Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. Neste sentido. Tem-se utilizado. Partindo. É. o local e a época. e. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Numa vertente mais restrita. do estado e das instituições democráticas. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. uma teoria normativa da política. como o inglês. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. reporta-se a um sistema normativo. por seu turno. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. em sentido jurídico. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. um claro juízo de valor. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. mas proteger direitos. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. como sociológica: “em termos jurídicos. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. assim. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. Kildare Gonçalves Carvalho. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. em especial limitar o poder arbitrário. os fins socioeconômicos do Estado. enfeixado na Constituição. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. e que se encontra acima dos detentores do poder. sociologicamente. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. no fundo. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. mas também de outros assuntos. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. O conceito de constitucionalismo transporta. a defesa da Constituição. 4 . emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. numa terceira acepção possível. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. Numa segunda acepção. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. E para isso. o americano e o francês. então.

se contrapõe ao absolutismo. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Garantia jurisdicional. b. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Foi a mais avançada forma de governo. ii. Grécia antiga: democracia constitucional. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. • Princípio do governo limitado. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. fases pelas quais passou a constituição. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Estabelece as regras do jogo político. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Roma: idéia de liberdade. Como ressaltado por Jorge Miranda. Governo limitado. desde logo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. 2. Inglaterra: rule of law – governo das leis . b. integram-no. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. e da França. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. em 1791. Foi a 1ª experiência constitucional. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). porque é o poder que possui a maior neutralidade política. após a Independência das 13 Colônias. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Influenciaram o direito francês e americano. ii. Atribui competências aos três poderes. (Livro do Alexandre de Morais). Foi uma retrospectiva do direito Grego. 1. Estado Hebreu: estado teocrático. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. quem. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. a partir da Revolução Francesa. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. d. porém. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. como e até onde pode mandar. a.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. em 1787. • Separação dos poderes. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Hoje. A democracia é a representação da vontade da maioria.surgiu em substituição ao governo dos homens. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Por isso. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. c.

O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. 4. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Constituições da democracia marxista ou socialista. PE e PJ). Eram apenas uma diretriz. d. Hoje. diretrizes. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Constituições da democracia social. havia regras. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. a. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). direitos fundamentais. A partir dessas novas idéias. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. sem força vinculante. O Estado é um meio para atingir determinados fins. O ser humano é um fim em si mesmo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. os costumes 6 . que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. estabelecidos pela Constituição. Constituições da democracia racionalizada. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. estabelecendo diretrizes. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Segundo a tradição francesa. ou seja. na época das Revoluções Liberais. Garantia de direitos. Todos os poderes constituídos (PL. b. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. aplica-se a analogia. b. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. XX). Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Novas idéias foram surgindo. as constituições tinham caráter mais político. Rússia. Separação de poderes. ii. Constituições de países subdesenvolvidos. 3. Começou a se falar em um direito moral. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. c. c. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Idéias principais: i. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Força normativa da constituição: antes. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. estarão subordinados a ela. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. as quais são denominadas por pós-positivismo. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. XIX. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. a maioria da nação. Ex. ligada à idéia de liberdade. foi o Abade Sieyès. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar.

80% da legislação tem influência direta do direito internacional. é o judiciário. Solidariedade. Participação. Entre uma regra específica e um princípio geral. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. há uma euforia dos princípios.. Verdade. Hoje. fidelidade partidária. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Mas essa é uma posição muito radical. espuma do chopp. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR).  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). etc. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Não se aplica diretamente a constituição. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. tratado internacional tinha status de lei ordinária. verticalização. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Na Itália. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Constitucionalismo do futuro. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. d. Os princípios. aplica-se a regra específica. g. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. os princípios. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Consenso. aborto no caso da acrania. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Teoria Concretista Geral. pois esta é a concretização de um princípio geral. Para Paulo Bonavides. • • 5. Universalização. f. c. b. de uma forma geral. Quando o legislativo é fraco. e. união homoafetiva. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Na jurisprudência do STF. demarcação de reservas indígenas. que é aplicada mais às regras. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Para Barroso. etc. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. é o juiz. Eles são importantes. fala-se muito a respeito do ativismo judicial.  Aplicação direta da constituição. A aplicação da norma se dá pela subsunção. cotas em universidades. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. mas quem dirá o que ela é. Ex. Integração. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. 7 . Ele atua como legislador negativo e positivo. EUA: nós estamos submetidos à constituição. o judiciário aumenta sua força. Continuidade. Hoje.

referendo e iniciativa popular”. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. cujo titular é o povo. o exercício deste poder. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. 46. CR. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). a solidariedade. CR) e. pertinentes. Habeas Corpus Act de 1679.709/98 (que regulamentou o art. verdadeiro sistema híbrido. o P. de soberania popular. Podemos falar. Vale dizer. 14. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. dá-se através dos representantes do povo. mediante: plebiscito. 1º. caput. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. de forma expressa. Como regra. Bill of Rights de 1689.U. 1º da Lei 9. segundo o art. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). por intermédio de seus representantes. Petition of Rights de 1628. CR). a continuidade. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Fundamental Orders of Connecticut (1662). concretizando a soberania popular. nos termos desta Constituição”. I. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). O titular do poder é o povo. a verdade. que são os deputados federais (âmbito federal). Carta outorgada por Carlos II (1662). Act of Settlement de 1701. II e III. então. Contratos de colonização. do art. de acordo com o art. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. portanto. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Compact (1620). que. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Assim. com valor igual para todos. a participação.

O fundamento da constituição está nos fatores sociais. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita.. na política ou na filosofia).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. portanto. conforme o prisma de análise. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. O art. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). mas apenas leis constitucionais. Constituição e leis constitucionais são. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex.: art. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. que adota o conceito decisionista de constituição. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. o restante. §2º. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. a que Carl Schmitt chama de Constituição. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. a Constituição é norma pura. que surgiram com as constituições mais prolixas. é vinculante e obrigatória. os direitos fundamentais. Segundo ele. o caráter normativo e vinculante da Constituição. ou seja. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. As leis constitucionais são todo o restante. mas materialmente distintas. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. têm a mesma forma de elaboração). formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. não passaria de uma simples “folha de papel”. Essas normas são programáticas. Para entender tal concepção. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. A Constituição Escrita. como por ex. para ele. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. ou seja. Esta concepção atualmente é inadmissível. Toda a Constituição. quando não corresponde à Real. → Segundo Hans Kelsen. 1°. A conferência realizada por ele. na sociologia. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . Objetivos fundamentais também são normas programáticas. com exceção do Preâmbulo. PL. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. caso contrário. Esta é a concepção que hoje prevalece. 242. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). PJ.

desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Seu único comando.Soberania. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. é um elemento conformador. neste sentido. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. . devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. portanto. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). é a Constituição escrita (CR/88). 10 . e também jurídico.Povo. modificando-a. não está escrita. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). por isso não tem nenhum expoente específico. segundo esta concepção.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. qual seja. A CR/88. é apenas uma pressuposição. Gilmar Mendes).Finalidade. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. é: todos devem obedecer a Constituição. posta pelo Estado). Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. todos os setores da vida social. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). . os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). Ou seja. . só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. ela não existe na realidade. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ao mesmo tempo. . seja pela introdução de novos elementos através de emendas. condicionante desta mesma cultura. mas que trata de todos os aspectos. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min.Território. define tais elementos estruturais. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. a Constituição tem sim fundamento sociológico.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. é uma norma pressuposta. não introduz nenhuma novidade. quais sejam: .

11 . por ex.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Constituição Espanhola/1930. há pouco espaço para se ter costumes como regras. a Constituição Inglesa. 1967.democrática. quem vota a matéria são as lideranças. No Brasil. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. . ou variadas): ex. é fruto das idéias.: as constituições outorgadas recebem. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). de maneira unilateral. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). toda Constituição histórica é costumeira. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). 3) Quanto à origem: . . Obs.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. . Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Por isso mesmo. podendo ser: . Ex. . dos dogmas predominantes naquele momento histórico. Nesse caso.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). consuetudinária (não é escrita). como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). 1937. surge em um só momento. e como é bastante prolixa. promulgada. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. votada. trata-se de modalidade anacrônica. pois toda constituição é escrita e não-escrita. as constituições outorgadas foram as de 1824.não codificadas (ou legais. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada.. . tem também vários documentos escritos. não surge de uma só vez em um só momento. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).outorgada: é a constituição imposta. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. a constituição não se torna democrática. É uma aprovação simbólica).dogmática: sempre escrita.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. a classificação irá ajudar a compreender a constituição.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. por alguns estudiosos. . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. 4) *Quanto ao modo de elaboração: .. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. como por ex. o apelido de “Cartas Constitucionais”. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. de uma só vez.

pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. . sem se preocupar com os detalhes. Ex. . 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. deixou de ser considerada flexível.) . independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. É uma classificação típica das constituições costumeiras. Não existe controle de constitucionalidade das leis. 1º. sucintas. (Obs.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. inclusive a CR/88). reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. Ex.: a Constituição dos EUA). uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Como se submete a esse tratado internacional. . Constituição Inglesa. É uma constituição em sentido formal.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Por este motivo. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. São chamadas também de clássicas. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida.: art.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. como é o caso da CR/88. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). CR). porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Ex. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). sendo assim. portanto muito difícil de serem modificadas. mas sim o processo mais dificultoso. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. . Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material.fixas: não poderiam ser modificadas.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Em 2000. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. ou seja. passou a haver hierarquia entre as normas. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. É uma constituição em sentido material. . O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .

OBS. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Constituição em sentido formal. o DF. Fixas. CR. e não de apenas uma ideologia. rígida (ou super-rígida). democrática. . União. Canotilho. prolixa. o Municípios. sumárias. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). sucintas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. básicas ou clássicas). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Ecléticas. dogmática. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Rígidas. o União. 13 . Não-escritas (inorgânicas. porque é fruto de várias ideologias. dogmáticas. como por ex. que surgiram com um objetivo pré-definido. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. mas sim uma obrigatoriedade!).: a CR/88 é ainda Eclética. formal. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Democráticas (populares. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. (processo legislativo). costumeiras ou consuetudinárias). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Característica das constituições clássicas. Ex. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). pois valem a todos os entes federados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). votadas ou promulgadas). que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. 59 e segs. Pactuadas (ou pactuais). codificada. 3º. É a CR/88. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos).: art. Flexíveis (ou plásticas). Históricas.: art. Constituição programática (ou dirigente). o Estados. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis.

Importa dizer. ordinárias e complementares). Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . para fins de controle de constitucionalidade. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. No topo. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. 59. 59. II a VII). a Constituição tem que ser rígida. estaduais. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. cujo fundamento de validade são as leis e. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. a Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. distritais e municipais. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. DL e Resoluções – ☺art. §3º).343/SP.: decretos e regulamentos. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. Para que exista supremacia formal. obrigatoriamente escrita. princípios ou regras. por ser rígida. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. 59. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. direitos fundamentais ou não. se tiver também supremacia formal. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. CR). as medidas provisórias. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. 5º. que existem como complementação dos ANP). basicamente. que a CR/88. as leis delegadas. enquanto as regras são mais específicas. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. o indireto. encontram-se as normas constitucionais originárias. No entanto. uma Constituição só possui relevância sociológica. LC. sejam elas originárias ou derivadas. MP. as derivadas (art. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. porque os princípios têm maior amplitude. por 3 níveis hierárquicos. Leis Delegadas. tem de ser. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. do Senado e do Congresso Nacional (☺art.

por uma questão de economia legislativa. 69. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. MPs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Por ser uma matéria reservada.status constitucional. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. 69. mas somente uma recomendação. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Leis delegadas. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. 47. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. é sempre o mesmo número ☺Art. No entanto.☺Art. Quando não exigir LC. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Não varia. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Lei ordinária Art. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Residual. 47 é a regra geral. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Essa aprovação não é obrigatória. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). No caso da prisão civil por dívida. Anotar como complemento posteriormente. Portanto. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. que regula a LC. OBS: O art. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária.☺Art. Reservada pela CR/88.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. a previsão constitucional exige complementação.

no caso de repartição vertical. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. ☺Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. não cabe ADIN. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. 21. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. há hierarquia. 16 . 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). III. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). a competência para resolução é do STF. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. como o controle exercido será de constitucionalidade. 102. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. E. • União – ☺Arts. pois não está ligada diretamente à Constituição. Havendo conflito (ex. Assim.: lei estadual trata de matéria de competência da União). CR. DF). assim. • Estado – ☺Art. Assim. 25. 30 (assunto de interesse local). Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). Hierarquia entre Lei Federal. Parei aqui. d. conforme previsto no art.

visando assegurar a supremacia da constituição. Assim. seja uma norma de referência para ele. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. como para Canotilho. etc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). o CDC. Como não tem caráter normativo. b) Parte permanente = normas gerais – arts. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. é diretriz hermenêutica. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. contudo. ou seja. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Com a EC/45. Não existe.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. deve estar inserida no texto da CR. os TI de direitos humanos. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. Refere-se. mas também o preâmbulo. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. Abrangeria não somente a constituição. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. Tirando o preâmbulo. .Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. portanto. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. quando são equivalentes às EC. 17 . tem função interpretativa). 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). . não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. .

art. 3.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. AIO. 154. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). quando não é respeitada uma norma de competência. ocorre. às vezes. 61. não será cabível mandado de injunção. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ADC e ADPF. se considerar em relação a uma expressão é total. Dependem do prisma de observação. Aqui. as Súm. ou seja. 3.de princípio programático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Formas de Inconstitucionalidade: 3. I – que exige LC para instituir impostos residuais).: a Súm. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. STF não é mais aplicada. o Min. Ou seja. ADI. Obs.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). aliás. Ex. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. Assim.: competência privativa do PR (☺art. Ex. . b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. 18 . CR).3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Pode ser: . ou seja. A omissão parcial nada mais é que uma ação. pois. (Obs.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. mas caberá ADIN por omissão). Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. No STF. . A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. há uma divergência na doutrina. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. §1º.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Não Auto-executável. Ex. não pode ser suprido pela sua sanção). atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. MI. 4 e 5. Assim. mas o prof.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. 3. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. e Não Bastante em Si. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 5.de princípio institutivo (Obs. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Não Auto-aplicável.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. 5° a 17).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.

que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). de ofício ou a requerimento da parte. No caso do decreto. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. decretos regulamentares. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. o que houve foi um desrespeito à Constituição. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). refere-se. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. b. 66.: a palavra “não”.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. 3. no controle concentrado abstrato. Quando se fala em inconstitucionalidade. Assim. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. o decreto se torna inconstitucional. Se o decreto é ilegal. ato originariamente constitucional. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. ou seja. como altera sentido do texto. ou seja. Obs. CR. reflexamente (ou de maneira 19 . Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). Pode ser: b. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. a inconstitucionalidade será direta.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. não se trata de revogação.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. que só pode atingir todo artigo. e grande parte da doutrina. Ex. aos Atos Normativos Primários. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. Segundo STF. atos previstos no art. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. a inconstitucionalidade será indireta. Relaciona-se.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. 59. pode ser questionado. que se ligam indiretamente à constituição. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. pois. todo parágrafo. Para o prof. não pode ser retirada). não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Ex. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. toda alínea ou todo inciso (☺art. já sendo inconstitucional desde a sua origem. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. § 2°). desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. No caso da lei. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei.

tem fundamento de validade indireto. já que de maneira indireta. portanto. ela não está violando o direito de ninguém). porque o chefe do PE. a inconstitucionalidade é indireta. é excepcional. OBS: não adianta decorar o nome do ato. IV. O veto tem que ser expresso.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. porque ele é o único que participa do processo legislativo. 66. mas sim analisar cada caso concreto. 84. pois pode ser derrubado (☺art. No 1° caso. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. ele não precisaria impetrar o MS. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). embora participe do processo legislativo. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). segundo o STF. 66. por isso aqui não há que se falar em controle). O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). Caso contrário.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. inciso ou alínea). que se exerce através do veto (☺art. CR. CR). por isso ocorre antes da promulgação da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional.. 84. é fundamento de validade direto e no 2° caso.ou concreto. Art. não pode impetrar o MS. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. quando ele participa do processo legislativo. .sancionar. assim. o projeto 20 . porque o ato não fere diretamente a CR). Trata se de um controle incidental. . prevenir que a CR seja violada.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). viola o art. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. O chefe do PE. como pelo PE e PJ: . Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. mas uma mera análise política. O veto é relativo. EX:art. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. a inconstitucionalidade será direta. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. promulgar e fazer publicar as leis. §2º. parágrafo.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. Obs. se ele entender que o projeto é inconstitucional. 60 parag 4. IV . O único legitimado para impetrar esse MS. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.

21 .sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Na verdade. o PR elaborará então a LD. Questão: o PR. pode ajuizar uma ADI. Legislativo? Sim. ADC ou ADPF. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. não lhe cabendo. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. desta feita. a separação dos poderes.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. o Senador. na qual o projeto esteja tramitando. 168): o STF. interpretações regimentais. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. que é o chamado Decreto Legislativo. e as normas do RI são questões interna corporis). V.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. mas um processo legislativo constitucional. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). ou seja. muito embora não sejam formalmente constitucionais. CR. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. que entende que “. No entanto.. somente o Deputado Estadual. o voto direto. se está no Senado. Leitura do livro do Lenza (pág. aos direitos fundamentais”. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. que. 49. vedando-se. os direitos e garantias individuais” – ou seja. em um primeiro momento. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. vinculam os atos e procedimentos legislativos. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Ademais. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF.. V . ☺art. tendo como objeto esse Dec. na linha do voto de Gilmar Mendes. já que trata-se de um ato normativo. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . a fim de repará-la.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. por maioria de votos. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. 68. pois não se trata de ato normativo. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Se o projeto tramita na CD. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). as cláusulas pétreas. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. universal e periódico. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Assim. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. §4º. etc. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. secreto. se na Assembléia Legislativa. constituindo-se normas constitucionais interpostas. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. contudo. 60. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. mormente.

dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. 4. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). é necessário fazer-se um controle repressivo). mas tão somente aos prefeitos. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. ajuizar uma ADI. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. tampouco que o PR. IV. por ex. ela deve ser objeto de controle. O TC é órgão auxiliar do PL (art. CR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. não havia relevância alguma).2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. . Apenas excepcionalmente. Não se analisa o mérito da MP). pode o PJ analisar tais pressupostos. clara e evidente – ou seja.. porém. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). não é um entendimento consolidado. segundo o STF? Resposta: em regra.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. GE. pois. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência).Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. ou seja. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. III) Súmula 347. STF: o Tribunal de Contas. . No entanto. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Legislativo para sustar.. mas segundo o Min. esse rol foi ampliado. nesse caso o CN pode editar um Dec. nesse caso. Ele será. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.. 62. 84. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo.084). Desde já. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. o chefe do PE teria que.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Obs. através da edição de um Decreto. já no STJ não há qualquer ressalva. Após a CR/88. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. II) art. no exercício de suas atribuições. Gilmar Mendes. ao fazer um Decreto Regulamentar. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. estudado de forma detalhada a seguir. quando. CR). Assim. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. Antes da CR/88. ao negar cumprimento à lei. simultaneamente. O chefe do PE (e só ele – PR. 71. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. exorbita os limites do Poder Regulamentar.

3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. inclusive o STF). dentro de sua competência. difuso e concentrado). em se tratando de lei nacional. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Ex. com 19 anos de Constituição. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto).: França – que tem o Conselho Constitucional. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. Segundo caso. haviam sido feitas apenas 16 EC. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). Por isso. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. interessante: em 1965. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. No Brasil. já na CR/88. porque surgiu nos EUA. É também chamado de controle aberto. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). mas das espécies de controle. em 1920 (bem depois do controle difuso). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. Por isso. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. em 1803. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. quem exerce o controle é o PJ. se se tratar de lei local. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).Hilton x U. para não gerar essa confusão. isso não é verdade. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88).S.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. porque significam coisas diferentes!). É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Obs. 4.: na Suíça. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. ou seja. já foram feitas 56 EC! 23 . Seu criador foi o grande Hans Kelsen. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). o controle é feito pelo PL. ao mesmo tempo. que completa este ano 20. porque surgiu na Áustria. Primeiro caso.A. 1792 Hayburn s case. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. e é adotado pela maioria dos países europeus. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão.

ou seja. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). ou tendência de verticalização. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. mas deve ser estendido ao controle concreto).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. nos EUA chamado de “Binding Effect”. o principal defensor dessa tendência é o Min. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Por isso o Min. Segundo este instituto. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. também não podem ser objeto de controle abstrato. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. é proteger as normas da CR. No direito brasileiro. A finalidade não se confunde com a competência. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. sendo o controle 24 . o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. por ser uma relação vertical. 102. No Brasil. já não ameaça mais a supremacia da constituição. mas tão somente de controle concreto. Com base nesse argumento. e a partir desse antecedente. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. (O STF é o guardião da CR – art. Este efeito é típico do controle abstrato. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. porque em estando revogada. Da mesma forma. se fala em efeito vertical. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). O efeito vertical. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Gilmar Mendes. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. A análise da lei sempre será feita em tese. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. 97. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes.

o direito de greve dos servidores públicos. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. Gilmar Mendes. se assim fosse. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Por fim. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. Antes. No Acre. ou seja. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. 52. CR. sem que ocorra modificação no seu texto. E. Assim. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). ou seja. não permite essa mutação). em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Gilmar Mendes (e também o Min. tendo efeito apenas inter partes. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. Na decisão do STF. houve decisões proferidas em 3 MI (712. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. No Legislativo: Mas. e não erga omnes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. em ocorrendo isso. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. ou seja. Por fim. Outra situação interessante foi o RE 197. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. 4. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Então o Min. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. viola o princípio da igualdade.335/AC). ainda. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. X. Eros Grau. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). pelo menos por parte de alguns ministros. sendo acompanhado pelo Min. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. então não sabemos a posição dos demais ministros. não uma simples mutação. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC.959/SP. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). há essa tendência de abstrativização do controle concreto.917/SP. Assim. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. o Min. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. como a decisão tem efeitos inter partes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Pois no controle difuso. ou seja. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. Gilmar Mendes. Então. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. que deu provimento à reclamação. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. do PL. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). segundo ele. 25 . Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. O Relator da Reclamação foi o Min. em seu voto.

A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. fundamentação e dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. Num segundo momento (conseqüente). a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. por estarem mais próximos dos indivíduos. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. político ou jurídico. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. não é o objeto principal do pedido. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . estão os procedimentalistas. o que se dá no “plenário virtual”. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade.417/0 e Lei 11. julgando-o procedente ou improcedente. Contrários a essa tendência de abstrativização. pois tem o papel de guardião da Constituição. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade).art. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. é uma questão incidental. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. eles não se reúnem fisicamente. O RE. analisado no dispositivo (conseqüente). A súmula vinculante tem natureza constitucional. O papel do STF não é julgar litígios individuais. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. mas apenas a causa de pedir (antecedente). é um instrumento de controle concreto e há. social. § 3°. não tem natureza processual como as súmulas comuns. Segundo Eduardo Appio. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. 26 . não cabe ao STF analisar. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. somando-se os votos de todos eles. concorda com isso). ou seja. 102. atualmente. não precisam chegar até o STF. (☺ Lei 11. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. a rigor. A repercussão geral (art. por sua vez.418/06). No controle concreto. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. 103-A).

ou seja. eles também são vinculantes. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. art.vinculante.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). questões ditas de passagem. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . mas também à fundamentação. a razão determinante da decisão.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.erga omnes . 102.EC 45/04: art. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). 5. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.868/99 – Lei da ADI e da ADC. .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. . art. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. . cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.I. sejam particulares. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.882/99 – ADPF. e ele se encontra no Dispositivo.U. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. 102. Ademais.: . Sendo assim. secundárias do julgado. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. não determinantes para a decisão) não vinculam. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. §2º. mas tão somente a ratio decidendi.Lei 9. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. há previsão não só na lei como também na CR). A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. 10. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. 27 . a chamada eficácia vinculante. P.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. 28. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. Dispositivo L. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. conforme está previsto no caput do art. sejam poderes públicos. .Lei 9. . Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.

por sua vez. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. a função legislativa). já os órgãos fracionários do STF. Respeitando o efeito vinculante. inclusive o Tribunal de Contas. . . suas turmas e seus ministros. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. No entanto. segundo o prof. outros dizem ser nulo.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. pode modificar seu entendimento. e outros dizem ser um ato anulável.o PL (na verdade. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. que se quiser. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. . 28 . . impedida de evoluir). estes estarão sim vinculados).: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. cuja função não é legislativa. estadual e municipal). a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. até que o PJ a declare inconstitucional. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. Só atinge a norma impugnada.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. no caso Marbury x Madison). mas os sistemas de preclusão processual. (20/03/09) 5. como a coisa julgada.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. pois atinge apenas o dispositivo. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. mas sim fiscalizatória. mesmo que não tenham sido impugnadas.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. Obs.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . inclusive os chefes do PE. É um entendimento que vem desde 1. . também fica vinculado). se as leis devem ser cumpridas. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. Por este entendimento.

917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. decidiu que. ☺RE 197. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. os efeitos são erga omnes). e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. que revogou a Lei A. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. ou 2) excepcional interesse social. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. autor e réu.). como os servidores agiram de boa-fé. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. Ou seja. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.868/92 (art. Lei 9. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. por questão de segurança jurídica. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. poderá o STF.112/90. como regra é retroativo: ex tunc.. o STF. 11). e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. assim.)”. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração.Normas anteriores à CR. 27). Visto a natureza do ato inconstitucional. não precisariam deixar os cargos. Neste caso. como a Lei 9. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. portanto. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. Assim. O STF. Mas. 27. no caso do controle abstrato. ☺art. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). com seus normais efeitos ex tunc. com inteiro teor). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). portanto. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. porque o ato é nulo desde a sua origem. o efeito que produzirá. o Min. . de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442.” . e não no de não-recepção).882/92 (art. não admite a “constitucionalização superveniente”. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. . poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Exs.. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). etc.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.

a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. o resultado será o mesmo. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. portanto foi recepcionada. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. assim. (A norma já passou pelo crivo da constituição. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). chamada “Apelo ao Legislador”. CPP. Ex. um significado A e um B.: a norma x tem dois significados possíveis. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.Corresponde a um juízo de . e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. não foram todos os ministros que se manifestaram). 68. 5. ela progressivamente se tornará inconstitucional). mas.O Tribunal precisaria observar . entende-se que a norma (B) é inconstitucional. de fato. e a norma já foi recepcionada pela CR e. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. Segundo o STF.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. Assim. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. evitando a inconstitucionalidade progressiva. à medida que a situação fática for alterada. 134. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países).2: art. para que este corrija a norma. CR x art. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . pelo MP – a competência é da DP e não do MP. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. portanto. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. que trata da ação de reparação ex delicto. com um só sentido). com condições de trabalho iguais às do MP.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. quanto . ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. Em alguns casos. era uma questão “obter dictum”.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. mas sua interpretação). A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. o prof. portanto. depois de ter sido recepcionada. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. constitucionalidade. Ex. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). reproduzida pelo STF). mas nem sempre.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. ex.Corresponde a um juízo de . devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo).O Tribunal não precisaria 30 . . . quando todos os Estados tiverem DP. controle difuso-concreto.

de ofício. não poderá. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. 2º for dependente do art. . declarar a inconstitucionalidade. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. no controle concreto. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. a cláusula de reserva de plenário. dentro de uma mesma lei). mesmo que não tenha sido questionado. O STF. esta só se faz necessária quando se afasta. se o art. de ofício. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). do art. ou todo o artigo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. 1º e 3º. desde que não altere o sentido do restante da norma. . não podendo.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. .É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. .: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). (*) Para o STF.É uma técnica de decisão judicial. total ou parcialmente. da Lei x. nem sobre os demais. . e são permitidas as demais. o texto da norma. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. como ambas são equivalentes. portanto. b. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. se manifestar de ofício sobre o art. no controle abstrato.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. se for um dispositivo autônomo.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. Assim. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. ou seja. o juiz pode. em regra. portanto. por arrastamento. b) Com redução de texto: b. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Na declaração com redução de texto. ser objeto de ADI.Não há qualquer modificação no texto da norma. 2º. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. 3º. . não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. observar a cláusula da reserva de plenário (*).1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional.É permitida uma interpretação e. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . Ocorre que. Obs. no controle concreto. em princípio. 2º.É excluída uma determinada interpretação. 1º e 3º e. 97). . Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. o juiz não pode. 1º ou do art. em razão do Princípio da inércia. Trata-se de controle abstrato. 2º. são excluídas as demais.

ACP para fechamento dos bingos. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. portanto. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. mas apenas a causa de pedir. Contudo.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. porque seu conteúdo é incompatível com a CR.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. porque. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. apesar de sozinho não ter aplicação. julga também inconstitucional o decreto. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. Ex. Assim. julgará procedente ou improcedente o pedido. ADCe ADPF). Sobre o tema: 32 . o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). de ofício. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Neste caso. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. dentre elas a ACP. portanto. e por arrastamento. mas também quando há usurpação da competência do STF). o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. O dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. No Brasil. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. já que o STF pode. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. mas é que esta não é necessária. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Mas nem todo controle concreto é difuso. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. Obs. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. O pedido será a proteção de direitos. Ou seja. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). neste caso. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. pois será uma questão discutida incidentalmente. todo controle difuso é concreto. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva).

Assim. o que só se pode obter por meio de ADI. também não pode ser delegada). 557. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. no caso. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. ☺art. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. 33 . em defesa de contribuintes. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Nada impede. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. no âmbito dos Tribunais. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. teremos uma lei material. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). pois. Segundo esta cláusula. porém. não pode ser delegada. Os juízes singulares podem. desde que. que é função política. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. de efeitos concretos. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. por meio da ACP. Assim. é função possível de ser delegada. Assim. STJ ☺ Resp. porém. porém. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. 93. conseqüentemente. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. que é mais de 50% dos presentes). por entendê-la inconstitucional (inter partes). as chamadas leis de efeitos concretos. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial.646. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). na prática. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. por ex. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. elaboração de Regimento Interno.: eleição do Presidente do tribunal. 294. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. e no mínimo 11 membros. Em outras palavras.022. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. por exemplo. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes).44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI.159. assim. que é função legislativa. No tocante. 97. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. os Tribunais não têm admitido que. dotada de caráter de universalidade e abstração”. STJ ☺ RE 227. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. Regra da “full bench”. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). XI – órgão especial: para que seja criado.

O professor não concorda. a argüição de inconstitucionalidade (. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). Assim. 481.. prosseguirá o julgamento. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. Exceções: P. como guardião da CR.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente.. será lavrado o acórdão. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. sabe-se que o STF é o guardião da CR. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. sob o argumento de que o dispositivo (art. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. . 481. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. 97. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). se for acolhida. pela maioria dos seus membros. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Há uma repartição funcional de competências. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof.. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). porque para o STF ambas são equivalentes.U. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. Quanto à 2ª exceção. abstratamente. no entanto. se existir no Tribunal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. de acordo com o posicionamento do STF. ou em caso de interpretação conforme. Há quem critique tais exceções. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. assim. CPC) seria inconstitucional: o art. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). ao órgão especial). se entender que a lei é inconstitucional. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial.U. ☺art. Decidido o antecedente. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. P. 34 . não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). podendo decidir o caso concreto. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto.

que não comporta delegação. passa a ter efeito erga omnes. 178. bem como ou STF. Ou seja. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. no todo ou em parte. sustentam que o efeito é ex tunc. o SF não pode suspender toda a lei. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Ademais. Outros autores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. a decisão do STF. 52. que não pode ser retroativa. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. O SF apenas suspende a lei. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. Quando o SF suspende a lei. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. 35 . RISTF. não estando vinculado à decisão do STF. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. portanto. 2) Outros autores. X. O SF não é obrigado a suspender. ou seja. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. em regra. como se tratasse de uma revogação. se assim o fosse ela já seria vinculante). já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. por isso o faz dali em diante. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). Na verdade. trata-se de uma competência exclusiva. O STF já admitia essas duas exceções. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). art. CR – compete privativamente ao SF suspender. entendem que se trata de um ato discricionário. a lei deixa de ser aplicada. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. ela se refere à decisão do STF. Efeitos. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. A cláusula vale também para o controle concentrado. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. É o entendimento mais correto. quando isso ocorre. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. esta decisão deve ser submetida ao plenário. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. A suspensão se dá através de uma Resolução. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF.

já o SF não. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. por ser um órgão do PL Federal. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. já que o SF não atua de forma correta. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. está fazendo uma análise. Mas. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). RISTF) – e isso é óbvio. CR. Gilmar Mendes. ou seja. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). É uma construção da jurisprudência do STF. deve-se recorrer ao entendimento do STF. não havendo a necessidade de suspensão da lei. O SF. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. CR: prevê o escrutínio secreto. um RE para o STF. normas referentes ao TCU.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Segundo o professor. configuraria uma mutação constitucional. obrigatoriamente. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). Art. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. e se o STF. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Segundo o STF. pela simetria deve ser atribuída ao governador. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). LO. §4°. 178. em razão do princípio da simetria. se for apenas uma parte. esta norma não é de observância obrigatória. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. no controle difuso-concreto. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. 57. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. a resposta é negativa. não se referem ao âmbito estadual e municipal. se toda a lei foi declarada inconstitucional. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. etc. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. 59 e segs. Nas situações em que o TJ julga. Art. desta decisão proferida pelo TJ. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. sendo norma de observância obrigatória. 52. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. Ressalta que a letra da norma (art. segundo o Min. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. a partir do momento que resolve fazê-lo. esse entendimento é desejável. Neste caso. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. 66. requisitos para a criação de CPI. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. o que. LC. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. 61: iniciativa do presidente. mas. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Na ADPF este fenômeno também é possível. cabe. Por isso. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. cujo modelo. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. CR) não comporta este entendimento. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato.

A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. retirando a lei do ordenamento jurídico. ele está atuando como órgão de caráter nacional. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). 19. estadual. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). Quando o SF atua como órgão federal.). Ex. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. ADC ou ADPF). os que tratam do TCU. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). etc. por isso pode suspender lei estadual e municipal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). 52. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc.: Lei 8. assim. CR). mas não trata apenas dos interesses da União. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. da organização da União. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. se aplicando ao âmbito federal. do DF e até municipais.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. Ex. Classificação de Osvaldo Aranha B. estadual e municipal. como aos Estados. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). É também uma lei emanada do CN. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis.” Análise do enunciado pelo prof. Sabe-se. portanto. 37. o SF teria um número enorme de representantes). quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. por isso pode suspender leis também dos Estados. só se aplicando ao âmbito federal). está defendendo interesses apenas da União. 59. porém. a suspensão.: arts. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. que deve ser observado no âmbito federal. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Ex. distrital e municipal). não havendo. art. também. Ex. pelo Senado Federal. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. visto que. no controle abstrato (ADI. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. 58. São os dispositivos que se referem tanto à União. no todo ou em parte. por não existir uma federação de municípios. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. §3º. quando o SF atua. X. Assim.: CTN. outros 37 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN.: art. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Quando o SF suspende os efeitos da lei.

de 10/10/1997. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. de fato. MS. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). . d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. é a Câmara Municipal. 38 . no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. pró-ativos (ex nunc). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. SE e AM. então. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Segundo o STF. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). na sua esfera de competência.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. não retroativos). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. é sempre a AL que suspende a lei. no âmbito da AP Federal. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. porque o seu parâmetro não é a CR. adotou-se. da AP Federal direta e indireta. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). Portanto. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). os dois tipos são constitucionais. Com efeito. por força do referido Decreto nº 2. visto que. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. visto que. declarando uma lei inconstitucional. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. 2º grupo: .se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. em decisão definitiva.346. Entretanto. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). RN.346. TO. é a AL que suspende a lei. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. Embora não haja consenso. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Poderá.

Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. ou na CR ou na lei. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). . o duplo grau de jurisdição. a ampla defesa. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. Obs. deve haver a previsão da legitimidade.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. não cabe. A Constituição. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. 103. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. de acordo com essas leis. onde não existem partes formais (autor e réu). e não do trânsito em julgado. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. ☺Lei 9.ADC. 39 .ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto.ADPF. Por se tratar de um processo de índole objetiva. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. mas sim legitimados. e . salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. .2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. Como são ações de controle abstrato. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . tendo partes – autor e réu. ela é meramente jurisprudencial). obviamente. a competência é do TJ). que são a União e os Estados). em seu art.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. 5) Ação rescisória. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). 4) Recurso da decisão de mérito. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.

é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . para ter legitimidade.S. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.A entidade de classe. . Para ter âmbito nacional. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). . . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).Confederação sindical significa de âmbito federal. CS e ECAN. confederação local: sindicato. . a partir de então.A norma do art. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. confederação regional: F. segundo a jurisprudência do STF: .Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. Assim.Os GE. Obs.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Executivo PR GE – GDF P.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. . mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. ou seja. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof..

I. Obs. o RI pode.Norma formalmente constitucional . Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. .: decreto regulamentar do PR. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. por isso não é ANP). . . salvo se envolver violação a direitos fundamentais. são questões próprias de RI. como por ex.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. Ex. direitos e garantias fundamentais. I.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. OBS. todas estão no mesmo nível. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade).☺art. caso o decreto emane diretamente da CR. pois geralmente está abaixo do decreto. decreto regulamentar. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. para ser objeto de ADC e ADI. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. §3º . 1º.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). nas normas que tratam de outra matéria). em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. Lei 9. 102. Não serão objeto de ADI e ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .TIDH (3/5 e 2T) .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. ou seja. a. ele poderá ser objeto. 41 . admite-se o seu controle. sem interferência do PJ. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. geral e abstrato. 102. a. 5º. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).

CR.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. se um novo PGR o substituir. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. ou seja. Hoje. A função do art.Súmula. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. Lembrar que não cabe assistência. só podendo ser objeto de controle difuso.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. posteriores a 5/10/88. Atuação do PGR: ☺art. ainda que ele proponha a ação – ou seja. na outra. pois não produzem mais efeitos. por analogia. §3º. medidas provisórias revogadas. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). devendo ser de todos eles intimado. sem exceção. e. ele vai atuar como fiscal da Constituição. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. CR. como está havendo uma influência de um controle no outro. STF). Atuação do AGU: ☺art. No caso de emenda. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. de defensor legis. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. 103. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. também poderá dar parecer em sentido contrário. o STF admitiu.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Assim. segundo o STF. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Tem status de ministro de estado. se seu entendimento for diverso. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. 42 .leis revogadas. Lei do DF não pode objeto de ADC. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. não ameaça mais a supremacia constitucional. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. Função geral do AGU (art. salvo embargos de declaração. é preciso primeiro ser transformado em EC). da mesma forma na ADPF. . Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . intervenção de terceiros e recursos. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). ainda. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. Mas. leis suspensas pelo SF. não pode ser objeto de ADPF: . 103. 103. . §1º. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. § 3° é uma função especial. portanto está subordinado ao PR. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Gilmar Mendes e de um prof. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. pode ser qualquer ato do poder público. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). Obs. O PGR atua como “custus constitutionis”.

385/73 (☺ art. Amicus Curiae: Em uma tradução. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade).884/94 (CADE).868/99 vale só para a ADI. o AGU até poderia participar. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. não há o que se defender. o das audiências públicas. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Mesmo sem previsão legal. 7º. nos estados que adotam a commum low.868/99 -☺art. por fim. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. Está desempenhando uma função especial.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. portanto. Importante: ainda que como Advogado da União. Tem natureza de auxiliar do juízo. Ela já existia antes.868. seria “amigo do tribunal”. art. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. Cabe também na ADPF. art. 89. o AGU não será obrigado a defender a lei. Posteriormente. §2º da Lei 9. A exposição dos motivos da Lei 9. “amigo da corte”. §2º e art. 7°. 20.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. não precisará do AGU para defendê-la. sendo feita por toda a sociedade. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Não há previsão para a ADC e ADPF. de “defensor legis” e. A previsão expressamente contida no art. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). a Lei 8. Na ADPF. Portanto. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. §3º. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). 482. . 43 . em especial no direito norte-americano. Quando o AGU desempenha essa função.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. 31). só vai contribuir para a decisão do tribunal. É muito comum nos tribunais internacionais. 6º. 7º. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. Na ADI por omissão. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). §1º. Mas atenção: existe um outro instituto. Nesse caso. mas não têm nada haver com amicus curiae.868. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional.868. §1º. §1º e art. por analogia. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. disciplinou a figura. Ele não é alguém interessado na causa. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. ☺ art. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. A audiência pública está prevista na Lei 9. em seu art. Foi introduzida pela Lei 6. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. 9. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado).

admitindo prova em contrário. Mello. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). M.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva.868/99. É. O juiz de primeiro grau. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. . porque iria envolver matéria em relação à vida.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. J. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). não tendo partes. a mais correta. portanto. (Obs. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. seria uma exceção). ou seja. Surgiu com a EC/03. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. ou seja. pois admitiu pessoa física em controle concreto. por ex. autor e réu. Mas depois que a lei foi feita. cabe amicus curiae.102. Quando 44 . pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Apesar de que era relevante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. R. Aurélio. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . admitindo ser intervenção de terceiros (C. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Barbosa e E. Lei 9. segundo o professor. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado.Com relação à presunção de constitucionalidade. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Foi uma exceção.. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). poderia afastar esta presunção. . Marco Aurélio não admitiu. Lewandowski. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Gracie). é um equívoco. . I. ressalta-se que esta é apenas relativa. em despacho irrecorrível. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. “a”. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Obs. Para o prof. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros.

34. . e .Cláusulas Pétreas.Princípios Constitucionais.869/99. Portanto.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC.).Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. Mas.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.U. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). nas outras ações ela também poderá ocorrer). mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. Não é uma ação de inconstitucionalidade. nos quais a lei esteja sendo discutida. . o FHC ajuizou ADC. 45 . portanto. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. II. é mais restrito: somente a violação. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. inclusive o Poder Executivo. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. VII). 14. art. III). Gilmar Mendes.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente.102.Título I: Princípios Fundamentais. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. P.868/99. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. art.868/99. . Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. e . no entanto. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. O STF admitiu ☺Informativo 518. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.882/99. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. CR e Lei 9. a Lei 9. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC.14. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. não há que se declarar uma lei constitucional).Cláusulas Pétreas. Cabe prorrogação. . §1º. na ADPF 33: . os preceitos fundamentais são: . Como visto. . que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR).Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. em seu art. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). ADPF: ☺ Art. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.Princípios Constitucionais Sensíveis. . Segundo a doutrina. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. O parâmetro.21. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. Através do AGU.

b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. dentro do órgão judiciário). O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Ela vai ao juiz de primeiro grau. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. Art. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). O objeto pode ser da esfera federal. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Obs. podendo ser um meio de controle difuso. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. ou seja. dentro do mesmo tribunal. ainda. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Ex. os legitimados podem levar não todo o processo. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. estadual e municipal. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. 46 . A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. art. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. embora seja bastante difícil existir esse meio). Segundo Neri da Silveira.: surge a partir de um caso concreto. Aqui. a vinculação é vertical. Um dos legitimados.: gestante com feto com acrania. Mas se algum dos legitimados souber da ação. P. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Incluindo-se. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. 1º. 196 e ao meio ambiente.882/99. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Proposta diretamente no STF. Características: . embora lá há uma vinculação horizontal.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). § 1° da lei 9.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex.U. 1º. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9.882/99). deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. apenas o STF. como guardião da CR. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. 4°. leva a questão ao STF através de ADPF. na ADPF. neste rol.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF.

: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). TSE/TER (art. mas a converteu em ADI. V). coletivos e individuais indisponíveis (art. o STF transforma a ADPF em ADI. Assegurar a efetividade de suas normas. 5°. h). O STF admitiu a ADPF. à soberania e à cidadania”. § 4°. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. para fazê-lo em trinta dias”. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. 129. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. . Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).Admite-se a fungibilidade. nas CE ou em lei federal).. 5°. à soberania e à cidadania). II e III). 121. em se tratando de órgão administrativo. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 103. . Ex. ADC e ADPF (art.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. 102. STJ (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. LXXI . 47 . I. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. § 2º . No entanto. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora.CR: STF (art. É a mesma da ADI. É controle concreto. . Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). Obs. . É controle abstrato. I.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . 105. q). por ex.

1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. LXX: PP c/ CN. mudou seu posicionamento. entes federativos e PJ dir. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. Obs. não pode fazer a norma para o caso concreto. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. mas esse prazo era direito. autores que admitem. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. ou seja.Órgãos públicos. fundamentais em face do Estado. apenas razoável e não peremptório. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. organização sindical.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. . mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. no entanto. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. 5º. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é b) Concretista: concretiza a norma. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. O STF.MI Coletivo: o STF o tem admitido. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. Recentemente.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). não pode concretizar a norma. portanto. Há. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. Se o PL) e. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 .: na ADI 3682 b. público: MI protege dir. competente de sua omissão (em regra. ou seja. Mas atenção. recentemente. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. portanto não podem impetrar MI. em se tratando de órgão da AP. ECAN e associação c/ 1 ano). concretize a norma (faça a norma concreta). São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.

Ela se subdivide em – geral e individual. De acordo com esta concepção. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Portanto. A regra é o principio da não-intervenção. 652. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). Recentemente. ademais. 680. o PJ. em um primeiro momento. 34. O efeito seria apenas inter partes. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. criando uma norma geral e abstrata. No MI. ou seja. VII). ou seja. Surge a partir do caso concreto. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. nestes casos de omissão parcial. e 2) recusa à execução de lei federal (art. porque adotava a corrente não concretista). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. porque nem a AIO tem esse poder. como regra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. não cabe liminar (antes. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. III. O STF adotou essa corrente no MI 232. CR (provimento. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 34. Essa corrente é bastante criticada. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. A omissão total não cabe MC. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. pelo STF. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). VI). mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. 708 e 712). 49 . 2. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. a intervenção é uma exceção (a União não pode. ao mesmo tempo. o STF está atuando como legislador positivo. 36. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). intervir nos Estados).040). Mesmo adotando a corrente concretista. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. ou seja.

☺art. 614. IV. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. se o STF der provimento à representação do PGR. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. § 1°. ☺art. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. Esta forma não foi prevista na CR. 127. CR. o PR então poderá decretar a intervenção. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. se violados. nem no RISTF. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. no âmbito do TJ. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. Isto está previsto no art. além. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. foi uma criação da jurisprudência do STF. É dispensada a apreciação política pelo PL. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). 125. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. §2º. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. CR. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. STF). O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. portanto. O STF é o guardião da CR. 50 . O parâmetro aqui é mais amplo. mas que surge a partir de um caso concreto. CR. OBS. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). As partes aqui são o Estado e o Município. CR). ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. 36. §3º. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. no âmbito federal).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. mas sim. é claro. 35. que é o pressuposto para a representação interventiva. e sim em face da CR. da ADPF). somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. O RE. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ.

Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. Schmitt). expressa por meio de seus representantes. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. um dos precursores dessa doutrina. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. cria o Estado. que. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. social e juridicamente organizado. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Está acima do direito positivo. editando a nova Constituição. pode usurpar do povo a titularidade do poder. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. É ele um titular passivo. em alguns casos. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . corroborando essa perspectiva. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. retira sua força do direito natural. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. XVIII). em nome do povo. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. o exercício dessa magna prerrogativa. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. Na 1ª etapa. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). que formulou esta teoria no fim do Séc. que deve observar o direito natural. é a nação. C. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. por delegação popular. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. que é sempre superior aos poderes constituídos. ou seja. segundo o Abade Sieyès. pois o Estado decorre da soberania popular. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. Celso de Mello. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Assim. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Para os jusnaturalistas. Bonavides. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Portanto. segundo o abade Emmanuel Sieyès. São apenas órgãos aos quais se atribui. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Assim. mas jamais é quem o exerce. Modernamente. a vontade do constituinte é a vontade do povo. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. porém. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Obs.

pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte.Reformador (art.Formal . se esta correspondência existir o poder será legítimo.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . 25. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Histórico . que é seu verdadeiro titular. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Revisor (art. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. 60.Revolucionário . Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. ADCT) . Dessa forma. já que o poder constituinte já é originário. para ser considerado legítimo. 11. ADCT.Material . quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Assim.Decorrente (art. Espécies Tradicionais: . mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. há legitimidade objetiva. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Portanto. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. por conseguinte. entende que a expressão “originário” seria uma redundância.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. art. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. correspondendo aos anseios daquela sociedade. 3º.: o prof. Obs. CR) .

pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. Apesar de ser um poder incondicionado. 53 . Obs. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). No caso do Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. é apenas uma classificação quanto ao momento. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. O povo é o titular do PCOM. através de normas constitucionais. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. Obs. foi criado um direito natural). não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. independente e soberano. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). ou seja. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. 1946. mas não a primeira e sim uma nova. . através da Constituição. há alguns valores que são morais. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. Ex. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. ex.: se é um poder autônomo e incondicionado. GV). 1967/69. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente.: este poder tem este nome porque para o Direito. b) é um poder inalienável. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. 1937. Obs. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. que substituirá a anterior. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição).Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. 1988. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. 1934. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. ela nunca deixa de ser do povo. No plano axiológico. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. não perde a titularidade do poder constituinte. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). O Abade Sieyes. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. a nenhum pré-requisito jurídico. No caso do Brasil.

um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Dentro desse limite. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. a doutrina deduz deste art. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. A partir do momento que a CR surge. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. 11 do ADCT. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. por ex. Não se trata de um limite jurídico. contudo. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. ele encontra limites no texto da CR. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Fábio Konder Comparato fala. mas meta jurídico (fora do direito). Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Ainda que o estado seja soberano. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. no art. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. na pena de morte. No entanto. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). De acordo esse limite. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. com os avanços da sociedade. por se tratar de uma conquista da sociedade. Obs. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. não concorda muito com isso. No caso da CR/88. A CR/88. 25. Esta AL. Quando a CR consagra o art. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). ficando um pouco relativizada. na verdade.. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). observados os princípios estabelecidos na CR. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). 54 . Ex. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. ☺art. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. mas continua a existir como característica essencial deste poder. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. 25. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. O prof. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Ex. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. as constituições estaduais não são recepcionadas.

58. vedada a recondução. 61. 93. e o STF decidiu que não havia problema. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. são essas as normas de repetição obrigatória. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. que se estendem aos Estados. §4º não é norma de observância obrigatória). porque o art.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. CR.). ou seja. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. §1º . Há dois grupos: (art. 57.: ☺art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. § 1°. .Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . diferente dos extensíveis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. Estão presentes no art.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. Se subdividem em: 55 . 58.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. CR. §4º. composição. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. Mas. são as normas de auto-organização da União. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. Obs. II) Implícitos: CPI (art. 27. Obs.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). mas foi uma decisão super apertada (6x5). Segundo o STF. V ???) I) Expressos na constituição: art. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. VII. § 3°). §3º – requerimento de pelo menos 1/3. 57. 34. processo legislativo (art. 75. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. por enquanto. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. . A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória.: presidencialismo x parlamentarismo).: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. 59 e segs.

CR (é vedado à U. 60.). 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e.. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional...Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.. 19. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 3°. 56 . 137). .: art. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CR. mas é possível deduzi-las. portanto. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. .é um poder jurídico (e não de fato). 37. decorre da lei e não da força. ou seja.não é autônomo. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. em qualquer estado da Federação (art.normas mandatórias: ex.) – contém uma vedação expressa. Trata-se de um poder previsto na CR e. Ex. Ex. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios.: art.é limitado. . ADCT). E. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. portanto. e se for decretado o estado de sítio (art. .: os arts. . A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 136). DF e M.é condicionado. se for decretado o estado de defesa (art. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . . . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. cujo procedimento está previsto no art. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. 34).não é inicial.exercício: é pelo CN.normas vedatórias: ex.titularidade: é do povo. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. . uma limitação temporal para o poder revisor – art.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. no entanto. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. . §1º. é conseqüente. 60. .

não veta. DF e DE. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. do SF ou do CN.U. 61. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). assim. . através da iniciativa popular (art. a PEC será discutida em cada casa do CN. ademais. no qual há 4 sessões legislativas. No caso de projeto de lei. Ex. Este art.A última limitação formal objetiva está prevista no art. 60.Feita a iniciativa. possamos usar o procedimento previsto no art. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. 60. §3º. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC.). sendo o art. §2º). vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. ela será chamada de extraordinária. P. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. ☺art. no âmbito do PJ. não promulga. ☺art. 62. após a iniciativa. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. . pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto.A nossa Constituição é rígida. por fim. . se a matéria for rejeitada. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. que é o período de 4 anos do mandato do PR. b) o entendimento majoritário da doutrina. §2º). o STF e Tribunais Superiores. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR.Discutido e aprovado. apesar de não existir previsão expressa. CR). Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. CR. no entanto. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). 61 é a regra geral de iniciativa. a PEC vai para a promulgação. . não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. . ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. 60. é o de que o art. §10). não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. para que. II e III) uma exceção à regra geral. também chamadas de implícitas. 60 (incisos I. 44. no âmbito do MP. A Sessão legislativa (art. apenas o PR. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). proposta rejeitada no dia 15/01. não pode haver emenda de emenda. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. GE. §5º. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 60. Obs. . A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. 67. 57 . no âmbito do PE. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. 61. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. . por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. o PGR. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis.Além do PR. 61. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. também podem propor projeto de lei o povo. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal.

secreto. 60. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. ao estabelecer limitações à vontade da maioria.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. o que é secreto é o escrutínio. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). b) Preservar a identidade material da Constituição. que é o modo como se realiza o exercício do voto. CR. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. c) Assegurar o processo democrático. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Secreto. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Ou seja. As cláusulas pétreas são. mas sim. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). o que é universal é o direito de sufrágio. o voto não é universal. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. São as chamadas cláusulas pétreas. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. . §4º. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). c) Voto Direto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. segundo o STF. pois.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Se elas não existissem. 150. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. 58 . na verdade. Curiosamente. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. a). Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o direito de participar das eleições. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. . Universal e Periódico: . VI. universal e periódico. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. não é secreto. ademais. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Expressas: ☺art. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1.

Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. por isso. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. todo o art. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. mas refere-se a uma reforma. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Obs. Os demais direitos e garantias fundamentais. não alterando-o). é o art. não o serem). é CP. §4º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Assim. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. comportam diferentes interpretações. Ex. Mas o STF já considerou que o art. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político.Há quem defenda. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. que proíbe a pena de morte. 150. que não é unânime na doutrina. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). III. sendo uma garantia individual. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . não tem nada a ver com CP). ADCT). 60 poderia ser modificado. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração.: FGTS. Assim. 2º. Para ele. Os direito fundamentais se encontram. dispostos do art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). 5º.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. A CR fala em direitos e garantias individuais. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. não concorda. em princípio. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP.: primeiro. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. far-se-ia uma EC revogando o art. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. posteriormente. e por conseqüência. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. CR. pois. 60 seria CP. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. segundo a qual o art. CP). pois seria uma forma da fraudar a constituição. com a dignidade da pessoa humana. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. por uma questão lógica. b. 5º. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. . para posterior alteração do conteúdo. O prof. mas os demais não (ex. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. 60. Lá estão as limitações ao poder reformador. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. . como um todo. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. sistematicamente. (23/04/09) 2. não seriam cláusulas pétreas. 60.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. inclusive. Um exemplo. ou. CR). os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. e não em direitos e garantias fundamentais. O art. são CP. Chama-se dupla revisão. CR.

Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. A limitação imposta no art. contados da promulgação da Constituição. não abrange EC. mas ainda não pagas. esse era o entendimento do STF. em sentido formal. Com relação ao assunto acima. o STF tem entendimento unânime. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. art. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. não abrangendo apenas leis em sentido formal. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. XXXVI. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. Antes da CR/88. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. excepcional e transitória de alteração da Constituição. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Revisão é a via extraordinária. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. 3º. 3º. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Ex. em sessão unicameral. c) Máxima: a retroatividade não é automática. portanto. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). a constituição atinge prestações vencidas. 5°. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . 60. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. mas seus efeitos surgem após a constituição. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. CR). O dispositivo já teve sua eficácia exaurida.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. O ato ocorreu antes. A retroatividade mínima é automática. O direito adquirido pode ser relativizado. tem que haver previsão expressa na constituição. b) Média: a retroatividade não é automática. tem que haver previsão expressa na constituição. Ex. ☺art. 3º. mas também emendas à constituição. .A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. não sendo um princípio absoluto. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. Ex.

e de forma geralmente mais extensa. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 61 . as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. especificamente. 60. 3º. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Além disso. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. §§1º e 4º). ADCT. circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

É como se a norma fosse o corpo da constituição. e os valores fossem o seu espírito. com algumas peculiaridades. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. eles são suficientes. mas apenas valores: o preâmbulo. Além disso. é também o limite para a interpretação. e não isoladamente. como todas as demais. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. entra o elemento histórico evolutivo. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. 65 . incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Se a constituição é uma lei (tese da identidade). O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Por isso. aqueles desenvolvidos por Savigny. Ex: princípio da não contradição. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. como início e limite para a interpretação. Não existe uma norma jurídica sozinha. O texto da norma funciona. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Imagine a Constituição norte-americana. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. X. só tem alma. Esse método não é apenas sistemático. para o direito privado. esse método também é conhecido como método valorativo. Buscam os valores subjacentes à constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. partindo da idéia de sistema. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. devido à complexidade da interpretação constitucional. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Nele estão os valores supremos da sociedade. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. 52. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. para o direito público. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). O grande problema é que. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. portanto. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Toda norma está dentro de um sistema. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. esses elementos são insuficientes. Ela não tem normas jurídicas. É o início de uma interpretação. b) Histórico: no seu desdobramento. Constituição da República. Por isso.

Violação de correspondência de presos. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. ou seja. da doutrina. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. vence o argumento que for mais convincente.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. o que geraria uma grande insegurança jurídica). → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Por isso. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Ex. Os topoi são esquemas de pensamento. como ocorre neste método. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. formas de raciocínio. que contraria o positivismo jurídico. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. da jurisprudência dominante. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. → Crítica: feita por Canotilho. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. porque trabalham não com a idéia de sistema. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. os operadores do direito servem-se de topoi. Problema é a questão difícil. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. certa insegurança jurídica. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. ou a de que um é mais correto do que o outro). É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. os quais são submetidos a várias opiniões. que é apenas mais um topos. de casos que comportam mais de uma solução possível. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. 2. dos princípios gerais do direito. pois comporta mais de uma solução possível). Ex. como. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Se se permite interpretações divergentes. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Isso gera certa instabilidade. lugares comuns. pontos de vista ou lugares comuns. do senso comum. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. por ex. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. ele também é conhecido como método sociológico. cujo plural é “topoi”. Assim. a favor e contra. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Ex. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Este problema será solucionado pela argumentação. mais um 66 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Esses pontos de vista.. enfraquece-se a força normativa da constituição. de argumentação. mas sim diante de problemas. Assim. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico.

Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. e sim na sua concretização. Além de serem métodos aporéticos. sua aplicação a casos complexos. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Ocorre que. 67 . pois. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. A principal diferença. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. ao lado de Hans Kelsen. ainda que dos mais importantes. mas em concretização). e o problema concreto a resolver. por serem métodos concretistas. devendo-se fazer uso de outro método. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Assim. Hermenêutica e interpretação não se confundem. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Método concretista. porém. são coisas diversas. não podem ser utilizados de forma abstrata. são também métodos concretistas. Ele parte. Os métodos III e IV. Não se pode separar as duas coisas. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. como já vimos. ou seja. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. na sociedade aberta de intérpretes. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. é preciso que haja um problema. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. quando se fala em hermenêutica. de única solução possível. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. é bom lembrar. a compreensão prévia do intérprete. Assim. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. este método não poderá ser aplicado. que a questão não seja simples. não se deve falar em interpretação constitucional. diferentemente dos dois primeiros. Para este método.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. São métodos indissociáveis. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. se for caso de lacuna. e concretizador à aplicação. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). se assim o for pode se fazer uso de outros métodos).

na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Gilmar Mendes). ele na verdade não o é.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Na prática. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Judiciário. regulada pela norma. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. O texto não tem o comando. Para ele. Quando ele fala em democratização. mas também na sua interpretação.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. limita a interpretação. Essas duas figuras podem ser. O texto tem duas funções muito relevantes. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Não diz respeito aos critérios de interpretação. Segundo o autor. ele dirige e.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Assim. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. traduzido pelo Min. O que ele chama de domínio normativo. A democracia deve servir não apenas para a criação. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). a norma só surgiria após a interpretação do texto. mas também para a interpretação da Constituição. Segundo ele. mas refere-se àqueles que podem interpretar. 68 . A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Fala-se que são utilizados. em regra. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. . o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Paulo Bonavides o tratar como um método. é a realidade social tratada pelo texto da norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). que têm legitimidade para a interpretação. ao mesmo tempo. bem como a quebra da unidade constitucional. aberta a toda a sociedade. pois.Elementos do âmbito da norma . a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. por sua vez. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. Friedrich M. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. mas a toda a sociedade. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). A norma é o mandamento. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Ainda que a Corte seja o intérprete final. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina.

Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Hoje. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). preocupado com a segurança jurídica. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Na verdade. Esta questão está ligada à separação dos poderes. o poder legislativo é claramente fraco. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. textualismo e preservacionismo. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Por isso o judiciário tem ganhado força. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. bastante discutido nos dias atuais. quando interpretada. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). superado o valor da norma). O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. como a constituição é feita por representantes do povo. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. no Brasil. Em virtude do caráter normativo dos princípios. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). que se subdivide em princípios e regras. Após. sem modificá-la. 69 . do povo. os direitos têm que ser iguais para todos. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Segundo Conrado Hubner. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. vinculante e obrigatória. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Entende que. No pós-positivismo. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. 3) Existe uma única resposta correta. Assim. surge a idéia de norma (gênero). norma e fato. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. que corresponde à vontade do constituinte originário. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Também denominado de originalismo. surge o Positivismo Jurídico. A segunda corrente. Assim. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. A norma. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. mas de forma concreta.

.Postulados. Segundo Robert Alexy. As regras possuem aplicação automática. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. bilateral). genérica. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. imperativa.dimensão que eles ocupam (Alexy) . dentro do gênero norma jurídica. Assim. impessoal. peso ou valor. 70 . ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. → Princípios X Regras: . ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. há uma subsunção lógica. princípios são “mandamentos de otimização”. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. Alexy afirma haver exceções. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. como elementos do sistema normativo constitucional: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. . e . Princípios são muito mais abstratos do que as regras. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. quando se vai aplicar um princípio. apenas os princípios possuem a dimensão da importância.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. isto é. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). que apontam para o sentido contrário. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. que envolvem a aplicação deste princípio. é preciso saber quais são as normas opostas. O grau de abstração é a diferença. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. .Princípios. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. ou seja. em havendo um conflito no âmbito da validade. o que ocorre por meio da ponderação. Eles não definem a medida exata. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. impõem resultados. ou seja. Ambos são normas. Para Habermas. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. será invalidada. → Regras: são “mandamentos de definição”. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.generalidade . mas a medida do possível. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Ex.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. A norma é um gênero e. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios.: aposentadoria compulsória. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições.Regras. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.

É um conflito sempre no caso concreto. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. mas não têm a mesma função dos princípios. por isso não são aplicados diretamente. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. embasados na supremacia da Constituição. Mas e os postulados? Segundo esse autor. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). também conhecido como antinomia de princípios. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. como princípios. Nesse aspecto. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. pela maioria da doutrina. Ex. nem estabelecem competência ou conduta. Não estão na constituição. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Os postulados são denominados. de modo a realizar os valores nela consagrados. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau.: proporcionalidade. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. 71 . existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Segundo a LICC. interpretação conforme a Constituição. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Eles não apontam um fim. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. cronológico e da especialidade. será feita a análise de alguns postulados que. Com base nessas premissas. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional.

para ter essa supremacia. no Poder Judiciário. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. é necessário que a Constituição seja rígida. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Se há mais de um significado. no controle difuso. significa que as demais leis devem obediência a ela. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. E. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). a lei deve ser declarada constitucional. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Se o texto tem apenas um significado. e. No Brasil. na dúvida. quando entender que uma norma é inconstitucional. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Ele pode negar a aplicação da lei. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Todo projeto de lei passa por um controle. se entendê-la inconstitucional. Excepcionalmente. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). pode ser exercido através do veto jurídico. presume-se que agiram de acordo com ela. Se a constituição é a norma suprema. No Poder Executivo. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Essa presunção é relativa (iuris tantum). excepcionalmente. significa que ele é unívoco. deve optar pela constitucionalidade. Não se retira a lei do ordenamento. A 72 . Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. pode deixar de aplicar a norma de ofício. o Poder Judiciário. na dúvida. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. não tem como fazer interpretação conforme. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. pois existe uma presunção de constitucionalidade. como no âmbito do Poder Executivo e. o Princípio da Supremacia da Constituição. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. assim. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. No Poder Legislativo. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Ou seja. Da mesma forma. o Chefe do Poder Executivo. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. por ser presunção relativa. Toda Constituição tem supremacia material. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. ficam vinculados àquela decisão.

A segunda corrente. §1º. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Ao se admitir que essa norma é superior. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. prevalece a vontade da lei. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Busca a vontade do objeto interpretado. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Outro ex. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. é conhecida como mens legis. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. 73 . Hoje. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Em uma sociedade democrática e pluralista. de direito previdenciário. Na verdade. Logo. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Portanto. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Hoje em dia. Ex: Brasília é a capital federal. há várias tensões entre as normas constitucionais. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. É como se filtrasse a lei. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. existem.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. sendo. poderia declarar o art. normas superiores e normas inferiores. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). . 81. Geralmente. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Segundo Kruger. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. num estado democrático. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. necessário harmonizar esses dois princípios. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. a norma inferior. Isso é impossível. mas.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. isso não ocorre. na constituição. essa corrente é chamada de “subjetivista”. pois. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. é necessário observar os valores consagrados na constituição. b) Fim pretendido: . etc. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. ao mesmo tempo. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Obs. Antes. que busca a vontade da lei. passando ela pela constituição.

A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. as duas normas têm conflito entre si. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. se ambos estão consagrados na Constituição da República. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. na hora de se interpretar a Constituição. é necessário utilizar a ponderação. Se ele entrasse no mérito da questão. a integração política e social. Sempre que possível. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. inclusive. Uma existe ao lado da outra. criando um efeito conservador da unidade. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. interesses. alegando a impossibilidade jurídica do pedido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Essa lei. 45. ou seja. Ex: voto direto é a norma geral. §1º. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. valores. O que tiver o peso maior irá prevalecer. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. O Juiz irá ver. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. aplica-se o princípio da Concordância Prática. no caso concreto. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. ele se basearia no princípio da unidade. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. princípios ou valores. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. e não em abstrato). Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Eles são muito parecidos. qual dos dois grupos tem um peso maior. Pode ser usada. Segundo este princípio. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O STF analisou 02 casos: a) Art. violava a liberdade de exercício de comércio. e voto pelo CN é a exceção. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O que é isso? É semelhante a uma balança. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. bens ou interesses. Abstratamente. Nesse caso. deve-se buscar essa concordância prática. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O relator indeferiu a petição inicial. que é anterior à Constituição da República. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. Quando se tem uma colisão entre bens. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. 74 . Assim. O STF declarou constitucional. pelo legislador. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social.

do trabalho escravo são regras. para que outros direitos sejam assegurados. Exs. Caso contrário. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. na academia.: a Súm. sendo o guardião da constituição. do contrário. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. da tortura. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas.: a proibição da pena de morte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. eis que ambos se relacionam. a privacidade deve ser preservada. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. Ex. 75 . 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. Ex: Se tiver na praia. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . STF não foi abandonada. até uma compreensão equivocada.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. mas também a ratio decidenti. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). mesmo que a pessoa seja pública e em local público. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. não. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. e não princípios. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. cabe ação rescisória (obs. que contribua para o debate de interesse geral. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. ou seja. 343. poderia fotografar. por mais importantes que sejam. O importante é saber que todos os princípios. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. não se aplicando para a interpretação constitucional. às vezes. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. Deve haver uma cedência recíproca. 2) relativização da coisa julgada: o STF. não. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade.

Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. a qual significa a realização do direito. o desempenho concreto de sua função social. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. . Exs. CR/88 (aplicação imediata). É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. . . a função social para a qual foi criada. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). 5º. é também conhecida como eficácia jurídica. 4. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. 76 . sobretudo o Tribunal Constitucional. 2) Direito de greve. pois. validade é. Este princípio. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. no Brasil. .com. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. é também conhecida como eficácia social. Ver no Site Editora Método.335/AC.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela.

É uma influência do direito alemão. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Ex. Na Alemanha. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. ☺art. utiliza-se o termo proporcionalidade. Para que um ato seja considerado proporcional. CR. ou seja. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Nos sistemas da commum Law. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. apto para atingir o fim almejado. pois. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. para que o Estado não atue de forma arbitrária. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. mas apenas como menções. maiores hão 77 . uma densidade semântica que ele não tinha antes. Ele está ligado. Não é o entendimento mais cobrado em provas. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. 1º. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). deveria conceder uma autonomia maior. É uma influência do direito norte-americano. utiliza-se o termo razoabilidade. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. do Prof. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. será também desproporcional. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. dentre os meios existentes. não se deve abater pardais com canhões. ele tem que ser adequado. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Ex. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. por isso sua importância. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. LIV. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. 5º. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Assim. à garantia do devido processo legal. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. uma restrição à liberdade só será possível se. Se o ato for desnecessário. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. não está textualmente consagrado. Alegam que a restrição seria desproporcional. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. É um princípio implícito. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. No Brasil. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. desproporcional. Para Jellinek. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. em sua origem.

78 . Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. que é chamada de proibição de insuficiência. Há uma outra face desse princípio. Nesse caso. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. o poder público age aquém do que deveria. A face acima exposta do princípio. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. pode ser chamada de proibição do excesso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. ou proibição por defeito.

O nome não é o mais apropriado. pois. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. não tem relevância jurídica. Em âmbito estadual. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. constituem normas centrais de reprodução obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. de regra. Para o STF. não existindo.. não tendo força normativa. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. reproduzidos ou não na Constituição estadual. não é componente necessário de qualquer Constituição. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. qualquer religião oficial da RFB. porém. Ocorre que todas as constituições brasileiras. anteposta ao articulado constitucional. É uma corrente intermediária em relação às demais. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. não é norma de repetição obrigatória. apresentado de forma não articulada. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Não tem. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. portanto. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. com exceção das de 1891 e 1937. refletindo posição ideológica do constituinte. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. pois. mas no domínio da política.. laico ou não-confessional. Assim. No Brasil. o Brasil é um país leigo. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. Não contém. proclamação mais ou menos solene. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. Esses princípios sim. inscritos na Constituição. 79 . Situa-se no domínio da história ou da política. O que acontece é que o preâmbulo contém. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. mais ou menos significante. dado que. o preâmbulo. sendo. mas é a tese por nós adotada. O min. portanto. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. relevância jurídica. incidirão na ordem local. caráter normativo e. Como se sabe.

80 . com a solução pacífica das controvérsias”. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Ao estabelecer os valores supremos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. na ordem interna e internacional. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Esta é a sua natureza. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. a liberdade. pluralista e sem preconceitos. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. o bem-estar. fundada na harmonia social e comprometida. o desenvolvimento. a segurança. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.

Exs. que “contenha” o seu conteúdo. Não depende de regulamentação. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. 53). possivelmente restringível ou redutível. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). prerrogativas (art. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. apenas 81 . isenções (art. dentre as quais. é uma NEP? Não. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível.U. Uma NEC. 128. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL.: normas que estabelecem imunidades (art. mas admite lei. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. enquanto não for restringida por lei. como se poderia imaginar). vedações (art. A NEC. P. 184. §5º). (É a mais cobrada em provas). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. destaca-se a de José Afonso da Silva. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. A integralidade. Ela não depende de lei. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. O que as difere é o grau desta eficácia. no Brasil. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. imediata e integral. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). Não são a mesma coisa. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Quando se fala em aplicabilidade imediata. 95. enquanto não for restringida. que poderá variar conforme o seu enunciado. por sua vez. → Normas de Eficácia Contida: O prof.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. §5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei).

E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei).: trata de vedações que são impostas aos juízes. mas o seu §1º. art. conforme a lei. necessidade ou utilidade pública. XIII. 5º. art. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . de forma que antes da Lei 9. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.U. 37.Facultativas: ex. 22. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. que dirige os rumos do Estado. etc. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. 154: a União. VII. ofício ou profissão. XXIII e XXIV). .por outra norma constitucional (ex. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. são NEP (como são as normas dos incisos I. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. que faz parte da mesma norma. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. interesse social. Ex. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. ☺art. 9º.: art. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. É indireta ou mediata. mas não disse quem pode propor. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. A norma constitucional tinha eficácia.: ordem pública. mas não é uma NEP.: art.: art. em regra.). O caput do art. que não é norma). 136 e 137). etc. CR. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. e art.Impositivas: ex. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. 82 . mas dizer como esse direito será exercido. 95.. não há omissão inconstitucional. caracterizadas justamente por este tipo de norma). 95). A lei não irá restringir o direito. segurança nacional. Não é apenas um conselho. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. eis que estabelecem o fim a ser atingido. mas. art. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. art. 5º. quais são os efeitos. que a regulamente. 5º. Se ela fosse uma NEP. e mediata porque depende de alguma condição.por lei (ex. ela nunca poderia ser restringida. etc. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. 102. XXII. art. Ex. II e III deste mesmo art. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. 37. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). é obrigatória. VII (direito de greve dos servidores públicos).por conceitos de direito público (ex. se quiser. Neste caso. VII. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. 9º dá a entender tratar-se de NEP. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. e não quais são os meios para se atingir o fim. XII c/c arts. – ex. 37. 3°. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. ☺art.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. mas pode ser). mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo.: art. Assim. . PU: União poderá delegar aos estados. .U. Exs. Indireta porque depende de uma outra vontade. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. A NEC pode ser restringida: . poderá criar impostos residuais. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). esclarece que trata-se de uma NEC. As vedações. P. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.

Assim. mencionada por alguns autores. não depende de outros sistemas. também conhecidas como normas super-eficazes. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ADCT. Uma última classificação. as Cláusulas Pétreas. pois. imediata e integral). a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão.: art. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Obs. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. uma eficácia negativa (e apenas esta. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. antes da lei ser feita. Ex. exaurem sua eficácia. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Elabora-se uma norma genérica. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Marcelo Neves critica essa concepção. ademais. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Diz que o direito se auto produz. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). São as normas do ADCT. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). 83 . OBS.: As NEP. Por isso não dependem de outra vontade. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. cumprida a sua finalidade. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. porque ela não tem eficácia positiva). Para ela. Traduz um sistema fechado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. 2º. tem eficácia. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma.

São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. quando do surgimento de uma nova Constituição. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. Assim. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. art. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt.N. 84 .N.: ☺art. § 1°. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Faremos o estudo de alguns institutos. Quando uma nova constituição é criada. com o caráter de normas constitucionais. não. como normas infraconstitucionais. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. → CR → A. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. porém. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). parte final).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.P → A.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. 2°. 242. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. §2º (que fala do Colégio Pedro II. caso compatíveis com a nova Constituição. e sim como normas ordinárias. Ex. por esta teoria. podendo. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. ou seja. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. sempre que nasce uma nova Constituição. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. serem recepcionadas pela nova Constituição.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

7º. que. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. dentre outras. IV. o STF entendeu que.: art. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. XXXVI – “lei” em sentido amplo). vale dizer. como é o caso do art. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. vale dizer. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). Assim. com pequenas exceções. 88 . dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. 5º. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. 7º. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. c) por outro lado. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. CR. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. Assim. deve existir expresso pedido na Constituição. Ex. sendo regra a retroatividade mínima. diante da aplicação imediata. por regra. IV. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. Contudo. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. Como outro exemplo de retroatividade mínima. nada impede que a norma constitucional. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. as leis infraconstitucionais. também limitado juridicamente). Como se percebe. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. desde que haja expressa previsão. tenha retroatividade média ou máxima. para tanto. têm retroatividade mínima. 51 do ADCT.

é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. Executam. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. a divisão de seus poderes (art. a menos. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. Desse modo. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. 2º). ao elaborar as leis. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. Dessa forma. assim. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. sobretudo. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. o que os coloca numa posição de superioridade. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. Sob o ponto de vista dogmático. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. é claro. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. 4º). Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Em situações novas. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. atuando como um limite. não só das ações dos poderes estatais. é obvio. pois servem de critério para o legislador que. em um todo sistemático. como também ao exercício abusivo de certos direitos. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. os quais estabelecem a sua forma. 1º). d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. da função positiva que 89 . conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. seja como orientação para progresso da legislação. ainda não regulamentadas de forma mais específica. por conseqüência. seja como diretiva na solução de casos concretos. estrutura e fundamento (art. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. diverso e opostos. De uma forma geral. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios.

A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. o direito de secessão. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. 34. A baixa densidade semântica. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. esses conceitos foram se esvaziando. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. sendo criados novos critérios distintivos da República.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. 1º. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. I). quanto para o legislador na elaboração das leis. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. a Constituição veda. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). 90 . Com o passar do tempo. DF e Município. que reinava de forma absoluta e irresponsável. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. CR). A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. aos entes que compõem a federação. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. No tocante ao Poder Executivo. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado.

mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. a legalidade da Administração. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. a vontade popular representada pelo parlamento. sob as circunstancias transitórias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. à questão perene da Justiça. No Estado material de direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. seja diretamente. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Aqui. Em um Estado de direito. ainda. Sob o aspecto material. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. não apenas os indivíduos. seja através de representantes. não é absoluta e ilimitada. Em um Estado democrático. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. 91 . permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. No que se refere ao princípio democrático. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. ou. a independência dos juízes. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional.

Todavia. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. Supremo. no plano interno. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. na ordem internacional. por essa razão. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. No plano externo. Por essa razão. na ordem internacional. A soberania externa se refere à representação dos Estados. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. 6º). O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. a soberania migrasse do soberano para o povo. o indivíduo se sente útil e respeitado. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. uns para com os outros. por não ter de acatar. em nenhum momento podem ser colocados de lado. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). 92 . o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. independente.

como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. 1º). econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. 215 e 216) e dos meios de informação (art. III). principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). Por essa razão. Fruto da concepção liberal. mas. a Constituição. a filosófico-religiosa. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. passando a se revestir de normatividade. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. a de informação. científica. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. assim. É ela o valor supremo que irá informar a criação. 3º. I). a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. político (art. derradeiramente. a tortura. o que pode levar a divisões irredutíveis. salvo nos casos previstos em lei. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. dentre elas. partidário (art. a de opinião. Este fundamento é concretizado. 170). A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 220). O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. cultural (arts. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. a sexual. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. Mais tarde. deve constituir o seu objetivo supremo. e. A escravidão. ainda. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. a intelectual. a sociedade pluralista é. 206. Por isso. de comunicação. de reunião e de associação. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. justa e solidária (art. 170). que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. com a queda do comunismo. 93 . de idéias e de instituições de ensino (art. conforme os ditames da justiça social. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. é um princípio básico do liberalismo econômico. independentemente de autorização de órgãos públicos. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. uma sociedade conflitiva. a partir do início da década de 90. a profissional. artística. 17). sobretudo o sistema de direitos fundamentais. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. de interesses contraditórios e antinômicos. por natureza. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. ao contrário. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art.

impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. menor (minimizando o problema dos custos). mas um atributo que todo ser humano possui. não como um fim em si mesmo.) imprescindíveis para uma vida digna. possui um caráter negativo. mais importante. possui um caráter positivo. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. Esta acepção. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. cada vez mais. o acesso aos valores. Portanto. idade. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. moradia. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. independentemente de usa origem. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. mas também a de que o Estado garanta. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. na medida em que procura representar um subconjunto. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. e. Portanto. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). o indivíduo não poderá ter uma vida digna. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. Todavia. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. ligada ao valor liberdade. mas. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. etc. não apenas por parte do Estado. Por isso. a todo e qualquer cidadão. por exigir uma abstenção. 94 . ou para com a pessoa. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. dentro dos direitos sociais. que seja efetivamente exigível do Estado. Esta acepção. seja por terceiros. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. sua existência material. o que significa dizer que na criação. Poder-se-ia dizer. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. em alguns casos. em um primeiro momento. ligada ao valor igualdade. sexo. econômicos e culturais. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. Assim. Por outro prisma. à dignidade da pessoa humana. seja pelo próprio Estado. por outro. educação fundamental. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. A dignidade da pessoa humana não é um direito. condição social ou qualquer outro requisito. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). mas também dos particulares.

a diferença básica se refere ao plano de consagração. .direitos individuais. . Têm um caráter negativo. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Em sua maioria. Essa classificação é legislativa.direitos prestacionais: são. 95 . . pois surgiram em uma única época.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. devido ao custo de serem prestados. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. consagradas ao longo das constituições.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. portanto. mas também no art. Em termos materiais. CF/88.direitos políticos (art. Assim. 6° e seguintes). pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. 14 e seguintes). que divide os direitos fundamentais em: . São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). à participação política. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. . 12 e seguintes). Já os direitos humanos não possuem essa divisão. Enfim. 6° e 7°). Exigem uma atuação positiva do Estado. uma constitucional e uma doutrinária. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. 6º ao 11. . São direitos ligados à cidadania. Em sua maioria. são os direitos individuais consagrados no art. 5°.direitos sociais (art. consagrados no plano internacional.direitos à nacionalidade (art. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Têm caráter positivo e negativo. do qual são espécies: .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. 5°. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. devido à escassez de recursos. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. igualdade e dignidade. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. ligados à liberdade. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. CR/88). os direitos sociais (arts. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. basicamente. Visam proteger o valor igualdade. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos.

tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Estão ligados. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. 4º. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. por exigirem uma abstenção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. ao lado da 4ª. portanto. diante da necessidade de cooperação. das gerações. Ou seja. Como vimos. exigindo uma abstenção. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. Por isso. 96 . A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. por exigirem uma prestação do Estado. da solidariedade entre países ricos e países pobres. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Esta é a sua preocupação principal. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. sobretudo de princípio programático). os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. CR/88). ao desenvolvimento ou progresso. diretamente à igualdade material. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. de 1789: liberdade. a imprensa livre e o funcionalismo público. a autodeterminação dos povos (art. segundo Jellinek). alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. São basicamente os direitos individuais. e estas gerações coexistem atualmente. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Os direitos de defesa. XVIII. econômicos e culturais. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Não houve substituição de uma geração por outra. Têm caráter negativo. os direitos prestacionais. queria que ele respeitasse suas liberdades. São chamados direitos civis e políticos. A 3ª geração. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. já os de 2ª geração não. Vejamos quais foram as gerações. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. Têm como objetivo. então. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. pois. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. → Igualdade: Direitos Sociais. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. movimento encabeçado pelo proletariado. e a dele é a mais cobrada em concursos). Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Exigem uma ação do Estado. enfim. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Tais direitos têm caráter positivo. XX. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Exs: direito ao meio ambiente. à autodeterminação dos povos. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. São considerados basicamente como direitos coletivos. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. como a família. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. direito de comunicação. Obs. são direitos de caráter negativo. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos.

A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. limitam o poder. 97 . → Globalização: direito à democracia. Ao lado da vontade da maioria. ☺ADPF 132. Aquelas instituem os direitos. um pluralismo cultural. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. o prof. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada.: quanto ao direito à paz. Ele preserva. Por isso o direito à democracia é tão importante. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. um pluralismo ideológico. na mesma disposição constitucional ou legal. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”.I. em defesa dos direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Ou seja. a fixação da garantia. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). o direito a adoção. os direitos de família. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. mas há divergências na doutrina quanto a isso. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. as disposições assecuratórias. Ou seja. 1º. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. estas as garantias. quiçá quanto a 5ª. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. artístico. ele tem uma importância muito grande. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. CR/88). de orientações sexuais. Afora esta peculiaridade. que alguns dizem trazer os direitos à internet. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. com a declaração do direito”. caso violados. esta alteração não foi feita em seu livro. que seria a vontade da maioria. outros são difusos). O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. São também direitos transindividuais (em sua maioria. ao analisar a Constituição de 1891. Os argumentos contrários a esta união. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). Ex. Ele abrange um pluralismo religioso. de conteúdo). Quando se fala em pluralismo político. e isso acaba por prejudicar as minorias. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. conserva nossas identidades. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. V. traz direitos ligados à pluralidade. de ideologias políticas e partidárias. Porém. que são as que.P. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Assim. Além desse aspecto. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. como os previdenciários. ocorrendo não raro juntar-se. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. inclusive das minorias. Em uma ponderação. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. são direitos difusos).). etc. à informação e ao pluralismo (D. Quem tem o papel contra-majoritário. Paulo Bonavides. econômico. Esta geração de direitos advém da globalização política. as demais características são tratadas pelo prof. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário.

a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. quando. Nada impediria. etc. se o direito garantido não possui alguma especificidade.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. no caso concreto. ou magistrado. mas nunca a sua renunciabilidade. XXXVII. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. 5º. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. muitas vezes. Exemplos: . é claro. através da interpretação sistemática. Contudo. conflito de interesses. O caput do art. ilegalmente preso. coarctando. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. a todos os seres humanos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. como é o caso. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. havendo. .: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. . levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos.Inalienabilidade: como são conferidos a todos.. no caso concreto. HD. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. de modo indiscriminado. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. os estrangeiros não residentes. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.Universalidade: destinam-se.Historicidade: possuem caráter histórico.: HC. uma vez consagrado o direito. Isso porque. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. ou caberá ao intérprete.direito ao juízo natural (direito) – o art. conjugando-a com a sua mínima restrição. . juntamente. Deve-se observar.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. decidir qual direito deverá prevalecer. 98 . . Se são sempre exercíveis e exercidos. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.). não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. . A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. portanto. como é o caso da ação popular. são indisponíveis. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. Normas positivas. Obs.: direito de propriedade versus desapropriação). . . VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). ainda que não individualistas. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . que só pode ser proposta pelo cidadão. por ex. 5º. emite uma opinião (direito de opinar). nascendo com o Cristianismo. confronto. os apátridas e as pessoas jurídicas. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos.

5º. mas o pressuposto do qual ela parte). Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. Ingo Sarlet afirma que o art. Assim. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. etc. para isso. Não se admitiria. 5º. então. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. ordem pública. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. Posteriormente. então.). tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). causando uma desfiguração no direito privado. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. §1º. §1º. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. No entanto. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. fática e juridicamente. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. mas. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. não dependendo de legislação. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. analisando caso a caso. 99 . CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. fala-se. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. só trazendo relações entre o Estado e o particular.

Assim. Deve-se aplicar tanto esta teoria. muito abertos. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. quando há uma relação de igualdade real na relação.Resp. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .RE 160. . .243/DF. . se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. 249. não sendo necessária uma intermediação legislativa.RE 158. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Se não houver uma previsão expressa na lei. e. isso poderia causar uma série de problemas. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. mesmo realizando atividades idênticas.858.00 para R$ 86. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. Ainda se trata de uma questão muito nova. no entanto. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.) .: empregado e empregador. E como os princípios são muito vagos. Mas. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. mas.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.700. Segundo esta teoria. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. Para a realidade brasileira. . tão somente pela falta de previsão. se exteriorizam. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.RE 201. Se. Em contrapartida. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. através de princípios. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. . esta teoria seria a mais adequada. que não adota essa teoria). contrato de adesão. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. como a segunda. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. Os DF são expressados. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. O juiz. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. A jurisprudência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. mas ainda não há decisão quanto a isso. Segundo Virgilio da Silva.HC 12. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Espanha e Portugal. a proteção tem que ser maior. a aplicação será indireta. Determinação de observância do Princípio da isonomia. etc.*RE 161. então. para que os princípios pudessem ser concretizados.☺RE 161. devendo sobre eles prevalecer.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. de uma forma geral. é possível a sua aplicação com base na Constituição.24.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).RE 175. ainda que esta regulamentação não exista. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. .321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. A autonomia da vontade requer tal ponderação. em geral. houver uma desigualdade fática.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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CR/88. XLVII. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 1º. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. pois. 5º. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Quanto ao caso do aborto sentimental (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. ☺art. abre-se mão temporariamente à privacidade. à igualdade. caput. Esta questão é bastante clara. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. um caso constitucional de violação de direitos. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. Obs. pois a vida é uma direito irrenunciável. por óbvio. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Este pode ocorrer. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. II. No caso do big brother. um outro direito fundamental. 128. III e art. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. também não pode ser renunciado. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. A renúncia é definitiva. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. à segurança e à propriedade. não há que se falar em não exercício). é. Porque o direito à vida é irrenunciável. ☺art. Há dois entendimentos: 104 . 170. CP) a questão é um pouco mais polêmica.: esta segurança que o art. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). não há uma renúncia definitiva. O direito a vida. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. 5º. Nos 78 incisos deste art. como DF é pressuposto dos demais direitos. à liberdade. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. CR. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. 5º. Por isso. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. de forma que não se pode falar em direitos absolutos.

Ademais. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. O STF. Ocorre quando a medida chamada for inadequada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. mas sim da acrania. por 7 votos a 4. mas de modo geral). sabendo que ela vai morrer. já que na época em que foi feito o art. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. CP não teria sido recepcionado pela CR. entendeu que. Se isso fosse possível. E o direito à vida. Se há dois argumentos defensáveis. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. já que o CP é anterior à CR. discutida na ADPF 54. 128). então. o art. mas sim interpretando a CR/88. Nos EUA e na França. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. 3) dignidade da pessoa humana.Direito à privacidade: 105 . é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. o STF não estaria legislando. e. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Para o direito brasileiro. insuficiente para a proteção do direito. segundo Canotilho. . Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. é uma forma de tortura psicologia. não haveria vida. além de colocar em risco a sua própria vida. por isso. o feto não tem a menor chance de sobrevida. OBS. a morte não decorre do aborto. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. 128. portanto. a vida termina com a morte encefálica. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. II. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. 128 (em 1940). sem o sistema nervoso central. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. é relativo. nas quais não se tem uma opinião moral definida. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. assegurando a autonomia da vontade. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. ela é a única ação de controle abstrato cabível. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. como todos os outros. A questão ainda está sendo discutida no STF. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. em razão do risco de morte intra-uterina. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis.

Questão de Concurso: Gravação clandestina. Mas. O agente público. são direitos independentes. Nesses casos. maior a proteção a ser dada. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. sobretudo. é a esfera da vida privada. Numa gravação clandestina. ela é ilícita. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Em regra. Esta é excludente de ilicitude. Ex: Radares eletrônicos. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. É vedada pelo art. contra um chantagista. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. não tem privacidade. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. vida privada. contra um estelionatário. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. por exemplo. Se filmar uma passeata. Ex: policial federal recebendo dinheiro. que se subdivide em: intimidade. Proteção da honra e da imagem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. em seguida. Logo. Se tiver gravado um crime. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. sobretudo. Então. quando pratica um ato na condição de agente público. científico ou cultural. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). O prof. a honra e a imagem das pessoas. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. pois há uma excludente de antijuridicidade. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Não há que se falar em colisão. Ainda que não afete a honra. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. na verdade. É gênero. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. de uma forma geral. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. quebra de sigilo e interceptação telefônica. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. No entanto. O direito de liberdade é maior. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. não há violação à privacidade. a imagem pode ser usada num processo. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. 1. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Ao realizar essa ponderação. a gravação é considerada lícita. CR. O direito a privacidade está consagrado. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. no art. Será considerada prova lícita. a restrição é legítima. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Ex. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). X. Ex: matérias de interesse público. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. veremos cada um separadamente. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. uma gravação feita clandestinamente. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. X. 106 . ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. histórico. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. etc. 5º. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. os princípios da moralidade e da publicidade. Neste caso. 5º. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. CR. o direito à imagem foi violado.

falaremos da interceptação telefônica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. não há decisão do STF. informáticos. às informações constantes na declaração de imposto de renda. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. fiscais. Quanto às CPIs municipais. Dentro do próprio STF há divergência. fiscal e telefônico. Tem uma decisão do STF muito comentada. Essa exceção só confirma a regra. Quando se quebra o sigilo telefônico. outros entendem que não há proteção.). Quem pode é só o juiz e a CPI. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. que é uma exceção a essa regra.: Podem existir várias outras exceções. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. outros dizem ser pelo art. X. O Min. Na Itália. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). CR. XII. Os jornais publicaram essas declarações. Essa declaração. De acordo com o art. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. ainda que não seja sigilosa. A lei. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. XII. 2°) admite. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. Ex: extrato de conta corrente. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. § 3º. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. naquele caso específico. 2. Se ele quiser. em ação cível originária. 5º. 5º. por enquanto. Além do juiz. por ex. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. etc. O inciso X impede a gravação clandestina. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. 107 . pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. 58. já que não existe poder judiciário municipal. 5º.. E o Ministério Público? Segundo o STF. No entanto. deve ter uma certa salvaguarda. ele não pode requisitar diretamente. de um cd room. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. como havia verba pública envolvida. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. essa decisão foi para um caso específico. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. divulgaram todas as declarações na internet. mas na decisão acima houve discussão a respeito. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. a duração da chamada. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. está em vigor. Dentro dela. com base no princípio da simetria. não poderá quebrar sigilos. O prof. 3. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. São poderes instrutórios. o BB poderia quebrar o sigilo. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. O STF decidiu que.

XII. 5º. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. o STF tem um entendimento que. O art. Aliás. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Quando se falou do método tópico problemático. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Ela deve ser usada para situações excepcionais. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. seja pelo art. segundo o STF.. O STF entende que com base o art. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Na prática. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. sobretudo. em determinadas hipóteses. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. 5º. 5º. Para o prof. Porém. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Em relação a essas. Não são admitidas para outras finalidades. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. também protege a privacidade. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. abrem-se todas as correspondências. será gravação clandestina.. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). por uma terceira pessoa. não estaria protegido por esse dispositivo. X. protege a liberdade de comunicações. Além dessas duas hipóteses. a Constituição não estabelece qualquer requisito. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Pois. segundo o prof. XII. seja pelo art. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Na interceptação. No entanto. Com relação ao sigilo de dados. Em relação à comunicação epistolar. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Ela protege 4 formas de comunicações. mas. 5º. protege-se apenas a liberdade de comunicação. será interceptação telefônica. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Se um souber. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Para o prof. pode haver restrições às comunicações telefônicas. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos.. Nessas hipóteses. Para o STF. Se um souber. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. o sigilo poderá ser violado. Então. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. mas foi feita por um terceiro. Mas isso não é a posição do STF. os dados de informática em si não estão protegidos. neste caso. a liberdade de comunicação. já que protege-se a liberdade de comunicação. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. é equivocado.

5°. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Ex: crime dentro de uma residência. Somente o juiz. XII. e mais ninguém. Com o consentimento. vejamos: a) Art. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. d) Art. a polícia pode entrar. imagine numa situação normal. Sem consentimento já é diferente. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Com relação à inviolabilidade do domicílio. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Segundo o STF. seja durante o dia seja durante a noite. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Como é o meio mais fácil. Ela deve ser o último recurso. 5º. Se houver o consentimento. LXI: possibilidade de prisão. Nesse artigo. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Recentemente. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. violado. devemos analisar 2 situações diferentes. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. 5º. 5º. Na jurisprudência do STF. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Art. Se numa situação excepcional. LX: sigilo imposto a processo judiciário. nesses casos. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. nem a CPI. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. qualquer pessoa pode entrar. Durante o estado de defesa. XII: interceptação telefônica b) Art. pode determinar a prática desses atos.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Ou seja. Vejamos as situações: 1. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. O professor acha que há certo abuso neste caso. o Min. Pode ser que com os abusos recentes. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Essa decisão foi recente (☺MS 27. essa lógica tem sido invertida. c) Art. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias.296/96. salvo o flagrante delito. Então. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. e não pelo dono da casa. a entrada deve ser permitida pela empregada. • Prestar socorro 109 . CF/88. 5º. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Nem mesmo CPI. A Constituição trata de 2 situações distintas. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. prorrogáveis por mais 15). a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Além disso. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. XI: violação de domicílio. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. 2. se houver o consentimento de um dos moradores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). por nenhuma outra autoridade. não há falar em violação de domicílio. o STF acabe mudando a sua jurisprudência.

Entra no conceito de casa. CP. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Se entrar com o uso da força. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. não entra no conceito de casa. 110 . se estiver vazio. mais adequado. a prova é lícita. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. prevista no dispositivo. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. onde o caminhoneiro dorme. Alguns autores. 3. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Ex: parte de trás do caminhão. entre eles Alexandre de Moraes. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. 2. entra no conceito de casa. hoje. na parte em que o público tem livre acesso. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Quando o sol nascer é dia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. 150. ☺Art. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. a prova colhida será considerada ilícita. não poderá mais entrar no domicílio. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Então. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. compreende escritórios. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Na maioria dos casos. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. mas dos vizinhos também. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. consultórios. Só que o STF já proferiu decisões. Ele deve dizer “aqui você não entra”. não entra em conceito de casa. quando o sol se põe é noite. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. entre outros aposentos. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. seja do dia seja da noite. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. mais tradicional. pois se respeitar também o critério cronológico. E o carro? O prof. Se houver o consentimento do morador. que traz uma conceituação bastante extensiva. É utilizado por JAS. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Segundo ele. compartimentos habitados. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. não só dos moradores daquela casa. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. propõem uma utilização conjunta desses critérios. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. porque a noite é o período de descanso. estabelecimentos comerciais e industriais. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. o STF considera as provas lícitas por causa disso. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. por serem situações emergenciais. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Segundo o entendimento do STF.

O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. não significa que a lei não possa fazer distinções. XXX. razoável e proporcional. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. cor e estado civil. Mas. é necessário que ele seja: 1. 111 . idade. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. da constituição. em situações diferentes. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. 7º. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. CR. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. É a que está consagrada no caput do art. CF/88. Razoável 3. Uma vez dentro do estabelecimento. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Não irá fazer concurso para homens participarem. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Para esses casos. arbitrário. Objetivo 2. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Nestes casos. Se o critério não for objetivo. XXX. 7º. 2. justifica-se a altura. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Para que o critério seja constitucional. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. pois viola o princípio da isonomia. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Ex: critério preconceituoso. 5º. Esse critério é razoável. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. Esse critério não é nenhuma discriminação. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. discriminatório. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Quando se fala em princípio da igualdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada.

pois estão ligadas diretamente à igualdade material. utiliza-se das ações. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Mas. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. mas reduzir as desigualdades existentes. Essas ações não surgiram nos EUA. No caso da Índia. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. mas na Constituição Indiana em 1947. Quando se fala em igualdade material. por exemplo. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. acha que esse argumento não convence. surge a questão relacionada às ações afirmativas. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. igualdade e fraternidade.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Quando se fala em igualdade material. Segundo JAS. 112 . e prolongaram as que já existiam. Se o Estado não proporcionar esses direitos. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Isso é igualdade formal. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. e os desiguais de forma desigual. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. essas ações são constitucionais. Visa uma redução das desigualdades fáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. 5º c/c art. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. o critério discriminador seria desproporcional. para tentar reduzir as desigualdades. 3º. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Para outros autores. Em princípio. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Para o professor. essas ações deveriam existir por 10 anos. Não é uma forma de resolver o problema. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Criaram-se outras ações afirmativas. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. A cota deve ser proporcional à população. Então. O prof. Porém. Ex: Alíquotas de imposto de renda. A tendência é que elas aumentem. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Dificilmente. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. mas é necessário analisar uma série de fatores. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). que eram desiguais em relação aos seus senhores. Ex: Cotas para pessoas carentes. seria igualdade material. não haverá uma igualdade real. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. O prof. aconteceu o contrário. ☺art. e não à igualdade material. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. pois elas criam uma discriminação reversa. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. disse que está ligada à igualdade material.

Poder Legislativo. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. 208.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. Então. miscigenada e multicultural.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. . . Portanto. CF/88. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. de saúde. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. . Argumentos contrários: .em uma sociedade pluralista. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. cientificamente falando. . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. 113 . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. seja pelo governo. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. aberta.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares.fere o mérito. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. Poder Executivo e Poder Judiciário). Além dessa eficácia. mas eles não tiveram oportunidade de escola. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.fomenta o racismo e o ódio racial .Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. mas também para quem irá elaborar a lei. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei .favorece negros de classe média alta. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . A justificativa parece não ser inconstitucional. previsto no art.medida imediatista e inapropriada. Juridicamente falando. . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. O problema é com relação à subjetividade do critério. Eles foram libertados. . atinge todos os poderes públicos . Isso é uma questão de política pública. No Brasil. sem exceção. seja por particulares. pois já faz parte do próprio critério republicano. .princípio da isonomia (discriminação reversa). tolerante. Apesar de ser uma relação entre particulares. quando se fala em destinatários. visa compensar uma dívida histórica. não sendo necessária essa distinção. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. são destinatários do princípio da igualdade. Eles não têm apenas a eficácia vertical.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso.

ela é constitucional. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Por que a Constituição. Para alguns. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Protege a mulher. Ex: art. e violou direitos de terceiros. não teria sido recepcionado. 5º. etc. Isso significa que. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Questão de Concurso – Cespe: No art.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. desde que seja para atenuar desníveis existentes. ela pode ser responsabilizada. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. é outra questão. sendo vedado o anonimato. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Apologia ao crime é diferente disso. É livre a manifestação de pensamento. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. 5º. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. ela exerceu o seu direito. CPC – ação de alimentos. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Logo em seguida. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. para outros teria. Ex: Passeata para legalização da maconha. ele deve licitar. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Ex: Lei Maria da Penha. 100. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. a lei pode estabelecer distinções. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Basta ser um critério objetivo e para todos. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. I. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. discriminatórias. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Não é um direito absoluto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. O homem não é a parte mais frágil da relação. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. É constitucional? Sim. Logo. de expressar o pensamento. segundo o professor. em regra. não deve ser estendida para os homens. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. As provas 114 . que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. Pode defender no plano das idéias. O particular não é obrigado. Não existem direitos absolutos. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. o problema é dele. Mas. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. desde que essas restrições não sejam autoritárias. É uma denúncia feita anonimamente. em princípio. IV. mas apenas para as mulheres. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. ela pressupõe responsabilidade. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Esse último entendimento foi o que prevaleceu.

Em relação ao culto. VI. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. 19. 2. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. Isso significa que. não é o caso do Estado brasileiro. com o advento da República. então. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. de ter crença. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Os templos recebem uma proteção especial. → Alguns temas polêmicos: 115 . Ex: seqüestrador escreve bilhete. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. Quando são produzidos pelo próprio acusado. I. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. Para Habermas. A liberdade de consciência é a mais ampla. O culto pode ser exercido em qualquer local. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. inclusive em lugar aberto ao público. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. desde 1989 (advento da República). ela deve ser protegida. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Não se pode admitir que o parlamento. O Estado deve manter-se neutro. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. CR. se não há qualquer identificação. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Esta liberdade está consagrada no art. 5º. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. 3. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. CR. O dever funcional da autoridade é investigar. 2. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. A religião desempenha um papel fundamental. ele não pode ser admitido. de crença e de culto. O Estado brasileiro. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. ou de não ter crença em nada. ainda 2. há 02 hipóteses em que o STF admite. pedindo resgate.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. abrangendo a liberdade de crença. o equilíbrio das religiões. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. apesar de a maioria da população ser católica. desde que não viole o direito de terceiro. houve a total separação entre Estado e Igreja. por exemplo. No Brasil não há uma religião oficial. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Porém. Vejamos: 1. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Pode fazer um exame grafotécnico. Garantir a simetria da liberdade religiosa. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. e. Laicismo: é uma espécie de antirreligião.

Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. 215. onde se tem poucas escolas boas. inegavelmente. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. §1º. 23. que odeia guerra. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. CR). Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. os argumentos religiosos não fazem parte da política. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. e não à justiça do trabalho – ☺art. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. É importante respeitar o ensino de cada um. Pode um ateu. o argumento supracitado não está correto. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Na Alemanha. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. Determinada família quer matricular o filho naquela escola.. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. logo. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. Não teria sentido acabar com esses feriados. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. Entretanto. então. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. fazendo uma ponderação entre os princípios. CR). O 116 . Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. a competência é da União. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. a competência é em relação à cultura. Mas. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. CR. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. e o aluno optou a se matricular nessa escola. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. políticos e religiosos. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. e cultura é competência comum – da União. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. . O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Há um trecho do livro do Dworkin. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Entretanto. . 5º. §2º.. estados e municípios (☺art. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. São feriados puramente religiosos. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. a neutralidade do Poder Judiciário. O tribunal. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. Para o prof. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. não poderia ser confessional. VIII. a escola não deve impor ao menino. são culturais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Neste caso. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. imagine uma cidade pequena. Portanto. há algumas ações. 210. ocorreu um caso muito semelhante. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Segundo o prof.

existem 2 semelhanças e 1 diferença. etc. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. JAS diz que não são direitos coletivos. Criação de partidos políticos. 15. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . não é necessária a autorização estatal. CR: Não é só a liberdade de se associar. ainda. Ex. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. 4. A pessoa alega imperativo de consciência. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. terminada a reunião. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. as pessoas se reúnem e. mas direitos individuais de expressão coletiva. 5º. A República é o governo das razões. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. CR. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Caso não cumpra com a prestação alternativa. CR. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Quem fará a tradução não é a Igreja. A associação. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. XVII e XXI. mas os políticos. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. tem o caráter permanente. Criação de associações e. 3. elas vão embora. na forma da lei. XVI. Ex: fazer segurança. 5º. 5º. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. ☺ art. XVI. XXI. conforme portaria da ANVISA. Ex: reunião de condomínio. O prof. mas a de permanecer associado. Há. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. por sua vez. Se não houver essa lei. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. não são os religiosos. (Não pode reunir pessoas armadas. Para que as pessoas possam se reunir. ☺art. IV). Não cumprindo com a obrigação. o argumento deve ser racionalmente justificado. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. 2. Por que a CR exige prévio aviso. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. 5º. de cooperativas. Segundo Jean Rivero. Criação de sindicatos. desviar o trânsito. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes.) 2. mesmo que em locais abertos ao público. essa hipótese é de representação processual. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). então. Liberdade de reunião. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias.

O que acontece é que se não cumprir a função social. mas não pode ajuizar ADI. do próprio regime desse direito. Há um outro entendimento que. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. no seu art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. 5º. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. é mais correto. A associação impetra em nome próprio.. segundo o prof. mas faz parte da estrutura desse direito. como a Constituição garante o direito de propriedade. XXII. É o entendimento de Daniel Sarmento. ADC e ADPF. ter um patrimônio mínimo. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. CR) quando ajuíza uma ação. por exemplo. tendo um menor peso na ponderação. Em seguida. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). segundo o qual. Função Social da propriedade: A CR. defendendo direito alheio. a função social. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. o direito de propriedade pertence ao direito público. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. 8º. Ela só garante o direito de propriedade. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. a propriedade terá uma proteção menor. ☺art. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. 5º. Se ele tem proteção. O sindicato (☺art. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Só pode representar se houver autorização expressa. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. se não for atendida. não precisando de autorização expressa. em seu art. XXIII. mas sim contrárias ao direito e. não impede que o direito de propriedade seja protegido. ilegítimas. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. LXX. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. não são legítimas essas invasões. não pode existir mais de uma federação por território. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. pode ser dada numa Assembléia Geral. Segundo o STF. 2. Segundo o STF. Segundo JAS. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Segundo ele. A Constituição não garante o direito à propriedade. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Segundo o STF. III. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. 5º. segundo o prof. Ex: Invasões de terra pelo MST. garante o direito de propriedade. 118 . portanto. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social.

§2º. como um apartamento. deverá ser em dinheiro. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Os principais aspectos são 2. mas sobre a propriedade em si. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. Sempre que há requisição. diante de uma emergência. Vejamos abaixo. justa e. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. normalmente. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. a indenização será sempre posterior. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . o proprietário não tem culpa. CR. a saber: por necessidade pública. 2. uma escola pública. na desapropriação. O título deve ser entregue antes da desapropriação. 186. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Na requisição. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. CF/88: Trata-se de imóvel rural. 182. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. a saber: a. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. só haverá indenização se houver dano. Além do caráter absoluto. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Como haverá indenização se houver dano. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. como decorrência do primeiro. Logo. 184. 5º.000 habitantes (§1°). → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. b) ☺ art. Ex: caso de Eloá. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Sempre haverá indenização. etc. VII). Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. ele não poderá ser prejudicado. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. CR. restringe o caráter absoluto. IPTU progressivo no tempo. 139. ou por interesse social. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. em regra. indenização por títulos da dívida pública). b. por ser inerente ao direito de propriedade. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. A função social. por utilidade pública. Propriedade Rural: ☺art. Desapropriação: Diferentemente da requisição. No caso de requisição. A polícia requisitou determinadas propriedades. que deve ser prévia. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Propriedade Urbana: ☺art. deve haver indenização? Não. 182. É um aspecto lógico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Vejamos: a) ☺art. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. há uma transferência compulsória da propriedade. XXV) e as militares (☺art. §4º. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Para atender a função social. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. Ela faz parte do regime do direito de propriedade.

). A Constituição não permite – ☺art. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. . CR). etc. . sejam urbanos ou rurais. Confisco: No Brasil. no máximo. Se ele tiver outro imóvel.o morador não pode ter outro imóvel. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. não precária. 191. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário).Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. no máximo. 3. 250 m2. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. 2. sem oposição. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. não há pagamento de indenização. . os bens serão confiscados – art. CF/88. paga em dinheiro). Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade).CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. em Indenização posterior se houver dano. Necessidades permanentes da sociedade. parágrafo único. 5º. . PU. a propriedade não pode estar cumprindo a função social.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. Como o confisco é uma sanção. seja urbano ou rural. precisa recorrer ao judiciário). Se ela é produtiva. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). pacífica. 183. Obs. Para esse fim. 120 . Nesse caso. o imóvel deve ter. 185. prévia e. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. não podem ser adquiridos por usucapião. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Usucapião: Na Constituição da República. emergências da sociedade.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). Só que. por ter prazo menor. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). possuir o imóvel como se fosse seu. Requisição Refere-se a bens e serviços. Na CR. 243 da CR. É sempre indenizável (justa. é porque ela está cumprindo a sua função social. São imunes a impostos (☺art. Vejamos: .: Imóveis públicos.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. 243. CR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Só não podem ser para fins de reforma agrária. ininterrupta. 184. O confisco de propriedade está previsto no art. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. §3° e art. Necessidades transitórias. §5º. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. regra. 50 hectares.

não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Durante a vigência desse contrato. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. 5º. No direito penal. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . 106. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. A garantia existe para a proteção desse direito. Para responder a essa questão. XXXVI. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. na verdade. 3. Todas as demais o consagraram. autônomo. XL. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Em resumo. Em regra. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. inicial. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. CR). Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. As hipóteses mais importantes são: 1. só que exclusiva para o direito tributário. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. é uma conjugação das duas anteriores. Alguns a interpretavam de maneira (A). Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. 5º. 2. outros a interpretavam de maneira (B). a lei interpretativa retroage. Seria correspondente à primeira hipótese. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. a CR/88 entrou em vigor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. desde que seja mais benéfica para o réu. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. não. ato jurídico perfeito e coisa julgada. a regra também é a não retroatividade (art. 5º e no art. Retroatividade da Lei Penal. b) Retroatividade benigna. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. é necessário diferenciar duas situações. interpretando a lei da maneira (A). etc. Esta hipótese é. a saber: 1. média e mínima. mas deve respeitar a coisa julgada. não era muito democrática). mas que vale especificamente para o direito tributário. O poder constituinte originário tem algumas características (originário.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. A lei interpretativa retroage.

Só que para haver essa retroatividade. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. porque geraria uma insegurança jurídica. A EC poderia prejudicar direito adquirido. É o ato que está apto a produzir os efeitos.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. a Constituição da República entrou em vigor. inclusive as de ordem pública. haverá uma retroatividade média. ☺Súm. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Ex. . Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. As parcelas podem ser reduzidas e. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. de acordo com a legislação da época. Após a Constituição de 1988. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. mas isso está superado. O prof. ela afeta a todos. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. no caso de retroatividade mínima. . Havendo mudança de regime jurídico. coisa julgada e ato jurídico perfeito. e não as parcelas que compõem o vencimento. haverá uma retroatividade máxima. Portanto. até mesmo. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. 2. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Ex: Determinada prestação. Não pode haver a redução. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. b) Retroatividade média: pode ocorrer. STF. automaticamente. porque geraria uma insegurança jurídica. → Coisa julgada: 122 . O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. . Antes de a prestação ser paga. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Se a Constituição atingir essa prestação. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. dirige-se apenas ao legislador ordinário. portanto. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. em regra. . através de norma de eficácia plena. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. mas as leis não.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. 5º. será necessário que a Constituição diga expressamente. É claro que isso não é desejável. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. interpreta a lei em sentido amplo. Se mudar o real. Nesse caso. e não lei em sentido restrito. 654 e Súm.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Só que para haver essa retroatividade. É claro que isso não é desejável. extintas. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. e não o ato exaurido. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. Na retroatividade máxima. não há posição prevalecente. 473. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior.

Direitos Sociais: 1. o que significa que possuem um caráter positivo. . mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. independentemente de qualquer fator. Já os direitos sociais. Eficácia: todo direito tem um custo. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. ou seja. exigem uma atuação positiva do Estado. 2. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. . O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. do seu enunciado.. são NEL (de princípio programático). mas é apenas a coisa julgada judicial. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Eros Grau. Em cada época. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. em sua maioria. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Os direitos de defesa são. b) o art. em regra. Ou seja. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. pois são mais facilmente implementados. de sociedades pluralistas. como teórico do direito (ou seja. como doutrinador. para dar decisões concretizando tais direitos.: salário mínimo). 5º. e não propriamente como ministro).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. independentemente da sua natureza. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. A administrativa não tem essa proteção. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . à medida que a sociedade o determine. nós deveríamos interpretar o art. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Dirley Jr. §1º. §1º. Por isso.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. 7º. Os princípios. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. 5º.☺art. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Mas isso não é verdade. segundo Robert Alexy. por ex. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. No art. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Assim. consagrados em NEP ou NEC. e pelo Min. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. são mandados de otimização. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. 5º. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. e isso para muitos é um ponto negativo. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria.

3ª fase: é a fase desejável. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. legítimas (saúde. Por isso.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. que estamos buscando. as normas possuem uma textura aberta. Pedro Taques). só porque recorreram ao PJ. em tese. pois. Norma de direito social não gera direito subjetivo. normatividade. lazer. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. por ex. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Obs. Esse entendimento já foi superado. Quando se fala em direitos sociais. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. . quando foi dado um maior papel ao PJ. educação. assim. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. todas. Esses direitos sociais não teriam. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. pois. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também.). rodovias. trabalho.). não geram direitos subjetivos. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. é importante definir tais critérios. Em outros lugares. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . Assim. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.000. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. implicitamente. O que se busca.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). . por ex. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Como têm apenas eficácia negativa. por ser norma programática. A visão do juiz é bilateral. etc.. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Portanto.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. segurança. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas.000. previdência. Argumentos contrários à intervenção judicial: . As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. essa atuação talvez não seja tão justa. Primeiramente. doutrinador do RS.

A democracia não é apenas vontade da maioria. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. A reserva do possível. 125 . III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. De se ver que quando se fala em direitos sociais. em razão do Princípio da Igualdade. eles acabariam sendo inviabilizados. . porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. Ademais. Assim. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Esses argumentos são os que devem prosperar. . e é muito utilizada no Brasil. Se não se estabelecer os critérios. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. teríamos a maior utilização das ações coletivas. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . entra-se muito nas questões ideológicas. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Não é o entendimento que prevalece. Mas. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. eleições periódicas. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. pois. . são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. por isso. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. segundo Ingo Sarlet. inclusive a minoria. em 1972. no que diz respeito aos direitos sociais. É preciso. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado).Caráter normativo da constituição. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. o outro cresce. saber se a demanda é razoável. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Os direitos sociais estão consagrados em normas.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha.Déficit democrático das instituições representativas. Se um poder se encolhe. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. sufrágio universal. não se encaixaria na realidade brasileira. em razão das limitações orçamentárias existentes. mas a todos que se encontrem na mesma situação. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). ou seja.

Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. por ser necessária para a 126 . No Brasil. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. que é a corte suprema na Alemanha. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Assim. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. 2. saúde. Não é o máximo desejado. essa concretização. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. depende de cada época e de cada sociedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. é o entendimento mais adequado. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Ou seja. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. pelo cumprimento voluntário da constituição. em razão de sua textura aberta. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. em 1953. Vejamos: 1. da liberdade material e do princípio do estado social. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Se não definir o conteúdo. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. precisam ser concretizados. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Outros autores já falam apenas em saúde. é o mínimo existencial. etc. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. A efetividade passa pela sociedade. que existem z pessoas na mesma situação. Segundo Ricardo Lobo Torres. . A reserva do possível é uma matéria de direito público. mas deve também ser provada. Segundo Ana Paula de Barcellos. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. . provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. mas teria um peso maior na ponderação. educação e moradia. maior o risco de não ter efetividade. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. Por que falamos em “mínimo”. Segundo o prof. quando se estabelece o mínimo existencial. que a demanda custa y. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. a questão da efetividade será prejudicada.. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. assistência em caso de necessidade. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível.

e. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. não pode haver uma redução dessa concretização. §1º. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. da dignidade da pessoa humana. entre eles: laços culturais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Por isso. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. que significa nação. o que prejudicaria a sociedade. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. históricos. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. costumes. da máxima efetividade (art. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. e do Estado Democrático e Social de Direito. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). 2) posicionamento de um autor português. 127 . Ele tem. estatístico. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. População está relacionada ao conceito demográfico. Pode. pois. fazem parte da população brasileira. um pensamento mais flexível sobre o tema. Ex. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. língua. Todos que moram no Brasil. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. já dizia algo muito semelhante. consciência coletiva. 5º. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. fala-se em vedação do retrocesso social. de acordo com a necessidade. segundo ele. passaria a fazer parte do próprio direito social. só ampliado. haveria um engessamento do legislador e do PE. independentemente da nacionalidade. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. A partir do momento que um direito social é concretizado. irão concretizar os direitos sociais. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Segundo ele. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. assim. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. Os poderes públicos. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. Há dois posicionamentos quanto ao tema. CR). Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. esse prazo não pode mais ser reduzido. ao estudar as normas de princípios programáticos. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. JAS. haver uma redução do grau de concretização. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos.

em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. 112 e 115. 12. há direito público subjetivo do estrangeiro. c.815/80. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. A EC 54 alterou o art. §6°. Se o casal estiver a serviço de outro país. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. adquirem a nacionalidade do país onde residem. não há direito público subjetivo.Quase nacionalidade (art. os pais têm que ser brasileiros. desde que haja reciprocidade. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Refere-se aos brasileiros naturalizados. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. II) Naturalização expressa (art. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. Obs. De acordo com o critério sanguíneo. por uma questão de soberania nacional. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). É geralmente adotada por países que estão em formação. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. terá naturalidade brasileira. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. a). . b). que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. II) Jus Sanguinis: ascendência. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. 12. 12. Refere-se aos brasileiros natos. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Quando a pessoa é nascida no Brasil. . Neste caso. 12. É o caso do Brasil. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Pelo critério funcional. I. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. o filho terá nacionalidade brasileira. não haver condenação penal e requerimento do interessado. I. se não se manifestarem contrariamente. de acordo com o art. art. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país.Diferenças de tratamento 128 . I. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 227. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. considera a nacionalidade dos pais. CF/88. 12. estrangeiros residentes.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge).

todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. Os critérios utilizados são: .Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. Mas. 5°. 5°. . pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. cria-se um problema de relação internacional. §2°. só poderá ser extraditado: . dependente da economia paterna. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. em razão da superioridade da Constituição. 12. §4°. Importante analisar a Súmula 421. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. Na extradição.segurança nacional: oficial das forças armadas. Não se pode. Já na entrega. Se o estado desrespeita essa regra. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. XL. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. CF/88). . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa.Perda da nacionalidade (art. 89. d) Extradição (art. §3°). Expulsão: consiste na retirada a forca. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. . de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. 5°. No caso de brasileiro naturalizado. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Mas. a ela aplica-se a súmula 1. confundir a súmula acima com a seguinte.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. presidente da CD.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil.815 (ato nocivo ao interesse nacional).linha sucessória do presidente da república: PR. 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. A deportação está mais próxima da expulsão. . no entanto. . 65 da lei 6. vice. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. do território brasileiro. portanto. CF/88): 129 .Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. Princípios relacionados à extradição: . o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). em razão da soberania nacional. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. presidente do SF. não se poderá invadir esse estado. ou que tenha filho brasileiro. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. b) 6 assentos do Conselho da República (art.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. 12. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. .

com uma única exceção: art. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). .é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. que exige uma alternância de poder. Para JAS. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. perderá a nacionalidade brasileira. one vote”. voto é o exercício desse direito. 130 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Direitos Políticos: . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. §1º). Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.é direto: é a regra. São requisitos apenas técnico-formais. é o direito político em si. salvo se por meio de ação rescisória. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. . com a realização de eleições periódicas. ou seja. o sufrágio censitário (ex. . é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. e não requisitos preconceituosos. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. nacionalidade e alistamento. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. caput). Características que o voto possui no Brasil: . e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. salvo nos casos das alíneas a e b. 81.é periódico: essa periodicidade do voto. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. na forma da lei (que ainda não existe).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. one vote” – “one person. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. 14. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. pelo CN. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. . Além dessas características do voto. é o direito de votar (e não de ser votado).tem valor igual para todos: “one man. A CR/88 adota o sufrágio universal. 14. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. §1º. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. inclusive sendo cláusula pétrea. Servem ao controle do próprio direito.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824).

parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. ou seja. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . §7º . São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. então. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. a inelegibilidade em relação aos militares (art. 14. 14 traz um questionamento. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. 12. ou seja. domicílio eleitoral na circunscrição. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. com exceção dos portugueses equiparados. salvo se já titular do cargo. etc. §5º .: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. 14. Quando a Constituição fala apenas em lei. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). ela é adquirida progressivamente. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . §8º). Assim. que geralmente admitem desincompatibilização. trata-se de lei ordinária. §3º? Segundo o STF. Primeiramente. . depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. até que se atinja a plena cidadania. 14. no caso do art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). é o direito da pessoa ser votada. §3º. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). Mas o §9º do art. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). Além dessas condições relativas à idade mínima. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. 14). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). Ex. dentistas. No Brasil. os inalistáveis são os estrangeiros. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. no governo de SP). 14. 14. do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas.é conhecida como inelegibilidade reflexa. 14. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR.☺§3º. . A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC).este dispositivo fala em sucessão e em substituição. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. §1º). já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. em caso de reeleição.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. assim. filiação partidária. se houver reciprocidade (art. ☺ar.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). e quanto a isso não há divergência doutrinária. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. I. VIII). 15. o prof. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. portanto. 5º. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. mas o prof. seus parentes também poderiam ser candidatos. 15. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. não há como readquirir os direitos políticos). Kildare. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. é algo temporário. III e V) são hipóteses de suspensão. 132 . A doutrina (JAS. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. nos termos do art. 15 (incisos II. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. Todas as outras hipóteses do art. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Com base nessa distinção.

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