Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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como sociológica: “em termos jurídicos. mas proteger direitos. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. e. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. reporta-se a um sistema normativo. então. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. o local e a época. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. uma teoria normativa da política. numa terceira acepção possível. O conceito de constitucionalismo transporta. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. sociologicamente. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. e que se encontra acima dos detentores do poder. Numa vertente mais restrita. a defesa da Constituição. Neste sentido. É. por seu turno. em especial limitar o poder arbitrário. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. 4 . Partindo. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. Tem-se utilizado. mas também de outros assuntos. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. Kildare Gonçalves Carvalho. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. como o inglês. em sentido jurídico. os fins socioeconômicos do Estado. Numa segunda acepção. o americano e o francês. enfeixado na Constituição. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. E para isso. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. um claro juízo de valor. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. do estado e das instituições democráticas. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. assim. no fundo.

Atribui competências aos três poderes. Foi a mais avançada forma de governo. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Influenciaram o direito francês e americano. • Princípio do governo limitado. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Como ressaltado por Jorge Miranda. a partir da Revolução Francesa. a. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Estado Hebreu: estado teocrático. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. b. como e até onde pode mandar. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. 2. Foi a 1ª experiência constitucional. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Inglaterra: rule of law – governo das leis . “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Estabelece as regras do jogo político. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). d. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Governo limitado. desde logo. integram-no. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. em 1787. em 1791. 1. Foi uma retrospectiva do direito Grego. ii. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). A democracia é a representação da vontade da maioria. Hoje. Grécia antiga: democracia constitucional. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. b. • Separação dos poderes. c. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). e da França. Garantia jurisdicional. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. ii. porém. quem. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. fases pelas quais passou a constituição. Por isso. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. Roma: idéia de liberdade. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. (Livro do Alexandre de Morais).surgiu em substituição ao governo dos homens. após a Independência das 13 Colônias. se contrapõe ao absolutismo.

Constituições da democracia social. as quais são denominadas por pós-positivismo. O ser humano é um fim em si mesmo. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Garantia de direitos. Ex. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. c. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. XX). a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. estabelecendo diretrizes. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. PE e PJ). foi o Abade Sieyès. a. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. os costumes 6 . Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. na época das Revoluções Liberais. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Força normativa da constituição: antes. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Constituições da democracia marxista ou socialista. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. 3. c. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Segundo a tradição francesa. 4. Novas idéias foram surgindo. Eram apenas uma diretriz. sem força vinculante. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. havia regras. aplica-se a analogia. a maioria da nação. b. Constituições de países subdesenvolvidos. XIX. Começou a se falar em um direito moral. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. ou seja. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. estabelecidos pela Constituição. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. ii. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Separação de poderes. Hoje. Rússia. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. ligada à idéia de liberdade. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Idéias principais: i. as constituições tinham caráter mais político. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. diretrizes. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Todos os poderes constituídos (PL. b. direitos fundamentais. Constituições da democracia racionalizada. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. d. estarão subordinados a ela. A partir dessas novas idéias. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial.

toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Os princípios. Universalização.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Consenso. Verdade. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. aplica-se a regra específica. Participação. Continuidade.. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. c. união homoafetiva. Teoria Concretista Geral. é o judiciário. Hoje. EUA: nós estamos submetidos à constituição. g. 7 . aborto no caso da acrania. Hoje. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). e.  Aplicação direta da constituição. Ele atua como legislador negativo e positivo. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. cotas em universidades. há uma euforia dos princípios. o judiciário aumenta sua força. d. Constitucionalismo do futuro. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. os princípios. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. é o juiz. Para Barroso. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. espuma do chopp. Na jurisprudência do STF. pois esta é a concretização de um princípio geral. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. f. • • 5. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Ex. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Integração. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. etc. Solidariedade. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). demarcação de reservas indígenas. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Entre uma regra específica e um princípio geral. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Quando o legislativo é fraco. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Mas essa é uma posição muito radical. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. mas quem dirá o que ela é.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). que é aplicada mais às regras. Na Itália. de uma forma geral. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Para Paulo Bonavides. verticalização. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Eles são importantes. etc. b. Não se aplica diretamente a constituição.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). fidelidade partidária. tratado internacional tinha status de lei ordinária.

nos termos deste lei e das normas constitucionais. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. 1º da Lei 9. CR. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Vale dizer. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Compact (1620). Bill of Rights de 1689. Petition of Rights de 1628. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Habeas Corpus Act de 1679. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. então. Podemos falar. Fundamental Orders of Connecticut (1662). a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. o P. I. com valor igual para todos. cujo titular é o povo. segundo o art. Assim. mediante: plebiscito. dá-se através dos representantes do povo. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. que. que são os deputados federais (âmbito federal). 46. de acordo com o art. o exercício deste poder. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Carta outorgada por Carlos II (1662). do art. de forma expressa. por intermédio de seus representantes.709/98 (que regulamentou o art. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. referendo e iniciativa popular”. CR) e. caput. Contratos de colonização. Como regra. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . pertinentes. Act of Settlement de 1701. verdadeiro sistema híbrido. a verdade. portanto. CR). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. de soberania popular.U. II e III. nos termos desta Constituição”. a solidariedade. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). a continuidade. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). O titular do poder é o povo. a participação. concretizando a soberania popular. 14. 1º.

Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. o restante. ou seja. Segundo ele. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. → Segundo Hans Kelsen. A conferência realizada por ele. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). que adota o conceito decisionista de constituição. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. §2º. Para entender tal concepção. ou seja. mas apenas leis constitucionais. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). Objetivos fundamentais também são normas programáticas. Toda a Constituição. o caráter normativo e vinculante da Constituição. quando não corresponde à Real. As leis constitucionais são todo o restante. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. é vinculante e obrigatória. para ele. não passaria de uma simples “folha de papel”. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. os direitos fundamentais. Esta é a concepção que hoje prevalece. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. PJ. conforme o prisma de análise. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. mas materialmente distintas.. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). portanto.: art. que surgiram com as constituições mais prolixas. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. A Constituição Escrita. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. Constituição e leis constitucionais são. como por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Esta concepção atualmente é inadmissível. caso contrário. com exceção do Preâmbulo. PL. O art. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. na política ou na filosofia). a Constituição é norma pura. na sociologia. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. 242. Essas normas são programáticas. têm a mesma forma de elaboração). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. 1°. a que Carl Schmitt chama de Constituição.

é apenas uma pressuposição. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. neste sentido. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. segundo esta concepção. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. A CR/88. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. Ou seja.Soberania. ela não existe na realidade. 10 . seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. quais sejam: . a Constituição tem sim fundamento sociológico. ao mesmo tempo. . a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. é um elemento conformador. Gilmar Mendes). os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). não introduz nenhuma novidade.Povo. modificando-a.Finalidade. Seu único comando. por isso não tem nenhum expoente específico. condicionante desta mesma cultura. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. qual seja. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. portanto. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). é uma norma pressuposta. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. . e também jurídico. mas que trata de todos os aspectos. . define tais elementos estruturais. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político).a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”.Território. é: todos devem obedecer a Constituição.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. não está escrita. todos os setores da vida social. é a Constituição escrita (CR/88). posta pelo Estado). Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas.

que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. não surge de uma só vez em um só momento. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte).dogmática: sempre escrita. é fruto das idéias.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada).: as constituições outorgadas recebem. pois toda constituição é escrita e não-escrita. de uma só vez. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. quem vota a matéria são as lideranças. há pouco espaço para se ter costumes como regras. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. a Constituição Inglesa. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). . . consuetudinária (não é escrita). votada.. toda Constituição histórica é costumeira. 1967. No Brasil. trata-se de modalidade anacrônica. tem também vários documentos escritos. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).. 3) Quanto à origem: . Por isso mesmo. ou variadas): ex. . surge em um só momento.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. por alguns estudiosos. a constituição não se torna democrática.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. Ex. Constituição Espanhola/1930. Obs. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). 1937.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. de maneira unilateral. como por ex. Nesse caso. promulgada. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. . intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. a classificação irá ajudar a compreender a constituição.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. as constituições outorgadas foram as de 1824. podendo ser: . por ex.democrática.não codificadas (ou legais. o apelido de “Cartas Constitucionais”. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. É uma aprovação simbólica). 11 . e como é bastante prolixa. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.outorgada: é a constituição imposta. .

Ex. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . 1º. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Ex. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais.) . inclusive a CR/88). Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. São chamadas também de clássicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. Em 2000.fixas: não poderiam ser modificadas.: art. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). sem se preocupar com os detalhes. .rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. . pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. sucintas.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . passou a haver hierarquia entre as normas. Como se submete a esse tratado internacional. ou seja. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. É uma constituição em sentido formal. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. Constituição Inglesa.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. mas sim o processo mais dificultoso. sendo assim.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. . 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . . (Obs. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). portanto muito difícil de serem modificadas. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. É uma classificação típica das constituições costumeiras. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. deixou de ser considerada flexível. Não existe controle de constitucionalidade das leis.: a Constituição dos EUA). CR). independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). como é o caso da CR/88. É uma constituição em sentido material. Ex. Por este motivo.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.

Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. Pactuadas (ou pactuais). É a CR/88. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). codificada. democrática. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. rígida (ou super-rígida). o União. dogmáticas. sucintas. CR. 13 . básicas ou clássicas). o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. e não de apenas uma ideologia. porque é fruto de várias ideologias. União. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). formal. 59 e segs.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). como por ex. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Canotilho. o DF. OBS.: a CR/88 é ainda Eclética. que surgiram com um objetivo pré-definido. pois valem a todos os entes federados. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. costumeiras ou consuetudinárias). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Não-escritas (inorgânicas. 3º. votadas ou promulgadas). QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. sumárias. Rígidas. mas sim uma obrigatoriedade!). (processo legislativo). • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. o Estados. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. prolixa. . É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Históricas. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Fixas. dogmática. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves.: art. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Democráticas (populares. Constituição em sentido formal. Ecléticas. o Municípios. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. Característica das constituições clássicas.: art. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. Constituição programática (ou dirigente). Flexíveis (ou plásticas). As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida.

O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. por ser rígida. LC. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. No topo. 59. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. §3º). O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. 59. enquanto as regras são mais específicas. cujo fundamento de validade são as leis e. Importa dizer.343/SP. se tiver também supremacia formal. No entanto. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. tem de ser. que existem como complementação dos ANP). ordinárias e complementares). que a CR/88. MP. basicamente. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . por 3 níveis hierárquicos. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. distritais e municipais. uma Constituição só possui relevância sociológica. Para que exista supremacia formal. para fins de controle de constitucionalidade. Leis Delegadas. 59. as medidas provisórias. princípios ou regras. a Constituição. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. as leis delegadas. estaduais. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. II a VII). do Senado e do Congresso Nacional (☺art. sejam elas originárias ou derivadas. encontram-se as normas constitucionais originárias. 5º. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. porque os princípios têm maior amplitude. a Constituição tem que ser rígida. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex.: decretos e regulamentos. DL e Resoluções – ☺art. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. o indireto. as derivadas (art. CR). I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. direitos fundamentais ou não. obrigatoriamente escrita.

☺Art. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. 69. Lei ordinária Art. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Leis delegadas. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). No entanto. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO.☺Art. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. OBS: O art. Não varia. por uma questão de economia legislativa. Quando não exigir LC. que regula a LC. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Portanto. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). 69. 47 é a regra geral. MPs. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). por isso não entendo como pode tamanho formalismo.status constitucional. Essa aprovação não é obrigatória. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Anotar como complemento posteriormente. Residual. mas somente uma recomendação. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). 47. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. é sempre o mesmo número ☺Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Reservada pela CR/88. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). a previsão constitucional exige complementação. Por ser uma matéria reservada. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. No caso da prisão civil por dívida.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição.

DF). pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. Parei aqui. como o controle exercido será de constitucionalidade. III. não cabe ADIN.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. no caso de repartição vertical. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. conforme previsto no art. E. d. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 102. Hierarquia entre Lei Federal. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). 25. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). • Estado – ☺Art. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. assim. CR. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art.: lei estadual trata de matéria de competência da União). Assim. 21. • União – ☺Arts. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 30 (assunto de interesse local). pois não está ligada diretamente à Constituição. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Assim. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. 16 . a competência para resolução é do STF. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. ☺Art. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Havendo conflito (ex. há hierarquia.

Assim. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. tem função interpretativa). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. mas também o preâmbulo. visando assegurar a supremacia da constituição. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Tirando o preâmbulo. . 17 . o CDC. contudo. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. b) Parte permanente = normas gerais – arts. os TI de direitos humanos. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. seja uma norma de referência para ele. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. . todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. . normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. para alguns é amplo e para outro é mais restrito.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). é diretriz hermenêutica. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. etc.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). deve estar inserida no texto da CR. portanto. Não existe. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. Como não tem caráter normativo. quando são equivalentes às EC. Abrangeria não somente a constituição. Com a EC/45. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. ou seja. como para Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Refere-se. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH.

atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Não Auto-executável. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. A omissão parcial nada mais é que uma ação. Ex. o Min. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Ou seja. as Súm.: competência privativa do PR (☺art.: a Súm. Dependem do prisma de observação. Obs. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. 61. às vezes. 5° a 17). STF não é mais aplicada. 4 e 5. mas caberá ADIN por omissão). há uma divergência na doutrina.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. se considerar em relação a uma expressão é total. 154. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. quando não é respeitada uma norma de competência. CR).: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. ocorre. Assim. art. No STF. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. .de princípio programático. 3. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). (Obs.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Ex. ou seja. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). aliás. 3. 3. Ex.de princípio institutivo (Obs. I – que exige LC para instituir impostos residuais). A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Assim. ADC e ADPF. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. não pode ser suprido pela sua sanção).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5. ou seja. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. não será cabível mandado de injunção. AIO. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. Pode ser: . mas o prof. 18 . pois. Aqui. §1º. e Não Bastante em Si. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Não Auto-aplicável. Formas de Inconstitucionalidade: 3. ADI. . MI. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição.

não podendo incidir sobre parte do dispositivo. que só pode atingir todo artigo. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Pode ser: b. ato originariamente constitucional. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Obs. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. não pode ser retirada). e grande parte da doutrina. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. pois. Ex. refere-se.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. aos Atos Normativos Primários.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. 66. atos previstos no art.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. Segundo STF. a inconstitucionalidade será indireta. Assim. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. decretos regulamentares. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei.: a palavra “não”. Se o decreto é ilegal. já sendo inconstitucional desde a sua origem. 3. como altera sentido do texto. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. CR. ou seja. o decreto se torna inconstitucional. Relaciona-se. que se ligam indiretamente à constituição. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. reflexamente (ou de maneira 19 . pode ser questionado. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. Quando se fala em inconstitucionalidade. § 2°).5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. No caso do decreto. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. não se trata de revogação. a inconstitucionalidade será direta. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. de ofício ou a requerimento da parte. Para o prof. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. 59. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. ou seja. b. No caso da lei. no controle concentrado abstrato. toda alínea ou todo inciso (☺art. todo parágrafo. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. Ex.

pois pode ser derrubado (☺art.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo).: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. O chefe do PE. Obs. ela não está violando o direito de ninguém). CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade.sancionar. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. porque o ato não fere diretamente a CR). parágrafo. portanto. mas sim analisar cada caso concreto. Art. por isso aqui não há que se falar em controle). . ele não precisaria impetrar o MS. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). quando ele participa do processo legislativo. O veto tem que ser expresso. já que de maneira indireta. Caso contrário. CR). tem fundamento de validade indireto. prevenir que a CR seja violada. 66.. 84. a inconstitucionalidade será direta. inciso ou alínea). segundo o STF. se ele entender que o projeto é inconstitucional. a inconstitucionalidade é indireta. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. EX:art. o projeto 20 . não pode impetrar o MS. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. IV . A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. promulgar e fazer publicar as leis. viola o art. OBS: não adianta decorar o nome do ato. Trata se de um controle incidental. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. mas uma mera análise política. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. O único legitimado para impetrar esse MS. que se exerce através do veto (☺art. CR. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. assim.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). .ou concreto. 84. embora participe do processo legislativo. No 1° caso. §2º. 60 parag 4. é fundamento de validade direto e no 2° caso. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. IV. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. 66. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. é excepcional. por isso ocorre antes da promulgação da lei. como pelo PE e PJ: . porque ele é o único que participa do processo legislativo. O veto é relativo. porque o chefe do PE.

Leitura do livro do Lenza (pág. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. 68. etc. pois não se trata de ato normativo. Assim. No entanto.. constituindo-se normas constitucionais interpostas. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. que é o chamado Decreto Legislativo. já que trata-se de um ato normativo. somente o Deputado Estadual. as cláusulas pétreas. Ademais. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. ☺art. 60. se na Assembléia Legislativa. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. na linha do voto de Gilmar Mendes. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). vinculam os atos e procedimentos legislativos. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. Na verdade. por maioria de votos. interpretações regimentais. contudo. a fim de repará-la. muito embora não sejam formalmente constitucionais.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. secreto. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. e as normas do RI são questões interna corporis).. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. que entende que “. que. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. 21 . em um primeiro momento. Legislativo? Sim. universal e periódico. na qual o projeto esteja tramitando. §4º. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. o PR elaborará então a LD. tendo como objeto esse Dec. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. não lhe cabendo. vedando-se. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. o voto direto. 168): o STF. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. se está no Senado. CR. Se o projeto tramita na CD. mas um processo legislativo constitucional. ADC ou ADPF. V. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Questão: o PR. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. aos direitos fundamentais”. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. a separação dos poderes. desta feita. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. o Senador. V . o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. os direitos e garantias individuais” – ou seja. mormente. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. pode ajuizar uma ADI. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. ou seja. 49. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.

não é um entendimento consolidado.. ou seja. Gilmar Mendes. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. estudado de forma detalhada a seguir. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. mas segundo o Min. CR). 71. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.. Após a CR/88. IV.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). quando. STF: o Tribunal de Contas. já no STJ não há qualquer ressalva. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. ela deve ser objeto de controle. Ele será. Apenas excepcionalmente. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). ajuizar uma ADI. segundo o STF? Resposta: em regra. ao fazer um Decreto Regulamentar. no exercício de suas atribuições.. não havia relevância alguma). . porém. Não se analisa o mérito da MP). O chefe do PE (e só ele – PR. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. simultaneamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. 84. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . mas tão somente aos prefeitos. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. pode o PJ analisar tais pressupostos. é necessário fazer-se um controle repressivo). nesse caso o CN pode editar um Dec. . por ex. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. Antes da CR/88. através da edição de um Decreto. Assim. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. Desde já. Obs. No entanto.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência).: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. GE. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. III) Súmula 347. clara e evidente – ou seja. esse rol foi ampliado. pois. nesse caso. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. O TC é órgão auxiliar do PL (art. exorbita os limites do Poder Regulamentar. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). 4. tampouco que o PR. ao negar cumprimento à lei. CR). Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Legislativo para sustar.084). II) art. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. 62. o chefe do PE teria que. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante.

porque significam coisas diferentes!). haviam sido feitas apenas 16 EC.Hilton x U. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). o controle é feito pelo PL. com 19 anos de Constituição. dentro de sua competência. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. já foram feitas 56 EC! 23 . em se tratando de lei nacional. ou seja. difuso e concentrado). O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). e é adotado pela maioria dos países europeus. em 1920 (bem depois do controle difuso). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Primeiro caso. 4. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). para não gerar essa confusão. É também chamado de controle aberto. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. No Brasil. se se tratar de lei local. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. Obs. que completa este ano 20. em 1803. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. 1792 Hayburn s case.S. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). Segundo caso. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade).: na Suíça.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. quem exerce o controle é o PJ. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. porque surgiu nos EUA. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. mas das espécies de controle. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Por isso.A. ao mesmo tempo. interessante: em 1965. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. Ex. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88).3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. isso não é verdade.: França – que tem o Conselho Constitucional. Por isso. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. já na CR/88. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. porque surgiu na Áustria. inclusive o STF). O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. É conhecido como Sistema norte-americano de controle.

as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. também não podem ser objeto de controle abstrato. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. A análise da lei sempre será feita em tese. O efeito vertical. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Com base nesse argumento. e a partir desse antecedente. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. o principal defensor dessa tendência é o Min. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Este efeito é típico do controle abstrato. No direito brasileiro. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Por isso o Min. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. já não ameaça mais a supremacia da constituição. por ser uma relação vertical. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. Segundo este instituto. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. No Brasil. se fala em efeito vertical. Da mesma forma. ou seja. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). mas tão somente de controle concreto. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). é proteger as normas da CR. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). porque em estando revogada. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. ou tendência de verticalização. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. sendo o controle 24 . nos EUA chamado de “Binding Effect”. A finalidade não se confunde com a competência. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. (O STF é o guardião da CR – art. 97. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Gilmar Mendes. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. mas deve ser estendido ao controle concreto). Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. 102. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).

o STF estaria usurpando uma função que é do SF. em seu voto. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Eros Grau. Na decisão do STF. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. O Relator da Reclamação foi o Min. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. ou seja. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. o direito de greve dos servidores públicos. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. o Min. ou seja. Gilmar Mendes (e também o Min. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Assim. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). 4. ainda. 52. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira.917/SP. viola o princípio da igualdade. Por fim. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. No Acre. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). Assim. CR. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. Então o Min. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). se assim fosse. Gilmar Mendes. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. sendo acompanhado pelo Min. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. que deu provimento à reclamação. E. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. pelo menos por parte de alguns ministros. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. Então. Antes. segundo ele. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Não houve reclamação quanto a essa decisão. ou seja. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. em ocorrendo isso.335/AC). No Legislativo: Mas. Por fim. X. tendo efeito apenas inter partes. Pois no controle difuso. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. então não sabemos a posição dos demais ministros. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. e não erga omnes. houve decisões proferidas em 3 MI (712. Gilmar Mendes. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. não permite essa mutação). A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. não uma simples mutação. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. sem que ocorra modificação no seu texto. do PL. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. como a decisão tem efeitos inter partes. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa.959/SP. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Outra situação interessante foi o RE 197. 25 . disse que apesar de ser um controle difuso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. ou seja.

por estarem mais próximos dos indivíduos. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. concorda com isso). Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. não é o objeto principal do pedido. estão os procedimentalistas. somando-se os votos de todos eles. 102. não cabe ao STF analisar.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei.418/06).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. não tem natureza processual como as súmulas comuns. a rigor.417/0 e Lei 11. analisado no dispositivo (conseqüente). (☺ Lei 11. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. é um instrumento de controle concreto e há. O RE. Num segundo momento (conseqüente). Contrários a essa tendência de abstrativização. pois tem o papel de guardião da Constituição. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. atualmente. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. político ou jurídico. § 3°. eles não se reúnem fisicamente. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. A repercussão geral (art. O papel do STF não é julgar litígios individuais. social. não precisam chegar até o STF. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico.art. por sua vez. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). Caso contrário o STF não vai admitir o RE. julgando-o procedente ou improcedente. é uma questão incidental. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . 103-A). 26 . No controle concreto. Segundo Eduardo Appio. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. ou seja. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. mas apenas a causa de pedir (antecedente). o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. fundamentação e dispositivo. o que se dá no “plenário virtual”.

: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. art. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias.Lei 9.EC 45/04: art. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. 27 . Ademais. . sejam poderes públicos. art. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. há previsão não só na lei como também na CR).vinculante.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). .Obter Dicta: não tem efeito vinculante.: . ou seja. 28.Lei 9. secundárias do julgado.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. mas também à fundamentação. Sendo assim.882/99 – ADPF. 5. conforme está previsto no caput do art. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.erga omnes . O próprio STF já proferiu decisões divergentes.I. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. a razão determinante da decisão. não determinantes para a decisão) não vinculam. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. e ele se encontra no Dispositivo. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. eles também são vinculantes. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão.U. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. 102. . → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.868/99 – Lei da ADI e da ADC. §2º. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. 102. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). sejam particulares. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. mas tão somente a ratio decidendi. questões ditas de passagem. 10. P. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. a chamada eficácia vinculante. Dispositivo L. .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . .

Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. como a coisa julgada. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). por sua vez. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. e outros dizem ser um ato anulável. inclusive os chefes do PE.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente.o PL (na verdade. se as leis devem ser cumpridas. segundo o prof. . Por este entendimento. mas os sistemas de preclusão processual. . não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. mesmo que não tenham sido impugnadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . no caso Marbury x Madison). É um entendimento que vem desde 1.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. também fica vinculado). pois atinge apenas o dispositivo. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. que se quiser. 28 . a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. a função legislativa). suas turmas e seus ministros. até que o PJ a declare inconstitucional. Respeitando o efeito vinculante. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. estes estarão sim vinculados).Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. pode modificar seu entendimento. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. impedida de evoluir). já os órgãos fracionários do STF. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. Obs. . O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. cuja função não é legislativa. outros dizem ser nulo. estadual e municipal). inclusive o Tribunal de Contas. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. . mas sim fiscalizatória. (20/03/09) 5.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. . Só atinge a norma impugnada. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. No entanto.

O STF. portanto. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. Exs. etc. assim. ☺RE 197. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. o Min. com inteiro teor). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). não admite a “constitucionalização superveniente”. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. decidiu que. Assim. e não no de não-recepção). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).). 11).112/90. como regra é retroativo: ex tunc. 27.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. porque o ato é nulo desde a sua origem. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. os efeitos são erga omnes). as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. não precisariam deixar os cargos. por questão de segurança jurídica. com seus normais efeitos ex tunc.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. como os servidores agiram de boa-fé. como a Lei 9. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade..882/92 (art. o efeito que produzirá. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. autor e réu. poderá o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF.Normas anteriores à CR. 27). Mas.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. o STF. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. Visto a natureza do ato inconstitucional. que revogou a Lei A. Neste caso. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. ☺art.868/92 (art. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros.)”.. . outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. no caso do controle abstrato. . ou 2) excepcional interesse social. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). Lei 9.” . como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). Ou seja. portanto. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral.

nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico.O Tribunal não precisaria 30 .Corresponde a um juízo de . entende-se que a norma (B) é inconstitucional. mas nem sempre. ex. Segundo o STF.2: art.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. o prof.Corresponde a um juízo de . CR x art. mas sua interpretação). é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). 134. reproduzida pelo STF). Ex. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). . não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. 68. à medida que a situação fática for alterada. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. não foram todos os ministros que se manifestaram). desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). . Em alguns casos. quando todos os Estados tiverem DP. ela progressivamente se tornará inconstitucional).O Tribunal precisaria observar . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca.: a norma x tem dois significados possíveis. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. com condições de trabalho iguais às do MP. chamada “Apelo ao Legislador”. para que este corrija a norma. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. o resultado será o mesmo. CPP. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. Ex. quanto . constitucionalidade. e a norma já foi recepcionada pela CR e. evitando a inconstitucionalidade progressiva. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. controle difuso-concreto. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. um significado A e um B. de fato. portanto foi recepcionada. depois de ter sido recepcionada. Assim. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). mas. assim. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. portanto. (A norma já passou pelo crivo da constituição.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. com um só sentido). 5. era uma questão “obter dictum”. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). que trata da ação de reparação ex delicto.

Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. Ocorre que.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. Obs.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.É permitida uma interpretação e. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo.É excluída uma determinada interpretação. portanto.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. no controle abstrato. se o art. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). como ambas são equivalentes. 2º for dependente do art. Assim. ou todo o artigo. b. dentro de uma mesma lei). no controle concreto.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. . se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. o texto da norma. em princípio. 1º e 3º e. a cláusula de reserva de plenário. .Não há qualquer modificação no texto da norma. no controle concreto. b) Com redução de texto: b. desde que não altere o sentido do restante da norma. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. 2º. O STF. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . Na declaração com redução de texto. de ofício. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. ou seja. de ofício. se manifestar de ofício sobre o art. o juiz pode. esta só se faz necessária quando se afasta.É uma técnica de decisão judicial. não poderá. 1º ou do art. se for um dispositivo autônomo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. do art. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. observar a cláusula da reserva de plenário (*). portanto. . 2º. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). por arrastamento. 2º. o juiz não pode. e são permitidas as demais.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. Trata-se de controle abstrato. ser objeto de ADI. em razão do Princípio da inércia. 3º. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. são excluídas as demais. declarar a inconstitucionalidade. (*) Para o STF. em regra. . nem sobre os demais. mesmo que não tenha sido questionado. . 97). . Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. da Lei x.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. 1º e 3º. total ou parcialmente. não podendo. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. .

ADCe ADPF). julga também inconstitucional o decreto. mas apenas a causa de pedir. portanto. O dispositivo. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. porque. e por arrastamento. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Ex. apesar de sozinho não ter aplicação. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. todo controle difuso é concreto. neste caso. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. dentre elas a ACP. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Assim. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. mas é que esta não é necessária.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). Sobre o tema: 32 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. Contudo. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Mas nem todo controle concreto é difuso. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Obs. de ofício. No Brasil. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. pois será uma questão discutida incidentalmente. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. Neste caso. portanto. O pedido será a proteção de direitos. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). mas também quando há usurpação da competência do STF). poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Ou seja. julgará procedente ou improcedente o pedido. ACP para fechamento dos bingos. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. já que o STF pode.

pois. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). No tocante. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo.: eleição do Presidente do tribunal.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Em outras palavras. que é função legislativa. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. não pode ser delegada. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. Segundo esta cláusula. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. dotada de caráter de universalidade e abstração”. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. e no mínimo 11 membros. Assim. por ex. que é função política. Assim. também não pode ser delegada). Nada impede. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF).. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). no caso. STJ ☺ Resp. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. Assim. por entendê-la inconstitucional (inter partes). teremos uma lei material. por exemplo. os Tribunais não têm admitido que. STJ ☺ RE 227. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. em defesa de contribuintes. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. é função possível de ser delegada. porém. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). elaboração de Regimento Interno. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. 557. por meio da ACP. de efeitos concretos. o que só se pode obter por meio de ADI. 93. desde que. Os juízes singulares podem.022. conseqüentemente. 33 . as chamadas leis de efeitos concretos.646. 97. porém. XI – órgão especial: para que seja criado. 97.159. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. que é mais de 50% dos presentes). porém. Regra da “full bench”. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. ☺art. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). assim. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. na prática. 294. no âmbito dos Tribunais.

CR é uma NEP (norma de eficácia plena). O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. Decidido o antecedente. Há quem critique tais exceções. Exceções: P.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. a argüição de inconstitucionalidade (.U. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. ao órgão especial). são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. assim. pela maioria dos seus membros. ou em caso de interpretação conforme. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. CPC) seria inconstitucional: o art. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. podendo decidir o caso concreto. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. . A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão).U..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. O professor não concorda. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). Assim. 34 . 481. no entanto. Há uma repartição funcional de competências. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. sabe-se que o STF é o guardião da CR. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. se existir no Tribunal. 481. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. de acordo com o posicionamento do STF. 97. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. se entender que a lei é inconstitucional. se for acolhida.. P. porque para o STF ambas são equivalentes. sob o argumento de que o dispositivo (art. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. ☺art. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. abstratamente.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). como guardião da CR. será lavrado o acórdão.. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. Quanto à 2ª exceção. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. prosseguirá o julgamento.

A suspensão se dá através de uma Resolução. RISTF. O SF apenas suspende a lei. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. esta decisão deve ser submetida ao plenário. CR – compete privativamente ao SF suspender. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. A cláusula vale também para o controle concentrado. não estando vinculado à decisão do STF. ou seja. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Efeitos. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. O STF já admitia essas duas exceções. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). Quando a CR fala “no todo ou em parte”. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. entendem que se trata de um ato discricionário. que não pode ser retroativa. o SF não pode suspender toda a lei. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. em regra. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. como se tratasse de uma revogação. portanto. Outros autores. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. 178. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. a lei deixa de ser aplicada. Ou seja. art. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). quando isso ocorre. a decisão do STF. X. 52. sustentam que o efeito é ex tunc. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. passa a ter efeito erga omnes. Ademais. Quando o SF suspende a lei. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. trata-se de uma competência exclusiva. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. se assim o fosse ela já seria vinculante). O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. que não comporta delegação. no todo ou em parte. 2) Outros autores. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. O SF não é obrigado a suspender. É o entendimento mais correto. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. ela se refere à decisão do STF. 35 . por isso o faz dali em diante. bem como ou STF. Na verdade.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. pela simetria deve ser atribuída ao governador. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Nas situações em que o TJ julga. ou seja. requisitos para a criação de CPI. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. CR: prevê o escrutínio secreto. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Na ADPF este fenômeno também é possível. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. já o SF não. cujo modelo. está fazendo uma análise. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. e se o STF. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. configuraria uma mutação constitucional. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. deve-se recorrer ao entendimento do STF. 178. se for apenas uma parte. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. o que. O SF. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. 57. esta norma não é de observância obrigatória. a partir do momento que resolve fazê-lo. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. 59 e segs. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. LC. esse entendimento é desejável. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. por ser um órgão do PL Federal. cabe. segundo o Min. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. CR) não comporta este entendimento. Ressalta que a letra da norma (art. normas referentes ao TCU. RISTF) – e isso é óbvio. Art. 61: iniciativa do presidente. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. já que o SF não atua de forma correta. 66. LO. obrigatoriamente. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. em razão do princípio da simetria. Gilmar Mendes. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. não se referem ao âmbito estadual e municipal. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Segundo o STF. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . sendo norma de observância obrigatória. Quando se fala em decisão definitiva do STF. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. Segundo o professor. etc. Por isso. Art. É uma construção da jurisprudência do STF. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. CR. um RE para o STF. desta decisão proferida pelo TJ. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Mas. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). mas. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. §4°. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. a resposta é negativa. se toda a lei foi declarada inconstitucional. não havendo a necessidade de suspensão da lei. Neste caso. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. 52. no controle difuso-concreto.

ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Ex. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). ADC ou ADPF). §3º.: art. visto que. 52. do DF e até municipais. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. estadual e municipal. É também uma lei emanada do CN. os que tratam do TCU.” Análise do enunciado pelo prof. art. não havendo. sendo específica para os servidores públicos civis da União. como aos Estados. Quando o SF suspende os efeitos da lei. mas não trata apenas dos interesses da União. Ex.: arts. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. da organização da União. 37. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. está defendendo interesses apenas da União. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento.: Lei 8. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. 59. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. no controle abstrato (ADI. quando o SF atua. distrital e municipal). Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). X. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. que deve ser observado no âmbito federal.). porém. outros 37 .: CTN. pelo Senado Federal. Ex. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). por não existir uma federação de municípios. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. Quando o SF atua como órgão federal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). estadual. no todo ou em parte. 19. Sabe-se. etc. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. se aplicando ao âmbito federal. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). só se aplicando ao âmbito federal). CR). Assim.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. portanto. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. a suspensão. Classificação de Osvaldo Aranha B. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. por isso pode suspender leis também dos Estados. ele está atuando como órgão de caráter nacional. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. por isso pode suspender lei estadual e municipal. São os dispositivos que se referem tanto à União. retirando a lei do ordenamento jurídico. o SF teria um número enorme de representantes). mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). 58. também. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. assim.

na sua esfera de competência. Segundo o STF. Com efeito.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. é sempre a AL que suspende a lei. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). de 10/10/1997. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. no âmbito da AP Federal. 38 . não retroativos). RN. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. então. Poderá. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). porque o seu parâmetro não é a CR. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. pró-ativos (ex nunc). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). de fato. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Portanto. é a AL que suspende a lei.346. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. SE e AM. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Embora não haja consenso. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. 2º grupo: . o enunciado acima transcrito está corretíssimo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. adotou-se. Entretanto. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. por força do referido Decreto nº 2. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. declarando uma lei inconstitucional.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. visto que. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. é a Câmara Municipal. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF.346. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. TO. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. . d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. MS. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. os dois tipos são constitucionais. em decisão definitiva.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. da AP Federal direta e indireta. visto que.

882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. tendo partes – autor e réu. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. ou na CR ou na lei. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). em seu art. A Constituição. Por se tratar de um processo de índole objetiva. obviamente. 4) Recurso da decisão de mérito. onde não existem partes formais (autor e réu). . 39 . e não do trânsito em julgado. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito.ADPF.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. ela é meramente jurisprudencial).868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. que são a União e os Estados).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). 5) Ação rescisória. Obs. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. . a competência é do TJ). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). 103. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . de acordo com essas leis. não cabe. deve haver a previsão da legitimidade. a ampla defesa.ADC. mas sim legitimados. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. o duplo grau de jurisdição. ☺Lei 9.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). Como são ações de controle abstrato. e . A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU.

Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. para ter legitimidade. Executivo PR GE – GDF P. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). a partir de então.Confederação sindical significa de âmbito federal. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. . . .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. . ou seja. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Para ter âmbito nacional. . Os demais podem fazê-lo sem advogado. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.Os GE.. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. confederação local: sindicato. CS e ECAN.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.S.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Assim. Obs. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). segundo a jurisprudência do STF: . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . confederação regional: F.A entidade de classe. .A norma do art. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.

41 . as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. OBS. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. o RI pode. caso o decreto emane diretamente da CR. admite-se o seu controle. . direitos e garantias fundamentais. nas normas que tratam de outra matéria). sem interferência do PJ. a. para ser objeto de ADC e ADI. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.Norma formalmente constitucional . em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.TIDH (3/5 e 2T) . 1º. Lei 9. Não serão objeto de ADI e ADC. 102. geral e abstrato. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.☺art.: decreto regulamentar do PR. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. ele poderá ser objeto. §3º . por isso não é ANP).: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. 5º. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. decreto regulamentar.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. I. Obs. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. ou seja. são questões próprias de RI. todas estão no mesmo nível. como por ex. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). I. Ex. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. . precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. a. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. pois geralmente está abaixo do decreto. . 102.

No caso de emenda. CR. Obs. devendo ser de todos eles intimado. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. Tem status de ministro de estado. também poderá dar parecer em sentido contrário. é preciso primeiro ser transformado em EC). 103. . ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. rejeitadas ou havidas por prejudicadas.Súmula. só podendo ser objeto de controle difuso. Hoje. medidas provisórias revogadas. não ameaça mais a supremacia constitucional. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. na outra. Atuação do PGR: ☺art. ainda que ele proponha a ação – ou seja. não pode ser objeto de ADPF: . leis suspensas pelo SF. Função geral do AGU (art. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. ou seja. da mesma forma na ADPF. O PGR atua como “custus constitutionis”. 42 . chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). segundo o STF.leis revogadas. se seu entendimento for diverso. de defensor legis.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. pode ser qualquer ato do poder público. Atuação do AGU: ☺art. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. portanto está subordinado ao PR.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Lei do DF não pode objeto de ADC. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. A função do art. § 3° é uma função especial. Gilmar Mendes e de um prof. ainda. pois não produzem mais efeitos. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. salvo embargos de declaração. §3º. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). Lembrar que não cabe assistência. poder-se-ia admitir o veto jurídico. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). 103. se um novo PGR o substituir. sem exceção. 103. e. §1º. Assim. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. intervenção de terceiros e recursos.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. STF). ele vai atuar como fiscal da Constituição. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. . CR. Mas. por analogia. como está havendo uma influência de um controle no outro. posteriores a 5/10/88. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. o STF admitiu. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos.

868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. disciplinou a figura. Não há previsão para a ADC e ADPF. A exposição dos motivos da Lei 9. “amigo da corte”. de “defensor legis” e. §1º.884/94 (CADE). 20.868. 7°. Ele não é alguém interessado na causa. art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. o das audiências públicas. Posteriormente. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. Amicus Curiae: Em uma tradução. Nesse caso. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. por analogia. Quando o AGU desempenha essa função. 7º. 89. não precisará do AGU para defendê-la. por fim. §2º da Lei 9.385/73 (☺ art. Foi introduzida pela Lei 6.868/99 -☺art. ☺ art. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei.868/99 vale só para a ADI. o AGU até poderia participar. 43 . o AGU não será obrigado a defender a lei. É muito comum nos tribunais internacionais. seria “amigo do tribunal”. portanto. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. não há o que se defender. Na ADPF. só vai contribuir para a decisão do tribunal. Está desempenhando uma função especial. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). em especial no direito norte-americano. art. Tem natureza de auxiliar do juízo.868. A audiência pública está prevista na Lei 9. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF.868. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. 6º. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. a Lei 8. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. 482. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. A previsão expressamente contida no art. §1º e art. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). 9. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Portanto. . na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. em seu art. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Cabe também na ADPF. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. nos estados que adotam a commum low. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Ela já existia antes. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Mesmo sem previsão legal. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Importante: ainda que como Advogado da União. Na ADI por omissão. 7º. §3º. Mas atenção: existe um outro instituto. mas não têm nada haver com amicus curiae. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. sendo feita por toda a sociedade. §1º. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. §2º e art. 31).

Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Marco Aurélio não admitiu. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. É.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. em despacho irrecorrível.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Foi uma exceção. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. pois admitiu pessoa física em controle concreto. ou seja. M. I. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda.868/99. não tendo partes. admitindo prova em contrário. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Mello. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Mas depois que a lei foi feita. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. O STF ainda tem exigido pertinência temática. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). é um equívoco. Quando 44 . porque iria envolver matéria em relação à vida. seria uma exceção). Barbosa e E. “a”. cabe amicus curiae. Obs. . Lewandowski. a mais correta. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. por ex. O juiz de primeiro grau. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. Para o prof. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. segundo o professor.102. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). (Obs. portanto. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. Gracie). Aurélio. Apesar de que era relevante. Surgiu com a EC/03. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). admitindo ser intervenção de terceiros (C.Com relação à presunção de constitucionalidade. J.. ou seja. Lei 9. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. . ressalta-se que esta é apenas relativa. autor e réu. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. poderia afastar esta presunção. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. R.

mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. §1º. Segundo a doutrina.U.Cláusulas Pétreas. . b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. nos quais a lei esteja sendo discutida. O parâmetro. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.). .868/99. Portanto. Cabe prorrogação. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). 14. .882/99. II. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. CR e Lei 9.869/99. é mais restrito: somente a violação. 34. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.Cláusulas Pétreas. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. portanto. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Gilmar Mendes. 45 .21. .Princípios Constitucionais Sensíveis.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.868/99.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). . para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. o FHC ajuizou ADC. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. art. a Lei 9. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.Título I: Princípios Fundamentais.14. em seu art. e . não há que se declarar uma lei constitucional).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. no entanto. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. os preceitos fundamentais são: . e .102. Através do AGU. VII). Não é uma ação de inconstitucionalidade.Princípios Constitucionais. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. art. Mas. . Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. III). nas outras ações ela também poderá ocorrer). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. O STF admitiu ☺Informativo 518. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. na ADPF 33: . P. ADPF: ☺ Art. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. inclusive o Poder Executivo. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. Como visto. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).

apenas o STF. embora lá há uma vinculação horizontal. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.882/99). Um dos legitimados. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. embora seja bastante difícil existir esse meio). a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. 46 . que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). estadual e municipal. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. § 1° da lei 9. Proposta diretamente no STF. Obs. 196 e ao meio ambiente. O objeto pode ser da esfera federal. P.: gestante com feto com acrania.U. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. art. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. a vinculação é vertical. ou seja. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. 4°.: surge a partir de um caso concreto. Incluindo-se.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. 1º. Segundo Neri da Silveira.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Características: . Aqui. Art. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. dentro do mesmo tribunal. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. leva a questão ao STF através de ADPF. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. 1º. os legitimados podem levar não todo o processo. Ex.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. dentro do órgão judiciário). na ADPF. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. neste rol. como guardião da CR. podendo ser um meio de controle difuso. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Mas se algum dos legitimados souber da ação.882/99. ainda.

47 . Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: .. 103. 5°.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. à soberania e à cidadania).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. TSE/TER (art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . É a mesma da ADI. II e III). 121. V). O STF admitiu a ADPF. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. No entanto. STJ (art. mas a converteu em ADI. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. É controle abstrato. . LXXI .CR: STF (art. coletivos e individuais indisponíveis (art. h).Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). 105. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). (O órgão tem que ter competência determinada na CR. em se tratando de órgão administrativo. . . ADC e ADPF (art. § 2º . 5°.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. por ex. § 4°. Ex. q). governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. Assegurar a efetividade de suas normas. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. nas CE ou em lei federal). em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. 129. É controle concreto. à soberania e à cidadania”. para fazê-lo em trinta dias”. I. I.Admite-se a fungibilidade. 102. Obs.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). o STF transforma a ADPF em ADI.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.

segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). LXX: PP c/ CN. Se o PL) e. ou seja. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. apenas razoável e não peremptório. organização sindical. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. mas esse prazo era direito. portanto. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . concretize a norma (faça a norma concreta). em se tratando de órgão da AP.Órgãos públicos. no entanto. é b) Concretista: concretiza a norma. Mas atenção. O STF. Há.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. competente de sua omissão (em regra. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. autores que admitem. entes federativos e PJ dir. Obs. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. não pode concretizar a norma. 5º. recentemente. mudou seu posicionamento. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. ECAN e associação c/ 1 ano). mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência).3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. fundamentais em face do Estado.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. Recentemente. público: MI protege dir. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. não pode fazer a norma para o caso concreto. portanto não podem impetrar MI. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos.MI Coletivo: o STF o tem admitido. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. . ou seja.: na ADI 3682 b.

surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 49 . Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. No MI. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. 34. 34. De acordo com esta concepção. VII). VI). c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. ou seja. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. III. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. não cabe liminar (antes. ou seja. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). Portanto. a intervenção é uma exceção (a União não pode. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Surge a partir do caso concreto. porque adotava a corrente não concretista). O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. ademais. porque nem a AIO tem esse poder. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. ao mesmo tempo. ou seja. A omissão total não cabe MC. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. Recentemente. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. O efeito seria apenas inter partes. o PJ. CR (provimento. Essa corrente é bastante criticada. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. 36. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida.040). a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Ela se subdivide em – geral e individual. 708 e 712). nestes casos de omissão parcial. Mesmo adotando a corrente concretista. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. como regra. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. pelo STF. 2. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. o STF está atuando como legislador positivo. intervir nos Estados). Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. 680. criando uma norma geral e abstrata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. A regra é o principio da não-intervenção. 652. em um primeiro momento. O STF adotou essa corrente no MI 232. e 2) recusa à execução de lei federal (art.

se o STF der provimento à representação do PGR. Esta forma não foi prevista na CR. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. nem no RISTF. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. além. da ADPF). CR. Isto está previsto no art. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. ☺art. ☺art. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. IV. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. mas que surge a partir de um caso concreto. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. §2º. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. se violados. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. CR. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. 125. e sim em face da CR. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. foi uma criação da jurisprudência do STF. o PR então poderá decretar a intervenção. §3º. 35. § 1°. portanto. STF). Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). É dispensada a apreciação política pelo PL. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. é claro. 127. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. no âmbito do TJ. 614. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. 36. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. O STF é o guardião da CR. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). O RE. O parâmetro aqui é mais amplo. CR). É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. mas sim. no âmbito federal). ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. 50 . em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. CR. que é o pressuposto para a representação interventiva. As partes aqui são o Estado e o Município. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. OBS.

Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. a vontade do constituinte é a vontade do povo. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. expressa por meio de seus representantes. pois o Estado decorre da soberania popular. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Bonavides. que deve observar o direito natural. Portanto. retira sua força do direito natural. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. São apenas órgãos aos quais se atribui. pode usurpar do povo a titularidade do poder. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. É ele um titular passivo. social e juridicamente organizado. um dos precursores dessa doutrina. por delegação popular. Obs. Para os jusnaturalistas. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Assim. porém. Na 1ª etapa. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Schmitt). Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. cria o Estado. Está acima do direito positivo. corroborando essa perspectiva. o exercício dessa magna prerrogativa. que formulou esta teoria no fim do Séc. em alguns casos. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. editando a nova Constituição. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Assim. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. XVIII). é a nação. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. C. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. segundo o Abade Sieyès. mas jamais é quem o exerce. em nome do povo. que. Modernamente. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. que é sempre superior aos poderes constituídos. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. segundo o abade Emmanuel Sieyès. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Celso de Mello.

Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Dessa forma. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). art. correspondendo aos anseios daquela sociedade. ADCT. Obs.Decorrente (art.Material . 3º. Espécies Tradicionais: .: o prof. para ser considerado legítimo. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Assim.Histórico . 25.Revolucionário . que é seu verdadeiro titular. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Reformador (art. já que o poder constituinte já é originário. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder.Revisor (art. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. CR) . 60. 11.Formal . por conseguinte. Portanto. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. há legitimidade objetiva. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . ADCT) .

No caso do Brasil. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). 1934. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado.: se é um poder autônomo e incondicionado. através de normas constitucionais. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF.: este poder tem este nome porque para o Direito. Ex. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. b) é um poder inalienável. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. O Abade Sieyes. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). No plano axiológico. No caso do Brasil. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). 1946. a nenhum pré-requisito jurídico. 1937. independente e soberano. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. 1988. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. GV). ou seja. O povo é o titular do PCOM. há alguns valores que são morais. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. ex. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. Obs. 53 . a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. Apesar de ser um poder incondicionado. foi criado um direito natural). e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). é a Constituição que vai dar origem ao Estado. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). mas não a primeira e sim uma nova. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. não perde a titularidade do poder constituinte. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. Obs. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. é apenas uma classificação quanto ao momento. . 1967/69. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. ela nunca deixa de ser do povo. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. através da Constituição. que substituirá a anterior. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. Obs. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo.

CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. ficando um pouco relativizada.. Não se trata de um limite jurídico. Ex. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. não concorda muito com isso. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). Quando a CR consagra o art. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. a doutrina deduz deste art. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. 25. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. O prof. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. mas continua a existir como característica essencial deste poder. mas meta jurídico (fora do direito). as constituições estaduais não são recepcionadas. Ainda que o estado seja soberano. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. No entanto. Obs. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. por ex. contudo. no art. 54 . afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. A CR/88. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). Ex. na verdade. A partir do momento que a CR surge. De acordo esse limite. Dentro desse limite. observados os princípios estabelecidos na CR. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. ☺art. Fábio Konder Comparato fala. 11 do ADCT. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). com os avanços da sociedade. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. ele encontra limites no texto da CR. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). por se tratar de uma conquista da sociedade. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. na pena de morte. 25. Esta AL. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. No caso da CR/88. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88.

VII. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. ou seja. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. Obs. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. porque o art.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. §4º. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. mas foi uma decisão super apertada (6x5). §3º – requerimento de pelo menos 1/3. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. Mas. 57. 34. CR. diferente dos extensíveis. e o STF decidiu que não havia problema. § 3°). 27. 75. processo legislativo (art.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. Segundo o STF. 58. Estão presentes no art. 57. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. §1º . 61. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. CR. § 1°. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. Há dois grupos: (art. 59 e segs. §4º não é norma de observância obrigatória). vedada a recondução.: ☺art. Obs. composição. 93. .). normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. são essas as normas de repetição obrigatória.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário.: presidencialismo x parlamentarismo). 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). Se subdividem em: 55 . II) Implícitos: CPI (art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. são as normas de auto-organização da União. . que se estendem aos Estados. por enquanto. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 58. V ???) I) Expressos na constituição: art.

ou seja. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. . se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.normas mandatórias: ex. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. ADCT). 136). uma limitação temporal para o poder revisor – art. mas é possível deduzi-las. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. 60.. em qualquer estado da Federação (art. .A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. CR (é vedado à U. portanto. 37.. cujo procedimento está previsto no art. . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . . 19. 34).: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. E. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.é um poder jurídico (e não de fato). As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. CR. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. . 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. 60. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. . é conseqüente. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade.é condicionado. 3°.) – contém uma vedação expressa. Ex.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. Ex. se for decretado o estado de defesa (art. . portanto. CR.normas vedatórias: ex. . Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.: art.. 137).. . uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. .).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 56 . §1º.: art.titularidade: é do povo. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios.é limitado. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. no entanto. e se for decretado o estado de sítio (art.não é inicial. DF e M.exercício: é pelo CN. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. Trata-se de um poder previsto na CR e. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. decorre da lei e não da força.não é autônomo.: os arts.

no qual há 4 sessões legislativas. . Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. do SF ou do CN. através da iniciativa popular (art. II e III) uma exceção à regra geral. a PEC vai para a promulgação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. §2º). trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). por fim. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. 61. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. §3º. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). §5º. §2º).). também podem propor projeto de lei o povo. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. 61 é a regra geral de iniciativa.Discutido e aprovado. possamos usar o procedimento previsto no art. 60. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. 61. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. . também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. Obs. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). 67. §10). não pode haver emenda de emenda. CR. Este art. no âmbito do PE. ☺art. apesar de não existir previsão expressa. a PEC será discutida em cada casa do CN. para que. proposta rejeitada no dia 15/01. 57 . Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. sendo o art. é o de que o art. se a matéria for rejeitada. não promulga. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. 60.Feita a iniciativa. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. ademais. ☺art. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). . CR). apenas o PR. 44. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. No caso de projeto de lei. no âmbito do MP. também chamadas de implícitas. o STF e Tribunais Superiores. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. após a iniciativa. no âmbito do PJ. P.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. DF e DE. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. 62. . há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. . 61. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC.A última limitação formal objetiva está prevista no art. assim. no entanto. . 60.A nossa Constituição é rígida. o PGR.U. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. . que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). que é o período de 4 anos do mandato do PR. ela será chamada de extraordinária. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. 60. b) o entendimento majoritário da doutrina. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). GE.Além do PR. Ex.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. não veta. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. A Sessão legislativa (art. 60 (incisos I. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa.

Ou seja.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. b) Preservar a identidade material da Constituição. CR. não é secreto. o direito de participar das eleições. Secreto. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. . mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. São as chamadas cláusulas pétreas. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. o que é secreto é o escrutínio. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. 60. secreto. ademais. 150. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. c) Assegurar o processo democrático. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). o que é universal é o direito de sufrágio. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Universal e Periódico: . o voto não é universal. Se elas não existissem. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. 58 . cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. mas sim. Curiosamente. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. a). é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. que é o modo como se realiza o exercício do voto.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. Expressas: ☺art. VI. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. universal e periódico. §4º. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. As cláusulas pétreas são. . exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. pois. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. c) Voto Direto. segundo o STF. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. na verdade.

16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. §4º. para posterior alteração do conteúdo. não tem nada a ver com CP). O prof. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. que proíbe a pena de morte.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. não concorda. 60. todo o art.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. que não é unânime na doutrina. (23/04/09) 2. CR). Chama-se dupla revisão. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. não seriam cláusulas pétreas. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Para ele. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). e não em direitos e garantias fundamentais. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. CP). pois foi o entendimento dado pela soberania popular. CR. mas refere-se a uma reforma. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. são CP. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Assim. ADCT). é porque não se desejou que eles fossem petrificados. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Lá estão as limitações ao poder reformador. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . pois. pois seria uma forma da fraudar a constituição. por isso. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. e por conseqüência. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. é CP. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. 60 seria CP. sendo uma garantia individual. em princípio. CR. Os direito fundamentais se encontram. inclusive. segundo a qual o art. por uma questão lógica. posteriormente. Ex. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. 5º. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. ou. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. não o serem). III. 2º.: FGTS. não alterando-o). Mas o STF já considerou que o art. mas os demais não (ex. 60. A CR fala em direitos e garantias individuais.Há quem defenda. Obs. é o art. sistematicamente. Assim. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. comportam diferentes interpretações. 5º. Os demais direitos e garantias fundamentais. com a dignidade da pessoa humana. Um exemplo. . 150. b. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR).: primeiro. . Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. O art. dispostos do art. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. como um todo. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. 60 poderia ser modificado. far-se-ia uma EC revogando o art. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art.

tem que haver previsão expressa na constituição. O ato ocorreu antes. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. A limitação imposta no art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. contados da promulgação da Constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Com relação ao assunto acima. Revisão é a via extraordinária. portanto. não abrangendo apenas leis em sentido formal. mas ainda não pagas. O direito adquirido pode ser relativizado. ☺art. 5°. 3º. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. b) Média: a retroatividade não é automática. tem que haver previsão expressa na constituição. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). 60. XXXVI. Ex. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Ex. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . art. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. excepcional e transitória de alteração da Constituição. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. CR).A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. A retroatividade mínima é automática.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. não sendo um princípio absoluto. não abrange EC. . a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. Ex. c) Máxima: a retroatividade não é automática. o STF tem entendimento unânime. Antes da CR/88. em sessão unicameral. a constituição atinge prestações vencidas. mas também emendas à constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). 3º. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. mas seus efeitos surgem após a constituição. 3º. esse era o entendimento do STF. em sentido formal. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida.

Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. 61 . (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Além disso. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. especificamente. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. circunstanciais. 3º. ADCT. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. e de forma geralmente mais extensa. 60. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. §§1º e 4º).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

portanto. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. aqueles desenvolvidos por Savigny. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. só tem alma. Toda norma está dentro de um sistema. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. partindo da idéia de sistema. é também o limite para a interpretação. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. para o direito privado. mas apenas valores: o preâmbulo. É o início de uma interpretação. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Além disso. Esse método não é apenas sistemático. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. como início e limite para a interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Buscam os valores subjacentes à constituição. É como se a norma fosse o corpo da constituição. e não isoladamente. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. esses elementos são insuficientes. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Nele estão os valores supremos da sociedade. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. esse método também é conhecido como método valorativo. Por isso. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. eles são suficientes. entra o elemento histórico evolutivo. como todas as demais. O grande problema é que. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. com algumas peculiaridades. X. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. para o direito público. devido à complexidade da interpretação constitucional. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. O texto da norma funciona. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). b) Histórico: no seu desdobramento. 52. Não existe uma norma jurídica sozinha. 65 . Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Por isso. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Constituição da República. e os valores fossem o seu espírito. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Imagine a Constituição norte-americana. Ex: princípio da não contradição. Ela não tem normas jurídicas. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”.

a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. os operadores do direito servem-se de topoi. porque trabalham não com a idéia de sistema. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Isso gera certa instabilidade. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal).: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. do senso comum. certa insegurança jurídica. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. enfraquece-se a força normativa da constituição. a favor e contra. de argumentação.. como. de casos que comportam mais de uma solução possível. Se se permite interpretações divergentes. → Crítica: feita por Canotilho. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). o que geraria uma grande insegurança jurídica). 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. pois comporta mais de uma solução possível). Ex. Problema é a questão difícil. por ex. Por isso. lugares comuns. da doutrina. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. que é apenas mais um topos. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Violação de correspondência de presos. ou a de que um é mais correto do que o outro). os quais são submetidos a várias opiniões. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. ele também é conhecido como método sociológico. Assim. da jurisprudência dominante. mas sim diante de problemas. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). mais um 66 . Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Ex. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Assim. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Este problema será solucionado pela argumentação. pontos de vista ou lugares comuns. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. vence o argumento que for mais convincente. dos princípios gerais do direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. que contraria o positivismo jurídico. como ocorre neste método. ou seja. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Os topoi são esquemas de pensamento. Esses pontos de vista. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. formas de raciocínio. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Ex. 2. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. cujo plural é “topoi”.

se for caso de lacuna. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. a compreensão prévia do intérprete. não podem ser utilizados de forma abstrata. ainda que dos mais importantes. Método concretista. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. Além de serem métodos aporéticos. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. sua aplicação a casos complexos. Ocorre que. este método não poderá ser aplicado. porém. Ele parte. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. Assim. são também métodos concretistas. Hermenêutica e interpretação não se confundem. são coisas diversas. Assim. de única solução possível. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). São métodos indissociáveis. como já vimos. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. e concretizador à aplicação. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. A principal diferença. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. e sim na sua concretização. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Os métodos III e IV. Não se pode separar as duas coisas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. é preciso que haja um problema. devendo-se fazer uso de outro método. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. mas em concretização). quando se fala em hermenêutica. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). diferentemente dos dois primeiros. Para este método. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. ao lado de Hans Kelsen. e o problema concreto a resolver. não se deve falar em interpretação constitucional. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). por serem métodos concretistas. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. ou seja. que a questão não seja simples. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. 67 . É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. pois. é bom lembrar. na sociedade aberta de intérpretes. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição.

o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. O texto não tem o comando. pois. Para ele. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). é o comando que se extrai da norma interpretativa. Segundo o autor. Judiciário. O texto tem duas funções muito relevantes.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Gilmar Mendes). A democracia deve servir não apenas para a criação. bem como a quebra da unidade constitucional. mas também na sua interpretação. em regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Friedrich M. A norma é o mandamento.Elementos do âmbito da norma . Fala-se que são utilizados. ele dirige e. . todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. ao mesmo tempo. que têm legitimidade para a interpretação.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . ele na verdade não o é. limita a interpretação. mas também para a interpretação da Constituição. Essas duas figuras podem ser. Quando ele fala em democratização. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Não diz respeito aos critérios de interpretação. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. aberta a toda a sociedade. Ainda que a Corte seja o intérprete final. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. mas a toda a sociedade.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . a norma só surgiria após a interpretação do texto. O que ele chama de domínio normativo. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Segundo ele. Paulo Bonavides o tratar como um método. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). Assim. é a realidade social tratada pelo texto da norma. regulada pela norma. Na prática. mas refere-se àqueles que podem interpretar. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. traduzido pelo Min. por sua vez. 68 . O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica.

Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Entende que. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. 69 . os direitos têm que ser iguais para todos. vinculante e obrigatória. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Após. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. A norma. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. quando interpretada. surge a idéia de norma (gênero).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. que corresponde à vontade do constituinte originário. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). bastante discutido nos dias atuais. textualismo e preservacionismo. Assim. Assim. norma e fato. Esta questão está ligada à separação dos poderes. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. 3) Existe uma única resposta correta. do povo. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. surge o Positivismo Jurídico. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Hoje. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. sem modificá-la. mas de forma concreta. preocupado com a segurança jurídica. que se subdivide em princípios e regras. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). superado o valor da norma). Segundo Conrado Hubner. A segunda corrente. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. como a constituição é feita por representantes do povo. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Por isso o judiciário tem ganhado força. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. No pós-positivismo. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Na verdade. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. no Brasil. o poder legislativo é claramente fraco. Também denominado de originalismo.

apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Dworkin entende regra como mandamento definitivo.Regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. Para Habermas. . Princípios são muito mais abstratos do que as regras. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo.generalidade . quando se vai aplicar um princípio. Ambos são normas. o que ocorre por meio da ponderação. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Alexy afirma haver exceções. ou seja. isto é. princípios são “mandamentos de otimização”.Postulados. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. . A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. Eles não definem a medida exata. ou seja. que apontam para o sentido contrário. impõem resultados. genérica. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). As regras possuem aplicação automática. mas a medida do possível. peso ou valor. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. O grau de abstração é a diferença. Segundo Robert Alexy. há uma subsunção lógica. como elementos do sistema normativo constitucional: . 70 . A norma é um gênero e. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Assim. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. . caso a resolução seja feita com base na hierarquia.: aposentadoria compulsória. dentro do gênero norma jurídica. bilateral). normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. impessoal. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). e . → Regras: são “mandamentos de definição”.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. em havendo um conflito no âmbito da validade. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) .Princípios. que envolvem a aplicação deste princípio. é preciso saber quais são as normas opostas. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. → Princípios X Regras: .dimensão que eles ocupam (Alexy) . Ex.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. imperativa. será invalidada.

Com base nessas premissas. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. 71 . mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Não estão na constituição. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. como princípios. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . de modo a realizar os valores nela consagrados. Mas e os postulados? Segundo esse autor. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. pela maioria da doutrina. É um conflito sempre no caso concreto. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Eles não apontam um fim. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. mas não têm a mesma função dos princípios. Os postulados são denominados. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. interpretação conforme a Constituição. Segundo a LICC. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. embasados na supremacia da Constituição. nem estabelecem competência ou conduta. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. cronológico e da especialidade. por isso não são aplicados diretamente. Ex. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Nesse aspecto. será feita a análise de alguns postulados que. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional.: proporcionalidade. também conhecido como antinomia de princípios. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas.

pode deixar de aplicar a norma de ofício. assim. pode ser exercido através do veto jurídico. deve optar pela constitucionalidade. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. o Chefe do Poder Executivo. na dúvida. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. A 72 . por ser presunção relativa. Se há mais de um significado. o Princípio da Supremacia da Constituição. Se o texto tem apenas um significado. no controle difuso. é necessário que a Constituição seja rígida. se entendê-la inconstitucional. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Essa presunção é relativa (iuris tantum). No Poder Executivo. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Não se retira a lei do ordenamento. e. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Ele pode negar a aplicação da lei. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). a lei deve ser declarada constitucional. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. E. Toda Constituição tem supremacia material. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. No Poder Legislativo. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. na dúvida. significa que as demais leis devem obediência a ela. Ou seja. o Poder Judiciário. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. para ter essa supremacia. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Da mesma forma. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). significa que ele é unívoco. Todo projeto de lei passa por um controle.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. pois existe uma presunção de constitucionalidade. presume-se que agiram de acordo com ela. quando entender que uma norma é inconstitucional. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. ficam vinculados àquela decisão. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. não tem como fazer interpretação conforme. No Brasil. Excepcionalmente. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. no Poder Judiciário. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. como no âmbito do Poder Executivo e. excepcionalmente. Se a constituição é a norma suprema. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não.

Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. mas. sendo. Logo. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. que busca a vontade da lei. Hoje em dia. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Isso é impossível. Hoje. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Segundo Kruger. Temos o voto direto como cláusula pétrea. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. é conhecida como mens legis. Obs. Na verdade. b) Fim pretendido: . prevalece a vontade da lei. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. É como se filtrasse a lei. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. . existem. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. ao mesmo tempo. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. logo é conhecida como corrente “objetivista”. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. na constituição. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Em uma sociedade democrática e pluralista. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. pois. Antes. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. etc. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. num estado democrático. poderia declarar o art. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. passando ela pela constituição. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Geralmente. há várias tensões entre as normas constitucionais. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. §1º. 81. de direito previdenciário. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. A segunda corrente. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Ex: Brasília é a capital federal. Outro ex. Ao se admitir que essa norma é superior.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. 73 .: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. a norma inferior. normas superiores e normas inferiores. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. isso não ocorre. necessário harmonizar esses dois princípios. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Portanto.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Busca a vontade do objeto interpretado.

CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. valores. que é anterior à Constituição da República. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Sempre que possível. Segundo este princípio. interesses. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. O STF analisou 02 casos: a) Art. qual dos dois grupos tem um peso maior. aplica-se o princípio da Concordância Prática. §1º. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. e não em abstrato). III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Essa lei. 74 . Se ele entrasse no mérito da questão. deve-se buscar essa concordância prática. Eles são muito parecidos. criando um efeito conservador da unidade. as duas normas têm conflito entre si. 45. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O intérprete deve fazer uma redução proporcional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. inclusive. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Pode ser usada. princípios ou valores. O que é isso? É semelhante a uma balança. pelo legislador. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. bens ou interesses. a integração política e social. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. ele se basearia no princípio da unidade. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. O que tiver o peso maior irá prevalecer. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. no caso concreto. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. Uma existe ao lado da outra. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. ou seja. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Abstratamente. O relator indeferiu a petição inicial. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Quando se tem uma colisão entre bens. Ex: voto direto é a norma geral. O STF declarou constitucional. na hora de se interpretar a Constituição. violava a liberdade de exercício de comércio. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Assim. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. se ambos estão consagrados na Constituição da República. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. e voto pelo CN é a exceção. é necessário utilizar a ponderação. O Juiz irá ver. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. Nesse caso.

O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. do trabalho escravo são regras. não se aplicando para a interpretação constitucional. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. por mais importantes que sejam. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. a privacidade deve ser preservada. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. do contrário. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. Deve haver uma cedência recíproca. Caso contrário. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. Ex: Se tiver na praia. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais.: a Súm. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. Exs. da tortura. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. não. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior.: a proibição da pena de morte. para que outros direitos sejam assegurados. mas também a ratio decidenti. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. 343. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. na academia. 75 . IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. poderia fotografar. 2) relativização da coisa julgada: o STF. não. O importante é saber que todos os princípios. que contribua para o debate de interesse geral. STF não foi abandonada. sendo o guardião da constituição. às vezes. ou seja.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. e não princípios. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. cabe ação rescisória (obs. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). até uma compreensão equivocada. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. eis que ambos se relacionam. Ex.

É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Ver no Site Editora Método.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.335/AC. é também conhecida como eficácia social. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. Exs. . Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. §1º. validade é. a função social para a qual foi criada. Este princípio. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. 76 . o desempenho concreto de sua função social.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. .com. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. CR/88 (aplicação imediata). a qual significa a realização do direito. . da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. 2) Direito de greve. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. é também conhecida como eficácia jurídica. .Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. sobretudo o Tribunal Constitucional.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. 4. no Brasil. 5º.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade.

ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. utiliza-se o termo razoabilidade. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Para Jellinek. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. Assim. uma restrição à liberdade só será possível se. maiores hão 77 . e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. não se deve abater pardais com canhões. por isso sua importância. uma densidade semântica que ele não tinha antes. em sua origem. apto para atingir o fim almejado. É uma influência do direito alemão. deveria conceder uma autonomia maior. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Para que um ato seja considerado proporcional. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. dentre os meios existentes. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). É um princípio implícito. 5º. No Brasil. Se o ato for desnecessário. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. ☺art. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Ele está ligado. à garantia do devido processo legal. CR. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. Na Alemanha. Nos sistemas da commum Law. É uma influência do direito norte-americano. 1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. ou seja. desproporcional. pois. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. do Prof. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. LIV. mas apenas como menções. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Alegam que a restrição seria desproporcional. ele tem que ser adequado. Ex. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. não está textualmente consagrado. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Ex. será também desproporcional. utiliza-se o termo proporcionalidade. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Não é o entendimento mais cobrado em provas.

que é chamada de proibição de insuficiência. Nesse caso. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. ou proibição por defeito. o poder público age aquém do que deveria. Há uma outra face desse princípio. A face acima exposta do princípio. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. pode ser chamada de proibição do excesso. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. 78 .

de regra. Esses princípios sim. Situa-se no domínio da história ou da política. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. proclamação mais ou menos solene. porém. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. reproduzidos ou não na Constituição estadual.. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. pois. refletindo posição ideológica do constituinte. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. 79 . incidirão na ordem local. o preâmbulo. Assim. apresentado de forma não articulada. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. não tem relevância jurídica. pois. Para o STF. com exceção das de 1891 e 1937. É uma corrente intermediária em relação às demais. Ocorre que todas as constituições brasileiras. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. não é norma de repetição obrigatória. dado que. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. anteposta ao articulado constitucional. portanto. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). caráter normativo e. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. mas é a tese por nós adotada. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. portanto. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. relevância jurídica. sendo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. O min. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. O nome não é o mais apropriado. Como se sabe. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. O que acontece é que o preâmbulo contém. o Brasil é um país leigo. No Brasil. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. qualquer religião oficial da RFB. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Não contém. não é componente necessário de qualquer Constituição. não existindo. mas no domínio da política. não tendo força normativa. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. mais ou menos significante. inscritos na Constituição. Não tem.. laico ou não-confessional. Em âmbito estadual.

fundada na harmonia social e comprometida. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. a segurança. na ordem interna e internacional. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. 80 . o bem-estar. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Ao estabelecer os valores supremos. Esta é a sua natureza. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). pluralista e sem preconceitos. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. o desenvolvimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. com a solução pacífica das controvérsias”. a liberdade.

isenções (art. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. que poderá variar conforme o seu enunciado. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. enquanto não for restringida por lei. Uma NEC. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. → Normas de Eficácia Contida: O prof. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). A NEC. P. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. mas admite lei. que “contenha” o seu conteúdo. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. A integralidade. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. prerrogativas (art. apenas 81 .JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. destaca-se a de José Afonso da Silva. possivelmente restringível ou redutível. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). como se poderia imaginar). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. (É a mais cobrada em provas). 128. §5º). Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. imediata e integral. 53). Exs. enquanto não for restringida. por sua vez. Ela não depende de lei. vedações (art. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. dentre as quais. 184. Não depende de regulamentação. §5º). Quando se fala em aplicabilidade imediata. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida.: normas que estabelecem imunidades (art.U. 95. O que as difere é o grau desta eficácia. Não são a mesma coisa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). é uma NEP? Não. no Brasil. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais .

: art. caracterizadas justamente por este tipo de norma). ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. II e III deste mesmo art. P. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). 95). que a regulamente. interesse social. conforme a lei. 9º.Impositivas: ex. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. Assim. XIII.U.por conceitos de direito público (ex. VII. art. XXIII e XXIV). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Não é apenas um conselho. . mas não é uma NEP. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: .: trata de vedações que são impostas aos juízes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. etc. não há omissão inconstitucional. VII (direito de greve dos servidores públicos). A NEC pode ser restringida: . CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. mas não disse quem pode propor. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. e não quais são os meios para se atingir o fim. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. art. VII. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. Ex. 82 . Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. Se ela fosse uma NEP.: art. 95. 136 e 137). 5º. mas.: ordem pública.por lei (ex. A lei não irá restringir o direito. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. Neste caso. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). . art. CR. Indireta porque depende de uma outra vontade. É indireta ou mediata. em regra. e art. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição.U. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. ela nunca poderia ser restringida. 9º dá a entender tratar-se de NEP. XII c/c arts.: art. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. art. que dirige os rumos do Estado.Facultativas: ex. Ex. etc. de forma que antes da Lei 9. 5º.. que não é norma). 37. PU: União poderá delegar aos estados. – ex. O caput do art. 102. se quiser. .por outra norma constitucional (ex. XXII. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. mas pode ser). 154: a União. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. é obrigatória. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. etc. e mediata porque depende de alguma condição. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. Exs. que faz parte da mesma norma. A norma constitucional tinha eficácia. 37. necessidade ou utilidade pública. ☺art. As vedações. quais são os efeitos.). A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. 22.: art. segurança nacional. art. mas o seu §1º. são NEP (como são as normas dos incisos I. 3°. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. ☺art.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. poderá criar impostos residuais. 37. mas dizer como esse direito será exercido. ofício ou profissão. eis que estabelecem o fim a ser atingido. 5º. esclarece que trata-se de uma NEC.

Obs. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. ademais. mencionada por alguns autores. antes da lei ser feita. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Elabora-se uma norma genérica. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Assim. também conhecidas como normas super-eficazes. Por isso não dependem de outra vontade. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. OBS. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. ADCT. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. as Cláusulas Pétreas. cumprida a sua finalidade. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Ex. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. São as normas do ADCT. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. uma eficácia negativa (e apenas esta. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Traduz um sistema fechado. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. porque ela não tem eficácia positiva). tem eficácia. pois. não depende de outros sistemas. Para ela. Diz que o direito se auto produz. 83 . ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS.: As NEP.: art. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. imediata e integral). exaurem sua eficácia. 2º. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Marcelo Neves critica essa concepção. Uma última classificação.

o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. com o caráter de normas constitucionais. Quando uma nova constituição é criada. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. § 1°.P → A. caso compatíveis com a nova Constituição. não. 84 .N. parte final). As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. ou seja. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. Ex. 242. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. e sim como normas ordinárias. por esta teoria. §2º (que fala do Colégio Pedro II. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. podendo. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional).S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. como normas infraconstitucionais. porém. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. sempre que nasce uma nova Constituição. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. → CR → A. quando do surgimento de uma nova Constituição. 2°.: ☺art. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. serem recepcionadas pela nova Constituição. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.N. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. Faremos o estudo de alguns institutos. Assim.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. Contudo. vale dizer. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. vale dizer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. as leis infraconstitucionais. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. diante da aplicação imediata. nada impede que a norma constitucional. dentre outras. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. têm retroatividade mínima. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. Como se percebe. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares.: art. por regra. deve existir expresso pedido na Constituição. com pequenas exceções. 88 . dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. XXXVI – “lei” em sentido amplo). tenha retroatividade média ou máxima. IV. c) por outro lado. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. para tanto. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. também limitado juridicamente). as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. 5º. como é o caso do art. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. 51 do ADCT. 7º. Ex. 7º. CR. Assim. Assim. que. Como outro exemplo de retroatividade mínima. IV. o STF entendeu que. sendo regra a retroatividade mínima. desde que haja expressa previsão. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”.

pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. a menos. Executam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. De uma forma geral. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. assim. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. Dessa forma. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. Em situações novas. sobretudo. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. da função positiva que 89 . conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. ao elaborar as leis. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. diverso e opostos. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. o que os coloca numa posição de superioridade. por conseqüência. pois servem de critério para o legislador que. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. como também ao exercício abusivo de certos direitos. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. 4º). atuando como um limite. ainda não regulamentadas de forma mais específica. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. a divisão de seus poderes (art. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. 1º). pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. estrutura e fundamento (art. Desse modo. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. seja como orientação para progresso da legislação. em um todo sistemático. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. seja como diretiva na solução de casos concretos. 2º). como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. é obvio. não só das ações dos poderes estatais. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. os quais estabelecem a sua forma. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Sob o ponto de vista dogmático. é claro. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico.

sendo criados novos critérios distintivos da República. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. A baixa densidade semântica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. 1º. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. que reinava de forma absoluta e irresponsável. a Constituição veda. quanto para o legislador na elaboração das leis. Com o passar do tempo. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. o direito de secessão. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. 34. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. No tocante ao Poder Executivo. esses conceitos foram se esvaziando. DF e Município. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. I). Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. CR). 90 . A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). aos entes que compõem a federação. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. não apenas os indivíduos. a legalidade da Administração. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não é absoluta e ilimitada. sob as circunstancias transitórias. ou. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. ainda. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. No que se refere ao princípio democrático. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. seja através de representantes. seja diretamente. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. Sob o aspecto material. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Em um Estado de direito. à questão perene da Justiça. Aqui. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. 91 . Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. a vontade popular representada pelo parlamento. a independência dos juízes. No Estado material de direito. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. Em um Estado democrático.

6º). o indivíduo se sente útil e respeitado. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. independente. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. uns para com os outros. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. Por essa razão. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. Supremo.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. por não ter de acatar. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. em nenhum momento podem ser colocados de lado. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. 92 . A soberania externa se refere à representação dos Estados. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Todavia. no plano interno. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. por essa razão. a soberania migrasse do soberano para o povo. No plano externo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. na ordem internacional. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. na ordem internacional. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos.

principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). a Constituição. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. com a queda do comunismo. é um princípio básico do liberalismo econômico. 170). econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. independentemente de autorização de órgãos públicos. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. Este fundamento é concretizado. artística. 170). a profissional. político (art. 206. III). sobretudo o sistema de direitos fundamentais. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. ainda. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. dentre elas. uma sociedade conflitiva. I). salvo nos casos previstos em lei. a de informação. a sexual. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. 220). a partir do início da década de 90. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. Por isso. e. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. derradeiramente. Por essa razão. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. mas. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. assim. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. a sociedade pluralista é. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. de reunião e de associação. por natureza. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. É ela o valor supremo que irá informar a criação. deve constituir o seu objetivo supremo. passando a se revestir de normatividade. A escravidão. 17). de idéias e de instituições de ensino (art. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. a tortura. de comunicação. a filosófico-religiosa. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. 93 . Fruto da concepção liberal. o que pode levar a divisões irredutíveis. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Mais tarde. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a intelectual. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. conforme os ditames da justiça social. a de opinião. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. de interesses contraditórios e antinômicos. ao contrário. 3º. científica. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. partidário (art. cultural (arts. justa e solidária (art. 215 e 216) e dos meios de informação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. 1º).

à dignidade da pessoa humana. seja pelo próprio Estado. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. em um primeiro momento. Esta acepção. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. Portanto. Todavia. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). o que significa dizer que na criação. etc. não apenas por parte do Estado. dentro dos direitos sociais. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. mas também a de que o Estado garanta. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. econômicos e culturais. Poder-se-ia dizer. não como um fim em si mesmo. mas. que seja efetivamente exigível do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. 94 . moradia. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. e. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. Esta acepção. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. por exigir uma abstenção. mais importante. por outro. a todo e qualquer cidadão. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. A dignidade da pessoa humana não é um direito. sua existência material. educação fundamental. em alguns casos. possui um caráter positivo. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. o acesso aos valores. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. ou para com a pessoa. condição social ou qualquer outro requisito. mas também dos particulares. ligada ao valor liberdade. sexo. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade.) imprescindíveis para uma vida digna. cada vez mais. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. mas um atributo que todo ser humano possui. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. possui um caráter negativo. ligada ao valor igualdade. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. independentemente de usa origem. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. na medida em que procura representar um subconjunto. Assim. Portanto. Por outro prisma. menor (minimizando o problema dos custos). Por isso. seja por terceiros. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. idade. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico.

direitos individuais. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Essa classificação é legislativa. . . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. estão consagrados em normas de eficácia limitada. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. consagrados no plano internacional. 95 . ligados à liberdade. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Exigem uma atuação positiva do Estado. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. consagradas ao longo das constituições. pois surgiram em uma única época.direitos à nacionalidade (art. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. Têm caráter positivo e negativo. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. 5°. a diferença básica se refere ao plano de consagração. . 6° e seguintes).direitos políticos (art. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. CF/88. igualdade e dignidade. Têm um caráter negativo. 5°. portanto. basicamente. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. os direitos sociais (arts. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. devido ao custo de serem prestados. mas também no art. Em termos materiais.direitos sociais (art. São direitos ligados à cidadania. . à participação política. Enfim.direitos prestacionais: são. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. uma constitucional e uma doutrinária. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Em sua maioria. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. 14 e seguintes). devido à escassez de recursos. CR/88). do qual são espécies: . O Estado deve fazer escolhas trágicas. Em sua maioria.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. são os direitos individuais consagrados no art. 6º ao 11. 12 e seguintes). . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Visam proteger o valor igualdade.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. que divide os direitos fundamentais em: . Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. 6° e 7°). .

e geralmente em normas auto-aplicáveis. Eles foram surgindo com o passar do tempo. CR/88). A 3ª geração. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. 96 . Não houve substituição de uma geração por outra. Obs. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. São chamados direitos civis e políticos. queria que ele respeitasse suas liberdades. por exigirem uma abstenção. segundo Jellinek). Como vimos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. por exigirem uma prestação do Estado. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. à autodeterminação dos povos. Os direitos de defesa. de 1789: liberdade. diante da necessidade de cooperação. direito de comunicação. os direitos prestacionais. enfim. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. exigindo uma abstenção. Esta é a sua preocupação principal. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. das gerações. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Têm como objetivo. Estão ligados. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. XVIII. Vejamos quais foram as gerações. como a família. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. então. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. e estas gerações coexistem atualmente. portanto. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. São considerados basicamente como direitos coletivos. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Exigem uma ação do Estado. Tais direitos têm caráter positivo. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. 4º. são direitos de caráter negativo. e a dele é a mais cobrada em concursos). Exs: direito ao meio ambiente. ao lado da 4ª. da solidariedade entre países ricos e países pobres. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. diretamente à igualdade material. sobretudo de princípio programático). Ou seja. → Igualdade: Direitos Sociais. XX. já os de 2ª geração não. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. a imprensa livre e o funcionalismo público. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. a autodeterminação dos povos (art.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. São basicamente os direitos individuais. pois. ao desenvolvimento ou progresso. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Têm caráter negativo. movimento encabeçado pelo proletariado. igualdade e fraternidade (nesta ordem). têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. econômicos e culturais. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. Por isso.

que seria a vontade da maioria. com a declaração do direito”. à informação e ao pluralismo (D. de ideologias políticas e partidárias. Ou seja. um pluralismo cultural. 97 . inclusive das minorias. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. → Globalização: direito à democracia. em defesa dos direitos. limitam o poder.I. as demais características são tratadas pelo prof. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. etc.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. ao analisar a Constituição de 1891.). as disposições assecuratórias. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Aquelas instituem os direitos. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. Ele preserva.: quanto ao direito à paz. Ao lado da vontade da maioria. os direitos de família. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. Quando se fala em pluralismo político. o direito a adoção. ocorrendo não raro juntar-se. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. São também direitos transindividuais (em sua maioria. Os argumentos contrários a esta união. Porém. caso violados. Ele abrange um pluralismo religioso. de conteúdo). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Ex. na mesma disposição constitucional ou legal. Assim. Ou seja. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. o prof. Esta geração de direitos advém da globalização política. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. 1º. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. um pluralismo ideológico. Em uma ponderação. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). outros são difusos). Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. Quem tem o papel contra-majoritário. que alguns dizem trazer os direitos à internet. traz direitos ligados à pluralidade. de orientações sexuais. quiçá quanto a 5ª. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência.P. estas as garantias. e isso acaba por prejudicar as minorias. Paulo Bonavides. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. como os previdenciários. são direitos difusos). CR/88). artístico. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. ele tem uma importância muito grande. que são as que. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. esta alteração não foi feita em seu livro. V. Afora esta peculiaridade. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. mas há divergências na doutrina quanto a isso. ☺ADPF 132. conserva nossas identidades. a fixação da garantia. Além desse aspecto. econômico. Por isso o direito à democracia é tão importante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs.

Universalidade: destinam-se.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. Se são sempre exercíveis e exercidos.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. havendo. a todos os seres humanos. se o direito garantido não possui alguma especificidade. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. através da interpretação sistemática. 5º. etc. de modo indiscriminado.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. . os estrangeiros não residentes.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). ainda que não individualistas.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. como é o caso. Nada impediria. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. 5º. no caso concreto. Deve-se observar. Obs. . uma vez consagrado o direito. quando. são indisponíveis. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. . não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. é claro. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. nascendo com o Cristianismo.). ou caberá ao intérprete.direito ao juízo natural (direito) – o art. Contudo. Normas positivas. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 98 . decidir qual direito deverá prevalecer. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). mas nunca a sua renunciabilidade. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. no caso concreto. ..: HC. que só pode ser proposta pelo cidadão. portanto. muitas vezes. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). . o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. juntamente. . Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. Exemplos: .Historicidade: possuem caráter histórico.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. HD. XXXVII. conflito de interesses. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. O caput do art.: direito de propriedade versus desapropriação). coarctando. Isso porque. como é o caso da ação popular. emite uma opinião (direito de opinar). ou magistrado. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. confronto. ilegalmente preso. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. conjugando-a com a sua mínima restrição. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . os apátridas e as pessoas jurídicas. por ex. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.

fática e juridicamente. só trazendo relações entre o Estado e o particular. pois. 5º. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). então. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. 99 . que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. Não se admitiria. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. mas o pressuposto do qual ela parte). a aplicação direta de DF às relações entre particulares. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). Ingo Sarlet afirma que o art. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. analisando caso a caso. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição.). o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. para isso. então. §1º. No entanto. mas. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. fala-se. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. 5º. Assim. ordem pública. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). causando uma desfiguração no direito privado. não dependendo de legislação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Posteriormente. §1º. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. etc.

quando há uma relação de igualdade real na relação.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.24. Mas. . para que os princípios pudessem ser concretizados. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.☺RE 161. . Segundo esta teoria. Assim. . em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. muito abertos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. ainda que esta regulamentação não exista.RE 175.243/DF. Os DF são expressados. Espanha e Portugal. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . contrato de adesão.858.HC 12. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). Deve-se aplicar tanto esta teoria. Para a realidade brasileira. a aplicação será indireta. Ainda se trata de uma questão muito nova. mesmo realizando atividades idênticas. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.700. O juiz. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. de uma forma geral. a proteção tem que ser maior. A jurisprudência. não sendo necessária uma intermediação legislativa.*RE 161. como a segunda. etc. se exteriorizam. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. esta teoria seria a mais adequada. .: empregado e empregador.00 para R$ 86. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. através de princípios.) . tão somente pela falta de previsão.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Em contrapartida. e. isso poderia causar uma série de problemas. Se não houver uma previsão expressa na lei. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. .222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Determinação de observância do Princípio da isonomia.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. E como os princípios são muito vagos. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . A autonomia da vontade requer tal ponderação. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.RE 160. Se.RE 158. . que não adota essa teoria). Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.RE 201. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. em geral. no entanto. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. mas ainda não há decisão quanto a isso. houver uma desigualdade fática. devendo sobre eles prevalecer. então. 249. mas. Segundo Virgilio da Silva. é possível a sua aplicação com base na Constituição. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.Resp.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. por óbvio. abre-se mão temporariamente à privacidade. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. à liberdade. Este pode ocorrer. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. 1º. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). As pessoas não podem abrir mão destes direitos. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. é. Há dois entendimentos: 104 . Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. também não pode ser renunciado. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Por isso. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. A renúncia é definitiva. à segurança e à propriedade. Nos 78 incisos deste art. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. ☺art. 5º. 5º. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. II. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. 128. O direito a vida. Esta questão é bastante clara. CP) a questão é um pouco mais polêmica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida.: esta segurança que o art. No caso do big brother. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. 170. caput. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. à igualdade. pois. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. um caso constitucional de violação de direitos. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. 5º. como DF é pressuposto dos demais direitos. CR/88. Porque o direito à vida é irrenunciável. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. pois a vida é uma direito irrenunciável. ☺art. III e art. não há que se falar em não exercício). e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. Obs. CR. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. um outro direito fundamental. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. não há uma renúncia definitiva. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. XLVII.

Se há dois argumentos defensáveis. OBS. já que na época em que foi feito o art. por isso. e. 128 (em 1940). quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Ademais. além de colocar em risco a sua própria vida. discutida na ADPF 54.Direito à privacidade: 105 . Se isso fosse possível. segundo Canotilho. sem o sistema nervoso central. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. em razão do risco de morte intra-uterina. a morte não decorre do aborto. O STF. 3) dignidade da pessoa humana. . Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. E o direito à vida. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. CP não teria sido recepcionado pela CR. ela é a única ação de controle abstrato cabível. assegurando a autonomia da vontade. sabendo que ela vai morrer. não haveria vida. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. II. Para o direito brasileiro. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. mas sim interpretando a CR/88. por 7 votos a 4. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. nas quais não se tem uma opinião moral definida. como todos os outros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. Nos EUA e na França. A questão ainda está sendo discutida no STF. entendeu que. a vida termina com a morte encefálica. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. insuficiente para a proteção do direito. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. mas de modo geral). Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. já que o CP é anterior à CR. o art. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. então. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. é uma forma de tortura psicologia. o STF não estaria legislando. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. 128. mas sim da acrania. 128). portanto. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. é relativo. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”.

X. É vedada pelo art. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. científico ou cultural. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). é a esfera da vida privada. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. a honra e a imagem das pessoas. sobretudo. O agente público. não tem privacidade. 5º. É gênero. Se filmar uma passeata. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. a imagem pode ser usada num processo. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. a gravação é considerada lícita. Ao realizar essa ponderação. quando pratica um ato na condição de agente público. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. contra um estelionatário. Numa gravação clandestina. Será considerada prova lícita. 1. a restrição é legítima. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). os princípios da moralidade e da publicidade. maior a proteção a ser dada. são direitos independentes. não há violação à privacidade. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. em seguida. O prof. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. contra um chantagista. O direito de liberdade é maior. Ainda que não afete a honra. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. X. ela é ilícita. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. Em regra. Ex. Ex: Radares eletrônicos. Ex: matérias de interesse público. pois há uma excludente de antijuridicidade. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Não há que se falar em colisão. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. quebra de sigilo e interceptação telefônica. veremos cada um separadamente. 5º. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. uma gravação feita clandestinamente. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). etc. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. vida privada. Ex: policial federal recebendo dinheiro. histórico. Se tiver gravado um crime. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. que se subdivide em: intimidade. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. sobretudo. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. Mas. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. 106 . Então. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. o direito à imagem foi violado. Logo. CR. no art. de uma forma geral. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Esta é excludente de ilicitude. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Proteção da honra e da imagem. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. O direito a privacidade está consagrado. por exemplo. No entanto. CR. Questão de Concurso: Gravação clandestina. na verdade. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Neste caso. Nesses casos.

ele não pode requisitar diretamente. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. a duração da chamada. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. ainda que não seja sigilosa. em ação cível originária. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Na Itália. por enquanto. X. Quem pode é só o juiz e a CPI. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. O Min. 5º. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Além do juiz. Se ele quiser. de um cd room. 3. Dentro do próprio STF há divergência. não poderá quebrar sigilos. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. 5º. Quanto às CPIs municipais. Dentro dela. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados.). deve ter uma certa salvaguarda. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. informáticos. 2. mas na decisão acima houve discussão a respeito. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. por ex. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. E o Ministério Público? Segundo o STF. 2°) admite.. O prof. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. 5º. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. o BB poderia quebrar o sigilo. XII. Tem uma decisão do STF muito comentada. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Os jornais publicaram essas declarações. § 3º. fiscal e telefônico. às informações constantes na declaração de imposto de renda. fiscais. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. 107 . A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. São poderes instrutórios. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. No entanto. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. outros dizem ser pelo art. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. essa decisão foi para um caso específico. Quando se quebra o sigilo telefônico. Essa declaração. Essa exceção só confirma a regra. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. XII. De acordo com o art. A lei. não há decisão do STF. com base no princípio da simetria. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. já que não existe poder judiciário municipal. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. etc. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados.: Podem existir várias outras exceções. está em vigor. divulgaram todas as declarações na internet. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. como havia verba pública envolvida. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Ex: extrato de conta corrente. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. outros entendem que não há proteção. que é uma exceção a essa regra. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. 58. falaremos da interceptação telefônica. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. naquele caso específico. Ele alegou a ilegalidade desse ato. O inciso X impede a gravação clandestina. O STF decidiu que. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC.

Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Para o prof. Aliás. X. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. 5º. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . 5º. o sigilo poderá ser violado. Para o prof. não estaria protegido por esse dispositivo. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta.. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. por uma terceira pessoa. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Não são admitidas para outras finalidades. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. os dados de informática em si não estão protegidos. também protege a privacidade. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Em relação à comunicação epistolar. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Se um souber. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Nessas hipóteses. Pois. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. o STF tem um entendimento que. segundo o prof. No entanto. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. será interceptação telefônica. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. pode haver restrições às comunicações telefônicas.. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. 5º. Se um souber. Na interceptação. em determinadas hipóteses. Com relação ao sigilo de dados. Em relação a essas. protege a liberdade de comunicações. já que protege-se a liberdade de comunicação. Para o STF.. seja pelo art. Porém. Na prática. Além dessas duas hipóteses. mas. sobretudo. Então. XII. abrem-se todas as correspondências. Mas isso não é a posição do STF. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). seja pelo art. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. segundo o STF. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. O art. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Ela protege 4 formas de comunicações. 5º. Ela deve ser usada para situações excepcionais. XII. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Quando se falou do método tópico problemático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. O STF entende que com base o art. será gravação clandestina. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. a liberdade de comunicação. neste caso. é equivocado. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. mas foi feita por um terceiro.

Pode ser que com os abusos recentes. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Ela deve ser o último recurso. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. d) Art.296/96. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. devemos analisar 2 situações diferentes. Ou seja. Ex: crime dentro de uma residência. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Com o consentimento. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Durante o estado de defesa. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Segundo o STF. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Nem mesmo CPI. nem a CPI. 5º. prorrogáveis por mais 15). salvo o flagrante delito. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. Essa decisão foi recente (☺MS 27. 5°. CF/88. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. O professor acha que há certo abuso neste caso. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. XI: violação de domicílio. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. pode determinar a prática desses atos. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. seja durante o dia seja durante a noite. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. 2. imagine numa situação normal.483 – medida cautelar concedida nesse MS). A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. a entrada deve ser permitida pela empregada. vejamos: a) Art. 5º. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. nesses casos. e mais ninguém. 5º. c) Art. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. essa lógica tem sido invertida. A Constituição trata de 2 situações distintas. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. LXI: possibilidade de prisão. • Prestar socorro 109 . não há falar em violação de domicílio. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. o Min. Além disso. Se numa situação excepcional. 5º. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Art. violado. e não pelo dono da casa. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Sem consentimento já é diferente. Recentemente. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Na jurisprudência do STF. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). a polícia pode entrar. qualquer pessoa pode entrar. LX: sigilo imposto a processo judiciário. Como é o meio mais fácil. Então. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Vejamos as situações: 1. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Se houver o consentimento. se houver o consentimento de um dos moradores. XII: interceptação telefônica b) Art. por nenhuma outra autoridade. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Somente o juiz. XII. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. Nesse artigo.

Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. CP. não entra em conceito de casa. Só que o STF já proferiu decisões. Então. 110 . pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. por serem situações emergenciais. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. mais adequado. não entra no conceito de casa. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Segundo ele. na parte em que o público tem livre acesso. não só dos moradores daquela casa. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. É utilizado por JAS. mais tradicional. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. prevista no dispositivo. estabelecimentos comerciais e industriais. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Na maioria dos casos. quando o sol se põe é noite. ☺Art. Ele deve dizer “aqui você não entra”. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Se houver o consentimento do morador. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. 3. Se entrar com o uso da força. entre eles Alexandre de Moraes. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. entre outros aposentos. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Ex: parte de trás do caminhão. pois se respeitar também o critério cronológico. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Alguns autores. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. porque a noite é o período de descanso. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. compreende escritórios. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. 2. 150. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. compartimentos habitados. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. que traz uma conceituação bastante extensiva. onde o caminhoneiro dorme. seja do dia seja da noite. a prova é lícita. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Quando o sol nascer é dia. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. se estiver vazio. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. propõem uma utilização conjunta desses critérios. a casa pode ser invadida a qualquer hora. entra no conceito de casa. a prova colhida será considerada ilícita. Segundo o entendimento do STF. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. E o carro? O prof. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. mas dos vizinhos também. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. não poderá mais entrar no domicílio. Entra no conceito de casa. consultórios. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. hoje.

razoável e proporcional. Esse critério é razoável. CF/88. Objetivo 2. XXX. Para que o critério seja constitucional. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. discriminatório. Esse critério não é nenhuma discriminação. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. CR. Uma vez dentro do estabelecimento. Se o critério não for objetivo. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Mas. Razoável 3. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. É a que está consagrada no caput do art. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. 7º. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Nestes casos. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Para esses casos. pois viola o princípio da isonomia. justifica-se a altura. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. 111 . em situações diferentes. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. é necessário que ele seja: 1. cor e estado civil. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Ex: critério preconceituoso. ele não estará de acordo com o fim consagrado. não significa que a lei não possa fazer distinções. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. 5º. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Não irá fazer concurso para homens participarem. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . da constituição. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Quando se fala em princípio da igualdade. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. 7º. arbitrário. idade. XXX. Não se tem de analisar se a lei fez distinções.

disse que está ligada à igualdade material. Segundo JAS. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Ex: Cotas para pessoas carentes. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). pois elas criam uma discriminação reversa. mas reduzir as desigualdades existentes. mas na Constituição Indiana em 1947. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Se o Estado não proporcionar esses direitos. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). O prof. e os desiguais de forma desigual. O prof. Tem autores que entendem ser inconstitucional. o critério discriminador seria desproporcional. essas ações são constitucionais. A cota deve ser proporcional à população. que eram desiguais em relação aos seus senhores. e prolongaram as que já existiam. Criaram-se outras ações afirmativas. por exemplo. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. igualdade e fraternidade. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. a idéia que se tem é a redução de desigualdades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Mas. Não é uma forma de resolver o problema. acha que esse argumento não convence. ☺art. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Em princípio. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Dificilmente. 112 . esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. essas ações deveriam existir por 10 anos. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Ex: Alíquotas de imposto de renda. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. mas é necessário analisar uma série de fatores. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. seria igualdade material. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. e não à igualdade material. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. No caso da Índia. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Isso é igualdade formal. Visa uma redução das desigualdades fáticas. Para outros autores. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. A tendência é que elas aumentem. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Essas ações não surgiram nos EUA. Então.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. Quando se fala em igualdade material. aconteceu o contrário. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Para o professor. Porém. para tentar reduzir as desigualdades. Quando se fala em igualdade material. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. utiliza-se das ações. não haverá uma igualdade real. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. 5º c/c art. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. 3º. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente.

alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. Além dessa eficácia.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. 208. visa compensar uma dívida histórica. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. previsto no art. de saúde. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.fere o mérito. . A justificativa parece não ser inconstitucional. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. seja por particulares. CF/88. 113 .Poder Legislativo. Então. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária.fomenta o racismo e o ódio racial . Poder Executivo e Poder Judiciário). . são destinatários do princípio da igualdade. Eles não têm apenas a eficácia vertical. tolerante. Apesar de ser uma relação entre particulares.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. Argumentos contrários: . É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. seja pelo governo. pois já faz parte do próprio critério republicano. aberta.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. O problema é com relação à subjetividade do critério. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. mas eles não tiveram oportunidade de escola. Isso é uma questão de política pública.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Portanto. . . O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. miscigenada e multicultural. Eles foram libertados. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. atinge todos os poderes públicos . quando se fala em destinatários.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. sem exceção. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca.em uma sociedade pluralista.medida imediatista e inapropriada. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.princípio da isonomia (discriminação reversa). A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. não sendo necessária essa distinção. . cientificamente falando.favorece negros de classe média alta. No Brasil. . mas também para quem irá elaborar a lei. Juridicamente falando. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .

A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Isso significa que. Logo em seguida. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. ela pode ser responsabilizada. Protege a mulher. O homem não é a parte mais frágil da relação. sendo vedado o anonimato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. É uma denúncia feita anonimamente. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. cabe direito de resposta proporcional ao agravo.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. É livre a manifestação de pensamento. é outra questão. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Ex: Passeata para legalização da maconha. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Mas. Ex: Lei Maria da Penha. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. É constitucional? Sim. desde que essas restrições não sejam autoritárias. mas apenas para as mulheres. Se a pessoa agiu de forma abusiva. ela é constitucional. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. As provas 114 . Apologia ao crime é diferente disso. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. I. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. discriminatórias. etc. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Questão de Concurso – Cespe: No art. O particular não é obrigado. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Se o sujeito será responsabilizado ou não. em regra. CPC – ação de alimentos. de expressar o pensamento. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Logo. segundo o professor. IV. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. para outros teria. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Não é um direito absoluto. Pode defender no plano das idéias. ele deve licitar. ela pressupõe responsabilidade. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Ex: art. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. em princípio. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. não deve ser estendida para os homens. Para alguns. o problema é dele. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Por que a Constituição. Basta ser um critério objetivo e para todos. ela exerceu o seu direito. não teria sido recepcionado. Não existem direitos absolutos. a lei pode estabelecer distinções. e violou direitos de terceiros. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. 5º. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. 100. 5º. que é uma das principais vítimas da violência doméstica.

A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Garantir a simetria da liberdade religiosa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Em relação ao culto. O dever funcional da autoridade é investigar. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. → Alguns temas polêmicos: 115 . O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. de ter crença. Quando são produzidos pelo próprio acusado. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. 2. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. A liberdade de consciência é a mais ampla. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. 19. há 02 hipóteses em que o STF admite. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). 5º. com o advento da República. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. CR. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. CR. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. I. se não há qualquer identificação. apesar de a maioria da população ser católica. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. desde 1989 (advento da República). Não se pode admitir que o parlamento. Isso significa que. ou de não ter crença em nada. de crença e de culto. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Porém. Pode fazer um exame grafotécnico. A religião desempenha um papel fundamental. por exemplo. O Estado deve manter-se neutro. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. ainda 2. não é o caso do Estado brasileiro. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. deve ocorrer uma “tradução institucional”. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. O culto pode ser exercido em qualquer local. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Para Habermas. 3. ela deve ser protegida. VI. inclusive em lugar aberto ao público. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. e. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Esta liberdade está consagrada no art. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. pedindo resgate. abrangendo a liberdade de crença. O Estado brasileiro. Os templos recebem uma proteção especial. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. ele não pode ser admitido. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. o equilíbrio das religiões. desde que não viole o direito de terceiro. então. No Brasil não há uma religião oficial. Ex: seqüestrador escreve bilhete. Vejamos: 1. houve a total separação entre Estado e Igreja. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. 2. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião.

mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. então. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. .. Mas. são culturais. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. O tribunal. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. fazendo uma ponderação entre os princípios. Entretanto. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. imagine uma cidade pequena. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. a competência é em relação à cultura.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. 23. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Não teria sentido acabar com esses feriados. 210. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Para o prof. e cultura é competência comum – da União. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Pode um ateu. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. CR). Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. 5º. os argumentos religiosos não fazem parte da política. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. a competência é da União. que odeia guerra. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. a escola não deve impor ao menino. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. não poderia ser confessional. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. o argumento supracitado não está correto. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. inegavelmente. Entretanto. CR. §2º. 215. Segundo o prof. logo. É importante respeitar o ensino de cada um. Portanto. ocorreu um caso muito semelhante.. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Na Alemanha. Neste caso. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. São feriados puramente religiosos. há algumas ações. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. VIII. §1º. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. e não à justiça do trabalho – ☺art. Há um trecho do livro do Dworkin. a neutralidade do Poder Judiciário. onde se tem poucas escolas boas. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. CR). existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. O 116 . A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. políticos e religiosos. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. estados e municípios (☺art. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. . ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF.

5º. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. ☺ art. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Quem fará a tradução não é a Igreja. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. O prof. CR. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. mas a de permanecer associado. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. ainda. Por que a CR exige prévio aviso. A associação. terminada a reunião. então. de cooperativas. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. etc.) 2. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. XVI. 5º. 5º. elas vão embora. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . desviar o trânsito. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. não são os religiosos. Ex. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). XXI. Ex: reunião de condomínio. XVII e XXI. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Há. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Criação de sindicatos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. conforme portaria da ANVISA. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Para que as pessoas possam se reunir. Ex: fazer segurança. não é necessária a autorização estatal. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. 15. JAS diz que não são direitos coletivos. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. mesmo que em locais abertos ao público. Criação de partidos políticos. A República é o governo das razões. as pessoas se reúnem e. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. 3. CR. Liberdade de reunião. 4. 5º. 2. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. Não cumprindo com a obrigação. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Segundo Jean Rivero. A pessoa alega imperativo de consciência. (Não pode reunir pessoas armadas. mas direitos individuais de expressão coletiva. por sua vez. tem o caráter permanente. existem 2 semelhanças e 1 diferença. CR: Não é só a liberdade de se associar. Se não houver essa lei. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Caso não cumpra com a prestação alternativa. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. XVI. Criação de associações e. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. ☺art. mas os políticos. essa hipótese é de representação processual. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. na forma da lei. IV). o argumento deve ser racionalmente justificado.

não são legítimas essas invasões. Em seguida. XXIII. Segundo JAS. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. O que acontece é que se não cumprir a função social. por exemplo. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. portanto. Segundo ele. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. Ex: Invasões de terra pelo MST. não precisando de autorização expressa. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. segundo o prof. A Constituição não garante o direito à propriedade. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. pode ser dada numa Assembléia Geral. tendo um menor peso na ponderação. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. não pode existir mais de uma federação por território. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. Segundo o STF. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Segundo o STF. segundo o prof. 5º. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. a função social. Se ele tem proteção. garante o direito de propriedade. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). ilegítimas. se não for atendida. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Há um outro entendimento que. 5º. ter um patrimônio mínimo. mas sim contrárias ao direito e. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Segundo o STF. mas faz parte da estrutura desse direito. não impede que o direito de propriedade seja protegido. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. é mais correto. 8º. do próprio regime desse direito. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. O sindicato (☺art. III. Função Social da propriedade: A CR. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Só pode representar se houver autorização expressa. LXX. no seu art. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. segundo o qual. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. a propriedade terá uma proteção menor. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. CR) quando ajuíza uma ação. É o entendimento de Daniel Sarmento. como a Constituição garante o direito de propriedade.. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. defendendo direito alheio. 2. ☺art. ADC e ADPF. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. XXII. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. em seu art. o direito de propriedade pertence ao direito público. Ela só garante o direito de propriedade. 5º. 118 . mas não pode ajuizar ADI. A associação impetra em nome próprio. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária).

182. IPTU progressivo no tempo. A polícia requisitou determinadas propriedades. 139. Propriedade Rural: ☺art. XXV) e as militares (☺art. mas sobre a propriedade em si. Propriedade Urbana: ☺art. Ex: caso de Eloá. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. como um apartamento. ele não poderá ser prejudicado. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . No caso de requisição. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. §4º. b) ☺ art. 184. o proprietário não tem culpa. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. 182. por ser inerente ao direito de propriedade. §2º. O título deve ser entregue antes da desapropriação. 2. indenização por títulos da dívida pública). Para atender a função social. deve haver indenização? Não. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Como haverá indenização se houver dano. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. 5º. Além do caráter absoluto. Logo. Desapropriação: Diferentemente da requisição. etc. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Sempre haverá indenização. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. por utilidade pública. VII). justa e. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Vejamos abaixo. uma escola pública. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. como decorrência do primeiro. Sempre que há requisição.000 habitantes (§1°). A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. normalmente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. b. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. diante de uma emergência. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. Vejamos: a) ☺art. deverá ser em dinheiro. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. A função social. Os principais aspectos são 2. CR. Na requisição. há uma transferência compulsória da propriedade. que deve ser prévia. 186. CR. ou por interesse social. em regra. a indenização será sempre posterior. a saber: por necessidade pública. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. restringe o caráter absoluto. só haverá indenização se houver dano. É um aspecto lógico. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. a saber: a. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. na desapropriação.

São imunes a impostos (☺art. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). 3. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). a propriedade não pode estar cumprindo a função social. 183.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). paga em dinheiro). Se ela é produtiva. 191. 50 hectares. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. §5º. não podem ser adquiridos por usucapião. parágrafo único. 250 m2. 2. CF/88. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. 243.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. prévia e. O confisco de propriedade está previsto no art. Necessidades permanentes da sociedade. no máximo.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. Usucapião: Na Constituição da República. PU. regra. é porque ela está cumprindo a sua função social. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). não precária. CR). 5º. sejam urbanos ou rurais. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. os bens serão confiscados – art. Obs. Como o confisco é uma sanção. Necessidades transitórias. sem oposição. Só não podem ser para fins de reforma agrária. Vejamos: . seja urbano ou rural. Só que. . em Indenização posterior se houver dano.o morador não pode ter outro imóvel. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). ininterrupta. 184. Requisição Refere-se a bens e serviços. Se ele tiver outro imóvel. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 185. A Constituição não permite – ☺art. possuir o imóvel como se fosse seu. por ter prazo menor. 120 . o imóvel deve ter. no máximo. Na CR.: Imóveis públicos. precisa recorrer ao judiciário). etc. 243 da CR. emergências da sociedade. Nesse caso. CR). . não há pagamento de indenização.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. É sempre indenizável (justa. . Para esse fim. §3° e art. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE.). tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. . Confisco: No Brasil. pacífica.

2. Para responder a essa questão. CR). XL. Todas as demais o consagraram. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. é necessário diferenciar duas situações. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. outros a interpretavam de maneira (B). a saber: 1. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. não era muito democrática). Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. 3. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. a regra também é a não retroatividade (art. não. ato jurídico perfeito e coisa julgada. XXXVI. a CR/88 entrou em vigor. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. No direito penal. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. b) Retroatividade benigna. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. autônomo. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. 5º. A lei interpretativa retroage. mas que vale especificamente para o direito tributário. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. a lei interpretativa retroage. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. desde que seja mais benéfica para o réu. interpretando a lei da maneira (A). na verdade.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. etc. Durante a vigência desse contrato. 5º. mas deve respeitar a coisa julgada. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. A garantia existe para a proteção desse direito. Retroatividade da Lei Penal. Seria correspondente à primeira hipótese. As hipóteses mais importantes são: 1. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. 5º e no art. Em resumo. Em regra. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Esta hipótese é. é uma conjugação das duas anteriores. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. média e mínima. 106. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. inicial. Alguns a interpretavam de maneira (A).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. só que exclusiva para o direito tributário.

Se a Constituição atingir essa prestação. Nesse caso. A EC poderia prejudicar direito adquirido. Antes de a prestação ser paga.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. O prof. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Não pode haver a redução. Se mudar o real. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. será necessário que a Constituição diga expressamente. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. b) Retroatividade média: pode ocorrer. É claro que isso não é desejável. inclusive as de ordem pública. Só que para haver essa retroatividade. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. e não as parcelas que compõem o vencimento. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Só que para haver essa retroatividade. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Ex: Determinada prestação. portanto. não há posição prevalecente. É claro que isso não é desejável.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. ela afeta a todos. As parcelas podem ser reduzidas e. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. extintas. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Portanto. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. . através de norma de eficácia plena. e não o ato exaurido. interpreta a lei em sentido amplo. haverá uma retroatividade média. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. . 473. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. . de acordo com a legislação da época. automaticamente. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. 654 e Súm. ☺Súm.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. 2. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. haverá uma retroatividade máxima.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. mas isso está superado. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. XXXVI) é lei em sentido estrito e. mas as leis não. no caso de retroatividade mínima. em regra. Na retroatividade máxima. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. porque geraria uma insegurança jurídica. → Coisa julgada: 122 . STF. 5º. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. Após a Constituição de 1988. até mesmo. porque geraria uma insegurança jurídica. . Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. Havendo mudança de regime jurídico. Ex. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. É o ato que está apto a produzir os efeitos. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. a Constituição da República entrou em vigor.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. e não lei em sentido restrito. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior.

a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. ou seja. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. por ex. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. em regra. 5º. 5º. segundo Robert Alexy. 5º. consagrados em NEP ou NEC. o que significa que possuem um caráter positivo. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. b) o art. são mandados de otimização. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata.☺art. de sociedades pluralistas. No art. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. 2. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. §1º. Direitos Sociais: 1. mas é apenas a coisa julgada judicial. Eficácia: todo direito tem um custo. Por isso. em sua maioria. 7º. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. independentemente de qualquer fator. Já os direitos sociais. independentemente da sua natureza. Em cada época. §1º. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Dirley Jr. e não propriamente como ministro).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material.: salário mínimo). Os direitos de defesa são. nós deveríamos interpretar o art. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. são NEL (de princípio programático). ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. para dar decisões concretizando tais direitos. à medida que a sociedade o determine. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. e pelo Min. Assim. A administrativa não tem essa proteção. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material.. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. . Ou seja. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. do seu enunciado. pois são mais facilmente implementados. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. Mas isso não é verdade. como teórico do direito (ou seja. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. e isso para muitos é um ponto negativo. Eros Grau. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. . O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. exigem uma atuação positiva do Estado. Os princípios. como doutrinador.

Esses direitos sociais não teriam. Assim. essa atuação talvez não seja tão justa. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. quando foi dado um maior papel ao PJ. Portanto. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais.000. A visão do juiz é bilateral. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. as normas possuem uma textura aberta. . ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. lazer. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. educação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). não geram direitos subjetivos.. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. pois. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. Norma de direito social não gera direito subjetivo. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. O que se busca.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Quando se fala em direitos sociais. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Argumentos contrários à intervenção judicial: . muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. por ex. Em outros lugares. Por isso. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Obs. por ex. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. .000. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. que estamos buscando. Primeiramente. assim. todas. normatividade. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. por ser norma programática. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. doutrinador do RS. em tese. etc. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Pedro Taques).). atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. 3ª fase: é a fase desejável. é importante definir tais critérios.). E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. legítimas (saúde. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. segurança. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. trabalho. rodovias. Como têm apenas eficácia negativa. pois. implicitamente. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . Esse entendimento já foi superado. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. só porque recorreram ao PJ. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. previdência.

Déficit democrático das instituições representativas. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. A reserva do possível. não se encaixaria na realidade brasileira. teríamos a maior utilização das ações coletivas. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). entra-se muito nas questões ideológicas. inclusive a minoria. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Mas. ou seja. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. em razão do Princípio da Igualdade. Se um poder se encolhe. eleições periódicas. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador.A democracia não é apenas vontade da maioria. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. o outro cresce. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. pois. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Não é o entendimento que prevalece. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . sufrágio universal. Esses argumentos são os que devem prosperar. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. eles acabariam sendo inviabilizados. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. em razão das limitações orçamentárias existentes. no que diz respeito aos direitos sociais. .Caráter normativo da constituição. por isso. . . Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. Os direitos sociais estão consagrados em normas. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. segundo Ingo Sarlet. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). É preciso. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. De se ver que quando se fala em direitos sociais. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. e é muito utilizada no Brasil. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). 125 . estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). mas a todos que se encontrem na mesma situação. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. saber se a demanda é razoável. Assim. Se não se estabelecer os critérios. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Ademais. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. em 1972.

Segundo Ana Paula de Barcellos. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Se não definir o conteúdo. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. por ser necessária para a 126 . Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. educação e moradia. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. A efetividade passa pela sociedade. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Outros autores já falam apenas em saúde. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. 2. em 1953. é o entendimento mais adequado. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. que é a corte suprema na Alemanha. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. etc. precisam ser concretizados.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha.. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. depende de cada época e de cada sociedade. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. que a demanda custa y. da liberdade material e do princípio do estado social. que existem z pessoas na mesma situação. em razão de sua textura aberta. pelo cumprimento voluntário da constituição. mas teria um peso maior na ponderação. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Vejamos: 1. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. mas deve também ser provada. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. assistência em caso de necessidade. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. maior o risco de não ter efetividade. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). quando se estabelece o mínimo existencial. é o mínimo existencial. Segundo Ricardo Lobo Torres. No Brasil. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Segundo o prof. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. a questão da efetividade será prejudicada. Por que falamos em “mínimo”. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. saúde. Ou seja. . Não é o máximo desejado. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. essa concretização. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Assim. .

da dignidade da pessoa humana.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. 5º. consciência coletiva. já dizia algo muito semelhante. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. pois. não pode haver uma redução dessa concretização. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. Ele tem. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. de acordo com a necessidade. língua. só ampliado. ao estudar as normas de princípios programáticos. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. CR). A partir do momento que um direito social é concretizado. segundo ele. fazem parte da população brasileira. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Segundo ele. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. Pode. Os poderes públicos. e. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. haveria um engessamento do legislador e do PE. assim. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. um pensamento mais flexível sobre o tema. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. esse prazo não pode mais ser reduzido. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. 127 . históricos. Todos que moram no Brasil. Há dois posicionamentos quanto ao tema. haver uma redução do grau de concretização.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. o que prejudicaria a sociedade. 2) posicionamento de um autor português. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. independentemente da nacionalidade. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. JAS. e do Estado Democrático e Social de Direito. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. Por isso. passaria a fazer parte do próprio direito social. da máxima efetividade (art. estatístico. Ex. entre eles: laços culturais. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. que significa nação. §1º. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. costumes. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. População está relacionada ao conceito demográfico. fala-se em vedação do retrocesso social. irão concretizar os direitos sociais.

Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). 12. o filho terá nacionalidade brasileira. II) Jus Sanguinis: ascendência. art. adquirem a nacionalidade do país onde residem. 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. Quando a pessoa é nascida no Brasil. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. por uma questão de soberania nacional. . É o caso do Brasil. . considera a nacionalidade dos pais. c. I.Quase nacionalidade (art. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. §6°. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. II) Naturalização expressa (art. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. 12. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. De acordo com o critério sanguíneo. não há direito público subjetivo. Pelo critério funcional.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. Se o casal estiver a serviço de outro país. 227. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. 112 e 115. 12. há direito público subjetivo do estrangeiro. Obs. se não se manifestarem contrariamente.Diferenças de tratamento 128 . a). A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. terá naturalidade brasileira. I. A EC 54 alterou o art. os pais têm que ser brasileiros. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. É geralmente adotada por países que estão em formação. estrangeiros residentes. Neste caso. desde que haja reciprocidade. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Refere-se aos brasileiros naturalizados. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. 12.815/80. CF/88. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Refere-se aos brasileiros natos. não haver condenação penal e requerimento do interessado. I. b). de acordo com o art.

todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. cria-se um problema de relação internacional. .linha sucessória do presidente da república: PR. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). §4°. b) 6 assentos do Conselho da República (art. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. portanto. . 12. . d) Extradição (art. Se o estado desrespeita essa regra.815 (ato nocivo ao interesse nacional). presidente da CD. Já na entrega. CF/88): 129 . A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. No caso de brasileiro naturalizado. Mas. só poderá ser extraditado: . LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. vice. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. Os critérios utilizados são: . em razão da superioridade da Constituição. a ela aplica-se a súmula 1. no entanto. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. 5°.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. em razão da soberania nacional. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. §3°). Na extradição. .Perda da nacionalidade (art. Não se pode. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. §2°. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. XL. 89.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. Importante analisar a Súmula 421.segurança nacional: oficial das forças armadas. 5°.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. confundir a súmula acima com a seguinte. 12. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. do território brasileiro. Expulsão: consiste na retirada a forca. 5°. não se poderá invadir esse estado. CF/88). 12.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Mas. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. presidente do SF. A deportação está mais próxima da expulsão.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. dependente da economia paterna. . STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. Princípios relacionados à extradição: . 65 da lei 6. ou que tenha filho brasileiro. .

Servem ao controle do próprio direito. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). . para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. voto é o exercício desse direito. é o direito político em si. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. nacionalidade e alistamento. . CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. salvo nos casos das alíneas a e b. é o direito de votar (e não de ser votado). .: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Para JAS. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. ou seja. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. e não requisitos preconceituosos. o sufrágio censitário (ex. A CR/88 adota o sufrágio universal. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. 14. que exige uma alternância de poder. com a realização de eleições periódicas. São requisitos apenas técnico-formais. Características que o voto possui no Brasil: . a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. caput). §1º. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos.é periódico: essa periodicidade do voto. Só se aplica ao brasileiro naturalizado.tem valor igual para todos: “one man. 14. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. inclusive sendo cláusula pétrea. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. na forma da lei (que ainda não existe). salvo se por meio de ação rescisória. Direitos Políticos: .Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 81. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário).é direto: é a regra. . o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???).é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. §1º). 130 . 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. perderá a nacionalidade brasileira. com uma única exceção: art.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). one vote”. Além dessas características do voto. pelo CN. one vote” – “one person. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado.

este dispositivo fala em sucessão e em substituição.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. até que se atinja a plena cidadania. 14. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). os inalistáveis são os estrangeiros. 14 traz um questionamento. 14. §3º. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . §8º). ou seja. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. §1º). Assim. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. Além dessas condições relativas à idade mínima. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. . No Brasil. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. em caso de reeleição. dentistas. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. então. com exceção dos portugueses equiparados.é conhecida como inelegibilidade reflexa. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. que geralmente admitem desincompatibilização. trata-se de lei ordinária. 14. ela é adquirida progressivamente. Primeiramente. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). Quando a Constituição fala apenas em lei. assim. 14.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. etc. §3º? Segundo o STF. ☺ar. 14. . filiação partidária. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). 14). salvo se já titular do cargo. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). Mas o §9º do art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). é o direito da pessoa ser votada. 12. ou seja.☺§3º. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. se houver reciprocidade (art. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. Ex. domicílio eleitoral na circunscrição. §7º . no caso do art. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. no governo de SP). §5º . a inelegibilidade em relação aos militares (art. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. 14. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. do art. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas.

não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. Todas as outras hipóteses do art. é algo temporário. mas o prof. nos termos do art. III e V) são hipóteses de suspensão. e quanto a isso não há divergência doutrinária. 15 (incisos II. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. VIII). acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. o prof. 15. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. não há como readquirir os direitos políticos). Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. A doutrina (JAS. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. portanto. I. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. seus parentes também poderiam ser candidatos. 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. Kildare. Com base nessa distinção. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. 132 . III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 5º.

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