Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. E para isso. Tem-se utilizado. mas proteger direitos. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. mas também de outros assuntos. como sociológica: “em termos jurídicos. o local e a época. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. em sentido jurídico. no fundo. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. então. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. do estado e das instituições democráticas. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. em especial limitar o poder arbitrário. 4 . numa terceira acepção possível. O conceito de constitucionalismo transporta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. enfeixado na Constituição. e. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. Numa segunda acepção. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. os fins socioeconômicos do Estado. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. reporta-se a um sistema normativo. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. como o inglês. Numa vertente mais restrita. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. sociologicamente. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. e que se encontra acima dos detentores do poder. Partindo. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. Kildare Gonçalves Carvalho. É. Neste sentido. uma teoria normativa da política. um claro juízo de valor. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. a defesa da Constituição. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. por seu turno. o americano e o francês. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. assim.

mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Foi uma retrospectiva do direito Grego. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Estado Hebreu: estado teocrático. a. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. ii. Garantia jurisdicional. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. e da França. em 1787. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). a partir da Revolução Francesa. em 1791. Governo limitado. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. (Livro do Alexandre de Morais). Atribui competências aos três poderes. Grécia antiga: democracia constitucional. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. após a Independência das 13 Colônias. 2. A democracia é a representação da vontade da maioria. b. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). c. fases pelas quais passou a constituição. Foi a 1ª experiência constitucional. desde logo. b. d. Foi a mais avançada forma de governo. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Estabelece as regras do jogo político. integram-no. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. se contrapõe ao absolutismo. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Por isso. Hoje. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Como ressaltado por Jorge Miranda. 1. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Roma: idéia de liberdade. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. quem. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. como e até onde pode mandar. ii. Influenciaram o direito francês e americano. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Até então todas as constituições eram consuetudinárias. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição.surgiu em substituição ao governo dos homens. • Princípio do governo limitado. • Separação dos poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. porém. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). O que se buscava com tais revoluções era a liberdade.

estarão subordinados a ela. sem força vinculante. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Novas idéias foram surgindo. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. PE e PJ). c. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Separação de poderes. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. na época das Revoluções Liberais. Constituições da democracia marxista ou socialista. Eram apenas uma diretriz. diretrizes. b. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Segundo a tradição francesa. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. b. Começou a se falar em um direito moral. A partir dessas novas idéias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. estabelecidos pela Constituição. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. XIX. aplica-se a analogia. direitos fundamentais. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. a maioria da nação. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Constituições de países subdesenvolvidos. Constituições da democracia racionalizada. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Todos os poderes constituídos (PL. ii. XX). ligada à idéia de liberdade. Ex. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Garantia de direitos. Força normativa da constituição: antes. Idéias principais: i. Hoje. 4. Constituições da democracia social. as quais são denominadas por pós-positivismo. d. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. ou seja. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. 3. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. estabelecendo diretrizes. a. foi o Abade Sieyès. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. c. as constituições tinham caráter mais político. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Rússia. havia regras. O ser humano é um fim em si mesmo. os costumes 6 . A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão.

mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Constitucionalismo do futuro. cotas em universidades.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). pois esta é a concretização de um princípio geral. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. f. Hoje. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. é o judiciário. etc. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Ex. Para Paulo Bonavides. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Ele atua como legislador negativo e positivo. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. e. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Na Itália. c. de uma forma geral. união homoafetiva.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). d. é o juiz. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. g. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Participação. Não se aplica diretamente a constituição. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Entre uma regra específica e um princípio geral. fidelidade partidária. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Continuidade. Solidariedade. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. verticalização. Teoria Concretista Geral.  Aplicação direta da constituição. Para Barroso. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. demarcação de reservas indígenas. Verdade. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. são aplicados através de ponderação entre os princípios. espuma do chopp. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. b. 7 . o judiciário aumenta sua força. Mas essa é uma posição muito radical. • • 5. aplica-se a regra específica. há uma euforia dos princípios. Quando o legislativo é fraco. Hoje. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. etc. mas quem dirá o que ela é. tratado internacional tinha status de lei ordinária. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). aborto no caso da acrania. que é aplicada mais às regras. os princípios. Consenso. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial.. Na jurisprudência do STF. EUA: nós estamos submetidos à constituição. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Os princípios. Integração. Eles são importantes. Universalização. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais.

CR. Vale dizer. pertinentes. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. que. Contratos de colonização. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. então. por intermédio de seus representantes. Como regra. com valor igual para todos. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. verdadeiro sistema híbrido. nos termos desta Constituição”. nos termos deste lei e das normas constitucionais. que são os deputados federais (âmbito federal). o P. 14. o exercício deste poder. a solidariedade. 1º da Lei 9. Petition of Rights de 1628. Assim. segundo o art.709/98 (que regulamentou o art. dá-se através dos representantes do povo. portanto. Habeas Corpus Act de 1679. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). de acordo com o art. do art. referendo e iniciativa popular”. CR). o povo também o realiza diretamente (democracia direta).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. de soberania popular. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. Compact (1620). a verdade. cujo titular é o povo. de forma expressa. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Carta outorgada por Carlos II (1662). caput. a participação. mediante: plebiscito. concretizando a soberania popular. II e III. I. Bill of Rights de 1689. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa).U. CR) e. a continuidade. 1º. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Act of Settlement de 1701. Podemos falar. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Fundamental Orders of Connecticut (1662). Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. O titular do poder é o povo. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 46.

para ele. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). conforme o prisma de análise. 1°. Essas normas são programáticas. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. PL. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). O art. quando não corresponde à Real. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. ou seja. não passaria de uma simples “folha de papel”. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . na política ou na filosofia). ou seja. a Constituição é norma pura. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. Toda a Constituição. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. 242. o restante. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). que surgiram com as constituições mais prolixas.. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. mas materialmente distintas. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Constituição e leis constitucionais são. A Constituição Escrita. → Segundo Hans Kelsen. PJ.: art. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Para entender tal concepção. o caráter normativo e vinculante da Constituição. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. mas apenas leis constitucionais. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. como por ex. que adota o conceito decisionista de constituição. os direitos fundamentais. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. têm a mesma forma de elaboração). Objetivos fundamentais também são normas programáticas. com exceção do Preâmbulo. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). Esta é a concepção que hoje prevalece. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. A conferência realizada por ele. Esta concepção atualmente é inadmissível. §2º. caso contrário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. é vinculante e obrigatória. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. na sociologia. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. Segundo ele. a que Carl Schmitt chama de Constituição. portanto. As leis constitucionais são todo o restante.

Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. Ou seja. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). A CR/88.Soberania. mas que trata de todos os aspectos. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. Gilmar Mendes). não introduz nenhuma novidade. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). Seu único comando. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. portanto. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. qual seja. condicionante desta mesma cultura. é: todos devem obedecer a Constituição. . é uma norma pressuposta. é apenas uma pressuposição. é um elemento conformador. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. modificando-a. é a Constituição escrita (CR/88). devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. ao mesmo tempo. não está escrita. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. todos os setores da vida social. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. neste sentido. posta pelo Estado). É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). 10 . define tais elementos estruturais. . por isso não tem nenhum expoente específico. quais sejam: .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade.Território. a Constituição tem sim fundamento sociológico. ela não existe na realidade.Povo. e também jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder.Finalidade. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. . . segundo esta concepção.

votada. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88).histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). a classificação irá ajudar a compreender a constituição. Ex. Constituição Espanhola/1930. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. pois toda constituição é escrita e não-escrita. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. No Brasil. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. surge em um só momento. .codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. de maneira unilateral.não codificadas (ou legais. há pouco espaço para se ter costumes como regras. 1967. 1937. a Constituição Inglesa. . toda Constituição histórica é costumeira.: as constituições outorgadas recebem. . dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. quem vota a matéria são as lideranças. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. o apelido de “Cartas Constitucionais”. 11 . de uma só vez. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. . como por ex. não surge de uma só vez em um só momento. 3) Quanto à origem: . 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). 4) *Quanto ao modo de elaboração: .democrática. tem também vários documentos escritos. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. por alguns estudiosos. Nesse caso..dogmática: sempre escrita.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. trata-se de modalidade anacrônica. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). podendo ser: . que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. ou variadas): ex. as constituições outorgadas foram as de 1824. . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. a constituição não se torna democrática. é fruto das idéias. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.. Obs.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. por ex. consuetudinária (não é escrita).outorgada: é a constituição imposta. Por isso mesmo. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). . É uma aprovação simbólica). e como é bastante prolixa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. promulgada.

7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Não existe controle de constitucionalidade das leis. portanto muito difícil de serem modificadas. Ex. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Ex. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. É uma classificação típica das constituições costumeiras. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).: a Constituição dos EUA).semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”.: art. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. Como se submete a esse tratado internacional. deixou de ser considerada flexível. ou seja.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. (Obs. É uma constituição em sentido formal. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). sendo assim. Ex. . CR). pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. inclusive a CR/88). Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Em 2000. São chamadas também de clássicas.fixas: não poderiam ser modificadas. .flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. . por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. 1º.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. sem se preocupar com os detalhes. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. Por este motivo. . .prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. mas sim o processo mais dificultoso. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). sucintas. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. É uma constituição em sentido material. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. passou a haver hierarquia entre as normas. como é o caso da CR/88.) . Constituição Inglesa.

QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. mas sim uma obrigatoriedade!). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Históricas. Constituição em sentido formal. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. democrática.: a CR/88 é ainda Eclética. É a CR/88. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). Canotilho. Rígidas. CR. o DF.: art. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). porque é fruto de várias ideologias. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. o Municípios. dogmáticas. Não-escritas (inorgânicas. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. Flexíveis (ou plásticas). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. o Estados. Democráticas (populares. 3º. rígida (ou super-rígida). Pactuadas (ou pactuais). que surgiram com um objetivo pré-definido. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. codificada. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). sumárias. e não de apenas uma ideologia. Fixas. Ex. Característica das constituições clássicas. 13 . sucintas. OBS. pois valem a todos os entes federados. Constituição programática (ou dirigente). . As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). (processo legislativo). costumeiras ou consuetudinárias). o União. União. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). Ecléticas. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. formal. prolixa. dogmática.: art. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). votadas ou promulgadas). As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. como por ex. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). 59 e segs. básicas ou clássicas).

basicamente. sejam elas originárias ou derivadas. a Constituição. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. direitos fundamentais ou não. DL e Resoluções – ☺art. ordinárias e complementares). 59. 59. por 3 níveis hierárquicos. estaduais. No topo. para fins de controle de constitucionalidade. porque os princípios têm maior amplitude. II a VII). enquanto as regras são mais específicas. encontram-se as normas constitucionais originárias. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. as derivadas (art. que a CR/88. uma Constituição só possui relevância sociológica. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. que existem como complementação dos ANP).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição.: decretos e regulamentos. MP. LC. por ser rígida. princípios ou regras. §3º). Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. CR). Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. 59. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. as leis delegadas. obrigatoriamente escrita. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. a Constituição tem que ser rígida. 5º. cujo fundamento de validade são as leis e. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. tem de ser. o indireto. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. se tiver também supremacia formal. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. distritais e municipais. Leis Delegadas. Para que exista supremacia formal.343/SP. Importa dizer. as medidas provisórias. No entanto.

ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). a previsão constitucional exige complementação. Anotar como complemento posteriormente.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Portanto. Leis delegadas. 69. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . 69. No caso da prisão civil por dívida. por uma questão de economia legislativa. é sempre o mesmo número ☺Art. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Residual. OBS: O art. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). por isso não entendo como pode tamanho formalismo. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Essa aprovação não é obrigatória. MPs.☺Art. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Lei ordinária Art. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). mas somente uma recomendação. Reservada pela CR/88. No entanto. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. que regula a LC.status constitucional. 47 é a regra geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . Quando não exigir LC. ela não pode ser tratada por leis ordinárias.☺Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Por ser uma matéria reservada. Não varia. 47. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) .

se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). há hierarquia. conforme previsto no art. assim. • Estado – ☺Art. 30 (assunto de interesse local). como o controle exercido será de constitucionalidade. Parei aqui. não cabe ADIN. E. DF). 16 . § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. III. d. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual.: lei estadual trata de matéria de competência da União). como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. CR. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. • União – ☺Arts. ☺Art. Assim. Havendo conflito (ex. Hierarquia entre Lei Federal. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 21. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. a competência para resolução é do STF. no caso de repartição vertical. Assim. pois não está ligada diretamente à Constituição. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 25. 102. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União.

BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. ou seja. visando assegurar a supremacia da constituição. . que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). mas também o preâmbulo. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Não existe.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Refere-se. Tirando o preâmbulo. Com a EC/45.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). portanto. tem função interpretativa). OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. contudo. deve estar inserida no texto da CR. os TI de direitos humanos. 17 . Abrangeria não somente a constituição. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. como para Canotilho. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. é diretriz hermenêutica. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. seja uma norma de referência para ele. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. Assim. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Como não tem caráter normativo. b) Parte permanente = normas gerais – arts. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. . mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. o CDC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. quando são equivalentes às EC. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. etc. .Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição.

Não Auto-aplicável. Assim. §1º. ADC e ADPF. quando não é respeitada uma norma de competência. 154.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. A omissão parcial nada mais é que uma ação. 4 e 5. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. ou seja. CR). Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. ou seja. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. 5. . Obs. Formas de Inconstitucionalidade: 3. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. mas caberá ADIN por omissão). as Súm. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). ocorre.: a Súm. 3. art. Assim. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). I – que exige LC para instituir impostos residuais). Dependem do prisma de observação. AIO. mas o prof. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex.de princípio programático. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental).: competência privativa do PR (☺art. STF não é mais aplicada. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 69 – desrespeito a quorum de aprovação. o Min.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . não será cabível mandado de injunção. Ex.de princípio institutivo (Obs. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. pois.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. às vezes. aliás. 18 . STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional).2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. .Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. 3. não pode ser suprido pela sua sanção). Ex. ADI. Aqui. se considerar em relação a uma expressão é total. MI. 3. No STF. Ou seja. 61.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. 5° a 17). Ex. Pode ser: . b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Não Auto-executável. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. (Obs. e Não Bastante em Si. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. há uma divergência na doutrina.

: a palavra “não”. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. No caso do decreto. no controle concentrado abstrato.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. 59. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Obs. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). No caso da lei. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. que só pode atingir todo artigo. Assim. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. 3. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. Se o decreto é ilegal. § 2°). Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. 66. Para o prof. decretos regulamentares. Relaciona-se. Pode ser: b. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. Ex. como altera sentido do texto. b. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. todo parágrafo. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. Quando se fala em inconstitucionalidade.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). Segundo STF. CR. o decreto se torna inconstitucional. toda alínea ou todo inciso (☺art. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. ato originariamente constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. a inconstitucionalidade será indireta. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. de ofício ou a requerimento da parte. ou seja. a inconstitucionalidade será direta. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. e grande parte da doutrina. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. que se ligam indiretamente à constituição. não se trata de revogação. refere-se. Ex. aos Atos Normativos Primários. pois. atos previstos no art. reflexamente (ou de maneira 19 .4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. já sendo inconstitucional desde a sua origem. ou seja. pode ser questionado. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. não pode ser retirada). pois a atos posteriores ao parâmetro (ex.

CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. O chefe do PE. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). como pelo PE e PJ: . por isso ocorre antes da promulgação da lei. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. parágrafo. assim. é fundamento de validade direto e no 2° caso. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. 84. O veto é relativo. 60 parag 4. 66. IV. 66. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. O veto tem que ser expresso. a inconstitucionalidade é indireta. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). promulgar e fazer publicar as leis. o projeto 20 .. portanto. . ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. mas uma mera análise política. Obs. viola o art. EX:art.sancionar. é excepcional. segundo o STF. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. No 1° caso.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). inciso ou alínea). Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. a inconstitucionalidade será direta. CR). ele não precisaria impetrar o MS. ela não está violando o direito de ninguém).Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. Caso contrário. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art.ou concreto. IV . pois pode ser derrubado (☺art.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. se ele entender que o projeto é inconstitucional.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. porque o ato não fere diretamente a CR). quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). . CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. por isso aqui não há que se falar em controle). Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. já que de maneira indireta. OBS: não adianta decorar o nome do ato. embora participe do processo legislativo. mas sim analisar cada caso concreto. CR. não pode impetrar o MS. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. porque ele é o único que participa do processo legislativo. quando ele participa do processo legislativo.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. tem fundamento de validade indireto. §2º. prevenir que a CR seja violada. O único legitimado para impetrar esse MS. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. 84. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. Art. que se exerce através do veto (☺art. porque o chefe do PE. Trata se de um controle incidental.

desta feita. não lhe cabendo. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . e as normas do RI são questões interna corporis). e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. V . Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. se na Assembléia Legislativa. ou seja. que é o chamado Decreto Legislativo. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. a fim de repará-la. mormente. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. já que trata-se de um ato normativo. CR. que entende que “. em um primeiro momento. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. Na verdade. interpretações regimentais. aos direitos fundamentais”. na linha do voto de Gilmar Mendes. o voto direto. Se o projeto tramita na CD. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. No entanto. os direitos e garantias individuais” – ou seja. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. tendo como objeto esse Dec. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. que. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. se está no Senado. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. somente o Deputado Estadual. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. vedando-se. Leitura do livro do Lenza (pág. muito embora não sejam formalmente constitucionais. §4º. vinculam os atos e procedimentos legislativos. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. o Senador. constituindo-se normas constitucionais interpostas. pode ajuizar uma ADI. o PR elaborará então a LD. 21 .se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Ademais. Questão: o PR. Assim. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. ADC ou ADPF. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. 49. 168): o STF. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. a separação dos poderes. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. mas um processo legislativo constitucional. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. por maioria de votos. pois não se trata de ato normativo. as cláusulas pétreas.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. universal e periódico. Legislativo? Sim. etc. V. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). na qual o projeto esteja tramitando. secreto. 60.. 68.. contudo. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. ☺art.

o chefe do PE teria que. nesse caso. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo.. mas tão somente aos prefeitos. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. estudado de forma detalhada a seguir. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. quando. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. por ex. O chefe do PE (e só ele – PR. Após a CR/88. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. Legislativo para sustar. ou seja. Obs. Assim. pois.084). IV. no exercício de suas atribuições. . nesse caso o CN pode editar um Dec. não é um entendimento consolidado.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. Gilmar Mendes. ajuizar uma ADI. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. tampouco que o PR. CR). 4. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. esse rol foi ampliado. simultaneamente. segundo o STF? Resposta: em regra. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência).. clara e evidente – ou seja. Não se analisa o mérito da MP).: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Desde já. 62. STF: o Tribunal de Contas.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. porém. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). GE. é necessário fazer-se um controle repressivo).O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Antes da CR/88. No entanto. ao fazer um Decreto Regulamentar. O TC é órgão auxiliar do PL (art.. pode o PJ analisar tais pressupostos. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. através da edição de um Decreto. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. II) art. 71. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. ao negar cumprimento à lei. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. Apenas excepcionalmente. já no STJ não há qualquer ressalva. mas segundo o Min. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Ele será. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. CR). ela deve ser objeto de controle. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). não havia relevância alguma). 84. III) Súmula 347. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. exorbita os limites do Poder Regulamentar. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência.

inclusive o STF). isso não é verdade. porque significam coisas diferentes!).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. Por isso. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. No Brasil. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). o controle é feito pelo PL. 4. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). se se tratar de lei local. com 19 anos de Constituição. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. Primeiro caso. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto).: na Suíça. já foram feitas 56 EC! 23 . no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. ou seja. mas das espécies de controle. em 1920 (bem depois do controle difuso). em se tratando de lei nacional. 1792 Hayburn s case. Ex. e é adotado pela maioria dos países europeus. Por isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. dentro de sua competência. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.Hilton x U. ao mesmo tempo. porque surgiu nos EUA. difuso e concentrado). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto.S. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim.: França – que tem o Conselho Constitucional. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). Seu criador foi o grande Hans Kelsen. interessante: em 1965. É também chamado de controle aberto. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Segundo caso. que completa este ano 20. porque surgiu na Áustria. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). haviam sido feitas apenas 16 EC. para não gerar essa confusão. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário.A. quem exerce o controle é o PJ. Obs. já na CR/88. em 1803.

Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Da mesma forma. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). também não podem ser objeto de controle abstrato. Com base nesse argumento. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. porque em estando revogada. A finalidade não se confunde com a competência. mas tão somente de controle concreto. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. e a partir desse antecedente. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Por isso o Min. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. ou seja. o principal defensor dessa tendência é o Min. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. No Brasil. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. ou tendência de verticalização. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. A análise da lei sempre será feita em tese. (O STF é o guardião da CR – art. por ser uma relação vertical. No direito brasileiro. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Segundo este instituto. se fala em efeito vertical. Gilmar Mendes. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. nos EUA chamado de “Binding Effect”. sendo o controle 24 . 97. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Este efeito é típico do controle abstrato. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). O efeito vertical. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. mas deve ser estendido ao controle concreto). é proteger as normas da CR. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). 102.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4.

A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. Na decisão do STF. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. segundo ele. Assim. 52. ou seja. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Não houve reclamação quanto a essa decisão. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. houve decisões proferidas em 3 MI (712.959/SP. o STF estaria usurpando uma função que é do SF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. No Legislativo: Mas. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. o Min. X. e não erga omnes. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. ou seja. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). viola o princípio da igualdade. Gilmar Mendes. O Relator da Reclamação foi o Min. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. CR. Por fim. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. o direito de greve dos servidores públicos. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Gilmar Mendes. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. não uma simples mutação. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Então o Min. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. como a decisão tem efeitos inter partes. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82.335/AC). tendo efeito apenas inter partes. Eros Grau. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). em seu voto. Assim. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Outra situação interessante foi o RE 197. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. do PL. Antes. 25 . Pois no controle difuso. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. em ocorrendo isso. sem que ocorra modificação no seu texto. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. então não sabemos a posição dos demais ministros.917/SP. Então. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. ou seja. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. não permite essa mutação). esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. ainda. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. pelo menos por parte de alguns ministros. 4. se assim fosse. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. E. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Por fim. Gilmar Mendes (e também o Min. sendo acompanhado pelo Min. que deu provimento à reclamação. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. ou seja. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. No Acre. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta.

(☺ Lei 11. analisado no dispositivo (conseqüente).417/0 e Lei 11. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. 103-A). No controle concreto. A repercussão geral (art. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. por estarem mais próximos dos indivíduos. § 3°. fundamentação e dispositivo. por sua vez. Segundo Eduardo Appio. mas apenas a causa de pedir (antecedente). 102.art. Num segundo momento (conseqüente). não cabe ao STF analisar. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Contrários a essa tendência de abstrativização. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. eles não se reúnem fisicamente. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. somando-se os votos de todos eles. político ou jurídico. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). 26 . ou seja.418/06). O papel do STF não é julgar litígios individuais. a rigor. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. julgando-o procedente ou improcedente. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. o que se dá no “plenário virtual”. atualmente. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. não tem natureza processual como as súmulas comuns. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. pois tem o papel de guardião da Constituição. é um instrumento de controle concreto e há. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. social. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. estão os procedimentalistas. não é o objeto principal do pedido. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. é uma questão incidental. O RE. concorda com isso). não precisam chegar até o STF.

→ Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.882/99 – ADPF.erga omnes . O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .: . 10. eles também são vinculantes. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. §2º. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. secundárias do julgado. art. há previsão não só na lei como também na CR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. sejam poderes públicos. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. Sendo assim.EC 45/04: art.U. conforme está previsto no caput do art. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. . a razão determinante da decisão.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos.vinculante. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.Lei 9.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. Dispositivo L. 27 . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.I. ou seja. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. .868/99 – Lei da ADI e da ADC. e ele se encontra no Dispositivo. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. mas tão somente a ratio decidendi.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . P. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. 102. . A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. Ademais.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. mas também à fundamentação. 5. . 28. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. sejam particulares. não determinantes para a decisão) não vinculam.Lei 9. . questões ditas de passagem.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). art. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. 102. a chamada eficácia vinculante.

como a coisa julgada.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. suas turmas e seus ministros. mas sim fiscalizatória. no caso Marbury x Madison). e outros dizem ser um ato anulável. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. Por este entendimento. estadual e municipal). a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. já os órgãos fracionários do STF.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. inclusive o Tribunal de Contas.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. estes estarão sim vinculados). segundo o prof. por sua vez. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. É um entendimento que vem desde 1. mas os sistemas de preclusão processual. Respeitando o efeito vinculante. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. pode modificar seu entendimento. mesmo que não tenham sido impugnadas. . a função legislativa). (20/03/09) 5. . também fica vinculado). Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. que se quiser. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. impedida de evoluir). como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. . pois atinge apenas o dispositivo. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. 28 . Só atinge a norma impugnada. .o PL (na verdade.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. se as leis devem ser cumpridas.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. No entanto. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). inclusive os chefes do PE. cuja função não é legislativa.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. outros dizem ser nulo. até que o PJ a declare inconstitucional. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. . Obs.

outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. no caso do controle abstrato. Mas. autor e réu. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. o STF. ou 2) excepcional interesse social. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. Lei 9. Exs.882/92 (art. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. como os servidores agiram de boa-fé. não admite a “constitucionalização superveniente”.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. não precisariam deixar os cargos. .)”. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. como regra é retroativo: ex tunc. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. porque o ato é nulo desde a sua origem.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei.112/90. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.” . com inteiro teor)..868/92 (art. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). que revogou a Lei A.. Assim. com seus normais efeitos ex tunc. por questão de segurança jurídica. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. ☺RE 197. 27). Ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. os efeitos são erga omnes). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. portanto. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.). O STF. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). 27. como a Lei 9. etc. 11). . o efeito que produzirá. ☺art. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. portanto. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. poderá o STF. decidiu que. Neste caso. assim. Visto a natureza do ato inconstitucional.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. e não no de não-recepção). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.Normas anteriores à CR. o Min.

mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva).: a norma x tem dois significados possíveis.Corresponde a um juízo de . mas. . 5. quanto . que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. controle difuso-concreto. não foram todos os ministros que se manifestaram). portanto. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. mas nem sempre.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. ex. Assim. assim. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.O Tribunal não precisaria 30 . e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. com condições de trabalho iguais às do MP.O Tribunal precisaria observar . em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. Ex. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.Corresponde a um juízo de . para que este corrija a norma. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. Ex. o prof. Segundo o STF. era uma questão “obter dictum”. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). entende-se que a norma (B) é inconstitucional. de fato. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. mas sua interpretação).Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. CPP. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). depois de ter sido recepcionada. reproduzida pelo STF). (A norma já passou pelo crivo da constituição. 134. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. com um só sentido).2: art. evitando a inconstitucionalidade progressiva. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. 68. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). portanto foi recepcionada. CR x art. Em alguns casos. um significado A e um B. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. à medida que a situação fática for alterada. quando todos os Estados tiverem DP. o resultado será o mesmo. . a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. constitucionalidade. ela progressivamente se tornará inconstitucional). Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. que trata da ação de reparação ex delicto. e a norma já foi recepcionada pela CR e. chamada “Apelo ao Legislador”. portanto. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado.

não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art.É excluída uma determinada interpretação. portanto. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. 2º for dependente do art. Assim. 3º. Na declaração com redução de texto. se o art. . . Obs. b) Com redução de texto: b. 2º. declarar a inconstitucionalidade. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. nem sobre os demais. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. ou todo o artigo. não poderá. do art. 1º ou do art. dentro de uma mesma lei). observar a cláusula da reserva de plenário (*). . O STF. 97).: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). 2º. e são permitidas as demais.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. no controle concreto. portanto. a cláusula de reserva de plenário. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). 1º e 3º e. em princípio. se for um dispositivo autônomo.É uma técnica de decisão judicial. no controle concreto. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). (*) Para o STF.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. total ou parcialmente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato.É permitida uma interpretação e. b. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. não podendo.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. mesmo que não tenha sido questionado. esta só se faz necessária quando se afasta. o juiz pode. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. . ser objeto de ADI. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. o juiz não pode.Não há qualquer modificação no texto da norma. 2º. desde que não altere o sentido do restante da norma. de ofício. por arrastamento. Trata-se de controle abstrato. . diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. ou seja. em regra.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. se manifestar de ofício sobre o art. são excluídas as demais. o texto da norma. Ocorre que. . O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . de ofício. 1º e 3º. em razão do Princípio da inércia. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. como ambas são equivalentes. da Lei x. . no controle abstrato. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts.

Obs. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Neste caso. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. portanto. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. apesar de sozinho não ter aplicação. ACP para fechamento dos bingos. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. julga também inconstitucional o decreto. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. todo controle difuso é concreto. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Sobre o tema: 32 . poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. e por arrastamento. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. Ou seja. de ofício. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. mas apenas a causa de pedir. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Assim. já que o STF pode. O pedido será a proteção de direitos. portanto. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. porque. dentre elas a ACP. mas também quando há usurpação da competência do STF).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. julgará procedente ou improcedente o pedido. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. ADCe ADPF).1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Mas nem todo controle concreto é difuso. mas é que esta não é necessária. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. Contudo. No Brasil. neste caso. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). O dispositivo. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Ex. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). pois será uma questão discutida incidentalmente.

: eleição do Presidente do tribunal. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). no caso. que é mais de 50% dos presentes). STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. 93.159. que é função política. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Assim. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. os Tribunais não têm admitido que. é função possível de ser delegada. 294. 97. pois. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. por meio da ACP. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. ☺art. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. Regra da “full bench”. Assim. por ex. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. 557. elaboração de Regimento Interno. porém. dotada de caráter de universalidade e abstração”. por exemplo. Assim. não pode ser delegada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. o que só se pode obter por meio de ADI. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI).022. STJ ☺ Resp. e no mínimo 11 membros. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. STJ ☺ RE 227. de efeitos concretos. Em outras palavras. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. as chamadas leis de efeitos concretos. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. no âmbito dos Tribunais. que é função legislativa. em defesa de contribuintes. Segundo esta cláusula. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. porém. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. Os juízes singulares podem. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. Nada impede. por entendê-la inconstitucional (inter partes).646. assim.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. desde que. 97. conseqüentemente. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. XI – órgão especial: para que seja criado. teremos uma lei material. No tocante. também não pode ser delegada). porém.. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). 33 . na prática. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex.

a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ.. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. sabe-se que o STF é o guardião da CR. Exceções: P. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. se existir no Tribunal. 34 . O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. abstratamente. Decidido o antecedente.U. Assim. 481. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. 97. P. Há uma repartição funcional de competências. como guardião da CR. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes).U. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. O professor não concorda.. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. Quanto à 2ª exceção. ou em caso de interpretação conforme. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. será lavrado o acórdão.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. sob o argumento de que o dispositivo (art. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. prosseguirá o julgamento. assim.. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. se entender que a lei é inconstitucional. podendo decidir o caso concreto. CPC) seria inconstitucional: o art. Há quem critique tais exceções. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. a argüição de inconstitucionalidade (. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). . O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). porque para o STF ambas são equivalentes. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). pela maioria dos seus membros. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. 481. ☺art. se for acolhida.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). de acordo com o posicionamento do STF.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. ao órgão especial). ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). no entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário.

Na verdade. portanto. 35 . Efeitos. O SF apenas suspende a lei. RISTF. ou seja. não estando vinculado à decisão do STF. trata-se de uma competência exclusiva. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. X. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. a lei deixa de ser aplicada. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. Outros autores. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. por isso o faz dali em diante. passa a ter efeito erga omnes. A suspensão se dá através de uma Resolução. É o entendimento mais correto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. o SF não pode suspender toda a lei. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). pode fazê-lo se quiser e quando quiser. O STF já admitia essas duas exceções. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. entendem que se trata de um ato discricionário. O SF não é obrigado a suspender. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. se assim o fosse ela já seria vinculante). que não pode ser retroativa. Ou seja. esta decisão deve ser submetida ao plenário. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. 52. Ademais. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. 2) Outros autores. ela se refere à decisão do STF. 178. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. art. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). quando isso ocorre. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. CR – compete privativamente ao SF suspender. A cláusula vale também para o controle concentrado. que não comporta delegação. em regra. bem como ou STF. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. como se tratasse de uma revogação. no todo ou em parte. a decisão do STF. Quando o SF suspende a lei. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. sustentam que o efeito é ex tunc.

cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. obrigatoriamente. 59 e segs. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. requisitos para a criação de CPI. 178. já o SF não. Art. Nas situações em que o TJ julga. configuraria uma mutação constitucional. Mas. se for apenas uma parte. 52. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. um RE para o STF. Art. esse entendimento é desejável. não havendo a necessidade de suspensão da lei. Na ADPF este fenômeno também é possível. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Ressalta que a letra da norma (art. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. 66. 61: iniciativa do presidente. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. pela simetria deve ser atribuída ao governador. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. por ser um órgão do PL Federal. Segundo o professor. Neste caso. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. deve-se recorrer ao entendimento do STF. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. ou seja. CR: prevê o escrutínio secreto. 57. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. o que. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). LC. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). §4°. CR) não comporta este entendimento. já que o SF não atua de forma correta. está fazendo uma análise. normas referentes ao TCU. no controle difuso-concreto. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. CR. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. a partir do momento que resolve fazê-lo. cujo modelo. LO. segundo o Min. sendo norma de observância obrigatória. cabe. O SF. Segundo o STF. não se referem ao âmbito estadual e municipal. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Gilmar Mendes. mas. esta norma não é de observância obrigatória. a resposta é negativa. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. RISTF) – e isso é óbvio. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. em razão do princípio da simetria. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. desta decisão proferida pelo TJ. e se o STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. etc. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Por isso. É uma construção da jurisprudência do STF.

58. 59. porém. não havendo. X. no controle abstrato (ADI. sendo específica para os servidores públicos civis da União.). É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. o SF teria um número enorme de representantes).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. Ex. por isso pode suspender lei estadual e municipal. também. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. no todo ou em parte. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. Ex. distrital e municipal). que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Ex. 19. se aplicando ao âmbito federal. 37. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). 52. mas não trata apenas dos interesses da União. só se aplicando ao âmbito federal). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. Assim.: CTN. ADC ou ADPF). Ex. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. visto que. assim.: arts. art. É também uma lei emanada do CN. estadual. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. retirando a lei do ordenamento jurídico.: Lei 8. a suspensão. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. que deve ser observado no âmbito federal. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). por não existir uma federação de municípios.” Análise do enunciado pelo prof. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes).: art. outros 37 . quando o SF atua. como aos Estados. Quando o SF atua como órgão federal. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. §3º. por isso pode suspender leis também dos Estados. estadual e municipal. está defendendo interesses apenas da União. portanto.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. Sabe-se. etc. Quando o SF suspende os efeitos da lei. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. pelo Senado Federal. do DF e até municipais. os que tratam do TCU. da organização da União. CR). ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). São os dispositivos que se referem tanto à União. Classificação de Osvaldo Aranha B. ele está atuando como órgão de caráter nacional. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art.

O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. . Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. visto que.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. 38 . Embora não haja consenso. Poderá. os dois tipos são constitucionais. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). TO. visto que. RN. então. adotou-se. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). Portanto. SE e AM. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). de fato. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF.346. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . 2º grupo: . → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. não retroativos). ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. Segundo o STF. pró-ativos (ex nunc). de 10/10/1997. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. da AP Federal direta e indireta. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). é a Câmara Municipal. Com efeito. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. na sua esfera de competência. por força do referido Decreto nº 2. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. é a AL que suspende a lei. declarando uma lei inconstitucional. no âmbito da AP Federal.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal.346. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Entretanto. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). MS. porque o seu parâmetro não é a CR. em decisão definitiva. é sempre a AL que suspende a lei. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal.

tendo partes – autor e réu.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. ou na CR ou na lei. ☺Lei 9. e . de acordo com essas leis. 103.ADPF. onde não existem partes formais (autor e réu). em seu art.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. A Constituição.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. que são a União e os Estados). não cabe. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.ADC. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. mas sim legitimados. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. . O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. Obs. Por se tratar de um processo de índole objetiva. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. e não do trânsito em julgado. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. . São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . a competência é do TJ). obviamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. a ampla defesa. o duplo grau de jurisdição. 4) Recurso da decisão de mérito. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). 5) Ação rescisória. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. 39 .AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). deve haver a previsão da legitimidade. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). ela é meramente jurisprudencial). 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. Como são ações de controle abstrato.

para ter legitimidade. Para ter âmbito nacional. Executivo PR GE – GDF P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. . mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). ou seja. Os demais podem fazê-lo sem advogado. confederação local: sindicato.A norma do art.Os GE.S.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. CS e ECAN. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados).. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.Confederação sindical significa de âmbito federal. . a partir de então. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . confederação regional: F.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).A entidade de classe. . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. segundo a jurisprudência do STF: . Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Obs.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. .Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. . Assim. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). . .

direitos e garantias fundamentais. todas estão no mesmo nível. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. sem interferência do PJ. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. Ex.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. 102. I. admite-se o seu controle. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. geral e abstrato.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. . . Obs.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder.☺art. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. como por ex. 41 .Norma formalmente constitucional . I. 1º. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. decreto regulamentar. a. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ele poderá ser objeto. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. .TIDH (3/5 e 2T) . Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). Lei 9.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). nas normas que tratam de outra matéria). Não serão objeto de ADI e ADC. OBS. são questões próprias de RI. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .: decreto regulamentar do PR. ou seja.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. por isso não é ANP). ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. 102. 5º. caso o decreto emane diretamente da CR. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. o RI pode. §3º . pois geralmente está abaixo do decreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a. para ser objeto de ADC e ADI.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.

rejeitadas ou havidas por prejudicadas. e. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . pode ser qualquer ato do poder público. Assim. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. Lembrar que não cabe assistência. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. portanto está subordinado ao PR. medidas provisórias revogadas. o STF admitiu.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. como está havendo uma influência de um controle no outro. na outra. é preciso primeiro ser transformado em EC). poder-se-ia admitir o veto jurídico. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. pois não produzem mais efeitos. 103. Atuação do AGU: ☺art. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. §1º. posteriores a 5/10/88. salvo embargos de declaração. STF). A função do art. Lei do DF não pode objeto de ADC. . ele vai atuar como fiscal da Constituição. sem exceção. de defensor legis. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. não ameaça mais a supremacia constitucional. Gilmar Mendes e de um prof. não pode ser objeto de ADPF: .PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. segundo o STF. Função geral do AGU (art.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. intervenção de terceiros e recursos. 42 . A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. também poderá dar parecer em sentido contrário. da mesma forma na ADPF.Súmula.leis revogadas. ainda. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. O PGR atua como “custus constitutionis”. se seu entendimento for diverso. se um novo PGR o substituir. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. CR. §3º. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). só podendo ser objeto de controle difuso. . o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. ainda que ele proponha a ação – ou seja. por analogia. Hoje. CR. devendo ser de todos eles intimado. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. § 3° é uma função especial. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. 103. Tem status de ministro de estado. leis suspensas pelo SF. No caso de emenda. Atuação do PGR: ☺art. Obs. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. 103. Mas.

em especial no direito norte-americano. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. Cabe também na ADPF. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Nesse caso. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. o AGU não será obrigado a defender a lei. Ele não é alguém interessado na causa. o das audiências públicas. §2º da Lei 9. Mas atenção: existe um outro instituto. mas não têm nada haver com amicus curiae. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. Posteriormente. art. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. §3º.868. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. A audiência pública está prevista na Lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. Mesmo sem previsão legal. por fim. só vai contribuir para a decisão do tribunal. Não há previsão para a ADC e ADPF. Ela já existia antes. §2º e art.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. não há o que se defender. ☺ art. 7º. em seu art. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).868/99 vale só para a ADI. . 482. 7°. A exposição dos motivos da Lei 9. nos estados que adotam a commum low. 9. É muito comum nos tribunais internacionais.868/99 -☺art.884/94 (CADE).868. não precisará do AGU para defendê-la. 89. §1º e art. Portanto. Quando o AGU desempenha essa função. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. 43 . §1º. seria “amigo do tribunal”. Amicus Curiae: Em uma tradução. art. disciplinou a figura. por analogia. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Na ADPF. Está desempenhando uma função especial. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). A previsão expressamente contida no art. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. de “defensor legis” e. Tem natureza de auxiliar do juízo.868. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. 6º. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei.385/73 (☺ art. Foi introduzida pela Lei 6. 7º. §1º. Importante: ainda que como Advogado da União. “amigo da corte”. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 31). Na ADI por omissão. portanto. o AGU até poderia participar. 20. a Lei 8. sendo feita por toda a sociedade. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional.

pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. admitindo prova em contrário.868/99. portanto. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. ressalta-se que esta é apenas relativa. Lei 9. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). em despacho irrecorrível. Mello. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. (Obs. Para o prof. ou seja. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. Gracie). Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. cabe amicus curiae. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Mas depois que a lei foi feita. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades).Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Obs. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. não tendo partes. por ex. Aurélio. “a”. autor e réu.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva.102. segundo o professor. I. Quando 44 . Marco Aurélio não admitiu. Apesar de que era relevante. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. pois admitiu pessoa física em controle concreto. ou seja. .: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. é um equívoco. É. Surgiu com a EC/03. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. O STF ainda tem exigido pertinência temática. porque iria envolver matéria em relação à vida. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art.Com relação à presunção de constitucionalidade. M. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Lewandowski. . R. a mais correta. J. admitindo ser intervenção de terceiros (C. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). .Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos).. seria uma exceção). O juiz de primeiro grau. Barbosa e E. Foi uma exceção. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. poderia afastar esta presunção.

o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. VII). III). Como visto. ADPF: ☺ Art. . para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente.868/99. no entanto.868/99. em seu art. e . b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas).Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. §1º. nos quais a lei esteja sendo discutida.Título I: Princípios Fundamentais. . que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. é mais restrito: somente a violação. CR e Lei 9. . mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. na ADPF 33: .Princípios Constitucionais Sensíveis. os preceitos fundamentais são: . art. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Mas. o FHC ajuizou ADC. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.102. .Princípios Constitucionais.Cláusulas Pétreas. Através do AGU. não há que se declarar uma lei constitucional). 45 . pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. a Lei 9. inclusive o Poder Executivo. II. nas outras ações ela também poderá ocorrer). e . o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). Não é uma ação de inconstitucionalidade. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.869/99. art. O parâmetro. Portanto. . portanto. Segundo a doutrina. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP.U.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP.21. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). .14. Gilmar Mendes. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.). 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. 14.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. O STF admitiu ☺Informativo 518. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.882/99. P.Cláusulas Pétreas. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. 34. Cabe prorrogação. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”.

: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. ou seja. Art. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). leva a questão ao STF através de ADPF. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Incluindo-se.: gestante com feto com acrania. § 1° da lei 9. P. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. Características: .882/99. na ADPF. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Obs. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. dentro do órgão judiciário). 4°. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. neste rol.: surge a partir de um caso concreto.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. art.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. 46 . embora lá há uma vinculação horizontal. apenas o STF. podendo ser um meio de controle difuso.U. dentro do mesmo tribunal. Um dos legitimados. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. Mas se algum dos legitimados souber da ação. Proposta diretamente no STF.882/99). como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. 196 e ao meio ambiente. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. a vinculação é vertical. embora seja bastante difícil existir esse meio). O objeto pode ser da esfera federal. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. como guardião da CR. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Segundo Neri da Silveira.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. Ela vai ao juiz de primeiro grau. os legitimados podem levar não todo o processo. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. 1º. estadual e municipal. ainda. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. Ex. 1º. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Aqui.

. TSE/TER (art. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Ex. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. Assegurar a efetividade de suas normas. No entanto. para fazê-lo em trinta dias”. . 121. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). q). 5°. O STF admitiu a ADPF. V). o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. É controle abstrato. em se tratando de órgão administrativo. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. § 2º . Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. STJ (art. LXXI .Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. II e III).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. por ex. 103. . O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). .. 105. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. coletivos e individuais indisponíveis (art. mas a converteu em ADI. h). Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. 129.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . I.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. I.CR: STF (art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. nas CE ou em lei federal). à soberania e à cidadania).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. § 4°. 102. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . É controle concreto. Obs. É a mesma da ADI. ADC e ADPF (art. 5°. o STF transforma a ADPF em ADI.Admite-se a fungibilidade. 47 .: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. à soberania e à cidadania”. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).

não pode concretizar a norma. Obs. mas esse prazo era direito. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos.Órgãos públicos. no entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . . Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. portanto. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. organização sindical. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . apenas razoável e não peremptório. em se tratando de órgão da AP.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. ou seja. ou seja. Se o PL) e. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). concretize a norma (faça a norma concreta). Há. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. público: MI protege dir.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. é b) Concretista: concretiza a norma. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. mudou seu posicionamento. recentemente. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. autores que admitem. Recentemente. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. fundamentais em face do Estado. ECAN e associação c/ 1 ano). São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria.: na ADI 3682 b. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. portanto não podem impetrar MI. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. 5º. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. competente de sua omissão (em regra. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. não pode fazer a norma para o caso concreto.MI Coletivo: o STF o tem admitido. Mas atenção. entes federativos e PJ dir. O STF. LXX: PP c/ CN.

poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. O efeito seria apenas inter partes. A regra é o principio da não-intervenção. 34. Portanto. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. No MI. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. O STF adotou essa corrente no MI 232.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. pelo STF. ao mesmo tempo. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 34. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Surge a partir do caso concreto. Essa corrente é bastante criticada. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. não cabe liminar (antes. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. criando uma norma geral e abstrata. ou seja. 36. porque nem a AIO tem esse poder. intervir nos Estados). 2. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. 49 . CR (provimento. e 2) recusa à execução de lei federal (art. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. nestes casos de omissão parcial. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. De acordo com esta concepção. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. Recentemente. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. Ela se subdivide em – geral e individual. VI). na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 652. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI.040). 680. Mesmo adotando a corrente concretista. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. a intervenção é uma exceção (a União não pode. ou seja. porque adotava a corrente não concretista). ou seja. 708 e 712). III. ademais. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. A omissão total não cabe MC. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. VII). O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. o STF está atuando como legislador positivo. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). em um primeiro momento. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. o PJ. como regra.

não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). 36. IV. e sim em face da CR. CR. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. no âmbito do TJ. além. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. É dispensada a apreciação política pelo PL. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. §2º. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. CR. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. ☺art. CR). que é o pressuposto para a representação interventiva. o PR então poderá decretar a intervenção. no âmbito federal). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. O RE. se violados. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. §3º. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. 125. OBS. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. 35. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). § 1°. ☺art. portanto. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. Isto está previsto no art. As partes aqui são o Estado e o Município. mas que surge a partir de um caso concreto. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. 614. O parâmetro aqui é mais amplo. foi uma criação da jurisprudência do STF. é claro. O STF é o guardião da CR. 50 . Esta forma não foi prevista na CR. da ADPF). 127. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. CR. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. STF). ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. nem no RISTF. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. mas sim. se o STF der provimento à representação do PGR.

São apenas órgãos aos quais se atribui. Assim. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. o exercício dessa magna prerrogativa. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Portanto. pode usurpar do povo a titularidade do poder. social e juridicamente organizado. Celso de Mello. É ele um titular passivo. pois o Estado decorre da soberania popular. que formulou esta teoria no fim do Séc. porém. C. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. em alguns casos. segundo o abade Emmanuel Sieyès. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. XVIII). um dos precursores dessa doutrina. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Bonavides. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. que deve observar o direito natural. em nome do povo. expressa por meio de seus representantes. mas jamais é quem o exerce. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Está acima do direito positivo. Para os jusnaturalistas. Modernamente. a vontade do constituinte é a vontade do povo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. cria o Estado. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Schmitt). Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. é a nação. que. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. por delegação popular. retira sua força do direito natural. ou seja. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. editando a nova Constituição. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. que é sempre superior aos poderes constituídos. Na 1ª etapa. Obs. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. corroborando essa perspectiva. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Assim. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. segundo o Abade Sieyès.

25.Decorrente (art. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. há legitimidade objetiva. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. 3º. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. para ser considerado legítimo. que é seu verdadeiro titular. CR) .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder.Reformador (art. já que o poder constituinte já é originário. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Obs. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. correspondendo aos anseios daquela sociedade. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. Espécies Tradicionais: .Histórico . Assim. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. ADCT.Formal . Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.Material .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. ADCT) . Portanto.Revolucionário . é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Revisor (art. Dessa forma. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC.: o prof. 11. art. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . 60. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). por conseguinte.

No caso do Brasil. 53 . b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. 1934. Ex.: este poder tem este nome porque para o Direito. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. há alguns valores que são morais. . ela nunca deixa de ser do povo. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). foi criado um direito natural). c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. é apenas uma classificação quanto ao momento. Obs. 1988. Obs. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. mas não a primeira e sim uma nova. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). No plano axiológico.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. que substituirá a anterior. a nenhum pré-requisito jurídico.: se é um poder autônomo e incondicionado. Obs. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. independente e soberano.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. 1946. Apesar de ser um poder incondicionado. 1937. ou seja. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). 1967/69.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. não perde a titularidade do poder constituinte. ex. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. GV). b) é um poder inalienável. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. através da Constituição. O Abade Sieyes. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. O povo é o titular do PCOM. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. através de normas constitucionais. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. No caso do Brasil. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição).

contudo. O prof. No entanto. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE.. Obs. 25. na verdade. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Ainda que o estado seja soberano.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Ex. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. 54 . neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. A partir do momento que a CR surge. no art. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 25. com os avanços da sociedade. observados os princípios estabelecidos na CR. 11 do ADCT. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. não concorda muito com isso. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. por se tratar de uma conquista da sociedade. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. por ex. mas meta jurídico (fora do direito). CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Fábio Konder Comparato fala. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. Ex. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Esta AL. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. a doutrina deduz deste art. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Não se trata de um limite jurídico. No caso da CR/88. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. as constituições estaduais não são recepcionadas. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. A CR/88. De acordo esse limite. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). Quando a CR consagra o art. na pena de morte. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Dentro desse limite. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. ele encontra limites no texto da CR. mas continua a existir como característica essencial deste poder. ☺art. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. ficando um pouco relativizada.

Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. vedada a recondução. que se estendem aos Estados. porque o art. Há dois grupos: (art.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. processo legislativo (art.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. § 3°). CR. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. Se subdividem em: 55 . CR. II) Implícitos: CPI (art. 75. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. 58.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. mas foi uma decisão super apertada (6x5). aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. VII.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. composição. §4º não é norma de observância obrigatória). §4º.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 59 e segs. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. Segundo o STF. . 61. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. Mas. . 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU).). não existe um modelo a priori de separação dos poderes.: ☺art. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. por enquanto. Estão presentes no art. 57. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . ou seja. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 57. 58. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. 34. 93. diferente dos extensíveis. § 1°. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. Obs. 27. §1º . são as normas de auto-organização da União. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). são essas as normas de repetição obrigatória. Obs. e o STF decidiu que não havia problema. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. V ???) I) Expressos na constituição: art.: presidencialismo x parlamentarismo).

Ex. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. decorre da lei e não da força. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. é conseqüente.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. 56 . DF e M.: art. .é um poder jurídico (e não de fato).é limitado. portanto..titularidade: é do povo.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.normas vedatórias: ex. §1º.. . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. ou seja. mas é possível deduzi-las..A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. portanto. cujo procedimento está previsto no art. e se for decretado o estado de sítio (art. CR (é vedado à U. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.exercício: é pelo CN.não é autônomo.). . Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 3°. Trata-se de um poder previsto na CR e. uma limitação temporal para o poder revisor – art.não é inicial.. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. 136). E. . 19. em qualquer estado da Federação (art. . 60.normas mandatórias: ex. no entanto. . . 37.) – contém uma vedação expressa.: os arts. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.: art. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. CR. 137). CR. 60. ADCT).é condicionado. se for decretado o estado de defesa (art. . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. 34).O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. Ex. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa).). Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. 60. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. 61. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Obs. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. 60. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. CR). 61 é a regra geral de iniciativa. o STF e Tribunais Superiores. ademais. .Discutido e aprovado. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. não pode haver emenda de emenda. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. no âmbito do PJ. após a iniciativa. proposta rejeitada no dia 15/01. o PGR.A última limitação formal objetiva está prevista no art. assim. Ex. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita.Além do PR. apesar de não existir previsão expressa. ☺art. no entanto. No caso de projeto de lei. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. ela será chamada de extraordinária. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). no âmbito do MP.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. 60 (incisos I. GE. que é o período de 4 anos do mandato do PR. sendo o art. no âmbito do PE. §10). A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. possamos usar o procedimento previsto no art. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. se a matéria for rejeitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. para que. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. não promulga. P.A nossa Constituição é rígida. 67. 44. . §3º. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). 62. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. também chamadas de implícitas. . Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). 57 . Este art. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. .Feita a iniciativa.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. 61. por fim. 60. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. II e III) uma exceção à regra geral. é o de que o art. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. 60. a PEC vai para a promulgação. ☺art. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. também podem propor projeto de lei o povo. §2º). b) o entendimento majoritário da doutrina. A Sessão legislativa (art. apenas o PR. §5º. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). no qual há 4 sessões legislativas. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. não veta. .U. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. CR. do SF ou do CN. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). 61. DF e DE. a PEC será discutida em cada casa do CN. §2º). através da iniciativa popular (art. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). . poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. .

a). Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. 58 . não é secreto. o que é secreto é o escrutínio. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. o direito de participar das eleições. Expressas: ☺art. 60. 150. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. .Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. c) Assegurar o processo democrático. c) Voto Direto. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. o que é universal é o direito de sufrágio.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. CR. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. ademais. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. pois. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). segundo o STF. São as chamadas cláusulas pétreas. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. . Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. Universal e Periódico: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. As cláusulas pétreas são. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. o voto não é universal. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. b) Preservar a identidade material da Constituição.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. que é o modo como se realiza o exercício do voto. Curiosamente. §4º. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). secreto. Secreto. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. Ou seja. na verdade. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. universal e periódico. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. VI. mas sim. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Se elas não existissem.

: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. como um todo. não concorda. sendo uma garantia individual. Ex. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. e não em direitos e garantias fundamentais. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Os direito fundamentais se encontram. 60 seria CP. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . são CP. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. CR). 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). A CR fala em direitos e garantias individuais. Para ele.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. (23/04/09) 2. mas refere-se a uma reforma. Os demais direitos e garantias fundamentais. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. sistematicamente. não o serem). que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). é o art. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. 5º. todo o art.Há quem defenda. ou. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. por isso. e por conseqüência.: primeiro. Mas o STF já considerou que o art. que proíbe a pena de morte. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. posteriormente. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. Obs. O art. com a dignidade da pessoa humana. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. em princípio. CR. mas os demais não (ex. b. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. . por uma questão lógica. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. segundo a qual o art.: FGTS. 60. CP). 60. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. para posterior alteração do conteúdo. 150. 5º. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. 2º. que não é unânime na doutrina. §4º. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. Lá estão as limitações ao poder reformador. não seriam cláusulas pétreas. não alterando-o). por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. ADCT). Assim. comportam diferentes interpretações. dispostos do art. pois seria uma forma da fraudar a constituição. não tem nada a ver com CP). Um exemplo. III. Assim. far-se-ia uma EC revogando o art. inclusive. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. CR. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. é CP. . uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. O prof. 60 poderia ser modificado. Chama-se dupla revisão. é porque não se desejou que eles fossem petrificados.

tem que haver previsão expressa na constituição. não abrangendo apenas leis em sentido formal. a constituição atinge prestações vencidas. CR). Com relação ao assunto acima.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. art. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. Antes da CR/88. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . 5°. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). b) Média: a retroatividade não é automática. ☺art. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. mas também emendas à constituição. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. contados da promulgação da Constituição. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. tem que haver previsão expressa na constituição. não sendo um princípio absoluto. 3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. mas ainda não pagas. . Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. Ex. A retroatividade mínima é automática. A limitação imposta no art. Ex. c) Máxima: a retroatividade não é automática. O ato ocorreu antes. XXXVI. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). mas seus efeitos surgem após a constituição. 3º. Revisão é a via extraordinária. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. esse era o entendimento do STF. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. excepcional e transitória de alteração da Constituição. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. Ex. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). portanto. não abrange EC. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. em sentido formal. 60. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. 3º. em sessão unicameral. O direito adquirido pode ser relativizado. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. o STF tem entendimento unânime.

como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). circunstanciais. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. especificamente. 60. §§1º e 4º). já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. 3º. Além disso. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. ADCT. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. 61 . Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. e de forma geralmente mais extensa. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. Ela não tem normas jurídicas. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. é também o limite para a interpretação. para o direito privado. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). aqueles desenvolvidos por Savigny. Constituição da República. Buscam os valores subjacentes à constituição. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Por isso. esses elementos são insuficientes. portanto. Ex: princípio da não contradição. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. esse método também é conhecido como método valorativo. Por isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Esse método não é apenas sistemático. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Além disso. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Não existe uma norma jurídica sozinha. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Toda norma está dentro de um sistema. mas apenas valores: o preâmbulo. e não isoladamente. devido à complexidade da interpretação constitucional. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. só tem alma. como todas as demais. como início e limite para a interpretação. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. partindo da idéia de sistema. O texto da norma funciona. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. 52. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Nele estão os valores supremos da sociedade. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. entra o elemento histórico evolutivo. para o direito público. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. b) Histórico: no seu desdobramento. com algumas peculiaridades. eles são suficientes. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. É o início de uma interpretação. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. Imagine a Constituição norte-americana. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. 65 . O grande problema é que. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. X. e os valores fossem o seu espírito.

formas de raciocínio. Os topoi são esquemas de pensamento. cujo plural é “topoi”.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Problema é a questão difícil. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). como ocorre neste método. Isso gera certa instabilidade. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. ele também é conhecido como método sociológico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. dos princípios gerais do direito. Assim. do senso comum. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Violação de correspondência de presos. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. Este problema será solucionado pela argumentação. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). ou seja. pois comporta mais de uma solução possível). esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. lugares comuns. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. os quais são submetidos a várias opiniões.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Ex. da jurisprudência dominante. enfraquece-se a força normativa da constituição. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. vence o argumento que for mais convincente. o que geraria uma grande insegurança jurídica). ou a de que um é mais correto do que o outro). Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. que é apenas mais um topos. Por isso. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. de casos que comportam mais de uma solução possível. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. → Crítica: feita por Canotilho. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Ex. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. certa insegurança jurídica. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Esses pontos de vista. da doutrina. que contraria o positivismo jurídico. Se se permite interpretações divergentes.. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. como. a favor e contra. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. por ex. de argumentação. Assim. os operadores do direito servem-se de topoi. 2. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. mais um 66 . vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. pontos de vista ou lugares comuns. porque trabalham não com a idéia de sistema. mas sim diante de problemas. Ex.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Para este método. quando se fala em hermenêutica. este método não poderá ser aplicado. de única solução possível. Os métodos III e IV. sua aplicação a casos complexos. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. diferentemente dos dois primeiros. e sim na sua concretização. que a questão não seja simples. como já vimos. é preciso que haja um problema. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. não se deve falar em interpretação constitucional. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). ao lado de Hans Kelsen. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. na sociedade aberta de intérpretes. a compreensão prévia do intérprete. Ele parte. é bom lembrar. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. Hermenêutica e interpretação não se confundem. são também métodos concretistas. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. não podem ser utilizados de forma abstrata. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). devendo-se fazer uso de outro método. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. e o problema concreto a resolver. Método concretista. ou seja. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. por serem métodos concretistas. 67 . Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. se for caso de lacuna. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. ainda que dos mais importantes. são coisas diversas. Ocorre que. Além de serem métodos aporéticos. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Assim. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. São métodos indissociáveis. A principal diferença. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. mas em concretização). Não se pode separar as duas coisas. porém. pois. Assim. e concretizador à aplicação.

ele dirige e. Segundo o autor. 68 . mas refere-se àqueles que podem interpretar. Para ele. aberta a toda a sociedade. O texto não tem o comando. Na prática. que têm legitimidade para a interpretação. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . a norma só surgiria após a interpretação do texto. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Não diz respeito aos critérios de interpretação. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. traduzido pelo Min. Friedrich M. Ainda que a Corte seja o intérprete final. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. por sua vez. Assim.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Gilmar Mendes). em regra. mas a toda a sociedade. é o comando que se extrai da norma interpretativa. A democracia deve servir não apenas para a criação. O que ele chama de domínio normativo. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). regulada pela norma. Fala-se que são utilizados. ele na verdade não o é.Elementos do âmbito da norma . Segundo ele. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. ao mesmo tempo. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. . pois. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. mas também na sua interpretação. Judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. limita a interpretação. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . mas também para a interpretação da Constituição. bem como a quebra da unidade constitucional. é a realidade social tratada pelo texto da norma. A norma é o mandamento. O texto tem duas funções muito relevantes. Quando ele fala em democratização. Essas duas figuras podem ser. Paulo Bonavides o tratar como um método. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita.

que se subdivide em princípios e regras. No pós-positivismo. Após.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. quando interpretada. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Entende que. do povo. Segundo Conrado Hubner. os direitos têm que ser iguais para todos. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Por isso o judiciário tem ganhado força. surge o Positivismo Jurídico. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. 69 . Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. surge a idéia de norma (gênero). essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. mas de forma concreta. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. o poder legislativo é claramente fraco. Esta questão está ligada à separação dos poderes. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. A norma. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. vinculante e obrigatória. 3) Existe uma única resposta correta. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. sem modificá-la. norma e fato. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Hoje. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. A segunda corrente. textualismo e preservacionismo. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. como a constituição é feita por representantes do povo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Também denominado de originalismo. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. preocupado com a segurança jurídica. Assim. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Assim. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. superado o valor da norma). maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). bastante discutido nos dias atuais. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Na verdade. no Brasil. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. que corresponde à vontade do constituinte originário.

proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. As regras possuem aplicação automática. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. → Regras: são “mandamentos de definição”. ou seja. imperativa. → Princípios X Regras: .Princípios. bilateral). o que ocorre por meio da ponderação. quando se vai aplicar um princípio.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. como elementos do sistema normativo constitucional: . e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). Referem-se à abstração (a norma é abstrata.dimensão que eles ocupam (Alexy) . Alexy afirma haver exceções.Postulados. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. princípios são “mandamentos de otimização”. impessoal.Regras. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. será invalidada. mas a medida do possível. ou seja. peso ou valor. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). caso a resolução seja feita com base na hierarquia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. que apontam para o sentido contrário. que envolvem a aplicação deste princípio.generalidade . Ambos são normas. impõem resultados.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. em havendo um conflito no âmbito da validade. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Assim. isto é. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. 70 . e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Ex. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. é preciso saber quais são as normas opostas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. Segundo Robert Alexy. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. A norma é um gênero e. . Eles não definem a medida exata. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro.: aposentadoria compulsória. genérica. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. dentro do gênero norma jurídica. há uma subsunção lógica. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. O grau de abstração é a diferença. Para Habermas.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. e . . A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições.

Ex. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. nem estabelecem competência ou conduta. Não estão na constituição. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. por isso não são aplicados diretamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. mas não têm a mesma função dos princípios. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Os postulados são denominados. será feita a análise de alguns postulados que. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. pela maioria da doutrina. interpretação conforme a Constituição. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância.: proporcionalidade. É um conflito sempre no caso concreto. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Segundo a LICC. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. cronológico e da especialidade. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. como princípios. Mas e os postulados? Segundo esse autor. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Com base nessas premissas.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. de modo a realizar os valores nela consagrados. embasados na supremacia da Constituição. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. 71 . a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Eles não apontam um fim. Nesse aspecto. também conhecido como antinomia de princípios. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional.

ficam vinculados àquela decisão. não tem como fazer interpretação conforme. significa que ele é unívoco. Se há mais de um significado. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. No Poder Legislativo. Ele pode negar a aplicação da lei. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. A 72 . A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. pois existe uma presunção de constitucionalidade. presume-se que agiram de acordo com ela. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. No Brasil. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. o Chefe do Poder Executivo. Da mesma forma. na dúvida. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Não se retira a lei do ordenamento. Se o texto tem apenas um significado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. para ter essa supremacia. a lei deve ser declarada constitucional. é necessário que a Constituição seja rígida. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. No Poder Executivo. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. E. Excepcionalmente. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. e. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. como no âmbito do Poder Executivo e. por ser presunção relativa. na dúvida. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. deve optar pela constitucionalidade. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. quando entender que uma norma é inconstitucional. Se a constituição é a norma suprema. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. assim. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. o Poder Judiciário. Todo projeto de lei passa por um controle. significa que as demais leis devem obediência a ela. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. se entendê-la inconstitucional. Ou seja. no controle difuso. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. o Princípio da Supremacia da Constituição. Toda Constituição tem supremacia material. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. no Poder Judiciário. excepcionalmente. Essa presunção é relativa (iuris tantum). um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. pode ser exercido através do veto jurídico.

de direito previdenciário. Obs. poderia declarar o art. isso não ocorre. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. mas. §1º. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. prevalece a vontade da lei. há várias tensões entre as normas constitucionais. na constituição.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Temos o voto direto como cláusula pétrea. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. num estado democrático. . b) Fim pretendido: . sendo. necessário harmonizar esses dois princípios. a norma inferior. Isso é impossível. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Logo. Hoje. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. essa corrente é chamada de “subjetivista”. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. é conhecida como mens legis. Ex: Brasília é a capital federal. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. é necessário observar os valores consagrados na constituição. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. normas superiores e normas inferiores. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Outro ex. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Geralmente.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Segundo Kruger. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. 81. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Na verdade. Hoje em dia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. Em uma sociedade democrática e pluralista. etc. pois. ao mesmo tempo. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. logo é conhecida como corrente “objetivista”. passando ela pela constituição. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Antes. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. 73 . Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Busca a vontade do objeto interpretado. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Portanto. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. que busca a vontade da lei. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Ao se admitir que essa norma é superior. É como se filtrasse a lei. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. A segunda corrente. existem.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa.

II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. O STF analisou 02 casos: a) Art. as duas normas têm conflito entre si. Sempre que possível. e voto pelo CN é a exceção. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. Ex: voto direto é a norma geral. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. violava a liberdade de exercício de comércio. §1º. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Eles são muito parecidos. é necessário utilizar a ponderação. Quando se tem um conflito em abstrato de normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O que é isso? É semelhante a uma balança. Segundo este princípio. O Juiz irá ver. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Quando se tem uma colisão entre bens. deve-se buscar essa concordância prática. no caso concreto. inclusive. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Nesse caso. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. se ambos estão consagrados na Constituição da República. ele se basearia no princípio da unidade. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. que é anterior à Constituição da República. 74 . O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. pelo legislador. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. qual dos dois grupos tem um peso maior. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Se ele entrasse no mérito da questão. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. bens ou interesses. O relator indeferiu a petição inicial. O que tiver o peso maior irá prevalecer. princípios ou valores. valores. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. e não em abstrato). III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. criando um efeito conservador da unidade. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Pode ser usada. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Assim. aplica-se o princípio da Concordância Prática. na hora de se interpretar a Constituição. interesses. Abstratamente. ou seja. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. Essa lei. 45. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. a integração política e social. Uma existe ao lado da outra. O STF declarou constitucional.

na academia. do contrário. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. STF não foi abandonada. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. e não princípios. poderia fotografar. Ex. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. que contribua para o debate de interesse geral. O importante é saber que todos os princípios. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. 75 . proporcionando-lhes uma força otimizadora. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. do trabalho escravo são regras.: a proibição da pena de morte. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. por mais importantes que sejam. não se aplicando para a interpretação constitucional. até uma compreensão equivocada. sendo o guardião da constituição. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Ex: Se tiver na praia. da tortura. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. eis que ambos se relacionam. mas também a ratio decidenti. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. a privacidade deve ser preservada. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. 343. Caso contrário. para que outros direitos sejam assegurados. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Deve haver uma cedência recíproca.: a Súm. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. não. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. às vezes. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. cabe ação rescisória (obs. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. não. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. ou seja. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. 2) relativização da coisa julgada: o STF. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Exs.

Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. . . Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . 4. Exs. CR/88 (aplicação imediata). validade é. §1º.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. .br: download de questões – Hot site do professor Novelino. a qual significa a realização do direito.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). 2) Direito de greve. pois. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. sobretudo o Tribunal Constitucional. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. a função social para a qual foi criada.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Este princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. no Brasil.335/AC. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. 76 . é também conhecida como eficácia social. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. é também conhecida como eficácia jurídica. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. o desempenho concreto de sua função social. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída.com. 5º. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Ver no Site Editora Método.

Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. ou seja. Para que um ato seja considerado proporcional. 5º. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). utiliza-se o termo proporcionalidade. Para Jellinek. maiores hão 77 . CR. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. uma densidade semântica que ele não tinha antes. em sua origem. Não é o entendimento mais cobrado em provas. para que o Estado não atue de forma arbitrária. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. pois. não está textualmente consagrado. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. No Brasil. à garantia do devido processo legal. Assim. Nos sistemas da commum Law. Alegam que a restrição seria desproporcional. É um princípio implícito. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. do Prof. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. Ele está ligado. utiliza-se o termo razoabilidade. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. desproporcional. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. deveria conceder uma autonomia maior. Ex. dentre os meios existentes. mas apenas como menções.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. ☺art. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. uma restrição à liberdade só será possível se. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. Ex. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Na Alemanha. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. será também desproporcional. ele tem que ser adequado. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. 1º. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. não se deve abater pardais com canhões. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. É uma influência do direito alemão. por isso sua importância. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. apto para atingir o fim almejado. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. É uma influência do direito norte-americano. LIV. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Se o ato for desnecessário.

78 . A face acima exposta do princípio. Nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. que é chamada de proibição de insuficiência. o poder público age aquém do que deveria. Há uma outra face desse princípio. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. ou proibição por defeito. pode ser chamada de proibição do excesso. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.

além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. não tem relevância jurídica. É uma corrente intermediária em relação às demais. pois. com exceção das de 1891 e 1937. pois. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Como se sabe. 79 . apresentado de forma não articulada. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo.. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). qualquer religião oficial da RFB. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. porém. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Para o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. laico ou não-confessional. não é componente necessário de qualquer Constituição. Não contém. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. portanto. reproduzidos ou não na Constituição estadual. mas no domínio da política. incidirão na ordem local. Não tem. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. proclamação mais ou menos solene. portanto.. não existindo. inscritos na Constituição. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. Ocorre que todas as constituições brasileiras. Esses princípios sim. relevância jurídica. não tendo força normativa. Assim. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. de regra. sendo. No Brasil. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. o preâmbulo. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. mas é a tese por nós adotada. caráter normativo e. Situa-se no domínio da história ou da política. dado que. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. Em âmbito estadual. O que acontece é que o preâmbulo contém. o Brasil é um país leigo. anteposta ao articulado constitucional. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. mais ou menos significante. O min. refletindo posição ideológica do constituinte. O nome não é o mais apropriado. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. não é norma de repetição obrigatória.

os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). o bem-estar. na ordem interna e internacional. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. a segurança. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. pluralista e sem preconceitos. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. 80 . Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Ao estabelecer os valores supremos. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a liberdade. o desenvolvimento. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. fundada na harmonia social e comprometida. com a solução pacífica das controvérsias”. Esta é a sua natureza.

184. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. Uma NEC. A integralidade. destaca-se a de José Afonso da Silva. dentre as quais. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). se refere à impossibilidade de sofrer restrição. enquanto não for restringida por lei. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Ela não depende de lei. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. §5º). imediata e integral. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. possivelmente restringível ou redutível. apenas 81 . → Normas de Eficácia Contida: O prof. 95. P. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. Exs. O que as difere é o grau desta eficácia. 128. que poderá variar conforme o seu enunciado. enquanto não for restringida. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. (É a mais cobrada em provas). mas admite lei. prerrogativas (art. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. 53). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. é uma NEP? Não.U.: normas que estabelecem imunidades (art. isenções (art. no Brasil. como se poderia imaginar). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. por sua vez. §5º). que “contenha” o seu conteúdo. Quando se fala em aplicabilidade imediata. Não são a mesma coisa. Não depende de regulamentação. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). A NEC. vedações (art. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome.

102. Exs. etc. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente.. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. e art. não há omissão inconstitucional. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. mas não é uma NEP. mas não disse quem pode propor. A lei não irá restringir o direito. . conforme a lei. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. 82 . CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. P. art. necessidade ou utilidade pública. VII (direito de greve dos servidores públicos). As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . é obrigatória. As vedações. mas dizer como esse direito será exercido. que a regulamente. Neste caso. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários).U. 5º. que dirige os rumos do Estado. Indireta porque depende de uma outra vontade. XXIII e XXIV). quais são os efeitos. VII.: trata de vedações que são impostas aos juízes. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. em regra. 5º. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. art. Se ela fosse uma NEP. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. poderá criar impostos residuais. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. Assim. se quiser.: ordem pública.: art. ☺art. 154: a União. CR. Ex. que faz parte da mesma norma. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. 22. caracterizadas justamente por este tipo de norma). 95. e não quais são os meios para se atingir o fim. interesse social. etc. 37. ☺art.: art. II e III deste mesmo art. 95).Facultativas: ex. eis que estabelecem o fim a ser atingido. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. ofício ou profissão. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. . mas pode ser). etc. 37.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. art. 136 e 137). É indireta ou mediata.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto.por conceitos de direito público (ex. mas.Impositivas: ex. são NEP (como são as normas dos incisos I. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). Ex. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. – ex. XIII. XII c/c arts.U. ela nunca poderia ser restringida. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. PU: União poderá delegar aos estados. art. 5º. esclarece que trata-se de uma NEC. art.: art. que não é norma). Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. 3°. 9º dá a entender tratar-se de NEP. mas o seu §1º. XXII. e mediata porque depende de alguma condição.por lei (ex. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. segurança nacional. A norma constitucional tinha eficácia. 37. O caput do art. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. 9º. VII. A NEC pode ser restringida: . precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. Não é apenas um conselho.). de forma que antes da Lei 9.: art. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. .por outra norma constitucional (ex. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei).

Marcelo Neves critica essa concepção. Para ela. antes da lei ser feita. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Obs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. cumprida a sua finalidade. pois. OBS. exaurem sua eficácia. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Diz que o direito se auto produz. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. não depende de outros sistemas. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. uma eficácia negativa (e apenas esta. as Cláusulas Pétreas. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Traduz um sistema fechado. Elabora-se uma norma genérica. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. tem eficácia.: As NEP. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. São as normas do ADCT. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. 83 . Elas são criadas para uma determinada finalidade e.: art. mencionada por alguns autores. Assim. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. também conhecidas como normas super-eficazes. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Uma última classificação. ADCT. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). imediata e integral). ademais. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. Por isso não dependem de outra vontade. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Ex. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. porque ela não tem eficácia positiva). traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. 2º.

que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. quando do surgimento de uma nova Constituição. por esta teoria. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. Quando uma nova constituição é criada. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. § 1°. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. → CR → A. sempre que nasce uma nova Constituição. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. com o caráter de normas constitucionais. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. Assim. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). caso compatíveis com a nova Constituição. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. como normas infraconstitucionais. Ex.N. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. parte final).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. porém.: ☺art. podendo. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein.P → A. 242. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. e sim como normas ordinárias. §2º (que fala do Colégio Pedro II. serem recepcionadas pela nova Constituição. 84 . ou seja. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. art. Faremos o estudo de alguns institutos.N. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. não. 2°.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

também limitado juridicamente). diante da aplicação imediata. que. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. IV. com pequenas exceções. Como outro exemplo de retroatividade mínima. têm retroatividade mínima. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. deve existir expresso pedido na Constituição. Ex. desde que haja expressa previsão. para tanto. 7º. 7º. Assim. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. as leis infraconstitucionais. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. 5º. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. nada impede que a norma constitucional. Assim. 51 do ADCT.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. vale dizer. Como se percebe. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. como é o caso do art. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. vale dizer. XXXVI – “lei” em sentido amplo). tenha retroatividade média ou máxima. dentre outras. IV. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). c) por outro lado. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. por regra. o STF entendeu que. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. CR. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Contudo.: art. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. sendo regra a retroatividade mínima. 88 .

pois servem de critério para o legislador que. sobretudo. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. é obvio. 4º). como também ao exercício abusivo de certos direitos. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. seja como orientação para progresso da legislação. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. assim. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. 1º). uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. Sob o ponto de vista dogmático. 2º). os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. diverso e opostos. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. atuando como um limite. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. por conseqüência. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. o que os coloca numa posição de superioridade. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. não só das ações dos poderes estatais. estrutura e fundamento (art. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. a menos. ainda não regulamentadas de forma mais específica. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. De uma forma geral. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. é claro. seja como diretiva na solução de casos concretos. Dessa forma. em um todo sistemático. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. a divisão de seus poderes (art. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. da função positiva que 89 . c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. Desse modo. Em situações novas. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. Executam. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. os quais estabelecem a sua forma. ao elaborar as leis. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes.

CR). A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. No tocante ao Poder Executivo. Com o passar do tempo. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. A baixa densidade semântica. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. que reinava de forma absoluta e irresponsável. o direito de secessão. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. sendo criados novos critérios distintivos da República. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. I). dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. esses conceitos foram se esvaziando. 1º. 34. DF e Município. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. 90 . o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. aos entes que compõem a federação. quanto para o legislador na elaboração das leis. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. a Constituição veda. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). e necessária a superação dos paradigmas tradicionais.

mas também o próprio Estado está submetido ao direito. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. seja diretamente. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. No que se refere ao princípio democrático. seja através de representantes. a legalidade da Administração. Em um Estado democrático. Sob o aspecto material. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. a independência dos juízes. Em um Estado de direito. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. a vontade popular representada pelo parlamento. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. não é absoluta e ilimitada. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. ou.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. No Estado material de direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. 91 . não apenas os indivíduos. ainda. Aqui. à questão perene da Justiça. sob as circunstancias transitórias. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos.

6º). por essa razão. 92 . Por essa razão. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. na ordem internacional. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. independente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. por não ter de acatar. A soberania externa se refere à representação dos Estados. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. a soberania migrasse do soberano para o povo. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Todavia. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. em nenhum momento podem ser colocados de lado. uns para com os outros.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. na ordem internacional. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. No plano externo. o indivíduo se sente útil e respeitado. Supremo. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. no plano interno. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que.

e. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a de opinião. deve constituir o seu objetivo supremo. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. a filosófico-religiosa. A escravidão. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. a sociedade pluralista é. 17). interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. com a queda do comunismo. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. a profissional. Mais tarde. 1º). Por isso. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. 206. 93 . a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. dentre elas. É ela o valor supremo que irá informar a criação. assim. mas. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. por natureza. Este fundamento é concretizado. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. justa e solidária (art. de reunião e de associação. derradeiramente. a intelectual. uma sociedade conflitiva. 170). econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. 170). o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. 3º. o que pode levar a divisões irredutíveis. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. conforme os ditames da justiça social. científica. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. salvo nos casos previstos em lei. III). é um princípio básico do liberalismo econômico. de idéias e de instituições de ensino (art. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. de interesses contraditórios e antinômicos. a tortura. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). partidário (art. a partir do início da década de 90. artística. Por essa razão. 220). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. independentemente de autorização de órgãos públicos. ainda. cultural (arts. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. 215 e 216) e dos meios de informação (art. a sexual. passando a se revestir de normatividade. Fruto da concepção liberal. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. ao contrário. a de informação. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. a Constituição. político (art. de comunicação. I).

a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. e. possui um caráter negativo. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. mas um atributo que todo ser humano possui. à dignidade da pessoa humana. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. o acesso aos valores. Esta acepção. Poder-se-ia dizer. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. educação fundamental. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). econômicos e culturais. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. mas também dos particulares. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. o que significa dizer que na criação. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. seja por terceiros. Assim. por exigir uma abstenção. A dignidade da pessoa humana não é um direito. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. 94 . ou para com a pessoa. não apenas por parte do Estado. Esta acepção. sua existência material. mas também a de que o Estado garanta. idade. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. menor (minimizando o problema dos custos). na medida em que procura representar um subconjunto. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. em alguns casos. por outro. ligada ao valor liberdade. cada vez mais. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. dentro dos direitos sociais. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. não como um fim em si mesmo. mas. seja pelo próprio Estado. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. que seja efetivamente exigível do Estado. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). Por isso. a todo e qualquer cidadão. ligada ao valor igualdade. etc. possui um caráter positivo. sexo. moradia. em um primeiro momento. Portanto. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). Portanto. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. mais importante. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. Todavia. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. Por outro prisma. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. independentemente de usa origem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. condição social ou qualquer outro requisito.) imprescindíveis para uma vida digna. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna.

os direitos sociais (arts. 6° e 7°). 14 e seguintes). São direitos ligados à cidadania. 6º ao 11.direitos individuais. ligados à liberdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. . que divide os direitos fundamentais em: . .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Enfim. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. 12 e seguintes). igualdade e dignidade. 6° e seguintes). pois surgiram em uma única época. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. 95 . Essa classificação é legislativa. CF/88. mas também no art. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. consagrados no plano internacional. Em termos materiais. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Assim. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições.direitos prestacionais: são. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. uma constitucional e uma doutrinária. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). estão consagrados em normas de eficácia limitada. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. Em sua maioria. Em sua maioria. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. são os direitos individuais consagrados no art. a diferença básica se refere ao plano de consagração.direitos à nacionalidade (art. à participação política. . Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. CR/88). . basicamente. 5°. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Visam proteger o valor igualdade.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. devido ao custo de serem prestados. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. . .direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado.direitos sociais (art. consagradas ao longo das constituições. 5°. Têm um caráter negativo. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. O Estado deve fazer escolhas trágicas. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. portanto. Exigem uma atuação positiva do Estado.direitos políticos (art. devido à escassez de recursos. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Têm caráter positivo e negativo. do qual são espécies: .

Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. econômicos e culturais. como a família. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. a imprensa livre e o funcionalismo público. → Igualdade: Direitos Sociais. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. diretamente à igualdade material. das gerações. São considerados basicamente como direitos coletivos. Como vimos. Exigem uma ação do Estado. exigindo uma abstenção. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Esta é a sua preocupação principal. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. de 1789: liberdade. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. igualdade e fraternidade (nesta ordem). são direitos de caráter negativo. A 3ª geração. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. São chamados direitos civis e políticos. XVIII. e estas gerações coexistem atualmente. Tais direitos têm caráter positivo. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Obs. à autodeterminação dos povos. ao desenvolvimento ou progresso. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. movimento encabeçado pelo proletariado. Vejamos quais foram as gerações. portanto. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Têm como objetivo. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. por exigirem uma prestação do Estado. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Estão ligados. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. ao lado da 4ª. queria que ele respeitasse suas liberdades. Não houve substituição de uma geração por outra. sobretudo de princípio programático). então. direito de comunicação. segundo Jellinek). que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. diante da necessidade de cooperação. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. por exigirem uma abstenção. a autodeterminação dos povos (art. já os de 2ª geração não.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Exs: direito ao meio ambiente. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. 4º. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. e a dele é a mais cobrada em concursos). Têm caráter negativo. pois. São basicamente os direitos individuais. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. CR/88). 96 . Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Ou seja. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. enfim. Os direitos de defesa. os direitos prestacionais. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Por isso. XX.

Aquelas instituem os direitos. outros são difusos). que são as que. a fixação da garantia. artístico. caso violados. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Assim. o direito a adoção. Paulo Bonavides. Por isso o direito à democracia é tão importante. de ideologias políticas e partidárias. estas as garantias. Ex. ☺ADPF 132.: quanto ao direito à paz. em defesa dos direitos. ocorrendo não raro juntar-se. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. de orientações sexuais. Ao lado da vontade da maioria. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. Ou seja. conserva nossas identidades. Quando se fala em pluralismo político. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Afora esta peculiaridade. de conteúdo). Ele preserva. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. limitam o poder. 97 . as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). ao analisar a Constituição de 1891. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Esta geração de direitos advém da globalização política. → Globalização: direito à democracia. que seria a vontade da maioria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais.). → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. Além desse aspecto. Ou seja. ele tem uma importância muito grande. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. Ele abrange um pluralismo religioso. Em uma ponderação. CR/88). um pluralismo ideológico. V. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. como os previdenciários. com a declaração do direito”. e isso acaba por prejudicar as minorias. esta alteração não foi feita em seu livro. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. os direitos de família. Os argumentos contrários a esta união.P.I. o prof. que alguns dizem trazer os direitos à internet. são direitos difusos). econômico. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. na mesma disposição constitucional ou legal. à informação e ao pluralismo (D. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. inclusive das minorias. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. as demais características são tratadas pelo prof. 1º. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). São também direitos transindividuais (em sua maioria. Quem tem o papel contra-majoritário. etc. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. mas há divergências na doutrina quanto a isso. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. traz direitos ligados à pluralidade. as disposições assecuratórias. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. quiçá quanto a 5ª.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. um pluralismo cultural. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. Porém.

ilegalmente preso. ou magistrado. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. Deve-se observar. emite uma opinião (direito de opinar). no caso concreto. a todos os seres humanos. XXXVII. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. . os apátridas e as pessoas jurídicas. Nada impediria. são indisponíveis. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. portanto.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. .. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. . na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. 5º. . uma vez consagrado o direito. 98 . impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . como é o caso da ação popular. ou caberá ao intérprete. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. se o direito garantido não possui alguma especificidade. ainda que não individualistas.Universalidade: destinam-se. etc. quando. Exemplos: .Historicidade: possuem caráter histórico. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. por ex. que só pode ser proposta pelo cidadão. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. é claro. conjugando-a com a sua mínima restrição. HD. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. mas nunca a sua renunciabilidade. 5º. Obs. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. decidir qual direito deverá prevalecer.direito ao juízo natural (direito) – o art.: HC. através da interpretação sistemática. conflito de interesses. muitas vezes. havendo. juntamente.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. . nascendo com o Cristianismo. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. de modo indiscriminado. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). Se são sempre exercíveis e exercidos. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Contudo. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). Isso porque. no caso concreto. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial.: direito de propriedade versus desapropriação).). Normas positivas. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. confronto. O caput do art. como é o caso. coarctando. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. os estrangeiros não residentes.Inalienabilidade: como são conferidos a todos.

Assim. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. fala-se. para isso. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. não dependendo de legislação. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. pois. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. 5º. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. Não se admitiria. analisando caso a caso. Ingo Sarlet afirma que o art. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. ordem pública. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. mas. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. 99 . causando uma desfiguração no direito privado. §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. fática e juridicamente. etc. então.). e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Posteriormente. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. mas o pressuposto do qual ela parte). Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. só trazendo relações entre o Estado e o particular. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. então. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. No entanto. §1º. 5º. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio.

não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.RE 175. . É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.☺RE 161. houver uma desigualdade fática. Se.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. de uma forma geral. Deve-se aplicar tanto esta teoria. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Se não houver uma previsão expressa na lei. Assim.RE 158.00 para R$ 86. ainda que esta regulamentação não exista. etc.243/DF. O juiz. Os DF são expressados.24. Segundo esta teoria. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. mas ainda não há decisão quanto a isso.: empregado e empregador. quando há uma relação de igualdade real na relação. através de princípios. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Espanha e Portugal.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Ainda se trata de uma questão muito nova. devendo sobre eles prevalecer.Resp. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.RE 160. mesmo realizando atividades idênticas. . contrato de adesão. não sendo necessária uma intermediação legislativa. E como os princípios são muito vagos.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Em contrapartida. como a segunda. Determinação de observância do Princípio da isonomia.*RE 161. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). muito abertos. Mas. .222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. a aplicação será indireta. A jurisprudência. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. 249.700.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. A autonomia da vontade requer tal ponderação. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. .858. no entanto. que não adota essa teoria). a proteção tem que ser maior. em geral. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Para a realidade brasileira. se exteriorizam.) . isso poderia causar uma série de problemas. . e. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . então. esta teoria seria a mais adequada. tão somente pela falta de previsão. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. para que os princípios pudessem ser concretizados. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.HC 12. Segundo Virgilio da Silva. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.RE 201. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. é possível a sua aplicação com base na Constituição. . a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. mas.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. por óbvio. CP) a questão é um pouco mais polêmica. não há uma renúncia definitiva. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. um outro direito fundamental. é. Porque o direito à vida é irrenunciável. A renúncia é definitiva. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Há dois entendimentos: 104 . CR. Este pode ocorrer. Obs. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. abre-se mão temporariamente à privacidade. não há que se falar em não exercício). O direito a vida. 170. 128. XLVII. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). 5º. como DF é pressuposto dos demais direitos. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. Nos 78 incisos deste art. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. também não pode ser renunciado. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. II. à segurança e à propriedade. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. pois a vida é uma direito irrenunciável. CR/88. caput. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. No caso do big brother. 1º. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. pois. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. ☺art. III e art. à igualdade. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. à liberdade. 5º. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime.: esta segurança que o art. Por isso. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. 5º. Esta questão é bastante clara.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. ☺art. um caso constitucional de violação de direitos. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato.

qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. já que na época em que foi feito o art. 128 (em 1940). Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. em razão do risco de morte intra-uterina. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. sabendo que ela vai morrer. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. Nos EUA e na França. entendeu que. A questão ainda está sendo discutida no STF. já que o CP é anterior à CR. mas sim da acrania. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. segundo Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. é uma forma de tortura psicologia. então. 128). ela é a única ação de controle abstrato cabível. CP não teria sido recepcionado pela CR. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. é relativo. nas quais não se tem uma opinião moral definida. sem o sistema nervoso central. II. por isso. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. além de colocar em risco a sua própria vida. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. OBS. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. a vida termina com a morte encefálica. E o direito à vida. e. não haveria vida. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Se há dois argumentos defensáveis. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Ademais. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. por 7 votos a 4. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. o art. mas sim interpretando a CR/88. O STF. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. Para o direito brasileiro. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. 128. insuficiente para a proteção do direito. assegurando a autonomia da vontade. discutida na ADPF 54. Se isso fosse possível.Direito à privacidade: 105 . não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. . a morte não decorre do aborto. 3) dignidade da pessoa humana. o feto não tem a menor chance de sobrevida. portanto. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. mas de modo geral). quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. como todos os outros. o STF não estaria legislando. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto.

a restrição é legítima. Ex: policial federal recebendo dinheiro. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Ex. contra um chantagista. No entanto. histórico. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. são direitos independentes. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. O agente público. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. quando pratica um ato na condição de agente público. Será considerada prova lícita. Ao realizar essa ponderação. Neste caso. não há violação à privacidade. Há decisões judiciais onde muitas vezes. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. veremos cada um separadamente. Nesses casos é vedada a gravação como prova. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. a imagem pode ser usada num processo. não tem privacidade. Nesses casos. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. o direito à imagem foi violado. etc. Proteção da honra e da imagem. Ex: matérias de interesse público. Esta é excludente de ilicitude. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Então. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. na verdade. sobretudo. uma gravação feita clandestinamente. Ainda que não afete a honra. a honra e a imagem das pessoas. O direito de liberdade é maior. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Numa gravação clandestina. pois há uma excludente de antijuridicidade. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. 5º. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. por exemplo. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. os princípios da moralidade e da publicidade. 1. é a esfera da vida privada. É vedada pelo art. científico ou cultural. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. vida privada. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. CR. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Ex: Radares eletrônicos. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. que se subdivide em: intimidade. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. no art. Se filmar uma passeata. 106 . ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Em regra. CR. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. contra um estelionatário. em seguida. Questão de Concurso: Gravação clandestina. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. sobretudo. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. a gravação é considerada lícita. de uma forma geral. Não há que se falar em colisão. Logo. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. maior a proteção a ser dada. ela é ilícita. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. O prof. É gênero. Se tiver gravado um crime. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. O direito a privacidade está consagrado. 5º. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. X. Mas. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. X. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa.

ainda que não seja sigilosa. fiscais. X. Essa exceção só confirma a regra. Na Itália. Os jornais publicaram essas declarações.: Podem existir várias outras exceções. outros dizem ser pelo art. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. 5º. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. De acordo com o art. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. divulgaram todas as declarações na internet. No entanto. o BB poderia quebrar o sigilo.. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. etc. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. às informações constantes na declaração de imposto de renda. a duração da chamada. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. Se ele quiser. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Ex: extrato de conta corrente. 2. ele não pode requisitar diretamente. de um cd room. Essa declaração. 107 . E o Ministério Público? Segundo o STF. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. O STF decidiu que. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. deve ter uma certa salvaguarda. falaremos da interceptação telefônica. já que não existe poder judiciário municipal. por ex. mas na decisão acima houve discussão a respeito. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Tem uma decisão do STF muito comentada. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. informáticos. A lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. está em vigor. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. que é uma exceção a essa regra. não há decisão do STF. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa.). Ele alegou a ilegalidade desse ato. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Quem pode é só o juiz e a CPI. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. O Min. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. 3. 2°) admite. 5º. 5º. Além do juiz. como havia verba pública envolvida. naquele caso específico. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Dentro dela. por enquanto. O inciso X impede a gravação clandestina. essa decisão foi para um caso específico. outros entendem que não há proteção. Quando se quebra o sigilo telefônico. CR. com base no princípio da simetria. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Quando a CR fala em “poder de investigação”. não poderá quebrar sigilos. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. São poderes instrutórios. § 3º. 58. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. O prof. XII. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. em ação cível originária. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Quanto às CPIs municipais. XII. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Dentro do próprio STF há divergência. fiscal e telefônico.

Para o STF. Em relação a essas. Para o prof.. Além dessas duas hipóteses. mas foi feita por um terceiro. Com relação ao sigilo de dados. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Em relação à comunicação epistolar. pode haver restrições às comunicações telefônicas. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. é equivocado. mas. Para o prof. Mas isso não é a posição do STF. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Na prática. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Pois. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio.. neste caso. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. X. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Quando se falou do método tópico problemático. a liberdade de comunicação. Aliás. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. seja pelo art. abrem-se todas as correspondências. Na interceptação. XII. segundo o prof. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. será gravação clandestina. o sigilo poderá ser violado. Então. também protege a privacidade. Nessas hipóteses. Ela deve ser usada para situações excepcionais. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. O art. XII. Ela protege 4 formas de comunicações. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Se um souber. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Se um souber. Porém. durante o estado de defesa e o estado de sítio. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). já que protege-se a liberdade de comunicação. 5º. em determinadas hipóteses. protege a liberdade de comunicações. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. 5º. No entanto. Não são admitidas para outras finalidades. os dados de informática em si não estão protegidos. não estaria protegido por esse dispositivo. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. 5º. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. sobretudo. 5º. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. seja pelo art. por uma terceira pessoa. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”.. será interceptação telefônica. a Constituição não estabelece qualquer requisito. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. segundo o STF. o STF tem um entendimento que. O STF entende que com base o art.

Com relação à inviolabilidade do domicílio. Além disso. 5º. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Nem mesmo CPI. essa lógica tem sido invertida. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. e não pelo dono da casa. 5°. c) Art. O professor acha que há certo abuso neste caso. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. nem a CPI. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Essa decisão foi recente (☺MS 27. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. Nesse artigo. se houver o consentimento de um dos moradores. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Como é o meio mais fácil. XII. 2. Pode ser que com os abusos recentes. o Min. Se numa situação excepcional. a polícia pode entrar. prorrogáveis por mais 15). É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. LX: sigilo imposto a processo judiciário. Segundo o STF. a entrada deve ser permitida pela empregada. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. 5º. Art. por nenhuma outra autoridade. nesses casos. Então. XII: interceptação telefônica b) Art. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. não há falar em violação de domicílio. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Com o consentimento. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. 5º. Na jurisprudência do STF. CF/88. Ela deve ser o último recurso. Sem consentimento já é diferente. Vejamos as situações: 1. 5º. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. XI: violação de domicílio. seja durante o dia seja durante a noite. Ex: crime dentro de uma residência. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. A Constituição trata de 2 situações distintas. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. imagine numa situação normal. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Se houver o consentimento. Recentemente. devemos analisar 2 situações diferentes. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias.296/96. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. violado. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. LXI: possibilidade de prisão. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Ou seja. e mais ninguém. vejamos: a) Art. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. d) Art. Durante o estado de defesa. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Somente o juiz. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. • Prestar socorro 109 . a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. qualquer pessoa pode entrar. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. salvo o flagrante delito. pode determinar a prática desses atos. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador.

mas dos vizinhos também. não poderá mais entrar no domicílio. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. É utilizado por JAS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Segundo o entendimento do STF. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. não entra em conceito de casa. 2. estabelecimentos comerciais e industriais. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. a prova é lícita. por serem situações emergenciais. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. prevista no dispositivo. não só dos moradores daquela casa. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. mais tradicional. entra no conceito de casa. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. na parte em que o público tem livre acesso. 150. porque a noite é o período de descanso. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. não entra no conceito de casa. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. seja do dia seja da noite. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. ☺Art. Alguns autores. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. mais adequado. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. propõem uma utilização conjunta desses critérios. compartimentos habitados. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Então. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Se houver o consentimento do morador. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Entra no conceito de casa. hoje. Se entrar com o uso da força. Quando o sol nascer é dia. Na maioria dos casos. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. consultórios. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. 3. a prova colhida será considerada ilícita. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. a casa pode ser invadida a qualquer hora. entre outros aposentos. se estiver vazio. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. onde o caminhoneiro dorme. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. Segundo ele. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. quando o sol se põe é noite. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. Ex: parte de trás do caminhão. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. pois se respeitar também o critério cronológico. 110 . entre eles Alexandre de Moraes. E o carro? O prof. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. CP. compreende escritórios. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Só que o STF já proferiu decisões. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. que traz uma conceituação bastante extensiva. não encontrou nenhuma decisão a respeito.

Razoável 3. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. arbitrário. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 5º. Objetivo 2. Quando se fala em princípio da igualdade. razoável e proporcional. em situações diferentes. Nestes casos. Esse critério é razoável. é necessário que ele seja: 1. cor e estado civil. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. não significa que a lei não possa fazer distinções. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. justifica-se a altura. Ex: critério preconceituoso. 111 . Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Para esses casos. Se o critério não for objetivo. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Mas. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. discriminatório. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. É a que está consagrada no caput do art. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. 7º. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Para que o critério seja constitucional. 2. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. CR. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. 7º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. da constituição. CF/88. XXX. Uma vez dentro do estabelecimento. idade. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. XXX. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Esse critério não é nenhuma discriminação. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Não irá fazer concurso para homens participarem. pois viola o princípio da isonomia.

Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . pois estão ligadas diretamente à igualdade material. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). ☺art. e prolongaram as que já existiam. O prof. acha que esse argumento não convence. O prof. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Porém.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. aconteceu o contrário. 5º c/c art. Em princípio. Ex: Cotas para pessoas carentes. Para outros autores. Dificilmente. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. 3º. Quando se fala em igualdade material. que eram desiguais em relação aos seus senhores. essas ações deveriam existir por 10 anos. Essas ações não surgiram nos EUA. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Para o professor. o critério discriminador seria desproporcional. Então. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. e não à igualdade material. Tem autores que entendem ser inconstitucional. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. pois elas criam uma discriminação reversa. Ex: Alíquotas de imposto de renda. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. surge a questão relacionada às ações afirmativas. disse que está ligada à igualdade material. A cota deve ser proporcional à população. igualdade e fraternidade. mas é necessário analisar uma série de fatores. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Visa uma redução das desigualdades fáticas. Segundo JAS. A tendência é que elas aumentem. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Não é uma forma de resolver o problema. Criaram-se outras ações afirmativas. essas ações são constitucionais. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. por exemplo. Se o Estado não proporcionar esses direitos. seria igualdade material. No caso da Índia. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. não haverá uma igualdade real. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. para tentar reduzir as desigualdades. Mas. mas na Constituição Indiana em 1947. Isso é igualdade formal. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Quando se fala em igualdade material. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. e os desiguais de forma desigual. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. 112 . O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. mas reduzir as desigualdades existentes. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. utiliza-se das ações.

A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. Apesar de ser uma relação entre particulares. previsto no art. Isso é uma questão de política pública.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado.Poder Legislativo.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Portanto. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. Eles não têm apenas a eficácia vertical. O problema é com relação à subjetividade do critério. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. sem exceção. . Argumentos contrários: . tolerante. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. .em uma sociedade pluralista.princípio da isonomia (discriminação reversa). Poder Executivo e Poder Judiciário). . mas eles não tiveram oportunidade de escola. são destinatários do princípio da igualdade. pois já faz parte do próprio critério republicano.Eficácia vertical: todos os poderes públicos.medida imediatista e inapropriada. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. miscigenada e multicultural. quando se fala em destinatários. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. seja por particulares. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . Eles foram libertados. .favorece negros de classe média alta. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. aberta. Juridicamente falando. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição.fomenta o racismo e o ódio racial .fere o mérito. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. No Brasil. 208. . Além dessa eficácia. 113 . seja pelo governo. mas também para quem irá elaborar a lei. . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. visa compensar uma dívida histórica. atinge todos os poderes públicos . A justificativa parece não ser inconstitucional. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. CF/88. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. cientificamente falando. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . . não sendo necessária essa distinção.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. de saúde.

a lei pode estabelecer distinções. Não existem direitos absolutos. É uma denúncia feita anonimamente. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. e violou direitos de terceiros. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Ex: Lei Maria da Penha. em princípio. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. ele deve licitar. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. É livre a manifestação de pensamento. ela pressupõe responsabilidade. Logo. Se o sujeito será responsabilizado ou não. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Ex: Passeata para legalização da maconha. 100. Questão de Concurso – Cespe: No art. Basta ser um critério objetivo e para todos. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. 5º. desde que essas restrições não sejam autoritárias. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. em regra. é outra questão. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. É constitucional? Sim. Por que a Constituição. Ex: art. IV. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. etc. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. sendo vedado o anonimato. não teria sido recepcionado. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Para alguns. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Apologia ao crime é diferente disso. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. ela é constitucional. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Mas. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. desde que seja para atenuar desníveis existentes.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. O particular não é obrigado. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. O homem não é a parte mais frágil da relação. Logo em seguida. para outros teria. de expressar o pensamento. 5º. ela exerceu o seu direito. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. I. não deve ser estendida para os homens. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. segundo o professor. Não é um direito absoluto. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. discriminatórias. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. CPC – ação de alimentos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Isso significa que. mas apenas para as mulheres. o problema é dele. As provas 114 . por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. ela pode ser responsabilizada. Pode defender no plano das idéias. Protege a mulher. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa.

Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. ela deve ser protegida. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. CR. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. 2. 3. → Alguns temas polêmicos: 115 . 2. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. I. Esta liberdade está consagrada no art. e. então. A liberdade de consciência é a mais ampla. O dever funcional da autoridade é investigar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. com o advento da República. inclusive em lugar aberto ao público. Garantir a simetria da liberdade religiosa. Ex: seqüestrador escreve bilhete. desde que não viole o direito de terceiro. desde 1989 (advento da República). Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. por exemplo. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. 5º. Pode fazer um exame grafotécnico. Os templos recebem uma proteção especial. de crença e de culto. No Brasil não há uma religião oficial. ele não pode ser admitido. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. O Estado brasileiro. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Quando são produzidos pelo próprio acusado. há 02 hipóteses em que o STF admite. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Em relação ao culto. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. 19. ou de não ter crença em nada. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. o equilíbrio das religiões. pedindo resgate. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. de ter crença. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Isso significa que. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. A religião desempenha um papel fundamental. CR. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. ainda 2. Vejamos: 1. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. Para Habermas. O culto pode ser exercido em qualquer local. deve ocorrer uma “tradução institucional”. abrangendo a liberdade de crença. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. O Estado deve manter-se neutro. se não há qualquer identificação. houve a total separação entre Estado e Igreja. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. apesar de a maioria da população ser católica. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. VI. Não se pode admitir que o parlamento. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. não é o caso do Estado brasileiro. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Porém.

são culturais. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. a neutralidade do Poder Judiciário. . e não à justiça do trabalho – ☺art. e cultura é competência comum – da União. Na Alemanha. Para o prof. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Não teria sentido acabar com esses feriados. a competência é da União. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. 215. Neste caso. logo. CR). O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. VIII.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. ocorreu um caso muito semelhante. São feriados puramente religiosos. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. a competência é em relação à cultura. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. onde se tem poucas escolas boas. Entretanto. . isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. É importante respeitar o ensino de cada um. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. CR.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. 5º. então. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. Segundo o prof.. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. estados e municípios (☺art. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. o argumento supracitado não está correto. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Portanto. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. inegavelmente. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. §2º. não poderia ser confessional. §1º.. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. há algumas ações. Pode um ateu. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Mas. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. 23. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. que odeia guerra. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. O 116 . Sendo o Estado brasileiro um estado laico. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. CR). fazendo uma ponderação entre os princípios. O tribunal. Entretanto. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. políticos e religiosos.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. a escola não deve impor ao menino. 210. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. imagine uma cidade pequena. Há um trecho do livro do Dworkin. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados.

ainda. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). JAS diz que não são direitos coletivos. as pessoas se reúnem e. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Por que a CR exige prévio aviso. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Criação de associações e. 15. CR: Não é só a liberdade de se associar. tem o caráter permanente. 3. 5º. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Para que as pessoas possam se reunir. 5º. Quem fará a tradução não é a Igreja. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. desviar o trânsito. Ex: reunião de condomínio. Se não houver essa lei. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . CR. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Criação de partidos políticos. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Segundo Jean Rivero. por sua vez. A associação. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. A pessoa alega imperativo de consciência. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. XXI. Ex: fazer segurança. conforme portaria da ANVISA. XVI. essa hipótese é de representação processual. mesmo que em locais abertos ao público. Há. (Não pode reunir pessoas armadas. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. existem 2 semelhanças e 1 diferença. não é necessária a autorização estatal. O prof. elas vão embora. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. XVI. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. então. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. na forma da lei. mas os políticos. XVII e XXI. 2. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. IV). Não cumprindo com a obrigação. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Criação de sindicatos. terminada a reunião.) 2. A República é o governo das razões. CR. Ex. ☺art. não são os religiosos. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. mas direitos individuais de expressão coletiva. 5º. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. de cooperativas. etc. Liberdade de reunião. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). 5º. Caso não cumpra com a prestação alternativa. o argumento deve ser racionalmente justificado. 4. ☺ art. mas a de permanecer associado.

Só pode representar se houver autorização expressa. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Segundo JAS. 5º. A Constituição não garante o direito à propriedade. Ela só garante o direito de propriedade. Segundo ele. A associação impetra em nome próprio. 2. a função social. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. do próprio regime desse direito. tendo um menor peso na ponderação. mas sim contrárias ao direito e. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. LXX. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. Segundo o STF. no seu art. Em seguida. ter um patrimônio mínimo. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. mas faz parte da estrutura desse direito. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. O sindicato (☺art. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. Ex: Invasões de terra pelo MST. CR) quando ajuíza uma ação. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Segundo o STF. a propriedade terá uma proteção menor. XXIII. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Função Social da propriedade: A CR. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. segundo o prof. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. não impede que o direito de propriedade seja protegido. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. em seu art. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. garante o direito de propriedade. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. III. como a Constituição garante o direito de propriedade. não precisando de autorização expressa. Segundo o STF. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria.. 5º. ilegítimas. 118 . mas não pode ajuizar ADI. 5º. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. 8º. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. XXII. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). não pode existir mais de uma federação por território. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. segundo o qual. por exemplo. é mais correto. defendendo direito alheio. O que acontece é que se não cumprir a função social. É o entendimento de Daniel Sarmento. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. Se ele tem proteção. se não for atendida. pode ser dada numa Assembléia Geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. o direito de propriedade pertence ao direito público. ADC e ADPF. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. portanto. não são legítimas essas invasões. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. segundo o prof. Há um outro entendimento que. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. ☺art.

A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Propriedade Urbana: ☺art. §2º. b. 2. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. No caso de requisição. em regra. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. por ser inerente ao direito de propriedade. CF/88: Trata-se de imóvel rural. que deve ser prévia. Logo. 182. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. justa e. como um apartamento. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Na requisição. 184. normalmente. VII). É um aspecto lógico. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. IPTU progressivo no tempo. a saber: por necessidade pública. o proprietário não tem culpa. etc. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Além do caráter absoluto. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Os principais aspectos são 2. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. 5º. deverá ser em dinheiro. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. XXV) e as militares (☺art. ou por interesse social. 139. Como haverá indenização se houver dano. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. diante de uma emergência. há uma transferência compulsória da propriedade. uma escola pública. O título deve ser entregue antes da desapropriação. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. b) ☺ art. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. Propriedade Rural: ☺art. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. como decorrência do primeiro. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social.000 habitantes (§1°). 182. CR. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. só haverá indenização se houver dano. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. na desapropriação. a saber: a. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . A polícia requisitou determinadas propriedades. Vejamos abaixo. CR. mas sobre a propriedade em si. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Ex: caso de Eloá. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. Desapropriação: Diferentemente da requisição. 186. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Para atender a função social. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. A função social. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. indenização por títulos da dívida pública). Sempre haverá indenização. por utilidade pública. a indenização será sempre posterior. restringe o caráter absoluto. Sempre que há requisição. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. deve haver indenização? Não. ele não poderá ser prejudicado. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. §4º. Vejamos: a) ☺art. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação.

Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. 184.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. regra. Obs. Necessidades permanentes da sociedade. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional.o morador não pode ter outro imóvel. não podem ser adquiridos por usucapião. etc.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. 2. paga em dinheiro). 3. por ter prazo menor. PU. Confisco: No Brasil. pacífica. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. precisa recorrer ao judiciário). CR).). Na CR. Necessidades transitórias. CF/88. Para esse fim. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. ininterrupta. Só que.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. §3° e art. Requisição Refere-se a bens e serviços.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 243 da CR. Nesse caso. Só não podem ser para fins de reforma agrária. 50 hectares. parágrafo único. o imóvel deve ter.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. no máximo. Como o confisco é uma sanção. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. A Constituição não permite – ☺art.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). 120 . seja urbano ou rural. 183. Se ele tiver outro imóvel. Se ela é produtiva. CR). em Indenização posterior se houver dano. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). 250 m2. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). a propriedade não pode estar cumprindo a função social. São imunes a impostos (☺art. no máximo. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. . é porque ela está cumprindo a sua função social. sejam urbanos ou rurais. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Vejamos: . §5º. emergências da sociedade. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. possuir o imóvel como se fosse seu. os bens serão confiscados – art. 185. 5º. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). É sempre indenizável (justa. prévia e. . Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. . 191. 243. Usucapião: Na Constituição da República. não há pagamento de indenização. sem oposição. não precária.: Imóveis públicos. . O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. O confisco de propriedade está previsto no art.

a lei interpretativa retroage. não. mas deve respeitar a coisa julgada. mas que vale especificamente para o direito tributário. XXXVI. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Esta hipótese é. média e mínima. 2. outros a interpretavam de maneira (B). tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. 5º. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Em resumo. 5º e no art. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. CR). As hipóteses mais importantes são: 1. Para responder a essa questão. 106. Durante a vigência desse contrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Todas as demais o consagraram. é uma conjugação das duas anteriores. etc. b) Retroatividade benigna. na verdade. No direito penal. não era muito democrática). só que exclusiva para o direito tributário. a CR/88 entrou em vigor. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. XL. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). é necessário diferenciar duas situações. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. A garantia existe para a proteção desse direito. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. A lei interpretativa retroage. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Retroatividade da Lei Penal. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Seria correspondente à primeira hipótese. autônomo. Em regra. Alguns a interpretavam de maneira (A). Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. interpretando a lei da maneira (A). no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. 5º. inicial. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. 3. desde que seja mais benéfica para o réu. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. a regra também é a não retroatividade (art.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. a saber: 1.

automaticamente. portanto.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. até mesmo.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. haverá uma retroatividade média. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. 2. XXXVI) é lei em sentido estrito e. no caso de retroatividade mínima.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. O prof. Ex: Determinada prestação. Havendo mudança de regime jurídico. É claro que isso não é desejável. ☺Súm. coisa julgada e ato jurídico perfeito. não há posição prevalecente. Ex. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. É claro que isso não é desejável. Nesse caso. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. haverá uma retroatividade máxima. → Coisa julgada: 122 . O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. extintas. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. e não o ato exaurido. . em regra. 654 e Súm. e não as parcelas que compõem o vencimento. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Portanto. Só que para haver essa retroatividade. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Na retroatividade máxima. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. b) Retroatividade média: pode ocorrer. porque geraria uma insegurança jurídica. . A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Se a Constituição atingir essa prestação. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. mas as leis não. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. . porque geraria uma insegurança jurídica. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. 5º. e não lei em sentido restrito. Só que para haver essa retroatividade. Após a Constituição de 1988. As parcelas podem ser reduzidas e. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. através de norma de eficácia plena. dirige-se apenas ao legislador ordinário. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. ela afeta a todos. . de acordo com a legislação da época. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Antes de a prestação ser paga. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. mas isso está superado. inclusive as de ordem pública. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. será necessário que a Constituição diga expressamente. A EC poderia prejudicar direito adquirido. 473. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Se mudar o real. STF. interpreta a lei em sentido amplo. Não pode haver a redução. a Constituição da República entrou em vigor. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior.

§1º. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. e isso para muitos é um ponto negativo. A administrativa não tem essa proteção. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. Ou seja. nós deveríamos interpretar o art. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. segundo Robert Alexy. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Os princípios. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. ou seja. para dar decisões concretizando tais direitos. em sua maioria. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. Dirley Jr. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. de sociedades pluralistas. Assim. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. §1º. Por isso. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. como teórico do direito (ou seja. e pelo Min. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. e não propriamente como ministro). Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. como doutrinador. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Já os direitos sociais. 5º. independentemente da sua natureza. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Direitos Sociais: 1. 2. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. pois são mais facilmente implementados. . 5º. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. são mandados de otimização. Eros Grau. à medida que a sociedade o determine. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Mas isso não é verdade. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. 7º. b) o art. são NEL (de princípio programático).: salário mínimo). a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. exigem uma atuação positiva do Estado. do seu enunciado.☺art. mas é apenas a coisa julgada judicial.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. o que significa que possuem um caráter positivo. 5º. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. independentemente de qualquer fator. em regra. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais.. Os direitos de defesa são. por ex. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Eficácia: todo direito tem um custo. Em cada época. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. consagrados em NEP ou NEC. . No art.

Assim. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). Quando se fala em direitos sociais. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. O que se busca. Portanto. essa atuação talvez não seja tão justa. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. não geram direitos subjetivos. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. em tese. educação. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Esse entendimento já foi superado. todas. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Esses direitos sociais não teriam. legítimas (saúde. é importante definir tais critérios. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. por ex.000. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. Pedro Taques). segurança. só porque recorreram ao PJ. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. lazer. Por isso. implicitamente.).. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . que estamos buscando.). Obs. etc. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. quando foi dado um maior papel ao PJ. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. trabalho. previdência. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. normatividade. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. as normas possuem uma textura aberta. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. pois. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. Primeiramente. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. doutrinador do RS. . 3ª fase: é a fase desejável. Norma de direito social não gera direito subjetivo.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais.000. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. pois. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. A visão do juiz é bilateral. por ser norma programática. por ex.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. . Como têm apenas eficácia negativa. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. assim.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Em outros lugares. rodovias. Argumentos contrários à intervenção judicial: .

A reserva do possível. 125 . pois. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. em 1972. De se ver que quando se fala em direitos sociais. saber se a demanda é razoável. em razão do Princípio da Igualdade. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. . Assim. por isso. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). o outro cresce. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . sufrágio universal. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. não se encaixaria na realidade brasileira. eleições periódicas. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. teríamos a maior utilização das ações coletivas.Caráter normativo da constituição. Ademais. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador.Déficit democrático das instituições representativas. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. Mas. em razão das limitações orçamentárias existentes. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. É preciso. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Esses argumentos são os que devem prosperar.A democracia não é apenas vontade da maioria. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. mas a todos que se encontrem na mesma situação. ou seja. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. eles acabariam sendo inviabilizados. Não é o entendimento que prevalece. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Se um poder se encolhe. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. segundo Ingo Sarlet. inclusive a minoria. Se não se estabelecer os critérios. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. e é muito utilizada no Brasil. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Os direitos sociais estão consagrados em normas. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). entra-se muito nas questões ideológicas. . deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. no que diz respeito aos direitos sociais. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. .“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha.

que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. maior o risco de não ter efetividade. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Segundo o prof. Outros autores já falam apenas em saúde.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. mas teria um peso maior na ponderação. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Assim. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Ou seja. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. No Brasil. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. quando se estabelece o mínimo existencial. assistência em caso de necessidade. que é a corte suprema na Alemanha. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). Vejamos: 1. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. A reserva do possível é uma matéria de direito público. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Segundo Ana Paula de Barcellos.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. que existem z pessoas na mesma situação. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. que a demanda custa y. mas deve também ser provada. Segundo Ricardo Lobo Torres. é o mínimo existencial. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. etc. depende de cada época e de cada sociedade. 2. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. essa concretização. em razão de sua textura aberta. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. precisam ser concretizados. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. pelo cumprimento voluntário da constituição. Se não definir o conteúdo. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. da liberdade material e do princípio do estado social. saúde.. é o entendimento mais adequado. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. a questão da efetividade será prejudicada. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Não é o máximo desejado. por ser necessária para a 126 . A efetividade passa pela sociedade. em 1953. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. . educação e moradia. . é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Por que falamos em “mínimo”. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada.

em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Há dois posicionamentos quanto ao tema. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. §1º. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. da máxima efetividade (art. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. já dizia algo muito semelhante. Ex. irão concretizar os direitos sociais. 5º. Ele tem. históricos. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. independentemente da nacionalidade. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). JAS. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. 2) posicionamento de um autor português. língua. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. segundo ele. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. e do Estado Democrático e Social de Direito. fala-se em vedação do retrocesso social. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. pois. não pode haver uma redução dessa concretização. da dignidade da pessoa humana. Os poderes públicos. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. costumes. Pode. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. haveria um engessamento do legislador e do PE. haver uma redução do grau de concretização. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. Segundo ele. Todos que moram no Brasil. que significa nação. consciência coletiva. um pensamento mais flexível sobre o tema. Por isso. População está relacionada ao conceito demográfico. esse prazo não pode mais ser reduzido. entre eles: laços culturais. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. assim. fazem parte da população brasileira. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. o que prejudicaria a sociedade. de acordo com a necessidade. e. A partir do momento que um direito social é concretizado. só ampliado. passaria a fazer parte do próprio direito social. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. 127 . ao estudar as normas de princípios programáticos. CR). que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. estatístico. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional.

Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). não haver condenação penal e requerimento do interessado. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. II) Jus Sanguinis: ascendência. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). considera a nacionalidade dos pais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. art. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. não há direito público subjetivo. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). terá naturalidade brasileira. I. Obs. CF/88. por uma questão de soberania nacional. estrangeiros residentes. II) Naturalização expressa (art. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso.Diferenças de tratamento 128 . há direito público subjetivo do estrangeiro. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. 227. 12. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Pelo critério funcional. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. c. É o caso do Brasil. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Refere-se aos brasileiros natos. . a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. b). 112 e 115.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Se o casal estiver a serviço de outro país. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 12. o filho terá nacionalidade brasileira. I. a). adquirem a nacionalidade do país onde residem. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. de acordo com o art.815/80. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Neste caso. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. I. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. §6°. desde que haja reciprocidade. 12. De acordo com o critério sanguíneo. Refere-se aos brasileiros naturalizados. se não se manifestarem contrariamente. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados.Quase nacionalidade (art. A EC 54 alterou o art. . É geralmente adotada por países que estão em formação. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. 12. 12. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. os pais têm que ser brasileiros. Quando a pessoa é nascida no Brasil.

Os critérios utilizados são: . . 5°. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Se o estado desrespeita essa regra. . no entanto. b) 6 assentos do Conselho da República (art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). Já na entrega. Não se pode. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. não se poderá invadir esse estado. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). a ela aplica-se a súmula 1. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. CF/88). presidente da CD.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. 5°. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. 89. Mas. . confundir a súmula acima com a seguinte. Importante analisar a Súmula 421. A deportação está mais próxima da expulsão. XL. Princípios relacionados à extradição: . portanto. dependente da economia paterna. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. presidente do SF. Mas. Expulsão: consiste na retirada a forca. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. 12. . STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. do território brasileiro. 5°.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. 12.815 (ato nocivo ao interesse nacional). 12. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. §4°. §3°). A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos.segurança nacional: oficial das forças armadas. vice. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. . STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. cria-se um problema de relação internacional. CF/88): 129 .Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos.Perda da nacionalidade (art. 65 da lei 6. §2°. No caso de brasileiro naturalizado. em razão da soberania nacional.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. em razão da superioridade da Constituição. .linha sucessória do presidente da república: PR. só poderá ser extraditado: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. ou que tenha filho brasileiro.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. Na extradição. d) Extradição (art.

readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. 14. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político.é periódico: essa periodicidade do voto. e não requisitos preconceituosos. é o direito político em si. §1º). CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies.é direto: é a regra.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente.tem valor igual para todos: “one man. nacionalidade e alistamento. perderá a nacionalidade brasileira. com uma única exceção: art. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. pelo CN. . o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. . 130 . II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. inclusive sendo cláusula pétrea. com a realização de eleições periódicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. é o direito de votar (e não de ser votado). e esse país não admite dupla nacionalidade ???. Servem ao controle do próprio direito. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. o sufrágio censitário (ex. Além dessas características do voto. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). . one vote” – “one person. que exige uma alternância de poder. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. voto é o exercício desse direito. salvo se por meio de ação rescisória. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). salvo nos casos das alíneas a e b. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. one vote”. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. ou seja. 81. . A CR/88 adota o sufrágio universal. 14. Para JAS. São requisitos apenas técnico-formais. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. Direitos Políticos: . Só se aplica ao brasileiro naturalizado. caput). §1º. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. na forma da lei (que ainda não existe). Características que o voto possui no Brasil: . Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art.

☺ar. §5º . 14. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. §8º). §1º). assim. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. filiação partidária. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. os inalistáveis são os estrangeiros. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. é o direito da pessoa ser votada. . §3º. que geralmente admitem desincompatibilização. domicílio eleitoral na circunscrição. . trata-se de lei ordinária. Primeiramente. No Brasil. 14. §3º? Segundo o STF. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). ou seja. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin.☺§3º. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). ou seja. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. Assim. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. até que se atinja a plena cidadania. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). 14. do art. no governo de SP). depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. com exceção dos portugueses equiparados.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. Ex. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. 12. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). 14). 14 traz um questionamento. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. §7º . Mas o §9º do art. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). 14. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. em caso de reeleição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. 14. Além dessas condições relativas à idade mínima. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. a inelegibilidade em relação aos militares (art.é conhecida como inelegibilidade reflexa. Quando a Constituição fala apenas em lei. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. salvo se já titular do cargo. dentistas. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. ela é adquirida progressivamente. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). etc. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. 14. no caso do art. então. se houver reciprocidade (art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. 15. portanto. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 132 . III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. Todas as outras hipóteses do art. não há como readquirir os direitos políticos). A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. A doutrina (JAS. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. o prof. Com base nessa distinção. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. 15. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. 15 (incisos II. Kildare. é algo temporário. nos termos do art. I. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. mas o prof. 5º. seus parentes também poderiam ser candidatos. VIII). e quanto a isso não há divergência doutrinária. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. III e V) são hipóteses de suspensão.

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