Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

br

Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

3

a defesa da Constituição. no fundo. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. O conceito de constitucionalismo transporta. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. e que se encontra acima dos detentores do poder. do estado e das instituições democráticas. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. mas também de outros assuntos. É. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. um claro juízo de valor. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. em sentido jurídico. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Neste sentido. 4 . E para isso. Numa vertente mais restrita. como o inglês.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. reporta-se a um sistema normativo. o americano e o francês. sociologicamente. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. então. como sociológica: “em termos jurídicos. os fins socioeconômicos do Estado. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. assim. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. por seu turno. e. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. numa terceira acepção possível. Partindo. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. o local e a época. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. enfeixado na Constituição. em especial limitar o poder arbitrário. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Kildare Gonçalves Carvalho. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. mas proteger direitos. Tem-se utilizado. Numa segunda acepção. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. uma teoria normativa da política. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais.

Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Atribui competências aos três poderes. em 1787. Influenciaram o direito francês e americano. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Governo limitado. em 1791. b. • Separação dos poderes. (Livro do Alexandre de Morais). EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Grécia antiga: democracia constitucional. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Como ressaltado por Jorge Miranda. como e até onde pode mandar. ii. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. A democracia é a representação da vontade da maioria. 2. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. ii. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). b.surgiu em substituição ao governo dos homens. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Foi a mais avançada forma de governo. a. integram-no. c. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. porém. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. desde logo. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Estado Hebreu: estado teocrático. 1. Foi uma retrospectiva do direito Grego. d. se contrapõe ao absolutismo. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Estabelece as regras do jogo político. quem. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Hoje. Por isso. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. fases pelas quais passou a constituição. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. e da França. Garantia jurisdicional. a partir da Revolução Francesa. • Princípio do governo limitado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Roma: idéia de liberdade. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Foi a 1ª experiência constitucional. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. após a Independência das 13 Colônias.

as constituições tinham caráter mais político. b. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Constituições da democracia racionalizada. ii. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Constituições da democracia social. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Separação de poderes. direitos fundamentais. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. ligada à idéia de liberdade. XX). na época das Revoluções Liberais. estabelecendo diretrizes. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Começou a se falar em um direito moral. estabelecidos pela Constituição. PE e PJ). As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. sem força vinculante. Constituições de países subdesenvolvidos. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. havia regras. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Segundo a tradição francesa. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Idéias principais: i. c. Constituições da democracia marxista ou socialista. Força normativa da constituição: antes. 4. aplica-se a analogia. as quais são denominadas por pós-positivismo. 3. os costumes 6 . O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. A partir dessas novas idéias. a maioria da nação. ou seja. estarão subordinados a ela. c. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Ex. O ser humano é um fim em si mesmo. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Garantia de direitos. Hoje. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Novas idéias foram surgindo. Eram apenas uma diretriz. a. b. XIX. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. diretrizes. Rússia. foi o Abade Sieyès. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Todos os poderes constituídos (PL. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. d.

verticalização. • • 5. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Para Barroso. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. é o judiciário. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Na Itália. c. Na jurisprudência do STF. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Consenso. Não se aplica diretamente a constituição.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Ele atua como legislador negativo e positivo.. Entre uma regra específica e um princípio geral. Mas essa é uma posição muito radical. aborto no caso da acrania. Teoria Concretista Geral. etc. mas quem dirá o que ela é. 7 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). b. g. espuma do chopp. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. pois esta é a concretização de um princípio geral. Para Paulo Bonavides. são aplicados através de ponderação entre os princípios. de uma forma geral. Constitucionalismo do futuro. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Quando o legislativo é fraco. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. cotas em universidades. Eles são importantes. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. f. união homoafetiva. Continuidade. tratado internacional tinha status de lei ordinária. fidelidade partidária. Participação. Universalização. Hoje. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. os princípios. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. o judiciário aumenta sua força. Verdade. demarcação de reservas indígenas. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. etc. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Solidariedade. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. há uma euforia dos princípios. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Ex. EUA: nós estamos submetidos à constituição. que é aplicada mais às regras. Hoje. Integração. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Os princípios. d. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. aplica-se a regra específica. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). e.  Aplicação direta da constituição. é o juiz.

Podemos falar. com valor igual para todos. CR). os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). o exercício deste poder. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . então. Carta outorgada por Carlos II (1662).U. Como regra. O titular do poder é o povo. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. de soberania popular. CR) e. Contratos de colonização. verdadeiro sistema híbrido.709/98 (que regulamentou o art. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. dá-se através dos representantes do povo. que são os deputados federais (âmbito federal). de acordo com o art. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. referendo e iniciativa popular”. a continuidade. Assim. do art. de forma expressa. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 14. Petition of Rights de 1628. concretizando a soberania popular. caput. II e III. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. 1º. cujo titular é o povo. a verdade. a participação. por intermédio de seus representantes. Fundamental Orders of Connecticut (1662). pertinentes. a solidariedade. Compact (1620). 1º da Lei 9. CR. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Habeas Corpus Act de 1679. o P. que. Bill of Rights de 1689. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. mediante: plebiscito. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Vale dizer. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Act of Settlement de 1701. 46. I. segundo o art. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. nos termos desta Constituição”. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776).

→ Segundo Hans Kelsen. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. com exceção do Preâmbulo. 1°. que adota o conceito decisionista de constituição. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita.. mas apenas leis constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Segundo ele. 242. Esta é a concepção que hoje prevalece. mas materialmente distintas. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. os direitos fundamentais. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. como por ex. portanto. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. é vinculante e obrigatória. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Essas normas são programáticas. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. o restante. têm a mesma forma de elaboração). é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). Esta concepção atualmente é inadmissível. PJ. na política ou na filosofia). Toda a Constituição. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. caso contrário. A Constituição Escrita. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). ou seja. Para entender tal concepção. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. ou seja. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada).: art. §2º. Constituição e leis constitucionais são. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. que surgiram com as constituições mais prolixas. A conferência realizada por ele. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). quando não corresponde à Real. PL. o caráter normativo e vinculante da Constituição. As leis constitucionais são todo o restante. não passaria de uma simples “folha de papel”. a Constituição é norma pura. para ele. a que Carl Schmitt chama de Constituição. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. O art. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. conforme o prisma de análise. na sociologia. O fundamento da constituição está nos fatores sociais.

tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. Ou seja.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. segundo esta concepção. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). não está escrita.Povo. não introduz nenhuma novidade. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. quais sejam: . . a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). ao mesmo tempo. posta pelo Estado). é a Constituição escrita (CR/88).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . modificando-a. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. define tais elementos estruturais. . seja pela introdução de novos elementos através de emendas. é uma norma pressuposta. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e.Soberania. 10 . Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. A CR/88. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. condicionante desta mesma cultura. Seu único comando. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade.Território. é: todos devem obedecer a Constituição. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Gilmar Mendes). é apenas uma pressuposição. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. neste sentido. qual seja. . . portanto. todos os setores da vida social. ela não existe na realidade. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. mas que trata de todos os aspectos. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). e também jurídico.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. por isso não tem nenhum expoente específico. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. a Constituição tem sim fundamento sociológico. é um elemento conformador.Finalidade. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário.

a constituição não se torna democrática. o apelido de “Cartas Constitucionais”. ou variadas): ex. consuetudinária (não é escrita). pois toda constituição é escrita e não-escrita. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.não codificadas (ou legais. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. a classificação irá ajudar a compreender a constituição.democrática. .não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. por alguns estudiosos.. Ex. 1967. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). como por ex. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). trata-se de modalidade anacrônica.. Nesse caso. toda Constituição histórica é costumeira. de uma só vez. Obs.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. É uma aprovação simbólica). dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. . 4) *Quanto ao modo de elaboração: . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. No Brasil. podendo ser: . O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. não surge de uma só vez em um só momento. surge em um só momento. 3) Quanto à origem: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. é fruto das idéias. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. . e como é bastante prolixa.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. 1937.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. tem também vários documentos escritos. . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Por isso mesmo. a Constituição Inglesa. 11 . por ex. há pouco espaço para se ter costumes como regras. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. . de maneira unilateral. promulgada. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição.dogmática: sempre escrita. votada.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. as constituições outorgadas foram as de 1824. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada).outorgada: é a constituição imposta.: as constituições outorgadas recebem. Constituição Espanhola/1930. quem vota a matéria são as lideranças.

Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Em 2000. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. como é o caso da CR/88. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . sendo assim. ou seja.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. sucintas. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. São chamadas também de clássicas. sem se preocupar com os detalhes.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. portanto muito difícil de serem modificadas. mas sim o processo mais dificultoso. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .: art.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).fixas: não poderiam ser modificadas. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. Por este motivo. CR). Ex. . Ex. . É uma constituição em sentido material. inclusive a CR/88).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Ex. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex.: a Constituição dos EUA). independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional).) . Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. deixou de ser considerada flexível. (Obs.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. É uma constituição em sentido formal. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Constituição Inglesa. Como se submete a esse tratado internacional. .semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. . passou a haver hierarquia entre as normas. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. . por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. 1º. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. É uma classificação típica das constituições costumeiras. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Não existe controle de constitucionalidade das leis.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988.

13 . QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). e não de apenas uma ideologia. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. prolixa. pois valem a todos os entes federados. o Estados. como por ex. porque é fruto de várias ideologias. Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Históricas. votadas ou promulgadas). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). . Ex. o Municípios. 59 e segs. formal. costumeiras ou consuetudinárias). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. o DF. União. o União. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). dogmáticas. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Democráticas (populares. Flexíveis (ou plásticas). (processo legislativo). básicas ou clássicas). rígida (ou super-rígida). CR. Característica das constituições clássicas. dogmática. É a CR/88. mas sim uma obrigatoriedade!). Fixas. Constituição em sentido formal. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). sucintas. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). que surgiram com um objetivo pré-definido.: a CR/88 é ainda Eclética. OBS. Não-escritas (inorgânicas. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Rígidas. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Ecléticas. Constituição programática (ou dirigente).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof.: art. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). democrática. sumárias. Pactuadas (ou pactuais). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. 3º. codificada. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União.: art.

DL e Resoluções – ☺art. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras.343/SP. Para que exista supremacia formal. as medidas provisórias. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. CR). as derivadas (art. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. Leis Delegadas. o indireto. 59. a Constituição. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. princípios ou regras. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. obrigatoriamente escrita. ordinárias e complementares). Importa dizer. 59.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. as leis delegadas. se tiver também supremacia formal. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. II a VII). §3º). O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. por 3 níveis hierárquicos. MP. basicamente. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. uma Constituição só possui relevância sociológica. a Constituição tem que ser rígida. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. 59. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. por ser rígida. No entanto. que existem como complementação dos ANP). LC. estaduais. tem de ser. cujo fundamento de validade são as leis e. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. distritais e municipais.: decretos e regulamentos. que a CR/88. 5º. direitos fundamentais ou não. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . encontram-se as normas constitucionais originárias. para fins de controle de constitucionalidade. porque os princípios têm maior amplitude. enquanto as regras são mais específicas. No topo. sejam elas originárias ou derivadas.

mas somente uma recomendação. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO.☺Art. Leis delegadas. Lei ordinária Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. 69. Cabe controle de legalidade (discussão incidental).status constitucional.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. 69. OBS: O art. Não varia. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. 47. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Anotar como complemento posteriormente. Portanto. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Residual. por uma questão de economia legislativa.☺Art. que regula a LC. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Por ser uma matéria reservada. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. No caso da prisão civil por dívida. No entanto. MPs. 47 é a regra geral. Reservada pela CR/88. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . a previsão constitucional exige complementação. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Essa aprovação não é obrigatória. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Quando não exigir LC. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). é sempre o mesmo número ☺Art.

no caso de repartição vertical. CR. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Assim. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. pois não está ligada diretamente à Constituição. E. 30 (assunto de interesse local). 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. III. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. 25. DF). há hierarquia. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. como o controle exercido será de constitucionalidade. 16 . • Estado – ☺Art. conforme previsto no art. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). 21. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. a competência para resolução é do STF. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. Assim. 102. não cabe ADIN. Hierarquia entre Lei Federal. assim.: lei estadual trata de matéria de competência da União). Havendo conflito (ex. d. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). • União – ☺Arts. Parei aqui. ☺Art. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis.

quando são equivalentes às EC. ou seja. . Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Como não tem caráter normativo. como para Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. Refere-se. . mas também o preâmbulo. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. Tirando o preâmbulo. é diretriz hermenêutica. os TI de direitos humanos. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. tem função interpretativa). o CDC. Assim. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Abrangeria não somente a constituição. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. para alguns é amplo e para outro é mais restrito.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. deve estar inserida no texto da CR. visando assegurar a supremacia da constituição. etc. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. b) Parte permanente = normas gerais – arts. seja uma norma de referência para ele.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. .Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). portanto. Não existe. contudo. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. 17 . Com a EC/45. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade.

A omissão parcial nada mais é que uma ação. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. Ex. ocorre. 5° a 17).Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. 4 e 5. não será cabível mandado de injunção. Obs. ou seja. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. No STF. há uma divergência na doutrina. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Aqui.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. 5. 154. ADI. Assim. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . 61.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. §1º. Não Auto-executável.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo.de princípio institutivo (Obs. quando não é respeitada uma norma de competência.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade.: a Súm. Ex.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. o Min. Pode ser: . I – que exige LC para instituir impostos residuais). Formas de Inconstitucionalidade: 3. pois.de princípio programático. CR). não pode ser suprido pela sua sanção). não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. Ex. e Não Bastante em Si. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. 18 .: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. ou seja. aliás. AIO. MI. as Súm. às vezes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Ou seja. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. . Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. (Obs. Não Auto-aplicável. 3. Dependem do prisma de observação. Assim. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). mas caberá ADIN por omissão). ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. ADC e ADPF. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. se considerar em relação a uma expressão é total.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. 3. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. 3. mas o prof. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. STF não é mais aplicada. .: competência privativa do PR (☺art. art.

Obs. Assim. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. refere-se. b. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. como altera sentido do texto. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. já sendo inconstitucional desde a sua origem. não se trata de revogação. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. pois. no controle concentrado abstrato. No caso do decreto. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. No caso da lei. de ofício ou a requerimento da parte. CR. a inconstitucionalidade será indireta. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. e grande parte da doutrina. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. decretos regulamentares. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. Para o prof. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. Segundo STF. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. o que houve foi um desrespeito à Constituição. pode ser questionado. o decreto se torna inconstitucional. que só pode atingir todo artigo. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Ex.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. 3. ou seja. a inconstitucionalidade será direta. não pode ser retirada). § 2°).4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Quando se fala em inconstitucionalidade. ato originariamente constitucional. Pode ser: b. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). que se ligam indiretamente à constituição. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. 66. Ex. aos Atos Normativos Primários. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Relaciona-se.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Se o decreto é ilegal. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. todo parágrafo. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88).: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. ou seja. reflexamente (ou de maneira 19 . atos previstos no art.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). não podendo incidir sobre parte do dispositivo. 59. toda alínea ou todo inciso (☺art.: a palavra “não”.

bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. como pelo PE e PJ: . portanto. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. porque ele é o único que participa do processo legislativo. porque o ato não fere diretamente a CR). Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. porque o chefe do PE. assim. a inconstitucionalidade será direta.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. é excepcional. é fundamento de validade direto e no 2° caso. já que de maneira indireta. ela não está violando o direito de ninguém).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. .Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. O veto tem que ser expresso. O chefe do PE. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. Obs. segundo o STF. tem fundamento de validade indireto. . a inconstitucionalidade é indireta.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. se ele entender que o projeto é inconstitucional. IV.. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. promulgar e fazer publicar as leis. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).ou concreto. quando ele participa do processo legislativo. O veto é relativo. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). não pode impetrar o MS. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. Art. §2º. mas sim analisar cada caso concreto. OBS: não adianta decorar o nome do ato. parágrafo. 66. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. o projeto 20 . para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. 66. EX:art. CR). viola o art. mas uma mera análise política. IV . CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. que se exerce através do veto (☺art. ele não precisaria impetrar o MS. 84. embora participe do processo legislativo. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. pois pode ser derrubado (☺art. O único legitimado para impetrar esse MS.sancionar. Trata se de um controle incidental.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). prevenir que a CR seja violada. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. 84. Caso contrário. inciso ou alínea). por isso ocorre antes da promulgação da lei. por isso aqui não há que se falar em controle). CR. 60 parag 4. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. No 1° caso.

Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. mormente. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. na qual o projeto esteja tramitando. somente o Deputado Estadual. ☺art. interpretações regimentais. Legislativo? Sim. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. 168): o STF. Ademais. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. vedando-se. Se o projeto tramita na CD. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. universal e periódico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei.. ADC ou ADPF. etc. não lhe cabendo. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. No entanto. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). 49. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. a fim de repará-la. tendo como objeto esse Dec. e as normas do RI são questões interna corporis). um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. Na verdade. 21 .. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. que é o chamado Decreto Legislativo. aos direitos fundamentais”. V. a separação dos poderes. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. o voto direto. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. que. desta feita. por maioria de votos. Leitura do livro do Lenza (pág. mas um processo legislativo constitucional. pode ajuizar uma ADI. os direitos e garantias individuais” – ou seja. ou seja. vinculam os atos e procedimentos legislativos. 60. Questão: o PR. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . Assim. §4º. se está no Senado. CR. na linha do voto de Gilmar Mendes. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo).sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. muito embora não sejam formalmente constitucionais. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. as cláusulas pétreas. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. o Senador. V . o PR elaborará então a LD. secreto. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. 68. em um primeiro momento. se na Assembléia Legislativa.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. que entende que “. contudo. já que trata-se de um ato normativo. constituindo-se normas constitucionais interpostas. pois não se trata de ato normativo.

não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. pois. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência.084). pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. tampouco que o PR. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). esse rol foi ampliado. pode o PJ analisar tais pressupostos. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). 62.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. não é um entendimento consolidado. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. 4. quando. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. . II) art. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Assim. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . ajuizar uma ADI. ela deve ser objeto de controle. ao fazer um Decreto Regulamentar. . somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico).Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. Ele será. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex.. GE. nesse caso o CN pode editar um Dec. CR). Após a CR/88. exorbita os limites do Poder Regulamentar. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). já no STJ não há qualquer ressalva. simultaneamente. é necessário fazer-se um controle repressivo). Antes da CR/88. ao negar cumprimento à lei. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. mas segundo o Min.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). Obs. mas tão somente aos prefeitos. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. 71. segundo o STF? Resposta: em regra. ou seja. não havia relevância alguma). O chefe do PE (e só ele – PR. Desde já. o chefe do PE teria que. no exercício de suas atribuições. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. Como compatibilizar o crime de responsabilidade.. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. III) Súmula 347. Não se analisa o mérito da MP). Apenas excepcionalmente. nesse caso. porém.. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. STF: o Tribunal de Contas. Legislativo para sustar. O TC é órgão auxiliar do PL (art. clara e evidente – ou seja. estudado de forma detalhada a seguir. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. 84. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). através da edição de um Decreto. por ex. IV. No entanto. Gilmar Mendes. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. CR). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.

Primeiro caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação.: na Suíça. o controle é feito pelo PL. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). haviam sido feitas apenas 16 EC. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. em 1803. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. 4. se se tratar de lei local. com 19 anos de Constituição. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. que completa este ano 20. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. porque surgiu na Áustria. e é adotado pela maioria dos países europeus.: França – que tem o Conselho Constitucional. já na CR/88. para não gerar essa confusão. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. 1792 Hayburn s case. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). já foram feitas 56 EC! 23 . É também chamado de controle aberto. Por isso. isso não é verdade.Hilton x U. Ex. Por isso. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. interessante: em 1965. porque surgiu nos EUA. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). Obs. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. quem exerce o controle é o PJ. dentro de sua competência. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). inclusive o STF). ou seja. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. Segundo caso.S. em 1920 (bem depois do controle difuso).A. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. ao mesmo tempo. porque significam coisas diferentes!). O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. No Brasil. mas das espécies de controle. difuso e concentrado). em se tratando de lei nacional.

porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. 102. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. ou seja. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Segundo este instituto. No direito brasileiro. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). ou tendência de verticalização. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. Com base nesse argumento. o principal defensor dessa tendência é o Min. Por isso o Min. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. Gilmar Mendes. mas deve ser estendido ao controle concreto). Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Da mesma forma. porque em estando revogada.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). A análise da lei sempre será feita em tese. nos EUA chamado de “Binding Effect”. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. e a partir desse antecedente. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). mas tão somente de controle concreto. No Brasil. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. também não podem ser objeto de controle abstrato. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. (O STF é o guardião da CR – art. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. sendo o controle 24 . segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. já não ameaça mais a supremacia da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Este efeito é típico do controle abstrato. é proteger as normas da CR. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. se fala em efeito vertical. por ser uma relação vertical. O efeito vertical. 97. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). A finalidade não se confunde com a competência. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público).

só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. em seu voto. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Por fim. pelo menos por parte de alguns ministros. Antes. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. CR. sendo acompanhado pelo Min. houve decisões proferidas em 3 MI (712. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. Assim. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. sem que ocorra modificação no seu texto. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. ou seja. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. O Relator da Reclamação foi o Min. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. do PL. Gilmar Mendes. se assim fosse. ou seja. No Legislativo: Mas. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. segundo ele. viola o princípio da igualdade. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. No Acre. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). ou seja. X. não uma simples mutação. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. 25 . no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Então o Min. que deu provimento à reclamação. Gilmar Mendes. Pois no controle difuso. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. como a decisão tem efeitos inter partes. não há necessidade da suspensão pelo Senado. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Outra situação interessante foi o RE 197. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. não permite essa mutação). Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. Na decisão do STF. 4. E. Por fim. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. e não erga omnes. ou seja. Assim. Eros Grau. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Não houve reclamação quanto a essa decisão. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. o direito de greve dos servidores públicos.959/SP.917/SP. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Gilmar Mendes (e também o Min. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). Então. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. tendo efeito apenas inter partes. ainda. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. 52. o Min. em ocorrendo isso. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. então não sabemos a posição dos demais ministros.335/AC).

atualmente. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. a rigor. não é o objeto principal do pedido. fundamentação e dispositivo. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. político ou jurídico. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. Caso contrário o STF não vai admitir o RE.418/06). Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). (☺ Lei 11. somando-se os votos de todos eles. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. 103-A). todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. analisado no dispositivo (conseqüente). Segundo Eduardo Appio. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Contrários a essa tendência de abstrativização. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. 26 .art. o que se dá no “plenário virtual”.417/0 e Lei 11. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. não tem natureza processual como as súmulas comuns. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. concorda com isso). A repercussão geral (art. eles não se reúnem fisicamente. O RE. estão os procedimentalistas. por sua vez.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. não cabe ao STF analisar. O papel do STF não é julgar litígios individuais.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. Num segundo momento (conseqüente). O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. ou seja. social. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. A súmula vinculante tem natureza constitucional. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. mas apenas a causa de pedir (antecedente). 102. julgando-o procedente ou improcedente. é um instrumento de controle concreto e há. § 3°. é uma questão incidental. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. No controle concreto. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. pois tem o papel de guardião da Constituição. não precisam chegar até o STF. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. por estarem mais próximos dos indivíduos.

I. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.: . A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. 102.882/99 – ADPF. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . P. art. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. sejam particulares. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. conforme está previsto no caput do art. não determinantes para a decisão) não vinculam. 5. . → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.EC 45/04: art.868/99 – Lei da ADI e da ADC. 102. 27 . e ele se encontra no Dispositivo. mas tão somente a ratio decidendi. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. eles também são vinculantes. sejam poderes públicos. questões ditas de passagem. Dispositivo L. ou seja. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. secundárias do julgado. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. . . a razão determinante da decisão.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . . O próprio STF já proferiu decisões divergentes.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. há previsão não só na lei como também na CR). Mas não é tudo da fundamentação que vincula. §2º. a chamada eficácia vinculante.Lei 9. Ademais.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. mas também à fundamentação. Sendo assim. 28. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.U.erga omnes . §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. art. 10. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.Lei 9. . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.vinculante.

(20/03/09) 5. até que o PJ a declare inconstitucional.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. É um entendimento que vem desde 1. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. já os órgãos fracionários do STF. . outros dizem ser nulo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . e outros dizem ser um ato anulável. mesmo que não tenham sido impugnadas. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. .: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. como a coisa julgada. Por este entendimento. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. inclusive os chefes do PE.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. que se quiser. mas sim fiscalizatória. a função legislativa). por sua vez. estadual e municipal). impedida de evoluir). cuja função não é legislativa. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Só atinge a norma impugnada. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. inclusive o Tribunal de Contas. suas turmas e seus ministros.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. também fica vinculado). pode modificar seu entendimento.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. no caso Marbury x Madison). Respeitando o efeito vinculante. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares.o PL (na verdade. . O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. mas os sistemas de preclusão processual. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. 28 . pois atinge apenas o dispositivo. No entanto. segundo o prof. se as leis devem ser cumpridas. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. estes estarão sim vinculados). Obs. . .

.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. 27). 27. Lei 9. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. . como regra é retroativo: ex tunc. ☺RE 197. Exs.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade..). restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. o Min. Mas. com seus normais efeitos ex tunc. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.Normas anteriores à CR. como a Lei 9. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. os efeitos são erga omnes). assim. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. como os servidores agiram de boa-fé. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. porque o ato é nulo desde a sua origem. Assim.882/92 (art. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. não precisariam deixar os cargos. que revogou a Lei A. etc. e não no de não-recepção). não admite a “constitucionalização superveniente”. 11). resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. no caso do controle abstrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). por questão de segurança jurídica. com inteiro teor).868/92 (art. decidiu que. o efeito que produzirá. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. ☺art. o STF. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).” . porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). portanto. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. ou 2) excepcional interesse social.112/90. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. O STF. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. portanto. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). poderá o STF. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.. Visto a natureza do ato inconstitucional.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais.)”. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Ou seja. Neste caso. autor e réu.

prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. CPP. ela progressivamente se tornará inconstitucional). . Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. mas nem sempre. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. entende-se que a norma (B) é inconstitucional.O Tribunal não precisaria 30 . portanto. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. o resultado será o mesmo. Em alguns casos. constitucionalidade. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. com um só sentido). mas sua interpretação). portanto. era uma questão “obter dictum”. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. 5. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. .Corresponde a um juízo de . Segundo o STF. Ex. CR x art. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. evitando a inconstitucionalidade progressiva.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. mas. de fato. portanto foi recepcionada. não foram todos os ministros que se manifestaram). que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. chamada “Apelo ao Legislador”.2: art.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.O Tribunal precisaria observar . quanto . (A norma já passou pelo crivo da constituição. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. à medida que a situação fática for alterada. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. um significado A e um B. 68. Assim. 134. que trata da ação de reparação ex delicto. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010.Corresponde a um juízo de . controle difuso-concreto. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. e a norma já foi recepcionada pela CR e. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . Ex. assim. depois de ter sido recepcionada. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. reproduzida pelo STF). há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. com condições de trabalho iguais às do MP. quando todos os Estados tiverem DP. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva.: a norma x tem dois significados possíveis. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. o prof. para que este corrija a norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. ex. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico).

se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. se o art. mesmo que não tenha sido questionado. declarar a inconstitucionalidade.É permitida uma interpretação e. 2º. dentro de uma mesma lei). o texto da norma. . .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. a cláusula de reserva de plenário. 1º e 3º e. se for um dispositivo autônomo. e são permitidas as demais. ou todo o artigo. ser objeto de ADI. de ofício. portanto. da Lei x. não poderá.É uma técnica de decisão judicial. Ocorre que. . Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. esta só se faz necessária quando se afasta. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. b. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. do art. 1º e 3º. desde que não altere o sentido do restante da norma. são excluídas as demais. o juiz não pode.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. de ofício. no controle concreto. nem sobre os demais. 1º ou do art. no controle concreto. 97). se manifestar de ofício sobre o art.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. em razão do Princípio da inércia. total ou parcialmente. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. portanto. O STF. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. . . Trata-se de controle abstrato. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). . O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo).É excluída uma determinada interpretação. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. . 2º. não podendo. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. Assim.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. (*) Para o STF. por arrastamento.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. em regra. ou seja. 2º for dependente do art. b) Com redução de texto: b. 3º. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. em princípio. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. como ambas são equivalentes.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). Há um Decreto que está regulamentando esta lei. Na declaração com redução de texto. no controle abstrato. o juiz pode. observar a cláusula da reserva de plenário (*). Obs. 2º.Não há qualquer modificação no texto da norma.

ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. apesar de sozinho não ter aplicação. mas também quando há usurpação da competência do STF). ACP para fechamento dos bingos. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Ou seja. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. Sobre o tema: 32 . nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. julga também inconstitucional o decreto. e por arrastamento. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Assim. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. neste caso. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. dentre elas a ACP. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. No Brasil. julgará procedente ou improcedente o pedido. ADCe ADPF). O dispositivo. O pedido será a proteção de direitos. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. mas apenas a causa de pedir. Contudo.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). de ofício. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). todo controle difuso é concreto. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Neste caso. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. Mas nem todo controle concreto é difuso. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. portanto. Obs. já que o STF pode. pois será uma questão discutida incidentalmente. porque. portanto. Ex. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. mas é que esta não é necessária. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical.

Assim. 93. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. por entendê-la inconstitucional (inter partes). Segundo esta cláusula. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. 33 . nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. assim. por meio da ACP. o que só se pode obter por meio de ADI. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. conseqüentemente. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. STJ ☺ Resp. no âmbito dos Tribunais. Assim. 97. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. 294. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. e no mínimo 11 membros. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. por exemplo. desde que. Assim. que é função legislativa. porém. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI).022. porém. XI – órgão especial: para que seja criado. 557. ☺art. que é função política. dotada de caráter de universalidade e abstração”. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI.159. pois. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). elaboração de Regimento Interno. no caso. STJ ☺ RE 227. na prática. 97.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. No tocante. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha.: eleição do Presidente do tribunal. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. Os juízes singulares podem. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. as chamadas leis de efeitos concretos. teremos uma lei material. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). Regra da “full bench”. porém. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança.646. é função possível de ser delegada. os Tribunais não têm admitido que. que é mais de 50% dos presentes). Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. não pode ser delegada. por ex. em defesa de contribuintes.. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). de efeitos concretos. Em outras palavras. também não pode ser delegada). Nada impede. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional.

não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). será lavrado o acórdão. CPC) seria inconstitucional: o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. no entanto. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade.. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Há quem critique tais exceções. prosseguirá o julgamento. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. se for acolhida.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. como guardião da CR. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. .U. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. 481.. abstratamente. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). sabe-se que o STF é o guardião da CR. Quanto à 2ª exceção. 481. 34 . Exceções: P. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. assim. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. a argüição de inconstitucionalidade (. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. 97. Há uma repartição funcional de competências. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. se existir no Tribunal. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão).. de acordo com o posicionamento do STF. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. P. ☺art. Assim. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. O professor não concorda. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. porque para o STF ambas são equivalentes. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). ou em caso de interpretação conforme. ao órgão especial). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. podendo decidir o caso concreto.U. Decidido o antecedente. sob o argumento de que o dispositivo (art. se entender que a lei é inconstitucional. pela maioria dos seus membros.

quando isso ocorre. trata-se de uma competência exclusiva. sustentam que o efeito é ex tunc. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). Efeitos. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. se assim o fosse ela já seria vinculante). É o entendimento mais correto. O STF já admitia essas duas exceções. RISTF. O SF não é obrigado a suspender. o SF não pode suspender toda a lei. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. em regra. O SF apenas suspende a lei. CR – compete privativamente ao SF suspender. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. X. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. A cláusula vale também para o controle concentrado. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. no todo ou em parte. Ou seja. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. que não comporta delegação. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. esta decisão deve ser submetida ao plenário. 52. a lei deixa de ser aplicada. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. entendem que se trata de um ato discricionário. Ademais. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. 178. 2) Outros autores. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. Quando o SF suspende a lei. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. Na verdade. portanto. 35 . não estando vinculado à decisão do STF. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). por isso o faz dali em diante. que não pode ser retroativa. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. bem como ou STF. passa a ter efeito erga omnes. Outros autores. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. A suspensão se dá através de uma Resolução. art. a decisão do STF. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. ela se refere à decisão do STF. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. ou seja. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. como se tratasse de uma revogação.

mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. ou seja. Ressalta que a letra da norma (art. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. está fazendo uma análise. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . cabe. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. 61: iniciativa do presidente. em razão do princípio da simetria. deve-se recorrer ao entendimento do STF. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. O SF. Gilmar Mendes. Segundo o STF. segundo o Min. mas. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. esse entendimento é desejável. etc. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. e se o STF. pela simetria deve ser atribuída ao governador. desta decisão proferida pelo TJ. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. se for apenas uma parte. Segundo o professor. 59 e segs. não havendo a necessidade de suspensão da lei. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Nas situações em que o TJ julga. no controle difuso-concreto. Art. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. o que. Mas. LC. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. normas referentes ao TCU. a partir do momento que resolve fazê-lo. por ser um órgão do PL Federal. esta norma não é de observância obrigatória. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. CR: prevê o escrutínio secreto. não se referem ao âmbito estadual e municipal. um RE para o STF. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. 66. obrigatoriamente. cujo modelo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. a resposta é negativa. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). 57. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). se toda a lei foi declarada inconstitucional. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Por isso. Neste caso. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. já o SF não. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. já que o SF não atua de forma correta. requisitos para a criação de CPI. configuraria uma mutação constitucional. É uma construção da jurisprudência do STF. CR) não comporta este entendimento. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. LO. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. CR. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. 178. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. §4°. Art. Na ADPF este fenômeno também é possível. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. sendo norma de observância obrigatória. RISTF) – e isso é óbvio. 52.

a suspensão.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. Sabe-se. 19. outros 37 . Quando o SF suspende os efeitos da lei. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. 37. o SF teria um número enorme de representantes). por não existir uma federação de municípios. É também uma lei emanada do CN. 52. visto que. ele está atuando como órgão de caráter nacional. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). retirando a lei do ordenamento jurídico. quando o SF atua. mas não trata apenas dos interesses da União. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal.: Lei 8. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). porém. CR). Quando o SF atua como órgão federal. Classificação de Osvaldo Aranha B. como aos Estados. também. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. do DF e até municipais. ADC ou ADPF). mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Ex. que deve ser observado no âmbito federal. no controle abstrato (ADI. sendo específica para os servidores públicos civis da União. portanto. só se aplicando ao âmbito federal). etc. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. não havendo. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. por isso pode suspender lei estadual e municipal. se aplicando ao âmbito federal. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. Assim. está defendendo interesses apenas da União. da organização da União. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional.: arts. estadual. X. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). §3º. pelo Senado Federal.” Análise do enunciado pelo prof. 58. Ex. no todo ou em parte.: CTN. estadual e municipal. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Ex. assim.). 59. distrital e municipal). ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. por isso pode suspender leis também dos Estados. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. São os dispositivos que se referem tanto à União. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. os que tratam do TCU. art. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução.: art. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União.

TO. Portanto. da AP Federal direta e indireta. 2º grupo: . em decisão definitiva. os dois tipos são constitucionais. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2.346. . não retroativos).346. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). RN. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. é sempre a AL que suspende a lei. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. 38 . os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). visto que. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. na sua esfera de competência. de 10/10/1997. pró-ativos (ex nunc). SE e AM. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. por força do referido Decreto nº 2. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. no âmbito da AP Federal. então. Com efeito. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. é a AL que suspende a lei. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Poderá. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. declarando uma lei inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. de fato. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. Embora não haja consenso.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. Entretanto. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. Segundo o STF. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. é a Câmara Municipal. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. adotou-se. visto que. porque o seu parâmetro não é a CR. MS.

não cabe.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. a competência é do TJ).: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. tendo partes – autor e réu. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. A Constituição. ela é meramente jurisprudencial). 5) Ação rescisória. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. onde não existem partes formais (autor e réu).882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. 39 . em seu art.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 103. 4) Recurso da decisão de mérito. deve haver a previsão da legitimidade. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. e não do trânsito em julgado. ☺Lei 9. a ampla defesa.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. o duplo grau de jurisdição. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. que são a União e os Estados). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). se concentra em apenas um Tribunal – o STF. de acordo com essas leis. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . mas sim legitimados. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. e . ou na CR ou na lei. . a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. obviamente. Obs. Por se tratar de um processo de índole objetiva.ADPF. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. . Como são ações de controle abstrato.ADC.

Os demais podem fazê-lo sem advogado.A norma do art. .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. Assim. CS e ECAN. Para ter âmbito nacional. Executivo PR GE – GDF P. para ter legitimidade. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados.Os GE.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. confederação regional: F. ou seja. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). segundo a jurisprudência do STF: .A entidade de classe. . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). . a partir de então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Obs. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). . .. . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.S. confederação local: sindicato. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).Confederação sindical significa de âmbito federal. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF.

(o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ou seja. direitos e garantias fundamentais. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. Obs. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. . OBS. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . §3º . ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. . geral e abstrato.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. como por ex. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. nas normas que tratam de outra matéria).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . I. 5º. Lei 9. são questões próprias de RI. Ex. caso o decreto emane diretamente da CR. admite-se o seu controle. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. 102. por isso não é ANP).TIDH (3/5 e 2T) . mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. decreto regulamentar. Não serão objeto de ADI e ADC. para ser objeto de ADC e ADI. I.: decreto regulamentar do PR. a. 41 .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. a. 102. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato.Norma formalmente constitucional .☺art. 1º. sem interferência do PJ. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). .atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. ele poderá ser objeto.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). o RI pode. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. pois geralmente está abaixo do decreto. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). todas estão no mesmo nível. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.

não pode ser objeto de ADPF: . mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). 103. 42 . o STF admitiu. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. CR. Mas. por analogia. salvo embargos de declaração. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. §3º. ainda. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Atuação do AGU: ☺art. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Gilmar Mendes e de um prof. CR. Tem status de ministro de estado. só podendo ser objeto de controle difuso. de defensor legis. ainda que ele proponha a ação – ou seja. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. 103. devendo ser de todos eles intimado. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. ele vai atuar como fiscal da Constituição. na outra. não ameaça mais a supremacia constitucional. Atuação do PGR: ☺art. ou seja. STF). Assim. se um novo PGR o substituir. § 3° é uma função especial.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. . . pois não produzem mais efeitos. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. Lembrar que não cabe assistência. A função do art. da mesma forma na ADPF. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. No caso de emenda. posteriores a 5/10/88.Súmula. portanto está subordinado ao PR. Obs. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. como está havendo uma influência de um controle no outro. leis suspensas pelo SF. é preciso primeiro ser transformado em EC). 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal.leis revogadas. também poderá dar parecer em sentido contrário. 103. medidas provisórias revogadas. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. e. intervenção de terceiros e recursos. sem exceção. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). se seu entendimento for diverso. segundo o STF. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . pode ser qualquer ato do poder público. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. §1º. O PGR atua como “custus constitutionis”. Função geral do AGU (art.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Lei do DF não pode objeto de ADC. Hoje.

482.868. Mas atenção: existe um outro instituto. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. §2º da Lei 9. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. 7°. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. . portanto. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. 20. o AGU até poderia participar. Não há previsão para a ADC e ADPF. 6º.868/99 -☺art.868. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Cabe também na ADPF.868. §1º. mas não têm nada haver com amicus curiae.884/94 (CADE). Nesse caso. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. 31). mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. em especial no direito norte-americano. nos estados que adotam a commum low. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 7º. sendo feita por toda a sociedade. em seu art. não precisará do AGU para defendê-la. §1º. Ela já existia antes. “amigo da corte”. o das audiências públicas.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. É muito comum nos tribunais internacionais. 7º. A exposição dos motivos da Lei 9. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário.868/99 vale só para a ADI. Na ADPF. seria “amigo do tribunal”. Portanto. disciplinou a figura. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Tem natureza de auxiliar do juízo. Quando o AGU desempenha essa função. art. só vai contribuir para a decisão do tribunal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Importante: ainda que como Advogado da União. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. 43 . § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Na ADI por omissão. não há o que se defender. Foi introduzida pela Lei 6. 89. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. a Lei 8. Ele não é alguém interessado na causa. Posteriormente. §3º. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. 9. por analogia. o AGU não será obrigado a defender a lei. por fim. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei.385/73 (☺ art. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Amicus Curiae: Em uma tradução. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. A audiência pública está prevista na Lei 9. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Mesmo sem previsão legal. §2º e art. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. art. A previsão expressamente contida no art. ☺ art. de “defensor legis” e. Está desempenhando uma função especial. §1º e art.

(Obs. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. ou seja. seria uma exceção). O STF ainda tem exigido pertinência temática. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). em despacho irrecorrível.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Marco Aurélio não admitiu. Lei 9. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. M.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. É. pois admitiu pessoa física em controle concreto. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala.102. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. Quando 44 . ressalta-se que esta é apenas relativa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Lewandowski. . Gracie). Apesar de que era relevante. . Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. porque iria envolver matéria em relação à vida. . Mello. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. é um equívoco.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. ou seja.868/99. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. Aurélio. cabe amicus curiae. Foi uma exceção. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. I. Surgiu com a EC/03. admitindo prova em contrário. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. segundo o professor. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. por ex. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Barbosa e E. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. J. Para o prof. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. autor e réu. portanto. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado.Com relação à presunção de constitucionalidade. R. Obs. não tendo partes. O juiz de primeiro grau. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .. admitindo ser intervenção de terceiros (C. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. “a”. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. poderia afastar esta presunção. Mas depois que a lei foi feita. a mais correta.

VII). P.868/99. art. . para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. nos quais a lei esteja sendo discutida. §1º. Mas. é mais restrito: somente a violação. Como visto. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. 45 . neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. Cabe prorrogação.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. . e . Gilmar Mendes. Portanto. ADPF: ☺ Art. O STF não concordou e mandou juntar mais ações. na ADPF 33: . esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP.102. a Lei 9. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. Segundo a doutrina.). inclusive o Poder Executivo. exige como requisito para o ajuizamento da ADC.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais.U. Não é uma ação de inconstitucionalidade. CR e Lei 9. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. nas outras ações ela também poderá ocorrer). Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.Cláusulas Pétreas. art.14.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. o FHC ajuizou ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. . os preceitos fundamentais são: . que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). O STF admitiu ☺Informativo 518. 34. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.882/99. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. em seu art. . . e . 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. Através do AGU. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.Princípios Constitucionais. II.Título I: Princípios Fundamentais.869/99.868/99.Princípios Constitucionais Sensíveis.21. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. não há que se declarar uma lei constitucional). portanto. 14. O parâmetro. III). . por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art.Cláusulas Pétreas. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. no entanto.

a vinculação é vertical. 46 . as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. estadual e municipal. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Aqui. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. embora seja bastante difícil existir esse meio). 4°. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. neste rol.882/99. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato.882/99). Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. leva a questão ao STF através de ADPF.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Mas se algum dos legitimados souber da ação. P. 1º. como guardião da CR. Características: . que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. Art. Incluindo-se. § 1° da lei 9. apenas o STF. embora lá há uma vinculação horizontal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. os legitimados podem levar não todo o processo. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade).: surge a partir de um caso concreto. dentro do órgão judiciário). Proposta diretamente no STF. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.U. Segundo Neri da Silveira. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. ou seja. dentro do mesmo tribunal.: gestante com feto com acrania. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. O objeto pode ser da esfera federal. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. na ADPF. ainda. art. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. 196 e ao meio ambiente.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). podendo ser um meio de controle difuso. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Obs. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Ex. 1º. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Um dos legitimados. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico).: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante.

em se tratando de órgão administrativo. nas CE ou em lei federal). por ex. V). q). Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. mas a converteu em ADI. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. É controle abstrato. 47 . § 2º . I. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. No entanto..CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. O STF admitiu a ADPF. . 103.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). II e III). Obs. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. 129.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. à soberania e à cidadania”. .Admite-se a fungibilidade. I. 105. STJ (art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). TSE/TER (art. coletivos e individuais indisponíveis (art. É controle concreto. para fazê-lo em trinta dias”. É a mesma da ADI. 5°. à soberania e à cidadania). LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: .CR: STF (art.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. 121. Assegurar a efetividade de suas normas. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. LXXI . em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. o STF transforma a ADPF em ADI. h). governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . § 4°. . . ADC e ADPF (art. 102. Ex. 5°.

3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. ECAN e associação c/ 1 ano). Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). mas esse prazo era direito. . 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. Obs. ou seja. 5º. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. em se tratando de órgão da AP.Órgãos públicos. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma).: na ADI 3682 b. organização sindical. competente de sua omissão (em regra. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). não pode concretizar a norma.MI Coletivo: o STF o tem admitido. público: MI protege dir. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. LXX: PP c/ CN. O STF. entes federativos e PJ dir. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. Há. portanto. portanto não podem impetrar MI. não pode fazer a norma para o caso concreto. ou seja. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. recentemente. autores que admitem. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. Mas atenção. concretize a norma (faça a norma concreta). Recentemente. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. é b) Concretista: concretiza a norma. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. no entanto. fundamentais em face do Estado. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. mudou seu posicionamento. Se o PL) e. apenas razoável e não peremptório.

CR (provimento. porque nem a AIO tem esse poder. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Portanto. 680. 708 e 712). O STF adotou essa corrente no MI 232. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. porque adotava a corrente não concretista). e 2) recusa à execução de lei federal (art. criando uma norma geral e abstrata. a intervenção é uma exceção (a União não pode. ademais. não cabe liminar (antes. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Mesmo adotando a corrente concretista. VI). Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). Ela se subdivide em – geral e individual. VII). A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. intervir nos Estados). continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). 49 . se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. 34. ou seja. ou seja. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. 34. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. Essa corrente é bastante criticada. pelo STF. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. A omissão total não cabe MC. Recentemente. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. O efeito seria apenas inter partes.040). em um primeiro momento. o PJ. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. De acordo com esta concepção. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. A regra é o principio da não-intervenção. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. ao mesmo tempo. o STF está atuando como legislador positivo. 2. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. nestes casos de omissão parcial. III. como regra. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. ou seja. 36. No MI. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. 652. Surge a partir do caso concreto.

mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. e sim em face da CR. CR). 50 . da decisão do TJ caberá um RE para o STF. mas que surge a partir de um caso concreto. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. foi uma criação da jurisprudência do STF. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). As partes aqui são o Estado e o Município. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. no âmbito federal). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). OBS. É dispensada a apreciação política pelo PL. 125. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. nem no RISTF. que é o pressuposto para a representação interventiva. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. §3º. se violados. Isto está previsto no art. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. STF). o PR então poderá decretar a intervenção. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. ☺art. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. CR. mas sim. O RE. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). CR. portanto. Esta forma não foi prevista na CR. se o STF der provimento à representação do PGR. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. 614. além. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. § 1°. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O parâmetro aqui é mais amplo. 35. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. §2º. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). 127. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. no âmbito do TJ. 36. é claro. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. da ADPF). vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). A decisão do STF tem natureza político-administrativa. O STF é o guardião da CR. IV. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. ☺art.

em alguns casos. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. em nome do povo. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. um dos precursores dessa doutrina. Assim. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Assim. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Está acima do direito positivo. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. que. É ele um titular passivo. Modernamente. que deve observar o direito natural. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. mas jamais é quem o exerce. XVIII). pode usurpar do povo a titularidade do poder. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. Obs. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. Na 1ª etapa. que é sempre superior aos poderes constituídos. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. São apenas órgãos aos quais se atribui. expressa por meio de seus representantes. é a nação. Celso de Mello. analisa-se se o poder é legítimo ou não. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. segundo o abade Emmanuel Sieyès. Schmitt). retira sua força do direito natural. cria o Estado. o exercício dessa magna prerrogativa. editando a nova Constituição. corroborando essa perspectiva. C. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. segundo o Abade Sieyès. porém. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. pois o Estado decorre da soberania popular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. Bonavides. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Para os jusnaturalistas. ou seja. por delegação popular. que formulou esta teoria no fim do Séc. a vontade do constituinte é a vontade do povo. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. social e juridicamente organizado. Portanto.

60. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. 11. Assim. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. para ser considerado legítimo.Revolucionário . 25. Portanto. Dessa forma.Decorrente (art. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder.: o prof. CR) . 3º. correspondendo aos anseios daquela sociedade. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Reformador (art. art. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Formal . tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) .Material . Obs. Espécies Tradicionais: . há legitimidade objetiva. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . já que o poder constituinte já é originário. ADCT) .Histórico .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. que é seu verdadeiro titular. se esta correspondência existir o poder será legítimo. por conseguinte. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). ADCT. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e.Revisor (art.

. GV). a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. a nenhum pré-requisito jurídico. No plano axiológico. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. independente e soberano. 1988. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. O povo é o titular do PCOM. Obs. através de normas constitucionais. O Abade Sieyes. ex. Ex. através da Constituição. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. não perde a titularidade do poder constituinte. Apesar de ser um poder incondicionado.: este poder tem este nome porque para o Direito. foi criado um direito natural). c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. 1934. No caso do Brasil. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. ela nunca deixa de ser do povo. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). Obs.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. No caso do Brasil. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. há alguns valores que são morais. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. 1946. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. ou seja. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. que substituirá a anterior. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. é apenas uma classificação quanto ao momento. 1937. 53 . ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. b) é um poder inalienável. 1967/69. Obs. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele.: se é um poder autônomo e incondicionado. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. mas não a primeira e sim uma nova. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. é a Constituição que vai dar origem ao Estado.

☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. observados os princípios estabelecidos na CR. no art. Quando a CR consagra o art. mas continua a existir como característica essencial deste poder. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. 25. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. as constituições estaduais não são recepcionadas. 25. A partir do momento que a CR surge. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Fábio Konder Comparato fala. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. com os avanços da sociedade. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Não se trata de um limite jurídico. não concorda muito com isso. A CR/88. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. ele encontra limites no texto da CR. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. No caso da CR/88. 54 . Obs. Ex. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. na pena de morte. contudo. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado.. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Ex. na verdade. por ex. mas meta jurídico (fora do direito). Esta AL. Dentro desse limite. por se tratar de uma conquista da sociedade. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Ainda que o estado seja soberano. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. a doutrina deduz deste art. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). De acordo esse limite. O prof. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 11 do ADCT. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). No entanto. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. ficando um pouco relativizada.

27. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. são as normas de auto-organização da União. 57.). Obs. VII. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. Estão presentes no art. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. 34.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. II) Implícitos: CPI (art. composição. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): .: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. Obs. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). porque o art. e o STF decidiu que não havia problema. V ???) I) Expressos na constituição: art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. ou seja. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 59 e segs. processo legislativo (art. Mas. §1º . 93. §4º não é norma de observância obrigatória). .Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. Segundo o STF. 75. que se estendem aos Estados.: ☺art. são essas as normas de repetição obrigatória.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. CR. Há dois grupos: (art. §4º. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. vedada a recondução. 58. por enquanto.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. 57. § 1°. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. CR. § 3°).: presidencialismo x parlamentarismo). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: .Requisitos para a criação de CPI: ☺art. 61. mas foi uma decisão super apertada (6x5). que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. Se subdividem em: 55 . diferente dos extensíveis. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. . 58.

normas mandatórias: ex. . Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia.. 137). 60..: art. uma limitação temporal para o poder revisor – art. . 37. Ex.. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. 60. portanto. portanto.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. ADCT).normas vedatórias: ex. 34). E.é um poder jurídico (e não de fato). CR. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. 56 . A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. §1º. Trata-se de um poder previsto na CR e. ..não é autônomo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . .) – contém uma vedação expressa. 136). C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .é condicionado. e se for decretado o estado de sítio (art. 19.: os arts. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. se for decretado o estado de defesa (art.exercício: é pelo CN. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. DF e M. CR (é vedado à U. decorre da lei e não da força. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.: art. .não é inicial. é conseqüente.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. em qualquer estado da Federação (art. mas é possível deduzi-las. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. no entanto.).titularidade: é do povo. . . .é limitado. 3°. CR. cujo procedimento está previsto no art. ou seja. .A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. Ex.

§10). §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. 44. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Este art. também podem propor projeto de lei o povo. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. no qual há 4 sessões legislativas.Discutido e aprovado. a PEC vai para a promulgação. sendo o art. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. no âmbito do MP. do SF ou do CN. não veta. também chamadas de implícitas. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. CR. o PGR. 61. 60. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. no entanto. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). 57 . após a iniciativa. é o de que o art. para que. GE. 60 (incisos I. .U. 60. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. ademais. 60. A Sessão legislativa (art. apesar de não existir previsão expressa. §3º. que é o período de 4 anos do mandato do PR. no âmbito do PE. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). . assim.Feita a iniciativa. ☺art.A última limitação formal objetiva está prevista no art. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. 61. através da iniciativa popular (art.A nossa Constituição é rígida.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. 67. . . ela será chamada de extraordinária. §5º. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). §2º). . Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil.Além do PR. o STF e Tribunais Superiores. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. ☺art. 61. 62. se a matéria for rejeitada. 60. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. b) o entendimento majoritário da doutrina. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. . primeiro em uma casa e depois na segunda casa. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. §2º). . proposta rejeitada no dia 15/01. P. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. No caso de projeto de lei. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. possamos usar o procedimento previsto no art.).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. II e III) uma exceção à regra geral. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. a PEC será discutida em cada casa do CN. não promulga. não pode haver emenda de emenda. DF e DE. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. Ex. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. por fim. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. Obs. 61 é a regra geral de iniciativa.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). apenas o PR. CR). no âmbito do PJ.

CR. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). não é secreto. na verdade. que é o modo como se realiza o exercício do voto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. Curiosamente. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. São as chamadas cláusulas pétreas. o que é universal é o direito de sufrágio. . ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Ou seja. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. §4º. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Universal e Periódico: . cláusulas que exteriorizam limitações materiais. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). 58 . Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. o que é secreto é o escrutínio. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. 150. c) Voto Direto. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. . Expressas: ☺art. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. secreto.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. a). não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. ademais. pois. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. universal e periódico. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. mas sim. segundo o STF. 60. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. As cláusulas pétreas são. Secreto. VI. c) Assegurar o processo democrático. Se elas não existissem. o voto não é universal. b) Preservar a identidade material da Constituição. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. o direito de participar das eleições.

: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 2º. posteriormente. por uma questão lógica. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. comportam diferentes interpretações. Assim. CP). . pois. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. O prof. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. O art. Assim. mas os demais não (ex. Os direito fundamentais se encontram. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. 5º. não o serem). é porque não se desejou que eles fossem petrificados. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. inclusive. todo o art. CR. 60 poderia ser modificado.: FGTS. 60 seria CP. dispostos do art. é CP. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. far-se-ia uma EC revogando o art. Os demais direitos e garantias fundamentais. Lá estão as limitações ao poder reformador.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Um exemplo. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. Ex.: primeiro. Chama-se dupla revisão. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. 60. que não é unânime na doutrina. (23/04/09) 2. não concorda. mas refere-se a uma reforma. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela.Há quem defenda. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). . 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. por isso. em princípio. são CP. A CR fala em direitos e garantias individuais. Mas o STF já considerou que o art. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. não tem nada a ver com CP). Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. e por conseqüência. e não em direitos e garantias fundamentais. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). §4º. 60. Obs. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. sendo uma garantia individual. Para ele. CR. ADCT). para posterior alteração do conteúdo. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. não seriam cláusulas pétreas. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. 5º. é o art. como um todo. 150.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. que proíbe a pena de morte. não alterando-o). uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. segundo a qual o art. sistematicamente. b. com a dignidade da pessoa humana. ou. III. CR).

de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Revisão é a via extraordinária. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. contados da promulgação da Constituição. em sentido formal. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). não abrangendo apenas leis em sentido formal. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. O ato ocorreu antes. excepcional e transitória de alteração da Constituição. CR). Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. b) Média: a retroatividade não é automática. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. tem que haver previsão expressa na constituição. mas ainda não pagas. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. A limitação imposta no art. 3º. 3º. c) Máxima: a retroatividade não é automática. . a constituição atinge prestações vencidas. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. mas seus efeitos surgem após a constituição. o STF tem entendimento unânime. A retroatividade mínima é automática. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. esse era o entendimento do STF.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Ex. não sendo um princípio absoluto. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. não abrange EC. 3º. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. mas também emendas à constituição.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. portanto. tem que haver previsão expressa na constituição. 60. Ex. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . art. Ex. Com relação ao assunto acima. ☺art. O direito adquirido pode ser relativizado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. Antes da CR/88. em sessão unicameral. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. 5°. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. XXXVI.

e de forma geralmente mais extensa. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. §§1º e 4º). Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. 61 . especificamente. 3º. 60.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). circunstanciais. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. ADCT. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. Além disso.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

62

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

63

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. como início e limite para a interpretação. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). e não isoladamente. Além disso. Buscam os valores subjacentes à constituição. eles são suficientes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. para o direito público. é também o limite para a interpretação. Constituição da República. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). esse método também é conhecido como método valorativo. mas apenas valores: o preâmbulo. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Por isso. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. partindo da idéia de sistema. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Na busca pelo “Espírito da Constituição”. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. esses elementos são insuficientes. Imagine a Constituição norte-americana. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. aqueles desenvolvidos por Savigny. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. 65 . b) Histórico: no seu desdobramento. Ex: princípio da não contradição. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. devido à complexidade da interpretação constitucional. e os valores fossem o seu espírito. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. com algumas peculiaridades. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. É o início de uma interpretação. entra o elemento histórico evolutivo. Não existe uma norma jurídica sozinha. Por isso. O grande problema é que. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Toda norma está dentro de um sistema. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. para o direito privado. só tem alma. Nele estão os valores supremos da sociedade. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. É como se a norma fosse o corpo da constituição. O texto da norma funciona. portanto. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Esse método não é apenas sistemático. X. Ela não tem normas jurídicas. 52. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. como todas as demais.

a favor e contra. dos princípios gerais do direito. como. cujo plural é “topoi”. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Os topoi são esquemas de pensamento. enfraquece-se a força normativa da constituição. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. pois comporta mais de uma solução possível). os quais são submetidos a várias opiniões. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Violação de correspondência de presos. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. ele também é conhecido como método sociológico. vence o argumento que for mais convincente. Isso gera certa instabilidade. pontos de vista ou lugares comuns. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. que contraria o positivismo jurídico. Problema é a questão difícil. da jurisprudência dominante. Esses pontos de vista.. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. mais um 66 . esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. ou seja. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. os operadores do direito servem-se de topoi. de casos que comportam mais de uma solução possível. lugares comuns. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. por ex. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. ou a de que um é mais correto do que o outro). vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. 2. de argumentação. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. Assim. Ex. Assim. Por isso. formas de raciocínio. mas sim diante de problemas. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). porque trabalham não com a idéia de sistema. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. → Crítica: feita por Canotilho.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Este problema será solucionado pela argumentação. o que geraria uma grande insegurança jurídica). do senso comum. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. que é apenas mais um topos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. como ocorre neste método. Se se permite interpretações divergentes. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Por ter uma feição mais política do que jurídica. da doutrina. certa insegurança jurídica. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Ex. Ex.

2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. e sim na sua concretização. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Não se pode separar as duas coisas. e concretizador à aplicação. quando se fala em hermenêutica. Método concretista. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. a compreensão prévia do intérprete. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Hermenêutica e interpretação não se confundem. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. ao lado de Hans Kelsen. ou seja. ainda que dos mais importantes. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Assim. de única solução possível. este método não poderá ser aplicado. Os métodos III e IV. por serem métodos concretistas. Além de serem métodos aporéticos. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. 67 . (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. mas em concretização). é bom lembrar. na sociedade aberta de intérpretes. e o problema concreto a resolver. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. que a questão não seja simples. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. é preciso que haja um problema. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. diferentemente dos dois primeiros. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. são também métodos concretistas. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. como já vimos. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). A principal diferença. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. pois. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. porém. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Assim. não podem ser utilizados de forma abstrata. devendo-se fazer uso de outro método. são coisas diversas. não se deve falar em interpretação constitucional. Ele parte. Para este método. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. sua aplicação a casos complexos. Ocorre que. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. São métodos indissociáveis. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. se for caso de lacuna. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). interpretação e aplicação constituem um processo unitário.

VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. traduzido pelo Min. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . ele dirige e. bem como a quebra da unidade constitucional. a norma só surgiria após a interpretação do texto. em regra. mas também na sua interpretação. Para ele. Segundo ele. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. A norma é o mandamento. Segundo o autor. Não diz respeito aos critérios de interpretação. mas também para a interpretação da Constituição. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. ao mesmo tempo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. regulada pela norma. Essas duas figuras podem ser. Friedrich M. O que ele chama de domínio normativo. Ainda que a Corte seja o intérprete final. Gilmar Mendes). O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. ele na verdade não o é. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. O texto não tem o comando. mas a toda a sociedade. . por sua vez. Paulo Bonavides o tratar como um método.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. é a realidade social tratada pelo texto da norma.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Fala-se que são utilizados. 68 . a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Quando ele fala em democratização. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Judiciário. pois. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Assim. mas refere-se àqueles que podem interpretar.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). A democracia deve servir não apenas para a criação. aberta a toda a sociedade. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete).Elementos do âmbito da norma . faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. O texto tem duas funções muito relevantes. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Na prática. limita a interpretação. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. que têm legitimidade para a interpretação. é o comando que se extrai da norma interpretativa. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral).

Também denominado de originalismo. norma e fato. Segundo Conrado Hubner. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Após. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. no Brasil. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Entende que. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. A norma. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. que corresponde à vontade do constituinte originário. superado o valor da norma). como a constituição é feita por representantes do povo. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. No pós-positivismo. Assim. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. A segunda corrente. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. textualismo e preservacionismo. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. o poder legislativo é claramente fraco. surge a idéia de norma (gênero). preocupado com a segurança jurídica. Por isso o judiciário tem ganhado força. sem modificá-la. Na verdade. quando interpretada. 69 . Hoje. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. 3) Existe uma única resposta correta. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. mas de forma concreta. Em virtude do caráter normativo dos princípios. os direitos têm que ser iguais para todos. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. do povo. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. Assim. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. vinculante e obrigatória. bastante discutido nos dias atuais. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. surge o Positivismo Jurídico. Esta questão está ligada à separação dos poderes. que se subdivide em princípios e regras. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor.

impessoal. Para Habermas. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras.: aposentadoria compulsória. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes.Princípios. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. Ambos são normas. bilateral).Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. princípios são “mandamentos de otimização”. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. Segundo Robert Alexy. impõem resultados.Postulados.Regras. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. ou seja. há uma subsunção lógica. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). caso a resolução seja feita com base na hierarquia. e . se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). imperativa. é preciso saber quais são as normas opostas. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. . Alexy afirma haver exceções. A norma é um gênero e. O grau de abstração é a diferença. Ex. Eles não definem a medida exata. o que ocorre por meio da ponderação. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. será invalidada. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. . Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. como elementos do sistema normativo constitucional: . genérica. peso ou valor. 70 . quando se vai aplicar um princípio. que envolvem a aplicação deste princípio. As regras possuem aplicação automática. mas a medida do possível.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. → Princípios X Regras: . dentro do gênero norma jurídica. Referem-se à abstração (a norma é abstrata.dimensão que eles ocupam (Alexy) . que apontam para o sentido contrário. isto é. ou seja. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. . em havendo um conflito no âmbito da validade.generalidade . → Regras: são “mandamentos de definição”. apenas os princípios possuem a dimensão da importância.

existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R.: proporcionalidade. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. mas não têm a mesma função dos princípios. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. embasados na supremacia da Constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). de modo a realizar os valores nela consagrados. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Ex. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. É um conflito sempre no caso concreto. Segundo a LICC. será feita a análise de alguns postulados que. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. Nesse aspecto. cronológico e da especialidade. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Com base nessas premissas. Eles não apontam um fim. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. também conhecido como antinomia de princípios. 71 . mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. nem estabelecem competência ou conduta. pela maioria da doutrina. por isso não são aplicados diretamente. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. como princípios. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Os postulados são denominados. Não estão na constituição. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. interpretação conforme a Constituição. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção.

Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. e. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. significa que as demais leis devem obediência a ela. para ter essa supremacia. na dúvida. quando entender que uma norma é inconstitucional. no Poder Judiciário. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. pode deixar de aplicar a norma de ofício. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. o Chefe do Poder Executivo. o Princípio da Supremacia da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Não se retira a lei do ordenamento. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Se o texto tem apenas um significado. o Poder Judiciário. Da mesma forma. presume-se que agiram de acordo com ela. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. ficam vinculados àquela decisão. deve optar pela constitucionalidade. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. significa que ele é unívoco. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. excepcionalmente. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. pois existe uma presunção de constitucionalidade. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Se a constituição é a norma suprema. No Poder Legislativo. na dúvida. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. A 72 . se entendê-la inconstitucional. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Se há mais de um significado. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Todo projeto de lei passa por um controle. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Toda Constituição tem supremacia material. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Ou seja. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. como no âmbito do Poder Executivo e. No Brasil. a lei deve ser declarada constitucional. Essa presunção é relativa (iuris tantum). assim. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. não tem como fazer interpretação conforme. é necessário que a Constituição seja rígida. por ser presunção relativa. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Excepcionalmente. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Ele pode negar a aplicação da lei. pode ser exercido através do veto jurídico. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. E. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. no controle difuso. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. No Poder Executivo. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade.

mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Outro ex. Em uma sociedade democrática e pluralista. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Isso é impossível. É como se filtrasse a lei. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Ex: Brasília é a capital federal.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. logo é conhecida como corrente “objetivista”. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. normas superiores e normas inferiores. Ao se admitir que essa norma é superior. na constituição. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Segundo Kruger. pois. é necessário observar os valores consagrados na constituição. a norma inferior. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. . • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. é conhecida como mens legis. essa corrente é chamada de “subjetivista”. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Busca a vontade do objeto interpretado. defender uma corrente subjetivista é muito difícil.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Portanto. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. 73 . Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. 81.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Na verdade. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. que busca a vontade da lei. Logo. mas.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Hoje em dia. isso não ocorre. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. necessário harmonizar esses dois princípios. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. passando ela pela constituição. Hoje. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. ao mesmo tempo. b) Fim pretendido: . a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. há várias tensões entre as normas constitucionais. sendo. etc. §1º. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. existem. A segunda corrente. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. prevalece a vontade da lei. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Temos o voto direto como cláusula pétrea. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. num estado democrático. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Antes. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Geralmente. de direito previdenciário. Obs. poderia declarar o art.

deve-se buscar essa concordância prática. no caso concreto. Assim. as duas normas têm conflito entre si. aplica-se o princípio da Concordância Prática. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. que é anterior à Constituição da República. Uma existe ao lado da outra. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. Quando se tem uma colisão entre bens. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. bens ou interesses. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Ex: voto direto é a norma geral. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. 74 . é necessário utilizar a ponderação. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. O relator indeferiu a petição inicial. pelo legislador. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. ou seja. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. O que tiver o peso maior irá prevalecer. se ambos estão consagrados na Constituição da República. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. e não em abstrato). ele se basearia no princípio da unidade. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Eles são muito parecidos. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. princípios ou valores. O STF analisou 02 casos: a) Art. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. criando um efeito conservador da unidade. na hora de se interpretar a Constituição. O que é isso? É semelhante a uma balança. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. valores. Abstratamente. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. violava a liberdade de exercício de comércio. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. Segundo este princípio. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Nesse caso. interesses. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Sempre que possível. §1º. qual dos dois grupos tem um peso maior. Pode ser usada. O Juiz irá ver. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. inclusive.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. O STF declarou constitucional. e voto pelo CN é a exceção. 45. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Essa lei. Se ele entrasse no mérito da questão. a integração política e social.

Exs. ou seja. cabe ação rescisória (obs. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional.: a Súm. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. e não princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Ex. 343. Deve haver uma cedência recíproca. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. Caso contrário. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). às vezes. poderia fotografar. 2) relativização da coisa julgada: o STF. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. O importante é saber que todos os princípios. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. que contribua para o debate de interesse geral. mas também a ratio decidenti. eis que ambos se relacionam. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. a privacidade deve ser preservada. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. para que outros direitos sejam assegurados. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. Ex: Se tiver na praia. sendo o guardião da constituição. do trabalho escravo são regras. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. 75 . não. da tortura. na academia. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. STF não foi abandonada. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. por mais importantes que sejam. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. do contrário. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição.: a proibição da pena de morte. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. não. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. até uma compreensão equivocada. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . não se aplicando para a interpretação constitucional.

335/AC. Exs. §1º. . Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . a qual significa a realização do direito. 4. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. . pois. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. 5º. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. sobretudo o Tribunal Constitucional. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. . Este princípio. a função social para a qual foi criada. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. é também conhecida como eficácia social.com.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. validade é.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. o desempenho concreto de sua função social.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. no Brasil. 2) Direito de greve. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. CR/88 (aplicação imediata). Ver no Site Editora Método.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. 76 . . (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. é também conhecida como eficácia jurídica.

Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. não se deve abater pardais com canhões. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Na Alemanha. Nos sistemas da commum Law. É uma influência do direito alemão. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. em sua origem. desproporcional. É uma influência do direito norte-americano. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. CR. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. LIV. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. apto para atingir o fim almejado. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. ☺art. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. pois. ou seja. será também desproporcional. à garantia do devido processo legal. Para Jellinek. do Prof. utiliza-se o termo razoabilidade. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Não é o entendimento mais cobrado em provas. 5º. não está textualmente consagrado. por isso sua importância. É um princípio implícito. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). deveria conceder uma autonomia maior. dentre os meios existentes. Alegam que a restrição seria desproporcional. Ele está ligado. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. mas apenas como menções. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Se o ato for desnecessário. ele tem que ser adequado. Ex. Assim. 1º. uma restrição à liberdade só será possível se. Ex. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Para que um ato seja considerado proporcional. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. maiores hão 77 . e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. No Brasil. utiliza-se o termo proporcionalidade.

o poder público age aquém do que deveria. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. A face acima exposta do princípio. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. ou proibição por defeito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Há uma outra face desse princípio. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Nesse caso. que é chamada de proibição de insuficiência. 78 . Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. pode ser chamada de proibição do excesso.

proclamação mais ou menos solene. não tem relevância jurídica. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. O min. No Brasil. dado que. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. qualquer religião oficial da RFB.. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. mas no domínio da política. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. incidirão na ordem local. mais ou menos significante. Não tem. de regra. laico ou não-confessional. porém. pois. o Brasil é um país leigo. Para o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. sendo. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. O nome não é o mais apropriado. Em âmbito estadual. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. Como se sabe. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. não existindo. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. o preâmbulo. não é componente necessário de qualquer Constituição. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. Ocorre que todas as constituições brasileiras. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Assim. apresentado de forma não articulada. não tendo força normativa. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. caráter normativo e. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). não é norma de repetição obrigatória. mas é a tese por nós adotada. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. anteposta ao articulado constitucional. refletindo posição ideológica do constituinte. relevância jurídica. Não contém. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. O que acontece é que o preâmbulo contém. Esses princípios sim. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. portanto. reproduzidos ou não na Constituição estadual. pois. portanto. inscritos na Constituição.. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. É uma corrente intermediária em relação às demais. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. 79 . com exceção das de 1891 e 1937. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Situa-se no domínio da história ou da política.

com a solução pacífica das controvérsias”. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. pluralista e sem preconceitos. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Esta é a sua natureza. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Ao estabelecer os valores supremos. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. na ordem interna e internacional. a segurança. o bem-estar. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. fundada na harmonia social e comprometida. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. a liberdade. o desenvolvimento. 80 .

no Brasil. §5º). mas admite lei. apenas 81 . Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. 128. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). P. Exs. 184. A NEC. prerrogativas (art. O que as difere é o grau desta eficácia. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. vedações (art. §5º). possivelmente restringível ou redutível. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. dentre as quais. enquanto não for restringida. enquanto não for restringida por lei. → Normas de Eficácia Contida: O prof. Não são a mesma coisa. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Quando se fala em aplicabilidade imediata. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). Uma NEC.: normas que estabelecem imunidades (art. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. Não depende de regulamentação.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. 95. por sua vez. (É a mais cobrada em provas). 53). significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. A integralidade. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. imediata e integral. destaca-se a de José Afonso da Silva. que “contenha” o seu conteúdo. isenções (art.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. é uma NEP? Não. que poderá variar conforme o seu enunciado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Ela não depende de lei.U. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. como se poderia imaginar). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais .

eis que estabelecem o fim a ser atingido. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.: art. VII. art. Se ela fosse uma NEP.: ordem pública.por outra norma constitucional (ex. 82 . 5º. art. ☺art. etc. PU: União poderá delegar aos estados.Impositivas: ex. . Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. quais são os efeitos. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). mas o seu §1º. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. 136 e 137). mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). art.: trata de vedações que são impostas aos juízes. que dirige os rumos do Estado. P. são NEP (como são as normas dos incisos I. .: art.: art.por conceitos de direito público (ex.por lei (ex. 37. interesse social. conforme a lei. . As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . não há omissão inconstitucional. 102. 9º dá a entender tratar-se de NEP. segurança nacional. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. XII c/c arts.Facultativas: ex. 37. Indireta porque depende de uma outra vontade. As vedações. 5º. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. é obrigatória. necessidade ou utilidade pública. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente.. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. ela nunca poderia ser restringida. XIII. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. A norma constitucional tinha eficácia. 95. A lei não irá restringir o direito. art. XXII. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. e não quais são os meios para se atingir o fim. caracterizadas justamente por este tipo de norma).: art. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. mas pode ser). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei.U. XXIII e XXIV). ofício ou profissão. Neste caso. etc. Exs. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. 3°. 95). → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. mas não é uma NEP. art. etc. II e III deste mesmo art. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. e mediata porque depende de alguma condição. mas não disse quem pode propor. CR.). Ex. O caput do art. Assim. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. A NEC pode ser restringida: . Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. 154: a União. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. Não é apenas um conselho. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer).882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. 9º. que não é norma). enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. 5º. se quiser. de forma que antes da Lei 9. poderá criar impostos residuais. VII. É indireta ou mediata. em regra. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. 37.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. e art. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. 22. – ex. Ex.U. esclarece que trata-se de uma NEC. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. VII (direito de greve dos servidores públicos). que a regulamente. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. ☺art. que faz parte da mesma norma. mas dizer como esse direito será exercido. mas.

a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. porque ela não tem eficácia positiva). Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Uma última classificação. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Por isso não dependem de outra vontade. tem eficácia. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). exaurem sua eficácia. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Para ela. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Traduz um sistema fechado. Elabora-se uma norma genérica. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Diz que o direito se auto produz. Ex. também conhecidas como normas super-eficazes. 83 . ADCT. Marcelo Neves critica essa concepção. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. antes da lei ser feita. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. imediata e integral). as Cláusulas Pétreas. 2º. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. ademais. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Assim. cumprida a sua finalidade. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Obs. mencionada por alguns autores.: art. não depende de outros sistemas. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. São as normas do ADCT.: As NEP. uma eficácia negativa (e apenas esta. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. pois. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. OBS.

art. Quando uma nova constituição é criada. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. parte final). esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. Assim. ou seja.: ☺art. 84 . porém. serem recepcionadas pela nova Constituição. não. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. → CR → A. quando do surgimento de uma nova Constituição. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. caso compatíveis com a nova Constituição. podendo. § 1°. com o caráter de normas constitucionais. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. por esta teoria. 242. como normas infraconstitucionais. e sim como normas ordinárias. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada.P → A. sempre que nasce uma nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. Ex. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. §2º (que fala do Colégio Pedro II. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. Faremos o estudo de alguns institutos.N. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. 2°.N. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

deve existir expresso pedido na Constituição. 7º. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. 88 .: art. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. com pequenas exceções. as leis infraconstitucionais. têm retroatividade mínima. como é o caso do art. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. o STF entendeu que. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. c) por outro lado. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. 51 do ADCT. diante da aplicação imediata. IV. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. 7º. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. dentre outras. que. para tanto. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. XXXVI – “lei” em sentido amplo). b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. sendo regra a retroatividade mínima. Assim. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. vale dizer. Assim. por regra. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. tenha retroatividade média ou máxima. desde que haja expressa previsão. Contudo. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. Como outro exemplo de retroatividade mínima. Como se percebe. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. também limitado juridicamente). vale dizer. CR. IV. nada impede que a norma constitucional. 5º. Ex.

3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. a divisão de seus poderes (art. sobretudo. De uma forma geral. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. como também ao exercício abusivo de certos direitos. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. Dessa forma. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. Executam. Sob o ponto de vista dogmático. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. diverso e opostos. ainda não regulamentadas de forma mais específica. atuando como um limite. em um todo sistemático. por conseqüência. ao elaborar as leis. 4º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. seja como diretiva na solução de casos concretos. da função positiva que 89 . 2º). c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. é obvio. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. não só das ações dos poderes estatais. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. a menos. estrutura e fundamento (art. é claro. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. pois servem de critério para o legislador que. os quais estabelecem a sua forma. 1º). Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. o que os coloca numa posição de superioridade. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. Em situações novas. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. seja como orientação para progresso da legislação. assim. Desse modo.

Com o passar do tempo. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. a Constituição veda. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. sendo criados novos critérios distintivos da República. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. No tocante ao Poder Executivo. 90 . Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. aos entes que compõem a federação. 34. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. esses conceitos foram se esvaziando. que reinava de forma absoluta e irresponsável. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. 1º. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. DF e Município. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. o direito de secessão. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. A baixa densidade semântica. I). redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. CR). A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. quanto para o legislador na elaboração das leis. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular.

seja através de representantes. a legalidade da Administração. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. Em um Estado de direito. não apenas os indivíduos. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. não é absoluta e ilimitada. No que se refere ao princípio democrático. a vontade popular representada pelo parlamento. 91 . Sob o aspecto material. a independência dos juízes. Aqui. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. No Estado material de direito. ou. seja diretamente. à questão perene da Justiça. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. Em um Estado democrático. ainda. sob as circunstancias transitórias.

São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. por essa razão. No plano externo. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. 6º). O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. 92 . no plano interno. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. Todavia. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. uns para com os outros. a soberania migrasse do soberano para o povo. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. na ordem internacional. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. na ordem internacional. em nenhum momento podem ser colocados de lado. Por essa razão. por não ter de acatar. o indivíduo se sente útil e respeitado. independente.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. Supremo. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos.

como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. I). a partir do início da década de 90. com a queda do comunismo. sobretudo o sistema de direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. de reunião e de associação. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. científica. a sexual. Este fundamento é concretizado. 3º. a Constituição. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. de idéias e de instituições de ensino (art. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. artística. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. 93 . O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. mas. a intelectual. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. 170). que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. Mais tarde. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. a tortura. Fruto da concepção liberal. de interesses contraditórios e antinômicos. É ela o valor supremo que irá informar a criação. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. o que pode levar a divisões irredutíveis. 17). a de informação. conforme os ditames da justiça social. Por isso. 206. 220). ainda. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. justa e solidária (art. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. e. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. político (art. III). derradeiramente. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. assim. ao contrário. uma sociedade conflitiva. a profissional. 215 e 216) e dos meios de informação (art. independentemente de autorização de órgãos públicos. dentre elas. A escravidão. por natureza. é um princípio básico do liberalismo econômico. a sociedade pluralista é. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. passando a se revestir de normatividade. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. a filosófico-religiosa. a de opinião. salvo nos casos previstos em lei. Por essa razão. cultural (arts. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). deve constituir o seu objetivo supremo. 1º). de comunicação. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. partidário (art. 170). diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato.

por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. condição social ou qualquer outro requisito. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. Por isso. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. dentro dos direitos sociais. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. o que significa dizer que na criação. em alguns casos. econômicos e culturais. e. Todavia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. o acesso aos valores. não apenas por parte do Estado. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. mais importante. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. Esta acepção. mas também dos particulares. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Por outro prisma. 94 . ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. moradia. que seja efetivamente exigível do Estado. ou para com a pessoa. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. possui um caráter negativo. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. ligada ao valor liberdade. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. educação fundamental.) imprescindíveis para uma vida digna. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. Esta acepção. seja por terceiros. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. por outro. independentemente de usa origem. Poder-se-ia dizer. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. mas. na medida em que procura representar um subconjunto. por exigir uma abstenção. não como um fim em si mesmo. mas também a de que o Estado garanta. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. possui um caráter positivo. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). Portanto. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Assim. sexo. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. mas um atributo que todo ser humano possui. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. a todo e qualquer cidadão. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). em um primeiro momento. cada vez mais. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. idade. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. ligada ao valor igualdade. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). menor (minimizando o problema dos custos). etc. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. seja pelo próprio Estado. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. à dignidade da pessoa humana. Portanto. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). sua existência material.

5°. consagrados no plano internacional. devido ao custo de serem prestados. ligados à liberdade. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. Assim. 95 . CF/88. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. os direitos sociais (arts. . deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. . que divide os direitos fundamentais em: . Essa classificação é legislativa. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. igualdade e dignidade. 14 e seguintes). Enfim. portanto. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. devido à escassez de recursos. Em sua maioria.direitos à nacionalidade (art. O Estado deve fazer escolhas trágicas. são os direitos individuais consagrados no art. . .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. estão consagrados em normas de eficácia limitada. consagradas ao longo das constituições. Exigem uma atuação positiva do Estado. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Em sua maioria. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. basicamente. uma constitucional e uma doutrinária.direitos sociais (art. 6° e seguintes).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. 6º ao 11. pois surgiram em uma única época. Em termos materiais. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos individuais.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. São direitos ligados à cidadania. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Visam proteger o valor igualdade. 12 e seguintes). São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). Têm um caráter negativo. mas também no art. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. . do qual são espécies: . 5°. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. . 6° e 7°).direitos prestacionais: são. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. CR/88). Têm caráter positivo e negativo.direitos políticos (art. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. à participação política.

Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. portanto. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. queria que ele respeitasse suas liberdades. Estão ligados. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Como vimos. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. A 3ª geração. XX. como a família. são direitos de caráter negativo. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. econômicos e culturais. sobretudo de princípio programático). Esta é a sua preocupação principal. por exigirem uma abstenção. diretamente à igualdade material. já os de 2ª geração não. e geralmente em normas auto-aplicáveis. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Vejamos quais foram as gerações. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. São chamados direitos civis e políticos. 4º. São considerados basicamente como direitos coletivos. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Tais direitos têm caráter positivo. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. igualdade e fraternidade (nesta ordem). direito de comunicação. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. à autodeterminação dos povos. das gerações. São basicamente os direitos individuais. de 1789: liberdade. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. XVIII. CR/88). Não houve substituição de uma geração por outra. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Os direitos de defesa. movimento encabeçado pelo proletariado. exigindo uma abstenção. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. ao lado da 4ª. por exigirem uma prestação do Estado. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. 96 . Têm caráter negativo. diante da necessidade de cooperação. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. enfim. Eles foram surgindo com o passar do tempo. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. os direitos prestacionais.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. a autodeterminação dos povos (art. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. então. da solidariedade entre países ricos e países pobres. pois. Obs. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Ou seja. a imprensa livre e o funcionalismo público. ao desenvolvimento ou progresso. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Exs: direito ao meio ambiente. Por isso. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. e estas gerações coexistem atualmente. → Igualdade: Direitos Sociais. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Têm como objetivo. e a dele é a mais cobrada em concursos). Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Exigem uma ação do Estado. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. segundo Jellinek).

caso violados.I. inclusive das minorias. Além desse aspecto. Porém. à informação e ao pluralismo (D.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. que são as que. São também direitos transindividuais (em sua maioria. Quem tem o papel contra-majoritário. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. conserva nossas identidades. ele tem uma importância muito grande. os direitos de família. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. de conteúdo). mas há divergências na doutrina quanto a isso.: quanto ao direito à paz. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. na mesma disposição constitucional ou legal. → Globalização: direito à democracia. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. Assim. Ou seja. Ou seja. artístico. Aquelas instituem os direitos. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. são direitos difusos). Ex. a fixação da garantia. as disposições assecuratórias. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Paulo Bonavides. ocorrendo não raro juntar-se. Ele abrange um pluralismo religioso. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). Esta geração de direitos advém da globalização política. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. Ao lado da vontade da maioria.). outros são difusos). um pluralismo ideológico. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. 1º. ☺ADPF 132. em defesa dos direitos. quiçá quanto a 5ª. esta alteração não foi feita em seu livro. Ele preserva. 97 . como os previdenciários. que alguns dizem trazer os direitos à internet. estas as garantias. este direito teria um peso mais elevado do que os demais.P. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. que seria a vontade da maioria. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. etc. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Por isso o direito à democracia é tão importante. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). traz direitos ligados à pluralidade. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. limitam o poder. o direito a adoção. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. de ideologias políticas e partidárias. Quando se fala em pluralismo político. Os argumentos contrários a esta união. CR/88). as demais características são tratadas pelo prof. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. ao analisar a Constituição de 1891. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. o prof. e isso acaba por prejudicar as minorias. com a declaração do direito”. Em uma ponderação. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). V. um pluralismo cultural. econômico. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Afora esta peculiaridade. de orientações sexuais.

a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. confronto.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. 98 . por ex. O caput do art. .. . HD. portanto. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Nada impediria. Normas positivas. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. . sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. uma vez consagrado o direito. que só pode ser proposta pelo cidadão.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. através da interpretação sistemática. conjugando-a com a sua mínima restrição. ou caberá ao intérprete. Se são sempre exercíveis e exercidos. .Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. Obs. ainda que não individualistas. 5º. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. emite uma opinião (direito de opinar). Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. decidir qual direito deverá prevalecer. ou magistrado. nascendo com o Cristianismo. de modo indiscriminado.: direito de propriedade versus desapropriação). Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . quando. Contudo. no caso concreto. a todos os seres humanos. os apátridas e as pessoas jurídicas.). como é o caso.direito ao juízo natural (direito) – o art. é claro.Universalidade: destinam-se.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). .Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. XXXVII. . juntamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. ilegalmente preso.: HC. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. . ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. como é o caso da ação popular.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. etc. se o direito garantido não possui alguma especificidade. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. conflito de interesses. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. 5º. muitas vezes. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). Deve-se observar. são indisponíveis. havendo. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Isso porque. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais.Historicidade: possuem caráter histórico. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. os estrangeiros não residentes. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. mas nunca a sua renunciabilidade. coarctando. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. no caso concreto. Exemplos: .

e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. não dependendo de legislação. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. Posteriormente. Assim. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. pois. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. §1º.). a aplicação direta de DF às relações entre particulares. causando uma desfiguração no direito privado. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. mas. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Ingo Sarlet afirma que o art. mas o pressuposto do qual ela parte). falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. fala-se. então. então. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. analisando caso a caso. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. Não se admitiria. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. No entanto. ordem pública. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. 5º. só trazendo relações entre o Estado e o particular. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. §1º. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). 5º. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. 99 . o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. fática e juridicamente. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. para isso. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. etc.

RE 160. mas. que não adota essa teoria). de uma forma geral. Se.) . como a segunda.700. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. em geral.00 para R$ 86.RE 158. E como os princípios são muito vagos. é possível a sua aplicação com base na Constituição. Segundo Virgilio da Silva. se exteriorizam. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . devendo sobre eles prevalecer. Ainda se trata de uma questão muito nova. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . Segundo esta teoria. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. contrato de adesão. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. quando há uma relação de igualdade real na relação. Os DF são expressados. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. através de princípios. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. esta teoria seria a mais adequada.RE 201.RE 175. Determinação de observância do Princípio da isonomia. . . Em contrapartida. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. então. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.*RE 161. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. tão somente pela falta de previsão.24. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.243/DF.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. O juiz.HC 12. etc. não sendo necessária uma intermediação legislativa.: empregado e empregador. mesmo realizando atividades idênticas. Espanha e Portugal. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. . a proteção tem que ser maior.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). mas ainda não há decisão quanto a isso. 249. . isso poderia causar uma série de problemas.Resp. Assim.☺RE 161. houver uma desigualdade fática. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. a aplicação será indireta. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. A autonomia da vontade requer tal ponderação. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. A jurisprudência. Para a realidade brasileira. muito abertos. Se não houver uma previsão expressa na lei. para que os princípios pudessem ser concretizados. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. . em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. ainda que esta regulamentação não exista. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. e. Mas. no entanto. . Por isso deveria haver essa intermediação legislativa.858. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

103

aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. é. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. 5º. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. XLVII. não há que se falar em não exercício). Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. um caso constitucional de violação de direitos. Este pode ocorrer. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. ☺art. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. como DF é pressuposto dos demais direitos. 5º. Nos 78 incisos deste art. 5º. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. O direito a vida. Por isso. pois a vida é uma direito irrenunciável. caput. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). de forma que não se pode falar em direitos absolutos. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. No caso do big brother. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. não há uma renúncia definitiva. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. um outro direito fundamental. Há dois entendimentos: 104 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. 1º. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. II. CP) a questão é um pouco mais polêmica. ☺art. A renúncia é definitiva. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. abre-se mão temporariamente à privacidade. Esta questão é bastante clara.: esta segurança que o art. à igualdade. por óbvio. 170. 128. III e art. pois. também não pode ser renunciado. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). Obs. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. CR/88. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Porque o direito à vida é irrenunciável. CR. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. à segurança e à propriedade. à liberdade. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna.

Direito à privacidade: 105 . CP não teria sido recepcionado pela CR. então. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. como todos os outros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. o STF não estaria legislando. sem o sistema nervoso central. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. é uma forma de tortura psicologia. Ademais. Para o direito brasileiro. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. assegurando a autonomia da vontade. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. a vida termina com a morte encefálica. discutida na ADPF 54. em razão do risco de morte intra-uterina. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. e. insuficiente para a proteção do direito. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. II. não haveria vida. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). 3) dignidade da pessoa humana. entendeu que. o art. mas sim da acrania. 128). nas quais não se tem uma opinião moral definida. OBS. mas de modo geral). portanto. além de colocar em risco a sua própria vida. . ela é a única ação de controle abstrato cabível. E o direito à vida. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. por isso. o feto não tem a menor chance de sobrevida. mas sim interpretando a CR/88. Se há dois argumentos defensáveis. a morte não decorre do aborto. 128 (em 1940). Nos EUA e na França. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. A questão ainda está sendo discutida no STF. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. sabendo que ela vai morrer. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. já que o CP é anterior à CR. por 7 votos a 4. O STF. 128. segundo Canotilho. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. é relativo. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. já que na época em que foi feito o art. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Se isso fosse possível.

é a esfera da vida privada. Esta é excludente de ilicitude. uma gravação feita clandestinamente. pois há uma excludente de antijuridicidade. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Será considerada prova lícita. CR. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. no art. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Ex: matérias de interesse público. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. os princípios da moralidade e da publicidade. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Se tiver gravado um crime. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. histórico. X. O agente público. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Nesses casos. O direito de liberdade é maior. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). CR. Questão de Concurso: Gravação clandestina. quando pratica um ato na condição de agente público. sobretudo. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. que se subdivide em: intimidade. Se filmar uma passeata. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. por exemplo. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Ex. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. na verdade. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). veremos cada um separadamente. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. científico ou cultural. Ex: Radares eletrônicos. são direitos independentes. etc. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Mas. vida privada. a restrição é legítima. Proteção da honra e da imagem. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. 5º. É gênero. contra um chantagista. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Numa gravação clandestina. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Então. Logo. 5º. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Não há que se falar em colisão. de uma forma geral. não há violação à privacidade. contra um estelionatário. não tem privacidade. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. Ainda que não afete a honra. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. X. a gravação é considerada lícita. É vedada pelo art. em seguida. O direito a privacidade está consagrado. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. maior a proteção a ser dada. No entanto. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. quebra de sigilo e interceptação telefônica. o direito à imagem foi violado. a imagem pode ser usada num processo. sobretudo. 106 . O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Ao realizar essa ponderação. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Neste caso. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. ela é ilícita. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Em regra. a honra e a imagem das pessoas. O prof. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. 1. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas.

falaremos da interceptação telefônica. O STF decidiu que. XII. essa decisão foi para um caso específico. Na Itália. Quando a CR fala em “poder de investigação”. ele não pode requisitar diretamente. Dentro do próprio STF há divergência. CR. A lei. que é uma exceção a essa regra. 107 . às informações constantes na declaração de imposto de renda. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. fiscal e telefônico. Ainda que se admita a criação de CPI municipal.. § 3º. o BB poderia quebrar o sigilo. O prof. fiscais. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. não poderá quebrar sigilos. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Dentro dela. por ex. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. Os jornais publicaram essas declarações. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Essa exceção só confirma a regra. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. 2. está em vigor. etc. Se ele quiser. Além do juiz. 58. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. São poderes instrutórios. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Tem uma decisão do STF muito comentada.). outros dizem ser pelo art. outros entendem que não há proteção. XII. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. já que não existe poder judiciário municipal. como havia verba pública envolvida. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. em ação cível originária. 5º. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. não há decisão do STF. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. com base no princípio da simetria. Ele alegou a ilegalidade desse ato. Quanto às CPIs municipais. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Quem pode é só o juiz e a CPI. Ex: extrato de conta corrente. divulgaram todas as declarações na internet. No entanto.: Podem existir várias outras exceções. a duração da chamada. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. De acordo com o art. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Quando se quebra o sigilo telefônico. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. 3. mas na decisão acima houve discussão a respeito. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. por enquanto. informáticos. X. E o Ministério Público? Segundo o STF. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. 2°) admite. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. O Min. de um cd room. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. 5º. ainda que não seja sigilosa. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. naquele caso específico. deve ter uma certa salvaguarda. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. O inciso X impede a gravação clandestina. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. 5º. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Essa declaração. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente.

Quando se falou do método tópico problemático. 5º. Ela protege 4 formas de comunicações. Para o STF. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Se um souber. segundo o STF. sobretudo. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. 5º. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Então. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Ela deve ser usada para situações excepcionais. o sigilo poderá ser violado. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. X. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Porém. Na prática. Em relação a essas. protege-se apenas a liberdade de comunicação. os dados de informática em si não estão protegidos. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. também protege a privacidade. protege a liberdade de comunicações. seja pelo art. segundo o prof. a Constituição não estabelece qualquer requisito. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Para o prof. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. é equivocado.. Mas isso não é a posição do STF. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. mas. não estaria protegido por esse dispositivo. 5º. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. abrem-se todas as correspondências. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. durante o estado de defesa e o estado de sítio. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. mas foi feita por um terceiro. Além dessas duas hipóteses. Na interceptação. já que protege-se a liberdade de comunicação. 5º. XII. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Aliás. Nessas hipóteses. será gravação clandestina. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. seja pelo art. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. O art. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Em relação à comunicação epistolar. Se um souber. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. No entanto.. Com relação ao sigilo de dados. será interceptação telefônica.. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). neste caso. por uma terceira pessoa. Não são admitidas para outras finalidades. Para o prof. a liberdade de comunicação. XII. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. em determinadas hipóteses. o STF tem um entendimento que. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Pois. O STF entende que com base o art. pode haver restrições às comunicações telefônicas. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação.

O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. imagine numa situação normal. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. nem a CPI. prorrogáveis por mais 15). Durante o estado de defesa. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Se numa situação excepcional. c) Art. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. LXI: possibilidade de prisão. LX: sigilo imposto a processo judiciário. salvo o flagrante delito. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. a polícia pode entrar. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. não há falar em violação de domicílio. Segundo o STF. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Nesse artigo. 5º. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. 5°. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. XI: violação de domicílio. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. o Min. Além disso. Sem consentimento já é diferente. 2. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. violado. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Nem mesmo CPI. Ela deve ser o último recurso. Pode ser que com os abusos recentes. Na jurisprudência do STF. seja durante o dia seja durante a noite. CF/88. por nenhuma outra autoridade. se houver o consentimento de um dos moradores. vejamos: a) Art. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. d) Art. Art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. qualquer pessoa pode entrar. 5º. pode determinar a prática desses atos.296/96. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Somente o juiz. Com o consentimento. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Ou seja. devemos analisar 2 situações diferentes. Vejamos as situações: 1. Se houver o consentimento. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. 5º. e mais ninguém. Essa decisão foi recente (☺MS 27. 5º. Ex: crime dentro de uma residência. Então. a entrada deve ser permitida pela empregada. • Prestar socorro 109 . XII: interceptação telefônica b) Art. Como é o meio mais fácil. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Com relação à inviolabilidade do domicílio. essa lógica tem sido invertida. nesses casos. O professor acha que há certo abuso neste caso. Recentemente. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. A Constituição trata de 2 situações distintas. XII. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. e não pelo dono da casa.483 – medida cautelar concedida nesse MS).

a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. consultórios. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Alguns autores. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Quando o sol nascer é dia. não entra no conceito de casa. se estiver vazio. hoje. E o carro? O prof. mais adequado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. não só dos moradores daquela casa. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. 110 . poderá cumprir o mandado até as 20 horas. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Se entrar com o uso da força. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. compreende escritórios. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. ☺Art. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. mas dos vizinhos também. Na maioria dos casos. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. 150. 3. Se houver o consentimento do morador. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. porque a noite é o período de descanso. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. que traz uma conceituação bastante extensiva. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. compartimentos habitados. a prova colhida será considerada ilícita. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Só que o STF já proferiu decisões. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. mais tradicional. na parte em que o público tem livre acesso. não poderá mais entrar no domicílio. onde o caminhoneiro dorme. entra no conceito de casa. seja do dia seja da noite. 2. não encontrou nenhuma decisão a respeito. quando o sol se põe é noite. prevista no dispositivo. Ex: parte de trás do caminhão. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. pois se respeitar também o critério cronológico. entre eles Alexandre de Moraes. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. estabelecimentos comerciais e industriais. a casa pode ser invadida a qualquer hora. a prova é lícita. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. entre outros aposentos. Segundo ele. É utilizado por JAS. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. por serem situações emergenciais. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Então. Segundo o entendimento do STF. não entra em conceito de casa. Entra no conceito de casa. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. CP.

2. é necessário que ele seja: 1. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Mas. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Esse critério é razoável. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. 7º. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Para esses casos. Nestes casos. idade. CF/88. Não irá fazer concurso para homens participarem. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. arbitrário. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. razoável e proporcional. Razoável 3. justifica-se a altura. discriminatório. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. da constituição. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. em situações diferentes. CR. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. XXX. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. pois viola o princípio da isonomia. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Se o critério não for objetivo. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. 5º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. 7º. cor e estado civil. Objetivo 2. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. ele não estará de acordo com o fim consagrado. É a que está consagrada no caput do art. Quando se fala em princípio da igualdade. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Ex: critério preconceituoso. Uma vez dentro do estabelecimento. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. 111 . Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. XXX. Esse critério não é nenhuma discriminação. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Para que o critério seja constitucional. não significa que a lei não possa fazer distinções.

Segundo JAS. A tendência é que elas aumentem. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Porém. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Ex: Alíquotas de imposto de renda. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Se o Estado não proporcionar esses direitos. e prolongaram as que já existiam. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. O prof. Dificilmente. Em princípio. Para o professor. não haverá uma igualdade real. Tem autores que entendem ser inconstitucional. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. para tentar reduzir as desigualdades. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. ☺art. acha que esse argumento não convence. 112 . Mas. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. mas é necessário analisar uma série de fatores. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. 5º c/c art. Criaram-se outras ações afirmativas. 3º. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. aconteceu o contrário. pois elas criam uma discriminação reversa. por exemplo. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. surge a questão relacionada às ações afirmativas. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. essas ações são constitucionais. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. seria igualdade material. A cota deve ser proporcional à população. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Para outros autores. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. essas ações deveriam existir por 10 anos. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. No caso da Índia. Não é uma forma de resolver o problema. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. o critério discriminador seria desproporcional. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Quando se fala em igualdade material. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. e não à igualdade material. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Essas ações não surgiram nos EUA. e os desiguais de forma desigual. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. que eram desiguais em relação aos seus senhores. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Então. Quando se fala em igualdade material. mas na Constituição Indiana em 1947. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Visa uma redução das desigualdades fáticas. Isso é igualdade formal.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. disse que está ligada à igualdade material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Ex: Cotas para pessoas carentes. O prof. mas reduzir as desigualdades existentes. utiliza-se das ações. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. igualdade e fraternidade.

. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. são destinatários do princípio da igualdade.medida imediatista e inapropriada. tolerante.fomenta o racismo e o ódio racial . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. mas também para quem irá elaborar a lei. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. Apesar de ser uma relação entre particulares.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. sem exceção. Isso é uma questão de política pública. pois já faz parte do próprio critério republicano. Poder Executivo e Poder Judiciário). A justificativa parece não ser inconstitucional. seja pelo governo.Poder Legislativo. visa compensar uma dívida histórica. CF/88. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. Eles foram libertados. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. não sendo necessária essa distinção.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.favorece negros de classe média alta. seja por particulares. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. Portanto. quando se fala em destinatários. . O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. aberta.fere o mérito. mas eles não tiveram oportunidade de escola. 113 . Juridicamente falando. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . de saúde. cientificamente falando. Eles não têm apenas a eficácia vertical. Além dessa eficácia. Então. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.princípio da isonomia (discriminação reversa). .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. O problema é com relação à subjetividade do critério. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. previsto no art. . miscigenada e multicultural. . (18/06/09) Argumentos favoráveis: .em uma sociedade pluralista. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. Argumentos contrários: . 208. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. . atinge todos os poderes públicos . O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. No Brasil.

alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. CPC – ação de alimentos. o problema é dele. Se o sujeito será responsabilizado ou não. 100. ela é constitucional. não teria sido recepcionado. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. 5º. Apologia ao crime é diferente disso. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. para outros teria. Ex: Passeata para legalização da maconha. Basta ser um critério objetivo e para todos.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. O homem não é a parte mais frágil da relação. Se a pessoa agiu de forma abusiva. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. É livre a manifestação de pensamento. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. desde que essas restrições não sejam autoritárias. discriminatórias. e violou direitos de terceiros. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. É uma denúncia feita anonimamente. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. As provas 114 . Ex: art. Não existem direitos absolutos. Logo em seguida. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. a lei pode estabelecer distinções. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. Isso significa que. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. I. é outra questão. ela exerceu o seu direito. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. ele deve licitar. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. sendo vedado o anonimato. etc. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Não é um direito absoluto. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. de expressar o pensamento. Ex: Lei Maria da Penha. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. 5º. Para alguns. segundo o professor. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Mas. não deve ser estendida para os homens. IV. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Pode defender no plano das idéias. Logo. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. ela pressupõe responsabilidade. mas apenas para as mulheres. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. ela pode ser responsabilizada. Protege a mulher. É constitucional? Sim. O particular não é obrigado. em princípio. em regra. Por que a Constituição. Questão de Concurso – Cespe: No art. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares.

abrangendo a liberdade de crença. O Estado deve manter-se neutro. Quando são produzidos pelo próprio acusado. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. O dever funcional da autoridade é investigar. 2. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. I. VI. 3. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. houve a total separação entre Estado e Igreja. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. de crença e de culto. há 02 hipóteses em que o STF admite. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. 5º. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. A liberdade de consciência é a mais ampla. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. de ter crença. e. No Brasil não há uma religião oficial. por exemplo. com o advento da República. ainda 2. Em relação ao culto. ela deve ser protegida. CR. Porém. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Ex: seqüestrador escreve bilhete. Isso significa que. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. pedindo resgate. inclusive em lugar aberto ao público. deve ocorrer uma “tradução institucional”. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. ele não pode ser admitido. → Alguns temas polêmicos: 115 . os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. não é o caso do Estado brasileiro. o equilíbrio das religiões. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Para Habermas. desde que não viole o direito de terceiro. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. 19. Os templos recebem uma proteção especial. O Estado brasileiro. O culto pode ser exercido em qualquer local. Esta liberdade está consagrada no art. 2. Garantir a simetria da liberdade religiosa. então. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. se não há qualquer identificação. desde 1989 (advento da República). apesar de a maioria da população ser católica. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Vejamos: 1. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. A religião desempenha um papel fundamental. CR. Não se pode admitir que o parlamento. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. ou de não ter crença em nada. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Pode fazer um exame grafotécnico.

O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. a competência é em relação à cultura. Segundo o prof. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. O tribunal. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. e cultura é competência comum – da União. CR). O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. CR). O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. e não à justiça do trabalho – ☺art. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. logo. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. 23. são culturais. ocorreu um caso muito semelhante. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. a competência é da União. o argumento supracitado não está correto. Portanto. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ.. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. É importante respeitar o ensino de cada um. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Para o prof. não poderia ser confessional. inegavelmente. O 116 .. São feriados puramente religiosos. Entretanto. a escola não deve impor ao menino. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. fazendo uma ponderação entre os princípios. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. onde se tem poucas escolas boas. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. estados e municípios (☺art. §2º. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Mas. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. há algumas ações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Neste caso. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. e o aluno optou a se matricular nessa escola. Pode um ateu. §1º. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Há um trecho do livro do Dworkin. a neutralidade do Poder Judiciário. Não teria sentido acabar com esses feriados. 5º. políticos e religiosos. CR. os argumentos religiosos não fazem parte da política.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. . A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. VIII. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. que odeia guerra. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Na Alemanha. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. . Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. então. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Entretanto. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. 210. 215. imagine uma cidade pequena.

CR. mas a de permanecer associado. CR. ☺ art. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. na forma da lei. essa hipótese é de representação processual. mesmo que em locais abertos ao público. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Ex: fazer segurança. mas direitos individuais de expressão coletiva. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). XVI. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Criação de associações e. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. IV). 3. 2. Liberdade de reunião. CR: Não é só a liberdade de se associar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . mas os políticos. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. por sua vez. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. etc. não são os religiosos. 5º. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Criação de partidos políticos. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. então. 5º. Se não houver essa lei. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. conforme portaria da ANVISA. XVII e XXI. 5º. ainda. terminada a reunião. 4. desviar o trânsito. tem o caráter permanente. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Criação de sindicatos. elas vão embora. Há. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. de cooperativas. O prof. Ex: reunião de condomínio. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1.) 2. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Para que as pessoas possam se reunir. ☺art. não é necessária a autorização estatal. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Por que a CR exige prévio aviso. XVI. (Não pode reunir pessoas armadas. Quem fará a tradução não é a Igreja. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). as pessoas se reúnem e. JAS diz que não são direitos coletivos. A pessoa alega imperativo de consciência. 15. A associação. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. 5º. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. XXI. A República é o governo das razões. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Não cumprindo com a obrigação. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. o argumento deve ser racionalmente justificado. Ex. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Segundo Jean Rivero.

ter um patrimônio mínimo. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Há um outro entendimento que. É o entendimento de Daniel Sarmento. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. 5º. Segundo ele. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. 5º. Segundo JAS. O sindicato (☺art. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). no seu art. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Ex: Invasões de terra pelo MST. por exemplo. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. A Constituição não garante o direito à propriedade. 118 . como a Constituição garante o direito de propriedade. a propriedade terá uma proteção menor. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Ela só garante o direito de propriedade. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). ☺art. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. ilegítimas. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. se não for atendida. Só pode representar se houver autorização expressa. CR) quando ajuíza uma ação. não pode existir mais de uma federação por território. III. não precisando de autorização expressa. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. é mais correto. A associação impetra em nome próprio. 2. garante o direito de propriedade. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. não impede que o direito de propriedade seja protegido. ADC e ADPF. O que acontece é que se não cumprir a função social. Segundo o STF. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Se ele tem proteção. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. XXII. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. pode ser dada numa Assembléia Geral. a função social. XXIII. segundo o qual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. Em seguida. em seu art. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade.. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. não são legítimas essas invasões. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. Segundo o STF. defendendo direito alheio. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Segundo o STF. do próprio regime desse direito. segundo o prof. portanto. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. mas sim contrárias ao direito e. 8º. LXX. segundo o prof. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. tendo um menor peso na ponderação. Função Social da propriedade: A CR. o direito de propriedade pertence ao direito público. mas não pode ajuizar ADI. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. 5º. mas faz parte da estrutura desse direito.

restringe o caráter absoluto. Propriedade Urbana: ☺art. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. uma escola pública. Os principais aspectos são 2. diante de uma emergência. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. A polícia requisitou determinadas propriedades. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Na requisição. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. 182. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. a indenização será sempre posterior. Desapropriação: Diferentemente da requisição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. 139. ou por interesse social. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. só haverá indenização se houver dano. §4º. Sempre haverá indenização. normalmente. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. 2. IPTU progressivo no tempo. a saber: a. que deve ser prévia.000 habitantes (§1°). a saber: por necessidade pública. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Vejamos abaixo. §2º. Propriedade Rural: ☺art. deve haver indenização? Não. justa e. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). como decorrência do primeiro. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. Para atender a função social. por ser inerente ao direito de propriedade. CR. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Além do caráter absoluto. como um apartamento. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. CF/88: Trata-se de imóvel rural. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. em regra. Logo. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. b) ☺ art. indenização por títulos da dívida pública). Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. CR. b. VII). → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. 5º. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Vejamos: a) ☺art. 186. 184. 182. na desapropriação. A função social. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. ele não poderá ser prejudicado. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Sempre que há requisição. deverá ser em dinheiro. XXV) e as militares (☺art. Ex: caso de Eloá. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Como haverá indenização se houver dano. É um aspecto lógico. mas sobre a propriedade em si. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. há uma transferência compulsória da propriedade. etc. No caso de requisição. o proprietário não tem culpa. por utilidade pública.

precisa recorrer ao judiciário). 184. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. CR). os bens serão confiscados – art. não há pagamento de indenização. Usucapião: Na Constituição da República. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). §5º. emergências da sociedade. Para esse fim. PU.o morador não pode ter outro imóvel. parágrafo único. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). 50 hectares. no máximo. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Como o confisco é uma sanção. Requisição Refere-se a bens e serviços. 3. regra. por ter prazo menor. Vejamos: . b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Necessidades transitórias. 2. . sejam urbanos ou rurais.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. paga em dinheiro). 243 da CR. possuir o imóvel como se fosse seu. . Só não podem ser para fins de reforma agrária. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. Necessidades permanentes da sociedade. É sempre indenizável (justa. seja urbano ou rural.). 120 . ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. 250 m2.: Imóveis públicos. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). 5º.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). prévia e. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. não precária. pacífica. O confisco de propriedade está previsto no art. é porque ela está cumprindo a sua função social. . no máximo. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 191. Confisco: No Brasil. ininterrupta. Se ele tiver outro imóvel. o imóvel deve ter. .Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). 243. 185.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . não podem ser adquiridos por usucapião. Nesse caso. §3° e art. CF/88. em Indenização posterior se houver dano. CR). tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Na CR. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. São imunes a impostos (☺art. sem oposição. etc. A Constituição não permite – ☺art. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. Obs.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. Se ela é produtiva. Só que. 183.

interpretando a lei da maneira (A). Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. mas deve respeitar a coisa julgada. As hipóteses mais importantes são: 1. Para responder a essa questão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. a saber: 1. é uma conjugação das duas anteriores. só que exclusiva para o direito tributário. XL. Alguns a interpretavam de maneira (A). 3. Retroatividade da Lei Penal. Todas as demais o consagraram. não. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. Esta hipótese é. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. No direito penal. 5º. 2. mas que vale especificamente para o direito tributário. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. outros a interpretavam de maneira (B). Em regra. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. não era muito democrática). ato jurídico perfeito e coisa julgada. 106. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. 5º. CR). 5º e no art. Em resumo. etc. A garantia existe para a proteção desse direito. a CR/88 entrou em vigor. XXXVI. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. média e mínima. b) Retroatividade benigna. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. na verdade. Seria correspondente à primeira hipótese. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. desde que seja mais benéfica para o réu. é necessário diferenciar duas situações. a lei interpretativa retroage. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. A lei interpretativa retroage. inicial. Durante a vigência desse contrato. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. a regra também é a não retroatividade (art. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. autônomo. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima.

Só que para haver essa retroatividade. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Após a Constituição de 1988. XXXVI) é lei em sentido estrito e. A EC poderia prejudicar direito adquirido. através de norma de eficácia plena. até mesmo. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. É o ato que está apto a produzir os efeitos.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Não pode haver a redução. → Coisa julgada: 122 . mas isso está superado. Na retroatividade máxima. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Nesse caso. será necessário que a Constituição diga expressamente. ela afeta a todos. coisa julgada e ato jurídico perfeito. haverá uma retroatividade média. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Se a Constituição atingir essa prestação. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. . teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Portanto. em regra. e não as parcelas que compõem o vencimento. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. O prof. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. porque geraria uma insegurança jurídica. 5º. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. . O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Ex: Determinada prestação. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. no caso de retroatividade mínima. Ex.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. As parcelas podem ser reduzidas e. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. . Só que para haver essa retroatividade. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. de acordo com a legislação da época. ☺Súm. não há posição prevalecente. 2. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. mas as leis não.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. 473. Havendo mudança de regime jurídico. STF. É claro que isso não é desejável. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. e não o ato exaurido. interpreta a lei em sentido amplo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. É claro que isso não é desejável.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Antes de a prestação ser paga. portanto. extintas. e não lei em sentido restrito. inclusive as de ordem pública. b) Retroatividade média: pode ocorrer. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. 654 e Súm. haverá uma retroatividade máxima. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. automaticamente. a Constituição da República entrou em vigor. . o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. porque geraria uma insegurança jurídica. Se mudar o real.

Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. Já os direitos sociais. e não propriamente como ministro). e pelo Min. exigem uma atuação positiva do Estado. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. independentemente de qualquer fator.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas.☺art. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Eros Grau. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. b) o art. Assim. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. ou seja. segundo Robert Alexy. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Direitos Sociais: 1. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. do seu enunciado. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. 2. §1º. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. são NEL (de princípio programático). Em cada época. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. No art. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. pois são mais facilmente implementados. A administrativa não tem essa proteção.. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. independentemente da sua natureza. Dirley Jr. . Ou seja. como doutrinador. Eficácia: todo direito tem um custo. Os direitos de defesa são. nós deveríamos interpretar o art. 5º. . de sociedades pluralistas. mas é apenas a coisa julgada judicial. o que significa que possuem um caráter positivo. Por isso. à medida que a sociedade o determine.: salário mínimo). Os princípios. são mandados de otimização. 7º. e isso para muitos é um ponto negativo. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. 5º. como teórico do direito (ou seja. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. 5º. por ex. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Mas isso não é verdade. consagrados em NEP ou NEC. para dar decisões concretizando tais direitos. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. em regra. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. em sua maioria. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos.

O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Portanto. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). é importante definir tais critérios.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. por ex.000. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.. A visão do juiz é bilateral. que estamos buscando. educação. quando foi dado um maior papel ao PJ. Por isso. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. por ex. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. etc. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos.). não geram direitos subjetivos. 3ª fase: é a fase desejável. pois. Obs.000. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Esses direitos sociais não teriam. . O que se busca. normatividade. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. pois. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. . para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Como têm apenas eficácia negativa. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. todas. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. Norma de direito social não gera direito subjetivo. por ser norma programática. legítimas (saúde. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. previdência. Em outros lugares. trabalho. lazer. só porque recorreram ao PJ. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. assim. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. em tese. Pedro Taques). Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado.). Argumentos contrários à intervenção judicial: . Quando se fala em direitos sociais. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Primeiramente. implicitamente. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. essa atuação talvez não seja tão justa. rodovias. Esse entendimento já foi superado. doutrinador do RS. as normas possuem uma textura aberta.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Assim. segurança. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 .

não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Ademais. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. o outro cresce. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. e é muito utilizada no Brasil. Assim. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. em razão do Princípio da Igualdade. pois. É preciso. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. eles acabariam sendo inviabilizados.Caráter normativo da constituição. ou seja. sufrágio universal. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. inclusive a minoria. por isso. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Os direitos sociais estão consagrados em normas. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. teríamos a maior utilização das ações coletivas. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado.Déficit democrático das instituições representativas.A democracia não é apenas vontade da maioria. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. Não é o entendimento que prevalece. Mas. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. A reserva do possível. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). . II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. segundo Ingo Sarlet. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Esses argumentos são os que devem prosperar. 125 . . Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. De se ver que quando se fala em direitos sociais. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Se um poder se encolhe.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Se não se estabelecer os critérios. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. em razão das limitações orçamentárias existentes. no que diz respeito aos direitos sociais. em 1972. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. . entra-se muito nas questões ideológicas. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. eleições periódicas. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. não se encaixaria na realidade brasileira. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. saber se a demanda é razoável.

é o entendimento mais adequado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Se não definir o conteúdo. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. a questão da efetividade será prejudicada. assistência em caso de necessidade. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Assim. maior o risco de não ter efetividade. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. educação e moradia. saúde. que a demanda custa y. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. em razão de sua textura aberta. Segundo o prof. Por que falamos em “mínimo”. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. No Brasil. que existem z pessoas na mesma situação. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. da liberdade material e do princípio do estado social. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. essa concretização. etc. Segundo Ana Paula de Barcellos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. que é a corte suprema na Alemanha. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Segundo Ricardo Lobo Torres. é o mínimo existencial. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Outros autores já falam apenas em saúde. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não.. quando se estabelece o mínimo existencial. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). mas teria um peso maior na ponderação. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. precisam ser concretizados. A efetividade passa pela sociedade. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. mas deve também ser provada. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Não é o máximo desejado. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. . em 1953. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. por ser necessária para a 126 . . pelo cumprimento voluntário da constituição. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. 2. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. Ou seja. depende de cada época e de cada sociedade. Vejamos: 1.

JAS.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Ex. da máxima efetividade (art. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. esse prazo não pode mais ser reduzido. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. históricos. Ele tem. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. segundo ele. 127 . Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. Segundo ele. pois. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. assim. língua. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. A partir do momento que um direito social é concretizado. irão concretizar os direitos sociais. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. passaria a fazer parte do próprio direito social. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. de acordo com a necessidade. costumes. já dizia algo muito semelhante. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. fazem parte da população brasileira. 5º. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. haveria um engessamento do legislador e do PE. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. independentemente da nacionalidade. estatístico. §1º. o que prejudicaria a sociedade. fala-se em vedação do retrocesso social. não pode haver uma redução dessa concretização. e. ao estudar as normas de princípios programáticos. Pode. consciência coletiva. CR). da dignidade da pessoa humana. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. haver uma redução do grau de concretização. População está relacionada ao conceito demográfico. e do Estado Democrático e Social de Direito. só ampliado. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. que significa nação. Os poderes públicos. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. entre eles: laços culturais. Todos que moram no Brasil. Há dois posicionamentos quanto ao tema. um pensamento mais flexível sobre o tema. 2) posicionamento de um autor português. Por isso.

b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. o filho terá nacionalidade brasileira. considera a nacionalidade dos pais. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. não há direito público subjetivo. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. estrangeiros residentes. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Refere-se aos brasileiros natos. É geralmente adotada por países que estão em formação. Refere-se aos brasileiros naturalizados. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. 112 e 115.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Se o casal estiver a serviço de outro país. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. De acordo com o critério sanguíneo. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. I. §6°. CF/88. 12. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. 12. Obs. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei.Diferenças de tratamento 128 . desde que haja reciprocidade. b). Neste caso. 227. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). se não se manifestarem contrariamente.815/80. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”.Quase nacionalidade (art. II) Jus Sanguinis: ascendência. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. não haver condenação penal e requerimento do interessado. É o caso do Brasil. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. c. art. A EC 54 alterou o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 12. II) Naturalização expressa (art. os pais têm que ser brasileiros. Quando a pessoa é nascida no Brasil. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. por uma questão de soberania nacional. I. a). de acordo com o art. . em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. há direito público subjetivo do estrangeiro. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. terá naturalidade brasileira. adquirem a nacionalidade do país onde residem. . §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. I. 12. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Pelo critério funcional. 12. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário.

se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. não se poderá invadir esse estado. no entanto. Na extradição. em razão da superioridade da Constituição. XL. b) 6 assentos do Conselho da República (art.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. só poderá ser extraditado: . Já na entrega. Os critérios utilizados são: . em razão da soberania nacional.segurança nacional: oficial das forças armadas. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. CF/88). . 12. No caso de brasileiro naturalizado. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. . cria-se um problema de relação internacional. Importante analisar a Súmula 421.linha sucessória do presidente da república: PR. a ela aplica-se a súmula 1. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. . confundir a súmula acima com a seguinte. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art.815 (ato nocivo ao interesse nacional). O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Expulsão: consiste na retirada a forca.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. ou que tenha filho brasileiro. §2°. 12. Mas. 89. Não se pode. presidente do SF. dependente da economia paterna. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. CF/88): 129 .Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 5°. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). d) Extradição (art. portanto. 5°. §4°. Mas. §3°). 12. . A deportação está mais próxima da expulsão. 5°. . o brasileiro será julgado pelas leis de outro país.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. presidente da CD.Perda da nacionalidade (art. Se o estado desrespeita essa regra. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. do território brasileiro. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. vice. .Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. Princípios relacionados à extradição: . 65 da lei 6.

. 14.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 81. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. 14. inclusive sendo cláusula pétrea.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. voto é o exercício desse direito.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. §1º).tem valor igual para todos: “one man. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. com uma única exceção: art.é periódico: essa periodicidade do voto. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. 130 . II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. com a realização de eleições periódicas. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. é o direito de votar (e não de ser votado). salvo nos casos das alíneas a e b. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. one vote” – “one person. A CR/88 adota o sufrágio universal. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. §1º.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). e esse país não admite dupla nacionalidade ???. São requisitos apenas técnico-formais. Além dessas características do voto. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). Para JAS. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. caput). o sufrágio censitário (ex. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. pelo CN. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. perderá a nacionalidade brasileira. que exige uma alternância de poder. one vote”. Servem ao controle do próprio direito. e não requisitos preconceituosos. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). é o direito político em si.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. ou seja. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. . na forma da lei (que ainda não existe). . Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.é direto: é a regra. salvo se por meio de ação rescisória. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. Direitos Políticos: . Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. . O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. nacionalidade e alistamento. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Características que o voto possui no Brasil: .

Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. 14. filiação partidária. os inalistáveis são os estrangeiros. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. ☺ar. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). §8º). devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. . mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). Primeiramente. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). etc. trata-se de lei ordinária. do art. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). Mas o §9º do art. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. 14. No Brasil. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). em caso de reeleição. Além dessas condições relativas à idade mínima. se houver reciprocidade (art. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . Quando a Constituição fala apenas em lei. no caso do art. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. 14 traz um questionamento. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. domicílio eleitoral na circunscrição. 14. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. 12. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. §5º . §7º . a inelegibilidade em relação aos militares (art. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. §3º. . A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. 14). ou seja. 14. salvo se já titular do cargo.é conhecida como inelegibilidade reflexa. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. 14. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. 14. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. que geralmente admitem desincompatibilização. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. Ex. Assim. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). ou seja. no governo de SP).☺§3º. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. então. é o direito da pessoa ser votada. até que se atinja a plena cidadania.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. assim. §1º). §3º? Segundo o STF. dentistas. com exceção dos portugueses equiparados. ela é adquirida progressivamente. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos.

I. é algo temporário. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. portanto. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 15. 15. não há como readquirir os direitos políticos). adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. III e V) são hipóteses de suspensão. 5º. Kildare. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. Todas as outras hipóteses do art. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Com base nessa distinção. o prof. e quanto a isso não há divergência doutrinária. nos termos do art. VIII). que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. 132 . A doutrina (JAS. seus parentes também poderiam ser candidatos. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. 15 (incisos II. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. mas o prof.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful