Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. E para isso. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. É. Kildare Gonçalves Carvalho. o americano e o francês. numa terceira acepção possível. 4 . mas proteger direitos. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. a estruturação do Estado e a organização dos poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. a defesa da Constituição. Partindo. e. Numa segunda acepção. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. os fins socioeconômicos do Estado. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. Tem-se utilizado. em especial limitar o poder arbitrário. como sociológica: “em termos jurídicos. e que se encontra acima dos detentores do poder. no fundo. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. em sentido jurídico. Numa vertente mais restrita. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. por seu turno. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. do estado e das instituições democráticas. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. então. mas também de outros assuntos. o local e a época. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. assim. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. reporta-se a um sistema normativo. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. um claro juízo de valor. como o inglês. uma teoria normativa da política. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. sociologicamente. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. O conceito de constitucionalismo transporta. enfeixado na Constituição. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. Neste sentido. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado.

O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Governo limitado. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Atribui competências aos três poderes. Influenciaram o direito francês e americano. b. Roma: idéia de liberdade. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Grécia antiga: democracia constitucional. c. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Garantia jurisdicional. b. em 1787. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Foi a mais avançada forma de governo. a partir da Revolução Francesa. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano.surgiu em substituição ao governo dos homens. Como ressaltado por Jorge Miranda. desde logo. e da França. d. ii. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. A democracia é a representação da vontade da maioria. Por isso. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Foi a 1ª experiência constitucional. integram-no. 1. • Separação dos poderes. Estabelece as regras do jogo político. (Livro do Alexandre de Morais). porém. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). ii. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. quem. após a Independência das 13 Colônias. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. se contrapõe ao absolutismo. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. 2. Hoje. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. • Princípio do governo limitado. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. em 1791. como e até onde pode mandar. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Estado Hebreu: estado teocrático. fases pelas quais passou a constituição. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. a. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Inglaterra: rule of law – governo das leis .

É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Segundo a tradição francesa. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. as constituições tinham caráter mais político. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. a. Garantia de direitos. aplica-se a analogia. direitos fundamentais. as quais são denominadas por pós-positivismo. estabelecendo diretrizes. Ex. ou seja. Constituições da democracia social. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Constituições da democracia racionalizada. a maioria da nação. os costumes 6 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Constituições de países subdesenvolvidos. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Eram apenas uma diretriz. b. foi o Abade Sieyès. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. A partir dessas novas idéias. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Constituições da democracia marxista ou socialista. Idéias principais: i. d. 4. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. XX). Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. O ser humano é um fim em si mesmo. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Todos os poderes constituídos (PL. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Rússia. c. PE e PJ). Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Começou a se falar em um direito moral. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Novas idéias foram surgindo. estabelecidos pela Constituição. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. diretrizes. Separação de poderes. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. c. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. ligada à idéia de liberdade. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. 3. Força normativa da constituição: antes. havia regras. b. na época das Revoluções Liberais. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. sem força vinculante. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. ii. XIX. Hoje. estarão subordinados a ela. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas.

cotas em universidades. pois esta é a concretização de um princípio geral. Solidariedade. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Para Barroso. Ele atua como legislador negativo e positivo. Hoje. g. é o juiz. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Quando o legislativo é fraco. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. os princípios. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. d. Hoje. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Para Paulo Bonavides. f. Na jurisprudência do STF. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Os princípios. b. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a.  Aplicação direta da constituição. há uma euforia dos princípios. A aplicação da norma se dá pela subsunção. 7 . são aplicados através de ponderação entre os princípios. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Teoria Concretista Geral.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). é o judiciário. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Não se aplica diretamente a constituição. união homoafetiva. etc. Participação. de uma forma geral. Entre uma regra específica e um princípio geral. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Mas essa é uma posição muito radical. aplica-se a regra específica. Na Itália. Constitucionalismo do futuro. o judiciário aumenta sua força. Universalização. Eles são importantes. etc. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. demarcação de reservas indígenas.. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. que é aplicada mais às regras. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. • • 5. Verdade. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. aborto no caso da acrania. Consenso. verticalização. e. EUA: nós estamos submetidos à constituição. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. fidelidade partidária. c.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Continuidade. Ex. Integração. mas quem dirá o que ela é. espuma do chopp.

a verdade. 46. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). Carta outorgada por Carlos II (1662). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Bill of Rights de 1689. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. Fundamental Orders of Connecticut (1662). Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Petition of Rights de 1628. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Act of Settlement de 1701. verdadeiro sistema híbrido. CR) e. O titular do poder é o povo. a participação. CR). Contratos de colonização.U. referendo e iniciativa popular”. de forma expressa. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Compact (1620). Vale dizer. nos termos deste lei e das normas constitucionais. dá-se através dos representantes do povo. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). concretizando a soberania popular. pertinentes. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Assim. 1º. então. de acordo com o art. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi.709/98 (que regulamentou o art. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. o P. CR. que são os deputados federais (âmbito federal). com valor igual para todos. I. 1º da Lei 9. do art. caput. Como regra. nos termos desta Constituição”. Habeas Corpus Act de 1679. Podemos falar. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. 14. portanto. cujo titular é o povo. a continuidade. que. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). mediante: plebiscito. de soberania popular. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). a solidariedade. por intermédio de seus representantes. II e III. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. segundo o art. o exercício deste poder.

Os fins do Estado são diferentes de estrutura. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. Constituição e leis constitucionais são.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. na política ou na filosofia). A conferência realizada por ele.. o restante. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. 242. Essas normas são programáticas. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). Esta é a concepção que hoje prevalece. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). Esta concepção atualmente é inadmissível. como por ex. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Para entender tal concepção. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. têm a mesma forma de elaboração). com exceção do Preâmbulo. não passaria de uma simples “folha de papel”. quando não corresponde à Real. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. O art. mas materialmente distintas. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). ou seja. caso contrário. o caráter normativo e vinculante da Constituição. mas apenas leis constitucionais. na sociologia. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. portanto. 1°. Toda a Constituição. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. PL. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. a Constituição é norma pura. Segundo ele. ou seja. é vinculante e obrigatória. → Segundo Hans Kelsen. a que Carl Schmitt chama de Constituição. para ele. que surgiram com as constituições mais prolixas. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. A Constituição Escrita. §2º. que adota o conceito decisionista de constituição. conforme o prisma de análise. PJ. os direitos fundamentais. As leis constitucionais são todo o restante.: art. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel.

não está escrita. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. Ou seja. é uma norma pressuposta. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. todos os setores da vida social. . É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). não introduz nenhuma novidade. e também jurídico. quais sejam: . é um elemento conformador. Gilmar Mendes).a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. posta pelo Estado). e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro).Território. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.Povo. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. é a Constituição escrita (CR/88). . a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. . segundo esta concepção. ela não existe na realidade. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. é apenas uma pressuposição. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. a Constituição tem sim fundamento sociológico. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder.Soberania. Seu único comando. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). qual seja. condicionante desta mesma cultura.Finalidade. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. A CR/88. define tais elementos estruturais. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. modificando-a. ao mesmo tempo. mas que trata de todos os aspectos. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). é: todos devem obedecer a Constituição. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. 10 . .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . portanto. neste sentido. por isso não tem nenhum expoente específico.

.. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada).não codificadas (ou legais. de maneira unilateral. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. toda Constituição histórica é costumeira.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. não surge de uma só vez em um só momento. Constituição Espanhola/1930. tem também vários documentos escritos. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.: as constituições outorgadas recebem. pois toda constituição é escrita e não-escrita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. votada. É uma aprovação simbólica). Nesse caso.dogmática: sempre escrita. . por alguns estudiosos. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. No Brasil. as constituições outorgadas foram as de 1824. o apelido de “Cartas Constitucionais”. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. é fruto das idéias.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). 11 . quem vota a matéria são as lideranças. promulgada. . 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas.outorgada: é a constituição imposta. Ex. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). dos dogmas predominantes naquele momento histórico. há pouco espaço para se ter costumes como regras. a constituição não se torna democrática. podendo ser: . ou variadas): ex. surge em um só momento.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. Por isso mesmo. . . . 1937. consuetudinária (não é escrita).pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Obs. 3) Quanto à origem: .democrática. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional).não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. por ex. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. como por ex. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . . de uma só vez. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. e como é bastante prolixa. trata-se de modalidade anacrônica. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). a Constituição Inglesa. 1967.

independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. passou a haver hierarquia entre as normas.: a Constituição dos EUA). ou seja. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. portanto muito difícil de serem modificadas. (Obs.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. São chamadas também de clássicas. . Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. É uma classificação típica das constituições costumeiras. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. Em 2000.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. . . Ex. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.fixas: não poderiam ser modificadas. Constituição Inglesa.) . 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. . Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. Ex. 1º. Ex. CR). Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. como é o caso da CR/88. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .: art. É uma constituição em sentido material. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. inclusive a CR/88).prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. sendo assim. Por este motivo. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. sem se preocupar com os detalhes. sucintas. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. deixou de ser considerada flexível. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). mas sim o processo mais dificultoso.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Como se submete a esse tratado internacional. É uma constituição em sentido formal.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Não existe controle de constitucionalidade das leis.

pois valem a todos os entes federados. sucintas. básicas ou clássicas). Rígidas. Característica das constituições clássicas. porque é fruto de várias ideologias. É a CR/88. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro).: art. 13 . Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). dogmáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. o União. 59 e segs. OBS. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. democrática. o DF. costumeiras ou consuetudinárias). Fixas. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. (processo legislativo). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). votadas ou promulgadas). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). rígida (ou super-rígida). Democráticas (populares. Constituição em sentido formal. o Estados. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. mas sim uma obrigatoriedade!). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Ecléticas. Ex. Não-escritas (inorgânicas. . o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Canotilho. que surgiram com um objetivo pré-definido. CR.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. o Municípios. prolixa. formal. União. sumárias. Flexíveis (ou plásticas). As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material.: art. 3º. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Históricas. como por ex. dogmática. e não de apenas uma ideologia. Constituição programática (ou dirigente). codificada.: a CR/88 é ainda Eclética. Pactuadas (ou pactuais). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês).

Leis Delegadas. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. para fins de controle de constitucionalidade. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . que a CR/88. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. as medidas provisórias. DL e Resoluções – ☺art. cujo fundamento de validade são as leis e. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. Para que exista supremacia formal. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. por 3 níveis hierárquicos. se tiver também supremacia formal. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. No topo. LC. basicamente. 59. que existem como complementação dos ANP). enquanto as regras são mais específicas. a Constituição. as leis delegadas. obrigatoriamente escrita. porque os princípios têm maior amplitude. 59. princípios ou regras. o indireto. 59. CR). Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. direitos fundamentais ou não. II a VII). O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. MP. encontram-se as normas constitucionais originárias. a Constituição tem que ser rígida. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. ordinárias e complementares). Importa dizer. as derivadas (art. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara.343/SP. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. tem de ser. No entanto. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. estaduais.: decretos e regulamentos. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. distritais e municipais. §3º). Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. sejam elas originárias ou derivadas. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. 5º. por ser rígida. uma Constituição só possui relevância sociológica.

Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). por uma questão de economia legislativa. Por ser uma matéria reservada. Residual. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Lei ordinária Art. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Reservada pela CR/88. MPs. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Não varia. mas somente uma recomendação. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Anotar como complemento posteriormente. No caso da prisão civil por dívida. ela não pode ser tratada por leis ordinárias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . OBS: O art. a previsão constitucional exige complementação. 47 é a regra geral.☺Art. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . que regula a LC. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Essa aprovação não é obrigatória. 69. é sempre o mesmo número ☺Art. Portanto. Quando não exigir LC. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes).status constitucional. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. 69. No entanto. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 47. Leis delegadas. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária.☺Art.

se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). conforme previsto no art. 21. DF). nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). pois não está ligada diretamente à Constituição. d. ☺Art. Assim. há hierarquia. 25. E. não cabe ADIN. assim. • Estado – ☺Art. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. a competência para resolução é do STF. 16 . CR. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. no caso de repartição vertical. 102. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. III. como o controle exercido será de constitucionalidade. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. Assim. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. 30 (assunto de interesse local). deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Parei aqui.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Havendo conflito (ex.: lei estadual trata de matéria de competência da União). • União – ☺Arts. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Hierarquia entre Lei Federal. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois.

seja uma norma de referência para ele. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. Tirando o preâmbulo. Como não tem caráter normativo.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. Abrangeria não somente a constituição. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. b) Parte permanente = normas gerais – arts. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Com a EC/45. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. visando assegurar a supremacia da constituição. deve estar inserida no texto da CR. Não existe. contudo. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. ou seja. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. mas também o preâmbulo. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. os TI de direitos humanos. . como para Canotilho. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. . não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. tem função interpretativa). tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). quando são equivalentes às EC. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. Refere-se. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. 17 . Assim. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. . A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. é diretriz hermenêutica. etc.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. o CDC. portanto.

Dependem do prisma de observação. há uma divergência na doutrina. Formas de Inconstitucionalidade: 3. Aqui. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. I – que exige LC para instituir impostos residuais). Ex. 3. 4 e 5.: competência privativa do PR (☺art. MI. 18 . as Súm.de princípio institutivo (Obs. Assim.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. aliás. 5° a 17). mas o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ADI. ou seja. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Ex.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. ocorre. . CR).de princípio programático. e Não Bastante em Si. AIO. 154. Obs. . b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. se considerar em relação a uma expressão é total. No STF. A omissão parcial nada mais é que uma ação. não pode ser suprido pela sua sanção). Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. Ex. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. Ou seja. ou seja. Assim.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Pode ser: . Não Auto-aplicável. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . 5. 3. o Min. não será cabível mandado de injunção. pois. STF não é mais aplicada. quando não é respeitada uma norma de competência. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. 61. Não Auto-executável. 3. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo.: a Súm. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. ADC e ADPF. mas caberá ADIN por omissão).: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). 69 – desrespeito a quorum de aprovação. às vezes. (Obs. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. §1º.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. art. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável.

b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. o que houve foi um desrespeito à Constituição.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. Pode ser: b. No caso da lei. Segundo STF. Ex. No caso do decreto. Obs. decretos regulamentares. de ofício ou a requerimento da parte. Para o prof. Assim. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. aos Atos Normativos Primários. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. pode ser questionado. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Quando se fala em inconstitucionalidade.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Ex. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. b. o decreto se torna inconstitucional. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. CR. 3. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. que só pode atingir todo artigo. ou seja. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. não pode ser retirada).1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. já sendo inconstitucional desde a sua origem. a inconstitucionalidade será indireta.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI).: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. no controle concentrado abstrato. como altera sentido do texto. a inconstitucionalidade será direta. atos previstos no art. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. Se o decreto é ilegal. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. toda alínea ou todo inciso (☺art. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. pois. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. ou seja. 66. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. Relaciona-se. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. 59. ato originariamente constitucional. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. que se ligam indiretamente à constituição. não se trata de revogação. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). refere-se.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. § 2°). todo parágrafo. reflexamente (ou de maneira 19 .: a palavra “não”. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. e grande parte da doutrina.

Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. pois pode ser derrubado (☺art.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. ela não está violando o direito de ninguém). §2º. 84. não pode impetrar o MS. mas uma mera análise política. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. quando ele participa do processo legislativo. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. a inconstitucionalidade é indireta. . por isso ocorre antes da promulgação da lei. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. se ele entender que o projeto é inconstitucional.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). inciso ou alínea). IV . prevenir que a CR seja violada. é fundamento de validade direto e no 2° caso. Art. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. como pelo PE e PJ: . OBS: não adianta decorar o nome do ato. 66. 66. Caso contrário. 60 parag 4. . porque o ato não fere diretamente a CR). Trata se de um controle incidental. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O veto tem que ser expresso. O chefe do PE. o projeto 20 .Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo.sancionar. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias).ou concreto. segundo o STF. embora participe do processo legislativo. ele não precisaria impetrar o MS. IV.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado.. 84. O veto é relativo. a inconstitucionalidade será direta. já que de maneira indireta. por isso aqui não há que se falar em controle). portanto. CR. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. EX:art. O único legitimado para impetrar esse MS. promulgar e fazer publicar as leis. mas sim analisar cada caso concreto. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. que se exerce através do veto (☺art. tem fundamento de validade indireto. é excepcional. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. porque o chefe do PE. porque ele é o único que participa do processo legislativo. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. assim. Obs. viola o art. No 1° caso. CR). parágrafo.

um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. Questão: o PR. 68. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. V. contudo. aos direitos fundamentais”.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. o voto direto. se está no Senado. §4º. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. interpretações regimentais. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. 49. Leitura do livro do Lenza (pág. que é o chamado Decreto Legislativo. na linha do voto de Gilmar Mendes. a separação dos poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. na qual o projeto esteja tramitando. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). etc. Se o projeto tramita na CD. os direitos e garantias individuais” – ou seja. somente o Deputado Estadual. universal e periódico.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. vedando-se. em um primeiro momento. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. que entende que “. o Senador. Ademais. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. mas um processo legislativo constitucional. constituindo-se normas constitucionais interpostas. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. a fim de repará-la. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. V . secreto. se na Assembléia Legislativa. mormente. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). vinculam os atos e procedimentos legislativos. o PR elaborará então a LD. 21 . Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. pode ajuizar uma ADI. pois não se trata de ato normativo. No entanto.. que. já que trata-se de um ato normativo. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. 60. ou seja. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar.. CR. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. 168): o STF. por maioria de votos. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. tendo como objeto esse Dec. e as normas do RI são questões interna corporis). as cláusulas pétreas. Legislativo? Sim. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. não lhe cabendo.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. ADC ou ADPF. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. desta feita. Na verdade. Assim. muito embora não sejam formalmente constitucionais. ☺art.

devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. o chefe do PE teria que. porém. Desde já. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. 62. No entanto. Gilmar Mendes. clara e evidente – ou seja. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. Não se analisa o mérito da MP). não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Ele será. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo.. por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. no exercício de suas atribuições.084). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. CR). CR). ao negar cumprimento à lei. nesse caso. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). ou seja. Após a CR/88. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. ela deve ser objeto de controle. ajuizar uma ADI. através da edição de um Decreto. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência).: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. 84. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. não havia relevância alguma). Como compatibilizar o crime de responsabilidade. Antes da CR/88. quando.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. pois. . GE. nesse caso o CN pode editar um Dec. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. estudado de forma detalhada a seguir. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). III) Súmula 347. simultaneamente. ao fazer um Decreto Regulamentar. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. O TC é órgão auxiliar do PL (art. pode o PJ analisar tais pressupostos. IV. Apenas excepcionalmente. . Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. tampouco que o PR. esse rol foi ampliado. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP.. STF: o Tribunal de Contas.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. mas tão somente aos prefeitos. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . 4. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346.. Obs. Assim. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. exorbita os limites do Poder Regulamentar. é necessário fazer-se um controle repressivo). já no STJ não há qualquer ressalva. mas segundo o Min. Legislativo para sustar. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). 71. O chefe do PE (e só ele – PR. não é um entendimento consolidado. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). II) art. segundo o STF? Resposta: em regra. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional).

se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual).S.A. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. porque surgiu na Áustria. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). já foram feitas 56 EC! 23 . mas das espécies de controle. Primeiro caso. quem exerce o controle é o PJ. com 19 anos de Constituição. isso não é verdade. inclusive o STF). ao mesmo tempo. ou seja. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. porque surgiu nos EUA. É também chamado de controle aberto. em 1920 (bem depois do controle difuso). em 1803. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. Ex.: França – que tem o Conselho Constitucional. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. haviam sido feitas apenas 16 EC. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. que completa este ano 20. Por isso. porque significam coisas diferentes!). já na CR/88. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). em se tratando de lei nacional. 1792 Hayburn s case. o controle é feito pelo PL. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. e é adotado pela maioria dos países europeus. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. Obs. interessante: em 1965. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. Segundo caso. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. No Brasil.Hilton x U.: na Suíça. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. se se tratar de lei local. Por isso. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. dentro de sua competência. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). difuso e concentrado). há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). Seu criador foi o grande Hans Kelsen. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). para não gerar essa confusão. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). 4.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação.

O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Por isso o Min. o principal defensor dessa tendência é o Min. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. Segundo este instituto. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. por ser uma relação vertical. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. A análise da lei sempre será feita em tese. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). nos EUA chamado de “Binding Effect”. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. A finalidade não se confunde com a competência. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. No direito brasileiro. Com base nesse argumento. porque em estando revogada. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). se fala em efeito vertical. Da mesma forma. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. ou tendência de verticalização. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). e a partir desse antecedente. sendo o controle 24 . 102. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). 97. é proteger as normas da CR. mas tão somente de controle concreto. (O STF é o guardião da CR – art. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. mas deve ser estendido ao controle concreto). segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Este efeito é típico do controle abstrato. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. também não podem ser objeto de controle abstrato. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. O efeito vertical. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. No Brasil. Gilmar Mendes. ou seja. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata.

em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. sendo acompanhado pelo Min. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Assim. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. 4. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. se assim fosse. Então. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Outra situação interessante foi o RE 197. O Relator da Reclamação foi o Min. 25 . O MI é instrumento de controle difusoconcreto. sem que ocorra modificação no seu texto. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. houve decisões proferidas em 3 MI (712. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. E. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Gilmar Mendes (e também o Min. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. ou seja. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Antes. Assim. Gilmar Mendes. ou seja. não há necessidade da suspensão pelo Senado. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Por fim. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. e não erga omnes. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. ou seja. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Gilmar Mendes. ou seja. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. não permite essa mutação). um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. não uma simples mutação. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. X. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Eros Grau. tendo efeito apenas inter partes.917/SP. ainda. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. como a decisão tem efeitos inter partes. segundo ele. do PL. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. pelo menos por parte de alguns ministros.335/AC). Na decisão do STF. Por fim. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. CR. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. viola o princípio da igualdade.959/SP. Pois no controle difuso. 52. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. então não sabemos a posição dos demais ministros. que deu provimento à reclamação. em ocorrendo isso. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. Então o Min. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. No Legislativo: Mas. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). o direito de greve dos servidores públicos. em seu voto. o Min. No Acre. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC.

todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. 102. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. não é o objeto principal do pedido. o que se dá no “plenário virtual”. 26 . por estarem mais próximos dos indivíduos. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. julgando-o procedente ou improcedente. é uma questão incidental. O papel do STF não é julgar litígios individuais. O RE.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. atualmente. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. fundamentação e dispositivo. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. A súmula vinculante tem natureza constitucional. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). 103-A). Contrários a essa tendência de abstrativização.418/06).417/0 e Lei 11. mas apenas a causa de pedir (antecedente). a rigor. não cabe ao STF analisar. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. analisado no dispositivo (conseqüente). Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. (☺ Lei 11. § 3°. por sua vez. é um instrumento de controle concreto e há. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. Num segundo momento (conseqüente). uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. Segundo Eduardo Appio. social. No controle concreto. ou seja. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5.art. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . não tem natureza processual como as súmulas comuns. eles não se reúnem fisicamente. A repercussão geral (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. não precisam chegar até o STF. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. pois tem o papel de guardião da Constituição. concorda com isso). estão os procedimentalistas. somando-se os votos de todos eles. político ou jurídico. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório.

mas tão somente a ratio decidendi.U. ou seja.Lei 9. .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). secundárias do julgado. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. art. §2º. . a chamada eficácia vinculante.882/99 – ADPF. 28. 102. .868/99 – Lei da ADI e da ADC. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. 5. questões ditas de passagem. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. 102.: .: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . há previsão não só na lei como também na CR).erga omnes . não determinantes para a decisão) não vinculam.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. sejam particulares. e ele se encontra no Dispositivo. art. Dispositivo L.Lei 9. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).I. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. Ademais.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. Sendo assim. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. .vinculante. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. eles também são vinculantes. . a razão determinante da decisão. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. conforme está previsto no caput do art. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. sejam poderes públicos. P. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. mas também à fundamentação.EC 45/04: art. 27 . 10. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.

pode modificar seu entendimento. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. se as leis devem ser cumpridas. também fica vinculado). até que o PJ a declare inconstitucional.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall.o PL (na verdade. . para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. estadual e municipal). inclusive o Tribunal de Contas. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. É um entendimento que vem desde 1. Por este entendimento. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis).Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. que se quiser. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. no caso Marbury x Madison). .Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. 28 . já os órgãos fracionários do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . . se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. mesmo que não tenham sido impugnadas. inclusive os chefes do PE. e outros dizem ser um ato anulável. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. mas os sistemas de preclusão processual. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. cuja função não é legislativa.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. Obs. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. suas turmas e seus ministros. .: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. por sua vez. No entanto. a função legislativa). outros dizem ser nulo.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. Respeitando o efeito vinculante.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. Só atinge a norma impugnada. impedida de evoluir). . segundo o prof. pois atinge apenas o dispositivo.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. mas sim fiscalizatória.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. estes estarão sim vinculados). o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. (20/03/09) 5. como a coisa julgada.

27.). assim.868/92 (art.” . Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. 27). . quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. portanto. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. como a Lei 9. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Visto a natureza do ato inconstitucional. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. os efeitos são erga omnes). outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. com inteiro teor). e não no de não-recepção). não precisariam deixar os cargos. porque o ato é nulo desde a sua origem. Neste caso. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. autor e réu. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). poderá o STF. ou 2) excepcional interesse social.)”. por questão de segurança jurídica. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. O STF. no caso do controle abstrato. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. etc. ☺RE 197.882/92 (art.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. Assim. o efeito que produzirá. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). que revogou a Lei A. Lei 9. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). ☺art. o Min. .Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. como regra é retroativo: ex tunc. como os servidores agiram de boa-fé.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. com seus normais efeitos ex tunc. portanto. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. o STF. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo.. 11). um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários.Normas anteriores à CR. Exs. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. não admite a “constitucionalização superveniente”. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).112/90. decidiu que. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. Ou seja. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Mas.

entende-se que a norma (B) é inconstitucional. ex. chamada “Apelo ao Legislador”. Assim. constitucionalidade. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa.Corresponde a um juízo de . 5. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. à medida que a situação fática for alterada. reproduzida pelo STF). e a norma já foi recepcionada pela CR e. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. 134. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. de fato. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. portanto foi recepcionada. CPP. que trata da ação de reparação ex delicto. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. mas nem sempre. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.O Tribunal não precisaria 30 . era uma questão “obter dictum”. Segundo o STF. Ex. para que este corrija a norma. (A norma já passou pelo crivo da constituição. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . assim. com condições de trabalho iguais às do MP.: a norma x tem dois significados possíveis. o prof. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. . 68. com um só sentido). é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. mas. não foram todos os ministros que se manifestaram). A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. Em alguns casos. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. ela progressivamente se tornará inconstitucional). devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo).O Tribunal precisaria observar . portanto.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. Ex. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). mas sua interpretação). CR x art. depois de ter sido recepcionada. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. o resultado será o mesmo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado.2: art. controle difuso-concreto. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. portanto.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. quando todos os Estados tiverem DP. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). um significado A e um B. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. quanto . .Corresponde a um juízo de . evitando a inconstitucionalidade progressiva.

. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. Na declaração com redução de texto. se o art. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. Trata-se de controle abstrato. ser objeto de ADI. em regra. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. 2º for dependente do art. o juiz não pode. mesmo que não tenha sido questionado. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. o texto da norma. não podendo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato.É permitida uma interpretação e. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo).É uma técnica de decisão judicial. nem sobre os demais. se manifestar de ofício sobre o art. (*) Para o STF. no controle abstrato. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. de ofício. 1º e 3º e. 1º e 3º. no controle concreto. . Ele não pediu a inconstitucionalidade do art.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. do art. declarar a inconstitucionalidade. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . no controle concreto. Obs. ou todo o artigo. 2º. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). b. desde que não altere o sentido do restante da norma. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. Assim. a cláusula de reserva de plenário. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. . . o juiz pode.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. 2º.É excluída uma determinada interpretação. em princípio. portanto. observar a cláusula da reserva de plenário (*). em razão do Princípio da inércia.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. não poderá. . o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). total ou parcialmente. . por arrastamento. esta só se faz necessária quando se afasta. 2º. se for um dispositivo autônomo. O STF. Ocorre que.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. 3º. b) Com redução de texto: b. de ofício. dentro de uma mesma lei). como ambas são equivalentes. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido.Não há qualquer modificação no texto da norma. são excluídas as demais. da Lei x. 97). ou seja. e são permitidas as demais. portanto. Há um Decreto que está regulamentando esta lei.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. 1º ou do art. .

o STF entendeu que não houve usurpação da competência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. ADCe ADPF). caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. de ofício. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. Ou seja. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. No Brasil. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. portanto. julgará procedente ou improcedente o pedido. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. Assim. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. Neste caso. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Mas nem todo controle concreto é difuso. já que o STF pode. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Contudo. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. julga também inconstitucional o decreto. portanto. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. mas apenas a causa de pedir. dentre elas a ACP. Obs. pois será uma questão discutida incidentalmente. porque. todo controle difuso é concreto. mas é que esta não é necessária. Sobre o tema: 32 .: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. mas também quando há usurpação da competência do STF). a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. ACP para fechamento dos bingos. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. e por arrastamento. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. apesar de sozinho não ter aplicação. O pedido será a proteção de direitos. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. O dispositivo. Ex. neste caso.

que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. pois. Os juízes singulares podem. 294. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir.646. dotada de caráter de universalidade e abstração”. no caso. o que só se pode obter por meio de ADI. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Regra da “full bench”. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. assim. Assim. Segundo esta cláusula. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. no âmbito dos Tribunais. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. porém. também não pode ser delegada).159. 93. os Tribunais não têm admitido que. que é mais de 50% dos presentes). Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 557. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). é função possível de ser delegada. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. conseqüentemente. de efeitos concretos. Assim. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. STJ ☺ Resp. na prática. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. porém.022. 33 . as chamadas leis de efeitos concretos. No tocante. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. porém. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. Nada impede. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. em defesa de contribuintes. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei.: eleição do Presidente do tribunal. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Em outras palavras.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. ☺art. por ex. e no mínimo 11 membros. STJ ☺ RE 227. por meio da ACP. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp.. por entendê-la inconstitucional (inter partes). expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. elaboração de Regimento Interno. não pode ser delegada. 97. por exemplo. teremos uma lei material. que é função política. XI – órgão especial: para que seja criado. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. 97. que é função legislativa. desde que. Assim.

Quanto à 2ª exceção. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. se entender que a lei é inconstitucional. 97. abstratamente. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. será lavrado o acórdão. prosseguirá o julgamento. sob o argumento de que o dispositivo (art. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. Assim. ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. de acordo com o posicionamento do STF. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. O professor não concorda. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. ou em caso de interpretação conforme.. podendo decidir o caso concreto. no entanto. CPC) seria inconstitucional: o art.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese.. Há uma repartição funcional de competências. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. . b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. P. Há quem critique tais exceções. como guardião da CR. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. 481. assim. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade.U. Exceções: P. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. se for acolhida. porque para o STF ambas são equivalentes. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. pela maioria dos seus membros. 481. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. a argüição de inconstitucionalidade (. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada).U. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. 34 . Decidido o antecedente. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”..: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. sabe-se que o STF é o guardião da CR. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. se existir no Tribunal. ao órgão especial). CR é uma NEP (norma de eficácia plena). cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.

A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. ela se refere à decisão do STF. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. 35 . que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). entendem que se trata de um ato discricionário. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. em regra. Efeitos. se assim o fosse ela já seria vinculante). a lei deixa de ser aplicada. É o entendimento mais correto. A cláusula vale também para o controle concentrado. Outros autores. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. O SF não é obrigado a suspender. X. como se tratasse de uma revogação. Ou seja. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. 52. que não comporta delegação. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. quando isso ocorre. O SF apenas suspende a lei. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. portanto. Na verdade. sustentam que o efeito é ex tunc. ou seja. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. o SF não pode suspender toda a lei. O STF já admitia essas duas exceções. trata-se de uma competência exclusiva. a decisão do STF. Quando o SF suspende a lei. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). bem como ou STF. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. passa a ter efeito erga omnes. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Ademais. A suspensão se dá através de uma Resolução. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. no todo ou em parte. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. 2) Outros autores. por isso o faz dali em diante. que não pode ser retroativa. art. CR – compete privativamente ao SF suspender. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. 178. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). RISTF. não estando vinculado à decisão do STF. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. esta decisão deve ser submetida ao plenário. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa.

configuraria uma mutação constitucional. a resposta é negativa. RISTF) – e isso é óbvio. não havendo a necessidade de suspensão da lei. 59 e segs. esta norma não é de observância obrigatória. Ressalta que a letra da norma (art. Segundo o professor. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. a partir do momento que resolve fazê-lo. 52. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Art. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Art. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). se for apenas uma parte. 178. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Neste caso. CR. está fazendo uma análise. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. CR: prevê o escrutínio secreto. já que o SF não atua de forma correta. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). o que. obrigatoriamente. Mas. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. em razão do princípio da simetria. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. 61: iniciativa do presidente. É uma construção da jurisprudência do STF. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. LO. etc. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. 66. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Nas situações em que o TJ julga. Por isso. por ser um órgão do PL Federal. ou seja. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. LC. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. cabe. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). já o SF não. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Segundo o STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Gilmar Mendes. §4°. e se o STF. pela simetria deve ser atribuída ao governador. esse entendimento é desejável. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. O SF. sendo norma de observância obrigatória. 57. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. segundo o Min. normas referentes ao TCU. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. no controle difuso-concreto. mas. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. desta decisão proferida pelo TJ. requisitos para a criação de CPI. deve-se recorrer ao entendimento do STF. não se referem ao âmbito estadual e municipal. CR) não comporta este entendimento. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Na ADPF este fenômeno também é possível. um RE para o STF. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. cujo modelo. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art.

A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais.: Lei 8. São os dispositivos que se referem tanto à União. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução.: art. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. os que tratam do TCU. da organização da União. quando o SF atua.: arts. o SF teria um número enorme de representantes). → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. CR). sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. 58.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. 59. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). só se aplicando ao âmbito federal). 37. está defendendo interesses apenas da União. que deve ser observado no âmbito federal. 19.: CTN. distrital e municipal).). pelo Senado Federal. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Ex. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. no controle abstrato (ADI. etc. por isso pode suspender lei estadual e municipal.” Análise do enunciado pelo prof. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. Sabe-se. estadual e municipal. X. Ex. ADC ou ADPF). é como se os Estados e DF também estivessem atuando. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Assim. art. Ex. também. Ex. no todo ou em parte. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). 52. porém. como aos Estados. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). mas não trata apenas dos interesses da União. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. §3º. do DF e até municipais. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Quando o SF suspende os efeitos da lei. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). por não existir uma federação de municípios. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. outros 37 . retirando a lei do ordenamento jurídico. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Quando o SF atua como órgão federal. a suspensão. Classificação de Osvaldo Aranha B. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. portanto. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. por isso pode suspender leis também dos Estados. não havendo. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. ele está atuando como órgão de caráter nacional. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. estadual. assim. se aplicando ao âmbito federal. visto que. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. É também uma lei emanada do CN.

2º grupo: . Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). TO. adotou-se. os dois tipos são constitucionais. de 10/10/1997. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. o enunciado acima transcrito está corretíssimo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. não retroativos). d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. é a AL que suspende a lei.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. SE e AM. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. .se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. é sempre a AL que suspende a lei. Entretanto. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. então.346. 38 . o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. visto que. Poderá. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. porque o seu parâmetro não é a CR. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. declarando uma lei inconstitucional. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. Segundo o STF. Com efeito. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). visto que. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). é a Câmara Municipal. pró-ativos (ex nunc). os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. Embora não haja consenso. no âmbito da AP Federal. por força do referido Decreto nº 2. MS. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. na sua esfera de competência. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. em decisão definitiva. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. de fato. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. da AP Federal direta e indireta. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF).346. Portanto. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. RN. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso).

2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. 103. . a ampla defesa. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . mas sim legitimados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. obviamente. a competência é do TJ). deve haver a previsão da legitimidade. ☺Lei 9. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). 4) Recurso da decisão de mérito. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. 39 . Como são ações de controle abstrato. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. que são a União e os Estados). e . em seu art. de acordo com essas leis. não cabe. 5) Ação rescisória. . onde não existem partes formais (autor e réu). ou na CR ou na lei.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. ela é meramente jurisprudencial). tendo partes – autor e réu. o duplo grau de jurisdição.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. e não do trânsito em julgado. Obs. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). A Constituição.ADPF.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática.ADC. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). Por se tratar de um processo de índole objetiva.

103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. para ter legitimidade. Obs. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . a partir de então. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).Confederação sindical significa de âmbito federal. confederação local: sindicato. Executivo PR GE – GDF P.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.A norma do art. . Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.Os GE. .A entidade de classe. . Para ter âmbito nacional.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. . Os demais podem fazê-lo sem advogado.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. . tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. Assim. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. . . .. CS e ECAN. ou seja. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).S. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. confederação regional: F. segundo a jurisprudência do STF: .

☺art.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. I. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 1º. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. Não serão objeto de ADI e ADC. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. OBS. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. para ser objeto de ADC e ADI. admite-se o seu controle.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. §3º . Lei 9. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. sem interferência do PJ. pois geralmente está abaixo do decreto. são questões próprias de RI. 5º. 41 . mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. . por isso não é ANP). a.Norma formalmente constitucional . . Ex. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. geral e abstrato. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.: decreto regulamentar do PR. direitos e garantias fundamentais. como por ex. . o RI pode.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. caso o decreto emane diretamente da CR.TIDH (3/5 e 2T) . decreto regulamentar. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. ele poderá ser objeto. a. I. ou seja. 102.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. Obs. todas estão no mesmo nível.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). 102. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. nas normas que tratam de outra matéria).

salvo embargos de declaração. Lei do DF não pode objeto de ADC. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. 103. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. leis suspensas pelo SF. Hoje. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Atuação do AGU: ☺art. Função geral do AGU (art. da mesma forma na ADPF. como está havendo uma influência de um controle no outro. se um novo PGR o substituir. Lembrar que não cabe assistência. e. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. CR. se seu entendimento for diverso. §3º. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). . ainda. 103. No caso de emenda. Mas.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. é preciso primeiro ser transformado em EC). ainda que ele proponha a ação – ou seja. portanto está subordinado ao PR. pode ser qualquer ato do poder público. . 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. ou seja. 103. Atuação do PGR: ☺art.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. o STF admitiu. 42 . não ameaça mais a supremacia constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Gilmar Mendes e de um prof. Obs. pois não produzem mais efeitos. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). só podendo ser objeto de controle difuso.leis revogadas. A função do art. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. segundo o STF. de defensor legis. CR. STF). ele vai atuar como fiscal da Constituição. O PGR atua como “custus constitutionis”. sem exceção. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. não pode ser objeto de ADPF: . leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada.Súmula. por analogia. intervenção de terceiros e recursos. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. também poderá dar parecer em sentido contrário. posteriores a 5/10/88. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. devendo ser de todos eles intimado. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). §1º. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. Tem status de ministro de estado. na outra. § 3° é uma função especial. Assim. medidas provisórias revogadas. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado.

O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. Portanto. ☺ art. o AGU até poderia participar.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. §2º da Lei 9. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. mas não têm nada haver com amicus curiae. de “defensor legis” e. a Lei 8. em especial no direito norte-americano. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. seria “amigo do tribunal”. o AGU não será obrigado a defender a lei. disciplinou a figura. Posteriormente. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. o das audiências públicas. 7º.868. §1º.868/99 -☺art. §2º e art. 482. em seu art. Amicus Curiae: Em uma tradução. Ele não é alguém interessado na causa. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Na ADI por omissão. Na ADPF. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 20. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). não precisará do AGU para defendê-la. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF.868. §1º e art. Nesse caso.385/73 (☺ art. §1º. A audiência pública está prevista na Lei 9. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. art. Não há previsão para a ADC e ADPF. 7º. não há o que se defender. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). por analogia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. §3º. É muito comum nos tribunais internacionais. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). 43 . . o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. nos estados que adotam a commum low. 7°. Cabe também na ADPF. Foi introduzida pela Lei 6. 9. art.884/94 (CADE). É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. portanto. A exposição dos motivos da Lei 9.868/99 vale só para a ADI. “amigo da corte”. Importante: ainda que como Advogado da União. sendo feita por toda a sociedade. 89. 6º. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis).868. Ela já existia antes. Está desempenhando uma função especial. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Mesmo sem previsão legal. Quando o AGU desempenha essa função. por fim. Tem natureza de auxiliar do juízo. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito).868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. A previsão expressamente contida no art. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. só vai contribuir para a decisão do tribunal. 31). Mas atenção: existe um outro instituto.

4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. “a”. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. . porque iria envolver matéria em relação à vida. Obs. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Mello. Barbosa e E. pois admitiu pessoa física em controle concreto.868/99. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Apesar de que era relevante. cabe amicus curiae. admitindo prova em contrário. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. I. ressalta-se que esta é apenas relativa. seria uma exceção). R. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.Com relação à presunção de constitucionalidade. portanto.102. É. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. em despacho irrecorrível. não tendo partes. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. admitindo ser intervenção de terceiros (C. poderia afastar esta presunção.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Lei 9. Foi uma exceção. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. por ex. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. J.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros.. (Obs. O STF ainda tem exigido pertinência temática. a mais correta. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. segundo o professor.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Gracie). ou seja. Marco Aurélio não admitiu. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. . Para o prof. O juiz de primeiro grau. é um equívoco. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. . 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. M.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Mas depois que a lei foi feita. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. Aurélio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). ou seja. Surgiu com a EC/03. autor e réu. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Lewandowski. Quando 44 .

nos quais a lei esteja sendo discutida. nas outras ações ela também poderá ocorrer). . 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. VII). A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.Princípios Constitucionais. . 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. os preceitos fundamentais são: . mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). CR e Lei 9. Cabe prorrogação. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. e . II. no entanto. Portanto.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. ADPF: ☺ Art.Cláusulas Pétreas. art. . Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. 34. é mais restrito: somente a violação. O parâmetro. III). em seu art.882/99. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). inclusive o Poder Executivo. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. e . O STF não concordou e mandou juntar mais ações. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). art.U.21. §1º. portanto. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. não há que se declarar uma lei constitucional). o FHC ajuizou ADC. Mas. 14. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.868/99. Não é uma ação de inconstitucionalidade.14. . Gilmar Mendes. 45 .102. Através do AGU. a Lei 9. P. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. Como visto. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). na ADPF 33: . exige como requisito para o ajuizamento da ADC. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Segundo a doutrina.868/99.Título I: Princípios Fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. .869/99.). mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.Princípios Constitucionais Sensíveis.Cláusulas Pétreas. . O STF admitiu ☺Informativo 518. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.

882/99). leva a questão ao STF através de ADPF. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). O objeto pode ser da esfera federal. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Ex. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.U. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Art. 4°. embora seja bastante difícil existir esse meio). dentro do mesmo tribunal. Aqui.882/99. art. ou seja. a vinculação é vertical. os legitimados podem levar não todo o processo. Incluindo-se. P. § 1° da lei 9. embora lá há uma vinculação horizontal. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. estadual e municipal. na ADPF. neste rol.: surge a partir de um caso concreto. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. Características: . 46 . podendo ser um meio de controle difuso. Segundo Neri da Silveira. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Proposta diretamente no STF. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. Ela vai ao juiz de primeiro grau. 196 e ao meio ambiente. Um dos legitimados. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. 1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. ainda. 1º. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. dentro do órgão judiciário). A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Obs. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. como guardião da CR. apenas o STF. Mas se algum dos legitimados souber da ação. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma.: ADPF 54 (questão do anencéfalo).: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade.: gestante com feto com acrania.

Assegurar a efetividade de suas normas. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. o STF transforma a ADPF em ADI. 105. TSE/TER (art. O STF admitiu a ADPF. 5°. É controle abstrato. coletivos e individuais indisponíveis (art. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. à soberania e à cidadania”. V).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . § 4°. . q). II e III). h). 103. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. I.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. ADC e ADPF (art. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. nas CE ou em lei federal). em se tratando de órgão administrativo. . É controle concreto.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. É a mesma da ADI.CR: STF (art. . 47 . Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. para fazê-lo em trinta dias”. I. à soberania e à cidadania). 121. mas a converteu em ADI. LXXI . 102. Obs.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). STJ (art. 129.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. 5°. por ex. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). § 2º . Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . No entanto. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. . O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). Ex.Admite-se a fungibilidade.

3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. Mas atenção. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. entes federativos e PJ dir. organização sindical. ou seja. apenas razoável e não peremptório. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. não pode concretizar a norma. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. Obs. portanto. fundamentais em face do Estado. ECAN e associação c/ 1 ano). . 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. não pode fazer a norma para o caso concreto.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. portanto não podem impetrar MI. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. O STF. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. no entanto. Há.Órgãos públicos. 5º. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. Recentemente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). mudou seu posicionamento. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . concretize a norma (faça a norma concreta). O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. público: MI protege dir. Se o PL) e. mas esse prazo era direito. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. recentemente.: na ADI 3682 b.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. em se tratando de órgão da AP. ou seja. LXX: PP c/ CN.MI Coletivo: o STF o tem admitido. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). é b) Concretista: concretiza a norma. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. autores que admitem. competente de sua omissão (em regra. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva.

pelo STF. 49 . O efeito seria apenas inter partes. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte.040). De acordo com esta concepção. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). 708 e 712).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. O STF adotou essa corrente no MI 232. ao mesmo tempo. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. o PJ. porque adotava a corrente não concretista). continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). e 2) recusa à execução de lei federal (art. Mesmo adotando a corrente concretista. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. 2. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. 36. III. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. em um primeiro momento. como regra. não cabe liminar (antes. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. VI). Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. porque nem a AIO tem esse poder. o STF está atuando como legislador positivo. VII). 34. A omissão total não cabe MC. 652. a intervenção é uma exceção (a União não pode. nestes casos de omissão parcial. A regra é o principio da não-intervenção. ou seja. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. CR (provimento. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. Portanto. Surge a partir do caso concreto. Ela se subdivide em – geral e individual. criando uma norma geral e abstrata. ademais. ou seja. Essa corrente é bastante criticada. 34. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. No MI. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. intervir nos Estados). se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. ou seja. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. 680. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Recentemente.

É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. e sim em face da CR. o PR então poderá decretar a intervenção. 50 . 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. IV. que é o pressuposto para a representação interventiva. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. OBS. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. Esta forma não foi prevista na CR. CR. § 1°. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. §3º. O STF é o guardião da CR. é claro. 35. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. 614. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. É dispensada a apreciação política pelo PL. Isto está previsto no art. foi uma criação da jurisprudência do STF. O parâmetro aqui é mais amplo. 127. ☺art. ☺art. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. STF). CR. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. no âmbito federal). somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. CR). A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. As partes aqui são o Estado e o Município. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. além. portanto. 36. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). §2º. da ADPF). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. mas sim. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. O RE. se violados. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. se o STF der provimento à representação do PGR. no âmbito do TJ. nem no RISTF. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. 125. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). mas que surge a partir de um caso concreto.

mas jamais é quem o exerce. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. em nome do povo. em alguns casos. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. social e juridicamente organizado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . porém. segundo o Abade Sieyès. Está acima do direito positivo. São apenas órgãos aos quais se atribui. Obs. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. C. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. que. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Schmitt). É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. editando a nova Constituição. Para os jusnaturalistas. a vontade do constituinte é a vontade do povo. corroborando essa perspectiva. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. cria o Estado. por delegação popular. Na 1ª etapa. que formulou esta teoria no fim do Séc. Celso de Mello. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. ou seja. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. Assim. Bonavides. é a nação. analisa-se se o poder é legítimo ou não. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. retira sua força do direito natural. expressa por meio de seus representantes. Assim. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. o exercício dessa magna prerrogativa. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. pois o Estado decorre da soberania popular. É ele um titular passivo. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. que deve observar o direito natural. Modernamente. segundo o abade Emmanuel Sieyès. que é sempre superior aos poderes constituídos. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). pode usurpar do povo a titularidade do poder. um dos precursores dessa doutrina. XVIII). Portanto.

11. que é seu verdadeiro titular. 60. ADCT. correspondendo aos anseios daquela sociedade. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Revolucionário . Assim. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. CR) .Decorrente (art. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Dessa forma.Histórico . pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).: o prof. Espécies Tradicionais: .Reformador (art. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. 25.Material . por conseguinte. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Portanto.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . há legitimidade objetiva. ADCT) . Obs. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Revisor (art. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. art. 3º. já que o poder constituinte já é originário. para ser considerado legítimo.Formal .

Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. que substituirá a anterior. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. Obs. Obs. b) é um poder inalienável. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente.: este poder tem este nome porque para o Direito. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. a nenhum pré-requisito jurídico. No plano axiológico. através da Constituição. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. No caso do Brasil. 1988. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. 1934. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. Apesar de ser um poder incondicionado. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. há alguns valores que são morais. ela nunca deixa de ser do povo. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. independente e soberano. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). O Abade Sieyes. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. Ex. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. No caso do Brasil. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. GV). O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. através de normas constitucionais. 1967/69. Obs. 1946. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista).: se é um poder autônomo e incondicionado. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. não perde a titularidade do poder constituinte. mas não a primeira e sim uma nova. ex. . O povo é o titular do PCOM. foi criado um direito natural). coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. 1937. 53 .Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. é apenas uma classificação quanto ao momento. ou seja.

encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. na verdade. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). Não se trata de um limite jurídico. Ex. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Ex. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. mas meta jurídico (fora do direito). mas continua a existir como característica essencial deste poder. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. por se tratar de uma conquista da sociedade. ☺art. 54 . deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. ele encontra limites no texto da CR. com os avanços da sociedade. no art. contudo. Obs. 25. Quando a CR consagra o art. Ainda que o estado seja soberano. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. na pena de morte. não concorda muito com isso. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). por ex. as constituições estaduais não são recepcionadas. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Dentro desse limite. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. ficando um pouco relativizada. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). No entanto. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. De acordo esse limite. 11 do ADCT. 25.. No caso da CR/88. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. O prof. Esta AL. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. A CR/88. Fábio Konder Comparato fala. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. observados os princípios estabelecidos na CR. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. A partir do momento que a CR surge. a doutrina deduz deste art. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário.

no âmbito estadual tem que ser de competência do GE.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. composição. 27.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. VII. porque o art. CR. Obs. Há dois grupos: (art. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. .Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. 59 e segs. ou seja. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). e o STF decidiu que não havia problema. mas foi uma decisão super apertada (6x5). CR. Mas. Obs. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. § 3°).). 34. 57. §4º não é norma de observância obrigatória). Estão presentes no art. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. são essas as normas de repetição obrigatória. Segundo o STF. 93. processo legislativo (art. . 75. V ???) I) Expressos na constituição: art.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 58. Se subdividem em: 55 . A próxima norma foi uma novidade da CR/88: .: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. são as normas de auto-organização da União. que se estendem aos Estados. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. 58. vedada a recondução. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. §4º.: presidencialismo x parlamentarismo). CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). §3º – requerimento de pelo menos 1/3. diferente dos extensíveis. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art.: ☺art. 57. §1º . § 1°. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . 61. II) Implícitos: CPI (art. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. por enquanto.

. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. CR (é vedado à U. portanto. E.: art.. 3°. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. portanto. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. em qualquer estado da Federação (art. §1º. decorre da lei e não da força.. Ex. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. 19. mas é possível deduzi-las. é conseqüente.titularidade: é do povo. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios..não é autônomo. . 60. .: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. 37.é limitado. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 34). Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . 60. se for decretado o estado de defesa (art.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada.exercício: é pelo CN.é condicionado. DF e M.não é inicial. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.normas vedatórias: ex. ou seja.normas mandatórias: ex. no entanto.) – contém uma vedação expressa. . cujo procedimento está previsto no art. . a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. CR. . . . . 137). → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada.). uma limitação temporal para o poder revisor – art. .é um poder jurídico (e não de fato). A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 136). 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e.. 56 . e se for decretado o estado de sítio (art. CR.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.: art. Ex. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. ADCT).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. Trata-se de um poder previsto na CR e.: os arts.

a PEC vai para a promulgação. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. CR). que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. para que. ☺art. no qual há 4 sessões legislativas.Além do PR. 60. GE. Obs. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. após a iniciativa. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. no âmbito do MP. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. também podem propor projeto de lei o povo. também chamadas de implícitas. . Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. §5º. 60. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. 44. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). é o de que o art.Discutido e aprovado. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. ☺art. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. proposta rejeitada no dia 15/01. P. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). ela será chamada de extraordinária. apenas o PR. 61 é a regra geral de iniciativa. no âmbito do PJ. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. no entanto. 61. .A última limitação formal objetiva está prevista no art. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. . CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. No caso de projeto de lei. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. 61. por fim. o PGR.U. DF e DE. 60. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. II e III) uma exceção à regra geral. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso.A nossa Constituição é rígida. ademais. apesar de não existir previsão expressa.Feita a iniciativa. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). assim. 60 (incisos I. a PEC será discutida em cada casa do CN. b) o entendimento majoritário da doutrina. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. CR. . possamos usar o procedimento previsto no art. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. do SF ou do CN. §10). . no âmbito do PE. A Sessão legislativa (art. Este art. 60. . não veta. §2º). 67. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). 62. Ex. através da iniciativa popular (art. . 61. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art.). sendo o art. 57 . *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. não pode haver emenda de emenda. não promulga. §2º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. §3º. se a matéria for rejeitada. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. o STF e Tribunais Superiores. que é o período de 4 anos do mandato do PR. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR.

a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. c) Voto Direto. o voto não é universal. a). conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). não podem haver alterações tendentes a aboli-las. Expressas: ☺art. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. que é o modo como se realiza o exercício do voto. não é secreto. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Secreto. . pois. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). cláusulas que exteriorizam limitações materiais. São as chamadas cláusulas pétreas. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. Curiosamente. na verdade.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. o que é universal é o direito de sufrágio. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. segundo o STF. o direito de participar das eleições. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. secreto. VI. . §4º. universal e periódico.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. Universal e Periódico: . Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. b) Preservar a identidade material da Constituição. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. CR. ademais. mas sim. c) Assegurar o processo democrático. 58 . Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. Ou seja. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. Se elas não existissem. As cláusulas pétreas são. 60. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. 150. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. o que é secreto é o escrutínio.

todo o art. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. CR. 60 poderia ser modificado. comportam diferentes interpretações. 60. e não em direitos e garantias fundamentais. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. como um todo. pois. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. b.Há quem defenda.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. Chama-se dupla revisão. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. por isso.: FGTS. Assim. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. CR. CR). III. por uma questão lógica. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. . não tem nada a ver com CP). 60 seria CP. são CP. é porque não se desejou que eles fossem petrificados.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. para posterior alteração do conteúdo. sistematicamente. Obs. sendo uma garantia individual. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. que proíbe a pena de morte. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 5º. 150. não seriam cláusulas pétreas. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. CP). é CP. Um exemplo. não o serem). 60. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. com a dignidade da pessoa humana. e por conseqüência. é o art. segundo a qual o art. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Lá estão as limitações ao poder reformador. pois seria uma forma da fraudar a constituição. não concorda. ADCT). . que não é unânime na doutrina. Assim. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. A CR fala em direitos e garantias individuais. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Os demais direitos e garantias fundamentais. 5º. Mas o STF já considerou que o art. em princípio. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. ou. mas refere-se a uma reforma. dispostos do art. não alterando-o). e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Os direito fundamentais se encontram. Para ele. O prof. §4º. mas os demais não (ex. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). (23/04/09) 2. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. 2º. inclusive. O art. posteriormente. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 .: primeiro. far-se-ia uma EC revogando o art. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. após este plebiscito eles teriam se tornado CP.

O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). mas seus efeitos surgem após a constituição. portanto. mas ainda não pagas. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. XXXVI. a constituição atinge prestações vencidas. c) Máxima: a retroatividade não é automática. 5°. contados da promulgação da Constituição. CR). CR (a lei não prejudicará o direito adquirido.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). tem que haver previsão expressa na constituição. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. Revisão é a via extraordinária. esse era o entendimento do STF. 3º. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. não abrangendo apenas leis em sentido formal. Ex. O ato ocorreu antes. b) Média: a retroatividade não é automática. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. o STF tem entendimento unânime. Antes da CR/88. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. 60. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. art. tem que haver previsão expressa na constituição. mas também emendas à constituição. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. excepcional e transitória de alteração da Constituição. Com relação ao assunto acima. A limitação imposta no art. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. Ex. não abrange EC. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. A retroatividade mínima é automática. . ☺art. 3º. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. 3º. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. não sendo um princípio absoluto. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. em sentido formal. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. O direito adquirido pode ser relativizado. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. em sessão unicameral.

Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. especificamente. 3º. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. §§1º e 4º). o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. 61 . as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. ADCT. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. 60. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. e de forma geralmente mais extensa. circunstanciais. Além disso. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

É o início de uma interpretação. Esse método não é apenas sistemático. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). É como se a norma fosse o corpo da constituição. Nele estão os valores supremos da sociedade. mas apenas valores: o preâmbulo. Ela não tem normas jurídicas. esse método também é conhecido como método valorativo. 65 . É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. aqueles desenvolvidos por Savigny. para o direito público. para o direito privado. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. e não isoladamente. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. portanto. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. partindo da idéia de sistema. Além disso. Por isso. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. como todas as demais. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. com algumas peculiaridades. Não existe uma norma jurídica sozinha. Buscam os valores subjacentes à constituição. Toda norma está dentro de um sistema. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. como início e limite para a interpretação. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. O grande problema é que. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). entra o elemento histórico evolutivo. devido à complexidade da interpretação constitucional. só tem alma. é também o limite para a interpretação. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. eles são suficientes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Constituição da República. X. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Ex: princípio da não contradição. Imagine a Constituição norte-americana. e os valores fossem o seu espírito. esses elementos são insuficientes. 52. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Por isso. b) Histórico: no seu desdobramento. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). O texto da norma funciona.

porque trabalham não com a idéia de sistema. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. dos princípios gerais do direito. Se se permite interpretações divergentes. ou seja. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Assim. Problema é a questão difícil. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. da doutrina.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. ele também é conhecido como método sociológico. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Ex. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Assim. → Crítica: feita por Canotilho. o que geraria uma grande insegurança jurídica). por ex. Esses pontos de vista. certa insegurança jurídica. de casos que comportam mais de uma solução possível. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. enfraquece-se a força normativa da constituição. mas sim diante de problemas. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. pontos de vista ou lugares comuns. Ex. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Este problema será solucionado pela argumentação. vence o argumento que for mais convincente. pois comporta mais de uma solução possível). os operadores do direito servem-se de topoi. 2. Violação de correspondência de presos. cujo plural é “topoi”. que é apenas mais um topos. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Os topoi são esquemas de pensamento. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. formas de raciocínio. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. do senso comum. da jurisprudência dominante. Isso gera certa instabilidade. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. mais um 66 . O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. ou a de que um é mais correto do que o outro). que contraria o positivismo jurídico. Por isso. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Por ter uma feição mais política do que jurídica. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma.. os quais são submetidos a várias opiniões. como. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. como ocorre neste método. lugares comuns. de argumentação. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. a favor e contra. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem.

e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. 67 . assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. a compreensão prévia do intérprete. devendo-se fazer uso de outro método. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. como já vimos. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. porém. A principal diferença. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. Não se pode separar as duas coisas. ou seja. Ocorre que. de única solução possível. que a questão não seja simples.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. são coisas diversas. Assim. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Além de serem métodos aporéticos. Ele parte. se for caso de lacuna. e concretizador à aplicação. não podem ser utilizados de forma abstrata. na sociedade aberta de intérpretes. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Método concretista. este método não poderá ser aplicado. Hermenêutica e interpretação não se confundem. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. são também métodos concretistas. Os métodos III e IV. São métodos indissociáveis. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Para este método. e sim na sua concretização. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. pois. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. é preciso que haja um problema. Assim. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). por serem métodos concretistas. sua aplicação a casos complexos. mas em concretização). Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). e o problema concreto a resolver. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. é bom lembrar. ao lado de Hans Kelsen. diferentemente dos dois primeiros. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. ainda que dos mais importantes. quando se fala em hermenêutica. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. não se deve falar em interpretação constitucional.

mas também na sua interpretação. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). Não diz respeito aos critérios de interpretação. Paulo Bonavides o tratar como um método. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). é a realidade social tratada pelo texto da norma. por sua vez. Gilmar Mendes). mas também para a interpretação da Constituição. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. aberta a toda a sociedade. ele dirige e. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Judiciário. Fala-se que são utilizados. Quando ele fala em democratização.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Segundo ele. é o comando que se extrai da norma interpretativa. limita a interpretação. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Assim. O que ele chama de domínio normativo. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. . para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Ainda que a Corte seja o intérprete final. Essas duas figuras podem ser. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Friedrich M. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). ele na verdade não o é. 68 . ao mesmo tempo. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. que têm legitimidade para a interpretação. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. bem como a quebra da unidade constitucional.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. mas refere-se àqueles que podem interpretar. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. O texto tem duas funções muito relevantes. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. O texto não tem o comando. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. pois. A norma é o mandamento.Elementos do âmbito da norma . a norma só surgiria após a interpretação do texto. traduzido pelo Min. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. em regra. mas a toda a sociedade. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Segundo o autor. regulada pela norma. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Para ele.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. A democracia deve servir não apenas para a criação.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Na prática.

Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Também denominado de originalismo. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. surge a idéia de norma (gênero). a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. o poder legislativo é claramente fraco. 69 . O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Após. do povo. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. os direitos têm que ser iguais para todos. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. vinculante e obrigatória. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. no Brasil. Assim. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). No pós-positivismo. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. A segunda corrente. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. A norma. Assim. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Na verdade. Por isso o judiciário tem ganhado força. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. bastante discutido nos dias atuais. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. mas de forma concreta. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. que corresponde à vontade do constituinte originário. como a constituição é feita por representantes do povo. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Hoje. Segundo Conrado Hubner. que se subdivide em princípios e regras. Entende que. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. surge o Positivismo Jurídico. 3) Existe uma única resposta correta. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). superado o valor da norma). norma e fato. Esta questão está ligada à separação dos poderes. sem modificá-la. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. preocupado com a segurança jurídica. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. quando interpretada. textualismo e preservacionismo. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora.

nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. ou seja. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). isto é. . → Princípios X Regras: .Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. impõem resultados. → Regras: são “mandamentos de definição”. A norma é um gênero e. Ambos são normas. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Alexy afirma haver exceções. Para Habermas.generalidade . há uma subsunção lógica. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. e . Referem-se à abstração (a norma é abstrata. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. dentro do gênero norma jurídica. mas a medida do possível. quando se vai aplicar um princípio. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. imperativa. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Segundo Robert Alexy. 70 . Eles não definem a medida exata. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. impessoal. Assim. bilateral). .Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas.: aposentadoria compulsória. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. peso ou valor.Regras.dimensão que eles ocupam (Alexy) . A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. como elementos do sistema normativo constitucional: . em havendo um conflito no âmbito da validade. As regras possuem aplicação automática.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . será invalidada. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).Princípios. genérica. que apontam para o sentido contrário. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). o que ocorre por meio da ponderação. princípios são “mandamentos de otimização”. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. que envolvem a aplicação deste princípio. Ex. ou seja. . Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. é preciso saber quais são as normas opostas.Postulados. O grau de abstração é a diferença.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça.

Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. Com base nessas premissas. pela maioria da doutrina. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada.: proporcionalidade. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Nesse aspecto. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. Segundo a LICC. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. será feita a análise de alguns postulados que. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. interpretação conforme a Constituição. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. de modo a realizar os valores nela consagrados. Não estão na constituição. É um conflito sempre no caso concreto. 71 . dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Ex. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. cronológico e da especialidade. mas não têm a mesma função dos princípios. nem estabelecem competência ou conduta. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Mas e os postulados? Segundo esse autor. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Eles não apontam um fim. embasados na supremacia da Constituição. Os postulados são denominados. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. por isso não são aplicados diretamente. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. também conhecido como antinomia de princípios. como princípios.

pode deixar de aplicar a norma de ofício. Ele pode negar a aplicação da lei. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. significa que as demais leis devem obediência a ela. Toda Constituição tem supremacia material. não tem como fazer interpretação conforme. pode ser exercido através do veto jurídico. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. No Brasil. No Poder Executivo. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. o Princípio da Supremacia da Constituição. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. por ser presunção relativa. na dúvida. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). excepcionalmente. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. e. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. é necessário que a Constituição seja rígida. Excepcionalmente. quando entender que uma norma é inconstitucional. deve optar pela constitucionalidade. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. no controle difuso. No Poder Legislativo. E. o Chefe do Poder Executivo. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. presume-se que agiram de acordo com ela. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Todo projeto de lei passa por um controle. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. se entendê-la inconstitucional. Se a constituição é a norma suprema. significa que ele é unívoco. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Se o texto tem apenas um significado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. na dúvida. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. assim. no Poder Judiciário. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. o Poder Judiciário. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Se há mais de um significado. para ter essa supremacia. A 72 . Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. pois existe uma presunção de constitucionalidade. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Da mesma forma. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. como no âmbito do Poder Executivo e. ficam vinculados àquela decisão. a lei deve ser declarada constitucional. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Não se retira a lei do ordenamento. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Ou seja.

a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. de direito previdenciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Ao se admitir que essa norma é superior. 73 . Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. é necessário observar os valores consagrados na constituição. na constituição. Antes. Obs. Outro ex. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. a norma inferior. necessário harmonizar esses dois princípios. existem. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Busca a vontade do objeto interpretado. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. passando ela pela constituição. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Na verdade. Geralmente. Isso é impossível.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. há várias tensões entre as normas constitucionais. 81. Portanto. b) Fim pretendido: . → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. ao mesmo tempo. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. poderia declarar o art. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Logo. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Segundo Kruger. normas superiores e normas inferiores. Hoje em dia. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. essa corrente é chamada de “subjetivista”. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. sendo. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. é conhecida como mens legis. É como se filtrasse a lei. Temos o voto direto como cláusula pétrea. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional).: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. pois. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Hoje.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. A segunda corrente. . etc. prevalece a vontade da lei. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. num estado democrático. mas. §1º. que busca a vontade da lei. logo é conhecida como corrente “objetivista”. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Ex: Brasília é a capital federal. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Em uma sociedade democrática e pluralista. isso não ocorre. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra.

inclusive. a integração política e social. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Quando se tem uma colisão entre bens. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. que é anterior à Constituição da República. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. é necessário utilizar a ponderação. deve-se buscar essa concordância prática. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O STF declarou constitucional. 45. criando um efeito conservador da unidade. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Essa lei. violava a liberdade de exercício de comércio. Assim. O que tiver o peso maior irá prevalecer. §1º. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. qual dos dois grupos tem um peso maior. interesses. Ex: voto direto é a norma geral. valores. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. princípios ou valores. O Juiz irá ver. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Nesse caso. Se ele entrasse no mérito da questão. no caso concreto. O relator indeferiu a petição inicial. as duas normas têm conflito entre si. se ambos estão consagrados na Constituição da República. Eles são muito parecidos. Sempre que possível. na hora de se interpretar a Constituição. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Segundo este princípio. bens ou interesses. O que é isso? É semelhante a uma balança. Abstratamente. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. O STF analisou 02 casos: a) Art. 74 . b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. e voto pelo CN é a exceção. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. pelo legislador. Uma existe ao lado da outra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. ou seja. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. e não em abstrato). Pode ser usada. ele se basearia no princípio da unidade. Quando se tem um conflito em abstrato de normas.

não.: a proibição da pena de morte. Ex: Se tiver na praia. e não princípios. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. que contribua para o debate de interesse geral. 2) relativização da coisa julgada: o STF. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. até uma compreensão equivocada. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. às vezes. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. da tortura. para que outros direitos sejam assegurados.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. na academia. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). Exs. STF não foi abandonada. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. mas também a ratio decidenti. do contrário. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. dizendo que a ponderação é muito subjetiva.: a Súm. por mais importantes que sejam. Deve haver uma cedência recíproca. não se aplicando para a interpretação constitucional. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. poderia fotografar. Ex. proporcionando-lhes uma força otimizadora. sendo o guardião da constituição. 75 . a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. do trabalho escravo são regras. a privacidade deve ser preservada. 343. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. ou seja. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Caso contrário. não. cabe ação rescisória (obs. O importante é saber que todos os princípios. eis que ambos se relacionam. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto.

§1º. 76 . 4. é também conhecida como eficácia jurídica.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.br: download de questões – Hot site do professor Novelino.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. a função social para a qual foi criada. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. Ver no Site Editora Método.com. . sobretudo o Tribunal Constitucional. o desempenho concreto de sua função social. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. . Exs. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.335/AC. Este princípio. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. é também conhecida como eficácia social. 2) Direito de greve. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. CR/88 (aplicação imediata).Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. pois. validade é. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. 5º. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. a qual significa a realização do direito. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. . Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). no Brasil.

ou seja. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Se o ato for desnecessário. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. uma restrição à liberdade só será possível se. uma densidade semântica que ele não tinha antes. à garantia do devido processo legal. Ele está ligado. deveria conceder uma autonomia maior. Na Alemanha. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Ex. É uma influência do direito alemão. em sua origem. apto para atingir o fim almejado. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Alegam que a restrição seria desproporcional. do Prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. É uma influência do direito norte-americano. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Para Jellinek. dentre os meios existentes. para que o Estado não atue de forma arbitrária. não está textualmente consagrado. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). É um princípio implícito. não se deve abater pardais com canhões. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Para que um ato seja considerado proporcional. 1º. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. por isso sua importância. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. ☺art. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. Não é o entendimento mais cobrado em provas. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. maiores hão 77 . será também desproporcional. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. Ex. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. mas apenas como menções. Nos sistemas da commum Law. CR. Assim. utiliza-se o termo proporcionalidade. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. 5º. No Brasil. utiliza-se o termo razoabilidade. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. desproporcional. ele tem que ser adequado. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. LIV. pois. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada.

Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. ou proibição por defeito. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. A face acima exposta do princípio. 78 . Nesse caso. que é chamada de proibição de insuficiência. Há uma outra face desse princípio. o poder público age aquém do que deveria. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. pode ser chamada de proibição do excesso.

É uma corrente intermediária em relação às demais. Não tem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. Situa-se no domínio da história ou da política. anteposta ao articulado constitucional. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. não é norma de repetição obrigatória. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. o preâmbulo. mas é a tese por nós adotada. Assim. o Brasil é um país leigo. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. reproduzidos ou não na Constituição estadual. mas no domínio da política. apresentado de forma não articulada. 79 . Para o STF. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. O min. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Não contém. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. com exceção das de 1891 e 1937. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. portanto. relevância jurídica. refletindo posição ideológica do constituinte. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. de regra. proclamação mais ou menos solene. laico ou não-confessional. não tem relevância jurídica.. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. No Brasil. O nome não é o mais apropriado. porém. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. pois. caráter normativo e. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. não existindo. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Como se sabe.. qualquer religião oficial da RFB. não tendo força normativa. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. dado que. sendo. inscritos na Constituição. portanto. Ocorre que todas as constituições brasileiras. O que acontece é que o preâmbulo contém. não é componente necessário de qualquer Constituição. Esses princípios sim. Em âmbito estadual. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. mais ou menos significante. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. incidirão na ordem local. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. pois.

o bem-estar. Ao estabelecer os valores supremos. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. com a solução pacífica das controvérsias”. 80 . a segurança. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). fundada na harmonia social e comprometida. o desenvolvimento. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Esta é a sua natureza. pluralista e sem preconceitos. a liberdade. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. na ordem interna e internacional. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar.

P. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. no Brasil. Não são a mesma coisa. imediata e integral. enquanto não for restringida por lei. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. vedações (art. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). dentre as quais.U. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). 95. mas admite lei. apenas 81 .JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. §5º). se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Exs. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . isenções (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. enquanto não for restringida. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. A integralidade. Uma NEC. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. Ela não depende de lei. Não depende de regulamentação. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. prerrogativas (art. como se poderia imaginar). A NEC. → Normas de Eficácia Contida: O prof. O que as difere é o grau desta eficácia. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada.: normas que estabelecem imunidades (art. 53). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. por sua vez. possivelmente restringível ou redutível. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). que poderá variar conforme o seu enunciado. 184. §5º). A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. Quando se fala em aplicabilidade imediata. é uma NEP? Não. destaca-se a de José Afonso da Silva. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. 128. (É a mais cobrada em provas). que “contenha” o seu conteúdo.

). Exs.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. necessidade ou utilidade pública. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. XXIII e XXIV).Impositivas: ex. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. XIII. PU: União poderá delegar aos estados. etc. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. Ex. mas o seu §1º. segurança nacional. . é obrigatória. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. etc. 9º. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. A lei não irá restringir o direito. art. . e não quais são os meios para se atingir o fim. 5º. XXII. poderá criar impostos residuais. e mediata porque depende de alguma condição. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. XII c/c arts.por lei (ex.: art. Neste caso. que a regulamente.U. 22. 37. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. . Ex.: trata de vedações que são impostas aos juízes. ☺art.U.Facultativas: ex. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. e art.. art. 37. art. O caput do art. As vedações. Não é apenas um conselho. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. ☺art. não há omissão inconstitucional. mas dizer como esse direito será exercido. VII. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. – ex. ela nunca poderia ser restringida. em regra. 9º dá a entender tratar-se de NEP. 82 . Assim. esclarece que trata-se de uma NEC. A NEC pode ser restringida: . 95). que não é norma). são NEP (como são as normas dos incisos I. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. É indireta ou mediata. P. art. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo.: art. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. que dirige os rumos do Estado. quais são os efeitos. mas. VII.: art. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). conforme a lei. Se ela fosse uma NEP. interesse social. Indireta porque depende de uma outra vontade. eis que estabelecem o fim a ser atingido.: ordem pública. mas não é uma NEP. mas pode ser). a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. se quiser. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. mas não disse quem pode propor. 37. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). 3°. 5º.por conceitos de direito público (ex. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. de forma que antes da Lei 9. CR. art. 102. caracterizadas justamente por este tipo de norma). A norma constitucional tinha eficácia. 5º. II e III deste mesmo art. 95. VII (direito de greve dos servidores públicos). ofício ou profissão.por outra norma constitucional (ex. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). etc. 136 e 137). que faz parte da mesma norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho.: art. 154: a União.

Elabora-se uma norma genérica. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Diz que o direito se auto produz. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). ADCT. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. também conhecidas como normas super-eficazes. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. exaurem sua eficácia. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. OBS. Obs. Traduz um sistema fechado. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Ex. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta.: art. Por isso não dependem de outra vontade. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. imediata e integral). 83 . ademais. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. mencionada por alguns autores. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. não depende de outros sistemas. São as normas do ADCT. uma eficácia negativa (e apenas esta. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. Para ela. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. porque ela não tem eficácia positiva). Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. as Cláusulas Pétreas. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. pois. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. tem eficácia. antes da lei ser feita. cumprida a sua finalidade. Assim.: As NEP. Uma última classificação. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Marcelo Neves critica essa concepção. 2º. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são.

Quando uma nova constituição é criada. como normas infraconstitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. quando do surgimento de uma nova Constituição. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. §2º (que fala do Colégio Pedro II. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. caso compatíveis com a nova Constituição. Faremos o estudo de alguns institutos. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. § 1°. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. 2°. com o caráter de normas constitucionais. parte final). art. por esta teoria. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. → CR → A.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. porém. não. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. 84 . podendo.: ☺art. 242.N.P → A. Assim. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). sempre que nasce uma nova Constituição. serem recepcionadas pela nova Constituição. Ex. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas.N. e sim como normas ordinárias. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. ou seja.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

tenha retroatividade média ou máxima. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. que. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. Ex. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. nada impede que a norma constitucional. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. sendo regra a retroatividade mínima. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. desde que haja expressa previsão. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Contudo. deve existir expresso pedido na Constituição. para tanto. c) por outro lado. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. com pequenas exceções. vale dizer. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. o STF entendeu que. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. 88 . Assim. CR. como é o caso do art. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. XXXVI – “lei” em sentido amplo). por regra. IV. 5º. 51 do ADCT. dentre outras. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. Como outro exemplo de retroatividade mínima. têm retroatividade mínima. diante da aplicação imediata. as leis infraconstitucionais. 7º.: art. vale dizer. Assim. também limitado juridicamente). significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). IV. 7º. Como se percebe.

d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. como também ao exercício abusivo de certos direitos. Desse modo. o que os coloca numa posição de superioridade. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. é obvio. a menos. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. por conseqüência. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. ao elaborar as leis. pois servem de critério para o legislador que. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. atuando como um limite. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. estrutura e fundamento (art. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. Executam. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. Sob o ponto de vista dogmático. os quais estabelecem a sua forma. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. seja como orientação para progresso da legislação. 2º). 4º). devido à função negativa que desempenham em alguns casos. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. ainda não regulamentadas de forma mais específica. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. 1º). da função positiva que 89 . sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. em um todo sistemático. é claro. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. a divisão de seus poderes (art. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. De uma forma geral. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. diverso e opostos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. sobretudo. Dessa forma. Em situações novas. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. seja como diretiva na solução de casos concretos. assim. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. não só das ações dos poderes estatais.

formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. 90 . quanto para o legislador na elaboração das leis. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. A baixa densidade semântica. I). o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. que reinava de forma absoluta e irresponsável. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. 1º. Com o passar do tempo. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. No tocante ao Poder Executivo. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. DF e Município. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. a Constituição veda. sendo criados novos critérios distintivos da República. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. CR). esses conceitos foram se esvaziando. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. 34. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. aos entes que compõem a federação. o direito de secessão.

mas também o próprio Estado está submetido ao direito. a legalidade da Administração. a vontade popular representada pelo parlamento. Aqui. Em um Estado de direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. No que se refere ao princípio democrático. No Estado material de direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. 91 . seja através de representantes. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Em um Estado democrático. ainda. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. ou. Sob o aspecto material. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. a independência dos juízes. sob as circunstancias transitórias. não apenas os indivíduos. seja diretamente. à questão perene da Justiça. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. não é absoluta e ilimitada.

exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. em nenhum momento podem ser colocados de lado. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. uns para com os outros. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Supremo. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. Por essa razão. o indivíduo se sente útil e respeitado. 6º). a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. independente. no plano interno. na ordem internacional. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. No plano externo. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. Todavia. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. por essa razão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. por não ter de acatar. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. 92 . a soberania migrasse do soberano para o povo. A soberania externa se refere à representação dos Estados. na ordem internacional. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada.

a de opinião. Fruto da concepção liberal. passando a se revestir de normatividade. conforme os ditames da justiça social. partidário (art. a de informação. a sociedade pluralista é. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. 170). I). dentre elas. 206. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. por natureza. Este fundamento é concretizado. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. a partir do início da década de 90. mas. político (art. justa e solidária (art. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. uma sociedade conflitiva. assim. de idéias e de instituições de ensino (art. É ela o valor supremo que irá informar a criação. o que pode levar a divisões irredutíveis. 3º. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. de interesses contraditórios e antinômicos. 215 e 216) e dos meios de informação (art. III). Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. 170). cultural (arts. deve constituir o seu objetivo supremo. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 93 . a profissional. A escravidão. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. com a queda do comunismo. independentemente de autorização de órgãos públicos. artística. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. a sexual. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. Por isso. a Constituição. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. Mais tarde. 17). derradeiramente. a tortura. Por essa razão. a filosófico-religiosa. ainda. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. 220). 1º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. ao contrário. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a intelectual. salvo nos casos previstos em lei. científica. de comunicação. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. é um princípio básico do liberalismo econômico. de reunião e de associação. e. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art.

surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. e. dentro dos direitos sociais. não apenas por parte do Estado. sexo. cada vez mais. a todo e qualquer cidadão. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada.) imprescindíveis para uma vida digna. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. mas. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. econômicos e culturais. moradia. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. o acesso aos valores. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. Portanto. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. menor (minimizando o problema dos custos). etc. 94 . mas um atributo que todo ser humano possui. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. A dignidade da pessoa humana não é um direito. sua existência material. idade. na medida em que procura representar um subconjunto. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). ou para com a pessoa. o que significa dizer que na criação. independentemente de usa origem. mais importante. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. possui um caráter positivo. não como um fim em si mesmo. mas também dos particulares. que seja efetivamente exigível do Estado. Portanto. condição social ou qualquer outro requisito. seja pelo próprio Estado. Poder-se-ia dizer. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. em alguns casos. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). o indivíduo não poderá ter uma vida digna. Por isso. Esta acepção. Assim. ligada ao valor igualdade. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. Por outro prisma. possui um caráter negativo. seja por terceiros. ligada ao valor liberdade. em um primeiro momento. à dignidade da pessoa humana. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. educação fundamental. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. Esta acepção. Todavia. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). por exigir uma abstenção. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. por outro. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. mas também a de que o Estado garanta. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade.

direitos sociais (art. devido à escassez de recursos. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. . A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). ligados à liberdade. Assim. Em sua maioria. Têm um caráter negativo. O Estado deve fazer escolhas trágicas.direitos à nacionalidade (art. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. portanto. 95 . Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Enfim. 12 e seguintes). Visam proteger o valor igualdade. 5°. que divide os direitos fundamentais em: .direitos políticos (art. devido ao custo de serem prestados. consagradas ao longo das constituições. Já os direitos humanos não possuem essa divisão.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. são os direitos individuais consagrados no art. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. 14 e seguintes). os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Têm caráter positivo e negativo. basicamente. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. estão consagrados em normas de eficácia limitada. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. 6° e seguintes). . Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. 6º ao 11.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. a diferença básica se refere ao plano de consagração. uma constitucional e uma doutrinária.direitos individuais. igualdade e dignidade. os direitos sociais (arts. Essa classificação é legislativa. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. São direitos ligados à cidadania. Em termos materiais. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. 5°. . pois surgiram em uma única época. CR/88). mas também no art. Em sua maioria. CF/88.direitos prestacionais: são. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Exigem uma atuação positiva do Estado. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. . 6° e 7°). tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. consagrados no plano internacional. do qual são espécies: . à participação política. .

alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. Tais direitos têm caráter positivo. por exigirem uma abstenção. XX. São basicamente os direitos individuais. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. enfim. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. ao desenvolvimento ou progresso. das gerações. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. portanto. então. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. e geralmente em normas auto-aplicáveis. ao lado da 4ª. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. de 1789: liberdade. Ou seja. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. direito de comunicação. segundo Jellinek). normalmente são consagrados em NEP ou NEC. São chamados direitos civis e políticos. Exs: direito ao meio ambiente. como a família. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. são direitos de caráter negativo. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. por exigirem uma prestação do Estado. movimento encabeçado pelo proletariado. Não houve substituição de uma geração por outra. 96 . Estão ligados. exigindo uma abstenção. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. queria que ele respeitasse suas liberdades. Por isso. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Exigem uma ação do Estado. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. XVIII. e a dele é a mais cobrada em concursos). Têm como objetivo. os direitos prestacionais. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. à autodeterminação dos povos. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. pois. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. Esta é a sua preocupação principal. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. CR/88). sobretudo de princípio programático). São considerados basicamente como direitos coletivos. A 3ª geração. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. a imprensa livre e o funcionalismo público. a autodeterminação dos povos (art. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. Eles foram surgindo com o passar do tempo. 4º. e estas gerações coexistem atualmente. → Igualdade: Direitos Sociais. diretamente à igualdade material. Vejamos quais foram as gerações. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. econômicos e culturais. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. Como vimos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. diante da necessidade de cooperação. Os direitos de defesa. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Têm caráter negativo. Obs. já os de 2ª geração não.

e isso acaba por prejudicar as minorias. São também direitos transindividuais (em sua maioria. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. ao analisar a Constituição de 1891. um pluralismo cultural.P. Ou seja. com a declaração do direito”. inclusive das minorias. um pluralismo ideológico. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. que são as que. a fixação da garantia. Esta geração de direitos advém da globalização política. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. 1º. as disposições assecuratórias. Porém. ☺ADPF 132. conserva nossas identidades. Quando se fala em pluralismo político. o direito a adoção. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. esta alteração não foi feita em seu livro. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. ocorrendo não raro juntar-se. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. de conteúdo). ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Ao lado da vontade da maioria. Quem tem o papel contra-majoritário. quiçá quanto a 5ª. Além desse aspecto. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. econômico. o prof. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. → Globalização: direito à democracia. Ele abrange um pluralismo religioso. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial.). segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. caso violados. Ele preserva. Aquelas instituem os direitos. de orientações sexuais. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). são direitos difusos). CR/88). V. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. Afora esta peculiaridade. Os argumentos contrários a esta união. outros são difusos). Em uma ponderação. Ex. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. como os previdenciários. ele tem uma importância muito grande. traz direitos ligados à pluralidade. de ideologias políticas e partidárias. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. Assim. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. que seria a vontade da maioria. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. as demais características são tratadas pelo prof. etc. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. à informação e ao pluralismo (D.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. os direitos de família. Paulo Bonavides. 97 . na mesma disposição constitucional ou legal. em defesa dos direitos.: quanto ao direito à paz. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. estas as garantias. artístico. que alguns dizem trazer os direitos à internet. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares.I. Por isso o direito à democracia é tão importante. Ou seja. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. mas há divergências na doutrina quanto a isso. limitam o poder. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional.

Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. . Nada impediria. quando. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. O caput do art. decidir qual direito deverá prevalecer. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. havendo.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Contudo. são indisponíveis.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. como é o caso da ação popular.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. através da interpretação sistemática.direito ao juízo natural (direito) – o art. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. conjugando-a com a sua mínima restrição. no caso concreto. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). por ex. . 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. coarctando. uma vez consagrado o direito. é claro. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . nascendo com o Cristianismo. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. ilegalmente preso.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.Historicidade: possuem caráter histórico. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. 5º. Exemplos: . HD. etc. que só pode ser proposta pelo cidadão. os apátridas e as pessoas jurídicas. no caso concreto.: HC. emite uma opinião (direito de opinar). mas nunca a sua renunciabilidade. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. . Obs. . ainda que não individualistas. confronto. juntamente. muitas vezes. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.: direito de propriedade versus desapropriação).). 5º. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais.Universalidade: destinam-se.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. . XXXVII. . conflito de interesses. como é o caso.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). . 98 . levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. se o direito garantido não possui alguma especificidade. Deve-se observar. ou magistrado. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. a todos os seres humanos. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. ou caberá ao intérprete. de modo indiscriminado. Normas positivas. os estrangeiros não residentes. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. portanto.. Se são sempre exercíveis e exercidos. Isso porque. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.

o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. mas o pressuposto do qual ela parte). e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Posteriormente. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. pois. para isso. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. 5º. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Assim.). em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Ingo Sarlet afirma que o art. só trazendo relações entre o Estado e o particular. então. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. No entanto. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. causando uma desfiguração no direito privado. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. fala-se. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. analisando caso a caso. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. etc. 5º. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). fática e juridicamente. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. 99 . não dependendo de legislação. §1º. §1º. então. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). mas. Não se admitiria. ordem pública.

como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.RE 175. e. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares.☺RE 161. mas ainda não há decisão quanto a isso. em geral.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. etc. Segundo esta teoria. Ainda se trata de uma questão muito nova. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. Mas. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. O juiz.24. Se não houver uma previsão expressa na lei. . quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: .700.Resp. Espanha e Portugal. Se houver lei determinando a aplicação dos DF.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. não sendo necessária uma intermediação legislativa. muito abertos.243/DF. mesmo realizando atividades idênticas.RE 158. A jurisprudência. Segundo Virgilio da Silva. através de princípios.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. então. .RE 160.00 para R$ 86. . isso poderia causar uma série de problemas.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. para que os princípios pudessem ser concretizados. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. A autonomia da vontade requer tal ponderação. . ainda que esta regulamentação não exista. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. . contrato de adesão. que não adota essa teoria).161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.RE 201. E como os princípios são muito vagos. Se. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. devendo sobre eles prevalecer. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. tão somente pela falta de previsão.: empregado e empregador. se exteriorizam. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. a aplicação será indireta. Determinação de observância do Princípio da isonomia. Em contrapartida. no entanto. a proteção tem que ser maior. de uma forma geral. é possível a sua aplicação com base na Constituição. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. Deve-se aplicar tanto esta teoria. houver uma desigualdade fática. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. 249. como a segunda. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. .HC 12. quando há uma relação de igualdade real na relação. mas. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. Os DF são expressados. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. esta teoria seria a mais adequada. Para a realidade brasileira.) . quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.*RE 161.858. Assim. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. aplica diretamente os DF às relações entre particulares.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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☺art. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). como DF é pressuposto dos demais direitos. CR/88. 1º. pois. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. por óbvio. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). também não pode ser renunciado. A renúncia é definitiva. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. O direito a vida. Esta questão é bastante clara. 5º. No caso do big brother. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. pois a vida é uma direito irrenunciável. II. caput. à liberdade. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. ☺art. CR. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 170. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. abre-se mão temporariamente à privacidade. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. é. Obs. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. 128. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. III e art. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Nos 78 incisos deste art. Por isso. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. não há que se falar em não exercício). Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Porque o direito à vida é irrenunciável. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. um caso constitucional de violação de direitos.: esta segurança que o art. Há dois entendimentos: 104 . Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Este pode ocorrer. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. não há uma renúncia definitiva. um outro direito fundamental. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. XLVII. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. à segurança e à propriedade. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. 5º. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. à igualdade. 5º.

O aborto não precisaria ser necessariamente crime. assegurando a autonomia da vontade. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. mas sim da acrania. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. Para o direito brasileiro. 128. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. em razão do risco de morte intra-uterina. é uma forma de tortura psicologia. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. por isso. mas de modo geral). Se há dois argumentos defensáveis. O STF. sabendo que ela vai morrer. então. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. entendeu que. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. o STF não estaria legislando. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. nas quais não se tem uma opinião moral definida. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. discutida na ADPF 54. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. insuficiente para a proteção do direito. a morte não decorre do aborto. por 7 votos a 4. ela é a única ação de controle abstrato cabível. a vida termina com a morte encefálica. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. o art. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. 3) dignidade da pessoa humana. Ademais. . 128 (em 1940). Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. como todos os outros. é relativo. Nos EUA e na França. mas sim interpretando a CR/88. II. e. 128). Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. não haveria vida. sem o sistema nervoso central.Direito à privacidade: 105 . o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Se isso fosse possível. CP não teria sido recepcionado pela CR. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. OBS. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. A questão ainda está sendo discutida no STF. portanto. além de colocar em risco a sua própria vida. o feto não tem a menor chance de sobrevida. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. já que o CP é anterior à CR. segundo Canotilho. E o direito à vida. já que na época em que foi feito o art. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”.

sobretudo. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). pois há uma excludente de antijuridicidade. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. Logo. Então. O agente público. 5º. não tem privacidade. Há decisões judiciais onde muitas vezes. de uma forma geral. maior a proteção a ser dada. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. no art. Nesses casos é vedada a gravação como prova. uma gravação feita clandestinamente. quebra de sigilo e interceptação telefônica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Questão de Concurso: Gravação clandestina. contra um chantagista. Será considerada prova lícita. X. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. a gravação é considerada lícita. Ex: policial federal recebendo dinheiro. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. que se subdivide em: intimidade. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. O prof. o direito à imagem foi violado. O direito de liberdade é maior. a restrição é legítima. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. veremos cada um separadamente. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Ainda que não afete a honra. É gênero. na verdade. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. em seguida. contra um estelionatário. científico ou cultural. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Mas. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. não há violação à privacidade. Ex: matérias de interesse público. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. etc. Esta é excludente de ilicitude. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. são direitos independentes. O direito a privacidade está consagrado. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. por exemplo. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. No entanto. 106 . quando pratica um ato na condição de agente público. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Não há que se falar em colisão. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. os princípios da moralidade e da publicidade. Se filmar uma passeata. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. 1. Neste caso. Numa gravação clandestina. vida privada. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Em regra. histórico. X. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. CR. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. a imagem pode ser usada num processo. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Ex: Radares eletrônicos. Proteção da honra e da imagem. Ex. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. a honra e a imagem das pessoas. sobretudo. Ao realizar essa ponderação. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. 5º. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. ela é ilícita. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. é a esfera da vida privada. Nesses casos. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Se tiver gravado um crime. É vedada pelo art. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. CR.

: Podem existir várias outras exceções. não poderá quebrar sigilos. Dentro dela. Quando se quebra o sigilo telefônico. 2. por enquanto. divulgaram todas as declarações na internet. Ex: extrato de conta corrente. A lei. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. 3. 107 . deve ter uma certa salvaguarda. No entanto. XII. em ação cível originária. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. 5º. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. falaremos da interceptação telefônica. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. fiscal e telefônico. Quando a CR fala em “poder de investigação”. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Se ele quiser. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada.). pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). E o Ministério Público? Segundo o STF. O STF decidiu que. não há decisão do STF. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. a duração da chamada. ainda que não seja sigilosa. Ele alegou a ilegalidade desse ato. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. 5º. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. de um cd room. 5º. Os jornais publicaram essas declarações. fiscais. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Essa exceção só confirma a regra. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. está em vigor. 58. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. XII. como havia verba pública envolvida. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Dentro do próprio STF há divergência. com base no princípio da simetria. já que não existe poder judiciário municipal. Essa declaração. Quanto às CPIs municipais. Quem pode é só o juiz e a CPI. por ex. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. que é uma exceção a essa regra. informáticos. O inciso X impede a gravação clandestina. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. De acordo com o art. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. O prof. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. São poderes instrutórios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. essa decisão foi para um caso específico. O Min. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. mas na decisão acima houve discussão a respeito. Além do juiz. § 3º. ele não pode requisitar diretamente. CR. naquele caso específico. outros dizem ser pelo art. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. outros entendem que não há proteção. etc. X. às informações constantes na declaração de imposto de renda. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Na Itália.. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Tem uma decisão do STF muito comentada. 2°) admite. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. o BB poderia quebrar o sigilo.

O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Se um souber. Na interceptação. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Na prática. 5º. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . a liberdade de comunicação. Ela protege 4 formas de comunicações. Em relação a essas. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. sobretudo. XII. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. XII. seja pelo art. Para o prof. já que protege-se a liberdade de comunicação. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Não são admitidas para outras finalidades. Com relação ao sigilo de dados.. o sigilo poderá ser violado. seja pelo art. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. Pois. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. 5º. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. por uma terceira pessoa. neste caso. 5º. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). protege-se apenas a liberdade de comunicação. não estaria protegido por esse dispositivo. X. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. também protege a privacidade. 5º. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Se um souber. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Em relação à comunicação epistolar. Para o STF. será gravação clandestina. Porém. Mas isso não é a posição do STF. protege a liberdade de comunicações. segundo o prof. em determinadas hipóteses. mas. abrem-se todas as correspondências. Além dessas duas hipóteses. Para o prof. pode haver restrições às comunicações telefônicas. segundo o STF. Nessas hipóteses. Ela deve ser usada para situações excepcionais. mas foi feita por um terceiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. No entanto. os dados de informática em si não estão protegidos. Quando se falou do método tópico problemático. Aliás. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Então. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. é equivocado. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. será interceptação telefônica. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica.. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. O art. O STF entende que com base o art. durante o estado de defesa e o estado de sítio. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos.. o STF tem um entendimento que. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública.

A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. e não pelo dono da casa. vejamos: a) Art. Art. salvo o flagrante delito. Na jurisprudência do STF. LXI: possibilidade de prisão. XII. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. 5º. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. XII: interceptação telefônica b) Art. Ex: crime dentro de uma residência. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. 2. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. não há falar em violação de domicílio. nem a CPI. prorrogáveis por mais 15). a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. o Min. pode determinar a prática desses atos. Com relação à inviolabilidade do domicílio. A Constituição trata de 2 situações distintas. Somente o juiz. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. Se numa situação excepcional. violado. Nem mesmo CPI. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. 5°. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. e mais ninguém. 5º. Durante o estado de defesa. imagine numa situação normal. a entrada deve ser permitida pela empregada. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. O professor acha que há certo abuso neste caso. 5º. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Recentemente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. nesses casos. essa lógica tem sido invertida. devemos analisar 2 situações diferentes. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. Nesse artigo. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Ela deve ser o último recurso. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Vejamos as situações: 1. Se houver o consentimento. XI: violação de domicílio. d) Art. 5º. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Segundo o STF. Além disso. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. LX: sigilo imposto a processo judiciário.483 – medida cautelar concedida nesse MS). seja durante o dia seja durante a noite. qualquer pessoa pode entrar. por nenhuma outra autoridade. c) Art. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. Pode ser que com os abusos recentes.296/96. • Prestar socorro 109 . nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. se houver o consentimento de um dos moradores. a polícia pode entrar. CF/88. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Essa decisão foi recente (☺MS 27. Sem consentimento já é diferente. Como é o meio mais fácil. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Então. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Com o consentimento. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. Ou seja.

mas dos vizinhos também. não entra no conceito de casa. E o carro? O prof. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Na maioria dos casos. 110 . As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. não entra em conceito de casa. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. a casa pode ser invadida a qualquer hora. não poderá mais entrar no domicílio. mais adequado. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Ex: parte de trás do caminhão. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. propõem uma utilização conjunta desses critérios. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. 150.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. entra no conceito de casa. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Se entrar com o uso da força. por serem situações emergenciais. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. compreende escritórios. porque a noite é o período de descanso. Então. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. entre outros aposentos. estabelecimentos comerciais e industriais. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Quando o sol nascer é dia. compartimentos habitados. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. não só dos moradores daquela casa. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Se houver o consentimento do morador. É utilizado por JAS. Segundo ele. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. prevista no dispositivo. onde o caminhoneiro dorme. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. a prova é lícita. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. 3. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. o STF considera as provas lícitas por causa disso. mais tradicional. pois se respeitar também o critério cronológico. CP. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Só que o STF já proferiu decisões. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). hoje. na parte em que o público tem livre acesso. a prova colhida será considerada ilícita. que traz uma conceituação bastante extensiva. Alguns autores. seja do dia seja da noite. Entra no conceito de casa. consultórios. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. 2. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. se estiver vazio. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. quando o sol se põe é noite. Segundo o entendimento do STF. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. ☺Art. entre eles Alexandre de Moraes. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde.

7º. CR. razoável e proporcional. Mas. Uma vez dentro do estabelecimento. não significa que a lei não possa fazer distinções. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. 7º. em situações diferentes. CF/88. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. cor e estado civil. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. da constituição. 2. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. 111 . O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. idade. justifica-se a altura. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Esse critério é razoável. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Esse critério não é nenhuma discriminação. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. é necessário que ele seja: 1. Não irá fazer concurso para homens participarem. Para que o critério seja constitucional. Se o critério não for objetivo. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Para esses casos. discriminatório. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. pois viola o princípio da isonomia. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. Ex: critério preconceituoso. 5º. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. É a que está consagrada no caput do art. XXX. Objetivo 2. Quando se fala em princípio da igualdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Razoável 3. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. XXX. arbitrário. Nestes casos. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos.

Segundo JAS. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Tem autores que entendem ser inconstitucional. para tentar reduzir as desigualdades. Para outros autores. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Quando se fala em igualdade material. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Visa uma redução das desigualdades fáticas. e os desiguais de forma desigual. Mas. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. por exemplo. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. acha que esse argumento não convence. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. não haverá uma igualdade real. A cota deve ser proporcional à população. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. essas ações são constitucionais. Essas ações não surgiram nos EUA. utiliza-se das ações. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. No caso da Índia. pois elas criam uma discriminação reversa. Em princípio. Dificilmente. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). mas é necessário analisar uma série de fatores. O prof. essas ações deveriam existir por 10 anos. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). mas na Constituição Indiana em 1947. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. Então. Criaram-se outras ações afirmativas. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Quando se fala em igualdade material. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. seria igualdade material. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. ☺art. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . surge a questão relacionada às ações afirmativas. e prolongaram as que já existiam. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. o critério discriminador seria desproporcional. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. Não é uma forma de resolver o problema. 3º. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. 112 . está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. disse que está ligada à igualdade material. e não à igualdade material. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Se o Estado não proporcionar esses direitos. A tendência é que elas aumentem. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. O prof. Isso é igualdade formal. igualdade e fraternidade. aconteceu o contrário. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. mas reduzir as desigualdades existentes. Porém. Para o professor. 5º c/c art. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. Ex: Cotas para pessoas carentes.

113 .favorece negros de classe média alta. O problema é com relação à subjetividade do critério. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. Isso é uma questão de política pública. cientificamente falando. Juridicamente falando. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.fere o mérito. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei .Poder Legislativo. Poder Executivo e Poder Judiciário). Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária.fomenta o racismo e o ódio racial . . e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. atinge todos os poderes públicos . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. Argumentos contrários: . tolerante. . . Eles foram libertados.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. quando se fala em destinatários. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. A justificativa parece não ser inconstitucional.em uma sociedade pluralista. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. . Apesar de ser uma relação entre particulares. No Brasil. . seja por particulares.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. sem exceção. pois já faz parte do próprio critério republicano. mas também para quem irá elaborar a lei. previsto no art. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. são destinatários do princípio da igualdade. não sendo necessária essa distinção. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. aberta. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Além dessa eficácia. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. Portanto. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. de saúde. miscigenada e multicultural.princípio da isonomia (discriminação reversa).Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . visa compensar uma dívida histórica. CF/88. Eles não têm apenas a eficácia vertical. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. Então. mas eles não tiveram oportunidade de escola. seja pelo governo. 208.medida imediatista e inapropriada.

Ex: art. a lei pode estabelecer distinções. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. IV. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Por que a Constituição. O homem não é a parte mais frágil da relação. é outra questão. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. É livre a manifestação de pensamento. etc. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. 5º. mas apenas para as mulheres. o problema é dele. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. 100. Pode defender no plano das idéias. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. ela exerceu o seu direito. para outros teria. discriminatórias. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Basta ser um critério objetivo e para todos. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Ex: Lei Maria da Penha. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Apologia ao crime é diferente disso. Se a pessoa agiu de forma abusiva. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Isso significa que. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. ela é constitucional. Não existem direitos absolutos. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. CPC – ação de alimentos. Protege a mulher. É uma denúncia feita anonimamente. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. As provas 114 . sendo vedado o anonimato. É constitucional? Sim.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Não é um direito absoluto. Ex: Passeata para legalização da maconha. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Questão de Concurso – Cespe: No art. em princípio. em regra. e violou direitos de terceiros. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. não teria sido recepcionado. Logo em seguida. Logo. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. I. Para alguns. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. desde que seja para atenuar desníveis existentes. ela pode ser responsabilizada. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. segundo o professor. O particular não é obrigado. ele deve licitar. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. não deve ser estendida para os homens. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Mas. ela pressupõe responsabilidade. de expressar o pensamento.

2. O culto pode ser exercido em qualquer local. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Quando são produzidos pelo próprio acusado. pedindo resgate. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Não se pode admitir que o parlamento. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. → Alguns temas polêmicos: 115 . ou de não ter crença em nada. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. ela deve ser protegida. VI. Pode fazer um exame grafotécnico. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. por exemplo. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. 2. houve a total separação entre Estado e Igreja. Para Habermas. Isso significa que. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. desde que não viole o direito de terceiro. O Estado deve manter-se neutro. 3. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. ainda 2. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. com o advento da República. O dever funcional da autoridade é investigar. se não há qualquer identificação. 19. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. inclusive em lugar aberto ao público. Garantir a simetria da liberdade religiosa. de crença e de culto. então. desde 1989 (advento da República). não é o caso do Estado brasileiro. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. há 02 hipóteses em que o STF admite. 5º. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. CR. Porém. CR. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. A religião desempenha um papel fundamental. Ex: seqüestrador escreve bilhete. O Estado brasileiro. Em relação ao culto. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Vejamos: 1. A liberdade de consciência é a mais ampla. apesar de a maioria da população ser católica. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). I. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Esta liberdade está consagrada no art. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. deve ocorrer uma “tradução institucional”. e. Os templos recebem uma proteção especial. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. No Brasil não há uma religião oficial. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. o equilíbrio das religiões. de ter crença. abrangendo a liberdade de crença. ele não pode ser admitido.

. O tribunal. Pode um ateu. Não teria sentido acabar com esses feriados. há algumas ações. fazendo uma ponderação entre os princípios. então. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. §2º.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. a competência é da União.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. VIII. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Entretanto. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. não poderia ser confessional. . imagine uma cidade pequena. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. o argumento supracitado não está correto. Portanto. 215. CR. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. a escola não deve impor ao menino. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. logo. Na Alemanha. e cultura é competência comum – da União. §1º. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. 210. O 116 . CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. onde se tem poucas escolas boas. políticos e religiosos. ocorreu um caso muito semelhante. CR). são culturais. os argumentos religiosos não fazem parte da política. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Há um trecho do livro do Dworkin. inegavelmente. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais.. Entretanto. Neste caso. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. a neutralidade do Poder Judiciário. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Mas. que odeia guerra. Para o prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. a competência é em relação à cultura. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado.. estados e municípios (☺art. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. São feriados puramente religiosos. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. 23. É importante respeitar o ensino de cada um. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Segundo o prof. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. 5º. e não à justiça do trabalho – ☺art. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. CR).

2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . A República é o governo das razões. IV). essa hipótese é de representação processual. de cooperativas. A associação. A pessoa alega imperativo de consciência. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário.) 2. mas os políticos. por sua vez. o argumento deve ser racionalmente justificado. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. (Não pode reunir pessoas armadas. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. 15. ☺ art. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Por que a CR exige prévio aviso. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. as pessoas se reúnem e. Ex: fazer segurança. Liberdade de reunião. Ex: reunião de condomínio. Não cumprindo com a obrigação. ☺art. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Criação de sindicatos. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. não é necessária a autorização estatal. então. 2. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. terminada a reunião. Ex. 5º. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. tem o caráter permanente. mesmo que em locais abertos ao público. elas vão embora. mas a de permanecer associado. conforme portaria da ANVISA. XVII e XXI. etc. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Criação de partidos políticos. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. JAS diz que não são direitos coletivos. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Há. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. 5º. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. ainda. Quem fará a tradução não é a Igreja. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. CR. CR: Não é só a liberdade de se associar. CR. na forma da lei. 4. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). desviar o trânsito. 5º. XVI. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). 3. Segundo Jean Rivero. não são os religiosos. XVI. XXI. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. mas direitos individuais de expressão coletiva. Se não houver essa lei. O prof. 5º. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Criação de associações e. Para que as pessoas possam se reunir. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas.

CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Segundo o STF. O que acontece é que se não cumprir a função social. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. a propriedade terá uma proteção menor. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. O sindicato (☺art. ☺art. Ela só garante o direito de propriedade. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. não pode existir mais de uma federação por território. por exemplo. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Em seguida. 118 . 8º. se não for atendida. não precisando de autorização expressa. não impede que o direito de propriedade seja protegido. Segundo JAS. Função Social da propriedade: A CR. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. LXX. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. Há um outro entendimento que. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. A Constituição não garante o direito à propriedade. 5º. Segundo o STF. segundo o qual. no seu art. 2. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. portanto. em seu art.. A associação impetra em nome próprio. Segundo ele. ter um patrimônio mínimo. a função social. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). Se ele tem proteção. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). CR) quando ajuíza uma ação. garante o direito de propriedade. ilegítimas. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Segundo o STF. É o entendimento de Daniel Sarmento. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. 5º. mas não pode ajuizar ADI. pode ser dada numa Assembléia Geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. 5º. segundo o prof. mas sim contrárias ao direito e. mas faz parte da estrutura desse direito. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. o direito de propriedade pertence ao direito público. tendo um menor peso na ponderação. III. ADC e ADPF. defendendo direito alheio. Ex: Invasões de terra pelo MST. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. XXIII. é mais correto. XXII. do próprio regime desse direito. como a Constituição garante o direito de propriedade. segundo o prof. não são legítimas essas invasões. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade.

Ocorre quando o imóvel não é utilizado. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. §2º. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. CR. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). 182. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. b) ☺ art. na desapropriação. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. No caso de requisição. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. como um apartamento. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Como haverá indenização se houver dano. por utilidade pública. XXV) e as militares (☺art. indenização por títulos da dívida pública). Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Na requisição. CF/88: Trata-se de imóvel rural. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . A polícia requisitou determinadas propriedades. por ser inerente ao direito de propriedade. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. diante de uma emergência. o proprietário não tem culpa. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. a saber: por necessidade pública.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. deve haver indenização? Não. normalmente. deverá ser em dinheiro. §4º. só haverá indenização se houver dano. ou por interesse social. Propriedade Urbana: ☺art. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. ele não poderá ser prejudicado. Sempre que há requisição. uma escola pública. CR. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Além do caráter absoluto. Para atender a função social. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. restringe o caráter absoluto. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. 139. há uma transferência compulsória da propriedade. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. etc. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. mas sobre a propriedade em si. a indenização será sempre posterior. 186. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. É um aspecto lógico. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. b. Ex: caso de Eloá. como decorrência do primeiro. Propriedade Rural: ☺art. Vejamos abaixo. Desapropriação: Diferentemente da requisição. Sempre haverá indenização. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 2. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. 5º. a saber: a. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Os principais aspectos são 2. em regra. A função social. justa e. IPTU progressivo no tempo. 184. que deve ser prévia. Logo. 182. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. VII).000 habitantes (§1°). Vejamos: a) ☺art. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social.

ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Só não podem ser para fins de reforma agrária. 50 hectares.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. ininterrupta. Para esse fim. não precária. Se ela é produtiva. . Na CR. por ter prazo menor. . Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. regra. A Constituição não permite – ☺art. em Indenização posterior se houver dano. Confisco: No Brasil. §3° e art. CF/88. . CR). 243 da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Se ele tiver outro imóvel. Vejamos: . Como o confisco é uma sanção. pacífica. É sempre indenizável (justa. Só que. §5º. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). 243. 120 . Obs. não há pagamento de indenização. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. . Necessidades transitórias. PU. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 185. o imóvel deve ter.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. 2. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário).o morador não pode ter outro imóvel. precisa recorrer ao judiciário). parágrafo único. 5º. CR). b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. 250 m2. Nesse caso. sejam urbanos ou rurais. os bens serão confiscados – art. seja urbano ou rural.). 191. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. São imunes a impostos (☺art. 3. Usucapião: Na Constituição da República. O confisco de propriedade está previsto no art. 184.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. não podem ser adquiridos por usucapião. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. 183. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). prévia e. possuir o imóvel como se fosse seu. Necessidades permanentes da sociedade. sem oposição. no máximo. paga em dinheiro). a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. etc. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular).: Imóveis públicos. emergências da sociedade. Requisição Refere-se a bens e serviços. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. no máximo.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. é porque ela está cumprindo a sua função social.

Em regra. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. desde que seja mais benéfica para o réu. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. As hipóteses mais importantes são: 1. 2. XXXVI. Em resumo. No direito penal. a saber: 1.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Todas as demais o consagraram. XL. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Retroatividade da Lei Penal. outros a interpretavam de maneira (B). Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. 106. Esta hipótese é. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. só que exclusiva para o direito tributário. CR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Para responder a essa questão. Durante a vigência desse contrato. A lei interpretativa retroage. a lei interpretativa retroage. 5º. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. média e mínima. 5º e no art. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. autônomo. A garantia existe para a proteção desse direito. etc. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. 3. Seria correspondente à primeira hipótese. interpretando a lei da maneira (A). na verdade. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Alguns a interpretavam de maneira (A). é uma conjugação das duas anteriores. não. ato jurídico perfeito e coisa julgada. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. mas que vale especificamente para o direito tributário. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. não era muito democrática). Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. a CR/88 entrou em vigor. mas deve respeitar a coisa julgada. 5º. inicial. é necessário diferenciar duas situações. a regra também é a não retroatividade (art. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . b) Retroatividade benigna.

haverá uma retroatividade média. → Coisa julgada: 122 . Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. através de norma de eficácia plena. até mesmo. portanto.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Não existe direito adquirido em relação a esse regime.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. e não lei em sentido restrito. STF. As parcelas podem ser reduzidas e. 473. e não as parcelas que compõem o vencimento. no caso de retroatividade mínima.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. a Constituição da República entrou em vigor. ela afeta a todos. mas as leis não. É claro que isso não é desejável. . interpreta a lei em sentido amplo. será necessário que a Constituição diga expressamente.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Se a Constituição atingir essa prestação. É claro que isso não é desejável. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. porque geraria uma insegurança jurídica. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. Havendo mudança de regime jurídico. Só que para haver essa retroatividade. O prof. dirige-se apenas ao legislador ordinário. XXXVI) é lei em sentido estrito e. b) Retroatividade média: pode ocorrer. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. ☺Súm. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Não pode haver a redução. 2. e não o ato exaurido. É o ato que está apto a produzir os efeitos. coisa julgada e ato jurídico perfeito. 654 e Súm. Portanto.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. porque geraria uma insegurança jurídica. mas isso está superado. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Após a Constituição de 1988. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. não há posição prevalecente. . inclusive as de ordem pública. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Ex. Antes de a prestação ser paga. extintas. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. haverá uma retroatividade máxima. . teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. . 5º. Se mudar o real. Na retroatividade máxima. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. de acordo com a legislação da época. automaticamente. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. em regra. Nesse caso. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Ex: Determinada prestação. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. A EC poderia prejudicar direito adquirido. Só que para haver essa retroatividade. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado.

☺art. Já os direitos sociais. Mas isso não é verdade. . Dirley Jr. §1º. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. como doutrinador. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA.. exigem uma atuação positiva do Estado. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. do seu enunciado. A administrativa não tem essa proteção. Os direitos de defesa são. Por isso. independentemente da sua natureza. e isso para muitos é um ponto negativo. 2. Eros Grau. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. §1º. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. e pelo Min. Direitos Sociais: 1. pois são mais facilmente implementados. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. mas é apenas a coisa julgada judicial. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. por ex. Em cada época. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição.: salário mínimo). a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. 7º. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. e não propriamente como ministro). Os princípios. são NEL (de princípio programático). à medida que a sociedade o determine. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. são mandados de otimização. de sociedades pluralistas. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. ou seja. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . nós deveríamos interpretar o art. No art. em regra. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. consagrados em NEP ou NEC. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. independentemente de qualquer fator. Ou seja. como teórico do direito (ou seja. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. b) o art. em sua maioria. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. para dar decisões concretizando tais direitos. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. o que significa que possuem um caráter positivo. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. segundo Robert Alexy. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Eficácia: todo direito tem um custo. 5º. 5º. 5º. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. Assim. . mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais.

Esses direitos sociais não teriam. Por isso. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Portanto. não geram direitos subjetivos. . segurança.000. . O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Assim. quando foi dado um maior papel ao PJ. Esse entendimento já foi superado. Quando se fala em direitos sociais. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. previdência. essa atuação talvez não seja tão justa. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. implicitamente. rodovias. assim. doutrinador do RS. Em outros lugares. 3ª fase: é a fase desejável. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. O que se busca. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. trabalho.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases.). ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. que estamos buscando.. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. legítimas (saúde.000.).Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. Pedro Taques). A visão do juiz é bilateral. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . educação. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. Obs. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. é importante definir tais critérios. por ex. lazer. Argumentos contrários à intervenção judicial: . todas. etc. pois. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. as normas possuem uma textura aberta. Norma de direito social não gera direito subjetivo. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. em tese. por ser norma programática. normatividade. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. só porque recorreram ao PJ. Como têm apenas eficácia negativa. Primeiramente. por ex. pois. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias.

a democracia tem também um aspecto substancial – todos. entra-se muito nas questões ideológicas. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. . Mas. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). Ademais. ou seja. A reserva do possível. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. Assim. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. 125 . Se um poder se encolhe. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Se não se estabelecer os critérios. e é muito utilizada no Brasil. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. segundo Ingo Sarlet. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. em razão do Princípio da Igualdade. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). não se encaixaria na realidade brasileira. o outro cresce. em 1972. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. mas a todos que se encontrem na mesma situação. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. De se ver que quando se fala em direitos sociais. pois. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. por isso. . saber se a demanda é razoável. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda.A democracia não é apenas vontade da maioria. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. em razão das limitações orçamentárias existentes. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. teríamos a maior utilização das ações coletivas.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). no que diz respeito aos direitos sociais.Caráter normativo da constituição. Não é o entendimento que prevalece. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Esses argumentos são os que devem prosperar. sufrágio universal. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. eles acabariam sendo inviabilizados. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . inclusive a minoria.Déficit democrático das instituições representativas. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. Os direitos sociais estão consagrados em normas. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. . se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. É preciso. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. eleições periódicas. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição.

o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. Ou seja. Segundo o prof. quando se estabelece o mínimo existencial. Não é o máximo desejado. . essa concretização. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. é o entendimento mais adequado. No Brasil. Segundo Ana Paula de Barcellos. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. . O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. que existem z pessoas na mesma situação. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Outros autores já falam apenas em saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Se não definir o conteúdo. Segundo Ricardo Lobo Torres. a questão da efetividade será prejudicada. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. assistência em caso de necessidade. A efetividade passa pela sociedade. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. da liberdade material e do princípio do estado social. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. em 1953. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. mas teria um peso maior na ponderação. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. é o mínimo existencial. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. etc. depende de cada época e de cada sociedade. precisam ser concretizados. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. educação e moradia.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. 2. Vejamos: 1. saúde. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. pelo cumprimento voluntário da constituição.. Assim. Por que falamos em “mínimo”. por ser necessária para a 126 . que a demanda custa y. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. mas deve também ser provada. que é a corte suprema na Alemanha. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. em razão de sua textura aberta. maior o risco de não ter efetividade.

Pode. Ex. consciência coletiva. só ampliado. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. o que prejudicaria a sociedade. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. fazem parte da população brasileira. de acordo com a necessidade. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. que significa nação. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. Segundo ele. §1º. A partir do momento que um direito social é concretizado. Ele tem. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. 127 . esse prazo não pode mais ser reduzido. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. língua. não pode haver uma redução dessa concretização. haver uma redução do grau de concretização. segundo ele. fala-se em vedação do retrocesso social. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. Por isso. estatístico. ao estudar as normas de princípios programáticos. da máxima efetividade (art. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. históricos. Todos que moram no Brasil. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. passaria a fazer parte do próprio direito social. entre eles: laços culturais. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. da dignidade da pessoa humana. irão concretizar os direitos sociais. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. CR). pois. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. Há dois posicionamentos quanto ao tema. haveria um engessamento do legislador e do PE. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. Os poderes públicos. assim. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. costumes. JAS. 5º. População está relacionada ao conceito demográfico. e. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. um pensamento mais flexível sobre o tema. e do Estado Democrático e Social de Direito. 2) posicionamento de um autor português.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. já dizia algo muito semelhante. independentemente da nacionalidade. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos.

se não se manifestarem contrariamente.815/80. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. estrangeiros residentes. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. há direito público subjetivo do estrangeiro. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Pelo critério funcional.Quase nacionalidade (art. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Se o casal estiver a serviço de outro país. II) Jus Sanguinis: ascendência. CF/88. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. De acordo com o critério sanguíneo. Refere-se aos brasileiros natos. por uma questão de soberania nacional. I.Diferenças de tratamento 128 . 12. É o caso do Brasil. Refere-se aos brasileiros naturalizados. I. Obs. 12. 227. art. A EC 54 alterou o art. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Neste caso. 12. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). 12. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. adquirem a nacionalidade do país onde residem. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. os pais têm que ser brasileiros. o filho terá nacionalidade brasileira. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. 12. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. I. II) Naturalização expressa (art. desde que haja reciprocidade. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . b). II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. não há direito público subjetivo. . não haver condenação penal e requerimento do interessado. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. de acordo com o art. a). terá naturalidade brasileira. É geralmente adotada por países que estão em formação. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). 112 e 115. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. considera a nacionalidade dos pais. §6°. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. c. . em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”.

a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. §4°. . Princípios relacionados à extradição: . Mas. presidente do SF. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. §3°).Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.815 (ato nocivo ao interesse nacional). Já na entrega. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. vice. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). presidente da CD. no entanto. portanto. só poderá ser extraditado: . ou que tenha filho brasileiro. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. Se o estado desrespeita essa regra. 89. em razão da superioridade da Constituição. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. do território brasileiro. 12.Perda da nacionalidade (art.linha sucessória do presidente da república: PR. . de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Mas. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. não se poderá invadir esse estado. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. A deportação está mais próxima da expulsão. §2°. a ela aplica-se a súmula 1.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. Expulsão: consiste na retirada a forca.segurança nacional: oficial das forças armadas. . Importante analisar a Súmula 421. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. confundir a súmula acima com a seguinte. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Os critérios utilizados são: . No caso de brasileiro naturalizado. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). 5°. d) Extradição (art. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. XL. Na extradição. CF/88): 129 . dependente da economia paterna. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. . 5°. 12. CF/88). Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. b) 6 assentos do Conselho da República (art. . 12. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. 65 da lei 6. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. Não se pode. cria-se um problema de relação internacional.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. em razão da soberania nacional. . 5°.

.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. pelo CN.é direto: é a regra. 130 . Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. salvo se por meio de ação rescisória.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. nacionalidade e alistamento. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. §1º. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. ou seja. é o direito de votar (e não de ser votado). one vote”. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. com a realização de eleições periódicas. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. inclusive sendo cláusula pétrea.é periódico: essa periodicidade do voto. . salvo nos casos das alíneas a e b. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. São requisitos apenas técnico-formais. Direitos Políticos: . 14. com uma única exceção: art. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. Características que o voto possui no Brasil: . e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. 81. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). §1º). na forma da lei (que ainda não existe).tem valor igual para todos: “one man. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. e não requisitos preconceituosos. . e esse país não admite dupla nacionalidade ???. 14. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. one vote” – “one person. que exige uma alternância de poder. caput). . O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Para JAS. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. voto é o exercício desse direito. o sufrágio censitário (ex. A CR/88 adota o sufrágio universal. Servem ao controle do próprio direito. perderá a nacionalidade brasileira.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). é o direito político em si. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. Além dessas características do voto.

a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania).é conhecida como inelegibilidade reflexa. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. . 14. Mas o §9º do art.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). §8º). 14. se houver reciprocidade (art. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. no governo de SP). salvo se já titular do cargo.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). então. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. 14.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). a inelegibilidade em relação aos militares (art. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. filiação partidária. Além dessas condições relativas à idade mínima. ☺ar. 14. Ex. ou seja. os inalistáveis são os estrangeiros. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. 14. no caso do art. §3º? Segundo o STF. 14 traz um questionamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. trata-se de lei ordinária. ela é adquirida progressivamente. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. até que se atinja a plena cidadania. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). ou seja. §7º . e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos).☺§3º. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. §1º). Quando a Constituição fala apenas em lei. em caso de reeleição. com exceção dos portugueses equiparados. que geralmente admitem desincompatibilização. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. Assim. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. assim. Primeiramente. 14. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. é o direito da pessoa ser votada. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. No Brasil. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. do art. 14). etc. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. §5º . o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. dentistas. . domicílio eleitoral na circunscrição. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. 12. §3º. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin.

Com base nessa distinção. 15. 15. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. mas o prof. 15 (incisos II. III e V) são hipóteses de suspensão. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. e quanto a isso não há divergência doutrinária. seus parentes também poderiam ser candidatos. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). não há como readquirir os direitos políticos). A doutrina (JAS. o prof. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. nos termos do art. VIII). Todas as outras hipóteses do art. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. Kildare. é algo temporário. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. portanto. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. 132 . 5º. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. I.

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