peremptório. competente de sua omissão (em regra. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. ou seja. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. público: MI protege dir. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b.Órgãos públicos.MI Coletivo: o STF o tem admitido. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. ECAN e associação c/ 1 ano). portanto não podem impetrar MI. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . no entanto. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. mas esse prazo era direito. fundamentais em face do Estado. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. Recentemente. Há. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. Se o PL) e. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. . (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. é b) Concretista: concretiza a norma. entes federativos e PJ dir. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. Mas atenção. ou seja. autores que admitem. mudou seu posicionamento. não pode fazer a norma para o caso concreto. recentemente.

Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. não cabe liminar (antes. 652. Portanto. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. CR (provimento. porque nem a AIO tem esse poder. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. o PJ. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. 36. ou seja. porque adotava a corrente não concretista). A omissão total não cabe MC. 2. ao mesmo tempo. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. VII). O STF adotou essa corrente no MI 232. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. A regra é o principio da não-intervenção. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. intervir nos Estados). 680. De acordo com esta concepção. ou seja.040). 708 e 712). Ela se subdivide em – geral e individual. nestes casos de omissão parcial. em um primeiro momento. ademais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). como regra. criando uma norma geral e abstrata. No MI. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. a intervenção é uma exceção (a União não pode. 34. III. ou seja. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. VI). de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. pelo STF. Surge a partir do caso concreto. Mesmo adotando a corrente concretista. O efeito seria apenas inter partes. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. 49 . se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. 34. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. Recentemente. Essa corrente é bastante criticada. e 2) recusa à execução de lei federal (art. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. o STF está atuando como legislador positivo.

3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. 36. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. CR. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. § 1°. O parâmetro aqui é mais amplo. 50 . Esta forma não foi prevista na CR. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). 127. ☺art. é claro. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. O STF é o guardião da CR. OBS. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. portanto. 35. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. O RE. que é o pressuposto para a representação interventiva. foi uma criação da jurisprudência do STF. §3º. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). CR. ☺art. se o STF der provimento à representação do PGR. além. 125. CR). e sim em face da CR. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. no âmbito federal). É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. As partes aqui são o Estado e o Município. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. o PR então poderá decretar a intervenção. STF). A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). nem no RISTF. É dispensada a apreciação política pelo PL. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. CR. da ADPF). será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. mas que surge a partir de um caso concreto. §2º. IV. no âmbito do TJ. mas sim. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. se violados. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. 614. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. Isto está previsto no art. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte).

em nome do povo. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. retira sua força do direito natural. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. corroborando essa perspectiva. editando a nova Constituição. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). o exercício dessa magna prerrogativa. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. expressa por meio de seus representantes. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. C. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Celso de Mello. É ele um titular passivo. que. Obs. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. pois o Estado decorre da soberania popular. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. mas jamais é quem o exerce. social e juridicamente organizado. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. cria o Estado. São apenas órgãos aos quais se atribui. Assim. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. é a nação. Está acima do direito positivo. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. a vontade do constituinte é a vontade do povo. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. em alguns casos. XVIII). segundo o abade Emmanuel Sieyès. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Schmitt). que deve observar o direito natural. Na 1ª etapa. um dos precursores dessa doutrina. ou seja. Modernamente. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Bonavides. porém. Para os jusnaturalistas. Portanto. que é sempre superior aos poderes constituídos. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. que formulou esta teoria no fim do Séc. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Assim. pode usurpar do povo a titularidade do poder. segundo o Abade Sieyès. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. analisa-se se o poder é legítimo ou não. por delegação popular.

Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. 3º. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Assim. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. já que o poder constituinte já é originário.: o prof.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . Portanto. Obs.Histórico . 11. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. 25. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. que é seu verdadeiro titular. para ser considerado legítimo. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. por conseguinte.Formal . a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. 60.Revolucionário . apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. art. Espécies Tradicionais: . tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Reformador (art.Revisor (art. CR) . ADCT) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. ADCT.Decorrente (art. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Material . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. há legitimidade objetiva. correspondendo aos anseios daquela sociedade. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Dessa forma.

b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. a nenhum pré-requisito jurídico. que substituirá a anterior. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Obs. ex. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). Obs. mas não a primeira e sim uma nova. ela nunca deixa de ser do povo. 1967/69. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. No caso do Brasil. independente e soberano. há alguns valores que são morais. 1937. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). GV). através da Constituição. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. Apesar de ser um poder incondicionado. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. foi criado um direito natural).: este poder tem este nome porque para o Direito. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). No caso do Brasil. . entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. através de normas constitucionais. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. O Abade Sieyes. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele.: se é um poder autônomo e incondicionado. 53 . No plano axiológico. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. é apenas uma classificação quanto ao momento. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. Ex. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. ou seja. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. b) é um poder inalienável. 1946. Obs. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). é ele que dá início ao ordenamento jurídico. não perde a titularidade do poder constituinte.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. 1934. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. O povo é o titular do PCOM. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. 1988. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824.

Ex. Dentro desse limite. 54 . contudo. A partir do momento que a CR surge. Ainda que o estado seja soberano. no art. Esta AL. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Não se trata de um limite jurídico. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. 25. No entanto. não concorda muito com isso. ☺art. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. na verdade. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). A CR/88. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. No caso da CR/88. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. mas continua a existir como característica essencial deste poder. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. ficando um pouco relativizada. a doutrina deduz deste art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. por se tratar de uma conquista da sociedade. Ex. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. ele encontra limites no texto da CR. Obs. na pena de morte. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). O prof. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. mas meta jurídico (fora do direito). 11 do ADCT. com os avanços da sociedade. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. as constituições estaduais não são recepcionadas. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. por ex. Fábio Konder Comparato fala. observados os princípios estabelecidos na CR. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. 25. De acordo esse limite.. Quando a CR consagra o art.

c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. processo legislativo (art. . V ???) I) Expressos na constituição: art. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 93. mas foi uma decisão super apertada (6x5). para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. §1º . 34. Mas. 75. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. 58.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. VII. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. §4º não é norma de observância obrigatória). CR.: presidencialismo x parlamentarismo). II) Implícitos: CPI (art. Estão presentes no art. CR. . ou seja. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. §4º. 61. vedada a recondução. 58. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. são essas as normas de repetição obrigatória.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. 59 e segs. 27.: ☺art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. e o STF decidiu que não havia problema. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. porque o art. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. 57. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. 57. composição. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. são as normas de auto-organização da União. § 3°). Obs. que se estendem aos Estados. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. Há dois grupos: (art.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. § 1°.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . Segundo o STF. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). por enquanto. Obs. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU).). Se subdividem em: 55 . diferente dos extensíveis.

é um poder jurídico (e não de fato). . . portanto.não é inicial. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. . . Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia..: art.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada.é condicionado. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. . Ex. 60..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .titularidade: é do povo.: art. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. CR.exercício: é pelo CN. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 34). As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 3°. ou seja. . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. portanto.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. CR.normas vedatórias: ex. 56 . DF e M. é conseqüente. Ex. no entanto. Trata-se de um poder previsto na CR e. 137). mas é possível deduzi-las. E. . §1º. e se for decretado o estado de sítio (art.).. 37. CR (é vedado à U.: os arts. 19. 136). uma limitação temporal para o poder revisor – art. 60.. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade.não é autônomo. ADCT). se for decretado o estado de defesa (art. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. cujo procedimento está previsto no art.normas mandatórias: ex. em qualquer estado da Federação (art.) – contém uma vedação expressa. .é limitado. . que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. decorre da lei e não da força. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.

possamos usar o procedimento previsto no art. sendo o art. não pode haver emenda de emenda. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). 60. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. ela será chamada de extraordinária. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. GE. P. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. Ex. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). DF e DE. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto.Além do PR. não promulga. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. a PEC será discutida em cada casa do CN. 57 . o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. proposta rejeitada no dia 15/01. b) o entendimento majoritário da doutrina. . Obs. para que. Este art. §5º. 44. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art.Feita a iniciativa. A Sessão legislativa (art. no qual há 4 sessões legislativas. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. §2º). Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. ☺art. . . 60. 61. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. apenas o PR. ademais. se a matéria for rejeitada. CR). no âmbito do PE. 60. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. 61. 60 (incisos I. no entanto. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. §3º. . . também chamadas de implícitas. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. §2º). 67. apesar de não existir previsão expressa. 62. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR.A última limitação formal objetiva está prevista no art. o STF e Tribunais Superiores. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. No caso de projeto de lei. . por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. . Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. 61 é a regra geral de iniciativa. no âmbito do PJ. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. não veta. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso.U. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. através da iniciativa popular (art. após a iniciativa. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. §10). também podem propor projeto de lei o povo. CR. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e.Discutido e aprovado. por fim. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). ☺art. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. no âmbito do MP. é o de que o art. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. que é o período de 4 anos do mandato do PR. assim. II e III) uma exceção à regra geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis.). A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. 60. do SF ou do CN. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. o PGR. 61. a PEC vai para a promulgação. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma).A nossa Constituição é rígida.

cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. c) Assegurar o processo democrático. o que é secreto é o escrutínio. c) Voto Direto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. 60. Expressas: ☺art.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. b) Preservar a identidade material da Constituição. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. não é secreto. 58 . mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). não podem haver alterações tendentes a aboli-las. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). CR. Secreto. 150. São as chamadas cláusulas pétreas. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. pois. segundo o STF. As cláusulas pétreas são. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Curiosamente. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. o que é universal é o direito de sufrágio.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. . Universal e Periódico: . que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. . a). A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. §4º. o voto não é universal. o direito de participar das eleições. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. mas sim. secreto. na verdade. universal e periódico. VI. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. que é o modo como se realiza o exercício do voto. Ou seja. ademais. Se elas não existissem. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível.

Um exemplo. Assim. CR. para posterior alteração do conteúdo. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. e por conseqüência. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. CP). far-se-ia uma EC revogando o art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides).Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. e não em direitos e garantias fundamentais. O prof. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. §4º. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. em princípio. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Mas o STF já considerou que o art. 60 seria CP. 60. A CR fala em direitos e garantias individuais. pois. 5º. Obs. inclusive. com a dignidade da pessoa humana. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. mas os demais não (ex. 60 poderia ser modificado. b. Os demais direitos e garantias fundamentais. ou.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. não seriam cláusulas pétreas. (23/04/09) 2. posteriormente. Ex. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. dispostos do art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Assim. todo o art. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. é CP. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. sendo uma garantia individual. CR. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . como um todo. O art. pois seria uma forma da fraudar a constituição. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. . Chama-se dupla revisão. ADCT). não tem nada a ver com CP). mas refere-se a uma reforma. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art.: primeiro. . 60. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. sistematicamente. Lá estão as limitações ao poder reformador.Há quem defenda.: FGTS. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. segundo a qual o art. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. não o serem). Os direito fundamentais se encontram. são CP. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. por uma questão lógica. 150. por isso. comportam diferentes interpretações. III. que não é unânime na doutrina. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. Para ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. é o art. não concorda. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). não alterando-o). 2º. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. 5º. CR). que proíbe a pena de morte.

Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). 5°.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. tem que haver previsão expressa na constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. em sessão unicameral. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. tem que haver previsão expressa na constituição. A limitação imposta no art. . de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. não abrangendo apenas leis em sentido formal. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . 60. mas seus efeitos surgem após a constituição. A retroatividade mínima é automática. Ex. XXXVI. Com relação ao assunto acima. c) Máxima: a retroatividade não é automática. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. excepcional e transitória de alteração da Constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. esse era o entendimento do STF. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. ☺art. não sendo um princípio absoluto. o STF tem entendimento unânime. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. O ato ocorreu antes. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. b) Média: a retroatividade não é automática. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. 3º. a constituição atinge prestações vencidas. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. portanto. art. Ex. Antes da CR/88. CR). contados da promulgação da Constituição. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. 3º. mas também emendas à constituição. O direito adquirido pode ser relativizado. Ex. mas ainda não pagas. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. em sentido formal. 3º. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. não abrange EC. Revisão é a via extraordinária. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido.

60. Além disso. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. §§1º e 4º). Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. ADCT. 61 . como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). especificamente. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. 3º. e de forma geralmente mais extensa. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. circunstanciais. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Não existe uma norma jurídica sozinha. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). eles são suficientes. Buscam os valores subjacentes à constituição. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. devido à complexidade da interpretação constitucional. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Imagine a Constituição norte-americana. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. 65 . Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Constituição da República. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. como início e limite para a interpretação. esse método também é conhecido como método valorativo. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). O grande problema é que. portanto. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. partindo da idéia de sistema. como todas as demais. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Toda norma está dentro de um sistema. mas apenas valores: o preâmbulo. Por isso. esses elementos são insuficientes. só tem alma. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. e os valores fossem o seu espírito. Ex: princípio da não contradição. para o direito público. É como se a norma fosse o corpo da constituição. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Por isso. X. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Esse método não é apenas sistemático. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. O texto da norma funciona. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. para o direito privado. é também o limite para a interpretação. aqueles desenvolvidos por Savigny. entra o elemento histórico evolutivo. Nele estão os valores supremos da sociedade. Além disso. É o início de uma interpretação. b) Histórico: no seu desdobramento. 52. e não isoladamente. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Ela não tem normas jurídicas. com algumas peculiaridades.

: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Isso gera certa instabilidade. pontos de vista ou lugares comuns. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Ex. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. de casos que comportam mais de uma solução possível. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). de argumentação. Este problema será solucionado pela argumentação. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). por ex. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. porque trabalham não com a idéia de sistema. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. cujo plural é “topoi”. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Ex. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. ou seja. Por ter uma feição mais política do que jurídica. da doutrina. o que geraria uma grande insegurança jurídica). do senso comum. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. certa insegurança jurídica. Problema é a questão difícil. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. pois comporta mais de uma solução possível). O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. 2. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. mais um 66 . Por isso. Assim. mas sim diante de problemas. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. dos princípios gerais do direito. ele também é conhecido como método sociológico. da jurisprudência dominante. que é apenas mais um topos. Se se permite interpretações divergentes. Assim. os quais são submetidos a várias opiniões. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. como ocorre neste método. enfraquece-se a força normativa da constituição. vence o argumento que for mais convincente. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Os topoi são esquemas de pensamento. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social.. Esses pontos de vista. como. os operadores do direito servem-se de topoi. que contraria o positivismo jurídico. Ex. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. ou a de que um é mais correto do que o outro).: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. lugares comuns. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. a favor e contra. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). → Crítica: feita por Canotilho. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. formas de raciocínio. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Violação de correspondência de presos.

e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. por serem métodos concretistas. A principal diferença. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Método concretista. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. quando se fala em hermenêutica. Não se pode separar as duas coisas. não podem ser utilizados de forma abstrata. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. 67 . se for caso de lacuna. é bom lembrar. e concretizador à aplicação. não se deve falar em interpretação constitucional. pois. Assim. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. mas em concretização). interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Além de serem métodos aporéticos. Assim. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. ao lado de Hans Kelsen. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. e o problema concreto a resolver. este método não poderá ser aplicado. a compreensão prévia do intérprete. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. que a questão não seja simples. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. de única solução possível. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. é preciso que haja um problema. ou seja. e sim na sua concretização. diferentemente dos dois primeiros. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Ocorre que. sua aplicação a casos complexos. são coisas diversas. Para este método. como já vimos. devendo-se fazer uso de outro método. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. ainda que dos mais importantes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. Hermenêutica e interpretação não se confundem. São métodos indissociáveis. Os métodos III e IV. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. na sociedade aberta de intérpretes. Ele parte. porém. são também métodos concretistas. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos).

é a realidade social tratada pelo texto da norma. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. 68 .Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). em regra.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Quando ele fala em democratização. ele dirige e. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. O texto tem duas funções muito relevantes. Assim. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). A democracia deve servir não apenas para a criação. . mas a toda a sociedade. Segundo ele. regulada pela norma. mas refere-se àqueles que podem interpretar. traduzido pelo Min. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. Não diz respeito aos critérios de interpretação. Friedrich M. que têm legitimidade para a interpretação. Para ele. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. é o comando que se extrai da norma interpretativa. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. por sua vez. Fala-se que são utilizados. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Ainda que a Corte seja o intérprete final.Elementos do âmbito da norma .Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . ao mesmo tempo. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Judiciário. aberta a toda a sociedade.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). Paulo Bonavides o tratar como um método. ele na verdade não o é. mas também na sua interpretação. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. O que ele chama de domínio normativo. Segundo o autor. a norma só surgiria após a interpretação do texto. Essas duas figuras podem ser. A norma é o mandamento. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . limita a interpretação. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. mas também para a interpretação da Constituição. bem como a quebra da unidade constitucional. Gilmar Mendes). O texto não tem o comando. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Na prática. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse.

Esta questão está ligada à separação dos poderes. surge o Positivismo Jurídico. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Em virtude do caráter normativo dos princípios. 3) Existe uma única resposta correta. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Entende que. 69 . mas de forma concreta. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Assim. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. surge a idéia de norma (gênero). vinculante e obrigatória. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. o poder legislativo é claramente fraco. quando interpretada. do povo. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. preocupado com a segurança jurídica. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Segundo Conrado Hubner.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). sem modificá-la. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Na verdade. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Assim. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Por isso o judiciário tem ganhado força. A norma. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. como a constituição é feita por representantes do povo. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. que se subdivide em princípios e regras. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). no Brasil. Também denominado de originalismo. bastante discutido nos dias atuais. No pós-positivismo. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. os direitos têm que ser iguais para todos. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. textualismo e preservacionismo. que corresponde à vontade do constituinte originário. superado o valor da norma). Hoje. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. A segunda corrente. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Após. norma e fato. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo.

e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. → Princípios X Regras: . A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. . como elementos do sistema normativo constitucional: . O grau de abstração é a diferença. isto é. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. bilateral). e . normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. o que ocorre por meio da ponderação. ou seja. genérica.generalidade .Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. impõem resultados. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) .Regras. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. . peso ou valor. Assim. princípios são “mandamentos de otimização”. Ex. . que apontam para o sentido contrário. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. há uma subsunção lógica. Para Habermas. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Elas se aplicam de acordo com a subsunção.: aposentadoria compulsória.Princípios. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Eles não definem a medida exata. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. mas a medida do possível. Ambos são normas. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. 70 . ou seja. imperativa. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). caso a resolução seja feita com base na hierarquia. será invalidada. dentro do gênero norma jurídica. que envolvem a aplicação deste princípio. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. quando se vai aplicar um princípio.dimensão que eles ocupam (Alexy) . é preciso saber quais são as normas opostas. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Alexy afirma haver exceções. → Regras: são “mandamentos de definição”.Postulados. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Segundo Robert Alexy. As regras possuem aplicação automática.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. em havendo um conflito no âmbito da validade. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). A norma é um gênero e. impessoal.

Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Os postulados são denominados. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. 71 . Não estão na constituição. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Eles não apontam um fim. nem estabelecem competência ou conduta. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. de modo a realizar os valores nela consagrados. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. É um conflito sempre no caso concreto. mas não têm a mesma função dos princípios. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Com base nessas premissas. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. também conhecido como antinomia de princípios. será feita a análise de alguns postulados que. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. como princípios. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Mas e os postulados? Segundo esse autor. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Ex. Nesse aspecto. interpretação conforme a Constituição. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica.: proporcionalidade. embasados na supremacia da Constituição. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. pela maioria da doutrina. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Segundo a LICC. cronológico e da especialidade. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. por isso não são aplicados diretamente.

É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. excepcionalmente. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. o Poder Judiciário. Não se retira a lei do ordenamento. Toda Constituição tem supremacia material. se entendê-la inconstitucional. pois existe uma presunção de constitucionalidade. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Excepcionalmente. na dúvida. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. deve optar pela constitucionalidade. Se a constituição é a norma suprema. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. E. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. quando entender que uma norma é inconstitucional. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Essa presunção é relativa (iuris tantum). A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. presume-se que agiram de acordo com ela. No Poder Legislativo. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. No Poder Executivo. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. não tem como fazer interpretação conforme. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). A 72 . assim. para ter essa supremacia. Ele pode negar a aplicação da lei. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. No Brasil. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. como no âmbito do Poder Executivo e. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Todo projeto de lei passa por um controle. por ser presunção relativa. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. e. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. é necessário que a Constituição seja rígida. o Princípio da Supremacia da Constituição. no Poder Judiciário. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Da mesma forma. no controle difuso. Se há mais de um significado. pode ser exercido através do veto jurídico. Se o texto tem apenas um significado. significa que as demais leis devem obediência a ela. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. na dúvida. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. significa que ele é unívoco. a lei deve ser declarada constitucional. o Chefe do Poder Executivo. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. ficam vinculados àquela decisão.

Logo. Segundo Kruger. Em uma sociedade democrática e pluralista. Ex: Brasília é a capital federal. isso não ocorre. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Portanto. é conhecida como mens legis. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. existem. essa corrente é chamada de “subjetivista”. A segunda corrente. poderia declarar o art. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Na verdade. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. 73 . Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. sendo. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. ao mesmo tempo. Geralmente. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional).: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. normas superiores e normas inferiores. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. é necessário observar os valores consagrados na constituição. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Hoje. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. É como se filtrasse a lei. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Outro ex. num estado democrático.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. mas. 81. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. logo é conhecida como corrente “objetivista”. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Busca a vontade do objeto interpretado. Antes. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. passando ela pela constituição. pois. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. que busca a vontade da lei. etc. há várias tensões entre as normas constitucionais. prevalece a vontade da lei. b) Fim pretendido: . Hoje em dia. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Obs. de direito previdenciário. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. na constituição. a norma inferior. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. §1º. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Isso é impossível. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. necessário harmonizar esses dois princípios. para se fazer uma interpretação correta dessa lei.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Ao se admitir que essa norma é superior. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico.

alegando a impossibilidade jurídica do pedido. O STF declarou constitucional. Segundo este princípio. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. deve-se buscar essa concordância prática. interesses. O STF analisou 02 casos: a) Art. Ex: voto direto é a norma geral. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. qual dos dois grupos tem um peso maior. Pode ser usada. O relator indeferiu a petição inicial. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. no caso concreto. violava a liberdade de exercício de comércio. princípios ou valores. Sempre que possível. ele se basearia no princípio da unidade. e não em abstrato). 74 . ou seja. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. e voto pelo CN é a exceção. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. aplica-se o princípio da Concordância Prática. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. a integração política e social. O Juiz irá ver. Assim. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. inclusive. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. se ambos estão consagrados na Constituição da República. criando um efeito conservador da unidade. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. pelo legislador. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. 45. Se ele entrasse no mérito da questão. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. Nesse caso. que é anterior à Constituição da República. Eles são muito parecidos. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. é necessário utilizar a ponderação. Quando se tem uma colisão entre bens. bens ou interesses. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. O que tiver o peso maior irá prevalecer. Uma existe ao lado da outra. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Abstratamente. valores. na hora de se interpretar a Constituição. O que é isso? É semelhante a uma balança. §1º. as duas normas têm conflito entre si. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Essa lei.

Ex. 343. e não princípios. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Deve haver uma cedência recíproca. 75 . A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. 2) relativização da coisa julgada: o STF. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. poderia fotografar. a privacidade deve ser preservada. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. do trabalho escravo são regras. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. que contribua para o debate de interesse geral. não. sendo o guardião da constituição. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. até uma compreensão equivocada. Exs. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. não. por mais importantes que sejam. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. da tortura. STF não foi abandonada. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. na academia. eis que ambos se relacionam. para que outros direitos sejam assegurados. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. Ex: Se tiver na praia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas.: a proibição da pena de morte. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. O importante é saber que todos os princípios. mas também a ratio decidenti. cabe ação rescisória (obs. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . proporcionando-lhes uma força otimizadora. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). ou seja. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. não se aplicando para a interpretação constitucional. do contrário. dizendo que a ponderação é muito subjetiva.: a Súm. Caso contrário. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. às vezes.

validade é. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . a qual significa a realização do direito. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). Este princípio. CR/88 (aplicação imediata).Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.com.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. . tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. . Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. 4.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. é também conhecida como eficácia social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. . É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Exs. 76 . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. no Brasil. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. Ver no Site Editora Método. pois. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.335/AC. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. é também conhecida como eficácia jurídica. 2) Direito de greve.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. . sobretudo o Tribunal Constitucional. a função social para a qual foi criada. 5º. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. §1º. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. o desempenho concreto de sua função social.

3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Ex. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. 1º. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. LIV. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. mas apenas como menções. à garantia do devido processo legal. maiores hão 77 . CR. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Não é o entendimento mais cobrado em provas. Se o ato for desnecessário. 5º. Nos sistemas da commum Law. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Ex. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. não se deve abater pardais com canhões. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. É uma influência do direito alemão. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. utiliza-se o termo proporcionalidade. ou seja. Assim. É uma influência do direito norte-americano. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Alegam que a restrição seria desproporcional. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. por isso sua importância. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. É um princípio implícito. deveria conceder uma autonomia maior. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Para que um ato seja considerado proporcional. Ele está ligado. apto para atingir o fim almejado. Na Alemanha. ☺art. ele tem que ser adequado. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. do Prof. uma densidade semântica que ele não tinha antes. será também desproporcional. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. No Brasil. em sua origem. desproporcional. Para Jellinek. não está textualmente consagrado. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. uma restrição à liberdade só será possível se. dentre os meios existentes. utiliza-se o termo razoabilidade.

que é chamada de proibição de insuficiência. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. pode ser chamada de proibição do excesso. Nesse caso. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. o poder público age aquém do que deveria. A face acima exposta do princípio. 78 . Há uma outra face desse princípio. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. ou proibição por defeito.

refletindo posição ideológica do constituinte. sendo. pois. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. não tendo força normativa. porém. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. apresentado de forma não articulada. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. reproduzidos ou não na Constituição estadual. Assim. o Brasil é um país leigo. não é componente necessário de qualquer Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. com exceção das de 1891 e 1937. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. mais ou menos significante. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. O nome não é o mais apropriado. não tem relevância jurídica. No Brasil. É uma corrente intermediária em relação às demais. Não contém. Não tem. Situa-se no domínio da história ou da política. não existindo. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. mas é a tese por nós adotada. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal.. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. inscritos na Constituição. qualquer religião oficial da RFB. laico ou não-confessional. portanto. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo.. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. dado que. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. 79 . incidirão na ordem local. pois. proclamação mais ou menos solene. Em âmbito estadual. Esses princípios sim. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Para o STF. relevância jurídica. Ocorre que todas as constituições brasileiras. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). não é norma de repetição obrigatória. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. anteposta ao articulado constitucional. mas no domínio da política. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. portanto. de regra. O min. o preâmbulo. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. O que acontece é que o preâmbulo contém. caráter normativo e. Como se sabe.

Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. pluralista e sem preconceitos. o desenvolvimento. o bem-estar. a segurança. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. com a solução pacífica das controvérsias”. a liberdade. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ao estabelecer os valores supremos. fundada na harmonia social e comprometida. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Esta é a sua natureza. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. na ordem interna e internacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. 80 . Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais.

Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. no Brasil. 128. isenções (art. 53). que poderá variar conforme o seu enunciado. vedações (art. Ela não depende de lei. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Não depende de regulamentação. Uma NEC. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. possivelmente restringível ou redutível. A NEC. Quando se fala em aplicabilidade imediata. imediata e integral. enquanto não for restringida. Não são a mesma coisa. §5º). prerrogativas (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Exs. §5º). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. dentre as quais. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. apenas 81 . A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. O que as difere é o grau desta eficácia. como se poderia imaginar). mas admite lei.U. P. enquanto não for restringida por lei. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. → Normas de Eficácia Contida: O prof. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). A integralidade. 184. que “contenha” o seu conteúdo. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. é uma NEP? Não. 95. por sua vez. destaca-se a de José Afonso da Silva. (É a mais cobrada em provas).: normas que estabelecem imunidades (art.

Impositivas: ex.por outra norma constitucional (ex. 3°. XII c/c arts. VII. 5º. 136 e 137).: art. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. Exs. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. Se ela fosse uma NEP. ofício ou profissão. Não é apenas um conselho. art. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. 37. art.: trata de vedações que são impostas aos juízes. O caput do art. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho.por lei (ex. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Ex. ☺art. 37.. e não quais são os meios para se atingir o fim. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. conforme a lei.U. mas. XIII. 37. XXII. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.por conceitos de direito público (ex. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. etc. Neste caso. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. 9º dá a entender tratar-se de NEP. ☺art. que dirige os rumos do Estado. art. que não é norma). art. segurança nacional. mas dizer como esse direito será exercido. etc. em regra. mas o seu §1º. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. se quiser.U. XXIII e XXIV). atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. As vedações.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. VII (direito de greve dos servidores públicos). que a regulamente. Ex. P. 5º.: ordem pública. ela nunca poderia ser restringida. e art. VII. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. . . mas pode ser).: art. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. A NEC pode ser restringida: . CR. que faz parte da mesma norma.Facultativas: ex. 5º. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. interesse social. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). PU: União poderá delegar aos estados. – ex. mas não é uma NEP. 95. 102. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. 22. 95). eis que estabelecem o fim a ser atingido. A norma constitucional tinha eficácia. 9º. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei.). são NEP (como são as normas dos incisos I. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. 154: a União. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). .: art. caracterizadas justamente por este tipo de norma). esclarece que trata-se de uma NEC. É indireta ou mediata. II e III deste mesmo art. não há omissão inconstitucional. A lei não irá restringir o direito. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. necessidade ou utilidade pública. 82 . neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. Assim. mas não disse quem pode propor. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. poderá criar impostos residuais. Indireta porque depende de uma outra vontade. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. é obrigatória. quais são os efeitos.: art. etc. e mediata porque depende de alguma condição. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. de forma que antes da Lei 9. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios.

pois. Marcelo Neves critica essa concepção. São as normas do ADCT. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. uma eficácia negativa (e apenas esta. Para ela. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. antes da lei ser feita. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). mencionada por alguns autores. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Ex. também conhecidas como normas super-eficazes. ademais. Elabora-se uma norma genérica. imediata e integral). cumprida a sua finalidade. as Cláusulas Pétreas. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. não depende de outros sistemas.: As NEP. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Obs. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. 2º. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ADCT. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior.: art. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Diz que o direito se auto produz. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. tem eficácia. Uma última classificação. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Assim. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Traduz um sistema fechado. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. 83 . ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. exaurem sua eficácia. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Por isso não dependem de outra vontade. OBS. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. porque ela não tem eficácia positiva). por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS.

ou seja. Faremos o estudo de alguns institutos. e sim como normas ordinárias. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional).P → A. porém. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.N. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. → CR → A. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. Quando uma nova constituição é criada. serem recepcionadas pela nova Constituição. caso compatíveis com a nova Constituição.: ☺art. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.N. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Assim. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. sempre que nasce uma nova Constituição. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. por esta teoria. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. parte final). mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. não. Ex. § 1°. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. 84 . 242. 2°. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. §2º (que fala do Colégio Pedro II. podendo. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. com o caráter de normas constitucionais. quando do surgimento de uma nova Constituição. como normas infraconstitucionais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

88 . vale dizer. dentre outras. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Como se percebe. desde que haja expressa previsão. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. IV. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. tenha retroatividade média ou máxima. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. vale dizer. 7º. deve existir expresso pedido na Constituição. 51 do ADCT. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. que. Ex. as leis infraconstitucionais. também limitado juridicamente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. sendo regra a retroatividade mínima. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. têm retroatividade mínima. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. como é o caso do art. IV. diante da aplicação imediata. 5º.: art. o STF entendeu que. 7º. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). CR. para tanto. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. Assim. nada impede que a norma constitucional. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. Como outro exemplo de retroatividade mínima. c) por outro lado. por regra. com pequenas exceções. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. XXXVI – “lei” em sentido amplo). Assim. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. Contudo. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento.

2º). 1º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. por conseqüência. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. o que os coloca numa posição de superioridade. Executam. Desse modo. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. a menos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. Em situações novas. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. diverso e opostos. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. estrutura e fundamento (art. em um todo sistemático. não só das ações dos poderes estatais. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. 4º). é obvio. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. Sob o ponto de vista dogmático. sobretudo. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. seja como orientação para progresso da legislação. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. pois servem de critério para o legislador que. da função positiva que 89 . atuando como um limite. como também ao exercício abusivo de certos direitos. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. De uma forma geral. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. ainda não regulamentadas de forma mais específica. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. os quais estabelecem a sua forma. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. é claro. a divisão de seus poderes (art. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. ao elaborar as leis.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. seja como diretiva na solução de casos concretos. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Dessa forma. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. assim. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos.

formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. aos entes que compõem a federação. Com o passar do tempo. DF e Município. A baixa densidade semântica. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. quanto para o legislador na elaboração das leis. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. I). Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). sendo criados novos critérios distintivos da República. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. No tocante ao Poder Executivo. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. 34. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. 1º. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. CR). a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. esses conceitos foram se esvaziando. a Constituição veda. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). o direito de secessão. 90 . o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados.

o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. não é absoluta e ilimitada. 91 . à questão perene da Justiça. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. seja através de representantes. a vontade popular representada pelo parlamento. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. No que se refere ao princípio democrático. a legalidade da Administração. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. Aqui. seja diretamente. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. ainda. Em um Estado democrático. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. ou. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. Em um Estado de direito. sob as circunstancias transitórias. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. No Estado material de direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não apenas os indivíduos. Sob o aspecto material. a independência dos juízes.

cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. na ordem internacional.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. por não ter de acatar. uns para com os outros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. 92 . uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. no plano interno. o indivíduo se sente útil e respeitado. A soberania externa se refere à representação dos Estados. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. 6º). em nenhum momento podem ser colocados de lado. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. independente. Todavia. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. No plano externo. Por essa razão. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. na ordem internacional. a soberania migrasse do soberano para o povo. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. por essa razão. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. Supremo. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art.

a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. 93 . justa e solidária (art. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. a de opinião. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. uma sociedade conflitiva. 170). de comunicação. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. a intelectual. por natureza. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. passando a se revestir de normatividade. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a profissional. artística. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. de idéias e de instituições de ensino (art. 206.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. a sexual. a partir do início da década de 90. 3º. ao contrário. 170). Por essa razão. É ela o valor supremo que irá informar a criação. de reunião e de associação. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. A escravidão. 17). independentemente de autorização de órgãos públicos. Mais tarde. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. 220). o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. derradeiramente. de interesses contraditórios e antinômicos. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. dentre elas. com a queda do comunismo. 1º). que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. a de informação. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. científica. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. Este fundamento é concretizado. Fruto da concepção liberal. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. é um princípio básico do liberalismo econômico. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. a sociedade pluralista é. Por isso. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. assim. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. I). o que pode levar a divisões irredutíveis. e. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. político (art. conforme os ditames da justiça social. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. a Constituição. cultural (arts. mas. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. a filosófico-religiosa. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. salvo nos casos previstos em lei. deve constituir o seu objetivo supremo. III). 215 e 216) e dos meios de informação (art. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. ainda. partidário (art. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. a tortura. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art.

independentemente de usa origem. Por isso. A dignidade da pessoa humana não é um direito. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Por outro prisma. seja pelo próprio Estado. o acesso aos valores. sexo. mas. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. mas um atributo que todo ser humano possui. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). ligada ao valor igualdade. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. possui um caráter negativo. sua existência material. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. em alguns casos. dentro dos direitos sociais. Portanto. moradia. econômicos e culturais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). cada vez mais. por exigir uma abstenção. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. em um primeiro momento. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. e. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. menor (minimizando o problema dos custos). mas também dos particulares. à dignidade da pessoa humana. não apenas por parte do Estado. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. a todo e qualquer cidadão. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. 94 . o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. ligada ao valor liberdade. seja por terceiros. não como um fim em si mesmo. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. Assim. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). etc. mas também a de que o Estado garanta. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. ou para com a pessoa. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. educação fundamental. idade. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. Poder-se-ia dizer. na medida em que procura representar um subconjunto. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. que seja efetivamente exigível do Estado. Esta acepção. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. por outro. Portanto. condição social ou qualquer outro requisito. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. o que significa dizer que na criação. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. Esta acepção. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. possui um caráter positivo. Todavia. mais importante.) imprescindíveis para uma vida digna.

CR/88). Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. . A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. Essa classificação é legislativa. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). a diferença básica se refere ao plano de consagração. . do qual são espécies: . à participação política. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. consagrados no plano internacional. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. . 5°. devido ao custo de serem prestados. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. 14 e seguintes). têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. 6° e seguintes). Assim. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Visam proteger o valor igualdade.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado.direitos à nacionalidade (art. 6° e 7°).direitos prestacionais: são. que divide os direitos fundamentais em: . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. . Para que o cidadão participe da vida política do Estado.direitos sociais (art. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos políticos (art. 12 e seguintes). pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Têm um caráter negativo. . CF/88. Em termos materiais. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. ligados à liberdade. . consagradas ao longo das constituições.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Em sua maioria. Exigem uma atuação positiva do Estado. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Enfim. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Em sua maioria. são os direitos individuais consagrados no art. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. pois surgiram em uma única época. basicamente. portanto. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. mas também no art.direitos individuais.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. uma constitucional e uma doutrinária.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Têm caráter positivo e negativo. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. devido à escassez de recursos. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. São direitos ligados à cidadania. 95 . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. igualdade e dignidade. 5°. os direitos sociais (arts. 6º ao 11.

As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Estão ligados. e a dele é a mais cobrada em concursos). ao desenvolvimento ou progresso. pois. Têm caráter negativo. à autodeterminação dos povos. já os de 2ª geração não. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. diretamente à igualdade material. sobretudo de princípio programático). normalmente são consagrados em NEP ou NEC. e estas gerações coexistem atualmente. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Exigem uma ação do Estado. → Igualdade: Direitos Sociais. Ou seja. São basicamente os direitos individuais. a imprensa livre e o funcionalismo público. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Por isso. Têm como objetivo. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. por exigirem uma prestação do Estado. 96 . ao lado da 4ª. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. São chamados direitos civis e políticos. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. igualdade e fraternidade (nesta ordem). os direitos prestacionais. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Obs. Eles foram surgindo com o passar do tempo. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. exigindo uma abstenção. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. XX. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Tais direitos têm caráter positivo. CR/88). São considerados basicamente como direitos coletivos. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. A 3ª geração. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. econômicos e culturais. da solidariedade entre países ricos e países pobres.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. são direitos de caráter negativo. Como vimos. como a família. portanto. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. então. por exigirem uma abstenção. queria que ele respeitasse suas liberdades. Vejamos quais foram as gerações. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. XVIII. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. segundo Jellinek). das gerações. Exs: direito ao meio ambiente. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Os direitos de defesa. Não houve substituição de uma geração por outra. a autodeterminação dos povos (art. diante da necessidade de cooperação. movimento encabeçado pelo proletariado. e geralmente em normas auto-aplicáveis. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. de 1789: liberdade. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. enfim. direito de comunicação. 4º. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Esta é a sua preocupação principal. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade.

em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). esta alteração não foi feita em seu livro. as disposições assecuratórias. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. estas as garantias. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. as demais características são tratadas pelo prof. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. a fixação da garantia. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. um pluralismo ideológico. Esta geração de direitos advém da globalização política. ocorrendo não raro juntar-se. Paulo Bonavides.I. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. de orientações sexuais. inclusive das minorias. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). Ex. ao analisar a Constituição de 1891.). um pluralismo cultural. V. ele tem uma importância muito grande. Ou seja. etc. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. outros são difusos). A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Os argumentos contrários a esta união. na mesma disposição constitucional ou legal. os direitos de família. Afora esta peculiaridade. quiçá quanto a 5ª. Em uma ponderação. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Ele preserva. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. caso violados. CR/88). Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. traz direitos ligados à pluralidade. Ou seja. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. como os previdenciários. mas há divergências na doutrina quanto a isso.P. Porém. à informação e ao pluralismo (D. Ao lado da vontade da maioria. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. Aquelas instituem os direitos. o direito a adoção. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. Assim.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. são direitos difusos). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. que alguns dizem trazer os direitos à internet. e isso acaba por prejudicar as minorias. de conteúdo). Quando se fala em pluralismo político. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). com a declaração do direito”. artístico. Por isso o direito à democracia é tão importante. 1º. → Globalização: direito à democracia. Ele abrange um pluralismo religioso. econômico. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. que são as que. conserva nossas identidades. São também direitos transindividuais (em sua maioria. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. ☺ADPF 132. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. que seria a vontade da maioria. de ideologias políticas e partidárias. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. o prof. em defesa dos direitos. Além desse aspecto. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. 97 .: quanto ao direito à paz. Quem tem o papel contra-majoritário. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. limitam o poder. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário.

conjugando-a com a sua mínima restrição. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição.direito ao juízo natural (direito) – o art. no caso concreto. Normas positivas. se o direito garantido não possui alguma especificidade. . sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. Exemplos: .: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. mas nunca a sua renunciabilidade. os apátridas e as pessoas jurídicas. quando.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. através da interpretação sistemática. XXXVII. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. Obs.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. ilegalmente preso. O caput do art. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. decidir qual direito deverá prevalecer. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte..: direito de propriedade versus desapropriação).Historicidade: possuem caráter histórico. . confronto. juntamente. ou caberá ao intérprete. . passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. havendo. são indisponíveis. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. como é o caso. ou magistrado. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. uma vez consagrado o direito.: HC. os estrangeiros não residentes. ainda que não individualistas. como é o caso da ação popular. Deve-se observar. .Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. HD. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). 98 . no caso concreto. é claro. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.Universalidade: destinam-se. conflito de interesses.é inviolável a liberdade de consciência e de crença.). 5º. . coarctando. 5º. Nada impediria. nascendo com o Cristianismo. etc. Isso porque. que só pode ser proposta pelo cidadão. emite uma opinião (direito de opinar). o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. portanto. de modo indiscriminado. por ex. muitas vezes. a todos os seres humanos. Se são sempre exercíveis e exercidos. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. . . Contudo.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.

Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. Posteriormente. §1º. 5º. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. etc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). 99 . Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. No entanto. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. então. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. mas. 5º. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). fática e juridicamente. não dependendo de legislação. mas o pressuposto do qual ela parte). O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). causando uma desfiguração no direito privado. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais.). só trazendo relações entre o Estado e o particular. Assim. ordem pública. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. Ingo Sarlet afirma que o art. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. analisando caso a caso. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. fala-se. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. pois. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. para isso. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. então. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. Não se admitiria. §1º.

Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. que não adota essa teoria).RE 201. .321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. . quando há uma relação de igualdade real na relação. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. ainda que esta regulamentação não exista. Ainda se trata de uma questão muito nova.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. . houver uma desigualdade fática. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. devendo sobre eles prevalecer. . a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. como a segunda. esta teoria seria a mais adequada. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Deve-se aplicar tanto esta teoria. E como os princípios são muito vagos. A autonomia da vontade requer tal ponderação. .161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).RE 158. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. etc. de uma forma geral.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. mas ainda não há decisão quanto a isso.☺RE 161. O juiz. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.*RE 161. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.Resp. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Determinação de observância do Princípio da isonomia. muito abertos.00 para R$ 86. a aplicação será indireta. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Assim. tão somente pela falta de previsão.24. Mas. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Se. A jurisprudência. isso poderia causar uma série de problemas. Em contrapartida. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. para que os princípios pudessem ser concretizados. se exteriorizam. no entanto.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . 249. Segundo esta teoria. é possível a sua aplicação com base na Constituição. em geral.RE 175. Segundo Virgilio da Silva. mas.700.HC 12. Para a realidade brasileira. . Se não houver uma previsão expressa na lei. contrato de adesão.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. e. Espanha e Portugal.: empregado e empregador.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . então.858.RE 160. mesmo realizando atividades idênticas. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. através de princípios. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. a proteção tem que ser maior.243/DF. não sendo necessária uma intermediação legislativa. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. Os DF são expressados.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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5º. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. à liberdade. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. pois. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. ☺art. Obs. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Porque o direito à vida é irrenunciável. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Há dois entendimentos: 104 . o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. caput. 128. ☺art. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. um caso constitucional de violação de direitos. Por isso. 5º. II. O direito a vida. 170. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. por óbvio. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. CP) a questão é um pouco mais polêmica. abre-se mão temporariamente à privacidade. Este pode ocorrer. também não pode ser renunciado. XLVII. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. não há uma renúncia definitiva. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. CR. III e art. à segurança e à propriedade. 5º. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. como DF é pressuposto dos demais direitos. pois a vida é uma direito irrenunciável. Nos 78 incisos deste art. Quanto ao caso do aborto sentimental (art.: esta segurança que o art. 1º. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). que permite a pena de morte em algumas hipóteses. à igualdade. A renúncia é definitiva. Esta questão é bastante clara. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. um outro direito fundamental. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. é. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. No caso do big brother. não há que se falar em não exercício). CR/88. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito.

Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. entendeu que.Direito à privacidade: 105 . Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. Para o direito brasileiro. é relativo. 3) dignidade da pessoa humana. mas sim da acrania. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). . Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. em razão do risco de morte intra-uterina. OBS. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. assegurando a autonomia da vontade. 128. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. como todos os outros. não haveria vida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. sem o sistema nervoso central. a morte não decorre do aborto. sabendo que ela vai morrer. O STF. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. 128 (em 1940). Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. o STF não estaria legislando. então. insuficiente para a proteção do direito. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. a vida termina com a morte encefálica. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. 128). o Estado não deve impor condutas externas imperativas. discutida na ADPF 54. CP não teria sido recepcionado pela CR. segundo Canotilho. mas de modo geral). Ademais. Se há dois argumentos defensáveis. e. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. II. portanto. é uma forma de tortura psicologia. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Se isso fosse possível. Nos EUA e na França. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. nas quais não se tem uma opinião moral definida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. já que na época em que foi feito o art. A questão ainda está sendo discutida no STF. E o direito à vida. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. além de colocar em risco a sua própria vida. o art. o feto não tem a menor chance de sobrevida. mas sim interpretando a CR/88. ela é a única ação de controle abstrato cabível. por 7 votos a 4. por isso. já que o CP é anterior à CR. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana.

Neste caso. científico ou cultural. que se subdivide em: intimidade. contra um estelionatário. Ex: matérias de interesse público. O prof. o direito à imagem foi violado. CR. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. Ex: Radares eletrônicos. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. 1. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). No entanto. em seguida. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. X. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. vida privada. É vedada pelo art. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. de uma forma geral. por exemplo. no art. Se filmar uma passeata. não há violação à privacidade. a honra e a imagem das pessoas. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. pois há uma excludente de antijuridicidade. CR. etc. contra um chantagista. Numa gravação clandestina. ela é ilícita. Então. Ainda que não afete a honra. 5º. Há decisões judiciais onde muitas vezes. são direitos independentes. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. 5º. histórico. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. uma gravação feita clandestinamente. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Nesses casos. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. é a esfera da vida privada. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. X. Nesses casos é vedada a gravação como prova. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. quando pratica um ato na condição de agente público. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. a imagem pode ser usada num processo. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. sobretudo. O direito a privacidade está consagrado. Ex: policial federal recebendo dinheiro. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Logo. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. a gravação é considerada lícita. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. maior a proteção a ser dada. Ao realizar essa ponderação. Questão de Concurso: Gravação clandestina. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. sobretudo. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Em regra. na verdade. veremos cada um separadamente. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. não tem privacidade. 106 . Proteção da honra e da imagem. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. quebra de sigilo e interceptação telefônica. O direito de liberdade é maior. Ex. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. É gênero. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. os princípios da moralidade e da publicidade. Será considerada prova lícita. O agente público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Mas. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Não há que se falar em colisão. a restrição é legítima. Se tiver gravado um crime. Esta é excludente de ilicitude. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública.

deve ter uma certa salvaguarda. está em vigor. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. 5º. Além do juiz. 3. etc. 58. Quando se quebra o sigilo telefônico.. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. 5º. Essa exceção só confirma a regra. já que não existe poder judiciário municipal. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. outros dizem ser pelo art. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. A lei. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. fiscal e telefônico. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Quanto às CPIs municipais. em ação cível originária. informáticos. O Min. 2°) admite. Dentro do próprio STF há divergência. 107 . Ex: extrato de conta corrente. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. De acordo com o art. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. O prof. que é uma exceção a essa regra. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Na Itália. a duração da chamada. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Se ele quiser. São poderes instrutórios. ele não pode requisitar diretamente. essa decisão foi para um caso específico. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. o BB poderia quebrar o sigilo. ainda que não seja sigilosa. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida.: Podem existir várias outras exceções. XII. XII. 5º. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. de um cd room. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. falaremos da interceptação telefônica. como havia verba pública envolvida. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. X. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. divulgaram todas as declarações na internet. O inciso X impede a gravação clandestina. CR. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. com base no princípio da simetria. Dentro dela. Tem uma decisão do STF muito comentada. Os jornais publicaram essas declarações. Quem pode é só o juiz e a CPI. por enquanto. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). E o Ministério Público? Segundo o STF. fiscais. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. Essa declaração. outros entendem que não há proteção. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. não poderá quebrar sigilos. § 3º. naquele caso específico. não há decisão do STF. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. por ex. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Ele alegou a ilegalidade desse ato. mas na decisão acima houve discussão a respeito.). No entanto. às informações constantes na declaração de imposto de renda. O STF decidiu que. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. 2.

Então. XII. 5º.. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. segundo o STF. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Porém. sobretudo. XII. será gravação clandestina. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Se um souber. Não são admitidas para outras finalidades. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. neste caso.. já que protege-se a liberdade de comunicação. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Além dessas duas hipóteses. Quando se falou do método tópico problemático. protege a liberdade de comunicações. a liberdade de comunicação. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. em determinadas hipóteses. abrem-se todas as correspondências. pode haver restrições às comunicações telefônicas. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Mas isso não é a posição do STF. Aliás. será interceptação telefônica. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. 5º. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. segundo o prof. Se um souber. não estaria protegido por esse dispositivo. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Na prática. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. 5º. é equivocado. 5º. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . No entanto. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Com relação ao sigilo de dados. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Ela deve ser usada para situações excepcionais. também protege a privacidade. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. seja pelo art. o STF tem um entendimento que. o sigilo poderá ser violado. Em relação à comunicação epistolar. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Pois. Ela protege 4 formas de comunicações. mas foi feita por um terceiro. Para o prof. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Para o prof. X. por uma terceira pessoa. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Na interceptação. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Nessas hipóteses. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. O art. seja pelo art. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. mas. O STF entende que com base o art. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. os dados de informática em si não estão protegidos. Para o STF. Em relação a essas.

Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. 5º. essa lógica tem sido invertida. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. e mais ninguém. O professor acha que há certo abuso neste caso. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Com o consentimento. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Além disso. prorrogáveis por mais 15). c) Art. LX: sigilo imposto a processo judiciário. Somente o juiz. 5º. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Se numa situação excepcional. 5°. o Min. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Ela deve ser o último recurso. Então. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. 2. LXI: possibilidade de prisão. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. • Prestar socorro 109 . seja durante o dia seja durante a noite. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. 5º. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. imagine numa situação normal. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. a polícia pode entrar. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. A Constituição trata de 2 situações distintas. a entrada deve ser permitida pela empregada. Segundo o STF. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. e não pelo dono da casa. se houver o consentimento de um dos moradores. violado.296/96. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. por nenhuma outra autoridade. qualquer pessoa pode entrar. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Nem mesmo CPI. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. XII. XI: violação de domicílio. CF/88. nesses casos. salvo o flagrante delito. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. não há falar em violação de domicílio. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. nem a CPI. pode determinar a prática desses atos. Essa decisão foi recente (☺MS 27. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Ex: crime dentro de uma residência. Na jurisprudência do STF. Sem consentimento já é diferente. Recentemente. Ou seja. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Se houver o consentimento. Nesse artigo. Durante o estado de defesa. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Como é o meio mais fácil. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. XII: interceptação telefônica b) Art. Art. 5º. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Pode ser que com os abusos recentes. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Vejamos as situações: 1. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. vejamos: a) Art. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. devemos analisar 2 situações diferentes. d) Art.

☺Art. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. mais adequado. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. E o carro? O prof. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Ex: parte de trás do caminhão. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. quando o sol se põe é noite. por serem situações emergenciais. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. CP. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Entra no conceito de casa. Alguns autores. a casa pode ser invadida a qualquer hora. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. na parte em que o público tem livre acesso. não entra em conceito de casa. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. hoje. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. compreende escritórios. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. consultórios. onde o caminhoneiro dorme. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. 3. o STF considera as provas lícitas por causa disso. entra no conceito de casa. Quando o sol nascer é dia. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. não entra no conceito de casa. não só dos moradores daquela casa. entre outros aposentos. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Se houver o consentimento do morador. Segundo ele. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. que traz uma conceituação bastante extensiva. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. estabelecimentos comerciais e industriais. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Só que o STF já proferiu decisões. mas dos vizinhos também. a prova colhida será considerada ilícita. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. compartimentos habitados. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. prevista no dispositivo. a prova é lícita. Se entrar com o uso da força. se estiver vazio. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. não poderá mais entrar no domicílio. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. 150. 2. mais tradicional. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. entre eles Alexandre de Moraes. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Segundo o entendimento do STF. seja do dia seja da noite. não encontrou nenhuma decisão a respeito. propõem uma utilização conjunta desses critérios. pois se respeitar também o critério cronológico. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Então. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. 110 . porque a noite é o período de descanso. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Na maioria dos casos. É utilizado por JAS. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso.

justifica-se a altura. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Esse critério é razoável. razoável e proporcional. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. XXX. 5º. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Esse critério não é nenhuma discriminação. da constituição. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. idade. Não irá fazer concurso para homens participarem. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Quando se fala em princípio da igualdade. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. em situações diferentes. é necessário que ele seja: 1. Mas. não significa que a lei não possa fazer distinções. Para que o critério seja constitucional. 7º. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. pois viola o princípio da isonomia. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Uma vez dentro do estabelecimento. 111 . São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Não se tem de analisar se a lei fez distinções.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. arbitrário. É a que está consagrada no caput do art. Objetivo 2. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . discriminatório. CR. Ex: critério preconceituoso. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Nestes casos. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. 7º. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Para esses casos. Se o critério não for objetivo. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. CF/88. 2. Razoável 3. XXX. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. cor e estado civil.

Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. mas é necessário analisar uma série de fatores. que eram desiguais em relação aos seus senhores. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. e os desiguais de forma desigual. utiliza-se das ações. disse que está ligada à igualdade material. não haverá uma igualdade real. Criaram-se outras ações afirmativas. No caso da Índia. Visa uma redução das desigualdades fáticas. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Então. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. 3º. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. 112 . A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. ☺art. essas ações são constitucionais. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Segundo JAS. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. O prof. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. essas ações deveriam existir por 10 anos. seria igualdade material. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. por exemplo. Quando se fala em igualdade material. Tem autores que entendem ser inconstitucional. 5º c/c art. aconteceu o contrário. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Para o professor. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . e prolongaram as que já existiam. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Ex: Alíquotas de imposto de renda. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. Essas ações não surgiram nos EUA. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. para tentar reduzir as desigualdades. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. O prof. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Porém. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Isso é igualdade formal. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. A tendência é que elas aumentem. Dificilmente. pois elas criam uma discriminação reversa. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. A cota deve ser proporcional à população.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Para outros autores. Quando se fala em igualdade material. igualdade e fraternidade. mas na Constituição Indiana em 1947. Ex: Cotas para pessoas carentes. mas reduzir as desigualdades existentes. o critério discriminador seria desproporcional. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Em princípio. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. e não à igualdade material. Não é uma forma de resolver o problema. acha que esse argumento não convence. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar.

de saúde.fere o mérito.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. A justificativa parece não ser inconstitucional.princípio da isonomia (discriminação reversa). o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. visa compensar uma dívida histórica.medida imediatista e inapropriada. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. quando se fala em destinatários. não sendo necessária essa distinção. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. pois já faz parte do próprio critério republicano. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. mas eles não tiveram oportunidade de escola. atinge todos os poderes públicos . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. 113 .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. cientificamente falando. Isso é uma questão de política pública.em uma sociedade pluralista. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. seja por particulares.Poder Legislativo. Poder Executivo e Poder Judiciário). esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. . alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . 208. Juridicamente falando. O problema é com relação à subjetividade do critério. . O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. sem exceção. Eles não têm apenas a eficácia vertical. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Além dessa eficácia. CF/88. mas também para quem irá elaborar a lei. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. são destinatários do princípio da igualdade. Apesar de ser uma relação entre particulares. Argumentos contrários: . a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. previsto no art.fomenta o racismo e o ódio racial . miscigenada e multicultural. Eles foram libertados. .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. Portanto. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. No Brasil. . aberta.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. .Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. tolerante. Então. seja pelo governo. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.favorece negros de classe média alta.

ela exerceu o seu direito. Mas. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Ex: art. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Não existem direitos absolutos. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. de expressar o pensamento. Basta ser um critério objetivo e para todos. Se ela não pode ser admitida como prova no processo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. É uma denúncia feita anonimamente. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Ex: Passeata para legalização da maconha. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. IV. Não é um direito absoluto. As provas 114 . ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. ele deve licitar. não teria sido recepcionado. 5º. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. ela pode ser responsabilizada. segundo o professor. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. sendo vedado o anonimato. a lei pode estabelecer distinções. É livre a manifestação de pensamento. Pode defender no plano das idéias. Apologia ao crime é diferente disso. Ex: Lei Maria da Penha. não deve ser estendida para os homens.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. É constitucional? Sim. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. O particular não é obrigado. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Se o sujeito será responsabilizado ou não. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Logo. em regra. para outros teria. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. o problema é dele. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Questão de Concurso – Cespe: No art. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. O homem não é a parte mais frágil da relação. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. 100. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Isso significa que. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Para alguns. etc. Por que a Constituição. ela pressupõe responsabilidade. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Logo em seguida. mas apenas para as mulheres. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. 5º. é outra questão. ela é constitucional. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Protege a mulher. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. CPC – ação de alimentos. desde que essas restrições não sejam autoritárias. e violou direitos de terceiros. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. I. discriminatórias. em princípio.

Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. ainda 2. há 02 hipóteses em que o STF admite. inclusive em lugar aberto ao público. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. A religião desempenha um papel fundamental. Não se pode admitir que o parlamento. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. O culto pode ser exercido em qualquer local. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. A liberdade de consciência é a mais ampla. O Estado deve manter-se neutro. com o advento da República. houve a total separação entre Estado e Igreja. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Para Habermas. por exemplo. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. I. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. Vejamos: 1. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. abrangendo a liberdade de crença. então. CR. 3. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. apesar de a maioria da população ser católica. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. No Brasil não há uma religião oficial. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Ex: seqüestrador escreve bilhete. 2. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. O Estado brasileiro. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. desde que não viole o direito de terceiro. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. 5º. não é o caso do Estado brasileiro. O dever funcional da autoridade é investigar. Isso significa que. Em relação ao culto. → Alguns temas polêmicos: 115 . 2. ele não pode ser admitido. Quando são produzidos pelo próprio acusado. ou de não ter crença em nada. Pode fazer um exame grafotécnico. deve ocorrer uma “tradução institucional”. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. se não há qualquer identificação. Porém. CR. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Os templos recebem uma proteção especial. de ter crença. pedindo resgate. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. o equilíbrio das religiões. Esta liberdade está consagrada no art. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. 19. Garantir a simetria da liberdade religiosa. VI. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. de crença e de culto. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. ela deve ser protegida. e. desde 1989 (advento da República). Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. a averiguação é autônoma em relação à denúncia.

5º. não poderia ser confessional. Pode um ateu. O tribunal. CR). Entretanto. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. Na Alemanha. e não à justiça do trabalho – ☺art. Não teria sentido acabar com esses feriados. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. ocorreu um caso muito semelhante. Para o prof. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. Segundo o prof. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. §2º. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. estados e municípios (☺art. os argumentos religiosos não fazem parte da política.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . que odeia guerra. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. a competência é da União. então. a escola não deve impor ao menino. São feriados puramente religiosos. imagine uma cidade pequena. onde se tem poucas escolas boas. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. e o aluno optou a se matricular nessa escola. são culturais. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. o argumento supracitado não está correto. . Há um trecho do livro do Dworkin. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. O 116 . Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Mas.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Neste caso.. Entretanto. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. . logo. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. CR). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. §1º. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. fazendo uma ponderação entre os princípios. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. 23. CR. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. há algumas ações. 215. VIII.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. e cultura é competência comum – da União. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art.. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. a competência é em relação à cultura. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Portanto. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. a neutralidade do Poder Judiciário. É importante respeitar o ensino de cada um. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. inegavelmente. 210. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. políticos e religiosos.

Criação de partidos políticos. as pessoas se reúnem e. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. 5º. tem o caráter permanente. A República é o governo das razões. CR. 15. Para que as pessoas possam se reunir. então. A pessoa alega imperativo de consciência. Há. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. (Não pode reunir pessoas armadas. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. conforme portaria da ANVISA. 5º. Não cumprindo com a obrigação. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Segundo Jean Rivero. A associação. O prof. mesmo que em locais abertos ao público. XVI. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. existem 2 semelhanças e 1 diferença. JAS diz que não são direitos coletivos. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. XXI. Criação de associações e. não é necessária a autorização estatal. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. XVII e XXI. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Quem fará a tradução não é a Igreja. elas vão embora. de cooperativas. desviar o trânsito. Liberdade de reunião. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. mas a de permanecer associado. 5º. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. 2. Ex: fazer segurança. ☺ art. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . não são os religiosos. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. essa hipótese é de representação processual. Ex. mas direitos individuais de expressão coletiva. ainda. CR: Não é só a liberdade de se associar. ☺art. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. XVI. Ex: reunião de condomínio. CR. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). IV). terminada a reunião. etc. 5º. o argumento deve ser racionalmente justificado. mas os políticos. Por que a CR exige prévio aviso. 4. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. por sua vez. Se não houver essa lei.) 2. na forma da lei. Criação de sindicatos. 3. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário.

LXX. mas sim contrárias ao direito e. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Ela só garante o direito de propriedade. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. não pode existir mais de uma federação por território. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. mas faz parte da estrutura desse direito. É o entendimento de Daniel Sarmento. não precisando de autorização expressa. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. A associação impetra em nome próprio. ADC e ADPF. Em seguida. o direito de propriedade pertence ao direito público. Segundo o STF. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. por exemplo. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. CR) quando ajuíza uma ação. O que acontece é que se não cumprir a função social. em seu art. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. segundo o prof. segundo o prof. segundo o qual. O sindicato (☺art. no seu art. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). 5º. tendo um menor peso na ponderação. Segundo o STF. Segundo ele. ter um patrimônio mínimo. 118 . Função Social da propriedade: A CR. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. XXIII. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. portanto. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. não são legítimas essas invasões. A Constituição não garante o direito à propriedade. mas não pode ajuizar ADI. Há um outro entendimento que. a função social. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. XXII.. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. defendendo direito alheio. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Se ele tem proteção. se não for atendida. Ex: Invasões de terra pelo MST. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. do próprio regime desse direito. a propriedade terá uma proteção menor. pode ser dada numa Assembléia Geral. III. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. 5º. Segundo JAS. 2. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Segundo o STF. é mais correto. Só pode representar se houver autorização expressa. 5º. ilegítimas. como a Constituição garante o direito de propriedade. 8º. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. garante o direito de propriedade. ☺art. não impede que o direito de propriedade seja protegido.

a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. b. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. na desapropriação. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Sempre haverá indenização. §4º. deverá ser em dinheiro. No caso de requisição. há uma transferência compulsória da propriedade. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. CR. mas sobre a propriedade em si. Como haverá indenização se houver dano. deve haver indenização? Não. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. diante de uma emergência. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. como decorrência do primeiro. a saber: a. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. A polícia requisitou determinadas propriedades. 182. A função social. normalmente. restringe o caráter absoluto. IPTU progressivo no tempo. por utilidade pública. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Vejamos abaixo. o proprietário não tem culpa. Desapropriação: Diferentemente da requisição. §2º. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Propriedade Rural: ☺art. CR. Os principais aspectos são 2. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. 2. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. indenização por títulos da dívida pública). Na requisição. 184. Vejamos: a) ☺art. 182. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. XXV) e as militares (☺art. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Logo. por ser inerente ao direito de propriedade. em regra. Ex: caso de Eloá. 139. 5º. Sempre que há requisição. que deve ser prévia. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. etc. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. 186. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. É um aspecto lógico. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. a indenização será sempre posterior. a saber: por necessidade pública. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. só haverá indenização se houver dano. Além do caráter absoluto. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Propriedade Urbana: ☺art. CF/88: Trata-se de imóvel rural.000 habitantes (§1°). III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. b) ☺ art. Para atender a função social. uma escola pública. ele não poderá ser prejudicado. justa e. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. VII). A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. ou por interesse social. como um apartamento. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social.

regra. em Indenização posterior se houver dano. no máximo.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. não há pagamento de indenização. Só que. Se ele tiver outro imóvel. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). sejam urbanos ou rurais. precisa recorrer ao judiciário).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. 50 hectares. pacífica.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. . O confisco de propriedade está previsto no art. Obs. §5º. Para esse fim. 185. parágrafo único. Nesse caso. prévia e.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. . a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. São imunes a impostos (☺art. sem oposição. Requisição Refere-se a bens e serviços. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. 184. Confisco: No Brasil. paga em dinheiro).o morador não pode ter outro imóvel. .Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. A Constituição não permite – ☺art. seja urbano ou rural. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). é porque ela está cumprindo a sua função social. não precária. emergências da sociedade. PU. É sempre indenizável (justa.). Como o confisco é uma sanção. 2. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). Na CR. no máximo. 3. Só não podem ser para fins de reforma agrária. os bens serão confiscados – art. 120 .Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. . §3° e art. por ter prazo menor. etc. 191. CR). 243 da CR. Usucapião: Na Constituição da República. 250 m2. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Se ela é produtiva. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). a propriedade não pode estar cumprindo a função social. CR).: Imóveis públicos. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. ininterrupta. 183. o imóvel deve ter. não podem ser adquiridos por usucapião. Necessidades permanentes da sociedade. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 5º. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. Vejamos: . possuir o imóvel como se fosse seu. 243. Necessidades transitórias. CF/88. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva.

→ Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Para responder a essa questão. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . CR). a CR/88 entrou em vigor. não era muito democrática). Retroatividade da Lei Penal. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Esta hipótese é. 106. A lei interpretativa retroage. inicial. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. 3. é uma conjugação das duas anteriores. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. na verdade. a lei interpretativa retroage. b) Retroatividade benigna. autônomo. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. é necessário diferenciar duas situações. Durante a vigência desse contrato. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. 5º e no art. XL. interpretando a lei da maneira (A). ato jurídico perfeito e coisa julgada. Alguns a interpretavam de maneira (A). desde que seja mais benéfica para o réu. XXXVI. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Em resumo. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Em regra. só que exclusiva para o direito tributário. Seria correspondente à primeira hipótese. etc. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Todas as demais o consagraram.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. As hipóteses mais importantes são: 1. média e mínima. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. 5º. mas deve respeitar a coisa julgada. 2. mas que vale especificamente para o direito tributário. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. 5º. a saber: 1. não. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. No direito penal. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. a regra também é a não retroatividade (art. A garantia existe para a proteção desse direito. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. outros a interpretavam de maneira (B). O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980.

Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. b) Retroatividade média: pode ocorrer. e não lei em sentido restrito. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Ex. portanto. através de norma de eficácia plena. automaticamente. O prof. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. As parcelas podem ser reduzidas e. mas isso está superado. não há posição prevalecente. Após a Constituição de 1988. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. 2. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. . já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. haverá uma retroatividade média. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. a Constituição da República entrou em vigor. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Não pode haver a redução. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. interpreta a lei em sentido amplo. 654 e Súm. ☺Súm. extintas. coisa julgada e ato jurídico perfeito. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. porque geraria uma insegurança jurídica. porque geraria uma insegurança jurídica. Antes de a prestação ser paga. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. será necessário que a Constituição diga expressamente. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. STF. Só que para haver essa retroatividade. Só que para haver essa retroatividade. XXXVI) é lei em sentido estrito e. e não o ato exaurido.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. A EC poderia prejudicar direito adquirido. Havendo mudança de regime jurídico. até mesmo. Portanto. → Coisa julgada: 122 .Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. dirige-se apenas ao legislador ordinário. haverá uma retroatividade máxima.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. . mas as leis não. . A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. 473. É o ato que está apto a produzir os efeitos. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Nesse caso. 5º.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Na retroatividade máxima. É claro que isso não é desejável.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. no caso de retroatividade mínima. em regra. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. inclusive as de ordem pública. É claro que isso não é desejável. Se mudar o real. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Ex: Determinada prestação. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. ela afeta a todos. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. e não as parcelas que compõem o vencimento. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Se a Constituição atingir essa prestação. de acordo com a legislação da época. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. .

☺art. Dirley Jr. nós deveríamos interpretar o art. Ou seja. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. 5º. Direitos Sociais: 1. mas é apenas a coisa julgada judicial. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Eficácia: todo direito tem um custo.. Já os direitos sociais. o que significa que possuem um caráter positivo. ou seja. como doutrinador. à medida que a sociedade o determine. Em cada época. No art. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. A administrativa não tem essa proteção. e pelo Min. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. são NEL (de princípio programático). quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. . Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. por ex. Por isso. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. §1º. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. de sociedades pluralistas. consagrados em NEP ou NEC. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. e isso para muitos é um ponto negativo. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. §1º. Assim. Os princípios. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Eros Grau. . CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. 5º. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. segundo Robert Alexy. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. para dar decisões concretizando tais direitos. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. e não propriamente como ministro). do seu enunciado. independentemente de qualquer fator. independentemente da sua natureza. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. em regra. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. Os direitos de defesa são. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. 5º. pois são mais facilmente implementados. b) o art. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. exigem uma atuação positiva do Estado. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. são mandados de otimização. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. 7º. 2. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Mas isso não é verdade. em sua maioria.: salário mínimo). Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. como teórico do direito (ou seja.

Assim. Primeiramente. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. não geram direitos subjetivos. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Argumentos contrários à intervenção judicial: .00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. as normas possuem uma textura aberta. por ex. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática.). quando foi dado um maior papel ao PJ. Esses direitos sociais não teriam. .. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. essa atuação talvez não seja tão justa. é importante definir tais critérios. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais.000. rodovias. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. Norma de direito social não gera direito subjetivo. previdência. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ.). segurança. Em outros lugares. implicitamente. só porque recorreram ao PJ.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. por ser norma programática. pois. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. A visão do juiz é bilateral. assim. pois. todas. O que se busca. 3ª fase: é a fase desejável. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. lazer. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. trabalho. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. Esse entendimento já foi superado. . que estamos buscando. Obs. por ex. doutrinador do RS. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Quando se fala em direitos sociais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). normatividade. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. educação. legítimas (saúde. etc. Como têm apenas eficácia negativa. em tese. Por isso.000.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. Pedro Taques). já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. Portanto. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.

eles acabariam sendo inviabilizados. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. entra-se muito nas questões ideológicas. . A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. teríamos a maior utilização das ações coletivas. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). . É preciso. Os direitos sociais estão consagrados em normas.Déficit democrático das instituições representativas. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. em razão das limitações orçamentárias existentes. por isso. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Não é o entendimento que prevalece. saber se a demanda é razoável. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. eleições periódicas. . Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. em 1972. não se encaixaria na realidade brasileira. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. mas a todos que se encontrem na mesma situação. inclusive a minoria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. segundo Ingo Sarlet. A reserva do possível. Assim.Caráter normativo da constituição. em razão do Princípio da Igualdade. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Se um poder se encolhe. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . pois. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. sufrágio universal. 125 . não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Mas. ou seja. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.A democracia não é apenas vontade da maioria. no que diz respeito aos direitos sociais. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. Se não se estabelecer os critérios. o outro cresce. Esses argumentos são os que devem prosperar. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). Ademais. De se ver que quando se fala em direitos sociais. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. e é muito utilizada no Brasil.

é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. em razão de sua textura aberta. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. mas deve também ser provada. Ou seja. . A reserva do possível é uma matéria de direito público. Vejamos: 1. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. etc. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. quando se estabelece o mínimo existencial. Segundo o prof. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. que é a corte suprema na Alemanha.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. assistência em caso de necessidade. Se não definir o conteúdo. No Brasil. Segundo Ricardo Lobo Torres. em 1953. mas teria um peso maior na ponderação. que existem z pessoas na mesma situação. A efetividade passa pela sociedade. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Segundo Ana Paula de Barcellos. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. é o mínimo existencial. depende de cada época e de cada sociedade. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Por que falamos em “mínimo”. por ser necessária para a 126 . O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. saúde. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. . O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. 2. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. maior o risco de não ter efetividade. da liberdade material e do princípio do estado social. Não é o máximo desejado. a questão da efetividade será prejudicada. é o entendimento mais adequado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. que a demanda custa y. precisam ser concretizados. essa concretização. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. pelo cumprimento voluntário da constituição. Assim. Outros autores já falam apenas em saúde.. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. educação e moradia. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Quanto mais se amplia a consagração desses direitos.

fala-se em vedação do retrocesso social. §1º. irão concretizar os direitos sociais. já dizia algo muito semelhante. segundo ele. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Pode. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. e. estatístico. que significa nação. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. consciência coletiva. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. língua. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. 127 . da máxima efetividade (art. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. independentemente da nacionalidade. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. e do Estado Democrático e Social de Direito. A partir do momento que um direito social é concretizado.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. Ele tem. costumes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Os poderes públicos. Ex. assim. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. haver uma redução do grau de concretização. 2) posicionamento de um autor português. um pensamento mais flexível sobre o tema. ao estudar as normas de princípios programáticos. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Todos que moram no Brasil. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. da dignidade da pessoa humana. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. de acordo com a necessidade. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. JAS. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. haveria um engessamento do legislador e do PE. esse prazo não pode mais ser reduzido. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. o que prejudicaria a sociedade. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. pois. Segundo ele. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Por isso. 5º. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). entre eles: laços culturais. passaria a fazer parte do próprio direito social. não pode haver uma redução dessa concretização. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. fazem parte da população brasileira. CR). históricos. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. só ampliado. População está relacionada ao conceito demográfico. Há dois posicionamentos quanto ao tema. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional.

12. Obs. há direito público subjetivo do estrangeiro. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Diferenças de tratamento 128 . art. §6°. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. os pais têm que ser brasileiros. terá naturalidade brasileira. Refere-se aos brasileiros natos. a). estrangeiros residentes. II) Jus Sanguinis: ascendência. se não se manifestarem contrariamente. . Quando a pessoa é nascida no Brasil. 12. I. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. I. 12. II) Naturalização expressa (art. 12. De acordo com o critério sanguíneo. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). desde que haja reciprocidade.815/80. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). A EC 54 alterou o art. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. 12. . A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. É geralmente adotada por países que estão em formação. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Refere-se aos brasileiros naturalizados. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. Se o casal estiver a serviço de outro país. 112 e 115. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Pelo critério funcional.Quase nacionalidade (art. É o caso do Brasil. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. o filho terá nacionalidade brasileira. não haver condenação penal e requerimento do interessado.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. por uma questão de soberania nacional. adquirem a nacionalidade do país onde residem. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. I. 227. considera a nacionalidade dos pais. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. c. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. b). de acordo com o art. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Neste caso. CF/88. não há direito público subjetivo.

. Importante analisar a Súmula 421.Perda da nacionalidade (art. 12. A deportação está mais próxima da expulsão.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. ou que tenha filho brasileiro. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. vice. Não se pode. presidente do SF. Mas. 89. Princípios relacionados à extradição: . portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. . o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. d) Extradição (art. b) 6 assentos do Conselho da República (art. cria-se um problema de relação internacional. presidente da CD.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. em razão da soberania nacional. só poderá ser extraditado: . VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art.815 (ato nocivo ao interesse nacional).linha sucessória do presidente da república: PR. CF/88). o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. não se poderá invadir esse estado. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). No caso de brasileiro naturalizado. dependente da economia paterna. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. no entanto. CF/88): 129 . pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. do território brasileiro. Mas. 5°. . §4°. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. 12. Os critérios utilizados são: . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil.segurança nacional: oficial das forças armadas. XL.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. 5°. .Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. 12. a ela aplica-se a súmula 1. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. Já na entrega. Se o estado desrespeita essa regra. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). Expulsão: consiste na retirada a forca. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. 5°. . confundir a súmula acima com a seguinte. 65 da lei 6. . §2°. Na extradição.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. em razão da superioridade da Constituição. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. §3°).

Servem ao controle do próprio direito. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto.é direto: é a regra.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. one vote” – “one person. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. o sufrágio censitário (ex. 14. com a realização de eleições periódicas. . perderá a nacionalidade brasileira. . . A CR/88 adota o sufrágio universal. 130 . São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). São requisitos apenas técnico-formais. §1º. que exige uma alternância de poder. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. 14. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. com uma única exceção: art. ou seja. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. Características que o voto possui no Brasil: . Só se aplica ao brasileiro naturalizado. na forma da lei (que ainda não existe). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. é o direito de votar (e não de ser votado).tem valor igual para todos: “one man. pelo CN. 81. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. caput). há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. Além dessas características do voto. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. voto é o exercício desse direito. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. inclusive sendo cláusula pétrea. é o direito político em si. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. salvo se por meio de ação rescisória. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. e não requisitos preconceituosos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Direitos Políticos: . §1º).é periódico: essa periodicidade do voto. salvo nos casos das alíneas a e b. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). nacionalidade e alistamento. . O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Para JAS. one vote”.

então. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. com exceção dos portugueses equiparados. a inelegibilidade em relação aos militares (art. §3º. No Brasil. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. Mas o §9º do art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). no governo de SP). ou seja.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. trata-se de lei ordinária. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). etc. assim. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). 14. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. em caso de reeleição. §7º .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. se houver reciprocidade (art. filiação partidária. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). §8º). é o direito da pessoa ser votada. os inalistáveis são os estrangeiros. §1º). a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). até que se atinja a plena cidadania. 14. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. dentistas. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. ela é adquirida progressivamente. salvo se já titular do cargo. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. 14. no caso do art. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. Ex. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). §3º? Segundo o STF. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. 14. 14). o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . do art. Assim. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.é conhecida como inelegibilidade reflexa. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez.☺§3º. . e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. . 12. 14. ou seja. Quando a Constituição fala apenas em lei. domicílio eleitoral na circunscrição.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. 14 traz um questionamento. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. 14. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. ☺ar. que geralmente admitem desincompatibilização. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). §5º . Primeiramente. Além dessas condições relativas à idade mínima. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas.

não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. o prof. seus parentes também poderiam ser candidatos. e quanto a isso não há divergência doutrinária. é algo temporário. VIII). 15 (incisos II. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. III e V) são hipóteses de suspensão. Kildare. não há como readquirir os direitos políticos). CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. 132 . I. Com base nessa distinção. 15. portanto. 15. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. Todas as outras hipóteses do art. 5º. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. nos termos do art. A doutrina (JAS. mas o prof. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos.

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