Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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o americano e o francês. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. numa terceira acepção possível. como sociológica: “em termos jurídicos. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. em sentido jurídico. E para isso. um claro juízo de valor. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. mas proteger direitos. mas também de outros assuntos. Neste sentido. Partindo. Numa vertente mais restrita. sociologicamente. por seu turno. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. os fins socioeconômicos do Estado. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. É. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Kildare Gonçalves Carvalho. O conceito de constitucionalismo transporta. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. no fundo. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. a defesa da Constituição. como o inglês. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. então. Tem-se utilizado. assim. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. enfeixado na Constituição. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. o local e a época. e que se encontra acima dos detentores do poder. do estado e das instituições democráticas. em especial limitar o poder arbitrário. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. uma teoria normativa da política. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. Numa segunda acepção. e. reporta-se a um sistema normativo. 4 .

1. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. b. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Estabelece as regras do jogo político. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). as Fundamental orders of Connecticut de 1639). “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Atribui competências aos três poderes. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Por isso. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. ii. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. (Livro do Alexandre de Morais). Governo limitado. integram-no. Foi a mais avançada forma de governo. c. como e até onde pode mandar. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. b. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. se contrapõe ao absolutismo. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. d. e da França. • Separação dos poderes. fases pelas quais passou a constituição. em 1791.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Hoje. quem. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Influenciaram o direito francês e americano. Estado Hebreu: estado teocrático. 2. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). A democracia é a representação da vontade da maioria. porém. após a Independência das 13 Colônias. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. a partir da Revolução Francesa. • Princípio do governo limitado. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Roma: idéia de liberdade. ii. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. a. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. desde logo.surgiu em substituição ao governo dos homens. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Grécia antiga: democracia constitucional. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Como ressaltado por Jorge Miranda. em 1787. Garantia jurisdicional. Foi a 1ª experiência constitucional.

diretrizes. estabelecendo diretrizes. as constituições tinham caráter mais político. estabelecidos pela Constituição. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. b. 4. XIX. havia regras. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Garantia de direitos. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Constituições da democracia social. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Segundo a tradição francesa. Constituições de países subdesenvolvidos. Força normativa da constituição: antes. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. ii. a. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Começou a se falar em um direito moral. os costumes 6 . XX). As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Ex. Idéias principais: i. as quais são denominadas por pós-positivismo. sem força vinculante. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. a maioria da nação. O ser humano é um fim em si mesmo. Constituições da democracia marxista ou socialista. b. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. c. O Estado é um meio para atingir determinados fins. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. foi o Abade Sieyès. Eram apenas uma diretriz. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. c. A partir dessas novas idéias. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Rússia. na época das Revoluções Liberais. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Todos os poderes constituídos (PL. ligada à idéia de liberdade. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. 3. PE e PJ). Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. aplica-se a analogia. estarão subordinados a ela. Separação de poderes. Novas idéias foram surgindo. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. ou seja. Hoje. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Constituições da democracia racionalizada. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. direitos fundamentais. d. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais.

sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Os princípios. Ex. Para Barroso. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. demarcação de reservas indígenas. é o judiciário. Mas essa é uma posição muito radical.  Aplicação direta da constituição. Eles são importantes. Continuidade. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. etc. união homoafetiva. espuma do chopp. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). há uma euforia dos princípios. c. etc. f. Entre uma regra específica e um princípio geral. Na jurisprudência do STF. Na Itália. o judiciário aumenta sua força. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. os princípios. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Universalização. cotas em universidades. d. aplica-se a regra específica. verticalização. Integração. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Hoje. Participação. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Consenso. fidelidade partidária. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. e. são aplicados através de ponderação entre os princípios.. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. aborto no caso da acrania. b. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. é o juiz.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Ele atua como legislador negativo e positivo. Hoje. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. de uma forma geral. Não se aplica diretamente a constituição. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. mas quem dirá o que ela é. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. pois esta é a concretização de um princípio geral. Para Paulo Bonavides. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Quando o legislativo é fraco. 7 .  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Teoria Concretista Geral. Solidariedade. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. que é aplicada mais às regras. Constitucionalismo do futuro. • • 5. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Verdade. tratado internacional tinha status de lei ordinária. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. g.

Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. de acordo com o art. 1º da Lei 9. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Act of Settlement de 1701. I. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Bill of Rights de 1689. de forma expressa. Vale dizer. CR) e. Fundamental Orders of Connecticut (1662). de soberania popular. Podemos falar. a verdade. Compact (1620). o exercício deste poder. II e III. mediante: plebiscito. então. 1º. Carta outorgada por Carlos II (1662). pertinentes. segundo o art. 46. nos termos deste lei e das normas constitucionais. referendo e iniciativa popular”. dá-se através dos representantes do povo. com valor igual para todos. verdadeiro sistema híbrido.709/98 (que regulamentou o art. CR.U. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. a continuidade. caput. concretizando a soberania popular. Assim. Petition of Rights de 1628. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . 14. Como regra. portanto. por intermédio de seus representantes. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. do art. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). que são os deputados federais (âmbito federal). que. a participação. O titular do poder é o povo. a solidariedade. Habeas Corpus Act de 1679. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). o P. Contratos de colonização. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. cujo titular é o povo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). CR). “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. nos termos desta Constituição”. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente.

não passaria de uma simples “folha de papel”. O art. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). quando não corresponde à Real. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita.. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. com exceção do Preâmbulo. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. a que Carl Schmitt chama de Constituição. conforme o prisma de análise. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. têm a mesma forma de elaboração). Essas normas são programáticas. PJ. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Segundo ele. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. §2º. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). portanto. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. 242. 1°. para ele. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. Toda a Constituição. A conferência realizada por ele. a Constituição é norma pura. como por ex. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. Para entender tal concepção. que adota o conceito decisionista de constituição. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Esta é a concepção que hoje prevalece. ou seja. Esta concepção atualmente é inadmissível. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). PL. que surgiram com as constituições mais prolixas. Constituição e leis constitucionais são. → Segundo Hans Kelsen. A Constituição Escrita. na sociologia. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. As leis constitucionais são todo o restante. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. o caráter normativo e vinculante da Constituição. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. na política ou na filosofia). A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. o restante. é vinculante e obrigatória. mas apenas leis constitucionais. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). caso contrário. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. mas materialmente distintas. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. ou seja. os direitos fundamentais. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição.: art.

Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. ao mesmo tempo. ela não existe na realidade. qual seja. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. posta pelo Estado). 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). é: todos devem obedecer a Constituição. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). é apenas uma pressuposição. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. não está escrita. A CR/88. a Constituição tem sim fundamento sociológico. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal.Território. quais sejam: . . Gilmar Mendes). não introduz nenhuma novidade. é um elemento conformador. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. define tais elementos estruturais. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. é a Constituição escrita (CR/88). a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. . 10 .Soberania. .Povo. mas que trata de todos os aspectos. segundo esta concepção.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. .Finalidade. todos os setores da vida social. seja pela introdução de novos elementos através de emendas.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. e também jurídico. portanto. condicionante desta mesma cultura. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). por isso não tem nenhum expoente específico. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. Ou seja. Seu único comando. é uma norma pressuposta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . neste sentido. modificando-a.

pois toda constituição é escrita e não-escrita. É uma aprovação simbólica). surge em um só momento. as constituições outorgadas foram as de 1824.não codificadas (ou legais.outorgada: é a constituição imposta. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. quem vota a matéria são as lideranças.democrática. por ex. por alguns estudiosos. Por isso mesmo. de maneira unilateral. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). . consuetudinária (não é escrita). votada. . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. e como é bastante prolixa. .. 11 . é fruto das idéias. não surge de uma só vez em um só momento. Ex. há pouco espaço para se ter costumes como regras. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. trata-se de modalidade anacrônica. o apelido de “Cartas Constitucionais”.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. ou variadas): ex. . . dos dogmas predominantes naquele momento histórico. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. . Obs. de uma só vez. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional).dogmática: sempre escrita. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. a classificação irá ajudar a compreender a constituição.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. Nesse caso. a Constituição Inglesa. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. a constituição não se torna democrática. podendo ser: .pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. tem também vários documentos escritos. No Brasil. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. como por ex. promulgada.. Constituição Espanhola/1930. 3) Quanto à origem: . 1937. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. 1967. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). 4) *Quanto ao modo de elaboração: . toda Constituição histórica é costumeira. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada.: as constituições outorgadas recebem.

Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material.: a Constituição dos EUA).: art. 1º. Constituição Inglesa. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. portanto muito difícil de serem modificadas. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. . mas sim o processo mais dificultoso. . Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. CR). Em 2000. Por este motivo.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. inclusive a CR/88). passou a haver hierarquia entre as normas. sem se preocupar com os detalhes. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Ex. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. Ex. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). . (Obs. É uma constituição em sentido formal.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Não existe controle de constitucionalidade das leis. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .) . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. ou seja.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. como é o caso da CR/88. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. sucintas. . O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. São chamadas também de clássicas.fixas: não poderiam ser modificadas. Como se submete a esse tratado internacional. sendo assim. . pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. É uma classificação típica das constituições costumeiras. deixou de ser considerada flexível. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. É uma constituição em sentido material.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Ex.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional).

democrática. que surgiram com um objetivo pré-definido. Canotilho. Rígidas. União. prolixa. Ecléticas. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida.: art. porque é fruto de várias ideologias. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Históricas. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Constituição em sentido formal. Democráticas (populares. Característica das constituições clássicas. o Estados. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). votadas ou promulgadas). . e não de apenas uma ideologia. como por ex. (processo legislativo). o Municípios. básicas ou clássicas). Constituição programática (ou dirigente). Fixas. codificada. o União. É a CR/88. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Ex. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. rígida (ou super-rígida). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. costumeiras ou consuetudinárias). formal. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. dogmáticas. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. 59 e segs.: a CR/88 é ainda Eclética. 3º.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. OBS. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita.: art. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Flexíveis (ou plásticas). QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). CR. mas sim uma obrigatoriedade!). sucintas. o DF. dogmática. sumárias. 13 .dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. pois valem a todos os entes federados. Não-escritas (inorgânicas. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Pactuadas (ou pactuais). QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

uma Constituição só possui relevância sociológica. No entanto. basicamente. estaduais. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. encontram-se as normas constitucionais originárias. Importa dizer. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. II a VII). tem de ser. princípios ou regras. para fins de controle de constitucionalidade. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. §3º). Para que exista supremacia formal. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. por ser rígida. sejam elas originárias ou derivadas. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. as medidas provisórias. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. ordinárias e complementares). LC.: decretos e regulamentos. DL e Resoluções – ☺art. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. a Constituição. a Constituição tem que ser rígida. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . cujo fundamento de validade são as leis e. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. porque os princípios têm maior amplitude. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. distritais e municipais. 59. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. as leis delegadas. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. CR). 5º. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. o indireto. No topo. 59. MP. que a CR/88. obrigatoriamente escrita. 59. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. direitos fundamentais ou não. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários.343/SP. por 3 níveis hierárquicos. que existem como complementação dos ANP). se tiver também supremacia formal. Leis Delegadas. enquanto as regras são mais específicas. as derivadas (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição.

Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Portanto. OBS: O art.status constitucional. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Quando não exigir LC. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Não varia. Essa aprovação não é obrigatória. No entanto. Anotar como complemento posteriormente. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. 47 é a regra geral. Residual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental).☺Art. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Reservada pela CR/88. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 69. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. MPs. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. por uma questão de economia legislativa. que regula a LC. mas somente uma recomendação. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Cabe controle de legalidade (discussão incidental). 69. Lei ordinária Art. No caso da prisão civil por dívida. a previsão constitucional exige complementação. Por ser uma matéria reservada. 47. Leis delegadas. é sempre o mesmo número ☺Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição.☺Art. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição.

como o controle exercido será de constitucionalidade. conforme previsto no art. Assim. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Havendo conflito (ex.: lei estadual trata de matéria de competência da União). 25. Hierarquia entre Lei Federal. a competência para resolução é do STF. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). • Estado – ☺Art. III. assim. ☺Art. E. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 21. Assim. • União – ☺Arts. DF). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. d. CR. 16 . Parei aqui. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. há hierarquia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. pois não está ligada diretamente à Constituição. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. 102. não cabe ADIN. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. no caso de repartição vertical. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 30 (assunto de interesse local).

este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. mas também o preâmbulo. os TI de direitos humanos. Tirando o preâmbulo. como para Canotilho. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. deve estar inserida no texto da CR. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. Como não tem caráter normativo. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. 17 . Abrangeria não somente a constituição. Com a EC/45. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. seja uma norma de referência para ele. visando assegurar a supremacia da constituição. para alguns é amplo e para outro é mais restrito.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. é diretriz hermenêutica. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Não existe. b) Parte permanente = normas gerais – arts. etc.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. tem função interpretativa). Assim. o CDC. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. quando são equivalentes às EC. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. . Refere-se. . ou seja. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. contudo. portanto. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). . mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição.

A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . não pode ser suprido pela sua sanção). 5. não será cabível mandado de injunção. CR). mas o prof. ADC e ADPF.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. 3. 61. pois. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Não Auto-executável. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.: competência privativa do PR (☺art. Dependem do prisma de observação. A omissão parcial nada mais é que uma ação. 5° a 17). ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). art. 3. Ex. §1º. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. ocorre. 4 e 5.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. STF não é mais aplicada.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. Obs. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. . se considerar em relação a uma expressão é total. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Assim. Não Auto-aplicável. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). quando não é respeitada uma norma de competência. AIO.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Formas de Inconstitucionalidade: 3. 18 .Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. às vezes. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. No STF. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Ex. Aqui. o Min. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).: a Súm. (Obs. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Assim. ou seja. . STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. MI. mas caberá ADIN por omissão). 154. Ex. há uma divergência na doutrina.de princípio programático. aliás. I – que exige LC para instituir impostos residuais). as Súm. e Não Bastante em Si. ADI. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Pode ser: . Ou seja.de princípio institutivo (Obs. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. ou seja. 3.

Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. o decreto se torna inconstitucional.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. No caso do decreto. Ex. 59. como altera sentido do texto. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. Obs. atos previstos no art. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. reflexamente (ou de maneira 19 . CR. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. pode ser questionado.: a palavra “não”. pois. ou seja. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. de ofício ou a requerimento da parte. toda alínea ou todo inciso (☺art.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. 66. a inconstitucionalidade será indireta. refere-se. o que houve foi um desrespeito à Constituição. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. que se ligam indiretamente à constituição. e grande parte da doutrina. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. Relaciona-se. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). no controle concentrado abstrato. Se o decreto é ilegal. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). aos Atos Normativos Primários. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. 3. não pode ser retirada). Assim. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. Para o prof. que só pode atingir todo artigo. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. Segundo STF. ou seja. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Quando se fala em inconstitucionalidade. § 2°). b. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. a inconstitucionalidade será direta. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. já sendo inconstitucional desde a sua origem. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. ato originariamente constitucional. não se trata de revogação. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. No caso da lei. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. decretos regulamentares. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. todo parágrafo. Ex. Pode ser: b.

Caso contrário. . 84. CR. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. 84. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo).Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. já que de maneira indireta. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. ela não está violando o direito de ninguém).. Trata se de um controle incidental. embora participe do processo legislativo. como pelo PE e PJ: . mas uma mera análise política. promulgar e fazer publicar as leis. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). porque o chefe do PE. 66. que se exerce através do veto (☺art. O veto é relativo. pois pode ser derrubado (☺art. não pode impetrar o MS. §2º.sancionar. Art.ou concreto.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. por isso aqui não há que se falar em controle). IV. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. tem fundamento de validade indireto. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. . Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. ele não precisaria impetrar o MS. OBS: não adianta decorar o nome do ato. 60 parag 4. inciso ou alínea).Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. mas sim analisar cada caso concreto. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. viola o art. parágrafo. prevenir que a CR seja violada. porque ele é o único que participa do processo legislativo.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. a inconstitucionalidade será direta. O chefe do PE. EX:art. 66. quando ele participa do processo legislativo. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. portanto. Obs. é excepcional. segundo o STF. se ele entender que o projeto é inconstitucional. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). o projeto 20 . é fundamento de validade direto e no 2° caso. CR). a inconstitucionalidade é indireta. porque o ato não fere diretamente a CR). O único legitimado para impetrar esse MS. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. No 1° caso. O veto tem que ser expresso. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. assim. por isso ocorre antes da promulgação da lei. IV .

sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. universal e periódico. que é o chamado Decreto Legislativo. por maioria de votos. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. ☺art. que. os direitos e garantias individuais” – ou seja. mormente.. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS.. não lhe cabendo. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. V . Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. No entanto. secreto. o Senador. §4º. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. 60. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. desta feita. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). Assim. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. vedando-se. na qual o projeto esteja tramitando. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. Na verdade. vinculam os atos e procedimentos legislativos. as cláusulas pétreas. Se o projeto tramita na CD. se está no Senado. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. em um primeiro momento. na linha do voto de Gilmar Mendes. contudo. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. interpretações regimentais. Leitura do livro do Lenza (pág. etc. 49. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). 168): o STF. ou seja. ADC ou ADPF. Legislativo? Sim. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. constituindo-se normas constitucionais interpostas. se na Assembléia Legislativa. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. 21 . quem tem legitimidade é apenas o Deputado. 68. a separação dos poderes. CR. que entende que “. muito embora não sejam formalmente constitucionais. o PR elaborará então a LD. Questão: o PR. e as normas do RI são questões interna corporis). aos direitos fundamentais”. o voto direto. já que trata-se de um ato normativo. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. pois não se trata de ato normativo.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. V. tendo como objeto esse Dec. pode ajuizar uma ADI. mas um processo legislativo constitucional. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). Ademais. somente o Deputado Estadual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. a fim de repará-la. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar.

não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. porém. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. Após a CR/88. II) art. Legislativo para sustar. exorbita os limites do Poder Regulamentar. O TC é órgão auxiliar do PL (art. Assim. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. O chefe do PE (e só ele – PR. estudado de forma detalhada a seguir. Gilmar Mendes. nesse caso. por ex. através da edição de um Decreto. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. IV. mas segundo o Min. ela deve ser objeto de controle. Não se analisa o mérito da MP). nesse caso o CN pode editar um Dec. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. 84. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. CR). Como compatibilizar o crime de responsabilidade. No entanto. Antes da CR/88. Ele será. . STF: o Tribunal de Contas. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). ou seja. tampouco que o PR. segundo o STF? Resposta: em regra. não havia relevância alguma). Apenas excepcionalmente.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. pode o PJ analisar tais pressupostos. GE. simultaneamente. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. o chefe do PE teria que. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . já no STJ não há qualquer ressalva. clara e evidente – ou seja. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição.. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. pois. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. ao fazer um Decreto Regulamentar. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. 62. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. esse rol foi ampliado. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”.084). 4. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). não é um entendimento consolidado. no exercício de suas atribuições. 71. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). . Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. ajuizar uma ADI.. CR). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). só havia um legitimado para propor ADI (PGR). Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. III) Súmula 347.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Desde já. ao negar cumprimento à lei.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. mas tão somente aos prefeitos. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Obs. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. quando.. é necessário fazer-se um controle repressivo).

com 19 anos de Constituição. ou seja. em se tratando de lei nacional.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). em 1803. ao mesmo tempo. porque surgiu nos EUA. difuso e concentrado).S. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. isso não é verdade. Segundo caso. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.: na Suíça. que completa este ano 20. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. Obs. e é adotado pela maioria dos países europeus. inclusive o STF).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. porque surgiu na Áustria. porque significam coisas diferentes!). 1792 Hayburn s case. já foram feitas 56 EC! 23 .Hilton x U. mas das espécies de controle. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. quem exerce o controle é o PJ. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). Seu criador foi o grande Hans Kelsen. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. para não gerar essa confusão. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. Por isso. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. Primeiro caso. interessante: em 1965. haviam sido feitas apenas 16 EC. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. dentro de sua competência. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. o controle é feito pelo PL. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. já na CR/88. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ.A. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). É também chamado de controle aberto. Ex. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. No Brasil.: França – que tem o Conselho Constitucional. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. 4. Por isso. se se tratar de lei local. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). em 1920 (bem depois do controle difuso). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação.

as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. No Brasil. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. por ser uma relação vertical. ou seja. nos EUA chamado de “Binding Effect”. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. se fala em efeito vertical. também não podem ser objeto de controle abstrato. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Segundo este instituto. A finalidade não se confunde com a competência. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. mas tão somente de controle concreto. o principal defensor dessa tendência é o Min. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. já não ameaça mais a supremacia da constituição. No direito brasileiro. é proteger as normas da CR. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. e a partir desse antecedente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. porque em estando revogada. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). sendo o controle 24 . 97. 102. O efeito vertical. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Por isso o Min. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. mas deve ser estendido ao controle concreto). CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). A análise da lei sempre será feita em tese. Da mesma forma. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). (O STF é o guardião da CR – art. Com base nesse argumento. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. Este efeito é típico do controle abstrato. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Gilmar Mendes. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. ou tendência de verticalização. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil.

Outra situação interessante foi o RE 197. O Relator da Reclamação foi o Min. segundo ele. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. o Min. e não erga omnes. E. Por fim.959/SP. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. 52. Antes. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. ou seja. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. sem que ocorra modificação no seu texto. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). então não sabemos a posição dos demais ministros. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. Então o Min. que deu provimento à reclamação. No Legislativo: Mas. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. pelo menos por parte de alguns ministros. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Não houve reclamação quanto a essa decisão.917/SP. X. 4. ou seja. tendo efeito apenas inter partes. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. não uma simples mutação. ainda. houve decisões proferidas em 3 MI (712. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). o direito de greve dos servidores públicos. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Gilmar Mendes (e também o Min. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. não permite essa mutação).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Na decisão do STF. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Por fim. 25 . ou seja. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Gilmar Mendes. Então. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. sendo acompanhado pelo Min. Assim. em ocorrendo isso. ou seja. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. do PL. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. se assim fosse. em seu voto. como a decisão tem efeitos inter partes. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. No Acre. Pois no controle difuso.335/AC). Eros Grau. Assim. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. CR. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Gilmar Mendes. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. viola o princípio da igualdade. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional.

somando-se os votos de todos eles. § 3°. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. concorda com isso). social. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE.art. é uma questão incidental. eles não se reúnem fisicamente. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. Num segundo momento (conseqüente). o que se dá no “plenário virtual”. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. 26 . O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. A repercussão geral (art. estão os procedimentalistas. pois tem o papel de guardião da Constituição. não cabe ao STF analisar. A súmula vinculante tem natureza constitucional. (☺ Lei 11. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. analisado no dispositivo (conseqüente). ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. O RE. não precisam chegar até o STF. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. Segundo Eduardo Appio. atualmente. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. político ou jurídico. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. O papel do STF não é julgar litígios individuais. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. Contrários a essa tendência de abstrativização. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. não tem natureza processual como as súmulas comuns. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. 102. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. 103-A).417/0 e Lei 11. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. fundamentação e dispositivo.418/06). Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. ou seja. por sua vez. mas apenas a causa de pedir (antecedente). julgando-o procedente ou improcedente. a rigor. por estarem mais próximos dos indivíduos. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. No controle concreto. não é o objeto principal do pedido. é um instrumento de controle concreto e há. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou.

Mas não é tudo da fundamentação que vincula. e ele se encontra no Dispositivo. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. mas tão somente a ratio decidendi. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. ou seja. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. P.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). O próprio STF já proferiu decisões divergentes. Sendo assim. conforme está previsto no caput do art. . há previsão não só na lei como também na CR).: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. 10. 27 . não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.: .Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. secundárias do julgado.vinculante. a razão determinante da decisão. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. sejam poderes públicos. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. Ademais. art. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. . → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .Lei 9. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. não determinantes para a decisão) não vinculam. eles também são vinculantes. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.868/99 – Lei da ADI e da ADC. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Dispositivo L.U. mas também à fundamentação. . cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. sejam particulares. .erga omnes . o efeito vinculante atinge as normas paralelas. 5.I. 102. questões ditas de passagem.EC 45/04: art. 102. 28. art. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. a chamada eficácia vinculante.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.Lei 9. .882/99 – ADPF.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. §2º.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: .17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.

até que o PJ a declare inconstitucional. Respeitando o efeito vinculante. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. Por este entendimento. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. estes estarão sim vinculados). se as leis devem ser cumpridas. e outros dizem ser um ato anulável. Só atinge a norma impugnada. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. inclusive o Tribunal de Contas.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. . É um entendimento que vem desde 1. .: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. mesmo que não tenham sido impugnadas.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. a função legislativa). já os órgãos fracionários do STF. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. . mas sim fiscalizatória. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. mas os sistemas de preclusão processual. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. pois atinge apenas o dispositivo. No entanto. 28 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: .o PL (na verdade. como a coisa julgada. . é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. . a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. estadual e municipal). pode modificar seu entendimento. outros dizem ser nulo. impedida de evoluir). por sua vez. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. (20/03/09) 5. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. no caso Marbury x Madison). também fica vinculado). segundo o prof. cuja função não é legislativa. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. que se quiser. Obs.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. suas turmas e seus ministros. inclusive os chefes do PE. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.

o Min. poderá o STF. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). como regra é retroativo: ex tunc. e não no de não-recepção). os efeitos são erga omnes). incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção).882/92 (art. como a Lei 9. ☺RE 197. Mas. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. por questão de segurança jurídica. ☺art. etc.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. 11). assim. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não.868/92 (art.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. no caso do controle abstrato. como os servidores agiram de boa-fé. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. com inteiro teor). 27). outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão.. portanto. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). decidiu que. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. . mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. portanto. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. não precisariam deixar os cargos. o STF. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. não admite a “constitucionalização superveniente”. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. porque o ato é nulo desde a sua origem. Exs. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. Ou seja.)”. Neste caso. que revogou a Lei A.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. ou 2) excepcional interesse social..112/90. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros.Normas anteriores à CR. Visto a natureza do ato inconstitucional.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Lei 9. O STF. . o efeito que produzirá. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. 27. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.” . com seus normais efeitos ex tunc. Assim. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. autor e réu.

com condições de trabalho iguais às do MP. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo).1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. evitando a inconstitucionalidade progressiva. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. ela progressivamente se tornará inconstitucional). . ex. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). à medida que a situação fática for alterada. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. não foram todos os ministros que se manifestaram). em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. chamada “Apelo ao Legislador”. (A norma já passou pelo crivo da constituição. de fato. portanto foi recepcionada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. 5. o prof. e a norma já foi recepcionada pela CR e. depois de ter sido recepcionada. constitucionalidade.O Tribunal precisaria observar .O Tribunal não precisaria 30 . prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. . Em alguns casos.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). CR x art. 68. Ex. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). pelo MP – a competência é da DP e não do MP.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. controle difuso-concreto. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. reproduzida pelo STF). que trata da ação de reparação ex delicto. quando todos os Estados tiverem DP. portanto. 134. quanto .: a norma x tem dois significados possíveis. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . mas nem sempre. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. para que este corrija a norma. com um só sentido).2: art. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. mas.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). assim. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. portanto. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. Ex. CPP. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva.Corresponde a um juízo de . mas sua interpretação).Corresponde a um juízo de . sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. um significado A e um B. era uma questão “obter dictum”. Segundo o STF. o resultado será o mesmo. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. Assim. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.

É permitida uma interpretação e. mesmo que não tenha sido questionado.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. o juiz pode. nem sobre os demais. 2º. em regra. são excluídas as demais. ou todo o artigo. . 2º. não poderá. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. e são permitidas as demais. de ofício. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. a cláusula de reserva de plenário. ou seja. 1º e 3º. no controle concreto. dentro de uma mesma lei). Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. declarar a inconstitucionalidade. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). observar a cláusula da reserva de plenário (*). 1º e 3º e. . Obs. por arrastamento. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. total ou parcialmente. como ambas são equivalentes. desde que não altere o sentido do restante da norma. b) Com redução de texto: b. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). O STF. portanto. 3º. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. não podendo. 2º for dependente do art. (*) Para o STF. . é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. em razão do Princípio da inércia.Não há qualquer modificação no texto da norma.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). portanto. b. no controle concreto. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. se for um dispositivo autônomo. Assim. 97). esta só se faz necessária quando se afasta. do art. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. . em princípio. no controle abstrato. se manifestar de ofício sobre o art. o juiz não pode. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. da Lei x. Na declaração com redução de texto. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. de ofício. o texto da norma.É uma técnica de decisão judicial. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. Ocorre que. se o art. .Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. .É excluída uma determinada interpretação. 2º. Trata-se de controle abstrato.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. . Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo).2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. 1º ou do art. ser objeto de ADI.

todo controle difuso é concreto. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. portanto. Ex. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. mas é que esta não é necessária. julgará procedente ou improcedente o pedido. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. de ofício. mas também quando há usurpação da competência do STF). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Assim. portanto. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. O dispositivo. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. No Brasil. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. apesar de sozinho não ter aplicação. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. pois será uma questão discutida incidentalmente. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Mas nem todo controle concreto é difuso. Contudo. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. e por arrastamento. Obs. mas apenas a causa de pedir. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Sobre o tema: 32 . neste caso. dentre elas a ACP. porque. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). ACP para fechamento dos bingos. já que o STF pode. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. Ou seja.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. ADCe ADPF).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. julga também inconstitucional o decreto. Neste caso. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. O pedido será a proteção de direitos. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele).

Assim. em defesa de contribuintes. 557. por meio da ACP. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). desde que. elaboração de Regimento Interno. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. por entendê-la inconstitucional (inter partes). No tocante. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. as chamadas leis de efeitos concretos. Os juízes singulares podem. XI – órgão especial: para que seja criado. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. ☺art. 294. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. que é mais de 50% dos presentes). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. Segundo esta cláusula. dotada de caráter de universalidade e abstração”. 97. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp.159. de efeitos concretos. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. STJ ☺ RE 227. 97.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Em outras palavras. no caso. por exemplo. Assim. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. que é função política. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. por ex. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. porém. 33 . no âmbito dos Tribunais. teremos uma lei material. e no mínimo 11 membros. STJ ☺ Resp. na prática. Nada impede. porém. assim.022. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). não pode ser delegada. é função possível de ser delegada. o que só se pode obter por meio de ADI.646. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). Assim. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). os Tribunais não têm admitido que. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. porém. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. 93.. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. Regra da “full bench”.: eleição do Presidente do tribunal. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. também não pode ser delegada). conseqüentemente. que é função legislativa. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. pois. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir.

ou em caso de interpretação conforme. analisando se a lei é ou não compatível com a CR.U. como guardião da CR. Há quem critique tais exceções. 97. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional.. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. se existir no Tribunal. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Há uma repartição funcional de competências. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. CPC) seria inconstitucional: o art. 34 . o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. abstratamente.. ☺art. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. Assim. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. podendo decidir o caso concreto. ao órgão especial). CR é uma NEP (norma de eficácia plena). dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. prosseguirá o julgamento. O professor não concorda. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. pela maioria dos seus membros. no entanto.. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. será lavrado o acórdão. sabe-se que o STF é o guardião da CR. Quanto à 2ª exceção. Exceções: P. Decidido o antecedente. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. se entender que a lei é inconstitucional. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição.U. . porque para o STF ambas são equivalentes. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. a argüição de inconstitucionalidade (.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. P. de acordo com o posicionamento do STF. se for acolhida. 481. 481. assim. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. sob o argumento de que o dispositivo (art.

c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Efeitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. bem como ou STF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). 2) Outros autores. CR – compete privativamente ao SF suspender. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. se assim o fosse ela já seria vinculante). 178. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. É o entendimento mais correto. esta decisão deve ser submetida ao plenário. sustentam que o efeito é ex tunc. Ademais. 35 . de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. quando isso ocorre. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. ou seja. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). como se tratasse de uma revogação. o SF não pode suspender toda a lei. no todo ou em parte. Na verdade. entendem que se trata de um ato discricionário. X. ela se refere à decisão do STF. O STF já admitia essas duas exceções. não estando vinculado à decisão do STF. trata-se de uma competência exclusiva. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. art. 52. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. em regra. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Quando o SF suspende a lei. O SF não é obrigado a suspender. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. Ou seja. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. RISTF. que não comporta delegação. Outros autores. A suspensão se dá através de uma Resolução. por isso o faz dali em diante. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. que não pode ser retroativa. passa a ter efeito erga omnes. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. A cláusula vale também para o controle concentrado. a lei deixa de ser aplicada. a decisão do STF. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. O SF apenas suspende a lei. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. portanto.

CR: prevê o escrutínio secreto. CR. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. e se o STF. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). 178. Neste caso. esta norma não é de observância obrigatória. no controle difuso-concreto. Art. 52. Nas situações em que o TJ julga. §4°. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. desta decisão proferida pelo TJ. não havendo a necessidade de suspensão da lei. 61: iniciativa do presidente. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. em razão do princípio da simetria. Na ADPF este fenômeno também é possível. já o SF não. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. normas referentes ao TCU. está fazendo uma análise. mas. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. LC. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. RISTF) – e isso é óbvio. configuraria uma mutação constitucional. obrigatoriamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. pela simetria deve ser atribuída ao governador. ou seja. cabe. Gilmar Mendes. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. se for apenas uma parte. por ser um órgão do PL Federal. um RE para o STF. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. requisitos para a criação de CPI. Segundo o STF. Art. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. cujo modelo. o que. já que o SF não atua de forma correta. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. Mas. esse entendimento é desejável. se toda a lei foi declarada inconstitucional. 66. sendo norma de observância obrigatória. Segundo o professor. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. não se referem ao âmbito estadual e municipal. Quando se fala em decisão definitiva do STF. O SF. 59 e segs. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). segundo o Min. a resposta é negativa. É uma construção da jurisprudência do STF. Por isso. a partir do momento que resolve fazê-lo. deve-se recorrer ao entendimento do STF. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. LO. CR) não comporta este entendimento. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Ressalta que a letra da norma (art. etc. 57. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto.

o SF teria um número enorme de representantes). do DF e até municipais. art. 59. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). quando o SF atua. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. Assim. que deve ser observado no âmbito federal. 37. ADC ou ADPF). Quando o SF atua como órgão federal. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. visto que. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes).: CTN. porém. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Classificação de Osvaldo Aranha B. ele está atuando como órgão de caráter nacional. no controle abstrato (ADI. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). distrital e municipal). retirando a lei do ordenamento jurídico. se aplicando ao âmbito federal.: arts. não havendo. outros 37 . por isso pode suspender leis também dos Estados. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. só se aplicando ao âmbito federal). São os dispositivos que se referem tanto à União. pelo Senado Federal. Ex. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional.” Análise do enunciado pelo prof. 58. Ex. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Ex. 52. da organização da União. Quando o SF suspende os efeitos da lei.).112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc).: Lei 8. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. por não existir uma federação de municípios. X. como aos Estados. por isso pode suspender lei estadual e municipal. sendo específica para os servidores públicos civis da União. 19. está defendendo interesses apenas da União. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. os que tratam do TCU. no todo ou em parte. estadual. estadual e municipal. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. É também uma lei emanada do CN.: art. assim. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. também. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. Ex. mas não trata apenas dos interesses da União. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). Sabe-se. portanto. CR). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). etc. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. §3º. a suspensão.

Entretanto. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. visto que. visto que. então. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. de fato.346. por força do referido Decreto nº 2. da AP Federal direta e indireta. Embora não haja consenso. é a Câmara Municipal. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). porque o seu parâmetro não é a CR. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). 2º grupo: . de 10/10/1997. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. SE e AM. Poderá. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). na sua esfera de competência. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). . no âmbito da AP Federal. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. é a AL que suspende a lei. Segundo o STF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. declarando uma lei inconstitucional. os dois tipos são constitucionais. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). MS. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). Portanto. adotou-se. pró-ativos (ex nunc). não retroativos). Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. é sempre a AL que suspende a lei. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. Com efeito. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). o enunciado acima transcrito está corretíssimo.346. RN. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. TO. em decisão definitiva. 38 . a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF.

traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. de acordo com essas leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. 103. onde não existem partes formais (autor e réu). . O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. não cabe.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: .882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. em seu art. e não do trânsito em julgado. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. Por se tratar de um processo de índole objetiva. deve haver a previsão da legitimidade. 39 . 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). o duplo grau de jurisdição. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. a ampla defesa. obviamente.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. e .AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). A Constituição. tendo partes – autor e réu. 5) Ação rescisória. 4) Recurso da decisão de mérito.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. ou na CR ou na lei. Obs. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. a competência é do TJ). o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). . → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. que são a União e os Estados). Como são ações de controle abstrato. mas sim legitimados.ADC. ☺Lei 9.ADPF. ela é meramente jurisprudencial).

e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). Assim. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. a partir de então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. Os demais podem fazê-lo sem advogado. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.S. . mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). .A entidade de classe.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Os GE.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Executivo PR GE – GDF P. . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). Para ter âmbito nacional. . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.A norma do art. .Confederação sindical significa de âmbito federal.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados).. confederação local: sindicato.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. confederação regional: F. ou seja. para ter legitimidade. . segundo a jurisprudência do STF: . CS e ECAN. . mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. Obs.

41 . a. §3º . Não serão objeto de ADI e ADC. I. a.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . sem interferência do PJ. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . salvo se envolver violação a direitos fundamentais.TIDH (3/5 e 2T) . o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. nas normas que tratam de outra matéria). . as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade).Norma formalmente constitucional . direitos e garantias fundamentais. admite-se o seu controle. ou seja. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. decreto regulamentar.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos.☺art.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. geral e abstrato. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. Ex. como por ex. Lei 9. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. 5º. 102. 1º. caso o decreto emane diretamente da CR. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. todas estão no mesmo nível. .atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). 102.: decreto regulamentar do PR. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. I. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). Obs. ele poderá ser objeto. o RI pode.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. por isso não é ANP). Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. . para ser objeto de ADC e ADI. pois geralmente está abaixo do decreto. são questões próprias de RI. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. OBS.

PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Função geral do AGU (art. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Gilmar Mendes e de um prof. §3º. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. medidas provisórias revogadas. não ameaça mais a supremacia constitucional. §1º. Lei do DF não pode objeto de ADC. Mas. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). . 103.leis revogadas. intervenção de terceiros e recursos. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. não pode ser objeto de ADPF: . de defensor legis. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). rejeitadas ou havidas por prejudicadas. CR. § 3° é uma função especial. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. segundo o STF. e. 42 . por analogia. Hoje. na outra. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. ele vai atuar como fiscal da Constituição. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. posteriores a 5/10/88. como está havendo uma influência de um controle no outro. ainda. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. leis suspensas pelo SF. devendo ser de todos eles intimado. Atuação do AGU: ☺art. ainda que ele proponha a ação – ou seja. Tem status de ministro de estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . poder-se-ia admitir o veto jurídico. Assim. se seu entendimento for diverso. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. da mesma forma na ADPF. portanto está subordinado ao PR. No caso de emenda. sem exceção. se um novo PGR o substituir. Obs. CR. pois não produzem mais efeitos. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. o STF admitiu.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. .Súmula. também poderá dar parecer em sentido contrário. A função do art. STF). salvo embargos de declaração. Lembrar que não cabe assistência. pode ser qualquer ato do poder público. só podendo ser objeto de controle difuso. 103. O PGR atua como “custus constitutionis”. é preciso primeiro ser transformado em EC). Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. ou seja. Atuação do PGR: ☺art.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. 103. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra.

§2º da Lei 9. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Ele não é alguém interessado na causa. 7º. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. §2º e art.385/73 (☺ art. não há o que se defender. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Importante: ainda que como Advogado da União. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). nos estados que adotam a commum low. Mas atenção: existe um outro instituto. A previsão expressamente contida no art. §3º. 482. Portanto. 43 . estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. A exposição dos motivos da Lei 9. o AGU não será obrigado a defender a lei.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Está desempenhando uma função especial.868/99 vale só para a ADI. só vai contribuir para a decisão do tribunal. o AGU até poderia participar. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. 20. 89. Foi introduzida pela Lei 6.868. 7°. 31). em seu art. Amicus Curiae: Em uma tradução. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. Cabe também na ADPF. Nesse caso. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. em especial no direito norte-americano. Posteriormente.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Não há previsão para a ADC e ADPF. Na ADI por omissão. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. Ela já existia antes. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. a Lei 8. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). “amigo da corte”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). ☺ art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. não precisará do AGU para defendê-la. §1º. Na ADPF.884/94 (CADE). disciplinou a figura. mas não têm nada haver com amicus curiae. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei.868/99 -☺art. §1º e art. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. sendo feita por toda a sociedade. seria “amigo do tribunal”. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). §1º. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. 6º. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. art. . de “defensor legis” e. 7º. por fim.868. por analogia.868. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. É muito comum nos tribunais internacionais. 9. Quando o AGU desempenha essa função. Tem natureza de auxiliar do juízo. Mesmo sem previsão legal. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. o das audiências públicas. art. A audiência pública está prevista na Lei 9. portanto.

segundo o professor. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. R. . cabe amicus curiae. O STF ainda tem exigido pertinência temática. ressalta-se que esta é apenas relativa. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Lei 9. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. autor e réu. Mello. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. “a”. Mas depois que a lei foi feita. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Para o prof. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Surgiu com a EC/03. Gracie). admitindo prova em contrário. porque iria envolver matéria em relação à vida.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. J. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei.Com relação à presunção de constitucionalidade. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. . pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. poderia afastar esta presunção. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Apesar de que era relevante. Aurélio. M. não tendo partes. ou seja. admitindo ser intervenção de terceiros (C. O juiz de primeiro grau. É. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. é um equívoco. por ex. seria uma exceção). I.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Obs. ou seja.102. Quando 44 . Lewandowski. em despacho irrecorrível. a mais correta. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Marco Aurélio não admitiu. portanto. Foi uma exceção. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo.. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . pois admitiu pessoa física em controle concreto. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. (Obs. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. .868/99. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Barbosa e E.

Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente.Cláusulas Pétreas. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.21. inclusive o Poder Executivo. .Cláusulas Pétreas. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Não é uma ação de inconstitucionalidade. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. .Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.Princípios Constitucionais. em seu art. Mas. Gilmar Mendes. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. nas outras ações ela também poderá ocorrer). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). 34. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. na ADPF 33: . Através do AGU. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. II. .868/99.868/99. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. no entanto. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. e . 45 .Princípios Constitucionais Sensíveis.882/99. . Cabe prorrogação. a Lei 9. os preceitos fundamentais são: .Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.U. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. 14. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. art. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. . por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.Título I: Princípios Fundamentais. III). art. e .Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). ADPF: ☺ Art. VII).Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. é mais restrito: somente a violação. Como visto. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).869/99.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. O STF admitiu ☺Informativo 518.102. . O parâmetro. Portanto. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. §1º. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. o FHC ajuizou ADC. P. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. CR e Lei 9. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Segundo a doutrina. portanto. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC.14. não há que se declarar uma lei constitucional). nos quais a lei esteja sendo discutida.). A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.

“Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. 1º. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. como guardião da CR. P. Mas se algum dos legitimados souber da ação. embora seja bastante difícil existir esse meio). A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Proposta diretamente no STF. 196 e ao meio ambiente. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Um dos legitimados.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). 4°.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP.U. neste rol.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade.: surge a partir de um caso concreto. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. § 1° da lei 9. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. ou seja.: gestante com feto com acrania. Características: . Obs. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). dentro do órgão judiciário). controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9.882/99. embora lá há uma vinculação horizontal. 1º. 46 . O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Aqui. dentro do mesmo tribunal. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. apenas o STF. Incluindo-se. Segundo Neri da Silveira. a vinculação é vertical. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.882/99). a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Ex. os legitimados podem levar não todo o processo. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. art. estadual e municipal. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. leva a questão ao STF através de ADPF. podendo ser um meio de controle difuso. na ADPF. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. O objeto pode ser da esfera federal. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. ainda.

h). § 4°. mas a converteu em ADI. . 47 . coletivos e individuais indisponíveis (art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. . No entanto.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.Admite-se a fungibilidade. por ex. Assegurar a efetividade de suas normas. I. II e III). em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5°.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. É a mesma da ADI. o STF transforma a ADPF em ADI. à soberania e à cidadania”. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. 121. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. É controle concreto. (O órgão tem que ter competência determinada na CR.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. em se tratando de órgão administrativo. à soberania e à cidadania). O STF admitiu a ADPF. STJ (art. LXXI . § 2º . o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. Obs. ADC e ADPF (art. . Ex. TSE/TER (art. 5°.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). É controle abstrato. nas CE ou em lei federal). LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 129. V).CR: STF (art. 105. . 103. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . 102. q). para fazê-lo em trinta dias”.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. I.

ECAN e associação c/ 1 ano). Há.Órgãos públicos. em se tratando de órgão da AP. Obs. não pode concretizar a norma. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. portanto. portanto não podem impetrar MI. O STF. não pode fazer a norma para o caso concreto. mas esse prazo era direito. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. . mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. entes federativos e PJ dir. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. ou seja. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). Mas atenção. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . público: MI protege dir. fundamentais em face do Estado. mudou seu posicionamento.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. Recentemente. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. ou seja. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. concretize a norma (faça a norma concreta). Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . LXX: PP c/ CN. é b) Concretista: concretiza a norma. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. recentemente. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. 5º. competente de sua omissão (em regra. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art.MI Coletivo: o STF o tem admitido.: na ADI 3682 b. apenas razoável e não peremptório. no entanto. organização sindical. Se o PL) e. autores que admitem. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo.

Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. o STF está atuando como legislador positivo. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. ou seja.040). 34. Ela se subdivide em – geral e individual. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). porque nem a AIO tem esse poder. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. não cabe liminar (antes. 652. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. 680. como regra. o PJ. a intervenção é uma exceção (a União não pode. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. 2. ademais. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. criando uma norma geral e abstrata. CR (provimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. No MI. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. 36. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). 34. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. O efeito seria apenas inter partes. VII). De acordo com esta concepção. intervir nos Estados). ou seja. A omissão total não cabe MC. Portanto. em um primeiro momento. Surge a partir do caso concreto. ao mesmo tempo. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. Recentemente. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. pelo STF. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Mesmo adotando a corrente concretista. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. ou seja. nestes casos de omissão parcial. III. O STF adotou essa corrente no MI 232. VI). continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). 708 e 712). porque adotava a corrente não concretista). e 2) recusa à execução de lei federal (art. Essa corrente é bastante criticada. A regra é o principio da não-intervenção. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. 49 . se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida.

O STF é o guardião da CR. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. CR. ☺art. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. §2º. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. nem no RISTF. ☺art. 614. CR. portanto. IV. e sim em face da CR. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. § 1°. 35. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). §3º. 125. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Isto está previsto no art. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. foi uma criação da jurisprudência do STF. CR). que é o pressuposto para a representação interventiva. mas sim. mas que surge a partir de um caso concreto. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. É dispensada a apreciação política pelo PL. STF). o PR então poderá decretar a intervenção. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. O RE. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. 36. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). OBS. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. no âmbito federal). O parâmetro aqui é mais amplo. é claro. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. se o STF der provimento à representação do PGR. Esta forma não foi prevista na CR. se violados. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. 50 . da ADPF). será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. CR. As partes aqui são o Estado e o Município. além. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). 127. no âmbito do TJ. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ.

de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. por delegação popular. que formulou esta teoria no fim do Séc. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. pode usurpar do povo a titularidade do poder. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. C. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. porém. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. em nome do povo. Está acima do direito positivo. cria o Estado. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. o exercício dessa magna prerrogativa. pois o Estado decorre da soberania popular. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. que. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. ou seja. expressa por meio de seus representantes. Portanto. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. mas jamais é quem o exerce. Assim. segundo o Abade Sieyès. Obs. Para os jusnaturalistas. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. social e juridicamente organizado. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. É ele um titular passivo. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Assim. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. analisa-se se o poder é legítimo ou não. é a nação. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. Celso de Mello. XVIII). São apenas órgãos aos quais se atribui. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. a vontade do constituinte é a vontade do povo. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. um dos precursores dessa doutrina. em alguns casos. Bonavides. segundo o abade Emmanuel Sieyès. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). que deve observar o direito natural. que é sempre superior aos poderes constituídos. retira sua força do direito natural. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. editando a nova Constituição. corroborando essa perspectiva. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Schmitt). Modernamente. Na 1ª etapa.

a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder.Reformador (art. já que o poder constituinte já é originário. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. 60. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. 3º.Material .Decorrente (art. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.Formal . mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. há legitimidade objetiva. art. Dessa forma. correspondendo aos anseios daquela sociedade.: o prof. Espécies Tradicionais: . por conseguinte. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. para ser considerado legítimo. Assim. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. ADCT) . 11. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . CR) . que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Revisor (art. 25. Obs. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Histórico . que é seu verdadeiro titular. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal.Revolucionário . Portanto. ADCT.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder.

a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). 1934. que substituirá a anterior. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. ex. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). b) é um poder inalienável. ou seja. 1988. 1946. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico.: se é um poder autônomo e incondicionado. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. Obs. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. No caso do Brasil. independente e soberano. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. No caso do Brasil. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. 1967/69. 1937. é apenas uma classificação quanto ao momento. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). Obs. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. No plano axiológico. Ex. Obs. através de normas constitucionais. a nenhum pré-requisito jurídico. ela nunca deixa de ser do povo. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. GV).Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. há alguns valores que são morais. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. O povo é o titular do PCOM. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. 53 . b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício.: este poder tem este nome porque para o Direito. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. através da Constituição. não perde a titularidade do poder constituinte. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. foi criado um direito natural). O Abade Sieyes. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). mas não a primeira e sim uma nova. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). . Apesar de ser um poder incondicionado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF.

Não se trata de um limite jurídico. a doutrina deduz deste art. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. por ex. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. No entanto. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). refere-se ao núcleo essencial dos direitos. as constituições estaduais não são recepcionadas. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. na verdade. na pena de morte. Fábio Konder Comparato fala. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. mas continua a existir como característica essencial deste poder. ☺art. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Dentro desse limite. O prof. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. 54 . neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Esta AL. contudo. Ex. Obs. 11 do ADCT. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. por se tratar de uma conquista da sociedade. A CR/88. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. 25. com os avanços da sociedade. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. De acordo esse limite. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). ficando um pouco relativizada.. A partir do momento que a CR surge. No caso da CR/88. Quando a CR consagra o art. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). observados os princípios estabelecidos na CR. Ex. não concorda muito com isso. no art. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Ainda que o estado seja soberano.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. mas meta jurídico (fora do direito). 25. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. ele encontra limites no texto da CR.

que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). 59 e segs. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . 57. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). Estão presentes no art. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. diferente dos extensíveis.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. e o STF decidiu que não havia problema.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. que se estendem aos Estados. 58. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. 58. por enquanto. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. porque o art. §1º . 75. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. Obs. processo legislativo (art. Se subdividem em: 55 . Mas. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. §4º não é norma de observância obrigatória).). vedada a recondução.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. ou seja. são as normas de auto-organização da União. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 34. CR. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. 27. composição. Há dois grupos: (art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. são essas as normas de repetição obrigatória. 93.: ☺art. . §4º. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. § 1°.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. CR. 61.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. Segundo o STF. VII. § 3°). V ???) I) Expressos na constituição: art.: presidencialismo x parlamentarismo). Obs. II) Implícitos: CPI (art. mas foi uma decisão super apertada (6x5). 57.

Ex. portanto. 60. 137). uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios.normas mandatórias: ex.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.: os arts. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.não é autônomo.é um poder jurídico (e não de fato). E. . DF e M. 136).titularidade: é do povo.) – contém uma vedação expressa.). uma limitação temporal para o poder revisor – art. Ex. .não é inicial. . . CR. . . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. ..: art.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. decorre da lei e não da força. 34). A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. é conseqüente. se for decretado o estado de defesa (art. . II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. CR. 56 . 19.. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. §1º. portanto. Trata-se de um poder previsto na CR e. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. ou seja.exercício: é pelo CN.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .é condicionado. 37. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. .Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. 60. mas é possível deduzi-las.é limitado.normas vedatórias: ex. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. ADCT). nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. e se for decretado o estado de sítio (art. . se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. no entanto.. em qualquer estado da Federação (art. cujo procedimento está previsto no art. CR (é vedado à U.. 3°.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: art.

que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). . ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. a PEC será discutida em cada casa do CN. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. para que. ☺art. GE.). No caso de projeto de lei.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. ela será chamada de extraordinária. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). 57 . o PGR. no entanto. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. 44. §2º). há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. que é o período de 4 anos do mandato do PR. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. . poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. no âmbito do PJ. §5º. A Sessão legislativa (art. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 60. CR. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. do SF ou do CN.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. §2º). apesar de não existir previsão expressa. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. b) o entendimento majoritário da doutrina.U. CR). Este art.A última limitação formal objetiva está prevista no art. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. apenas o PR. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. proposta rejeitada no dia 15/01. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. Ex. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. Obs. após a iniciativa. 61 é a regra geral de iniciativa. . não promulga. no qual há 4 sessões legislativas. assim.Discutido e aprovado. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. §10). 67. DF e DE. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. a PEC vai para a promulgação. . não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). através da iniciativa popular (art. 62. . não veta. . por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. 60. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. 60. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). II e III) uma exceção à regra geral. ☺art. §3º. P.Além do PR. 61. 60 (incisos I. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. por fim.A nossa Constituição é rígida. o STF e Tribunais Superiores. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. sendo o art. também podem propor projeto de lei o povo. ademais. no âmbito do MP. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. possamos usar o procedimento previsto no art. é o de que o art. 61. 60. no âmbito do PE. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. se a matéria for rejeitada. 61. não pode haver emenda de emenda. . também chamadas de implícitas.Feita a iniciativa.

o que é secreto é o escrutínio. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. §4º. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. ademais. na verdade. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. o que é universal é o direito de sufrágio. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. b) Preservar a identidade material da Constituição. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. o voto não é universal. CR. 58 . a). segundo o STF. o direito de participar das eleições. 150. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). Curiosamente. 60. universal e periódico. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. . votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. secreto. c) Voto Direto. Expressas: ☺art. .Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. Ou seja. São as chamadas cláusulas pétreas. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. c) Assegurar o processo democrático. mas sim. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. Universal e Periódico: . Se elas não existissem.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. As cláusulas pétreas são. não é secreto. que é o modo como se realiza o exercício do voto. pois. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). Secreto. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. VI. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos.

são CP. Os direito fundamentais se encontram. e não em direitos e garantias fundamentais. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. CP). por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais.: FGTS. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. A CR fala em direitos e garantias individuais. 5º. 60. 60. CR. para posterior alteração do conteúdo. sistematicamente. segundo a qual o art. III. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. e por conseqüência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. sendo uma garantia individual. . Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Mas o STF já considerou que o art. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. mas os demais não (ex. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. é o art.Há quem defenda. com a dignidade da pessoa humana. Assim. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . não seriam cláusulas pétreas. não alterando-o). como um todo. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. posteriormente. 5º. Assim. que não é unânime na doutrina. dispostos do art. todo o art. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). CR. mas refere-se a uma reforma. §4º. Os demais direitos e garantias fundamentais. . que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). CR). após este plebiscito eles teriam se tornado CP. por uma questão lógica. Obs. Ex. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. pois. 60 poderia ser modificado. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. não tem nada a ver com CP). em princípio. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. comportam diferentes interpretações. 60 seria CP.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. b. não concorda. inclusive. não o serem). Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. 2º. ADCT). 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Um exemplo. ou.: primeiro. O art. O prof. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. far-se-ia uma EC revogando o art. Para ele. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. que proíbe a pena de morte. (23/04/09) 2. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. 150. pois seria uma forma da fraudar a constituição. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. é CP. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Lá estão as limitações ao poder reformador. Chama-se dupla revisão. por isso. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político.

O ato ocorreu antes. excepcional e transitória de alteração da Constituição. mas seus efeitos surgem após a constituição. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. CR). Antes da CR/88. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. 60. em sessão unicameral. não abrangendo apenas leis em sentido formal. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . ADCT é uma limitação temporal (5 anos). Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . XXXVI. art. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. ☺art. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. 5°. contados da promulgação da Constituição. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. o STF tem entendimento unânime. mas também emendas à constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. portanto. A limitação imposta no art. 3º. b) Média: a retroatividade não é automática. . Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. Ex. em sentido formal. esse era o entendimento do STF.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. c) Máxima: a retroatividade não é automática. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. 3º. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. a constituição atinge prestações vencidas. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. tem que haver previsão expressa na constituição. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). tem que haver previsão expressa na constituição. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. O direito adquirido pode ser relativizado. 3º. Com relação ao assunto acima. A retroatividade mínima é automática. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Revisão é a via extraordinária. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. não sendo um princípio absoluto. mas ainda não pagas. Ex. não abrange EC.

a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. especificamente. 61 . como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. circunstanciais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. ADCT. 60. §§1º e 4º). procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. Além disso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. e de forma geralmente mais extensa. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. 3º. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

entra o elemento histórico evolutivo. portanto. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. mas apenas valores: o preâmbulo. O texto da norma funciona. O grande problema é que. esses elementos são insuficientes. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Ex: princípio da não contradição. b) Histórico: no seu desdobramento. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Buscam os valores subjacentes à constituição. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. com algumas peculiaridades. e não isoladamente. 52. Constituição da República. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Nele estão os valores supremos da sociedade. só tem alma. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Toda norma está dentro de um sistema. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. como todas as demais. é também o limite para a interpretação. X. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). para o direito privado. 65 . a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). partindo da idéia de sistema. Imagine a Constituição norte-americana. para o direito público. devido à complexidade da interpretação constitucional. e os valores fossem o seu espírito. É o início de uma interpretação. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Ela não tem normas jurídicas. esse método também é conhecido como método valorativo. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. como início e limite para a interpretação. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. aqueles desenvolvidos por Savigny. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Além disso. Esse método não é apenas sistemático. Por isso. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Por isso. eles são suficientes. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Não existe uma norma jurídica sozinha.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos.

Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Os topoi são esquemas de pensamento. como ocorre neste método. → Crítica: feita por Canotilho. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). 2. de casos que comportam mais de uma solução possível. ou a de que um é mais correto do que o outro). da jurisprudência dominante. Assim. Este problema será solucionado pela argumentação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. da doutrina. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Por ter uma feição mais política do que jurídica. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Assim. enfraquece-se a força normativa da constituição. a favor e contra. dos princípios gerais do direito. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. os quais são submetidos a várias opiniões. Ex. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Isso gera certa instabilidade. Problema é a questão difícil. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. lugares comuns. mas sim diante de problemas. Esses pontos de vista. por ex. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. certa insegurança jurídica. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Ex. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. formas de raciocínio. porque trabalham não com a idéia de sistema. os operadores do direito servem-se de topoi. do senso comum. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. vence o argumento que for mais convincente. como. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas.. ou seja. pois comporta mais de uma solução possível). o que geraria uma grande insegurança jurídica). Violação de correspondência de presos. Ex. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. que contraria o positivismo jurídico. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. mais um 66 . pontos de vista ou lugares comuns. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. ele também é conhecido como método sociológico. Se se permite interpretações divergentes. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. de argumentação. que é apenas mais um topos. Por isso. cujo plural é “topoi”.

ao lado de Hans Kelsen. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. se for caso de lacuna. Para este método. sua aplicação a casos complexos. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Assim. que a questão não seja simples. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Os métodos III e IV. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). devendo-se fazer uso de outro método. Não se pode separar as duas coisas. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. como já vimos. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. não podem ser utilizados de forma abstrata. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. Assim. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). ainda que dos mais importantes. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. não se deve falar em interpretação constitucional. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Hermenêutica e interpretação não se confundem. diferentemente dos dois primeiros. Ele parte. são coisas diversas. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. A principal diferença. Método concretista. quando se fala em hermenêutica. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. e concretizador à aplicação. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. São métodos indissociáveis. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. e sim na sua concretização. a compreensão prévia do intérprete. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. Ocorre que. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. por serem métodos concretistas. pois. na sociedade aberta de intérpretes. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. é bom lembrar. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. e o problema concreto a resolver. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. mas em concretização). Além de serem métodos aporéticos. ou seja. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. de única solução possível. são também métodos concretistas. 67 . para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. este método não poderá ser aplicado. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. é preciso que haja um problema. porém. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto.

traduzido pelo Min. A democracia deve servir não apenas para a criação. é a realidade social tratada pelo texto da norma.Elementos do âmbito da norma . mas também na sua interpretação. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). limita a interpretação. Quando ele fala em democratização. ele na verdade não o é. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. mas a toda a sociedade. Para ele. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). por sua vez. O texto não tem o comando. mas refere-se àqueles que podem interpretar. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. mas também para a interpretação da Constituição. regulada pela norma. A norma é o mandamento. Segundo ele. pois. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. ao mesmo tempo. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. em regra.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. O texto tem duas funções muito relevantes. 68 . a norma só surgiria após a interpretação do texto. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Segundo o autor. Assim. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. Essas duas figuras podem ser. Paulo Bonavides o tratar como um método. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. O que ele chama de domínio normativo. . bem como a quebra da unidade constitucional. que têm legitimidade para a interpretação. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . aberta a toda a sociedade. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Na prática. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Não diz respeito aos critérios de interpretação.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Fala-se que são utilizados. Judiciário. Gilmar Mendes). a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Friedrich M.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Ainda que a Corte seja o intérprete final. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. ele dirige e. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo.

Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. surge a idéia de norma (gênero). mas de forma concreta. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. o poder legislativo é claramente fraco. do povo. surge o Positivismo Jurídico. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Segundo Conrado Hubner. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. textualismo e preservacionismo. que se subdivide em princípios e regras. preocupado com a segurança jurídica. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Hoje. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Também denominado de originalismo. como a constituição é feita por representantes do povo. sem modificá-la. quando interpretada. 3) Existe uma única resposta correta. Por isso o judiciário tem ganhado força. Após. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. no Brasil. os direitos têm que ser iguais para todos. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. 69 . A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Esta questão está ligada à separação dos poderes. Na verdade. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. superado o valor da norma). A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. bastante discutido nos dias atuais. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. A norma. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Assim. Assim. que corresponde à vontade do constituinte originário. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. vinculante e obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. norma e fato. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Entende que. Em virtude do caráter normativo dos princípios. A segunda corrente. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. No pós-positivismo.

Ambos são normas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. As regras possuem aplicação automática. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. isto é. dentro do gênero norma jurídica. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. há uma subsunção lógica. Para Habermas. genérica. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. A norma é um gênero e. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. Eles não definem a medida exata. imperativa. impõem resultados. que apontam para o sentido contrário. mas a medida do possível. impessoal. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Ex.generalidade .proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . caso a resolução seja feita com base na hierarquia. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. → Princípios X Regras: . como elementos do sistema normativo constitucional: . ou seja. bilateral). a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. é preciso saber quais são as normas opostas. . . Alexy afirma haver exceções. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. que envolvem a aplicação deste princípio.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. O grau de abstração é a diferença. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes.: aposentadoria compulsória.dimensão que eles ocupam (Alexy) .Princípios. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. .Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. ou seja. Segundo Robert Alexy. princípios são “mandamentos de otimização”. o que ocorre por meio da ponderação. e .Postulados. em havendo um conflito no âmbito da validade. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica).Regras.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. → Regras: são “mandamentos de definição”. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. peso ou valor. quando se vai aplicar um princípio. será invalidada. 70 . ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. Assim.

São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). por isso não são aplicados diretamente. nem estabelecem competência ou conduta. Os postulados são denominados.: proporcionalidade. 71 . consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Não estão na constituição. Segundo a LICC. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Nesse aspecto. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. pela maioria da doutrina. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. será feita a análise de alguns postulados que. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . mas não têm a mesma função dos princípios. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Ex. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. de modo a realizar os valores nela consagrados. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. É um conflito sempre no caso concreto. Eles não apontam um fim. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. também conhecido como antinomia de princípios. embasados na supremacia da Constituição. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. cronológico e da especialidade. como princípios. interpretação conforme a Constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Com base nessas premissas. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional.

a lei deve ser declarada constitucional. assim. Da mesma forma. e. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Todo projeto de lei passa por um controle. pois existe uma presunção de constitucionalidade. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. pode deixar de aplicar a norma de ofício. significa que as demais leis devem obediência a ela. excepcionalmente. o Poder Judiciário. Ele pode negar a aplicação da lei. No Poder Legislativo. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Se o texto tem apenas um significado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. no controle difuso. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Não se retira a lei do ordenamento. é necessário que a Constituição seja rígida. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Excepcionalmente. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. deve optar pela constitucionalidade. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. como no âmbito do Poder Executivo e. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. para ter essa supremacia. o Princípio da Supremacia da Constituição. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). o Chefe do Poder Executivo. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Toda Constituição tem supremacia material. Se a constituição é a norma suprema. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. se entendê-la inconstitucional. ficam vinculados àquela decisão. no Poder Judiciário. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. significa que ele é unívoco. No Brasil. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. No Poder Executivo. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. na dúvida. A 72 . É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. na dúvida. Se há mais de um significado. quando entender que uma norma é inconstitucional. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. por ser presunção relativa. E. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. não tem como fazer interpretação conforme. pode ser exercido através do veto jurídico. Ou seja. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. presume-se que agiram de acordo com ela.

Ao se admitir que essa norma é superior. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Hoje.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Em uma sociedade democrática e pluralista. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Antes. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. b) Fim pretendido: . qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. 81. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Isso é impossível. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. . Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Na verdade. há várias tensões entre as normas constitucionais. é conhecida como mens legis. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. a norma inferior. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Logo. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Geralmente.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. sendo. ao mesmo tempo. de direito previdenciário. existem. logo é conhecida como corrente “objetivista”. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Ex: Brasília é a capital federal. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. que busca a vontade da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Obs. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). defender uma corrente subjetivista é muito difícil. §1º. é necessário observar os valores consagrados na constituição. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Busca a vontade do objeto interpretado. etc.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Portanto. isso não ocorre. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. normas superiores e normas inferiores. na constituição. prevalece a vontade da lei. A segunda corrente. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. mas. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. passando ela pela constituição. num estado democrático. Hoje em dia. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Segundo Kruger. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. pois. Outro ex. É como se filtrasse a lei. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. poderia declarar o art. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. 73 . necessário harmonizar esses dois princípios.

O STF analisou 02 casos: a) Art. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. Se ele entrasse no mérito da questão. Sempre que possível. valores. se ambos estão consagrados na Constituição da República. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. ou seja. O que é isso? É semelhante a uma balança. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. Eles são muito parecidos. Assim. ele se basearia no princípio da unidade. e não em abstrato). Segundo este princípio. criando um efeito conservador da unidade. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. 74 . inclusive. violava a liberdade de exercício de comércio. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. que é anterior à Constituição da República. Ex: voto direto é a norma geral. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. princípios ou valores. Uma existe ao lado da outra. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. Pode ser usada. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. interesses. O Juiz irá ver. as duas normas têm conflito entre si. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. é necessário utilizar a ponderação. O que tiver o peso maior irá prevalecer. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. a integração política e social. deve-se buscar essa concordância prática. no caso concreto. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. §1º. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Quando se tem uma colisão entre bens. bens ou interesses. O STF declarou constitucional. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. 45. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Essa lei. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. na hora de se interpretar a Constituição. pelo legislador. Abstratamente. aplica-se o princípio da Concordância Prática. e voto pelo CN é a exceção. O relator indeferiu a petição inicial. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Nesse caso. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. qual dos dois grupos tem um peso maior.

dizendo que a ponderação é muito subjetiva. até uma compreensão equivocada. sendo o guardião da constituição. às vezes. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. não. 343. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. Deve haver uma cedência recíproca. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. que contribua para o debate de interesse geral. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. ou seja. na academia. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. 2) relativização da coisa julgada: o STF. não se aplicando para a interpretação constitucional. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. O importante é saber que todos os princípios. e não princípios. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia.: a proibição da pena de morte. a privacidade deve ser preservada. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. da tortura. não. Exs. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Ex. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante.: a Súm. mas também a ratio decidenti. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. para que outros direitos sejam assegurados. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. poderia fotografar. do trabalho escravo são regras. eis que ambos se relacionam. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Caso contrário. por mais importantes que sejam. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. 75 . Ex: Se tiver na praia. do contrário. STF não foi abandonada. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. cabe ação rescisória (obs.

com. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. 2) Direito de greve.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. §1º. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. no Brasil. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. sobretudo o Tribunal Constitucional.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. . CR/88 (aplicação imediata). o desempenho concreto de sua função social.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. . pois. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). 76 . Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. .Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. . a qual significa a realização do direito. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. validade é. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. Este princípio. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade.335/AC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. é também conhecida como eficácia jurídica. Exs. 4. 5º. Ver no Site Editora Método. a função social para a qual foi criada. é também conhecida como eficácia social. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.

b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. pois. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Alegam que a restrição seria desproporcional. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Para que um ato seja considerado proporcional. utiliza-se o termo razoabilidade. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. em sua origem. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). ou seja. CR. para que o Estado não atue de forma arbitrária. utiliza-se o termo proporcionalidade. uma restrição à liberdade só será possível se. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. Nos sistemas da commum Law. Se o ato for desnecessário. Não é o entendimento mais cobrado em provas. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. É uma influência do direito norte-americano. Assim. deveria conceder uma autonomia maior. não está textualmente consagrado. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. maiores hão 77 . trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. 1º. por isso sua importância. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. à garantia do devido processo legal. Ele está ligado. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. 5º. não se deve abater pardais com canhões. É uma influência do direito alemão. será também desproporcional. Ex. apto para atingir o fim almejado. mas apenas como menções. É um princípio implícito. do Prof. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Na Alemanha. No Brasil. desproporcional. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Para Jellinek. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. Ex. dentre os meios existentes. ☺art. LIV. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. uma densidade semântica que ele não tinha antes. ele tem que ser adequado.

o poder público age aquém do que deveria. Nesse caso. ou proibição por defeito. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. que é chamada de proibição de insuficiência. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. A face acima exposta do princípio. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. 78 . Há uma outra face desse princípio. pode ser chamada de proibição do excesso.

ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. mas é a tese por nós adotada. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. dado que. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). com exceção das de 1891 e 1937. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. Em âmbito estadual. porém. O que acontece é que o preâmbulo contém. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. o Brasil é um país leigo.. o preâmbulo. Não contém. apresentado de forma não articulada.. No Brasil. portanto. anteposta ao articulado constitucional. refletindo posição ideológica do constituinte. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. portanto. caráter normativo e. laico ou não-confessional. 79 . mais ou menos significante. incidirão na ordem local. O nome não é o mais apropriado. Como se sabe. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Ocorre que todas as constituições brasileiras. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. sendo. proclamação mais ou menos solene. Não tem. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. qualquer religião oficial da RFB. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. não tem relevância jurídica. não existindo. Para o STF. É uma corrente intermediária em relação às demais. Assim. relevância jurídica. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. O min. não é componente necessário de qualquer Constituição. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. pois. mas no domínio da política. de regra. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Esses princípios sim. pois. reproduzidos ou não na Constituição estadual. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. não é norma de repetição obrigatória. inscritos na Constituição. não tendo força normativa. Situa-se no domínio da história ou da política. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo.

Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. a liberdade. Esta é a sua natureza. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. com a solução pacífica das controvérsias”. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. pluralista e sem preconceitos. 80 . a segurança. Ao estabelecer os valores supremos. o bem-estar. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. na ordem interna e internacional. o desenvolvimento. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. fundada na harmonia social e comprometida.

enquanto não for restringida. mas admite lei. por sua vez. → Normas de Eficácia Contida: O prof. no Brasil. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. que “contenha” o seu conteúdo. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. destaca-se a de José Afonso da Silva. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. §5º). prerrogativas (art. enquanto não for restringida por lei. A NEC. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). se refere à impossibilidade de sofrer restrição. que poderá variar conforme o seu enunciado. O que as difere é o grau desta eficácia. (É a mais cobrada em provas). é uma NEP? Não. P. 128. vedações (art. Quando se fala em aplicabilidade imediata. 95. possivelmente restringível ou redutível. apenas 81 . A integralidade. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada.U. Uma NEC. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Não depende de regulamentação.: normas que estabelecem imunidades (art.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. §5º). 184. como se poderia imaginar). Ela não depende de lei. isenções (art. Exs. Não são a mesma coisa. 53). dentre as quais. imediata e integral.

☺art. necessidade ou utilidade pública. e não quais são os meios para se atingir o fim. 102.por conceitos de direito público (ex.: art. As vedações. etc. 95. 5º. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. art. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. não há omissão inconstitucional. ofício ou profissão. segurança nacional. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . e mediata porque depende de alguma condição. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. 22. mas. VII. art.: ordem pública. 3°. são NEP (como são as normas dos incisos I. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. Assim. art. poderá criar impostos residuais. CR. e art. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. mas pode ser).). de forma que antes da Lei 9.por lei (ex. XXIII e XXIV). E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). que a regulamente. art. mas não disse quem pode propor. mas não é uma NEP. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. Não é apenas um conselho. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.: trata de vedações que são impostas aos juízes. é obrigatória. art. A lei não irá restringir o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. quais são os efeitos. . que faz parte da mesma norma. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante.por outra norma constitucional (ex. II e III deste mesmo art. Neste caso. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade.U. Se ela fosse uma NEP. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei.: art. É indireta ou mediata. se quiser. ela nunca poderia ser restringida. ☺art. XIII. 9º. esclarece que trata-se de uma NEC. XII c/c arts. Indireta porque depende de uma outra vontade. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. Ex. conforme a lei.Impositivas: ex. 95). 37. que dirige os rumos do Estado. em regra. XXII.U. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos.Facultativas: ex. 82 . 37. 154: a União. O caput do art. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. mas o seu §1º.: art. etc.: art.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. etc. que não é norma). interesse social. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). Ex. eis que estabelecem o fim a ser atingido.. A NEC pode ser restringida: . PU: União poderá delegar aos estados. caracterizadas justamente por este tipo de norma). . neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. 37. A norma constitucional tinha eficácia. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. P. 5º. 9º dá a entender tratar-se de NEP. VII. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. 5º. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. – ex. . 136 e 137). Exs. VII (direito de greve dos servidores públicos). mas dizer como esse direito será exercido.

auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). tem eficácia. Ex.: As NEP. Para ela. Obs. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Diz que o direito se auto produz. não depende de outros sistemas. Marcelo Neves critica essa concepção. as Cláusulas Pétreas. Uma última classificação. uma eficácia negativa (e apenas esta. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). ADCT. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Elabora-se uma norma genérica. imediata e integral). ademais. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. também conhecidas como normas super-eficazes. porque ela não tem eficácia positiva). cumprida a sua finalidade. 2º. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Assim. OBS. São as normas do ADCT. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. mencionada por alguns autores. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Por isso não dependem de outra vontade. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. a NEL produz efeitos: ela exige lei. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. antes da lei ser feita. pois. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. exaurem sua eficácia.: art. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. 83 . Traduz um sistema fechado. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis.

quando do surgimento de uma nova Constituição. caso compatíveis com a nova Constituição. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. porém. 2°. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. 84 . A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Faremos o estudo de alguns institutos. 242. por esta teoria. parte final). localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria.N. Quando uma nova constituição é criada. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). sempre que nasce uma nova Constituição. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. → CR → A. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. § 1°. serem recepcionadas pela nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. não. Assim. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. §2º (que fala do Colégio Pedro II.: ☺art. e sim como normas ordinárias. com o caráter de normas constitucionais.N. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. art. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. podendo. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. Ex. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. ou seja.P → A. como normas infraconstitucionais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

Assim. Como outro exemplo de retroatividade mínima. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. 7º. dentre outras. têm retroatividade mínima.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. c) por outro lado. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente.: art. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. para tanto. nada impede que a norma constitucional. Assim. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. com pequenas exceções. CR. Como se percebe. por regra. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. 88 . as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. as leis infraconstitucionais. Contudo. vale dizer. deve existir expresso pedido na Constituição. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. o STF entendeu que. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. também limitado juridicamente). Ex. 7º. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. que. XXXVI – “lei” em sentido amplo). tenha retroatividade média ou máxima. desde que haja expressa previsão. IV. 5º. sendo regra a retroatividade mínima. 51 do ADCT. IV. vale dizer. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. diante da aplicação imediata. como é o caso do art.

os quais estabelecem a sua forma. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. a menos. seja como orientação para progresso da legislação. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Desse modo. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. De uma forma geral. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. 1º). como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. diverso e opostos. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. o que os coloca numa posição de superioridade. por conseqüência. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. ainda não regulamentadas de forma mais específica. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. pois servem de critério para o legislador que. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. em um todo sistemático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. Sob o ponto de vista dogmático. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. 4º). a divisão de seus poderes (art. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. 2º). b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. não só das ações dos poderes estatais. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. como também ao exercício abusivo de certos direitos. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. assim. seja como diretiva na solução de casos concretos. atuando como um limite. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. ao elaborar as leis. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. sobretudo. da função positiva que 89 . é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. é claro. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. Dessa forma. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. é obvio. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. estrutura e fundamento (art. Em situações novas. Executam.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. A baixa densidade semântica. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Com o passar do tempo. I). 1º. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. que reinava de forma absoluta e irresponsável. 90 . quanto para o legislador na elaboração das leis. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. aos entes que compõem a federação. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. a Constituição veda. sendo criados novos critérios distintivos da República. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). No tocante ao Poder Executivo. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. DF e Município. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. esses conceitos foram se esvaziando. CR). do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. o direito de secessão. 34. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia.

uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. a vontade popular representada pelo parlamento. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. Em um Estado democrático. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. Aqui. seja diretamente. seja através de representantes. Sob o aspecto material. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. a independência dos juízes. ou. ainda. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. a legalidade da Administração. sob as circunstancias transitórias. não é absoluta e ilimitada. No que se refere ao princípio democrático. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. 91 . Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. No Estado material de direito. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. à questão perene da Justiça. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Em um Estado de direito. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não apenas os indivíduos.

por essa razão. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. no plano interno. 6º). uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. por não ter de acatar. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. na ordem internacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. independente. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. No plano externo. 92 . Por essa razão. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. em nenhum momento podem ser colocados de lado. o indivíduo se sente útil e respeitado. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. Supremo. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. A soberania externa se refere à representação dos Estados. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. a soberania migrasse do soberano para o povo. Todavia. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. na ordem internacional. uns para com os outros. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna.

científica. conforme os ditames da justiça social. Por essa razão. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. 93 . 206. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. de idéias e de instituições de ensino (art. de interesses contraditórios e antinômicos. o que pode levar a divisões irredutíveis. uma sociedade conflitiva. III). Este fundamento é concretizado. é um princípio básico do liberalismo econômico. a de informação. de comunicação. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. e. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. a de opinião. por natureza. justa e solidária (art. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. derradeiramente. a profissional. político (art. artística. salvo nos casos previstos em lei. ainda. a sociedade pluralista é. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. É ela o valor supremo que irá informar a criação. a partir do início da década de 90. a Constituição. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. com a queda do comunismo. 170). a intelectual. dentre elas. a sexual. mas. 215 e 216) e dos meios de informação (art. a tortura. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). Por isso. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. A escravidão. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 170). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. assim. Fruto da concepção liberal. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. 1º). núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. cultural (arts. partidário (art. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. passando a se revestir de normatividade. 220). Mais tarde. de reunião e de associação. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. 17). independentemente de autorização de órgãos públicos. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. deve constituir o seu objetivo supremo. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. ao contrário. a filosófico-religiosa. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. I). 3º.

o que significa dizer que na criação. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. ou para com a pessoa. em alguns casos. por exigir uma abstenção. independentemente de usa origem. Por isso. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. a todo e qualquer cidadão. Esta acepção. ligada ao valor igualdade. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. mas também a de que o Estado garanta. não como um fim em si mesmo. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. mas. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. possui um caráter negativo. que seja efetivamente exigível do Estado. mais importante. seja por terceiros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. educação fundamental. em um primeiro momento. idade. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade.) imprescindíveis para uma vida digna. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mas um atributo que todo ser humano possui. etc. econômicos e culturais. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. e. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). não apenas por parte do Estado. ligada ao valor liberdade. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. à dignidade da pessoa humana. Esta acepção. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. sexo. sua existência material. na medida em que procura representar um subconjunto. o acesso aos valores. menor (minimizando o problema dos custos). por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. seja pelo próprio Estado. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Portanto. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. mas também dos particulares. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. Portanto. dentro dos direitos sociais. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). Por outro prisma. moradia. possui um caráter positivo. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. A dignidade da pessoa humana não é um direito. por outro. Assim. Poder-se-ia dizer. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. 94 . Todavia. cada vez mais. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. condição social ou qualquer outro requisito. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios).

pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. do qual são espécies: .direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. basicamente. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. a diferença básica se refere ao plano de consagração. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. consagrados no plano internacional. devido à escassez de recursos. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional.direitos individuais.direitos à nacionalidade (art. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Em sua maioria. Em sua maioria. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Enfim.direitos sociais (art. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. . são os direitos individuais consagrados no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. uma constitucional e uma doutrinária. Exigem uma atuação positiva do Estado. à participação política. estão consagrados em normas de eficácia limitada. 6° e 7°). 14 e seguintes). Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. CF/88. Em termos materiais. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos).direitos prestacionais: são.direitos políticos (art. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. igualdade e dignidade. CR/88). Essa classificação é legislativa. mas também no art. . Assim. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. pois surgiram em uma única época. . consagradas ao longo das constituições. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Têm um caráter negativo. 95 . São direitos ligados à cidadania. os direitos sociais (arts. Visam proteger o valor igualdade. 6º ao 11. portanto. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. 12 e seguintes). Têm caráter positivo e negativo. 5°. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. 6° e seguintes). exigem prestações materiais ou jurisdicionais. ligados à liberdade. devido ao custo de serem prestados. 5°. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. que divide os direitos fundamentais em: . . . Já os direitos humanos não possuem essa divisão. .

Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. de 1789: liberdade. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. XVIII. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. e estas gerações coexistem atualmente. enfim. exigindo uma abstenção. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. e a dele é a mais cobrada em concursos). Vejamos quais foram as gerações. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Não houve substituição de uma geração por outra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Eles foram surgindo com o passar do tempo. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. ao desenvolvimento ou progresso. Obs. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Exigem uma ação do Estado. pois. São considerados basicamente como direitos coletivos. Têm caráter negativo. por exigirem uma prestação do Estado. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. são direitos de caráter negativo. Têm como objetivo. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. A 3ª geração. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. queria que ele respeitasse suas liberdades. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Esta é a sua preocupação principal. Ou seja. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. diretamente à igualdade material. Tais direitos têm caráter positivo. a autodeterminação dos povos (art.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. CR/88). alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. diante da necessidade de cooperação. Por isso. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. portanto. então. ao lado da 4ª. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. São basicamente os direitos individuais. já os de 2ª geração não. → Igualdade: Direitos Sociais. Exs: direito ao meio ambiente. das gerações. XX. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. da solidariedade entre países ricos e países pobres. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. a imprensa livre e o funcionalismo público. por exigirem uma abstenção. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. os direitos prestacionais. Os direitos de defesa. São chamados direitos civis e políticos. 96 . direito de comunicação. 4º. Como vimos. segundo Jellinek). movimento encabeçado pelo proletariado. à autodeterminação dos povos. econômicos e culturais. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Estão ligados. sobretudo de princípio programático). Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. como a família. igualdade e fraternidade (nesta ordem).

um pluralismo ideológico. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). Esta geração de direitos advém da globalização política. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. o direito a adoção. as demais características são tratadas pelo prof. ☺ADPF 132. Ou seja. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). inclusive das minorias. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). Ele preserva. etc. são direitos difusos). Quem tem o papel contra-majoritário. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. ao analisar a Constituição de 1891. Ou seja. caso violados. e isso acaba por prejudicar as minorias. Por isso o direito à democracia é tão importante. quiçá quanto a 5ª. ele tem uma importância muito grande. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. Ele abrange um pluralismo religioso. as disposições assecuratórias.: quanto ao direito à paz. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. o prof. Os argumentos contrários a esta união. Aquelas instituem os direitos. que alguns dizem trazer os direitos à internet. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. V. como os previdenciários. Ao lado da vontade da maioria. outros são difusos). A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. Ex. em defesa dos direitos. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. Além desse aspecto. Em uma ponderação. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. os direitos de família. Afora esta peculiaridade. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. à informação e ao pluralismo (D. a fixação da garantia. ocorrendo não raro juntar-se. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. São também direitos transindividuais (em sua maioria. Quando se fala em pluralismo político. um pluralismo cultural. na mesma disposição constitucional ou legal. de orientações sexuais.I. artístico. com a declaração do direito”. conserva nossas identidades. limitam o poder. 1º. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. CR/88). mas há divergências na doutrina quanto a isso. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. que são as que. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. traz direitos ligados à pluralidade. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. de ideologias políticas e partidárias. de conteúdo). → Globalização: direito à democracia. este direito teria um peso mais elevado do que os demais.P. Assim. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. econômico. Paulo Bonavides. 97 . São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões.). estas as garantias. Porém. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. que seria a vontade da maioria. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. esta alteração não foi feita em seu livro.

já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. são indisponíveis. Normas positivas. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. de modo indiscriminado. Nada impediria. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). se o direito garantido não possui alguma especificidade. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). coarctando. emite uma opinião (direito de opinar). . Exemplos: . passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. . impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Se são sempre exercíveis e exercidos. . como é o caso. conflito de interesses. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . confronto. Contudo. ainda que não individualistas. 98 .Universalidade: destinam-se. portanto. 5º. no caso concreto. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. decidir qual direito deverá prevalecer. ou caberá ao intérprete. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. a todos os seres humanos. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. ou magistrado.). no caso concreto.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.. . Isso porque. HD.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. . que só pode ser proposta pelo cidadão. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando.: direito de propriedade versus desapropriação).Inalienabilidade: como são conferidos a todos. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. 5º.: HC. por ex. nascendo com o Cristianismo. O caput do art. . havendo. ilegalmente preso.é inviolável a liberdade de consciência e de crença.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. os apátridas e as pessoas jurídicas.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. . quando.Historicidade: possuem caráter histórico. é claro. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. Deve-se observar. os estrangeiros não residentes. Obs. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. etc.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. através da interpretação sistemática. XXXVII. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. juntamente. conjugando-a com a sua mínima restrição. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. muitas vezes. uma vez consagrado o direito. mas nunca a sua renunciabilidade. como é o caso da ação popular.direito ao juízo natural (direito) – o art.

→ Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão.). CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. etc. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. §1º. Não se admitiria. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. só trazendo relações entre o Estado e o particular. 5º. fática e juridicamente. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. para isso. analisando caso a caso. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). então. Posteriormente. pois. fala-se. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. causando uma desfiguração no direito privado. No entanto. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. §1º. mas. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. mas o pressuposto do qual ela parte). Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. então. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. 5º. não dependendo de legislação. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. 99 . O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. Assim. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. ordem pública. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. Ingo Sarlet afirma que o art. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados.

→ Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.858. esta teoria seria a mais adequada. mesmo realizando atividades idênticas. . .215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. através de princípios. . Ainda se trata de uma questão muito nova. então. Se houver lei determinando a aplicação dos DF.24. como a segunda. quando há uma relação de igualdade real na relação.☺RE 161. isso poderia causar uma série de problemas. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.243/DF. etc.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.RE 201. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.*RE 161. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. de uma forma geral. Deve-se aplicar tanto esta teoria. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. muito abertos. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. que não adota essa teoria). Segundo esta teoria. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . em geral.: empregado e empregador. mas ainda não há decisão quanto a isso.Resp. no entanto. Em contrapartida. Para a realidade brasileira. . mas. . Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.RE 175.RE 160. . e. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. é possível a sua aplicação com base na Constituição. A autonomia da vontade requer tal ponderação. Assim. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. O juiz. tão somente pela falta de previsão. a aplicação será indireta. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares.) . ainda que esta regulamentação não exista.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. a proteção tem que ser maior. Se.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. E como os princípios são muito vagos.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Segundo Virgilio da Silva.RE 158. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Mas. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.700.HC 12. se exteriorizam. para que os princípios pudessem ser concretizados. Espanha e Portugal. Se não houver uma previsão expressa na lei. não sendo necessária uma intermediação legislativa. houver uma desigualdade fática. Determinação de observância do Princípio da isonomia. 249. devendo sobre eles prevalecer. Os DF são expressados. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. contrato de adesão.00 para R$ 86. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. A jurisprudência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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No caso do big brother. Porque o direito à vida é irrenunciável. 5º. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. III e art. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. à segurança e à propriedade. XLVII. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. um outro direito fundamental. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. pois. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. como DF é pressuposto dos demais direitos. 1º. II. à liberdade. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. pois a vida é uma direito irrenunciável. CR/88. de forma que não se pode falar em direitos absolutos.: esta segurança que o art. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. não há uma renúncia definitiva. Nos 78 incisos deste art. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. caput. não há que se falar em não exercício). também não pode ser renunciado. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Obs. CP) a questão é um pouco mais polêmica. por óbvio. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Esta questão é bastante clara. ☺art. CR. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. A renúncia é definitiva. abre-se mão temporariamente à privacidade. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. Este pode ocorrer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. um caso constitucional de violação de direitos. ☺art. 170. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. Por isso. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. 5º. 5º. é. O direito a vida. 128. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. à igualdade. Há dois entendimentos: 104 .

é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. mas de modo geral). mas sim da acrania. entendeu que. portanto. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). nas quais não se tem uma opinião moral definida. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. segundo Canotilho. Para o direito brasileiro. 3) dignidade da pessoa humana. 128. OBS. Nos EUA e na França. em razão do risco de morte intra-uterina. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. é uma forma de tortura psicologia. já que o CP é anterior à CR. . (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. o STF não estaria legislando. ela é a única ação de controle abstrato cabível. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. não haveria vida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. Ademais. então. por isso. O STF. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. assegurando a autonomia da vontade. insuficiente para a proteção do direito. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. 128 (em 1940). não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. além de colocar em risco a sua própria vida. e. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. O aborto não precisaria ser necessariamente crime.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. CP não teria sido recepcionado pela CR. A questão ainda está sendo discutida no STF. a vida termina com a morte encefálica. o art. E o direito à vida. sem o sistema nervoso central. por 7 votos a 4. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Se isso fosse possível. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Se há dois argumentos defensáveis. mas sim interpretando a CR/88. sabendo que ela vai morrer. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. é relativo. como todos os outros. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. discutida na ADPF 54. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. a morte não decorre do aborto. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. já que na época em que foi feito o art. II. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. 128). Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade.Direito à privacidade: 105 .

sobretudo. por exemplo. Questão de Concurso: Gravação clandestina. contra um chantagista. Ao realizar essa ponderação. 5º. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. CR. que se subdivide em: intimidade. 5º. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Ex: matérias de interesse público. etc. Não há que se falar em colisão. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Ainda que não afete a honra. a restrição é legítima. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Será considerada prova lícita. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. X. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. Em regra. X. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. CR. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Se tiver gravado um crime. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Ex. a gravação é considerada lícita. vida privada. O prof. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. veremos cada um separadamente. Proteção da honra e da imagem. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Neste caso. pois há uma excludente de antijuridicidade. é a esfera da vida privada. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. É gênero. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. na verdade. Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. em seguida. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. não há violação à privacidade. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). É vedada pelo art. o direito à imagem foi violado. maior a proteção a ser dada. Numa gravação clandestina. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. no art. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. científico ou cultural. os princípios da moralidade e da publicidade. Se filmar uma passeata. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. de uma forma geral. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Logo. No entanto. Nesses casos é vedada a gravação como prova. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. histórico. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Ex: Radares eletrônicos. Então. quando pratica um ato na condição de agente público. uma gravação feita clandestinamente. ela é ilícita. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. a honra e a imagem das pessoas. a imagem pode ser usada num processo. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Nesses casos. 1. O direito de liberdade é maior. 106 . O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Esta é excludente de ilicitude. não tem privacidade. O agente público. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. sobretudo. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). contra um estelionatário. são direitos independentes. quebra de sigilo e interceptação telefônica. O direito a privacidade está consagrado. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa.

Na Itália. que é uma exceção a essa regra. Quem pode é só o juiz e a CPI. 107 . Ainda que se admita a criação de CPI municipal. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. 2. não há decisão do STF. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. XII. O STF decidiu que. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. em ação cível originária. § 3º. naquele caso específico. Tem uma decisão do STF muito comentada. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. outros entendem que não há proteção. com base no princípio da simetria. Os jornais publicaram essas declarações. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. etc. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. A lei. No entanto. como havia verba pública envolvida. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. às informações constantes na declaração de imposto de renda. outros dizem ser pelo art. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). X. 5º. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. o BB poderia quebrar o sigilo. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Quando se quebra o sigilo telefônico. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. não poderá quebrar sigilos. falaremos da interceptação telefônica. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. E o Ministério Público? Segundo o STF. Essa exceção só confirma a regra. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. mas na decisão acima houve discussão a respeito. Ele alegou a ilegalidade desse ato. informáticos. XII. fiscal e telefônico. 3. ele não pode requisitar diretamente. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. De acordo com o art. ainda que não seja sigilosa. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida.). A interceptação das comunicações é vedada pelo art. CR. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. Se ele quiser. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. fiscais. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. de um cd room. Essa declaração. Dentro dela. divulgaram todas as declarações na internet. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Além do juiz. 5º. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. O inciso X impede a gravação clandestina. essa decisão foi para um caso específico. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Quanto às CPIs municipais. O prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Ex: extrato de conta corrente. Quando a CR fala em “poder de investigação”. O Min. por ex. 2°) admite. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. está em vigor. 58. Isso é uma violação clara do direito de privacidade.: Podem existir várias outras exceções. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário.. a duração da chamada. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. São poderes instrutórios. deve ter uma certa salvaguarda. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. por enquanto. já que não existe poder judiciário municipal. 5º. Dentro do próprio STF há divergência.

os dados de informática em si não estão protegidos. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. não estaria protegido por esse dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. por uma terceira pessoa. seja pelo art. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. 5º. X. Além dessas duas hipóteses. seja pelo art. segundo o STF. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Para o STF. Em relação à comunicação epistolar. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. abrem-se todas as correspondências. Com relação ao sigilo de dados. será gravação clandestina. protege a liberdade de comunicações. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. a liberdade de comunicação. durante o estado de defesa e o estado de sítio. já que protege-se a liberdade de comunicação. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Mas isso não é a posição do STF. é equivocado. Para o prof. Se um souber. segundo o prof. Nessas hipóteses. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . O STF entende que com base o art. XII. 5º. XII. Para o prof. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. mas. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Ela deve ser usada para situações excepcionais. também protege a privacidade. Porém. Pois. Se um souber. Aliás. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Na prática. 5º. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Em relação a essas. Quando se falou do método tópico problemático. Então. o STF tem um entendimento que. O art. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. em determinadas hipóteses. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. sobretudo. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. neste caso. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. ela também está protegendo o conteúdo desses dados.. o sigilo poderá ser violado.. 5º. Ela protege 4 formas de comunicações. a Constituição não estabelece qualquer requisito. No entanto. Na interceptação.. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Não são admitidas para outras finalidades. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. mas foi feita por um terceiro. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. será interceptação telefônica.

quando a Constituição diz “por ordem judicial”. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. prorrogáveis por mais 15). O professor acha que há certo abuso neste caso. Vejamos as situações: 1. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Nem mesmo CPI. Essa decisão foi recente (☺MS 27. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. A Constituição trata de 2 situações distintas. Se numa situação excepcional. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Ou seja. 5º. CF/88. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Pode ser que com os abusos recentes. XI: violação de domicílio. LXI: possibilidade de prisão. pode determinar a prática desses atos. por nenhuma outra autoridade. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. XII. Com o consentimento. salvo o flagrante delito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. 5º. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. vejamos: a) Art. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Somente o juiz. nem a CPI. o Min. violado. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. XII: interceptação telefônica b) Art. Além disso. d) Art. Ela deve ser o último recurso. Se houver o consentimento. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. e não pelo dono da casa. e mais ninguém. imagine numa situação normal. c) Art. • Prestar socorro 109 . há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. devemos analisar 2 situações diferentes. Como é o meio mais fácil. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. 5º. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Ex: crime dentro de uma residência. 5°. seja durante o dia seja durante a noite. Nesse artigo. Sem consentimento já é diferente. nesses casos. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. 5º. Na jurisprudência do STF. Com relação à inviolabilidade do domicílio. a entrada deve ser permitida pela empregada. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Então. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. Durante o estado de defesa.296/96. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. a polícia pode entrar. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. LX: sigilo imposto a processo judiciário. Segundo o STF. qualquer pessoa pode entrar. não há falar em violação de domicílio. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Recentemente. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. se houver o consentimento de um dos moradores. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. 2. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Art. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. essa lógica tem sido invertida.

consultórios. o STF considera as provas lícitas por causa disso. se estiver vazio. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. por serem situações emergenciais. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Entra no conceito de casa. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Segundo o entendimento do STF. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Se houver o consentimento do morador. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Na maioria dos casos. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). propõem uma utilização conjunta desses critérios. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. entra no conceito de casa. 150. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. seja do dia seja da noite. 110 . as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. a casa pode ser invadida a qualquer hora. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. mais tradicional. mais adequado. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. entre eles Alexandre de Moraes. prevista no dispositivo. entre outros aposentos. compartimentos habitados. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. pois se respeitar também o critério cronológico. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Então. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. a prova colhida será considerada ilícita. E o carro? O prof. Só que o STF já proferiu decisões. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. na parte em que o público tem livre acesso. compreende escritórios. É uma hipótese muito difícil de ocorrer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Quando o sol nascer é dia. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Ele deve dizer “aqui você não entra”. não poderá mais entrar no domicílio. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. não só dos moradores daquela casa. porque a noite é o período de descanso. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. onde o caminhoneiro dorme. Segundo ele. não entra em conceito de casa. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. CP. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Ex: parte de trás do caminhão. a prova é lícita. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. ☺Art. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Alguns autores. É utilizado por JAS. quando o sol se põe é noite. 3. Se entrar com o uso da força. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. mas dos vizinhos também. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. que traz uma conceituação bastante extensiva. hoje. estabelecimentos comerciais e industriais. não entra no conceito de casa. 2.

Mas. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. 2. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Uma vez dentro do estabelecimento. Não irá fazer concurso para homens participarem. Objetivo 2. Quando se fala em princípio da igualdade. arbitrário. discriminatório. razoável e proporcional. cor e estado civil. justifica-se a altura. idade. ele não estará de acordo com o fim consagrado. 5º. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. em situações diferentes. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. 7º. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. XXX. Esse critério é razoável. não significa que a lei não possa fazer distinções. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. 7º. 111 . CR. da constituição. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Se o critério não for objetivo. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. pois viola o princípio da isonomia. Razoável 3. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. CF/88. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Esse critério não é nenhuma discriminação. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. é necessário que ele seja: 1. É a que está consagrada no caput do art. Para esses casos. Nestes casos. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Para que o critério seja constitucional. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Ex: critério preconceituoso. XXX. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial.

O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Porém. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. por exemplo. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Em princípio. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. para tentar reduzir as desigualdades. surge a questão relacionada às ações afirmativas. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. mas é necessário analisar uma série de fatores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Quando se fala em igualdade material. mas na Constituição Indiana em 1947. 3º. Então. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. A tendência é que elas aumentem. essas ações são constitucionais. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. essas ações deveriam existir por 10 anos. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. utiliza-se das ações. Dificilmente. Visa uma redução das desigualdades fáticas. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Essas ações não surgiram nos EUA. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. acha que esse argumento não convence. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Mas. Para o professor. Ex: Alíquotas de imposto de renda. O prof. pois elas criam uma discriminação reversa. Criaram-se outras ações afirmativas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Ex: Cotas para pessoas carentes. Não é uma forma de resolver o problema. o critério discriminador seria desproporcional. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. ☺art. e prolongaram as que já existiam. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. 112 . da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. igualdade e fraternidade. Segundo JAS. Quando se fala em igualdade material. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. não haverá uma igualdade real. No caso da Índia. A cota deve ser proporcional à população. disse que está ligada à igualdade material. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Para outros autores. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. e os desiguais de forma desigual. Isso é igualdade formal. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. mas reduzir as desigualdades existentes. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. e não à igualdade material. que eram desiguais em relação aos seus senhores.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. aconteceu o contrário. O prof. 5º c/c art. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. seria igualdade material. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas.

Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. seja pelo governo. Isso é uma questão de política pública.medida imediatista e inapropriada. . a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.princípio da isonomia (discriminação reversa). Argumentos contrários: . A justificativa parece não ser inconstitucional. Portanto. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso.fomenta o racismo e o ódio racial . não sendo necessária essa distinção. . . é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. cientificamente falando. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. mas eles não tiveram oportunidade de escola.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. O problema é com relação à subjetividade do critério. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. previsto no art. mas também para quem irá elaborar a lei.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. . . Eles foram libertados. atinge todos os poderes públicos . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. quando se fala em destinatários. pois já faz parte do próprio critério republicano. são destinatários do princípio da igualdade. miscigenada e multicultural. Poder Executivo e Poder Judiciário). As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei.favorece negros de classe média alta. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. visa compensar uma dívida histórica.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. tolerante. Apesar de ser uma relação entre particulares. Então. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . de saúde. CF/88. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. sem exceção. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. 113 . 208. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. aberta. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. . é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.fere o mérito. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Além dessa eficácia. No Brasil.Poder Legislativo. Eles não têm apenas a eficácia vertical. Juridicamente falando.em uma sociedade pluralista.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. seja por particulares.

Isso significa que. Mas. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. É uma denúncia feita anonimamente. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. I. Não existem direitos absolutos. de expressar o pensamento. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Logo. em regra. Por que a Constituição. Não é um direito absoluto. Se a pessoa agiu de forma abusiva. segundo o professor. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Pode defender no plano das idéias. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. em princípio. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. é outra questão. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Protege a mulher. o problema é dele. e violou direitos de terceiros. mas apenas para as mulheres. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. As provas 114 . CPC – ação de alimentos. para outros teria. 100. ela pressupõe responsabilidade. discriminatórias. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. O homem não é a parte mais frágil da relação. ela exerceu o seu direito. Ex: Lei Maria da Penha. Basta ser um critério objetivo e para todos. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Questão de Concurso – Cespe: No art. Ex: Passeata para legalização da maconha. É livre a manifestação de pensamento. ele deve licitar. Para alguns. sendo vedado o anonimato. não teria sido recepcionado. desde que seja para atenuar desníveis existentes. 5º. não deve ser estendida para os homens. ela é constitucional. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. O particular não é obrigado. 5º. IV. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. a lei pode estabelecer distinções. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. É constitucional? Sim. etc. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Apologia ao crime é diferente disso. ela pode ser responsabilizada. Logo em seguida. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. desde que essas restrições não sejam autoritárias. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Ex: art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. cabe direito de resposta proporcional ao agravo.

ainda 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. O Estado deve manter-se neutro. o equilíbrio das religiões. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. O Estado brasileiro. com o advento da República. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. O dever funcional da autoridade é investigar. por exemplo. de crença e de culto. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. houve a total separação entre Estado e Igreja. ou de não ter crença em nada. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. abrangendo a liberdade de crença. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. O culto pode ser exercido em qualquer local. 2. VI. Não se pode admitir que o parlamento. No Brasil não há uma religião oficial. 2. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Porém. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. de ter crença. Em relação ao culto. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. apesar de a maioria da população ser católica. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. pedindo resgate. 3. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. 5º. CR. Isso significa que. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Para Habermas. A religião desempenha um papel fundamental. deve ocorrer uma “tradução institucional”. ela deve ser protegida. então. → Alguns temas polêmicos: 115 . Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. e. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. 19. I. Os templos recebem uma proteção especial. Garantir a simetria da liberdade religiosa. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Esta liberdade está consagrada no art. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. ele não pode ser admitido. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. Quando são produzidos pelo próprio acusado. CR. Pode fazer um exame grafotécnico. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. inclusive em lugar aberto ao público. A liberdade de consciência é a mais ampla. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. desde 1989 (advento da República). Ex: seqüestrador escreve bilhete. há 02 hipóteses em que o STF admite. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. se não há qualquer identificação. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. não é o caso do Estado brasileiro. Vejamos: 1. desde que não viole o direito de terceiro.

b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões.. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. . Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. inegavelmente. são culturais. §1º. . Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. o argumento supracitado não está correto. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. CR. Entretanto. Não teria sentido acabar com esses feriados. É importante respeitar o ensino de cada um. imagine uma cidade pequena. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. onde se tem poucas escolas boas. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. a competência é da União. Segundo o prof. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. 5º. a neutralidade do Poder Judiciário. O 116 . §2º. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. CR). políticos e religiosos. e não à justiça do trabalho – ☺art. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. então. 210. São feriados puramente religiosos. a escola não deve impor ao menino. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos..Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. fazendo uma ponderação entre os princípios. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. e cultura é competência comum – da União. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. que odeia guerra. Na Alemanha. estados e municípios (☺art. não poderia ser confessional. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. VIII. 215. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O tribunal. 23. a competência é em relação à cultura. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. há algumas ações. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Entretanto. Para o prof. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. Há um trecho do livro do Dworkin. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. ocorreu um caso muito semelhante. logo. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Portanto. CR). questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Pode um ateu. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Mas. Neste caso. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação.

CR: Não é só a liberdade de se associar. Não cumprindo com a obrigação. não é necessária a autorização estatal. Ex: fazer segurança. IV). tem o caráter permanente. Há. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. mas a de permanecer associado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. essa hipótese é de representação processual. as pessoas se reúnem e. Quem fará a tradução não é a Igreja. então. A República é o governo das razões. A associação.) 2. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Criação de partidos políticos. de cooperativas. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. ainda. 5º. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. 5º. mesmo que em locais abertos ao público. desviar o trânsito. ☺art. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. mas direitos individuais de expressão coletiva. CR. mas os políticos. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Para que as pessoas possam se reunir. ☺ art. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. A pessoa alega imperativo de consciência. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. O prof. por sua vez. Liberdade de reunião. (Não pode reunir pessoas armadas. XVI. XVI. XVII e XXI. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . não são os religiosos. existem 2 semelhanças e 1 diferença. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. elas vão embora. Se não houver essa lei. terminada a reunião. Criação de sindicatos. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. 5º. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). na forma da lei. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. etc. conforme portaria da ANVISA. JAS diz que não são direitos coletivos. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Ex: reunião de condomínio. 5º. Criação de associações e. XXI. Segundo Jean Rivero. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Por que a CR exige prévio aviso. 2. Ex. o argumento deve ser racionalmente justificado. 15. 4. Caso não cumpra com a prestação alternativa. 3. CR.

. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. 5º. garante o direito de propriedade. Segundo o STF. segundo o prof. III. não são legítimas essas invasões. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). a função social. segundo o qual. O sindicato (☺art. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Função Social da propriedade: A CR. a propriedade terá uma proteção menor. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. não pode existir mais de uma federação por território. 2. XXIII. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Segundo ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. CR) quando ajuíza uma ação. portanto. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Há um outro entendimento que. 8º. ADC e ADPF. Segundo JAS. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. segundo o prof. 5º. o direito de propriedade pertence ao direito público. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. ilegítimas. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. É o entendimento de Daniel Sarmento. 5º. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. A associação impetra em nome próprio. LXX. O que acontece é que se não cumprir a função social. por exemplo. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. 118 . XXII. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. como a Constituição garante o direito de propriedade. ☺art. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. não precisando de autorização expressa. no seu art. mas faz parte da estrutura desse direito. se não for atendida. em seu art. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. mas não pode ajuizar ADI. Ex: Invasões de terra pelo MST. é mais correto. Segundo o STF. pode ser dada numa Assembléia Geral. Segundo o STF. Ela só garante o direito de propriedade. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). tendo um menor peso na ponderação. Em seguida. A Constituição não garante o direito à propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. do próprio regime desse direito. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). mas sim contrárias ao direito e. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. defendendo direito alheio. não impede que o direito de propriedade seja protegido. ter um patrimônio mínimo. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Se ele tem proteção.

por utilidade pública. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. deve haver indenização? Não. 139. Sempre haverá indenização. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. restringe o caráter absoluto. Os principais aspectos são 2. deverá ser em dinheiro. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. em regra. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. 184. mas sobre a propriedade em si. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção.000 habitantes (§1°). É um aspecto lógico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. etc. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Na requisição. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. diante de uma emergência. Ex: caso de Eloá. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. uma escola pública. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. CR. Vejamos: a) ☺art. por ser inerente ao direito de propriedade. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. a saber: por necessidade pública. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). ele não poderá ser prejudicado. Vejamos abaixo. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. há uma transferência compulsória da propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Sempre que há requisição. como um apartamento. justa e. normalmente. só haverá indenização se houver dano. Além do caráter absoluto. 5º. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . 182. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. a indenização será sempre posterior. Propriedade Rural: ☺art. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. No caso de requisição. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. o proprietário não tem culpa. IPTU progressivo no tempo. §2º. Como haverá indenização se houver dano. A função social. XXV) e as militares (☺art. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. a saber: a. CR. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. VII). A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. 2. ou por interesse social. A polícia requisitou determinadas propriedades. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. §4º. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. b. Desapropriação: Diferentemente da requisição. como decorrência do primeiro. CF/88: Trata-se de imóvel rural. b) ☺ art. na desapropriação. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. que deve ser prévia. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. Propriedade Urbana: ☺art. Logo. Para atender a função social. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. indenização por títulos da dívida pública). 186. 182.

em Indenização posterior se houver dano. possuir o imóvel como se fosse seu. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. sejam urbanos ou rurais. Se ele tiver outro imóvel. §3° e art. Se ela é produtiva. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. PU. Nesse caso. é porque ela está cumprindo a sua função social.o morador não pode ter outro imóvel. Na CR. pacífica.). regra. Só que. CF/88. 5º. não precária. no máximo. Confisco: No Brasil.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. . • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. 191. Como o confisco é uma sanção. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. 184. Vejamos: . §5º. . Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). 50 hectares. O confisco de propriedade está previsto no art. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. precisa recorrer ao judiciário). o imóvel deve ter. por ter prazo menor. seja urbano ou rural. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. 243. não há pagamento de indenização. Usucapião: Na Constituição da República. São imunes a impostos (☺art.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 183.: Imóveis públicos. 243 da CR. 2. no máximo. A Constituição não permite – ☺art. Necessidades transitórias. . a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. etc. sem oposição. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. paga em dinheiro). parágrafo único. 250 m2. 120 . É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). CR). ininterrupta. Requisição Refere-se a bens e serviços. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). Obs. CR).Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Só não podem ser para fins de reforma agrária. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. prévia e. 3. os bens serão confiscados – art. Para esse fim. É sempre indenizável (justa. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. emergências da sociedade. . não podem ser adquiridos por usucapião. 185.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). Necessidades permanentes da sociedade.

A lei interpretativa retroage. Em regra. é uma conjugação das duas anteriores. Durante a vigência desse contrato. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Esta hipótese é. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. outros a interpretavam de maneira (B). Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. média e mínima. é necessário diferenciar duas situações. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. não. XXXVI. XL. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. 106. a regra também é a não retroatividade (art. Em resumo. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. A garantia existe para a proteção desse direito. 2. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Alguns a interpretavam de maneira (A). 5º. inicial. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). a CR/88 entrou em vigor. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. a lei interpretativa retroage. mas deve respeitar a coisa julgada. só que exclusiva para o direito tributário. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. autônomo. a saber: 1. No direito penal. 5º e no art. interpretando a lei da maneira (A). b) Retroatividade benigna. 3. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. desde que seja mais benéfica para o réu. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Para responder a essa questão. Seria correspondente à primeira hipótese.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. CR). O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. As hipóteses mais importantes são: 1. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. 5º. etc. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. não era muito democrática). no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. na verdade. mas que vale especificamente para o direito tributário. Retroatividade da Lei Penal. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Todas as demais o consagraram.

interpreta a lei em sentido amplo. não há posição prevalecente. Na retroatividade máxima. Após a Constituição de 1988. Portanto. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. até mesmo. . Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. É claro que isso não é desejável.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. As parcelas podem ser reduzidas e. porque geraria uma insegurança jurídica. de acordo com a legislação da época. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. em regra. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Só que para haver essa retroatividade. Nesse caso. Ex.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. automaticamente. A EC poderia prejudicar direito adquirido. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. a Constituição da República entrou em vigor. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. O prof. XXXVI) é lei em sentido estrito e. haverá uma retroatividade média. no caso de retroatividade mínima.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Ex: Determinada prestação. ☺Súm. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. ela afeta a todos. e não lei em sentido restrito. Se a Constituição atingir essa prestação. 473. dirige-se apenas ao legislador ordinário. 2. . c) Retroatividade máxima: pode ocorrer.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. haverá uma retroatividade máxima. → Coisa julgada: 122 . Não existe direito adquirido em relação a esse regime. mas isso está superado. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Antes de a prestação ser paga. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. mas as leis não. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. e não as parcelas que compõem o vencimento. STF.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. 654 e Súm. inclusive as de ordem pública. e não o ato exaurido. Não pode haver a redução. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Só que para haver essa retroatividade. . acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. b) Retroatividade média: pode ocorrer. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. extintas.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Havendo mudança de regime jurídico. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. através de norma de eficácia plena. porque geraria uma insegurança jurídica. . coisa julgada e ato jurídico perfeito. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. portanto. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. será necessário que a Constituição diga expressamente. Se mudar o real. 5º. É claro que isso não é desejável.

A administrativa não tem essa proteção. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata.: salário mínimo). ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Eros Grau. o que significa que possuem um caráter positivo. e não propriamente como ministro). nós deveríamos interpretar o art. independentemente da sua natureza. . quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. Direitos Sociais: 1. Os direitos de defesa são. segundo Robert Alexy.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. 7º. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. Os princípios. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Dirley Jr. como doutrinador. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Já os direitos sociais. 5º. 5º.. exigem uma atuação positiva do Estado. Em cada época. de sociedades pluralistas. e isso para muitos é um ponto negativo. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Assim. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. são NEL (de princípio programático). Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. ou seja. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material.☺art. em regra. §1º. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. para dar decisões concretizando tais direitos. e pelo Min. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. são mandados de otimização. 2. Por isso. Mas isso não é verdade. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. Ou seja. §1º. Eficácia: todo direito tem um custo. No art. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. mas é apenas a coisa julgada judicial. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. . que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . à medida que a sociedade o determine. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. pois são mais facilmente implementados. consagrados em NEP ou NEC. por ex. b) o art. 5º. do seu enunciado. em sua maioria. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. independentemente de qualquer fator. como teórico do direito (ou seja.

Em outros lugares. Esses direitos sociais não teriam. pois. rodovias. doutrinador do RS. Pedro Taques). Quando se fala em direitos sociais. só porque recorreram ao PJ. todas. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. quando foi dado um maior papel ao PJ. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. em tese. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. . Norma de direito social não gera direito subjetivo. O que se busca. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. implicitamente. por ex. Argumentos contrários à intervenção judicial: . O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Por isso. assim. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. por ex. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. pois. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente..Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. essa atuação talvez não seja tão justa. lazer. etc. A visão do juiz é bilateral. segurança. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. não geram direitos subjetivos. por ser norma programática. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. Esse entendimento já foi superado. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual.000. previdência.).000. Portanto. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe.). Como têm apenas eficácia negativa. as normas possuem uma textura aberta. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . legítimas (saúde. que estamos buscando. é importante definir tais critérios. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Assim. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. 3ª fase: é a fase desejável. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. . O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. educação. normatividade. Primeiramente. trabalho. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso.A democracia não é apenas vontade da maioria. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. em razão das limitações orçamentárias existentes. sufrágio universal. Mas. Não é o entendimento que prevalece. saber se a demanda é razoável. pois. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Se um poder se encolhe. . ou seja.Caráter normativo da constituição. teríamos a maior utilização das ações coletivas. e é muito utilizada no Brasil. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. . por isso. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Assim. É preciso. De se ver que quando se fala em direitos sociais. não se encaixaria na realidade brasileira. mas a todos que se encontrem na mesma situação. em razão do Princípio da Igualdade. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Os direitos sociais estão consagrados em normas. A reserva do possível. inclusive a minoria. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. em 1972. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. eleições periódicas. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). no que diz respeito aos direitos sociais. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. Se não se estabelecer os critérios. o outro cresce. Esses argumentos são os que devem prosperar. entra-se muito nas questões ideológicas. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa.Déficit democrático das instituições representativas. eles acabariam sendo inviabilizados. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. 125 . Ademais. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. . ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. segundo Ingo Sarlet. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária).

Se não definir o conteúdo. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. A reserva do possível é uma matéria de direito público. No Brasil. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. que a demanda custa y. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. precisam ser concretizados. Não é o máximo desejado. mas deve também ser provada. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. A efetividade passa pela sociedade. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. pelo cumprimento voluntário da constituição. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. educação e moradia. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. etc. a questão da efetividade será prejudicada. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. quando se estabelece o mínimo existencial. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Segundo Ricardo Lobo Torres. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Outros autores já falam apenas em saúde. por ser necessária para a 126 . quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Ou seja. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Segundo Ana Paula de Barcellos. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. em razão de sua textura aberta.. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Segundo o prof. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. mas teria um peso maior na ponderação. . O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. . 2. Vejamos: 1. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. essa concretização. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. saúde. Por que falamos em “mínimo”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. Assim. é o entendimento mais adequado. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. da liberdade material e do princípio do estado social. que existem z pessoas na mesma situação. é o mínimo existencial. depende de cada época e de cada sociedade. maior o risco de não ter efetividade. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. assistência em caso de necessidade. em 1953. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. que é a corte suprema na Alemanha. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível.

Pode. costumes. e do Estado Democrático e Social de Direito. Todos que moram no Brasil. só ampliado. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. Os poderes públicos. Há dois posicionamentos quanto ao tema. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. segundo ele. estatístico. da máxima efetividade (art. independentemente da nacionalidade. não pode haver uma redução dessa concretização. um pensamento mais flexível sobre o tema. o que prejudicaria a sociedade. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. entre eles: laços culturais. 5º. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. e. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. ao estudar as normas de princípios programáticos. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. esse prazo não pode mais ser reduzido. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. fazem parte da população brasileira. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. fala-se em vedação do retrocesso social. que significa nação. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. pois. Segundo ele. JAS. já dizia algo muito semelhante. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). A palavra nacionalidade deriva de “natio”. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. Por isso. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. consciência coletiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. irão concretizar os direitos sociais. históricos. passaria a fazer parte do próprio direito social. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. §1º. haver uma redução do grau de concretização. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. Ele tem. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. língua. A partir do momento que um direito social é concretizado. 127 . da dignidade da pessoa humana. 2) posicionamento de um autor português. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. População está relacionada ao conceito demográfico. de acordo com a necessidade. haveria um engessamento do legislador e do PE. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. assim. CR). Ex.

112 e 115. A EC 54 alterou o art. 12. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade).Quase nacionalidade (art. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. se não se manifestarem contrariamente.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização.Diferenças de tratamento 128 . É geralmente adotada por países que estão em formação. desde que haja reciprocidade. I. II) Naturalização expressa (art. Refere-se aos brasileiros naturalizados. os pais têm que ser brasileiros. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. o filho terá nacionalidade brasileira. 227. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). II) Jus Sanguinis: ascendência. I. a). Quando a pessoa é nascida no Brasil. terá naturalidade brasileira. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. 12. estrangeiros residentes. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. I. 12. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Se o casal estiver a serviço de outro país. . CF/88. considera a nacionalidade dos pais. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Refere-se aos brasileiros natos. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. por uma questão de soberania nacional. de acordo com o art. b). Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. 12. Obs. não haver condenação penal e requerimento do interessado. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. c. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. É o caso do Brasil. . Pelo critério funcional. art. Neste caso.815/80. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 12. De acordo com o critério sanguíneo. não há direito público subjetivo. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. há direito público subjetivo do estrangeiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . §6°. adquirem a nacionalidade do país onde residem.

o brasileiro será julgado pelas leis de outro país.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. .segurança nacional: oficial das forças armadas. CF/88). Expulsão: consiste na retirada a forca. . XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. em razão da superioridade da Constituição. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. portanto. Mas. confundir a súmula acima com a seguinte. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. não se poderá invadir esse estado. b) 6 assentos do Conselho da República (art. Não se pode. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. ou que tenha filho brasileiro. A deportação está mais próxima da expulsão. 89. em razão da soberania nacional. Já na entrega.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. . no entanto. só poderá ser extraditado: . 5°. vice. cria-se um problema de relação internacional. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. CF/88): 129 . presidente do SF. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. 65 da lei 6. d) Extradição (art. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Os critérios utilizados são: . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. §3°). Princípios relacionados à extradição: . Mas. . LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. No caso de brasileiro naturalizado. do território brasileiro. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 12. XL. . STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. dependente da economia paterna.815 (ato nocivo ao interesse nacional). presidente da CD. §2°. 12. §4°. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Importante analisar a Súmula 421. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. Se o estado desrespeita essa regra. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). 5°. .Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. Na extradição. 5°.Perda da nacionalidade (art.linha sucessória do presidente da república: PR. a ela aplica-se a súmula 1.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. 12.

Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. é o direito de votar (e não de ser votado). Direitos Políticos: . pelo CN. 14. o sufrágio censitário (ex. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). Além dessas características do voto. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. Características que o voto possui no Brasil: . com a realização de eleições periódicas. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. inclusive sendo cláusula pétrea.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.tem valor igual para todos: “one man. é o direito político em si. com uma única exceção: art. A CR/88 adota o sufrágio universal.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. Para JAS. salvo nos casos das alíneas a e b. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. . na forma da lei (que ainda não existe). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. Servem ao controle do próprio direito. §1º. . ou seja. .: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). . nacionalidade e alistamento. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. que exige uma alternância de poder. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. perderá a nacionalidade brasileira. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). voto é o exercício desse direito. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. 130 . one vote”.é periódico: essa periodicidade do voto. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. e não requisitos preconceituosos. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. salvo se por meio de ação rescisória. one vote” – “one person. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. caput). No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. São requisitos apenas técnico-formais. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. 14. §1º). 81. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga.é direto: é a regra. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.

se houver reciprocidade (art. trata-se de lei ordinária. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. Mas o §9º do art. é o direito da pessoa ser votada. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. 14. . a inelegibilidade em relação aos militares (art. domicílio eleitoral na circunscrição. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. 14. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. assim. Quando a Constituição fala apenas em lei. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. etc. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária).☺§3º. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. §1º). os inalistáveis são os estrangeiros. §5º . São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). Ex. 12. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. 14 traz um questionamento. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. 14. §7º . em caso de reeleição. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. Além dessas condições relativas à idade mínima. ou seja. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. no caso do art. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). 14. 14. . §3º.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. Assim. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. ou seja. ela é adquirida progressivamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. que geralmente admitem desincompatibilização. Primeiramente. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. então. filiação partidária. dentistas. salvo se já titular do cargo. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. até que se atinja a plena cidadania. 14). é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). no governo de SP). §3º? Segundo o STF. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . do art. §8º). Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado.é conhecida como inelegibilidade reflexa. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). ☺ar. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). No Brasil. com exceção dos portugueses equiparados. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). 14.

Com base nessa distinção. portanto. Todas as outras hipóteses do art. 5º. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. não há como readquirir os direitos políticos). adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. 132 . IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Kildare. e quanto a isso não há divergência doutrinária. A doutrina (JAS. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. seus parentes também poderiam ser candidatos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). 15 (incisos II. VIII). 15. 15. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. mas o prof. nos termos do art. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. o prof. I. é algo temporário. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. III e V) são hipóteses de suspensão.

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