Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

br

Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

3

para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. do estado e das instituições democráticas. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. reporta-se a um sistema normativo. o local e a época. sociologicamente. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. mas proteger direitos. o americano e o francês. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. no fundo. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. Partindo. e. em sentido jurídico. por seu turno. então. Kildare Gonçalves Carvalho. a defesa da Constituição. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. em especial limitar o poder arbitrário. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. mas também de outros assuntos. enfeixado na Constituição. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. É. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Numa segunda acepção. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. 4 . vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. assim. um claro juízo de valor. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. E para isso. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. como o inglês. numa terceira acepção possível. Tem-se utilizado. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. e que se encontra acima dos detentores do poder. Numa vertente mais restrita. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. uma teoria normativa da política. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. O conceito de constitucionalismo transporta. como sociológica: “em termos jurídicos. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. Neste sentido. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. os fins socioeconômicos do Estado.

Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Foi a mais avançada forma de governo. em 1787. b. Hoje. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Grécia antiga: democracia constitucional. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Foi a 1ª experiência constitucional. Estado Hebreu: estado teocrático. • Separação dos poderes. 1. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Roma: idéia de liberdade. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). porém. A democracia é a representação da vontade da maioria. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). fases pelas quais passou a constituição. Influenciaram o direito francês e americano. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. b. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. quem. em 1791. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Foi uma retrospectiva do direito Grego. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade.surgiu em substituição ao governo dos homens. a partir da Revolução Francesa. ii. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. a. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Estabelece as regras do jogo político. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. se contrapõe ao absolutismo. como e até onde pode mandar. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Garantia jurisdicional. e da França. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. ii. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Como ressaltado por Jorge Miranda. (Livro do Alexandre de Morais). por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. • Princípio do governo limitado. 2. Atribui competências aos três poderes. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. c. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Governo limitado. integram-no. após a Independência das 13 Colônias. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Por isso. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. desde logo. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). d. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 .

Eram apenas uma diretriz. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. XIX.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. na época das Revoluções Liberais. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. PE e PJ). A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Segundo a tradição francesa. as quais são denominadas por pós-positivismo. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. diretrizes. ligada à idéia de liberdade. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Constituições da democracia social. ii. Começou a se falar em um direito moral. Constituições de países subdesenvolvidos. os costumes 6 . a maioria da nação. Constituições da democracia racionalizada. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Garantia de direitos. Rússia. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. estarão subordinados a ela. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. estabelecidos pela Constituição. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. c. O ser humano é um fim em si mesmo. c. aplica-se a analogia. 3. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. foi o Abade Sieyès. sem força vinculante. direitos fundamentais. d. A partir dessas novas idéias. estabelecendo diretrizes. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. ou seja. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Idéias principais: i. Separação de poderes. a. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. XX). Hoje. b. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. b. havia regras. Todos os poderes constituídos (PL. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Força normativa da constituição: antes. Novas idéias foram surgindo. Constituições da democracia marxista ou socialista. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. 4. as constituições tinham caráter mais político. Ex. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras.

 Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Quando o legislativo é fraco. 7 . o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. aplica-se a regra específica. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. f. c. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Ele atua como legislador negativo e positivo.. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. de uma forma geral. espuma do chopp. pois esta é a concretização de um princípio geral. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Solidariedade. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. mas quem dirá o que ela é. • • 5. é o judiciário. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. demarcação de reservas indígenas. d. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Na jurisprudência do STF. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. b. Verdade. Integração. Entre uma regra específica e um princípio geral. é o juiz. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. etc. Universalização. Mas essa é uma posição muito radical. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade).  Aplicação direta da constituição. Participação. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. os princípios. aborto no caso da acrania. Os princípios. Constitucionalismo do futuro. há uma euforia dos princípios. que é aplicada mais às regras. verticalização. Para Paulo Bonavides. Para Barroso. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Consenso. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. etc. tratado internacional tinha status de lei ordinária. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Na Itália. o judiciário aumenta sua força. união homoafetiva. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. g. Hoje. EUA: nós estamos submetidos à constituição. cotas em universidades. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Hoje. Não se aplica diretamente a constituição. fidelidade partidária. Continuidade. e. Eles são importantes. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Teoria Concretista Geral. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI.

Fundamental Orders of Connecticut (1662). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. então. caput. com valor igual para todos. Podemos falar. CR) e. Como regra. CR. 14. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. portanto. a solidariedade. a participação. de forma expressa. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Contratos de colonização. mediante: plebiscito. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. O titular do poder é o povo. Vale dizer. concretizando a soberania popular. que. a continuidade. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). 1º.709/98 (que regulamentou o art. de soberania popular. dá-se através dos representantes do povo. I. do art. CR). Compact (1620). a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. Habeas Corpus Act de 1679. o exercício deste poder. pertinentes. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Carta outorgada por Carlos II (1662). que são os deputados federais (âmbito federal). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Assim. Petition of Rights de 1628. nos termos deste lei e das normas constitucionais. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. segundo o art. Bill of Rights de 1689. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. verdadeiro sistema híbrido. nos termos desta Constituição”. 46. de acordo com o art. 1º da Lei 9. por intermédio de seus representantes. a verdade. cujo titular é o povo. II e III. referendo e iniciativa popular”. Act of Settlement de 1701. o P.U.

é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). o caráter normativo e vinculante da Constituição. Toda a Constituição. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . não passaria de uma simples “folha de papel”. na política ou na filosofia). (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. para ele. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. Constituição e leis constitucionais são. Segundo ele. ou seja. Esta concepção atualmente é inadmissível.: art. mas apenas leis constitucionais. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. conforme o prisma de análise. A conferência realizada por ele. O art. a Constituição é norma pura. Esta é a concepção que hoje prevalece. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. As leis constitucionais são todo o restante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). têm a mesma forma de elaboração). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. caso contrário. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. PJ. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). A Constituição Escrita. 242. ou seja. portanto. os direitos fundamentais. 1°. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). → Segundo Hans Kelsen. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. quando não corresponde à Real. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. PL. mas materialmente distintas. Para entender tal concepção. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale.. com exceção do Preâmbulo. na sociologia. como por ex. é vinculante e obrigatória. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). a que Carl Schmitt chama de Constituição. que surgiram com as constituições mais prolixas. o restante. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. que adota o conceito decisionista de constituição. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. §2º. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Essas normas são programáticas.

Soberania.Povo. todos os setores da vida social. mas que trata de todos os aspectos.Finalidade. 10 . posta pelo Estado).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ao mesmo tempo. e também jurídico. . a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. . Seu único comando. A CR/88. é uma norma pressuposta. qual seja. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. Gilmar Mendes).a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. é: todos devem obedecer a Constituição. modificando-a. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. é um elemento conformador. condicionante desta mesma cultura.Território. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). ela não existe na realidade. por isso não tem nenhum expoente específico. não introduz nenhuma novidade. não está escrita.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. neste sentido. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. . define tais elementos estruturais. Ou seja. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). portanto. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). segundo esta concepção. a Constituição tem sim fundamento sociológico. quais sejam: . é a Constituição escrita (CR/88). Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. . é apenas uma pressuposição.

: as constituições outorgadas recebem. trata-se de modalidade anacrônica. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. a Constituição Inglesa. toda Constituição histórica é costumeira. 1967.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código.democrática. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. Nesse caso. . de uma só vez. tem também vários documentos escritos. ou variadas): ex. Por isso mesmo. votada. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Obs. podendo ser: .dogmática: sempre escrita. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. e como é bastante prolixa. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional).pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. há pouco espaço para se ter costumes como regras. de maneira unilateral.. Constituição Espanhola/1930. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. pois toda constituição é escrita e não-escrita. quem vota a matéria são as lideranças. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . o apelido de “Cartas Constitucionais”. 1937. . intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. 3) Quanto à origem: . Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). a classificação irá ajudar a compreender a constituição. No Brasil. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). é fruto das idéias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição.outorgada: é a constituição imposta. Ex. por alguns estudiosos. não surge de uma só vez em um só momento. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. 11 . surge em um só momento. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). as constituições outorgadas foram as de 1824. consuetudinária (não é escrita). . como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88).não codificadas (ou legais. a constituição não se torna democrática. por ex. .. promulgada. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. É uma aprovação simbólica). . como por ex.

É uma classificação típica das constituições costumeiras. mas sim o processo mais dificultoso. sucintas. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). (Obs. É uma constituição em sentido formal. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . como é o caso da CR/88. Como se submete a esse tratado internacional.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. 1º.: a Constituição dos EUA). sendo assim. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. sem se preocupar com os detalhes. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). deixou de ser considerada flexível. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. . Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. . Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Não existe controle de constitucionalidade das leis. Ex. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. É uma constituição em sentido material. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. . Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. ou seja. Constituição Inglesa. São chamadas também de clássicas. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. . Ex. portanto muito difícil de serem modificadas.: art. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.fixas: não poderiam ser modificadas. Em 2000. Por este motivo.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. inclusive a CR/88).constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. passou a haver hierarquia entre as normas. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Ex.) . Não existe hierarquia da constituição em relação às leis.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . CR). . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.

e não de apenas uma ideologia. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). que surgiram com um objetivo pré-definido. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. dogmática. o Estados. codificada. formal. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Fixas. o DF. dogmáticas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). Característica das constituições clássicas. sucintas. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Ex. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Históricas. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. Pactuadas (ou pactuais). Constituição em sentido formal. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). (processo legislativo). 13 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro).: art. Constituição programática (ou dirigente). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). prolixa. mas sim uma obrigatoriedade!). que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). porque é fruto de várias ideologias. Rígidas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. pois valem a todos os entes federados. Não-escritas (inorgânicas. básicas ou clássicas). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. sumárias. 59 e segs. votadas ou promulgadas). rígida (ou super-rígida). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. OBS. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. o União. Canotilho. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. 3º. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. o Municípios. democrática. como por ex. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. . Flexíveis (ou plásticas). É a CR/88.: art. Ecléticas. União.: a CR/88 é ainda Eclética. costumeiras ou consuetudinárias). CR. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Democráticas (populares. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita.

No topo. Para que exista supremacia formal. obrigatoriamente escrita. MP. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. ordinárias e complementares). por ser rígida. uma Constituição só possui relevância sociológica. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. as derivadas (art. basicamente. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. §3º). princípios ou regras. a Constituição. direitos fundamentais ou não. por 3 níveis hierárquicos. o indireto. estaduais. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. as leis delegadas. 59. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. se tiver também supremacia formal. porque os princípios têm maior amplitude. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. encontram-se as normas constitucionais originárias. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. 5º. que a CR/88. Importa dizer. No entanto. LC. Leis Delegadas. que existem como complementação dos ANP). a Constituição tem que ser rígida. 59. cujo fundamento de validade são as leis e. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. distritais e municipais.: decretos e regulamentos. tem de ser. para fins de controle de constitucionalidade.343/SP. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. DL e Resoluções – ☺art. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. 59. as medidas provisórias. enquanto as regras são mais específicas. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. CR). II a VII). sejam elas originárias ou derivadas.

Não varia. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Lei ordinária Art. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. No caso da prisão civil por dívida. OBS: O art. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Essa aprovação não é obrigatória. Quando não exigir LC. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. MPs. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Cabe controle de legalidade (discussão incidental).☺Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . por uma questão de economia legislativa. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes).  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada.☺Art. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). 47. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. mas somente uma recomendação. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. a previsão constitucional exige complementação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . que regula a LC. Residual. Anotar como complemento posteriormente. 69. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição.status constitucional. Reservada pela CR/88. Portanto. 47 é a regra geral. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 69. No entanto. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. é sempre o mesmo número ☺Art. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Por ser uma matéria reservada. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Leis delegadas.

A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Havendo conflito (ex. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. d. pois não está ligada diretamente à Constituição. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). 102. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 25. não cabe ADIN. Assim. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. a competência para resolução é do STF. DF). como o controle exercido será de constitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. no caso de repartição vertical. assim. conforme previsto no art. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. há hierarquia. III. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. • Estado – ☺Art. • União – ☺Arts. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. CR. 21. 30 (assunto de interesse local). Assim. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). 16 . E. Hierarquia entre Lei Federal. Parei aqui. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional).: lei estadual trata de matéria de competência da União). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. ☺Art.

Como não tem caráter normativo. etc. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). portanto. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. visando assegurar a supremacia da constituição. . Assim. deve estar inserida no texto da CR. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. 17 . como para Canotilho. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. quando são equivalentes às EC. Não existe. o CDC. os TI de direitos humanos. b) Parte permanente = normas gerais – arts. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. seja uma norma de referência para ele.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Com a EC/45.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). para alguns é amplo e para outro é mais restrito. tem função interpretativa). c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. contudo. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. mas também o preâmbulo. Refere-se. . Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Abrangeria não somente a constituição. ou seja. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. . o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Tirando o preâmbulo.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). é diretriz hermenêutica. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos.

3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. ADC e ADPF. mas o prof. Assim. 3. 61. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. quando não é respeitada uma norma de competência. ou seja. 3. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.de princípio institutivo (Obs. 154. CR). Aqui.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. aliás. se considerar em relação a uma expressão é total. não pode ser suprido pela sua sanção). Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. (Obs.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). A omissão parcial nada mais é que uma ação. 4 e 5. Ou seja. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. às vezes. 69 – desrespeito a quorum de aprovação.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. art. Não Auto-executável. mas caberá ADIN por omissão). Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. 5° a 17). Ex. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. AIO. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. I – que exige LC para instituir impostos residuais). 3. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. não será cabível mandado de injunção. STF não é mais aplicada. Não Auto-aplicável. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. 5. ocorre.: a Súm. Ex. e Não Bastante em Si. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. o Min. No STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Pode ser: . MI. há uma divergência na doutrina. . 18 . atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. Obs. as Súm. .Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Formas de Inconstitucionalidade: 3. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Dependem do prisma de observação. §1º.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.: competência privativa do PR (☺art. Ex.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Assim. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. pois. ou seja.de princípio programático. ADI. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.

o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. No caso do decreto. CR. 66. § 2°). Relaciona-se. pois. a inconstitucionalidade será direta. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. já sendo inconstitucional desde a sua origem. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. reflexamente (ou de maneira 19 . aos Atos Normativos Primários. no controle concentrado abstrato. Para o prof. toda alínea ou todo inciso (☺art. todo parágrafo. como altera sentido do texto. Ex. o decreto se torna inconstitucional. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Assim. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. a inconstitucionalidade será indireta. 3. Segundo STF. decretos regulamentares. refere-se. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. e grande parte da doutrina. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. que se ligam indiretamente à constituição. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. atos previstos no art. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. que só pode atingir todo artigo. No caso da lei. o que houve foi um desrespeito à Constituição. de ofício ou a requerimento da parte.: a palavra “não”. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. ou seja. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. ato originariamente constitucional. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. Se o decreto é ilegal. Ex. não pode ser retirada). b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. 59. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). não se trata de revogação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. pode ser questionado. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Quando se fala em inconstitucionalidade. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. ou seja. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). b. Pode ser: b.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). Obs.

mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. ele não precisaria impetrar o MS. parágrafo. IV. viola o art. por isso ocorre antes da promulgação da lei.. §2º. . para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. 66.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. promulgar e fazer publicar as leis. IV . assim. O chefe do PE. prevenir que a CR seja violada. pois pode ser derrubado (☺art. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. é fundamento de validade direto e no 2° caso. EX:art. CR. OBS: não adianta decorar o nome do ato.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). Formas de Controle de Constitucionalidade: 4.ou concreto. a inconstitucionalidade é indireta. CR). A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. O veto tem que ser expresso. já que de maneira indireta. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. por isso aqui não há que se falar em controle). inciso ou alínea). Caso contrário. 84. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. como pelo PE e PJ: . ela não está violando o direito de ninguém). O único legitimado para impetrar esse MS. a inconstitucionalidade será direta. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. mas uma mera análise política. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). . Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. O veto é relativo. quando ele participa do processo legislativo. que se exerce através do veto (☺art.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. embora participe do processo legislativo. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. Trata se de um controle incidental. não pode impetrar o MS. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. segundo o STF. se ele entender que o projeto é inconstitucional. porque o chefe do PE. Art. é excepcional.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade.sancionar. porque o ato não fere diretamente a CR). tem fundamento de validade indireto. o projeto 20 . Obs. portanto. No 1° caso. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. 60 parag 4. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). 84. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. mas sim analisar cada caso concreto. porque ele é o único que participa do processo legislativo. 66.

68. Ademais. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). por maioria de votos. em um primeiro momento. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. o Senador. que.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. o PR elaborará então a LD. tendo como objeto esse Dec. etc. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. mormente. e as normas do RI são questões interna corporis). a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. universal e periódico. No entanto. aos direitos fundamentais”. V . que é o chamado Decreto Legislativo. ou seja. constituindo-se normas constitucionais interpostas. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu.. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. V. muito embora não sejam formalmente constitucionais. secreto. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. ADC ou ADPF. na qual o projeto esteja tramitando. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. pode ajuizar uma ADI. se está no Senado. §4º. o voto direto. Legislativo? Sim. se na Assembléia Legislativa. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . 21 . quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. desta feita. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. interpretações regimentais. 49. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). as cláusulas pétreas. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. na linha do voto de Gilmar Mendes. os direitos e garantias individuais” – ou seja. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. já que trata-se de um ato normativo. mas um processo legislativo constitucional. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. a separação dos poderes.. a fim de repará-la. não lhe cabendo. Questão: o PR. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. Na verdade. vedando-se. ☺art. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. somente o Deputado Estadual. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. Assim. Leitura do livro do Lenza (pág. 60.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. contudo. que entende que “. Se o projeto tramita na CD. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. vinculam os atos e procedimentos legislativos. 168): o STF. CR. pois não se trata de ato normativo.

STF: o Tribunal de Contas.084). CR). Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. ao fazer um Decreto Regulamentar. . suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. ajuizar uma ADI. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. CR). é necessário fazer-se um controle repressivo). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Após a CR/88. mas segundo o Min. esse rol foi ampliado. Legislativo para sustar. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional).. mas tão somente aos prefeitos. Desde já. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. simultaneamente. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. ao negar cumprimento à lei. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. não é um entendimento consolidado. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). só havia um legitimado para propor ADI (PGR). no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). nesse caso o CN pode editar um Dec. III) Súmula 347. II) art. estudado de forma detalhada a seguir. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). ela deve ser objeto de controle. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. nesse caso. clara e evidente – ou seja. porém. Gilmar Mendes. O chefe do PE (e só ele – PR. já no STJ não há qualquer ressalva. pode o PJ analisar tais pressupostos. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. Antes da CR/88. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. através da edição de um Decreto. não havia relevância alguma). Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Assim.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Obs.. O TC é órgão auxiliar do PL (art. IV. Apenas excepcionalmente.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. ou seja. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. 4. quando. 62. no exercício de suas atribuições. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. 71. pois. exorbita os limites do Poder Regulamentar. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. No entanto. Ele será. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. GE.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. por ex. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. tampouco que o PR.. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. o chefe do PE teria que.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. Não se analisa o mérito da MP). segundo o STF? Resposta: em regra. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. 84. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR.

É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). em 1803. já foram feitas 56 EC! 23 . No Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. em se tratando de lei nacional.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. inclusive o STF). no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. quem exerce o controle é o PJ. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). já na CR/88. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. porque surgiu nos EUA. em 1920 (bem depois do controle difuso). haviam sido feitas apenas 16 EC. e é adotado pela maioria dos países europeus. isso não é verdade. É também chamado de controle aberto.Hilton x U. Primeiro caso. se se tratar de lei local.: na Suíça. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. porque surgiu na Áustria. 4. porque significam coisas diferentes!). órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim.A. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Obs. o controle é feito pelo PL. Por isso. interessante: em 1965. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional.S. para não gerar essa confusão. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. Segundo caso. difuso e concentrado). 1792 Hayburn s case. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. com 19 anos de Constituição.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Por isso. ou seja. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. que completa este ano 20. mas das espécies de controle. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). Ex. dentro de sua competência.: França – que tem o Conselho Constitucional. ao mesmo tempo. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto.

O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Gilmar Mendes. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. O efeito vertical. porque em estando revogada. ou tendência de verticalização. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. 102. No Brasil. Da mesma forma. mas deve ser estendido ao controle concreto). pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. também não podem ser objeto de controle abstrato. e a partir desse antecedente. já não ameaça mais a supremacia da constituição. No direito brasileiro. ou seja. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. o principal defensor dessa tendência é o Min. Este efeito é típico do controle abstrato. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. (O STF é o guardião da CR – art. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. A finalidade não se confunde com a competência. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. Por isso o Min. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). por ser uma relação vertical. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). 97. nos EUA chamado de “Binding Effect”. sendo o controle 24 . Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. é proteger as normas da CR. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Com base nesse argumento. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. A análise da lei sempre será feita em tese. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. mas tão somente de controle concreto. Segundo este instituto. se fala em efeito vertical. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano).

mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. No Legislativo: Mas. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. No Acre. ou seja. Eros Grau. Gilmar Mendes. Gilmar Mendes (e também o Min. que deu provimento à reclamação. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Assim. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Não houve reclamação quanto a essa decisão. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. ou seja. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão.917/SP. Então o Min. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. 52. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. houve decisões proferidas em 3 MI (712. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. em seu voto. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. o direito de greve dos servidores públicos. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Assim. tendo efeito apenas inter partes. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Então. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. viola o princípio da igualdade. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. Pois no controle difuso. em ocorrendo isso. Por fim. E. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. como a decisão tem efeitos inter partes. e não erga omnes. Por fim. ou seja. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. segundo ele. 25 . do PL. Na decisão do STF. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. pelo menos por parte de alguns ministros. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Outra situação interessante foi o RE 197. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. não há necessidade da suspensão pelo Senado. ainda. X. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. 4. não uma simples mutação. Antes. Gilmar Mendes. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). O MI é instrumento de controle difusoconcreto. não permite essa mutação). Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. sendo acompanhado pelo Min. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). então não sabemos a posição dos demais ministros. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. se assim fosse. sem que ocorra modificação no seu texto.959/SP.335/AC). surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. o Min. O Relator da Reclamação foi o Min. CR. ou seja.

que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. não cabe ao STF analisar. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. O papel do STF não é julgar litígios individuais. não é o objeto principal do pedido. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. fundamentação e dispositivo. por sua vez. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. (☺ Lei 11.418/06). social. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. é um instrumento de controle concreto e há. Segundo Eduardo Appio. 103-A). pois tem o papel de guardião da Constituição. não precisam chegar até o STF. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). No controle concreto. estão os procedimentalistas. Contrários a essa tendência de abstrativização.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. 102. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. atualmente. é uma questão incidental. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. analisado no dispositivo (conseqüente). mas apenas a causa de pedir (antecedente). concorda com isso). somando-se os votos de todos eles. eles não se reúnem fisicamente. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Num segundo momento (conseqüente). cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. por estarem mais próximos dos indivíduos. julgando-o procedente ou improcedente. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. O RE.art. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. 26 . não tem natureza processual como as súmulas comuns. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo.417/0 e Lei 11. o que se dá no “plenário virtual”. ou seja. político ou jurídico. A repercussão geral (art. a rigor. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. A súmula vinculante tem natureza constitucional. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. § 3°. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei.

ou seja.Lei 9. sejam particulares. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . .: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. 10.Lei 9. questões ditas de passagem. Ademais.vinculante. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. P. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. 102.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.: . secundárias do julgado. . Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. mas tão somente a ratio decidendi. mas também à fundamentação. Sendo assim. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. .I. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. .erga omnes . Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. . há previsão não só na lei como também na CR).CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. Dispositivo L. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. conforme está previsto no caput do art. 102.EC 45/04: art. 27 .882/99 – ADPF. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. §2º. 28. e ele se encontra no Dispositivo. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. a razão determinante da decisão. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação .U. eles também são vinculantes. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. 5. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. a chamada eficácia vinculante.868/99 – Lei da ADI e da ADC. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. art. sejam poderes públicos. art. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. não determinantes para a decisão) não vinculam.

se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. até que o PJ a declare inconstitucional. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. No entanto. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis).Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. Obs. pode modificar seu entendimento. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. segundo o prof. . . É um entendimento que vem desde 1. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. como a coisa julgada. que se quiser. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. . (20/03/09) 5. Por este entendimento. outros dizem ser nulo. . impedida de evoluir). por sua vez.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. suas turmas e seus ministros. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. a função legislativa).3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. mas os sistemas de preclusão processual.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. mesmo que não tenham sido impugnadas. inclusive os chefes do PE. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. . estes estarão sim vinculados). Só atinge a norma impugnada. pois atinge apenas o dispositivo. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. inclusive o Tribunal de Contas. já os órgãos fracionários do STF. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. Respeitando o efeito vinculante. se as leis devem ser cumpridas. estadual e municipal). Atinge a norma impugnada + normas paralelas. e outros dizem ser um ato anulável. 28 . também fica vinculado).o PL (na verdade. mas sim fiscalizatória. no caso Marbury x Madison). cuja função não é legislativa.

683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. autor e réu. 27.). Neste caso. como os servidores agiram de boa-fé.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração.112/90. não precisariam deixar os cargos. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. . ☺RE 197. Ou seja. Exs. e não no de não-recepção). o efeito que produzirá. o Min.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. como regra é retroativo: ex tunc. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. ou 2) excepcional interesse social. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. assim. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). poderá o STF. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. O STF. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B).” . decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. o STF. decidiu que.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. .. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção).A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. Lei 9. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. 11). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. no caso do controle abstrato. Mas. que revogou a Lei A. etc. Assim. os efeitos são erga omnes). porque o ato é nulo desde a sua origem. como a Lei 9. 27). portanto. por questão de segurança jurídica. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.868/92 (art.)”. portanto. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.Normas anteriores à CR. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade.. com inteiro teor). e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Visto a natureza do ato inconstitucional. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 .882/92 (art. com seus normais efeitos ex tunc. não admite a “constitucionalização superveniente”.

em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. . ex. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex.2: art. que trata da ação de reparação ex delicto. com um só sentido). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. para que este corrija a norma. 134. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. à medida que a situação fática for alterada. depois de ter sido recepcionada. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo).Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. Segundo o STF.: a norma x tem dois significados possíveis. e a norma já foi recepcionada pela CR e. quando todos os Estados tiverem DP. Em alguns casos. mas sua interpretação). ela progressivamente se tornará inconstitucional). portanto. um significado A e um B. .Corresponde a um juízo de . reproduzida pelo STF). Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. (A norma já passou pelo crivo da constituição. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). mas. não foram todos os ministros que se manifestaram). CR x art. Ex. chamada “Apelo ao Legislador”. mas nem sempre.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. evitando a inconstitucionalidade progressiva. de fato. Assim. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. entende-se que a norma (B) é inconstitucional.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. o prof.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. 5.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. assim. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. 68. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . CPP. era uma questão “obter dictum”. portanto foi recepcionada. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.Corresponde a um juízo de .O Tribunal não precisaria 30 . desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). o resultado será o mesmo.O Tribunal precisaria observar . controle difuso-concreto. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. com condições de trabalho iguais às do MP. constitucionalidade. quanto . portanto.

em princípio. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. . no controle concreto. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. (*) Para o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. 2º. por arrastamento. 2º. o juiz pode. Trata-se de controle abstrato. no controle concreto. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). Obs. total ou parcialmente. . b. esta só se faz necessária quando se afasta. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei.É uma técnica de decisão judicial. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. não podendo. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). Na declaração com redução de texto. ou seja. . de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. declarar a inconstitucionalidade. 97). de ofício. em regra. e são permitidas as demais. . . desde que não altere o sentido do restante da norma. nem sobre os demais. b) Com redução de texto: b. se o art.É excluída uma determinada interpretação. O STF.É permitida uma interpretação e. de ofício. Assim. 1º ou do art. 3º. mesmo que não tenha sido questionado. se manifestar de ofício sobre o art. em razão do Princípio da inércia. não poderá. portanto. da Lei x. 2º. o juiz não pode. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. são excluídas as demais.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. . 1º e 3º. ser objeto de ADI.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). dentro de uma mesma lei). portanto. a cláusula de reserva de plenário. 1º e 3º e.Não há qualquer modificação no texto da norma. ou todo o artigo.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. 2º for dependente do art. . O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. o texto da norma. no controle abstrato. observar a cláusula da reserva de plenário (*). do art. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. como ambas são equivalentes. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. Ocorre que. se for um dispositivo autônomo.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. de ofício. já que o STF pode. Sobre o tema: 32 . A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. e por arrastamento. portanto. Ex. dentre elas a ACP. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. neste caso. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. portanto. apesar de sozinho não ter aplicação. pois será uma questão discutida incidentalmente. Obs. julgará procedente ou improcedente o pedido. mas é que esta não é necessária. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. O dispositivo. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Assim. O pedido será a proteção de direitos. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). mas apenas a causa de pedir. porque. mas também quando há usurpação da competência do STF). pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Ou seja. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. julga também inconstitucional o decreto. ACP para fechamento dos bingos. todo controle difuso é concreto. No Brasil. Mas nem todo controle concreto é difuso. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Neste caso. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Contudo. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). ADCe ADPF).

No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). Assim. 97. porém. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. por entendê-la inconstitucional (inter partes). É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. as chamadas leis de efeitos concretos. desde que. que é mais de 50% dos presentes). CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). conseqüentemente. Segundo esta cláusula. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. de efeitos concretos. por meio da ACP.159. 557. elaboração de Regimento Interno. 97. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente.. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. Nada impede. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. Regra da “full bench”.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. 33 . o que só se pode obter por meio de ADI. assim.: eleição do Presidente do tribunal.022. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. 294. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. que é função legislativa. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. No tocante. por ex. é função possível de ser delegada. em defesa de contribuintes. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. na prática. Em outras palavras. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. STJ ☺ RE 227. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). ☺art. 93. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. STJ ☺ Resp. não pode ser delegada. que é função política. os Tribunais não têm admitido que. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional.646. teremos uma lei material. pois. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. e no mínimo 11 membros. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Assim. Assim. porém. dotada de caráter de universalidade e abstração”. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. por exemplo. Os juízes singulares podem. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). no âmbito dos Tribunais. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. também não pode ser delegada). XI – órgão especial: para que seja criado. porém. no caso.

ou em caso de interpretação conforme. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. se entender que a lei é inconstitucional. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. 97.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. 481. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. sob o argumento de que o dispositivo (art. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Há uma repartição funcional de competências. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). 481. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. podendo decidir o caso concreto.. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. prosseguirá o julgamento. Há quem critique tais exceções. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. ☺art. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes).Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. no entanto.. 34 . o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Exceções: P. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. será lavrado o acórdão.. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Decidido o antecedente. CPC) seria inconstitucional: o art. Assim. se existir no Tribunal. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. abstratamente. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. se for acolhida. sabe-se que o STF é o guardião da CR.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. porque para o STF ambas são equivalentes.U. ao órgão especial). P. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). de acordo com o posicionamento do STF. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. pela maioria dos seus membros. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. a argüição de inconstitucionalidade (.U. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. O professor não concorda. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. como guardião da CR. Quanto à 2ª exceção. . assim.

o SF não pode suspender toda a lei. se assim o fosse ela já seria vinculante). A suspensão se dá através de uma Resolução. passa a ter efeito erga omnes. trata-se de uma competência exclusiva. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. bem como ou STF. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. CR – compete privativamente ao SF suspender. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. RISTF. Ou seja. em regra. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. O STF já admitia essas duas exceções. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). É o entendimento mais correto. a lei deixa de ser aplicada. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). Ademais. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. por isso o faz dali em diante. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. entendem que se trata de um ato discricionário. 178. 35 . ou seja. que não pode ser retroativa. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. portanto. no todo ou em parte. Outros autores. A cláusula vale também para o controle concentrado. 2) Outros autores. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. X. Quando o SF suspende a lei. que não comporta delegação. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. esta decisão deve ser submetida ao plenário. art. a decisão do STF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). quando isso ocorre. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. O SF não é obrigado a suspender. ela se refere à decisão do STF. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. 52. O SF apenas suspende a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. sustentam que o efeito é ex tunc. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Efeitos. como se tratasse de uma revogação. Na verdade. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. não estando vinculado à decisão do STF. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e.

ou seja. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . já que o SF não atua de forma correta. se toda a lei foi declarada inconstitucional. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). um RE para o STF. configuraria uma mutação constitucional. Mas. etc. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. desta decisão proferida pelo TJ. Por isso. o SF só poderá suspender a lei por inteiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Segundo o professor. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. Na ADPF este fenômeno também é possível. obrigatoriamente. não havendo a necessidade de suspensão da lei. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Segundo o STF. Ressalta que a letra da norma (art. no controle difuso-concreto. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. não se referem ao âmbito estadual e municipal. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. em razão do princípio da simetria. Neste caso. a partir do momento que resolve fazê-lo. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. pela simetria deve ser atribuída ao governador. 66. segundo o Min. Gilmar Mendes. 61: iniciativa do presidente. o que. normas referentes ao TCU. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. 59 e segs. 57. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. está fazendo uma análise. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. É uma construção da jurisprudência do STF. CR: prevê o escrutínio secreto. CR. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. O SF. CR) não comporta este entendimento. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. requisitos para a criação de CPI. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Nas situações em que o TJ julga. Art. 52. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. LO. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. deve-se recorrer ao entendimento do STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. se for apenas uma parte. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. 178. esta norma não é de observância obrigatória. a resposta é negativa. RISTF) – e isso é óbvio. cujo modelo. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. cabe. por ser um órgão do PL Federal. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. esse entendimento é desejável. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. mas. LC. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). e se o STF. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. Art. §4°. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. já o SF não. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. sendo norma de observância obrigatória. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato.

quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. visto que. o SF teria um número enorme de representantes). retirando a lei do ordenamento jurídico. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. 58.: arts. mas não trata apenas dos interesses da União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. os que tratam do TCU.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). da organização da União. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. Sabe-se. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Assim. Quando o SF suspende os efeitos da lei. Classificação de Osvaldo Aranha B. assim. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc).: art. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. a suspensão. por não existir uma federação de municípios. etc. Ex. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. art. ADC ou ADPF). ele está atuando como órgão de caráter nacional. É também uma lei emanada do CN. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). está defendendo interesses apenas da União. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. como aos Estados. se aplicando ao âmbito federal. Ex. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. 37. no controle abstrato (ADI. do DF e até municipais. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. 52. X. distrital e municipal).” Análise do enunciado pelo prof. estadual e municipal. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). outros 37 . só se aplicando ao âmbito federal). Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. pelo Senado Federal. 59. portanto. Ex. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. §3º. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. por isso pode suspender lei estadual e municipal. não havendo. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal.: CTN. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis.). é como se os Estados e DF também estivessem atuando. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). no todo ou em parte. que deve ser observado no âmbito federal.: Lei 8. estadual. sendo específica para os servidores públicos civis da União. São os dispositivos que se referem tanto à União. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). por isso pode suspender leis também dos Estados. porém. também. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. CR). A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. 19. Quando o SF atua como órgão federal. Ex. quando o SF atua.

declarando uma lei inconstitucional. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. não retroativos). no âmbito da AP Federal. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. é sempre a AL que suspende a lei. SE e AM. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . Segundo o STF. porque o seu parâmetro não é a CR.346. TO. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Entretanto.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). então. 38 .346. da AP Federal direta e indireta. por força do referido Decreto nº 2. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. em decisão definitiva. Poderá. de 10/10/1997. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). RN.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. de fato. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). os dois tipos são constitucionais.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. adotou-se. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. Portanto. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. MS. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). pró-ativos (ex nunc). De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. Com efeito. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). é a Câmara Municipal. visto que. . por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. na sua esfera de competência. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). 2º grupo: . mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Embora não haja consenso. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. é a AL que suspende a lei. visto que. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs.

ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 39 . A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). e não do trânsito em julgado. de acordo com essas leis. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. 5) Ação rescisória. Obs. e . tendo partes – autor e réu. deve haver a previsão da legitimidade. a competência é do TJ).AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). . a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. em seu art.ADPF. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). Como são ações de controle abstrato. o duplo grau de jurisdição. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. obviamente. não cabe.ADC. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). .882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. ela é meramente jurisprudencial). mas sim legitimados. A Constituição. a ampla defesa. ou na CR ou na lei. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. que são a União e os Estados). ☺Lei 9. 4) Recurso da decisão de mérito. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. Por se tratar de um processo de índole objetiva. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. onde não existem partes formais (autor e réu).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. 103. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. . . Assim. a partir de então. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .Confederação sindical significa de âmbito federal.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. confederação regional: F. . ou seja. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Executivo PR GE – GDF P.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). para ter legitimidade.S. . a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados).: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. . e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).A norma do art. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. confederação local: sindicato. . 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.A entidade de classe.Os GE.. Para ter âmbito nacional. Os demais podem fazê-lo sem advogado. CS e ECAN. segundo a jurisprudência do STF: . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Obs. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).

o RI pode.Norma formalmente constitucional . ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. geral e abstrato. decreto regulamentar. §3º . Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. I. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. 1º. todas estão no mesmo nível. ele poderá ser objeto. .preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. Não serão objeto de ADI e ADC. Ex. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. caso o decreto emane diretamente da CR. 102. direitos e garantias fundamentais.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). como por ex. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. por isso não é ANP). ou seja. . nas normas que tratam de outra matéria). 41 . OBS.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. 5º.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. . pois geralmente está abaixo do decreto. para ser objeto de ADC e ADI. a. Lei 9. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).TIDH (3/5 e 2T) . I. admite-se o seu controle. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. sem interferência do PJ. Obs. são questões próprias de RI. 102. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. a.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .☺art.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.: decreto regulamentar do PR.

Mas. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. Hoje. 103. STF). mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). 42 . Atuação do PGR: ☺art. devendo ser de todos eles intimado. ainda. e. segundo o STF.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. sem exceção. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). como está havendo uma influência de um controle no outro.Súmula. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. leis suspensas pelo SF. da mesma forma na ADPF. não ameaça mais a supremacia constitucional. CR. medidas provisórias revogadas. 103. intervenção de terceiros e recursos. §3º. portanto está subordinado ao PR.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. de defensor legis. o STF admitiu. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. O PGR atua como “custus constitutionis”. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual.leis revogadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . não pode ser objeto de ADPF: . Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. § 3° é uma função especial. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. só podendo ser objeto de controle difuso. na outra. é preciso primeiro ser transformado em EC). também poderá dar parecer em sentido contrário. Lei do DF não pode objeto de ADC. A função do art. ele vai atuar como fiscal da Constituição. se um novo PGR o substituir. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. pode ser qualquer ato do poder público. 103.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. . Tem status de ministro de estado. Obs. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. No caso de emenda. salvo embargos de declaração. Assim. CR. por analogia. ou seja. posteriores a 5/10/88. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Função geral do AGU (art. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. Lembrar que não cabe assistência. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. ainda que ele proponha a ação – ou seja. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). . o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. Gilmar Mendes e de um prof. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. §1º. pois não produzem mais efeitos. poder-se-ia admitir o veto jurídico. se seu entendimento for diverso. Atuação do AGU: ☺art.

estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. o AGU até poderia participar. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. §3º. §1º. ☺ art. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Ela já existia antes. não precisará do AGU para defendê-la. em seu art. Portanto. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. disciplinou a figura. “amigo da corte”. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Mas atenção: existe um outro instituto.868/99 vale só para a ADI. a Lei 8. 6º. 7º. Quando o AGU desempenha essa função.884/94 (CADE). §2º da Lei 9. Na ADI por omissão. não há o que se defender. Foi introduzida pela Lei 6. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. É muito comum nos tribunais internacionais. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. art. §1º. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. portanto. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. por fim.868.868. mas não têm nada haver com amicus curiae. Importante: ainda que como Advogado da União. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. . §2º e art. 7º. Não há previsão para a ADC e ADPF.868.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). o das audiências públicas. nos estados que adotam a commum low. Está desempenhando uma função especial. A audiência pública está prevista na Lei 9. Nesse caso. 31). Mesmo sem previsão legal. A previsão expressamente contida no art.868/99 -☺art. Cabe também na ADPF. 482.385/73 (☺ art. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Tem natureza de auxiliar do juízo. 89. em especial no direito norte-americano. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Na ADPF. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. o AGU não será obrigado a defender a lei. por analogia. art. §1º e art. de “defensor legis” e. A exposição dos motivos da Lei 9. Posteriormente. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. sendo feita por toda a sociedade.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. 20. Amicus Curiae: Em uma tradução. só vai contribuir para a decisão do tribunal. Ele não é alguém interessado na causa. seria “amigo do tribunal”.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. 43 . 9. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). 7°.

ele diz embora não possível intervenção de terceiros. . R. cabe amicus curiae. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Foi uma exceção. Apesar de que era relevante. Para o prof. portanto. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). É.868/99. ressalta-se que esta é apenas relativa. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. admitindo prova em contrário.102. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Lei 9. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Surgiu com a EC/03. poderia afastar esta presunção. pois admitiu pessoa física em controle concreto. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros.. Gracie). ou seja. a mais correta. é um equívoco. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. “a”.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Obs. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. não tendo partes. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. O juiz de primeiro grau. Marco Aurélio não admitiu. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . segundo o professor. J. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Quando 44 . Aurélio. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. por ex. porque iria envolver matéria em relação à vida. (Obs. em despacho irrecorrível. I. Mas depois que a lei foi feita. M.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. ou seja.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. seria uma exceção). .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Lewandowski. Barbosa e E. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.Com relação à presunção de constitucionalidade. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. . autor e réu. Mello.

O parâmetro. III). em seu art.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas).Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.Título I: Princípios Fundamentais. inclusive o Poder Executivo. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. Gilmar Mendes. Como visto. Segundo a doutrina. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. é mais restrito: somente a violação. e . §1º. nos quais a lei esteja sendo discutida. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Cabe prorrogação. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. na ADPF 33: . .Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.21. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. O STF admitiu ☺Informativo 518. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.Cláusulas Pétreas. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.Princípios Constitucionais. no entanto. art.14. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.868/99. CR e Lei 9. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. o FHC ajuizou ADC. Portanto. não há que se declarar uma lei constitucional).). .Princípios Constitucionais Sensíveis.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. Mas. nas outras ações ela também poderá ocorrer). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. ADPF: ☺ Art. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. art.869/99. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). 45 .U. os preceitos fundamentais são: . P. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. portanto.Cláusulas Pétreas. a Lei 9.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. Através do AGU. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP.102. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. .882/99. II. . Não é uma ação de inconstitucionalidade. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. VII). 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.868/99. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. . . 14. e . 34.

Mas se algum dos legitimados souber da ação. embora lá há uma vinculação horizontal. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Ex. ainda. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Um dos legitimados. 1º. leva a questão ao STF através de ADPF. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. 1º. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. como guardião da CR. 4°.882/99). Incluindo-se. na ADPF. podendo ser um meio de controle difuso. dentro do mesmo tribunal.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. a vinculação é vertical. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. dentro do órgão judiciário). que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.: gestante com feto com acrania. Obs. Características: .: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). os legitimados podem levar não todo o processo. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. apenas o STF. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. neste rol. O objeto pode ser da esfera federal. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. estadual e municipal. Art. Proposta diretamente no STF. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. Aqui. O ato pode ser anterior ou posterior à CR.882/99. P. Segundo Neri da Silveira.: surge a partir de um caso concreto. 196 e ao meio ambiente. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. embora seja bastante difícil existir esse meio). deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. § 1° da lei 9. art.U. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 46 . ou seja.

coletivos e individuais indisponíveis (art. O STF admitiu a ADPF. II e III). Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. . à soberania e à cidadania). 5°.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. por ex. 47 . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. É controle abstrato. q). à soberania e à cidadania”. É controle concreto. h). 105. ADC e ADPF (art. em se tratando de órgão administrativo. I. Ex.CR: STF (art. § 2º . 121. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).Admite-se a fungibilidade. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. para fazê-lo em trinta dias”.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. § 4°. . . Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). (O órgão tem que ter competência determinada na CR. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 5°. TSE/TER (art. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . LXXI . 102. 129. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. V). nas CE ou em lei federal). mas a converteu em ADI. Assegurar a efetividade de suas normas.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 103. É a mesma da ADI. . o STF transforma a ADPF em ADI. Obs. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). STJ (art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. I. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro..Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . No entanto.

5º. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. recentemente. ou seja. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). ECAN e associação c/ 1 ano). o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. não pode fazer a norma para o caso concreto. é b) Concretista: concretiza a norma. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. portanto. entes federativos e PJ dir. O STF. LXX: PP c/ CN. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. não pode concretizar a norma. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. no entanto.: na ADI 3682 b. .3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. mas esse prazo era direito. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. Mas atenção. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. organização sindical. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Recentemente. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. competente de sua omissão (em regra. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. Se o PL) e. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. Obs.Órgãos públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .MI Coletivo: o STF o tem admitido. público: MI protege dir. concretize a norma (faça a norma concreta). mudou seu posicionamento. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. portanto não podem impetrar MI. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 .2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. ou seja. fundamentais em face do Estado. Há. autores que admitem. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. em se tratando de órgão da AP. apenas razoável e não peremptório. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos.

porque nem a AIO tem esse poder.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. O STF adotou essa corrente no MI 232. ao mesmo tempo. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. ademais. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. ou seja. Recentemente. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. 652. 34. Surge a partir do caso concreto. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Ela se subdivide em – geral e individual. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. Portanto. a intervenção é uma exceção (a União não pode. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. VII). o STF está atuando como legislador positivo. 49 . Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. pelo STF. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. e 2) recusa à execução de lei federal (art. não cabe liminar (antes. como regra. A omissão total não cabe MC. ou seja. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. A regra é o principio da não-intervenção. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). 680. 2. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. De acordo com esta concepção. criando uma norma geral e abstrata. Essa corrente é bastante criticada. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). ou seja. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. nestes casos de omissão parcial. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. o PJ. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. O efeito seria apenas inter partes. intervir nos Estados). a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito.040). em um primeiro momento. VI). 708 e 712). Mesmo adotando a corrente concretista. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. porque adotava a corrente não concretista). As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. 36. CR (provimento. 34. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. III. No MI.

CR). §2º. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. mas sim. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. nem no RISTF. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. portanto. foi uma criação da jurisprudência do STF. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). Trata-se de um controle concentrado e abstrato. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. além. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. IV. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. É dispensada a apreciação política pelo PL. ☺art. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. o PR então poderá decretar a intervenção. §3º. § 1°. no âmbito do TJ. 614. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). O STF é o guardião da CR. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. que é o pressuposto para a representação interventiva. O parâmetro aqui é mais amplo. CR. é claro. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. 50 . STF). CR. se violados. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). ☺art. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. e sim em face da CR. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. O RE. 35. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. no âmbito federal). Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. CR. 127. 36. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). Isto está previsto no art. OBS. se o STF der provimento à representação do PGR. 125. Esta forma não foi prevista na CR. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. da ADPF). As partes aqui são o Estado e o Município. mas que surge a partir de um caso concreto. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual).

mas jamais é quem o exerce. Para os jusnaturalistas. Obs. o exercício dessa magna prerrogativa. Modernamente. Assim. cria o Estado. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. ou seja. É ele um titular passivo. em nome do povo. São apenas órgãos aos quais se atribui. social e juridicamente organizado. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. Na 1ª etapa. pois o Estado decorre da soberania popular. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. que formulou esta teoria no fim do Séc. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. corroborando essa perspectiva. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). segundo o Abade Sieyès. retira sua força do direito natural. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. a vontade do constituinte é a vontade do povo. que. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. Schmitt). por delegação popular. é a nação. expressa por meio de seus representantes. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. C. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. que é sempre superior aos poderes constituídos. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. em alguns casos. Assim. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Celso de Mello. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Está acima do direito positivo. Bonavides. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. um dos precursores dessa doutrina. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . pode usurpar do povo a titularidade do poder. editando a nova Constituição. segundo o abade Emmanuel Sieyès. porém. que deve observar o direito natural. XVIII). Portanto. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade.

correspondendo aos anseios daquela sociedade. art. Dessa forma. 11. por conseguinte. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte.: o prof. Obs. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Formal . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Decorrente (art. que é seu verdadeiro titular. para ser considerado legítimo.Revolucionário . ADCT. Assim. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. Espécies Tradicionais: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. há legitimidade objetiva. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Portanto.Reformador (art. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Material . 25. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. já que o poder constituinte já é originário. 3º. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.Histórico .Revisor (art. ADCT) . CR) . entende que a expressão “originário” seria uma redundância. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. 60.

é apenas uma classificação quanto ao momento. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. há alguns valores que são morais. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. 53 . pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. No caso do Brasil. a nenhum pré-requisito jurídico. 1967/69. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). No caso do Brasil. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). 1988.: este poder tem este nome porque para o Direito. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. Ex. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. independente e soberano. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). é a Constituição que vai dar origem ao Estado. . mas não a primeira e sim uma nova. Obs. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. Obs. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). ela nunca deixa de ser do povo. Apesar de ser um poder incondicionado. 1946. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. O Abade Sieyes.: se é um poder autônomo e incondicionado. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. ou seja. GV). A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. ex. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). b) é um poder inalienável. não perde a titularidade do poder constituinte. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. Obs. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. que substituirá a anterior. No plano axiológico. O povo é o titular do PCOM. 1934. foi criado um direito natural). através de normas constitucionais. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. através da Constituição. 1937.

contudo. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). a doutrina deduz deste art. as constituições estaduais não são recepcionadas. No entanto. ficando um pouco relativizada. no art. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. Esta AL. observados os princípios estabelecidos na CR. 25. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. De acordo esse limite. A partir do momento que a CR surge. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). com os avanços da sociedade. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. por se tratar de uma conquista da sociedade. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Ainda que o estado seja soberano. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). 25. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. O prof. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. 54 . na pena de morte. Quando a CR consagra o art. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. por ex. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. na verdade. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. ele encontra limites no texto da CR. A CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Dentro desse limite. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. Fábio Konder Comparato fala. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. No caso da CR/88. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Ex. Não se trata de um limite jurídico. Obs. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR.. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. 11 do ADCT. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). ☺art. mas meta jurídico (fora do direito). mas continua a existir como característica essencial deste poder. Ex. não concorda muito com isso. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva.

§ 1°. que se estendem aos Estados. mas foi uma decisão super apertada (6x5).: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. § 3°). Estão presentes no art. 59 e segs. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 75.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. por enquanto. 27. 57. Mas. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. VII. V ???) I) Expressos na constituição: art. 34. vedada a recondução. II) Implícitos: CPI (art. e o STF decidiu que não havia problema. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. são as normas de auto-organização da União.). Há dois grupos: (art. são essas as normas de repetição obrigatória. Segundo o STF.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. CR. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. §1º .Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. Obs. §4º não é norma de observância obrigatória). aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.: presidencialismo x parlamentarismo). Se subdividem em: 55 . porque o art.: ☺art. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). 58. Obs. . que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. diferente dos extensíveis. . 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. 93. ou seja. 61. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. composição.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. CR. 57. §4º. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . processo legislativo (art. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . 58. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”.

não é autônomo.: os arts. 37.. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. . em qualquer estado da Federação (art. Ex. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. DF e M. se for decretado o estado de defesa (art. 60.exercício: é pelo CN. . portanto. decorre da lei e não da força. .é limitado.). E. . CR (é vedado à U. uma limitação temporal para o poder revisor – art.normas mandatórias: ex.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. .é um poder jurídico (e não de fato).) – contém uma vedação expressa. Ex. 34).. portanto. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. 137). ou seja. . A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.não é inicial.titularidade: é do povo.. 19.. mas é possível deduzi-las. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. CR. §1º. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. cujo procedimento está previsto no art.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios.: art. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. ADCT). 56 . . A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.é condicionado. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . e se for decretado o estado de sítio (art.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada.: art.normas vedatórias: ex. 3°. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. no entanto. é conseqüente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. . 60. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. . Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. Trata-se de um poder previsto na CR e. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. . 136). CR.

CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. não promulga. não veta. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). no entanto.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS.Discutido e aprovado. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. 60. II e III) uma exceção à regra geral. apenas o PR. no âmbito do MP. §2º). 60. . b) o entendimento majoritário da doutrina. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR.A nossa Constituição é rígida. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. . GE. . Obs. . A Sessão legislativa (art. 61. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. a PEC vai para a promulgação. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). é o de que o art. Ex. 44. Este art. o STF e Tribunais Superiores. 62. §5º. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. . também chamadas de implícitas. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. no qual há 4 sessões legislativas. no âmbito do PJ. 61 é a regra geral de iniciativa. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. 60. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. 67. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. CR). para que. através da iniciativa popular (art. possamos usar o procedimento previsto no art. a PEC será discutida em cada casa do CN. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. 60. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). No caso de projeto de lei. ☺art. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. 60 (incisos I. §2º). que é o período de 4 anos do mandato do PR. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. proposta rejeitada no dia 15/01.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. também podem propor projeto de lei o povo. . sendo o art. DF e DE. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre).Além do PR. o PGR. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. ademais. assim.Feita a iniciativa. do SF ou do CN. ela será chamada de extraordinária. §10). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. CR.). não pode haver emenda de emenda. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. apesar de não existir previsão expressa. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. após a iniciativa.A última limitação formal objetiva está prevista no art. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR.U. §3º. P. . trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 57 . no âmbito do PE. 61. 61. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. ☺art. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. se a matéria for rejeitada. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. por fim.

segundo o STF. mas sim. não é secreto. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. . A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). o voto não é universal. Secreto. secreto. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). b) Preservar a identidade material da Constituição.O voto obrigatório não é cláusula pétrea.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. o direito de participar das eleições. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. CR. As cláusulas pétreas são. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. a). universal e periódico. c) Assegurar o processo democrático. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. o que é secreto é o escrutínio. 60. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Ou seja. que é o modo como se realiza o exercício do voto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. c) Voto Direto. pois. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. 150. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Se elas não existissem. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. . é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. 58 . Curiosamente. ademais. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Expressas: ☺art.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. VI. na verdade. São as chamadas cláusulas pétreas. Universal e Periódico: . Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. §4º. o que é universal é o direito de sufrágio. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. ao estabelecer limitações à vontade da maioria.

Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. pois. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Assim. sistematicamente. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta.: FGTS. todo o art. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. comportam diferentes interpretações. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Ex. Chama-se dupla revisão. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. não seriam cláusulas pétreas. 5º. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. (23/04/09) 2.Há quem defenda. Os demais direitos e garantias fundamentais. O art. . mas refere-se a uma reforma. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. dispostos do art. mas os demais não (ex. Assim. Mas o STF já considerou que o art. como um todo. Para ele. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . não alterando-o). é CP. Os direito fundamentais se encontram. b. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. far-se-ia uma EC revogando o art. A CR fala em direitos e garantias individuais. não o serem). III. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. segundo a qual o art.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. para posterior alteração do conteúdo. Lá estão as limitações ao poder reformador. posteriormente. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. §4º. em princípio. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. CR. 150. e por conseqüência. com a dignidade da pessoa humana. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. inclusive. O prof. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. não concorda. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). 60 seria CP. e não em direitos e garantias fundamentais. 5º. não tem nada a ver com CP). Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. 60. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. CR. são CP. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. CR). Um exemplo. 60. por isso. sendo uma garantia individual. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. 2º. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR).: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. por uma questão lógica. ADCT). que não é unânime na doutrina. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. ou. 60 poderia ser modificado. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Obs. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. CP). Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. é o art. que proíbe a pena de morte.: primeiro. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art.

A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. Ex. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. 3º. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. em sessão unicameral. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). tem que haver previsão expressa na constituição. 5°. 3º. c) Máxima: a retroatividade não é automática. mas seus efeitos surgem após a constituição. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). ☺art. 3º. a constituição atinge prestações vencidas. o STF tem entendimento unânime. A limitação imposta no art. CR). mas também emendas à constituição. esse era o entendimento do STF. não abrange EC. Ex. Ex. tem que haver previsão expressa na constituição. contados da promulgação da Constituição. portanto.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. . O direito adquirido pode ser relativizado. não abrangendo apenas leis em sentido formal. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. A retroatividade mínima é automática. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. XXXVI. Revisão é a via extraordinária. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . 60. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. Antes da CR/88. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. art. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. O ato ocorreu antes. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. mas ainda não pagas. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Com relação ao assunto acima. excepcional e transitória de alteração da Constituição. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. em sentido formal. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. não sendo um princípio absoluto. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. b) Média: a retroatividade não é automática. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC.

(*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. especificamente. 3º. §§1º e 4º). o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. 61 . Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. e de forma geralmente mais extensa. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. Além disso. circunstanciais. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. 60. ADCT.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

62

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

63

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. b) Histórico: no seu desdobramento. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Ex: princípio da não contradição. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. como todas as demais. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). 65 . e não isoladamente. Além disso. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. para o direito público. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Nele estão os valores supremos da sociedade. esse método também é conhecido como método valorativo. devido à complexidade da interpretação constitucional. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Constituição da República. esses elementos são insuficientes. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. O texto da norma funciona. O grande problema é que. Por isso. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. é também o limite para a interpretação. Buscam os valores subjacentes à constituição. Toda norma está dentro de um sistema. É o início de uma interpretação. portanto. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. eles são suficientes. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. X. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. Ela não tem normas jurídicas. Esse método não é apenas sistemático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. mas apenas valores: o preâmbulo. com algumas peculiaridades. Por isso. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. só tem alma. para o direito privado. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. e os valores fossem o seu espírito. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Não existe uma norma jurídica sozinha. 52. É como se a norma fosse o corpo da constituição. entra o elemento histórico evolutivo. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. partindo da idéia de sistema. aqueles desenvolvidos por Savigny. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). como início e limite para a interpretação. Imagine a Constituição norte-americana.

cujo plural é “topoi”. enfraquece-se a força normativa da constituição. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Por ter uma feição mais política do que jurídica.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. da jurisprudência dominante. que contraria o positivismo jurídico. Assim. Os topoi são esquemas de pensamento. mas sim diante de problemas. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. pontos de vista ou lugares comuns. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. → Crítica: feita por Canotilho. ele também é conhecido como método sociológico. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Se se permite interpretações divergentes. 2. formas de raciocínio. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Esses pontos de vista. mais um 66 . os quais são submetidos a várias opiniões. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. que é apenas mais um topos. Este problema será solucionado pela argumentação. pois comporta mais de uma solução possível). como ocorre neste método. Por isso. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. dos princípios gerais do direito. lugares comuns. porque trabalham não com a idéia de sistema. o que geraria uma grande insegurança jurídica). os operadores do direito servem-se de topoi.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Assim. por ex. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. do senso comum. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Problema é a questão difícil. Isso gera certa instabilidade.. da doutrina. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. como. de casos que comportam mais de uma solução possível. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Ex. ou a de que um é mais correto do que o outro). de argumentação. certa insegurança jurídica. Ex. Violação de correspondência de presos. a favor e contra. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Ex.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. ou seja. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). vence o argumento que for mais convincente. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido.

Para este método. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. como já vimos. ainda que dos mais importantes. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). São métodos indissociáveis. A principal diferença. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). é preciso que haja um problema. sua aplicação a casos complexos. diferentemente dos dois primeiros. pois. não se deve falar em interpretação constitucional. Assim. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. são também métodos concretistas. Ele parte. Assim. devendo-se fazer uso de outro método. é bom lembrar. Os métodos III e IV. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. são coisas diversas. Hermenêutica e interpretação não se confundem. se for caso de lacuna. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. e o problema concreto a resolver. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. que a questão não seja simples.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. 67 . resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. este método não poderá ser aplicado. ao lado de Hans Kelsen. quando se fala em hermenêutica. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Não se pode separar as duas coisas. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. porém. e concretizador à aplicação. e sim na sua concretização. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. de única solução possível. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. mas em concretização). não podem ser utilizados de forma abstrata. Além de serem métodos aporéticos. a compreensão prévia do intérprete. Ocorre que. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. na sociedade aberta de intérpretes. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. ou seja. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Método concretista. por serem métodos concretistas.

todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. pois. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). O texto não tem o comando. ele dirige e. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. a interpretação constitucional tem que ser democratizada.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). Quando ele fala em democratização. Assim. Não diz respeito aos critérios de interpretação. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Judiciário. O texto tem duas funções muito relevantes. mas a toda a sociedade. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. mas também para a interpretação da Constituição. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Friedrich M. em regra. O que ele chama de domínio normativo. Na prática. aberta a toda a sociedade. limita a interpretação. Segundo ele.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . mas também na sua interpretação. ele na verdade não o é. mas refere-se àqueles que podem interpretar.Elementos do âmbito da norma . que têm legitimidade para a interpretação. Fala-se que são utilizados. é a realidade social tratada pelo texto da norma. Paulo Bonavides o tratar como um método. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. A democracia deve servir não apenas para a criação. Gilmar Mendes). A norma é o mandamento. . Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Segundo o autor. é o comando que se extrai da norma interpretativa. bem como a quebra da unidade constitucional. Para ele. Essas duas figuras podem ser.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. a norma só surgiria após a interpretação do texto. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. 68 . por sua vez. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. regulada pela norma. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Ainda que a Corte seja o intérprete final. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. ao mesmo tempo. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. traduzido pelo Min.

Na verdade. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. superado o valor da norma). Também denominado de originalismo. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. que corresponde à vontade do constituinte originário. norma e fato. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. bastante discutido nos dias atuais. mas de forma concreta. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Em virtude do caráter normativo dos princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. como a constituição é feita por representantes do povo. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. vinculante e obrigatória. sem modificá-la. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. 69 . O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. do povo. Esta questão está ligada à separação dos poderes. preocupado com a segurança jurídica. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. quando interpretada. No pós-positivismo. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. o poder legislativo é claramente fraco. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Hoje. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). no Brasil. Por isso o judiciário tem ganhado força. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. surge o Positivismo Jurídico. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. A segunda corrente. Entende que. Assim. Segundo Conrado Hubner. Após. textualismo e preservacionismo. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. que se subdivide em princípios e regras. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. surge a idéia de norma (gênero). 3) Existe uma única resposta correta. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. A norma. Assim. os direitos têm que ser iguais para todos. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa.

é preciso saber quais são as normas opostas. Para Habermas. . ou seja. Alexy afirma haver exceções. e . Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.: aposentadoria compulsória.Postulados.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. isto é. o que ocorre por meio da ponderação.dimensão que eles ocupam (Alexy) . que apontam para o sentido contrário. A norma é um gênero e. ou seja. apenas os princípios possuem a dimensão da importância.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. impessoal. bilateral). será invalidada. Segundo Robert Alexy. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. imperativa. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. Assim. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. princípios são “mandamentos de otimização”. Ex. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. → Princípios X Regras: . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Ambos são normas. Dworkin entende regra como mandamento definitivo.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas.Regras. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. em havendo um conflito no âmbito da validade. quando se vai aplicar um princípio. mas a medida do possível.Princípios. As regras possuem aplicação automática. impõem resultados. . genérica. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. que envolvem a aplicação deste princípio. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Eles não definem a medida exata. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. O grau de abstração é a diferença. . 70 . → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. há uma subsunção lógica. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). dentro do gênero norma jurídica. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível.generalidade . e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. peso ou valor.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. como elementos do sistema normativo constitucional: . É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). caso a resolução seja feita com base na hierarquia. → Regras: são “mandamentos de definição”.

será feita a análise de alguns postulados que. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Ex. Mas e os postulados? Segundo esse autor. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. cronológico e da especialidade. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. É um conflito sempre no caso concreto. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. mas não têm a mesma função dos princípios. nem estabelecem competência ou conduta. Os postulados são denominados. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento.: proporcionalidade. 71 . Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. por isso não são aplicados diretamente. de modo a realizar os valores nela consagrados. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. Segundo a LICC.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. interpretação conforme a Constituição. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. Com base nessas premissas. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. também conhecido como antinomia de princípios. Eles não apontam um fim. embasados na supremacia da Constituição. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Não estão na constituição. como princípios. pela maioria da doutrina. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Nesse aspecto. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau).

Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. A 72 . quando entender que uma norma é inconstitucional. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. No Brasil. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. ficam vinculados àquela decisão. Não se retira a lei do ordenamento. o Chefe do Poder Executivo. não tem como fazer interpretação conforme. pode ser exercido através do veto jurídico. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Se a constituição é a norma suprema. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Da mesma forma. excepcionalmente. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. é necessário que a Constituição seja rígida. No Poder Legislativo. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. se entendê-la inconstitucional. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. presume-se que agiram de acordo com ela. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). pode deixar de aplicar a norma de ofício. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Se há mais de um significado. a lei deve ser declarada constitucional. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Ou seja. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. na dúvida. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Essa presunção é relativa (iuris tantum). E. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. na dúvida. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. deve optar pela constitucionalidade. Toda Constituição tem supremacia material. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. e. no Poder Judiciário. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. como no âmbito do Poder Executivo e. Ele pode negar a aplicação da lei. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Todo projeto de lei passa por um controle. assim. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. no controle difuso. o Princípio da Supremacia da Constituição. Excepcionalmente. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. para ter essa supremacia. significa que ele é unívoco. No Poder Executivo. Se o texto tem apenas um significado. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). significa que as demais leis devem obediência a ela. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. o Poder Judiciário. por ser presunção relativa.

Portanto. prevalece a vontade da lei. num estado democrático. É como se filtrasse a lei. Temos o voto direto como cláusula pétrea. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. há várias tensões entre as normas constitucionais. Busca a vontade do objeto interpretado.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. pois. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. essa corrente é chamada de “subjetivista”. ao mesmo tempo. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. b) Fim pretendido: . §1º. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. A segunda corrente. existem. Isso é impossível. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. passando ela pela constituição. normas superiores e normas inferiores. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Obs. na constituição. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Na verdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. a norma inferior. isso não ocorre. Hoje em dia. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. sendo. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Outro ex. mas. que busca a vontade da lei. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Segundo Kruger. de direito previdenciário. logo é conhecida como corrente “objetivista”. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Antes. Geralmente. Hoje. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. 81. é conhecida como mens legis. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. . devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Ao se admitir que essa norma é superior. 73 . etc. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. poderia declarar o art. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. necessário harmonizar esses dois princípios. Ex: Brasília é a capital federal.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Logo. Em uma sociedade democrática e pluralista.

tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. §1º. 74 . deve-se buscar essa concordância prática. O STF declarou constitucional. aplica-se o princípio da Concordância Prática. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. se ambos estão consagrados na Constituição da República. Abstratamente. pelo legislador. Quando se tem uma colisão entre bens. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. bens ou interesses. valores. violava a liberdade de exercício de comércio. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. é necessário utilizar a ponderação. Sempre que possível. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. ele se basearia no princípio da unidade. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. O Juiz irá ver. Segundo este princípio. Eles são muito parecidos. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O relator indeferiu a petição inicial. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O STF analisou 02 casos: a) Art. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. no caso concreto. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. O que tiver o peso maior irá prevalecer. a integração política e social. e não em abstrato). Ex: voto direto é a norma geral. Uma existe ao lado da outra. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. qual dos dois grupos tem um peso maior. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. interesses. 45. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. na hora de se interpretar a Constituição. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Se ele entrasse no mérito da questão. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. O que é isso? É semelhante a uma balança. e voto pelo CN é a exceção. inclusive. princípios ou valores. Nesse caso. Pode ser usada. Assim. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. criando um efeito conservador da unidade. que é anterior à Constituição da República. Essa lei. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. as duas normas têm conflito entre si. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos.

Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Caso contrário. sendo o guardião da constituição. Ex. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. Exs. que contribua para o debate de interesse geral. às vezes. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. e não princípios. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. mas também a ratio decidenti. para que outros direitos sejam assegurados.: a proibição da pena de morte. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. não. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. eis que ambos se relacionam. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. proporcionando-lhes uma força otimizadora. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . a privacidade deve ser preservada. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. ou seja.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. não. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. na academia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. Ex: Se tiver na praia. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. STF não foi abandonada. do trabalho escravo são regras. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. 343. 75 . Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. do contrário. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. O importante é saber que todos os princípios. Deve haver uma cedência recíproca.: a Súm. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). 2) relativização da coisa julgada: o STF. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. cabe ação rescisória (obs. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. não se aplicando para a interpretação constitucional. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. até uma compreensão equivocada. poderia fotografar. da tortura. por mais importantes que sejam. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto.

76 . a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . é também conhecida como eficácia jurídica. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. pois. Este princípio. validade é. Ver no Site Editora Método. é também conhecida como eficácia social.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. no Brasil. sobretudo o Tribunal Constitucional.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. a função social para a qual foi criada. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. CR/88 (aplicação imediata).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. a qual significa a realização do direito. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). o desempenho concreto de sua função social. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. . a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. 2) Direito de greve.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. . . É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. Exs.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. 4. 5º. §1º.com. . tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.335/AC.

O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. No Brasil. Para que um ato seja considerado proporcional. É um princípio implícito. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. não está textualmente consagrado. LIV. do Prof. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. maiores hão 77 . Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. Alegam que a restrição seria desproporcional. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Ex. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. CR. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. à garantia do devido processo legal. É uma influência do direito norte-americano. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. 1º. Nos sistemas da commum Law. utiliza-se o termo proporcionalidade. utiliza-se o termo razoabilidade. Assim. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). ou seja. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. desproporcional. ele tem que ser adequado. deveria conceder uma autonomia maior. mas apenas como menções. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. apto para atingir o fim almejado. Na Alemanha. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. 5º. Ex. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Ele está ligado. não se deve abater pardais com canhões. por isso sua importância. Não é o entendimento mais cobrado em provas. É uma influência do direito alemão. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. uma restrição à liberdade só será possível se. ☺art. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. em sua origem. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Se o ato for desnecessário. dentre os meios existentes. Para Jellinek. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). será também desproporcional.

A face acima exposta do princípio. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. 78 . que é chamada de proibição de insuficiência. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. o poder público age aquém do que deveria. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. pode ser chamada de proibição do excesso. Nesse caso. ou proibição por defeito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Há uma outra face desse princípio.

qualquer religião oficial da RFB. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Situa-se no domínio da história ou da política. mas no domínio da política. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Esses princípios sim. O que acontece é que o preâmbulo contém. não é componente necessário de qualquer Constituição.. Em âmbito estadual. laico ou não-confessional. com exceção das de 1891 e 1937. não é norma de repetição obrigatória. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. apresentado de forma não articulada. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. sendo. É uma corrente intermediária em relação às demais.. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. Não contém. não existindo. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. refletindo posição ideológica do constituinte. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. não tem relevância jurídica. portanto. No Brasil. inscritos na Constituição. 79 . Ocorre que todas as constituições brasileiras. relevância jurídica. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. proclamação mais ou menos solene. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. de regra. reproduzidos ou não na Constituição estadual. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. anteposta ao articulado constitucional. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. Como se sabe. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. portanto. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. O nome não é o mais apropriado. porém. o Brasil é um país leigo. Não tem. não tendo força normativa. Assim. mais ou menos significante. caráter normativo e. pois. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. pois. mas é a tese por nós adotada. O min. Para o STF. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. dado que. incidirão na ordem local. o preâmbulo. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle.

Esta é a sua natureza. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. 80 . com a solução pacífica das controvérsias”. a liberdade. pluralista e sem preconceitos. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. o desenvolvimento. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. o bem-estar. fundada na harmonia social e comprometida. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. a segurança. Ao estabelecer os valores supremos. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. na ordem interna e internacional. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais.

apenas 81 . A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. §5º). Não depende de regulamentação. §5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). 53). possivelmente restringível ou redutível. isenções (art. O que as difere é o grau desta eficácia. (É a mais cobrada em provas). Uma NEC. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. destaca-se a de José Afonso da Silva. 128. é uma NEP? Não. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. no Brasil.U. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. vedações (art. Quando se fala em aplicabilidade imediata. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). dentre as quais. enquanto não for restringida por lei.: normas que estabelecem imunidades (art. A NEC. Ela não depende de lei.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. que poderá variar conforme o seu enunciado. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Não são a mesma coisa. mas admite lei. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. por sua vez. que “contenha” o seu conteúdo. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. enquanto não for restringida. P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. como se poderia imaginar). 184. → Normas de Eficácia Contida: O prof. imediata e integral. Exs. A integralidade. prerrogativas (art. 95.

5º. XXIII e XXIV).. Ex. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. art.U. XII c/c arts. eis que estabelecem o fim a ser atingido. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. etc. são NEP (como são as normas dos incisos I. . enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.por conceitos de direito público (ex. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. mas pode ser). CR. As vedações. É indireta ou mediata. ☺art. 5º. A norma constitucional tinha eficácia. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. 95. mas o seu §1º.: trata de vedações que são impostas aos juízes. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. P. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. 9º. Não é apenas um conselho. que não é norma). que faz parte da mesma norma. de forma que antes da Lei 9. e art. ofício ou profissão. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. 82 . mas não é uma NEP. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. que dirige os rumos do Estado. 136 e 137).: art. Se ela fosse uma NEP. Assim. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. XXII. etc. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. 22. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei.).: art. mas não disse quem pode propor. necessidade ou utilidade pública. Neste caso. . O caput do art. em regra. e não quais são os meios para se atingir o fim. não há omissão inconstitucional. 37. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . PU: União poderá delegar aos estados. II e III deste mesmo art. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. XIII. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. mas dizer como esse direito será exercido. que a regulamente. A lei não irá restringir o direito. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer).: ordem pública. é obrigatória. caracterizadas justamente por este tipo de norma). 37. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). interesse social. art. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. ela nunca poderia ser restringida. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. 95). art.por outra norma constitucional (ex. 102.por lei (ex.Impositivas: ex.U. – ex. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. segurança nacional. Exs. conforme a lei. A NEC pode ser restringida: . A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. art. poderá criar impostos residuais. esclarece que trata-se de uma NEC.Facultativas: ex. VII. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. VII.: art. se quiser. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. etc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. VII (direito de greve dos servidores públicos). 154: a União. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. e mediata porque depende de alguma condição. ☺art.: art. art. mas. 37. . mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. Ex.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. 5º. 9º dá a entender tratar-se de NEP. 3°. Indireta porque depende de uma outra vontade. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). quais são os efeitos.

Assim. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. 2º. Elabora-se uma norma genérica. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. ADCT. Para ela. Uma última classificação. cumprida a sua finalidade. uma eficácia negativa (e apenas esta. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Ex. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). também conhecidas como normas super-eficazes. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. exaurem sua eficácia. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. imediata e integral). 83 . porque ela não tem eficácia positiva). Por isso não dependem de outra vontade. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica.: As NEP. Traduz um sistema fechado. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. São as normas do ADCT. a NEL produz efeitos: ela exige lei. ademais. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Obs. mencionada por alguns autores. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. OBS. não depende de outros sistemas. antes da lei ser feita. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. tem eficácia.: art. as Cláusulas Pétreas. pois. Marcelo Neves critica essa concepção. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Diz que o direito se auto produz.

Faremos o estudo de alguns institutos. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. com o caráter de normas constitucionais.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. 2°. Assim.P → A. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. → CR → A. 84 . podendo. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.: ☺art. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. 242. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein.N. sempre que nasce uma nova Constituição. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. art. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. porém.N. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. serem recepcionadas pela nova Constituição. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. §2º (que fala do Colégio Pedro II. ou seja. § 1°. caso compatíveis com a nova Constituição. Ex. por esta teoria. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. não. Quando uma nova constituição é criada. como normas infraconstitucionais. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. parte final). Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. quando do surgimento de uma nova Constituição. e sim como normas ordinárias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. vale dizer. tenha retroatividade média ou máxima. IV. por regra. deve existir expresso pedido na Constituição. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. com pequenas exceções.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. como é o caso do art. que. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. dentre outras. Contudo. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. 7º. o STF entendeu que. CR. 7º. nada impede que a norma constitucional. as leis infraconstitucionais. diante da aplicação imediata. para tanto. c) por outro lado. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. vale dizer. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. 5º. XXXVI – “lei” em sentido amplo). como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. 51 do ADCT. sendo regra a retroatividade mínima. Assim. têm retroatividade mínima. Ex. IV. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). 88 . Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. Assim. Como outro exemplo de retroatividade mínima. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. Como se percebe. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado.: art. desde que haja expressa previsão. também limitado juridicamente).

como também ao exercício abusivo de certos direitos. seja como orientação para progresso da legislação. a divisão de seus poderes (art. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Sob o ponto de vista dogmático. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. 4º). a menos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. Em situações novas. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. em um todo sistemático. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. assim. 2º). pois servem de critério para o legislador que. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. Desse modo. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. os quais estabelecem a sua forma. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. por conseqüência. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. De uma forma geral. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. é claro. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. seja como diretiva na solução de casos concretos. estrutura e fundamento (art. é obvio. não só das ações dos poderes estatais. diverso e opostos. Executam. o que os coloca numa posição de superioridade. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. ainda não regulamentadas de forma mais específica. sobretudo. ao elaborar as leis. Dessa forma. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. 1º). No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. da função positiva que 89 . atuando como um limite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos.

CR). o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. esses conceitos foram se esvaziando. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. que reinava de forma absoluta e irresponsável. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. o direito de secessão. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. 34. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. No tocante ao Poder Executivo. aos entes que compõem a federação. sendo criados novos critérios distintivos da República. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. 90 . I). redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. A baixa densidade semântica. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. a Constituição veda. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. Com o passar do tempo. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). 1º. quanto para o legislador na elaboração das leis. DF e Município. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional.

uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. a legalidade da Administração. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. 91 . à questão perene da Justiça. não é absoluta e ilimitada. Em um Estado democrático. a independência dos juízes. Sob o aspecto material. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. No Estado material de direito. Aqui. a vontade popular representada pelo parlamento. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. sob as circunstancias transitórias. seja diretamente. seja através de representantes. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Em um Estado de direito. No que se refere ao princípio democrático. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não apenas os indivíduos. ou. ainda.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. No plano externo. na ordem internacional. a soberania migrasse do soberano para o povo. o indivíduo se sente útil e respeitado. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. no plano interno. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. na ordem internacional. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. independente. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. A soberania externa se refere à representação dos Estados. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. Todavia. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. 6º). a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. em nenhum momento podem ser colocados de lado. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. por não ter de acatar. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. por essa razão. Por essa razão. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. 92 . conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Supremo. uns para com os outros.

a Constituição. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. uma sociedade conflitiva. de reunião e de associação. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. 215 e 216) e dos meios de informação (art. 17). Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. a profissional. a intelectual. 93 . justa e solidária (art. a partir do início da década de 90. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). 170). Por isso. ao contrário. passando a se revestir de normatividade. conforme os ditames da justiça social. a de informação. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. partidário (art. a filosófico-religiosa. científica. 1º). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. político (art. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. A escravidão. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. salvo nos casos previstos em lei. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. artística. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. 3º. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. III). Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. Este fundamento é concretizado. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. de comunicação. dentre elas. a tortura. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. a sexual. de idéias e de instituições de ensino (art. o que pode levar a divisões irredutíveis. deve constituir o seu objetivo supremo. 170). Por essa razão. I). 220). de interesses contraditórios e antinômicos. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. mas. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. derradeiramente. com a queda do comunismo. independentemente de autorização de órgãos públicos. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. por natureza. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. Fruto da concepção liberal. ainda. 206. é um princípio básico do liberalismo econômico. sobretudo o sistema de direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. a sociedade pluralista é. assim. Mais tarde. É ela o valor supremo que irá informar a criação. e. cultural (arts. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. a de opinião.

) imprescindíveis para uma vida digna. por outro. possui um caráter positivo. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. mas também a de que o Estado garanta. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. seja por terceiros. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. Esta acepção. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. possui um caráter negativo. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. Por outro prisma. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. o acesso aos valores. independentemente de usa origem. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). educação fundamental. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. econômicos e culturais. não apenas por parte do Estado. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). em um primeiro momento. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. que seja efetivamente exigível do Estado. condição social ou qualquer outro requisito. na medida em que procura representar um subconjunto. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. Portanto. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. Por isso. etc. por exigir uma abstenção. idade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. o que significa dizer que na criação. dentro dos direitos sociais. Poder-se-ia dizer. a todo e qualquer cidadão. Esta acepção. sexo. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. cada vez mais. Assim. menor (minimizando o problema dos custos). não como um fim em si mesmo. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. ligada ao valor igualdade. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. A dignidade da pessoa humana não é um direito. ligada ao valor liberdade. 94 . bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. mais importante. mas também dos particulares. em alguns casos. Todavia. sua existência material. ou para com a pessoa. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. à dignidade da pessoa humana. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. mas. e. moradia. Portanto. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. seja pelo próprio Estado. mas um atributo que todo ser humano possui. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária.

. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. à participação política. 6° e seguintes). Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. devido à escassez de recursos. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. 95 . . têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. igualdade e dignidade. São direitos ligados à cidadania. .direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. devido ao custo de serem prestados. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa.direitos individuais. . ligados à liberdade. Em sua maioria. uma constitucional e uma doutrinária. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). CR/88). 5°. 5°. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Visam proteger o valor igualdade. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. consagrados no plano internacional. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. Têm caráter positivo e negativo. que divide os direitos fundamentais em: .direitos sociais (art. mas também no art. pois surgiram em uma única época. são os direitos individuais consagrados no art. Têm um caráter negativo. do qual são espécies: . 6º ao 11.direitos políticos (art. basicamente. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Assim.direitos prestacionais: são.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Em termos materiais. Essa classificação é legislativa. . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. consagradas ao longo das constituições. Enfim. Exigem uma atuação positiva do Estado. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. 12 e seguintes). os direitos sociais (arts.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos à nacionalidade (art. 6° e 7°). Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Em sua maioria. CF/88. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. . portanto. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. 14 e seguintes). O Estado deve fazer escolhas trágicas.

Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. são direitos de caráter negativo. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. XVIII. → Igualdade: Direitos Sociais. Têm caráter negativo. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Exigem uma ação do Estado. por exigirem uma abstenção. Ou seja. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Obs. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. 4º. portanto. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. e estas gerações coexistem atualmente. já os de 2ª geração não. Estão ligados. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. ao desenvolvimento ou progresso. Por isso. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. São basicamente os direitos individuais. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. a autodeterminação dos povos (art. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. sobretudo de princípio programático). diretamente à igualdade material. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Exs: direito ao meio ambiente. Vejamos quais foram as gerações. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. enfim. Eles foram surgindo com o passar do tempo. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Os direitos de defesa. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. por exigirem uma prestação do Estado. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. de 1789: liberdade. Não houve substituição de uma geração por outra. Têm como objetivo. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. pois. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. direito de comunicação. a imprensa livre e o funcionalismo público. segundo Jellinek). ao lado da 4ª. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. como a família. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. os direitos prestacionais. Esta é a sua preocupação principal. exigindo uma abstenção. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. A 3ª geração. 96 . diante da necessidade de cooperação. econômicos e culturais. então. queria que ele respeitasse suas liberdades. XX. e geralmente em normas auto-aplicáveis. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. da solidariedade entre países ricos e países pobres.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. e a dele é a mais cobrada em concursos). São chamados direitos civis e políticos. movimento encabeçado pelo proletariado. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. Tais direitos têm caráter positivo. São considerados basicamente como direitos coletivos. CR/88). das gerações. Como vimos. à autodeterminação dos povos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. esta alteração não foi feita em seu livro. conserva nossas identidades. Paulo Bonavides. Ao lado da vontade da maioria. caso violados. estas as garantias. de orientações sexuais. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. com a declaração do direito”. Os argumentos contrários a esta união. de conteúdo). ☺ADPF 132. na mesma disposição constitucional ou legal. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. ocorrendo não raro juntar-se. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Ou seja. que alguns dizem trazer os direitos à internet. quiçá quanto a 5ª. Ex. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Além desse aspecto. de ideologias políticas e partidárias. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. traz direitos ligados à pluralidade. outros são difusos). Em uma ponderação. Quem tem o papel contra-majoritário. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. as disposições assecuratórias. a fixação da garantia. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. mas há divergências na doutrina quanto a isso. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). V. as demais características são tratadas pelo prof. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. etc. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. CR/88). → Globalização: direito à democracia. Porém. econômico. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. um pluralismo cultural. os direitos de família. o direito a adoção. que seria a vontade da maioria. Ele preserva. Afora esta peculiaridade. Quando se fala em pluralismo político. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). Ele abrange um pluralismo religioso. Assim. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. São também direitos transindividuais (em sua maioria. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores.P. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. artístico. um pluralismo ideológico. à informação e ao pluralismo (D.: quanto ao direito à paz. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. ele tem uma importância muito grande. em defesa dos direitos. Aquelas instituem os direitos. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. inclusive das minorias. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. o prof.I. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. 1º. Esta geração de direitos advém da globalização política.). ao analisar a Constituição de 1891. Ou seja. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. são direitos difusos). defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. que são as que. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. e isso acaba por prejudicar as minorias. Por isso o direito à democracia é tão importante.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. limitam o poder. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). 97 . como os previdenciários.

ainda que não individualistas. como é o caso. muitas vezes.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. se o direito garantido não possui alguma especificidade. no caso concreto.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. XXXVII. conflito de interesses. .Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. ou magistrado.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. como é o caso da ação popular. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. por ex. . 5º. . quando. 98 . ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. havendo. portanto. são indisponíveis. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. é claro. 5º. no caso concreto. emite uma opinião (direito de opinar). juntamente. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. os apátridas e as pessoas jurídicas.. Se são sempre exercíveis e exercidos. mas nunca a sua renunciabilidade. a todos os seres humanos.direito ao juízo natural (direito) – o art. que só pode ser proposta pelo cidadão. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. Normas positivas. coarctando. confronto. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). HD.Universalidade: destinam-se. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). através da interpretação sistemática.: direito de propriedade versus desapropriação).Historicidade: possuem caráter histórico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. . de modo indiscriminado. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Isso porque. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. conjugando-a com a sua mínima restrição. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. ou caberá ao intérprete. . nascendo com o Cristianismo. ilegalmente preso.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. etc. Contudo. Exemplos: . . de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. Deve-se observar. Obs. uma vez consagrado o direito. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. decidir qual direito deverá prevalecer. . O caput do art. Nada impediria.). os estrangeiros não residentes.: HC.

como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. mas. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. não dependendo de legislação. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). 5º. mas o pressuposto do qual ela parte). De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. 5º. §1º. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria.). verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. então. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). fática e juridicamente. 99 . O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. Ingo Sarlet afirma que o art. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. fala-se. ordem pública. causando uma desfiguração no direito privado. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. então. Assim. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. §1º. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. etc. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. só trazendo relações entre o Estado e o particular. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. pois. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. para isso. analisando caso a caso. No entanto. Posteriormente. Não se admitiria. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos.

mas. através de princípios.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Para a realidade brasileira. se exteriorizam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. é possível a sua aplicação com base na Constituição. muito abertos. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. como a segunda. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.RE 158.RE 175. houver uma desigualdade fática. então. . Mas. e. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. a aplicação será indireta. para que os princípios pudessem ser concretizados. . mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.Resp. no entanto. quando há uma relação de igualdade real na relação.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.HC 12.243/DF. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . em geral. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.24. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares.858. Os DF são expressados. Deve-se aplicar tanto esta teoria. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.700. . Segundo esta teoria. ainda que esta regulamentação não exista. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. . devendo sobre eles prevalecer. tão somente pela falta de previsão.*RE 161. A autonomia da vontade requer tal ponderação.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. etc.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).: empregado e empregador. contrato de adesão.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. mas ainda não há decisão quanto a isso. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. .RE 160. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.00 para R$ 86. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. de uma forma geral.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.RE 201. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. a proteção tem que ser maior. Determinação de observância do Princípio da isonomia. Ainda se trata de uma questão muito nova. . A jurisprudência. isso poderia causar uma série de problemas. E como os princípios são muito vagos. O juiz. mesmo realizando atividades idênticas.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Se. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.☺RE 161. Em contrapartida. 249. Segundo Virgilio da Silva. Assim. Espanha e Portugal. que não adota essa teoria). se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Se não houver uma previsão expressa na lei. não sendo necessária uma intermediação legislativa.) . esta teoria seria a mais adequada.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

103

à segurança e à propriedade.: esta segurança que o art. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. 5º. CR/88. não há que se falar em não exercício). A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. um outro direito fundamental. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). como DF é pressuposto dos demais direitos. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Nos 78 incisos deste art. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. não há uma renúncia definitiva. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. ☺art. é. Por isso. um caso constitucional de violação de direitos. Há dois entendimentos: 104 . pois a vida é uma direito irrenunciável. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Porque o direito à vida é irrenunciável. por óbvio. 128. à liberdade. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. pois. A renúncia é definitiva. ☺art. também não pode ser renunciado. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. 1º. O direito a vida. Esta questão é bastante clara. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. III e art. caput. XLVII. II. CR. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Obs. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). CP) a questão é um pouco mais polêmica. 5º. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. 170. abre-se mão temporariamente à privacidade. No caso do big brother. Este pode ocorrer. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. à igualdade. 5º.

quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Se há dois argumentos defensáveis. sabendo que ela vai morrer. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. E o direito à vida. OBS. o art. por 7 votos a 4. é uma forma de tortura psicologia. não haveria vida. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. O STF. Para o direito brasileiro. 3) dignidade da pessoa humana. portanto. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. sem o sistema nervoso central. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. a vida termina com a morte encefálica. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. 128 (em 1940). já que o CP é anterior à CR. Ademais. e. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). CP não teria sido recepcionado pela CR. mas sim interpretando a CR/88. por isso. já que na época em que foi feito o art. 128. a morte não decorre do aborto. 128). mas sim da acrania. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. o STF não estaria legislando. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. II. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. segundo Canotilho. Nos EUA e na França. . em razão do risco de morte intra-uterina. assegurando a autonomia da vontade. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. ela é a única ação de controle abstrato cabível. então. mas de modo geral). insuficiente para a proteção do direito. discutida na ADPF 54. além de colocar em risco a sua própria vida. A questão ainda está sendo discutida no STF. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. entendeu que. Se isso fosse possível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania.Direito à privacidade: 105 . Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. nas quais não se tem uma opinião moral definida. como todos os outros. é relativo. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. o feto não tem a menor chance de sobrevida.

pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. não há violação à privacidade. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. os princípios da moralidade e da publicidade. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. CR. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Mas. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. que se subdivide em: intimidade. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. por exemplo. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. É vedada pelo art. É gênero. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. O direito a privacidade está consagrado. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Neste caso. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). X. CR. 1. uma gravação feita clandestinamente. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Se filmar uma passeata. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Em regra. de uma forma geral. O agente público. O prof. 5º. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. no art. é a esfera da vida privada. Questão de Concurso: Gravação clandestina. O direito de liberdade é maior. a imagem pode ser usada num processo. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. são direitos independentes. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. 106 . Logo. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. sobretudo. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Ex. Numa gravação clandestina. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Ex: matérias de interesse público. Será considerada prova lícita. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Se tiver gravado um crime. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. 5º. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. veremos cada um separadamente. Esta é excludente de ilicitude. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. a honra e a imagem das pessoas. na verdade. histórico. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. maior a proteção a ser dada. vida privada. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. Então. Nesses casos. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Há decisões judiciais onde muitas vezes. em seguida. Ainda que não afete a honra. pois há uma excludente de antijuridicidade. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Proteção da honra e da imagem. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. sobretudo. não tem privacidade. X. científico ou cultural. No entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. contra um chantagista. Nesses casos é vedada a gravação como prova. a restrição é legítima. etc. Ex: Radares eletrônicos. a gravação é considerada lícita. Ao realizar essa ponderação. o direito à imagem foi violado. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Não há que se falar em colisão. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. quando pratica um ato na condição de agente público. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. ela é ilícita. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. contra um estelionatário. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança).

outros entendem que não há proteção. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Ex: extrato de conta corrente. No entanto. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Os jornais publicaram essas declarações. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. XII. 3. divulgaram todas as declarações na internet. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz.: Podem existir várias outras exceções. etc. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. § 3º. não há decisão do STF. Quando a CR fala em “poder de investigação”. como havia verba pública envolvida. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. está em vigor. falaremos da interceptação telefônica. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. por enquanto.. XII. informáticos. mas na decisão acima houve discussão a respeito. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. que é uma exceção a essa regra. O prof. ainda que não seja sigilosa. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. ele não pode requisitar diretamente. já que não existe poder judiciário municipal. 5º. Dentro dela. O inciso X impede a gravação clandestina. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa.). Essa exceção só confirma a regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. de um cd room. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Se ele quiser. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. com base no princípio da simetria. Tem uma decisão do STF muito comentada. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. deve ter uma certa salvaguarda. 58. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. Na Itália. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Quando se quebra o sigilo telefônico. 107 . admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. O STF decidiu que. O Min. fiscal e telefônico. Essa declaração. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. fiscais. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. não poderá quebrar sigilos. 5º. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Dentro do próprio STF há divergência. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. São poderes instrutórios. Quem pode é só o juiz e a CPI. naquele caso específico. De acordo com o art. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. 2°) admite. outros dizem ser pelo art. X. em ação cível originária. Quanto às CPIs municipais. o BB poderia quebrar o sigilo. por ex. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. 5º. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Além do juiz. E o Ministério Público? Segundo o STF. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. CR. a duração da chamada. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). pode colocar uma pessoa em situação vexatória. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. 2. A lei. essa decisão foi para um caso específico.

vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Para o STF. Na prática. Quando se falou do método tópico problemático. por uma terceira pessoa. seja pelo art. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. já que protege-se a liberdade de comunicação. 5º. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. mas. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Mas isso não é a posição do STF. o sigilo poderá ser violado. segundo o prof. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. durante o estado de defesa e o estado de sítio.. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. O STF entende que com base o art. Pois. sobretudo. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Em relação à comunicação epistolar. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos.. Ela protege 4 formas de comunicações. é equivocado. mas foi feita por um terceiro. Para o prof. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. seja pelo art. Nessas hipóteses. Aliás. Além dessas duas hipóteses. o STF tem um entendimento que. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Então. em determinadas hipóteses. protege-se apenas a liberdade de comunicação. será interceptação telefônica. Se um souber. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. No entanto. os dados de informática em si não estão protegidos. Ela deve ser usada para situações excepcionais. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. não estaria protegido por esse dispositivo. Porém. a liberdade de comunicação. protege a liberdade de comunicações. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. abrem-se todas as correspondências. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. XII. 5º. também protege a privacidade. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. será gravação clandestina. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. X. pode haver restrições às comunicações telefônicas. neste caso. Na interceptação. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Em relação a essas. XII. Para o prof. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. O art. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação.. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). A interceptação não pode ser uma regra de investigação. 5º. Não são admitidas para outras finalidades. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Se um souber. segundo o STF. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Com relação ao sigilo de dados.

XII: interceptação telefônica b) Art. Além disso. violado. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. não há falar em violação de domicílio. LX: sigilo imposto a processo judiciário. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. XII. Na jurisprudência do STF. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Ex: crime dentro de uma residência. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. essa lógica tem sido invertida. A Constituição trata de 2 situações distintas. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. 5º. 5º. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. e mais ninguém. • Prestar socorro 109 . Durante o estado de defesa. Ou seja. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. qualquer pessoa pode entrar. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Se numa situação excepcional. Se houver o consentimento. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. e não pelo dono da casa. nesses casos. Ela deve ser o último recurso. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica.296/96. Art. imagine numa situação normal. XI: violação de domicílio. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a polícia pode entrar. 5°. por nenhuma outra autoridade. Como é o meio mais fácil. 5º. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Sem consentimento já é diferente. Nem mesmo CPI. O professor acha que há certo abuso neste caso. quando a Constituição diz “por ordem judicial”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. d) Art. salvo o flagrante delito. 2. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Nesse artigo. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Com o consentimento. prorrogáveis por mais 15). o Min. Recentemente. c) Art. Segundo o STF. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. LXI: possibilidade de prisão. devemos analisar 2 situações diferentes. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9.483 – medida cautelar concedida nesse MS). É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. pode determinar a prática desses atos. Somente o juiz. nem a CPI. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. 5º. CF/88. Pode ser que com os abusos recentes. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Vejamos as situações: 1. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Então. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. a entrada deve ser permitida pela empregada. vejamos: a) Art. seja durante o dia seja durante a noite. se houver o consentimento de um dos moradores. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Essa decisão foi recente (☺MS 27.

pois se respeitar também o critério cronológico. E o carro? O prof. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. 110 . Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Segundo o entendimento do STF. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. compreende escritórios. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Segundo ele. Alguns autores. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. mais adequado. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. não só dos moradores daquela casa. mais tradicional. Se entrar com o uso da força. quando o sol se põe é noite. compartimentos habitados. seja do dia seja da noite. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. a casa pode ser invadida a qualquer hora. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. não encontrou nenhuma decisão a respeito. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Então. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. por serem situações emergenciais. 3. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Só que o STF já proferiu decisões. a prova colhida será considerada ilícita. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Entra no conceito de casa. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. que traz uma conceituação bastante extensiva. não entra em conceito de casa. Ex: parte de trás do caminhão. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. 150. entre outros aposentos. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Quando o sol nascer é dia. Na maioria dos casos. É utilizado por JAS. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. 2. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. a prova é lícita. não poderá mais entrar no domicílio. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. hoje. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. porque a noite é o período de descanso. na parte em que o público tem livre acesso. mas dos vizinhos também. entre eles Alexandre de Moraes. não entra no conceito de casa. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Se houver o consentimento do morador. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. entra no conceito de casa. ☺Art. consultórios. estabelecimentos comerciais e industriais. onde o caminhoneiro dorme. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. se estiver vazio. CP. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. prevista no dispositivo.

111 . não significa que a lei não possa fazer distinções. Mas. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. 7º. idade. Ex: critério preconceituoso. É a que está consagrada no caput do art. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. arbitrário. Não irá fazer concurso para homens participarem. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. XXX. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. razoável e proporcional. Para esses casos. em situações diferentes. Para que o critério seja constitucional. justifica-se a altura. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. 7º. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. da constituição. Se o critério não for objetivo. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . discriminatório. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. XXX. CF/88. cor e estado civil. Razoável 3. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Esse critério não é nenhuma discriminação. Quando se fala em princípio da igualdade. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. CR. 5º. pois viola o princípio da isonomia. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esse critério é razoável. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. é necessário que ele seja: 1. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Uma vez dentro do estabelecimento. ele não estará de acordo com o fim consagrado. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. 2. Objetivo 2. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Nestes casos. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão.

A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Então. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Para o professor. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. aconteceu o contrário. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. e os desiguais de forma desigual. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Criaram-se outras ações afirmativas. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. seria igualdade material. Quando se fala em igualdade material. e prolongaram as que já existiam. Ex: Cotas para pessoas carentes. essas ações são constitucionais. Para outros autores. Não é uma forma de resolver o problema. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. essas ações deveriam existir por 10 anos. Tem autores que entendem ser inconstitucional. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. A cota deve ser proporcional à população. O prof. Essas ações não surgiram nos EUA. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Visa uma redução das desigualdades fáticas. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. 5º c/c art. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. para tentar reduzir as desigualdades. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. No caso da Índia. surge a questão relacionada às ações afirmativas. O prof. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Segundo JAS.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. disse que está ligada à igualdade material. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . o critério discriminador seria desproporcional. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. A tendência é que elas aumentem. mas reduzir as desigualdades existentes. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. 3º. Em princípio. não haverá uma igualdade real. 112 . mas na Constituição Indiana em 1947. utiliza-se das ações. Porém. Mas. mas é necessário analisar uma série de fatores. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. ☺art. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. igualdade e fraternidade. e não à igualdade material. Dificilmente. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. por exemplo. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Quando se fala em igualdade material. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Isso é igualdade formal. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. pois elas criam uma discriminação reversa. acha que esse argumento não convence.

No Brasil. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. mas eles não tiveram oportunidade de escola.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. visa compensar uma dívida histórica. miscigenada e multicultural.favorece negros de classe média alta. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. Eles não têm apenas a eficácia vertical. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Eles foram libertados.fomenta o racismo e o ódio racial . (18/06/09) Argumentos favoráveis: . Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. . .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. seja pelo governo. Juridicamente falando. Além dessa eficácia. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. quando se fala em destinatários. pois já faz parte do próprio critério republicano.Poder Legislativo. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído.fere o mérito. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .em uma sociedade pluralista. . aberta. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. Isso é uma questão de política pública.princípio da isonomia (discriminação reversa). a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. A justificativa parece não ser inconstitucional.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. previsto no art. atinge todos os poderes públicos . são destinatários do princípio da igualdade. sem exceção. Portanto.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Então. 113 . cientificamente falando. O problema é com relação à subjetividade do critério. mas também para quem irá elaborar a lei. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. Apesar de ser uma relação entre particulares. Argumentos contrários: . eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. . não sendo necessária essa distinção. CF/88. de saúde. 208. Poder Executivo e Poder Judiciário). A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. tolerante. . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. seja por particulares. .medida imediatista e inapropriada. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação.

Apologia ao crime é diferente disso. Logo em seguida. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. ela exerceu o seu direito. Isso significa que. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. não teria sido recepcionado. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Mas. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Questão de Concurso – Cespe: No art. ela pressupõe responsabilidade. É constitucional? Sim. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Pode defender no plano das idéias. segundo o professor. Para alguns. Basta ser um critério objetivo e para todos. Ex: Passeata para legalização da maconha. 100. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Não existem direitos absolutos. IV. O particular não é obrigado. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. sendo vedado o anonimato. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. O homem não é a parte mais frágil da relação. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. mas apenas para as mulheres. etc. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. em princípio. Ex: Lei Maria da Penha. ela pode ser responsabilizada. de expressar o pensamento. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Ex: art. Protege a mulher. em regra. para outros teria. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Logo. e violou direitos de terceiros. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Não é um direito absoluto. CPC – ação de alimentos. É livre a manifestação de pensamento. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. o problema é dele. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. 5º. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. 5º. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Por que a Constituição. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. discriminatórias. ela é constitucional. É uma denúncia feita anonimamente. ele deve licitar. é outra questão. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. a lei pode estabelecer distinções. Se o sujeito será responsabilizado ou não. I. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. As provas 114 . O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. não deve ser estendida para os homens. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento.

Para Habermas. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Em relação ao culto. → Alguns temas polêmicos: 115 . desde que não viole o direito de terceiro. A liberdade de consciência é a mais ampla. deve ocorrer uma “tradução institucional”. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. não é o caso do Estado brasileiro. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. O culto pode ser exercido em qualquer local. com o advento da República. Esta liberdade está consagrada no art. A religião desempenha um papel fundamental. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. apesar de a maioria da população ser católica. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Pode fazer um exame grafotécnico. Ex: seqüestrador escreve bilhete. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. ainda 2. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Os templos recebem uma proteção especial. de ter crença. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. Quando são produzidos pelo próprio acusado. de crença e de culto. No Brasil não há uma religião oficial. inclusive em lugar aberto ao público. CR. houve a total separação entre Estado e Igreja. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. se não há qualquer identificação. Porém. 5º. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. ou de não ter crença em nada. 2. ele não pode ser admitido. Não se pode admitir que o parlamento. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. 19. o equilíbrio das religiões. abrangendo a liberdade de crença. I. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. VI. Isso significa que. há 02 hipóteses em que o STF admite. Garantir a simetria da liberdade religiosa. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. O Estado deve manter-se neutro. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. ela deve ser protegida. Vejamos: 1. 2. CR. por exemplo. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. pedindo resgate. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. e. O dever funcional da autoridade é investigar. 3. desde 1989 (advento da República). então. O Estado brasileiro. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra.

→ Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Mas. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. estados e municípios (☺art. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. há algumas ações. Pode um ateu. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. CR). mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. §2º. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. inegavelmente. fazendo uma ponderação entre os princípios. não poderia ser confessional. a competência é em relação à cultura. então.. que odeia guerra. O tribunal. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. imagine uma cidade pequena. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. CR). 210. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. 23. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. e não à justiça do trabalho – ☺art. 5º. CR. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. onde se tem poucas escolas boas. ocorreu um caso muito semelhante. Entretanto. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Segundo o prof. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. e o aluno optou a se matricular nessa escola. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. É importante respeitar o ensino de cada um. VIII. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. . O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. o argumento supracitado não está correto. a escola não deve impor ao menino. e cultura é competência comum – da União. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Portanto. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. políticos e religiosos. logo. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. São feriados puramente religiosos. são culturais. Neste caso. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Há um trecho do livro do Dworkin. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. 215. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Entretanto. Para o prof. . O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. O 116 . §1º. Na Alemanha. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. os argumentos religiosos não fazem parte da política. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro.. a neutralidade do Poder Judiciário. Não teria sentido acabar com esses feriados. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. a competência é da União. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional.

CR: Não é só a liberdade de se associar. XVI. A República é o governo das razões. ☺art. terminada a reunião. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. as pessoas se reúnem e. elas vão embora. (Não pode reunir pessoas armadas. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . CR. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. XVI. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. desviar o trânsito. ☺ art. mas a de permanecer associado. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. de cooperativas. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Segundo Jean Rivero. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. por sua vez. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. 3. Criação de sindicatos. Há. 15. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. A associação. 5º. 2. CR. XVII e XXI. Criação de associações e. mas os políticos. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. então. etc. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. A pessoa alega imperativo de consciência. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Ex: reunião de condomínio. 5º. Caso não cumpra com a prestação alternativa. não são os religiosos. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Por que a CR exige prévio aviso. não é necessária a autorização estatal. o argumento deve ser racionalmente justificado. Ex: fazer segurança. Não cumprindo com a obrigação. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). conforme portaria da ANVISA. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. tem o caráter permanente.) 2. Quem fará a tradução não é a Igreja. Se não houver essa lei. mas direitos individuais de expressão coletiva. JAS diz que não são direitos coletivos. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. essa hipótese é de representação processual. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. ainda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. mesmo que em locais abertos ao público. O prof. 4. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Ex. IV). Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. 5º. na forma da lei. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. XXI. Criação de partidos políticos. Para que as pessoas possam se reunir. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Liberdade de reunião. 5º.

não pode existir mais de uma federação por território. pode ser dada numa Assembléia Geral. Há um outro entendimento que. É o entendimento de Daniel Sarmento. XXIII. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. Segundo o STF. XXII. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. mas sim contrárias ao direito e. mas faz parte da estrutura desse direito. o direito de propriedade pertence ao direito público. mas não pode ajuizar ADI. 5º. Segundo o STF. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). segundo o qual. garante o direito de propriedade. a função social. ☺art. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. defendendo direito alheio. a propriedade terá uma proteção menor. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Segundo ele. A Constituição não garante o direito à propriedade. segundo o prof. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. não são legítimas essas invasões. Função Social da propriedade: A CR. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). III. O que acontece é que se não cumprir a função social. LXX. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. ter um patrimônio mínimo. A associação impetra em nome próprio. do próprio regime desse direito. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. 2. se não for atendida. O sindicato (☺art. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Se ele tem proteção. Ela só garante o direito de propriedade. Ex: Invasões de terra pelo MST.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. no seu art. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito.. Em seguida. é mais correto. não precisando de autorização expressa. 5º. CR) quando ajuíza uma ação. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. em seu art. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. segundo o prof. por exemplo. ilegítimas. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Só pode representar se houver autorização expressa. Segundo o STF. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Segundo JAS. portanto. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. 8º. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. tendo um menor peso na ponderação. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. ADC e ADPF. 118 . 5º. como a Constituição garante o direito de propriedade. não impede que o direito de propriedade seja protegido. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional).

A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. 186. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. a saber: por necessidade pública. O título deve ser entregue antes da desapropriação. normalmente. Como haverá indenização se houver dano. indenização por títulos da dívida pública). A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público.000 habitantes (§1°). na desapropriação. uma escola pública. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. VII). ou por interesse social. 182. Desapropriação: Diferentemente da requisição. em regra. É um aspecto lógico. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. justa e. 182. Na requisição. CR. Sempre que há requisição. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. a saber: a. XXV) e as militares (☺art. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. A polícia requisitou determinadas propriedades. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. 184. 139. só haverá indenização se houver dano. IPTU progressivo no tempo. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. Vejamos: a) ☺art. restringe o caráter absoluto. §4º. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Propriedade Rural: ☺art. Além do caráter absoluto. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. A função social. a indenização será sempre posterior. deverá ser em dinheiro. b) ☺ art. Vejamos abaixo. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. deve haver indenização? Não. ele não poderá ser prejudicado. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. CF/88: Trata-se de imóvel rural. como decorrência do primeiro. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. mas sobre a propriedade em si. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. Para atender a função social. CR. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Sempre haverá indenização. Os principais aspectos são 2. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. b. 2. Propriedade Urbana: ☺art. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Logo. Ex: caso de Eloá. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. há uma transferência compulsória da propriedade. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. 5º. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. por utilidade pública. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. o proprietário não tem culpa. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. diante de uma emergência. que deve ser prévia. etc. como um apartamento. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. por ser inerente ao direito de propriedade. No caso de requisição. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. §2º.

Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). em Indenização posterior se houver dano. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. Só não podem ser para fins de reforma agrária. 183. A Constituição não permite – ☺art. Como o confisco é uma sanção. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Necessidades permanentes da sociedade. é porque ela está cumprindo a sua função social. 2. §3° e art. 5º. Necessidades transitórias. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. 250 m2. CF/88. Vejamos: . não precária. 3. PU.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). CR). emergências da sociedade.). O confisco de propriedade está previsto no art. pacífica. . Confisco: No Brasil. os bens serão confiscados – art. Só que. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. etc. Para esse fim. §5º. . regra. Se ele tiver outro imóvel. parágrafo único. 191.o morador não pode ter outro imóvel. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. 243. sem oposição. Na CR. Se ela é produtiva. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). ininterrupta. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). 50 hectares. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. o imóvel deve ter. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. Nesse caso. 185. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. não podem ser adquiridos por usucapião. por ter prazo menor. É sempre indenizável (justa. no máximo. paga em dinheiro). .: Imóveis públicos. 243 da CR. seja urbano ou rural.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. no máximo. São imunes a impostos (☺art. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. .Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. 120 . É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). sejam urbanos ou rurais. Obs. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. CR). 184. não há pagamento de indenização. possuir o imóvel como se fosse seu. prévia e. precisa recorrer ao judiciário). Usucapião: Na Constituição da República. Requisição Refere-se a bens e serviços.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

a saber: 1. Para responder a essa questão. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Em resumo. Esta hipótese é. inicial. autônomo. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. só que exclusiva para o direito tributário. Durante a vigência desse contrato. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. na verdade. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. 106. XL. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. 5º e no art. 5º. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. é necessário diferenciar duas situações. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. b) Retroatividade benigna. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. desde que seja mais benéfica para o réu. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. outros a interpretavam de maneira (B). Alguns a interpretavam de maneira (A). Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. 3. CR). não. Seria correspondente à primeira hipótese. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. XXXVI. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. 5º. mas deve respeitar a coisa julgada. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Retroatividade da Lei Penal. média e mínima.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. é uma conjugação das duas anteriores. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. etc. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. As hipóteses mais importantes são: 1. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. a CR/88 entrou em vigor. não era muito democrática). no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. a regra também é a não retroatividade (art. Todas as demais o consagraram. 2. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . A garantia existe para a proteção desse direito. Em regra. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. a lei interpretativa retroage. No direito penal. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. mas que vale especificamente para o direito tributário. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. A lei interpretativa retroage. interpretando a lei da maneira (A).

O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. A EC poderia prejudicar direito adquirido. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Ex: Determinada prestação. → Coisa julgada: 122 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Só que para haver essa retroatividade. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. e não o ato exaurido. . Antes de a prestação ser paga.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. ☺Súm. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Nesse caso. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. haverá uma retroatividade máxima. 473. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. portanto. automaticamente. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. As parcelas podem ser reduzidas e. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Só que para haver essa retroatividade. . . A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Não pode haver a redução. Portanto. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Havendo mudança de regime jurídico. 5º. mas isso está superado. em regra. O prof. será necessário que a Constituição diga expressamente. porque geraria uma insegurança jurídica.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Após a Constituição de 1988. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. STF. extintas. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. através de norma de eficácia plena. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Se a Constituição atingir essa prestação. Se mudar o real. inclusive as de ordem pública. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. É claro que isso não é desejável. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. ela afeta a todos. até mesmo. 654 e Súm. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. a Constituição da República entrou em vigor. . e não lei em sentido restrito. Na retroatividade máxima. Ex. dirige-se apenas ao legislador ordinário. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. interpreta a lei em sentido amplo. b) Retroatividade média: pode ocorrer. não há posição prevalecente. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. mas as leis não. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. haverá uma retroatividade média.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. de acordo com a legislação da época. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. e não as parcelas que compõem o vencimento. no caso de retroatividade mínima. porque geraria uma insegurança jurídica. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. 2. É claro que isso não é desejável.

segundo Robert Alexy. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. independentemente de qualquer fator. independentemente da sua natureza. e não propriamente como ministro). exigem uma atuação positiva do Estado. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Dirley Jr. b) o art. como doutrinador. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. 5º. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. como teórico do direito (ou seja. o que significa que possuem um caráter positivo. . PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Por isso. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . 7º.: salário mínimo). os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. em sua maioria. Assim. Eficácia: todo direito tem um custo. e pelo Min. Os princípios. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. de sociedades pluralistas. Já os direitos sociais. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. pois são mais facilmente implementados. do seu enunciado. No art. mas é apenas a coisa julgada judicial. Os direitos de defesa são. são mandados de otimização. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. nós deveríamos interpretar o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. . em regra. para dar decisões concretizando tais direitos. 5º. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. e isso para muitos é um ponto negativo. à medida que a sociedade o determine. são NEL (de princípio programático). ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. 5º. Direitos Sociais: 1. §1º. Em cada época. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais.. §1º. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Eros Grau. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Mas isso não é verdade. consagrados em NEP ou NEC. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. eles o são porque ainda poderão ser consagrados.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Ou seja. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. por ex. A administrativa não tem essa proteção. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados.☺art. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. 2. ou seja. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata.

o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. por ex. . previdência. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. só porque recorreram ao PJ. quando foi dado um maior papel ao PJ. lazer. essa atuação talvez não seja tão justa. rodovias. Em outros lugares. . O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. assim.000. todas. Assim. doutrinador do RS. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também.000. O que se busca. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. implicitamente. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. não geram direitos subjetivos. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. segurança. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Quando se fala em direitos sociais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. pois. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Primeiramente. trabalho. Pedro Taques). O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. por ex. legítimas (saúde. Por isso. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. pois. Obs. Norma de direito social não gera direito subjetivo. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. 3ª fase: é a fase desejável. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88.). Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Esse entendimento já foi superado. por ser norma programática. que estamos buscando.). etc. as normas possuem uma textura aberta. em tese.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Como têm apenas eficácia negativa. Portanto. A visão do juiz é bilateral. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. Esses direitos sociais não teriam. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. é importante definir tais critérios. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Argumentos contrários à intervenção judicial: . educação. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. normatividade.

ou seja. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação.Déficit democrático das instituições representativas. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. pois. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. Os direitos sociais estão consagrados em normas. e é muito utilizada no Brasil.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. É preciso. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. De se ver que quando se fala em direitos sociais. teríamos a maior utilização das ações coletivas. . no que diz respeito aos direitos sociais. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. em razão das limitações orçamentárias existentes. em 1972. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Ademais. Não é o entendimento que prevalece. Mas. mas a todos que se encontrem na mesma situação. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. inclusive a minoria. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. eles acabariam sendo inviabilizados. saber se a demanda é razoável.A democracia não é apenas vontade da maioria. A reserva do possível. entra-se muito nas questões ideológicas. Assim. . Se um poder se encolhe. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. em razão do Princípio da Igualdade. . deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Esses argumentos são os que devem prosperar. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. não se encaixaria na realidade brasileira. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . segundo Ingo Sarlet. por isso. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. Se não se estabelecer os critérios. o outro cresce. eleições periódicas. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. 125 . sufrágio universal. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.Caráter normativo da constituição.

maior o risco de não ter efetividade. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. em 1953. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. que existem z pessoas na mesma situação. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. que é a corte suprema na Alemanha. Se não definir o conteúdo. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. da liberdade material e do princípio do estado social. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. Assim. essa concretização. é o mínimo existencial. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Outros autores já falam apenas em saúde. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Segundo o prof. Não é o máximo desejado. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. educação e moradia. pelo cumprimento voluntário da constituição. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. que a demanda custa y. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. No Brasil. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. depende de cada época e de cada sociedade. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Vejamos: 1. quando se estabelece o mínimo existencial. assistência em caso de necessidade. . a questão da efetividade será prejudicada. A reserva do possível é uma matéria de direito público. saúde. mas teria um peso maior na ponderação. mas deve também ser provada. 2. por ser necessária para a 126 . . O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. etc. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. precisam ser concretizados. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada.. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. é o entendimento mais adequado.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. em razão de sua textura aberta. Segundo Ricardo Lobo Torres. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Segundo Ana Paula de Barcellos. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Por que falamos em “mínimo”. Ou seja. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. A efetividade passa pela sociedade.

o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. da dignidade da pessoa humana. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. entre eles: laços culturais. que significa nação. haveria um engessamento do legislador e do PE. Há dois posicionamentos quanto ao tema. costumes. assim. Os poderes públicos. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. Todos que moram no Brasil. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. irão concretizar os direitos sociais. haver uma redução do grau de concretização. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. e do Estado Democrático e Social de Direito. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. da máxima efetividade (art. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. pois. A partir do momento que um direito social é concretizado. 2) posicionamento de um autor português. não pode haver uma redução dessa concretização. um pensamento mais flexível sobre o tema. e. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. consciência coletiva. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). §1º. 127 .: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. Por isso. estatístico. passaria a fazer parte do próprio direito social. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. fala-se em vedação do retrocesso social. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. ao estudar as normas de princípios programáticos. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. 5º. o que prejudicaria a sociedade. Pode. língua. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. esse prazo não pode mais ser reduzido. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. históricos. CR). passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. independentemente da nacionalidade. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. Ele tem. Segundo ele. só ampliado. de acordo com a necessidade. JAS. já dizia algo muito semelhante. segundo ele. fazem parte da população brasileira. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. População está relacionada ao conceito demográfico.

I. desde que haja reciprocidade. 12. terá naturalidade brasileira. 12.815/80.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Quando a pessoa é nascida no Brasil. Pelo critério funcional. 12. b). há direito público subjetivo do estrangeiro. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. c. I. de acordo com o art. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Neste caso. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. 112 e 115. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. É geralmente adotada por países que estão em formação. adquirem a nacionalidade do país onde residem. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. considera a nacionalidade dos pais. não há direito público subjetivo. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. . o filho terá nacionalidade brasileira. II) Jus Sanguinis: ascendência. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. Refere-se aos brasileiros natos. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Se o casal estiver a serviço de outro país. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. se não se manifestarem contrariamente. . 12. CF/88. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. os pais têm que ser brasileiros. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. De acordo com o critério sanguíneo. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público).Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Obs. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. §6°. A EC 54 alterou o art. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. I. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. É o caso do Brasil. a).Diferenças de tratamento 128 . art. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. 227. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. 12. estrangeiros residentes. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa.Quase nacionalidade (art. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). não haver condenação penal e requerimento do interessado. por uma questão de soberania nacional. II) Naturalização expressa (art. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Refere-se aos brasileiros naturalizados. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário.

A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. Mas. a ela aplica-se a súmula 1. cria-se um problema de relação internacional. b) 6 assentos do Conselho da República (art. só poderá ser extraditado: . 12. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. presidente da CD. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. 5°. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). vice.segurança nacional: oficial das forças armadas. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. §3°).se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. §4°. Importante analisar a Súmula 421. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. Não se pode. Já na entrega. CF/88): 129 . de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Se o estado desrespeita essa regra. . portanto.815 (ato nocivo ao interesse nacional). STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. no entanto. .Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. Princípios relacionados à extradição: . todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. 65 da lei 6.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade.linha sucessória do presidente da república: PR. . em razão da soberania nacional.Perda da nacionalidade (art. Na extradição. presidente do SF.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. .Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. do território brasileiro. CF/88). confundir a súmula acima com a seguinte. d) Extradição (art. Os critérios utilizados são: . ou que tenha filho brasileiro. 12. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. §2°. Expulsão: consiste na retirada a forca. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. 89. dependente da economia paterna. . XL. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. não se poderá invadir esse estado. em razão da superioridade da Constituição. No caso de brasileiro naturalizado. 5°. . A deportação está mais próxima da expulsão. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. 12. 5°.

ou seja. §1º. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. 14. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos.é direto: é a regra. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. 130 . e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos.tem valor igual para todos: “one man. salvo nos casos das alíneas a e b. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. Características que o voto possui no Brasil: . Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. . na forma da lei (que ainda não existe). São requisitos apenas técnico-formais. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. salvo se por meio de ação rescisória. o sufrágio censitário (ex. 81. é o direito de votar (e não de ser votado). tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. . . O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. 14. one vote”. caput). Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). one vote” – “one person. nacionalidade e alistamento. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. inclusive sendo cláusula pétrea. com uma única exceção: art. A CR/88 adota o sufrágio universal. e não requisitos preconceituosos. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Só se aplica ao brasileiro naturalizado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Servem ao controle do próprio direito. é o direito político em si. Direitos Políticos: .é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. voto é o exercício desse direito. Para JAS. §1º). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. pelo CN. perderá a nacionalidade brasileira. . que exige uma alternância de poder.é periódico: essa periodicidade do voto. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Além dessas características do voto. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). com a realização de eleições periódicas.

os inalistáveis são os estrangeiros.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. 12. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. §3º. 14. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). Primeiramente. Quando a Constituição fala apenas em lei. §5º . a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. Mas o §9º do art. do art. se houver reciprocidade (art. Além dessas condições relativas à idade mínima. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). 14 traz um questionamento. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). §3º? Segundo o STF. em caso de reeleição. que geralmente admitem desincompatibilização. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. 14. 14.☺§3º. . ou seja. 14). mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. No Brasil. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. assim. §7º . farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14. no governo de SP). a inelegibilidade em relação aos militares (art. trata-se de lei ordinária.é conhecida como inelegibilidade reflexa. com exceção dos portugueses equiparados. ela é adquirida progressivamente. salvo se já titular do cargo. então. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). 14. §1º). é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). é o direito da pessoa ser votada. ☺ar. filiação partidária. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. Assim. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. até que se atinja a plena cidadania. . e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). domicílio eleitoral na circunscrição. no caso do art. §8º). parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). dentistas. ou seja. 14. etc. Ex.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art.

Kildare. I. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 132 . VIII). que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. portanto. e quanto a isso não há divergência doutrinária. 15 (incisos II. o prof. 15. nos termos do art. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. seus parentes também poderiam ser candidatos. não há como readquirir os direitos políticos). 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. A doutrina (JAS. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. Todas as outras hipóteses do art. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). Com base nessa distinção. 5º. mas o prof. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. é algo temporário. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. III e V) são hipóteses de suspensão.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful