Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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então. assim. sociologicamente. enfeixado na Constituição. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. em sentido jurídico. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. O conceito de constitucionalismo transporta. o americano e o francês. mas proteger direitos. reporta-se a um sistema normativo. mas também de outros assuntos. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. numa terceira acepção possível. Neste sentido. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. Kildare Gonçalves Carvalho. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. E para isso. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. como o inglês. Tem-se utilizado. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. no fundo. Numa vertente mais restrita. e. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. É. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. em especial limitar o poder arbitrário. um claro juízo de valor. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. por seu turno. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Partindo. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. e que se encontra acima dos detentores do poder. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. os fins socioeconômicos do Estado. 4 . para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. o local e a época. Numa segunda acepção. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. do estado e das instituições democráticas. uma teoria normativa da política. como sociológica: “em termos jurídicos. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. a defesa da Constituição. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos.

quem. fases pelas quais passou a constituição. Hoje. Influenciaram o direito francês e americano. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. a. Governo limitado. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. ii. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Como ressaltado por Jorge Miranda. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. integram-no. Por isso. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. c. Inglaterra: rule of law – governo das leis . a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Atribui competências aos três poderes. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Grécia antiga: democracia constitucional. Foi uma retrospectiva do direito Grego. em 1787. (Livro do Alexandre de Morais). A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. 1. Estado Hebreu: estado teocrático. d. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Foi a mais avançada forma de governo. Foi a 1ª experiência constitucional. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Estabelece as regras do jogo político. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. porém. desde logo. após a Independência das 13 Colônias. a partir da Revolução Francesa. A democracia é a representação da vontade da maioria. e da França. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. b. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. se contrapõe ao absolutismo. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. como e até onde pode mandar. ii. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. em 1791. Roma: idéia de liberdade. • Separação dos poderes. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. b. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . • Princípio do governo limitado. 2. Garantia jurisdicional.surgiu em substituição ao governo dos homens.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições.

Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. estarão subordinados a ela. Novas idéias foram surgindo. O ser humano é um fim em si mesmo. Hoje. ligada à idéia de liberdade. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Constituições da democracia marxista ou socialista. havia regras. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Garantia de direitos. Força normativa da constituição: antes. c. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. estabelecendo diretrizes. sem força vinculante. os costumes 6 . direitos fundamentais. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. aplica-se a analogia. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. ii. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. XX). É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Idéias principais: i. Constituições da democracia racionalizada. PE e PJ). a maioria da nação. diretrizes. Todos os poderes constituídos (PL. Segundo a tradição francesa. A partir dessas novas idéias. c. 3. Constituições da democracia social. b. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. na época das Revoluções Liberais. as constituições tinham caráter mais político. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Separação de poderes. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Ex. 4. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Eram apenas uma diretriz. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). a. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. as quais são denominadas por pós-positivismo. foi o Abade Sieyès. Começou a se falar em um direito moral. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. b. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). XIX. d. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Constituições de países subdesenvolvidos. estabelecidos pela Constituição. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Rússia. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais.

fidelidade partidária. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Ex. Quando o legislativo é fraco. de uma forma geral. Consenso. Na jurisprudência do STF. verticalização. Ele atua como legislador negativo e positivo.  Aplicação direta da constituição. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. EUA: nós estamos submetidos à constituição. mas quem dirá o que ela é. Teoria Concretista Geral. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. c. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. aborto no caso da acrania. demarcação de reservas indígenas. Integração. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Mas essa é uma posição muito radical. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Hoje. há uma euforia dos princípios. Continuidade. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Verdade. e. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. espuma do chopp. Para Paulo Bonavides. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. são aplicados através de ponderação entre os princípios. os princípios. Entre uma regra específica e um princípio geral. Para Barroso. Os princípios. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. aplica-se a regra específica. d. fala-se muito a respeito do ativismo judicial.. Participação. o judiciário aumenta sua força. tratado internacional tinha status de lei ordinária. f. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. etc. união homoafetiva. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. A aplicação da norma se dá pela subsunção. b. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Eles são importantes. é o judiciário. Na Itália.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Universalização. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. etc. que é aplicada mais às regras. pois esta é a concretização de um princípio geral. • • 5. Hoje. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Constitucionalismo do futuro. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Não se aplica diretamente a constituição. cotas em universidades. 7 .  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). é o juiz. g. Solidariedade. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje.

o P. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). verdadeiro sistema híbrido. Habeas Corpus Act de 1679. Fundamental Orders of Connecticut (1662). a verdade. de acordo com o art. CR) e. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. nos termos deste lei e das normas constitucionais. a participação. com valor igual para todos. Carta outorgada por Carlos II (1662). concretizando a soberania popular. de forma expressa. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . o exercício deste poder. dá-se através dos representantes do povo. 1º. O titular do poder é o povo. pertinentes. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa).U. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. 1º da Lei 9. I. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. que são os deputados federais (âmbito federal). Podemos falar. de soberania popular. Bill of Rights de 1689. cujo titular é o povo. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. caput. Compact (1620). Petition of Rights de 1628.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Contratos de colonização. Como regra. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. II e III. a solidariedade. 46. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. mediante: plebiscito. CR. segundo o art. portanto. Assim.709/98 (que regulamentou o art. referendo e iniciativa popular”. por intermédio de seus representantes. que. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. CR). Act of Settlement de 1701. a continuidade. então. Vale dizer. nos termos desta Constituição”. 14. do art.

→ Segundo Hans Kelsen. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. §2º. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. o caráter normativo e vinculante da Constituição. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Essas normas são programáticas. na sociologia. 1°. conforme o prisma de análise. PL. o restante. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. têm a mesma forma de elaboração). quando não corresponde à Real. PJ. Esta concepção atualmente é inadmissível. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. A conferência realizada por ele. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita.: art. a Constituição é norma pura. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. As leis constitucionais são todo o restante. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. com exceção do Preâmbulo. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . mas apenas leis constitucionais. ou seja. Constituição e leis constitucionais são. é vinculante e obrigatória. Esta é a concepção que hoje prevalece. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. que surgiram com as constituições mais prolixas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. caso contrário. Segundo ele. na política ou na filosofia). foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). ou seja. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). O art. 242. A Constituição Escrita. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. que adota o conceito decisionista de constituição. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Objetivos fundamentais também são normas programáticas. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Para entender tal concepção. a que Carl Schmitt chama de Constituição.. mas materialmente distintas. para ele. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Toda a Constituição. não passaria de uma simples “folha de papel”. os direitos fundamentais. portanto. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. como por ex.

a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. por isso não tem nenhum expoente específico. A CR/88. todos os setores da vida social. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. e também jurídico. não introduz nenhuma novidade. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. Ou seja. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. ela não existe na realidade. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário.Povo. é: todos devem obedecer a Constituição. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). posta pelo Estado). é uma norma pressuposta. portanto. não está escrita. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade.Território. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. . Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. neste sentido. define tais elementos estruturais. . é a Constituição escrita (CR/88). Gilmar Mendes). É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). a Constituição tem sim fundamento sociológico. 10 . é apenas uma pressuposição. ao mesmo tempo. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. modificando-a. quais sejam: . é um elemento conformador. mas que trata de todos os aspectos. segundo esta concepção. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. condicionante desta mesma cultura. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. . qual seja. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos.Soberania. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. . tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.Finalidade. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. Seu único comando.

é fruto das idéias. promulgada. . É uma aprovação simbólica). Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição.. há pouco espaço para se ter costumes como regras. ou variadas): ex.dogmática: sempre escrita. 1937. pois toda constituição é escrita e não-escrita. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. 1967. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. de maneira unilateral. tem também vários documentos escritos. por alguns estudiosos.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. . por ex. trata-se de modalidade anacrônica. a constituição não se torna democrática. o apelido de “Cartas Constitucionais”. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). .não codificadas (ou legais. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. as constituições outorgadas foram as de 1824. votada. dos dogmas predominantes naquele momento histórico.. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). surge em um só momento. quem vota a matéria são as lideranças. não surge de uma só vez em um só momento. toda Constituição histórica é costumeira. Constituição Espanhola/1930. 3) Quanto à origem: . a classificação irá ajudar a compreender a constituição. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Obs. Ex.democrática.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. .outorgada: é a constituição imposta. e como é bastante prolixa. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. consuetudinária (não é escrita). Constituição Cezarista é uma constituição outorgada.: as constituições outorgadas recebem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. Por isso mesmo. como por ex. No Brasil.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. podendo ser: . como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada).histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. de uma só vez. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Nesse caso. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. a Constituição Inglesa. 11 . como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). . . 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.

7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Ex. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. portanto muito difícil de serem modificadas.) . pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Ex. . Como se submete a esse tratado internacional.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). ou seja. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. sucintas. inclusive a CR/88). CR).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) .: a Constituição dos EUA). Por este motivo. É uma constituição em sentido formal.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Em 2000. É uma classificação típica das constituições costumeiras. 1º. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. sendo assim. . deixou de ser considerada flexível. sem se preocupar com os detalhes. São chamadas também de clássicas. mas sim o processo mais dificultoso. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). . .fixas: não poderiam ser modificadas. Não existe controle de constitucionalidade das leis.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Constituição Inglesa.: art.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). (Obs. É uma constituição em sentido material. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. como é o caso da CR/88. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. . uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. passou a haver hierarquia entre as normas. Ex.

• Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. o Estados. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). (processo legislativo). Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). Rígidas. que surgiram com um objetivo pré-definido. o DF. democrática. Pactuadas (ou pactuais). Semi-rígidas (ou semiflexíveis).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Flexíveis (ou plásticas). . que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). porque é fruto de várias ideologias. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. OBS.: art.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). 3º. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida.: a CR/88 é ainda Eclética. 59 e segs. Constituição programática (ou dirigente). sucintas. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Fixas. Democráticas (populares. Ex. formal. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. Característica das constituições clássicas. dogmáticas. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. como por ex. e não de apenas uma ideologia. mas sim uma obrigatoriedade!). Ecléticas. 13 . prolixa. básicas ou clássicas). Históricas. Constituição em sentido formal. Canotilho. costumeiras ou consuetudinárias). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. dogmática. o Municípios. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Não-escritas (inorgânicas. União. codificada. rígida (ou super-rígida).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. o União. pois valem a todos os entes federados. votadas ou promulgadas). As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material.: art. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. CR. sumárias. É a CR/88.

os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. que existem como complementação dos ANP). → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. 5º. cujo fundamento de validade são as leis e.: decretos e regulamentos. ordinárias e complementares). as medidas provisórias. distritais e municipais. No entanto. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. tem de ser. 59. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. por 3 níveis hierárquicos. se tiver também supremacia formal. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. Para que exista supremacia formal. direitos fundamentais ou não. 59. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. as derivadas (art. enquanto as regras são mais específicas. o indireto. 59. estaduais. sejam elas originárias ou derivadas. CR). basicamente. II a VII). MP. porque os princípios têm maior amplitude. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. LC. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. para fins de controle de constitucionalidade. DL e Resoluções – ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. por ser rígida. as leis delegadas. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. que a CR/88. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. obrigatoriamente escrita. encontram-se as normas constitucionais originárias. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. uma Constituição só possui relevância sociológica. Importa dizer. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. Leis Delegadas. No topo. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos.343/SP. §3º). a Constituição tem que ser rígida. a Constituição. princípios ou regras.

que regula a LC. Residual. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Essa aprovação não é obrigatória. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). MPs. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). 47. Não varia. a previsão constitucional exige complementação. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Portanto. No caso da prisão civil por dívida. 47 é a regra geral. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. 69. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO).status constitucional. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .☺Art. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. mas somente uma recomendação. Reservada pela CR/88. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Leis delegadas. OBS: O art. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Anotar como complemento posteriormente. Quando não exigir LC. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). é sempre o mesmo número ☺Art. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Por ser uma matéria reservada.☺Art. 69. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. No entanto. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. por uma questão de economia legislativa. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Lei ordinária Art. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art.

Hierarquia entre Lei Federal. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. • Estado – ☺Art. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Assim. no caso de repartição vertical. como o controle exercido será de constitucionalidade. DF). • União – ☺Arts. há hierarquia. pois não está ligada diretamente à Constituição. assim. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. 102. ☺Art. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. E. 16 .: lei estadual trata de matéria de competência da União). conforme previsto no art. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). d. Assim. 25. Parei aqui. Havendo conflito (ex. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). a competência para resolução é do STF. não cabe ADIN. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. 30 (assunto de interesse local). pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. 21. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. III.

A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. . 17 . que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. Como não tem caráter normativo. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. Tirando o preâmbulo. seja uma norma de referência para ele. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). o CDC. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. . etc. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC).Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). portanto. quando são equivalentes às EC. Refere-se. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Não existe. é diretriz hermenêutica. Com a EC/45. Abrangeria não somente a constituição. tem função interpretativa). os TI de direitos humanos. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. . mas também o preâmbulo. b) Parte permanente = normas gerais – arts. ou seja. Assim. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. contudo. deve estar inserida no texto da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. como para Canotilho. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. visando assegurar a supremacia da constituição. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas.

a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. e Não Bastante em Si. MI. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. o Min. não pode ser suprido pela sua sanção). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Pode ser: . Não Auto-executável. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. 3. se considerar em relação a uma expressão é total. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. aliás. AIO. (Obs. CR). Dependem do prisma de observação. 3. Formas de Inconstitucionalidade: 3. 5° a 17). §1º. não será cabível mandado de injunção. 5. 154. ou seja.de princípio institutivo (Obs. art. A omissão parcial nada mais é que uma ação. Ex.: a Súm. . ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma.de princípio programático. ADC e ADPF. quando não é respeitada uma norma de competência. Não Auto-aplicável. ADI. ocorre. No STF. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. pois. Ou seja.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. 3. mas o prof. 61.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . STF não é mais aplicada. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. mas caberá ADIN por omissão). . ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. I – que exige LC para instituir impostos residuais). as Súm. há uma divergência na doutrina. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. 4 e 5. Assim.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. 18 . Ex.: competência privativa do PR (☺art. às vezes. Ex.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Aqui. Obs. ou seja.

aos Atos Normativos Primários. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. o que houve foi um desrespeito à Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. o decreto se torna inconstitucional. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. pois. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. que só pode atingir todo artigo. Segundo STF. 3. No caso da lei. no controle concentrado abstrato. a inconstitucionalidade será indireta. atos previstos no art. Quando se fala em inconstitucionalidade. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. pode ser questionado. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. toda alínea ou todo inciso (☺art. decretos regulamentares. reflexamente (ou de maneira 19 . 59. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. Para o prof.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. todo parágrafo. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. não pode ser retirada).: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). desde que estes estejam diretamente ligados à CR. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. Obs. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Relaciona-se. já sendo inconstitucional desde a sua origem. ou seja. Se o decreto é ilegal. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). CR. como altera sentido do texto. que se ligam indiretamente à constituição.: a palavra “não”. No caso do decreto. Assim. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. não se trata de revogação. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. de ofício ou a requerimento da parte. refere-se. Pode ser: b. a inconstitucionalidade será direta.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. e grande parte da doutrina. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. § 2°). 66. Ex. b. ou seja. ato originariamente constitucional. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Ex.

mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. é fundamento de validade direto e no 2° caso. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo).1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. 84. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. portanto. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. inciso ou alínea). prevenir que a CR seja violada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. §2º. ele não precisaria impetrar o MS. por isso ocorre antes da promulgação da lei. Art.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. é excepcional. a inconstitucionalidade será direta. . porque ele é o único que participa do processo legislativo. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. quando ele participa do processo legislativo. Trata se de um controle incidental. porque o ato não fere diretamente a CR). já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. CR. já que de maneira indireta. por isso aqui não há que se falar em controle). O único legitimado para impetrar esse MS. se ele entender que o projeto é inconstitucional. não pode impetrar o MS. parágrafo.ou concreto. IV . que se exerce através do veto (☺art. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. Caso contrário. O veto é relativo. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. Obs. promulgar e fazer publicar as leis. No 1° caso. O chefe do PE. mas sim analisar cada caso concreto. OBS: não adianta decorar o nome do ato. . pois pode ser derrubado (☺art.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. mas uma mera análise política. a inconstitucionalidade é indireta.. EX:art. O veto tem que ser expresso. viola o art. segundo o STF. embora participe do processo legislativo. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. 66.sancionar. o projeto 20 . 84. assim. porque o chefe do PE. 60 parag 4. CR). Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. tem fundamento de validade indireto. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. IV. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). 66. como pelo PE e PJ: . ela não está violando o direito de ninguém).

se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. a separação dos poderes. Leitura do livro do Lenza (pág. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). 49. Assim. o voto direto.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . os direitos e garantias individuais” – ou seja. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. 168): o STF. etc. V.. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. 68. que é o chamado Decreto Legislativo. e as normas do RI são questões interna corporis). No entanto. somente o Deputado Estadual. vinculam os atos e procedimentos legislativos. não lhe cabendo. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. desta feita. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. contudo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. vedando-se. tendo como objeto esse Dec. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). mas somente o parlamentar da respectiva Casa. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. Questão: o PR. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. Se o projeto tramita na CD. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. ☺art. muito embora não sejam formalmente constitucionais.. por maioria de votos. se está no Senado. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. constituindo-se normas constitucionais interpostas. ou seja. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. universal e periódico. §4º. a fim de repará-la. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. interpretações regimentais. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. o Senador. o PR elaborará então a LD. pode ajuizar uma ADI. na linha do voto de Gilmar Mendes. na qual o projeto esteja tramitando. CR. mas um processo legislativo constitucional. em um primeiro momento. 60. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. ADC ou ADPF. Legislativo? Sim. 21 . as cláusulas pétreas. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. secreto.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). já que trata-se de um ato normativo.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. Ademais. que. pois não se trata de ato normativo. Na verdade. mormente. aos direitos fundamentais”. se na Assembléia Legislativa. que entende que “. V .

por ex. ou seja. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. segundo o STF? Resposta: em regra.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. 71. exorbita os limites do Poder Regulamentar. II) art. 4. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). O chefe do PE (e só ele – PR. ao negar cumprimento à lei.. quando. Assim. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. Antes da CR/88. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. 62. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. simultaneamente. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). no exercício de suas atribuições. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. é necessário fazer-se um controle repressivo). 84. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). pode o PJ analisar tais pressupostos. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. nesse caso. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. Apenas excepcionalmente. . mas segundo o Min. mas tão somente aos prefeitos. já no STJ não há qualquer ressalva. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Não se analisa o mérito da MP).O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. pois. porém. Ele será. através da edição de um Decreto. Gilmar Mendes. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). clara e evidente – ou seja. No entanto. CR). Obs. III) Súmula 347. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR.084). estudado de forma detalhada a seguir. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional).2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle.. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. tampouco que o PR. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). ela deve ser objeto de controle. ao fazer um Decreto Regulamentar. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). Após a CR/88. ajuizar uma ADI. STF: o Tribunal de Contas. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. esse rol foi ampliado. GE. nesse caso o CN pode editar um Dec. não é um entendimento consolidado. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. O TC é órgão auxiliar do PL (art. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. o chefe do PE teria que.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. Legislativo para sustar. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. IV. não havia relevância alguma). Desde já. CR). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. .

: na Suíça. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. Por isso. inclusive o STF). ao mesmo tempo. já na CR/88. porque surgiu nos EUA. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. Ex. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. que completa este ano 20. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. 1792 Hayburn s case. com 19 anos de Constituição. difuso e concentrado). Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. e é adotado pela maioria dos países europeus. dentro de sua competência. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. No Brasil. em 1803. Obs. o controle é feito pelo PL. 4. quem exerce o controle é o PJ.: França – que tem o Conselho Constitucional. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. É conhecido como Sistema norte-americano de controle.S. mas das espécies de controle. interessante: em 1965. se se tratar de lei local. já foram feitas 56 EC! 23 . porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. Segundo caso. Por isso. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. porque significam coisas diferentes!). haviam sido feitas apenas 16 EC. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). porque surgiu na Áustria.Hilton x U. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). em 1920 (bem depois do controle difuso). quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. ou seja. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. É também chamado de controle aberto. para não gerar essa confusão. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. em se tratando de lei nacional. Primeiro caso. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. isso não é verdade. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação.A.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil).

mas deve ser estendido ao controle concreto). a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. ou seja. O efeito vertical. (O STF é o guardião da CR – art. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. 102. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. No direito brasileiro. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. ou tendência de verticalização. No Brasil. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. também não podem ser objeto de controle abstrato. porque em estando revogada. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. A finalidade não se confunde com a competência. nos EUA chamado de “Binding Effect”. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). 97. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. o principal defensor dessa tendência é o Min. Gilmar Mendes. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Este efeito é típico do controle abstrato. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Com base nesse argumento. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). A análise da lei sempre será feita em tese. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. por ser uma relação vertical. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. e a partir desse antecedente. Por isso o Min. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Segundo este instituto. sendo o controle 24 . se fala em efeito vertical. mas tão somente de controle concreto. é proteger as normas da CR. Da mesma forma. já não ameaça mais a supremacia da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato.

Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. Na decisão do STF. ou seja. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. viola o princípio da igualdade. ou seja. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. O Relator da Reclamação foi o Min. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. E. Por fim. ou seja. ainda. então não sabemos a posição dos demais ministros. não uma simples mutação. Então o Min. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Pois no controle difuso. Então. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. CR. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. e não erga omnes. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. Assim. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Por fim. Assim. em ocorrendo isso. sendo acompanhado pelo Min. ou seja. em seu voto. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento.335/AC). já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois.959/SP. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. o Min. Eros Grau. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. 52. pelo menos por parte de alguns ministros. Gilmar Mendes. sem que ocorra modificação no seu texto. que deu provimento à reclamação. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). Gilmar Mendes. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. do PL. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. No Legislativo: Mas. o direito de greve dos servidores públicos. 25 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Gilmar Mendes (e também o Min. No Acre. Não houve reclamação quanto a essa decisão. tendo efeito apenas inter partes. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. se assim fosse. segundo ele. Outra situação interessante foi o RE 197. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. houve decisões proferidas em 3 MI (712. não permite essa mutação). Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. não há necessidade da suspensão pelo Senado. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. como a decisão tem efeitos inter partes. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Antes.917/SP. X. 4. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional.

418/06).art. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. é uma questão incidental. não é o objeto principal do pedido. 103-A). Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. não tem natureza processual como as súmulas comuns. por sua vez. analisado no dispositivo (conseqüente). atualmente. estão os procedimentalistas. social. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. 102. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. Contrários a essa tendência de abstrativização.417/0 e Lei 11. é um instrumento de controle concreto e há. § 3°. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. pois tem o papel de guardião da Constituição. O RE. (☺ Lei 11. não precisam chegar até o STF. concorda com isso). mas apenas a causa de pedir (antecedente).1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. ou seja. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. Num segundo momento (conseqüente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. não cabe ao STF analisar. O papel do STF não é julgar litígios individuais. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. a rigor. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. somando-se os votos de todos eles. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. Segundo Eduardo Appio. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. eles não se reúnem fisicamente. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). por estarem mais próximos dos indivíduos. político ou jurídico. julgando-o procedente ou improcedente. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. A repercussão geral (art. o que se dá no “plenário virtual”. No controle concreto. fundamentação e dispositivo. 26 . a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 .

Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. 28.: . O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). 10. a razão determinante da decisão.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . 102. questões ditas de passagem. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. eles também são vinculantes. mas também à fundamentação. art. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. conforme está previsto no caput do art. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. e ele se encontra no Dispositivo. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. há previsão não só na lei como também na CR). .Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. 102. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. 5. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. Sendo assim. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. . art. 27 . ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. Ademais. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. mas tão somente a ratio decidendi. . secundárias do julgado. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.Lei 9.vinculante.868/99 – Lei da ADI e da ADC. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.EC 45/04: art. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. não determinantes para a decisão) não vinculam.I. O próprio STF já proferiu decisões divergentes.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . sejam particulares. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . Dispositivo L. ou seja. sejam poderes públicos.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.882/99 – ADPF. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. P.Lei 9.erga omnes . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. a chamada eficácia vinculante. §2º.U.

com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. mas os sistemas de preclusão processual. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. Só atinge a norma impugnada. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. É um entendimento que vem desde 1. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis).3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente.o PL (na verdade. inclusive os chefes do PE. até que o PJ a declare inconstitucional. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. no caso Marbury x Madison). . mas sim fiscalizatória. que se quiser. . cuja função não é legislativa. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. impedida de evoluir). como a coisa julgada. Respeitando o efeito vinculante. .Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. a função legislativa). como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. estes estarão sim vinculados). suas turmas e seus ministros.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. Por este entendimento.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . estadual e municipal). O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. . já os órgãos fracionários do STF. 28 . No entanto. mesmo que não tenham sido impugnadas. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. Obs. outros dizem ser nulo. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. inclusive o Tribunal de Contas. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. também fica vinculado). (20/03/09) 5.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. pois atinge apenas o dispositivo. pode modificar seu entendimento.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. e outros dizem ser um ato anulável.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. . O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. segundo o prof.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. se as leis devem ser cumpridas. por sua vez.

Exs. não precisariam deixar os cargos..917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos.)”. decidiu que. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. 27). e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. portanto.882/92 (art. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção)..Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. como regra é retroativo: ex tunc. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. e não no de não-recepção). as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. portanto. porque o ato é nulo desde a sua origem. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). Ou seja.Normas anteriores à CR. ou 2) excepcional interesse social. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. Neste caso.868/92 (art. o efeito que produzirá. os efeitos são erga omnes). Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. com seus normais efeitos ex tunc. 11). o Min. o STF.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. que revogou a Lei A. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Lei 9. Mas. . O STF. ☺art.112/90.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. como a Lei 9. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. ☺RE 197. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. com inteiro teor).” . Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. não admite a “constitucionalização superveniente”. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). como os servidores agiram de boa-fé. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. 27. Assim.). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. autor e réu. no caso do controle abstrato. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. etc. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). por questão de segurança jurídica. . Visto a natureza do ato inconstitucional. assim. poderá o STF.

134. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. e a norma já foi recepcionada pela CR e. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. Em alguns casos. CPP.O Tribunal precisaria observar . . nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). portanto foi recepcionada.: a norma x tem dois significados possíveis. evitando a inconstitucionalidade progressiva. Assim. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. com condições de trabalho iguais às do MP. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). chamada “Apelo ao Legislador”. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.2: art. .1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. mas nem sempre.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. Ex. controle difuso-concreto. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. Segundo o STF. ela progressivamente se tornará inconstitucional). ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. CR x art. mas sua interpretação). que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. 5. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. assim. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. era uma questão “obter dictum”. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. (A norma já passou pelo crivo da constituição. 68.O Tribunal não precisaria 30 . que trata da ação de reparação ex delicto. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. o resultado será o mesmo. quando todos os Estados tiverem DP. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. à medida que a situação fática for alterada. de fato. com um só sentido). devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. quanto . o prof. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.Corresponde a um juízo de . reproduzida pelo STF). é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). não foram todos os ministros que se manifestaram). há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. para que este corrija a norma. Ex. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países).Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. ex. mas. constitucionalidade. um significado A e um B. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. portanto. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. depois de ter sido recepcionada.Corresponde a um juízo de .

1º e 3º. no controle concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. ou todo o artigo. portanto. esta só se faz necessária quando se afasta. . o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 2º. 2º. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. o texto da norma. . de ofício. 1º ou do art. a cláusula de reserva de plenário. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. como ambas são equivalentes. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. dentro de uma mesma lei). nem sobre os demais. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir.É excluída uma determinada interpretação. Na declaração com redução de texto. da Lei x. ou seja. Trata-se de controle abstrato. 2º. ser objeto de ADI. (*) Para o STF. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. o juiz pode. não poderá.É uma técnica de decisão judicial. 97). no controle concreto. 1º e 3º e. Ocorre que. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). 2º for dependente do art. b) Com redução de texto: b. desde que não altere o sentido do restante da norma. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. . a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido.É permitida uma interpretação e. . do art.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. se for um dispositivo autônomo. . em regra. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). . de ofício. Assim.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. observar a cláusula da reserva de plenário (*). e são permitidas as demais. se manifestar de ofício sobre o art. portanto.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . são excluídas as demais. o juiz não pode. 3º. b.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). declarar a inconstitucionalidade. . total ou parcialmente. em princípio.Não há qualquer modificação no texto da norma. se o art. não podendo. mesmo que não tenha sido questionado. O STF. no controle abstrato. Obs.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. por arrastamento. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. em razão do Princípio da inércia.

mas apenas a causa de pedir. Ex. ACP para fechamento dos bingos. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. O dispositivo. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. de ofício.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. julgará procedente ou improcedente o pedido. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. todo controle difuso é concreto. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. julga também inconstitucional o decreto. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. apesar de sozinho não ter aplicação. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). já que o STF pode. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Obs. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Sobre o tema: 32 . Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. neste caso. mas é que esta não é necessária. O pedido será a proteção de direitos. pois será uma questão discutida incidentalmente.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. e por arrastamento. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Ou seja. portanto. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. ADCe ADPF). Contudo. dentre elas a ACP. No Brasil. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. Neste caso. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. porque. Mas nem todo controle concreto é difuso. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. Assim. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. portanto. mas também quando há usurpação da competência do STF).

b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. por entendê-la inconstitucional (inter partes). o que só se pode obter por meio de ADI. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp.. que é função legislativa. também não pode ser delegada). os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. no caso. 557. conseqüentemente. Nada impede. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. é função possível de ser delegada. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. por meio da ACP. 294. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. Os juízes singulares podem. pois. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 33 . da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). que é mais de 50% dos presentes). de Hugo Nigro Mazzilli (pg. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. de efeitos concretos. XI – órgão especial: para que seja criado. Regra da “full bench”. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. desde que. porém. não pode ser delegada. 93. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. por exemplo. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). porém. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo.646. Em outras palavras. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. teremos uma lei material. e no mínimo 11 membros. Segundo esta cláusula. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. por ex. porém. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. que é função política. no âmbito dos Tribunais.159. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. STJ ☺ RE 227. Assim.: eleição do Presidente do tribunal. na prática. STJ ☺ Resp. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Assim. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF).022. 97. os Tribunais não têm admitido que. Assim. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. as chamadas leis de efeitos concretos. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. assim. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). em defesa de contribuintes. 97. elaboração de Regimento Interno. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. No tocante. ☺art.

a argüição de inconstitucionalidade (. sob o argumento de que o dispositivo (art. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. se for acolhida. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. sabe-se que o STF é o guardião da CR. podendo decidir o caso concreto. pela maioria dos seus membros. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada).U.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. como guardião da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. se entender que a lei é inconstitucional.U. ☺art. será lavrado o acórdão. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). CPC) seria inconstitucional: o art. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição.. porque para o STF ambas são equivalentes. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. 481. assim. de acordo com o posicionamento do STF.. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. Decidido o antecedente. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. . O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo.. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Quanto à 2ª exceção. prosseguirá o julgamento. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. 97. se existir no Tribunal.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. P. Exceções: P. no entanto. Há uma repartição funcional de competências. Há quem critique tais exceções. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). 34 . para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. Assim. ou em caso de interpretação conforme. O professor não concorda. ao órgão especial). abstratamente. 481.

art. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. esta decisão deve ser submetida ao plenário. se assim o fosse ela já seria vinculante). ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. 52. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Efeitos. Outros autores. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. CR – compete privativamente ao SF suspender. Na verdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. quando isso ocorre. por isso o faz dali em diante. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. não estando vinculado à decisão do STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. como se tratasse de uma revogação. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). a lei deixa de ser aplicada. bem como ou STF. A suspensão se dá através de uma Resolução. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). O SF não é obrigado a suspender. X. Quando o SF suspende a lei. Ademais. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. A cláusula vale também para o controle concentrado. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. RISTF. O SF apenas suspende a lei. trata-se de uma competência exclusiva. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. entendem que se trata de um ato discricionário. em regra. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. portanto. que não comporta delegação. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. ela se refere à decisão do STF. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. que não pode ser retroativa. passa a ter efeito erga omnes. sustentam que o efeito é ex tunc. a decisão do STF. no todo ou em parte. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. 178. Ou seja. É o entendimento mais correto. O STF já admitia essas duas exceções. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. ou seja. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. 2) Outros autores. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 35 . o SF não pode suspender toda a lei.

e se o STF. esse entendimento é desejável. CR) não comporta este entendimento. requisitos para a criação de CPI. deve-se recorrer ao entendimento do STF. CR. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. o que. 52. um RE para o STF. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Art. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. O SF. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. está fazendo uma análise. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. sendo norma de observância obrigatória. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. LO. cabe. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Segundo o professor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Nas situações em que o TJ julga. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. RISTF) – e isso é óbvio. mas. LC. Mas. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. 59 e segs. se toda a lei foi declarada inconstitucional. cujo modelo. a resposta é negativa. Ressalta que a letra da norma (art. Por isso. Segundo o STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. Gilmar Mendes. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Quando se fala em decisão definitiva do STF. normas referentes ao TCU. 57. ou seja. configuraria uma mutação constitucional. CR: prevê o escrutínio secreto. já o SF não. Neste caso. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. 178. 61: iniciativa do presidente. não se referem ao âmbito estadual e municipal. já que o SF não atua de forma correta. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). não havendo a necessidade de suspensão da lei. em razão do princípio da simetria. desta decisão proferida pelo TJ. É uma construção da jurisprudência do STF. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. obrigatoriamente. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. esta norma não é de observância obrigatória. Na ADPF este fenômeno também é possível. pela simetria deve ser atribuída ao governador. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. 66. §4°. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. etc. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. se for apenas uma parte. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. a partir do momento que resolve fazê-lo. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. no controle difuso-concreto. Art. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). segundo o Min. por ser um órgão do PL Federal.

e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. Quando o SF atua como órgão federal. se aplicando ao âmbito federal. no todo ou em parte. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). retirando a lei do ordenamento jurídico. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. 58. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso).: Lei 8. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Classificação de Osvaldo Aranha B. etc. ADC ou ADPF). São os dispositivos que se referem tanto à União. É também uma lei emanada do CN. Assim. sendo específica para os servidores públicos civis da União. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. portanto. Ex.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. do DF e até municipais. por isso pode suspender lei estadual e municipal. por não existir uma federação de municípios. Ex. está defendendo interesses apenas da União. Ex. CR). de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. Ex.: art. assim. estadual. 59. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. também. X. visto que. pelo Senado Federal. outros 37 . no controle abstrato (ADI. estadual e municipal. só se aplicando ao âmbito federal). mas não trata apenas dos interesses da União. 37. 19. quando o SF atua. art. não havendo. a suspensão. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. 52. ele está atuando como órgão de caráter nacional. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. como aos Estados. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. o SF teria um número enorme de representantes). porém.: arts. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. Sabe-se. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). que deve ser observado no âmbito federal. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. por isso pode suspender leis também dos Estados. §3º. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. da organização da União. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Quando o SF suspende os efeitos da lei. os que tratam do TCU.). distrital e municipal).: CTN.” Análise do enunciado pelo prof. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra).

se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. TO. 2º grupo: . declarando uma lei inconstitucional. é a AL que suspende a lei. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. de 10/10/1997. Com efeito. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. MS. 38 . O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). RN. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. de fato. Portanto. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). em decisão definitiva. por força do referido Decreto nº 2. é a Câmara Municipal.346. os dois tipos são constitucionais. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. no âmbito da AP Federal. Embora não haja consenso. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. SE e AM. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . então. é sempre a AL que suspende a lei. na sua esfera de competência. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. pró-ativos (ex nunc). visto que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. não retroativos). a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. Segundo o STF. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. visto que.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal.346. porque o seu parâmetro não é a CR. adotou-se. Entretanto. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. . da AP Federal direta e indireta. Poderá.

o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. ou na CR ou na lei. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. que são a União e os Estados).ADC. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . onde não existem partes formais (autor e réu). em seu art.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. . A Constituição.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. de acordo com essas leis. .ADPF. o duplo grau de jurisdição. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. Por se tratar de um processo de índole objetiva. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). ela é meramente jurisprudencial). não cabe. Como são ações de controle abstrato. obviamente. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. mas sim legitimados.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). 4) Recurso da decisão de mérito. e não do trânsito em julgado. a competência é do TJ). 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. tendo partes – autor e réu. a ampla defesa. Obs. ☺Lei 9. e . 39 . (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. deve haver a previsão da legitimidade. 5) Ação rescisória. 103. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR.

. . Executivo PR GE – GDF P.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.Confederação sindical significa de âmbito federal.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. ou seja. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. Para ter âmbito nacional. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. . Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. Assim. . confederação regional: F. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. para ter legitimidade..A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. segundo a jurisprudência do STF: . Os demais podem fazê-lo sem advogado. CS e ECAN. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). a partir de então. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. .A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. confederação local: sindicato. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). . .: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.A entidade de classe. Obs. . mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).Os GE. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.A norma do art.S.

41 . CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. 102. Lei 9. §3º .TIDH (3/5 e 2T) . 1º.Norma formalmente constitucional . → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. por isso não é ANP). I. nas normas que tratam de outra matéria). Ex. a. a. OBS. I. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. geral e abstrato. decreto regulamentar. ele poderá ser objeto. pois geralmente está abaixo do decreto. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). . caso o decreto emane diretamente da CR. são questões próprias de RI.☺art. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. Obs. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. admite-se o seu controle. o RI pode. para ser objeto de ADC e ADI.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.: decreto regulamentar do PR.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. ou seja. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. . .: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. sem interferência do PJ. 102. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. como por ex. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. Não serão objeto de ADI e ADC. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. 5º. todas estão no mesmo nível.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). direitos e garantias fundamentais.

ele vai atuar como fiscal da Constituição. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente).: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. §1º. Assim. No caso de emenda. Gilmar Mendes e de um prof. pode ser qualquer ato do poder público. Hoje. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). O PGR atua como “custus constitutionis”. devendo ser de todos eles intimado. 103. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. sem exceção. só podendo ser objeto de controle difuso. segundo o STF. §3º. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. . ou seja. leis suspensas pelo SF. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. poder-se-ia admitir o veto jurídico. medidas provisórias revogadas. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. A função do art. Atuação do PGR: ☺art. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. pois não produzem mais efeitos. é preciso primeiro ser transformado em EC). CR. por analogia. CR. da mesma forma na ADPF. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Obs. Lei do DF não pode objeto de ADC. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. se seu entendimento for diverso. de defensor legis. STF). leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. ainda. e. como está havendo uma influência de um controle no outro. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. Tem status de ministro de estado. Lembrar que não cabe assistência. não pode ser objeto de ADPF: .Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. 103. posteriores a 5/10/88. na outra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . se um novo PGR o substituir. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. ainda que ele proponha a ação – ou seja. não ameaça mais a supremacia constitucional. Mas. também poderá dar parecer em sentido contrário. salvo embargos de declaração. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. o STF admitiu. portanto está subordinado ao PR. . Função geral do AGU (art.leis revogadas. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. 103. § 3° é uma função especial.Súmula.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Atuação do AGU: ☺art. 42 . intervenção de terceiros e recursos. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado.

A previsão expressamente contida no art. . não há o que se defender. 9. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A audiência pública está prevista na Lei 9. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Ele não é alguém interessado na causa. Mesmo sem previsão legal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Foi introduzida pela Lei 6.868/99 -☺art. Tem natureza de auxiliar do juízo. §3º. Cabe também na ADPF. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. o AGU até poderia participar. §1º.868. 6º. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. “amigo da corte”. §1º e art. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. só vai contribuir para a decisão do tribunal. o das audiências públicas.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. 482. 20. por fim. nos estados que adotam a commum low. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Mas atenção: existe um outro instituto. que também representam uma abertura à interpretação da constituição.385/73 (☺ art. A exposição dos motivos da Lei 9. de “defensor legis” e. Portanto. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. 7°. 7º. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). disciplinou a figura.868/99 vale só para a ADI. Ela já existia antes. Nesse caso. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 7º.868. 89. Na ADI por omissão. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. art. por analogia. Na ADPF. Está desempenhando uma função especial. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis).868. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. §2º da Lei 9.884/94 (CADE). Não há previsão para a ADC e ADPF. Amicus Curiae: Em uma tradução. §2º e art. §1º. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Posteriormente. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. 43 . portanto. mas não têm nada haver com amicus curiae. a Lei 8. seria “amigo do tribunal”. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. É muito comum nos tribunais internacionais. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. Quando o AGU desempenha essa função. em especial no direito norte-americano. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Importante: ainda que como Advogado da União. em seu art. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. sendo feita por toda a sociedade. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. ☺ art. art. 31). não precisará do AGU para defendê-la. o AGU não será obrigado a defender a lei.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional.

pois admitiu pessoa física em controle concreto. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. I. . O juiz de primeiro grau. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. ressalta-se que esta é apenas relativa.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. portanto. M. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. ou seja. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Aurélio. O STF ainda tem exigido pertinência temática. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. (Obs. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. seria uma exceção). Obs..868/99.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. . é um equívoco. ou seja. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Mas depois que a lei foi feita. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. por ex. Mello. cabe amicus curiae. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min.Com relação à presunção de constitucionalidade. autor e réu. a mais correta. admitindo prova em contrário. Quando 44 . . Lei 9. não tendo partes. em despacho irrecorrível. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. segundo o professor. Marco Aurélio não admitiu. R.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda.102. Barbosa e E. poderia afastar esta presunção. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. admitindo ser intervenção de terceiros (C. “a”. porque iria envolver matéria em relação à vida. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Foi uma exceção. É. Para o prof. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Apesar de que era relevante. Lewandowski.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Surgiu com a EC/03. J. Gracie). Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .

Cláusulas Pétreas. VII).U. 45 . na ADPF 33: . Gilmar Mendes. Cabe prorrogação. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. Segundo a doutrina. ADPF: ☺ Art. Mas. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. II.21.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. . para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. . no entanto. 14. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. é mais restrito: somente a violação. O STF admitiu ☺Informativo 518. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR).). Através do AGU. §1º. nas outras ações ela também poderá ocorrer). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. nos quais a lei esteja sendo discutida. art. 34. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. o FHC ajuizou ADC. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. . portanto. e . mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). Não é uma ação de inconstitucionalidade. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.Princípios Constitucionais.868/99. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. e . inclusive o Poder Executivo. Portanto. Como visto.868/99. III).14. .Título I: Princípios Fundamentais. os preceitos fundamentais são: . neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. não há que se declarar uma lei constitucional). art.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.Princípios Constitucionais Sensíveis. em seu art. CR e Lei 9. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).869/99. a Lei 9.102. O parâmetro. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. . P.882/99. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. .Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Cláusulas Pétreas.

Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Proposta diretamente no STF. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. 4°. dentro do órgão judiciário). Obs. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Um dos legitimados.: ADPF 54 (questão do anencéfalo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. a vinculação é vertical. como guardião da CR. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Art. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade).: gestante com feto com acrania. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. P.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. 1º. embora seja bastante difícil existir esse meio). Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. 196 e ao meio ambiente. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.882/99). Incluindo-se. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. dentro do mesmo tribunal. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. 1º. 46 . Ex. Segundo Neri da Silveira.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Características: . Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. § 1° da lei 9. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. Ela vai ao juiz de primeiro grau. art. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma.882/99. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. neste rol. estadual e municipal. apenas o STF.U. Aqui. ainda. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal.: surge a partir de um caso concreto. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. embora lá há uma vinculação horizontal. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. leva a questão ao STF através de ADPF. na ADPF. ou seja. os legitimados podem levar não todo o processo. Mas se algum dos legitimados souber da ação. O objeto pode ser da esfera federal. podendo ser um meio de controle difuso.

Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. 5°. ADC e ADPF (art. Ex. h). para fazê-lo em trinta dias”. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. coletivos e individuais indisponíveis (art. § 2º . 5°. 103. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). § 4°.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. à soberania e à cidadania). por ex.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. 102. No entanto. STJ (art. É controle concreto. I. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. à soberania e à cidadania”. 47 .. em se tratando de órgão administrativo. O STF admitiu a ADPF. É a mesma da ADI. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: .CR: STF (art. . 121. V). será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . (O órgão tem que ter competência determinada na CR. Assegurar a efetividade de suas normas.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. o STF transforma a ADPF em ADI. Obs. q). mas a converteu em ADI.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. I. II e III). 105. . . governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. . É controle abstrato.Admite-se a fungibilidade. 129.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. TSE/TER (art. LXXI . nas CE ou em lei federal).

São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. entes federativos e PJ dir. mudou seu posicionamento. competente de sua omissão (em regra.Órgãos públicos. portanto não podem impetrar MI. Mas atenção. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. apenas razoável e não peremptório. ou seja.MI Coletivo: o STF o tem admitido. O STF. não pode fazer a norma para o caso concreto. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. Recentemente. concretize a norma (faça a norma concreta). O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. portanto.: na ADI 3682 b. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. não pode concretizar a norma. é b) Concretista: concretiza a norma. fundamentais em face do Estado. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . autores que admitem. público: MI protege dir. recentemente. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). ou seja. . (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. ECAN e associação c/ 1 ano).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. no entanto. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 .3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. Se o PL) e. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). mas esse prazo era direito. LXX: PP c/ CN. Há. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. organização sindical. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. 5º.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. em se tratando de órgão da AP.

o STF está atuando como legislador positivo. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. De acordo com esta concepção. ou seja. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. CR (provimento. ou seja. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. 34. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. a intervenção é uma exceção (a União não pode. No MI. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. criando uma norma geral e abstrata. ou seja. Essa corrente é bastante criticada. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. intervir nos Estados).040). ao mesmo tempo. Mesmo adotando a corrente concretista. Ela se subdivide em – geral e individual. 652. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. Surge a partir do caso concreto. III. O efeito seria apenas inter partes. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). não cabe liminar (antes. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. ademais. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. Recentemente. A omissão total não cabe MC. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. 49 . nestes casos de omissão parcial. pelo STF. O STF adotou essa corrente no MI 232. em um primeiro momento. porque adotava a corrente não concretista). se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. VII). iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. 708 e 712). 2. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. VI). iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. e 2) recusa à execução de lei federal (art. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. 680. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. porque nem a AIO tem esse poder. 34. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Portanto. como regra. A regra é o principio da não-intervenção. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). o PJ. 36.

35. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. no âmbito do TJ. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. no âmbito federal). CR. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). O STF é o guardião da CR. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. O parâmetro aqui é mais amplo. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). da ADPF). Trata-se de um controle concentrado e abstrato. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. 127. e sim em face da CR. ☺art. CR. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. portanto. 614. que é o pressuposto para a representação interventiva. 125. CR). somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. mas sim. As partes aqui são o Estado e o Município. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. além. 50 . Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. CR. §2º. mas que surge a partir de um caso concreto. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. OBS. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. 36. §3º. foi uma criação da jurisprudência do STF. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. STF). é claro. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. nem no RISTF. o PR então poderá decretar a intervenção. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. Esta forma não foi prevista na CR. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. O RE. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). Isto está previsto no art. IV. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. se o STF der provimento à representação do PGR. se violados. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. ☺art. § 1°. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. É dispensada a apreciação política pelo PL.

ou seja. por delegação popular. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. Portanto. Assim. Modernamente. segundo o abade Emmanuel Sieyès. que deve observar o direito natural. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. analisa-se se o poder é legítimo ou não. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). É ele um titular passivo. pois o Estado decorre da soberania popular. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Assim. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Bonavides. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. é a nação. que é sempre superior aos poderes constituídos. pode usurpar do povo a titularidade do poder. a vontade do constituinte é a vontade do povo. Na 1ª etapa. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. em alguns casos. em nome do povo. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Obs. que formulou esta teoria no fim do Séc. expressa por meio de seus representantes. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. retira sua força do direito natural. porém. XVIII). Schmitt). mas jamais é quem o exerce. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. cria o Estado. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. social e juridicamente organizado. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. que. o exercício dessa magna prerrogativa. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. segundo o Abade Sieyès. Está acima do direito positivo. Celso de Mello. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Para os jusnaturalistas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. São apenas órgãos aos quais se atribui. corroborando essa perspectiva. editando a nova Constituição. C. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. um dos precursores dessa doutrina.

por conseguinte. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC.Decorrente (art. art.Revisor (art. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Formal . há legitimidade objetiva. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Portanto. que é seu verdadeiro titular.: o prof. CR) . Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). ADCT) .Revolucionário . correspondendo aos anseios daquela sociedade.Histórico . Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. para ser considerado legítimo. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder.Reformador (art. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . ADCT. 60. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). 3º. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Dessa forma. Espécies Tradicionais: . Obs. 11. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Assim. já que o poder constituinte já é originário. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. 25. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Material .

No caso do Brasil. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. b) é um poder inalienável. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). No caso do Brasil. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. mas não a primeira e sim uma nova. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. 53 . c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. independente e soberano. O povo é o titular do PCOM. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. 1946. ela nunca deixa de ser do povo. Apesar de ser um poder incondicionado. Obs. Ex. através da Constituição. não perde a titularidade do poder constituinte.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. 1988. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. No plano axiológico. .: este poder tem este nome porque para o Direito. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. 1937. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. Obs. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). através de normas constitucionais. que substituirá a anterior. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. O Abade Sieyes. 1934. GV). é a Constituição que vai dar origem ao Estado. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. ex. foi criado um direito natural). a nenhum pré-requisito jurídico.: se é um poder autônomo e incondicionado. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). é apenas uma classificação quanto ao momento.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. ou seja. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. 1967/69. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Obs. há alguns valores que são morais.

54 . 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. De acordo esse limite. Não se trata de um limite jurídico. mas continua a existir como característica essencial deste poder. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. O prof. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). as constituições estaduais não são recepcionadas. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. no art. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. por se tratar de uma conquista da sociedade. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. a doutrina deduz deste art. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Ex. ele encontra limites no texto da CR. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. ficando um pouco relativizada. 25. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. 25. na pena de morte. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Obs. Esta AL. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. A CR/88. observados os princípios estabelecidos na CR.. 11 do ADCT. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. No caso da CR/88. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. No entanto. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. com os avanços da sociedade. Fábio Konder Comparato fala. contudo. Dentro desse limite. A partir do momento que a CR surge. Ainda que o estado seja soberano. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. na verdade. Ex. mas meta jurídico (fora do direito). ☺art. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). Quando a CR consagra o art. não concorda muito com isso. por ex.

não existe um modelo a priori de separação dos poderes. VII. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. vedada a recondução. §1º . Obs.: ☺art. mas foi uma decisão super apertada (6x5).Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). porque o art. 93. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. Há dois grupos: (art. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . por enquanto. 34. CR.: presidencialismo x parlamentarismo). 59 e segs. Se subdividem em: 55 . no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. Estão presentes no art. Segundo o STF.). Mas. são as normas de auto-organização da União. Obs. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. 58.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 75. CR. composição. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. são essas as normas de repetição obrigatória. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. . aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. diferente dos extensíveis. §4º. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. II) Implícitos: CPI (art.Requisitos para a criação de CPI: ☺art.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. que se estendem aos Estados. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU).: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. 57. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. 61. ou seja. . 57. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 58. processo legislativo (art. § 1°. § 3°). que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. 27.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. §4º não é norma de observância obrigatória). e o STF decidiu que não havia problema. V ???) I) Expressos na constituição: art.

. 3°. Trata-se de um poder previsto na CR e. portanto. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.. . .titularidade: é do povo. . DF e M. . se for decretado o estado de defesa (art. cujo procedimento está previsto no art. . Ex.normas vedatórias: ex. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR.. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. uma limitação temporal para o poder revisor – art. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. é conseqüente. 56 . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. .A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. E.: art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .não é inicial. §1º.: art. CR.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. 60. . ADCT).) – contém uma vedação expressa.). 37. Ex.é um poder jurídico (e não de fato). que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. 60. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. no entanto. 34). mas é possível deduzi-las. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.é condicionado.é limitado. . .O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.não é autônomo. 19.: os arts. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. decorre da lei e não da força. ou seja..normas mandatórias: ex. 136). portanto. em qualquer estado da Federação (art. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 137).exercício: é pelo CN. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. e se for decretado o estado de sítio (art. CR. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. . CR (é vedado à U.

. no âmbito do MP. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. não promulga. DF e DE. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. para que. §10). ela será chamada de extraordinária. o PGR. CR). Ex.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. No caso de projeto de lei. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. . apenas o PR. também chamadas de implícitas. ☺art. §3º. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. sendo o art. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). é o de que o art. P. II e III) uma exceção à regra geral. 60 (incisos I. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. após a iniciativa. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa).Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. . A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. 62. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. b) o entendimento majoritário da doutrina.). Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. não veta. no âmbito do PE. 44. 67. 61. 61 é a regra geral de iniciativa. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). Obs. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. ademais. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. §2º). apesar de não existir previsão expressa. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. . . 60. a PEC será discutida em cada casa do CN.Feita a iniciativa. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. GE. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis.Além do PR. 60. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. por fim. do SF ou do CN. 61. possamos usar o procedimento previsto no art. ☺art. 60. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. no qual há 4 sessões legislativas. CR. não pode haver emenda de emenda. através da iniciativa popular (art. que é o período de 4 anos do mandato do PR. se a matéria for rejeitada. §2º). proposta rejeitada no dia 15/01. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. Este art.A última limitação formal objetiva está prevista no art.U. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). a PEC vai para a promulgação. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD.A nossa Constituição é rígida. no entanto. assim. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. também podem propor projeto de lei o povo. §5º. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. 57 . também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. 61. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. no âmbito do PJ. o STF e Tribunais Superiores. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. . A Sessão legislativa (art.Discutido e aprovado. 60. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art.

A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. c) Assegurar o processo democrático. 150. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Curiosamente.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. o voto não é universal. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. o direito de participar das eleições. .Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. VI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. pois. não é secreto. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). CR. 60. universal e periódico. o que é universal é o direito de sufrágio. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. b) Preservar a identidade material da Constituição. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. a). a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. §4º. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. secreto. . Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. mas sim. Secreto. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). segundo o STF. Ou seja. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. ademais. Se elas não existissem. São as chamadas cláusulas pétreas. que é o modo como se realiza o exercício do voto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. As cláusulas pétreas são. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o que é secreto é o escrutínio.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. 58 . As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Universal e Periódico: . na verdade. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Expressas: ☺art. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. c) Voto Direto.

são CP. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. mas refere-se a uma reforma. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. não tem nada a ver com CP). mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. segundo a qual o art. inclusive. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art.: FGTS. comportam diferentes interpretações. posteriormente. Obs. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Chama-se dupla revisão.Há quem defenda. A CR fala em direitos e garantias individuais. ou. que proíbe a pena de morte. far-se-ia uma EC revogando o art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Os direito fundamentais se encontram. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Mas o STF já considerou que o art. por isso. mas os demais não (ex. que não é unânime na doutrina. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Assim.: primeiro. Lá estão as limitações ao poder reformador. e não em direitos e garantias fundamentais. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. Um exemplo. Assim. é o art. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Ex. O prof. . todo o art. CP).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. CR). Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. 2º. Para ele. não concorda. sendo uma garantia individual. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 60. 60 seria CP. em princípio. para posterior alteração do conteúdo. dispostos do art. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. não seriam cláusulas pétreas. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. (23/04/09) 2. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. sistematicamente. pois. é porque não se desejou que eles fossem petrificados.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. CR. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. 5º. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). por uma questão lógica. 150. ADCT). CR. . não alterando-o). com a dignidade da pessoa humana. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. como um todo. não o serem). e por conseqüência. O art. III. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). §4º. 60. 60 poderia ser modificado.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. Os demais direitos e garantias fundamentais. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. b. 5º. é CP. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta.

Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. 5°. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. excepcional e transitória de alteração da Constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. portanto. mas ainda não pagas. O direito adquirido pode ser relativizado. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). não sendo um princípio absoluto. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Ex. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . Ex. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade).A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. 60. art. tem que haver previsão expressa na constituição.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. XXXVI. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. o STF tem entendimento unânime. b) Média: a retroatividade não é automática. Revisão é a via extraordinária. . a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. tem que haver previsão expressa na constituição. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. c) Máxima: a retroatividade não é automática. ☺art. não abrange EC. mas seus efeitos surgem após a constituição. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. a constituição atinge prestações vencidas. 3º. A retroatividade mínima é automática. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . CR). Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. 3º. Antes da CR/88. em sentido formal. A limitação imposta no art. mas também emendas à constituição. Com relação ao assunto acima. não abrangendo apenas leis em sentido formal. em sessão unicameral. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. O ato ocorreu antes. esse era o entendimento do STF. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. 3º. contados da promulgação da Constituição. Ex.

o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. circunstanciais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. e de forma geralmente mais extensa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. ADCT. §§1º e 4º). como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. especificamente. Além disso. 60. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. 3º. 61 . (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Por isso. partindo da idéia de sistema. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Constituição da República. É o início de uma interpretação. só tem alma. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. entra o elemento histórico evolutivo. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Esse método não é apenas sistemático. Não existe uma norma jurídica sozinha. mas apenas valores: o preâmbulo. X. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. aqueles desenvolvidos por Savigny. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). como início e limite para a interpretação. Nele estão os valores supremos da sociedade. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. esses elementos são insuficientes. Buscam os valores subjacentes à constituição. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Toda norma está dentro de um sistema. esse método também é conhecido como método valorativo. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. para o direito público. Ex: princípio da não contradição. portanto. Por isso. eles são suficientes. devido à complexidade da interpretação constitucional. é também o limite para a interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. como todas as demais. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. com algumas peculiaridades. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. e não isoladamente. Imagine a Constituição norte-americana. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). O texto da norma funciona. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Ela não tem normas jurídicas. para o direito privado. 65 . Na busca pelo “Espírito da Constituição”. O grande problema é que. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Além disso. b) Histórico: no seu desdobramento. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. e os valores fossem o seu espírito. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. 52. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição.

Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Este problema será solucionado pela argumentação. como ocorre neste método. que é apenas mais um topos. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. por ex. enfraquece-se a força normativa da constituição. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. os operadores do direito servem-se de topoi.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Os topoi são esquemas de pensamento. Ex. os quais são submetidos a várias opiniões. a favor e contra. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante).. ou seja. certa insegurança jurídica. cujo plural é “topoi”. Por isso. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. ou a de que um é mais correto do que o outro). lugares comuns. como. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. mais um 66 . Problema é a questão difícil. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Ex. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Se se permite interpretações divergentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. formas de raciocínio. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. pois comporta mais de uma solução possível). e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. 2. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. ele também é conhecido como método sociológico. vence o argumento que for mais convincente. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. porque trabalham não com a idéia de sistema. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. da doutrina. Esses pontos de vista. do senso comum. Violação de correspondência de presos. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Assim. pontos de vista ou lugares comuns. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). da jurisprudência dominante. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. o que geraria uma grande insegurança jurídica). → Crítica: feita por Canotilho. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. de casos que comportam mais de uma solução possível. Assim. Isso gera certa instabilidade. que contraria o positivismo jurídico. dos princípios gerais do direito. mas sim diante de problemas. Por ter uma feição mais política do que jurídica. de argumentação. Ex.

assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. este método não poderá ser aplicado. pois. ao lado de Hans Kelsen. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. ou seja. é preciso que haja um problema. como já vimos. a compreensão prévia do intérprete. diferentemente dos dois primeiros. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. 67 . é bom lembrar. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Além de serem métodos aporéticos. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. e concretizador à aplicação. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. se for caso de lacuna. na sociedade aberta de intérpretes. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Ocorre que. não podem ser utilizados de forma abstrata. e o problema concreto a resolver. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Ele parte. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. e sim na sua concretização. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Para este método. de única solução possível. Hermenêutica e interpretação não se confundem. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. A principal diferença. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. porém. sua aplicação a casos complexos. não se deve falar em interpretação constitucional. são também métodos concretistas. devendo-se fazer uso de outro método. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. São métodos indissociáveis. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. que a questão não seja simples. ainda que dos mais importantes. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Os métodos III e IV. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). Método concretista. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. por serem métodos concretistas. mas em concretização). Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Assim. são coisas diversas. quando se fala em hermenêutica. Assim. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Não se pode separar as duas coisas. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo).

. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . Friedrich M. é a realidade social tratada pelo texto da norma.Elementos do âmbito da norma . traduzido pelo Min. Assim. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. ele na verdade não o é. O texto tem duas funções muito relevantes. 68 . ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Quando ele fala em democratização. Judiciário. ao mesmo tempo. Essas duas figuras podem ser. Não diz respeito aos critérios de interpretação. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. O texto não tem o comando. Fala-se que são utilizados. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. bem como a quebra da unidade constitucional.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . ele dirige e.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. que têm legitimidade para a interpretação. O que ele chama de domínio normativo. Na prática. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. em regra. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). mas refere-se àqueles que podem interpretar. Gilmar Mendes). o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. regulada pela norma. limita a interpretação. A norma é o mandamento.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Para ele. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). aberta a toda a sociedade.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. por sua vez. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. A democracia deve servir não apenas para a criação. mas também para a interpretação da Constituição. Segundo o autor. Segundo ele. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. mas também na sua interpretação. Ainda que a Corte seja o intérprete final. é o comando que se extrai da norma interpretativa. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. mas a toda a sociedade. pois. Paulo Bonavides o tratar como um método. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. a norma só surgiria após a interpretação do texto.

Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. 3) Existe uma única resposta correta. superado o valor da norma). sem modificá-la. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. Assim. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. bastante discutido nos dias atuais. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Em virtude do caráter normativo dos princípios. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. que se subdivide em princípios e regras. vinculante e obrigatória. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. 69 . o poder legislativo é claramente fraco. Assim. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. No pós-positivismo. Na verdade. preocupado com a segurança jurídica. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. A norma. Por isso o judiciário tem ganhado força. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Entende que. que corresponde à vontade do constituinte originário. Segundo Conrado Hubner. textualismo e preservacionismo. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. surge a idéia de norma (gênero). Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. mas de forma concreta. norma e fato. no Brasil. Após. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. quando interpretada. Também denominado de originalismo. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. A segunda corrente. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. surge o Positivismo Jurídico. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. como a constituição é feita por representantes do povo. do povo. os direitos têm que ser iguais para todos. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Hoje. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Esta questão está ligada à separação dos poderes.

imperativa. como elementos do sistema normativo constitucional: . impõem resultados. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.generalidade . ou seja. isto é. . que apontam para o sentido contrário. princípios são “mandamentos de otimização”. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas.Postulados. 70 .: aposentadoria compulsória. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. Para Habermas. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.dimensão que eles ocupam (Alexy) . Elas se aplicam de acordo com a subsunção. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. que envolvem a aplicação deste princípio. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. será invalidada. O grau de abstração é a diferença. Ambos são normas. e . ou seja.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. → Regras: são “mandamentos de definição”.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. peso ou valor. Segundo Robert Alexy.Princípios. é preciso saber quais são as normas opostas.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . há uma subsunção lógica. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. → Princípios X Regras: . dentro do gênero norma jurídica. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. Assim. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). impessoal. mas a medida do possível. . ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Eles não definem a medida exata. genérica. em havendo um conflito no âmbito da validade. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. o que ocorre por meio da ponderação. A norma é um gênero e. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Alexy afirma haver exceções. quando se vai aplicar um princípio. Ex.Regras. bilateral). As regras possuem aplicação automática. Referem-se à abstração (a norma é abstrata.

como princípios. Não estão na constituição. por isso não são aplicados diretamente. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. também conhecido como antinomia de princípios. Eles não apontam um fim. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. será feita a análise de alguns postulados que. 71 . dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. pela maioria da doutrina. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas.: proporcionalidade. Com base nessas premissas. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Mas e os postulados? Segundo esse autor. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Nesse aspecto. interpretação conforme a Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. embasados na supremacia da Constituição. É um conflito sempre no caso concreto. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Os postulados são denominados. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. mas não têm a mesma função dos princípios. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Ex. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. nem estabelecem competência ou conduta. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. de modo a realizar os valores nela consagrados. Segundo a LICC. cronológico e da especialidade. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais.

Não se retira a lei do ordenamento. assim. não tem como fazer interpretação conforme. se entendê-la inconstitucional. na dúvida. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Ele pode negar a aplicação da lei. a lei deve ser declarada constitucional. Todo projeto de lei passa por um controle. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. No Brasil. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. significa que as demais leis devem obediência a ela. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. para ter essa supremacia. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. presume-se que agiram de acordo com ela. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Se o texto tem apenas um significado. deve optar pela constitucionalidade. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. o Poder Judiciário. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Toda Constituição tem supremacia material. Excepcionalmente. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Se a constituição é a norma suprema. pode deixar de aplicar a norma de ofício. pode ser exercido através do veto jurídico. o Princípio da Supremacia da Constituição. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. pois existe uma presunção de constitucionalidade. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. o Chefe do Poder Executivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. quando entender que uma norma é inconstitucional. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. como no âmbito do Poder Executivo e. excepcionalmente. no Poder Judiciário. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). No Poder Legislativo. na dúvida. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. No Poder Executivo. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. A 72 . um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. significa que ele é unívoco. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. E. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. por ser presunção relativa. no controle difuso. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Da mesma forma. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. e. Ou seja. Se há mais de um significado. ficam vinculados àquela decisão. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. é necessário que a Constituição seja rígida.

Hoje.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Busca a vontade do objeto interpretado. na constituição. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. A segunda corrente. Portanto. a norma inferior. ao mesmo tempo. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Ex: Brasília é a capital federal. Isso é impossível. Geralmente. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. 73 . existem. Outro ex.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. isso não ocorre.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. num estado democrático. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. essa corrente é chamada de “subjetivista”. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. que busca a vontade da lei. É como se filtrasse a lei. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Hoje em dia. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Logo. Ao se admitir que essa norma é superior. §1º. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. é conhecida como mens legis. . O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. prevalece a vontade da lei. logo é conhecida como corrente “objetivista”. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. de direito previdenciário. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. passando ela pela constituição. há várias tensões entre as normas constitucionais. poderia declarar o art. pois. Na verdade. etc. b) Fim pretendido: . Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. normas superiores e normas inferiores. sendo. Antes.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). 81. Obs. Segundo Kruger. mas. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Em uma sociedade democrática e pluralista. necessário harmonizar esses dois princípios. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais.

III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. ou seja. Eles são muito parecidos. Essa lei. no caso concreto. princípios ou valores. valores. O STF declarou constitucional. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Assim. ele se basearia no princípio da unidade. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. pelo legislador. na hora de se interpretar a Constituição. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. Pode ser usada. Nesse caso. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. 45. qual dos dois grupos tem um peso maior. a integração política e social. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. é necessário utilizar a ponderação. inclusive. O STF analisou 02 casos: a) Art. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. que é anterior à Constituição da República. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. O Juiz irá ver. §1º. Uma existe ao lado da outra. Se ele entrasse no mérito da questão. criando um efeito conservador da unidade. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. O relator indeferiu a petição inicial. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. O que tiver o peso maior irá prevalecer. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Sempre que possível. interesses. e voto pelo CN é a exceção. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. e não em abstrato). se ambos estão consagrados na Constituição da República. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Segundo este princípio. violava a liberdade de exercício de comércio. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. bens ou interesses. as duas normas têm conflito entre si. Abstratamente. Quando se tem uma colisão entre bens. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. O que é isso? É semelhante a uma balança. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. deve-se buscar essa concordância prática. 74 . Ex: voto direto é a norma geral. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles.

Ex: Se tiver na praia. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. até uma compreensão equivocada. para que outros direitos sejam assegurados. poderia fotografar. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. por mais importantes que sejam. na academia. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. O importante é saber que todos os princípios. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. não. às vezes. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada.: a Súm. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. Exs. 75 . Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. do contrário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. 2) relativização da coisa julgada: o STF. ou seja. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. STF não foi abandonada. Caso contrário. não se aplicando para a interpretação constitucional. do trabalho escravo são regras. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. sendo o guardião da constituição. proporcionando-lhes uma força otimizadora. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. e não princípios. cabe ação rescisória (obs.: a proibição da pena de morte. eis que ambos se relacionam. mas também a ratio decidenti. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. 343. não. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. da tortura. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . que contribua para o debate de interesse geral. a privacidade deve ser preservada. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Deve haver uma cedência recíproca. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). Ex. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição.

Este princípio. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. 2) Direito de greve. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. validade é. 5º. a qual significa a realização do direito. Ver no Site Editora Método. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. CR/88 (aplicação imediata). 76 .Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. §1º.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. sobretudo o Tribunal Constitucional. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . . . é também conhecida como eficácia social.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. pois. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior.335/AC. o desempenho concreto de sua função social. .Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). a função social para a qual foi criada. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. . (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. 4.com. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. no Brasil. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Exs. é também conhecida como eficácia jurídica. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.

uma densidade semântica que ele não tinha antes. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. por isso sua importância. uma restrição à liberdade só será possível se. utiliza-se o termo proporcionalidade. Nos sistemas da commum Law. Alegam que a restrição seria desproporcional. Não é o entendimento mais cobrado em provas. ☺art. É um princípio implícito. Assim. 5º. Se o ato for desnecessário. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. à garantia do devido processo legal. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. dentre os meios existentes. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). não está textualmente consagrado. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. do Prof. No Brasil. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. ele tem que ser adequado. Ele está ligado. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Ex. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. utiliza-se o termo razoabilidade. deveria conceder uma autonomia maior. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. apto para atingir o fim almejado. mas apenas como menções. É uma influência do direito alemão. CR. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. em sua origem. não se deve abater pardais com canhões. LIV. será também desproporcional. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. É uma influência do direito norte-americano. 1º. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. Para que um ato seja considerado proporcional. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Na Alemanha. ou seja. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. desproporcional. Ex. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. maiores hão 77 . pois. Para Jellinek. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. ou proibição por defeito. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Há uma outra face desse princípio. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. pode ser chamada de proibição do excesso. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. que é chamada de proibição de insuficiência. 78 . o poder público age aquém do que deveria. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. A face acima exposta do princípio. Nesse caso.

a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Ocorre que todas as constituições brasileiras. Em âmbito estadual. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. proclamação mais ou menos solene. não é norma de repetição obrigatória. dado que. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. laico ou não-confessional. não tendo força normativa. O min. o preâmbulo. É uma corrente intermediária em relação às demais. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. pois. mas no domínio da política. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. portanto. Situa-se no domínio da história ou da política. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. mas é a tese por nós adotada. relevância jurídica. não é componente necessário de qualquer Constituição. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. O nome não é o mais apropriado. Não tem. não existindo. inscritos na Constituição. O que acontece é que o preâmbulo contém. qualquer religião oficial da RFB. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. anteposta ao articulado constitucional. caráter normativo e. Para o STF. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. No Brasil. refletindo posição ideológica do constituinte. com exceção das de 1891 e 1937. Assim. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. 79 . Esses princípios sim. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. de regra. porém. Como se sabe. sendo.. não tem relevância jurídica. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. incidirão na ordem local. portanto. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. apresentado de forma não articulada. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. o Brasil é um país leigo. reproduzidos ou não na Constituição estadual. mais ou menos significante.. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). Não contém. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “.

o bem-estar. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). na ordem interna e internacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. a segurança. pluralista e sem preconceitos. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. a liberdade. o desenvolvimento. com a solução pacífica das controvérsias”. 80 . Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. fundada na harmonia social e comprometida. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Esta é a sua natureza. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Ao estabelecer os valores supremos.

JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. destaca-se a de José Afonso da Silva. apenas 81 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica.: normas que estabelecem imunidades (art. A integralidade. Ela não depende de lei. imediata e integral. Não são a mesma coisa. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. 53). por sua vez. Não depende de regulamentação. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. 95. enquanto não for restringida. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. que poderá variar conforme o seu enunciado. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. §5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. vedações (art. enquanto não for restringida por lei. 128. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . possivelmente restringível ou redutível. que “contenha” o seu conteúdo. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. (É a mais cobrada em provas). dentre as quais. A NEC. §5º). 184. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. é uma NEP? Não. isenções (art. no Brasil. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). Uma NEC. Quando se fala em aplicabilidade imediata. → Normas de Eficácia Contida: O prof. mas admite lei. como se poderia imaginar). P. prerrogativas (art. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. Exs.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada.U. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. O que as difere é o grau desta eficácia.

que dirige os rumos do Estado. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. VII. Ex. em regra.: art. de forma que antes da Lei 9. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.: art. 5º. 37. CR. eis que estabelecem o fim a ser atingido.: art. poderá criar impostos residuais. ela nunca poderia ser restringida. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. A norma constitucional tinha eficácia. 5º. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. Exs. 102. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. Indireta porque depende de uma outra vontade.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. art. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. necessidade ou utilidade pública. XXII. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. O caput do art. ofício ou profissão.: trata de vedações que são impostas aos juízes. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho.). → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. conforme a lei. XII c/c arts. . 22. não há omissão inconstitucional. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. mas não disse quem pode propor. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. mas o seu §1º. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). mas não é uma NEP. segurança nacional.U. é obrigatória. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . A lei não irá restringir o direito. ☺art. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei.por conceitos de direito público (ex. 3°. que não é norma). são NEP (como são as normas dos incisos I. art. 5º. Ex. 9º dá a entender tratar-se de NEP. 95. II e III deste mesmo art. mas pode ser). interesse social. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. Neste caso. 136 e 137). Assim. P. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. Se ela fosse uma NEP. que a regulamente. 82 . 154: a União.por lei (ex. XIII.. etc. etc.por outra norma constitucional (ex. e não quais são os meios para se atingir o fim. se quiser. art. 95). A NEC pode ser restringida: . art. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. PU: União poderá delegar aos estados. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. XXIII e XXIV). mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). e mediata porque depende de alguma condição. . art. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. – ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. 37. etc. caracterizadas justamente por este tipo de norma). quais são os efeitos. 37. . Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado.: ordem pública. As vedações. Não é apenas um conselho.U. que faz parte da mesma norma. VII. e art. 9º. esclarece que trata-se de uma NEC. ☺art.Impositivas: ex.Facultativas: ex. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). VII (direito de greve dos servidores públicos).: art. mas dizer como esse direito será exercido. mas. É indireta ou mediata.

Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Elas são criadas para uma determinada finalidade e. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior.: As NEP. 2º. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. também conhecidas como normas super-eficazes. Por isso não dependem de outra vontade. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Assim. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Ex. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta.: art. uma eficácia negativa (e apenas esta. as Cláusulas Pétreas. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. OBS. exaurem sua eficácia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. ademais. Uma última classificação. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Obs. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Elabora-se uma norma genérica. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. antes da lei ser feita. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Diz que o direito se auto produz. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. mencionada por alguns autores. tem eficácia. Para ela. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. não depende de outros sistemas. ADCT. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. 83 . porque ela não tem eficácia positiva). Marcelo Neves critica essa concepção. pois. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Traduz um sistema fechado. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). São as normas do ADCT. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. imediata e integral). cumprida a sua finalidade.

Quando uma nova constituição é criada. §2º (que fala do Colégio Pedro II. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. caso compatíveis com a nova Constituição. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. por esta teoria. 242.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.: ☺art. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. 2°. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. Faremos o estudo de alguns institutos. e sim como normas ordinárias. Ex. ou seja. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). com o caráter de normas constitucionais. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. Assim. → CR → A.N. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. quando do surgimento de uma nova Constituição. porém. parte final). como normas infraconstitucionais. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. § 1°. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas.N. 84 . serem recepcionadas pela nova Constituição. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. sempre que nasce uma nova Constituição. podendo. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein.P → A. não.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

Assim. dentre outras. com pequenas exceções. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. têm retroatividade mínima. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. vale dizer. também limitado juridicamente). lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. para tanto. que. IV. 7º. IV. 88 .: art. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. deve existir expresso pedido na Constituição. Assim. diante da aplicação imediata. nada impede que a norma constitucional. 7º. c) por outro lado. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. o STF entendeu que. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Como outro exemplo de retroatividade mínima. por regra. como é o caso do art. sendo regra a retroatividade mínima. Contudo. tenha retroatividade média ou máxima. 5º. XXXVI – “lei” em sentido amplo). podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. 51 do ADCT. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). CR. desde que haja expressa previsão. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. vale dizer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. as leis infraconstitucionais. Como se percebe. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. Ex.

Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Em situações novas. assim. os quais estabelecem a sua forma. em um todo sistemático. 4º). pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. estrutura e fundamento (art. o que os coloca numa posição de superioridade. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. como também ao exercício abusivo de certos direitos. 2º). É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. a divisão de seus poderes (art. ao elaborar as leis. pois servem de critério para o legislador que. ainda não regulamentadas de forma mais específica. Sob o ponto de vista dogmático. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. diverso e opostos.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. seja como orientação para progresso da legislação. não só das ações dos poderes estatais. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. Desse modo. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. por conseqüência. é claro. é obvio. da função positiva que 89 . uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. a menos. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Executam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. De uma forma geral. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. 1º). atuando como um limite. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. Dessa forma. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. sobretudo. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. seja como diretiva na solução de casos concretos. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos.

A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). esses conceitos foram se esvaziando. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. No tocante ao Poder Executivo. a Constituição veda. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. 1º. o direito de secessão. aos entes que compõem a federação. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. que reinava de forma absoluta e irresponsável.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. sendo criados novos critérios distintivos da República. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. CR). e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. 34. A baixa densidade semântica. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). quanto para o legislador na elaboração das leis. 90 . O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Com o passar do tempo. I). DF e Município.

mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. a legalidade da Administração. à questão perene da Justiça. não apenas os indivíduos. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. 91 . o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. ainda. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. a vontade popular representada pelo parlamento. ou. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. Em um Estado de direito. sob as circunstancias transitórias. Sob o aspecto material. seja através de representantes. Aqui. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. não é absoluta e ilimitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. No que se refere ao princípio democrático. seja diretamente. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. Em um Estado democrático. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. No Estado material de direito. a independência dos juízes.

no plano interno. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. 92 . Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Todavia. na ordem internacional. independente. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. na ordem internacional. em nenhum momento podem ser colocados de lado. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. Por essa razão. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. No plano externo. a soberania migrasse do soberano para o povo. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. por essa razão. Supremo. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. o indivíduo se sente útil e respeitado. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. por não ter de acatar. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A soberania externa se refere à representação dos Estados. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. uns para com os outros. 6º). é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente.

mas. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. a de opinião. é um princípio básico do liberalismo econômico. 1º). Mais tarde. derradeiramente. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. deve constituir o seu objetivo supremo. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. ao contrário. artística. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. assim. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. III). científica. É ela o valor supremo que irá informar a criação. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. político (art. a profissional. independentemente de autorização de órgãos públicos. 170). a sociedade pluralista é. 93 . 206. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. Por isso. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. uma sociedade conflitiva. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. de reunião e de associação. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a Constituição. Este fundamento é concretizado. conforme os ditames da justiça social. a intelectual. a filosófico-religiosa. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. o que pode levar a divisões irredutíveis. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. com a queda do comunismo. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. a tortura. e. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. por natureza. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 17). o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. I).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. dentre elas. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). cultural (arts. de idéias e de instituições de ensino (art. de interesses contraditórios e antinômicos. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. 3º. Por essa razão. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. salvo nos casos previstos em lei. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. a partir do início da década de 90. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. ainda. justa e solidária (art. de comunicação. partidário (art. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. 215 e 216) e dos meios de informação (art. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. passando a se revestir de normatividade. 220). a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. A escravidão. 170). a sexual. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. Fruto da concepção liberal. a de informação.

uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. mas também a de que o Estado garanta. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. econômicos e culturais. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. Esta acepção. idade. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. mas também dos particulares. possui um caráter positivo. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. moradia. Esta acepção. mas. à dignidade da pessoa humana. Portanto. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). 94 . condição social ou qualquer outro requisito. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. por exigir uma abstenção. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária.) imprescindíveis para uma vida digna. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. dentro dos direitos sociais. Poder-se-ia dizer. mais importante. possui um caráter negativo. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. o acesso aos valores. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. a todo e qualquer cidadão. por outro. ligada ao valor igualdade. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. o que significa dizer que na criação. não apenas por parte do Estado. seja pelo próprio Estado. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. Por outro prisma. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. educação fundamental. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. sua existência material. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. em um primeiro momento. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. seja por terceiros. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). independentemente de usa origem. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. sexo. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. etc. Por isso. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. mas um atributo que todo ser humano possui. Todavia. ligada ao valor liberdade. que seja efetivamente exigível do Estado. Assim. cada vez mais. e. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. em alguns casos. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. Portanto. na medida em que procura representar um subconjunto. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. não como um fim em si mesmo. ou para com a pessoa. menor (minimizando o problema dos custos). o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor.

Já os direitos humanos não possuem essa divisão. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana.direitos políticos (art. basicamente. 6° e 7°). Em sua maioria. . O Estado deve fazer escolhas trágicas. os direitos sociais (arts. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. 5°. devido ao custo de serem prestados. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Enfim. do qual são espécies: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. .direitos individuais. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade.direitos prestacionais: são. 14 e seguintes). consagrados no plano internacional. mas também no art.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. . 12 e seguintes). Visam proteger o valor igualdade. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. igualdade e dignidade. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. consagradas ao longo das constituições. devido à escassez de recursos. . Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. 6º ao 11. são os direitos individuais consagrados no art. que divide os direitos fundamentais em: . os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Em termos materiais. CF/88. 95 .direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. . São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. uma constitucional e uma doutrinária. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Têm caráter positivo e negativo. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. 5°. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. a diferença básica se refere ao plano de consagração. ligados à liberdade. 6° e seguintes). Essa classificação é legislativa. CR/88). Assim.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Em sua maioria. Exigem uma atuação positiva do Estado. São direitos ligados à cidadania. estão consagrados em normas de eficácia limitada. pois surgiram em uma única época.direitos sociais (art. Têm um caráter negativo. portanto. à participação política.direitos à nacionalidade (art. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. .

Como vimos. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. queria que ele respeitasse suas liberdades. 4º. Ou seja. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. então. e a dele é a mais cobrada em concursos). a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. e geralmente em normas auto-aplicáveis.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. da solidariedade entre países ricos e países pobres. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. a imprensa livre e o funcionalismo público. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Os direitos de defesa. Esta é a sua preocupação principal. os direitos prestacionais. direito de comunicação. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. Têm caráter negativo. XX. movimento encabeçado pelo proletariado. como a família. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. exigindo uma abstenção. Estão ligados. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. A 3ª geração. por exigirem uma prestação do Estado. a autodeterminação dos povos (art. CR/88). Exigem uma ação do Estado. 96 . são direitos de caráter negativo. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. à autodeterminação dos povos. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. igualdade e fraternidade (nesta ordem). ao lado da 4ª. XVIII. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. segundo Jellinek). alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. São chamados direitos civis e políticos. pois. e estas gerações coexistem atualmente. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. das gerações. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. diante da necessidade de cooperação. Vejamos quais foram as gerações. portanto. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. ao desenvolvimento ou progresso. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. por exigirem uma abstenção. Não houve substituição de uma geração por outra. São basicamente os direitos individuais. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. econômicos e culturais. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Por isso. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. de 1789: liberdade. → Igualdade: Direitos Sociais. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Obs. já os de 2ª geração não. Tais direitos têm caráter positivo. Exs: direito ao meio ambiente. enfim. sobretudo de princípio programático). Têm como objetivo. São considerados basicamente como direitos coletivos. diretamente à igualdade material. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade.

econômico. inclusive das minorias. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. o prof. 97 . em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. conserva nossas identidades. à informação e ao pluralismo (D.: quanto ao direito à paz. Paulo Bonavides. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. Ou seja. são direitos difusos). A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. → Globalização: direito à democracia. Afora esta peculiaridade. esta alteração não foi feita em seu livro. na mesma disposição constitucional ou legal. o direito a adoção. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Esta geração de direitos advém da globalização política. em defesa dos direitos. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. artístico. que alguns dizem trazer os direitos à internet. estas as garantias. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Em uma ponderação. Por isso o direito à democracia é tão importante. um pluralismo ideológico. mas há divergências na doutrina quanto a isso. de conteúdo). por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Os argumentos contrários a esta união. Aquelas instituem os direitos. ocorrendo não raro juntar-se. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. como os previdenciários. V.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. 1º. que são as que.). ☺ADPF 132. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. Quem tem o papel contra-majoritário. as disposições assecuratórias. um pluralismo cultural.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. São também direitos transindividuais (em sua maioria. a fixação da garantia. os direitos de família. ele tem uma importância muito grande. de ideologias políticas e partidárias. caso violados. que seria a vontade da maioria. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. traz direitos ligados à pluralidade. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. outros são difusos).P. Ele abrange um pluralismo religioso. com a declaração do direito”. Ex. quiçá quanto a 5ª. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. Ao lado da vontade da maioria. Assim. limitam o poder. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. ao analisar a Constituição de 1891. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração.I. Ou seja. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. Porém. as demais características são tratadas pelo prof. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. CR/88). Ele preserva. etc. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. de orientações sexuais. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Quando se fala em pluralismo político. Além desse aspecto. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). e isso acaba por prejudicar as minorias.

é inviolável a liberdade de consciência e de crença. Deve-se observar. . . HD. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.: HC. portanto.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). havendo. Obs. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. . coarctando. Nada impediria. Normas positivas. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. .Universalidade: destinam-se. . a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. a todos os seres humanos. 5º. Contudo. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. muitas vezes. confronto. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. ilegalmente preso. ou magistrado. como é o caso da ação popular. que só pode ser proposta pelo cidadão. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Isso porque. Exemplos: . no caso concreto. emite uma opinião (direito de opinar). os estrangeiros não residentes. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. são indisponíveis. uma vez consagrado o direito. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . . .Inalienabilidade: como são conferidos a todos.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. XXXVII.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente.Historicidade: possuem caráter histórico. como é o caso. 5º. etc. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.. 98 . se o direito garantido não possui alguma especificidade. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. Se são sempre exercíveis e exercidos. decidir qual direito deverá prevalecer. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. O caput do art. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. ou caberá ao intérprete. os apátridas e as pessoas jurídicas. conjugando-a com a sua mínima restrição. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. nascendo com o Cristianismo. é claro. juntamente. de modo indiscriminado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. por ex. mas nunca a sua renunciabilidade.: direito de propriedade versus desapropriação).). na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. através da interpretação sistemática. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e.direito ao juízo natural (direito) – o art. no caso concreto. quando. ainda que não individualistas. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). conflito de interesses.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício.

). Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). mas o pressuposto do qual ela parte). alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. analisando caso a caso. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. fática e juridicamente. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Assim. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. etc. No entanto. então. causando uma desfiguração no direito privado. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. ordem pública. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. então. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. Não se admitiria. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). só trazendo relações entre o Estado e o particular. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. §1º. §1º. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. mas. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. Posteriormente. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. não dependendo de legislação. pois. 99 . os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. para isso. 5º. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. 5º. fala-se. Ingo Sarlet afirma que o art. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação.

243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. através de princípios.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.RE 201. Segundo Virgilio da Silva. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.00 para R$ 86. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Assim. 249.RE 160. . etc. como a segunda. muito abertos. ainda que esta regulamentação não exista. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. . Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. A autonomia da vontade requer tal ponderação. Se não houver uma previsão expressa na lei. a aplicação será indireta. Em contrapartida. Determinação de observância do Princípio da isonomia. houver uma desigualdade fática. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Se. que não adota essa teoria).222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.858. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. a proteção tem que ser maior. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares.RE 158. . Mas. contrato de adesão.700.: empregado e empregador. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.) . . para que os princípios pudessem ser concretizados. isso poderia causar uma série de problemas. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.HC 12. Para a realidade brasileira. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. mas ainda não há decisão quanto a isso.*RE 161. e. Ainda se trata de uma questão muito nova. não sendo necessária uma intermediação legislativa. no entanto. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. devendo sobre eles prevalecer. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. mesmo realizando atividades idênticas. O juiz. A jurisprudência. E como os princípios são muito vagos. de uma forma geral. se exteriorizam. tão somente pela falta de previsão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Segundo esta teoria. quando há uma relação de igualdade real na relação. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.243/DF. Espanha e Portugal.24. Os DF são expressados. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. .321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. em geral. . Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.RE 175.☺RE 161. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. esta teoria seria a mais adequada. é possível a sua aplicação com base na Constituição. mas.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).Resp.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . então. Deve-se aplicar tanto esta teoria.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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5º. um outro direito fundamental. também não pode ser renunciado. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. à igualdade. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário.: esta segurança que o art. III e art. 1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. Porque o direito à vida é irrenunciável. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. ☺art. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. 128. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. por óbvio. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. é. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. A renúncia é definitiva. não há uma renúncia definitiva. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. não há que se falar em não exercício). ☺art. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Nos 78 incisos deste art. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Quanto ao caso do aborto sentimental (art. II. 5º. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. O direito a vida. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. caput. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Este pode ocorrer. No caso do big brother. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. XLVII. Por isso. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. 5º. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. 170. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. como DF é pressuposto dos demais direitos. Esta questão é bastante clara. pois a vida é uma direito irrenunciável. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. pois. CR. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Há dois entendimentos: 104 . abre-se mão temporariamente à privacidade. à liberdade. à segurança e à propriedade. um caso constitucional de violação de direitos. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Obs. CR/88.

ela é a única ação de controle abstrato cabível. por isso. por 7 votos a 4. entendeu que. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. o feto não tem a menor chance de sobrevida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. mas de modo geral). não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. II.Direito à privacidade: 105 . Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Para o direito brasileiro. em razão do risco de morte intra-uterina. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. além de colocar em risco a sua própria vida. é relativo. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. sabendo que ela vai morrer. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). CP não teria sido recepcionado pela CR. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. portanto. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. O STF. e. segundo Canotilho. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o Estado não deve impor condutas externas imperativas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. o STF não estaria legislando. OBS. já que na época em que foi feito o art. nas quais não se tem uma opinião moral definida. não haveria vida. assegurando a autonomia da vontade. Se há dois argumentos defensáveis. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. a vida termina com a morte encefálica. A questão ainda está sendo discutida no STF. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. insuficiente para a proteção do direito. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. já que o CP é anterior à CR. discutida na ADPF 54. E o direito à vida. a morte não decorre do aborto. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. é uma forma de tortura psicologia. Nos EUA e na França. sem o sistema nervoso central. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. mas sim interpretando a CR/88. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. Se isso fosse possível. Ademais. 128). como todos os outros. 128. então. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. mas sim da acrania. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. . 3) dignidade da pessoa humana. 128 (em 1940). quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. o art.

Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. veremos cada um separadamente. em seguida. que se subdivide em: intimidade. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. são direitos independentes. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Ex: policial federal recebendo dinheiro. 5º. 1. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. CR. é a esfera da vida privada. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. histórico. de uma forma geral. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. pois há uma excludente de antijuridicidade. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Proteção da honra e da imagem. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. Ainda que não afete a honra. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Se tiver gravado um crime. Esta é excludente de ilicitude. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. O agente público. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. O direito de liberdade é maior. Há decisões judiciais onde muitas vezes. a gravação é considerada lícita. sobretudo. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. sobretudo. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. contra um estelionatário. a restrição é legítima. X. É vedada pelo art. X. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. quando pratica um ato na condição de agente público. CR. Ex: matérias de interesse público. Não há que se falar em colisão. Ex: Radares eletrônicos. Questão de Concurso: Gravação clandestina. por exemplo. 106 . não há violação à privacidade. 5º. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. no art. Ex. Numa gravação clandestina. não tem privacidade. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. etc. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. a imagem pode ser usada num processo. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. No entanto. contra um chantagista. vida privada. o direito à imagem foi violado. Nesses casos é vedada a gravação como prova. científico ou cultural. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. É gênero. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Será considerada prova lícita. os princípios da moralidade e da publicidade. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. maior a proteção a ser dada. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. O prof. Nesses casos. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Ao realizar essa ponderação. ela é ilícita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. O direito a privacidade está consagrado. na verdade. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Mas. Então. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Se filmar uma passeata. uma gravação feita clandestinamente. Neste caso. a honra e a imagem das pessoas. Logo. Em regra. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. quebra de sigilo e interceptação telefônica.

A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Quem pode é só o juiz e a CPI. Dentro dela. § 3º. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. 2°) admite. essa decisão foi para um caso específico. Dentro do próprio STF há divergência. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. por enquanto. fiscal e telefônico. 5º. No entanto. 5º. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Tem uma decisão do STF muito comentada. por ex. O inciso X impede a gravação clandestina. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. De acordo com o art. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. ele não pode requisitar diretamente. já que não existe poder judiciário municipal. não há decisão do STF. Na Itália. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. 2. E o Ministério Público? Segundo o STF. ainda que não seja sigilosa. deve ter uma certa salvaguarda. naquele caso específico. a duração da chamada. Essa declaração. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. de um cd room. CR. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Essa exceção só confirma a regra. que é uma exceção a essa regra. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. como havia verba pública envolvida. Se ele quiser. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. outros entendem que não há proteção. 58. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Além do juiz. o BB poderia quebrar o sigilo. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. fiscais. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. divulgaram todas as declarações na internet. O STF decidiu que.: Podem existir várias outras exceções. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Os jornais publicaram essas declarações. XII. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. XII. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. São poderes instrutórios. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. em ação cível originária. mas na decisão acima houve discussão a respeito. falaremos da interceptação telefônica. O prof. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode.). está em vigor. O Min. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. outros dizem ser pelo art. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. 107 . Quanto às CPIs municipais. não poderá quebrar sigilos. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. informáticos. A lei. 5º. etc.. Quando se quebra o sigilo telefônico. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Ex: extrato de conta corrente. às informações constantes na declaração de imposto de renda. com base no princípio da simetria. Quando a CR fala em “poder de investigação”. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). 3. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. X.

já que protege-se a liberdade de comunicação. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Pois. XII. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). em determinadas hipóteses. neste caso. No entanto. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. não estaria protegido por esse dispositivo. Na prática. Ela deve ser usada para situações excepcionais. 5º. o sigilo poderá ser violado. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. a Constituição não estabelece qualquer requisito. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. 5º. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. a liberdade de comunicação. será gravação clandestina. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Se um souber. Na interceptação. protege a liberdade de comunicações. Porém. Ela protege 4 formas de comunicações. X. mas foi feita por um terceiro. Nessas hipóteses. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Então. segundo o STF. Para o STF. é equivocado. seja pelo art. protege-se apenas a liberdade de comunicação. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Não são admitidas para outras finalidades. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. os dados de informática em si não estão protegidos. por uma terceira pessoa. O STF entende que com base o art. também protege a privacidade. Com relação ao sigilo de dados. O art. 5º. pode haver restrições às comunicações telefônicas. o STF tem um entendimento que. abrem-se todas as correspondências. Se um souber. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. 5º. Para o prof. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública.. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. Em relação a essas. Além dessas duas hipóteses. seja pelo art. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. segundo o prof.. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Aliás. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. durante o estado de defesa e o estado de sítio. será interceptação telefônica. mas. sobretudo. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Em relação à comunicação epistolar. Para o prof.. Mas isso não é a posição do STF. Quando se falou do método tópico problemático. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. XII. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”.

qualquer pessoa pode entrar. LXI: possibilidade de prisão. LX: sigilo imposto a processo judiciário. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. não há falar em violação de domicílio. 5º. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. vejamos: a) Art. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Vejamos as situações: 1. c) Art. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Com o consentimento. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. violado. imagine numa situação normal. Com relação à inviolabilidade do domicílio. • Prestar socorro 109 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Essa decisão foi recente (☺MS 27. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. Ex: crime dentro de uma residência. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. o Min. Se numa situação excepcional. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. XI: violação de domicílio. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”.483 – medida cautelar concedida nesse MS). XII. nesses casos. d) Art. a polícia pode entrar. Durante o estado de defesa. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. 5º. O professor acha que há certo abuso neste caso. A Constituição trata de 2 situações distintas. XII: interceptação telefônica b) Art. salvo o flagrante delito. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. e mais ninguém. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Se houver o consentimento. Na jurisprudência do STF. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. por nenhuma outra autoridade. essa lógica tem sido invertida. 5º. 2. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. 5º.296/96. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Pode ser que com os abusos recentes. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. CF/88. Então. prorrogáveis por mais 15). Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Ela deve ser o último recurso. Sem consentimento já é diferente. pode determinar a prática desses atos. Art. seja durante o dia seja durante a noite. Nesse artigo. se houver o consentimento de um dos moradores. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Somente o juiz. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Além disso. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. devemos analisar 2 situações diferentes. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. 5°. Nem mesmo CPI. Como é o meio mais fácil. Segundo o STF. e não pelo dono da casa. Ou seja. Recentemente. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. a entrada deve ser permitida pela empregada. nem a CPI.

entra no conceito de casa. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Na maioria dos casos. pois se respeitar também o critério cronológico. se estiver vazio. não entra em conceito de casa. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. 3. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Então. seja do dia seja da noite. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Se entrar com o uso da força. E o carro? O prof. É utilizado por JAS. não poderá mais entrar no domicílio. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Ele deve dizer “aqui você não entra”. por serem situações emergenciais. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. compartimentos habitados. compreende escritórios. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. mais adequado. propõem uma utilização conjunta desses critérios. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. entre outros aposentos. porque a noite é o período de descanso. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. 150. Quando o sol nascer é dia. Só que o STF já proferiu decisões. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Alguns autores. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. ☺Art. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. na parte em que o público tem livre acesso. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Entra no conceito de casa. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. estabelecimentos comerciais e industriais. prevista no dispositivo. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Se houver o consentimento do morador. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. mas dos vizinhos também. a prova colhida será considerada ilícita. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. 2. não entra no conceito de casa. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). não só dos moradores daquela casa. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. onde o caminhoneiro dorme. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. consultórios. hoje. que traz uma conceituação bastante extensiva. a prova é lícita. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Ex: parte de trás do caminhão. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Segundo o entendimento do STF. mais tradicional. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. CP. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. entre eles Alexandre de Moraes. Segundo ele. 110 . quando o sol se põe é noite. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso.

O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. é necessário que ele seja: 1. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. discriminatório. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. 5º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. em situações diferentes. justifica-se a altura. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Se o critério não for objetivo. Mas. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. 111 . Uma vez dentro do estabelecimento. da constituição. Não irá fazer concurso para homens participarem. Razoável 3. Nestes casos. pois viola o princípio da isonomia. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Ex: critério preconceituoso. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. XXX. razoável e proporcional. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Para esses casos. 7º. Objetivo 2. idade. Esse critério não é nenhuma discriminação. Quando se fala em princípio da igualdade. cor e estado civil. Esse critério é razoável. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. XXX. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Para que o critério seja constitucional. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. CF/88. ele não estará de acordo com o fim consagrado. não significa que a lei não possa fazer distinções. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. 7º. 2. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. CR. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. É a que está consagrada no caput do art. arbitrário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1.

As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. mas é necessário analisar uma série de fatores. Não é uma forma de resolver o problema. acha que esse argumento não convence. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. igualdade e fraternidade. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Visa uma redução das desigualdades fáticas. 3º. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. aconteceu o contrário. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Então. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). pode ter as mesmas condições de outra pessoa. essas ações são constitucionais. 112 . Criaram-se outras ações afirmativas. por exemplo. Isso é igualdade formal. mas na Constituição Indiana em 1947. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Mas. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. mas reduzir as desigualdades existentes. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Essas ações não surgiram nos EUA. Segundo JAS. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Para outros autores. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Como uma pessoa que não teve acesso à escola. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. para tentar reduzir as desigualdades. Em princípio. Dificilmente. A cota deve ser proporcional à população. O prof. não haverá uma igualdade real. pois elas criam uma discriminação reversa. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. o critério discriminador seria desproporcional. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. e os desiguais de forma desigual. O prof. utiliza-se das ações.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. surge a questão relacionada às ações afirmativas. 5º c/c art. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Porém. Ex: Cotas para pessoas carentes. Ex: Alíquotas de imposto de renda. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Quando se fala em igualdade material. Se o Estado não proporcionar esses direitos. essas ações deveriam existir por 10 anos. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. e prolongaram as que já existiam. Para o professor. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. disse que está ligada à igualdade material. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Quando se fala em igualdade material. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. ☺art. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . No caso da Índia. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. e não à igualdade material. seria igualdade material. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. A tendência é que elas aumentem. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais.

medida imediatista e inapropriada. Apesar de ser uma relação entre particulares. . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. Juridicamente falando. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. .princípio da isonomia (discriminação reversa).fomenta o racismo e o ódio racial . não sendo necessária essa distinção. O problema é com relação à subjetividade do critério. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.Poder Legislativo. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . seja pelo governo. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. atinge todos os poderes públicos . mas também para quem irá elaborar a lei. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada.em uma sociedade pluralista. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. 208.fere o mérito. . seja por particulares. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. aberta. Poder Executivo e Poder Judiciário). previsto no art. . Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. de saúde. 113 .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . Argumentos contrários: .favorece negros de classe média alta. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. Então. . cientificamente falando. mas eles não tiveram oportunidade de escola. No Brasil. Eles foram libertados. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. quando se fala em destinatários. sem exceção. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. . Portanto. CF/88. miscigenada e multicultural.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . Isso é uma questão de política pública. Eles não têm apenas a eficácia vertical. visa compensar uma dívida histórica. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. . Além dessa eficácia. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. pois já faz parte do próprio critério republicano. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. são destinatários do princípio da igualdade. tolerante. A justificativa parece não ser inconstitucional.Eficácia vertical: todos os poderes públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.

ela pressupõe responsabilidade. ele deve licitar. O homem não é a parte mais frágil da relação. segundo o professor. mas apenas para as mulheres. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. para outros teria. Para alguns. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. a lei pode estabelecer distinções. IV. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. CPC – ação de alimentos. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. em regra. sendo vedado o anonimato. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. desde que seja para atenuar desníveis existentes. O particular não é obrigado. É livre a manifestação de pensamento. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Ex: art. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. ela exerceu o seu direito. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. ela é constitucional. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. não deve ser estendida para os homens. Basta ser um critério objetivo e para todos. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Pode defender no plano das idéias. 5º. É constitucional? Sim. discriminatórias. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Ex: Lei Maria da Penha. Logo em seguida. Por que a Constituição. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. etc. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Não é um direito absoluto. Se a pessoa agiu de forma abusiva. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. 100. Questão de Concurso – Cespe: No art. Não existem direitos absolutos. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. é outra questão. Apologia ao crime é diferente disso. Ex: Passeata para legalização da maconha. 5º. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Logo. Protege a mulher. ela pode ser responsabilizada.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Mas. o problema é dele. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. não teria sido recepcionado. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. e violou direitos de terceiros. de expressar o pensamento. Isso significa que. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. I. As provas 114 . Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. em princípio. Se o sujeito será responsabilizado ou não. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. É uma denúncia feita anonimamente.

de crença e de culto. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. inclusive em lugar aberto ao público. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. CR. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Porém. Não se pode admitir que o parlamento. 2. 5º. Vejamos: 1. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. há 02 hipóteses em que o STF admite. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. A religião desempenha um papel fundamental. o equilíbrio das religiões. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Pode fazer um exame grafotécnico. 2. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. Ex: seqüestrador escreve bilhete. abrangendo a liberdade de crença. O culto pode ser exercido em qualquer local. 3. Garantir a simetria da liberdade religiosa. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. desde que não viole o direito de terceiro. A liberdade de consciência é a mais ampla. I. houve a total separação entre Estado e Igreja. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. ele não pode ser admitido. pedindo resgate. de ter crença. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. apesar de a maioria da população ser católica. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. não é o caso do Estado brasileiro. com o advento da República. CR. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. então. ela deve ser protegida. e. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. por exemplo. Isso significa que. O Estado deve manter-se neutro. 19. O dever funcional da autoridade é investigar. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. → Alguns temas polêmicos: 115 . No Brasil não há uma religião oficial. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Para Habermas. Os templos recebem uma proteção especial. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Esta liberdade está consagrada no art. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Em relação ao culto. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. desde 1989 (advento da República).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). se não há qualquer identificação. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Quando são produzidos pelo próprio acusado. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. VI. ainda 2. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. ou de não ter crença em nada. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. O Estado brasileiro.

. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. VIII. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. a escola não deve impor ao menino. a competência é da União. Entretanto. O tribunal. . Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. o argumento supracitado não está correto. §1º. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Pode um ateu. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. 215. Para o prof. CR). não poderia ser confessional. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. a competência é em relação à cultura. São feriados puramente religiosos. e cultura é competência comum – da União. . CR. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Entretanto. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. Há um trecho do livro do Dworkin. CR). imagine uma cidade pequena. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. estados e municípios (☺art. §2º. ocorreu um caso muito semelhante. Neste caso. É importante respeitar o ensino de cada um. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . políticos e religiosos. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. fazendo uma ponderação entre os princípios. Segundo o prof. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. que odeia guerra. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. logo. 5º. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Na Alemanha. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais.. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Mas. então. são culturais. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. e não à justiça do trabalho – ☺art. 210. os argumentos religiosos não fazem parte da política. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Não teria sentido acabar com esses feriados. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Portanto. 23. O 116 . Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. inegavelmente. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. há algumas ações. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. a neutralidade do Poder Judiciário.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. onde se tem poucas escolas boas. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa.

Quem fará a tradução não é a Igreja. CR. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. mas direitos individuais de expressão coletiva. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. por sua vez. 15. então. Criação de associações e. 5º. Não cumprindo com a obrigação. JAS diz que não são direitos coletivos. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. ainda. CR. mas os políticos. elas vão embora. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. ☺ art. (Não pode reunir pessoas armadas. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Para que as pessoas possam se reunir. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Segundo Jean Rivero. de cooperativas. etc. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Ex: reunião de condomínio. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. CR: Não é só a liberdade de se associar. Criação de partidos políticos. O prof. mesmo que em locais abertos ao público. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. terminada a reunião. conforme portaria da ANVISA. 5º. Liberdade de reunião. não são os religiosos. Ex: fazer segurança. essa hipótese é de representação processual. 3. A pessoa alega imperativo de consciência. XXI. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. XVII e XXI. desviar o trânsito. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. as pessoas se reúnem e. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Há. IV). Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. XVI.) 2. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. 5º. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. Se não houver essa lei. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. 5º. tem o caráter permanente. XVI. Ex. 4. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Criação de sindicatos. mas a de permanecer associado. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Caso não cumpra com a prestação alternativa. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Por que a CR exige prévio aviso. ☺art. o argumento deve ser racionalmente justificado. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. não é necessária a autorização estatal. A República é o governo das razões. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. A associação. na forma da lei.

como a Constituição garante o direito de propriedade. Segundo JAS. Segundo o STF. XXIII. segundo o prof. a propriedade terá uma proteção menor. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. se não for atendida. mas não pode ajuizar ADI. Segundo o STF. A associação impetra em nome próprio. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Segundo ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. o direito de propriedade pertence ao direito público. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). por exemplo. CR) quando ajuíza uma ação. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. é mais correto. ilegítimas. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. Ela só garante o direito de propriedade. não são legítimas essas invasões. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. III. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. portanto. 5º. a função social. ADC e ADPF. pode ser dada numa Assembléia Geral. Há um outro entendimento que. LXX. 5º. em seu art. É o entendimento de Daniel Sarmento. 118 . essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). Em seguida. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Só pode representar se houver autorização expressa. Se ele tem proteção. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Função Social da propriedade: A CR. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade.. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. mas sim contrárias ao direito e. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. O sindicato (☺art. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. não pode existir mais de uma federação por território. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. ☺art. 8º. no seu art. O que acontece é que se não cumprir a função social. 2. XXII. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). 5º. ter um patrimônio mínimo. garante o direito de propriedade. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. mas faz parte da estrutura desse direito. do próprio regime desse direito. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. tendo um menor peso na ponderação. A Constituição não garante o direito à propriedade. Segundo o STF. segundo o qual. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. não precisando de autorização expressa. Ex: Invasões de terra pelo MST. segundo o prof. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. não impede que o direito de propriedade seja protegido. defendendo direito alheio. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical.

A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Para atender a função social. IPTU progressivo no tempo. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social).000 habitantes (§1°). ele não poderá ser prejudicado. por utilidade pública. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Propriedade Urbana: ☺art. É um aspecto lógico. XXV) e as militares (☺art. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. No caso de requisição. deve haver indenização? Não. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. a saber: a. Vejamos abaixo. deverá ser em dinheiro. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. A função social. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. b) ☺ art. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. normalmente. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . 5º. a indenização será sempre posterior. Desapropriação: Diferentemente da requisição. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. na desapropriação. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. há uma transferência compulsória da propriedade. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. justa e. Ex: caso de Eloá. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. 186. etc. A polícia requisitou determinadas propriedades. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. 2. Sempre que há requisição. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. CR. que deve ser prévia. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. 182. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. VII). Além do caráter absoluto. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 139. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. ou por interesse social. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Vejamos: a) ☺art. Sempre haverá indenização. restringe o caráter absoluto. 184. Os principais aspectos são 2. a saber: por necessidade pública. CR. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Como haverá indenização se houver dano. indenização por títulos da dívida pública). O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. como um apartamento. Logo. em regra. 182. como decorrência do primeiro. diante de uma emergência. só haverá indenização se houver dano. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. o proprietário não tem culpa. §4º. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Na requisição. mas sobre a propriedade em si. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. CF/88: Trata-se de imóvel rural. b. Propriedade Rural: ☺art. §2º. por ser inerente ao direito de propriedade. uma escola pública.

2. CR). Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. Requisição Refere-se a bens e serviços. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). parágrafo único. não há pagamento de indenização. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. É sempre indenizável (justa.). o imóvel deve ter. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). Usucapião: Na Constituição da República.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. em Indenização posterior se houver dano. . Para esse fim. 243. .CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. §3° e art. paga em dinheiro). §5º. não podem ser adquiridos por usucapião. 250 m2. Obs. Confisco: No Brasil. sejam urbanos ou rurais. Só não podem ser para fins de reforma agrária. regra. 184. 185. não precária. Só que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O confisco de propriedade está previsto no art. A Constituição não permite – ☺art. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. é porque ela está cumprindo a sua função social. 183. . Necessidades permanentes da sociedade. Necessidades transitórias. etc. os bens serão confiscados – art. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. 3. São imunes a impostos (☺art. por ter prazo menor.: Imóveis públicos. . admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). 50 hectares. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Na CR.o morador não pode ter outro imóvel. sem oposição. 243 da CR. Se ela é produtiva. ininterrupta. 191. possuir o imóvel como se fosse seu. Como o confisco é uma sanção. seja urbano ou rural. emergências da sociedade. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. prévia e. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Nesse caso. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. Se ele tiver outro imóvel.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. CF/88. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. precisa recorrer ao judiciário). É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). PU. no máximo. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). 5º. 120 . no máximo. CR). Vejamos: .Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). pacífica.

5º e no art. a saber: 1. é necessário diferenciar duas situações.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. 3. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . 2. No direito penal. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Todas as demais o consagraram. interpretando a lei da maneira (A). XXXVI. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. etc. A garantia existe para a proteção desse direito. XL. outros a interpretavam de maneira (B). 5º. não era muito democrática). tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. a regra também é a não retroatividade (art. Em resumo. Em regra. na verdade. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Durante a vigência desse contrato. A lei interpretativa retroage. Esta hipótese é. a CR/88 entrou em vigor. inicial. 5º. Para responder a essa questão. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Seria correspondente à primeira hipótese. Alguns a interpretavam de maneira (A). não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. mas deve respeitar a coisa julgada. só que exclusiva para o direito tributário. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. a lei interpretativa retroage. As hipóteses mais importantes são: 1. é uma conjugação das duas anteriores. mas que vale especificamente para o direito tributário. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. autônomo. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). média e mínima. desde que seja mais benéfica para o réu. ato jurídico perfeito e coisa julgada. 106. b) Retroatividade benigna. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. CR). Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Retroatividade da Lei Penal.

Ex. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Se a Constituição atingir essa prestação. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Não pode haver a redução. interpreta a lei em sentido amplo.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. A EC poderia prejudicar direito adquirido. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Havendo mudança de regime jurídico. As parcelas podem ser reduzidas e. será necessário que a Constituição diga expressamente. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Só que para haver essa retroatividade. 2. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Na retroatividade máxima. através de norma de eficácia plena. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. ela afeta a todos. não há posição prevalecente. a Constituição da República entrou em vigor. haverá uma retroatividade média. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. É claro que isso não é desejável. porque geraria uma insegurança jurídica. Após a Constituição de 1988. O prof.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. extintas. É o ato que está apto a produzir os efeitos. automaticamente. . Nesse caso. dirige-se apenas ao legislador ordinário. de acordo com a legislação da época. Ex: Determinada prestação. haverá uma retroatividade máxima. É claro que isso não é desejável. coisa julgada e ato jurídico perfeito. e não as parcelas que compõem o vencimento. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. no caso de retroatividade mínima. STF. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. em regra. 654 e Súm. portanto. . . Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Só que para haver essa retroatividade. inclusive as de ordem pública. . Portanto. e não o ato exaurido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. mas isso está superado. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. 5º. e não lei em sentido restrito. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. 473. até mesmo. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. mas as leis não. → Coisa julgada: 122 . Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Antes de a prestação ser paga. porque geraria uma insegurança jurídica. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. ☺Súm. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. b) Retroatividade média: pode ocorrer. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Se mudar o real.

CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Em cada época. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. segundo Robert Alexy. No art. à medida que a sociedade o determine. são NEL (de princípio programático). . o que significa que possuem um caráter positivo. Assim. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. como doutrinador. como teórico do direito (ou seja. 7º. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. geralmente consagram seus direitos em textura aberta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Dirley Jr. por ex. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. b) o art. do seu enunciado. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. em sua maioria.: salário mínimo). O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. pois são mais facilmente implementados. Mas isso não é verdade. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. e pelo Min. §1º. em regra. Ou seja. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Já os direitos sociais. 5º. . Os direitos de defesa são. de sociedades pluralistas. para dar decisões concretizando tais direitos. ambos eleitos pelo povo de forma democrática.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Por isso. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. 5º. Eficácia: todo direito tem um custo.☺art. Os princípios. e não propriamente como ministro). Eros Grau. são mandados de otimização. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. A administrativa não tem essa proteção. consagrados em NEP ou NEC. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria.. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. §1º. exigem uma atuação positiva do Estado. mas é apenas a coisa julgada judicial. independentemente de qualquer fator. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. 2. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. ou seja. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Direitos Sociais: 1. 5º. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. nós deveríamos interpretar o art. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. e isso para muitos é um ponto negativo. independentemente da sua natureza. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos.

Esses direitos sociais não teriam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . lazer. por ex. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. em tese. A visão do juiz é bilateral. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. por ex.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. normatividade. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. educação. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. que estamos buscando. todas. essa atuação talvez não seja tão justa. Portanto. segurança. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ..Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Assim. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. doutrinador do RS. trabalho. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. legítimas (saúde. Norma de direito social não gera direito subjetivo. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. é importante definir tais critérios. rodovias. . etc. Obs. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos.). Pedro Taques). assim. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Como têm apenas eficácia negativa. quando foi dado um maior papel ao PJ. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ.). causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. pois. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Por isso. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. Esse entendimento já foi superado. as normas possuem uma textura aberta. Primeiramente. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. previdência. Argumentos contrários à intervenção judicial: . pois. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. implicitamente.000. não geram direitos subjetivos. Quando se fala em direitos sociais.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. 3ª fase: é a fase desejável. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. O que se busca. . por ser norma programática. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. Em outros lugares. só porque recorreram ao PJ.000.

Os direitos sociais estão consagrados em normas. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Se não se estabelecer os critérios. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). De se ver que quando se fala em direitos sociais. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. . A reserva do possível. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso.Déficit democrático das instituições representativas. . saber se a demanda é razoável. eles acabariam sendo inviabilizados. não se encaixaria na realidade brasileira. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Se um poder se encolhe. 125 . sufrágio universal. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. Não é o entendimento que prevalece. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. É preciso. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. Esses argumentos são os que devem prosperar. e é muito utilizada no Brasil. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. . eleições periódicas. em 1972. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. por isso. Assim. no que diz respeito aos direitos sociais. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. entra-se muito nas questões ideológicas. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.A democracia não é apenas vontade da maioria. mas a todos que se encontrem na mesma situação.Caráter normativo da constituição. inclusive a minoria. teríamos a maior utilização das ações coletivas. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Mas. em razão das limitações orçamentárias existentes. ou seja. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . a democracia tem também um aspecto substancial – todos. o outro cresce. Ademais. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. em razão do Princípio da Igualdade. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado).“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. segundo Ingo Sarlet. pois.

Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal.. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Vejamos: 1. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. . O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. da liberdade material e do princípio do estado social. maior o risco de não ter efetividade. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. por ser necessária para a 126 . a questão da efetividade será prejudicada. que existem z pessoas na mesma situação.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. assistência em caso de necessidade. Ou seja. mas deve também ser provada. A efetividade passa pela sociedade. em 1953. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. que é a corte suprema na Alemanha. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Por que falamos em “mínimo”. que a demanda custa y. Assim. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. . etc. pelo cumprimento voluntário da constituição. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. depende de cada época e de cada sociedade. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. precisam ser concretizados. 2. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Segundo Ricardo Lobo Torres. mas teria um peso maior na ponderação. Se não definir o conteúdo. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. em razão de sua textura aberta. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Não é o máximo desejado. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. é o entendimento mais adequado. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Segundo o prof. Segundo Ana Paula de Barcellos.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. educação e moradia. é o mínimo existencial. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. saúde. No Brasil. essa concretização. Outros autores já falam apenas em saúde. quando se estabelece o mínimo existencial. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof.

2) posicionamento de um autor português. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. da dignidade da pessoa humana. já dizia algo muito semelhante. passaria a fazer parte do próprio direito social. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. segundo ele. consciência coletiva. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. língua. Segundo ele. costumes. Ex. o que prejudicaria a sociedade. Os poderes públicos. não pode haver uma redução dessa concretização. de acordo com a necessidade. da máxima efetividade (art. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. 127 . entre eles: laços culturais. Há dois posicionamentos quanto ao tema. assim. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. fala-se em vedação do retrocesso social. haveria um engessamento do legislador e do PE. Ele tem. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). Por isso. só ampliado. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. CR). A partir do momento que um direito social é concretizado. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. §1º. Todos que moram no Brasil. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. ao estudar as normas de princípios programáticos. População está relacionada ao conceito demográfico. históricos. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. JAS. que significa nação. pois. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. e. haver uma redução do grau de concretização. um pensamento mais flexível sobre o tema. e do Estado Democrático e Social de Direito. 5º. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. estatístico. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. fazem parte da população brasileira. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. independentemente da nacionalidade. esse prazo não pode mais ser reduzido. Pode. irão concretizar os direitos sociais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito.

c. 12. Neste caso. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. não há direito público subjetivo. II) Naturalização expressa (art. Obs. os pais têm que ser brasileiros. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. . De acordo com o critério sanguíneo. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. não haver condenação penal e requerimento do interessado. a). §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. Refere-se aos brasileiros naturalizados. CF/88. Pelo critério funcional. considera a nacionalidade dos pais. de acordo com o art. II) Jus Sanguinis: ascendência. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. 12. se não se manifestarem contrariamente. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Se o casal estiver a serviço de outro país. I.815/80. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. há direito público subjetivo do estrangeiro. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. A EC 54 alterou o art. 12. b). As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Refere-se aos brasileiros natos. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). I. art. desde que haja reciprocidade. adquirem a nacionalidade do país onde residem. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. .Diferenças de tratamento 128 . §6°. 12. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. o filho terá nacionalidade brasileira. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. por uma questão de soberania nacional. É o caso do Brasil. 12. Quando a pessoa é nascida no Brasil. 227. terá naturalidade brasileira. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. É geralmente adotada por países que estão em formação.Quase nacionalidade (art. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. I. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). estrangeiros residentes. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. 112 e 115. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei.

confundir a súmula acima com a seguinte. b) 6 assentos do Conselho da República (art. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. A deportação está mais próxima da expulsão. presidente da CD. no entanto. §4°. CF/88): 129 . 12. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. dependente da economia paterna. 89. 5°. presidente do SF. cria-se um problema de relação internacional. . portanto.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. . 65 da lei 6. Mas.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. a ela aplica-se a súmula 1. .Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art.segurança nacional: oficial das forças armadas.815 (ato nocivo ao interesse nacional). d) Extradição (art. §3°). em razão da soberania nacional. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). Expulsão: consiste na retirada a forca. Mas. não se poderá invadir esse estado. do território brasileiro. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Se o estado desrespeita essa regra.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 5°. 12. §2°. 5°.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. Os critérios utilizados são: .linha sucessória do presidente da república: PR. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. XL. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. Já na entrega.Perda da nacionalidade (art. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). só poderá ser extraditado: . em razão da superioridade da Constituição. CF/88). 12. . o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. vice. No caso de brasileiro naturalizado.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. Não se pode. Princípios relacionados à extradição: . Na extradição. . A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. ou que tenha filho brasileiro. Importante analisar a Súmula 421. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. . XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.

tem valor igual para todos: “one man. . II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. é o direito de votar (e não de ser votado). São requisitos apenas técnico-formais. com uma única exceção: art. 14. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). ou seja. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. o sufrágio censitário (ex. voto é o exercício desse direito. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. e não requisitos preconceituosos. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. . one vote”. .é direto: é a regra. one vote” – “one person. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. que exige uma alternância de poder. Direitos Políticos: . §1º. 14. e esse país não admite dupla nacionalidade ???.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). Além dessas características do voto. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. §1º). Para JAS. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. com a realização de eleições periódicas. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). salvo se por meio de ação rescisória. pelo CN. 81. Servem ao controle do próprio direito. 130 . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados.é periódico: essa periodicidade do voto. na forma da lei (que ainda não existe). salvo nos casos das alíneas a e b. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. inclusive sendo cláusula pétrea. .Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. A CR/88 adota o sufrágio universal. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. é o direito político em si. Características que o voto possui no Brasil: . O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. nacionalidade e alistamento. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. perderá a nacionalidade brasileira. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. caput). e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto).é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto.

farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). . 14. Ex. os inalistáveis são os estrangeiros. §8º). . se houver reciprocidade (art.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. salvo se já titular do cargo. §3º? Segundo o STF. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo.☺§3º. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. é o direito da pessoa ser votada. 14). §7º . do art. Quando a Constituição fala apenas em lei. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. 12. domicílio eleitoral na circunscrição. em caso de reeleição.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. Primeiramente. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). 14. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . assim. ou seja. Além dessas condições relativas à idade mínima. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). ela é adquirida progressivamente. que geralmente admitem desincompatibilização. dentistas. 14. Mas o §9º do art. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. Assim. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. 14. no caso do art. §5º . é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.é conhecida como inelegibilidade reflexa. até que se atinja a plena cidadania. no governo de SP). e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. §1º). b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. No Brasil. com exceção dos portugueses equiparados.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. trata-se de lei ordinária. etc. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. §3º. a inelegibilidade em relação aos militares (art. ou seja. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . filiação partidária. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. ☺ar. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. então. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. 14. 14 traz um questionamento. 14.

A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 15. e quanto a isso não há divergência doutrinária. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. o prof. não há como readquirir os direitos políticos). IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Todas as outras hipóteses do art. Com base nessa distinção. 15. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. VIII). 15 (incisos II. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. seus parentes também poderiam ser candidatos. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. A doutrina (JAS. I. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. nos termos do art. 132 . adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. III e V) são hipóteses de suspensão. Kildare. mas o prof. 5º. é algo temporário. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). portanto.

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