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Marcelo Novelino. Direito Constitucional

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  • Objeto:
  • Constitucionalismo:
  • Evolução do Constitucionalismo:
  • Constitucionalismo e Soberania Popular:
  • CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:
  • Concepções de Constituição:
  • Aspectos conclusivos:
  • Classificações das Constituições:
  • HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Supremacia da Constituição:
  • Hierarquia dos Tratados Internacionais:
  • Lei Ordinária X Lei Complementar:
  • Lei complementar Lei ordinária
  • Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:
  • CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:
  • Conceito:
  • Parâmetro ( normas de referência):
  • Formas de Inconstitucionalidade:
  • Formas de Controle de Constitucionalidade :
  • 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:
  • a) Preventivo:
  • b) Repressivo:
  • 4.2) Quanto à natureza do órgão:
  • 4.3) Quanto à competência:
  • a) Difuso:
  • b) Concentrado:
  • 4.4) Quanto à finalidade:
  • a) Concreto:
  • b) Abstrato:
  • e concreto
  • Formas de Declaração da Inconstitucionalidade:
  • 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:
  • 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:
  • 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:
  • 5.4) Quanto à extensão da declaração:
  • Exercício do Controle Jurisdicional:
  • 6.1) Controle difuso-concreto:
  • d) ADI no STF e ADI no TJ:
  • 6.2) Controle concentrado-abstrato:
  • Atuação do PGR:
  • Atuação do AGU:
  • Amicus Curiae:
  • Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:
  • Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:
  • Efeitos da decisão de mérito no MI:
  • Controle Concentrado-Concreto:
  • RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:
  • PODER CONSTITUINTE
  • PODER CONSTITUINTE ::
  • Conceito e finalidade:
  • Natureza:
  • Titularidade do Poder Constituinte:
  • Poder Constituinte Supranacional:
  • Espécies Tradicionais:
  • A) Poder Constituinte (Originário):
  • B) Poder Constituinte Decorrente:
  • C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):
  • Direito Adquirido:
  • Reforma x Revisão:
  • HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:
  • Introdução:
  • Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:
  • (hermenêutica constitucional)
  • Métodos de Interpretação da Constituição:
  • I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):
  • II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):
  • III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):
  • IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):
  • V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller):
  • VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):
  • Interpretativismo e não interpretativismo:
  • Elementos do Sistema Normativo Constitucional:
  • Postulados Normativos de Interpretação:
  • Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:
  • Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:
  • PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:
  • Natureza Jurídica:
  • Preâmbulo como diretriz hermenêutica:
  • APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Classificação das Normas Constitucionais - JAS:
  • Classificação de outros autores:
  • NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:
  • Revogação:
  • Teoria da Desconstitucionalização:
  • Teoria da Recepção:
  • Constitucionalização Superveniente:
  • Repristinação:
  • Mutação Constitucional:
  • Graus de retroatividade da norma constitucional:
  • PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
  • Funções dos Princípios Constitucionais:
  • Princípios Estruturantes:
  • Princípio Republicano:
  • Princípio Federativo:
  • Princípio do Estado Democrático de Direito:
  • FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:
  • Soberania:
  • Cidadania:
  • Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:
  • Pluralismo Político:
  • Dignidade da pessoa humana:
  • DIREITOS FUNDAMENTAIS:
  • Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:
  • Classificação dos Direitos Fundamentais:
  • Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:
  • Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:
  • Natureza dos Direitos Fundamentais:
  • Características dos Direitos Fundamentais:
  • Eficácia e Aplicabilidade:
  • Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:
  • Limite dos limites:
  • Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:
  • DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:
  • Direito à vida:
  • - Direito à privacidade:
  • Princípio da Igualdade:
  • Direitos ligados à liberdade:
  • Direito de propriedade:
  • Direito de segurança jurídica:
  • Direitos Sociais:
  • Direitos da Nacionalidade:
  • Direitos Políticos:

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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e que se encontra acima dos detentores do poder. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. E para isso. Numa vertente mais restrita. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. o local e a época. do estado e das instituições democráticas. como o inglês. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. mas também de outros assuntos. Tem-se utilizado. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. sociologicamente. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. no fundo. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. uma teoria normativa da política. enfeixado na Constituição. O conceito de constitucionalismo transporta. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. reporta-se a um sistema normativo. Partindo. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Kildare Gonçalves Carvalho. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. Neste sentido. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. a defesa da Constituição. como sociológica: “em termos jurídicos. um claro juízo de valor. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. em especial limitar o poder arbitrário. em sentido jurídico. então. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. 4 . e. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. assim. É. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. numa terceira acepção possível. o americano e o francês. os fins socioeconômicos do Estado. por seu turno. Numa segunda acepção. mas proteger direitos.

integram-no. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal.surgiu em substituição ao governo dos homens. Foi a 1ª experiência constitucional. b. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. se contrapõe ao absolutismo. d. em 1791. (Livro do Alexandre de Morais). Estado Hebreu: estado teocrático. • Princípio do governo limitado. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. e da França. Influenciaram o direito francês e americano. b. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. ii. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. como e até onde pode mandar. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. ii. Foi a mais avançada forma de governo. Grécia antiga: democracia constitucional. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. em 1787. Estabelece as regras do jogo político. Hoje. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Garantia jurisdicional. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Governo limitado. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). A democracia é a representação da vontade da maioria. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). fases pelas quais passou a constituição. desde logo. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. após a Independência das 13 Colônias. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Até então todas as constituições eram consuetudinárias. • Separação dos poderes. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Como ressaltado por Jorge Miranda. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. c. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. a. 1. Por isso. quem. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. 2. Roma: idéia de liberdade. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. porém. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Atribui competências aos três poderes. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). a partir da Revolução Francesa. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 .

Ex. c. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. b. foi o Abade Sieyès. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. 4. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. XIX. Força normativa da constituição: antes. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constituições da democracia social. ou seja. Separação de poderes. ligada à idéia de liberdade. Hoje. PE e PJ). Eram apenas uma diretriz. estabelecendo diretrizes. O ser humano é um fim em si mesmo. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. as quais são denominadas por pós-positivismo. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. direitos fundamentais. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. b. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. a. XX). Rússia. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. diretrizes. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Constituições da democracia racionalizada. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. A partir dessas novas idéias. aplica-se a analogia. Garantia de direitos. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. os costumes 6 . Começou a se falar em um direito moral. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. d. a maioria da nação. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. O Estado é um meio para atingir determinados fins. estarão subordinados a ela. Todos os poderes constituídos (PL. 3. c. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Constituições da democracia marxista ou socialista. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Segundo a tradição francesa. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. as constituições tinham caráter mais político. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Idéias principais: i. estabelecidos pela Constituição. ii. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. na época das Revoluções Liberais. havia regras. Novas idéias foram surgindo. Constituições de países subdesenvolvidos. sem força vinculante.

• • 5. Para Paulo Bonavides. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. é o judiciário. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Solidariedade. fidelidade partidária. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Universalização. Na Itália. de uma forma geral. Hoje. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. espuma do chopp. pois esta é a concretização de um princípio geral. Integração. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Ex. A aplicação da norma se dá pela subsunção. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Essa análise de compatibilidade é uma interpretação.. Entre uma regra específica e um princípio geral. Para Barroso. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Continuidade. cotas em universidades. aborto no caso da acrania. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. aplica-se a regra específica. d. Consenso. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. os princípios. g. mas quem dirá o que ela é. b. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Mas essa é uma posição muito radical. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. são aplicados através de ponderação entre os princípios.  Aplicação direta da constituição.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. é o juiz. Hoje. etc. demarcação de reservas indígenas. Ele atua como legislador negativo e positivo. Os princípios. 7 . Verdade. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Constitucionalismo do futuro. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Participação. Teoria Concretista Geral.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). que é aplicada mais às regras. f. Quando o legislativo é fraco. e. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). verticalização. união homoafetiva. c. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. tratado internacional tinha status de lei ordinária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. há uma euforia dos princípios. o judiciário aumenta sua força. etc. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Não se aplica diretamente a constituição. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Na jurisprudência do STF. Eles são importantes.

dá-se através dos representantes do povo. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). o povo também o realiza diretamente (democracia direta). a solidariedade. de forma expressa. a verdade. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente.709/98 (que regulamentou o art. nos termos deste lei e das normas constitucionais. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. por intermédio de seus representantes. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. CR. Assim. do art. O titular do poder é o povo. Fundamental Orders of Connecticut (1662). conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . mediante: plebiscito. pertinentes. portanto. caput. com valor igual para todos. Carta outorgada por Carlos II (1662). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). o P. a participação. de acordo com o art. Contratos de colonização. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. 1º da Lei 9. o exercício deste poder. Habeas Corpus Act de 1679. 1º. CR). Bill of Rights de 1689. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. I. de soberania popular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Compact (1620). CR) e. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Podemos falar. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Vale dizer. segundo o art. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. a continuidade. 46. Petition of Rights de 1628.U. que são os deputados federais (âmbito federal). que. Act of Settlement de 1701. verdadeiro sistema híbrido. cujo titular é o povo. Como regra. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). então. II e III. nos termos desta Constituição”. concretizando a soberania popular. 14. referendo e iniciativa popular”.

ou seja. a que Carl Schmitt chama de Constituição. PL. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. portanto. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). têm a mesma forma de elaboração). mas apenas leis constitucionais. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. → Segundo Hans Kelsen. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. mas materialmente distintas. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. que adota o conceito decisionista de constituição. não passaria de uma simples “folha de papel”. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. Essas normas são programáticas. o caráter normativo e vinculante da Constituição. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). §2º. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. para ele. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. que surgiram com as constituições mais prolixas. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. na política ou na filosofia). ou seja. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. os direitos fundamentais. como por ex. conforme o prisma de análise. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Segundo ele. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 .: art. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. é vinculante e obrigatória.. Constituição e leis constitucionais são. Esta é a concepção que hoje prevalece. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. Esta concepção atualmente é inadmissível. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. O art. quando não corresponde à Real. A Constituição Escrita. As leis constitucionais são todo o restante. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). caso contrário. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. a Constituição é norma pura. o restante. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). A conferência realizada por ele. com exceção do Preâmbulo. Toda a Constituição. na sociologia. 242. Para entender tal concepção. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. PJ. 1°.

modificando-a. ela não existe na realidade. é uma norma pressuposta. portanto.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). por isso não tem nenhum expoente específico. é um elemento conformador. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. posta pelo Estado). 10 . é a Constituição escrita (CR/88). condicionante desta mesma cultura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. é apenas uma pressuposição. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. . e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. . Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). Gilmar Mendes). desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. todos os setores da vida social.Finalidade. define tais elementos estruturais. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). ao mesmo tempo.Soberania. A CR/88. Seu único comando. . . não introduz nenhuma novidade. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. mas que trata de todos os aspectos. segundo esta concepção.Território. não está escrita. a Constituição tem sim fundamento sociológico. quais sejam: . seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. é: todos devem obedecer a Constituição. e também jurídico. qual seja. Ou seja.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide.Povo. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. neste sentido. seja pela introdução de novos elementos através de emendas.

Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. toda Constituição histórica é costumeira. No Brasil. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. ou variadas): ex.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. . 1967. . promulgada. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.: as constituições outorgadas recebem. tem também vários documentos escritos.dogmática: sempre escrita. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. de uma só vez. as constituições outorgadas foram as de 1824. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada..não codificadas (ou legais. podendo ser: .escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. como por ex. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. quem vota a matéria são as lideranças. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada.outorgada: é a constituição imposta. por ex. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). É uma aprovação simbólica). a constituição não se torna democrática. . e como é bastante prolixa.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. pelo agente revolucionário (grupo ou governante).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. 3) Quanto à origem: . por alguns estudiosos. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). trata-se de modalidade anacrônica. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. há pouco espaço para se ter costumes como regras. Ex. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). a Constituição Inglesa.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Nesse caso. votada. é fruto das idéias. Constituição Espanhola/1930. não surge de uma só vez em um só momento. surge em um só momento. 1937. . Obs. Por isso mesmo. . consuetudinária (não é escrita). 11 . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular.. pois toda constituição é escrita e não-escrita. o apelido de “Cartas Constitucionais”.democrática. de maneira unilateral. . que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar.

Como se submete a esse tratado internacional. Em 2000.fixas: não poderiam ser modificadas. É uma constituição em sentido formal. Ex. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. Ex. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. . uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. CR). . ou seja. .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. sucintas.: art.: a Constituição dos EUA). Não existe controle de constitucionalidade das leis. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. Ex. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material.) . E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). sem se preocupar com os detalhes. como é o caso da CR/88. passou a haver hierarquia entre as normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. (Obs. 1º. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. É uma classificação típica das constituições costumeiras.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. . tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. É uma constituição em sentido material. mas sim o processo mais dificultoso. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. São chamadas também de clássicas. inclusive a CR/88). sendo assim. . independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Constituição Inglesa. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. portanto muito difícil de serem modificadas.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). deixou de ser considerada flexível.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. Por este motivo.

Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). Constituição em sentido formal. 3º. votadas ou promulgadas). o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Não-escritas (inorgânicas. o DF. . porque é fruto de várias ideologias. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Pactuadas (ou pactuais). É a CR/88. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. → Considerando algumas das espécies supramencionadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Fixas. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. e não de apenas uma ideologia. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Históricas. Ecléticas. como por ex. 13 . mas sim uma obrigatoriedade!). Rígidas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). o Estados.: art. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Constituição programática (ou dirigente). CR. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). (processo legislativo).: art. OBS. codificada. 59 e segs. costumeiras ou consuetudinárias). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. democrática. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. rígida (ou super-rígida). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. o Municípios. o União. prolixa. dogmática. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Democráticas (populares. básicas ou clássicas). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. formal. União. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. sucintas. Flexíveis (ou plásticas). sumárias. dogmáticas. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Característica das constituições clássicas. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). Canotilho. que surgiram com um objetivo pré-definido. Ex.: a CR/88 é ainda Eclética. pois valem a todos os entes federados.

II a VII). cujo fundamento de validade são as leis e. por 3 níveis hierárquicos. No topo. uma Constituição só possui relevância sociológica. as derivadas (art. enquanto as regras são mais específicas. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. CR). por ser rígida.: decretos e regulamentos. princípios ou regras. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. a Constituição. DL e Resoluções – ☺art. as medidas provisórias. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. 59. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras.343/SP. o indireto. encontram-se as normas constitucionais originárias. MP. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. que a CR/88. §3º). Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. as leis delegadas. que existem como complementação dos ANP). 59. se tiver também supremacia formal. para fins de controle de constitucionalidade. LC. Para que exista supremacia formal. Leis Delegadas. distritais e municipais. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. direitos fundamentais ou não. ordinárias e complementares). a Constituição tem que ser rígida. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. tem de ser. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. No entanto. estaduais. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. basicamente. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. obrigatoriamente escrita. sejam elas originárias ou derivadas. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. porque os princípios têm maior amplitude. Importa dizer. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. 59. 5º.

Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Leis delegadas. mas somente uma recomendação. 47 é a regra geral. Não varia. 69. Essa aprovação não é obrigatória.☺Art. Lei ordinária Art. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas.status constitucional. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . MPs. é sempre o mesmo número ☺Art. Por ser uma matéria reservada. por uma questão de economia legislativa. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Reservada pela CR/88. OBS: O art. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. a previsão constitucional exige complementação. No entanto. ela não pode ser tratada por leis ordinárias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. 69.☺Art. 47. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. No caso da prisão civil por dívida. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros).  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. que regula a LC. Residual. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Portanto. Anotar como complemento posteriormente. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Quando não exigir LC.

há hierarquia. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. não cabe ADIN. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). Hierarquia entre Lei Federal. Parei aqui. • Estado – ☺Art. ☺Art. CR. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. 102.: lei estadual trata de matéria de competência da União). Assim. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. • União – ☺Arts. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 21. no caso de repartição vertical. 16 . A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. 25. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). DF). 30 (assunto de interesse local). pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. conforme previsto no art. Havendo conflito (ex. assim. Assim. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. a competência para resolução é do STF. III. como o controle exercido será de constitucionalidade. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. pois não está ligada diretamente à Constituição. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). d. E. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis.

os TI de direitos humanos. Tirando o preâmbulo. b) Parte permanente = normas gerais – arts. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. Não existe. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). . quando são equivalentes às EC. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Com a EC/45. portanto. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Refere-se. 17 . tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). . ou seja. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. Abrangeria não somente a constituição. deve estar inserida no texto da CR. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. como para Canotilho. o CDC. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. é diretriz hermenêutica. Como não tem caráter normativo. contudo.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. etc. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. seja uma norma de referência para ele. visando assegurar a supremacia da constituição. .Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. tem função interpretativa). c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. mas também o preâmbulo.

: competência privativa do PR (☺art. 18 . ou seja.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. 3. as Súm. §1º. 3.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Dependem do prisma de observação. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. MI. (Obs. o Min.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. art. Aqui. mas caberá ADIN por omissão). ADC e ADPF. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Não Auto-aplicável. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. . A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). ou seja. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). Obs. Assim. I – que exige LC para instituir impostos residuais). mas o prof. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. quando não é respeitada uma norma de competência. não pode ser suprido pela sua sanção). ocorre. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art.de princípio programático. Ou seja. pois. Ex. Ex. e Não Bastante em Si. Ex. No STF. AIO. às vezes.de princípio institutivo (Obs. 4 e 5. há uma divergência na doutrina. 5. aliás. CR).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. A omissão parcial nada mais é que uma ação.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Formas de Inconstitucionalidade: 3. 154. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. Assim. 61. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. . Pode ser: . b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Não Auto-executável.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. STF não é mais aplicada. 3. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. se considerar em relação a uma expressão é total. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). não será cabível mandado de injunção.: a Súm. 5° a 17). as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . ADI.

Obs. No caso do decreto. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Ex. CR. ou seja. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI).: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. Assim. reflexamente (ou de maneira 19 . toda alínea ou todo inciso (☺art. Para o prof. Se o decreto é ilegal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. não se trata de revogação. ato originariamente constitucional. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. b. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. não pode ser retirada). de ofício ou a requerimento da parte. 66. a inconstitucionalidade será direta. decretos regulamentares. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. § 2°). desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. ou seja. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. todo parágrafo. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal.: a palavra “não”.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. 3. no controle concentrado abstrato.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. já sendo inconstitucional desde a sua origem. e grande parte da doutrina. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. pode ser questionado. o decreto se torna inconstitucional. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. a inconstitucionalidade será indireta. Pode ser: b.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Segundo STF. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Quando se fala em inconstitucionalidade. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Ex. que só pode atingir todo artigo. No caso da lei. Relaciona-se.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. pois. o que houve foi um desrespeito à Constituição. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. refere-se. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. que se ligam indiretamente à constituição. aos Atos Normativos Primários. 59. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. atos previstos no art. como altera sentido do texto. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição.

: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda.ou concreto. 84. por isso ocorre antes da promulgação da lei. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. O veto tem que ser expresso.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. Obs.. porque o chefe do PE. prevenir que a CR seja violada. mas uma mera análise política. Trata se de um controle incidental. . Art. segundo o STF. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). que se exerce através do veto (☺art.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. inciso ou alínea). CR). se ele entender que o projeto é inconstitucional. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). porque ele é o único que participa do processo legislativo. ele não precisaria impetrar o MS. O veto é relativo. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). embora participe do processo legislativo. como pelo PE e PJ: . Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. não pode impetrar o MS. pois pode ser derrubado (☺art. O chefe do PE. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). mas sim analisar cada caso concreto. 66.sancionar. o projeto 20 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. por isso aqui não há que se falar em controle). O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. a inconstitucionalidade é indireta. IV. promulgar e fazer publicar as leis. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. é fundamento de validade direto e no 2° caso. O único legitimado para impetrar esse MS. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. ela não está violando o direito de ninguém). CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. 84. EX:art. viola o art.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). tem fundamento de validade indireto. porque o ato não fere diretamente a CR). parágrafo. Caso contrário. . bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. IV . a inconstitucionalidade será direta. quando ele participa do processo legislativo. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. assim. §2º. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. No 1° caso. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. já que de maneira indireta. 66. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. CR. portanto. OBS: não adianta decorar o nome do ato. 60 parag 4. é excepcional.

V. Se o projeto tramita na CD. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. 60. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. na linha do voto de Gilmar Mendes. a fim de repará-la. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. não lhe cabendo. Assim. §4º. 21 . Ademais.. No entanto. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . mas um processo legislativo constitucional. se na Assembléia Legislativa. secreto. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. na qual o projeto esteja tramitando. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. somente o Deputado Estadual. vinculam os atos e procedimentos legislativos. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). as cláusulas pétreas. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. já que trata-se de um ato normativo. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. etc. interpretações regimentais. contudo. universal e periódico.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). o CN poderá editar um outro ato normativo primário. e as normas do RI são questões interna corporis). Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. 68. muito embora não sejam formalmente constitucionais. aos direitos fundamentais”. tendo como objeto esse Dec. pois não se trata de ato normativo. a separação dos poderes. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. Na verdade. constituindo-se normas constitucionais interpostas. se está no Senado. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. desta feita.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. ☺art. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. que. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. em um primeiro momento. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. Leitura do livro do Lenza (pág. que entende que “. pode ajuizar uma ADI. Questão: o PR. ADC ou ADPF. mormente. o voto direto. V .. o Senador. ou seja. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. 168): o STF. que é o chamado Decreto Legislativo. o PR elaborará então a LD. por maioria de votos. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. vedando-se. 49. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Legislativo? Sim. os direitos e garantias individuais” – ou seja. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. CR. quem tem legitimidade é apenas o Deputado.

expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. Gilmar Mendes. através da edição de um Decreto. Após a CR/88.084). dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). . no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Como compatibilizar o crime de responsabilidade. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . 84. O chefe do PE (e só ele – PR. o chefe do PE teria que. STF: o Tribunal de Contas. Assim.. simultaneamente. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. III) Súmula 347. estudado de forma detalhada a seguir. exorbita os limites do Poder Regulamentar. é necessário fazer-se um controle repressivo). . Antes da CR/88. só havia um legitimado para propor ADI (PGR).: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. pode o PJ analisar tais pressupostos. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. esse rol foi ampliado. Ele será. 71. CR). Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. quando. 62.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. ou seja. clara e evidente – ou seja. nesse caso. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. GE. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. porém. Apenas excepcionalmente. ela deve ser objeto de controle. 4. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. não é um entendimento consolidado.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. Desde já.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. ao fazer um Decreto Regulamentar. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. tampouco que o PR. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. O TC é órgão auxiliar do PL (art.. Não se analisa o mérito da MP). Obs. segundo o STF? Resposta: em regra. Legislativo para sustar. CR).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. II) art. nesse caso o CN pode editar um Dec. no exercício de suas atribuições. No entanto. por ex. não havia relevância alguma). pois. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. mas segundo o Min. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. IV. já no STJ não há qualquer ressalva. ao negar cumprimento à lei. ajuizar uma ADI. mas tão somente aos prefeitos.

se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. inclusive o STF). mas das espécies de controle.A. e é adotado pela maioria dos países europeus.: na Suíça. Primeiro caso. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). Seu criador foi o grande Hans Kelsen. haviam sido feitas apenas 16 EC. porque surgiu na Áustria. que completa este ano 20. Segundo caso. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. para não gerar essa confusão. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. difuso e concentrado). interessante: em 1965. em 1803. se se tratar de lei local. porque surgiu nos EUA. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). No Brasil.S. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). porque significam coisas diferentes!). em 1920 (bem depois do controle difuso). quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. Por isso. já foram feitas 56 EC! 23 . O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. dentro de sua competência.: França – que tem o Conselho Constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. o controle é feito pelo PL. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. com 19 anos de Constituição. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. ou seja.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. É também chamado de controle aberto. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo.Hilton x U. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. Por isso. já na CR/88. 4. 1792 Hayburn s case. isso não é verdade. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. em se tratando de lei nacional. quem exerce o controle é o PJ. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. ao mesmo tempo. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Ex. Obs.

Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). por ser uma relação vertical. Da mesma forma. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Com base nesse argumento. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Segundo este instituto. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. No direito brasileiro. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. 97. porque em estando revogada. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. ou tendência de verticalização. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). mas tão somente de controle concreto. mas deve ser estendido ao controle concreto). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. sendo o controle 24 .4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. No Brasil. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. já não ameaça mais a supremacia da constituição. A análise da lei sempre será feita em tese. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. Este efeito é típico do controle abstrato. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). também não podem ser objeto de controle abstrato. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). se fala em efeito vertical. O efeito vertical. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. Por isso o Min. 102. ou seja. A finalidade não se confunde com a competência. (O STF é o guardião da CR – art. Gilmar Mendes. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. é proteger as normas da CR. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). e a partir desse antecedente. o principal defensor dessa tendência é o Min.

52. Gilmar Mendes. X. ou seja. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. ou seja. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). o direito de greve dos servidores públicos. o Min. do PL.917/SP. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). segundo ele. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. houve decisões proferidas em 3 MI (712. O Relator da Reclamação foi o Min. Por fim. ou seja. pelo menos por parte de alguns ministros. em ocorrendo isso. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. Assim. tendo efeito apenas inter partes. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. então não sabemos a posição dos demais ministros. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. sendo acompanhado pelo Min. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. em seu voto. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. No Acre. Então. Pois no controle difuso. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. como a decisão tem efeitos inter partes. Assim. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Antes. E. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Gilmar Mendes. o STF estaria usurpando uma função que é do SF.335/AC). Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. Então o Min. Gilmar Mendes (e também o Min. Na decisão do STF. Por fim. ou seja. Outra situação interessante foi o RE 197. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. que deu provimento à reclamação. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. 25 . Não houve reclamação quanto a essa decisão. viola o princípio da igualdade. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. Eros Grau. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. não há necessidade da suspensão pelo Senado. No Legislativo: Mas. CR. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). sem que ocorra modificação no seu texto. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa.959/SP. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. e não erga omnes. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. 4. não permite essa mutação). 708 e 670) que analisaram a mesma questão. não uma simples mutação. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. ainda. se assim fosse.

103-A).art. mas apenas a causa de pedir (antecedente). O papel do STF não é julgar litígios individuais. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. o que se dá no “plenário virtual”. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo.417/0 e Lei 11. O RE. não precisam chegar até o STF. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. concorda com isso). analisado no dispositivo (conseqüente). 26 . político ou jurídico. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. a rigor.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. (☺ Lei 11. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. eles não se reúnem fisicamente. somando-se os votos de todos eles. A súmula vinculante tem natureza constitucional. é uma questão incidental. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação.418/06). ou seja. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. não é o objeto principal do pedido. não cabe ao STF analisar. julgando-o procedente ou improcedente. fundamentação e dispositivo. pois tem o papel de guardião da Constituição. Contrários a essa tendência de abstrativização. A repercussão geral (art. Num segundo momento (conseqüente). Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. por estarem mais próximos dos indivíduos. social. Segundo Eduardo Appio. estão os procedimentalistas. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. não tem natureza processual como as súmulas comuns. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. No controle concreto. § 3°.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. 102. por sua vez. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. é um instrumento de controle concreto e há. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. atualmente. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes.

Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. questões ditas de passagem. 10. 28. 27 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. secundárias do julgado. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). Dispositivo L. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. Ademais. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. conforme está previsto no caput do art. a chamada eficácia vinculante. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão.882/99 – ADPF. e ele se encontra no Dispositivo.erga omnes . Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.868/99 – Lei da ADI e da ADC. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.U. sejam particulares. há previsão não só na lei como também na CR).Lei 9. art.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .I. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . ou seja.: . Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. Sendo assim. 102. . .EC 45/04: art. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.Lei 9. mas também à fundamentação. 5. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). §2º. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. sejam poderes públicos.vinculante. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. art. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. P. mas tão somente a ratio decidendi. 102.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. não determinantes para a decisão) não vinculam. eles também são vinculantes. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. . a razão determinante da decisão. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.

Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. . Respeitando o efeito vinculante. como a coisa julgada. . também fica vinculado). Atinge a norma impugnada + normas paralelas. por sua vez.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). inclusive o Tribunal de Contas. mas sim fiscalizatória. a função legislativa). cuja função não é legislativa. mesmo que não tenham sido impugnadas. se as leis devem ser cumpridas. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. outros dizem ser nulo. .Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. inclusive os chefes do PE. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. pois atinge apenas o dispositivo. mas os sistemas de preclusão processual. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. Por este entendimento. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. segundo o prof. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. . pode modificar seu entendimento. impedida de evoluir).: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. 28 . suas turmas e seus ministros.o PL (na verdade. .a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. já os órgãos fracionários do STF. e outros dizem ser um ato anulável. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . estes estarão sim vinculados). mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. (20/03/09) 5.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. até que o PJ a declare inconstitucional. No entanto.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. no caso Marbury x Madison).Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. Só atinge a norma impugnada. estadual e municipal). É um entendimento que vem desde 1. que se quiser.

de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. assim. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. e não no de não-recepção). não precisariam deixar os cargos. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. Ou seja. ☺RE 197. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros..). como os servidores agiram de boa-fé.868/92 (art. os efeitos são erga omnes). é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. no caso do controle abstrato. . como regra é retroativo: ex tunc. o Min. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. com inteiro teor).868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Assim. decidiu que. 27). autor e réu. ou 2) excepcional interesse social. etc.112/90. Exs. portanto. Neste caso.)”. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. ☺art.882/92 (art. Visto a natureza do ato inconstitucional. com seus normais efeitos ex tunc. que revogou a Lei A. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão.. 27. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. por questão de segurança jurídica. O STF. não admite a “constitucionalização superveniente”. como a Lei 9. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. poderá o STF. . o STF.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).Normas anteriores à CR. Mas. porque o ato é nulo desde a sua origem. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). portanto. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 .683 – análise da constitucionalidade da Lei 8.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo.” . por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. o efeito que produzirá. Lei 9.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. 11). um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários.

: a norma x tem dois significados possíveis. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. 68. 134. Ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. à medida que a situação fática for alterada. . é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). pelo MP – a competência é da DP e não do MP. de fato. chamada “Apelo ao Legislador”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. Em alguns casos. portanto. com condições de trabalho iguais às do MP. portanto. e a norma já foi recepcionada pela CR e.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. evitando a inconstitucionalidade progressiva. quanto . reproduzida pelo STF). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. portanto foi recepcionada.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). ela progressivamente se tornará inconstitucional).2: art. CPP. quando todos os Estados tiverem DP. não foram todos os ministros que se manifestaram). . em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. mas sua interpretação). Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. que trata da ação de reparação ex delicto. o resultado será o mesmo. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. CR x art. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). era uma questão “obter dictum”. o prof. constitucionalidade. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. um significado A e um B. depois de ter sido recepcionada. (A norma já passou pelo crivo da constituição. assim. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. Ex. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. controle difuso-concreto.O Tribunal precisaria observar . e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. 5.Corresponde a um juízo de . ex.Corresponde a um juízo de . sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. para que este corrija a norma.O Tribunal não precisaria 30 . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. com um só sentido). mas. Segundo o STF. Assim. mas nem sempre.

2º for dependente do art. declarar a inconstitucionalidade. em princípio. ser objeto de ADI. . o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. nem sobre os demais. não poderá.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. esta só se faz necessária quando se afasta.É uma técnica de decisão judicial. se o art. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. 1º ou do art. . se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos.É permitida uma interpretação e. 3º.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. se manifestar de ofício sobre o art. 2º. Trata-se de controle abstrato. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. desde que não altere o sentido do restante da norma. 2º. b. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. (*) Para o STF. de ofício. 97). não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. em razão do Princípio da inércia. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. . no controle concreto. 1º e 3º. dentro de uma mesma lei). se for um dispositivo autônomo. Assim. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. de ofício. são excluídas as demais. não podendo. ou todo o artigo. . a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. no controle concreto. como ambas são equivalentes. do art. ou seja. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. da Lei x.É excluída uma determinada interpretação. Na declaração com redução de texto. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. a cláusula de reserva de plenário. o juiz pode. O STF. b) Com redução de texto: b. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). o texto da norma. . mesmo que não tenha sido questionado. Obs. portanto. . em regra.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. total ou parcialmente. e são permitidas as demais. Ocorre que. 1º e 3º e. . por arrastamento. no controle abstrato.Não há qualquer modificação no texto da norma. 2º. observar a cláusula da reserva de plenário (*). o juiz não pode.

pois será uma questão discutida incidentalmente. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Obs. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. portanto. Ex. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. mas apenas a causa de pedir. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. Ou seja. ADCe ADPF). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Mas nem todo controle concreto é difuso. de ofício.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. Neste caso.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. portanto. O dispositivo. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Sobre o tema: 32 . a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. apesar de sozinho não ter aplicação. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Assim. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. julgará procedente ou improcedente o pedido. já que o STF pode. mas também quando há usurpação da competência do STF). Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. No Brasil. dentre elas a ACP. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). mas é que esta não é necessária. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. neste caso. porque. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. ACP para fechamento dos bingos. todo controle difuso é concreto. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. Contudo. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. julga também inconstitucional o decreto. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. e por arrastamento. O pedido será a proteção de direitos.

CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. também não pode ser delegada). os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. 97. 33 . e no mínimo 11 membros. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. No tocante.159.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. que é função legislativa. 294. Regra da “full bench”. no caso. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. Assim.. porém. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. por meio da ACP. STJ ☺ RE 227. ☺art. de efeitos concretos. não pode ser delegada. que é função política. Os juízes singulares podem. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. Em outras palavras. STJ ☺ Resp. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. teremos uma lei material. 93. assim. Assim. elaboração de Regimento Interno. no âmbito dos Tribunais. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. conseqüentemente. o que só se pode obter por meio de ADI. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. que é mais de 50% dos presentes). da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). os Tribunais não têm admitido que. porém. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. por exemplo. na prática. por entendê-la inconstitucional (inter partes). Segundo esta cláusula. por ex. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. as chamadas leis de efeitos concretos. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. pois.646.: eleição do Presidente do tribunal. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Nada impede. 557.022.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. é função possível de ser delegada. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. XI – órgão especial: para que seja criado. em defesa de contribuintes. Assim. desde que. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 97. porém. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal).

: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. P. sob o argumento de que o dispositivo (art. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). Decidido o antecedente. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). analisando se a lei é ou não compatível com a CR. ☺art. Assim. 481. Há quem critique tais exceções.U.. Quanto à 2ª exceção. se entender que a lei é inconstitucional. O professor não concorda. se for acolhida. ou em caso de interpretação conforme. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. podendo decidir o caso concreto. . pela maioria dos seus membros. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. CPC) seria inconstitucional: o art. ao órgão especial). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. abstratamente.U. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). sabe-se que o STF é o guardião da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. 481.. prosseguirá o julgamento. se existir no Tribunal. a argüição de inconstitucionalidade (. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. no entanto. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Exceções: P. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”.. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. de acordo com o posicionamento do STF. será lavrado o acórdão. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. 34 . Há uma repartição funcional de competências. assim. porque para o STF ambas são equivalentes. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. 97. como guardião da CR. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.

2) Outros autores. Efeitos. 52. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. que não pode ser retroativa. ela se refere à decisão do STF. entendem que se trata de um ato discricionário. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. X. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. A suspensão se dá através de uma Resolução. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. A cláusula vale também para o controle concentrado. CR – compete privativamente ao SF suspender. como se tratasse de uma revogação. Ou seja. a lei deixa de ser aplicada. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. É o entendimento mais correto. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Ademais. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. portanto. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. por isso o faz dali em diante. que não comporta delegação. sustentam que o efeito é ex tunc. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. O SF não é obrigado a suspender. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. a decisão do STF. 178. RISTF. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. O STF já admitia essas duas exceções. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). Outros autores. quando isso ocorre. passa a ter efeito erga omnes. Quando o SF suspende a lei. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. esta decisão deve ser submetida ao plenário. Na verdade. em regra. não estando vinculado à decisão do STF. no todo ou em parte. 35 . se assim o fosse ela já seria vinculante). embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. bem como ou STF. o SF não pode suspender toda a lei. O SF apenas suspende a lei. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. trata-se de uma competência exclusiva. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. art. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. ou seja. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato.

em razão do princípio da simetria. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. já o SF não. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. já que o SF não atua de forma correta. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. esta norma não é de observância obrigatória. requisitos para a criação de CPI. 178. desta decisão proferida pelo TJ. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. e se o STF. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. não se referem ao âmbito estadual e municipal. ou seja. um RE para o STF. Por isso. 66. segundo o Min. no controle difuso-concreto. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. se for apenas uma parte. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. está fazendo uma análise. sendo norma de observância obrigatória. Neste caso. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. Segundo o STF. etc. por ser um órgão do PL Federal. Art. Nas situações em que o TJ julga. cujo modelo. 61: iniciativa do presidente. É uma construção da jurisprudência do STF. LC. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. LO. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Art. a resposta é negativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. configuraria uma mutação constitucional. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . deve-se recorrer ao entendimento do STF. Na ADPF este fenômeno também é possível. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Segundo o professor. CR) não comporta este entendimento. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Quando se fala em decisão definitiva do STF. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. obrigatoriamente. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). cabe. não havendo a necessidade de suspensão da lei. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. pela simetria deve ser atribuída ao governador. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). RISTF) – e isso é óbvio. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. 52. Ressalta que a letra da norma (art. O SF. 59 e segs. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. mas. Mas. 57. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Gilmar Mendes. se toda a lei foi declarada inconstitucional. CR. o que. a partir do momento que resolve fazê-lo. normas referentes ao TCU. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. §4°. esse entendimento é desejável. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). CR: prevê o escrutínio secreto. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei.

está defendendo interesses apenas da União. 37. a suspensão. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. pelo Senado Federal. os que tratam do TCU.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais.). se aplicando ao âmbito federal. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. o SF teria um número enorme de representantes). ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. também. retirando a lei do ordenamento jurídico. 19. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. §3º. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). não havendo. Ex. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. quando o SF atua. Quando o SF suspende os efeitos da lei.: arts. estadual e municipal.” Análise do enunciado pelo prof. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. outros 37 . é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Classificação de Osvaldo Aranha B. por isso pode suspender leis também dos Estados. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). por não existir uma federação de municípios. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). etc. São os dispositivos que se referem tanto à União. portanto. É também uma lei emanada do CN. do DF e até municipais. da organização da União. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. no controle abstrato (ADI. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. só se aplicando ao âmbito federal). É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. ADC ou ADPF).: art. que deve ser observado no âmbito federal. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Ex.: CTN.: Lei 8. art. Sabe-se. estadual. visto que. X. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. distrital e municipal). no todo ou em parte. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. Ex. Quando o SF atua como órgão federal. porém. por isso pode suspender lei estadual e municipal. 59. assim. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Ex. 58. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. como aos Estados. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). Assim. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. mas não trata apenas dos interesses da União. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. CR). 52.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN.

pró-ativos (ex nunc). adotou-se. não retroativos). na sua esfera de competência. visto que. RN. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. visto que. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. 2º grupo: . Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. é sempre a AL que suspende a lei. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). em decisão definitiva. SE e AM. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. da AP Federal direta e indireta.346. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. então. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. Portanto. Embora não haja consenso. MS. porque o seu parâmetro não é a CR. Entretanto. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). por força do referido Decreto nº 2. Segundo o STF. no âmbito da AP Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: .346. TO. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. de 10/10/1997. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. 38 . d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. Com efeito. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. . os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. Poderá. de fato. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. declarando uma lei inconstitucional. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). é a AL que suspende a lei.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. é a Câmara Municipal. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). os dois tipos são constitucionais.

não cabe. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). mas sim legitimados. de acordo com essas leis. ou na CR ou na lei. em seu art. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. ela é meramente jurisprudencial). obviamente. onde não existem partes formais (autor e réu).: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual.ADPF.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. . Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. ☺Lei 9.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 103. Como são ações de controle abstrato. o duplo grau de jurisdição. 5) Ação rescisória. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. deve haver a previsão da legitimidade. . → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. que são a União e os Estados). Obs. a ampla defesa. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). 39 . e . tendo partes – autor e réu. e não do trânsito em julgado. a competência é do TJ). A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. Por se tratar de um processo de índole objetiva. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. 4) Recurso da decisão de mérito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. A Constituição.ADC. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?).

A norma do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. para ter legitimidade.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. CS e ECAN. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. confederação regional: F.Confederação sindical significa de âmbito federal.A entidade de classe. . . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. ou seja. segundo a jurisprudência do STF: . a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). Os demais podem fazê-lo sem advogado.. Obs. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). Para ter âmbito nacional. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Executivo PR GE – GDF P. a partir de então. . confederação local: sindicato.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.S.Os GE. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). . . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Assim. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.

a.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . geral e abstrato.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. a. caso o decreto emane diretamente da CR.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. são questões próprias de RI. Não serão objeto de ADI e ADC. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. admite-se o seu controle. pois geralmente está abaixo do decreto. direitos e garantias fundamentais. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. . OBS. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). 41 . mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. para ser objeto de ADC e ADI. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93.TIDH (3/5 e 2T) .preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. §3º . por isso não é ANP). 5º. Ex. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. 1º.☺art. Obs. o RI pode. nas normas que tratam de outra matéria). decreto regulamentar. todas estão no mesmo nível.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).Norma formalmente constitucional . ou seja. I. 102.: decreto regulamentar do PR. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. 102. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). ele poderá ser objeto. sem interferência do PJ. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). como por ex. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . . Lei 9. I. .

§1º. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. pode ser qualquer ato do poder público. não pode ser objeto de ADPF: .: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. o STF admitiu. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. ele vai atuar como fiscal da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . portanto está subordinado ao PR.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Função geral do AGU (art. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. § 3° é uma função especial. e. Mas. §3º. No caso de emenda. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. por analogia. da mesma forma na ADPF. Assim. devendo ser de todos eles intimado. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. CR. como está havendo uma influência de um controle no outro. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. Hoje. Atuação do PGR: ☺art. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. segundo o STF. 103.leis revogadas. se um novo PGR o substituir. STF). Tem status de ministro de estado. Atuação do AGU: ☺art. Obs. O PGR atua como “custus constitutionis”. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). Lei do DF não pode objeto de ADC. ainda. . leis suspensas pelo SF. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada.Súmula. salvo embargos de declaração. CR. posteriores a 5/10/88. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). Lembrar que não cabe assistência. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. intervenção de terceiros e recursos. sem exceção. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. é preciso primeiro ser transformado em EC). . ainda que ele proponha a ação – ou seja. Gilmar Mendes e de um prof. também poderá dar parecer em sentido contrário. 42 . de defensor legis. ou seja. na outra. só podendo ser objeto de controle difuso. poder-se-ia admitir o veto jurídico. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). medidas provisórias revogadas. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. 103. A função do art. não ameaça mais a supremacia constitucional. pois não produzem mais efeitos. se seu entendimento for diverso. 103.

a Lei 8. Posteriormente.385/73 (☺ art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Importante: ainda que como Advogado da União.868. não há o que se defender.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. Na ADPF. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Não há previsão para a ADC e ADPF. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). nos estados que adotam a commum low. 9. ☺ art. Amicus Curiae: Em uma tradução.868/99 vale só para a ADI. A audiência pública está prevista na Lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Foi introduzida pela Lei 6. §1º.868. seria “amigo do tribunal”. §3º.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Ele não é alguém interessado na causa. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. mas não têm nada haver com amicus curiae. A previsão expressamente contida no art. §2º e art. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário.868/99 -☺art. 43 . 7º. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Quando o AGU desempenha essa função. Ela já existia antes. em especial no direito norte-americano. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. 6º. de “defensor legis” e. Tem natureza de auxiliar do juízo. Mesmo sem previsão legal. A exposição dos motivos da Lei 9. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). o das audiências públicas. Está desempenhando uma função especial. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. §2º da Lei 9. sendo feita por toda a sociedade. “amigo da corte”. Na ADI por omissão. art. . Nesse caso. em seu art. por analogia. 7º. não precisará do AGU para defendê-la. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. 31). 482. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. §1º e art.884/94 (CADE). portanto. Cabe também na ADPF. Mas atenção: existe um outro instituto. 20. art. §1º. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). disciplinou a figura. Portanto. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. o AGU não será obrigado a defender a lei.868. só vai contribuir para a decisão do tribunal. É muito comum nos tribunais internacionais. por fim. 89. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. o AGU até poderia participar. 7°. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto.

ou seja. não tendo partes. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Para o prof. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Marco Aurélio não admitiu.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Lei 9. é um equívoco. Surgiu com a EC/03. J.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade.Com relação à presunção de constitucionalidade. I. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. . Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator.. . (Obs.868/99. Mas depois que a lei foi feita.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. cabe amicus curiae. por ex.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. M. portanto. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. . Barbosa e E. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. em despacho irrecorrível. admitindo prova em contrário. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. pois admitiu pessoa física em controle concreto. segundo o professor. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Aurélio. Lewandowski. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Apesar de que era relevante. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . poderia afastar esta presunção. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. Foi uma exceção. ressalta-se que esta é apenas relativa. O juiz de primeiro grau. Mello. Obs. admitindo ser intervenção de terceiros (C. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Quando 44 . O STF ainda tem exigido pertinência temática. autor e réu. R. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.102. Gracie). porque iria envolver matéria em relação à vida. a mais correta. seria uma exceção). pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. É. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). “a”. ou seja. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.

882/99. . 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. inclusive o Poder Executivo. art. III). . e . O parâmetro. Mas. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Através do AGU. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. CR e Lei 9.U.). Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. .Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art.869/99. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. exige como requisito para o ajuizamento da ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. em seu art. Como visto. Segundo a doutrina. . §1º.Princípios Constitucionais Sensíveis. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. Não é uma ação de inconstitucionalidade. Portanto. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC.868/99.Cláusulas Pétreas. nas outras ações ela também poderá ocorrer). II. e . na ADPF 33: .102. O STF admitiu ☺Informativo 518. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).21.868/99. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. portanto. 14.14. não há que se declarar uma lei constitucional). por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. no entanto. os preceitos fundamentais são: . nos quais a lei esteja sendo discutida. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.Princípios Constitucionais.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). . 45 . que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). O STF não concordou e mandou juntar mais ações. a Lei 9. é mais restrito: somente a violação.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. art.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. . Cabe prorrogação. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia).Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. 34. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. P. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”.Cláusulas Pétreas. o FHC ajuizou ADC. VII). que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.Título I: Princípios Fundamentais. ADPF: ☺ Art. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. Gilmar Mendes.

para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. 1º. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Ela vai ao juiz de primeiro grau. como guardião da CR. Incluindo-se. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art.882/99). os legitimados podem levar não todo o processo.: gestante com feto com acrania. podendo ser um meio de controle difuso.: surge a partir de um caso concreto. art. Obs. 4°. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Proposta diretamente no STF. Mas se algum dos legitimados souber da ação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Art. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Ex. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. embora seja bastante difícil existir esse meio). estadual e municipal. Segundo Neri da Silveira. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. 196 e ao meio ambiente. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). O objeto pode ser da esfera federal. dentro do órgão judiciário). § 1° da lei 9. Um dos legitimados. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. apenas o STF. 46 . controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. ou seja. embora lá há uma vinculação horizontal. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Características: . na ADPF. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal.882/99. leva a questão ao STF através de ADPF. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. P. a vinculação é vertical. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. neste rol.U. ainda. 1º. Aqui. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. dentro do mesmo tribunal. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade).: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.

será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. § 2º . .O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. à soberania e à cidadania”. 103. por ex. coletivos e individuais indisponíveis (art. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. I. V).Admite-se a fungibilidade. . TSE/TER (art. 105.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. para fazê-lo em trinta dias”. Obs. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.. 121. É controle concreto. ADC e ADPF (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .CR: STF (art. q). Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). É a mesma da ADI.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. nas CE ou em lei federal). É controle abstrato. em se tratando de órgão administrativo. .MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. II e III). 129. § 4°. à soberania e à cidadania). No entanto.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. 5°. O STF admitiu a ADPF. h). Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. o STF transforma a ADPF em ADI. LXXI . O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. . Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). 5°.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). I. Ex. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . mas a converteu em ADI. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. Assegurar a efetividade de suas normas. 102. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. STJ (art. 47 .

São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. no entanto. mas esse prazo era direito. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. não pode concretizar a norma. LXX: PP c/ CN. ECAN e associação c/ 1 ano). concretize a norma (faça a norma concreta). Mas atenção. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . entes federativos e PJ dir.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão.MI Coletivo: o STF o tem admitido. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. . 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. elaboração da norma não pode ajuizar AIO.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. apenas razoável e não peremptório. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. organização sindical. Recentemente. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. não pode fazer a norma para o caso concreto. 5º. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. autores que admitem. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. recentemente. é b) Concretista: concretiza a norma. ou seja. público: MI protege dir.Órgãos públicos. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). Se o PL) e. O STF. portanto não podem impetrar MI. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. Obs. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b.: na ADI 3682 b. competente de sua omissão (em regra. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). fundamentais em face do Estado. Há. portanto. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. mudou seu posicionamento. em se tratando de órgão da AP. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

e 2) recusa à execução de lei federal (art. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 49 . continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. pelo STF. ademais. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. O efeito seria apenas inter partes. ou seja. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. ou seja. a intervenção é uma exceção (a União não pode. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 680.040). A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. nestes casos de omissão parcial. CR (provimento. VII). mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. 34. como regra. De acordo com esta concepção. O STF adotou essa corrente no MI 232. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. A omissão total não cabe MC. Recentemente. não cabe liminar (antes. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. ou seja. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. Essa corrente é bastante criticada. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. Ela se subdivide em – geral e individual. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. em um primeiro momento. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. 708 e 712).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. porque adotava a corrente não concretista). criando uma norma geral e abstrata. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). 2. o PJ. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. No MI. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. ao mesmo tempo. porque nem a AIO tem esse poder. intervir nos Estados). 652. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. A regra é o principio da não-intervenção. VI). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. 36. Portanto. Mesmo adotando a corrente concretista. 34. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Surge a partir do caso concreto. III. o STF está atuando como legislador positivo.

no âmbito do TJ. O STF é o guardião da CR. no âmbito federal). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. Esta forma não foi prevista na CR. ☺art. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. OBS. §2º. O parâmetro aqui é mais amplo. ☺art. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. 614. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). o PR então poderá decretar a intervenção. 35. mas que surge a partir de um caso concreto. além. CR. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. se violados. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. § 1°. O RE. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. É dispensada a apreciação política pelo PL. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. 127. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). 50 . CR. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. é claro. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). CR). mas sim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. 125. nem no RISTF. As partes aqui são o Estado e o Município. foi uma criação da jurisprudência do STF. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). §3º. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). e sim em face da CR. portanto. 36. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. IV. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. STF). da ADPF). se o STF der provimento à representação do PGR. CR. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. que é o pressuposto para a representação interventiva. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. Isto está previsto no art. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Trata-se de um controle concentrado e abstrato.

Na 1ª etapa. que deve observar o direito natural. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. retira sua força do direito natural. um dos precursores dessa doutrina. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Bonavides. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. em nome do povo. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. que é sempre superior aos poderes constituídos. o exercício dessa magna prerrogativa. Celso de Mello. que. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. pode usurpar do povo a titularidade do poder. que formulou esta teoria no fim do Séc. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. ou seja. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. Assim. Schmitt). segundo o abade Emmanuel Sieyès. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Para os jusnaturalistas. pois o Estado decorre da soberania popular. Modernamente. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. Obs. é a nação. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. social e juridicamente organizado. XVIII). Está acima do direito positivo. segundo o Abade Sieyès. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. É ele um titular passivo. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. expressa por meio de seus representantes. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. a vontade do constituinte é a vontade do povo. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. em alguns casos. por delegação popular. cria o Estado. Portanto. corroborando essa perspectiva. editando a nova Constituição. Assim. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. mas jamais é quem o exerce. São apenas órgãos aos quais se atribui. C. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . porém.

Dessa forma. Assim. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. 25. 3º. se esta correspondência existir o poder será legítimo. há legitimidade objetiva. 60. correspondendo aos anseios daquela sociedade. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Portanto.Reformador (art.Formal .Material . já que o poder constituinte já é originário. entende que a expressão “originário” seria uma redundância.Histórico . que é seu verdadeiro titular.Revolucionário . Espécies Tradicionais: . apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. art. CR) . mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Decorrente (art. ADCT) . Obs. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal.: o prof. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. ADCT. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. 11. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. para ser considerado legítimo. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . por conseguinte.Revisor (art. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.

Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. não perde a titularidade do poder constituinte. através da Constituição. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. b) é um poder inalienável. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. 1934. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. GV). No caso do Brasil. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. mas não a primeira e sim uma nova. Obs. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. No plano axiológico. Obs. é a Constituição que vai dar origem ao Estado.: este poder tem este nome porque para o Direito. é apenas uma classificação quanto ao momento. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. 1967/69. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. O Abade Sieyes. ou seja. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. Obs. Ex.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. ela nunca deixa de ser do povo. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). independente e soberano. através de normas constitucionais. 1937. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. 1946. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. O povo é o titular do PCOM. 1988. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). ex. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. foi criado um direito natural). porque a titularidade desse poder não pode ser transferida.: se é um poder autônomo e incondicionado. a nenhum pré-requisito jurídico.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. 53 . No caso do Brasil. . há alguns valores que são morais. que substituirá a anterior. Apesar de ser um poder incondicionado. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição.

Fábio Konder Comparato fala. não concorda muito com isso. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. De acordo esse limite. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). mas continua a existir como característica essencial deste poder. ficando um pouco relativizada. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. no art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. 54 . estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. na verdade. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. Dentro desse limite. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Quando a CR consagra o art. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). por se tratar de uma conquista da sociedade. Esta AL. Obs. as constituições estaduais não são recepcionadas. 25. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. A CR/88. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. No caso da CR/88. 11 do ADCT. 25. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. por ex. Ex. O prof. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Ainda que o estado seja soberano. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Ex. contudo. ☺art. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). na pena de morte. com os avanços da sociedade. observados os princípios estabelecidos na CR. No entanto. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Não se trata de um limite jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado.. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. a doutrina deduz deste art. ele encontra limites no texto da CR. mas meta jurídico (fora do direito). A partir do momento que a CR surge. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse.

: ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. 57. Obs.: presidencialismo x parlamentarismo). c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. . mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. CR.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . porque o art. 58. 59 e segs. e o STF decidiu que não havia problema. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). §1º . 61.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. CR. composição. II) Implícitos: CPI (art. § 1°. 34. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. . V ???) I) Expressos na constituição: art. são as normas de auto-organização da União. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 58. são essas as normas de repetição obrigatória. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. §4º. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. Estão presentes no art. 57. Obs. 93.). → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. Se subdividem em: 55 . que se estendem aos Estados. VII. ou seja. §4º não é norma de observância obrigatória). que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. vedada a recondução. 75. Há dois grupos: (art. por enquanto. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal).traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. § 3°). Mas.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. diferente dos extensíveis. 27. Segundo o STF. mas foi uma decisão super apertada (6x5). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . não existe um modelo a priori de separação dos poderes. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. processo legislativo (art.

A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. uma limitação temporal para o poder revisor – art. . CR (é vedado à U. 60. Ex. e se for decretado o estado de sítio (art. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.não é inicial.é um poder jurídico (e não de fato). se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. em qualquer estado da Federação (art.. Ex. 19. Trata-se de um poder previsto na CR e. . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. . . uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. é conseqüente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ADCT). . decorre da lei e não da força. 34). . .: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. .: art. 136). II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. se for decretado o estado de defesa (art. 37. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. DF e M. . ou seja. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. §1º. cujo procedimento está previsto no art.: art. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. E.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.é condicionado.). CR. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa.é limitado. 3°.não é autônomo. 137). 56 . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . 60...Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. portanto..: os arts. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. mas é possível deduzi-las.normas vedatórias: ex. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. CR. . no entanto.titularidade: é do povo.) – contém uma vedação expressa.normas mandatórias: ex. portanto.exercício: é pelo CN. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.

§3º. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC.Além do PR. 61 é a regra geral de iniciativa. assim. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). II e III) uma exceção à regra geral. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. . . se a matéria for rejeitada. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. não promulga. apesar de não existir previsão expressa. 60. 60 (incisos I. . Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. por fim. 57 . o STF e Tribunais Superiores. proposta rejeitada no dia 15/01. 44. . é o de que o art. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e.Discutido e aprovado. ademais. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa.A nossa Constituição é rígida. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. no âmbito do MP. 61. 67. através da iniciativa popular (art. 60. b) o entendimento majoritário da doutrina. Este art. no qual há 4 sessões legislativas.). Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). primeiro em uma casa e depois na segunda casa. a PEC vai para a promulgação. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. §2º). há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. ☺art. o PGR. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto.A última limitação formal objetiva está prevista no art. . §5º. apenas o PR. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. do SF ou do CN. P. que é o período de 4 anos do mandato do PR. DF e DE. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. Ex. GE. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. após a iniciativa. . Obs. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. . 57) não pode ser confundida com a legislatura (art.U. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). no entanto. 60.Feita a iniciativa.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. 61. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). a PEC será discutida em cada casa do CN. no âmbito do PJ. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). ☺art. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. §2º). sendo o art. CR. para que. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. §10). ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. não veta. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. No caso de projeto de lei. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. 61. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). não pode haver emenda de emenda. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. CR). poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. também chamadas de implícitas. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. 62. 60. A Sessão legislativa (art. possamos usar o procedimento previsto no art. também podem propor projeto de lei o povo. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. ela será chamada de extraordinária. no âmbito do PE.

Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. não podem haver alterações tendentes a aboli-las.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. c) Voto Direto. segundo o STF.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Universal e Periódico: . Ou seja. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. VI. universal e periódico. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. pois. §4º. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. mas sim. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. a). Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. o direito de participar das eleições. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. o que é universal é o direito de sufrágio. Curiosamente. na verdade. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. secreto. ademais. o que é secreto é o escrutínio. 58 . Se elas não existissem. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. 150. 60. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). c) Assegurar o processo democrático.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. São as chamadas cláusulas pétreas. Expressas: ☺art. Secreto. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. não é secreto. b) Preservar a identidade material da Constituição. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. . que é o modo como se realiza o exercício do voto. . As cláusulas pétreas são. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. o voto não é universal. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. CR. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo.

após este plebiscito eles teriam se tornado CP. pois. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. 5º. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. todo o art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). comportam diferentes interpretações. é o art. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. Chama-se dupla revisão.Há quem defenda.: primeiro. não concorda. por uma questão lógica. mas refere-se a uma reforma. Mas o STF já considerou que o art. ADCT). Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. e por conseqüência. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 2º. é CP. Obs. inclusive. sendo uma garantia individual. Um exemplo. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. não o serem). 5º.: FGTS. e não em direitos e garantias fundamentais. pois seria uma forma da fraudar a constituição. sistematicamente. Lá estão as limitações ao poder reformador. O art. 60 seria CP. Ex.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. como um todo. CP). ou. que proíbe a pena de morte. com a dignidade da pessoa humana. b. CR. 150. Os direito fundamentais se encontram. mas os demais não (ex. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. para posterior alteração do conteúdo. far-se-ia uma EC revogando o art. que não é unânime na doutrina. não seriam cláusulas pétreas. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. 60. (23/04/09) 2. . desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. III. não alterando-o). Assim. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. . Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. não tem nada a ver com CP). O prof. são CP. por isso. 60 poderia ser modificado. em princípio. 60. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. A CR fala em direitos e garantias individuais. Os demais direitos e garantias fundamentais. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Para ele. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. dispostos do art. posteriormente. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Assim. CR. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 .: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. §4º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. segundo a qual o art. CR).

mas seus efeitos surgem após a constituição. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). c) Máxima: a retroatividade não é automática. em sessão unicameral.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. 60. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Revisão é a via extraordinária. não sendo um princípio absoluto. XXXVI. CR). portanto. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . mas também emendas à constituição. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. A retroatividade mínima é automática. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. ☺art. . excepcional e transitória de alteração da Constituição. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). tem que haver previsão expressa na constituição. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. em sentido formal. mas ainda não pagas. 3º. o STF tem entendimento unânime. Com relação ao assunto acima. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. tem que haver previsão expressa na constituição. não abrangendo apenas leis em sentido formal. A limitação imposta no art. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. 3º. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. 5°. b) Média: a retroatividade não é automática.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. O direito adquirido pode ser relativizado. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. esse era o entendimento do STF. Ex. contados da promulgação da Constituição. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. O ato ocorreu antes. Ex. art. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. a constituição atinge prestações vencidas. 3º. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. Ex. Antes da CR/88. não abrange EC. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). §§1º e 4º). Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. 61 . 60. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. 3º. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. circunstanciais. ADCT. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. Além disso. e de forma geralmente mais extensa. especificamente. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. b) Histórico: no seu desdobramento. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. Além disso. com algumas peculiaridades. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. para o direito público. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Por isso. Ela não tem normas jurídicas. esse método também é conhecido como método valorativo. para o direito privado. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. esses elementos são insuficientes. É como se a norma fosse o corpo da constituição. e não isoladamente. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. O grande problema é que. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). X. como início e limite para a interpretação. Por isso. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Nele estão os valores supremos da sociedade. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Buscam os valores subjacentes à constituição. como todas as demais. é também o limite para a interpretação. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). devido à complexidade da interpretação constitucional. Toda norma está dentro de um sistema. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. O texto da norma funciona. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Constituição da República. portanto. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. eles são suficientes. aqueles desenvolvidos por Savigny. só tem alma. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). 52. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Esse método não é apenas sistemático. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). entra o elemento histórico evolutivo. Não existe uma norma jurídica sozinha.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Imagine a Constituição norte-americana. partindo da idéia de sistema. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Ex: princípio da não contradição. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. 65 . É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. mas apenas valores: o preâmbulo. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. É o início de uma interpretação. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. e os valores fossem o seu espírito.

→ Crítica: feita por Canotilho. Problema é a questão difícil. pontos de vista ou lugares comuns. da doutrina.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. por ex. Ex. da jurisprudência dominante. que é apenas mais um topos. Violação de correspondência de presos. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). formas de raciocínio. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. como. que contraria o positivismo jurídico. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. ou seja. 2. vence o argumento que for mais convincente. Por ter uma feição mais política do que jurídica.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. lugares comuns. Ex. porque trabalham não com a idéia de sistema. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. de casos que comportam mais de uma solução possível. do senso comum. cujo plural é “topoi”. Os topoi são esquemas de pensamento. Isso gera certa instabilidade.. mas sim diante de problemas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. a favor e contra. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Se se permite interpretações divergentes. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. os quais são submetidos a várias opiniões. mais um 66 . certa insegurança jurídica. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. enfraquece-se a força normativa da constituição. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Este problema será solucionado pela argumentação. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. ele também é conhecido como método sociológico. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. de argumentação. Ex. pois comporta mais de uma solução possível). ou a de que um é mais correto do que o outro). Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Por isso. dos princípios gerais do direito. Esses pontos de vista. Assim. os operadores do direito servem-se de topoi. Assim. o que geraria uma grande insegurança jurídica). acaba fazendo com que a interpretação seja variável. como ocorre neste método. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas.

é bom lembrar. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Além de serem métodos aporéticos. que a questão não seja simples. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. devendo-se fazer uso de outro método. e concretizador à aplicação. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Método concretista. não se deve falar em interpretação constitucional. na sociedade aberta de intérpretes. e sim na sua concretização. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. são também métodos concretistas. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. se for caso de lacuna. este método não poderá ser aplicado. Assim. Hermenêutica e interpretação não se confundem. Para este método. Ocorre que. diferentemente dos dois primeiros. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Ele parte. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. quando se fala em hermenêutica. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. pois. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. sua aplicação a casos complexos. A principal diferença. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Não se pode separar as duas coisas. São métodos indissociáveis. Os métodos III e IV. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. porém. ou seja. é preciso que haja um problema. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. são coisas diversas. ainda que dos mais importantes. como já vimos. por serem métodos concretistas. mas em concretização). não podem ser utilizados de forma abstrata. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. 67 . a compreensão prévia do intérprete. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. e o problema concreto a resolver. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. de única solução possível. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Assim. ao lado de Hans Kelsen. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar.

→ Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Na prática. mas refere-se àqueles que podem interpretar. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. ele dirige e. a norma só surgiria após a interpretação do texto. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada.Elementos do âmbito da norma . Ainda que a Corte seja o intérprete final. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. mas também na sua interpretação. traduzido pelo Min. pois. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). Paulo Bonavides o tratar como um método. 68 . Quando ele fala em democratização. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. regulada pela norma. O que ele chama de domínio normativo. em regra. aberta a toda a sociedade. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Fala-se que são utilizados. O texto não tem o comando. O texto tem duas funções muito relevantes. bem como a quebra da unidade constitucional. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). mas também para a interpretação da Constituição. Gilmar Mendes). mas a toda a sociedade. que têm legitimidade para a interpretação. é a realidade social tratada pelo texto da norma. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Para ele. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Não diz respeito aos critérios de interpretação.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . limita a interpretação. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). Assim. Judiciário. Segundo ele. . A norma é o mandamento. Friedrich M.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. ele na verdade não o é. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Segundo o autor. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. ao mesmo tempo. A democracia deve servir não apenas para a criação. por sua vez. Essas duas figuras podem ser.

essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. o poder legislativo é claramente fraco. surge o Positivismo Jurídico. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Na verdade. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Entende que. 3) Existe uma única resposta correta. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). surge a idéia de norma (gênero). A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. mas de forma concreta. textualismo e preservacionismo. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. norma e fato. Assim. quando interpretada. que se subdivide em princípios e regras. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. No pós-positivismo. Esta questão está ligada à separação dos poderes. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Em virtude do caráter normativo dos princípios. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. do povo. preocupado com a segurança jurídica. que corresponde à vontade do constituinte originário. 69 . A norma. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Por isso o judiciário tem ganhado força. superado o valor da norma). como a constituição é feita por representantes do povo. Também denominado de originalismo. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Segundo Conrado Hubner. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. sem modificá-la. vinculante e obrigatória. os direitos têm que ser iguais para todos. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. no Brasil. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Hoje. Assim. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. bastante discutido nos dias atuais. A segunda corrente. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Após. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais.

O grau de abstração é a diferença. em havendo um conflito no âmbito da validade. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. quando se vai aplicar um princípio. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. .: aposentadoria compulsória. será invalidada. como elementos do sistema normativo constitucional: . peso ou valor. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. que apontam para o sentido contrário. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. → Regras: são “mandamentos de definição”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. Segundo Robert Alexy. o que ocorre por meio da ponderação. .Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. é preciso saber quais são as normas opostas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. impessoal. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. Ex. há uma subsunção lógica. que envolvem a aplicação deste princípio. dentro do gênero norma jurídica. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.generalidade . Eles não definem a medida exata. Alexy afirma haver exceções. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. bilateral). e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). Ambos são normas. ou seja. imperativa.Princípios. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. e . mas a medida do possível. Para Habermas. → Princípios X Regras: . princípios são “mandamentos de otimização”.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. . o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. 70 . genérica.Postulados. Assim. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo.dimensão que eles ocupam (Alexy) . apenas os princípios possuem a dimensão da importância. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. isto é. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. A norma é um gênero e. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. ou seja.Regras. impõem resultados. As regras possuem aplicação automática. Dworkin entende regra como mandamento definitivo.

análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. embasados na supremacia da Constituição. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. por isso não são aplicados diretamente. nem estabelecem competência ou conduta. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. 71 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. pela maioria da doutrina. Não estão na constituição. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. também conhecido como antinomia de princípios. de modo a realizar os valores nela consagrados. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Segundo a LICC.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Nesse aspecto. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Com base nessas premissas. mas não têm a mesma função dos princípios. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. como princípios. Mas e os postulados? Segundo esse autor. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Ex. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). interpretação conforme a Constituição. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Os postulados são denominados. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. cronológico e da especialidade.: proporcionalidade. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. será feita a análise de alguns postulados que. É um conflito sempre no caso concreto. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Eles não apontam um fim.

No Poder Legislativo. se entendê-la inconstitucional. o Princípio da Supremacia da Constituição. Se a constituição é a norma suprema. pode deixar de aplicar a norma de ofício. No Poder Executivo. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. No Brasil. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Se o texto tem apenas um significado. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. é necessário que a Constituição seja rígida. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). mas essa supremacia material não tem relevância para o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. e. pode ser exercido através do veto jurídico. no controle difuso. significa que ele é unívoco. presume-se que agiram de acordo com ela. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. quando entender que uma norma é inconstitucional. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. para ter essa supremacia. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. na dúvida. Não se retira a lei do ordenamento. como no âmbito do Poder Executivo e. o Poder Judiciário. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Todo projeto de lei passa por um controle. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Ou seja. por ser presunção relativa. Da mesma forma. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Excepcionalmente. assim. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. na dúvida. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. excepcionalmente. pois existe uma presunção de constitucionalidade. deve optar pela constitucionalidade. significa que as demais leis devem obediência a ela. Toda Constituição tem supremacia material. A 72 . Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Ele pode negar a aplicação da lei. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. E. não tem como fazer interpretação conforme. Se há mais de um significado. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. a lei deve ser declarada constitucional. ficam vinculados àquela decisão. no Poder Judiciário. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Essa presunção é relativa (iuris tantum). o Chefe do Poder Executivo.

Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Segundo Kruger. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. existem. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. de direito previdenciário. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. prevalece a vontade da lei. Ao se admitir que essa norma é superior. que busca a vontade da lei. Ex: Brasília é a capital federal. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. necessário harmonizar esses dois princípios. Geralmente. a norma inferior. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. sendo. Outro ex. Na verdade. §1º. poderia declarar o art. pois. 73 . normas superiores e normas inferiores. passando ela pela constituição. etc.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Portanto. ao mesmo tempo. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. na constituição. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Antes.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. num estado democrático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. há várias tensões entre as normas constitucionais. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. b) Fim pretendido: . mas. É como se filtrasse a lei. logo é conhecida como corrente “objetivista”. isso não ocorre. Temos o voto direto como cláusula pétrea. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Hoje em dia. Obs. Logo. A segunda corrente. . Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. 81. Em uma sociedade democrática e pluralista. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). é conhecida como mens legis. Busca a vontade do objeto interpretado. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Hoje. Isso é impossível. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. defender uma corrente subjetivista é muito difícil.

produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. que é anterior à Constituição da República. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Abstratamente. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Segundo este princípio. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. a integração política e social. qual dos dois grupos tem um peso maior. Quando se tem uma colisão entre bens. ele se basearia no princípio da unidade. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Ex: voto direto é a norma geral. se ambos estão consagrados na Constituição da República. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. interesses. criando um efeito conservador da unidade. violava a liberdade de exercício de comércio. Uma existe ao lado da outra. 74 . O que tiver o peso maior irá prevalecer. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Essa lei. valores. O STF analisou 02 casos: a) Art. as duas normas têm conflito entre si. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. bens ou interesses. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. O relator indeferiu a petição inicial. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. inclusive. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. deve-se buscar essa concordância prática. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. Sempre que possível. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. princípios ou valores. O que é isso? É semelhante a uma balança. pelo legislador. e não em abstrato). Se ele entrasse no mérito da questão. e voto pelo CN é a exceção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. 45. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. §1º. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O Juiz irá ver. Nesse caso. é necessário utilizar a ponderação. na hora de se interpretar a Constituição. Pode ser usada. Eles são muito parecidos. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. ou seja. O STF declarou constitucional. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. Assim. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. no caso concreto.

sendo o guardião da constituição. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). não. Deve haver uma cedência recíproca. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. a privacidade deve ser preservada. não. eis que ambos se relacionam. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. não se aplicando para a interpretação constitucional. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. O importante é saber que todos os princípios.: a proibição da pena de morte. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. poderia fotografar. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Exs. da tortura. para que outros direitos sejam assegurados. 2) relativização da coisa julgada: o STF. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Ex: Se tiver na praia. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . Caso contrário.: a Súm. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. e não princípios. às vezes. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. cabe ação rescisória (obs. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. 343. até uma compreensão equivocada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. que contribua para o debate de interesse geral. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. STF não foi abandonada. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. do trabalho escravo são regras. na academia. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. Ex. mas também a ratio decidenti. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. do contrário. proporcionando-lhes uma força otimizadora. 75 . A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. por mais importantes que sejam. ou seja. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais.

Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.com. .Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. 5º. o desempenho concreto de sua função social. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. . . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. CR/88 (aplicação imediata).br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Exs. no Brasil. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. validade é. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. . §1º. a qual significa a realização do direito. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico.335/AC. Ver no Site Editora Método. 2) Direito de greve. pois. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. a função social para a qual foi criada. 76 . Este princípio. sobretudo o Tribunal Constitucional. é também conhecida como eficácia social. é também conhecida como eficácia jurídica.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. 4.

Se o ato for desnecessário. LIV. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. Não é o entendimento mais cobrado em provas. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. 1º. por isso sua importância. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. No Brasil. desproporcional. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. É uma influência do direito norte-americano. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. para que o Estado não atue de forma arbitrária. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. maiores hão 77 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. ou seja. não está textualmente consagrado. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. apto para atingir o fim almejado. em sua origem. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. 5º. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). utiliza-se o termo razoabilidade. ☺art. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. não se deve abater pardais com canhões. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Alegam que a restrição seria desproporcional. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. do Prof. utiliza-se o termo proporcionalidade. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. Ele está ligado. será também desproporcional. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. deveria conceder uma autonomia maior. à garantia do devido processo legal. É uma influência do direito alemão. Para que um ato seja considerado proporcional. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). dentre os meios existentes. Ex. pois. Para Jellinek. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. Assim. Na Alemanha. CR. Nos sistemas da commum Law. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. mas apenas como menções. uma densidade semântica que ele não tinha antes. ele tem que ser adequado. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Ex. uma restrição à liberdade só será possível se. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). É um princípio implícito.

Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. que é chamada de proibição de insuficiência. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. ou proibição por defeito. 78 . A face acima exposta do princípio. Nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. o poder público age aquém do que deveria. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Há uma outra face desse princípio. pode ser chamada de proibição do excesso.

de regra. O min. pois. mais ou menos significante. não é norma de repetição obrigatória. não tem relevância jurídica. sendo. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”.. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Não contém. relevância jurídica. mas no domínio da política. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. caráter normativo e. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. inscritos na Constituição. Como se sabe. pois. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. anteposta ao articulado constitucional. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. Esses princípios sim. refletindo posição ideológica do constituinte. O que acontece é que o preâmbulo contém. portanto. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. dado que. o Brasil é um país leigo. portanto. com exceção das de 1891 e 1937. Em âmbito estadual. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. Situa-se no domínio da história ou da política. não é componente necessário de qualquer Constituição. não existindo. reproduzidos ou não na Constituição estadual. O nome não é o mais apropriado. apresentado de forma não articulada. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. o preâmbulo. Não tem. laico ou não-confessional. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. proclamação mais ou menos solene. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. mas é a tese por nós adotada. não tendo força normativa. Para o STF. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. qualquer religião oficial da RFB.. Ocorre que todas as constituições brasileiras. Assim. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. porém. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. 79 . incidirão na ordem local. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. No Brasil. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). É uma corrente intermediária em relação às demais. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos.

o desenvolvimento. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. o bem-estar. fundada na harmonia social e comprometida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Esta é a sua natureza. a liberdade. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ao estabelecer os valores supremos. a segurança. pluralista e sem preconceitos. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). com a solução pacífica das controvérsias”. na ordem interna e internacional. 80 .

128.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado.: normas que estabelecem imunidades (art. enquanto não for restringida. Uma NEC. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). isenções (art. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . destaca-se a de José Afonso da Silva. 53). dentre as quais. A NEC. por sua vez. 184.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. (É a mais cobrada em provas). que “contenha” o seu conteúdo. O que as difere é o grau desta eficácia. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Não são a mesma coisa. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). vedações (art. 95. possivelmente restringível ou redutível. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. como se poderia imaginar). A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). imediata e integral. é uma NEP? Não. no Brasil. mas admite lei. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. enquanto não for restringida por lei. Exs. §5º). que poderá variar conforme o seu enunciado. Ela não depende de lei. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. prerrogativas (art. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto.U. Quando se fala em aplicabilidade imediata. apenas 81 . → Normas de Eficácia Contida: O prof. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. Não depende de regulamentação. A integralidade. §5º).

mas não disse quem pode propor.: trata de vedações que são impostas aos juízes. caracterizadas justamente por este tipo de norma). Assim. 5º. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). .por conceitos de direito público (ex.Facultativas: ex. Indireta porque depende de uma outra vontade. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais.Impositivas: ex. são NEP (como são as normas dos incisos I. XIII. Ex. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. Se ela fosse uma NEP. em regra. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. 102. que a regulamente. 9º. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. 154: a União. mas pode ser). 37. PU: União poderá delegar aos estados. 37. Neste caso. mas não é uma NEP. conforme a lei. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. . mas dizer como esse direito será exercido.U. quais são os efeitos. etc. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. A lei não irá restringir o direito. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). é obrigatória. O caput do art. II e III deste mesmo art. A norma constitucional tinha eficácia.: ordem pública. XXIII e XXIV). Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. art. e art. poderá criar impostos residuais. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. se quiser. 37.U. ela nunca poderia ser restringida. esclarece que trata-se de uma NEC.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. VII. e não quais são os meios para se atingir o fim. segurança nacional. 82 . VII. XII c/c arts. ☺art. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). ofício ou profissão. XXII. ☺art. que não é norma).: art. . Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. necessidade ou utilidade pública. É indireta ou mediata. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. mas. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. P. art. art. 95). enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP.por outra norma constitucional (ex. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. eis que estabelecem o fim a ser atingido.. As vedações. 136 e 137). interesse social. etc. VII (direito de greve dos servidores públicos). de forma que antes da Lei 9. 9º dá a entender tratar-se de NEP. e mediata porque depende de alguma condição. 3°.: art. etc. 22. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. que faz parte da mesma norma.: art. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. art. A NEC pode ser restringida: . Não é apenas um conselho. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir.). – ex. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. CR. Ex. Exs. que dirige os rumos do Estado. 5º. mas o seu §1º. 95. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.por lei (ex.: art. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. 5º. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. art. não há omissão inconstitucional.

e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). cumprida a sua finalidade. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Ex. tem eficácia. Obs.: art. mencionada por alguns autores. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Traduz um sistema fechado. OBS.: As NEP. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. São as normas do ADCT. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Para ela. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. as Cláusulas Pétreas. Uma última classificação. Elabora-se uma norma genérica. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. ademais. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. imediata e integral). mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Assim. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. não depende de outros sistemas. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. ADCT.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. também conhecidas como normas super-eficazes. antes da lei ser feita. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. exaurem sua eficácia. uma eficácia negativa (e apenas esta. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. pois. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Marcelo Neves critica essa concepção. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. Diz que o direito se auto produz. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. 2º. Por isso não dependem de outra vontade. porque ela não tem eficácia positiva). 83 .

podendo. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. caso compatíveis com a nova Constituição. art. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC.N. 84 . → CR → A.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. Faremos o estudo de alguns institutos. 242. como normas infraconstitucionais. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. §2º (que fala do Colégio Pedro II. não. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. com o caráter de normas constitucionais. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. sempre que nasce uma nova Constituição. por esta teoria. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Ex. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. porém. e sim como normas ordinárias. serem recepcionadas pela nova Constituição. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.P → A. parte final). 2°. § 1°.: ☺art.N. Assim. Quando uma nova constituição é criada. quando do surgimento de uma nova Constituição.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

para tanto. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. Como se percebe. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. sendo regra a retroatividade mínima. 5º. dentre outras. têm retroatividade mínima. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. vale dizer. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. por regra. 88 . IV. Ex. c) por outro lado. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. 7º. nada impede que a norma constitucional. vale dizer. também limitado juridicamente). Como outro exemplo de retroatividade mínima. Assim. como é o caso do art. Contudo. 7º. Assim. as leis infraconstitucionais. IV. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. desde que haja expressa previsão.: art. tenha retroatividade média ou máxima. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. XXXVI – “lei” em sentido amplo). o STF entendeu que. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. 51 do ADCT. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. CR. deve existir expresso pedido na Constituição. com pequenas exceções. que. diante da aplicação imediata.

Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. assim. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. ainda não regulamentadas de forma mais específica. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. a divisão de seus poderes (art. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. Em situações novas. ao elaborar as leis. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. De uma forma geral. estrutura e fundamento (art. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. em um todo sistemático. atuando como um limite. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. sobretudo. 1º). No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. seja como orientação para progresso da legislação. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. a menos. Desse modo. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. não só das ações dos poderes estatais. Executam. diverso e opostos. da função positiva que 89 . Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. 4º). os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. como também ao exercício abusivo de certos direitos. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. pois servem de critério para o legislador que. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. seja como diretiva na solução de casos concretos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. é claro. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. é obvio. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. Dessa forma. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Sob o ponto de vista dogmático. o que os coloca numa posição de superioridade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. por conseqüência. os quais estabelecem a sua forma. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. 2º). deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios.

DF e Município. I). Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. Com o passar do tempo. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. que reinava de forma absoluta e irresponsável. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. esses conceitos foram se esvaziando. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. CR). 34. 1º. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. No tocante ao Poder Executivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. aos entes que compõem a federação. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. A baixa densidade semântica. o direito de secessão. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. sendo criados novos critérios distintivos da República. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. 90 . quanto para o legislador na elaboração das leis. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. a Constituição veda. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território.

ou. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. 91 . ainda. sob as circunstancias transitórias. a vontade popular representada pelo parlamento. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. No que se refere ao princípio democrático. a legalidade da Administração. não apenas os indivíduos. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. Em um Estado de direito. No Estado material de direito. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. à questão perene da Justiça. seja diretamente. não é absoluta e ilimitada. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. Aqui. Em um Estado democrático. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. seja através de representantes. a independência dos juízes. Sob o aspecto material. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado.

A soberania externa se refere à representação dos Estados. Todavia. em nenhum momento podem ser colocados de lado. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. Por essa razão. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). independente. por essa razão. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. a soberania migrasse do soberano para o povo. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. 92 . por não ter de acatar.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. na ordem internacional. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. uns para com os outros. Supremo. no plano interno. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. 6º). No plano externo. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. o indivíduo se sente útil e respeitado. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. na ordem internacional.

Fruto da concepção liberal. a intelectual. a sociedade pluralista é. com a queda do comunismo. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. assim. uma sociedade conflitiva. o que pode levar a divisões irredutíveis. justa e solidária (art. É ela o valor supremo que irá informar a criação. 170). 17). interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. a filosófico-religiosa. dentre elas. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. passando a se revestir de normatividade. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 206. 3º. 93 . principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). político (art. de interesses contraditórios e antinômicos. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. é um princípio básico do liberalismo econômico. independentemente de autorização de órgãos públicos. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. de reunião e de associação. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. a de informação. Este fundamento é concretizado. I). 215 e 216) e dos meios de informação (art. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. Por isso. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. 220). núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. salvo nos casos previstos em lei. Por essa razão. e. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. partidário (art. ao contrário. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. ainda. a tortura. de comunicação. derradeiramente. deve constituir o seu objetivo supremo. conforme os ditames da justiça social. de idéias e de instituições de ensino (art. Mais tarde. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. artística. mas. por natureza. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. III). o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. 1º). a sexual. a Constituição. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. 170). A escravidão. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. a de opinião. a profissional. científica. cultural (arts. a partir do início da década de 90.

seja por terceiros. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. dentro dos direitos sociais. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. seja pelo próprio Estado. mas. Assim. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. 94 . tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. A dignidade da pessoa humana não é um direito. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. por exigir uma abstenção. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. Poder-se-ia dizer. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. moradia. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. ligada ao valor igualdade. Por outro prisma. em alguns casos. a todo e qualquer cidadão. mais importante. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. mas também a de que o Estado garanta. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. cada vez mais. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. Esta acepção. independentemente de usa origem. não apenas por parte do Estado. Por isso. possui um caráter positivo. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). o acesso aos valores. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. à dignidade da pessoa humana. idade. o que significa dizer que na criação. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. Portanto. mas um atributo que todo ser humano possui. condição social ou qualquer outro requisito. Portanto. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. Todavia. ou para com a pessoa. mas também dos particulares. e. ligada ao valor liberdade. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). não como um fim em si mesmo. econômicos e culturais. educação fundamental. etc. menor (minimizando o problema dos custos). sua existência material. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios).) imprescindíveis para uma vida digna. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. sexo. em um primeiro momento. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. na medida em que procura representar um subconjunto. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. que seja efetivamente exigível do Estado. por outro. Esta acepção. possui um caráter negativo.

direitos à nacionalidade (art. 14 e seguintes). a diferença básica se refere ao plano de consagração.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. ligados à liberdade. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. são os direitos individuais consagrados no art. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. CR/88). O Estado deve fazer escolhas trágicas. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. . Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. Exigem uma atuação positiva do Estado. devido ao custo de serem prestados. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. .direitos sociais (art. 12 e seguintes). devido à escassez de recursos. consagradas ao longo das constituições.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. . do qual são espécies: . Têm um caráter negativo. igualdade e dignidade. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Visam proteger o valor igualdade. CF/88. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. . .direitos políticos (art. à participação política. Em sua maioria. 6° e 7°). São direitos ligados à cidadania. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Enfim.direitos individuais. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Essa classificação é legislativa. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. portanto.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. 6° e seguintes). 6º ao 11. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. uma constitucional e uma doutrinária. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Assim. 5°. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. basicamente.direitos prestacionais: são. mas também no art. 95 . Em termos materiais. Têm caráter positivo e negativo. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Em sua maioria. que divide os direitos fundamentais em: . . consagrados no plano internacional. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. 5°.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. pois surgiram em uma única época. os direitos sociais (arts. Para que o cidadão participe da vida política do Estado.

Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. então. portanto. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Exs: direito ao meio ambiente. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. por exigirem uma abstenção. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. diretamente à igualdade material. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. → Igualdade: Direitos Sociais. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. direito de comunicação. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. à autodeterminação dos povos. XVIII. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Tais direitos têm caráter positivo. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. A 3ª geração. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. movimento encabeçado pelo proletariado. 96 . têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. ao desenvolvimento ou progresso. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. econômicos e culturais. Têm como objetivo. já os de 2ª geração não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Vejamos quais foram as gerações. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Esta é a sua preocupação principal. Eles foram surgindo com o passar do tempo. queria que ele respeitasse suas liberdades. Exigem uma ação do Estado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Estão ligados. por exigirem uma prestação do Estado. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. e a dele é a mais cobrada em concursos). Ou seja. São basicamente os direitos individuais. Obs. sobretudo de princípio programático). ao lado da 4ª. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Não houve substituição de uma geração por outra. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. exigindo uma abstenção. XX.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Como vimos. igualdade e fraternidade (nesta ordem). São chamados direitos civis e políticos. de 1789: liberdade. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. segundo Jellinek). Por isso. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. das gerações. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Os direitos de defesa. 4º. como a família. CR/88). da solidariedade entre países ricos e países pobres. pois. São considerados basicamente como direitos coletivos. os direitos prestacionais. e estas gerações coexistem atualmente. a imprensa livre e o funcionalismo público. a autodeterminação dos povos (art. enfim. diante da necessidade de cooperação. Têm caráter negativo. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. são direitos de caráter negativo.

não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. → Globalização: direito à democracia. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Além desse aspecto. um pluralismo ideológico. Ao lado da vontade da maioria. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). conserva nossas identidades. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. como os previdenciários.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. o direito a adoção. Quem tem o papel contra-majoritário. com a declaração do direito”. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. de orientações sexuais. as demais características são tratadas pelo prof. Esta geração de direitos advém da globalização política. Por isso o direito à democracia é tão importante. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada.). segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. econômico. ao analisar a Constituição de 1891. CR/88). mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art.: quanto ao direito à paz. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. os direitos de família. Ele preserva. traz direitos ligados à pluralidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. limitam o poder. Ele abrange um pluralismo religioso. Porém. ele tem uma importância muito grande. Ou seja. outros são difusos). defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. V. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. estas as garantias. de ideologias políticas e partidárias. Quando se fala em pluralismo político. caso violados. etc. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. Aquelas instituem os direitos. São também direitos transindividuais (em sua maioria. ocorrendo não raro juntar-se. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). de conteúdo). esta alteração não foi feita em seu livro. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. a fixação da garantia. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração.P. ☺ADPF 132. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Afora esta peculiaridade. 97 . na mesma disposição constitucional ou legal. em defesa dos direitos. o prof. que alguns dizem trazer os direitos à internet. Assim. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Ou seja. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. um pluralismo cultural. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Paulo Bonavides. artístico. inclusive das minorias. que são as que. e isso acaba por prejudicar as minorias. Ex. Os argumentos contrários a esta união. à informação e ao pluralismo (D. as disposições assecuratórias. 1º. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. quiçá quanto a 5ª. que seria a vontade da maioria. Em uma ponderação. são direitos difusos). mas há divergências na doutrina quanto a isso.I. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência.

veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). Obs. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. O caput do art. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e.Universalidade: destinam-se. mas nunca a sua renunciabilidade. juntamente. portanto.Historicidade: possuem caráter histórico.direito ao juízo natural (direito) – o art. a todos os seres humanos. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. quando. Deve-se observar. são indisponíveis. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. muitas vezes.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. . Exemplos: .. nascendo com o Cristianismo. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. no caso concreto. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. havendo. por ex. os estrangeiros não residentes.Inalienabilidade: como são conferidos a todos.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. emite uma opinião (direito de opinar). a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. ainda que não individualistas. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. conflito de interesses. 5º. Se são sempre exercíveis e exercidos. como é o caso. . Isso porque. Nada impediria. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. através da interpretação sistemática. de modo indiscriminado. ilegalmente preso. HD.: HC. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. 98 . que só pode ser proposta pelo cidadão. . ou caberá ao intérprete. .: direito de propriedade versus desapropriação). os apátridas e as pessoas jurídicas. 5º. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. decidir qual direito deverá prevalecer. uma vez consagrado o direito. confronto.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. etc. conjugando-a com a sua mínima restrição. . que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). Normas positivas. ou magistrado. XXXVII.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). . coarctando. é claro. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. como é o caso da ação popular. se o direito garantido não possui alguma especificidade. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. no caso concreto.). . Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Contudo. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.

ordem pública. 5º. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. só trazendo relações entre o Estado e o particular. 5º. Posteriormente. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. então. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. não dependendo de legislação. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. §1º.). verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. fática e juridicamente. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. Assim. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. No entanto. para isso. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. 99 . alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. mas. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. pois. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Não se admitiria. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. §1º. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. então. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). etc. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. fala-se. mas o pressuposto do qual ela parte). Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). causando uma desfiguração no direito privado. analisando caso a caso. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Ingo Sarlet afirma que o art.

a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF.) . no entanto. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.700. é possível a sua aplicação com base na Constituição. de uma forma geral. A autonomia da vontade requer tal ponderação. quando há uma relação de igualdade real na relação. isso poderia causar uma série de problemas. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. a aplicação será indireta. . Espanha e Portugal. Determinação de observância do Princípio da isonomia. não sendo necessária uma intermediação legislativa. Se.*RE 161. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. tão somente pela falta de previsão. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. devendo sobre eles prevalecer.24. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. se exteriorizam. a proteção tem que ser maior.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. 249.RE 175. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. mas ainda não há decisão quanto a isso.☺RE 161. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. mas.RE 158.858.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. esta teoria seria a mais adequada.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Mas. . Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. mesmo realizando atividades idênticas. contrato de adesão. Os DF são expressados.243/DF.HC 12. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. houver uma desigualdade fática. .RE 160. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.00 para R$ 86. Em contrapartida. . A jurisprudência. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. através de princípios. como a segunda.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). Ainda se trata de uma questão muito nova. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. E como os princípios são muito vagos. em geral.Resp. que não adota essa teoria). como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.: empregado e empregador. Segundo esta teoria. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. para que os princípios pudessem ser concretizados. Assim. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. muito abertos. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. Deve-se aplicar tanto esta teoria. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. etc. Para a realidade brasileira. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. Segundo Virgilio da Silva. O juiz. então.RE 201. ainda que esta regulamentação não exista.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. e. . . Se não houver uma previsão expressa na lei.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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à igualdade. Obs. 5º. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. abre-se mão temporariamente à privacidade. por óbvio.: esta segurança que o art. caput. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. não há uma renúncia definitiva. CR/88. à liberdade. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. II. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Há dois entendimentos: 104 . ☺art. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. não há que se falar em não exercício). III e art. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Esta questão é bastante clara. pois. O direito a vida. como DF é pressuposto dos demais direitos. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. 5º. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Porque o direito à vida é irrenunciável. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. também não pode ser renunciado. é. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). 170. A renúncia é definitiva. 1º. à segurança e à propriedade. XLVII. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). CR. 5º. um caso constitucional de violação de direitos. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. No caso do big brother. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. pois a vida é uma direito irrenunciável. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Por isso. ☺art. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. um outro direito fundamental. Nos 78 incisos deste art. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Este pode ocorrer. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. 128. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário.

insuficiente para a proteção do direito. Para o direito brasileiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. então. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. 128 (em 1940). em razão do risco de morte intra-uterina. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). sem o sistema nervoso central. o STF não estaria legislando.Direito à privacidade: 105 . ela é a única ação de controle abstrato cabível. mas sim interpretando a CR/88. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. E o direito à vida. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. além de colocar em risco a sua própria vida. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. por 7 votos a 4. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. como todos os outros. Se isso fosse possível. sabendo que ela vai morrer. OBS. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. segundo Canotilho. o art. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. mas de modo geral). Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. Nos EUA e na França. O STF. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. Se há dois argumentos defensáveis. a morte não decorre do aborto. é uma forma de tortura psicologia. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. assegurando a autonomia da vontade. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. por isso. Ademais. já que na época em que foi feito o art. discutida na ADPF 54. A questão ainda está sendo discutida no STF. portanto. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. já que o CP é anterior à CR. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. é relativo. mas sim da acrania. não haveria vida. 128). CP não teria sido recepcionado pela CR. a vida termina com a morte encefálica. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. nas quais não se tem uma opinião moral definida. . 3) dignidade da pessoa humana. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. e. 128. II. entendeu que.

que se subdivide em: intimidade. de uma forma geral. sobretudo. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. ela é ilícita. É gênero. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. não há violação à privacidade. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Ex. Neste caso. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). na verdade. no art. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Ainda que não afete a honra. a imagem pode ser usada num processo. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Mas. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Ex: policial federal recebendo dinheiro. pois há uma excludente de antijuridicidade. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Se tiver gravado um crime. Se filmar uma passeata. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Em regra. O prof. Logo. contra um chantagista. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Ex: matérias de interesse público. a honra e a imagem das pessoas. científico ou cultural. veremos cada um separadamente. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Será considerada prova lícita. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. No entanto. X. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. por exemplo. Então. é a esfera da vida privada. Numa gravação clandestina. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Não há que se falar em colisão. O direito de liberdade é maior. etc. vida privada. Ex: Radares eletrônicos. Proteção da honra e da imagem. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. uma gravação feita clandestinamente. O agente público. 106 . Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. em seguida. Questão de Concurso: Gravação clandestina. 5º. a restrição é legítima. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. É vedada pelo art. sobretudo. são direitos independentes. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. a gravação é considerada lícita. quando pratica um ato na condição de agente público. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. não tem privacidade. Esta é excludente de ilicitude. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. O direito a privacidade está consagrado. 1. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. contra um estelionatário. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Nesses casos. Ao realizar essa ponderação. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Nesses casos é vedada a gravação como prova. CR. Há decisões judiciais onde muitas vezes. histórico. os princípios da moralidade e da publicidade. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. X. maior a proteção a ser dada. CR. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. o direito à imagem foi violado. 5º. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade.

mas na decisão acima houve discussão a respeito. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. essa decisão foi para um caso específico. Tem uma decisão do STF muito comentada. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. não há decisão do STF. 107 . Essa declaração. Quando se quebra o sigilo telefônico. outros dizem ser pelo art. Essa exceção só confirma a regra. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Quando a CR fala em “poder de investigação”. divulgaram todas as declarações na internet. que é uma exceção a essa regra. informáticos. X. Dentro do próprio STF há divergência. fiscal e telefônico. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. outros entendem que não há proteção. No entanto. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. O Min. 3. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. XII. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Ex: extrato de conta corrente. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Se ele quiser. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. Os jornais publicaram essas declarações. De acordo com o art. já que não existe poder judiciário municipal. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. São poderes instrutórios. Além do juiz. Quem pode é só o juiz e a CPI. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Dentro dela. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. como havia verba pública envolvida. com base no princípio da simetria. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. em ação cível originária. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. A lei. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. o BB poderia quebrar o sigilo. ele não pode requisitar diretamente. O prof. naquele caso específico. às informações constantes na declaração de imposto de renda. CR. 2°) admite. de um cd room. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). 5º. 58. O inciso X impede a gravação clandestina. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. ainda que não seja sigilosa. Quanto às CPIs municipais. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. 5º. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. não poderá quebrar sigilos. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida.. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. 2. fiscais. deve ter uma certa salvaguarda. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. falaremos da interceptação telefônica. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. etc. Na Itália. E o Ministério Público? Segundo o STF. por enquanto. a duração da chamada. por ex. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI.: Podem existir várias outras exceções. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. XII. § 3º. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art.). E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. está em vigor. O STF decidiu que.

os dados de informática em si não estão protegidos. o sigilo poderá ser violado. Se um souber. não estaria protegido por esse dispositivo. 5º. Nessas hipóteses. o STF tem um entendimento que. X. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Com relação ao sigilo de dados. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. será gravação clandestina. 5º. Se um souber. sobretudo. Na interceptação. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Mas isso não é a posição do STF. 5º. é equivocado. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Porém. protege a liberdade de comunicações. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Aliás. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. será interceptação telefônica. O art. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. a liberdade de comunicação. segundo o prof. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Em relação a essas. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . seja pelo art. Ela protege 4 formas de comunicações. O STF entende que com base o art. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal.. Na prática. neste caso. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. também protege a privacidade. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. seja pelo art. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Não são admitidas para outras finalidades. Pois. Então. durante o estado de defesa e o estado de sítio. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Para o STF. XII. em determinadas hipóteses. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Para o prof. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. mas foi feita por um terceiro. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Além dessas duas hipóteses.. segundo o STF.. XII. 5º. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. por uma terceira pessoa. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Para o prof. mas. Quando se falou do método tópico problemático. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Em relação à comunicação epistolar. já que protege-se a liberdade de comunicação. No entanto. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. pode haver restrições às comunicações telefônicas. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. abrem-se todas as correspondências. protege-se apenas a liberdade de comunicação.

se houver o consentimento de um dos moradores. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. qualquer pessoa pode entrar. XI: violação de domicílio. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. devemos analisar 2 situações diferentes. Na jurisprudência do STF. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Com relação à inviolabilidade do domicílio. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Ou seja. Se houver o consentimento. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. • Prestar socorro 109 . c) Art. 5º. Recentemente. o Min. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. d) Art. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. XII: interceptação telefônica b) Art. imagine numa situação normal. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Essa decisão foi recente (☺MS 27. e não pelo dono da casa. Vejamos as situações: 1. XII.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar.483 – medida cautelar concedida nesse MS). ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. LXI: possibilidade de prisão. Somente o juiz. essa lógica tem sido invertida. nem a CPI. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. 5°. pode determinar a prática desses atos. Então. a polícia pode entrar. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Com o consentimento. nesses casos. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. O professor acha que há certo abuso neste caso. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. violado. 5º. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Durante o estado de defesa. não há falar em violação de domicílio. Como é o meio mais fácil. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. A Constituição trata de 2 situações distintas. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. LX: sigilo imposto a processo judiciário. CF/88. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Nesse artigo. Segundo o STF. Além disso. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. salvo o flagrante delito. 5º. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Ela deve ser o último recurso. Ex: crime dentro de uma residência. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. por nenhuma outra autoridade. seja durante o dia seja durante a noite. 2. Nem mesmo CPI. a entrada deve ser permitida pela empregada. Sem consentimento já é diferente. Se numa situação excepcional. Pode ser que com os abusos recentes. prorrogáveis por mais 15). vejamos: a) Art.296/96. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Art. 5º. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. e mais ninguém.

Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. não encontrou nenhuma decisão a respeito. a prova colhida será considerada ilícita. entra no conceito de casa. Se entrar com o uso da força. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. não entra no conceito de casa. a casa pode ser invadida a qualquer hora. compartimentos habitados. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. ☺Art. CP. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. entre outros aposentos. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). 150. que traz uma conceituação bastante extensiva. Segundo ele. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Então. estabelecimentos comerciais e industriais. por serem situações emergenciais. quando o sol se põe é noite. não poderá mais entrar no domicílio. não só dos moradores daquela casa. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. hoje. mais tradicional. consultórios. mas dos vizinhos também. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Ex: parte de trás do caminhão. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Segundo o entendimento do STF. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. E o carro? O prof. a prova é lícita. Entra no conceito de casa. Alguns autores. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. compreende escritórios. Quando o sol nascer é dia. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. pois se respeitar também o critério cronológico. Na maioria dos casos. seja do dia seja da noite. mais adequado. Se houver o consentimento do morador. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. na parte em que o público tem livre acesso. Ele deve dizer “aqui você não entra”. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. 2. se estiver vazio. não entra em conceito de casa. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. propõem uma utilização conjunta desses critérios. 110 . porque a noite é o período de descanso. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. É utilizado por JAS. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Só que o STF já proferiu decisões. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. prevista no dispositivo. 3. entre eles Alexandre de Moraes. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. onde o caminhoneiro dorme.

2. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Se o critério não for objetivo. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. cor e estado civil. é necessário que ele seja: 1. XXX. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Razoável 3. da constituição. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Não irá fazer concurso para homens participarem. 111 . Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. não significa que a lei não possa fazer distinções. em situações diferentes. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. CF/88. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Ex: critério preconceituoso. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. pois viola o princípio da isonomia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Mas. arbitrário. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Para esses casos. 7º. Uma vez dentro do estabelecimento. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. 5º. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. discriminatório. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Quando se fala em princípio da igualdade. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Nestes casos. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. idade. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. justifica-se a altura. É a que está consagrada no caput do art. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. Objetivo 2. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Esse critério é razoável. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. XXX. Esse critério não é nenhuma discriminação. CR. 7º. Para que o critério seja constitucional. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. razoável e proporcional.

esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. seria igualdade material. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Para outros autores. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. não haverá uma igualdade real. Mas. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Porém. 112 . surge a questão relacionada às ações afirmativas. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Dificilmente. disse que está ligada à igualdade material. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. A cota deve ser proporcional à população. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. utiliza-se das ações. Visa uma redução das desigualdades fáticas. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Criaram-se outras ações afirmativas. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Então. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. e os desiguais de forma desigual. Não é uma forma de resolver o problema. mas na Constituição Indiana em 1947. mas é necessário analisar uma série de fatores. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. por exemplo. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. ☺art. para tentar reduzir as desigualdades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . essas ações são constitucionais. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Em princípio. Segundo JAS. o critério discriminador seria desproporcional. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. e prolongaram as que já existiam. 3º. O prof. acha que esse argumento não convence. O prof. aconteceu o contrário. pois elas criam uma discriminação reversa. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Isso é igualdade formal. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Para o professor. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Essas ações não surgiram nos EUA. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. essas ações deveriam existir por 10 anos. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Ex: Alíquotas de imposto de renda. e não à igualdade material. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. mas reduzir as desigualdades existentes. Tem autores que entendem ser inconstitucional. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Quando se fala em igualdade material. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Ex: Cotas para pessoas carentes. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. A tendência é que elas aumentem. No caso da Índia. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. igualdade e fraternidade. 5º c/c art. Quando se fala em igualdade material. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Se o Estado não proporcionar esses direitos.

Apesar de ser uma relação entre particulares. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . (18/06/09) Argumentos favoráveis: .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. Juridicamente falando. . Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. tolerante. mas eles não tiveram oportunidade de escola. O problema é com relação à subjetividade do critério. sem exceção. previsto no art.medida imediatista e inapropriada. Então.Poder Legislativo. 113 . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. atinge todos os poderes públicos . O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . Isso é uma questão de política pública. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. 208.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. seja pelo governo. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.em uma sociedade pluralista. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. Portanto. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. Além dessa eficácia. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. Eles não têm apenas a eficácia vertical. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. mas também para quem irá elaborar a lei. de saúde. . aberta.favorece negros de classe média alta. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. são destinatários do princípio da igualdade.fomenta o racismo e o ódio racial .princípio da isonomia (discriminação reversa). CF/88. cientificamente falando. A justificativa parece não ser inconstitucional. visa compensar uma dívida histórica. .Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. pois já faz parte do próprio critério republicano. . quando se fala em destinatários. não sendo necessária essa distinção. Poder Executivo e Poder Judiciário). o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação.fere o mérito. Argumentos contrários: . . . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. seja por particulares. miscigenada e multicultural. Eles foram libertados. No Brasil. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais.

Não é um direito absoluto. para outros teria. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. ele deve licitar. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Ex: Lei Maria da Penha. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Isso significa que. e violou direitos de terceiros. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Para alguns. As provas 114 . Apologia ao crime é diferente disso. não teria sido recepcionado. de expressar o pensamento. O particular não é obrigado. Ex: art. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. ela exerceu o seu direito. desde que seja para atenuar desníveis existentes. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. 5º.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. a lei pode estabelecer distinções. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. etc. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Pode defender no plano das idéias. É uma denúncia feita anonimamente. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Não existem direitos absolutos. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Mas. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Logo em seguida. ela pode ser responsabilizada. IV. desde que essas restrições não sejam autoritárias. é outra questão. Logo. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. mas apenas para as mulheres. Basta ser um critério objetivo e para todos. em princípio. 5º. É constitucional? Sim. Por que a Constituição. em regra. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. CPC – ação de alimentos. discriminatórias. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. não deve ser estendida para os homens. segundo o professor. I. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. O homem não é a parte mais frágil da relação. É livre a manifestação de pensamento. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. ela é constitucional. sendo vedado o anonimato. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Questão de Concurso – Cespe: No art. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. ela pressupõe responsabilidade. 100. Ex: Passeata para legalização da maconha. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. o problema é dele. Protege a mulher. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime.

deve ocorrer uma “tradução institucional”. então. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. ela deve ser protegida. CR. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. No Brasil não há uma religião oficial. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. se não há qualquer identificação. desde que não viole o direito de terceiro. Em relação ao culto. Para Habermas. VI. não é o caso do Estado brasileiro. ou de não ter crença em nada. 5º. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Isso significa que. Os templos recebem uma proteção especial. CR. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. O Estado brasileiro. de crença e de culto. Porém. 19. Quando são produzidos pelo próprio acusado. houve a total separação entre Estado e Igreja. desde 1989 (advento da República). salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. apesar de a maioria da população ser católica. ainda 2. abrangendo a liberdade de crença. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Esta liberdade está consagrada no art. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. 2. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Vejamos: 1. Ex: seqüestrador escreve bilhete. 3. Garantir a simetria da liberdade religiosa. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. por exemplo. Não se pode admitir que o parlamento. A liberdade de consciência é a mais ampla. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. O culto pode ser exercido em qualquer local. inclusive em lugar aberto ao público. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. O dever funcional da autoridade é investigar. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. e. 2. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. o equilíbrio das religiões. → Alguns temas polêmicos: 115 . O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. com o advento da República. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. O Estado deve manter-se neutro. I. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. de ter crença. A religião desempenha um papel fundamental. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). há 02 hipóteses em que o STF admite. ele não pode ser admitido. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. pedindo resgate.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Pode fazer um exame grafotécnico. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar.

A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. inegavelmente. VIII. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Pode um ateu. 215. e não à justiça do trabalho – ☺art. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. imagine uma cidade pequena. a escola não deve impor ao menino. a neutralidade do Poder Judiciário. e o aluno optou a se matricular nessa escola. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. o argumento supracitado não está correto. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Entretanto. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Segundo o prof. não poderia ser confessional. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. §1º. É importante respeitar o ensino de cada um. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Não teria sentido acabar com esses feriados. a competência é em relação à cultura. CR).. O tribunal. O 116 . são culturais. CR. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. políticos e religiosos. Neste caso. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. 5º. Portanto. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. Mas.. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. 210. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. Para o prof. e cultura é competência comum – da União. ocorreu um caso muito semelhante. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. onde se tem poucas escolas boas. a competência é da União. §2º. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. . fazendo uma ponderação entre os princípios. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Na Alemanha. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. então. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. estados e municípios (☺art. há algumas ações. Há um trecho do livro do Dworkin. .Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. São feriados puramente religiosos.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. que odeia guerra. CR). Essa escusa abrange aspectos filosóficos. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Entretanto. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. logo. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. 23.

Criação de partidos políticos. A pessoa alega imperativo de consciência. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. IV). não são os religiosos. não é necessária a autorização estatal. mas direitos individuais de expressão coletiva. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). mesmo que em locais abertos ao público. terminada a reunião. 5º. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. O prof. A República é o governo das razões. (Não pode reunir pessoas armadas. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. essa hipótese é de representação processual. mas a de permanecer associado. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Ex: reunião de condomínio. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. 4. CR: Não é só a liberdade de se associar. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Há. 3. Ex: fazer segurança. Liberdade de reunião. existem 2 semelhanças e 1 diferença. CR. conforme portaria da ANVISA. Para que as pessoas possam se reunir. o argumento deve ser racionalmente justificado. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Segundo Jean Rivero. 5º. as pessoas se reúnem e. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. por sua vez. elas vão embora. CR. JAS diz que não são direitos coletivos. Não cumprindo com a obrigação. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. então. XXI. desviar o trânsito. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. XVI. Ex. Criação de sindicatos. mas os políticos. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. XVI. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Criação de associações e. etc. na forma da lei. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. 5º. ainda. 15. 2. Por que a CR exige prévio aviso. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. XVII e XXI. Se não houver essa lei. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. tem o caráter permanente. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Quem fará a tradução não é a Igreja. A associação.) 2. ☺ art. de cooperativas. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Caso não cumpra com a prestação alternativa. ☺art. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado).

ela tem legitimidade para ajuizar ADI. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). a propriedade terá uma proteção menor. não pode existir mais de uma federação por território. mas não pode ajuizar ADI. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. LXX. tendo um menor peso na ponderação. 2. 8º.. Em seguida. Ex: Invasões de terra pelo MST. portanto. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. ter um patrimônio mínimo. não precisando de autorização expressa. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. É o entendimento de Daniel Sarmento. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. O sindicato (☺art. 5º. segundo o qual. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Se ele tem proteção. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. garante o direito de propriedade. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. no seu art. 118 . defendendo direito alheio. Segundo ele. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. O que acontece é que se não cumprir a função social. a função social. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. mas faz parte da estrutura desse direito. Segundo o STF. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. não são legítimas essas invasões. Há um outro entendimento que. A associação impetra em nome próprio. é mais correto. XXII. por exemplo. em seu art. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. ☺art. mas sim contrárias ao direito e. pode ser dada numa Assembléia Geral. segundo o prof. III. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Ela só garante o direito de propriedade. não impede que o direito de propriedade seja protegido. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. A Constituição não garante o direito à propriedade. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. do próprio regime desse direito. Função Social da propriedade: A CR. Segundo o STF. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. 5º. Segundo o STF. como a Constituição garante o direito de propriedade. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. CR) quando ajuíza uma ação. o direito de propriedade pertence ao direito público. Só pode representar se houver autorização expressa. ADC e ADPF. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. segundo o prof. se não for atendida. XXIII. Segundo JAS. ilegítimas.

por ser inerente ao direito de propriedade. 139. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. restringe o caráter absoluto. XXV) e as militares (☺art. por utilidade pública. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. IPTU progressivo no tempo. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. A polícia requisitou determinadas propriedades. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Os principais aspectos são 2. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . mas sobre a propriedade em si. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. CR. Ex: caso de Eloá. 186. Vejamos abaixo. que deve ser prévia. Para atender a função social. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. §4º. 182. 5º. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Logo. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 184. CR. VII). b) ☺ art. Sempre haverá indenização. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. há uma transferência compulsória da propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. indenização por títulos da dívida pública). CF/88: Trata-se de imóvel rural. §2º. deve haver indenização? Não. Sempre que há requisição. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. 2. deverá ser em dinheiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. como um apartamento. b. em regra.000 habitantes (§1°). Ela faz parte do regime do direito de propriedade. A função social. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Além do caráter absoluto. ou por interesse social. ele não poderá ser prejudicado. Como haverá indenização se houver dano. Propriedade Urbana: ☺art. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. só haverá indenização se houver dano. na desapropriação. etc. a saber: a. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. o proprietário não tem culpa. 182. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Desapropriação: Diferentemente da requisição. como decorrência do primeiro. Vejamos: a) ☺art. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. No caso de requisição. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. normalmente. a saber: por necessidade pública. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. diante de uma emergência. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. justa e. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. a indenização será sempre posterior. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. uma escola pública. Propriedade Rural: ☺art. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. É um aspecto lógico. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Na requisição.

Nesse caso. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). os bens serão confiscados – art. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. é porque ela está cumprindo a sua função social. É sempre indenizável (justa. 2. não podem ser adquiridos por usucapião. no máximo. possuir o imóvel como se fosse seu. São imunes a impostos (☺art. precisa recorrer ao judiciário). Necessidades permanentes da sociedade. 50 hectares. CR). 5º.). Obs. Como o confisco é uma sanção. etc.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. Só não podem ser para fins de reforma agrária. . 243. emergências da sociedade. por ter prazo menor. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. 243 da CR. Confisco: No Brasil. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). sem oposição. Requisição Refere-se a bens e serviços. Só que. PU. Na CR. Necessidades transitórias. Usucapião: Na Constituição da República. no máximo. regra. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). 183. sejam urbanos ou rurais. 191. A Constituição não permite – ☺art. parágrafo único. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). pacífica. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. o imóvel deve ter. .Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. 3. Se ela é produtiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. paga em dinheiro). Vejamos: .: Imóveis públicos. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. seja urbano ou rural. 120 . §3° e art. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. §5º.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Para esse fim. . 185. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). . O confisco de propriedade está previsto no art.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos.o morador não pode ter outro imóvel. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. ininterrupta. não há pagamento de indenização. não precária. 250 m2. 184. Se ele tiver outro imóvel. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. prévia e. CF/88. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. em Indenização posterior se houver dano.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). CR).

2. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. só que exclusiva para o direito tributário. Durante a vigência desse contrato. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. 5º e no art. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. desde que seja mais benéfica para o réu. a saber: 1. 106. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. a lei interpretativa retroage. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . na verdade. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. No direito penal. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. é uma conjugação das duas anteriores. a regra também é a não retroatividade (art. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. inicial. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Retroatividade da Lei Penal. A garantia existe para a proteção desse direito. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. CR). Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Em regra. Para responder a essa questão. Esta hipótese é. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Alguns a interpretavam de maneira (A). O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Seria correspondente à primeira hipótese. A lei interpretativa retroage. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. a CR/88 entrou em vigor. As hipóteses mais importantes são: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. mas deve respeitar a coisa julgada. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. Em resumo. XL. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. outros a interpretavam de maneira (B). começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. mas que vale especificamente para o direito tributário. Todas as demais o consagraram. 5º. b) Retroatividade benigna. média e mínima. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. 5º. não era muito democrática). Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. ato jurídico perfeito e coisa julgada. etc. autônomo. é necessário diferenciar duas situações. interpretando a lei da maneira (A). Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. XXXVI. 3. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. não.

inclusive as de ordem pública. mas as leis não. A EC poderia prejudicar direito adquirido. Se a Constituição atingir essa prestação. . coisa julgada e ato jurídico perfeito. porque geraria uma insegurança jurídica. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. em regra. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. ☺Súm. 654 e Súm. e não o ato exaurido. portanto. As parcelas podem ser reduzidas e. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Se mudar o real. Havendo mudança de regime jurídico. interpreta a lei em sentido amplo. b) Retroatividade média: pode ocorrer. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Não pode haver a redução. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. . . Só que para haver essa retroatividade. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. através de norma de eficácia plena.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. haverá uma retroatividade média. e não as parcelas que compõem o vencimento. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Portanto. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. e não lei em sentido restrito. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. → Coisa julgada: 122 . Antes de a prestação ser paga. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. É claro que isso não é desejável. O prof. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Só que para haver essa retroatividade. haverá uma retroatividade máxima.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Ex. será necessário que a Constituição diga expressamente. Não existe direito adquirido em relação a esse regime.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. não há posição prevalecente. Após a Constituição de 1988. porque geraria uma insegurança jurídica. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. até mesmo. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. 2. ela afeta a todos. Nesse caso. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. mas isso está superado. de acordo com a legislação da época. É claro que isso não é desejável. É o ato que está apto a produzir os efeitos. STF.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. 473.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. a Constituição da República entrou em vigor. XXXVI) é lei em sentido estrito e. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. dirige-se apenas ao legislador ordinário. . no caso de retroatividade mínima. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Ex: Determinada prestação. 5º. extintas. automaticamente. Na retroatividade máxima.

e isso para muitos é um ponto negativo. Os direitos de defesa são. Ou seja. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. 5º. nós deveríamos interpretar o art. 5º. 7º.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. ou seja. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. do seu enunciado..☺art. Assim. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Os princípios. são NEL (de princípio programático). Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. consagrados em NEP ou NEC. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Dirley Jr. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. A administrativa não tem essa proteção. de sociedades pluralistas. 5º. e pelo Min. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. mas é apenas a coisa julgada judicial. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. . o que significa que possuem um caráter positivo. em sua maioria. são mandados de otimização. segundo Robert Alexy. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. exigem uma atuação positiva do Estado. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Por isso. §1º. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Eros Grau. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. 2. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. por ex. e não propriamente como ministro). Já os direitos sociais. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. b) o art. independentemente de qualquer fator. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. em regra. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. independentemente da sua natureza.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. para dar decisões concretizando tais direitos. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. à medida que a sociedade o determine. como teórico do direito (ou seja.: salário mínimo). . O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. Eficácia: todo direito tem um custo. Direitos Sociais: 1. No art. Em cada época. como doutrinador. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. §1º. Mas isso não é verdade. pois são mais facilmente implementados. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria.

é importante definir tais critérios. Como têm apenas eficácia negativa. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado.). pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. normatividade. educação. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. que estamos buscando. Esses direitos sociais não teriam. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos.000. Esse entendimento já foi superado.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. por ex. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. Pedro Taques). A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Primeiramente. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. todas. Assim. não geram direitos subjetivos. pois. previdência. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. O que se busca. por ser norma programática. Em outros lugares. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. A visão do juiz é bilateral. Portanto. em tese. as normas possuem uma textura aberta. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Por isso. etc. legítimas (saúde. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios.000. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. Argumentos contrários à intervenção judicial: . Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. . Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. só porque recorreram ao PJ.). Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. lazer.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. por ex. . Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Norma de direito social não gera direito subjetivo. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. doutrinador do RS. rodovias. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. quando foi dado um maior papel ao PJ. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. 3ª fase: é a fase desejável. segurança. essa atuação talvez não seja tão justa. trabalho. assim. Quando se fala em direitos sociais. Obs.. implicitamente. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje.

sufrágio universal. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. teríamos a maior utilização das ações coletivas. eleições periódicas. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa.Caráter normativo da constituição. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). A reserva do possível. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. pois. . mas a todos que se encontrem na mesma situação. segundo Ingo Sarlet. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. saber se a demanda é razoável. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. É preciso.A democracia não é apenas vontade da maioria. Ademais. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. . Os direitos sociais estão consagrados em normas. entra-se muito nas questões ideológicas. inclusive a minoria. e é muito utilizada no Brasil. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Mas. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador.Déficit democrático das instituições representativas. Assim. no que diz respeito aos direitos sociais. não se encaixaria na realidade brasileira. em razão das limitações orçamentárias existentes. ou seja. Esses argumentos são os que devem prosperar. o outro cresce. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. 125 . ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Se um poder se encolhe. por isso. De se ver que quando se fala em direitos sociais. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. . porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. em razão do Princípio da Igualdade. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). eles acabariam sendo inviabilizados. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. em 1972. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). Não é o entendimento que prevalece. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Se não se estabelecer os critérios.

o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. por ser necessária para a 126 .Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. No Brasil. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Por que falamos em “mínimo”. Se não definir o conteúdo. mas deve também ser provada. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. A reserva do possível é uma matéria de direito público. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Ou seja. educação e moradia. depende de cada época e de cada sociedade. essa concretização. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. que existem z pessoas na mesma situação. A efetividade passa pela sociedade. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. é o mínimo existencial. Não é o máximo desejado.. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Segundo o prof. precisam ser concretizados. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. que a demanda custa y. etc. em razão de sua textura aberta. que é a corte suprema na Alemanha. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. a questão da efetividade será prejudicada. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. . é o entendimento mais adequado. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. assistência em caso de necessidade. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. em 1953. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. saúde. quando se estabelece o mínimo existencial. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. mas teria um peso maior na ponderação. Vejamos: 1. Assim. pelo cumprimento voluntário da constituição. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. 2. maior o risco de não ter efetividade. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. . Segundo Ana Paula de Barcellos. Segundo Ricardo Lobo Torres. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. da liberdade material e do princípio do estado social. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Outros autores já falam apenas em saúde. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada.

A palavra nacionalidade deriva de “natio”. irão concretizar os direitos sociais. Os poderes públicos. fazem parte da população brasileira. consciência coletiva. Pode.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. ao estudar as normas de princípios programáticos. haveria um engessamento do legislador e do PE. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. Ex. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. 2) posicionamento de um autor português. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. língua. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. pois. Ele tem. segundo ele. Há dois posicionamentos quanto ao tema. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. independentemente da nacionalidade. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. um pensamento mais flexível sobre o tema. entre eles: laços culturais. Todos que moram no Brasil. só ampliado. históricos. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. da dignidade da pessoa humana.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. passaria a fazer parte do próprio direito social. que significa nação. Por isso. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. costumes. assim. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. 5º. o que prejudicaria a sociedade. não pode haver uma redução dessa concretização. População está relacionada ao conceito demográfico. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. da máxima efetividade (art. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. A partir do momento que um direito social é concretizado. Segundo ele. esse prazo não pode mais ser reduzido. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. estatístico. 127 . (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. haver uma redução do grau de concretização. fala-se em vedação do retrocesso social. e do Estado Democrático e Social de Direito. §1º. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. e. já dizia algo muito semelhante. CR). JAS. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. de acordo com a necessidade.

Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge).Quase nacionalidade (art. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Refere-se aos brasileiros natos. 227. A EC 54 alterou o art. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. 112 e 115. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. c. I. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. se não se manifestarem contrariamente. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. o filho terá nacionalidade brasileira. De acordo com o critério sanguíneo. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. por uma questão de soberania nacional. I.Diferenças de tratamento 128 . que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. Refere-se aos brasileiros naturalizados. considera a nacionalidade dos pais. . que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. É o caso do Brasil. não há direito público subjetivo. a). Obs. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). I. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). de acordo com o art. Pelo critério funcional. É geralmente adotada por países que estão em formação. desde que haja reciprocidade. adquirem a nacionalidade do país onde residem. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. §6°. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. não haver condenação penal e requerimento do interessado.815/80. art. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Neste caso. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . os pais têm que ser brasileiros. Se o casal estiver a serviço de outro país. b). . 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). II) Naturalização expressa (art. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. CF/88. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Quando a pessoa é nascida no Brasil. II) Jus Sanguinis: ascendência. 12. há direito público subjetivo do estrangeiro. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 12. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. estrangeiros residentes. 12. terá naturalidade brasileira. 12.

5°. 12. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. 12. presidente da CD. Importante analisar a Súmula 421.segurança nacional: oficial das forças armadas. §2°. No caso de brasileiro naturalizado. CF/88): 129 .se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. dependente da economia paterna. §4°. Mas. Expulsão: consiste na retirada a forca. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. Se o estado desrespeita essa regra. XL. em razão da soberania nacional. . A deportação está mais próxima da expulsão. . . 12. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. 89. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. §3°). o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. não se poderá invadir esse estado. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Na extradição. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos.Perda da nacionalidade (art.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. CF/88). mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. presidente do SF. Já na entrega. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente).815 (ato nocivo ao interesse nacional). no entanto. portanto. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. a ela aplica-se a súmula 1. Os critérios utilizados são: . 5°. vice. do território brasileiro. só poderá ser extraditado: . cria-se um problema de relação internacional.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. confundir a súmula acima com a seguinte. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. . b) 6 assentos do Conselho da República (art. 5°. . .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. ou que tenha filho brasileiro.linha sucessória do presidente da república: PR.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. 65 da lei 6.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. em razão da superioridade da Constituição. d) Extradição (art. Mas. Não se pode.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. Princípios relacionados à extradição: . CF/88 não se aplica aos tratados internacionais.

Características que o voto possui no Brasil: . 81. com uma única exceção: art. Além dessas características do voto. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. voto é o exercício desse direito. .é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. inclusive sendo cláusula pétrea. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). São requisitos apenas técnico-formais. Servem ao controle do próprio direito. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). one vote” – “one person. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). . e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. o sufrágio censitário (ex. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). .Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. §1º. A CR/88 adota o sufrágio universal. 14. Direitos Políticos: . readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário).é direto: é a regra. nacionalidade e alistamento. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. caput). na forma da lei (que ainda não existe). 14. pelo CN. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto).tem valor igual para todos: “one man. é o direito de votar (e não de ser votado). O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. . e não requisitos preconceituosos.é periódico: essa periodicidade do voto. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. perderá a nacionalidade brasileira. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. é o direito político em si. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. que exige uma alternância de poder. com a realização de eleições periódicas. salvo se por meio de ação rescisória. one vote”. 130 . §1º). ou seja. Para JAS. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. salvo nos casos das alíneas a e b.

São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. com exceção dos portugueses equiparados. 14). os inalistáveis são os estrangeiros.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. que geralmente admitem desincompatibilização.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. se houver reciprocidade (art. §5º . §1º).☺§3º. §3º? Segundo o STF. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. filiação partidária. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. 14 traz um questionamento. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). dentistas. assim. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. 14. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. no governo de SP). ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. trata-se de lei ordinária. até que se atinja a plena cidadania. domicílio eleitoral na circunscrição. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. ela é adquirida progressivamente. Primeiramente. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. etc. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). §7º . a inelegibilidade em relação aos militares (art. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. . 12. ☺ar. em caso de reeleição. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. Mas o §9º do art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). é o direito da pessoa ser votada. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. No Brasil. do art. Quando a Constituição fala apenas em lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. no caso do art. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). 14. salvo se já titular do cargo. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). §8º).é conhecida como inelegibilidade reflexa. ou seja. 14. §3º. então. Ex. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . ou seja. .: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. Além dessas condições relativas à idade mínima. 14.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. 14. Assim. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). 14.

Kildare. o prof. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. 5º. 15 (incisos II. A doutrina (JAS. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). mas o prof. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. não há como readquirir os direitos políticos). acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. III e V) são hipóteses de suspensão. seus parentes também poderiam ser candidatos. Com base nessa distinção. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 15. nos termos do art. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. e quanto a isso não há divergência doutrinária. Todas as outras hipóteses do art. 15. é algo temporário. VIII). que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. I. 132 . A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição.

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