Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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muitas vezes é necessário ir contra a democracia. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. e que se encontra acima dos detentores do poder. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. assim. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. no fundo. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. enfeixado na Constituição. e. Partindo. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. numa terceira acepção possível. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. como sociológica: “em termos jurídicos. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. do estado e das instituições democráticas. em sentido jurídico. a defesa da Constituição. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. então. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. Kildare Gonçalves Carvalho. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. E para isso. Tem-se utilizado. como o inglês. Numa segunda acepção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. o americano e o francês. mas também de outros assuntos. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. sociologicamente. o local e a época. em especial limitar o poder arbitrário. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. 4 . tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. O conceito de constitucionalismo transporta. uma teoria normativa da política. por seu turno. reporta-se a um sistema normativo. Numa vertente mais restrita. É. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. os fins socioeconômicos do Estado. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. Neste sentido. um claro juízo de valor. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. mas proteger direitos. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais.

no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. (Livro do Alexandre de Morais). Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. integram-no. Foi a mais avançada forma de governo. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. • Princípio do governo limitado. 2. em 1791. b. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). a partir da Revolução Francesa. Estabelece as regras do jogo político. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. quem. se contrapõe ao absolutismo. Garantia jurisdicional. Hoje. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. c. Como ressaltado por Jorge Miranda. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Roma: idéia de liberdade. ii. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. após a Independência das 13 Colônias. • Separação dos poderes. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Influenciaram o direito francês e americano. e da França. desde logo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. em 1787. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. b. Grécia antiga: democracia constitucional. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). porém. como e até onde pode mandar. a. Inglaterra: rule of law – governo das leis . A democracia é a representação da vontade da maioria. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Foi uma retrospectiva do direito Grego. fases pelas quais passou a constituição. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Governo limitado. 1. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). ii. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Estado Hebreu: estado teocrático. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Por isso. d. Foi a 1ª experiência constitucional. Atribui competências aos três poderes. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791).surgiu em substituição ao governo dos homens. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder.

a maioria da nação. Constituições da democracia marxista ou socialista. Constituições de países subdesenvolvidos. Separação de poderes. aplica-se a analogia. ligada à idéia de liberdade. Novas idéias foram surgindo. PE e PJ). No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. b. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. os costumes 6 . Garantia de direitos. estabelecidos pela Constituição. O ser humano é um fim em si mesmo. Todos os poderes constituídos (PL. Segundo a tradição francesa. Idéias principais: i. A partir dessas novas idéias. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. 4. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. as quais são denominadas por pós-positivismo. foi o Abade Sieyès. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). diretrizes. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. 3. c. d. havia regras. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. XIX. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). ou seja. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. c. Eram apenas uma diretriz. as constituições tinham caráter mais político. Constituições da democracia racionalizada. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. XX). que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Rússia. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. estabelecendo diretrizes. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. ii. b. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Constituições da democracia social. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Hoje. na época das Revoluções Liberais. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. a. direitos fundamentais. Começou a se falar em um direito moral. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Força normativa da constituição: antes. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. sem força vinculante. estarão subordinados a ela. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo.

Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Hoje. Para Paulo Bonavides. Universalização.  Aplicação direta da constituição. o judiciário aumenta sua força. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. verticalização.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. c. etc. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. pois esta é a concretização de um princípio geral. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Solidariedade. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Na jurisprudência do STF. fidelidade partidária. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Continuidade. Consenso. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. é o juiz. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. os princípios. de uma forma geral. Os princípios. que é aplicada mais às regras. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. aborto no caso da acrania. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. d. 7 .. Participação. Constitucionalismo do futuro. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. • • 5. é o judiciário. g. etc. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Verdade. Na Itália. cotas em universidades. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. e. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Entre uma regra específica e um princípio geral. união homoafetiva. Mas essa é uma posição muito radical. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Ex. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. mas quem dirá o que ela é. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. f. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. b. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Teoria Concretista Geral. aplica-se a regra específica. Para Barroso. Quando o legislativo é fraco. há uma euforia dos princípios. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Ele atua como legislador negativo e positivo. demarcação de reservas indígenas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. espuma do chopp. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila).  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Hoje. Eles são importantes. Integração. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Não se aplica diretamente a constituição. A aplicação da norma se dá pela subsunção.

“ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. CR) e. Como regra. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Act of Settlement de 1701.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Compact (1620). Vale dizer. 1º. então. CR. Fundamental Orders of Connecticut (1662). a participação. de soberania popular. CR). segundo o art. II e III. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). 14. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Assim. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Podemos falar. pertinentes. de forma expressa. por intermédio de seus representantes. O titular do poder é o povo. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Petition of Rights de 1628. Contratos de colonização. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. nos termos desta Constituição”. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . 46. Bill of Rights de 1689.U. Habeas Corpus Act de 1679. que são os deputados federais (âmbito federal). o P. 1º da Lei 9. a verdade. I. dá-se através dos representantes do povo. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Carta outorgada por Carlos II (1662). Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). de acordo com o art. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). verdadeiro sistema híbrido. o exercício deste poder. com valor igual para todos. a continuidade. nos termos deste lei e das normas constitucionais. mediante: plebiscito.709/98 (que regulamentou o art. cujo titular é o povo. caput. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. portanto. referendo e iniciativa popular”. a solidariedade. que. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). do art. concretizando a soberania popular.

mas materialmente distintas. As leis constitucionais são todo o restante. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. A conferência realizada por ele. ou seja. portanto. têm a mesma forma de elaboração). conforme o prisma de análise. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Esta é a concepção que hoje prevalece. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. os direitos fundamentais. Segundo ele. como por ex. Constituição e leis constitucionais são. que adota o conceito decisionista de constituição.. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. 1°. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). caso contrário. para ele. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. é vinculante e obrigatória. na política ou na filosofia). a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. PL. Para entender tal concepção. o restante. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. quando não corresponde à Real. ou seja. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. que surgiram com as constituições mais prolixas. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. Esta concepção atualmente é inadmissível. mas apenas leis constitucionais. Essas normas são programáticas. a que Carl Schmitt chama de Constituição. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. 242. na sociologia. → Segundo Hans Kelsen. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. Toda a Constituição. §2º. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. o caráter normativo e vinculante da Constituição. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. a Constituição é norma pura. O art. com exceção do Preâmbulo. PJ. não passaria de uma simples “folha de papel”. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade).: art. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. A Constituição Escrita. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 .

a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. a Constituição tem sim fundamento sociológico. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. Gilmar Mendes). e também jurídico. não introduz nenhuma novidade. . Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e.Povo. condicionante desta mesma cultura. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é).Finalidade. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. todos os setores da vida social. define tais elementos estruturais. . é: todos devem obedecer a Constituição. qual seja. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. 10 . é uma norma pressuposta. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário.Território.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). por isso não tem nenhum expoente específico. é um elemento conformador. segundo esta concepção. modificando-a. portanto. . não está escrita. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). posta pelo Estado). É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). é a Constituição escrita (CR/88). ao mesmo tempo. ela não existe na realidade. mas que trata de todos os aspectos. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. Seu único comando. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Ou seja. A CR/88. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. é apenas uma pressuposição. quais sejam: . . neste sentido.Soberania.

A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). não surge de uma só vez em um só momento. como por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. 1937. pelo agente revolucionário (grupo ou governante).: as constituições outorgadas recebem.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. e como é bastante prolixa. surge em um só momento. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. a constituição não se torna democrática. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. tem também vários documentos escritos. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. promulgada. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte.outorgada: é a constituição imposta.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. a Constituição Inglesa. toda Constituição histórica é costumeira. Por isso mesmo. Obs. pois toda constituição é escrita e não-escrita.dogmática: sempre escrita. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional).democrática. por alguns estudiosos. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). . como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). de maneira unilateral.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. o apelido de “Cartas Constitucionais”. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. 1967. é fruto das idéias.. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. ou variadas): ex. votada. . . É uma aprovação simbólica). há pouco espaço para se ter costumes como regras. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). 3) Quanto à origem: . de uma só vez. . quem vota a matéria são as lideranças. Nesse caso. 11 .não codificadas (ou legais. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. trata-se de modalidade anacrônica. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Ex. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. No Brasil. podendo ser: . Constituição Espanhola/1930.. consuetudinária (não é escrita).escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. por ex. as constituições outorgadas foram as de 1824. .

Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. passou a haver hierarquia entre as normas. É uma constituição em sentido material. .: a Constituição dos EUA).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Como se submete a esse tratado internacional. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. . É uma constituição em sentido formal. 1º. São chamadas também de clássicas. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. (Obs. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. . sendo assim.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. portanto muito difícil de serem modificadas. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. Por este motivo. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional).imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Não existe controle de constitucionalidade das leis. . O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . ou seja.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Ex. . 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. como é o caso da CR/88. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . Constituição Inglesa. CR). Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Ex.: art. sucintas.fixas: não poderiam ser modificadas. sem se preocupar com os detalhes. É uma classificação típica das constituições costumeiras.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. deixou de ser considerada flexível. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. inclusive a CR/88). mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Em 2000.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Ex. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.) . por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. mas sim o processo mais dificultoso.

QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Canotilho. pois valem a todos os entes federados. dogmática. Não-escritas (inorgânicas. democrática. Fixas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. básicas ou clássicas). dogmáticas. formal. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Ecléticas. Democráticas (populares. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. porque é fruto de várias ideologias. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). sucintas. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. Flexíveis (ou plásticas). mas sim uma obrigatoriedade!). Característica das constituições clássicas. como por ex. costumeiras ou consuetudinárias). 3º. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Constituição programática (ou dirigente).: art. . Pactuadas (ou pactuais). rígida (ou super-rígida).: art.: a CR/88 é ainda Eclética. sumárias. OBS. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). que traça os objetivos da República Federativa do Brasil).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. o União. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. votadas ou promulgadas). • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. o Estados.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. o Municípios. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. codificada. CR. 13 . Ex. que surgiram com um objetivo pré-definido. e não de apenas uma ideologia. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). É a CR/88. Rígidas. (processo legislativo). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Históricas. Constituição em sentido formal. prolixa. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. União. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. o DF. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. 59 e segs. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita.

Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. uma Constituição só possui relevância sociológica. encontram-se as normas constitucionais originárias. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. Para que exista supremacia formal. estaduais.343/SP. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. CR). O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. a Constituição. ordinárias e complementares).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. basicamente. que a CR/88. MP. 59. porque os princípios têm maior amplitude. tem de ser. Importa dizer. 5º. direitos fundamentais ou não. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. por ser rígida. distritais e municipais. as leis delegadas. No entanto. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. Leis Delegadas.: decretos e regulamentos. 59. No topo. princípios ou regras. cujo fundamento de validade são as leis e. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. as derivadas (art. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. as medidas provisórias. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. obrigatoriamente escrita. 59. DL e Resoluções – ☺art. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. §3º). LC. a Constituição tem que ser rígida. por 3 níveis hierárquicos. se tiver também supremacia formal. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. que existem como complementação dos ANP). II a VII). o indireto. para fins de controle de constitucionalidade. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. enquanto as regras são mais específicas. sejam elas originárias ou derivadas.

Cabe controle de legalidade (discussão incidental). 47 é a regra geral. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental).☺Art. 69. Residual. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Não varia. que regula a LC. No caso da prisão civil por dívida. OBS: O art. 69. MPs. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. a previsão constitucional exige complementação. Anotar como complemento posteriormente. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO).  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Quando não exigir LC. Lei ordinária Art. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. é sempre o mesmo número ☺Art. 47.status constitucional. Portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Leis delegadas. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Essa aprovação não é obrigatória. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Reservada pela CR/88. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Por ser uma matéria reservada. por uma questão de economia legislativa. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .☺Art. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. mas somente uma recomendação. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. No entanto. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade.

22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Hierarquia entre Lei Federal. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. não cabe ADIN. como o controle exercido será de constitucionalidade. 25. 21. 16 . a competência para resolução é do STF. d. III. CR. Havendo conflito (ex.: lei estadual trata de matéria de competência da União). se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). no caso de repartição vertical. assim. Assim. • União – ☺Arts. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. ☺Art. E. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. 30 (assunto de interesse local). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. conforme previsto no art. pois não está ligada diretamente à Constituição. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. DF). não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Parei aqui. Assim. 102. • Estado – ☺Art. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. há hierarquia. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ).

A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. os TI de direitos humanos. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. etc. quando são equivalentes às EC. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. contudo. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. Tirando o preâmbulo. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. seja uma norma de referência para ele. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. deve estar inserida no texto da CR. b) Parte permanente = normas gerais – arts. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). visando assegurar a supremacia da constituição. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. como para Canotilho. . 17 . c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. . mas também o preâmbulo. é diretriz hermenêutica. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. tem função interpretativa). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Como não tem caráter normativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. o CDC. portanto. Não existe. Refere-se.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Abrangeria não somente a constituição.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Assim. . Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. ou seja. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). Com a EC/45.

61. . ou seja. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. Não Auto-executável. 3. A omissão parcial nada mais é que uma ação. Ex. ocorre. 154. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. pois.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. I – que exige LC para instituir impostos residuais). §1º. mas caberá ADIN por omissão). 3.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Ou seja. MI. Pode ser: .Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. as Súm. não pode ser suprido pela sua sanção).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Formas de Inconstitucionalidade: 3. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. AIO. o Min. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). 5° a 17). 5. quando não é respeitada uma norma de competência.: competência privativa do PR (☺art.de princípio institutivo (Obs. se considerar em relação a uma expressão é total. art. às vezes. 18 . a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. No STF. ou seja. não será cabível mandado de injunção. . e Não Bastante em Si. STF não é mais aplicada. (Obs.de princípio programático. Dependem do prisma de observação. aliás. Ex. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. 4 e 5. Não Auto-aplicável. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Assim. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Aqui. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. mas o prof. 3. ADI. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. ADC e ADPF. Obs.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). há uma divergência na doutrina. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Assim. CR). Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.: a Súm. Ex.

reflexamente (ou de maneira 19 . já sendo inconstitucional desde a sua origem. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. Relaciona-se. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. Assim. o decreto se torna inconstitucional. ou seja. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. não pode ser retirada). a inconstitucionalidade será direta. de ofício ou a requerimento da parte. pois. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. b. não se trata de revogação. Para o prof. refere-se.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). que se ligam indiretamente à constituição. atos previstos no art. 59. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Obs. § 2°). a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. No caso da lei. 66.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. ou seja.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.: a palavra “não”. e grande parte da doutrina. aos Atos Normativos Primários. Pode ser: b. no controle concentrado abstrato.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. todo parágrafo. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. que só pode atingir todo artigo. pode ser questionado. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Ex. No caso do decreto. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. toda alínea ou todo inciso (☺art. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). não podendo incidir sobre parte do dispositivo. como altera sentido do texto. Segundo STF. decretos regulamentares. a inconstitucionalidade será indireta. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. Quando se fala em inconstitucionalidade. Se o decreto é ilegal. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. 3. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. CR. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. ato originariamente constitucional. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Ex. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP.

a inconstitucionalidade será direta. CR. . O veto tem que ser expresso. 60 parag 4. mas sim analisar cada caso concreto. porque o chefe do PE. Obs. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. porque ele é o único que participa do processo legislativo. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. O veto é relativo. assim. que se exerce através do veto (☺art. segundo o STF. prevenir que a CR seja violada. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. por isso ocorre antes da promulgação da lei. já que de maneira indireta. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. não pode impetrar o MS. quando ele participa do processo legislativo. como pelo PE e PJ: . EX:art. por isso aqui não há que se falar em controle). se ele entender que o projeto é inconstitucional. embora participe do processo legislativo. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. .: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). ela não está violando o direito de ninguém). viola o art. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. 66. inciso ou alínea). 66. portanto.sancionar.ou concreto. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. No 1° caso. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. O chefe do PE. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. Art. porque o ato não fere diretamente a CR). já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. promulgar e fazer publicar as leis. OBS: não adianta decorar o nome do ato. IV . parágrafo.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. a inconstitucionalidade é indireta.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). tem fundamento de validade indireto. Trata se de um controle incidental. pois pode ser derrubado (☺art. é fundamento de validade direto e no 2° caso. §2º.. ele não precisaria impetrar o MS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. CR). não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). Caso contrário. o projeto 20 . mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. O único legitimado para impetrar esse MS. IV. é excepcional. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). mas uma mera análise política. 84.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. 84.

Leitura do livro do Lenza (pág. interpretações regimentais. o PR elaborará então a LD. tendo como objeto esse Dec. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. não lhe cabendo. Assim. se está no Senado. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. Se o projeto tramita na CD. No entanto. ADC ou ADPF. os direitos e garantias individuais” – ou seja. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. Questão: o PR. desta feita. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. muito embora não sejam formalmente constitucionais. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. que entende que “. já que trata-se de um ato normativo. 60. por maioria de votos. 21 . na qual o projeto esteja tramitando. ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). 68. vinculam os atos e procedimentos legislativos. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). universal e periódico. pois não se trata de ato normativo. ou seja. aos direitos fundamentais”. o Senador.. na linha do voto de Gilmar Mendes. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. constituindo-se normas constitucionais interpostas. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. CR. o voto direto. e as normas do RI são questões interna corporis). que. em um primeiro momento. mormente. vedando-se. se na Assembléia Legislativa. as cláusulas pétreas. mas um processo legislativo constitucional. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. Ademais. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. V . Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. etc. Na verdade.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. a separação dos poderes. V. contudo. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. 168): o STF. secreto. §4º. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. 49. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. a fim de repará-la. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). Legislativo? Sim. pode ajuizar uma ADI. somente o Deputado Estadual. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. que é o chamado Decreto Legislativo.. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas.

Gilmar Mendes. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. ajuizar uma ADI.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. segundo o STF? Resposta: em regra. Legislativo para sustar.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. nesse caso o CN pode editar um Dec.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. quando. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. . não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. clara e evidente – ou seja. Ele será. O chefe do PE (e só ele – PR.. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. é necessário fazer-se um controle repressivo). STF: o Tribunal de Contas. no exercício de suas atribuições.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. Antes da CR/88. pode o PJ analisar tais pressupostos. esse rol foi ampliado. por ex. CR). 4. tampouco que o PR. Após a CR/88. mas segundo o Min. Não se analisa o mérito da MP). pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. II) art..084).Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. O TC é órgão auxiliar do PL (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. Assim. não havia relevância alguma). os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. o chefe do PE teria que. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). GE. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). Obs. Desde já. IV. ou seja. mas tão somente aos prefeitos. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. ela deve ser objeto de controle. através da edição de um Decreto. ao negar cumprimento à lei. porém. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. pois. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). simultaneamente. ao fazer um Decreto Regulamentar. 84. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. CR). já no STJ não há qualquer ressalva. 62. não é um entendimento consolidado. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . . nesse caso. No entanto. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado.. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. III) Súmula 347. Apenas excepcionalmente. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). 71. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). exorbita os limites do Poder Regulamentar. estudado de forma detalhada a seguir.

e é adotado pela maioria dos países europeus. porque significam coisas diferentes!).3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. Por isso. em se tratando de lei nacional.: França – que tem o Conselho Constitucional. já na CR/88. Obs. Por isso. o controle é feito pelo PL. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. quem exerce o controle é o PJ. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). mas das espécies de controle. haviam sido feitas apenas 16 EC. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).A. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. No Brasil. 1792 Hayburn s case. isso não é verdade. É também chamado de controle aberto. porque surgiu na Áustria. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão.: na Suíça. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. inclusive o STF). órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). 4.Hilton x U. dentro de sua competência. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. em 1803. difuso e concentrado).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional.S. com 19 anos de Constituição. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. porque surgiu nos EUA. para não gerar essa confusão. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. já foram feitas 56 EC! 23 . Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. Primeiro caso. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. em 1920 (bem depois do controle difuso). ao mesmo tempo. interessante: em 1965. que completa este ano 20. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). Segundo caso. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). ou seja. Ex. se se tratar de lei local. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88).

A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. também não podem ser objeto de controle abstrato. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. Com base nesse argumento.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Por isso o Min. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. já não ameaça mais a supremacia da constituição. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). A análise da lei sempre será feita em tese. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. sendo o controle 24 . mas deve ser estendido ao controle concreto). A finalidade não se confunde com a competência. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. 97. nos EUA chamado de “Binding Effect”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. se fala em efeito vertical. ou seja. No Brasil. (O STF é o guardião da CR – art. O efeito vertical. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. e a partir desse antecedente. ou tendência de verticalização. Da mesma forma. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Este efeito é típico do controle abstrato. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. o principal defensor dessa tendência é o Min. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. 102. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Gilmar Mendes. por ser uma relação vertical. mas tão somente de controle concreto. No direito brasileiro. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. é proteger as normas da CR. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. porque em estando revogada. Segundo este instituto.

no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. X. em seu voto. que deu provimento à reclamação. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). do PL. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Na decisão do STF. e não erga omnes.335/AC).917/SP. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Por fim. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. 52. não permite essa mutação). A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. sendo acompanhado pelo Min. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. então não sabemos a posição dos demais ministros. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Outra situação interessante foi o RE 197. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Eros Grau. não uma simples mutação. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. ou seja. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. No Legislativo: Mas. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Então. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. ainda. tendo efeito apenas inter partes. Gilmar Mendes.959/SP. Gilmar Mendes (e também o Min. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). No Acre. Assim. Pois no controle difuso. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. 4. O Relator da Reclamação foi o Min. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. viola o princípio da igualdade. sem que ocorra modificação no seu texto. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. E. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. ou seja. CR. Assim. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. ou seja. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Gilmar Mendes. o Min. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. o direito de greve dos servidores públicos. em ocorrendo isso. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Por fim. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Então o Min. pelo menos por parte de alguns ministros. houve decisões proferidas em 3 MI (712. 25 . Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. se assim fosse. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). segundo ele. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Antes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. como a decisão tem efeitos inter partes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. ou seja.

julgando-o procedente ou improcedente. No controle concreto. é uma questão incidental. pois tem o papel de guardião da Constituição. por sua vez. fundamentação e dispositivo. (☺ Lei 11. não é o objeto principal do pedido. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. o que se dá no “plenário virtual”. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. 103-A). a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . social.417/0 e Lei 11. ou seja. eles não se reúnem fisicamente. mas apenas a causa de pedir (antecedente). Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. por estarem mais próximos dos indivíduos. não precisam chegar até o STF. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Contrários a essa tendência de abstrativização. não cabe ao STF analisar. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. não tem natureza processual como as súmulas comuns. A súmula vinculante tem natureza constitucional. O papel do STF não é julgar litígios individuais. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. estão os procedimentalistas. somando-se os votos de todos eles. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. Segundo Eduardo Appio. político ou jurídico. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. Num segundo momento (conseqüente). 102.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. é um instrumento de controle concreto e há. 26 .art. § 3°. a rigor. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes.418/06). O RE. analisado no dispositivo (conseqüente). concorda com isso). A repercussão geral (art. atualmente.

102. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. 28. art. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.882/99 – ADPF. mas tão somente a ratio decidendi. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .: . Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. Sendo assim.Lei 9.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. não determinantes para a decisão) não vinculam. P. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.EC 45/04: art. ou seja.I. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado.U. conforme está previsto no caput do art. 5.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . a razão determinante da decisão. Ademais. a chamada eficácia vinculante.vinculante. questões ditas de passagem. e ele se encontra no Dispositivo. mas também à fundamentação. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. secundárias do julgado.Lei 9.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . sejam particulares. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. .erga omnes . eles também são vinculantes. . art. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. 10. há previsão não só na lei como também na CR). §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). Dispositivo L. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.868/99 – Lei da ADI e da ADC. 27 . . 102. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. sejam poderes públicos. §2º. .

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . mas sim fiscalizatória. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. outros dizem ser nulo. . estes estarão sim vinculados). Só atinge a norma impugnada. que se quiser.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. pois atinge apenas o dispositivo. É um entendimento que vem desde 1. impedida de evoluir).o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. se as leis devem ser cumpridas. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. Respeitando o efeito vinculante. até que o PJ a declare inconstitucional.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. No entanto. . inclusive os chefes do PE. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. estadual e municipal).: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. mas os sistemas de preclusão processual. . Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. cuja função não é legislativa. . Atinge a norma impugnada + normas paralelas.o PL (na verdade. já os órgãos fracionários do STF. também fica vinculado). e outros dizem ser um ato anulável. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. suas turmas e seus ministros.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. inclusive o Tribunal de Contas. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. 28 . pode modificar seu entendimento. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. (20/03/09) 5. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. segundo o prof. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. . a função legislativa). como a coisa julgada. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). Por este entendimento. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. mesmo que não tenham sido impugnadas. no caso Marbury x Madison). Obs. por sua vez.

não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. 27). portanto. decidiu que. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. por questão de segurança jurídica.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. como regra é retroativo: ex tunc. no caso do controle abstrato. 27. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. . Exs. os efeitos são erga omnes). por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros.112/90.)”. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. Visto a natureza do ato inconstitucional. porque o ato é nulo desde a sua origem. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. portanto. Assim. autor e réu. como os servidores agiram de boa-fé.). assim.” . incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). não precisariam deixar os cargos. não admite a “constitucionalização superveniente”. etc.868/92 (art. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. com seus normais efeitos ex tunc. Ou seja. O STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. o STF. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. com inteiro teor).. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. e não no de não-recepção). as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Mas. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração.Normas anteriores à CR. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. o Min.882/92 (art. que revogou a Lei A. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade.. 11). um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. Lei 9. ☺RE 197. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . . poderá o STF. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. Neste caso. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. ou 2) excepcional interesse social. como a Lei 9. o efeito que produzirá. ☺art.

portanto. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). CPP. 134.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.Corresponde a um juízo de . Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). para que este corrija a norma. .: a norma x tem dois significados possíveis. 5. constitucionalidade. mas nem sempre. mas. era uma questão “obter dictum”. reproduzida pelo STF). portanto foi recepcionada. depois de ter sido recepcionada.2: art. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. (A norma já passou pelo crivo da constituição. pelo MP – a competência é da DP e não do MP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. que trata da ação de reparação ex delicto. CR x art. com condições de trabalho iguais às do MP. quando todos os Estados tiverem DP. Em alguns casos. ela progressivamente se tornará inconstitucional). é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. Ex. Segundo o STF. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. mas sua interpretação). e a norma já foi recepcionada pela CR e.Corresponde a um juízo de . portanto. de fato. um significado A e um B. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. não foram todos os ministros que se manifestaram). assim. Ex. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. ex. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. à medida que a situação fática for alterada. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. com um só sentido). mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. o resultado será o mesmo.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . controle difuso-concreto. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. 68.O Tribunal não precisaria 30 . quanto . Assim. o prof. . entende-se que a norma (B) é inconstitucional.O Tribunal precisaria observar . a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. chamada “Apelo ao Legislador”. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. evitando a inconstitucionalidade progressiva.

1º e 3º. . Obs. do art. . o juiz não pode. se for um dispositivo autônomo. portanto. observar a cláusula da reserva de plenário (*). no controle concreto.É permitida uma interpretação e. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. são excluídas as demais. . em razão do Princípio da inércia. Assim. 2º.Não há qualquer modificação no texto da norma.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. 3º. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . de ofício. .1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. b) Com redução de texto: b. mesmo que não tenha sido questionado. 1º e 3º e. ou seja. se o art. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. como ambas são equivalentes. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. o juiz pode.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. 2º. não podendo. 1º ou do art.É uma técnica de decisão judicial. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. em regra. se manifestar de ofício sobre o art. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. nem sobre os demais. em princípio. portanto. b. . que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). Ocorre que. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. no controle concreto. total ou parcialmente. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Trata-se de controle abstrato. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. por arrastamento. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. o texto da norma.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). dentro de uma mesma lei). desde que não altere o sentido do restante da norma.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. declarar a inconstitucionalidade. no controle abstrato. 2º for dependente do art. da Lei x. e são permitidas as demais. não poderá.É excluída uma determinada interpretação. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. de ofício. ser objeto de ADI. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. 97). . se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. Na declaração com redução de texto. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. esta só se faz necessária quando se afasta. O STF. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 2º. a cláusula de reserva de plenário. (*) Para o STF. ou todo o artigo.

Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. mas também quando há usurpação da competência do STF). porque. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Neste caso. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. todo controle difuso é concreto. Ou seja. julga também inconstitucional o decreto. O pedido será a proteção de direitos. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. já que o STF pode. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. dentre elas a ACP. pois será uma questão discutida incidentalmente. mas é que esta não é necessária. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. Assim. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. neste caso. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. julgará procedente ou improcedente o pedido. Ex. de ofício. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. apesar de sozinho não ter aplicação. Obs. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Contudo.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. ACP para fechamento dos bingos. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Mas nem todo controle concreto é difuso. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. portanto. e por arrastamento. O dispositivo. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. portanto. ADCe ADPF). mas apenas a causa de pedir. Sobre o tema: 32 . No Brasil. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade.

desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). que é função legislativa. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. por exemplo. porém.. Os juízes singulares podem. 97. desde que. por entendê-la inconstitucional (inter partes). no caso. de efeitos concretos. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. não pode ser delegada. que é função política. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 294. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. o que só se pode obter por meio de ADI. no âmbito dos Tribunais. as chamadas leis de efeitos concretos. STJ ☺ RE 227. na prática. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). 93. No tocante. elaboração de Regimento Interno. Nada impede.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. dotada de caráter de universalidade e abstração”. é função possível de ser delegada. Assim. Em outras palavras. por meio da ACP. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). por ex. Assim. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. conseqüentemente. os Tribunais não têm admitido que. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. 557. teremos uma lei material. ☺art.159. STJ ☺ Resp.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. assim. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. porém. 33 . Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. em defesa de contribuintes. Assim. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. também não pode ser delegada). pois. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. Regra da “full bench”.022.646. Segundo esta cláusula. XI – órgão especial: para que seja criado. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. que é mais de 50% dos presentes).: eleição do Presidente do tribunal. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. e no mínimo 11 membros. 97. porém. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial.

O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. podendo decidir o caso concreto. se entender que a lei é inconstitucional. abstratamente. se existir no Tribunal. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Há uma repartição funcional de competências. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. a argüição de inconstitucionalidade (. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. será lavrado o acórdão. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). analisando se a lei é ou não compatível com a CR. 97. Há quem critique tais exceções. P. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. O professor não concorda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. sob o argumento de que o dispositivo (art. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF.. sabe-se que o STF é o guardião da CR. Decidido o antecedente. se for acolhida. ou em caso de interpretação conforme. no entanto. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. CPC) seria inconstitucional: o art. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. ao órgão especial). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). 481. 34 . Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. ☺art. prosseguirá o julgamento. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário).. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. como guardião da CR. 481. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). de acordo com o posicionamento do STF. porque para o STF ambas são equivalentes. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Exceções: P. . Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição.U. Quanto à 2ª exceção. Assim. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. assim. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. pela maioria dos seus membros. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ.U..

A suspensão se dá através de uma Resolução. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. O SF apenas suspende a lei. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. o SF não pode suspender toda a lei. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. entendem que se trata de um ato discricionário. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. portanto. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. como se tratasse de uma revogação. 2) Outros autores. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Ou seja. bem como ou STF. quando isso ocorre. trata-se de uma competência exclusiva. em regra. 35 . passa a ter efeito erga omnes. que não pode ser retroativa. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. ela se refere à decisão do STF. 52. A cláusula vale também para o controle concentrado. por isso o faz dali em diante. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. ou seja. art. que não comporta delegação. X. RISTF. O SF não é obrigado a suspender. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. a lei deixa de ser aplicada. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. Quando o SF suspende a lei. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. CR – compete privativamente ao SF suspender. se assim o fosse ela já seria vinculante). não estando vinculado à decisão do STF. no todo ou em parte. Na verdade. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). É o entendimento mais correto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. Ademais. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). a decisão do STF. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Outros autores. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Efeitos. 178. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. esta decisão deve ser submetida ao plenário. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. O STF já admitia essas duas exceções. sustentam que o efeito é ex tunc. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato.

já que o SF não atua de forma correta. esta norma não é de observância obrigatória. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). cujo modelo. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. O SF. esse entendimento é desejável. pela simetria deve ser atribuída ao governador. Na ADPF este fenômeno também é possível. Nas situações em que o TJ julga. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. ou seja. 66. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. por ser um órgão do PL Federal. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. no controle difuso-concreto. 61: iniciativa do presidente. a partir do momento que resolve fazê-lo. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. se toda a lei foi declarada inconstitucional. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . não havendo a necessidade de suspensão da lei. Art. É uma construção da jurisprudência do STF. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. Ressalta que a letra da norma (art. §4°. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. 57. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Segundo o professor. a resposta é negativa. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. sendo norma de observância obrigatória. um RE para o STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. não se referem ao âmbito estadual e municipal. obrigatoriamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. em razão do princípio da simetria. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. normas referentes ao TCU. Gilmar Mendes. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. se for apenas uma parte. 59 e segs. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. deve-se recorrer ao entendimento do STF. CR: prevê o escrutínio secreto. LC. Neste caso. etc. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). requisitos para a criação de CPI. 178. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. Por isso. configuraria uma mutação constitucional. Art. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Mas. e se o STF. Quando se fala em decisão definitiva do STF. segundo o Min. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Segundo o STF. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. cabe. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. CR. já o SF não. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. LO. está fazendo uma análise. RISTF) – e isso é óbvio. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. mas. o que. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. CR) não comporta este entendimento. desta decisão proferida pelo TJ. 52.

visto que. do DF e até municipais. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. assim. só se aplicando ao âmbito federal). da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc.).: Lei 8. também. mas não trata apenas dos interesses da União. 19.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. não havendo. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis.: arts. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. É também uma lei emanada do CN. retirando a lei do ordenamento jurídico. 52. os que tratam do TCU. no controle abstrato (ADI. art. da organização da União. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). por isso pode suspender lei estadual e municipal. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. São os dispositivos que se referem tanto à União. estadual. porém. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. quando o SF atua. ele está atuando como órgão de caráter nacional. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. 37. Sabe-se. portanto. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. ADC ou ADPF). que deve ser observado no âmbito federal. Ex. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. por não existir uma federação de municípios. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. CR). Classificação de Osvaldo Aranha B. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal.: art. 58. está defendendo interesses apenas da União. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. X. como aos Estados. §3º.: CTN. o SF teria um número enorme de representantes).” Análise do enunciado pelo prof. estadual e municipal. pelo Senado Federal. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). etc. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. 59. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. no todo ou em parte. Ex. sendo específica para os servidores públicos civis da União. outros 37 . se aplicando ao âmbito federal. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. Assim. Ex. por isso pode suspender leis também dos Estados. Quando o SF atua como órgão federal. Ex. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. que dispõem sobre o processo legislativo (arts.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. a suspensão. distrital e municipal). Quando o SF suspende os efeitos da lei.

o enunciado acima transcrito está corretíssimo. no âmbito da AP Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. TO. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso.346.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. de 10/10/1997. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. adotou-se. Embora não haja consenso. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. 2º grupo: . no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. por força do referido Decreto nº 2. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. Com efeito. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: .346. visto que. Portanto. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). Poderá. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). não retroativos). é a Câmara Municipal.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. RN. os dois tipos são constitucionais. . 38 . MS. é a AL que suspende a lei. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. visto que. é sempre a AL que suspende a lei. declarando uma lei inconstitucional. Entretanto. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). de fato. na sua esfera de competência. porque o seu parâmetro não é a CR. da AP Federal direta e indireta. pró-ativos (ex nunc). em decisão definitiva. então. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Segundo o STF. SE e AM.

ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. obviamente. Como são ações de controle abstrato. ou na CR ou na lei. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. que são a União e os Estados). 39 . ☺Lei 9. tendo partes – autor e réu. mas sim legitimados. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.ADPF. ela é meramente jurisprudencial). a ampla defesa. Obs.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. 103. e . O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. a competência é do TJ). 4) Recurso da decisão de mérito. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). de acordo com essas leis. onde não existem partes formais (autor e réu). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). . e não do trânsito em julgado. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. Por se tratar de um processo de índole objetiva. 5) Ação rescisória. A Constituição. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. . Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. em seu art. deve haver a previsão da legitimidade.ADC.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. o duplo grau de jurisdição. não cabe.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo.

A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.Os GE. Obs. . confederação local: sindicato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. CS e ECAN.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. . a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. ou seja. segundo a jurisprudência do STF: . . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. . .A entidade de classe. Assim. para ter legitimidade.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. a partir de então. Executivo PR GE – GDF P. Os demais podem fazê-lo sem advogado. Para ter âmbito nacional. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).A norma do art. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. .S. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. .Confederação sindical significa de âmbito federal. confederação regional: F.

questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. sem interferência do PJ. .: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. decreto regulamentar. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .☺art. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. são questões próprias de RI.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. todas estão no mesmo nível. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 41 . Ex. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. geral e abstrato. OBS. a. 1º. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.: decreto regulamentar do PR. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. para ser objeto de ADC e ADI. .Norma formalmente constitucional . ou seja. Não serão objeto de ADI e ADC. admite-se o seu controle. pois geralmente está abaixo do decreto. Lei 9. I.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. o RI pode. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. por isso não é ANP). a. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade).: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. 102. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. caso o decreto emane diretamente da CR. Obs. nas normas que tratam de outra matéria). CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. ele poderá ser objeto. I. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. direitos e garantias fundamentais. como por ex.TIDH (3/5 e 2T) . 102. §3º . 5º.

pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. Assim. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. posteriores a 5/10/88. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. Obs. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Lei do DF não pode objeto de ADC. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. não ameaça mais a supremacia constitucional. 103. pois não produzem mais efeitos. salvo embargos de declaração. Gilmar Mendes e de um prof. devendo ser de todos eles intimado. ele vai atuar como fiscal da Constituição.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. O PGR atua como “custus constitutionis”. 103. só podendo ser objeto de controle difuso. se seu entendimento for diverso. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Atuação do PGR: ☺art. Mas. Função geral do AGU (art. Tem status de ministro de estado. A função do art. também poderá dar parecer em sentido contrário. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. poder-se-ia admitir o veto jurídico. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). ainda.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). da mesma forma na ADPF. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. 103. é preciso primeiro ser transformado em EC). pode ser qualquer ato do poder público. intervenção de terceiros e recursos. não pode ser objeto de ADPF: . §1º. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). se um novo PGR o substituir. 42 . de defensor legis. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. leis suspensas pelo SF. CR. e. portanto está subordinado ao PR. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual.leis revogadas.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Lembrar que não cabe assistência. Hoje. Atuação do AGU: ☺art. como está havendo uma influência de um controle no outro. § 3° é uma função especial. CR. na outra. STF). . o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. o STF admitiu. segundo o STF. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). No caso de emenda.Súmula. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. ainda que ele proponha a ação – ou seja. por analogia. sem exceção. §3º. medidas provisórias revogadas. .

§ 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). §1º e art. Cabe também na ADPF. por analogia. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). §2º da Lei 9. Foi introduzida pela Lei 6. Mas atenção: existe um outro instituto. 482. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. ☺ art. mas não têm nada haver com amicus curiae. §1º. 20. art. Amicus Curiae: Em uma tradução. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. de “defensor legis” e.868/99 vale só para a ADI. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. por fim. portanto.868/99 -☺art. A audiência pública está prevista na Lei 9. Quando o AGU desempenha essa função.884/94 (CADE). só vai contribuir para a decisão do tribunal. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Na ADI por omissão. A previsão expressamente contida no art. 7°. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. 31).868. 89. É muito comum nos tribunais internacionais. o AGU não será obrigado a defender a lei. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. . Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. §3º.868. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. em seu art. “amigo da corte”.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais.385/73 (☺ art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). 9. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 6º. 43 . Posteriormente. seria “amigo do tribunal”. Portanto. art.868. 7º.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Nesse caso. Importante: ainda que como Advogado da União. §2º e art. não há o que se defender. o das audiências públicas. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Mesmo sem previsão legal. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. nos estados que adotam a commum low. Está desempenhando uma função especial. 7º. sendo feita por toda a sociedade. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Ele não é alguém interessado na causa. disciplinou a figura. Não há previsão para a ADC e ADPF. A exposição dos motivos da Lei 9. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). §1º. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. Tem natureza de auxiliar do juízo. não precisará do AGU para defendê-la. a Lei 8. em especial no direito norte-americano. Na ADPF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Ela já existia antes. o AGU até poderia participar.

não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva.. Quando 44 . 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. admitindo ser intervenção de terceiros (C. (Obs. Obs. é um equívoco. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Para o prof. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Apesar de que era relevante. portanto. I. em despacho irrecorrível. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. É. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. . poderia afastar esta presunção. Foi uma exceção. . tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. Marco Aurélio não admitiu. cabe amicus curiae. ressalta-se que esta é apenas relativa. J. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. pois admitiu pessoa física em controle concreto. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. por ex. . porque iria envolver matéria em relação à vida. O juiz de primeiro grau.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Mas depois que a lei foi feita. M. R.Com relação à presunção de constitucionalidade. admitindo prova em contrário. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. segundo o professor. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades).: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. Lewandowski. Aurélio. Lei 9. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. ou seja. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. ou seja. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). seria uma exceção). autor e réu. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Barbosa e E.102. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. não tendo partes. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Surgiu com a EC/03. a mais correta.868/99. Mello. Gracie). o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. “a”. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. O STF ainda tem exigido pertinência temática.

CR e Lei 9. os preceitos fundamentais são: . art. Gilmar Mendes. Cabe prorrogação. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. 45 . que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). Como visto. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.Título I: Princípios Fundamentais.869/99. O parâmetro. O STF admitiu ☺Informativo 518. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. II.Princípios Constitucionais Sensíveis. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC.102. não há que se declarar uma lei constitucional). ADPF: ☺ Art. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. .Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.868/99.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. e . .Cláusulas Pétreas.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. Mas. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. portanto. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. §1º. . e .Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. Portanto. 34. a Lei 9. nos quais a lei esteja sendo discutida. . Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. . 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. Segundo a doutrina. no entanto. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). em seu art.). O STF não concordou e mandou juntar mais ações.882/99. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.Princípios Constitucionais. Não é uma ação de inconstitucionalidade. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. é mais restrito: somente a violação. 14. .14. Através do AGU.21.Cláusulas Pétreas. na ADPF 33: . Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. III). o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. inclusive o Poder Executivo. art. nas outras ações ela também poderá ocorrer).U. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. o FHC ajuizou ADC. VII).868/99.

: surge a partir de um caso concreto. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. a vinculação é vertical.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo.U. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. neste rol. 1º. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Características: . ainda. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. 4°. embora lá há uma vinculação horizontal.882/99).: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. P. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. embora seja bastante difícil existir esse meio). Incluindo-se. estadual e municipal.: gestante com feto com acrania. apenas o STF. dentro do mesmo tribunal. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. § 1° da lei 9. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. Um dos legitimados. podendo ser um meio de controle difuso. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). art. os legitimados podem levar não todo o processo. leva a questão ao STF através de ADPF. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Ela vai ao juiz de primeiro grau. 1º. Segundo Neri da Silveira.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. 196 e ao meio ambiente. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. 46 . Mas se algum dos legitimados souber da ação.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade.882/99. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Proposta diretamente no STF. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. dentro do órgão judiciário). O objeto pode ser da esfera federal. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Ex. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. na ADPF. ou seja. Obs. Aqui.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Art. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. como guardião da CR. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.

em se tratando de órgão administrativo. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. 105. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). mas a converteu em ADI. à soberania e à cidadania). à soberania e à cidadania”.Admite-se a fungibilidade. Ex.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. nas CE ou em lei federal). . . 103. No entanto. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. .CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. q). .MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. É controle concreto.CR: STF (art. h). V). Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). O STF admitiu a ADPF. § 4°. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: .Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). coletivos e individuais indisponíveis (art. II e III). 102. É controle abstrato.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. 121. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. Obs. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. LXXI .: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. É a mesma da ADI. STJ (art. § 2º . ADC e ADPF (art. Assegurar a efetividade de suas normas. 47 . I. o STF transforma a ADPF em ADI. por ex. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). 5°. 5°. I. para fazê-lo em trinta dias”. 129. TSE/TER (art.

mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. entes federativos e PJ dir. recentemente. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. não pode concretizar a norma. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . Se o PL) e. apenas razoável e não peremptório. fundamentais em face do Estado.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art.Órgãos públicos. Obs. em se tratando de órgão da AP. Recentemente. ou seja. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. competente de sua omissão (em regra. não pode fazer a norma para o caso concreto. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. concretize a norma (faça a norma concreta).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. mas esse prazo era direito. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva.MI Coletivo: o STF o tem admitido. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. organização sindical. ECAN e associação c/ 1 ano). é b) Concretista: concretiza a norma. mudou seu posicionamento. Há. portanto. O STF. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). Mas atenção. LXX: PP c/ CN. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr).: na ADI 3682 b. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. ou seja. 5º. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . no entanto. público: MI protege dir. . isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. portanto não podem impetrar MI. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. autores que admitem.

ao mesmo tempo. ou seja. Essa corrente é bastante criticada. Recentemente. e 2) recusa à execução de lei federal (art. Mesmo adotando a corrente concretista. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670.040). poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. VII). No MI. A omissão total não cabe MC. 2. Surge a partir do caso concreto. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. Ela se subdivide em – geral e individual. 34. porque adotava a corrente não concretista). É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. ou seja. De acordo com esta concepção. A regra é o principio da não-intervenção. O STF adotou essa corrente no MI 232. não cabe liminar (antes. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. a intervenção é uma exceção (a União não pode. 652. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. CR (provimento. 36. nestes casos de omissão parcial. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. O efeito seria apenas inter partes. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. como regra. intervir nos Estados). de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. Portanto. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. pelo STF. criando uma norma geral e abstrata. 34. ou seja. porque nem a AIO tem esse poder. 708 e 712). na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). ademais. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. 680. III. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. o STF está atuando como legislador positivo. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. em um primeiro momento. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. 49 . o PJ. VI).

ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. 614. portanto. CR. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. IV. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. O RE. no âmbito federal). A decisão do STF tem natureza político-administrativa. Isto está previsto no art. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). além. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). O parâmetro aqui é mais amplo. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. É dispensada a apreciação política pelo PL. OBS. §2º. ☺art. 50 . da decisão do TJ caberá um RE para o STF. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. CR. mas que surge a partir de um caso concreto. o PR então poderá decretar a intervenção. 127. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. ☺art. é claro. As partes aqui são o Estado e o Município. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. STF). mas sim. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. §3º. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. se o STF der provimento à representação do PGR. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). Esta forma não foi prevista na CR. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. e sim em face da CR. 35. § 1°. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). foi uma criação da jurisprudência do STF. se violados. no âmbito do TJ. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. O STF é o guardião da CR. 36. 125. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. nem no RISTF. CR). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). Trata-se de um controle concentrado e abstrato. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. que é o pressuposto para a representação interventiva. da ADPF). vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção.

A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. mas jamais é quem o exerce. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. segundo o abade Emmanuel Sieyès. pois o Estado decorre da soberania popular. pode usurpar do povo a titularidade do poder. que é sempre superior aos poderes constituídos. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. C. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. social e juridicamente organizado. Está acima do direito positivo. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. XVIII). ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Para os jusnaturalistas. São apenas órgãos aos quais se atribui. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Bonavides. Schmitt). é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. Obs. que. Celso de Mello. em alguns casos. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. segundo o Abade Sieyès. que formulou esta teoria no fim do Séc. Na 1ª etapa. ou seja. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Assim. Portanto. um dos precursores dessa doutrina. cria o Estado. o exercício dessa magna prerrogativa. É ele um titular passivo. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). corroborando essa perspectiva. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Modernamente. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. porém. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. editando a nova Constituição. retira sua força do direito natural. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. em nome do povo. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. analisa-se se o poder é legítimo ou não. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. é a nação. que deve observar o direito natural. expressa por meio de seus representantes. a vontade do constituinte é a vontade do povo. Assim. por delegação popular. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação.

25. Portanto. já que o poder constituinte já é originário. 3º. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado.Formal . Assim. ADCT. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Revisor (art. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. para ser considerado legítimo. há legitimidade objetiva. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Material . Obs. 60. por conseguinte. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .: o prof. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). ADCT) . quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. que é seu verdadeiro titular. CR) . Dessa forma. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Decorrente (art.Revolucionário . Espécies Tradicionais: . Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. correspondendo aos anseios daquela sociedade. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Histórico .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . 11.Reformador (art.

: se é um poder autônomo e incondicionado. 1934. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. No caso do Brasil. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. que substituirá a anterior.: este poder tem este nome porque para o Direito. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. Obs. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. No plano axiológico.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. mas não a primeira e sim uma nova. independente e soberano. ela nunca deixa de ser do povo. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. b) é um poder inalienável. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). Obs. 1988. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. não perde a titularidade do poder constituinte. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. Ex. há alguns valores que são morais. Obs. . O povo é o titular do PCOM. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. 1946. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. Apesar de ser um poder incondicionado. através de normas constitucionais. 1967/69. 53 . é ele que dá início ao ordenamento jurídico. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). ou seja. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). GV). b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. No caso do Brasil. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). através da Constituição. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). 1937. foi criado um direito natural). não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. ex. é apenas uma classificação quanto ao momento. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. O Abade Sieyes. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. a nenhum pré-requisito jurídico.

neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. 54 . aqueles sobre os quais há um consenso profundo. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. não concorda muito com isso. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. No entanto. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. com os avanços da sociedade. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. ☺art. 11 do ADCT. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Ainda que o estado seja soberano.. Esta AL. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. No caso da CR/88. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. Dentro desse limite. O prof. observados os princípios estabelecidos na CR. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. as constituições estaduais não são recepcionadas. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Ex. Obs. a doutrina deduz deste art. Fábio Konder Comparato fala. 25. De acordo esse limite. mas meta jurídico (fora do direito). na verdade. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. A partir do momento que a CR surge. contudo. no art. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. por se tratar de uma conquista da sociedade. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Não se trata de um limite jurídico. ele encontra limites no texto da CR. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). por ex. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). Quando a CR consagra o art. Ex. ficando um pouco relativizada. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. na pena de morte. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. 25. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. A CR/88. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR.

V ???) I) Expressos na constituição: art. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. vedada a recondução. são as normas de auto-organização da União. por enquanto.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. ou seja. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ.). II) Implícitos: CPI (art. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. . diferente dos extensíveis. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. processo legislativo (art. 57. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. 34. 58.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. e o STF decidiu que não havia problema. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. Estão presentes no art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. Há dois grupos: (art. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. CR. . VII.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. 93. § 3°). 61. 75.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. § 1°. 58. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. §4º. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. porque o art. Segundo o STF. composição. 57. mas foi uma decisão super apertada (6x5). Mas. Obs. Se subdividem em: 55 . CR. 27.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.: presidencialismo x parlamentarismo). são essas as normas de repetição obrigatória. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal).: ☺art. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. §1º . → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . 59 e segs. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. Obs.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. que se estendem aos Estados. §4º não é norma de observância obrigatória). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: .

.normas mandatórias: ex. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. .: art. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. Ex. 3°.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.. 56 . que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. cujo procedimento está previsto no art..é limitado. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. DF e M. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.normas vedatórias: ex.). . Trata-se de um poder previsto na CR e. . ADCT). E. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .não é autônomo.titularidade: é do povo. . . 137). mas é possível deduzi-las. CR. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. ou seja. . 34). Ex. .: art. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. em qualquer estado da Federação (art. . portanto.) – contém uma vedação expressa. . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. .: os arts. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.. e se for decretado o estado de sítio (art. se for decretado o estado de defesa (art.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. decorre da lei e não da força.é condicionado. §1º. CR. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. no entanto.exercício: é pelo CN.é um poder jurídico (e não de fato). uma limitação temporal para o poder revisor – art. 19. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 37. 60.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 136). 60. é conseqüente. CR (é vedado à U.não é inicial. portanto. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.

Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). . poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. não promulga. por fim. §5º. o STF e Tribunais Superiores. Ex. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. ☺art. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei.A última limitação formal objetiva está prevista no art.Feita a iniciativa. ademais. 61. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. §3º. apenas o PR. . que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. através da iniciativa popular (art. CR.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. ☺art. é o de que o art. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. 60 (incisos I. no qual há 4 sessões legislativas. assim. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. 61. 60. também chamadas de implícitas. para que. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. também podem propor projeto de lei o povo. 67. 60. §2º). O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. que é o período de 4 anos do mandato do PR. P. . que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. 61 é a regra geral de iniciativa. Este art. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. II e III) uma exceção à regra geral. §2º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. 44. a PEC vai para a promulgação. . há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. no âmbito do PJ.Além do PR. não veta. DF e DE. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. b) o entendimento majoritário da doutrina. se a matéria for rejeitada. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. CR). 61. 62. possamos usar o procedimento previsto no art. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. sendo o art. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC.). 60. ela será chamada de extraordinária. no entanto. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. 60. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. §10).Discutido e aprovado. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos).U. do SF ou do CN. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). . apesar de não existir previsão expressa. a PEC será discutida em cada casa do CN. Obs. . GE. 57 . segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. não pode haver emenda de emenda. .A nossa Constituição é rígida. No caso de projeto de lei. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. A Sessão legislativa (art. no âmbito do MP. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. o PGR. após a iniciativa. proposta rejeitada no dia 15/01. no âmbito do PE.

Universal e Periódico: . A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. Se elas não existissem. Expressas: ☺art. b) Preservar a identidade material da Constituição. o que é universal é o direito de sufrágio. secreto. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. . não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. 58 . A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. VI. Ou seja. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. CR.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Secreto. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. c) Voto Direto. não é secreto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). As cláusulas pétreas são. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. que é o modo como se realiza o exercício do voto. pois. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. o que é secreto é o escrutínio. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. c) Assegurar o processo democrático. o direito de participar das eleições. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. universal e periódico. Curiosamente. São as chamadas cláusulas pétreas. mas sim. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. o voto não é universal. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. a). 60. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. ademais. 150. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. . na verdade. §4º. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes.

60 seria CP. todo o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. não o serem). A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. CR. mas os demais não (ex. Lá estão as limitações ao poder reformador. Ex. §4º. mas refere-se a uma reforma. dispostos do art.: FGTS. 60. são CP. posteriormente. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. far-se-ia uma EC revogando o art. Os direito fundamentais se encontram. e não em direitos e garantias fundamentais. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. pois. CP). por isso. . Assim. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. não seriam cláusulas pétreas. não alterando-o). pois seria uma forma da fraudar a constituição. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. . Para ele. CR). uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. que proíbe a pena de morte.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. Os demais direitos e garantias fundamentais. b. Um exemplo. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 150. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. e por conseqüência. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. 60. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. em princípio. ADCT). mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. comportam diferentes interpretações. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. CR. não concorda. com a dignidade da pessoa humana. III. como um todo. O prof. Mas o STF já considerou que o art. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Obs. (23/04/09) 2. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Assim.Há quem defenda. O art. ou. segundo a qual o art. é o art. 5º. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. para posterior alteração do conteúdo. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. por uma questão lógica. inclusive. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. que não é unânime na doutrina. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Chama-se dupla revisão. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. é CP. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. 2º. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. sendo uma garantia individual. não tem nada a ver com CP). Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. 5º. 60 poderia ser modificado. sistematicamente. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). A CR fala em direitos e garantias individuais.: primeiro.

o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . Ex. O direito adquirido pode ser relativizado. ☺art. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. 3º. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Ex. A limitação imposta no art. O ato ocorreu antes.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). CR). Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. XXXVI. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. contados da promulgação da Constituição. Ex. 3º. em sentido formal. 60. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. A retroatividade mínima é automática. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Com relação ao assunto acima. a constituição atinge prestações vencidas. c) Máxima: a retroatividade não é automática. . esse era o entendimento do STF. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. não abrange EC.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). não abrangendo apenas leis em sentido formal. tem que haver previsão expressa na constituição. mas seus efeitos surgem após a constituição. o STF tem entendimento unânime. 5°. tem que haver previsão expressa na constituição. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. portanto. b) Média: a retroatividade não é automática. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. mas ainda não pagas. mas também emendas à constituição. 3º. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. Revisão é a via extraordinária. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. em sessão unicameral. excepcional e transitória de alteração da Constituição. Antes da CR/88. não sendo um princípio absoluto.

a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. circunstanciais. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. 60. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. 3º. ADCT. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. especificamente. Além disso. e de forma geralmente mais extensa. §§1º e 4º). as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 61 . procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Constituição da República. Por isso. só tem alma. Ela não tem normas jurídicas. O texto da norma funciona. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Nele estão os valores supremos da sociedade. É como se a norma fosse o corpo da constituição. X. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). entra o elemento histórico evolutivo. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Ex: princípio da não contradição. Esse método não é apenas sistemático. Toda norma está dentro de um sistema. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. esses elementos são insuficientes. para o direito público. aqueles desenvolvidos por Savigny. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. Por isso. como todas as demais. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. é também o limite para a interpretação. com algumas peculiaridades. portanto. mas apenas valores: o preâmbulo. É o início de uma interpretação. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. como início e limite para a interpretação. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Não existe uma norma jurídica sozinha. 52. b) Histórico: no seu desdobramento. eles são suficientes. para o direito privado. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). partindo da idéia de sistema. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. Além disso. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. 65 . II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. esse método também é conhecido como método valorativo. e não isoladamente. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Imagine a Constituição norte-americana. devido à complexidade da interpretação constitucional. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Buscam os valores subjacentes à constituição. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). e os valores fossem o seu espírito. O grande problema é que.

Este problema será solucionado pela argumentação. ou seja. da doutrina. como. Assim. pontos de vista ou lugares comuns. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. de argumentação. de casos que comportam mais de uma solução possível. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. lugares comuns. que é apenas mais um topos. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Assim. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. 2. Problema é a questão difícil. do senso comum. Ex. Ex. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. que contraria o positivismo jurídico. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. vence o argumento que for mais convincente. Violação de correspondência de presos. os quais são submetidos a várias opiniões. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Por isso. ou a de que um é mais correto do que o outro).: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. porque trabalham não com a idéia de sistema. Por ter uma feição mais política do que jurídica. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. formas de raciocínio. mas sim diante de problemas. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. certa insegurança jurídica.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. cujo plural é “topoi”. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. da jurisprudência dominante. Isso gera certa instabilidade. pois comporta mais de uma solução possível). podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Se se permite interpretações divergentes. → Crítica: feita por Canotilho. enfraquece-se a força normativa da constituição.. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. os operadores do direito servem-se de topoi. Esses pontos de vista. a favor e contra. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Ex. o que geraria uma grande insegurança jurídica). 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. dos princípios gerais do direito. Os topoi são esquemas de pensamento. por ex. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. mais um 66 . Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. como ocorre neste método. ele também é conhecido como método sociológico. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático).

ou seja. não se deve falar em interpretação constitucional. Não se pode separar as duas coisas. quando se fala em hermenêutica. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Hermenêutica e interpretação não se confundem. é bom lembrar. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. diferentemente dos dois primeiros. este método não poderá ser aplicado. devendo-se fazer uso de outro método. A principal diferença. Assim. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. e o problema concreto a resolver. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. são coisas diversas. ainda que dos mais importantes. Para este método. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. mas em concretização). em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. é preciso que haja um problema. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. de única solução possível. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Método concretista. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. pois. e sim na sua concretização. ao lado de Hans Kelsen. porém. na sociedade aberta de intérpretes. são também métodos concretistas. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. São métodos indissociáveis. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. como já vimos. a compreensão prévia do intérprete. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Assim. por serem métodos concretistas. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Além de serem métodos aporéticos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. Ocorre que. que a questão não seja simples. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). não podem ser utilizados de forma abstrata. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Os métodos III e IV. e concretizador à aplicação. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. sua aplicação a casos complexos. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. se for caso de lacuna. Ele parte. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. 67 . (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma.

Elementos do âmbito da norma . O texto não tem o comando. 68 . Fala-se que são utilizados. traduzido pelo Min. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Assim. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). aberta a toda a sociedade. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. é o comando que se extrai da norma interpretativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). regulada pela norma. pois. Quando ele fala em democratização. . mas a toda a sociedade. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Não diz respeito aos critérios de interpretação. O que ele chama de domínio normativo. ele na verdade não o é. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. A democracia deve servir não apenas para a criação. ele dirige e. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. A norma é o mandamento. bem como a quebra da unidade constitucional. O texto tem duas funções muito relevantes. Paulo Bonavides o tratar como um método. ao mesmo tempo. que têm legitimidade para a interpretação. Para ele. Segundo o autor. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). Segundo ele. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . mas refere-se àqueles que podem interpretar. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. a norma só surgiria após a interpretação do texto. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. é a realidade social tratada pelo texto da norma. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Essas duas figuras podem ser. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). limita a interpretação. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. Ainda que a Corte seja o intérprete final. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). mas também na sua interpretação. Friedrich M. mas também para a interpretação da Constituição. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. por sua vez.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. em regra. Judiciário. Gilmar Mendes). todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Na prática. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. 3) Existe uma única resposta correta. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. bastante discutido nos dias atuais. Em virtude do caráter normativo dos princípios. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. o poder legislativo é claramente fraco. Esta questão está ligada à separação dos poderes. quando interpretada. que se subdivide em princípios e regras. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Após. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. A segunda corrente. sem modificá-la. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. surge o Positivismo Jurídico. norma e fato. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Entende que. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. que corresponde à vontade do constituinte originário. Também denominado de originalismo. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. vinculante e obrigatória. Segundo Conrado Hubner. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. surge a idéia de norma (gênero). Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Assim. no Brasil. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Assim. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. textualismo e preservacionismo. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. do povo. como a constituição é feita por representantes do povo. No pós-positivismo. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Na verdade. Hoje. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. A norma. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Por isso o judiciário tem ganhado força. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. preocupado com a segurança jurídica. superado o valor da norma). 69 . maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. os direitos têm que ser iguais para todos. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). mas de forma concreta.

o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. impessoal. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Segundo Robert Alexy. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. genérica. ou seja. isto é. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. dentro do gênero norma jurídica. A norma é um gênero e.dimensão que eles ocupam (Alexy) . será invalidada. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. como elementos do sistema normativo constitucional: . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. em havendo um conflito no âmbito da validade.Regras. Alexy afirma haver exceções. . e . a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). mas a medida do possível. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. é preciso saber quais são as normas opostas.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . Para Habermas. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. peso ou valor. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. que apontam para o sentido contrário. O grau de abstração é a diferença. imperativa. Assim. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). que envolvem a aplicação deste princípio. impõem resultados. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. caso a resolução seja feita com base na hierarquia.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. bilateral). A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. . princípios são “mandamentos de otimização”.Postulados. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições.: aposentadoria compulsória. . apenas os princípios possuem a dimensão da importância. As regras possuem aplicação automática. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. ou seja. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. Ex. 70 .Princípios.generalidade . Referem-se à abstração (a norma é abstrata. → Princípios X Regras: . Eles não definem a medida exata. o que ocorre por meio da ponderação. → Regras: são “mandamentos de definição”. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. há uma subsunção lógica. Ambos são normas. quando se vai aplicar um princípio.

A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Os postulados são denominados.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Mas e os postulados? Segundo esse autor. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. Ex. será feita a análise de alguns postulados que. 71 . por isso não são aplicados diretamente. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional.: proporcionalidade. interpretação conforme a Constituição. também conhecido como antinomia de princípios. nem estabelecem competência ou conduta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Não estão na constituição. cronológico e da especialidade. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. embasados na supremacia da Constituição. de modo a realizar os valores nela consagrados. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Eles não apontam um fim. mas não têm a mesma função dos princípios. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Com base nessas premissas. como princípios. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. pela maioria da doutrina. Segundo a LICC. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Nesse aspecto. É um conflito sempre no caso concreto. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas.

porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. é necessário que a Constituição seja rígida. o Chefe do Poder Executivo. No Brasil. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). excepcionalmente. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Toda Constituição tem supremacia material. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. significa que as demais leis devem obediência a ela. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. o Poder Judiciário. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. por ser presunção relativa. deve optar pela constitucionalidade. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. na dúvida. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. não tem como fazer interpretação conforme. Essa presunção é relativa (iuris tantum). O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. no controle difuso. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. e. E. na dúvida. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. ficam vinculados àquela decisão. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. presume-se que agiram de acordo com ela. Todo projeto de lei passa por um controle. assim. Da mesma forma. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Ou seja. como no âmbito do Poder Executivo e. Se o texto tem apenas um significado. No Poder Legislativo. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Excepcionalmente. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Se há mais de um significado. Não se retira a lei do ordenamento. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. quando entender que uma norma é inconstitucional. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Se a constituição é a norma suprema. se entendê-la inconstitucional. para ter essa supremacia. o Princípio da Supremacia da Constituição. pode ser exercido através do veto jurídico. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. significa que ele é unívoco. a lei deve ser declarada constitucional. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. No Poder Executivo. no Poder Judiciário. Ele pode negar a aplicação da lei. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. A 72 .

num estado democrático. Obs. A segunda corrente. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. há várias tensões entre as normas constitucionais. ao mesmo tempo. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Outro ex. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. existem. §1º. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. poderia declarar o art. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Em uma sociedade democrática e pluralista. a norma inferior. Hoje em dia. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. na constituição. Segundo Kruger. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. etc. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. 73 . → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Na verdade. de direito previdenciário. mas. pois. Isso é impossível. . só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. b) Fim pretendido: . Portanto. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). é necessário observar os valores consagrados na constituição. Busca a vontade do objeto interpretado. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Temos o voto direto como cláusula pétrea. necessário harmonizar esses dois princípios. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Hoje. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. sendo. 81. Ex: Brasília é a capital federal. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Antes. é conhecida como mens legis. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. passando ela pela constituição. isso não ocorre. Logo. Geralmente. normas superiores e normas inferiores. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. É como se filtrasse a lei. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Ao se admitir que essa norma é superior. que busca a vontade da lei. prevalece a vontade da lei. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa.

qual dos dois grupos tem um peso maior. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. é necessário utilizar a ponderação. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. 74 . fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. e voto pelo CN é a exceção. O que tiver o peso maior irá prevalecer. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. Ex: voto direto é a norma geral. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. se ambos estão consagrados na Constituição da República. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. interesses. Abstratamente. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Uma existe ao lado da outra. bens ou interesses. Segundo este princípio. Eles são muito parecidos. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. as duas normas têm conflito entre si. O que é isso? É semelhante a uma balança. Assim. criando um efeito conservador da unidade. valores. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. na hora de se interpretar a Constituição. Nesse caso. O relator indeferiu a petição inicial. e não em abstrato). Se ele entrasse no mérito da questão. princípios ou valores. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. no caso concreto. O STF declarou constitucional. Quando se tem uma colisão entre bens. 45. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. ele se basearia no princípio da unidade. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Pode ser usada. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Sempre que possível. pelo legislador. que é anterior à Constituição da República. O Juiz irá ver. ou seja. a integração política e social. O STF analisou 02 casos: a) Art. inclusive. §1º. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. Essa lei. deve-se buscar essa concordância prática. violava a liberdade de exercício de comércio.

devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. ou seja. 75 . Ex. poderia fotografar. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. 343. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. proporcionando-lhes uma força otimizadora. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. não. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. mas também a ratio decidenti.: a proibição da pena de morte. às vezes. na academia. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante.: a Súm. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. para que outros direitos sejam assegurados. STF não foi abandonada. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. da tortura. O importante é saber que todos os princípios. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. cabe ação rescisória (obs. do trabalho escravo são regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. não. e não princípios. que contribua para o debate de interesse geral. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Ex: Se tiver na praia. 2) relativização da coisa julgada: o STF. do contrário. eis que ambos se relacionam. por mais importantes que sejam. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. Exs. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. sendo o guardião da constituição. Caso contrário. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. não se aplicando para a interpretação constitucional. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. Deve haver uma cedência recíproca. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. a privacidade deve ser preservada. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. até uma compreensão equivocada.

. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. 2) Direito de greve. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. . 4.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. §1º. CR/88 (aplicação imediata). no Brasil.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Ver no Site Editora Método. . É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. pois. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. Exs. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. Este princípio.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. validade é. a função social para a qual foi criada.com.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. é também conhecida como eficácia jurídica. é também conhecida como eficácia social. 76 . 5º. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. .Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. sobretudo o Tribunal Constitucional. o desempenho concreto de sua função social. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: .335/AC. a qual significa a realização do direito. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.

São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). à garantia do devido processo legal. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. No Brasil. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. pois. ele tem que ser adequado. mas apenas como menções. utiliza-se o termo proporcionalidade. Alegam que a restrição seria desproporcional. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. ou seja. apto para atingir o fim almejado. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. É uma influência do direito alemão. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. Na Alemanha. maiores hão 77 . É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Se o ato for desnecessário. Assim. utiliza-se o termo razoabilidade. Nos sistemas da commum Law. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Para que um ato seja considerado proporcional. Ex. em sua origem. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. É uma influência do direito norte-americano. dentre os meios existentes. não se deve abater pardais com canhões. Ele está ligado. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. por isso sua importância. ☺art. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. para que o Estado não atue de forma arbitrária. É um princípio implícito. desproporcional. Ex. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. do Prof. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. não está textualmente consagrado. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. uma restrição à liberdade só será possível se. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. 1º. CR. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Para Jellinek. deveria conceder uma autonomia maior. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Não é o entendimento mais cobrado em provas. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. uma densidade semântica que ele não tinha antes. será também desproporcional. 5º. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. LIV. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta.

Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. 78 . ou proibição por defeito. o poder público age aquém do que deveria. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. que é chamada de proibição de insuficiência. A face acima exposta do princípio. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Nesse caso. pode ser chamada de proibição do excesso. Há uma outra face desse princípio.

Assim. Para o STF. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. O nome não é o mais apropriado. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. não existindo. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. apresentado de forma não articulada. É uma corrente intermediária em relação às demais. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. Esses princípios sim. portanto. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. porém. reproduzidos ou não na Constituição estadual. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. Não tem. o preâmbulo. refletindo posição ideológica do constituinte.. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. proclamação mais ou menos solene. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Ocorre que todas as constituições brasileiras. com exceção das de 1891 e 1937. não é norma de repetição obrigatória. No Brasil. mas é a tese por nós adotada. sendo. o Brasil é um país leigo.. Não contém. pois. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. caráter normativo e. Como se sabe. não tem relevância jurídica. Em âmbito estadual. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. relevância jurídica. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. dado que. portanto. pois. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. incidirão na ordem local. mas no domínio da política. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. não é componente necessário de qualquer Constituição. anteposta ao articulado constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. qualquer religião oficial da RFB. 79 . não tendo força normativa. inscritos na Constituição. Situa-se no domínio da história ou da política. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. O min. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. O que acontece é que o preâmbulo contém. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. de regra. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. laico ou não-confessional. mais ou menos significante. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais.

com a solução pacífica das controvérsias”. 80 . Esta é a sua natureza. pluralista e sem preconceitos. na ordem interna e internacional. o bem-estar. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. fundada na harmonia social e comprometida. a segurança. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a liberdade. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. o desenvolvimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Ao estabelecer os valores supremos. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras).

Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Não são a mesma coisa.U. é uma NEP? Não. enquanto não for restringida por lei. O que as difere é o grau desta eficácia. prerrogativas (art. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . vedações (art. que poderá variar conforme o seu enunciado. como se poderia imaginar). no Brasil. dentre as quais. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. 128.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Ela não depende de lei. Quando se fala em aplicabilidade imediata. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. §5º). 95. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Uma NEC. (É a mais cobrada em provas). por sua vez. 184. mas admite lei. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. Exs. imediata e integral. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. isenções (art. 53). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. A NEC.: normas que estabelecem imunidades (art. Não depende de regulamentação. apenas 81 . A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. enquanto não for restringida. destaca-se a de José Afonso da Silva. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. P. §5º). A integralidade. → Normas de Eficácia Contida: O prof. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). que “contenha” o seu conteúdo. possivelmente restringível ou redutível.

II e III deste mesmo art. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. e não quais são os meios para se atingir o fim. . mas pode ser). A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. . ☺art.). A lei não irá restringir o direito. 82 .Impositivas: ex. 95). Ex.por outra norma constitucional (ex.por conceitos de direito público (ex. art. XII c/c arts. É indireta ou mediata. que não é norma). 9º dá a entender tratar-se de NEP. 5º. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. e art. mas. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. art. esclarece que trata-se de uma NEC. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. quais são os efeitos. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho.Facultativas: ex.: ordem pública. em regra.: art. 37. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei).. 102. 9º.por lei (ex. 22.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. A NEC pode ser restringida: . que faz parte da mesma norma. que dirige os rumos do Estado. art. XXIII e XXIV). caracterizadas justamente por este tipo de norma). XIII. VII. 37. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. 95. Neste caso. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. . é obrigatória. CR. Ex. e mediata porque depende de alguma condição. poderá criar impostos residuais. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. O caput do art. A norma constitucional tinha eficácia. 5º. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. P. conforme a lei. interesse social. mas não disse quem pode propor. segurança nacional. art.: art. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. mas o seu §1º. ofício ou profissão.: art. etc.: trata de vedações que são impostas aos juízes. etc. Não é apenas um conselho. VII (direito de greve dos servidores públicos). etc. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. necessidade ou utilidade pública. ela nunca poderia ser restringida. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. eis que estabelecem o fim a ser atingido. são NEP (como são as normas dos incisos I.U. ☺art. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. de forma que antes da Lei 9. VII. PU: União poderá delegar aos estados.: art.U. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). – ex. 154: a União. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. se quiser. Assim. não há omissão inconstitucional. Se ela fosse uma NEP. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. art. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. mas não é uma NEP. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. XXII. 3°. 37. Exs. 5º. Indireta porque depende de uma outra vontade. 136 e 137). enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. mas dizer como esse direito será exercido. que a regulamente. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). As vedações. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: .

Assim. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Uma última classificação. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. as Cláusulas Pétreas. exaurem sua eficácia. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Ex. Traduz um sistema fechado. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. 2º. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Para ela. ademais. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Marcelo Neves critica essa concepção. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. OBS. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). porque ela não tem eficácia positiva). a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. mencionada por alguns autores. uma eficácia negativa (e apenas esta. São as normas do ADCT. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. cumprida a sua finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Obs. também conhecidas como normas super-eficazes.: As NEP. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. pois. Diz que o direito se auto produz. Por isso não dependem de outra vontade. imediata e integral). Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. tem eficácia. 83 . dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. antes da lei ser feita. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. não depende de outros sistemas. Elabora-se uma norma genérica. ADCT.: art. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma.

N. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.P → A. 2°. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. como normas infraconstitucionais. §2º (que fala do Colégio Pedro II.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. § 1°. Quando uma nova constituição é criada. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. art. e sim como normas ordinárias. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. quando do surgimento de uma nova Constituição. Assim.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. por esta teoria. podendo. ou seja.: ☺art. serem recepcionadas pela nova Constituição. → CR → A. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. não. 242. 84 . localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição.N. sempre que nasce uma nova Constituição. Faremos o estudo de alguns institutos. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. caso compatíveis com a nova Constituição. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. com o caráter de normas constitucionais. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. parte final). porém. Ex.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

: art. Como outro exemplo de retroatividade mínima. as leis infraconstitucionais. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. que. o STF entendeu que. Assim. por regra. Assim. c) por outro lado. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. também limitado juridicamente). sendo regra a retroatividade mínima. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. Ex. IV. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. deve existir expresso pedido na Constituição. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. como é o caso do art. diante da aplicação imediata. IV. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. dentre outras. tenha retroatividade média ou máxima. nada impede que a norma constitucional. 51 do ADCT. Contudo. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. vale dizer. CR. para tanto. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. têm retroatividade mínima. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. 88 . 5º. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. vale dizer. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. com pequenas exceções. 7º. Como se percebe. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. 7º. desde que haja expressa previsão. XXXVI – “lei” em sentido amplo).

pois servem de critério para o legislador que. 1º). Executam. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. em um todo sistemático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. a divisão de seus poderes (art. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. De uma forma geral. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. por conseqüência. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Dessa forma. não só das ações dos poderes estatais. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. da função positiva que 89 . É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. o que os coloca numa posição de superioridade. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. 2º). os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. é obvio. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. 4º). seja como orientação para progresso da legislação.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. ainda não regulamentadas de forma mais específica. estrutura e fundamento (art. Em situações novas. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. seja como diretiva na solução de casos concretos. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. atuando como um limite. Desse modo. assim. a menos. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. os quais estabelecem a sua forma. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. diverso e opostos. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. ao elaborar as leis. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. é claro. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. sobretudo. Sob o ponto de vista dogmático. como também ao exercício abusivo de certos direitos. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio.

redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. 34. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. I). A baixa densidade semântica. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. DF e Município. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. o direito de secessão. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. sendo criados novos critérios distintivos da República. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. No tocante ao Poder Executivo. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. quanto para o legislador na elaboração das leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. 90 . A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. a Constituição veda. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. CR). aos entes que compõem a federação. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. 1º. que reinava de forma absoluta e irresponsável. Com o passar do tempo. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. esses conceitos foram se esvaziando. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional.

mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. à questão perene da Justiça. a legalidade da Administração. seja diretamente. sob as circunstancias transitórias. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. No Estado material de direito. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. ou. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. não é absoluta e ilimitada. seja através de representantes. 91 . a independência dos juízes. No que se refere ao princípio democrático. ainda. Em um Estado democrático. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. não apenas os indivíduos. Aqui. Sob o aspecto material. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. a vontade popular representada pelo parlamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. Em um Estado de direito.

a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). A soberania externa se refere à representação dos Estados. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. no plano interno. 6º). na ordem internacional. por não ter de acatar. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. uns para com os outros. 92 . a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. independente. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. Todavia. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. em nenhum momento podem ser colocados de lado. o indivíduo se sente útil e respeitado. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. No plano externo. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. Por essa razão. por essa razão. na ordem internacional. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. a soberania migrasse do soberano para o povo. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Supremo. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna.

dentre elas. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. III). O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. a de informação. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 93 . por natureza. Este fundamento é concretizado. a Constituição. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). a filosófico-religiosa. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. a intelectual. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. 170). estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. político (art. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. uma sociedade conflitiva. o que pode levar a divisões irredutíveis. 206. derradeiramente. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. a profissional. 17). como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. mas. a de opinião. de comunicação. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. Por isso. de interesses contraditórios e antinômicos. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. passando a se revestir de normatividade. deve constituir o seu objetivo supremo. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. conforme os ditames da justiça social. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. de idéias e de instituições de ensino (art. A escravidão. assim. I). sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. a sociedade pluralista é. 220). Fruto da concepção liberal. ao contrário. cultural (arts. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. salvo nos casos previstos em lei. justa e solidária (art. a sexual. com a queda do comunismo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. 1º). científica. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. independentemente de autorização de órgãos públicos. 3º. É ela o valor supremo que irá informar a criação. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. de reunião e de associação. a tortura. artística. a partir do início da década de 90. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. 215 e 216) e dos meios de informação (art. Por essa razão. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. partidário (art. Mais tarde. ainda. 170). e. é um princípio básico do liberalismo econômico.

foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. sexo. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). o acesso aos valores. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. seja pelo próprio Estado. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. em um primeiro momento. por outro. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). sua existência material. mais importante. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. Por outro prisma.) imprescindíveis para uma vida digna. Poder-se-ia dizer. 94 . o que significa dizer que na criação. mas um atributo que todo ser humano possui. idade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. independentemente de usa origem. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. à dignidade da pessoa humana. a todo e qualquer cidadão. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. Esta acepção. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. não apenas por parte do Estado. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. educação fundamental. Esta acepção. não como um fim em si mesmo. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. seja por terceiros. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. que seja efetivamente exigível do Estado. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. ou para com a pessoa. e. mas. possui um caráter negativo. dentro dos direitos sociais. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. Por isso. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. econômicos e culturais. mas também a de que o Estado garanta. possui um caráter positivo. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. Portanto. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. moradia. etc. Todavia. ligada ao valor igualdade. ligada ao valor liberdade. por exigir uma abstenção. na medida em que procura representar um subconjunto. Portanto. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. menor (minimizando o problema dos custos). cada vez mais. condição social ou qualquer outro requisito. A dignidade da pessoa humana não é um direito. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. mas também dos particulares. em alguns casos. Assim. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo).

os direitos sociais (arts.direitos prestacionais: são. 5°.direitos políticos (art. Visam proteger o valor igualdade. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. . Já os direitos humanos não possuem essa divisão. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. . A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). . A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. consagradas ao longo das constituições. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 6° e seguintes). 14 e seguintes).direitos sociais (art. CF/88. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. do qual são espécies: . 95 . portanto. mas também no art. são os direitos individuais consagrados no art. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Exigem uma atuação positiva do Estado. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Em termos materiais. devido ao custo de serem prestados. devido à escassez de recursos. 6º ao 11. Têm caráter positivo e negativo. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Enfim. 12 e seguintes). CR/88). 5°. Assim. . Têm um caráter negativo. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. ligados à liberdade. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. O Estado deve fazer escolhas trágicas. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. basicamente. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. 6° e 7°). Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Essa classificação é legislativa. São direitos ligados à cidadania. igualdade e dignidade. uma constitucional e uma doutrinária. .direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. pois surgiram em uma única época. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Em sua maioria. à participação política.direitos à nacionalidade (art. . Em sua maioria. estão consagrados em normas de eficácia limitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. que divide os direitos fundamentais em: .direitos individuais. consagrados no plano internacional.

Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. e geralmente em normas auto-aplicáveis. XVIII. Têm caráter negativo. diretamente à igualdade material. a imprensa livre e o funcionalismo público. Vejamos quais foram as gerações. → Igualdade: Direitos Sociais. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Esta é a sua preocupação principal. Não houve substituição de uma geração por outra. São considerados basicamente como direitos coletivos. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. sobretudo de princípio programático). Por isso. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. direito de comunicação. Ou seja. ao desenvolvimento ou progresso. Exs: direito ao meio ambiente. já os de 2ª geração não. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Têm como objetivo. a autodeterminação dos povos (art. XX. CR/88). Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. pois. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Estão ligados. os direitos prestacionais. e estas gerações coexistem atualmente. então. ao lado da 4ª. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Obs. de 1789: liberdade. 96 . Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Eles foram surgindo com o passar do tempo. e a dele é a mais cobrada em concursos). Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. segundo Jellinek). Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. 4º. São basicamente os direitos individuais. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. A 3ª geração. são direitos de caráter negativo. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. portanto. movimento encabeçado pelo proletariado. enfim. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Tais direitos têm caráter positivo. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Como vimos. por exigirem uma prestação do Estado. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. como a família. à autodeterminação dos povos. Os direitos de defesa. econômicos e culturais. das gerações. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Exigem uma ação do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. São chamados direitos civis e políticos. diante da necessidade de cooperação. por exigirem uma abstenção. exigindo uma abstenção. queria que ele respeitasse suas liberdades. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos.

ele tem uma importância muito grande. 97 .: quanto ao direito à paz. esta alteração não foi feita em seu livro. mas há divergências na doutrina quanto a isso. Aquelas instituem os direitos. Paulo Bonavides.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. Os argumentos contrários a esta união. são direitos difusos). que são as que. Ele preserva. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Quando se fala em pluralismo político. ao analisar a Constituição de 1891. Assim. V. um pluralismo ideológico. Ou seja. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara.). A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. Esta geração de direitos advém da globalização política. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. de orientações sexuais. → Globalização: direito à democracia. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. o direito a adoção. em defesa dos direitos. Por isso o direito à democracia é tão importante. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Ex. com a declaração do direito”. que seria a vontade da maioria. na mesma disposição constitucional ou legal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. Em uma ponderação. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. um pluralismo cultural. que alguns dizem trazer os direitos à internet. inclusive das minorias. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. as demais características são tratadas pelo prof. Ele abrange um pluralismo religioso. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Afora esta peculiaridade. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). limitam o poder. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. estas as garantias. conserva nossas identidades. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. e isso acaba por prejudicar as minorias.I. 1º. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. etc. Ou seja. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. o prof. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. traz direitos ligados à pluralidade. Ao lado da vontade da maioria. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. outros são difusos). em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). os direitos de família. econômico. as disposições assecuratórias. artístico. de ideologias políticas e partidárias. a fixação da garantia. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. Porém.P. Quem tem o papel contra-majoritário. ☺ADPF 132. CR/88). distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. ocorrendo não raro juntar-se. à informação e ao pluralismo (D. São também direitos transindividuais (em sua maioria. Além desse aspecto. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. de conteúdo). como os previdenciários. quiçá quanto a 5ª. caso violados.

que só pode ser proposta pelo cidadão. ou caberá ao intérprete. no caso concreto. de modo indiscriminado. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). por ex. Nada impediria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. emite uma opinião (direito de opinar). decidir qual direito deverá prevalecer. O caput do art. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. . ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. juntamente. 5º. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. ainda que não individualistas. ou magistrado. quando.Universalidade: destinam-se. .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. mas nunca a sua renunciabilidade. 5º. conjugando-a com a sua mínima restrição. Isso porque. Se são sempre exercíveis e exercidos. ilegalmente preso. através da interpretação sistemática.). nascendo com o Cristianismo. no caso concreto. . na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. os apátridas e as pessoas jurídicas. Deve-se observar. HD. Normas positivas. conflito de interesses.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade).Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial.Historicidade: possuem caráter histórico.: direito de propriedade versus desapropriação). já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. Exemplos: . passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais..Inalienabilidade: como são conferidos a todos. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). Obs. a todos os seres humanos.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente.: HC. é claro. muitas vezes. confronto. como é o caso da ação popular. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. havendo. . portanto. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. . Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. os estrangeiros não residentes. 98 . como é o caso. são indisponíveis. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. Contudo. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.direito ao juízo natural (direito) – o art. XXXVII. . não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. se o direito garantido não possui alguma especificidade. coarctando. uma vez consagrado o direito. etc. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos.

então. §1º. No entanto. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. Assim. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados.). Posteriormente. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Não se admitiria. 5º. mas o pressuposto do qual ela parte). Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). fática e juridicamente. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. fala-se. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. 5º. não dependendo de legislação. pois. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. causando uma desfiguração no direito privado. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. analisando caso a caso. mas. Ingo Sarlet afirma que o art. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. para isso. ordem pública. só trazendo relações entre o Estado e o particular. 99 . então. §1º. etc. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais.

Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. ainda que esta regulamentação não exista. como a segunda. tão somente pela falta de previsão. Deve-se aplicar tanto esta teoria. O juiz. de uma forma geral. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. é possível a sua aplicação com base na Constituição. então.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. Se houver lei determinando a aplicação dos DF.*RE 161. contrato de adesão. Os DF são expressados. . Segundo esta teoria. no entanto. através de princípios.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.00 para R$ 86. houver uma desigualdade fática. se exteriorizam. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.24. a proteção tem que ser maior. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.☺RE 161. E como os princípios são muito vagos. esta teoria seria a mais adequada.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Se não houver uma previsão expressa na lei. Determinação de observância do Princípio da isonomia.RE 201. quando há uma relação de igualdade real na relação. Se. Em contrapartida. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. Mas.858.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. etc. a aplicação será indireta. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. isso poderia causar uma série de problemas. mas. e.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).RE 160.Resp. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Assim. A jurisprudência. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. devendo sobre eles prevalecer. para que os princípios pudessem ser concretizados. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui.HC 12. muito abertos.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie.243/DF. mesmo realizando atividades idênticas. 249. Ainda se trata de uma questão muito nova. . que não adota essa teoria).RE 175. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . . devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. em geral. Para a realidade brasileira.: empregado e empregador. . É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Segundo Virgilio da Silva.) . A autonomia da vontade requer tal ponderação. não sendo necessária uma intermediação legislativa. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. Espanha e Portugal. mas ainda não há decisão quanto a isso.RE 158. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF.700.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. . . ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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5º. um caso constitucional de violação de direitos. não há que se falar em não exercício). à segurança e à propriedade. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Esta questão é bastante clara. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. Nos 78 incisos deste art. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. No caso do big brother. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. CR/88. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 170. como DF é pressuposto dos demais direitos. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Por isso. também não pode ser renunciado. ☺art. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. à igualdade. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. um outro direito fundamental. à liberdade. III e art. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. é. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art.: esta segurança que o art. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. CR. pois. Há dois entendimentos: 104 . 5º. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. XLVII. II. A renúncia é definitiva. caput. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Obs. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. abre-se mão temporariamente à privacidade. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. não há uma renúncia definitiva. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. ☺art. Este pode ocorrer. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. O direito a vida. por óbvio. 1º. pois a vida é uma direito irrenunciável. 128. Porque o direito à vida é irrenunciável.

Para aqueles que defendem a proibição do aborto. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. a morte não decorre do aborto. o art. entendeu que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. OBS. Ademais. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. a vida termina com a morte encefálica. E o direito à vida. II. sem o sistema nervoso central. discutida na ADPF 54.Direito à privacidade: 105 . Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. ela é a única ação de controle abstrato cabível. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. mas sim interpretando a CR/88. A questão ainda está sendo discutida no STF. por isso. 128. não haveria vida. sabendo que ela vai morrer. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. como todos os outros. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. assegurando a autonomia da vontade. CP não teria sido recepcionado pela CR. mas de modo geral). Ocorre quando a medida chamada for inadequada. insuficiente para a proteção do direito. além de colocar em risco a sua própria vida. e. 128 (em 1940). por 7 votos a 4. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. O STF. já que na época em que foi feito o art. nas quais não se tem uma opinião moral definida. é uma forma de tortura psicologia. Para o direito brasileiro. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. segundo Canotilho. . o feto não tem a menor chance de sobrevida. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. Se há dois argumentos defensáveis. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. mas sim da acrania. o STF não estaria legislando. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Se isso fosse possível. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. então. 128). em razão do risco de morte intra-uterina. 3) dignidade da pessoa humana. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. é relativo. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. já que o CP é anterior à CR. portanto. Nos EUA e na França. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses.

c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. CR. não tem privacidade. CR. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. de uma forma geral. que se subdivide em: intimidade. Proteção da honra e da imagem. é a esfera da vida privada. Questão de Concurso: Gravação clandestina. o direito à imagem foi violado. Será considerada prova lícita. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. É vedada pelo art. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. os princípios da moralidade e da publicidade. científico ou cultural. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. não há violação à privacidade. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. Logo. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. sobretudo. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. etc. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Nesses casos. X. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. O agente público. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. pois há uma excludente de antijuridicidade. No entanto. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. contra um chantagista. sobretudo. quebra de sigilo e interceptação telefônica. em seguida. ela é ilícita. Não há que se falar em colisão. 1. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Numa gravação clandestina. por exemplo. Neste caso. Mas. O prof. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. maior a proteção a ser dada. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. O direito a privacidade está consagrado. Em regra. a gravação é considerada lícita. são direitos independentes. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. O direito de liberdade é maior. 5º. 106 . a restrição é legítima. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. a imagem pode ser usada num processo. 5º. Então. uma gravação feita clandestinamente. Ainda que não afete a honra. Ex: matérias de interesse público. É gênero. a honra e a imagem das pessoas. Ao realizar essa ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Se filmar uma passeata. Ex: policial federal recebendo dinheiro. na verdade. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). veremos cada um separadamente. Ex. no art. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Há decisões judiciais onde muitas vezes. quando pratica um ato na condição de agente público. Esta é excludente de ilicitude. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. histórico. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. X. contra um estelionatário. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. vida privada. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. Se tiver gravado um crime. Ex: Radares eletrônicos.

Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. XII. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. divulgaram todas as declarações na internet. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. não poderá quebrar sigilos. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. O Min. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. 107 .. de um cd room. Essa exceção só confirma a regra. O STF decidiu que. A lei. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Quanto às CPIs municipais. em ação cível originária. 5º. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. como havia verba pública envolvida. outros dizem ser pelo art. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Tem uma decisão do STF muito comentada. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. já que não existe poder judiciário municipal. § 3º. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). X. XII. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Dentro dela. que é uma exceção a essa regra. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Além do juiz. informáticos. fiscais. outros entendem que não há proteção. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Quem pode é só o juiz e a CPI. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. O inciso X impede a gravação clandestina. No entanto. ainda que não seja sigilosa. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra.). Dentro do próprio STF há divergência. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. fiscal e telefônico. Ele alegou a ilegalidade desse ato. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. E o Ministério Público? Segundo o STF. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. mas na decisão acima houve discussão a respeito. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Ex: extrato de conta corrente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. 2. falaremos da interceptação telefônica. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. De acordo com o art. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. às informações constantes na declaração de imposto de renda. deve ter uma certa salvaguarda. ele não pode requisitar diretamente. não há decisão do STF. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. está em vigor. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. São poderes instrutórios. Se ele quiser. Na Itália. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. CR.: Podem existir várias outras exceções. Quando a CR fala em “poder de investigação”. com base no princípio da simetria. o BB poderia quebrar o sigilo. a duração da chamada. 58. Quando se quebra o sigilo telefônico. Os jornais publicaram essas declarações. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. naquele caso específico. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. por ex. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. O prof. etc. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. por enquanto. 5º. essa decisão foi para um caso específico. 2°) admite. Essa declaração. 3. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. 5º.

mas foi feita por um terceiro. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Na prática. Na interceptação. a liberdade de comunicação. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. 5º. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. abrem-se todas as correspondências.. O STF entende que com base o art. Porém.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. X. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. também protege a privacidade. Para o prof. Além dessas duas hipóteses. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. neste caso. Com relação ao sigilo de dados. por uma terceira pessoa. Em relação à comunicação epistolar. protege-se apenas a liberdade de comunicação. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Em relação a essas. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . mas. 5º. Para o prof. O art. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Ela protege 4 formas de comunicações. será gravação clandestina. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. é equivocado. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Se um souber. No entanto. seja pelo art. segundo o prof. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. o sigilo poderá ser violado. protege a liberdade de comunicações. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Pois. XII. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. sobretudo. Nessas hipóteses. seja pelo art. Aliás. já que protege-se a liberdade de comunicação. Se um souber. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja.. 5º. Mas isso não é a posição do STF. em determinadas hipóteses. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Quando se falou do método tópico problemático. será interceptação telefônica. segundo o STF. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. o STF tem um entendimento que. Para o STF. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Então. durante o estado de defesa e o estado de sítio.. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. não estaria protegido por esse dispositivo. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. 5º. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. pode haver restrições às comunicações telefônicas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. os dados de informática em si não estão protegidos. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Não são admitidas para outras finalidades. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. XII.

Vejamos as situações: 1. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. imagine numa situação normal. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. 5º. não há falar em violação de domicílio. Na jurisprudência do STF. LX: sigilo imposto a processo judiciário. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Se houver o consentimento. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Além disso. Se numa situação excepcional. 5º. e mais ninguém. Durante o estado de defesa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. c) Art. qualquer pessoa pode entrar. violado. 2. a entrada deve ser permitida pela empregada. pode determinar a prática desses atos. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. XII. Sem consentimento já é diferente. Ou seja. O professor acha que há certo abuso neste caso. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. 5º. Com o consentimento. a polícia pode entrar. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. Essa decisão foi recente (☺MS 27. Somente o juiz. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. salvo o flagrante delito. o Min. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. A Constituição trata de 2 situações distintas. Como é o meio mais fácil. Ex: crime dentro de uma residência. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Pode ser que com os abusos recentes. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade.296/96. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. vejamos: a) Art. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Art. nem a CPI. XII: interceptação telefônica b) Art. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. seja durante o dia seja durante a noite. Nesse artigo. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. e não pelo dono da casa. nesses casos. Segundo o STF. Então. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. prorrogáveis por mais 15). a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. devemos analisar 2 situações diferentes. se houver o consentimento de um dos moradores. • Prestar socorro 109 . por nenhuma outra autoridade. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Ela deve ser o último recurso. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Com relação à inviolabilidade do domicílio. d) Art.483 – medida cautelar concedida nesse MS). O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. essa lógica tem sido invertida. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Recentemente. XI: violação de domicílio. 5°. 5º. Nem mesmo CPI. CF/88. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. LXI: possibilidade de prisão.

Na maioria dos casos. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. 2. Quando o sol nascer é dia. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. a prova colhida será considerada ilícita. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. E o carro? O prof. compreende escritórios. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. seja do dia seja da noite. entra no conceito de casa. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. estabelecimentos comerciais e industriais. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. por serem situações emergenciais. mais tradicional. mas dos vizinhos também. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Segundo ele. o STF considera as provas lícitas por causa disso. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. não poderá mais entrar no domicílio. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. mais adequado. prevista no dispositivo. 110 . Se entrar com o uso da força. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. 3. Ex: parte de trás do caminhão. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Segundo o entendimento do STF. É utilizado por JAS. não só dos moradores daquela casa. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. porque a noite é o período de descanso. se estiver vazio. entre outros aposentos. Se houver o consentimento do morador. hoje. Só que o STF já proferiu decisões. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. compartimentos habitados. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Alguns autores. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. entre eles Alexandre de Moraes. que traz uma conceituação bastante extensiva. onde o caminhoneiro dorme. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Ele deve dizer “aqui você não entra”. CP. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Entra no conceito de casa. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. não entra em conceito de casa. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. pois se respeitar também o critério cronológico. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Então. na parte em que o público tem livre acesso. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. consultórios. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). 150. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. a prova é lícita. quando o sol se põe é noite. ☺Art. não entra no conceito de casa.

Mas. CR. cor e estado civil. É a que está consagrada no caput do art. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. 7º. Para que o critério seja constitucional. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. idade. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. pois viola o princípio da isonomia. Não irá fazer concurso para homens participarem. Uma vez dentro do estabelecimento. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. 5º. da constituição. razoável e proporcional. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. não significa que a lei não possa fazer distinções. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Razoável 3. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. é necessário que ele seja: 1. justifica-se a altura. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. XXX. Objetivo 2. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. XXX. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . 111 . A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. arbitrário. Ex: critério preconceituoso. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Para esses casos. discriminatório. Esse critério não é nenhuma discriminação. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. 2. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Nestes casos. Quando se fala em princípio da igualdade. CF/88. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Se o critério não for objetivo. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. ele não estará de acordo com o fim consagrado. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. em situações diferentes. 7º. Esse critério é razoável. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1.

mas reduzir as desigualdades existentes. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. mas é necessário analisar uma série de fatores. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. A tendência é que elas aumentem. Então. utiliza-se das ações. seria igualdade material. e os desiguais de forma desigual. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. e não à igualdade material. essas ações deveriam existir por 10 anos. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Essas ações não surgiram nos EUA. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Quando se fala em igualdade material. Dificilmente. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Se o Estado não proporcionar esses direitos. No caso da Índia. 5º c/c art. aconteceu o contrário. igualdade e fraternidade. Não é uma forma de resolver o problema. por exemplo. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Porém. Ex: Cotas para pessoas carentes. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Visa uma redução das desigualdades fáticas. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Isso é igualdade formal. para tentar reduzir as desigualdades. disse que está ligada à igualdade material. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. ☺art. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Criaram-se outras ações afirmativas. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Quando se fala em igualdade material. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Ex: Alíquotas de imposto de renda. não haverá uma igualdade real. O prof. O prof. essas ações são constitucionais. acha que esse argumento não convence. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Para o professor. Para outros autores. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . A cota deve ser proporcional à população. Mas. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. 3º. mas na Constituição Indiana em 1947. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Segundo JAS. e prolongaram as que já existiam. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. o critério discriminador seria desproporcional. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Em princípio. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. pois elas criam uma discriminação reversa. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. 112 . O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. pode ter as mesmas condições de outra pessoa.

113 . Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Portanto. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . mas eles não tiveram oportunidade de escola. . atinge todos os poderes públicos . A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. O problema é com relação à subjetividade do critério. Eles foram libertados. . tolerante. Isso é uma questão de política pública. .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. de saúde. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. visa compensar uma dívida histórica. CF/88. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. miscigenada e multicultural. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. pois já faz parte do próprio critério republicano. seja por particulares. . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Poder Legislativo.favorece negros de classe média alta. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Eles não têm apenas a eficácia vertical. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. quando se fala em destinatários. (18/06/09) Argumentos favoráveis: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. sem exceção. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais.fere o mérito. são destinatários do princípio da igualdade.fomenta o racismo e o ódio racial . eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. mas também para quem irá elaborar a lei. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. 208. .medida imediatista e inapropriada. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . não sendo necessária essa distinção.princípio da isonomia (discriminação reversa).em uma sociedade pluralista. . previsto no art. cientificamente falando. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. aberta. Apesar de ser uma relação entre particulares.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. No Brasil.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Poder Executivo e Poder Judiciário). Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Além dessa eficácia. Argumentos contrários: . Juridicamente falando. Então. seja pelo governo. . A justificativa parece não ser inconstitucional. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.

Apologia ao crime é diferente disso. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. a lei pode estabelecer distinções. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Protege a mulher. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. sendo vedado o anonimato. desde que essas restrições não sejam autoritárias. não teria sido recepcionado. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Por que a Constituição. Não é um direito absoluto. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Ex: Lei Maria da Penha. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. ela exerceu o seu direito. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Não existem direitos absolutos. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. Isso significa que. Ex: art. mas apenas para as mulheres. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. o problema é dele. etc. Questão de Concurso – Cespe: No art. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. O homem não é a parte mais frágil da relação. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Para alguns. É livre a manifestação de pensamento. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. 5º. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. As provas 114 . tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Se o sujeito será responsabilizado ou não. discriminatórias. Logo. IV. Pode defender no plano das idéias. Logo em seguida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. ela pressupõe responsabilidade. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. desde que seja para atenuar desníveis existentes. de expressar o pensamento. 5º. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. 100. não deve ser estendida para os homens. e violou direitos de terceiros. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Ex: Passeata para legalização da maconha. é outra questão. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Mas. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. em regra. O particular não é obrigado. Basta ser um critério objetivo e para todos. I. para outros teria. ela é constitucional. É constitucional? Sim. ele deve licitar. segundo o professor. ela pode ser responsabilizada. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. CPC – ação de alimentos. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. É uma denúncia feita anonimamente. em princípio. que é uma das principais vítimas da violência doméstica.

→ Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Quando são produzidos pelo próprio acusado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. O Estado deve manter-se neutro. Garantir a simetria da liberdade religiosa. VI. Vejamos: 1. Ex: seqüestrador escreve bilhete. então. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. 2. → Alguns temas polêmicos: 115 . Pode fazer um exame grafotécnico. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. abrangendo a liberdade de crença. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. ou de não ter crença em nada. Isso significa que. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. e. Porém. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. deve ocorrer uma “tradução institucional”. há 02 hipóteses em que o STF admite. Para Habermas. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. CR. A religião desempenha um papel fundamental. CR. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. pedindo resgate. 5º. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. se não há qualquer identificação. Esta liberdade está consagrada no art. No Brasil não há uma religião oficial. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Os templos recebem uma proteção especial. Não se pode admitir que o parlamento. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. desde 1989 (advento da República). O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. por exemplo. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. não é o caso do Estado brasileiro. de ter crença. ainda 2. apesar de a maioria da população ser católica. com o advento da República. 2. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. 3. houve a total separação entre Estado e Igreja. 19. Em relação ao culto. O dever funcional da autoridade é investigar. desde que não viole o direito de terceiro. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. O Estado brasileiro. A liberdade de consciência é a mais ampla. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. inclusive em lugar aberto ao público. O culto pode ser exercido em qualquer local. o equilíbrio das religiões. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. de crença e de culto. ela deve ser protegida. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. ele não pode ser admitido. I. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião.

não poderia ser confessional. logo. Na Alemanha. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. estados e municípios (☺art. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Entretanto. a competência é da União. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. que odeia guerra. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Neste caso. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. 210.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Há um trecho do livro do Dworkin.. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. É importante respeitar o ensino de cada um. 23. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. 215. . e não à justiça do trabalho – ☺art. Pode um ateu. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. CR). fazendo uma ponderação entre os princípios. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. CR). Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. ocorreu um caso muito semelhante. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. §2º. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. os argumentos religiosos não fazem parte da política. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Portanto. CR. O 116 . ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. São feriados puramente religiosos. Entretanto. são culturais. Não teria sentido acabar com esses feriados. . existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais.. O tribunal. a competência é em relação à cultura. o argumento supracitado não está correto. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Segundo o prof. 5º. políticos e religiosos. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Para o prof.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. VIII. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. onde se tem poucas escolas boas. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. e cultura é competência comum – da União. inegavelmente.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. a escola não deve impor ao menino. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. imagine uma cidade pequena. §1º. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. a neutralidade do Poder Judiciário. então. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. há algumas ações. Mas. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional.

deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). conforme portaria da ANVISA. CR. 5º. O prof. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. JAS diz que não são direitos coletivos. 5º. ☺ art. CR: Não é só a liberdade de se associar. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. 5º. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. Para que as pessoas possam se reunir. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. mas os políticos. Há. mas a de permanecer associado. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. XXI. XVI. A pessoa alega imperativo de consciência.) 2. Não cumprindo com a obrigação. terminada a reunião. tem o caráter permanente. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). de cooperativas. 2. elas vão embora. 15. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. as pessoas se reúnem e. (Não pode reunir pessoas armadas. 5º. IV). 4. mas direitos individuais de expressão coletiva. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Ex: fazer segurança. A República é o governo das razões. não são os religiosos. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). ainda. ☺art. XVI. Criação de associações e. CR. não é necessária a autorização estatal. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. por sua vez. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Se não houver essa lei. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. então. etc. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. o argumento deve ser racionalmente justificado. Quem fará a tradução não é a Igreja. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Liberdade de reunião. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. desviar o trânsito. Ex: reunião de condomínio. 3. Criação de sindicatos. na forma da lei. XVII e XXI. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Segundo Jean Rivero. mesmo que em locais abertos ao público. A associação. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. essa hipótese é de representação processual. Por que a CR exige prévio aviso. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Criação de partidos políticos. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa.

Segundo JAS. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. CR) quando ajuíza uma ação. Em seguida. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. do próprio regime desse direito. XXIII. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. a função social. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. mas sim contrárias ao direito e. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). LXX. em seu art. ADC e ADPF. segundo o qual. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Segundo o STF. não pode existir mais de uma federação por território. Só pode representar se houver autorização expressa. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. É o entendimento de Daniel Sarmento. Função Social da propriedade: A CR. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. O sindicato (☺art. 5º. defendendo direito alheio. mas faz parte da estrutura desse direito. 5º. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Se ele tem proteção. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). não são legítimas essas invasões. Há um outro entendimento que. 5º. não impede que o direito de propriedade seja protegido. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). ☺art. ilegítimas. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. se não for atendida. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. segundo o prof. garante o direito de propriedade. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. a propriedade terá uma proteção menor. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. 118 . a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. Ela só garante o direito de propriedade. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Segundo o STF. o direito de propriedade pertence ao direito público. A Constituição não garante o direito à propriedade. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. XXII. é mais correto. não precisando de autorização expressa. A associação impetra em nome próprio. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. mas não pode ajuizar ADI. O que acontece é que se não cumprir a função social. Ex: Invasões de terra pelo MST. 8º. ter um patrimônio mínimo. por exemplo.. no seu art. segundo o prof. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. pode ser dada numa Assembléia Geral. tendo um menor peso na ponderação. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. Segundo ele. portanto. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. Segundo o STF. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. como a Constituição garante o direito de propriedade. III.

5º. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. etc. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. justa e. deve haver indenização? Não. b. Os principais aspectos são 2. IPTU progressivo no tempo. b) ☺ art. por utilidade pública. que deve ser prévia. É um aspecto lógico. CF/88: Trata-se de imóvel rural. diante de uma emergência. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. indenização por títulos da dívida pública). Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. A função social. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Desapropriação: Diferentemente da requisição.000 habitantes (§1°). O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Vejamos abaixo. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. como um apartamento. em regra. por ser inerente ao direito de propriedade. deverá ser em dinheiro. a indenização será sempre posterior. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Propriedade Urbana: ☺art. 2. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . CR. A polícia requisitou determinadas propriedades. normalmente. 184. há uma transferência compulsória da propriedade. Logo. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Ex: caso de Eloá. 182. §2º. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. na desapropriação. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. Na requisição. restringe o caráter absoluto. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. ou por interesse social. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. XXV) e as militares (☺art. No caso de requisição. Sempre que há requisição. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Vejamos: a) ☺art. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. o proprietário não tem culpa. Propriedade Rural: ☺art. uma escola pública. Além do caráter absoluto. como decorrência do primeiro. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. 186. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. mas sobre a propriedade em si. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Para atender a função social. Como haverá indenização se houver dano. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. a saber: a. Sempre haverá indenização. VII). a saber: por necessidade pública. 182. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. só haverá indenização se houver dano. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. 139. ele não poderá ser prejudicado. CR. §4º. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social.

os bens serão confiscados – art. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. não há pagamento de indenização. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). 183.o morador não pode ter outro imóvel. etc. Se ela é produtiva. não precária. Só que. no máximo. regra. É sempre indenizável (justa. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Se ele tiver outro imóvel.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. 120 . §3° e art. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. seja urbano ou rural. §5º. CR). • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Confisco: No Brasil.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE.: Imóveis públicos. 5º. Vejamos: . Nesse caso. O confisco de propriedade está previsto no art. o imóvel deve ter. possuir o imóvel como se fosse seu. CF/88. no máximo. 3. 243 da CR. A Constituição não permite – ☺art. . Obs. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. por ter prazo menor. . 243. paga em dinheiro). Na CR. não podem ser adquiridos por usucapião. precisa recorrer ao judiciário). Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). . pacífica. 185. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade).).Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família).CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Necessidades permanentes da sociedade. Só não podem ser para fins de reforma agrária. parágrafo único. sem oposição. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. ininterrupta. prévia e. 250 m2. Necessidades transitórias. Para esse fim. Como o confisco é uma sanção. . em Indenização posterior se houver dano. Requisição Refere-se a bens e serviços. 2. é porque ela está cumprindo a sua função social. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. emergências da sociedade. São imunes a impostos (☺art. 184. CR). Usucapião: Na Constituição da República. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. 191. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. PU.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. 50 hectares. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). sejam urbanos ou rurais.

CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. 5º. 5º e no art. A garantia existe para a proteção desse direito. Esta hipótese é. Retroatividade da Lei Penal. interpretando a lei da maneira (A). Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. mas que vale especificamente para o direito tributário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. autônomo. CR). → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. a regra também é a não retroatividade (art. Seria correspondente à primeira hipótese. No direito penal. XXXVI. a CR/88 entrou em vigor. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. As hipóteses mais importantes são: 1. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. na verdade. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. desde que seja mais benéfica para o réu.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. a lei interpretativa retroage. 5º. b) Retroatividade benigna. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. é necessário diferenciar duas situações. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Durante a vigência desse contrato. inicial. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. 3. Para responder a essa questão. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Todas as demais o consagraram. média e mínima. não era muito democrática). Em regra. outros a interpretavam de maneira (B). é uma conjugação das duas anteriores. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . mas deve respeitar a coisa julgada. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. 106. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. XL. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. a saber: 1. 2. Alguns a interpretavam de maneira (A). Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. só que exclusiva para o direito tributário. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. Em resumo. A lei interpretativa retroage. não. etc.

de acordo com a legislação da época. e não as parcelas que compõem o vencimento. . mas isso está superado. É claro que isso não é desejável. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. . . Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. dirige-se apenas ao legislador ordinário. → Coisa julgada: 122 . o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. . inclusive as de ordem pública. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. ela afeta a todos. Na retroatividade máxima. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Não pode haver a redução. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. automaticamente. haverá uma retroatividade média. Se a Constituição atingir essa prestação. Antes de a prestação ser paga. interpreta a lei em sentido amplo. ☺Súm. coisa julgada e ato jurídico perfeito. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. XXXVI) é lei em sentido estrito e. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. em regra. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. O prof. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. será necessário que a Constituição diga expressamente. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Nesse caso. É claro que isso não é desejável. extintas. STF. Havendo mudança de regime jurídico. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. no caso de retroatividade mínima. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. 473. Se mudar o real. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. 5º. b) Retroatividade média: pode ocorrer. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. até mesmo. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Só que para haver essa retroatividade. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Portanto. As parcelas podem ser reduzidas e. através de norma de eficácia plena. 2. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. e não lei em sentido restrito. mas as leis não. porque geraria uma insegurança jurídica.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. porque geraria uma insegurança jurídica. 654 e Súm. a Constituição da República entrou em vigor. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Só que para haver essa retroatividade.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. A EC poderia prejudicar direito adquirido. e não o ato exaurido. Após a Constituição de 1988. não há posição prevalecente. haverá uma retroatividade máxima. portanto. Ex. Ex: Determinada prestação.

Eros Grau. e pelo Min. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. Já os direitos sociais. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. Ou seja. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. No art. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Mas isso não é verdade. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. Os princípios. 5º. independentemente da sua natureza. independentemente de qualquer fator.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Por isso. 2. Dirley Jr. são mandados de otimização. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. consagrados em NEP ou NEC. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. . o que significa que possuem um caráter positivo. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. b) o art. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. por ex. Assim. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. §1º. 5º. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. de sociedades pluralistas. para dar decisões concretizando tais direitos. como doutrinador. Os direitos de defesa são. à medida que a sociedade o determine. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. 5º. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. pois são mais facilmente implementados. em sua maioria. em regra. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa.: salário mínimo). Eficácia: todo direito tem um custo. Direitos Sociais: 1. e isso para muitos é um ponto negativo. ou seja. do seu enunciado. mas é apenas a coisa julgada judicial. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. nós deveríamos interpretar o art. segundo Robert Alexy. exigem uma atuação positiva do Estado. são NEL (de princípio programático).☺art. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente.. e não propriamente como ministro). 7º. como teórico do direito (ou seja. Em cada época.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. A administrativa não tem essa proteção. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. §1º. .

Primeiramente. 3ª fase: é a fase desejável.. . só porque recorreram ao PJ. Argumentos contrários à intervenção judicial: . lazer. Em outros lugares. segurança. etc. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. trabalho. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. Obs. as normas possuem uma textura aberta. que estamos buscando. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. rodovias. educação. O que se busca. . por ex. Esses direitos sociais não teriam. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Quando se fala em direitos sociais. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. todas. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Portanto. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. quando foi dado um maior papel ao PJ. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. em tese. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Por isso. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. doutrinador do RS. Como têm apenas eficácia negativa. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Pedro Taques).).Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias.). Norma de direito social não gera direito subjetivo.000. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. essa atuação talvez não seja tão justa. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. implicitamente. não geram direitos subjetivos. legítimas (saúde. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. é importante definir tais critérios. A visão do juiz é bilateral. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. por ser norma programática. assim. Assim. por ex. Esse entendimento já foi superado. normatividade. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. pois.000. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. pois. previdência.

Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. eleições periódicas. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. não se encaixaria na realidade brasileira. Assim. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. teríamos a maior utilização das ações coletivas. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . pois. Se não se estabelecer os critérios. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. 125 . inclusive a minoria. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). Mas. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica).Déficit democrático das instituições representativas. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Não é o entendimento que prevalece. Os direitos sociais estão consagrados em normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. . Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. em razão das limitações orçamentárias existentes. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. . Se um poder se encolhe. . Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. e é muito utilizada no Brasil. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. em 1972. em razão do Princípio da Igualdade. no que diz respeito aos direitos sociais. ou seja. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. É preciso. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador.Caráter normativo da constituição. por isso. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. A reserva do possível. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. segundo Ingo Sarlet. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. eles acabariam sendo inviabilizados. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. saber se a demanda é razoável. De se ver que quando se fala em direitos sociais. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Ademais. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). Esses argumentos são os que devem prosperar. o outro cresce. sufrágio universal. entra-se muito nas questões ideológicas. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda.A democracia não é apenas vontade da maioria.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública.

.. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. etc. precisam ser concretizados. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. quando se estabelece o mínimo existencial. depende de cada época e de cada sociedade. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. a questão da efetividade será prejudicada. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. educação e moradia. é o mínimo existencial. maior o risco de não ter efetividade. Outros autores já falam apenas em saúde. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. essa concretização. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. que é a corte suprema na Alemanha. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. por ser necessária para a 126 . Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). em 1953. mas teria um peso maior na ponderação. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Vejamos: 1. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. é o entendimento mais adequado. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. A reserva do possível é uma matéria de direito público. que existem z pessoas na mesma situação. Não é o máximo desejado. A efetividade passa pela sociedade. em razão de sua textura aberta. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. No Brasil. pelo cumprimento voluntário da constituição. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Ou seja. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. mas deve também ser provada. Segundo o prof. . da liberdade material e do princípio do estado social. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Se não definir o conteúdo. Assim. Segundo Ana Paula de Barcellos. que a demanda custa y.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Segundo Ricardo Lobo Torres.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. assistência em caso de necessidade. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. 2. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. saúde. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Por que falamos em “mínimo”.

fazendo parte do conteúdo do próprio direito. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. língua. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. estatístico. CR). População está relacionada ao conceito demográfico. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. e. irão concretizar os direitos sociais. Pode. já dizia algo muito semelhante. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Ex. A partir do momento que um direito social é concretizado. Os poderes públicos. §1º. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. um pensamento mais flexível sobre o tema. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. de acordo com a necessidade. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. haveria um engessamento do legislador e do PE. que significa nação. Todos que moram no Brasil. passaria a fazer parte do próprio direito social. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. esse prazo não pode mais ser reduzido. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Segundo ele. Ele tem. pois. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. fazem parte da população brasileira. JAS. só ampliado. ao estudar as normas de princípios programáticos. 2) posicionamento de um autor português. entre eles: laços culturais. fala-se em vedação do retrocesso social. assim. da máxima efetividade (art. 127 . Por isso. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. não pode haver uma redução dessa concretização. segundo ele. Há dois posicionamentos quanto ao tema. haver uma redução do grau de concretização. e do Estado Democrático e Social de Direito. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. históricos. 5º. costumes. da dignidade da pessoa humana. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. independentemente da nacionalidade. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. o que prejudicaria a sociedade. consciência coletiva.

Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. estrangeiros residentes.Quase nacionalidade (art. há direito público subjetivo do estrangeiro. adquirem a nacionalidade do país onde residem. b). não há direito público subjetivo. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Refere-se aos brasileiros natos. art. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. CF/88. a). de acordo com o art. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. não haver condenação penal e requerimento do interessado.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento).Diferenças de tratamento 128 . 12. terá naturalidade brasileira. Refere-se aos brasileiros naturalizados. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. se não se manifestarem contrariamente. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. II) Jus Sanguinis: ascendência. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). os pais têm que ser brasileiros. 227. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. 12. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). 12. Quando a pessoa é nascida no Brasil.815/80. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. desde que haja reciprocidade. Pelo critério funcional. considera a nacionalidade dos pais. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. De acordo com o critério sanguíneo. Obs. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. por uma questão de soberania nacional. 12. 112 e 115. II) Naturalização expressa (art. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. . Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. o filho terá nacionalidade brasileira. Se o casal estiver a serviço de outro país. c. 12. I. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. §6°. Neste caso. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). I. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. I. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. . É o caso do Brasil. A EC 54 alterou o art. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. É geralmente adotada por países que estão em formação.

confundir a súmula acima com a seguinte. §2°. XL. cria-se um problema de relação internacional.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. ou que tenha filho brasileiro. Os critérios utilizados são: . 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. presidente da CD. Não se pode.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. não se poderá invadir esse estado. CF/88): 129 .se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. d) Extradição (art.Perda da nacionalidade (art. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. §3°). STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Expulsão: consiste na retirada a forca. 12. .815 (ato nocivo ao interesse nacional). Mas. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1.linha sucessória do presidente da república: PR. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. 12. a ela aplica-se a súmula 1.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. . portanto. vice. . Princípios relacionados à extradição: . O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. do território brasileiro. Na extradição. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. 89. Mas. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. 5°. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. No caso de brasileiro naturalizado. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. presidente do SF. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. 12. 5°. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Importante analisar a Súmula 421. no entanto. 65 da lei 6. A deportação está mais próxima da expulsão. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). CF/88). Já na entrega. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. b) 6 assentos do Conselho da República (art.segurança nacional: oficial das forças armadas. §4°. Se o estado desrespeita essa regra. . em razão da soberania nacional. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. em razão da superioridade da Constituição. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. .Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. 5°. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. dependente da economia paterna. . todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. só poderá ser extraditado: .

São requisitos apenas técnico-formais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. é o direito de votar (e não de ser votado). . inclusive sendo cláusula pétrea. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. com a realização de eleições periódicas. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. one vote”. .: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. caput). 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. o sufrágio censitário (ex. ou seja. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. na forma da lei (que ainda não existe). perderá a nacionalidade brasileira. Para JAS.é periódico: essa periodicidade do voto. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. . Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. 14.tem valor igual para todos: “one man. Além dessas características do voto. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. 130 . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. pelo CN. e não requisitos preconceituosos. é o direito político em si. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. one vote” – “one person. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. 14. 81. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). que exige uma alternância de poder.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Servem ao controle do próprio direito. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. §1º). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. salvo nos casos das alíneas a e b.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. §1º. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). salvo se por meio de ação rescisória. voto é o exercício desse direito. Direitos Políticos: . de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). A CR/88 adota o sufrágio universal. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. nacionalidade e alistamento. . São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga.é direto: é a regra.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. Características que o voto possui no Brasil: . e esse país não admite dupla nacionalidade ???. com uma única exceção: art.

este dispositivo fala em sucessão e em substituição. Primeiramente. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). 12. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. §3º. 14. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. trata-se de lei ordinária. domicílio eleitoral na circunscrição. no caso do art. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). No Brasil. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. §7º . parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. 14. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). ☺ar. 14. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . ou seja. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). com exceção dos portugueses equiparados. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. ela é adquirida progressivamente. Assim. dentistas. a inelegibilidade em relação aos militares (art. Além dessas condições relativas à idade mínima. 14. até que se atinja a plena cidadania. §3º? Segundo o STF. que geralmente admitem desincompatibilização. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. assim. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. 14. então. Mas o §9º do art. §8º). os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos).é conhecida como inelegibilidade reflexa. filiação partidária.☺§3º. . §1º). no governo de SP). 14). salvo se já titular do cargo. §5º . do art. etc. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. . os inalistáveis são os estrangeiros. se houver reciprocidade (art.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. Ex.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). Quando a Constituição fala apenas em lei. 14 traz um questionamento. ou seja. é o direito da pessoa ser votada. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania).Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. em caso de reeleição. 14.

não há como readquirir os direitos políticos). A doutrina (JAS. e quanto a isso não há divergência doutrinária. mas o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). 132 . II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. 15. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. é algo temporário. Kildare. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. seus parentes também poderiam ser candidatos. 15 (incisos II. 15. III e V) são hipóteses de suspensão. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. VIII). 5º. nos termos do art. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Com base nessa distinção. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. o prof. I. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. portanto. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. Todas as outras hipóteses do art.

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