Marcelo Novelino. Direito Constitucional

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. e que se encontra acima dos detentores do poder. Partindo. e. o americano e o francês. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. como sociológica: “em termos jurídicos. E para isso. Numa segunda acepção. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. os fins socioeconômicos do Estado. o local e a época. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. assim. um claro juízo de valor. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. sociologicamente. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Tem-se utilizado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. enfeixado na Constituição. Neste sentido. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. O conceito de constitucionalismo transporta. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. então. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. mas também de outros assuntos. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. uma teoria normativa da política. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. É. mas proteger direitos. numa terceira acepção possível. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. Numa vertente mais restrita. no fundo. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. por seu turno. em sentido jurídico. a defesa da Constituição. 4 . afastando-se da visão autoritária do antigo regime. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. como o inglês. reporta-se a um sistema normativo. Kildare Gonçalves Carvalho. em especial limitar o poder arbitrário. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. do estado e das instituições democráticas.

A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. e da França. (Livro do Alexandre de Morais). Roma: idéia de liberdade. Hoje. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). como e até onde pode mandar. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. A democracia é a representação da vontade da maioria. ii. • Separação dos poderes. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. b. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). 2. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. em 1791. se contrapõe ao absolutismo. Foi a 1ª experiência constitucional. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . ii. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. d. Influenciaram o direito francês e americano. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Por isso. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. porém. Atribui competências aos três poderes. após a Independência das 13 Colônias. b. desde logo. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. c. fases pelas quais passou a constituição. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. quem.surgiu em substituição ao governo dos homens. Garantia jurisdicional. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. a. em 1787. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Como ressaltado por Jorge Miranda. • Princípio do governo limitado. a partir da Revolução Francesa. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Foi uma retrospectiva do direito Grego. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Foi a mais avançada forma de governo. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. Inglaterra: rule of law – governo das leis . o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Estado Hebreu: estado teocrático. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Estabelece as regras do jogo político. 1. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Grécia antiga: democracia constitucional. integram-no. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Governo limitado.

ao contrário do que ocorre com a norte-americana. ligada à idéia de liberdade. os costumes 6 . A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Rússia. Eram apenas uma diretriz. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Todos os poderes constituídos (PL. direitos fundamentais. Constituições de países subdesenvolvidos. c. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. PE e PJ). Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Garantia de direitos. foi o Abade Sieyès. b. O Estado é um meio para atingir determinados fins. estabelecidos pela Constituição. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. na época das Revoluções Liberais. estabelecendo diretrizes. a maioria da nação. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. 4. havia regras. as quais são denominadas por pós-positivismo. Hoje. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. sem força vinculante. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. 3. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Segundo a tradição francesa. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. diretrizes. Idéias principais: i. XX). b. Separação de poderes. d. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. A partir dessas novas idéias. as constituições tinham caráter mais político. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Constituições da democracia marxista ou socialista. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Começou a se falar em um direito moral. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). estarão subordinados a ela. ii. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. c. ou seja. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. a. XIX. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Ex. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Constituições da democracia social. Novas idéias foram surgindo. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. O ser humano é um fim em si mesmo. Constituições da democracia racionalizada. aplica-se a analogia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Força normativa da constituição: antes.

Verdade. Constitucionalismo do futuro. que é aplicada mais às regras. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Solidariedade. demarcação de reservas indígenas. Hoje. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Integração. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Hoje. Entre uma regra específica e um princípio geral. é o judiciário. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Para Paulo Bonavides. e.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). o judiciário aumenta sua força.. Consenso. Quando o legislativo é fraco. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. os princípios. há uma euforia dos princípios. pois esta é a concretização de um princípio geral. d. Participação. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. • • 5.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. verticalização. Universalização. c. Ex. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. etc. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Na jurisprudência do STF. Eles são importantes. espuma do chopp.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Teoria Concretista Geral. é o juiz. fidelidade partidária. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. união homoafetiva. Os princípios. Mas essa é uma posição muito radical. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. 7 . sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Ele atua como legislador negativo e positivo. etc. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Para Barroso. Não se aplica diretamente a constituição. Na Itália. b. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. g. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. f. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. aplica-se a regra específica. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Continuidade. de uma forma geral. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. tratado internacional tinha status de lei ordinária. aborto no caso da acrania.  Aplicação direta da constituição. mas quem dirá o que ela é. cotas em universidades.

conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. portanto. 14.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Podemos falar. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Contratos de colonização. segundo o art. nos termos desta Constituição”. mediante: plebiscito. Petition of Rights de 1628. que. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Fundamental Orders of Connecticut (1662).U. dá-se através dos representantes do povo. Bill of Rights de 1689. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Act of Settlement de 1701. Assim. Vale dizer. I. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. II e III. por intermédio de seus representantes. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. CR. nos termos deste lei e das normas constitucionais. cujo titular é o povo. a continuidade. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). 1º da Lei 9. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Compact (1620). CR) e. Habeas Corpus Act de 1679. Como regra. 1º. a solidariedade. de soberania popular. caput. O titular do poder é o povo. a verdade. Carta outorgada por Carlos II (1662).709/98 (que regulamentou o art. então. CR). verdadeiro sistema híbrido. pertinentes. o exercício deste poder. de acordo com o art. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). de forma expressa. com valor igual para todos. do art. a participação. referendo e iniciativa popular”. que são os deputados federais (âmbito federal). mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. 46. o P. concretizando a soberania popular. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781).

mas materialmente distintas. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. os direitos fundamentais. Esta concepção atualmente é inadmissível. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. conforme o prisma de análise. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. caso contrário. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). para ele. a que Carl Schmitt chama de Constituição.. ou seja. na política ou na filosofia). 1°. que surgiram com as constituições mais prolixas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Constituição e leis constitucionais são. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. A conferência realizada por ele. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. PL. 242. Esta é a concepção que hoje prevalece. Essas normas são programáticas. com exceção do Preâmbulo. na sociologia. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. a Constituição é norma pura. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). que adota o conceito decisionista de constituição. A Constituição Escrita. ou seja. PJ. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. mas apenas leis constitucionais. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. o restante. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”.: art. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). Segundo ele. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. Para entender tal concepção. portanto. quando não corresponde à Real. Toda a Constituição. O art. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. o caráter normativo e vinculante da Constituição. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. As leis constitucionais são todo o restante. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. → Segundo Hans Kelsen. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). Objetivos fundamentais também são normas programáticas. é vinculante e obrigatória. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). como por ex. têm a mesma forma de elaboração). não passaria de uma simples “folha de papel”. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). §2º.

. todos os setores da vida social. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é).Soberania. a Constituição tem sim fundamento sociológico. qual seja. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. é um elemento conformador. define tais elementos estruturais. seja pela introdução de novos elementos através de emendas.Finalidade. é uma norma pressuposta. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). Gilmar Mendes). neste sentido. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal.Povo. condicionante desta mesma cultura. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior.Território.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. . segundo esta concepção. . ela não existe na realidade. por isso não tem nenhum expoente específico. ao mesmo tempo. mas que trata de todos os aspectos. Seu único comando. A CR/88.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. não está escrita. é apenas uma pressuposição. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. . Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. e também jurídico. 10 . portanto. é: todos devem obedecer a Constituição. é a Constituição escrita (CR/88). a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). Ou seja. posta pelo Estado). não introduz nenhuma novidade. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. quais sejam: . modificando-a. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado.

. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. há pouco espaço para se ter costumes como regras.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. Constituição Espanhola/1930. 1967.. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). pois toda constituição é escrita e não-escrita. . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular.. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. quem vota a matéria são as lideranças.dogmática: sempre escrita. consuetudinária (não é escrita). 4) *Quanto ao modo de elaboração: . . votada. No Brasil. Obs. de maneira unilateral. ou variadas): ex.não codificadas (ou legais. tem também vários documentos escritos.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. É uma aprovação simbólica).democrática. de uma só vez. é fruto das idéias. . o apelido de “Cartas Constitucionais”. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. não surge de uma só vez em um só momento. Por isso mesmo.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. trata-se de modalidade anacrônica. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). a Constituição Inglesa. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. por ex. . .outorgada: é a constituição imposta. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). toda Constituição histórica é costumeira.: as constituições outorgadas recebem. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. promulgada. Nesse caso. como por ex. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. surge em um só momento. as constituições outorgadas foram as de 1824. por alguns estudiosos. 3) Quanto à origem: . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Ex.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). a constituição não se torna democrática. 1937. e como é bastante prolixa. 11 . podendo ser: .

. Ex. Em 2000. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. . sendo assim. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. (Obs. inclusive a CR/88). sucintas. CR).imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. São chamadas também de clássicas. Ex. Por este motivo. sem se preocupar com os detalhes.: art. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. . É uma classificação típica das constituições costumeiras.fixas: não poderiam ser modificadas. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . 1º. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. portanto muito difícil de serem modificadas. mas sim o processo mais dificultoso. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. como é o caso da CR/88. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). passou a haver hierarquia entre as normas. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. É uma constituição em sentido formal.) . O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. Como se submete a esse tratado internacional.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. .semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. É uma constituição em sentido material. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). . pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Constituição Inglesa. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis.: a Constituição dos EUA). Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. ou seja. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Ex.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. deixou de ser considerada flexível. Não existe controle de constitucionalidade das leis.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) .constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais.

sucintas. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. 59 e segs. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Ecléticas. sumárias. costumeiras ou consuetudinárias). rígida (ou super-rígida). Flexíveis (ou plásticas). Fixas. como por ex. o Estados.: art. Históricas. (processo legislativo). Constituição em sentido formal. Característica das constituições clássicas. Não-escritas (inorgânicas. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Rígidas. É a CR/88. porque é fruto de várias ideologias. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). básicas ou clássicas). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. 13 . Constituição programática (ou dirigente). que surgiram com um objetivo pré-definido.: a CR/88 é ainda Eclética. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). CR.: art.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. formal. União. o União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . dogmática. Ex. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. mas sim uma obrigatoriedade!). codificada. dogmáticas. 3º. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. democrática. o DF. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. prolixa. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. o Municípios. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). OBS. . Democráticas (populares. pois valem a todos os entes federados. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. votadas ou promulgadas). Pactuadas (ou pactuais). Canotilho. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). e não de apenas uma ideologia. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro).

II a VII). basicamente.343/SP. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. uma Constituição só possui relevância sociológica. §3º). aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. ordinárias e complementares). estaduais.: decretos e regulamentos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. encontram-se as normas constitucionais originárias. Leis Delegadas. 5º. princípios ou regras. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. No entanto. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. enquanto as regras são mais específicas. 59. porque os princípios têm maior amplitude. obrigatoriamente escrita. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. por ser rígida. cujo fundamento de validade são as leis e. se tiver também supremacia formal. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. que a CR/88. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. No topo. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. MP. DL e Resoluções – ☺art. o indireto. para fins de controle de constitucionalidade. por 3 níveis hierárquicos. as medidas provisórias. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. a Constituição tem que ser rígida. sejam elas originárias ou derivadas. 59. as leis delegadas. as derivadas (art. a Constituição. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. que existem como complementação dos ANP). distritais e municipais. tem de ser. LC. direitos fundamentais ou não. Importa dizer. CR). Para que exista supremacia formal. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. 59.

é sempre o mesmo número ☺Art. a previsão constitucional exige complementação. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. mas somente uma recomendação. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. MPs. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Anotar como complemento posteriormente. No entanto. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Não varia. No caso da prisão civil por dívida. Essa aprovação não é obrigatória. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Cabe controle de legalidade (discussão incidental).☺Art. por uma questão de economia legislativa. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . que regula a LC. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. 69. Reservada pela CR/88. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Leis delegadas. Portanto. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .status constitucional. Quando não exigir LC. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Por ser uma matéria reservada. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. 47 é a regra geral. OBS: O art. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Lei ordinária Art.☺Art. 69. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Residual. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. 47. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes).

• União – ☺Arts. no caso de repartição vertical. Assim. 25. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). pois não está ligada diretamente à Constituição. não cabe ADIN. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. ☺Art. Assim. como o controle exercido será de constitucionalidade. 30 (assunto de interesse local).: lei estadual trata de matéria de competência da União). Hierarquia entre Lei Federal. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Havendo conflito (ex. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). a competência para resolução é do STF. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. III. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. 102. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. d. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). CR. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Parei aqui. 21. assim. há hierarquia. • Estado – ☺Art. 16 . E. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. DF). conforme previsto no art. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição.

quando são equivalentes às EC. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. etc. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. seja uma norma de referência para ele. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Tirando o preâmbulo. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. contudo. os TI de direitos humanos. ou seja. Assim.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Abrangeria não somente a constituição. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. Refere-se. visando assegurar a supremacia da constituição. deve estar inserida no texto da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. . A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. . Não existe. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. como para Canotilho. Com a EC/45.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). mas também o preâmbulo. o CDC. tem função interpretativa). b) Parte permanente = normas gerais – arts. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. é diretriz hermenêutica. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. 17 . Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. . portanto. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. Como não tem caráter normativo.

Assim.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. às vezes. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Pode ser: . 4 e 5.de princípio institutivo (Obs. e Não Bastante em Si.: a Súm. 5° a 17).: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). aliás. pois. STF não é mais aplicada. MI. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. ou seja. 3.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. 18 . b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. há uma divergência na doutrina. . Assim. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . se considerar em relação a uma expressão é total. ocorre. ADC e ADPF. as Súm. Ou seja. 154. Ex. o Min. Formas de Inconstitucionalidade: 3. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. Não Auto-executável. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. Obs.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. mas o prof. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 3. 5. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. Não Auto-aplicável. Ex. (Obs.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. não pode ser suprido pela sua sanção). A omissão parcial nada mais é que uma ação. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. .: competência privativa do PR (☺art. CR). I – que exige LC para instituir impostos residuais). b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Dependem do prisma de observação. §1º.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. ou seja. não será cabível mandado de injunção. AIO.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. No STF. 3. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). quando não é respeitada uma norma de competência.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Aqui. Ex. mas caberá ADIN por omissão). ADI.de princípio programático. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. 61. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. art.

reflexamente (ou de maneira 19 . Relaciona-se. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. a inconstitucionalidade será direta. Se o decreto é ilegal. como altera sentido do texto. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. já sendo inconstitucional desde a sua origem. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. § 2°).5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. ou seja. ato originariamente constitucional. o que houve foi um desrespeito à Constituição. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. não pode ser retirada). atos previstos no art. 59. que se ligam indiretamente à constituição. no controle concentrado abstrato. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. não se trata de revogação. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). aos Atos Normativos Primários. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. que só pode atingir todo artigo. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. pode ser questionado. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Ex.: a palavra “não”. todo parágrafo. Para o prof. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. não podendo incidir sobre parte do dispositivo.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. o decreto se torna inconstitucional. Assim. No caso da lei. decretos regulamentares. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Segundo STF. de ofício ou a requerimento da parte. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. CR. No caso do decreto. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. toda alínea ou todo inciso (☺art. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. ou seja. pois.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Obs. Pode ser: b. refere-se. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. Quando se fala em inconstitucionalidade.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. 66. a inconstitucionalidade será indireta. b. e grande parte da doutrina. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. 3.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Ex. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados.

Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. é fundamento de validade direto e no 2° caso. como pelo PE e PJ: .Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo).Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). . quando ele participa do processo legislativo. O veto é relativo. viola o art. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. EX:art. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). porque ele é o único que participa do processo legislativo. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). já que de maneira indireta. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. não pode impetrar o MS. O veto tem que ser expresso. mas uma mera análise política. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. inciso ou alínea). parágrafo. se ele entender que o projeto é inconstitucional. . OBS: não adianta decorar o nome do ato. ela não está violando o direito de ninguém). CR. por isso ocorre antes da promulgação da lei. prevenir que a CR seja violada. O chefe do PE. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. Caso contrário. que se exerce através do veto (☺art. por isso aqui não há que se falar em controle). Art. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. embora participe do processo legislativo. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. 66. pois pode ser derrubado (☺art. 84. tem fundamento de validade indireto. 66. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. ele não precisaria impetrar o MS. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. O único legitimado para impetrar esse MS.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos.. 84. §2º. portanto. porque o chefe do PE. é excepcional. IV. segundo o STF.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. o projeto 20 . No 1° caso. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. Obs. Trata se de um controle incidental. CR).ou concreto. IV . promulgar e fazer publicar as leis. 60 parag 4.sancionar. a inconstitucionalidade é indireta. assim. a inconstitucionalidade será direta. mas sim analisar cada caso concreto. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. porque o ato não fere diretamente a CR).

CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. 21 . 49. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. em um primeiro momento. V . esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. a fim de repará-la. na qual o projeto esteja tramitando. Questão: o PR. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . etc. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. secreto. ☺art. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. universal e periódico. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. §4º. vedando-se. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. interpretações regimentais. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR).sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. que. o Senador. se na Assembléia Legislativa. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Leitura do livro do Lenza (pág. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. que entende que “. Assim. tendo como objeto esse Dec. V. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. por maioria de votos.. 68. não lhe cabendo.. aos direitos fundamentais”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. CR. que é o chamado Decreto Legislativo. Se o projeto tramita na CD. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. pois não se trata de ato normativo. 168): o STF. vinculam os atos e procedimentos legislativos. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). Legislativo? Sim. somente o Deputado Estadual. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. contudo. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. se está no Senado. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. a separação dos poderes. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. No entanto. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. Ademais. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. e as normas do RI são questões interna corporis). Na verdade. o PR elaborará então a LD. 60. as cláusulas pétreas.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. desta feita. na linha do voto de Gilmar Mendes.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. ou seja. o voto direto. constituindo-se normas constitucionais interpostas. ADC ou ADPF. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. já que trata-se de um ato normativo. pode ajuizar uma ADI. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. mas um processo legislativo constitucional. mormente. muito embora não sejam formalmente constitucionais. os direitos e garantias individuais” – ou seja.

II) art. Desde já. 4. 84. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). ou seja. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. ao negar cumprimento à lei. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. simultaneamente. Legislativo para sustar. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. 71. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. já no STJ não há qualquer ressalva. é necessário fazer-se um controle repressivo). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). Obs. Antes da CR/88.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. nesse caso. STF: o Tribunal de Contas.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. CR). ajuizar uma ADI. tampouco que o PR. Ele será. . CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR.. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. ela deve ser objeto de controle. O TC é órgão auxiliar do PL (art. o chefe do PE teria que. Assim. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . ao fazer um Decreto Regulamentar.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle.084). mas segundo o Min. quando. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. CR). mas tão somente aos prefeitos. III) Súmula 347. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. porém. 62. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. segundo o STF? Resposta: em regra. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. através da edição de um Decreto. . expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). GE. pode o PJ analisar tais pressupostos. Não se analisa o mérito da MP). IV.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. nesse caso o CN pode editar um Dec. no exercício de suas atribuições. clara e evidente – ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. No entanto. não é um entendimento consolidado. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. exorbita os limites do Poder Regulamentar. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. O chefe do PE (e só ele – PR. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. pois. por ex. estudado de forma detalhada a seguir. esse rol foi ampliado.. não havia relevância alguma).. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. Apenas excepcionalmente. Gilmar Mendes. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. Após a CR/88. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.

Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo.: França – que tem o Conselho Constitucional. É também chamado de controle aberto. com 19 anos de Constituição.Hilton x U. porque surgiu na Áustria. Primeiro caso. 4. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. ao mesmo tempo. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. Por isso. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Obs. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). em se tratando de lei nacional. interessante: em 1965. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. para não gerar essa confusão. em 1920 (bem depois do controle difuso). Segundo caso. haviam sido feitas apenas 16 EC. ou seja. mas das espécies de controle. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). em 1803. difuso e concentrado). se se tratar de lei local. No Brasil. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual).S. inclusive o STF). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. já foram feitas 56 EC! 23 . o controle é feito pelo PL. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado.A. porque significam coisas diferentes!). porque surgiu nos EUA. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. dentro de sua competência. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88).: na Suíça. 1792 Hayburn s case. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. Por isso. que completa este ano 20. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade).3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. já na CR/88. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. isso não é verdade. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. quem exerce o controle é o PJ. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. e é adotado pela maioria dos países europeus. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Ex.

Segundo este instituto. Com base nesse argumento. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. A análise da lei sempre será feita em tese. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. porque em estando revogada. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. se fala em efeito vertical. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. ou seja. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. mas deve ser estendido ao controle concreto). O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. por ser uma relação vertical. é proteger as normas da CR. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. também não podem ser objeto de controle abstrato. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. sendo o controle 24 . as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. No Brasil. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. nos EUA chamado de “Binding Effect”. o principal defensor dessa tendência é o Min. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. 102. Este efeito é típico do controle abstrato. 97. ou tendência de verticalização. Por isso o Min. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. e a partir desse antecedente. (O STF é o guardião da CR – art. mas tão somente de controle concreto. Da mesma forma. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). A finalidade não se confunde com a competência. O efeito vertical. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Gilmar Mendes. já não ameaça mais a supremacia da constituição. No direito brasileiro. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”.

o STF estaria usurpando uma função que é do SF. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Não houve reclamação quanto a essa decisão. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Gilmar Mendes. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. segundo ele. Por fim. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. que deu provimento à reclamação. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. No Legislativo: Mas. 52. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Pois no controle difuso. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. não uma simples mutação. Assim. X. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. ou seja. Então. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. em ocorrendo isso. 4. do PL. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). em seu voto. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Assim. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. sendo acompanhado pelo Min.335/AC). O Relator da Reclamação foi o Min. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Na decisão do STF. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. ou seja. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). O MI é instrumento de controle difusoconcreto. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. Por fim. Gilmar Mendes (e também o Min.917/SP. Gilmar Mendes. o direito de greve dos servidores públicos. se assim fosse. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. ou seja. não permite essa mutação). e não erga omnes. então não sabemos a posição dos demais ministros. como a decisão tem efeitos inter partes.959/SP. viola o princípio da igualdade. ou seja. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. sem que ocorra modificação no seu texto. Antes. 25 . Então o Min. houve decisões proferidas em 3 MI (712. Eros Grau. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Outra situação interessante foi o RE 197. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. pelo menos por parte de alguns ministros. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. No Acre. tendo efeito apenas inter partes. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. CR. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. ainda. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. o Min. E. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira.

concorda com isso). o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. pois tem o papel de guardião da Constituição. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. não precisam chegar até o STF. estão os procedimentalistas. julgando-o procedente ou improcedente.art. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. 103-A).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. não é o objeto principal do pedido. ou seja. A repercussão geral (art. § 3°. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo.417/0 e Lei 11. Num segundo momento (conseqüente). analisado no dispositivo (conseqüente). Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. mas apenas a causa de pedir (antecedente). O RE. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . a rigor. social. somando-se os votos de todos eles. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. o que se dá no “plenário virtual”. por estarem mais próximos dos indivíduos. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. fundamentação e dispositivo. 102. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. por sua vez. O papel do STF não é julgar litígios individuais. eles não se reúnem fisicamente. é uma questão incidental. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. é um instrumento de controle concreto e há. (☺ Lei 11. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. não tem natureza processual como as súmulas comuns. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. No controle concreto. não cabe ao STF analisar.418/06). 26 . Segundo Eduardo Appio. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. atualmente. A súmula vinculante tem natureza constitucional. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Contrários a essa tendência de abstrativização. político ou jurídico.

Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. mas também à fundamentação.I. O próprio STF já proferiu decisões divergentes.vinculante. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.U.erga omnes . Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). . pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. §2º.: .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. Ademais. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. 10. 102. sejam particulares.EC 45/04: art. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. Dispositivo L. mas tão somente a ratio decidendi. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.Lei 9. Sendo assim. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.882/99 – ADPF. . Mas não é tudo da fundamentação que vincula. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. secundárias do julgado. a chamada eficácia vinculante.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). 28. e ele se encontra no Dispositivo.868/99 – Lei da ADI e da ADC. sejam poderes públicos. há previsão não só na lei como também na CR). cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. conforme está previsto no caput do art.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. art. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. art. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. 102. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. 5. a razão determinante da decisão. ou seja. .Lei 9. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. questões ditas de passagem. P. eles também são vinculantes. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. .Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . não determinantes para a decisão) não vinculam. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. 27 .: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.

O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. mas sim fiscalizatória. (20/03/09) 5.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. . com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. mas os sistemas de preclusão processual. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. 28 . pois atinge apenas o dispositivo. impedida de evoluir). O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). Respeitando o efeito vinculante. no caso Marbury x Madison).o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. Obs. mesmo que não tenham sido impugnadas. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. outros dizem ser nulo. se as leis devem ser cumpridas. e outros dizem ser um ato anulável.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. . o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. Só atinge a norma impugnada. já os órgãos fracionários do STF. Por este entendimento.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. .Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. que se quiser. É um entendimento que vem desde 1. pode modificar seu entendimento. inclusive o Tribunal de Contas. suas turmas e seus ministros. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. inclusive os chefes do PE. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. cuja função não é legislativa. a função legislativa). até que o PJ a declare inconstitucional. estadual e municipal).3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. por sua vez. também fica vinculado). estes estarão sim vinculados). Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. No entanto. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. . é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. . como a coisa julgada.o PL (na verdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . segundo o prof.

868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.. 27). e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social.Normas anteriores à CR. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Lei 9.112/90. Neste caso. 11). por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. Assim.882/92 (art. ☺art. como regra é retroativo: ex tunc. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. e não no de não-recepção).917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. no caso do controle abstrato. etc. o efeito que produzirá.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B.868/92 (art. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. ou 2) excepcional interesse social. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. Ou seja.. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. o Min. Visto a natureza do ato inconstitucional. com seus normais efeitos ex tunc. . Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. . resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. 27. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. autor e réu. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). o STF. não admite a “constitucionalização superveniente”. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato).683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. os efeitos são erga omnes). poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. portanto. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. por questão de segurança jurídica. como os servidores agiram de boa-fé. O STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. com inteiro teor). porque o ato é nulo desde a sua origem. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. não precisariam deixar os cargos. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. assim. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. Mas. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . decidiu que. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. portanto.” . poderá o STF.)”.). ☺RE 197. Exs. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. que revogou a Lei A. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). como a Lei 9. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.

1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. Ex. evitando a inconstitucionalidade progressiva. 68. constitucionalidade. e a norma já foi recepcionada pela CR e. o resultado será o mesmo. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. 134. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa.Corresponde a um juízo de . . depois de ter sido recepcionada.: a norma x tem dois significados possíveis. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . mas sua interpretação). CPP. mas. . a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). com um só sentido). não foram todos os ministros que se manifestaram). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.2: art. mas nem sempre.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. que trata da ação de reparação ex delicto.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. 5. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). de fato. portanto. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. um significado A e um B. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. quando todos os Estados tiverem DP. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). ex. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. (A norma já passou pelo crivo da constituição. era uma questão “obter dictum”. para que este corrija a norma.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck.O Tribunal não precisaria 30 . chamada “Apelo ao Legislador”.O Tribunal precisaria observar . o prof. à medida que a situação fática for alterada. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. Ex. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. portanto. com condições de trabalho iguais às do MP. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida.Corresponde a um juízo de . Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. CR x art. Em alguns casos. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. portanto foi recepcionada. Assim. quanto . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. Segundo o STF. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. reproduzida pelo STF). controle difuso-concreto. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). ela progressivamente se tornará inconstitucional). assim.

Trata-se de controle abstrato. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts.É permitida uma interpretação e. . dentro de uma mesma lei). . 1º e 3º.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. 1º ou do art. . ou seja. 3º. (*) Para o STF. 2º. b. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Ocorre que. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). são excluídas as demais. 1º e 3º e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). do art.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. e são permitidas as demais. . o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. de ofício. não podendo.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. por arrastamento. ser objeto de ADI. .1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. declarar a inconstitucionalidade. total ou parcialmente. O STF. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. se manifestar de ofício sobre o art. . 97). portanto. Obs. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. em regra. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. portanto. o juiz não pode. a cláusula de reserva de plenário. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art.É excluída uma determinada interpretação. observar a cláusula da reserva de plenário (*). Assim. nem sobre os demais. em princípio. no controle concreto. no controle abstrato. Na declaração com redução de texto. o texto da norma. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. da Lei x. 2º. o juiz pode. b) Com redução de texto: b. em razão do Princípio da inércia.Não há qualquer modificação no texto da norma. mesmo que não tenha sido questionado. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. não poderá. esta só se faz necessária quando se afasta. no controle concreto. 2º for dependente do art. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 .É uma técnica de decisão judicial. como ambas são equivalentes. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). ou todo o artigo. se for um dispositivo autônomo. se o art. 2º. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. desde que não altere o sentido do restante da norma. de ofício.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. . a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido.

1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. Neste caso. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. neste caso. de ofício. julgará procedente ou improcedente o pedido. Ex. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Assim. Obs. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). O dispositivo. Ou seja. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). mas é que esta não é necessária. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. portanto. ACP para fechamento dos bingos.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). e por arrastamento. Sobre o tema: 32 . O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). A inconstitucionalidade não será objeto do pedido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. ADCe ADPF). nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. porque. dentre elas a ACP. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. No Brasil. O pedido será a proteção de direitos. Contudo. apesar de sozinho não ter aplicação. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. mas apenas a causa de pedir. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Mas nem todo controle concreto é difuso. mas também quando há usurpação da competência do STF). já que o STF pode. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. pois será uma questão discutida incidentalmente. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). portanto. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. julga também inconstitucional o decreto. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. todo controle difuso é concreto.

porém.646. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. por exemplo. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. dotada de caráter de universalidade e abstração”. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI.. não pode ser delegada. Os juízes singulares podem. conseqüentemente. Nada impede. é função possível de ser delegada. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. Em outras palavras. elaboração de Regimento Interno.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. assim. porém.159.022. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. as chamadas leis de efeitos concretos. Segundo esta cláusula. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. 97. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). 294. 557. por meio da ACP. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. desde que. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). por entendê-la inconstitucional (inter partes). STJ ☺ RE 227. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. e no mínimo 11 membros. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). 93. de Hugo Nigro Mazzilli (pg.: eleição do Presidente do tribunal. Assim. que é função legislativa. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. em defesa de contribuintes. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. pois. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. XI – órgão especial: para que seja criado. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. porém. que é mais de 50% dos presentes). à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. de efeitos concretos. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. teremos uma lei material. no caso. na prática. os Tribunais não têm admitido que. Assim. No tocante. Assim. STJ ☺ Resp. Regra da “full bench”. no âmbito dos Tribunais. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. por ex. também não pode ser delegada). desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). o que só se pode obter por meio de ADI. 97. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). 33 . os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. ☺art. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. que é função política.

b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. ao órgão especial). sabe-se que o STF é o guardião da CR.. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. 481. prosseguirá o julgamento.U. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. Decidido o antecedente. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. de acordo com o posicionamento do STF. Há quem critique tais exceções. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). analisando se a lei é ou não compatível com a CR. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). Há uma repartição funcional de competências. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. se for acolhida. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. como guardião da CR. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau.U. será lavrado o acórdão. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Exceções: P. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ.. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. P. 97. podendo decidir o caso concreto. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988.. O professor não concorda. Quanto à 2ª exceção. ☺art. . assim. abstratamente. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. se entender que a lei é inconstitucional. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. ou em caso de interpretação conforme. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. sob o argumento de que o dispositivo (art.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). 481. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. 34 .Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. no entanto. porque para o STF ambas são equivalentes. a argüição de inconstitucionalidade (. se existir no Tribunal. CPC) seria inconstitucional: o art. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. Assim. pela maioria dos seus membros.

35 . pode fazê-lo se quiser e quando quiser. que não comporta delegação. Ademais. A suspensão se dá através de uma Resolução. bem como ou STF. trata-se de uma competência exclusiva. sustentam que o efeito é ex tunc. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Na verdade. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. 178. no todo ou em parte. como se tratasse de uma revogação. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. Quando o SF suspende a lei. o SF não pode suspender toda a lei. art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. não estando vinculado à decisão do STF. Ou seja. passa a ter efeito erga omnes. O SF não é obrigado a suspender. CR – compete privativamente ao SF suspender. RISTF. O STF já admitia essas duas exceções. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. O SF apenas suspende a lei. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. ela se refere à decisão do STF. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. se assim o fosse ela já seria vinculante). O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. a decisão do STF. esta decisão deve ser submetida ao plenário. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). portanto. Outros autores. em regra. ou seja. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 2) Outros autores. A cláusula vale também para o controle concentrado. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. a lei deixa de ser aplicada. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). que não pode ser retroativa. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. entendem que se trata de um ato discricionário. quando isso ocorre. Efeitos. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. X. por isso o faz dali em diante. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. É o entendimento mais correto. 52.

É uma construção da jurisprudência do STF. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. requisitos para a criação de CPI. 61: iniciativa do presidente. §4°. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. LO. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. Mas. em razão do princípio da simetria. Ressalta que a letra da norma (art. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. a partir do momento que resolve fazê-lo. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. O SF. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. CR) não comporta este entendimento. cabe. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. 66. no controle difuso-concreto. RISTF) – e isso é óbvio. Na ADPF este fenômeno também é possível. cujo modelo. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. um RE para o STF. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. mas. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Por isso. 52. Art. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Nas situações em que o TJ julga. já que o SF não atua de forma correta. o que. se for apenas uma parte. desta decisão proferida pelo TJ. deve-se recorrer ao entendimento do STF. CR: prevê o escrutínio secreto. esta norma não é de observância obrigatória. já o SF não. Gilmar Mendes. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. 178. se toda a lei foi declarada inconstitucional. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. e se o STF. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. está fazendo uma análise. segundo o Min. não se referem ao âmbito estadual e municipal. a resposta é negativa. sendo norma de observância obrigatória. configuraria uma mutação constitucional. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. 57. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. etc. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. ou seja. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. esse entendimento é desejável. obrigatoriamente. normas referentes ao TCU. Neste caso. Segundo o professor. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Quando se fala em decisão definitiva do STF. não havendo a necessidade de suspensão da lei. LC. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Art. CR. por ser um órgão do PL Federal. pela simetria deve ser atribuída ao governador. 59 e segs.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. os que tratam do TCU. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. portanto. Classificação de Osvaldo Aranha B. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. Quando o SF atua como órgão federal. pelo Senado Federal. §3º. art. também. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. está defendendo interesses apenas da União. outros 37 . 52. por isso pode suspender lei estadual e municipal. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. só se aplicando ao âmbito federal). porém. X. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. o SF teria um número enorme de representantes). a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. 19. Assim. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. estadual. visto que. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Sabe-se. no todo ou em parte.: Lei 8. do DF e até municipais. ADC ou ADPF). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. que deve ser observado no âmbito federal.” Análise do enunciado pelo prof. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). no controle abstrato (ADI. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. mas não trata apenas dos interesses da União.: art.: CTN. etc. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. estadual e municipal. distrital e municipal). como aos Estados. por isso pode suspender leis também dos Estados. se aplicando ao âmbito federal. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. a suspensão. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. não havendo. Ex. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc).: arts.). 59. sendo específica para os servidores públicos civis da União. assim. 58. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. CR). São os dispositivos que se referem tanto à União. 37. por não existir uma federação de municípios. Ex. É também uma lei emanada do CN. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). da organização da União. retirando a lei do ordenamento jurídico. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). Quando o SF suspende os efeitos da lei. quando o SF atua. Ex. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. Ex. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc.

de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. em decisão definitiva. é a AL que suspende a lei. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). é a Câmara Municipal. não retroativos). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. então. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. SE e AM. RN. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . os dois tipos são constitucionais. Embora não haja consenso.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. visto que. . na sua esfera de competência. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. Segundo o STF. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. 2º grupo: . declarando uma lei inconstitucional.346. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. de fato. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. da AP Federal direta e indireta. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. MS. Entretanto. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). é sempre a AL que suspende a lei. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. visto que. 38 . o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Portanto. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). porque o seu parâmetro não é a CR. por força do referido Decreto nº 2. pró-ativos (ex nunc).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). no âmbito da AP Federal. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar).346. adotou-se. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). de 10/10/1997. TO. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). Poderá. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Com efeito.

103. e . (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. obviamente.ADC. a ampla defesa. Por se tratar de um processo de índole objetiva. Obs. .ADPF. tendo partes – autor e réu. o duplo grau de jurisdição. 5) Ação rescisória.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). 4) Recurso da decisão de mérito. Como são ações de controle abstrato. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. A Constituição. mas sim legitimados. ou na CR ou na lei. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. que são a União e os Estados). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. em seu art. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. de acordo com essas leis. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. a competência é do TJ). ela é meramente jurisprudencial). ☺Lei 9. onde não existem partes formais (autor e réu). deve haver a previsão da legitimidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. . o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. não cabe. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. e não do trânsito em julgado.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. 39 . São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: .

o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Obs. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . . . ou seja. CS e ECAN. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados).O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).A norma do art. confederação local: sindicato.Confederação sindical significa de âmbito federal. . Para ter âmbito nacional. segundo a jurisprudência do STF: . Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. a partir de então. para ter legitimidade.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.. Assim.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).S. confederação regional: F. . Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Executivo PR GE – GDF P. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. . .Os GE. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.A entidade de classe.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia.

o RI pode. caso o decreto emane diretamente da CR.TIDH (3/5 e 2T) . Não serão objeto de ADI e ADC. a. direitos e garantias fundamentais. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. como por ex.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. 5º. Obs. para ser objeto de ADC e ADI. admite-se o seu controle. decreto regulamentar.☺art. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. são questões próprias de RI.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. 102. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). §3º . salvo se envolver violação a direitos fundamentais. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). 1º.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. sem interferência do PJ.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . nas normas que tratam de outra matéria).Norma formalmente constitucional . ou seja. geral e abstrato. pois geralmente está abaixo do decreto. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.: decreto regulamentar do PR. I. 41 . I. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). OBS.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. Lei 9. Ex. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). todas estão no mesmo nível. 102. ele poderá ser objeto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a. . já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. por isso não é ANP).normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. . .

intervenção de terceiros e recursos. pode ser qualquer ato do poder público. 103. Função geral do AGU (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 103. 103. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. 42 . pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. não ameaça mais a supremacia constitucional. A função do art. Obs. ainda que ele proponha a ação – ou seja. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. STF). pois não produzem mais efeitos. Gilmar Mendes e de um prof. poder-se-ia admitir o veto jurídico. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. . Tem status de ministro de estado. leis suspensas pelo SF. Hoje. segundo o STF.Súmula. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. . A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). ainda. Atuação do AGU: ☺art. Assim. é preciso primeiro ser transformado em EC). Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. o STF admitiu. da mesma forma na ADPF. § 3° é uma função especial. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. de defensor legis. §1º. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. se um novo PGR o substituir. na outra. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. CR. ou seja. CR. O PGR atua como “custus constitutionis”. devendo ser de todos eles intimado. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo).: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. Lembrar que não cabe assistência. No caso de emenda. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. Atuação do PGR: ☺art. Lei do DF não pode objeto de ADC.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. portanto está subordinado ao PR. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). ele vai atuar como fiscal da Constituição. se seu entendimento for diverso. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. só podendo ser objeto de controle difuso. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. posteriores a 5/10/88. e. também poderá dar parecer em sentido contrário. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Mas. não pode ser objeto de ADPF: . medidas provisórias revogadas.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. como está havendo uma influência de um controle no outro. salvo embargos de declaração. §3º. sem exceção. por analogia. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado.leis revogadas.

em especial no direito norte-americano.868/99 -☺art.884/94 (CADE). mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). 7°.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). 89. Amicus Curiae: Em uma tradução. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. 6º. Cabe também na ADPF. sendo feita por toda a sociedade. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. por fim. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. art. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. nos estados que adotam a commum low. o AGU até poderia participar.868. 7º.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Na ADPF. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. §1º e art. portanto.385/73 (☺ art. A exposição dos motivos da Lei 9. Está desempenhando uma função especial. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. 31). 43 . 482. §2º e art. por analogia. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). A audiência pública está prevista na Lei 9.868. É muito comum nos tribunais internacionais. Não há previsão para a ADC e ADPF. Na ADI por omissão. a Lei 8. de “defensor legis” e. Mas atenção: existe um outro instituto. só vai contribuir para a decisão do tribunal.868. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). §1º. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. disciplinou a figura. Tem natureza de auxiliar do juízo. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Importante: ainda que como Advogado da União. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Nesse caso. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. não há o que se defender. mas não têm nada haver com amicus curiae. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Mesmo sem previsão legal. “amigo da corte”. §1º. 7º. ☺ art. . É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. §2º da Lei 9. Ele não é alguém interessado na causa. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). não precisará do AGU para defendê-la. Foi introduzida pela Lei 6. A previsão expressamente contida no art. 9. seria “amigo do tribunal”. Quando o AGU desempenha essa função. Ela já existia antes. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Posteriormente. 20. o das audiências públicas. Portanto. art.868/99 vale só para a ADI. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). o AGU não será obrigado a defender a lei. em seu art. §3º.

Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. (Obs. admitindo prova em contrário. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. é um equívoco. É. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. segundo o professor.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. seria uma exceção). (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). . porque iria envolver matéria em relação à vida. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). . “a”. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Foi uma exceção. Para o prof. Barbosa e E. Surgiu com a EC/03. Apesar de que era relevante.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Lei 9. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. . Lewandowski. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. ressalta-se que esta é apenas relativa. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. J. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. R. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Gracie).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Marco Aurélio não admitiu.Com relação à presunção de constitucionalidade. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala.868/99. não tendo partes. em despacho irrecorrível. ou seja. admitindo ser intervenção de terceiros (C. pois admitiu pessoa física em controle concreto. ou seja. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Obs.102. Quando 44 . poderia afastar esta presunção. M. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Mello. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art.. autor e réu. I. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. a mais correta. portanto. O juiz de primeiro grau.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. cabe amicus curiae. Aurélio. por ex. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Mas depois que a lei foi feita. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda.

A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. não há que se declarar uma lei constitucional). neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. III). O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.Cláusulas Pétreas.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.Cláusulas Pétreas. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). Mas. inclusive o Poder Executivo. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. portanto.102.868/99.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. VII). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. a Lei 9.Princípios Constitucionais Sensíveis.Título I: Princípios Fundamentais. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.U.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. e . mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. no entanto. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Segundo a doutrina. . os preceitos fundamentais são: . CR e Lei 9. . §1º.21. Portanto. em seu art. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC.Princípios Constitucionais.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. e . ADPF: ☺ Art. art. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR).).Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. Como visto. nas outras ações ela também poderá ocorrer).14.882/99. 14. nos quais a lei esteja sendo discutida. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.869/99. . Gilmar Mendes. art.868/99. Não é uma ação de inconstitucionalidade. . 45 . Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. Cabe prorrogação. . II. O STF admitiu ☺Informativo 518. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. 34. Através do AGU. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. o FHC ajuizou ADC. O parâmetro. na ADPF 33: . O STF não concordou e mandou juntar mais ações. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). exige como requisito para o ajuizamento da ADC. é mais restrito: somente a violação. P. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. .

controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato.: gestante com feto com acrania.882/99). ainda. Art. leva a questão ao STF através de ADPF. 4°. apenas o STF.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). O objeto pode ser da esfera federal. estadual e municipal. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. 46 . que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. 1º. 1º. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. os legitimados podem levar não todo o processo.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. P. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. ou seja. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. art. na ADPF. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Mas se algum dos legitimados souber da ação.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. embora seja bastante difícil existir esse meio). Características: . b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Obs. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Incluindo-se.882/99. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. § 1° da lei 9. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. dentro do órgão judiciário). Segundo Neri da Silveira.U. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Um dos legitimados. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Ex. a vinculação é vertical. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. neste rol. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. podendo ser um meio de controle difuso. dentro do mesmo tribunal. 196 e ao meio ambiente. embora lá há uma vinculação horizontal. como guardião da CR.: surge a partir de um caso concreto. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Aqui. Proposta diretamente no STF.

nas CE ou em lei federal). 5°. 5°. V). para fazê-lo em trinta dias”.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. I. TSE/TER (art. o STF transforma a ADPF em ADI. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . à soberania e à cidadania”. § 2º .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O STF admitiu a ADPF. LXXI . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. . à soberania e à cidadania). Assegurar a efetividade de suas normas. 121. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. II e III). 129.CR: STF (art. É controle concreto. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. 47 . Ex. É controle abstrato.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. 102.. ADC e ADPF (art. 103. mas a converteu em ADI. É a mesma da ADI. q). em se tratando de órgão administrativo. coletivos e individuais indisponíveis (art. .Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. . LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL).MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. 105. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. por ex. STJ (art. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). . No entanto. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Obs. § 4°.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.Admite-se a fungibilidade. h). Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. I.

O STF. Se o PL) e. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. concretize a norma (faça a norma concreta). A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . não pode concretizar a norma. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. Há. Recentemente. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Mas atenção. mas esse prazo era direito. fundamentais em face do Estado. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. no entanto. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). abrangendo todos os que se encontrassem na 48 .: na ADI 3682 b. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. é b) Concretista: concretiza a norma. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. recentemente. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. autores que admitem. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. 5º. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. portanto não podem impetrar MI. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. portanto. ECAN e associação c/ 1 ano). (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder.MI Coletivo: o STF o tem admitido. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. não pode fazer a norma para o caso concreto. entes federativos e PJ dir. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). em se tratando de órgão da AP. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. organização sindical. LXX: PP c/ CN. apenas razoável e não peremptório. ou seja. . elaboração da norma não pode ajuizar AIO. ou seja. mudou seu posicionamento. Obs.Órgãos públicos. público: MI protege dir. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). competente de sua omissão (em regra.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação.

b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. 49 . iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). ou seja. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. Surge a partir do caso concreto. 708 e 712). criando uma norma geral e abstrata. Portanto. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. ademais. 680. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. O efeito seria apenas inter partes. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. o STF está atuando como legislador positivo. A omissão total não cabe MC. o PJ. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. 36.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. Ela se subdivide em – geral e individual. O STF adotou essa corrente no MI 232. 34. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. VII). e 2) recusa à execução de lei federal (art. ao mesmo tempo. VI). Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. CR (provimento. ou seja. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. ou seja. Essa corrente é bastante criticada. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. não cabe liminar (antes. III. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. 2. como regra. A regra é o principio da não-intervenção. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. intervir nos Estados). De acordo com esta concepção. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. porque nem a AIO tem esse poder. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. nestes casos de omissão parcial. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. em um primeiro momento. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. Mesmo adotando a corrente concretista. pelo STF. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. porque adotava a corrente não concretista). a intervenção é uma exceção (a União não pode. 34. Recentemente. 652.040). Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. No MI. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e.

125. CR). portanto. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. 35. § 1°. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. é claro. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. Esta forma não foi prevista na CR. O RE. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). foi uma criação da jurisprudência do STF. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. que é o pressuposto para a representação interventiva. IV. mas sim. CR. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. 614. ☺art. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. §2º. As partes aqui são o Estado e o Município. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). 36. no âmbito federal). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). CR. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. no âmbito do TJ. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. 127. ☺art. É dispensada a apreciação política pelo PL. CR. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. STF). O STF é o guardião da CR. §3º. O parâmetro aqui é mais amplo. mas que surge a partir de um caso concreto. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). 50 . já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. e sim em face da CR. se o STF der provimento à representação do PGR. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). da ADPF). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. Isto está previsto no art. OBS. se violados. o PR então poderá decretar a intervenção. além. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. nem no RISTF.

pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. É ele um titular passivo. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. que é sempre superior aos poderes constituídos. Assim. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). XVIII). uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. que. mas jamais é quem o exerce. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. retira sua força do direito natural. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. pois o Estado decorre da soberania popular. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. expressa por meio de seus representantes. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. que formulou esta teoria no fim do Séc. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. segundo o abade Emmanuel Sieyès. corroborando essa perspectiva. segundo o Abade Sieyès. Portanto. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Assim. um dos precursores dessa doutrina. que deve observar o direito natural. cria o Estado. é a nação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Bonavides. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Celso de Mello. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. por delegação popular. São apenas órgãos aos quais se atribui. Schmitt). A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. C. Está acima do direito positivo. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. editando a nova Constituição. porém. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. ou seja. pode usurpar do povo a titularidade do poder. social e juridicamente organizado. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. o exercício dessa magna prerrogativa. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. em nome do povo. Na 1ª etapa. em alguns casos. a vontade do constituinte é a vontade do povo. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Obs. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Para os jusnaturalistas. Modernamente. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício.

quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.: o prof. por conseguinte. correspondendo aos anseios daquela sociedade. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. que é seu verdadeiro titular. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). CR) . 11. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . Dessa forma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder.Revolucionário . é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.Material . 3º. Obs. ADCT) . tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. há legitimidade objetiva. já que o poder constituinte já é originário. para ser considerado legítimo. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. ADCT. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Espécies Tradicionais: . 25.Reformador (art. entende que a expressão “originário” seria uma redundância.Revisor (art. Assim.Histórico . art. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal.Formal .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Decorrente (art. Portanto. se esta correspondência existir o poder será legítimo. 60. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.

No caso do Brasil. através da Constituição. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). ela nunca deixa de ser do povo.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. há alguns valores que são morais. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. 1934. O povo é o titular do PCOM. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição.: se é um poder autônomo e incondicionado. No caso do Brasil. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. através de normas constitucionais. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. que substituirá a anterior. mas não a primeira e sim uma nova. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. 1937. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. 1946. 1988. Apesar de ser um poder incondicionado. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). ex. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. 1967/69. b) é um poder inalienável. 53 . é apenas uma classificação quanto ao momento. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. foi criado um direito natural). → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. No plano axiológico. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. O Abade Sieyes. ou seja. a nenhum pré-requisito jurídico. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. independente e soberano. Obs. GV). principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). .: este poder tem este nome porque para o Direito. não perde a titularidade do poder constituinte. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. Obs.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). Ex. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele.

observados os princípios estabelecidos na CR. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. A partir do momento que a CR surge. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. Ainda que o estado seja soberano. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. por se tratar de uma conquista da sociedade. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. ficando um pouco relativizada. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. Obs. as constituições estaduais não são recepcionadas. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. 54 . Não se trata de um limite jurídico. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). com os avanços da sociedade. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. O prof. mas meta jurídico (fora do direito). Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Ex. No entanto. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). No caso da CR/88. no art. contudo. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. 11 do ADCT. a doutrina deduz deste art. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. 25. na verdade. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Fábio Konder Comparato fala. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Ex. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. não concorda muito com isso. Dentro desse limite. De acordo esse limite. ☺art. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). na pena de morte. A CR/88.. por ex. Quando a CR consagra o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Esta AL. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. 25. ele encontra limites no texto da CR.

são essas as normas de repetição obrigatória. Obs. CR. 58.Requisitos para a criação de CPI: ☺art.: ☺art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. Mas. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. 75. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição.). e o STF decidiu que não havia problema.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 61. Se subdividem em: 55 . 57. por enquanto. V ???) I) Expressos na constituição: art. VII. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. vedada a recondução. 58. §1º . 93. que se estendem aos Estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. § 1°. Há dois grupos: (art. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. 27.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. CR.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . . §4º não é norma de observância obrigatória). fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. ou seja. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. Estão presentes no art. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. porque o art. processo legislativo (art. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU).: presidencialismo x parlamentarismo). b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. são as normas de auto-organização da União.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. diferente dos extensíveis. 34. II) Implícitos: CPI (art.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. Obs. 59 e segs. composição. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. . §4º. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. mas foi uma decisão super apertada (6x5). c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. § 3°). CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). Segundo o STF. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. 57. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE.

CR. . §1º. 3°. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. ou seja. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. CR.titularidade: é do povo.é um poder jurídico (e não de fato). A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. . → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.: os arts. mas é possível deduzi-las.: art. E.: art..não é inicial. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. portanto. cujo procedimento está previsto no art. DF e M. . em qualquer estado da Federação (art. uma limitação temporal para o poder revisor – art. CR (é vedado à U. decorre da lei e não da força. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa.exercício: é pelo CN. 19. . As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. portanto. 37.não é autônomo. se for decretado o estado de defesa (art. Ex. Trata-se de um poder previsto na CR e... .). 60. Ex. 56 . Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.é condicionado. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . ADCT). e se for decretado o estado de sítio (art. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. . . a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. 34). nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. 136).) – contém uma vedação expressa.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. .A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. 60. . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. . é conseqüente.normas vedatórias: ex.é limitado. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 137).normas mandatórias: ex..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . no entanto. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.

Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). 60 (incisos I. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). no âmbito do PE. 67. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. a PEC vai para a promulgação. proposta rejeitada no dia 15/01. no âmbito do PJ.Além do PR. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. não promulga. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. CR. sendo o art. P. para que. não veta. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. GE. §2º). 62. no entanto. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito).Feita a iniciativa. é o de que o art. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 61. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC.). . vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. no qual há 4 sessões legislativas. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. 61.A nossa Constituição é rígida. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. também podem propor projeto de lei o povo. o STF e Tribunais Superiores.A última limitação formal objetiva está prevista no art. ☺art. . 60. ademais. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. através da iniciativa popular (art. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). ☺art. . Este art. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. também chamadas de implícitas. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. ela será chamada de extraordinária. Ex. §5º. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. CR). 60. apesar de não existir previsão expressa. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR.Discutido e aprovado. 61. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. após a iniciativa. apenas o PR. a PEC será discutida em cada casa do CN. A Sessão legislativa (art. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. §2º). que é o período de 4 anos do mandato do PR.U. No caso de projeto de lei. assim.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. o PGR. . A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. 60. Obs. do SF ou do CN. . também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. possamos usar o procedimento previsto no art. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. . 44. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. . não pode haver emenda de emenda. por fim. II e III) uma exceção à regra geral. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. b) o entendimento majoritário da doutrina. §3º. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. 57 . não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. 61 é a regra geral de iniciativa. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). DF e DE. §10). 60.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. no âmbito do MP. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. se a matéria for rejeitada.

A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. 150.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Ou seja. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. que é o modo como se realiza o exercício do voto. c) Voto Direto. mas sim. Secreto. universal e periódico. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. não é secreto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. na verdade. VI. c) Assegurar o processo democrático. Universal e Periódico: . a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Se elas não existissem. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. . o que é secreto é o escrutínio. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. o que é universal é o direito de sufrágio. o voto não é universal. 60. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. CR. Curiosamente. b) Preservar a identidade material da Constituição. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. pois. São as chamadas cláusulas pétreas. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. §4º. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. a). Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. 58 . segundo o STF. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). o direito de participar das eleições. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. secreto. ademais. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. As cláusulas pétreas são. . Expressas: ☺art.

sendo uma garantia individual. não o serem). Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. Obs. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. todo o art. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. para posterior alteração do conteúdo. far-se-ia uma EC revogando o art. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. não alterando-o). O art. 5º. é CP. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. e não em direitos e garantias fundamentais. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. mas os demais não (ex. CR. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. A CR fala em direitos e garantias individuais. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 .Há quem defenda. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Os demais direitos e garantias fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. posteriormente. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. dispostos do art. Assim. ou. como um todo. b. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. Para ele. pois seria uma forma da fraudar a constituição. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Mas o STF já considerou que o art. O prof. 150. Chama-se dupla revisão. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. é o art. mas refere-se a uma reforma. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. com a dignidade da pessoa humana. Um exemplo. CP). 60. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. por uma questão lógica. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. ADCT). que proíbe a pena de morte. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. . 60 poderia ser modificado. Lá estão as limitações ao poder reformador. 60. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). Os direito fundamentais se encontram. em princípio. CR. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito.: primeiro. não tem nada a ver com CP).: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. sistematicamente. que não é unânime na doutrina. CR). 2º. segundo a qual o art. 60 seria CP. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Ex. não seriam cláusulas pétreas. §4º. Assim. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. III. . por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. comportam diferentes interpretações. são CP.: FGTS. não concorda. inclusive. 5º. e por conseqüência.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. por isso. pois. (23/04/09) 2.

não abrangendo apenas leis em sentido formal. portanto. Ex. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). O direito adquirido pode ser relativizado.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Com relação ao assunto acima. a constituição atinge prestações vencidas. mas ainda não pagas. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. A limitação imposta no art. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. CR). de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. O ato ocorreu antes. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. 3º. XXXVI. tem que haver previsão expressa na constituição. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. mas seus efeitos surgem após a constituição.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Ex. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . excepcional e transitória de alteração da Constituição. . em sessão unicameral. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. art. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. 3º. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). contados da promulgação da Constituição. ☺art. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Antes da CR/88. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . ADCT é uma limitação temporal (5 anos). a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. A retroatividade mínima é automática. tem que haver previsão expressa na constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. o STF tem entendimento unânime. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. c) Máxima: a retroatividade não é automática. Revisão é a via extraordinária. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. esse era o entendimento do STF. não abrange EC. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. 3º. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. mas também emendas à constituição. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. 5°. 60. em sentido formal. Ex. não sendo um princípio absoluto. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. b) Média: a retroatividade não é automática.

60. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. §§1º e 4º). circunstanciais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. 61 . (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Além disso. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). ADCT. 3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. e de forma geralmente mais extensa. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. especificamente. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Nele estão os valores supremos da sociedade. Por isso. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. e os valores fossem o seu espírito. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Toda norma está dentro de um sistema. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Não existe uma norma jurídica sozinha. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). esse método também é conhecido como método valorativo. é também o limite para a interpretação. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. esses elementos são insuficientes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. 65 . É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. para o direito público. O grande problema é que. mas apenas valores: o preâmbulo. e não isoladamente. Imagine a Constituição norte-americana. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. aqueles desenvolvidos por Savigny. O texto da norma funciona. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Constituição da República. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. É o início de uma interpretação. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Ela não tem normas jurídicas. Esse método não é apenas sistemático. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Buscam os valores subjacentes à constituição. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. como início e limite para a interpretação. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. devido à complexidade da interpretação constitucional. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. eles são suficientes. Além disso. só tem alma. para o direito privado. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). como todas as demais. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). entra o elemento histórico evolutivo. 52. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Ex: princípio da não contradição. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Por isso. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. portanto. com algumas peculiaridades. b) Histórico: no seu desdobramento. X. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. partindo da idéia de sistema.

→ Crítica: feita por Canotilho. da jurisprudência dominante. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade.. Ex.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). vence o argumento que for mais convincente. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. do senso comum. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. como. pois comporta mais de uma solução possível). Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Assim. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Assim. pontos de vista ou lugares comuns. ou seja. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. certa insegurança jurídica. porque trabalham não com a idéia de sistema. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. enfraquece-se a força normativa da constituição. mais um 66 . de argumentação. Ex. Este problema será solucionado pela argumentação. ou a de que um é mais correto do que o outro). os quais são submetidos a várias opiniões. lugares comuns. ele também é conhecido como método sociológico. cujo plural é “topoi”. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. dos princípios gerais do direito. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. da doutrina. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. mas sim diante de problemas. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Problema é a questão difícil. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. que contraria o positivismo jurídico. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. os operadores do direito servem-se de topoi. a favor e contra. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Ex. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. o que geraria uma grande insegurança jurídica). Isso gera certa instabilidade. como ocorre neste método. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. que é apenas mais um topos. Se se permite interpretações divergentes. Esses pontos de vista.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Os topoi são esquemas de pensamento. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Violação de correspondência de presos. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. 2. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Por ter uma feição mais política do que jurídica. de casos que comportam mais de uma solução possível. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. por ex. Por isso. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. formas de raciocínio.

pois. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. como já vimos. Além de serem métodos aporéticos. quando se fala em hermenêutica. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). e sim na sua concretização. ou seja. Hermenêutica e interpretação não se confundem. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. são coisas diversas. Método concretista. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. A principal diferença. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. é preciso que haja um problema. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Os métodos III e IV. Ele parte. não podem ser utilizados de forma abstrata. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Para este método. na sociedade aberta de intérpretes. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. que a questão não seja simples. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. devendo-se fazer uso de outro método. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. mas em concretização). Assim. de única solução possível. são também métodos concretistas. não se deve falar em interpretação constitucional. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. este método não poderá ser aplicado. São métodos indissociáveis. por serem métodos concretistas. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). e concretizador à aplicação. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Ocorre que. a compreensão prévia do intérprete. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. diferentemente dos dois primeiros. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. é bom lembrar. 67 . ao lado de Hans Kelsen. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Assim. e o problema concreto a resolver. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. Não se pode separar as duas coisas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. ainda que dos mais importantes. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. se for caso de lacuna. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. porém. sua aplicação a casos complexos.

Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la).Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Segundo ele. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. mas também na sua interpretação. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. regulada pela norma.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Paulo Bonavides o tratar como um método. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. 68 . para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. . Ainda que a Corte seja o intérprete final. mas refere-se àqueles que podem interpretar. Segundo o autor.Elementos do âmbito da norma . Para ele. limita a interpretação. Não diz respeito aos critérios de interpretação. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . Judiciário. Quando ele fala em democratização. Assim. ele na verdade não o é. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. A democracia deve servir não apenas para a criação. aberta a toda a sociedade. mas a toda a sociedade. pois. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Friedrich M. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). é o comando que se extrai da norma interpretativa. bem como a quebra da unidade constitucional. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Gilmar Mendes). ao mesmo tempo. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. por sua vez. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. O texto tem duas funções muito relevantes. Essas duas figuras podem ser. Na prática.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. Fala-se que são utilizados. é a realidade social tratada pelo texto da norma. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). traduzido pelo Min. A norma é o mandamento. ele dirige e. O texto não tem o comando. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. em regra. mas também para a interpretação da Constituição. a norma só surgiria após a interpretação do texto. O que ele chama de domínio normativo. que têm legitimidade para a interpretação.

É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Após. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Entende que. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). A norma. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. surge o Positivismo Jurídico. Também denominado de originalismo. Hoje. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. no Brasil. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. quando interpretada. mas de forma concreta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. preocupado com a segurança jurídica. Assim. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. que se subdivide em princípios e regras. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. No pós-positivismo. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. A segunda corrente. Segundo Conrado Hubner. 3) Existe uma única resposta correta. do povo. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Na verdade. bastante discutido nos dias atuais. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Assim. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. surge a idéia de norma (gênero). superado o valor da norma). o poder legislativo é claramente fraco. sem modificá-la. vinculante e obrigatória. 69 . os direitos têm que ser iguais para todos. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. norma e fato. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. que corresponde à vontade do constituinte originário. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Por isso o judiciário tem ganhado força. textualismo e preservacionismo. como a constituição é feita por representantes do povo. Esta questão está ligada à separação dos poderes. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras.

generalidade . se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Referem-se à abstração (a norma é abstrata. Ambos são normas.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. genérica.Regras.dimensão que eles ocupam (Alexy) . Ex. e . e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. . → Regras: são “mandamentos de definição”. O grau de abstração é a diferença. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. imperativa. que apontam para o sentido contrário. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Alexy afirma haver exceções. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. 70 . quando se vai aplicar um princípio. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. As regras possuem aplicação automática. → Princípios X Regras: . Segundo Robert Alexy. ou seja. dentro do gênero norma jurídica. Para Habermas. mas a medida do possível.Princípios. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. . A norma é um gênero e. em havendo um conflito no âmbito da validade. isto é. há uma subsunção lógica. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Eles não definem a medida exata. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Dworkin entende regra como mandamento definitivo.: aposentadoria compulsória.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. o que ocorre por meio da ponderação. como elementos do sistema normativo constitucional: . Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. ou seja. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. princípios são “mandamentos de otimização”. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. bilateral). peso ou valor. impõem resultados. é preciso saber quais são as normas opostas. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. será invalidada. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. Assim. impessoal.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . que envolvem a aplicação deste princípio.Postulados. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. .

Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. também conhecido como antinomia de princípios. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. É um conflito sempre no caso concreto. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Segundo a LICC. Com base nessas premissas. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Os postulados são denominados. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. será feita a análise de alguns postulados que. nem estabelecem competência ou conduta. pela maioria da doutrina. embasados na supremacia da Constituição. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. cronológico e da especialidade. Não estão na constituição. de modo a realizar os valores nela consagrados. por isso não são aplicados diretamente. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. interpretação conforme a Constituição. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Nesse aspecto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. mas não têm a mesma função dos princípios. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Eles não apontam um fim. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. 71 . são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação.: proporcionalidade. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Ex. como princípios.

no Poder Judiciário. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Todo projeto de lei passa por um controle. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. é necessário que a Constituição seja rígida. No Brasil. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Essa presunção é relativa (iuris tantum). E. deve optar pela constitucionalidade. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. A 72 . na dúvida. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Se a constituição é a norma suprema. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. a lei deve ser declarada constitucional. se entendê-la inconstitucional. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Não se retira a lei do ordenamento. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Toda Constituição tem supremacia material. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. No Poder Executivo. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. para ter essa supremacia. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Da mesma forma. No Poder Legislativo. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. o Princípio da Supremacia da Constituição. Se há mais de um significado. o Chefe do Poder Executivo. e. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. na dúvida. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. assim. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Ou seja. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Excepcionalmente. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. quando entender que uma norma é inconstitucional. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. no controle difuso. presume-se que agiram de acordo com ela. significa que as demais leis devem obediência a ela. pode ser exercido através do veto jurídico. não tem como fazer interpretação conforme. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. por ser presunção relativa. ficam vinculados àquela decisão. como no âmbito do Poder Executivo e. o Poder Judiciário. Se o texto tem apenas um significado. significa que ele é unívoco. excepcionalmente. pode deixar de aplicar a norma de ofício. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Ele pode negar a aplicação da lei. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Tanto no âmbito do Poder Legislativo.

Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Obs. .: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Geralmente. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Isso é impossível. sendo. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. logo é conhecida como corrente “objetivista”. É como se filtrasse a lei. §1º. há várias tensões entre as normas constitucionais. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. na constituição. Busca a vontade do objeto interpretado. pois. poderia declarar o art. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Hoje.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. Ex: Brasília é a capital federal. ela consagra o monopólio de determinadas atividades.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. essa corrente é chamada de “subjetivista”. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. A segunda corrente. etc. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. é conhecida como mens legis. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Portanto. Hoje em dia. ao mesmo tempo. num estado democrático. que busca a vontade da lei.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. isso não ocorre. b) Fim pretendido: . Temos o voto direto como cláusula pétrea. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Em uma sociedade democrática e pluralista. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. mas. Ao se admitir que essa norma é superior. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. 73 . • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. existem. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. normas superiores e normas inferiores. passando ela pela constituição. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. é necessário observar os valores consagrados na constituição. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. necessário harmonizar esses dois princípios. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. Antes. 81. Logo. Na verdade. Outro ex. prevalece a vontade da lei. Segundo Kruger. a norma inferior. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. de direito previdenciário.

e voto pelo CN é a exceção. inclusive. Essa lei. §1º. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. violava a liberdade de exercício de comércio. O relator indeferiu a petição inicial. pelo legislador. princípios ou valores. O que é isso? É semelhante a uma balança. valores.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. O Juiz irá ver. Abstratamente. qual dos dois grupos tem um peso maior. é necessário utilizar a ponderação. as duas normas têm conflito entre si. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. deve-se buscar essa concordância prática. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. ou seja. Segundo este princípio. a integração política e social. Assim. O STF declarou constitucional. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. 74 . A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. O STF analisou 02 casos: a) Art. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. bens ou interesses. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Eles são muito parecidos. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Uma existe ao lado da outra. no caso concreto. Nesse caso. 45. Quando se tem uma colisão entre bens. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. O que tiver o peso maior irá prevalecer. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. que é anterior à Constituição da República. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Se ele entrasse no mérito da questão. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. interesses. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. na hora de se interpretar a Constituição. Sempre que possível. criando um efeito conservador da unidade. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Pode ser usada. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Ex: voto direto é a norma geral. ele se basearia no princípio da unidade. se ambos estão consagrados na Constituição da República. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. e não em abstrato).

Caso contrário. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Exs. e não princípios. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. não se aplicando para a interpretação constitucional. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. ou seja. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. poderia fotografar. na academia. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade.: a Súm.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. que contribua para o debate de interesse geral. para que outros direitos sejam assegurados. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. do trabalho escravo são regras. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. não. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. não. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. sendo o guardião da constituição. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. Deve haver uma cedência recíproca. eis que ambos se relacionam. STF não foi abandonada. até uma compreensão equivocada. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. do contrário. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. 343. 2) relativização da coisa julgada: o STF. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. 75 . VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. Ex. Ex: Se tiver na praia.: a proibição da pena de morte. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. mas também a ratio decidenti. da tortura. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. O importante é saber que todos os princípios. a privacidade deve ser preservada. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. por mais importantes que sejam. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. às vezes. cabe ação rescisória (obs.

Exs. 4. pois.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. §1º. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. é também conhecida como eficácia social.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. sobretudo o Tribunal Constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. 2) Direito de greve. .Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . a função social para a qual foi criada. . validade é.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. Ver no Site Editora Método. o desempenho concreto de sua função social. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.com. 5º. CR/88 (aplicação imediata). de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. 76 . é também conhecida como eficácia jurídica. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). . . tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. no Brasil.335/AC. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. a qual significa a realização do direito. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. Este princípio.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída.

Ex. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. É uma influência do direito norte-americano. Para Jellinek. em sua origem. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. ele tem que ser adequado. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Para que um ato seja considerado proporcional. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. pois. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. ou seja. No Brasil. Assim. não se deve abater pardais com canhões. CR. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). utiliza-se o termo razoabilidade. Na Alemanha. LIV. apto para atingir o fim almejado. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). dentre os meios existentes. do Prof. uma restrição à liberdade só será possível se. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Ele está ligado. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Se o ato for desnecessário. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. Nos sistemas da commum Law. deveria conceder uma autonomia maior. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Alegam que a restrição seria desproporcional. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. É um princípio implícito. ☺art. utiliza-se o termo proporcionalidade. será também desproporcional. uma densidade semântica que ele não tinha antes. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. 5º. maiores hão 77 . não está textualmente consagrado. É uma influência do direito alemão. por isso sua importância. mas apenas como menções. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. para que o Estado não atue de forma arbitrária. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Não é o entendimento mais cobrado em provas. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. à garantia do devido processo legal. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. 1º. desproporcional. Ex.

O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. A face acima exposta do princípio. Nesse caso. pode ser chamada de proibição do excesso. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. o poder público age aquém do que deveria. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Há uma outra face desse princípio. que é chamada de proibição de insuficiência. ou proibição por defeito. 78 . sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.

não é componente necessário de qualquer Constituição. de regra. não tem relevância jurídica. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. mas é a tese por nós adotada. não existindo. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. sendo. 79 . caráter normativo e. relevância jurídica. não tendo força normativa. com exceção das de 1891 e 1937. Assim. Como se sabe. Em âmbito estadual. o preâmbulo. Não contém. portanto.. o Brasil é um país leigo. anteposta ao articulado constitucional. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. O que acontece é que o preâmbulo contém. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. O min. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. mas no domínio da política. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. apresentado de forma não articulada. Para o STF. Não tem. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. proclamação mais ou menos solene. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. inscritos na Constituição.. incidirão na ordem local. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). pois. Situa-se no domínio da história ou da política. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. O nome não é o mais apropriado. laico ou não-confessional. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Esses princípios sim. qualquer religião oficial da RFB. No Brasil. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. portanto. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. É uma corrente intermediária em relação às demais. mais ou menos significante. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. pois. dado que. Ocorre que todas as constituições brasileiras. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. não é norma de repetição obrigatória. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. refletindo posição ideológica do constituinte. porém. reproduzidos ou não na Constituição estadual.

80 . Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Esta é a sua natureza. a liberdade. fundada na harmonia social e comprometida. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. pluralista e sem preconceitos. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). com a solução pacífica das controvérsias”. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ao estabelecer os valores supremos. o desenvolvimento. o bem-estar. a segurança. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. na ordem interna e internacional.

mas admite lei. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). enquanto não for restringida. A integralidade. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. prerrogativas (art.U. vedações (art. 53).: normas que estabelecem imunidades (art. imediata e integral. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Não depende de regulamentação. Não são a mesma coisa. Uma NEC. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. enquanto não for restringida por lei. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. é uma NEP? Não. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. por sua vez. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. 128. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. §5º). destaca-se a de José Afonso da Silva. (É a mais cobrada em provas). Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). §5º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Ela não depende de lei. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). dentre as quais. 95. P. 184. O que as difere é o grau desta eficácia. que poderá variar conforme o seu enunciado. possivelmente restringível ou redutível. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. que “contenha” o seu conteúdo. Exs. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Quando se fala em aplicabilidade imediata. isenções (art. apenas 81 . no Brasil. A NEC. como se poderia imaginar). → Normas de Eficácia Contida: O prof.

. . II e III deste mesmo art.por conceitos de direito público (ex. que a regulamente. A lei não irá restringir o direito. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. Neste caso. XXII.). eis que estabelecem o fim a ser atingido. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. necessidade ou utilidade pública. 136 e 137). As vedações.: trata de vedações que são impostas aos juízes. ela nunca poderia ser restringida. mas.: ordem pública.U. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. Exs. A norma constitucional tinha eficácia. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.por lei (ex. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. esclarece que trata-se de uma NEC. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. É indireta ou mediata. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. art. A NEC pode ser restringida: . a CR não tem conselhos e sim mandamentos. 5º. que faz parte da mesma norma. que não é norma). A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.Impositivas: ex. 95. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. etc. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . 3°. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. mas não é uma NEP. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. mas o seu §1º. O caput do art. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. 5º. PU: União poderá delegar aos estados. é obrigatória. 154: a União. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). que dirige os rumos do Estado. interesse social. de forma que antes da Lei 9. caracterizadas justamente por este tipo de norma). CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. – ex. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. art. 95). 37. quais são os efeitos. Não é apenas um conselho.: art.por outra norma constitucional (ex. são NEP (como são as normas dos incisos I.. mas não disse quem pode propor. poderá criar impostos residuais. segurança nacional.U. conforme a lei. 9º. se quiser. Assim. XIII. 9º dá a entender tratar-se de NEP. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Ex. etc. 22. XXIII e XXIV). e mediata porque depende de alguma condição. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). 37. Se ela fosse uma NEP. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma.: art.: art. VII (direito de greve dos servidores públicos). 37. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). ☺art. mas dizer como esse direito será exercido. etc. e não quais são os meios para se atingir o fim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. Ex. art. art. 102.: art. XII c/c arts. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. . VII. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. VII. P. ofício ou profissão. mas pode ser).Facultativas: ex. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. Indireta porque depende de uma outra vontade. CR. não há omissão inconstitucional. e art.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. 82 . 5º. em regra. ☺art. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. art.

as Cláusulas Pétreas. Obs. Traduz um sistema fechado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. a NEL produz efeitos: ela exige lei. exaurem sua eficácia. antes da lei ser feita. pois. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. 83 . dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Marcelo Neves critica essa concepção. Uma última classificação. não depende de outros sistemas. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. OBS. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Para ela. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. porque ela não tem eficácia positiva). Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia.: As NEP. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Elabora-se uma norma genérica. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Diz que o direito se auto produz. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Assim. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. uma eficácia negativa (e apenas esta. ADCT. ademais. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. imediata e integral). 2º. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Por isso não dependem de outra vontade. cumprida a sua finalidade. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. mencionada por alguns autores. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. tem eficácia. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. também conhecidas como normas super-eficazes. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma.: art. São as normas do ADCT. Ex.

mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. → CR → A. quando do surgimento de uma nova Constituição. sempre que nasce uma nova Constituição. Quando uma nova constituição é criada. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. ou seja. Faremos o estudo de alguns institutos. caso compatíveis com a nova Constituição. Ex.N. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. como normas infraconstitucionais. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental.P → A. porém. §2º (que fala do Colégio Pedro II. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. parte final). não. Assim. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. serem recepcionadas pela nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. podendo. e sim como normas ordinárias. § 1°. 84 . com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. art.: ☺art. 242. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. por esta teoria.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. 2°.N. com o caráter de normas constitucionais. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. nada impede que a norma constitucional. 7º. por regra. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário.: art. vale dizer. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. Como se percebe. Assim. IV. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. também limitado juridicamente). que. IV. as leis infraconstitucionais. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. desde que haja expressa previsão. Como outro exemplo de retroatividade mínima. 7º. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. Ex. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. CR. Assim. o STF entendeu que. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. c) por outro lado. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). têm retroatividade mínima. 5º. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. dentre outras. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. tenha retroatividade média ou máxima. como é o caso do art. para tanto. vale dizer. Contudo. com pequenas exceções. deve existir expresso pedido na Constituição. XXXVI – “lei” em sentido amplo). ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. 51 do ADCT. sendo regra a retroatividade mínima. 88 . diante da aplicação imediata. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”.

assim. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. da função positiva que 89 . é claro. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. como também ao exercício abusivo de certos direitos. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. diverso e opostos. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. seja como diretiva na solução de casos concretos. por conseqüência. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. em um todo sistemático. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. pois servem de critério para o legislador que. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. seja como orientação para progresso da legislação. ainda não regulamentadas de forma mais específica. 2º). sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. a divisão de seus poderes (art.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. 1º). Em situações novas. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Dessa forma. Executam. atuando como um limite. estrutura e fundamento (art. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. o que os coloca numa posição de superioridade. Sob o ponto de vista dogmático. é obvio. os quais estabelecem a sua forma. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. sobretudo. não só das ações dos poderes estatais. a menos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. De uma forma geral. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. Desse modo. 4º). deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. ao elaborar as leis. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. devido à função negativa que desempenham em alguns casos.

A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. aos entes que compõem a federação. sendo criados novos critérios distintivos da República. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Com o passar do tempo. 90 . 1º. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. A baixa densidade semântica. esses conceitos foram se esvaziando. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. o direito de secessão. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. 34. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. I). No tocante ao Poder Executivo. que reinava de forma absoluta e irresponsável. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. CR). a Constituição veda. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. DF e Município. quanto para o legislador na elaboração das leis. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito.

a legalidade da Administração. a vontade popular representada pelo parlamento. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. seja através de representantes. Em um Estado democrático. não é absoluta e ilimitada. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. à questão perene da Justiça. Em um Estado de direito. sob as circunstancias transitórias. Aqui. ainda. seja diretamente. No que se refere ao princípio democrático. 91 . Há democracia quando o povo participa do governo do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. não apenas os indivíduos. No Estado material de direito. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. a independência dos juízes. ou. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Sob o aspecto material.

Supremo. na ordem internacional. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. a soberania migrasse do soberano para o povo. Por essa razão. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. por essa razão. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. independente. 92 . Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. uns para com os outros. No plano externo. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. 6º). por não ter de acatar. em nenhum momento podem ser colocados de lado. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. no plano interno. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. Todavia. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. na ordem internacional. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. o indivíduo se sente útil e respeitado. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna.

vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. derradeiramente. o que pode levar a divisões irredutíveis. partidário (art. é um princípio básico do liberalismo econômico. conforme os ditames da justiça social. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. Por isso. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. É ela o valor supremo que irá informar a criação. a profissional. científica. a de informação. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. ao contrário. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. III). artística. deve constituir o seu objetivo supremo. uma sociedade conflitiva. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. 220). econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. I). sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. justa e solidária (art. passando a se revestir de normatividade. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a de opinião. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. a Constituição. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. salvo nos casos previstos em lei. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 215 e 216) e dos meios de informação (art. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. de comunicação. Fruto da concepção liberal. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. assim. A escravidão. cultural (arts. com a queda do comunismo. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. Mais tarde. dentre elas. ainda. Por essa razão. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. 170). 93 . a partir do início da década de 90. 170). a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. de reunião e de associação. mas. de idéias e de instituições de ensino (art. a intelectual. 1º). a sociedade pluralista é. e. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. político (art. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. a tortura. a sexual. independentemente de autorização de órgãos públicos. por natureza. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. 17). a filosófico-religiosa. 206. de interesses contraditórios e antinômicos. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. 3º. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. Este fundamento é concretizado.

sua existência material. ou para com a pessoa. Assim. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). independentemente de usa origem. por outro. mas. seja por terceiros. Esta acepção. condição social ou qualquer outro requisito. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. o acesso aos valores. A dignidade da pessoa humana não é um direito. possui um caráter negativo. mas também a de que o Estado garanta. Por outro prisma. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. mas um atributo que todo ser humano possui. Esta acepção. educação fundamental. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. cada vez mais. por exigir uma abstenção. na medida em que procura representar um subconjunto. em um primeiro momento. 94 . moradia. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. ligada ao valor liberdade. Portanto. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. o que significa dizer que na criação. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). Por isso. etc. Poder-se-ia dizer. Todavia. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. em alguns casos. dentro dos direitos sociais. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. a todo e qualquer cidadão. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. seja pelo próprio Estado. e.) imprescindíveis para uma vida digna. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. à dignidade da pessoa humana. não como um fim em si mesmo. mas também dos particulares. idade. Portanto. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. que seja efetivamente exigível do Estado. não apenas por parte do Estado. ligada ao valor igualdade. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. menor (minimizando o problema dos custos). da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. sexo. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. possui um caráter positivo. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. econômicos e culturais. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. mais importante.

consagradas ao longo das constituições. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. basicamente. São direitos ligados à cidadania. estão consagrados em normas de eficácia limitada. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. portanto.direitos à nacionalidade (art. os direitos sociais (arts.direitos prestacionais: são. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Têm um caráter negativo. . Em sua maioria. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Enfim. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Essa classificação é legislativa. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. devido à escassez de recursos. 6° e seguintes). os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. devido ao custo de serem prestados. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. consagrados no plano internacional. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. 6º ao 11. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. . do qual são espécies: . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Exigem uma atuação positiva do Estado. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 95 . . 12 e seguintes). à participação política. 14 e seguintes). são os direitos individuais consagrados no art. Em termos materiais. Têm caráter positivo e negativo. que divide os direitos fundamentais em: . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. 6° e 7°). São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos).direitos individuais. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. .direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. . Assim. igualdade e dignidade. pois surgiram em uma única época. a diferença básica se refere ao plano de consagração. O Estado deve fazer escolhas trágicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Em sua maioria.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. ligados à liberdade. uma constitucional e uma doutrinária.direitos políticos (art. . 5°. CR/88). têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. 5°. Visam proteger o valor igualdade. mas também no art. CF/88. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade.direitos sociais (art.

diretamente à igualdade material. XX. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Esta é a sua preocupação principal. pois. igualdade e fraternidade (nesta ordem). As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. → Igualdade: Direitos Sociais. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. queria que ele respeitasse suas liberdades. a autodeterminação dos povos (art. exigindo uma abstenção. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Por isso. da solidariedade entre países ricos e países pobres. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Exigem uma ação do Estado. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Os direitos de defesa. por exigirem uma abstenção. São chamados direitos civis e políticos. Eles foram surgindo com o passar do tempo. portanto. são direitos de caráter negativo. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. e estas gerações coexistem atualmente. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Obs. já os de 2ª geração não. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. a imprensa livre e o funcionalismo público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Vejamos quais foram as gerações. 96 . segundo Jellinek). Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. 4º. CR/88). Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. A 3ª geração. Têm caráter negativo. movimento encabeçado pelo proletariado. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. direito de comunicação. XVIII. ao desenvolvimento ou progresso. sobretudo de princípio programático). à autodeterminação dos povos.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. de 1789: liberdade. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Como vimos. Ou seja. enfim. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. os direitos prestacionais. por exigirem uma prestação do Estado. Estão ligados. das gerações. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. então. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. econômicos e culturais. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Não houve substituição de uma geração por outra. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. como a família. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. São basicamente os direitos individuais. Tais direitos têm caráter positivo. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Têm como objetivo. diante da necessidade de cooperação. e a dele é a mais cobrada em concursos). ao lado da 4ª. São considerados basicamente como direitos coletivos. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Exs: direito ao meio ambiente.

Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. Paulo Bonavides. Ele preserva. em defesa dos direitos. e isso acaba por prejudicar as minorias. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário.).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. traz direitos ligados à pluralidade. → Globalização: direito à democracia. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. Quando se fala em pluralismo político. Porém. que alguns dizem trazer os direitos à internet. 1º. de conteúdo). Esta geração de direitos advém da globalização política. Por isso o direito à democracia é tão importante. inclusive das minorias.I. Ex. estas as garantias. Afora esta peculiaridade. conserva nossas identidades. Os argumentos contrários a esta união. com a declaração do direito”. Em uma ponderação. Assim. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). à informação e ao pluralismo (D. o direito a adoção. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. ☺ADPF 132. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. ocorrendo não raro juntar-se. Ele abrange um pluralismo religioso. econômico. Além desse aspecto. mas há divergências na doutrina quanto a isso. Ou seja. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. São também direitos transindividuais (em sua maioria. CR/88). Ou seja. são direitos difusos). na mesma disposição constitucional ou legal. um pluralismo ideológico. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. quiçá quanto a 5ª. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. de ideologias políticas e partidárias.P. caso violados. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. esta alteração não foi feita em seu livro. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. V. de orientações sexuais. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. os direitos de família. as disposições assecuratórias. o prof. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. um pluralismo cultural. limitam o poder. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). que seria a vontade da maioria. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. que são as que. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. artístico. outros são difusos). como os previdenciários. ao analisar a Constituição de 1891. ele tem uma importância muito grande. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. etc. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. as demais características são tratadas pelo prof.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. 97 .: quanto ao direito à paz. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Aquelas instituem os direitos. a fixação da garantia. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. Ao lado da vontade da maioria. Quem tem o papel contra-majoritário.

Obs. . havendo. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. é claro. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). . a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia).Universalidade: destinam-se. mas nunca a sua renunciabilidade. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. etc. Nada impediria. no caso concreto. HD. ainda que não individualistas. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. os apátridas e as pessoas jurídicas.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.direito ao juízo natural (direito) – o art. 5º. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. nascendo com o Cristianismo.. Normas positivas. portanto. .Historicidade: possuem caráter histórico. XXXVII. O caput do art. de modo indiscriminado. .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. são indisponíveis. ou magistrado. a todos os seres humanos.: direito de propriedade versus desapropriação). Se são sempre exercíveis e exercidos.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.: HC. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. se o direito garantido não possui alguma especificidade. Exemplos: . como é o caso da ação popular. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. . ilegalmente preso. Isso porque.). os estrangeiros não residentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. no caso concreto. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. decidir qual direito deverá prevalecer. muitas vezes. coarctando. juntamente. quando. 5º. Contudo. por ex. 98 . conflito de interesses. através da interpretação sistemática. Deve-se observar. como é o caso. .Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. conjugando-a com a sua mínima restrição. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). uma vez consagrado o direito. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: .Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. que só pode ser proposta pelo cidadão. . ou caberá ao intérprete. confronto. emite uma opinião (direito de opinar).

De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. §1º. Posteriormente. fala-se. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. para isso. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. analisando caso a caso. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. causando uma desfiguração no direito privado. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. mas o pressuposto do qual ela parte). O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. então. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. fática e juridicamente. Não se admitiria. ordem pública. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. pois. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. então. 5º. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. §1º. 5º. etc. só trazendo relações entre o Estado e o particular. Assim. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. No entanto. 99 . mas.). Ingo Sarlet afirma que o art. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). não dependendo de legislação. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão.

Resp. Espanha e Portugal. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. ainda que esta regulamentação não exista. mas ainda não há decisão quanto a isso. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.RE 201. Para a realidade brasileira. muito abertos. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. no entanto. a aplicação será indireta. Segundo Virgilio da Silva. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. se exteriorizam. Ainda se trata de uma questão muito nova. Determinação de observância do Princípio da isonomia. . que não adota essa teoria). mas. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. houver uma desigualdade fática. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. a proteção tem que ser maior. A autonomia da vontade requer tal ponderação.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. esta teoria seria a mais adequada. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. contrato de adesão. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. . Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.RE 175.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . A jurisprudência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. etc. Segundo esta teoria.HC 12.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. tão somente pela falta de previsão. isso poderia causar uma série de problemas. devendo sobre eles prevalecer.: empregado e empregador. através de princípios. é possível a sua aplicação com base na Constituição. não sendo necessária uma intermediação legislativa. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Em contrapartida. Assim. E como os princípios são muito vagos. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. . mesmo realizando atividades idênticas.RE 160. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui.858. .☺RE 161. Deve-se aplicar tanto esta teoria.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa.24. quando há uma relação de igualdade real na relação.) .00 para R$ 86. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. . Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. 249. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. O juiz. . e. em geral.700. Se. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . então. Os DF são expressados. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão.*RE 161. como a segunda. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. de uma forma geral.243/DF. para que os princípios pudessem ser concretizados. Mas. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.RE 158. Se não houver uma previsão expressa na lei.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. um caso constitucional de violação de direitos. Obs. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. 5º. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. pois a vida é uma direito irrenunciável. ☺art. por óbvio. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. à segurança e à propriedade. XLVII. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Este pode ocorrer. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. O direito a vida. um outro direito fundamental. é. 5º. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. 1º. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes.: esta segurança que o art. não há uma renúncia definitiva. Há dois entendimentos: 104 . III e art. CR/88. Esta questão é bastante clara. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. caput. Porque o direito à vida é irrenunciável. II. Por isso. também não pode ser renunciado. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. 170. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. Nos 78 incisos deste art. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. abre-se mão temporariamente à privacidade. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. No caso do big brother. 5º. 128.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. CR. CP) a questão é um pouco mais polêmica. A renúncia é definitiva. ☺art. como DF é pressuposto dos demais direitos. à igualdade. não há que se falar em não exercício). pois. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. à liberdade. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário.

o feto não tem a menor chance de sobrevida. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. por 7 votos a 4. a vida termina com a morte encefálica. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. mas sim da acrania. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. mas de modo geral).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Para o direito brasileiro. é relativo. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. sabendo que ela vai morrer. então. Ademais. 128). E o direito à vida. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania.Direito à privacidade: 105 . mas sim interpretando a CR/88. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. é uma forma de tortura psicologia. portanto. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. como todos os outros. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. O STF. insuficiente para a proteção do direito. já que o CP é anterior à CR. segundo Canotilho. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. assegurando a autonomia da vontade. Se isso fosse possível. além de colocar em risco a sua própria vida. ela é a única ação de controle abstrato cabível. 3) dignidade da pessoa humana. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. II. a morte não decorre do aborto. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. 128. já que na época em que foi feito o art. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. . entendeu que. o STF não estaria legislando. e. sem o sistema nervoso central. discutida na ADPF 54. OBS. Nos EUA e na França. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. 128 (em 1940). Se há dois argumentos defensáveis. A questão ainda está sendo discutida no STF. CP não teria sido recepcionado pela CR. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. não haveria vida. nas quais não se tem uma opinião moral definida. por isso. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. em razão do risco de morte intra-uterina. o art. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade.

a imagem pode ser usada num processo. maior a proteção a ser dada. 5º. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. contra um estelionatário. 5º. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. O direito de liberdade é maior. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. a restrição é legítima. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. os princípios da moralidade e da publicidade. Ex: matérias de interesse público. não há violação à privacidade. Logo. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. 106 . ela é ilícita. Esta é excludente de ilicitude. Ex: Radares eletrônicos. Se filmar uma passeata. por exemplo. Se tiver gravado um crime. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Esses 3 assuntos são objeto de confusão. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. CR. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. contra um chantagista. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. sobretudo. a gravação é considerada lícita. que se subdivide em: intimidade. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Ao realizar essa ponderação. Em regra. no art. etc. o direito à imagem foi violado. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. quando pratica um ato na condição de agente público. histórico. Ex. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. O prof. uma gravação feita clandestinamente. O agente público. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Ainda que não afete a honra. na verdade. é a esfera da vida privada. Nesses casos é vedada a gravação como prova. vida privada. CR. Há decisões judiciais onde muitas vezes. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. pois há uma excludente de antijuridicidade. a honra e a imagem das pessoas. É vedada pelo art. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Nesses casos. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Não há que se falar em colisão. em seguida. de uma forma geral. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. 1. Ex: policial federal recebendo dinheiro. sobretudo. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Será considerada prova lícita. veremos cada um separadamente. não tem privacidade. X. são direitos independentes. Proteção da honra e da imagem. Então. científico ou cultural. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. O direito a privacidade está consagrado. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. No entanto. Numa gravação clandestina. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Neste caso. É gênero. Mas. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. X. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental.

O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. de um cd room. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). O inciso X impede a gravação clandestina. CR. XII. fiscal e telefônico. 2°) admite. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Os jornais publicaram essas declarações. etc. Quanto às CPIs municipais. em ação cível originária. XII. Essa exceção só confirma a regra. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. ele não pode requisitar diretamente. 5º. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. No entanto. não há decisão do STF. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. De acordo com o art. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. como havia verba pública envolvida. X. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Além do juiz. por ex. essa decisão foi para um caso específico. 5º. deve ter uma certa salvaguarda. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. 107 .). só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. às informações constantes na declaração de imposto de renda. já que não existe poder judiciário municipal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Ex: extrato de conta corrente. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. informáticos. o BB poderia quebrar o sigilo. Essa declaração. Tem uma decisão do STF muito comentada. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. A lei. não poderá quebrar sigilos. fiscais. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. está em vigor. 2. Se ele quiser. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. E o Ministério Público? Segundo o STF. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. outros entendem que não há proteção. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Na Itália. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. O prof. ainda que não seja sigilosa. Dentro do próprio STF há divergência. por enquanto. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. que é uma exceção a essa regra. a duração da chamada. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. divulgaram todas as declarações na internet. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. 58. falaremos da interceptação telefônica. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. O STF decidiu que. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Quem pode é só o juiz e a CPI.. naquele caso específico. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. mas na decisão acima houve discussão a respeito.: Podem existir várias outras exceções. São poderes instrutórios. § 3º. Quando se quebra o sigilo telefônico. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. O Min. 3. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. com base no princípio da simetria. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. 5º. Dentro dela. outros dizem ser pelo art. Ele alegou a ilegalidade desse ato.

O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja.. o sigilo poderá ser violado. em determinadas hipóteses. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Não são admitidas para outras finalidades. durante o estado de defesa e o estado de sítio. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência.. Se um souber. 5º. será gravação clandestina. sobretudo. será interceptação telefônica. No entanto. Para o STF. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Com relação ao sigilo de dados.. por uma terceira pessoa. XII. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Se um souber. abrem-se todas as correspondências. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Porém. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Em relação a essas. 5º. a liberdade de comunicação. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. 5º. o STF tem um entendimento que. Ela protege 4 formas de comunicações. seja pelo art. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Quando se falou do método tópico problemático. X. a Constituição não estabelece qualquer requisito. segundo o prof. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Aliás. é equivocado. neste caso. não estaria protegido por esse dispositivo. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. O art. segundo o STF. seja pelo art. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. também protege a privacidade. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. O STF entende que com base o art. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Para o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. já que protege-se a liberdade de comunicação. protege a liberdade de comunicações. Pois. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. 5º. Em relação à comunicação epistolar. Além dessas duas hipóteses. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Na prática. os dados de informática em si não estão protegidos. mas. mas foi feita por um terceiro. XII. Na interceptação. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Mas isso não é a posição do STF. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Nessas hipóteses. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Para o prof. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Então.

O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Com o consentimento. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Se numa situação excepcional. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Recentemente. • Prestar socorro 109 . Se houver o consentimento. XI: violação de domicílio.483 – medida cautelar concedida nesse MS). O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. salvo o flagrante delito. 5º. a entrada deve ser permitida pela empregada. Na jurisprudência do STF. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. essa lógica tem sido invertida. XII. qualquer pessoa pode entrar. Essa decisão foi recente (☺MS 27.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Além disso. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. vejamos: a) Art. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Ela deve ser o último recurso. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. LXI: possibilidade de prisão. 5º. Ex: crime dentro de uma residência. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. prorrogáveis por mais 15). Somente o juiz. seja durante o dia seja durante a noite. Nesse artigo. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. 2. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. se houver o consentimento de um dos moradores. Segundo o STF. por nenhuma outra autoridade. nem a CPI. LX: sigilo imposto a processo judiciário. e mais ninguém. 5º.296/96. Com relação à inviolabilidade do domicílio. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. Então. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. d) Art. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. a polícia pode entrar. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. nesses casos. 5º. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. CF/88. Art. O professor acha que há certo abuso neste caso. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. não há falar em violação de domicílio. Ou seja. c) Art. Durante o estado de defesa. o Min. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. violado. Pode ser que com os abusos recentes. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Nem mesmo CPI. Vejamos as situações: 1. Sem consentimento já é diferente. XII: interceptação telefônica b) Art. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). pode determinar a prática desses atos. devemos analisar 2 situações diferentes. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. imagine numa situação normal. e não pelo dono da casa. Como é o meio mais fácil. A Constituição trata de 2 situações distintas. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. 5°.

Ele deve dizer “aqui você não entra”. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. Entra no conceito de casa. não entra em conceito de casa. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. 110 . ☺Art. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. que traz uma conceituação bastante extensiva. hoje. a prova colhida será considerada ilícita. porque a noite é o período de descanso. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Se entrar com o uso da força. quando o sol se põe é noite. 150. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Só que o STF já proferiu decisões. a prova é lícita. 3. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. não entra no conceito de casa. Segundo ele. não só dos moradores daquela casa. entra no conceito de casa. Segundo o entendimento do STF. onde o caminhoneiro dorme. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. entre outros aposentos. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. E o carro? O prof. Ex: parte de trás do caminhão. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. a casa pode ser invadida a qualquer hora. consultórios. Na maioria dos casos. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. 2. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Então. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. não poderá mais entrar no domicílio. CP. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Quando o sol nascer é dia. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). estabelecimentos comerciais e industriais. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. mas dos vizinhos também. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. na parte em que o público tem livre acesso. compartimentos habitados. Se houver o consentimento do morador. compreende escritórios. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. se estiver vazio. prevista no dispositivo. por serem situações emergenciais. seja do dia seja da noite. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Alguns autores. mais tradicional. É utilizado por JAS. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. pois se respeitar também o critério cronológico. mais adequado. entre eles Alexandre de Moraes. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite.

Se o critério não for objetivo. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Para esses casos. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. XXX. 2. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. não significa que a lei não possa fazer distinções. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. razoável e proporcional. Nestes casos. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Quando se fala em princípio da igualdade. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. arbitrário. XXX. justifica-se a altura. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. é necessário que ele seja: 1. Para que o critério seja constitucional. CR. cor e estado civil. Razoável 3. 7º. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. 5º. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . da constituição. discriminatório. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Esse critério não é nenhuma discriminação. em situações diferentes. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Esse critério é razoável. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Objetivo 2. Mas. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. pois viola o princípio da isonomia. Não irá fazer concurso para homens participarem. idade. Uma vez dentro do estabelecimento. CF/88. Ex: critério preconceituoso. 111 . Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. 7º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. É a que está consagrada no caput do art.

Quando se fala em igualdade material. Mas. mas na Constituição Indiana em 1947. Ex: Alíquotas de imposto de renda. No caso da Índia. Porém. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. utiliza-se das ações. essas ações deveriam existir por 10 anos. e não à igualdade material. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. não haverá uma igualdade real. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O prof. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. e prolongaram as que já existiam. mas reduzir as desigualdades existentes. por exemplo. e os desiguais de forma desigual. seria igualdade material. igualdade e fraternidade. mas é necessário analisar uma série de fatores. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. que eram desiguais em relação aos seus senhores. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Dificilmente. essas ações são constitucionais. Isso é igualdade formal. Para outros autores. acha que esse argumento não convence. Criaram-se outras ações afirmativas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Então. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Visa uma redução das desigualdades fáticas. A tendência é que elas aumentem. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Segundo JAS. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. pois elas criam uma discriminação reversa. disse que está ligada à igualdade material. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. A cota deve ser proporcional à população. Em princípio. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . o critério discriminador seria desproporcional. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. 112 . Tem autores que entendem ser inconstitucional. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. 5º c/c art. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Para o professor. ☺art. O prof. para tentar reduzir as desigualdades. Essas ações não surgiram nos EUA. 3º. Quando se fala em igualdade material. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Ex: Cotas para pessoas carentes. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Não é uma forma de resolver o problema. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. aconteceu o contrário. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas.

Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. .fere o mérito. CF/88. miscigenada e multicultural.Poder Legislativo. A justificativa parece não ser inconstitucional. Eles foram libertados. tolerante.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. O problema é com relação à subjetividade do critério. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. . (18/06/09) Argumentos favoráveis: . A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. são destinatários do princípio da igualdade.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. mas também para quem irá elaborar a lei. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.fomenta o racismo e o ódio racial . alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. não sendo necessária essa distinção. cientificamente falando. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. Além dessa eficácia. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Apesar de ser uma relação entre particulares. mas eles não tiveram oportunidade de escola. No Brasil. Juridicamente falando. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. sem exceção.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. de saúde. seja pelo governo. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. aberta. pois já faz parte do próprio critério republicano. . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. quando se fala em destinatários. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. visa compensar uma dívida histórica. Isso é uma questão de política pública.medida imediatista e inapropriada. Então. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. 113 . .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. atinge todos os poderes públicos . Argumentos contrários: . seja por particulares. . Portanto. 208. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. .em uma sociedade pluralista.favorece negros de classe média alta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. previsto no art.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Eles não têm apenas a eficácia vertical. Poder Executivo e Poder Judiciário).princípio da isonomia (discriminação reversa).

Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Logo. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Pode defender no plano das idéias. em princípio. Ex: art. para outros teria. ele deve licitar. ela exerceu o seu direito. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. 5º. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Se a pessoa agiu de forma abusiva. IV. Ex: Lei Maria da Penha. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. sendo vedado o anonimato. É uma denúncia feita anonimamente. ela pressupõe responsabilidade. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. não teria sido recepcionado. Não existem direitos absolutos. O particular não é obrigado. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. ela pode ser responsabilizada. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Apologia ao crime é diferente disso. 5º. é outra questão. Questão de Concurso – Cespe: No art. segundo o professor. em regra. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. As provas 114 . ela é constitucional. e violou direitos de terceiros. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. Não é um direito absoluto. Mas. Ex: Passeata para legalização da maconha. Por que a Constituição. mas apenas para as mulheres. Logo em seguida. CPC – ação de alimentos. Isso significa que. desde que seja para atenuar desníveis existentes. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. É constitucional? Sim. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. etc. Basta ser um critério objetivo e para todos. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. não deve ser estendida para os homens. É livre a manifestação de pensamento. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Para alguns. o problema é dele. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. 100. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. de expressar o pensamento. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. a lei pode estabelecer distinções. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. O homem não é a parte mais frágil da relação.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. I. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. discriminatórias. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Protege a mulher.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo.

O dever funcional da autoridade é investigar. VI. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Porém. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. se não há qualquer identificação. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. 5º. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Quando são produzidos pelo próprio acusado. o equilíbrio das religiões. Vejamos: 1. apesar de a maioria da população ser católica. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. 19. 2. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. O culto pode ser exercido em qualquer local. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. → Alguns temas polêmicos: 115 . desde que não viole o direito de terceiro. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. por exemplo. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Os templos recebem uma proteção especial. há 02 hipóteses em que o STF admite. ainda 2. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. inclusive em lugar aberto ao público. O Estado brasileiro. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Esta liberdade está consagrada no art. Para Habermas. A religião desempenha um papel fundamental. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. I. de ter crença. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. pedindo resgate.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. Pode fazer um exame grafotécnico. ele não pode ser admitido. e. Garantir a simetria da liberdade religiosa. de crença e de culto. 3. houve a total separação entre Estado e Igreja. Não se pode admitir que o parlamento. ou de não ter crença em nada. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. então. abrangendo a liberdade de crença. No Brasil não há uma religião oficial. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. desde 1989 (advento da República). É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. deve ocorrer uma “tradução institucional”. O Estado deve manter-se neutro. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. CR. ela deve ser protegida. não é o caso do Estado brasileiro. com o advento da República. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. 2. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. A liberdade de consciência é a mais ampla. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Ex: seqüestrador escreve bilhete. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Em relação ao culto. Isso significa que. CR.

Não teria sentido acabar com esses feriados. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. onde se tem poucas escolas boas. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. CR). Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. . sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. a escola não deve impor ao menino. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. imagine uma cidade pequena. não poderia ser confessional. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Neste caso. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. há algumas ações. O tribunal. políticos e religiosos. §1º. 23. O 116 . → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. §2º. e não à justiça do trabalho – ☺art. a competência é da União. 215. Entretanto. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Para o prof. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. CR. Há um trecho do livro do Dworkin. ocorreu um caso muito semelhante. e cultura é competência comum – da União. o argumento supracitado não está correto. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 210. Segundo o prof. VIII. logo. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. 5º. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. CR). Pode um ateu. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência.. fazendo uma ponderação entre os princípios. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. estados e municípios (☺art. Portanto.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. a competência é em relação à cultura. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. a neutralidade do Poder Judiciário.. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Entretanto. Na Alemanha. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. então. Mas. são culturais. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. . que odeia guerra. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. É importante respeitar o ensino de cada um. inegavelmente. e o aluno optou a se matricular nessa escola. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. São feriados puramente religiosos. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional.

Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. mas os políticos. 4. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. terminada a reunião. 5º. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . na forma da lei. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. XXI. O prof. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. IV). existem 2 semelhanças e 1 diferença. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Se não houver essa lei. 5º. Criação de associações e. 5º. Não cumprindo com a obrigação. CR. 3.) 2. Ex: reunião de condomínio. Ex: fazer segurança. por sua vez. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Liberdade de reunião. XVI. Para que as pessoas possam se reunir. XVI. elas vão embora. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. as pessoas se reúnem e. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Quem fará a tradução não é a Igreja. etc. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. tem o caráter permanente. mas a de permanecer associado. (Não pode reunir pessoas armadas. de cooperativas. Criação de partidos políticos. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. 15. ☺ art. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. conforme portaria da ANVISA. A pessoa alega imperativo de consciência. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. o argumento deve ser racionalmente justificado. 2. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. essa hipótese é de representação processual. A associação. 5º. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Criação de sindicatos. mesmo que em locais abertos ao público. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. ☺art. JAS diz que não são direitos coletivos. Há. CR. A República é o governo das razões. Ex. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Por que a CR exige prévio aviso. não são os religiosos. XVII e XXI. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. mas direitos individuais de expressão coletiva. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. ainda. desviar o trânsito. então. Segundo Jean Rivero. CR: Não é só a liberdade de se associar. não é necessária a autorização estatal.

118 . essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). o direito de propriedade pertence ao direito público. Há um outro entendimento que. CR) quando ajuíza uma ação. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Função Social da propriedade: A CR. Ela só garante o direito de propriedade. 5º. mas sim contrárias ao direito e. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Ex: Invasões de terra pelo MST. segundo o prof. ilegítimas.. pode ser dada numa Assembléia Geral. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. Segundo ele. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. se não for atendida. ter um patrimônio mínimo. é mais correto. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. mas não pode ajuizar ADI. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. O que acontece é que se não cumprir a função social. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. A associação impetra em nome próprio. Se ele tem proteção. não são legítimas essas invasões. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. garante o direito de propriedade. em seu art. segundo o qual. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. por exemplo. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. 5º. 8º. defendendo direito alheio. no seu art. XXII. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). O sindicato (☺art. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. a função social. 5º. ADC e ADPF. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. não precisando de autorização expressa. a propriedade terá uma proteção menor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. III. portanto. Segundo o STF. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. não pode existir mais de uma federação por território. tendo um menor peso na ponderação. Segundo o STF. não impede que o direito de propriedade seja protegido. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. XXIII. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. Só pode representar se houver autorização expressa. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. segundo o prof. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. É o entendimento de Daniel Sarmento. Em seguida. A Constituição não garante o direito à propriedade. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Segundo JAS. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. do próprio regime desse direito. LXX. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. como a Constituição garante o direito de propriedade. Segundo o STF. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. mas faz parte da estrutura desse direito. 2. ☺art. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade.

A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. restringe o caráter absoluto. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. É um aspecto lógico. como decorrência do primeiro. justa e. na desapropriação. IPTU progressivo no tempo. CF/88: Trata-se de imóvel rural. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. etc. A função social. §2º. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. que deve ser prévia. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Sempre haverá indenização. 184. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. por utilidade pública. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 186. A polícia requisitou determinadas propriedades. a saber: a. Desapropriação: Diferentemente da requisição. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Além do caráter absoluto. Vejamos: a) ☺art. 139. Propriedade Urbana: ☺art. como um apartamento. O título deve ser entregue antes da desapropriação. 2. Sempre que há requisição. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. deve haver indenização? Não. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). mas sobre a propriedade em si. ou por interesse social. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. Na requisição. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. ele não poderá ser prejudicado. VII). Os principais aspectos são 2. Como haverá indenização se houver dano. diante de uma emergência. Propriedade Rural: ☺art. Vejamos abaixo. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. uma escola pública. 182. há uma transferência compulsória da propriedade. XXV) e as militares (☺art. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. indenização por títulos da dívida pública). que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública.000 habitantes (§1°). Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. por ser inerente ao direito de propriedade. Para atender a função social. só haverá indenização se houver dano. b) ☺ art. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. 5º. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. 182. em regra. Logo. No caso de requisição. deverá ser em dinheiro. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. §4º. CR. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Ex: caso de Eloá. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. o proprietário não tem culpa. normalmente. CR. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. a indenização será sempre posterior. a saber: por necessidade pública. b.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1.

admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). seja urbano ou rural. ininterrupta. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. Necessidades permanentes da sociedade. sejam urbanos ou rurais. o imóvel deve ter. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. 2. A Constituição não permite – ☺art. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). em Indenização posterior se houver dano. Na CR. O confisco de propriedade está previsto no art. Vejamos: . 50 hectares. a propriedade não pode estar cumprindo a função social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . São imunes a impostos (☺art. CR). Nesse caso. Requisição Refere-se a bens e serviços. 5º. no máximo. 243 da CR. . por ter prazo menor.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. Para esse fim. 185.).Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. emergências da sociedade. . Usucapião: Na Constituição da República. . Se ela é produtiva. não há pagamento de indenização. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. no máximo. PU. 243. 120 .Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. os bens serão confiscados – art. pacífica. É sempre indenizável (justa. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. 184. Confisco: No Brasil.: Imóveis públicos. Só que. Se ele tiver outro imóvel. prévia e. CF/88. 3. não precária. Obs. §5º. 250 m2. é porque ela está cumprindo a sua função social. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. possuir o imóvel como se fosse seu. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. §3° e art. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). sem oposição. parágrafo único. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos).Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Como o confisco é uma sanção. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. etc. precisa recorrer ao judiciário). Só não podem ser para fins de reforma agrária. regra. Necessidades transitórias. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade).CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. . 183. CR).o morador não pode ter outro imóvel. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 191. não podem ser adquiridos por usucapião. paga em dinheiro).

ato jurídico perfeito e coisa julgada. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. é uma conjugação das duas anteriores. a lei interpretativa retroage. Esta hipótese é. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. autônomo. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. a CR/88 entrou em vigor. a saber: 1. Em regra. 106. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Todas as demais o consagraram. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. XL. CR). não era muito democrática). Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. As hipóteses mais importantes são: 1. No direito penal. só que exclusiva para o direito tributário. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). desde que seja mais benéfica para o réu. Alguns a interpretavam de maneira (A). A garantia existe para a proteção desse direito. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. a regra também é a não retroatividade (art. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. etc. interpretando a lei da maneira (A). → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. mas deve respeitar a coisa julgada. Retroatividade da Lei Penal. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. A lei interpretativa retroage. b) Retroatividade benigna. 3. outros a interpretavam de maneira (B). não. inicial. Durante a vigência desse contrato. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . na verdade. 5º. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. Em resumo. 2. é necessário diferenciar duas situações. 5º e no art.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Seria correspondente à primeira hipótese. XXXVI. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. 5º. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. média e mínima. Para responder a essa questão. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. mas que vale especificamente para o direito tributário. O poder constituinte originário tem algumas características (originário.

Só que para haver essa retroatividade. portanto. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. 5º. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. interpreta a lei em sentido amplo. e não as parcelas que compõem o vencimento.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. a Constituição da República entrou em vigor. Se mudar o real. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. mas as leis não. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Não pode haver a redução. Ex: Determinada prestação. Na retroatividade máxima. . 2. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. A EC poderia prejudicar direito adquirido. 473. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. . Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Só que para haver essa retroatividade. porque geraria uma insegurança jurídica. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. ela afeta a todos. não há posição prevalecente. automaticamente. Antes de a prestação ser paga. Se a Constituição atingir essa prestação. É claro que isso não é desejável.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. e não o ato exaurido. em regra. . de acordo com a legislação da época. Havendo mudança de regime jurídico. inclusive as de ordem pública.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Ex. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. porque geraria uma insegurança jurídica. extintas. As parcelas podem ser reduzidas e. 654 e Súm. e não lei em sentido restrito. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. Após a Constituição de 1988. STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. → Coisa julgada: 122 . através de norma de eficácia plena.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. haverá uma retroatividade máxima. dirige-se apenas ao legislador ordinário. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. . A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. mas isso está superado. será necessário que a Constituição diga expressamente. Portanto. b) Retroatividade média: pode ocorrer. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Nesse caso. até mesmo. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. É o ato que está apto a produzir os efeitos. no caso de retroatividade mínima. ☺Súm. haverá uma retroatividade média. O prof. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. É claro que isso não é desejável. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido.

2.. Já os direitos sociais. segundo Robert Alexy. por ex. em sua maioria. o que significa que possuem um caráter positivo. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Direitos Sociais: 1. . Os princípios. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. como teórico do direito (ou seja. e pelo Min. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. em regra. são mandados de otimização. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. do seu enunciado. nós deveríamos interpretar o art. . 5º. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. Eros Grau. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. A administrativa não tem essa proteção. à medida que a sociedade o determine. exigem uma atuação positiva do Estado. Eficácia: todo direito tem um custo. são NEL (de princípio programático). No art. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. como doutrinador. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. 5º. 5º. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. e não propriamente como ministro). Em cada época. independentemente da sua natureza. Mas isso não é verdade. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Os direitos de defesa são. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. §1º.: salário mínimo).☺art. mas é apenas a coisa julgada judicial. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Por isso.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. de sociedades pluralistas. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. 7º. e isso para muitos é um ponto negativo. Assim. Ou seja. §1º. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. para dar decisões concretizando tais direitos. ou seja. b) o art. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. consagrados em NEP ou NEC. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. independentemente de qualquer fator. Dirley Jr. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. pois são mais facilmente implementados. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais.

educação. normatividade.000. segurança. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Como têm apenas eficácia negativa. doutrinador do RS.000. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. implicitamente. . Assim. assim. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral.. lazer. Esse entendimento já foi superado. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. quando foi dado um maior papel ao PJ. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. A visão do juiz é bilateral. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. é importante definir tais critérios.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. O que se busca. Argumentos contrários à intervenção judicial: . previdência. por ser norma programática. trabalho. etc. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. todas. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Portanto. essa atuação talvez não seja tão justa. por ex. Primeiramente. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Quando se fala em direitos sociais. Em outros lugares. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. que estamos buscando. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. em tese. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. rodovias. Norma de direito social não gera direito subjetivo. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. pois. Pedro Taques). E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe.). legítimas (saúde. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. 3ª fase: é a fase desejável. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. . 2ª fase: é a que nos encontramos hoje.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). só porque recorreram ao PJ. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Obs.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. pois.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Por isso. Esses direitos sociais não teriam. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. as normas possuem uma textura aberta. não geram direitos subjetivos. por ex.).

Ademais. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. eleições periódicas. pois. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. A reserva do possível.Déficit democrático das instituições representativas. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). segundo Ingo Sarlet. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. entra-se muito nas questões ideológicas. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. De se ver que quando se fala em direitos sociais. eles acabariam sendo inviabilizados. Esses argumentos são os que devem prosperar.A democracia não é apenas vontade da maioria. teríamos a maior utilização das ações coletivas. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Mas. no que diz respeito aos direitos sociais. e é muito utilizada no Brasil. . em 1972. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Os direitos sociais estão consagrados em normas. não se encaixaria na realidade brasileira. . Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. em razão do Princípio da Igualdade. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. Se não se estabelecer os critérios. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. inclusive a minoria. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. por isso. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. Assim. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. . Se um poder se encolhe. o outro cresce. em razão das limitações orçamentárias existentes. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. 125 . É preciso. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. ou seja. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda.Caráter normativo da constituição. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. saber se a demanda é razoável. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. sufrágio universal. Não é o entendimento que prevalece. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos).“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha.

Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. . É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. A efetividade passa pela sociedade. em razão de sua textura aberta. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Vejamos: 1. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. etc. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. é o mínimo existencial. Ou seja. Se não definir o conteúdo. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. quando se estabelece o mínimo existencial. Outros autores já falam apenas em saúde. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Assim. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. que é a corte suprema na Alemanha. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. em 1953. mas deve também ser provada. Segundo Ana Paula de Barcellos. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. essa concretização. que a demanda custa y. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Segundo o prof. pelo cumprimento voluntário da constituição. precisam ser concretizados.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. mas teria um peso maior na ponderação. No Brasil.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Por que falamos em “mínimo”. Segundo Ricardo Lobo Torres. é o entendimento mais adequado. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. depende de cada época e de cada sociedade. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. por ser necessária para a 126 . Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x.. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. a questão da efetividade será prejudicada. que existem z pessoas na mesma situação. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. assistência em caso de necessidade. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. da liberdade material e do princípio do estado social. educação e moradia. A reserva do possível é uma matéria de direito público. . que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Não é o máximo desejado. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. 2. maior o risco de não ter efetividade.

a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. JAS. Há dois posicionamentos quanto ao tema. 127 . O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. entre eles: laços culturais.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. População está relacionada ao conceito demográfico. costumes. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. 5º. e. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). consciência coletiva. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. A partir do momento que um direito social é concretizado. Pode. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. Segundo ele. Ex. fala-se em vedação do retrocesso social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. haveria um engessamento do legislador e do PE. um pensamento mais flexível sobre o tema. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. assim. já dizia algo muito semelhante. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. e do Estado Democrático e Social de Direito. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. o que prejudicaria a sociedade. Ele tem. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. estatístico. irão concretizar os direitos sociais. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. da dignidade da pessoa humana. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. 2) posicionamento de um autor português. segundo ele. Por isso. passaria a fazer parte do próprio direito social. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. pois. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. ao estudar as normas de princípios programáticos. históricos. só ampliado. esse prazo não pode mais ser reduzido. CR). de acordo com a necessidade. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. fazem parte da população brasileira. Os poderes públicos. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. haver uma redução do grau de concretização. da máxima efetividade (art. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. §1º. independentemente da nacionalidade. língua. que significa nação. Todos que moram no Brasil. não pode haver uma redução dessa concretização.

12. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. Neste caso. o filho terá nacionalidade brasileira. . que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. de acordo com o art. I. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. há direito público subjetivo do estrangeiro. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. II) Naturalização expressa (art. Se o casal estiver a serviço de outro país. c. . desde que haja reciprocidade. se não se manifestarem contrariamente. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. Refere-se aos brasileiros naturalizados. adquirem a nacionalidade do país onde residem. 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). não haver condenação penal e requerimento do interessado. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. 112 e 115. b). II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. A EC 54 alterou o art.Quase nacionalidade (art.815/80. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Refere-se aos brasileiros natos. Pelo critério funcional. estrangeiros residentes. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. 12. 227. terá naturalidade brasileira.Diferenças de tratamento 128 . art. 12. II) Jus Sanguinis: ascendência. considera a nacionalidade dos pais. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. I. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). os pais têm que ser brasileiros. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. §6°. Obs. De acordo com o critério sanguíneo. É geralmente adotada por países que estão em formação. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. a). que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. por uma questão de soberania nacional. CF/88. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. I. 12. não há direito público subjetivo. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. É o caso do Brasil. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei.

se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. d) Extradição (art. 89. vice. só poderá ser extraditado: . em razão da superioridade da Constituição. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. . XL.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. 12. presidente da CD. CF/88). membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 12. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. Na extradição. A deportação está mais próxima da expulsão. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Os critérios utilizados são: . §3°).Perda da nacionalidade (art. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. 5°. Importante analisar a Súmula 421. . do território brasileiro. 5°. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Mas. 12.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. confundir a súmula acima com a seguinte. Expulsão: consiste na retirada a forca. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. não se poderá invadir esse estado.linha sucessória do presidente da república: PR. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. §4°. b) 6 assentos do Conselho da República (art. Mas. ou que tenha filho brasileiro. Já na entrega. dependente da economia paterna. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. 65 da lei 6. a ela aplica-se a súmula 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. em razão da soberania nacional. portanto. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. CF/88): 129 . cria-se um problema de relação internacional. No caso de brasileiro naturalizado. . §2°. .se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. . no entanto.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis.segurança nacional: oficial das forças armadas. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. 5°. presidente do SF. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. Se o estado desrespeita essa regra. Princípios relacionados à extradição: . Não se pode. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). . O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese.

é direto: é a regra. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). nacionalidade e alistamento. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. São requisitos apenas técnico-formais. . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). salvo nos casos das alíneas a e b. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. Além dessas características do voto. . voto é o exercício desse direito.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. com uma única exceção: art. 81. Servem ao controle do próprio direito. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. Para JAS. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. one vote” – “one person. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. com a realização de eleições periódicas. é o direito de votar (e não de ser votado). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). one vote”.tem valor igual para todos: “one man. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. inclusive sendo cláusula pétrea. na forma da lei (que ainda não existe). há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto.é periódico: essa periodicidade do voto. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. pelo CN. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. caput). O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. Direitos Políticos: . II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. 14. é o direito político em si. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). A CR/88 adota o sufrágio universal. e não requisitos preconceituosos. . salvo se por meio de ação rescisória. §1º). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. que exige uma alternância de poder. o sufrágio censitário (ex. Características que o voto possui no Brasil: .: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). ou seja. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. 130 . . perderá a nacionalidade brasileira. 14. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. §1º. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade.

☺§3º.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. salvo se já titular do cargo. Primeiramente. filiação partidária. Assim. Ex. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). no governo de SP). do art. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte.é conhecida como inelegibilidade reflexa. 14. 14. com exceção dos portugueses equiparados. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). dentistas. domicílio eleitoral na circunscrição. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. se houver reciprocidade (art. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. trata-se de lei ordinária. 14 traz um questionamento. No Brasil. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. a inelegibilidade em relação aos militares (art. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . §8º). etc. 14). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. §3º? Segundo o STF. que geralmente admitem desincompatibilização. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. 14. . é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. ela é adquirida progressivamente. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. §5º . então. é o direito da pessoa ser votada. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. ou seja. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. 14. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . no caso do art. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. 14. Mas o §9º do art. §1º). As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. até que se atinja a plena cidadania. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos).Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. Quando a Constituição fala apenas em lei. 12. §3º. assim. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. em caso de reeleição. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. ☺ar. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). . São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. 14. §7º . ou seja. Além dessas condições relativas à idade mínima. os inalistáveis são os estrangeiros.

é algo temporário. 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. 132 . III e V) são hipóteses de suspensão. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. 5º. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. seus parentes também poderiam ser candidatos. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. Kildare. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. I. não há como readquirir os direitos políticos). Todas as outras hipóteses do art. e quanto a isso não há divergência doutrinária. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. mas o prof. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). o prof. Com base nessa distinção. nos termos do art. VIII). A doutrina (JAS. portanto. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. 15 (incisos II. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 15.

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