Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. em especial limitar o poder arbitrário. E para isso. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. por seu turno. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. o local e a época. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. mas também de outros assuntos. como sociológica: “em termos jurídicos. do estado e das instituições democráticas. mas proteger direitos. O conceito de constitucionalismo transporta. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. os fins socioeconômicos do Estado. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. e. Neste sentido. É. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. em sentido jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. enfeixado na Constituição. o americano e o francês. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. uma teoria normativa da política. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. Numa vertente mais restrita. Numa segunda acepção. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. 4 . assim. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. sociologicamente. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. e que se encontra acima dos detentores do poder. no fundo. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. reporta-se a um sistema normativo. um claro juízo de valor. Partindo. numa terceira acepção possível. a defesa da Constituição. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. Tem-se utilizado. como o inglês. Kildare Gonçalves Carvalho. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. então.

Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo.surgiu em substituição ao governo dos homens. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . d. em 1791. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Roma: idéia de liberdade. Foi uma retrospectiva do direito Grego. desde logo. a. em 1787.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. • Princípio do governo limitado. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Por isso. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). e da França. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Foi a mais avançada forma de governo. b. se contrapõe ao absolutismo. fases pelas quais passou a constituição. ii. Atribui competências aos três poderes. Governo limitado. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. (Livro do Alexandre de Morais). As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. c. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. a partir da Revolução Francesa. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Garantia jurisdicional. Influenciaram o direito francês e americano. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. quem. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Foi a 1ª experiência constitucional. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Inglaterra: rule of law – governo das leis . A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. ii. Hoje. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. integram-no. como e até onde pode mandar. Como ressaltado por Jorge Miranda. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Estabelece as regras do jogo político. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Estado Hebreu: estado teocrático. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. 1. porém. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). após a Independência das 13 Colônias. A democracia é a representação da vontade da maioria. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. • Separação dos poderes. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Grécia antiga: democracia constitucional. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. b. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. 2. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII.

Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. na época das Revoluções Liberais. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. as constituições tinham caráter mais político. PE e PJ). d. os costumes 6 . XIX. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Todos os poderes constituídos (PL. diretrizes. a. aplica-se a analogia. foi o Abade Sieyès. sem força vinculante. Idéias principais: i. estabelecendo diretrizes. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Novas idéias foram surgindo. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. estarão subordinados a ela. Ex. Garantia de direitos. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Constituições da democracia racionalizada. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. c.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. A partir dessas novas idéias. Começou a se falar em um direito moral. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. O ser humano é um fim em si mesmo. b. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. b. 3. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. as quais são denominadas por pós-positivismo. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Constituições de países subdesenvolvidos. Força normativa da constituição: antes. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. estabelecidos pela Constituição. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Constituições da democracia marxista ou socialista. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. ou seja. ii. Rússia. 4. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. ligada à idéia de liberdade. Constituições da democracia social. Separação de poderes. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Eram apenas uma diretriz. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Hoje. c. a maioria da nação. direitos fundamentais. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Segundo a tradição francesa. havia regras. XX).

EUA: nós estamos submetidos à constituição. Mas essa é uma posição muito radical. os princípios. demarcação de reservas indígenas. aborto no caso da acrania. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. e. Verdade. Na jurisprudência do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. b. é o juiz. etc. Para Paulo Bonavides. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Consenso. etc.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). g. verticalização.. Na Itália. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. o judiciário aumenta sua força. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Continuidade. Solidariedade. Ele atua como legislador negativo e positivo. pois esta é a concretização de um princípio geral. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Participação. é o judiciário. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. A aplicação da norma se dá pela subsunção. de uma forma geral. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Hoje. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Não se aplica diretamente a constituição. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Integração. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Eles são importantes. Quando o legislativo é fraco. d.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). aplica-se a regra específica. fidelidade partidária. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial.  Aplicação direta da constituição. Constitucionalismo do futuro. espuma do chopp. Entre uma regra específica e um princípio geral. mas quem dirá o que ela é. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. f. tratado internacional tinha status de lei ordinária. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Hoje. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. 7 . há uma euforia dos princípios. são aplicados através de ponderação entre os princípios. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Para Barroso. Teoria Concretista Geral. c. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. • • 5. que é aplicada mais às regras. cotas em universidades. Os princípios. Ex. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Universalização. união homoafetiva.

Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Petition of Rights de 1628. Contratos de colonização. Vale dizer. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. II e III. I. então. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Compact (1620). “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Podemos falar. mediante: plebiscito. pertinentes. caput. segundo o art. CR). referendo e iniciativa popular”. 46. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). de soberania popular. cujo titular é o povo. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF.U. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Como regra. a verdade. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). o povo também o realiza diretamente (democracia direta). nos termos desta Constituição”. 14. portanto. de forma expressa. de acordo com o art. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. Act of Settlement de 1701. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. CR) e. Habeas Corpus Act de 1679. dá-se através dos representantes do povo. Carta outorgada por Carlos II (1662). conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 .709/98 (que regulamentou o art. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). Bill of Rights de 1689. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). por intermédio de seus representantes. Fundamental Orders of Connecticut (1662). 1º da Lei 9. CR. a solidariedade. verdadeiro sistema híbrido. a continuidade. que são os deputados federais (âmbito federal). mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. O titular do poder é o povo. 1º. a participação. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. do art. com valor igual para todos. o P. o exercício deste poder. concretizando a soberania popular. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. que.

que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita.: art. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. Para entender tal concepção. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. Esta concepção atualmente é inadmissível. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. os direitos fundamentais. Esta é a concepção que hoje prevalece. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. o caráter normativo e vinculante da Constituição. portanto. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). PJ. Toda a Constituição. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. que adota o conceito decisionista de constituição. quando não corresponde à Real. Constituição e leis constitucionais são. têm a mesma forma de elaboração). 242. mas apenas leis constitucionais. Os fins do Estado são diferentes de estrutura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. → Segundo Hans Kelsen. PL. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. para ele. que surgiram com as constituições mais prolixas. a Constituição é norma pura. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). Objetivos fundamentais também são normas programáticas. o restante. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita.. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. caso contrário. na sociologia. As leis constitucionais são todo o restante. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. ou seja. ou seja. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . Segundo ele. A Constituição Escrita. A conferência realizada por ele. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. na política ou na filosofia). §2º. conforme o prisma de análise. Essas normas são programáticas. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. com exceção do Preâmbulo. como por ex. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. não passaria de uma simples “folha de papel”. O art. mas materialmente distintas. é vinculante e obrigatória. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). 1°. a que Carl Schmitt chama de Constituição. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia.

mas que trata de todos os aspectos. A CR/88. não introduz nenhuma novidade. condicionante desta mesma cultura. 10 . → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). segundo esta concepção. .Soberania. ao mesmo tempo. qual seja. por isso não tem nenhum expoente específico. portanto. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. define tais elementos estruturais. quais sejam: . os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). . e também jurídico. Gilmar Mendes). Ou seja. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. a Constituição tem sim fundamento sociológico. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas.Território. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. neste sentido. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade.Finalidade. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. .Povo. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. todos os setores da vida social. ela não existe na realidade. é um elemento conformador. Seu único comando. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é).a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. não está escrita. posta pelo Estado). . 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é uma norma pressuposta.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. é: todos devem obedecer a Constituição. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é a Constituição escrita (CR/88). é apenas uma pressuposição. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. modificando-a. seja pela introdução de novos elementos através de emendas.

são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. de maneira unilateral.: as constituições outorgadas recebem. . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Por isso mesmo. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). votada.outorgada: é a constituição imposta. ou variadas): ex. pois toda constituição é escrita e não-escrita. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. trata-se de modalidade anacrônica. É uma aprovação simbólica). como por ex. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. a Constituição Inglesa. a constituição não se torna democrática. é fruto das idéias.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. tem também vários documentos escritos. por alguns estudiosos. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). as constituições outorgadas foram as de 1824. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. . .dogmática: sempre escrita. No Brasil. promulgada. de uma só vez.. e como é bastante prolixa. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. podendo ser: . .pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. não surge de uma só vez em um só momento. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). Constituição Espanhola/1930.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). 1937. consuetudinária (não é escrita).. 11 . toda Constituição histórica é costumeira. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. há pouco espaço para se ter costumes como regras.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. Ex. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte.não codificadas (ou legais. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Nesse caso. 3) Quanto à origem: . mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade.democrática. surge em um só momento. quem vota a matéria são as lideranças. . 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. o apelido de “Cartas Constitucionais”. 1967. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. Obs. por ex.

Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Por este motivo. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. sem se preocupar com os detalhes.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. portanto muito difícil de serem modificadas.: a Constituição dos EUA). Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. (Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. passou a haver hierarquia entre as normas. Ex. Em 2000. inclusive a CR/88). . mas sim o processo mais dificultoso. deixou de ser considerada flexível. sucintas. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. sendo assim. Ex. Constituição Inglesa. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). 1º. ou seja. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. É uma constituição em sentido material. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). É uma classificação típica das constituições costumeiras. .imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. São chamadas também de clássicas. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Não existe controle de constitucionalidade das leis. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material.: art. CR). reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .fixas: não poderiam ser modificadas. como é o caso da CR/88.) .flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . . independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Ex. . Como se submete a esse tratado internacional. É uma constituição em sentido formal.

Canotilho. mas sim uma obrigatoriedade!). dogmática. Ex. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). Rígidas. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. Democráticas (populares. sumárias. Característica das constituições clássicas. dogmáticas. Históricas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. costumeiras ou consuetudinárias). que surgiram com um objetivo pré-definido. Ecléticas. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). União. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Flexíveis (ou plásticas). QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Pactuadas (ou pactuais). prolixa. rígida (ou super-rígida). o Municípios. codificada. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). Constituição programática (ou dirigente). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). Não-escritas (inorgânicas. o DF.: a CR/88 é ainda Eclética. pois valem a todos os entes federados. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. É a CR/88. e não de apenas uma ideologia. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas.: art. 13 . QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. sucintas. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. . o União. básicas ou clássicas). porque é fruto de várias ideologias. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. (processo legislativo).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. 3º. CR. o Estados. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. OBS. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. democrática. Fixas. como por ex. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). formal. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). 59 e segs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: art. votadas ou promulgadas). que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Constituição em sentido formal.

por ser rígida. que a CR/88. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. Leis Delegadas. LC. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. 59. cujo fundamento de validade são as leis e. porque os princípios têm maior amplitude. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. §3º).: decretos e regulamentos. a Constituição. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . as medidas provisórias. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. CR). Importa dizer. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. para fins de controle de constitucionalidade. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. II a VII). princípios ou regras. tem de ser. 59. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. que existem como complementação dos ANP). 5º. as derivadas (art. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. DL e Resoluções – ☺art. o indireto. uma Constituição só possui relevância sociológica. a Constituição tem que ser rígida. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. enquanto as regras são mais específicas. Para que exista supremacia formal. sejam elas originárias ou derivadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. obrigatoriamente escrita. cláusulas pétreas ou demais dispositivos.343/SP. 59. ordinárias e complementares). encontram-se as normas constitucionais originárias. No entanto. as leis delegadas. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. distritais e municipais. por 3 níveis hierárquicos. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. basicamente. se tiver também supremacia formal. No topo. MP. estaduais. direitos fundamentais ou não. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos.

47. 69. por uma questão de economia legislativa. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Por ser uma matéria reservada. Anotar como complemento posteriormente. No caso da prisão civil por dívida. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Lei ordinária Art. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. por isso não entendo como pode tamanho formalismo.status constitucional. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. 47 é a regra geral. Essa aprovação não é obrigatória. OBS: O art. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . mas somente uma recomendação. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art.☺Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição.☺Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . No entanto. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. é sempre o mesmo número ☺Art.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Portanto. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. a previsão constitucional exige complementação. que regula a LC. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Leis delegadas. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. MPs. Reservada pela CR/88. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Cabe controle de legalidade (discussão incidental). 69. Não varia. Residual. Quando não exigir LC.

24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. 25. • União – ☺Arts. como o controle exercido será de constitucionalidade. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ).: lei estadual trata de matéria de competência da União). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. d. no caso de repartição vertical. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. CR. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Assim. há hierarquia. a competência para resolução é do STF. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. E. ☺Art. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Parei aqui. não cabe ADIN. DF). pois não está ligada diretamente à Constituição. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). Hierarquia entre Lei Federal. III. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Assim. 16 . 21. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. Havendo conflito (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. • Estado – ☺Art. 30 (assunto de interesse local). § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. 102. conforme previsto no art. assim.

normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). tem função interpretativa). os TI de direitos humanos. b) Parte permanente = normas gerais – arts.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). como para Canotilho. é diretriz hermenêutica. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. etc. visando assegurar a supremacia da constituição. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). ou seja. . o CDC. contudo. Não existe. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. quando são equivalentes às EC. 17 . para alguns é amplo e para outro é mais restrito. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. deve estar inserida no texto da CR. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. Como não tem caráter normativo. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Tirando o preâmbulo. seja uma norma de referência para ele. Assim. Com a EC/45. Refere-se. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). portanto. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. . a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. Abrangeria não somente a constituição. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. mas também o preâmbulo. . A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova.

: competência privativa do PR (☺art. aliás. MI. Ex. quando não é respeitada uma norma de competência.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. 3. A omissão parcial nada mais é que uma ação. 61. não pode ser suprido pela sua sanção). não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 3. ADI. 4 e 5. ou seja. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. STF não é mais aplicada. art. Ex. (Obs. 154. ADC e ADPF. mas caberá ADIN por omissão). Dependem do prisma de observação. 5° a 17).Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Não Auto-aplicável.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. 3. Não Auto-executável. . I – que exige LC para instituir impostos residuais). AIO. 5. ou seja. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. Pode ser: .3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão.de princípio institutivo (Obs. No STF. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional).2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Assim. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. há uma divergência na doutrina. §1º.de princípio programático. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. não será cabível mandado de injunção. 18 . o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Ex. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. Assim. Obs.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. se considerar em relação a uma expressão é total. as Súm. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Aqui.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Formas de Inconstitucionalidade: 3. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. e Não Bastante em Si. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. Ou seja. ocorre. mas o prof.: a Súm. às vezes. CR). ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. pois. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). .

no controle concentrado abstrato. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. como altera sentido do texto.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. que se ligam indiretamente à constituição. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. o decreto se torna inconstitucional. Obs. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. ou seja. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88).4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. No caso do decreto. ato originariamente constitucional. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. Se o decreto é ilegal. não pode ser retirada). § 2°). refere-se. Para o prof. de ofício ou a requerimento da parte. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). Segundo STF. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. 66. todo parágrafo. a inconstitucionalidade será direta. atos previstos no art. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. aos Atos Normativos Primários. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Assim. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. toda alínea ou todo inciso (☺art. ou seja. pode ser questionado. CR. No caso da lei. Ex. já sendo inconstitucional desde a sua origem.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Pode ser: b. reflexamente (ou de maneira 19 . b. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. decretos regulamentares. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Quando se fala em inconstitucionalidade. e grande parte da doutrina. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. 59. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. não se trata de revogação. 3. a inconstitucionalidade será indireta. Ex. que só pode atingir todo artigo. Relaciona-se.: a palavra “não”. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. o que houve foi um desrespeito à Constituição. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. pois.

tem fundamento de validade indireto. CR).Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. é fundamento de validade direto e no 2° caso. portanto. EX:art. 60 parag 4. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. porque ele é o único que participa do processo legislativo. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. 66. quando ele participa do processo legislativo. Trata se de um controle incidental. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. embora participe do processo legislativo. .: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. inciso ou alínea). CR. promulgar e fazer publicar as leis. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). No 1° caso.sancionar. mas uma mera análise política. O único legitimado para impetrar esse MS. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. o projeto 20 . ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. ele não precisaria impetrar o MS. é excepcional. a inconstitucionalidade será direta.ou concreto. já que de maneira indireta. por isso aqui não há que se falar em controle). A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). a inconstitucionalidade é indireta.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Obs. 84. OBS: não adianta decorar o nome do ato. se ele entender que o projeto é inconstitucional. pois pode ser derrubado (☺art.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. . que se exerce através do veto (☺art. ela não está violando o direito de ninguém). O veto é relativo. não pode impetrar o MS. O veto tem que ser expresso. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. Art. IV .. Caso contrário. por isso ocorre antes da promulgação da lei. porque o ato não fere diretamente a CR). §2º. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. porque o chefe do PE. segundo o STF. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. 66. assim. viola o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. mas sim analisar cada caso concreto. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). parágrafo. prevenir que a CR seja violada. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. como pelo PE e PJ: . IV. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. 84. O chefe do PE.

pode ajuizar uma ADI. V. mas um processo legislativo constitucional. 68. somente o Deputado Estadual. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. Leitura do livro do Lenza (pág.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. secreto. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). etc. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Legislativo? Sim. CR. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. e as normas do RI são questões interna corporis). 21 . não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. os direitos e garantias individuais” – ou seja. ADC ou ADPF. Assim. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. se na Assembléia Legislativa. o PR elaborará então a LD. já que trata-se de um ato normativo. o CN poderá editar um outro ato normativo primário.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. vinculam os atos e procedimentos legislativos. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. a separação dos poderes. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. Questão: o PR. 60. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. desta feita. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. vedando-se. na linha do voto de Gilmar Mendes. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Ademais. tendo como objeto esse Dec. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. o Senador. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. pois não se trata de ato normativo. que entende que “. que é o chamado Decreto Legislativo. as cláusulas pétreas. constituindo-se normas constitucionais interpostas. interpretações regimentais. aos direitos fundamentais”. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. o voto direto. muito embora não sejam formalmente constitucionais. que. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . ☺art. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). Na verdade.. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. a fim de repará-la. mormente. na qual o projeto esteja tramitando. universal e periódico. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. em um primeiro momento. ou seja. Se o projeto tramita na CD. 49. por maioria de votos. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição.. se está no Senado. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. não lhe cabendo. No entanto. 168): o STF. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). §4º. V . contudo.

não é um entendimento consolidado. O chefe do PE (e só ele – PR. tampouco que o PR. Ele será. 84. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. GE. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta).Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes.. esse rol foi ampliado.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. clara e evidente – ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR..Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. pode o PJ analisar tais pressupostos. exorbita os limites do Poder Regulamentar. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Após a CR/88. quando. não havia relevância alguma). devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. segundo o STF? Resposta: em regra. ela deve ser objeto de controle. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. já no STJ não há qualquer ressalva. Legislativo para sustar. pois. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. Obs. III) Súmula 347. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. ao fazer um Decreto Regulamentar.084). Antes da CR/88. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. nesse caso o CN pode editar um Dec. através da edição de um Decreto.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. ao negar cumprimento à lei. Não se analisa o mérito da MP). simultaneamente. ou seja. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. II) art. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). Assim. . No entanto. CR). estudado de forma detalhada a seguir. 62. O TC é órgão auxiliar do PL (art. por ex. mas tão somente aos prefeitos. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. nesse caso. IV. Desde já. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). ajuizar uma ADI. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. só havia um legitimado para propor ADI (PGR).. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. é necessário fazer-se um controle repressivo). mas segundo o Min. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. CR). STF: o Tribunal de Contas. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. . Gilmar Mendes. 71. Apenas excepcionalmente. no exercício de suas atribuições. porém. o chefe do PE teria que. 4.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento.

quem exerce o controle é o PJ. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. inclusive o STF). já na CR/88.: França – que tem o Conselho Constitucional.S. mas das espécies de controle. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. em 1920 (bem depois do controle difuso). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. 4. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. em se tratando de lei nacional. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. difuso e concentrado). Seu criador foi o grande Hans Kelsen. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação.A. e é adotado pela maioria dos países europeus. Por isso. Obs. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. porque surgiu nos EUA. se se tratar de lei local. porque surgiu na Áustria. dentro de sua competência. ao mesmo tempo. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. haviam sido feitas apenas 16 EC. com 19 anos de Constituição. interessante: em 1965. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. já foram feitas 56 EC! 23 . órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). porque significam coisas diferentes!).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. É também chamado de controle aberto. Ex. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).: na Suíça. o controle é feito pelo PL. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). para não gerar essa confusão. Segundo caso. No Brasil. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. em 1803. que completa este ano 20. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. Primeiro caso. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. 1792 Hayburn s case. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. ou seja. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional.Hilton x U. Por isso. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). isso não é verdade. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual).

No Brasil. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. nos EUA chamado de “Binding Effect”. (O STF é o guardião da CR – art. ou tendência de verticalização. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. se fala em efeito vertical. Gilmar Mendes. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). e a partir desse antecedente. o principal defensor dessa tendência é o Min. é proteger as normas da CR. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. A análise da lei sempre será feita em tese. O efeito vertical. No direito brasileiro. já não ameaça mais a supremacia da constituição.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Segundo este instituto. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. porque em estando revogada. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. também não podem ser objeto de controle abstrato. ou seja. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Com base nesse argumento. sendo o controle 24 . mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. Da mesma forma. por ser uma relação vertical. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. A finalidade não se confunde com a competência. mas tão somente de controle concreto. mas deve ser estendido ao controle concreto). O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Por isso o Min. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. 97. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Este efeito é típico do controle abstrato. 102. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante.

se assim fosse. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). E. No Acre. Assim. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. não há necessidade da suspensão pelo Senado. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). viola o princípio da igualdade. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. e não erga omnes. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. Antes. Então o Min. 52. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. então não sabemos a posição dos demais ministros. sem que ocorra modificação no seu texto. Gilmar Mendes. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização.959/SP. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Por fim. do PL. Outra situação interessante foi o RE 197. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. 25 . 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. X. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. ou seja. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. que deu provimento à reclamação. O Relator da Reclamação foi o Min. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. não uma simples mutação. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. tendo efeito apenas inter partes. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Eros Grau.335/AC). ou seja. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. ou seja. Gilmar Mendes (e também o Min. o Min. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. Pois no controle difuso. No Legislativo: Mas. em ocorrendo isso. pelo menos por parte de alguns ministros. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Por fim. sendo acompanhado pelo Min. Gilmar Mendes. CR. Não houve reclamação quanto a essa decisão. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). 4. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Assim. houve decisões proferidas em 3 MI (712. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. ou seja. segundo ele. o direito de greve dos servidores públicos. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. não permite essa mutação). pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. Então. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão.917/SP. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. ainda. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. como a decisão tem efeitos inter partes. Na decisão do STF. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. em seu voto.

não precisam chegar até o STF. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. A repercussão geral (art. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. (☺ Lei 11. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. o que se dá no “plenário virtual”. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto.art. ou seja.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. 103-A). atualmente. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). Num segundo momento (conseqüente). julgando-o procedente ou improcedente. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. somando-se os votos de todos eles. O RE. político ou jurídico. não cabe ao STF analisar. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. eles não se reúnem fisicamente. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. O papel do STF não é julgar litígios individuais. pois tem o papel de guardião da Constituição. é um instrumento de controle concreto e há. 102. concorda com isso). por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. social. No controle concreto. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. estão os procedimentalistas.417/0 e Lei 11. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. Segundo Eduardo Appio. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. é uma questão incidental. a rigor. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. mas apenas a causa de pedir (antecedente). § 3°. por sua vez. fundamentação e dispositivo. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. 26 . uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. analisado no dispositivo (conseqüente). não é o objeto principal do pedido.418/06). o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. Contrários a essa tendência de abstrativização. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. por estarem mais próximos dos indivíduos. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. não tem natureza processual como as súmulas comuns.

Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . sejam particulares. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. art.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. §2º. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Dispositivo L.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. há previsão não só na lei como também na CR). 102. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. 27 . O próprio STF já proferiu decisões divergentes. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.Lei 9. 102. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito.erga omnes .17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.882/99 – ADPF.vinculante. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. . art.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). mas também à fundamentação. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. secundárias do julgado. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.I.EC 45/04: art. . 10. Sendo assim. . não determinantes para a decisão) não vinculam. a chamada eficácia vinculante. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.Lei 9. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. 28. P. 5.868/99 – Lei da ADI e da ADC. . Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. Ademais. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .U. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. eles também são vinculantes. questões ditas de passagem. mas tão somente a ratio decidendi. a razão determinante da decisão. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . . sejam poderes públicos. ou seja. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. e ele se encontra no Dispositivo. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.: . → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. conforme está previsto no caput do art.

Atinge a norma impugnada + normas paralelas. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. também fica vinculado). a função legislativa). até que o PJ a declare inconstitucional. . Obs. que se quiser.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. e outros dizem ser um ato anulável. É um entendimento que vem desde 1. . para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. inclusive os chefes do PE. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Respeitando o efeito vinculante. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. (20/03/09) 5. . segundo o prof. impedida de evoluir). Só atinge a norma impugnada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . No entanto. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. no caso Marbury x Madison). como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. .Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. suas turmas e seus ministros. outros dizem ser nulo. por sua vez. 28 . Por este entendimento. já os órgãos fracionários do STF. pois atinge apenas o dispositivo.o PL (na verdade. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). mas sim fiscalizatória. . mas os sistemas de preclusão processual. mesmo que não tenham sido impugnadas. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. se as leis devem ser cumpridas. estadual e municipal). como a coisa julgada. inclusive o Tribunal de Contas. estes estarão sim vinculados). pode modificar seu entendimento. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. cuja função não é legislativa.

Mas. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais.. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. com seus normais efeitos ex tunc. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. o Min. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. . Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. 27). A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. no caso do controle abstrato. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. ☺art. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. como a Lei 9. Lei 9..Normas anteriores à CR.)”. Ou seja. portanto.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. etc. não admite a “constitucionalização superveniente”.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. o efeito que produzirá. e não no de não-recepção). . assim. Exs. 11). Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).882/92 (art. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários.” . Visto a natureza do ato inconstitucional.112/90. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. 27. por questão de segurança jurídica. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Neste caso. como regra é retroativo: ex tunc. com inteiro teor). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. como os servidores agiram de boa-fé. ou 2) excepcional interesse social. não precisariam deixar os cargos. autor e réu. que revogou a Lei A.).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. poderá o STF. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. o STF. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. portanto. porque o ato é nulo desde a sua origem. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. decidiu que. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. O STF. os efeitos são erga omnes). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . ☺RE 197.868/92 (art. Assim. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão.

esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. portanto foi recepcionada. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). não foram todos os ministros que se manifestaram). sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível.Corresponde a um juízo de . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. mas. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico).: a norma x tem dois significados possíveis. 68. CR x art. chamada “Apelo ao Legislador”. era uma questão “obter dictum”. . Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. de fato. à medida que a situação fática for alterada. 134. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). constitucionalidade. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: .2: art. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. para que este corrija a norma. . CPP.O Tribunal precisaria observar . ela progressivamente se tornará inconstitucional).4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. evitando a inconstitucionalidade progressiva.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. que trata da ação de reparação ex delicto.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. portanto. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. quanto . a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. e a norma já foi recepcionada pela CR e. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. ex. Assim. quando todos os Estados tiverem DP. o prof. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR.Corresponde a um juízo de . há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. reproduzida pelo STF). 5. controle difuso-concreto. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. Ex. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. Em alguns casos. Ex. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. com condições de trabalho iguais às do MP. portanto. assim. com um só sentido). entende-se que a norma (B) é inconstitucional. depois de ter sido recepcionada. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. o resultado será o mesmo. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. um significado A e um B. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). Segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. (A norma já passou pelo crivo da constituição. mas nem sempre. mas sua interpretação).O Tribunal não precisaria 30 . Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional.

: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. se o art. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .É uma técnica de decisão judicial. . 3º. 2º for dependente do art. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. 97). é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. no controle concreto. esta só se faz necessária quando se afasta. são excluídas as demais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. . ou todo o artigo. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. Na declaração com redução de texto.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. o texto da norma. o juiz pode. 2º.É excluída uma determinada interpretação. 1º e 3º. em princípio. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. de ofício. dentro de uma mesma lei). mesmo que não tenha sido questionado. de ofício. portanto. declarar a inconstitucionalidade. 1º e 3º e. desde que não altere o sentido do restante da norma. no controle concreto. b. O STF. . . não podendo. por arrastamento. se manifestar de ofício sobre o art.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. b) Com redução de texto: b. em razão do Princípio da inércia. (*) Para o STF. como ambas são equivalentes.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. . Assim. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. ser objeto de ADI. 1º ou do art.Não há qualquer modificação no texto da norma. 2º. no controle abstrato. em regra. se for um dispositivo autônomo. Obs. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). . não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Ocorre que. . e são permitidas as demais. ou seja. a cláusula de reserva de plenário. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. do art. 2º.É permitida uma interpretação e. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). total ou parcialmente. portanto. observar a cláusula da reserva de plenário (*). o juiz não pode. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). nem sobre os demais. não poderá. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. da Lei x. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. Trata-se de controle abstrato.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei.

Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. ADCe ADPF). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). mas também quando há usurpação da competência do STF). Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Mas nem todo controle concreto é difuso. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). e por arrastamento. portanto. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. No Brasil. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. Neste caso. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Ou seja. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. neste caso. Obs. Sobre o tema: 32 . apesar de sozinho não ter aplicação. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. O dispositivo.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. todo controle difuso é concreto. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. ACP para fechamento dos bingos. julgará procedente ou improcedente o pedido. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). pois será uma questão discutida incidentalmente. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. portanto. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Contudo. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. já que o STF pode. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Assim. dentre elas a ACP. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. de ofício. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. Ex. julga também inconstitucional o decreto. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. porque. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. mas é que esta não é necessária. O pedido será a proteção de direitos. mas apenas a causa de pedir. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração).

: eleição do Presidente do tribunal. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. porém. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. STJ ☺ Resp.022. dotada de caráter de universalidade e abstração”. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. 557. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. na prática. no caso. pois. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). 97. porém. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). assim.646.. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. não pode ser delegada. porém. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. que é função legislativa. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). é função possível de ser delegada. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. em defesa de contribuintes. Assim. os Tribunais não têm admitido que. que é função política. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. ☺art. Regra da “full bench”. que é mais de 50% dos presentes). 97. elaboração de Regimento Interno. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 294. e no mínimo 11 membros. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. Assim. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. teremos uma lei material. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes).159. por entendê-la inconstitucional (inter partes). que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. no âmbito dos Tribunais. Nada impede. Segundo esta cláusula. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. Em outras palavras. o que só se pode obter por meio de ADI. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. conseqüentemente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. de efeitos concretos. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. por exemplo. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. No tocante. STJ ☺ RE 227. as chamadas leis de efeitos concretos. por ex. por meio da ACP. 93. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. Os juízes singulares podem. também não pode ser delegada). XI – órgão especial: para que seja criado. desde que. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. 33 . Assim.

o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente.. se entender que a lei é inconstitucional. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. P. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. 481. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF..Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. Há quem critique tais exceções. como guardião da CR. se for acolhida. CPC) seria inconstitucional: o art. de acordo com o posicionamento do STF. assim. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. prosseguirá o julgamento.U. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. porque para o STF ambas são equivalentes. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. abstratamente. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). ou em caso de interpretação conforme. no entanto. Assim. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. Quanto à 2ª exceção. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. sabe-se que o STF é o guardião da CR. pela maioria dos seus membros. O professor não concorda. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. . não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada).. se existir no Tribunal. a argüição de inconstitucionalidade (. podendo decidir o caso concreto.U. Decidido o antecedente. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. será lavrado o acórdão. sob o argumento de que o dispositivo (art. 481. ao órgão especial). 97. Exceções: P. ☺art. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). 34 . pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. Há uma repartição funcional de competências. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ.

35 . X. O SF apenas suspende a lei. Na verdade. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. ou seja. passa a ter efeito erga omnes. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. 52. portanto. Outros autores. 178. sustentam que o efeito é ex tunc. que não pode ser retroativa. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. que não comporta delegação. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. O SF não é obrigado a suspender. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. CR – compete privativamente ao SF suspender. o SF não pode suspender toda a lei. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. bem como ou STF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. A cláusula vale também para o controle concentrado. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. por isso o faz dali em diante. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. RISTF. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. se assim o fosse ela já seria vinculante). como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. como se tratasse de uma revogação. esta decisão deve ser submetida ao plenário. a decisão do STF. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). no todo ou em parte. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. a lei deixa de ser aplicada. trata-se de uma competência exclusiva. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. Quando o SF suspende a lei. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). É o entendimento mais correto. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. art. Efeitos. Ademais. A suspensão se dá através de uma Resolução. em regra. não estando vinculado à decisão do STF. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. quando isso ocorre.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. ela se refere à decisão do STF. Ou seja. 2) Outros autores. O STF já admitia essas duas exceções. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. entendem que se trata de um ato discricionário. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário.

ou seja. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. CR. Segundo o professor. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. requisitos para a criação de CPI. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. no controle difuso-concreto. etc. Mas. se for apenas uma parte. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. 59 e segs. pela simetria deve ser atribuída ao governador. Nas situações em que o TJ julga. Art. Gilmar Mendes. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Quando se fala em decisão definitiva do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. segundo o Min. em razão do princípio da simetria. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. não se referem ao âmbito estadual e municipal. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Art. CR: prevê o escrutínio secreto. obrigatoriamente. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. cabe. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. não havendo a necessidade de suspensão da lei. 66. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). RISTF) – e isso é óbvio. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Na ADPF este fenômeno também é possível. LC. É uma construção da jurisprudência do STF. §4°. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. a partir do momento que resolve fazê-lo. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. normas referentes ao TCU. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. configuraria uma mutação constitucional. 52. a resposta é negativa. desta decisão proferida pelo TJ. cujo modelo. O SF. sendo norma de observância obrigatória. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. Ressalta que a letra da norma (art. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. e se o STF. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. LO. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. 178. esse entendimento é desejável. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. já que o SF não atua de forma correta. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. por ser um órgão do PL Federal. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. deve-se recorrer ao entendimento do STF. mas. está fazendo uma análise. Neste caso. CR) não comporta este entendimento. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. Por isso. 61: iniciativa do presidente. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. o que. já o SF não. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). esta norma não é de observância obrigatória. um RE para o STF. Segundo o STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. 57. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato.

também. etc. no controle abstrato (ADI. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. pelo Senado Federal. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. Ex. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). como aos Estados. Quando o SF suspende os efeitos da lei. a suspensão. X. CR). portanto. ele está atuando como órgão de caráter nacional. 19. os que tratam do TCU. se aplicando ao âmbito federal. 59. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Ex. visto que. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal.” Análise do enunciado pelo prof. retirando a lei do ordenamento jurídico.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. sendo específica para os servidores públicos civis da União. São os dispositivos que se referem tanto à União. por não existir uma federação de municípios. o SF teria um número enorme de representantes).). da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. 37. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF.: CTN. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. no todo ou em parte. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). da organização da União. porém. não havendo. 52. Assim. 58. por isso pode suspender leis também dos Estados. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Sabe-se. §3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. está defendendo interesses apenas da União. ADC ou ADPF). mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). Classificação de Osvaldo Aranha B.: arts. estadual. É também uma lei emanada do CN. mas não trata apenas dos interesses da União. do DF e até municipais. Ex. assim. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. só se aplicando ao âmbito federal). Quando o SF atua como órgão federal.: Lei 8. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. que deve ser observado no âmbito federal. por isso pode suspender lei estadual e municipal. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc).: art. distrital e municipal). quando o SF atua. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). art. outros 37 . Ex. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. estadual e municipal. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal.

38 . a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. no âmbito da AP Federal. Poderá. os dois tipos são constitucionais. é a Câmara Municipal. pró-ativos (ex nunc). da AP Federal direta e indireta. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. Entretanto. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. então. SE e AM. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). em decisão definitiva.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). Segundo o STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. porque o seu parâmetro não é a CR. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. não retroativos). MS. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. por força do referido Decreto nº 2. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta.346. visto que. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. de fato. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF).346. 2º grupo: . Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. visto que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. Portanto.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). declarando uma lei inconstitucional. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. . Embora não haja consenso. Com efeito. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). na sua esfera de competência. TO. RN. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. é sempre a AL que suspende a lei. adotou-se. é a AL que suspende a lei. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. de 10/10/1997.

de acordo com essas leis. ela é meramente jurisprudencial). a competência é do TJ).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). . 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). obviamente. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 4) Recurso da decisão de mérito. em seu art. 103. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. A Constituição. não cabe. deve haver a previsão da legitimidade.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.ADPF. mas sim legitimados.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. o duplo grau de jurisdição. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. Por se tratar de um processo de índole objetiva. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. e . 5) Ação rescisória.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. a ampla defesa. ou na CR ou na lei. onde não existem partes formais (autor e réu). Como são ações de controle abstrato. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório.ADC. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. 39 . tendo partes – autor e réu. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). ☺Lei 9. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. Obs. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). e não do trânsito em julgado. . que são a União e os Estados).

Os demais podem fazê-lo sem advogado. Executivo PR GE – GDF P.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Assim.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. para ter legitimidade. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).A norma do art.S. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Para ter âmbito nacional. a partir de então.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). confederação regional: F. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.A entidade de classe. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). . segundo a jurisprudência do STF: . o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. . . . Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). CS e ECAN.Os GE. . confederação local: sindicato.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Obs.Confederação sindical significa de âmbito federal. .Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia.

geral e abstrato. todas estão no mesmo nível.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. 5º. o RI pode.Norma formalmente constitucional . Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. Não serão objeto de ADI e ADC. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. . questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. Ex.: decreto regulamentar do PR. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. I. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. 1º. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). sem interferência do PJ. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). são questões próprias de RI. caso o decreto emane diretamente da CR. . ou seja. ele poderá ser objeto. 102. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. 41 . por isso não é ANP).questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. para ser objeto de ADC e ADI.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. Obs. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. §3º .preceito fundamental da CR (princípios fundamentais.TIDH (3/5 e 2T) . salvo se envolver violação a direitos fundamentais. direitos e garantias fundamentais. I. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. nas normas que tratam de outra matéria). a. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . pois geralmente está abaixo do decreto. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. OBS.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. 102. Lei 9. como por ex. admite-se o seu controle.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. decreto regulamentar. a.☺art. .

Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. ele vai atuar como fiscal da Constituição. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). O PGR atua como “custus constitutionis”. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. 103. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou.leis revogadas. poder-se-ia admitir o veto jurídico. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. intervenção de terceiros e recursos. portanto está subordinado ao PR. § 3° é uma função especial. Obs. Tem status de ministro de estado. Hoje. . pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. Função geral do AGU (art. não pode ser objeto de ADPF: . devendo ser de todos eles intimado. salvo embargos de declaração. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. como está havendo uma influência de um controle no outro. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. sem exceção.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. medidas provisórias revogadas. Assim. §3º. No caso de emenda. o STF admitiu. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ainda. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. se um novo PGR o substituir. 103. A função do art. posteriores a 5/10/88. pode ser qualquer ato do poder público. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. 42 . ou seja. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. da mesma forma na ADPF. na outra. Mas. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo).Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. é preciso primeiro ser transformado em EC). STF). só podendo ser objeto de controle difuso. pois não produzem mais efeitos. também poderá dar parecer em sentido contrário. CR. . segundo o STF. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. §1º. 103. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. leis suspensas pelo SF. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). Atuação do AGU: ☺art. de defensor legis. CR. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. se seu entendimento for diverso. ainda que ele proponha a ação – ou seja. por analogia. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto).Súmula. Lembrar que não cabe assistência.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Atuação do PGR: ☺art. Lei do DF não pode objeto de ADC. não ameaça mais a supremacia constitucional. e. Gilmar Mendes e de um prof.

868. não precisará do AGU para defendê-la. Nesse caso. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. 7°. Ele não é alguém interessado na causa. §2º da Lei 9. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. §1º. §3º.868. disciplinou a figura. art. §1º e art. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei.868/99 vale só para a ADI. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. ☺ art. 9. . Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. de “defensor legis” e. nos estados que adotam a commum low.385/73 (☺ art. 7º. Amicus Curiae: Em uma tradução. A exposição dos motivos da Lei 9. Importante: ainda que como Advogado da União.884/94 (CADE). Mas atenção: existe um outro instituto. 7º. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. art. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. a Lei 8. Foi introduzida pela Lei 6. o das audiências públicas. 89. 43 . Tem natureza de auxiliar do juízo. Cabe também na ADPF. 6º. o AGU até poderia participar. só vai contribuir para a decisão do tribunal. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). A audiência pública está prevista na Lei 9. §2º e art. seria “amigo do tribunal”. o AGU não será obrigado a defender a lei. mas não têm nada haver com amicus curiae. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). É muito comum nos tribunais internacionais. Quando o AGU desempenha essa função. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Ela já existia antes. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei.868. não há o que se defender. 482. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Portanto. Está desempenhando uma função especial. em seu art. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Na ADPF. por analogia. “amigo da corte”. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9.868/99 -☺art. em especial no direito norte-americano. por fim. portanto. sendo feita por toda a sociedade. 20. Não há previsão para a ADC e ADPF. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Mesmo sem previsão legal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na ADI por omissão. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. §1º. 31). A previsão expressamente contida no art.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. Posteriormente.

Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . não tendo partes. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. segundo o professor. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. porque iria envolver matéria em relação à vida. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. Apesar de que era relevante. admitindo ser intervenção de terceiros (C.868/99. M. Para o prof. ressalta-se que esta é apenas relativa. Marco Aurélio não admitiu. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Lei 9. R. Mas depois que a lei foi feita. Surgiu com a EC/03. Quando 44 . o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. (Obs. cabe amicus curiae. O juiz de primeiro grau. ou seja. J. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. pois admitiu pessoa física em controle concreto. É. Obs. por ex. poderia afastar esta presunção.102.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. em despacho irrecorrível. . Gracie). admitindo prova em contrário.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. . O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. O STF ainda tem exigido pertinência temática. a mais correta.Com relação à presunção de constitucionalidade. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. ou seja. autor e réu. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. seria uma exceção). Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Aurélio. portanto. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. é um equívoco. Foi uma exceção. Barbosa e E.. . Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Mello.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. I. “a”. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Lewandowski.

o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. III). O parâmetro.Princípios Constitucionais. Portanto.).868/99.Princípios Constitucionais Sensíveis. em seu art.102.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. portanto. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). no entanto. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. art. CR e Lei 9. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. Como visto. Mas.869/99.Cláusulas Pétreas. Segundo a doutrina. . Cabe prorrogação. nas outras ações ela também poderá ocorrer). por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. . e .868/99. art. a Lei 9. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. ADPF: ☺ Art. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. os preceitos fundamentais são: . esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. 34. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP.14. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. Gilmar Mendes.882/99. 45 . O STF não concordou e mandou juntar mais ações. P. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. . Através do AGU. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC.Título I: Princípios Fundamentais. não há que se declarar uma lei constitucional). 14. e . na ADPF 33: .Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. inclusive o Poder Executivo. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). .Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. . Não é uma ação de inconstitucionalidade. o FHC ajuizou ADC.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art.U.Cláusulas Pétreas.21. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. O STF admitiu ☺Informativo 518. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. é mais restrito: somente a violação. II. . nos quais a lei esteja sendo discutida. §1º. VII).

como guardião da CR.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art.U. Mas se algum dos legitimados souber da ação. 1º. ainda. Art. embora lá há uma vinculação horizontal. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Um dos legitimados. podendo ser um meio de controle difuso. 196 e ao meio ambiente. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.882/99. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Proposta diretamente no STF. dentro do órgão judiciário). a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Ex. Ela vai ao juiz de primeiro grau. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 1º. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. Obs.: surge a partir de um caso concreto. 46 . a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). apenas o STF. 4°.: gestante com feto com acrania. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. na ADPF.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. O objeto pode ser da esfera federal. art. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. embora seja bastante difícil existir esse meio). leva a questão ao STF através de ADPF. Aqui. P. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. os legitimados podem levar não todo o processo. Incluindo-se. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. a vinculação é vertical.882/99). Segundo Neri da Silveira. estadual e municipal. neste rol. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). Características: .: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. § 1° da lei 9. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. dentro do mesmo tribunal. ou seja.

121. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. LXXI . 47 . No entanto. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). h). I. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. Ex.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.CR: STF (art. nas CE ou em lei federal).Admite-se a fungibilidade. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). o STF transforma a ADPF em ADI. STJ (art.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. . .conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. por ex. em se tratando de órgão administrativo. à soberania e à cidadania”.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. TSE/TER (art. Assegurar a efetividade de suas normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . coletivos e individuais indisponíveis (art. É controle concreto. I. 103. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. É a mesma da ADI. 5°.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). para fazê-lo em trinta dias”. É controle abstrato. . 5°. O STF admitiu a ADPF. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. 102. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. Obs.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. II e III). 105. § 2º . § 4°. 129. V). ADC e ADPF (art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. mas a converteu em ADI. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. à soberania e à cidadania). . q). Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art..

sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. organização sindical. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). ECAN e associação c/ 1 ano).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. portanto. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . ou seja. ou seja. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. . LXX: PP c/ CN. Recentemente. entes federativos e PJ dir.: na ADI 3682 b. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. Há. é b) Concretista: concretiza a norma. 5º. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. Mas atenção. concretize a norma (faça a norma concreta). São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. em se tratando de órgão da AP. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. competente de sua omissão (em regra. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. Obs. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. O STF. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. Se o PL) e. apenas razoável e não peremptório. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. fundamentais em face do Estado. mas esse prazo era direito.Órgãos públicos. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. portanto não podem impetrar MI. público: MI protege dir.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. no entanto. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). não pode concretizar a norma. mudou seu posicionamento.MI Coletivo: o STF o tem admitido. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. autores que admitem. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. recentemente. não pode fazer a norma para o caso concreto.

o STF está atuando como legislador positivo. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. 36. 34. ou seja. Recentemente. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. a intervenção é uma exceção (a União não pode. nestes casos de omissão parcial. A regra é o principio da não-intervenção. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. 2. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. ao mesmo tempo. porque nem a AIO tem esse poder. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. 708 e 712). De acordo com esta concepção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. e 2) recusa à execução de lei federal (art. VII). Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. pelo STF. Surge a partir do caso concreto. O STF adotou essa corrente no MI 232. como regra. 49 . na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Mesmo adotando a corrente concretista. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). A omissão total não cabe MC. em um primeiro momento. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. 680. ademais. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. intervir nos Estados).040). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. O efeito seria apenas inter partes. Essa corrente é bastante criticada. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. porque adotava a corrente não concretista). se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. No MI. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. VI). surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. o PJ. 34. ou seja. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. não cabe liminar (antes. CR (provimento. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. Portanto. Ela se subdivide em – geral e individual. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. ou seja. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. III. 652. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. criando uma norma geral e abstrata. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art.

A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). É dispensada a apreciação política pelo PL. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. foi uma criação da jurisprudência do STF. CR. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. O parâmetro aqui é mais amplo. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Esta forma não foi prevista na CR. 35. O STF é o guardião da CR. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. CR. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. 127. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. se o STF der provimento à representação do PGR. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. ☺art. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. ☺art. que é o pressuposto para a representação interventiva. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. §2º. da ADPF). CR. além. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). §3º. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. § 1°. no âmbito do TJ. O RE. As partes aqui são o Estado e o Município. no âmbito federal). o PR então poderá decretar a intervenção. CR). Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). 125. IV. portanto. nem no RISTF. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. 614. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. OBS. se violados. e sim em face da CR. Isto está previsto no art. mas que surge a partir de um caso concreto. STF). é claro. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). mas sim. 50 . Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. 36. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte).

O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. social e juridicamente organizado. um dos precursores dessa doutrina. editando a nova Constituição. É ele um titular passivo. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. São apenas órgãos aos quais se atribui. pois o Estado decorre da soberania popular. Schmitt). A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. expressa por meio de seus representantes. ou seja. Portanto. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. a vontade do constituinte é a vontade do povo. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Bonavides. Está acima do direito positivo. em alguns casos. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. que deve observar o direito natural. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. C. XVIII). corroborando essa perspectiva. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Assim. Modernamente. em nome do povo. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. porém. Na 1ª etapa. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Celso de Mello. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . segundo o Abade Sieyès. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Obs. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. cria o Estado. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. segundo o abade Emmanuel Sieyès. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. Assim. que é sempre superior aos poderes constituídos. o exercício dessa magna prerrogativa. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. por delegação popular. mas jamais é quem o exerce. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. retira sua força do direito natural. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Para os jusnaturalistas. que formulou esta teoria no fim do Séc. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. pode usurpar do povo a titularidade do poder. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. é a nação. que.

quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . CR) . se esta correspondência existir o poder será legítimo. já que o poder constituinte já é originário.Formal . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. 60. por conseguinte. há legitimidade objetiva. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Espécies Tradicionais: .Revolucionário . a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Obs. ADCT. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. para ser considerado legítimo. art. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . 11. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Reformador (art.: o prof.Decorrente (art. ADCT) .Histórico . Portanto. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. Dessa forma.Revisor (art. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. Assim. 25. 3º. correspondendo aos anseios daquela sociedade. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Material . apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. que é seu verdadeiro titular. entende que a expressão “originário” seria uma redundância.

mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. 53 . 1988. que substituirá a anterior. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). Obs. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. Ex. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. 1937. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. ou seja. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. há alguns valores que são morais. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. independente e soberano. a nenhum pré-requisito jurídico. GV). revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. ela nunca deixa de ser do povo. não perde a titularidade do poder constituinte. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. Obs. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. No caso do Brasil. foi criado um direito natural). O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. mas não a primeira e sim uma nova.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. 1934. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. No plano axiológico. O povo é o titular do PCOM. é apenas uma classificação quanto ao momento. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). é a Constituição que vai dar origem ao Estado.: este poder tem este nome porque para o Direito. através da Constituição. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). Apesar de ser um poder incondicionado.: se é um poder autônomo e incondicionado. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. ex. .: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. O Abade Sieyes. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. 1967/69. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. No caso do Brasil. 1946. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. Obs. através de normas constitucionais. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). b) é um poder inalienável.

a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. 54 . Dentro desse limite. mas continua a existir como característica essencial deste poder. as constituições estaduais não são recepcionadas. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. mas meta jurídico (fora do direito). Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). contudo. Ainda que o estado seja soberano. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Esta AL. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR.. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. Quando a CR consagra o art. Obs. 25. observados os princípios estabelecidos na CR. ☺art. no art. na verdade. Ex. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. No entanto. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). Não se trata de um limite jurídico. 11 do ADCT. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). Fábio Konder Comparato fala. O prof. não concorda muito com isso. De acordo esse limite. A partir do momento que a CR surge. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. por se tratar de uma conquista da sociedade. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. com os avanços da sociedade. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. a doutrina deduz deste art. por ex. No caso da CR/88. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. A CR/88. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. 25. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Ex. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. ele encontra limites no texto da CR. na pena de morte. ficando um pouco relativizada. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi.

VII. 61. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . porque o art. 57.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal).Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. . Mas. §4º não é norma de observância obrigatória). Estão presentes no art. 93. Obs. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. .: presidencialismo x parlamentarismo). § 1°. mas foi uma decisão super apertada (6x5). diferente dos extensíveis. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. processo legislativo (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. 57.: ☺art. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . §4º. §1º . no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. 59 e segs. 58. 27. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. 75. 58. Se subdividem em: 55 . vedada a recondução. por enquanto. Há dois grupos: (art.).Requisitos para a criação de CPI: ☺art. que se estendem aos Estados. V ???) I) Expressos na constituição: art. II) Implícitos: CPI (art. 34. Segundo o STF.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. Obs. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. CR. § 3°). c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. CR. composição. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. são as normas de auto-organização da União. ou seja.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. e o STF decidiu que não havia problema. são essas as normas de repetição obrigatória. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU).traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE.

mas é possível deduzi-las. 60.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. no entanto.).não é inicial. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.normas vedatórias: ex. 19.: os arts. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. . se for decretado o estado de defesa (art. Ex. uma limitação temporal para o poder revisor – art.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. CR (é vedado à U. . portanto. 37. ou seja. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios.: art.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. CR. E. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. e se for decretado o estado de sítio (art. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.. 136). . . Ex. DF e M. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .exercício: é pelo CN. . 137).titularidade: é do povo. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. é conseqüente. . 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. . portanto.é condicionado. 34).. 60. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. cujo procedimento está previsto no art.é um poder jurídico (e não de fato). Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional..: art. ADCT). que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 56 . Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.normas mandatórias: ex. em qualquer estado da Federação (art.não é autônomo. §1º. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios.. 3°. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . . II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. decorre da lei e não da força. CR.é limitado. Trata-se de um poder previsto na CR e.) – contém uma vedação expressa.

por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). §5º. . . 61. . CR). . também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. b) o entendimento majoritário da doutrina. 61 é a regra geral de iniciativa. a PEC vai para a promulgação. Este art. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. no âmbito do PE. no qual há 4 sessões legislativas. não veta. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. II e III) uma exceção à regra geral. 60.A nossa Constituição é rígida. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. §2º). o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. no entanto. . 44.U. ☺art. DF e DE. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. através da iniciativa popular (art. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. . vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. por fim. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. CR. apenas o PR. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). é o de que o art.Discutido e aprovado. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. após a iniciativa. §10). 61. GE. §2º). A Sessão legislativa (art. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. . 57 . do SF ou do CN. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). proposta rejeitada no dia 15/01. 67. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). 62. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. possamos usar o procedimento previsto no art.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. não promulga. 60. o STF e Tribunais Superiores. ademais. a PEC será discutida em cada casa do CN. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. assim. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. 61. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. Obs. P. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona.Além do PR. no âmbito do PJ. também chamadas de implícitas.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. o PGR. se a matéria for rejeitada. no âmbito do MP. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. 60. também podem propor projeto de lei o povo.Feita a iniciativa. para que. sendo o art. 60 (incisos I. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil.A última limitação formal objetiva está prevista no art. Ex. 60. ela será chamada de extraordinária. apesar de não existir previsão expressa. §3º. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). ☺art. No caso de projeto de lei. não pode haver emenda de emenda. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la.). que é o período de 4 anos do mandato do PR. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis.

Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. As cláusulas pétreas são. universal e periódico. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). ao estabelecer limitações à vontade da maioria. pois. Universal e Periódico: . Se elas não existissem. 58 . o direito de participar das eleições. .Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. a).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. VI. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. CR. mas sim. Ou seja. cláusulas que exteriorizam limitações materiais.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. §4º. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. o voto não é universal. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. na verdade. Curiosamente. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. o que é secreto é o escrutínio. segundo o STF. São as chamadas cláusulas pétreas. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. que é o modo como se realiza o exercício do voto. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. o que é universal é o direito de sufrágio. c) Assegurar o processo democrático. Expressas: ☺art. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. b) Preservar a identidade material da Constituição. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. c) Voto Direto. 150. secreto. Secreto. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. 60. ademais. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. . não podem haver alterações tendentes a aboli-las. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. não é secreto.O voto obrigatório não é cláusula pétrea.

pois. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. segundo a qual o art. são CP. 60 seria CP. por uma questão lógica. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. como um todo. Chama-se dupla revisão. não seriam cláusulas pétreas. para posterior alteração do conteúdo. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. sistematicamente. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. b. em princípio. 60. por isso. Um exemplo. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. Assim. O art. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. CR. não concorda. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. 2º. ADCT). . inclusive. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. 150. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. não alterando-o). §4º. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. dispostos do art.: primeiro. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Mas o STF já considerou que o art. sendo uma garantia individual. Assim. (23/04/09) 2. CR. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. não tem nada a ver com CP). que não é unânime na doutrina. e não em direitos e garantias fundamentais. todo o art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. comportam diferentes interpretações. CP). pois foi o entendimento dado pela soberania popular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. mas refere-se a uma reforma. que proíbe a pena de morte. ou.Há quem defenda. 5º. Os demais direitos e garantias fundamentais. . Ex. III. posteriormente. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. Lá estão as limitações ao poder reformador. A CR fala em direitos e garantias individuais. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Os direito fundamentais se encontram. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . 5º. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. O prof. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). far-se-ia uma EC revogando o art. é CP. não o serem). Obs. mas os demais não (ex. 60.: FGTS. 60 poderia ser modificado. CR). Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. pois seria uma forma da fraudar a constituição. e por conseqüência. é o art. com a dignidade da pessoa humana. Para ele.

mas seus efeitos surgem após a constituição. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. em sentido formal. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. ☺art. Ex. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. Ex. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. o STF tem entendimento unânime. Ex. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. 3º. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. esse era o entendimento do STF. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. em sessão unicameral. 60. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. portanto. não abrange EC. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. contados da promulgação da Constituição. Revisão é a via extraordinária. não abrangendo apenas leis em sentido formal. O ato ocorreu antes. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. 3º. tem que haver previsão expressa na constituição. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. c) Máxima: a retroatividade não é automática.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. b) Média: a retroatividade não é automática. O direito adquirido pode ser relativizado. excepcional e transitória de alteração da Constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. A limitação imposta no art. 5°. CR). A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. 3º. XXXVI. Antes da CR/88. não sendo um princípio absoluto. tem que haver previsão expressa na constituição. mas ainda não pagas. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Com relação ao assunto acima. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . a constituição atinge prestações vencidas. art. A retroatividade mínima é automática. mas também emendas à constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980).

Além disso. ADCT. circunstanciais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. e de forma geralmente mais extensa. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. 61 . especificamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. §§1º e 4º). o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. 60. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. 3º. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. Constituição da República. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. como início e limite para a interpretação. portanto. para o direito privado. para o direito público. e não isoladamente. Imagine a Constituição norte-americana. Toda norma está dentro de um sistema. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. esse método também é conhecido como método valorativo. com algumas peculiaridades. 52. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Por isso. É o início de uma interpretação. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Esse método não é apenas sistemático. Ex: princípio da não contradição. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. partindo da idéia de sistema. Buscam os valores subjacentes à constituição. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Além disso. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). eles são suficientes. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Por isso. Ela não tem normas jurídicas. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. como todas as demais. b) Histórico: no seu desdobramento. só tem alma. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). aqueles desenvolvidos por Savigny. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. O texto da norma funciona. entra o elemento histórico evolutivo. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. esses elementos são insuficientes. devido à complexidade da interpretação constitucional. É como se a norma fosse o corpo da constituição. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). e os valores fossem o seu espírito. mas apenas valores: o preâmbulo. O grande problema é que. Nele estão os valores supremos da sociedade. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. X. é também o limite para a interpretação. 65 . Na busca pelo “Espírito da Constituição”. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Não existe uma norma jurídica sozinha. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei.

o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. que é apenas mais um topos. Violação de correspondência de presos. de argumentação. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. a favor e contra. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Problema é a questão difícil. Isso gera certa instabilidade. Assim. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Ex. dos princípios gerais do direito. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Por isso. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. ou seja. vence o argumento que for mais convincente. os quais são submetidos a várias opiniões.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. como. o que geraria uma grande insegurança jurídica). O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. por ex. Assim. os operadores do direito servem-se de topoi. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. enfraquece-se a força normativa da constituição.. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Ex. pois comporta mais de uma solução possível). Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. mas sim diante de problemas. certa insegurança jurídica. da jurisprudência dominante. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. pontos de vista ou lugares comuns. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Ex. do senso comum. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. cujo plural é “topoi”. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. que contraria o positivismo jurídico. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. porque trabalham não com a idéia de sistema. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Por ter uma feição mais política do que jurídica. lugares comuns. da doutrina. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. como ocorre neste método. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Esses pontos de vista. formas de raciocínio. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. 2. Se se permite interpretações divergentes. ou a de que um é mais correto do que o outro). ele também é conhecido como método sociológico. de casos que comportam mais de uma solução possível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Este problema será solucionado pela argumentação. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. mais um 66 . Os topoi são esquemas de pensamento. → Crítica: feita por Canotilho. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares.

Método concretista. é preciso que haja um problema. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Os métodos III e IV. é bom lembrar. por serem métodos concretistas. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. pois. este método não poderá ser aplicado. de única solução possível. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). diferentemente dos dois primeiros. ao lado de Hans Kelsen. na sociedade aberta de intérpretes. sua aplicação a casos complexos. e o problema concreto a resolver. são coisas diversas. Ele parte. não se deve falar em interpretação constitucional. que a questão não seja simples. devendo-se fazer uso de outro método. quando se fala em hermenêutica. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Além de serem métodos aporéticos. se for caso de lacuna. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Ocorre que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Para este método. mas em concretização). porém. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. 67 . Assim. não podem ser utilizados de forma abstrata. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. ou seja. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. são também métodos concretistas. ainda que dos mais importantes. a compreensão prévia do intérprete. Assim. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. Não se pode separar as duas coisas. A principal diferença. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Hermenêutica e interpretação não se confundem. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). São métodos indissociáveis. como já vimos. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). e concretizador à aplicação. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. e sim na sua concretização.

Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . bem como a quebra da unidade constitucional. Judiciário. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Para ele. Fala-se que são utilizados. A democracia deve servir não apenas para a criação. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). traduzido pelo Min. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). mas a toda a sociedade. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Friedrich M. ao mesmo tempo. Quando ele fala em democratização. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. mas também na sua interpretação. regulada pela norma. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Segundo o autor. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. mas também para a interpretação da Constituição. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. limita a interpretação. Segundo ele. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). é o comando que se extrai da norma interpretativa. . é a realidade social tratada pelo texto da norma. 68 . ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. aberta a toda a sociedade. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). pois. por sua vez.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. Ainda que a Corte seja o intérprete final. A norma é o mandamento.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. mas refere-se àqueles que podem interpretar. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof.Elementos do âmbito da norma . → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . que têm legitimidade para a interpretação. O texto tem duas funções muito relevantes.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. Na prática. Assim. em regra. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Gilmar Mendes). O texto não tem o comando. Paulo Bonavides o tratar como um método. a norma só surgiria após a interpretação do texto. ele dirige e. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Não diz respeito aos critérios de interpretação. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. ele na verdade não o é. Essas duas figuras podem ser. O que ele chama de domínio normativo.

69 . que corresponde à vontade do constituinte originário. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Também denominado de originalismo. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Após. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. textualismo e preservacionismo. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. o poder legislativo é claramente fraco. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. os direitos têm que ser iguais para todos. Assim. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Na verdade. que tem o dever de evoluir o texto constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. 3) Existe uma única resposta correta. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. sem modificá-la. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. que se subdivide em princípios e regras. vinculante e obrigatória. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). como a constituição é feita por representantes do povo. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. no Brasil. Assim. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. Segundo Conrado Hubner. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Em virtude do caráter normativo dos princípios. quando interpretada. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Esta questão está ligada à separação dos poderes. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Por isso o judiciário tem ganhado força. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. A segunda corrente. do povo. mas de forma concreta. A norma. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. surge o Positivismo Jurídico. superado o valor da norma). preocupado com a segurança jurídica. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. No pós-positivismo. Hoje. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. norma e fato. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). surge a idéia de norma (gênero). A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. bastante discutido nos dias atuais. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Entende que. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição.

As regras possuem aplicação automática. A norma é um gênero e. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. bilateral).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. peso ou valor. em havendo um conflito no âmbito da validade.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. Ambos são normas.generalidade . como elementos do sistema normativo constitucional: . o que ocorre por meio da ponderação.: aposentadoria compulsória. genérica.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Para Habermas. princípios são “mandamentos de otimização”. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Ex. . que envolvem a aplicação deste princípio. quando se vai aplicar um princípio. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. ou seja. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. ou seja. que apontam para o sentido contrário. impessoal.Princípios. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Alexy afirma haver exceções. Eles não definem a medida exata. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). imperativa. há uma subsunção lógica. será invalidada. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. impõem resultados.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . → Regras: são “mandamentos de definição”.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. → Princípios X Regras: .Regras. dentro do gênero norma jurídica. é preciso saber quais são as normas opostas. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. mas a medida do possível. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. O grau de abstração é a diferença. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. isto é. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. . Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. Segundo Robert Alexy. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. . Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. 70 . Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy.Postulados. Assim. e . → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).dimensão que eles ocupam (Alexy) .

São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Os postulados são denominados. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Nesse aspecto. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. 71 .: proporcionalidade. Mas e os postulados? Segundo esse autor. também conhecido como antinomia de princípios. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. como princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. É um conflito sempre no caso concreto. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. será feita a análise de alguns postulados que. nem estabelecem competência ou conduta. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. de modo a realizar os valores nela consagrados. Com base nessas premissas. por isso não são aplicados diretamente. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. mas não têm a mesma função dos princípios. Não estão na constituição. Ex. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Eles não apontam um fim. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. cronológico e da especialidade.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. embasados na supremacia da Constituição. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. pela maioria da doutrina. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Segundo a LICC. interpretação conforme a Constituição.

Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. E. significa que as demais leis devem obediência a ela. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. no Poder Judiciário. na dúvida. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. o Poder Judiciário. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Toda Constituição tem supremacia material. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. excepcionalmente. para ter essa supremacia. no controle difuso. na dúvida. ficam vinculados àquela decisão. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. como no âmbito do Poder Executivo e. pode ser exercido através do veto jurídico. Se o texto tem apenas um significado. Se a constituição é a norma suprema. No Brasil. e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Ele pode negar a aplicação da lei. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. No Poder Legislativo. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. o Princípio da Supremacia da Constituição. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. deve optar pela constitucionalidade. é necessário que a Constituição seja rígida. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Todo projeto de lei passa por um controle. Não se retira a lei do ordenamento. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). não tem como fazer interpretação conforme. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. assim. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). presume-se que agiram de acordo com ela. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. quando entender que uma norma é inconstitucional. o Chefe do Poder Executivo. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Da mesma forma. No Poder Executivo. Essa presunção é relativa (iuris tantum). parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Ou seja. Excepcionalmente. a lei deve ser declarada constitucional. se entendê-la inconstitucional. por ser presunção relativa. Se há mais de um significado. A 72 . presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. significa que ele é unívoco.

de direito previdenciário. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. logo é conhecida como corrente “objetivista”. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Temos o voto direto como cláusula pétrea. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Na verdade. sendo. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. A segunda corrente.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Hoje em dia. Hoje. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Em uma sociedade democrática e pluralista. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Isso é impossível. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Segundo Kruger. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. ao mesmo tempo. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Ao se admitir que essa norma é superior. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. na constituição. Portanto. poderia declarar o art. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. num estado democrático. pois. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. que busca a vontade da lei. existem. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Busca a vontade do objeto interpretado. é conhecida como mens legis. Outro ex. b) Fim pretendido: . É como se filtrasse a lei. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. . Antes. etc. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. prevalece a vontade da lei. §1º. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Ex: Brasília é a capital federal. necessário harmonizar esses dois princípios. passando ela pela constituição. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Logo. é necessário observar os valores consagrados na constituição. mas. normas superiores e normas inferiores. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Geralmente.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. isso não ocorre. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. 81. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Obs.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. há várias tensões entre as normas constitucionais. 73 . a norma inferior.

c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Assim. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Se ele entrasse no mérito da questão. O que é isso? É semelhante a uma balança. bens ou interesses. Nesse caso. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. Segundo este princípio. O STF declarou constitucional. Quando se tem uma colisão entre bens. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O Juiz irá ver.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. valores. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. O que tiver o peso maior irá prevalecer. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. que é anterior à Constituição da República. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Uma existe ao lado da outra. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. deve-se buscar essa concordância prática. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Abstratamente. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. ele se basearia no princípio da unidade. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. se ambos estão consagrados na Constituição da República. 45. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. a integração política e social. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. 74 . O relator indeferiu a petição inicial. inclusive. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. O STF analisou 02 casos: a) Art. violava a liberdade de exercício de comércio. na hora de se interpretar a Constituição. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. e voto pelo CN é a exceção. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Essa lei. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. as duas normas têm conflito entre si. ou seja. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Eles são muito parecidos. é necessário utilizar a ponderação. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. qual dos dois grupos tem um peso maior. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Sempre que possível. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. princípios ou valores. §1º. Pode ser usada. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. e não em abstrato). Ex: voto direto é a norma geral. pelo legislador. no caso concreto. criando um efeito conservador da unidade. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. interesses.

Deve haver uma cedência recíproca. 343.: a proibição da pena de morte. O importante é saber que todos os princípios. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. poderia fotografar. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. que contribua para o debate de interesse geral. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior.: a Súm. ou seja. Ex: Se tiver na praia. Ex. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. cabe ação rescisória (obs. para que outros direitos sejam assegurados. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. às vezes. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. não se aplicando para a interpretação constitucional. do contrário. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. mas também a ratio decidenti. sendo o guardião da constituição. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. por mais importantes que sejam. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). eis que ambos se relacionam. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Exs. não. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. e não princípios. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. STF não foi abandonada. até uma compreensão equivocada. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. não. Caso contrário. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. 75 . da tortura. na academia. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. a privacidade deve ser preservada. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. 2) relativização da coisa julgada: o STF. do trabalho escravo são regras. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia.

a função social para a qual foi criada. Este princípio. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. . o desempenho concreto de sua função social. §1º. 4. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. sobretudo o Tribunal Constitucional. no Brasil. validade é.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. 76 . é também conhecida como eficácia social. pois. a qual significa a realização do direito. . Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. Exs. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. . 5º. é também conhecida como eficácia jurídica. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída.com. Ver no Site Editora Método. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. CR/88 (aplicação imediata).335/AC. 2) Direito de greve. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. . Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição).Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela.

É uma influência do direito alemão. deveria conceder uma autonomia maior. Na Alemanha. em sua origem. Ex. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Não é o entendimento mais cobrado em provas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. No Brasil. ele tem que ser adequado. não está textualmente consagrado. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. não se deve abater pardais com canhões. dentre os meios existentes. Para Jellinek. LIV. utiliza-se o termo proporcionalidade. utiliza-se o termo razoabilidade. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. ☺art. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. mas apenas como menções. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). ou seja. desproporcional. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). uma restrição à liberdade só será possível se. Assim. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Ele está ligado. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Nos sistemas da commum Law. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. É um princípio implícito. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. por isso sua importância. CR. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. uma densidade semântica que ele não tinha antes. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. apto para atingir o fim almejado. É uma influência do direito norte-americano. Alegam que a restrição seria desproporcional. do Prof. Para que um ato seja considerado proporcional. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. 5º. será também desproporcional. Ex. maiores hão 77 . b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Se o ato for desnecessário. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. à garantia do devido processo legal. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). pois. para que o Estado não atue de forma arbitrária. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. 1º.

A face acima exposta do princípio. Há uma outra face desse princípio. 78 . que é chamada de proibição de insuficiência. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Nesse caso. pode ser chamada de proibição do excesso. ou proibição por defeito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. o poder público age aquém do que deveria.

incidirão na ordem local. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. relevância jurídica. Ocorre que todas as constituições brasileiras. reproduzidos ou não na Constituição estadual. O min. mas no domínio da política. Como se sabe. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. proclamação mais ou menos solene. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. O que acontece é que o preâmbulo contém. com exceção das de 1891 e 1937. inscritos na Constituição. não existindo. O nome não é o mais apropriado. mas é a tese por nós adotada. mais ou menos significante. qualquer religião oficial da RFB. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. É uma corrente intermediária em relação às demais. portanto. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. Esses princípios sim. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. pois. Em âmbito estadual. Para o STF. laico ou não-confessional. não é componente necessário de qualquer Constituição. portanto. caráter normativo e. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. não tendo força normativa. No Brasil. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Situa-se no domínio da história ou da política. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. não tem relevância jurídica. refletindo posição ideológica do constituinte.. anteposta ao articulado constitucional. Não tem. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. de regra. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados.. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. sendo. Não contém. apresentado de forma não articulada. dado que. porém. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Assim. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. não é norma de repetição obrigatória. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. 79 . o Brasil é um país leigo. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. o preâmbulo. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição.

O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). o bem-estar. na ordem interna e internacional. Ao estabelecer os valores supremos. fundada na harmonia social e comprometida. Esta é a sua natureza. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. a segurança. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. a liberdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. o desenvolvimento. com a solução pacífica das controvérsias”. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. 80 . pluralista e sem preconceitos. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira.

95. A integralidade. apenas 81 .: normas que estabelecem imunidades (art. imediata e integral. enquanto não for restringida. no Brasil. §5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). 53). destaca-se a de José Afonso da Silva. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. Não depende de regulamentação. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto).U. prerrogativas (art. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Exs. → Normas de Eficácia Contida: O prof. vedações (art. Não são a mesma coisa. A NEC. dentre as quais. Uma NEC. (É a mais cobrada em provas). Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. §5º). P. Quando se fala em aplicabilidade imediata. é uma NEP? Não. 184. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. por sua vez. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. que “contenha” o seu conteúdo. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. O que as difere é o grau desta eficácia. que poderá variar conforme o seu enunciado. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. possivelmente restringível ou redutível. 128. isenções (art. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. como se poderia imaginar). Ela não depende de lei. enquanto não for restringida por lei. mas admite lei. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida.

etc. necessidade ou utilidade pública. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir.Facultativas: ex. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. A norma constitucional tinha eficácia.: art. e não quais são os meios para se atingir o fim.U. de forma que antes da Lei 9. mas o seu §1º. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. É indireta ou mediata. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. art. que não é norma). VII (direito de greve dos servidores públicos). neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P.: art. em regra. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. Se ela fosse uma NEP. . Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. é obrigatória. . VII. – ex. que faz parte da mesma norma.: art. 102. A NEC pode ser restringida: . 136 e 137). 37.U. ofício ou profissão. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários).). b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. A lei não irá restringir o direito. As vedações. 9º. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. 5º. mas. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. não há omissão inconstitucional.por lei (ex. Neste caso. Assim. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. ☺art. poderá criar impostos residuais. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. segurança nacional. eis que estabelecem o fim a ser atingido. 3°. são NEP (como são as normas dos incisos I. XXIII e XXIV). e art. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . 22. esclarece que trata-se de uma NEC. se quiser.Impositivas: ex. Não é apenas um conselho. Ex.: trata de vedações que são impostas aos juízes. mas não é uma NEP. XXII. quais são os efeitos. CR. que dirige os rumos do Estado.. Exs. ela nunca poderia ser restringida. 95). precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. P. 37. PU: União poderá delegar aos estados. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. 37. que a regulamente. VII. art. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). interesse social. art. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. art. etc.por conceitos de direito público (ex. art. 5º.por outra norma constitucional (ex. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. 82 . 154: a União.: art.: ordem pública. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. XII c/c arts. O caput do art. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. 95. . etc. XIII. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. e mediata porque depende de alguma condição. ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. 9º dá a entender tratar-se de NEP. mas pode ser).882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. conforme a lei. mas dizer como esse direito será exercido. mas não disse quem pode propor. 5º. II e III deste mesmo art. Ex. Indireta porque depende de uma outra vontade. caracterizadas justamente por este tipo de norma).

Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. cumprida a sua finalidade. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta.: art. não depende de outros sistemas. Marcelo Neves critica essa concepção. OBS. Para ela. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. também conhecidas como normas super-eficazes. ademais. porque ela não tem eficácia positiva). ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. pois. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. ADCT. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. São as normas do ADCT. 83 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Elabora-se uma norma genérica. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição.: As NEP. Ex. a NEL produz efeitos: ela exige lei. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. 2º. imediata e integral). Assim. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Uma última classificação. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. tem eficácia. antes da lei ser feita. uma eficácia negativa (e apenas esta. Obs. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Por isso não dependem de outra vontade. exaurem sua eficácia. Diz que o direito se auto produz. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. as Cláusulas Pétreas. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Traduz um sistema fechado. mencionada por alguns autores. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS.

mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. Assim.N. não. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. caso compatíveis com a nova Constituição. serem recepcionadas pela nova Constituição. Ex. como normas infraconstitucionais. porém. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. §2º (que fala do Colégio Pedro II. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. → CR → A. parte final).P → A. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. e sim como normas ordinárias. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. quando do surgimento de uma nova Constituição. 84 . com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). 2°. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. sempre que nasce uma nova Constituição. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. 242. Faremos o estudo de alguns institutos.N.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. por esta teoria. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. podendo.: ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. com o caráter de normas constitucionais. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. Quando uma nova constituição é criada. § 1°. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. ou seja. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. XXXVI – “lei” em sentido amplo). aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. por regra. 7º. sendo regra a retroatividade mínima. diante da aplicação imediata. deve existir expresso pedido na Constituição. as leis infraconstitucionais. IV. para tanto. Como se percebe. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. que. Assim. vale dizer. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. dentre outras. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. nada impede que a norma constitucional. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário.: art. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. CR. 5º. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. 51 do ADCT. 88 . podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. 7º. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. com pequenas exceções. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. o STF entendeu que. IV. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. vale dizer. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. tenha retroatividade média ou máxima. Contudo. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. Assim. como é o caso do art. Ex. desde que haja expressa previsão. c) por outro lado. têm retroatividade mínima. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. também limitado juridicamente). Como outro exemplo de retroatividade mínima.

deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. De uma forma geral. os quais estabelecem a sua forma. Dessa forma. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. atuando como um limite. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. é obvio. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. Sob o ponto de vista dogmático. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. 4º). a divisão de seus poderes (art. diverso e opostos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. Executam. como também ao exercício abusivo de certos direitos. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. por conseqüência. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. ainda não regulamentadas de forma mais específica. 2º). seja como diretiva na solução de casos concretos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. pois servem de critério para o legislador que. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. a menos. seja como orientação para progresso da legislação. da função positiva que 89 . estrutura e fundamento (art. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. ao elaborar as leis. Em situações novas. assim. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. não só das ações dos poderes estatais. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. 1º). Desse modo. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. é claro. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. o que os coloca numa posição de superioridade. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. sobretudo.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. em um todo sistemático.

que reinava de forma absoluta e irresponsável. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. A baixa densidade semântica. esses conceitos foram se esvaziando. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. No tocante ao Poder Executivo. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. 1º. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. sendo criados novos critérios distintivos da República. o direito de secessão. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. quanto para o legislador na elaboração das leis. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. Com o passar do tempo. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. DF e Município. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. 90 . 34. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). a Constituição veda. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. aos entes que compõem a federação. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. I). o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. CR).

Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. No que se refere ao princípio democrático. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. ou. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. a vontade popular representada pelo parlamento. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. a independência dos juízes. não apenas os indivíduos. não é absoluta e ilimitada. Em um Estado democrático. No Estado material de direito. ainda. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. 91 . seja diretamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. Aqui. a legalidade da Administração. Em um Estado de direito. à questão perene da Justiça. seja através de representantes. Sob o aspecto material. sob as circunstancias transitórias. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas.

uns para com os outros. por essa razão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. na ordem internacional. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). a soberania migrasse do soberano para o povo. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. no plano interno. 6º). Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. Por essa razão. independente. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. por não ter de acatar. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. na ordem internacional. em nenhum momento podem ser colocados de lado. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. Supremo. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. No plano externo. Todavia. A soberania externa se refere à representação dos Estados. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. o indivíduo se sente útil e respeitado. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. 92 .

sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. 17). 170). 3º. é um princípio básico do liberalismo econômico. a intelectual. 170). ao contrário. A escravidão. passando a se revestir de normatividade. a de opinião. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. por natureza. científica. a de informação. independentemente de autorização de órgãos públicos. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. de comunicação. 215 e 216) e dos meios de informação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. conforme os ditames da justiça social. a Constituição. artística. de interesses contraditórios e antinômicos. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. Por essa razão. de idéias e de instituições de ensino (art. político (art. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. dentre elas. ainda. 220). 1º). os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. assim. a sexual. I). que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. Fruto da concepção liberal. 206. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. É ela o valor supremo que irá informar a criação. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. de reunião e de associação. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. deve constituir o seu objetivo supremo. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. salvo nos casos previstos em lei. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. Mais tarde. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. 93 . estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. III). justa e solidária (art. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. uma sociedade conflitiva. Este fundamento é concretizado. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. a profissional. mas. cultural (arts. a sociedade pluralista é. derradeiramente. partidário (art. a partir do início da década de 90. Por isso. a filosófico-religiosa. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. a tortura. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. e. o que pode levar a divisões irredutíveis. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. com a queda do comunismo.

à dignidade da pessoa humana. moradia. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. ligada ao valor liberdade. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. Poder-se-ia dizer. A dignidade da pessoa humana não é um direito. possui um caráter positivo. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. a todo e qualquer cidadão. Portanto. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). ligada ao valor igualdade. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. por outro.) imprescindíveis para uma vida digna. mas. educação fundamental. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. sexo. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. Por outro prisma. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. mas um atributo que todo ser humano possui. mas também a de que o Estado garanta. Portanto. mas também dos particulares. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. na medida em que procura representar um subconjunto. que seja efetivamente exigível do Estado. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. possui um caráter negativo. não como um fim em si mesmo. não apenas por parte do Estado. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). vem sendo denominado de “mínimo existencial”. dentro dos direitos sociais. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. 94 . mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. por exigir uma abstenção. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. sua existência material. menor (minimizando o problema dos custos). A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. e. seja por terceiros. Assim. o acesso aos valores. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. idade. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. Esta acepção. Todavia. Esta acepção. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. etc. independentemente de usa origem. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. econômicos e culturais. o que significa dizer que na criação. cada vez mais. em um primeiro momento. seja pelo próprio Estado. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. em alguns casos. ou para com a pessoa. mais importante. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. condição social ou qualquer outro requisito. Por isso. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada.

. 5°. Visam proteger o valor igualdade. . 12 e seguintes). consagradas ao longo das constituições. CF/88. . os direitos sociais (arts. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. mas também no art. igualdade e dignidade. basicamente. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. devido ao custo de serem prestados. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. 14 e seguintes). Em sua maioria. exigem prestações materiais ou jurisdicionais.direitos políticos (art. à participação política. São direitos ligados à cidadania. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Exigem uma atuação positiva do Estado. consagrados no plano internacional. 6° e seguintes). tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade.direitos individuais. . Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade.direitos prestacionais: são. 6° e 7°). A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. 5°. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. portanto.direitos à nacionalidade (art. estão consagrados em normas de eficácia limitada.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 95 . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. pois surgiram em uma única época. Em termos materiais. . Enfim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. devido à escassez de recursos. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Têm caráter positivo e negativo. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. uma constitucional e uma doutrinária. CR/88). Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Assim. 6º ao 11. que divide os direitos fundamentais em: . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Essa classificação é legislativa. . são os direitos individuais consagrados no art. do qual são espécies: . ligados à liberdade. a diferença básica se refere ao plano de consagração. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições.direitos sociais (art. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). Têm um caráter negativo. Em sua maioria.

Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. a imprensa livre e o funcionalismo público. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. à autodeterminação dos povos. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. diante da necessidade de cooperação. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Eles foram surgindo com o passar do tempo. exigindo uma abstenção. por exigirem uma prestação do Estado. portanto. enfim. a autodeterminação dos povos (art. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Como vimos. São chamados direitos civis e políticos. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Exs: direito ao meio ambiente. econômicos e culturais. Por isso. Ou seja. ao lado da 4ª. ao desenvolvimento ou progresso. XX. Têm como objetivo. segundo Jellinek). A 3ª geração. 96 . São basicamente os direitos individuais. então. por exigirem uma abstenção. → Igualdade: Direitos Sociais. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. como a família. São considerados basicamente como direitos coletivos.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Exigem uma ação do Estado. e a dele é a mais cobrada em concursos). de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Têm caráter negativo. pois. e estas gerações coexistem atualmente. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. Obs. Não houve substituição de uma geração por outra. direito de comunicação. Os direitos de defesa. sobretudo de princípio programático). Estão ligados. 4º. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Esta é a sua preocupação principal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. já os de 2ª geração não. igualdade e fraternidade (nesta ordem). diretamente à igualdade material. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. de 1789: liberdade. movimento encabeçado pelo proletariado. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Tais direitos têm caráter positivo. CR/88). das gerações. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Vejamos quais foram as gerações. queria que ele respeitasse suas liberdades. XVIII. são direitos de caráter negativo. os direitos prestacionais.

). etc. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. Afora esta peculiaridade. limitam o poder.P. São também direitos transindividuais (em sua maioria. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). V. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. são direitos difusos). os direitos de família.: quanto ao direito à paz. Por isso o direito à democracia é tão importante. o prof. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. as disposições assecuratórias. Aquelas instituem os direitos. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. traz direitos ligados à pluralidade. conserva nossas identidades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. Ele abrange um pluralismo religioso. mas há divergências na doutrina quanto a isso. de orientações sexuais. ele tem uma importância muito grande. 97 . Esta geração de direitos advém da globalização política. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. artístico.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. 1º. esta alteração não foi feita em seu livro. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. Quando se fala em pluralismo político. com a declaração do direito”. Ele preserva. econômico. Ou seja. ocorrendo não raro juntar-se. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. outros são difusos). à informação e ao pluralismo (D. ☺ADPF 132. em defesa dos direitos. Paulo Bonavides. e isso acaba por prejudicar as minorias. que seria a vontade da maioria. na mesma disposição constitucional ou legal. Assim. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. as demais características são tratadas pelo prof. estas as garantias. → Globalização: direito à democracia. Ao lado da vontade da maioria. inclusive das minorias. Os argumentos contrários a esta união. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. CR/88). Ou seja. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). Ex. como os previdenciários. um pluralismo cultural. um pluralismo ideológico. ao analisar a Constituição de 1891. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Quem tem o papel contra-majoritário. de conteúdo). a fixação da garantia.I. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. quiçá quanto a 5ª. o direito a adoção. Porém. Em uma ponderação. que são as que. Além desse aspecto. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. de ideologias políticas e partidárias. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. caso violados. que alguns dizem trazer os direitos à internet.

etc.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. 98 . XXXVII. são indisponíveis. nascendo com o Cristianismo. ou caberá ao intérprete. através da interpretação sistemática. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . se o direito garantido não possui alguma especificidade.Universalidade: destinam-se. 5º. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art.direito ao juízo natural (direito) – o art. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex.: HC. como é o caso.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e.). a todos os seres humanos. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. Nada impediria. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. de modo indiscriminado. . O caput do art.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial.: direito de propriedade versus desapropriação). a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. conflito de interesses. Obs. HD. quando.Historicidade: possuem caráter histórico. como é o caso da ação popular. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. conjugando-a com a sua mínima restrição. Normas positivas. ou magistrado. Se são sempre exercíveis e exercidos. muitas vezes. . Contudo. coarctando. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. . é claro. . no caso concreto. emite uma opinião (direito de opinar). decidir qual direito deverá prevalecer. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. . mas nunca a sua renunciabilidade. ilegalmente preso. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. portanto. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. uma vez consagrado o direito.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). no caso concreto. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. Exemplos: . que só pode ser proposta pelo cidadão. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. ainda que não individualistas. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. . Deve-se observar. 5º. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. os apátridas e as pessoas jurídicas. havendo. Isso porque. juntamente. confronto. . não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. os estrangeiros não residentes.

Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art.). fala-se. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. analisando caso a caso. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. 5º. fática e juridicamente. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). só trazendo relações entre o Estado e o particular. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. 99 . mas o pressuposto do qual ela parte). como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Ingo Sarlet afirma que o art. §1º. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. para isso. mas. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. então. §1º. causando uma desfiguração no direito privado. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). etc. Não se admitiria. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. Assim. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. Posteriormente. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. 5º. ordem pública. No entanto. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). a aplicação direta de DF às relações entre particulares. não dependendo de legislação. então. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. pois. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares.

819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .) . como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.00 para R$ 86.Resp. esta teoria seria a mais adequada.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. A autonomia da vontade requer tal ponderação. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Assim. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Se não houver uma previsão expressa na lei. como a segunda. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. em geral. se exteriorizam.: empregado e empregador. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. a aplicação será indireta. mas.*RE 161.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).☺RE 161. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. mas ainda não há decisão quanto a isso. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. A jurisprudência. . Mas. e. então. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.243/DF. houver uma desigualdade fática. muito abertos. tão somente pela falta de previsão. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. . em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.RE 158. . de uma forma geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. devendo sobre eles prevalecer. Segundo esta teoria. O juiz. . . devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Espanha e Portugal. que não adota essa teoria). é possível a sua aplicação com base na Constituição.RE 201.24. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. E como os princípios são muito vagos.RE 160. Segundo Virgilio da Silva. Se.HC 12.RE 175. . no entanto. para que os princípios pudessem ser concretizados. mesmo realizando atividades idênticas. contrato de adesão. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. etc. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. quando há uma relação de igualdade real na relação.700. Para a realidade brasileira. ainda que esta regulamentação não exista. a proteção tem que ser maior.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. isso poderia causar uma série de problemas. Em contrapartida. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Determinação de observância do Princípio da isonomia. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. Ainda se trata de uma questão muito nova. Os DF são expressados. não sendo necessária uma intermediação legislativa. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. através de princípios. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.858.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. 249. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Quanto ao caso do aborto sentimental (art. à igualdade. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. A renúncia é definitiva. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. à liberdade. pois a vida é uma direito irrenunciável. Obs. também não pode ser renunciado. O direito a vida. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. pois. CR/88. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). CR. é. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 170.: esta segurança que o art. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Esta questão é bastante clara. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. caput.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. II. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. 1º. ☺art. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. No caso do big brother. abre-se mão temporariamente à privacidade. como DF é pressuposto dos demais direitos. Porque o direito à vida é irrenunciável. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. III e art. 5º. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. não há uma renúncia definitiva. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. ☺art. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Nos 78 incisos deste art. CP) a questão é um pouco mais polêmica. à segurança e à propriedade. por óbvio. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. um caso constitucional de violação de direitos. Por isso. XLVII. 5º. um outro direito fundamental. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. 5º. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. Este pode ocorrer. 128. não há que se falar em não exercício). Há dois entendimentos: 104 .

portanto. . discutida na ADPF 54.Direito à privacidade: 105 . Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. OBS. é relativo. segundo Canotilho. ela é a única ação de controle abstrato cabível. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. E o direito à vida. insuficiente para a proteção do direito. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. 128 (em 1940). a morte não decorre do aborto. mas de modo geral). Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. sabendo que ela vai morrer. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. é uma forma de tortura psicologia. além de colocar em risco a sua própria vida. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Se há dois argumentos defensáveis. mas sim interpretando a CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. sem o sistema nervoso central. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Se isso fosse possível. nas quais não se tem uma opinião moral definida. o STF não estaria legislando. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. assegurando a autonomia da vontade. o art. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. mas sim da acrania. por 7 votos a 4. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. 3) dignidade da pessoa humana. então. o feto não tem a menor chance de sobrevida. por isso. A questão ainda está sendo discutida no STF. 128. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. O STF. 128). a vida termina com a morte encefálica. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. não haveria vida. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. em razão do risco de morte intra-uterina. II. já que o CP é anterior à CR. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Para o direito brasileiro. Nos EUA e na França. Ademais. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. já que na época em que foi feito o art. entendeu que. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. como todos os outros. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. e. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. CP não teria sido recepcionado pela CR. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência).

b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Ex. X. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. de uma forma geral. ela é ilícita. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. vida privada. É gênero. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Se tiver gravado um crime. contra um estelionatário. O agente público. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. histórico. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. em seguida. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Ao realizar essa ponderação. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. a restrição é legítima. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. CR. por exemplo. veremos cada um separadamente. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. é a esfera da vida privada. X. Ex: matérias de interesse público. que se subdivide em: intimidade. Nesses casos. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Esta é excludente de ilicitude. uma gravação feita clandestinamente. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. quebra de sigilo e interceptação telefônica. não há violação à privacidade. Neste caso. quando pratica um ato na condição de agente público. O direito a privacidade está consagrado. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. maior a proteção a ser dada. Numa gravação clandestina. Proteção da honra e da imagem. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. sobretudo. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. os princípios da moralidade e da publicidade. Mas. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Em regra. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). não tem privacidade. Será considerada prova lícita. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. 5º. Logo. contra um chantagista. Se filmar uma passeata. Não há que se falar em colisão. científico ou cultural. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. pois há uma excludente de antijuridicidade. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. a honra e a imagem das pessoas. CR. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Então. Ex: Radares eletrônicos. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. a imagem pode ser usada num processo. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. O prof. Há decisões judiciais onde muitas vezes. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Ainda que não afete a honra. sobretudo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. 106 . o direito à imagem foi violado. No entanto. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. O direito de liberdade é maior. a gravação é considerada lícita. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. no art. na verdade. É vedada pelo art. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. 1. etc. são direitos independentes.

falaremos da interceptação telefônica. 5º.: Podem existir várias outras exceções. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. XII. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. São poderes instrutórios. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Ele alegou a ilegalidade desse ato. outros dizem ser pelo art. está em vigor. O prof. em ação cível originária. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. XII. Ex: extrato de conta corrente. de um cd room. CR. já que não existe poder judiciário municipal. com base no princípio da simetria. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. não poderá quebrar sigilos. naquele caso específico. 58. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. O inciso X impede a gravação clandestina. Quem pode é só o juiz e a CPI. No entanto. 2. informáticos. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. 5º. que é uma exceção a essa regra. Na Itália.). § 3º. fiscal e telefônico. Além do juiz. O Min. 2°) admite. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. X. por enquanto. Dentro dela. fiscais. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. 5º. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. outros entendem que não há proteção. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. não há decisão do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. essa decisão foi para um caso específico. etc. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. ele não pode requisitar diretamente. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. como havia verba pública envolvida. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. o BB poderia quebrar o sigilo. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. A lei. às informações constantes na declaração de imposto de renda. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Essa declaração. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. divulgaram todas as declarações na internet. Os jornais publicaram essas declarações.. deve ter uma certa salvaguarda. Essa exceção só confirma a regra. E o Ministério Público? Segundo o STF. ainda que não seja sigilosa. a duração da chamada. O STF decidiu que. Tem uma decisão do STF muito comentada. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. mas na decisão acima houve discussão a respeito. Dentro do próprio STF há divergência. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). De acordo com o art. por ex. 107 . Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Se ele quiser. 3. Quando se quebra o sigilo telefônico. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Quanto às CPIs municipais. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada.

Nessas hipóteses. por uma terceira pessoa. seja pelo art. Para o prof. pode haver restrições às comunicações telefônicas. O STF entende que com base o art. O art. mas foi feita por um terceiro. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. sobretudo. Ela deve ser usada para situações excepcionais. XII. Em relação a essas. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. 5º. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas.. Em relação à comunicação epistolar. será interceptação telefônica. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. abrem-se todas as correspondências. Na prática. em determinadas hipóteses. o sigilo poderá ser violado. seja pelo art. o STF tem um entendimento que. 5º. mas. Além dessas duas hipóteses. durante o estado de defesa e o estado de sítio. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. neste caso. Quando se falou do método tópico problemático. os dados de informática em si não estão protegidos. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). A interceptação não pode ser uma regra de investigação. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Para o STF. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. não estaria protegido por esse dispositivo. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Porém. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. segundo o prof. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. é equivocado. Ela protege 4 formas de comunicações. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Pois. Com relação ao sigilo de dados.. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Se um souber. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. 5º. Se um souber. Na interceptação. Então. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. No entanto. X. Aliás. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. 5º. já que protege-se a liberdade de comunicação. protege a liberdade de comunicações. Não são admitidas para outras finalidades. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . uma terceira pessoa se intromete na comunicação. XII. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos.. a liberdade de comunicação. também protege a privacidade. segundo o STF. Mas isso não é a posição do STF. protege-se apenas a liberdade de comunicação. será gravação clandestina. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Para o prof.

seja durante o dia seja durante a noite. Somente o juiz. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. XI: violação de domicílio. por nenhuma outra autoridade. 5°. e não pelo dono da casa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. nesses casos. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Com o consentimento. c) Art.296/96. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. A Constituição trata de 2 situações distintas. • Prestar socorro 109 . qualquer pessoa pode entrar. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. 2. Vejamos as situações: 1. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. e mais ninguém. essa lógica tem sido invertida. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Então. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. devemos analisar 2 situações diferentes. se houver o consentimento de um dos moradores. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. XII. Nem mesmo CPI. d) Art. imagine numa situação normal. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. o Min. a polícia pode entrar. O professor acha que há certo abuso neste caso. Ou seja. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Ela deve ser o último recurso. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. 5º. Ex: crime dentro de uma residência. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. CF/88. Recentemente. 5º.483 – medida cautelar concedida nesse MS). pode determinar a prática desses atos. a entrada deve ser permitida pela empregada. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. 5º. Essa decisão foi recente (☺MS 27. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Sem consentimento já é diferente. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. salvo o flagrante delito. vejamos: a) Art. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. Art. Como é o meio mais fácil. Além disso. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. nem a CPI. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. violado. Pode ser que com os abusos recentes. Na jurisprudência do STF. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. LXI: possibilidade de prisão. prorrogáveis por mais 15). Nesse artigo. Se houver o consentimento. Durante o estado de defesa. 5º. não há falar em violação de domicílio. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. XII: interceptação telefônica b) Art. Se numa situação excepcional. LX: sigilo imposto a processo judiciário. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Segundo o STF. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial.

porque a noite é o período de descanso. Segundo ele. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. estabelecimentos comerciais e industriais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. não entra no conceito de casa. E o carro? O prof. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. quando o sol se põe é noite. Só que o STF já proferiu decisões. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. onde o caminhoneiro dorme. se estiver vazio. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. que traz uma conceituação bastante extensiva. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. não só dos moradores daquela casa. Na maioria dos casos. o STF considera as provas lícitas por causa disso. entra no conceito de casa. 110 . Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. 2. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Alguns autores. entre outros aposentos. Quando o sol nascer é dia. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. 3. entre eles Alexandre de Moraes. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Entra no conceito de casa. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Ex: parte de trás do caminhão. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. consultórios. a prova colhida será considerada ilícita. na parte em que o público tem livre acesso. não encontrou nenhuma decisão a respeito. não poderá mais entrar no domicílio. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). hoje. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Então. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Se entrar com o uso da força. pois se respeitar também o critério cronológico. Ele deve dizer “aqui você não entra”. não entra em conceito de casa. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. por serem situações emergenciais. seja do dia seja da noite. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. a prova é lícita. 150. É utilizado por JAS. compartimentos habitados. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. ☺Art. prevista no dispositivo. CP. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. mais adequado. Segundo o entendimento do STF. compreende escritórios. mas dos vizinhos também. mais tradicional. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Se houver o consentimento do morador.

A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Uma vez dentro do estabelecimento. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Para que o critério seja constitucional. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. não significa que a lei não possa fazer distinções. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Não irá fazer concurso para homens participarem. 111 . Quando se fala em princípio da igualdade. em situações diferentes. é necessário que ele seja: 1. 7º. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Nestes casos. da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. justifica-se a altura. cor e estado civil. razoável e proporcional. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esse critério não é nenhuma discriminação. CF/88. 2. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. 5º. idade. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. discriminatório. pois viola o princípio da isonomia. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. CR. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. XXX. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Se o critério não for objetivo. Razoável 3. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Objetivo 2. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Mas. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. arbitrário. Esse critério é razoável. 7º. Ex: critério preconceituoso. É a que está consagrada no caput do art. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Para esses casos. XXX. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional.

Quando se fala em igualdade material. por exemplo. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. Em princípio. essas ações são constitucionais. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Então. acha que esse argumento não convence. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. 3º. Dificilmente. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Não é uma forma de resolver o problema. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . 5º c/c art. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). O prof. Segundo JAS. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Porém. Ex: Cotas para pessoas carentes. e os desiguais de forma desigual. essas ações deveriam existir por 10 anos. para tentar reduzir as desigualdades. seria igualdade material. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Tem autores que entendem ser inconstitucional. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. No caso da Índia. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. igualdade e fraternidade. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Visa uma redução das desigualdades fáticas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. 112 . Isso é igualdade formal. disse que está ligada à igualdade material. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Essas ações não surgiram nos EUA. Para o professor. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. utiliza-se das ações. não haverá uma igualdade real. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Quando se fala em igualdade material. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. mas é necessário analisar uma série de fatores. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Mas. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Como uma pessoa que não teve acesso à escola. e prolongaram as que já existiam. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Para outros autores. A cota deve ser proporcional à população. e não à igualdade material. O prof. mas na Constituição Indiana em 1947. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. aconteceu o contrário. mas reduzir as desigualdades existentes. o critério discriminador seria desproporcional. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Se o Estado não proporcionar esses direitos. A tendência é que elas aumentem. a idéia que se tem é a redução de desigualdades.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. pois elas criam uma discriminação reversa. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Criaram-se outras ações afirmativas. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. surge a questão relacionada às ações afirmativas.

mas também para quem irá elaborar a lei. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. pois já faz parte do próprio critério republicano. seja por particulares. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. . visa compensar uma dívida histórica. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. são destinatários do princípio da igualdade. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . Eles não têm apenas a eficácia vertical. tolerante.medida imediatista e inapropriada. Então. CF/88.princípio da isonomia (discriminação reversa). esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.em uma sociedade pluralista. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. não sendo necessária essa distinção. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. aberta. Apesar de ser uma relação entre particulares. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. de saúde. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. . . 208. Portanto.Poder Legislativo. 113 . . . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. mas eles não tiveram oportunidade de escola. O problema é com relação à subjetividade do critério. Juridicamente falando. No Brasil. .Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. seja pelo governo. Além dessa eficácia. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .fomenta o racismo e o ódio racial . Poder Executivo e Poder Judiciário).favorece negros de classe média alta. atinge todos os poderes públicos . Argumentos contrários: . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. quando se fala em destinatários. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. cientificamente falando.fere o mérito. Isso é uma questão de política pública.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. previsto no art. Eles foram libertados.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. sem exceção. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. miscigenada e multicultural. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. A justificativa parece não ser inconstitucional.

alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. O homem não é a parte mais frágil da relação. e violou direitos de terceiros. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. de expressar o pensamento. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. IV. Se a pessoa agiu de forma abusiva. ela é constitucional. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Ex: Lei Maria da Penha. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Logo. mas apenas para as mulheres.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. o problema é dele. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. para outros teria. 100. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. ela pressupõe responsabilidade. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Apologia ao crime é diferente disso. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. etc. Mas. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Questão de Concurso – Cespe: No art. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Para alguns. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. 5º. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. ele deve licitar. O particular não é obrigado. Ex: Passeata para legalização da maconha. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. É constitucional? Sim. Por que a Constituição. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. segundo o professor. Protege a mulher. É uma denúncia feita anonimamente. Não existem direitos absolutos. As provas 114 . discriminatórias. desde que seja para atenuar desníveis existentes. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. ela exerceu o seu direito. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Isso significa que. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Pode defender no plano das idéias. Ex: art. em princípio. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Se o sujeito será responsabilizado ou não. I. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Basta ser um critério objetivo e para todos. não teria sido recepcionado. é outra questão. Logo em seguida. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. a lei pode estabelecer distinções. sendo vedado o anonimato. 5º. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. em regra. É livre a manifestação de pensamento. ela pode ser responsabilizada. CPC – ação de alimentos. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. não deve ser estendida para os homens. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Não é um direito absoluto. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar.

→ Alguns temas polêmicos: 115 . A religião desempenha um papel fundamental. Porém. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Vejamos: 1. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. se não há qualquer identificação. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Para Habermas. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. ou de não ter crença em nada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. No Brasil não há uma religião oficial. com o advento da República. Ex: seqüestrador escreve bilhete. VI. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. ela deve ser protegida. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Pode fazer um exame grafotécnico. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Em relação ao culto. A liberdade de consciência é a mais ampla. O dever funcional da autoridade é investigar. 5º. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. 19. ainda 2. não é o caso do Estado brasileiro. O culto pode ser exercido em qualquer local. o equilíbrio das religiões. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. de ter crença. O Estado deve manter-se neutro. Isso significa que. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. apesar de a maioria da população ser católica. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. desde que não viole o direito de terceiro. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. 2. Não se pode admitir que o parlamento. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. há 02 hipóteses em que o STF admite. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. então. abrangendo a liberdade de crença. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. desde 1989 (advento da República). A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. 3. Esta liberdade está consagrada no art. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. CR. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Os templos recebem uma proteção especial. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. inclusive em lugar aberto ao público. Garantir a simetria da liberdade religiosa. de crença e de culto. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. ele não pode ser admitido. por exemplo. houve a total separação entre Estado e Igreja. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). I. pedindo resgate. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. CR. Quando são produzidos pelo próprio acusado. 2. O Estado brasileiro. e.

mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. estados e municípios (☺art. que odeia guerra. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. . Não teria sentido acabar com esses feriados. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Na Alemanha. CR). e cultura é competência comum – da União. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. a competência é em relação à cultura. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. inegavelmente. há algumas ações. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. VIII. O tribunal. não poderia ser confessional. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. . Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. 5º. Para o prof. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art.. Neste caso. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. a escola não deve impor ao menino. são culturais. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Entretanto. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. Portanto. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. a neutralidade do Poder Judiciário. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Há um trecho do livro do Dworkin. CR. os argumentos religiosos não fazem parte da política. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. imagine uma cidade pequena. Segundo o prof. Pode um ateu. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. e não à justiça do trabalho – ☺art. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Entretanto. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. São feriados puramente religiosos. 210. a competência é da União. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Mas. logo.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. e o aluno optou a se matricular nessa escola. onde se tem poucas escolas boas. CR). políticos e religiosos. 23.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. §1º. §2º. 215. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. O 116 . O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. É importante respeitar o ensino de cada um. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. então. ocorreu um caso muito semelhante. o argumento supracitado não está correto. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. fazendo uma ponderação entre os princípios. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso.

Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. terminada a reunião. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Ex: reunião de condomínio. Não cumprindo com a obrigação. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Liberdade de reunião. 4. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. conforme portaria da ANVISA. tem o caráter permanente. mas direitos individuais de expressão coletiva. ainda. não é necessária a autorização estatal. Quem fará a tradução não é a Igreja. XVII e XXI. A República é o governo das razões. existem 2 semelhanças e 1 diferença. ☺ art. mas os políticos. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. por sua vez. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Ex: fazer segurança. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. 5º. não são os religiosos. CR. Se não houver essa lei.) 2. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Segundo Jean Rivero. A associação. Criação de partidos políticos. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. O prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. CR: Não é só a liberdade de se associar. Ex. mesmo que em locais abertos ao público. XVI. A pessoa alega imperativo de consciência. Caso não cumpra com a prestação alternativa. desviar o trânsito. 5º. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. XXI. (Não pode reunir pessoas armadas. IV). A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. essa hipótese é de representação processual. JAS diz que não são direitos coletivos. Criação de sindicatos. 5º. 15. na forma da lei. então. Por que a CR exige prévio aviso. CR. de cooperativas. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. elas vão embora. 2. as pessoas se reúnem e. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Para que as pessoas possam se reunir. o argumento deve ser racionalmente justificado. etc. ☺art. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Criação de associações e. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. XVI. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. 5º. 3. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Há. mas a de permanecer associado. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado.

A Constituição não garante o direito à propriedade. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. 5º. CR) quando ajuíza uma ação. 2. se não for atendida. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. LXX. ADC e ADPF. no seu art. portanto. não impede que o direito de propriedade seja protegido. por exemplo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. O que acontece é que se não cumprir a função social. mas não pode ajuizar ADI. Segundo JAS. Há um outro entendimento que. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. Se ele tem proteção. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Segundo o STF. O sindicato (☺art. Em seguida. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. em seu art. não pode existir mais de uma federação por território. Segundo ele. garante o direito de propriedade. É o entendimento de Daniel Sarmento. Segundo o STF. Segundo o STF. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. não são legítimas essas invasões. 8º. ☺art. o direito de propriedade pertence ao direito público. como a Constituição garante o direito de propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. 5º. segundo o qual. ter um patrimônio mínimo. Ela só garante o direito de propriedade. mas sim contrárias ao direito e.. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. 5º. III. a propriedade terá uma proteção menor. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. ilegítimas. é mais correto. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. segundo o prof. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). XXII. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. do próprio regime desse direito. a função social. segundo o prof. Função Social da propriedade: A CR. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). mas faz parte da estrutura desse direito. tendo um menor peso na ponderação. XXIII. defendendo direito alheio. pode ser dada numa Assembléia Geral. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. não precisando de autorização expressa. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). ela tem legitimidade para ajuizar ADI. 118 . A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Ex: Invasões de terra pelo MST. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. A associação impetra em nome próprio.

Sempre que há requisição. Ex: caso de Eloá. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. Como haverá indenização se houver dano. etc. Propriedade Rural: ☺art. §2º. Vejamos: a) ☺art. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. só haverá indenização se houver dano. uma escola pública. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. há uma transferência compulsória da propriedade. §4º. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. diante de uma emergência. XXV) e as militares (☺art. 5º. como decorrência do primeiro. justa e. como um apartamento. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. normalmente. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. VII).000 habitantes (§1°). existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. Propriedade Urbana: ☺art. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Logo. Os principais aspectos são 2. b) ☺ art. deve haver indenização? Não. a saber: a. CR. 139. Além do caráter absoluto. 182. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. IPTU progressivo no tempo. Vejamos abaixo. 186.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. indenização por títulos da dívida pública). Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. CR. No caso de requisição. restringe o caráter absoluto. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. A função social. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. 182. por utilidade pública. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. É um aspecto lógico. a saber: por necessidade pública. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . a indenização será sempre posterior. Desapropriação: Diferentemente da requisição. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. b. que deve ser prévia. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. por ser inerente ao direito de propriedade. ou por interesse social. Para atender a função social. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. ele não poderá ser prejudicado. deverá ser em dinheiro. na desapropriação. em regra. Na requisição. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Sempre haverá indenização. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. mas sobre a propriedade em si. 184. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. A polícia requisitou determinadas propriedades. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. o proprietário não tem culpa. 2.

2. não precária. Obs. Necessidades permanentes da sociedade. Na CR. Necessidades transitórias.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). Só não podem ser para fins de reforma agrária. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. em Indenização posterior se houver dano. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. Para esse fim. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. CF/88. não há pagamento de indenização. por ter prazo menor. 191. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. 243. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. pacífica. seja urbano ou rural. Confisco: No Brasil. Se ele tiver outro imóvel. não podem ser adquiridos por usucapião. os bens serão confiscados – art.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 183. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). É sempre indenizável (justa. 5º. A Constituição não permite – ☺art. Nesse caso. ininterrupta. PU. Requisição Refere-se a bens e serviços. emergências da sociedade. . CR). §3° e art. . Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. Como o confisco é uma sanção. no máximo.: Imóveis públicos. . Só que.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). paga em dinheiro). 243 da CR. 184. CR). é porque ela está cumprindo a sua função social. parágrafo único. prévia e. 250 m2. etc. 50 hectares. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. regra. 185. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. no máximo. sem oposição. possuir o imóvel como se fosse seu. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. . É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. §5º. Vejamos: . São imunes a impostos (☺art. sejam urbanos ou rurais.). Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Usucapião: Na Constituição da República. o imóvel deve ter. 120 . 3. O confisco de propriedade está previsto no art.o morador não pode ter outro imóvel. precisa recorrer ao judiciário). Se ela é produtiva.

Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. A garantia existe para a proteção desse direito. XL. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. não era muito democrática). Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. na verdade. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. mas que vale especificamente para o direito tributário. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Retroatividade da Lei Penal. A lei interpretativa retroage. 5º. média e mínima. 5º e no art. No direito penal. b) Retroatividade benigna. interpretando a lei da maneira (A). é necessário diferenciar duas situações. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Para responder a essa questão. a CR/88 entrou em vigor. 5º. autônomo. não. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. As hipóteses mais importantes são: 1. Todas as demais o consagraram. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. a lei interpretativa retroage. Em regra. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. desde que seja mais benéfica para o réu. inicial. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. mas deve respeitar a coisa julgada. Em resumo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. a saber: 1.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. ato jurídico perfeito e coisa julgada. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. a regra também é a não retroatividade (art. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. CR). Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. 2. Seria correspondente à primeira hipótese. Alguns a interpretavam de maneira (A). é uma conjugação das duas anteriores. etc. 106. Durante a vigência desse contrato. 3. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). outros a interpretavam de maneira (B). → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Esta hipótese é. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. só que exclusiva para o direito tributário. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. XXXVI. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado.

através de norma de eficácia plena. Se mudar o real. será necessário que a Constituição diga expressamente. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. extintas. ela afeta a todos. É o ato que está apto a produzir os efeitos. 2. . Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. portanto. Antes de a prestação ser paga. É claro que isso não é desejável. haverá uma retroatividade média.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. porque geraria uma insegurança jurídica. até mesmo. ☺Súm. haverá uma retroatividade máxima. → Coisa julgada: 122 .Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. e não as parcelas que compõem o vencimento. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. e não lei em sentido restrito. Ex: Determinada prestação. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. inclusive as de ordem pública. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Portanto. O prof.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. STF. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. e não o ato exaurido. no caso de retroatividade mínima. interpreta a lei em sentido amplo. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. . Na retroatividade máxima. . mas isso está superado. b) Retroatividade média: pode ocorrer. de acordo com a legislação da época.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. É claro que isso não é desejável. em regra. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Nesse caso. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Só que para haver essa retroatividade. A EC poderia prejudicar direito adquirido. porque geraria uma insegurança jurídica. não há posição prevalecente. XXXVI) é lei em sentido estrito e. mas as leis não. Havendo mudança de regime jurídico. Após a Constituição de 1988. 473. a Constituição da República entrou em vigor. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Só que para haver essa retroatividade. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. . automaticamente. 5º. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. As parcelas podem ser reduzidas e. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. 654 e Súm. Não pode haver a redução. Se a Constituição atingir essa prestação.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Ex.

Em cada época. b) o art.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. mas é apenas a coisa julgada judicial. Eros Grau. Direitos Sociais: 1. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. independentemente da sua natureza. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . No art. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. por ex. 2. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. 5º. exigem uma atuação positiva do Estado. 7º. Os direitos de defesa são. 5º. Os princípios. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Já os direitos sociais. nós deveríamos interpretar o art. e isso para muitos é um ponto negativo. são mandados de otimização. em regra. . Dirley Jr. independentemente de qualquer fator. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. 5º. e pelo Min. à medida que a sociedade o determine. do seu enunciado. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. de sociedades pluralistas. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. o que significa que possuem um caráter positivo. como teórico do direito (ou seja. §1º. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. .☺art. §1º. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. são NEL (de princípio programático). existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Mas isso não é verdade. segundo Robert Alexy. Eficácia: todo direito tem um custo. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Ou seja. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais.. Por isso. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Assim.: salário mínimo). como doutrinador. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. consagrados em NEP ou NEC. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. e não propriamente como ministro). A administrativa não tem essa proteção. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. pois são mais facilmente implementados. ou seja. em sua maioria. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. para dar decisões concretizando tais direitos.

O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. não geram direitos subjetivos. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Assim. trabalho.. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. implicitamente. as normas possuem uma textura aberta. . é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. Primeiramente.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. Como têm apenas eficácia negativa. é importante definir tais critérios. Esses direitos sociais não teriam. essa atuação talvez não seja tão justa. por ex. por ex.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. etc. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios.). doutrinador do RS. todas. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). em tese. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias.000. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Esse entendimento já foi superado. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Norma de direito social não gera direito subjetivo. assim. rodovias. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. só porque recorreram ao PJ. lazer. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. A visão do juiz é bilateral. Portanto. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. previdência. segurança. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. educação. Argumentos contrários à intervenção judicial: . quando foi dado um maior papel ao PJ. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. por ser norma programática. legítimas (saúde. pois. Quando se fala em direitos sociais. normatividade. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde.000. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. 3ª fase: é a fase desejável. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. Por isso. Em outros lugares. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. que estamos buscando. Pedro Taques). .). Obs. O que se busca.

Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. pois. Ademais. De se ver que quando se fala em direitos sociais. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes.Caráter normativo da constituição. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. no que diz respeito aos direitos sociais. Esses argumentos são os que devem prosperar.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. 125 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. É preciso. em razão das limitações orçamentárias existentes. Não é o entendimento que prevalece.A democracia não é apenas vontade da maioria. Os direitos sociais estão consagrados em normas. . entra-se muito nas questões ideológicas. segundo Ingo Sarlet. eles acabariam sendo inviabilizados. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Se um poder se encolhe. teríamos a maior utilização das ações coletivas. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . Se não se estabelecer os critérios. sufrágio universal. em razão do Princípio da Igualdade. Assim. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. por isso. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). e é muito utilizada no Brasil. A reserva do possível.Déficit democrático das instituições representativas. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Mas. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. o outro cresce. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. ou seja. saber se a demanda é razoável. . A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. em 1972. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. . mas a todos que se encontrem na mesma situação. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. eleições periódicas. inclusive a minoria. não se encaixaria na realidade brasileira. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica).

A efetividade passa pela sociedade. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Por que falamos em “mínimo”. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. . essa concretização. em razão de sua textura aberta. em 1953. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Segundo o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. saúde. Outros autores já falam apenas em saúde. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. quando se estabelece o mínimo existencial. Ou seja. 2. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. da liberdade material e do princípio do estado social. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. a questão da efetividade será prejudicada. pelo cumprimento voluntário da constituição. . nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. que a demanda custa y. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. No Brasil. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. depende de cada época e de cada sociedade. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. que existem z pessoas na mesma situação. que é a corte suprema na Alemanha. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. é o mínimo existencial. educação e moradia.. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Segundo Ana Paula de Barcellos. é o entendimento mais adequado. Vejamos: 1. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Se não definir o conteúdo. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Segundo Ricardo Lobo Torres. mas deve também ser provada. Não é o máximo desejado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. maior o risco de não ter efetividade. etc. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. mas teria um peso maior na ponderação. por ser necessária para a 126 . que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. assistência em caso de necessidade.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. precisam ser concretizados. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Assim.

o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. §1º. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. A partir do momento que um direito social é concretizado. haveria um engessamento do legislador e do PE. População está relacionada ao conceito demográfico. de acordo com a necessidade. segundo ele. históricos. consciência coletiva. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. e do Estado Democrático e Social de Direito. Ele tem. fazem parte da população brasileira. um pensamento mais flexível sobre o tema. pois. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. Ex. só ampliado. Por isso. e. 127 . ao estudar as normas de princípios programáticos. Os poderes públicos. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. fala-se em vedação do retrocesso social. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. que significa nação. assim. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Todos que moram no Brasil. esse prazo não pode mais ser reduzido. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. passaria a fazer parte do próprio direito social. o que prejudicaria a sociedade. estatístico. entre eles: laços culturais. língua. costumes. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. JAS. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. 2) posicionamento de um autor português. haver uma redução do grau de concretização. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. da máxima efetividade (art. 5º. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. já dizia algo muito semelhante. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. independentemente da nacionalidade. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. Há dois posicionamentos quanto ao tema. não pode haver uma redução dessa concretização. Pode. irão concretizar os direitos sociais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. da dignidade da pessoa humana. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. CR). Segundo ele. fazendo parte do conteúdo do próprio direito.

b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Pelo critério funcional. De acordo com o critério sanguíneo. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. I. 12. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. 12. É geralmente adotada por países que estão em formação. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. estrangeiros residentes. Se o casal estiver a serviço de outro país. II) Naturalização expressa (art. §6°. desde que haja reciprocidade.Quase nacionalidade (art. É o caso do Brasil. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. o filho terá nacionalidade brasileira. 227. 12. 12. b). As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. adquirem a nacionalidade do país onde residem. Refere-se aos brasileiros naturalizados. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. 12. considera a nacionalidade dos pais. A EC 54 alterou o art. Obs. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. de acordo com o art.Diferenças de tratamento 128 . Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Neste caso. Quando a pessoa é nascida no Brasil. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. os pais têm que ser brasileiros. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. c. não há direito público subjetivo. I. há direito público subjetivo do estrangeiro. I. art. 112 e 115. II) Jus Sanguinis: ascendência. se não se manifestarem contrariamente. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. por uma questão de soberania nacional. CF/88.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). . terá naturalidade brasileira. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”.815/80. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. Refere-se aos brasileiros natos. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. não haver condenação penal e requerimento do interessado. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). . a). II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei.

membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. b) 6 assentos do Conselho da República (art. 5°. Na extradição.segurança nacional: oficial das forças armadas.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. ou que tenha filho brasileiro. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 12. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. cria-se um problema de relação internacional. A deportação está mais próxima da expulsão. do território brasileiro. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Mas. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. presidente da CD. no entanto. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. §4°. §2°. confundir a súmula acima com a seguinte. Princípios relacionados à extradição: . . o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). dependente da economia paterna. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. Os critérios utilizados são: . . mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. não se poderá invadir esse estado. No caso de brasileiro naturalizado. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. 12. §3°). 12.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. XL. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art.Perda da nacionalidade (art. Importante analisar a Súmula 421.linha sucessória do presidente da república: PR. . Se o estado desrespeita essa regra.815 (ato nocivo ao interesse nacional). só poderá ser extraditado: .Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. a ela aplica-se a súmula 1. 65 da lei 6. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. vice. 5°. portanto. . a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Expulsão: consiste na retirada a forca. em razão da soberania nacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. 89. CF/88): 129 . CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. presidente do SF. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. em razão da superioridade da Constituição. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. Mas. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. . O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. d) Extradição (art. Não se pode. Já na entrega. CF/88). 5°. .

O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. salvo nos casos das alíneas a e b. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Direitos Políticos: . 130 . nacionalidade e alistamento. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. perderá a nacionalidade brasileira. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. salvo se por meio de ação rescisória. é o direito político em si. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado.tem valor igual para todos: “one man. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). §1º). 14. Além dessas características do voto.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente.é direto: é a regra. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???).é periódico: essa periodicidade do voto. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. . one vote” – “one person. A CR/88 adota o sufrágio universal. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. inclusive sendo cláusula pétrea. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. que exige uma alternância de poder. Características que o voto possui no Brasil: . II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. Para JAS. one vote”. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. é o direito de votar (e não de ser votado). caput). com uma única exceção: art. pelo CN. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. voto é o exercício desse direito. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. . São requisitos apenas técnico-formais. §1º. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. o sufrágio censitário (ex. . 81. na forma da lei (que ainda não existe). . Servem ao controle do próprio direito. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas).: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. 14. com a realização de eleições periódicas. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. ou seja. e não requisitos preconceituosos. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal.

este dispositivo fala em sucessão e em substituição. dentistas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. no governo de SP). As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. ☺ar. se houver reciprocidade (art. Ex. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. do art. que geralmente admitem desincompatibilização. §8º). é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). trata-se de lei ordinária. Além dessas condições relativas à idade mínima. a inelegibilidade em relação aos militares (art. em caso de reeleição.☺§3º. §5º . ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. 14 traz um questionamento. domicílio eleitoral na circunscrição. assim. 14. 14. os inalistáveis são os estrangeiros. §7º . 14. 14.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. salvo se já titular do cargo. até que se atinja a plena cidadania. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). . ou seja. ou seja. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). §3º? Segundo o STF. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. Quando a Constituição fala apenas em lei. então. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. 14. Mas o §9º do art. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). é o direito da pessoa ser votada. filiação partidária. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. 14. etc. com exceção dos portugueses equiparados. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. §1º). mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. No Brasil.é conhecida como inelegibilidade reflexa. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. . Assim. ela é adquirida progressivamente. §3º. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). no caso do art. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. 14). 12. Primeiramente. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo.

15 (incisos II. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Todas as outras hipóteses do art. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. o prof. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. 5º. mas o prof. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. III e V) são hipóteses de suspensão. 132 . A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. VIII). I. 15. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. 15. não há como readquirir os direitos políticos). Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. Kildare. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). nos termos do art. A doutrina (JAS. seus parentes também poderiam ser candidatos. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. é algo temporário. portanto. Com base nessa distinção. e quanto a isso não há divergência doutrinária.

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