Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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Numa vertente mais restrita. O conceito de constitucionalismo transporta. e. por seu turno. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. sociologicamente. Tem-se utilizado. um claro juízo de valor. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. Kildare Gonçalves Carvalho. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. assim. no fundo. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. enfeixado na Constituição. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. 4 . Partindo. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. É. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. como o inglês. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. em especial limitar o poder arbitrário. o americano e o francês. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. mas também de outros assuntos. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. a defesa da Constituição. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. reporta-se a um sistema normativo. numa terceira acepção possível. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. E para isso. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. os fins socioeconômicos do Estado. então. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. do estado e das instituições democráticas. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. como sociológica: “em termos jurídicos. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. Neste sentido. e que se encontra acima dos detentores do poder. em sentido jurídico. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. o local e a época. mas proteger direitos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. Numa segunda acepção. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. uma teoria normativa da política.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida.

a. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Atribui competências aos três poderes. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Foi a mais avançada forma de governo. Por isso. integram-no. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. A democracia é a representação da vontade da maioria. Garantia jurisdicional. (Livro do Alexandre de Morais). b. b. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Como ressaltado por Jorge Miranda. e da França. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Igualdade (dos cidadãos perante a lei). porque é o poder que possui a maior neutralidade política. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. desde logo. como e até onde pode mandar. fases pelas quais passou a constituição. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. ii. Grécia antiga: democracia constitucional. Estabelece as regras do jogo político. • Princípio do governo limitado. se contrapõe ao absolutismo. quem. Influenciaram o direito francês e americano. Roma: idéia de liberdade. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Estado Hebreu: estado teocrático. • Separação dos poderes. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. d. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. 2. Foi uma retrospectiva do direito Grego. c. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Governo limitado. em 1787. a partir da Revolução Francesa. após a Independência das 13 Colônias. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). em 1791. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. ii. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. porém. 1. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). Hoje.surgiu em substituição ao governo dos homens. Foi a 1ª experiência constitucional. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais.

estabelecidos pela Constituição. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. d. a maioria da nação. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. direitos fundamentais. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). Todos os poderes constituídos (PL. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. O Estado é um meio para atingir determinados fins. c. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. XX). ao contrário do que ocorre com a norte-americana. estarão subordinados a ela. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. 3. havia regras. Novas idéias foram surgindo. Hoje. sem força vinculante. as constituições tinham caráter mais político. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Constituições de países subdesenvolvidos. aplica-se a analogia. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). PE e PJ). Garantia de direitos. A partir dessas novas idéias. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. a. c. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Constituições da democracia racionalizada. ii. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Segundo a tradição francesa. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Começou a se falar em um direito moral. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Força normativa da constituição: antes. b. Constituições da democracia social. foi o Abade Sieyès. Separação de poderes. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. estabelecendo diretrizes. ou seja. b. Idéias principais: i. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. 4. Eram apenas uma diretriz. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. na época das Revoluções Liberais. Constituições da democracia marxista ou socialista. as quais são denominadas por pós-positivismo. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. O ser humano é um fim em si mesmo. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. XIX. ligada à idéia de liberdade. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. diretrizes. os costumes 6 . Rússia.

• • 5.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. é o judiciário. Ele atua como legislador negativo e positivo. Eles são importantes. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. e. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. c. pois esta é a concretização de um princípio geral. Solidariedade. Universalização. há uma euforia dos princípios. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Teoria Concretista Geral. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. f. Ex. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Os princípios. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje.. verticalização. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. EUA: nós estamos submetidos à constituição. aborto no caso da acrania. etc. Participação. A aplicação da norma se dá pela subsunção.  Aplicação direta da constituição. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Para Barroso. Na Itália. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. de uma forma geral. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. g. Mas essa é uma posição muito radical. Hoje. união homoafetiva. 7 . d. etc. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Na jurisprudência do STF. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. aplica-se a regra específica. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Constitucionalismo do futuro. Consenso. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). demarcação de reservas indígenas. Não se aplica diretamente a constituição. que é aplicada mais às regras. Para Paulo Bonavides. são aplicados através de ponderação entre os princípios. o judiciário aumenta sua força.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Hoje. Integração. Continuidade. Verdade. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). é o juiz. Entre uma regra específica e um princípio geral. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. os princípios. mas quem dirá o que ela é. b. espuma do chopp.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). cotas em universidades. fidelidade partidária. Quando o legislativo é fraco.

do art. O titular do poder é o povo. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). Como regra. a solidariedade. então. Fundamental Orders of Connecticut (1662). segundo o art. referendo e iniciativa popular”. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. cujo titular é o povo. concretizando a soberania popular. 14. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. o P. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . caput. de acordo com o art. CR. o exercício deste poder. Contratos de colonização. 1º. Assim. 1º da Lei 9. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. que. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. CR) e. a continuidade. Carta outorgada por Carlos II (1662). pertinentes. 46. Act of Settlement de 1701. verdadeiro sistema híbrido. Compact (1620). I. dá-se através dos representantes do povo. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. de forma expressa. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). Habeas Corpus Act de 1679.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). nos termos deste lei e das normas constitucionais. Podemos falar. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Bill of Rights de 1689. com valor igual para todos. II e III. a verdade. Petition of Rights de 1628. nos termos desta Constituição”. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. CR). de soberania popular. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. mediante: plebiscito. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. portanto.709/98 (que regulamentou o art.U. que são os deputados federais (âmbito federal). Vale dizer. a participação. por intermédio de seus representantes.

CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. que surgiram com as constituições mais prolixas. Constituição e leis constitucionais são. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. na política ou na filosofia). pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. para ele. Essas normas são programáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. Esta é a concepção que hoje prevalece. mas apenas leis constitucionais. é vinculante e obrigatória. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. o caráter normativo e vinculante da Constituição. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. não passaria de uma simples “folha de papel”.. a que Carl Schmitt chama de Constituição. caso contrário. A conferência realizada por ele. Esta concepção atualmente é inadmissível. ou seja. Segundo ele. 242. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . As leis constitucionais são todo o restante. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. portanto. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. têm a mesma forma de elaboração). É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. → Segundo Hans Kelsen. quando não corresponde à Real. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. PJ. Toda a Constituição. conforme o prisma de análise. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a Constituição é norma pura.: art. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). como por ex. o restante. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. na sociologia. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. O art. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. mas materialmente distintas. os direitos fundamentais. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). que adota o conceito decisionista de constituição. 1°. ou seja. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. com exceção do Preâmbulo. PL. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. Para entender tal concepção. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. §2º. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). A Constituição Escrita.

Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. posta pelo Estado). Seu único comando. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro).Soberania. é uma norma pressuposta. define tais elementos estruturais. portanto. Gilmar Mendes).Povo. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. mas que trata de todos os aspectos. é um elemento conformador. .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. ao mesmo tempo. por isso não tem nenhum expoente específico.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. quais sejam: . condicionante desta mesma cultura. qual seja. é a Constituição escrita (CR/88).Território. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. não está escrita. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. todos os setores da vida social. neste sentido. não introduz nenhuma novidade.Finalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . modificando-a. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. é apenas uma pressuposição. . É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). . . ela não existe na realidade. segundo esta concepção. Ou seja. e também jurídico. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. é: todos devem obedecer a Constituição. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). a Constituição tem sim fundamento sociológico. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. A CR/88. 10 .

Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa.. quem vota a matéria são as lideranças. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. 3) Quanto à origem: . por alguns estudiosos. como por ex. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). promulgada.dogmática: sempre escrita. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). é fruto das idéias.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. É uma aprovação simbólica). . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. Obs. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. pois toda constituição é escrita e não-escrita. ou variadas): ex.: as constituições outorgadas recebem. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. a Constituição Inglesa.outorgada: é a constituição imposta. Ex. tem também vários documentos escritos. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. por ex. Constituição Espanhola/1930.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. 4) *Quanto ao modo de elaboração: .histórica: a Constituição que vai se formando lentamente.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). . dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. de maneira unilateral. . 1967. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. consuetudinária (não é escrita). podendo ser: . Nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. de uma só vez. há pouco espaço para se ter costumes como regras.democrática. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. a constituição não se torna democrática. não surge de uma só vez em um só momento. No Brasil. 1937. .não codificadas (ou legais.. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). Por isso mesmo. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. e como é bastante prolixa. trata-se de modalidade anacrônica. . votada. 11 . que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). as constituições outorgadas foram as de 1824. surge em um só momento. o apelido de “Cartas Constitucionais”. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. toda Constituição histórica é costumeira. .

6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . . inclusive a CR/88).: a Constituição dos EUA). Ex.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). (Obs. sucintas.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . sendo assim. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. sem se preocupar com os detalhes. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. É uma classificação típica das constituições costumeiras.: art. Ex. . O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos.fixas: não poderiam ser modificadas. 1º. . Por este motivo. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. É uma constituição em sentido material. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. deixou de ser considerada flexível. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Como se submete a esse tratado internacional. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. É uma constituição em sentido formal. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Não existe controle de constitucionalidade das leis. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. Ex. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. ou seja. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. portanto muito difícil de serem modificadas. mas sim o processo mais dificultoso. como é o caso da CR/88. Constituição Inglesa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Em 2000. . O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). CR). passou a haver hierarquia entre as normas. . São chamadas também de clássicas.) . mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex.

QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Fixas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. prolixa. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. e não de apenas uma ideologia. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Flexíveis (ou plásticas). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. É a CR/88. o Municípios. Ecléticas. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. Democráticas (populares. o Estados. costumeiras ou consuetudinárias). dogmática.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. como por ex.: art. votadas ou promulgadas). formal. 59 e segs. o DF. Não-escritas (inorgânicas. dogmáticas. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. Característica das constituições clássicas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). sumárias. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. União. CR. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). Rígidas. sucintas. mas sim uma obrigatoriedade!). OBS. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. porque é fruto de várias ideologias.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o União.: art. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). Semi-rígidas (ou semiflexíveis).: a CR/88 é ainda Eclética. Históricas. democrática. pois valem a todos os entes federados. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. que surgiram com um objetivo pré-definido. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Constituição programática (ou dirigente).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. codificada. 3º. Canotilho. Ex. Pactuadas (ou pactuais). (processo legislativo). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Constituição em sentido formal. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). . dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). básicas ou clássicas). As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. rígida (ou super-rígida). 13 .

§3º). Leis Delegadas. sejam elas originárias ou derivadas.: decretos e regulamentos. obrigatoriamente escrita. 59. princípios ou regras. as medidas provisórias. o indireto. ordinárias e complementares). direitos fundamentais ou não. 59. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade.343/SP. Para que exista supremacia formal. que existem como complementação dos ANP). por 3 níveis hierárquicos. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. LC. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. a Constituição tem que ser rígida. 5º. No topo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. CR). MP. cujo fundamento de validade são as leis e. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. porque os princípios têm maior amplitude. No entanto. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . as derivadas (art. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. enquanto as regras são mais específicas. para fins de controle de constitucionalidade. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. estaduais. basicamente. tem de ser. DL e Resoluções – ☺art. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. uma Constituição só possui relevância sociológica. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. por ser rígida. se tiver também supremacia formal. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. II a VII). No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. 59. distritais e municipais. a Constituição. as leis delegadas. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. que a CR/88. Importa dizer. encontram-se as normas constitucionais originárias.

Leis delegadas. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. é sempre o mesmo número ☺Art. por uma questão de economia legislativa. 69. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Por ser uma matéria reservada. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Portanto. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Residual. 47. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . No caso da prisão civil por dívida. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental).☺Art. Não varia. mas somente uma recomendação. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. No entanto. que regula a LC. OBS: O art. 47 é a regra geral.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Reservada pela CR/88. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Lei ordinária Art. Anotar como complemento posteriormente. a previsão constitucional exige complementação.☺Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Cabe controle de legalidade (discussão incidental).status constitucional. 69. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Quando não exigir LC. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Essa aprovação não é obrigatória. MPs.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC .

conforme previsto no art. como o controle exercido será de constitucionalidade. Assim. 21. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. no caso de repartição vertical. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). • Estado – ☺Art. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). d. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. • União – ☺Arts.: lei estadual trata de matéria de competência da União). A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. CR. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). 25. 30 (assunto de interesse local). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. não cabe ADIN.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Assim. a competência para resolução é do STF. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). 102. III. Hierarquia entre Lei Federal. ☺Art. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Havendo conflito (ex. DF). como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 16 . há hierarquia. pois não está ligada diretamente à Constituição. E. assim. Parei aqui. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União.

contudo. mas também o preâmbulo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. deve estar inserida no texto da CR. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Não existe. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. o CDC. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. . ou seja. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Abrangeria não somente a constituição.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. Assim. . para alguns é amplo e para outro é mais restrito. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. Refere-se. b) Parte permanente = normas gerais – arts. portanto. os TI de direitos humanos. como para Canotilho. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. 17 . 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). etc. Tirando o preâmbulo. quando são equivalentes às EC.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Como não tem caráter normativo. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. seja uma norma de referência para ele. visando assegurar a supremacia da constituição. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. Com a EC/45. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. tem função interpretativa). . A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. é diretriz hermenêutica.

de princípio institutivo (Obs. 4 e 5. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). aliás. não pode ser suprido pela sua sanção). 18 . Obs. quando não é respeitada uma norma de competência. CR). ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).: competência privativa do PR (☺art. Ex. há uma divergência na doutrina. No STF. mas o prof. Dependem do prisma de observação. 61. 3. e Não Bastante em Si.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. A omissão parcial nada mais é que uma ação. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. STF não é mais aplicada. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento.de princípio programático. Assim.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Não Auto-aplicável. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. Ou seja. Aqui. §1º. . o Min. . diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ou seja. AIO. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. I – que exige LC para instituir impostos residuais).Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Formas de Inconstitucionalidade: 3.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. MI. ADC e ADPF. 3. mas caberá ADIN por omissão).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. ADI. às vezes.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). Não Auto-executável. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. se considerar em relação a uma expressão é total. Ex. art. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. 3. ocorre. (Obs. pois. Assim. as Súm. Pode ser: .: a Súm. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. 5° a 17).Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. 5. não será cabível mandado de injunção. Ex. 154. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. ou seja.

Segundo STF. Obs. 59. o que houve foi um desrespeito à Constituição. o decreto se torna inconstitucional. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. decretos regulamentares. Ex. de ofício ou a requerimento da parte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. pode ser questionado. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Quando se fala em inconstitucionalidade. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). e grande parte da doutrina. Relaciona-se. Ex. Pode ser: b. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. CR. que se ligam indiretamente à constituição. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. não se trata de revogação.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. reflexamente (ou de maneira 19 . pois.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. ou seja. ato originariamente constitucional. já sendo inconstitucional desde a sua origem. 3. ou seja. como altera sentido do texto.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). a inconstitucionalidade será direta. que só pode atingir todo artigo.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. refere-se. Assim. b. no controle concentrado abstrato.: a palavra “não”. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. a inconstitucionalidade será indireta. No caso da lei. Se o decreto é ilegal. aos Atos Normativos Primários. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. No caso do decreto. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. todo parágrafo. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. Para o prof. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. atos previstos no art. não pode ser retirada). toda alínea ou todo inciso (☺art. § 2°).4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. 66. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário.

ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. O único legitimado para impetrar esse MS. OBS: não adianta decorar o nome do ato. segundo o STF.sancionar. 66. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. CR.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). 84. porque o chefe do PE. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. viola o art. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. O chefe do PE. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. Trata se de um controle incidental.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. ela não está violando o direito de ninguém).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. já que de maneira indireta. porque o ato não fere diretamente a CR). O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. ele não precisaria impetrar o MS. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. portanto.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. inciso ou alínea). A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. . parágrafo. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. No 1° caso. 66. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. prevenir que a CR seja violada. 60 parag 4. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). é excepcional. a inconstitucionalidade será direta. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). O veto é relativo. é fundamento de validade direto e no 2° caso. . para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. pois pode ser derrubado (☺art. não pode impetrar o MS. 84. que se exerce através do veto (☺art. Art. EX:art. por isso aqui não há que se falar em controle).ou concreto. §2º. O veto tem que ser expresso. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. mas sim analisar cada caso concreto. IV . como pelo PE e PJ: . Obs. se ele entender que o projeto é inconstitucional. a inconstitucionalidade é indireta. CR). quando ele participa do processo legislativo. o projeto 20 . tem fundamento de validade indireto. IV. Caso contrário. assim. por isso ocorre antes da promulgação da lei. porque ele é o único que participa do processo legislativo.. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). promulgar e fazer publicar as leis. mas uma mera análise política. embora participe do processo legislativo.

constituindo-se normas constitucionais interpostas. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. por maioria de votos. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. 21 . pois não se trata de ato normativo. Assim. aos direitos fundamentais”. se na Assembléia Legislativa. a fim de repará-la. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. 60. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. em um primeiro momento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. na linha do voto de Gilmar Mendes. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. Na verdade. a separação dos poderes. Legislativo? Sim. Ademais.. o voto direto. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . contudo.. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. e as normas do RI são questões interna corporis). CR. muito embora não sejam formalmente constitucionais. que entende que “. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. ADC ou ADPF. o PR elaborará então a LD. etc. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. desta feita. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). interpretações regimentais. vinculam os atos e procedimentos legislativos. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. Se o projeto tramita na CD. V. 168): o STF. que. mormente. 49. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. as cláusulas pétreas. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. V .Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. não lhe cabendo. mas um processo legislativo constitucional. tendo como objeto esse Dec. universal e periódico. vedando-se. que é o chamado Decreto Legislativo. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. §4º.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. se está no Senado.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. ☺art. No entanto. Questão: o PR. 68. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. somente o Deputado Estadual. já que trata-se de um ato normativo. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. o Senador. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. pode ajuizar uma ADI. na qual o projeto esteja tramitando. secreto. os direitos e garantias individuais” – ou seja. ou seja. Leitura do livro do Lenza (pág. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR).

quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. CR). Antes da CR/88. II) art. III) Súmula 347. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. é necessário fazer-se um controle repressivo). Não se analisa o mérito da MP). quando. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. mas segundo o Min. não é um entendimento consolidado. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. O chefe do PE (e só ele – PR.084). pode o PJ analisar tais pressupostos. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). Apenas excepcionalmente. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. mas tão somente aos prefeitos. 4.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. 62. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. O TC é órgão auxiliar do PL (art. no exercício de suas atribuições. IV. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. 84.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. estudado de forma detalhada a seguir. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. clara e evidente – ou seja. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. .O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. não havia relevância alguma). Obs. ao fazer um Decreto Regulamentar. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. ou seja. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. já no STJ não há qualquer ressalva. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). o chefe do PE teria que. GE. Ele será. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Assim. simultaneamente. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. No entanto. através da edição de um Decreto. Desde já. CR). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). ajuizar uma ADI. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. segundo o STF? Resposta: em regra. STF: o Tribunal de Contas.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . ao negar cumprimento à lei. nesse caso o CN pode editar um Dec.. por ex. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. exorbita os limites do Poder Regulamentar. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. esse rol foi ampliado. ela deve ser objeto de controle. Legislativo para sustar. 71. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). pois. Gilmar Mendes. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. .. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). porém.. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. Após a CR/88. nesse caso.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. tampouco que o PR.

e é adotado pela maioria dos países europeus. para não gerar essa confusão. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. ao mesmo tempo. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. Ex. Segundo caso. haviam sido feitas apenas 16 EC.S. porque surgiu na Áustria. já na CR/88. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto.: França – que tem o Conselho Constitucional. o controle é feito pelo PL. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. em 1803. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. quem exerce o controle é o PJ. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. que completa este ano 20. interessante: em 1965. dentro de sua competência. em 1920 (bem depois do controle difuso). Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. É também chamado de controle aberto.: na Suíça. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). porque significam coisas diferentes!). 1792 Hayburn s case. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. inclusive o STF). Primeiro caso. isso não é verdade. Por isso.Hilton x U. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). No Brasil. em se tratando de lei nacional. Obs. mas das espécies de controle.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. 4. já foram feitas 56 EC! 23 . com 19 anos de Constituição. porque surgiu nos EUA. se se tratar de lei local. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. difuso e concentrado). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. ou seja. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex.A. Por isso.

mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). é proteger as normas da CR. Por isso o Min. mas deve ser estendido ao controle concreto). corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Gilmar Mendes. (O STF é o guardião da CR – art. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. por ser uma relação vertical. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. sendo o controle 24 . já não ameaça mais a supremacia da constituição. Este efeito é típico do controle abstrato. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). nos EUA chamado de “Binding Effect”. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. se fala em efeito vertical. porque em estando revogada. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. 102. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. O efeito vertical. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. No direito brasileiro.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. A análise da lei sempre será feita em tese. também não podem ser objeto de controle abstrato. No Brasil. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). ou tendência de verticalização. o principal defensor dessa tendência é o Min. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. ou seja. mas tão somente de controle concreto. A finalidade não se confunde com a competência. Com base nesse argumento. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. 97. Segundo este instituto. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Da mesma forma. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. e a partir desse antecedente. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical.

Gilmar Mendes (e também o Min. ou seja. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. em seu voto.917/SP. No Legislativo: Mas. o direito de greve dos servidores públicos. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. O Relator da Reclamação foi o Min. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. 52. do PL. Gilmar Mendes. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. não há necessidade da suspensão pelo Senado. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes.959/SP. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. então não sabemos a posição dos demais ministros. Assim. ou seja. 25 . mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. ou seja. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). em ocorrendo isso. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. segundo ele. Na decisão do STF. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. Gilmar Mendes. o Min. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Antes. que deu provimento à reclamação. e não erga omnes. Outra situação interessante foi o RE 197. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. houve decisões proferidas em 3 MI (712. não uma simples mutação. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. E. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Por fim. como a decisão tem efeitos inter partes. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. viola o princípio da igualdade. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI).335/AC). Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. ou seja. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. ainda. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. sem que ocorra modificação no seu texto. tendo efeito apenas inter partes. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). há essa tendência de abstrativização do controle concreto. 4. Por fim. Assim. Então o Min. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. No Acre. Não houve reclamação quanto a essa decisão. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Eros Grau. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. CR. pelo menos por parte de alguns ministros. Então. sendo acompanhado pelo Min. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. se assim fosse. X. Pois no controle difuso. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. não permite essa mutação).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. 103-A). A súmula vinculante tem natureza constitucional. não precisam chegar até o STF. julgando-o procedente ou improcedente. social. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . O RE.art. pois tem o papel de guardião da Constituição. a rigor. não cabe ao STF analisar. O papel do STF não é julgar litígios individuais. analisado no dispositivo (conseqüente). mas apenas a causa de pedir (antecedente). (☺ Lei 11. o que se dá no “plenário virtual”. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. é um instrumento de controle concreto e há. por sua vez. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. por estarem mais próximos dos indivíduos. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. § 3°. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. não é o objeto principal do pedido. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. 26 . Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. fundamentação e dispositivo. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou.417/0 e Lei 11. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. político ou jurídico.418/06). Contrários a essa tendência de abstrativização. Segundo Eduardo Appio.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. não tem natureza processual como as súmulas comuns. somando-se os votos de todos eles. Num segundo momento (conseqüente). é uma questão incidental. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. concorda com isso). No controle concreto. atualmente. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. eles não se reúnem fisicamente. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. 102. estão os procedimentalistas. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. A repercussão geral (art. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. ou seja.

Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . 102. ou seja. 28. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. P. sejam particulares. Dispositivo L.erga omnes .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. há previsão não só na lei como também na CR). se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. questões ditas de passagem. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. 27 .Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. Ademais. mas tão somente a ratio decidendi. art. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. §2º.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.882/99 – ADPF. . não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. 102. art.EC 45/04: art. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.Lei 9. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. conforme está previsto no caput do art. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. e ele se encontra no Dispositivo.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. 5. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito.U. Sendo assim. . não determinantes para a decisão) não vinculam. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. a razão determinante da decisão. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. mas também à fundamentação. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). 10.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. secundárias do julgado.868/99 – Lei da ADI e da ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. sejam poderes públicos. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. . mas as questões “obter dicta” (questões assessórias.Lei 9. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. eles também são vinculantes. a chamada eficácia vinculante. .vinculante.: . cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR.I. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão.

inclusive o Tribunal de Contas. segundo o prof. pode modificar seu entendimento. pois atinge apenas o dispositivo. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. Obs. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. no caso Marbury x Madison).o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. a função legislativa). . . .Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. . e outros dizem ser um ato anulável.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. se as leis devem ser cumpridas.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. outros dizem ser nulo.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. por sua vez. suas turmas e seus ministros. Por este entendimento. mas sim fiscalizatória. estadual e municipal).: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. como a coisa julgada. também fica vinculado). para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. cuja função não é legislativa. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. . No entanto. Só atinge a norma impugnada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . (20/03/09) 5. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. mas os sistemas de preclusão processual. que se quiser. impedida de evoluir). O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. É um entendimento que vem desde 1. estes estarão sim vinculados). 28 .o PL (na verdade. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis).a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. inclusive os chefes do PE. até que o PJ a declare inconstitucional. já os órgãos fracionários do STF. mesmo que não tenham sido impugnadas. Atinge a norma impugnada + normas paralelas.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. Respeitando o efeito vinculante. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis.

incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). . autor e réu. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . ☺RE 197. não precisariam deixar os cargos. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). O STF. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade.882/92 (art. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. Assim. decidiu que. 11).868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade.” .917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. o efeito que produzirá. ou 2) excepcional interesse social. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.868/92 (art. portanto. etc. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. como regra é retroativo: ex tunc.Normas anteriores à CR. Neste caso. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. como a Lei 9. como os servidores agiram de boa-fé. ☺art. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. no caso do controle abstrato. por questão de segurança jurídica. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. 27). Exs. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). Lei 9. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. os efeitos são erga omnes).. porque o ato é nulo desde a sua origem. assim.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. com inteiro teor). Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). com seus normais efeitos ex tunc. o STF. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. portanto. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. que revogou a Lei A. Visto a natureza do ato inconstitucional. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. Mas. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. e não no de não-recepção).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. poderá o STF. não admite a “constitucionalização superveniente”. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. o Min. .)”. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). Ou seja.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais.112/90. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. 27.).

.Corresponde a um juízo de . mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. o prof. . em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. para que este corrija a norma. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido.O Tribunal precisaria observar . desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. mas sua interpretação). o resultado será o mesmo. Em alguns casos. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. era uma questão “obter dictum”. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). de fato.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. depois de ter sido recepcionada. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). 5.2: art. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. constitucionalidade. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. à medida que a situação fática for alterada.: a norma x tem dois significados possíveis. quanto . pelo MP – a competência é da DP e não do MP. 134.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. Ex. Segundo o STF. (A norma já passou pelo crivo da constituição. com um só sentido).4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. Assim. mas nem sempre. evitando a inconstitucionalidade progressiva. mas.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. não foram todos os ministros que se manifestaram). assim. ex. portanto foi recepcionada. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.O Tribunal não precisaria 30 .Corresponde a um juízo de . quando todos os Estados tiverem DP. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. CPP. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. CR x art. um significado A e um B. controle difuso-concreto. reproduzida pelo STF). Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. e a norma já foi recepcionada pela CR e. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . portanto. portanto. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. com condições de trabalho iguais às do MP. ela progressivamente se tornará inconstitucional). chamada “Apelo ao Legislador”. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. que trata da ação de reparação ex delicto. 68. Ex.

de ofício. são excluídas as demais. . 97). de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. do art.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. portanto. portanto. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 3º. 1º ou do art. . não poderá.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. . O STF. e são permitidas as demais. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. no controle abstrato. observar a cláusula da reserva de plenário (*). O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . 2º. Assim. . da Lei x. por arrastamento. se for um dispositivo autônomo. mesmo que não tenha sido questionado. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. o texto da norma.É permitida uma interpretação e. se o art. no controle concreto. em regra. não podendo. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. de ofício. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). declarar a inconstitucionalidade. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. . 1º e 3º e. o juiz pode. Na declaração com redução de texto.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. no controle concreto. o juiz não pode.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. 2º. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. Obs. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. desde que não altere o sentido do restante da norma. em razão do Princípio da inércia. . Ocorre que. 2º for dependente do art. b. a cláusula de reserva de plenário. ou todo o artigo. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). dentro de uma mesma lei). (*) Para o STF. esta só se faz necessária quando se afasta. b) Com redução de texto: b. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. como ambas são equivalentes. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. ser objeto de ADI.É uma técnica de decisão judicial. se manifestar de ofício sobre o art. Há um Decreto que está regulamentando esta lei.É excluída uma determinada interpretação. em princípio. Trata-se de controle abstrato. .2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). 2º. nem sobre os demais.Não há qualquer modificação no texto da norma. 1º e 3º. ou seja. total ou parcialmente.

Obs. neste caso. Mas nem todo controle concreto é difuso. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. todo controle difuso é concreto. julgará procedente ou improcedente o pedido. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Sobre o tema: 32 . Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Assim. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. pois será uma questão discutida incidentalmente. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). porque seu conteúdo é incompatível com a CR.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). já que o STF pode. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. No Brasil. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. mas apenas a causa de pedir. Ex. Contudo. portanto. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. julga também inconstitucional o decreto. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. O dispositivo. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). ACP para fechamento dos bingos. e por arrastamento. mas também quando há usurpação da competência do STF). A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. apesar de sozinho não ter aplicação. porque. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. Ou seja. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. mas é que esta não é necessária. portanto. de ofício. O pedido será a proteção de direitos. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. dentre elas a ACP. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. ADCe ADPF). caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Neste caso.

97. pois. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. é função possível de ser delegada. porém. 97.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. de Hugo Nigro Mazzilli (pg.. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. Segundo esta cláusula. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. que é mais de 50% dos presentes). b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. Nada impede. Regra da “full bench”. porém.022. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. no caso. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. na prática. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. que é função legislativa. o que só se pode obter por meio de ADI. por ex. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). elaboração de Regimento Interno. No tocante. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). também não pode ser delegada). por meio da ACP. assim. que é função política. as chamadas leis de efeitos concretos. 33 . Assim. XI – órgão especial: para que seja criado. 294.159. por entendê-la inconstitucional (inter partes). ☺art. em defesa de contribuintes. desde que. teremos uma lei material.: eleição do Presidente do tribunal.646. conseqüentemente. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. por exemplo. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. STJ ☺ RE 227. 557. STJ ☺ Resp. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. Os juízes singulares podem. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. dotada de caráter de universalidade e abstração”. porém. de efeitos concretos. 93. os Tribunais não têm admitido que. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). Assim. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. Assim. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). Em outras palavras. não pode ser delegada. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. e no mínimo 11 membros. no âmbito dos Tribunais.

. Decidido o antecedente. 481. Há quem critique tais exceções. sabe-se que o STF é o guardião da CR. CPC) seria inconstitucional: o art. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. Assim. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. podendo decidir o caso concreto. P. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. será lavrado o acórdão. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. a argüição de inconstitucionalidade (. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. se for acolhida. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. 34 . Exceções: P. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. ☺art. abstratamente.. ao órgão especial). e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. 97. . Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). de acordo com o posicionamento do STF. ou em caso de interpretação conforme.U. porque para o STF ambas são equivalentes. O professor não concorda. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Há uma repartição funcional de competências. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). pela maioria dos seus membros. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. se existir no Tribunal. se entender que a lei é inconstitucional.U. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). no entanto. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”.. sob o argumento de que o dispositivo (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. assim. como guardião da CR. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. 481. prosseguirá o julgamento. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. Quanto à 2ª exceção.

Quando a CR fala “no todo ou em parte”. não estando vinculado à decisão do STF. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. a decisão do STF. O STF já admitia essas duas exceções. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. esta decisão deve ser submetida ao plenário. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. o SF não pode suspender toda a lei. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. CR – compete privativamente ao SF suspender. O SF não é obrigado a suspender. ou seja. A suspensão se dá através de uma Resolução. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. É o entendimento mais correto. a lei deixa de ser aplicada. bem como ou STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. que não pode ser retroativa. passa a ter efeito erga omnes. A cláusula vale também para o controle concentrado. portanto. X. Na verdade. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. 52. Ou seja. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. em regra. 178. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. que não comporta delegação. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. 2) Outros autores. trata-se de uma competência exclusiva. Ademais. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Quando o SF suspende a lei. O SF apenas suspende a lei. ela se refere à decisão do STF. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. no todo ou em parte. sustentam que o efeito é ex tunc. entendem que se trata de um ato discricionário. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. RISTF. por isso o faz dali em diante. 35 . A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. quando isso ocorre. art. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Outros autores. Efeitos. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. como se tratasse de uma revogação. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. se assim o fosse ela já seria vinculante). pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais.

segundo o Min. CR: prevê o escrutínio secreto. Ressalta que a letra da norma (art. o que. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. cabe. Neste caso. obrigatoriamente. esse entendimento é desejável. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. 57. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. §4°. deve-se recorrer ao entendimento do STF. desta decisão proferida pelo TJ. 52. Mas. um RE para o STF. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. não se referem ao âmbito estadual e municipal. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. LO. a resposta é negativa. Por isso. O SF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. 61: iniciativa do presidente. Art. esta norma não é de observância obrigatória. normas referentes ao TCU. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. já que o SF não atua de forma correta. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. 66. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Gilmar Mendes. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. Segundo o STF. CR) não comporta este entendimento. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). ou seja. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). em razão do princípio da simetria. Nas situações em que o TJ julga. configuraria uma mutação constitucional. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. por ser um órgão do PL Federal. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. e se o STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. não havendo a necessidade de suspensão da lei. RISTF) – e isso é óbvio. Art. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. Quando se fala em decisão definitiva do STF. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. 59 e segs. mas. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. a partir do momento que resolve fazê-lo. CR. está fazendo uma análise. É uma construção da jurisprudência do STF. já o SF não. cujo modelo. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. sendo norma de observância obrigatória. no controle difuso-concreto. 178. Na ADPF este fenômeno também é possível. pela simetria deve ser atribuída ao governador. se for apenas uma parte. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. Segundo o professor. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. LC. etc. requisitos para a criação de CPI.

Sabe-se. mas não trata apenas dos interesses da União. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. distrital e municipal). só se aplicando ao âmbito federal). O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). a suspensão. os que tratam do TCU. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. por não existir uma federação de municípios. estadual. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. se aplicando ao âmbito federal. etc. não havendo. Ex. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. X. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. estadual e municipal. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. retirando a lei do ordenamento jurídico. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. 19. por isso pode suspender lei estadual e municipal. art. 58. É também uma lei emanada do CN.: Lei 8. no todo ou em parte.). ele está atuando como órgão de caráter nacional. está defendendo interesses apenas da União. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). também. 52. Quando o SF suspende os efeitos da lei. por isso pode suspender leis também dos Estados. assim.” Análise do enunciado pelo prof.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. porém. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. sendo específica para os servidores públicos civis da União.: arts. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. Ex. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). ADC ou ADPF).: CTN. quando o SF atua. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. São os dispositivos que se referem tanto à União. 37. Assim. portanto. outros 37 . a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. Ex. pelo Senado Federal. o SF teria um número enorme de representantes).: art. do DF e até municipais. 59. visto que. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. como aos Estados. Ex. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. Classificação de Osvaldo Aranha B. que deve ser observado no âmbito federal. da organização da União. §3º. CR). A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. no controle abstrato (ADI. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. Quando o SF atua como órgão federal.

se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. por força do referido Decreto nº 2. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Embora não haja consenso. de 10/10/1997. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). TO. Portanto.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. 2º grupo: . na sua esfera de competência. da AP Federal direta e indireta. pró-ativos (ex nunc). de fato. Com efeito. .346. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). MS. visto que. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. declarando uma lei inconstitucional. no âmbito da AP Federal. os dois tipos são constitucionais. visto que.346. 38 . Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. Entretanto. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). RN.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. não retroativos). Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. porque o seu parâmetro não é a CR. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. SE e AM. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). é a Câmara Municipal. Segundo o STF. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. é a AL que suspende a lei. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. então. Poderá. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). é sempre a AL que suspende a lei. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. adotou-se. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. em decisão definitiva. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”).

a ampla defesa. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. mas sim legitimados. que são a União e os Estados). de acordo com essas leis.ADC.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto.ADPF. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. a competência é do TJ). em seu art.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. e . São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . A Constituição. ela é meramente jurisprudencial). não cabe.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. . . 5) Ação rescisória.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. o duplo grau de jurisdição. onde não existem partes formais (autor e réu). Por se tratar de um processo de índole objetiva. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. obviamente.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. ou na CR ou na lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. Como são ações de controle abstrato. e não do trânsito em julgado. ☺Lei 9. 4) Recurso da decisão de mérito. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). deve haver a previsão da legitimidade. 39 . 103. tendo partes – autor e réu. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). Obs. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório.

Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). confederação regional: F. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. . para ter legitimidade. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. .Os GE. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados.A norma do art.S. Assim. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). .A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. a partir de então. CS e ECAN. .: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.Confederação sindical significa de âmbito federal. .. . ou seja. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. confederação local: sindicato. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. Para ter âmbito nacional. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).A entidade de classe. Executivo PR GE – GDF P. segundo a jurisprudência do STF: . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Obs.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.

por isso não é ANP). precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).: decreto regulamentar do PR. §3º . 102.TIDH (3/5 e 2T) . I. 1º. todas estão no mesmo nível. . 5º. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. direitos e garantias fundamentais. Ex. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). geral e abstrato. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. Não serão objeto de ADI e ADC. sem interferência do PJ.Norma formalmente constitucional . OBS.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. decreto regulamentar. caso o decreto emane diretamente da CR. para ser objeto de ADC e ADI.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. ou seja.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). a. I. ele poderá ser objeto. Lei 9. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. . as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. são questões próprias de RI. como por ex. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.☺art. .preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. o RI pode. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. Obs. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. 102.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. pois geralmente está abaixo do decreto. 41 . admite-se o seu controle. nas normas que tratam de outra matéria). salvo se envolver violação a direitos fundamentais. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder.

tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. não pode ser objeto de ADPF: . CR. de defensor legis. como está havendo uma influência de um controle no outro. 42 . leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. Gilmar Mendes e de um prof. posteriores a 5/10/88. o STF admitiu. Tem status de ministro de estado. sem exceção. STF). A função do art. . No caso de emenda. ele vai atuar como fiscal da Constituição. Obs. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal).PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. ainda que ele proponha a ação – ou seja. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. . Função geral do AGU (art. também poderá dar parecer em sentido contrário.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). 103.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . poder-se-ia admitir o veto jurídico. Mas. da mesma forma na ADPF. é preciso primeiro ser transformado em EC). medidas provisórias revogadas. intervenção de terceiros e recursos. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. se seu entendimento for diverso. na outra. ainda. Hoje. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. Lembrar que não cabe assistência. 103. ou seja. portanto está subordinado ao PR. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. § 3° é uma função especial. CR. §1º. Assim. Atuação do AGU: ☺art. só podendo ser objeto de controle difuso. salvo embargos de declaração.Súmula. O PGR atua como “custus constitutionis”. 103. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. segundo o STF. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. leis suspensas pelo SF. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. pode ser qualquer ato do poder público. não ameaça mais a supremacia constitucional. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). devendo ser de todos eles intimado. por analogia.leis revogadas. pois não produzem mais efeitos. se um novo PGR o substituir. e. Atuação do PGR: ☺art. Lei do DF não pode objeto de ADC. §3º.

em seu art. o das audiências públicas. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. seria “amigo do tribunal”.884/94 (CADE). mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Posteriormente. §1º e art. §1º. Portanto. Cabe também na ADPF. só vai contribuir para a decisão do tribunal. sendo feita por toda a sociedade.868. 7°. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). ☺ art. Está desempenhando uma função especial. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. mas não têm nada haver com amicus curiae. . §2º e art. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. A exposição dos motivos da Lei 9. Quando o AGU desempenha essa função. A previsão expressamente contida no art. art. art. o AGU não será obrigado a defender a lei. Mesmo sem previsão legal. Amicus Curiae: Em uma tradução. Na ADI por omissão. Tem natureza de auxiliar do juízo. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional.868/99 -☺art.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União).868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Ela já existia antes. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Mas atenção: existe um outro instituto. Ele não é alguém interessado na causa. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. por fim. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado).385/73 (☺ art. “amigo da corte”. de “defensor legis” e. Na ADPF. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis.868/99 vale só para a ADI. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. nos estados que adotam a commum low. 7º. portanto.868. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. É muito comum nos tribunais internacionais. 9. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. §2º da Lei 9. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. 6º. Importante: ainda que como Advogado da União. não há o que se defender. §3º. 20. 89. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). não precisará do AGU para defendê-la. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. 43 . A audiência pública está prevista na Lei 9. 7º. disciplinou a figura. em especial no direito norte-americano. o AGU até poderia participar. Foi introduzida pela Lei 6. Nesse caso. §1º. a Lei 8. Não há previsão para a ADC e ADPF. por analogia. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9.868. 482. 31).

O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Gracie). não tendo partes. Mas depois que a lei foi feita. a mais correta.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Lei 9. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. É. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. ressalta-se que esta é apenas relativa. O STF ainda tem exigido pertinência temática. . ou seja. portanto.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Marco Aurélio não admitiu. porque iria envolver matéria em relação à vida. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. J. M. Quando 44 . poderia afastar esta presunção. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Barbosa e E.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. I. admitindo prova em contrário. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. cabe amicus curiae. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. ou seja.. Mello. . É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. pois admitiu pessoa física em controle concreto. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min.Com relação à presunção de constitucionalidade.868/99. por ex.102. Foi uma exceção. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. Para o prof. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. . Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Aurélio. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). admitindo ser intervenção de terceiros (C. seria uma exceção). 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. segundo o professor. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Obs. O juiz de primeiro grau. Surgiu com a EC/03. em despacho irrecorrível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. R. “a”. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). é um equívoco. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. (Obs. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. autor e réu. Apesar de que era relevante. Lewandowski. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF.

II. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). Mas. . Através do AGU. art.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). CR e Lei 9. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. e . .882/99. na ADPF 33: . . a Lei 9.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. portanto. Como visto. 34. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.Cláusulas Pétreas. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. §1º. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). 45 .). esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. ADPF: ☺ Art. . o FHC ajuizou ADC.Cláusulas Pétreas. O parâmetro. O STF admitiu ☺Informativo 518. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. art.869/99.14. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. III). é mais restrito: somente a violação. nas outras ações ela também poderá ocorrer). 14. não há que se declarar uma lei constitucional). Não é uma ação de inconstitucionalidade. e .868/99. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. Cabe prorrogação. P. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. nos quais a lei esteja sendo discutida. VII). 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.Princípios Constitucionais. no entanto.Princípios Constitucionais Sensíveis.21. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. Segundo a doutrina. os preceitos fundamentais são: . .102.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art.868/99. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.Título I: Princípios Fundamentais. inclusive o Poder Executivo. Portanto. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.U. em seu art. Gilmar Mendes. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR).

Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. dentro do mesmo tribunal. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. apenas o STF. P. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. § 1° da lei 9. art.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade).U. Art. Características: . O objeto pode ser da esfera federal. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. a vinculação é vertical.882/99. embora lá há uma vinculação horizontal. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. como guardião da CR. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. 46 . os legitimados podem levar não todo o processo.882/99). Mas se algum dos legitimados souber da ação. embora seja bastante difícil existir esse meio).Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. 196 e ao meio ambiente. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Um dos legitimados. Ex. 1º. Incluindo-se. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. leva a questão ao STF através de ADPF. Proposta diretamente no STF. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. ainda. Aqui. na ADPF. podendo ser um meio de controle difuso.: surge a partir de um caso concreto. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Obs. 4°.: gestante com feto com acrania. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. ou seja. estadual e municipal. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. dentro do órgão judiciário). neste rol. 1º. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Segundo Neri da Silveira.

I.. I. 105. . q). 129. à soberania e à cidadania). O STF admitiu a ADPF. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. mas a converteu em ADI. por ex. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. ADC e ADPF (art. . LXXI . o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. No entanto. É controle abstrato.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . STJ (art. 5°. § 4°.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).Admite-se a fungibilidade. o STF transforma a ADPF em ADI.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).CR: STF (art. II e III). V). Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). 102. nas CE ou em lei federal). coletivos e individuais indisponíveis (art. 121. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . Obs. em se tratando de órgão administrativo.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. Assegurar a efetividade de suas normas. Ex. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. É a mesma da ADI. 5°. . governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. TSE/TER (art. à soberania e à cidadania”. 103. para fazê-lo em trinta dias”. h). 47 . § 2º . É controle concreto.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.

mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. mas esse prazo era direito. LXX: PP c/ CN. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. é b) Concretista: concretiza a norma. Obs. 5º. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . Mas atenção. portanto não podem impetrar MI. portanto. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. em se tratando de órgão da AP. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. . mudou seu posicionamento. ECAN e associação c/ 1 ano). Há. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. recentemente. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. público: MI protege dir. entes federativos e PJ dir. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). ou seja.: na ADI 3682 b.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. não pode concretizar a norma. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). O efeito da decisão proferida pelo PJ seria.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. fundamentais em face do Estado. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. O STF. apenas razoável e não peremptório. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. não pode fazer a norma para o caso concreto. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . autores que admitem. organização sindical. concretize a norma (faça a norma concreta). Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. no entanto. Se o PL) e. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). competente de sua omissão (em regra.MI Coletivo: o STF o tem admitido.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão.Órgãos públicos. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. Recentemente.

poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. O STF adotou essa corrente no MI 232. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). ou seja. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. CR (provimento. porque nem a AIO tem esse poder. 708 e 712). ou seja. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. e 2) recusa à execução de lei federal (art. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. porque adotava a corrente não concretista). A omissão total não cabe MC. intervir nos Estados). se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. ademais. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. III. 34. Essa corrente é bastante criticada. Surge a partir do caso concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. criando uma norma geral e abstrata. em um primeiro momento. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. como regra. O efeito seria apenas inter partes. pelo STF. Ela se subdivide em – geral e individual. 49 . 36. a intervenção é uma exceção (a União não pode. Recentemente. nestes casos de omissão parcial. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. ao mesmo tempo. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. VII). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. No MI. ou seja. o STF está atuando como legislador positivo. não cabe liminar (antes. VI). A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. A regra é o principio da não-intervenção. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. 680. 652.040). De acordo com esta concepção. 34. Mesmo adotando a corrente concretista. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. 2. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). o PJ. Portanto. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF.

nem no RISTF. CR. além. §3º. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. IV.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. é claro. 50 . não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). O RE. mas que surge a partir de um caso concreto. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. mas sim. CR). se o STF der provimento à representação do PGR. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. 614. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). no âmbito do TJ. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. foi uma criação da jurisprudência do STF. portanto. § 1°. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. As partes aqui são o Estado e o Município. O parâmetro aqui é mais amplo. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. da ADPF). O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. O STF é o guardião da CR. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. CR. se violados. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. 127. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. Isto está previsto no art. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). §2º. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. Esta forma não foi prevista na CR. e sim em face da CR. STF). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. CR. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). ☺art. É dispensada a apreciação política pelo PL. ☺art. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. 35. que é o pressuposto para a representação interventiva. 36. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). o PR então poderá decretar a intervenção. OBS. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. 125. no âmbito federal).

deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Assim. que deve observar o direito natural. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . corroborando essa perspectiva. São apenas órgãos aos quais se atribui. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Obs. Assim. Portanto. expressa por meio de seus representantes. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). segundo o Abade Sieyès. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. mas jamais é quem o exerce. é a nação. É ele um titular passivo. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Para os jusnaturalistas. em nome do povo. segundo o abade Emmanuel Sieyès. porém. retira sua força do direito natural. analisa-se se o poder é legítimo ou não. cria o Estado. o exercício dessa magna prerrogativa. em alguns casos. Bonavides. que formulou esta teoria no fim do Séc. editando a nova Constituição. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. social e juridicamente organizado. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Schmitt). A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Celso de Mello. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. ou seja. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. a vontade do constituinte é a vontade do povo. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. por delegação popular. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. XVIII). Modernamente. pois o Estado decorre da soberania popular. C. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. pode usurpar do povo a titularidade do poder. que. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Na 1ª etapa. Está acima do direito positivo. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. um dos precursores dessa doutrina. que é sempre superior aos poderes constituídos.

Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.Reformador (art. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. 11. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Dessa forma.Formal .Decorrente (art. correspondendo aos anseios daquela sociedade. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).: o prof. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. ADCT) . Portanto.Revolucionário . por conseguinte. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.Histórico .Material . mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. 60. CR) . entende que a expressão “originário” seria uma redundância.Revisor (art. há legitimidade objetiva. Espécies Tradicionais: . ADCT. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . se esta correspondência existir o poder será legítimo. 3º. art. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. Obs. Assim. 25.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. já que o poder constituinte já é originário. para ser considerado legítimo. que é seu verdadeiro titular. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).

entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo.: se é um poder autônomo e incondicionado. que substituirá a anterior. O povo é o titular do PCOM. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). foi criado um direito natural). c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. através de normas constitucionais. 53 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. é apenas uma classificação quanto ao momento. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. há alguns valores que são morais. 1967/69. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. . 1988. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. No plano axiológico. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). No caso do Brasil. O Abade Sieyes. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. Obs. Apesar de ser um poder incondicionado. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição).: este poder tem este nome porque para o Direito. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. b) é um poder inalienável. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. GV). 1946. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. independente e soberano. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. a nenhum pré-requisito jurídico. ela nunca deixa de ser do povo. Ex. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. não perde a titularidade do poder constituinte. ou seja. ex. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas).Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. mas não a primeira e sim uma nova. através da Constituição. No caso do Brasil. 1937. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. Obs. 1934. Obs. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida.

Obs.. Quando a CR consagra o art. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Ainda que o estado seja soberano. A CR/88. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. por ex. por se tratar de uma conquista da sociedade. O prof. no art. No caso da CR/88. na verdade. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. contudo. Esta AL. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. Ex. ficando um pouco relativizada. as constituições estaduais não são recepcionadas. mas meta jurídico (fora do direito). ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Fábio Konder Comparato fala. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. ele encontra limites no texto da CR. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. não concorda muito com isso. Ex. observados os princípios estabelecidos na CR. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). Não se trata de um limite jurídico. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. Dentro desse limite. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. mas continua a existir como característica essencial deste poder.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. a doutrina deduz deste art. 11 do ADCT. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. 25. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. com os avanços da sociedade. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. De acordo esse limite. ☺art. na pena de morte. 54 . 25. No entanto. A partir do momento que a CR surge. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição.

mas foi uma decisão super apertada (6x5). → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): .: ☺art. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. §1º . 61. Há dois grupos: (art. que se estendem aos Estados.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. vedada a recondução. VII. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. V ???) I) Expressos na constituição: art. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. CR. 27. 93. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. porque o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. 57. II) Implícitos: CPI (art. 59 e segs. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. 57. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). . Estão presentes no art. § 3°).: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. são as normas de auto-organização da União. processo legislativo (art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. diferente dos extensíveis. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 58. Segundo o STF.: presidencialismo x parlamentarismo). 75. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. Mas.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. 58. composição. §4º não é norma de observância obrigatória). por enquanto. ou seja. são essas as normas de repetição obrigatória. e o STF decidiu que não havia problema. Se subdividem em: 55 . A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. §4º. Obs. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. Obs. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 34. CR. § 1°. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). . no âmbito estadual tem que ser de competência do GE.).

.normas mandatórias: ex. portanto. ou seja.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. . é conseqüente. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. mas é possível deduzi-las.é um poder jurídico (e não de fato). . 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. E. 19. no entanto. CR. 136). → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. decorre da lei e não da força. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. 34). se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las..) – contém uma vedação expressa. 56 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Trata-se de um poder previsto na CR e.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. e se for decretado o estado de sítio (art. 37. . ADCT). Ex.não é autônomo. DF e M.: os arts.: art. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. . portanto. 3°.não é inicial.: art. em qualquer estado da Federação (art. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. . 137). §1º. Ex.normas vedatórias: ex. . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 60. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .é limitado.titularidade: é do povo. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. uma limitação temporal para o poder revisor – art. .). se for decretado o estado de defesa (art. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. cujo procedimento está previsto no art.. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. CR. . . CR (é vedado à U.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.exercício: é pelo CN. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. 60.é condicionado. .

P. ela será chamada de extraordinária. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. do SF ou do CN. no âmbito do PJ. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa.Além do PR. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). . Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso.Discutido e aprovado. apesar de não existir previsão expressa. . Obs. o PGR. 61 é a regra geral de iniciativa. também podem propor projeto de lei o povo. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. 61. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. GE. 57 . O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). proposta rejeitada no dia 15/01. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. §5º. é o de que o art. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. 61. §10). no âmbito do PE. 62. assim. apenas o PR. no qual há 4 sessões legislativas. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. 60 (incisos I. Este art. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. não pode haver emenda de emenda. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. CR). Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. II e III) uma exceção à regra geral. . possamos usar o procedimento previsto no art. 67. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. após a iniciativa. A Sessão legislativa (art. b) o entendimento majoritário da doutrina. No caso de projeto de lei. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. .U. §2º). . para que. . 44. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. 60. no âmbito do MP. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. não promulga. ☺art. primeiro em uma casa e depois na segunda casa.A última limitação formal objetiva está prevista no art. sendo o art. que é o período de 4 anos do mandato do PR. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. o STF e Tribunais Superiores. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). Ex.Feita a iniciativa.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC.). 60. a PEC vai para a promulgação. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). a PEC será discutida em cada casa do CN. §3º. §2º). CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). ademais. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre).A nossa Constituição é rígida. CR. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. . Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. DF e DE. no entanto. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. também chamadas de implícitas. não veta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. 60. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. se a matéria for rejeitada. 61. através da iniciativa popular (art. por fim. 60. ☺art.

§4º. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. mas sim. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. São as chamadas cláusulas pétreas. universal e periódico. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. 58 . Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. o voto não é universal. Secreto. c) Assegurar o processo democrático. pois.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. b) Preservar a identidade material da Constituição. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. . b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. na verdade.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. que é o modo como se realiza o exercício do voto. c) Voto Direto. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). não é secreto. o direito de participar das eleições. Universal e Periódico: . 60. Ou seja. CR. Se elas não existissem. segundo o STF. secreto. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. VI. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. o que é secreto é o escrutínio. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. 150. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Curiosamente. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. Expressas: ☺art. o que é universal é o direito de sufrágio. As cláusulas pétreas são. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. a).Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. ademais. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade).

uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. 2º. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. como um todo. 60. comportam diferentes interpretações. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. O prof. e por conseqüência. (23/04/09) 2. é o art. Os demais direitos e garantias fundamentais. 60. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. Um exemplo. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. ADCT). desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. inclusive. não concorda. §4º. e não em direitos e garantias fundamentais. em princípio. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. posteriormente. que não é unânime na doutrina.: primeiro. Chama-se dupla revisão. . Para ele. CP). A CR fala em direitos e garantias individuais. 60 poderia ser modificado. por uma questão lógica. ou. pois. não o serem).Há quem defenda. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. Assim. CR. dispostos do art. não seriam cláusulas pétreas. 5º. 5º. com a dignidade da pessoa humana. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). para posterior alteração do conteúdo. por isso. não tem nada a ver com CP). é CP. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. 150. b. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. que proíbe a pena de morte. Ex. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Assim. O art. Mas o STF já considerou que o art.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. Lá estão as limitações ao poder reformador. 60 seria CP. mas refere-se a uma reforma. são CP. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. CR. todo o art. Os direito fundamentais se encontram. segundo a qual o art. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. mas os demais não (ex. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. sistematicamente. Obs. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. sendo uma garantia individual. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. . CR). III. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR).: FGTS. far-se-ia uma EC revogando o art. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. não alterando-o). pois seria uma forma da fraudar a constituição.

pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Ex. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. Ex. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). 3º. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. tem que haver previsão expressa na constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. Com relação ao assunto acima. não sendo um princípio absoluto. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. CR). tem que haver previsão expressa na constituição. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. c) Máxima: a retroatividade não é automática. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). ☺art. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. Antes da CR/88. 5°. o STF tem entendimento unânime. O ato ocorreu antes. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. Revisão é a via extraordinária. mas ainda não pagas. contados da promulgação da Constituição. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. 3º. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . b) Média: a retroatividade não é automática. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. em sessão unicameral. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). A limitação imposta no art. mas também emendas à constituição. a constituição atinge prestações vencidas. em sentido formal. O direito adquirido pode ser relativizado. excepcional e transitória de alteração da Constituição. 60. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. esse era o entendimento do STF. art. . → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . XXXVI.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. mas seus efeitos surgem após a constituição. Ex. portanto. não abrange EC. A retroatividade mínima é automática.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. 3º. não abrangendo apenas leis em sentido formal.

como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). 3º. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. §§1º e 4º). as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. circunstanciais. ADCT. 61 . especificamente. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. e de forma geralmente mais extensa. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. 60. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Além disso. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. como todas as demais. 65 . esses elementos são insuficientes. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. O grande problema é que. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Ela não tem normas jurídicas. com algumas peculiaridades. portanto. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. partindo da idéia de sistema. Por isso. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Por isso. aqueles desenvolvidos por Savigny. mas apenas valores: o preâmbulo. entra o elemento histórico evolutivo. e não isoladamente. É o início de uma interpretação. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Toda norma está dentro de um sistema. para o direito público. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. e os valores fossem o seu espírito. Ex: princípio da não contradição. 52. X.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. como início e limite para a interpretação. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). Buscam os valores subjacentes à constituição. é também o limite para a interpretação. Constituição da República. Nele estão os valores supremos da sociedade. Esse método não é apenas sistemático. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Além disso. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. para o direito privado. eles são suficientes. devido à complexidade da interpretação constitucional. só tem alma. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. esse método também é conhecido como método valorativo. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. O texto da norma funciona. Imagine a Constituição norte-americana. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Não existe uma norma jurídica sozinha. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. b) Histórico: no seu desdobramento.

mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. ou seja. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. formas de raciocínio.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. da doutrina. porque trabalham não com a idéia de sistema. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. lugares comuns. Ex. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Problema é a questão difícil. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Assim. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. ou a de que um é mais correto do que o outro). do senso comum. Os topoi são esquemas de pensamento. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Assim. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Isso gera certa instabilidade. de casos que comportam mais de uma solução possível. Por isso. pois comporta mais de uma solução possível). vence o argumento que for mais convincente. Se se permite interpretações divergentes. como ocorre neste método. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Por ter uma feição mais política do que jurídica. por ex. o que geraria uma grande insegurança jurídica). que contraria o positivismo jurídico. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Esses pontos de vista. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). que é apenas mais um topos. a favor e contra. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. dos princípios gerais do direito. → Crítica: feita por Canotilho. cujo plural é “topoi”. como. de argumentação. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. ele também é conhecido como método sociológico. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. os quais são submetidos a várias opiniões. os operadores do direito servem-se de topoi. mas sim diante de problemas. Violação de correspondência de presos. pontos de vista ou lugares comuns. Este problema será solucionado pela argumentação. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Ex. da jurisprudência dominante. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes.. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. enfraquece-se a força normativa da constituição. Ex. certa insegurança jurídica. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. mais um 66 . Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema.

assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. é preciso que haja um problema. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. são coisas diversas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. a compreensão prévia do intérprete. Assim. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. A principal diferença. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. ou seja. Os métodos III e IV. é bom lembrar. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. este método não poderá ser aplicado. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. na sociedade aberta de intérpretes. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Além de serem métodos aporéticos. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). não podem ser utilizados de forma abstrata. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Não se pode separar as duas coisas. quando se fala em hermenêutica. Assim. e sim na sua concretização. Método concretista. não se deve falar em interpretação constitucional. São métodos indissociáveis. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. e concretizador à aplicação. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. como já vimos. diferentemente dos dois primeiros. sua aplicação a casos complexos. são também métodos concretistas. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Para este método. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Ele parte. ao lado de Hans Kelsen. de única solução possível. 67 . se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Hermenêutica e interpretação não se confundem. se for caso de lacuna. porém. ainda que dos mais importantes. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). e o problema concreto a resolver. por serem métodos concretistas. mas em concretização). devendo-se fazer uso de outro método. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Ocorre que. pois. que a questão não seja simples.

todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Friedrich M. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. a norma só surgiria após a interpretação do texto. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Na prática. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. mas também na sua interpretação. Gilmar Mendes). Para ele. regulada pela norma. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). O texto não tem o comando. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Assim. O que ele chama de domínio normativo. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . Quando ele fala em democratização. Fala-se que são utilizados. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. pois. Segundo ele. . a interpretação constitucional tem que ser democratizada. A norma é o mandamento. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Segundo o autor.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. bem como a quebra da unidade constitucional. mas também para a interpretação da Constituição. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. Judiciário. em regra. traduzido pelo Min. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). ao mesmo tempo. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. mas a toda a sociedade. 68 . é a realidade social tratada pelo texto da norma.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. aberta a toda a sociedade. ele na verdade não o é. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . por sua vez. Ainda que a Corte seja o intérprete final. A democracia deve servir não apenas para a criação. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Paulo Bonavides o tratar como um método. ele dirige e.Elementos do âmbito da norma . O texto tem duas funções muito relevantes. mas refere-se àqueles que podem interpretar. Não diz respeito aos critérios de interpretação. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. é o comando que se extrai da norma interpretativa. que têm legitimidade para a interpretação. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Essas duas figuras podem ser. limita a interpretação. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral).Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).

surge o Positivismo Jurídico. Esta questão está ligada à separação dos poderes. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. superado o valor da norma). sem modificá-la. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. no Brasil. Assim. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Na verdade. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. que se subdivide em princípios e regras. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. A segunda corrente. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. mas de forma concreta. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. vinculante e obrigatória. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. textualismo e preservacionismo. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. Assim. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Após. Também denominado de originalismo. os direitos têm que ser iguais para todos. norma e fato. do povo. Hoje. No pós-positivismo. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Por isso o judiciário tem ganhado força. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). bastante discutido nos dias atuais. o poder legislativo é claramente fraco. 69 . os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. que corresponde à vontade do constituinte originário. Em virtude do caráter normativo dos princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. preocupado com a segurança jurídica. Entende que. A norma. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Segundo Conrado Hubner. 3) Existe uma única resposta correta. surge a idéia de norma (gênero). devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. quando interpretada. como a constituição é feita por representantes do povo.

Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade.generalidade . Ambos são normas.: aposentadoria compulsória. impõem resultados. O grau de abstração é a diferença. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. é preciso saber quais são as normas opostas. Segundo Robert Alexy. . e .proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . Referem-se à abstração (a norma é abstrata. caso a resolução seja feita com base na hierarquia.Postulados. há uma subsunção lógica. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. isto é. → Regras: são “mandamentos de definição”. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. que apontam para o sentido contrário. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. que envolvem a aplicação deste princípio. → Princípios X Regras: . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. bilateral). . a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. quando se vai aplicar um princípio. Alexy afirma haver exceções. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. Ex. peso ou valor. princípios são “mandamentos de otimização”. ou seja. .dimensão que eles ocupam (Alexy) . As regras possuem aplicação automática. 70 . mas a medida do possível. dentro do gênero norma jurídica.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.Princípios. genérica. Assim. em havendo um conflito no âmbito da validade. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). o que ocorre por meio da ponderação. será invalidada. impessoal. como elementos do sistema normativo constitucional: . ou seja. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. A norma é um gênero e. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. imperativa. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. Para Habermas.Regras. Eles não definem a medida exata. Elas se aplicam de acordo com a subsunção.

mas não têm a mesma função dos princípios. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. de modo a realizar os valores nela consagrados. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Segundo a LICC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. será feita a análise de alguns postulados que. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Ex. como princípios. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Nesse aspecto. Os postulados são denominados. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. cronológico e da especialidade. Mas e os postulados? Segundo esse autor. por isso não são aplicados diretamente. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Com base nessas premissas. também conhecido como antinomia de princípios. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Não estão na constituição.: proporcionalidade. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. embasados na supremacia da Constituição.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. interpretação conforme a Constituição. nem estabelecem competência ou conduta. 71 . Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. É um conflito sempre no caso concreto. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Eles não apontam um fim. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . pela maioria da doutrina.

presume-se que agiram de acordo com ela. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Se os poderes retiram suas competências da Constituição. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. ficam vinculados àquela decisão. se entendê-la inconstitucional. A 72 . o Princípio da Supremacia da Constituição. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. pode ser exercido através do veto jurídico. No Poder Legislativo. não tem como fazer interpretação conforme. pode deixar de aplicar a norma de ofício. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Ele pode negar a aplicação da lei. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. No Brasil. assim. Todo projeto de lei passa por um controle. o Poder Judiciário. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. por ser presunção relativa. é necessário que a Constituição seja rígida. Excepcionalmente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. deve optar pela constitucionalidade. o Chefe do Poder Executivo. como no âmbito do Poder Executivo e. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Essa presunção é relativa (iuris tantum). Da mesma forma. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. quando entender que uma norma é inconstitucional. na dúvida. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. excepcionalmente. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. para ter essa supremacia. Ou seja. No Poder Executivo. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Toda Constituição tem supremacia material. significa que as demais leis devem obediência a ela. e. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. no controle difuso. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. no Poder Judiciário. E. Se a constituição é a norma suprema. na dúvida. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. significa que ele é unívoco. Não se retira a lei do ordenamento. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Se há mais de um significado. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Se o texto tem apenas um significado. a lei deve ser declarada constitucional.

para se fazer uma interpretação correta dessa lei. num estado democrático. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Outro ex. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Hoje. sendo. de direito previdenciário. poderia declarar o art. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. é necessário observar os valores consagrados na constituição. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Busca a vontade do objeto interpretado. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Obs. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. necessário harmonizar esses dois princípios. b) Fim pretendido: . há várias tensões entre as normas constitucionais. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Portanto. devendo o intérprete harmonizar esses princípios.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. a norma inferior. Logo. etc. logo é conhecida como corrente “objetivista”. ao mesmo tempo. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. A segunda corrente. É como se filtrasse a lei. Ao se admitir que essa norma é superior. prevalece a vontade da lei. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. Na verdade. essa corrente é chamada de “subjetivista”. 81. . Antes. na constituição. é conhecida como mens legis. que busca a vontade da lei. pois. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional).Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Geralmente. Ex: Brasília é a capital federal. passando ela pela constituição. normas superiores e normas inferiores. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. §1º. Isso é impossível. mas. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Segundo Kruger. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Temos o voto direto como cláusula pétrea.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. existem. Hoje em dia. 73 . Em uma sociedade democrática e pluralista. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. isso não ocorre. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional.

Uma existe ao lado da outra. O Juiz irá ver. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. que é anterior à Constituição da República. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. qual dos dois grupos tem um peso maior. Se ele entrasse no mérito da questão. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. Abstratamente. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. Quando se tem uma colisão entre bens. interesses. §1º. Eles são muito parecidos. Nesse caso. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. O STF declarou constitucional. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. 45. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. no caso concreto. deve-se buscar essa concordância prática. Ex: voto direto é a norma geral. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. é necessário utilizar a ponderação. 74 . O que tiver o peso maior irá prevalecer. inclusive. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. Essa lei. a integração política e social. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. princípios ou valores. e não em abstrato). e voto pelo CN é a exceção. Assim. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. bens ou interesses. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. pelo legislador. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Segundo este princípio. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. Sempre que possível. na hora de se interpretar a Constituição. se ambos estão consagrados na Constituição da República. as duas normas têm conflito entre si. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. violava a liberdade de exercício de comércio. valores. O que é isso? É semelhante a uma balança. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. O STF analisou 02 casos: a) Art. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. criando um efeito conservador da unidade. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. Pode ser usada. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O relator indeferiu a petição inicial. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. ou seja. ele se basearia no princípio da unidade.

As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição.: a proibição da pena de morte. Ex. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Ex: Se tiver na praia. eis que ambos se relacionam. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. STF não foi abandonada. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. para que outros direitos sejam assegurados. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. proporcionando-lhes uma força otimizadora. da tortura. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. sendo o guardião da constituição. na academia. do contrário. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. 343. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. a privacidade deve ser preservada. cabe ação rescisória (obs. O importante é saber que todos os princípios. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. e não princípios. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). às vezes. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. até uma compreensão equivocada. não se aplicando para a interpretação constitucional. mas também a ratio decidenti. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. poderia fotografar. Deve haver uma cedência recíproca.: a Súm. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Exs. do trabalho escravo são regras. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. 75 . Caso contrário. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. não. não. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. que contribua para o debate de interesse geral. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. 2) relativização da coisa julgada: o STF. ou seja. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. por mais importantes que sejam. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes.

2) Direito de greve. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. . 5º. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Exs. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída.335/AC. 4. a qual significa a realização do direito. . É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . Este princípio. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. 76 . é também conhecida como eficácia social. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. o desempenho concreto de sua função social. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. §1º. . tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. Ver no Site Editora Método.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. é também conhecida como eficácia jurídica. pois. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. validade é. . CR/88 (aplicação imediata). no Brasil.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior.com.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). sobretudo o Tribunal Constitucional.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. a função social para a qual foi criada. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.

Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. Alegam que a restrição seria desproporcional. apto para atingir o fim almejado. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). mas apenas como menções. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. Na Alemanha. Para que um ato seja considerado proporcional. LIV. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Ex. Assim. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Se o ato for desnecessário. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Não é o entendimento mais cobrado em provas. utiliza-se o termo razoabilidade. CR. Nos sistemas da commum Law. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. dentre os meios existentes. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). será também desproporcional. uma restrição à liberdade só será possível se. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. É uma influência do direito norte-americano. ou seja. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. não está textualmente consagrado. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. É um princípio implícito. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. não se deve abater pardais com canhões. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Ele está ligado. maiores hão 77 . ele tem que ser adequado. do Prof. à garantia do devido processo legal. No Brasil. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Ex. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. ☺art. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. para que o Estado não atue de forma arbitrária. deveria conceder uma autonomia maior. pois. por isso sua importância. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Para Jellinek. É uma influência do direito alemão. utiliza-se o termo proporcionalidade. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. 5º. desproporcional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. em sua origem. 1º. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito.

pode ser chamada de proibição do excesso. A face acima exposta do princípio. 78 . Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. ou proibição por defeito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Nesse caso. Há uma outra face desse princípio. que é chamada de proibição de insuficiência. o poder público age aquém do que deveria. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva.

refletindo posição ideológica do constituinte. O que acontece é que o preâmbulo contém. relevância jurídica. não tem relevância jurídica. Como se sabe. anteposta ao articulado constitucional. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Ocorre que todas as constituições brasileiras. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. qualquer religião oficial da RFB. laico ou não-confessional. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. não é norma de repetição obrigatória. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. Esses princípios sim. É uma corrente intermediária em relação às demais. O nome não é o mais apropriado. No Brasil. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. caráter normativo e. 79 . Não contém. pois. sendo. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. o Brasil é um país leigo. Em âmbito estadual. não existindo. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. mas é a tese por nós adotada. não é componente necessário de qualquer Constituição. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. proclamação mais ou menos solene. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. pois. portanto. de regra. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. o preâmbulo. reproduzidos ou não na Constituição estadual. com exceção das de 1891 e 1937. porém. inscritos na Constituição. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. Assim. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. apresentado de forma não articulada.. incidirão na ordem local.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. mas no domínio da política. dado que. Não tem. Situa-se no domínio da história ou da política. portanto. não tendo força normativa. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. mais ou menos significante.. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. O min. Para o STF. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito.

enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Esta é a sua natureza. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. com a solução pacífica das controvérsias”. a segurança. a liberdade. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. 80 . pluralista e sem preconceitos. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. o desenvolvimento. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. o bem-estar. Ao estabelecer os valores supremos. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. na ordem interna e internacional. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. fundada na harmonia social e comprometida.

Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. que poderá variar conforme o seu enunciado.U.: normas que estabelecem imunidades (art. enquanto não for restringida. §5º). Não são a mesma coisa. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Ela não depende de lei. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. 184. no Brasil. Exs. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. 53). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. possivelmente restringível ou redutível. dentre as quais. por sua vez. Quando se fala em aplicabilidade imediata. imediata e integral. que “contenha” o seu conteúdo. A NEC. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). A integralidade. Não depende de regulamentação.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. P. enquanto não for restringida por lei. §5º). A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. vedações (art. Uma NEC. mas admite lei. como se poderia imaginar). (É a mais cobrada em provas). é uma NEP? Não. prerrogativas (art. 128. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . 95. destaca-se a de José Afonso da Silva. isenções (art. O que as difere é o grau desta eficácia. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). apenas 81 . A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. → Normas de Eficácia Contida: O prof.

Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. ☺art. Exs. art. P. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado.: art. 22. 95. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. É indireta ou mediata. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. Ex. são NEP (como são as normas dos incisos I. necessidade ou utilidade pública. . O caput do art. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . 9º dá a entender tratar-se de NEP.: art. 82 . etc. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. mas. VII (direito de greve dos servidores públicos). ela nunca poderia ser restringida. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. que a regulamente. 9º. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. A norma constitucional tinha eficácia. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). interesse social. que faz parte da mesma norma. mas o seu §1º. XXIII e XXIV). a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. mas não é uma NEP. 5º. Não é apenas um conselho. mas não disse quem pode propor. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P.U. 95). caracterizadas justamente por este tipo de norma). em regra. Assim. 102. 154: a União. poderá criar impostos residuais. – ex. e mediata porque depende de alguma condição. As vedações. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. mas pode ser). mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo.U. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. 37. . é obrigatória. A NEC pode ser restringida: . etc. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo.: ordem pública.por lei (ex. A lei não irá restringir o direito. ☺art. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. etc.: art. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição.: trata de vedações que são impostas aos juízes.: art. 37. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. PU: União poderá delegar aos estados. que não é norma). Se ela fosse uma NEP. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. de forma que antes da Lei 9. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. 5º. XXII. Indireta porque depende de uma outra vontade.por outra norma constitucional (ex. ofício ou profissão. II e III deste mesmo art. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). e art. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. VII. art. 37. não há omissão inconstitucional. se quiser. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). XIII. 5º. Ex. esclarece que trata-se de uma NEC.por conceitos de direito público (ex. art. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. VII. e não quais são os meios para se atingir o fim. art. . conforme a lei. Neste caso.). A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. eis que estabelecem o fim a ser atingido..Impositivas: ex. segurança nacional. 136 e 137). → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos.Facultativas: ex. quais são os efeitos. que dirige os rumos do Estado. mas dizer como esse direito será exercido. art. XII c/c arts. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. 3°.

Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Diz que o direito se auto produz. exaurem sua eficácia. OBS. tem eficácia. Ex. Para ela. Traduz um sistema fechado. ADCT.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. 2º. Obs. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). não depende de outros sistemas. Uma última classificação. Elabora-se uma norma genérica. as Cláusulas Pétreas. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. cumprida a sua finalidade. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. São as normas do ADCT. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Assim. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo.: As NEP. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. porque ela não tem eficácia positiva). Marcelo Neves critica essa concepção. pois. imediata e integral). que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). mencionada por alguns autores. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. Por isso não dependem de outra vontade. 83 . ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. a NEL produz efeitos: ela exige lei. uma eficácia negativa (e apenas esta. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. ademais. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis.: art. também conhecidas como normas super-eficazes. antes da lei ser feita.

caso compatíveis com a nova Constituição. 242.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. ou seja. por esta teoria. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. com o caráter de normas constitucionais. → CR → A. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. porém.P → A. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. e sim como normas ordinárias. podendo. Ex. sempre que nasce uma nova Constituição. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). como normas infraconstitucionais. 84 . As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. parte final). Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. art. Assim. serem recepcionadas pela nova Constituição.N.: ☺art. § 1°. não. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição.N. Quando uma nova constituição é criada. §2º (que fala do Colégio Pedro II. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. quando do surgimento de uma nova Constituição. 2°. Faremos o estudo de alguns institutos. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

que. Assim.: art. IV. XXXVI – “lei” em sentido amplo). desde que haja expressa previsão. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. nada impede que a norma constitucional. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. as leis infraconstitucionais. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. o STF entendeu que. com pequenas exceções. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. CR. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. 7º. também limitado juridicamente). sendo regra a retroatividade mínima. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. 5º. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. IV. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). diante da aplicação imediata. tenha retroatividade média ou máxima. vale dizer. 88 . lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. vale dizer. c) por outro lado. Ex. têm retroatividade mínima. Contudo. deve existir expresso pedido na Constituição. como é o caso do art. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. dentre outras. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. 51 do ADCT. por regra. Como se percebe. Assim. 7º. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. Como outro exemplo de retroatividade mínima. para tanto.

1º). por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. como também ao exercício abusivo de certos direitos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. Dessa forma. sobretudo. é obvio. ainda não regulamentadas de forma mais específica. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Desse modo. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. os quais estabelecem a sua forma. diverso e opostos. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. a menos. Em situações novas. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. pois servem de critério para o legislador que. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. o que os coloca numa posição de superioridade. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. estrutura e fundamento (art. Sob o ponto de vista dogmático. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. ao elaborar as leis. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. 4º). em um todo sistemático. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. da função positiva que 89 . os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. Executam. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. assim. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. por conseqüência. De uma forma geral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. atuando como um limite. seja como diretiva na solução de casos concretos. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. é claro. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. seja como orientação para progresso da legislação. 2º). a divisão de seus poderes (art. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. não só das ações dos poderes estatais. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além.

A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. aos entes que compõem a federação. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. esses conceitos foram se esvaziando. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. a Constituição veda. quanto para o legislador na elaboração das leis. que reinava de forma absoluta e irresponsável. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. DF e Município. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. No tocante ao Poder Executivo. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. sendo criados novos critérios distintivos da República. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. I). Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. o direito de secessão. 1º. Com o passar do tempo. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. A baixa densidade semântica. 34. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. CR). 90 .

sob as circunstancias transitórias. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. a vontade popular representada pelo parlamento. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. No Estado material de direito. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. à questão perene da Justiça. Em um Estado democrático. ou. a independência dos juízes. Sob o aspecto material. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. 91 . o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. No que se refere ao princípio democrático. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. Aqui. a legalidade da Administração. Em um Estado de direito. seja diretamente. não apenas os indivíduos. seja através de representantes. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não é absoluta e ilimitada. ainda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada.

em nenhum momento podem ser colocados de lado. independente. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. a soberania migrasse do soberano para o povo. o indivíduo se sente útil e respeitado. 6º).) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. na ordem internacional. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. uns para com os outros. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. Todavia. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. na ordem internacional. 92 . através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. No plano externo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. por não ter de acatar. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. por essa razão. Por essa razão. A soberania externa se refere à representação dos Estados. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. no plano interno. Supremo. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente.

como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. independentemente de autorização de órgãos públicos. É ela o valor supremo que irá informar a criação. partidário (art. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. III). uma sociedade conflitiva. derradeiramente. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. científica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. é um princípio básico do liberalismo econômico. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. deve constituir o seu objetivo supremo. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. de reunião e de associação. a filosófico-religiosa. Por isso. a partir do início da década de 90. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. por natureza. a intelectual. 1º). cultural (arts. a tortura. Fruto da concepção liberal. 220). 170). A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. artística. conforme os ditames da justiça social. 3º. e. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. salvo nos casos previstos em lei. passando a se revestir de normatividade. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). de idéias e de instituições de ensino (art. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. a sociedade pluralista é. com a queda do comunismo. 206. Mais tarde. Por essa razão. de interesses contraditórios e antinômicos. dentre elas. ainda. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. a Constituição. a de informação. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. Este fundamento é concretizado. A escravidão. o que pode levar a divisões irredutíveis. I). assim. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. de comunicação. 93 . a profissional. a de opinião. a sexual. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. 215 e 216) e dos meios de informação (art. 170). O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. justa e solidária (art. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. ao contrário. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. 17). Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. político (art. mas. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. Além do fundamento da República Federativa do Brasil.

mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. condição social ou qualquer outro requisito. o que significa dizer que na criação. não apenas por parte do Estado. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. dentro dos direitos sociais. mais importante. na medida em que procura representar um subconjunto. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. mas. cada vez mais. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Portanto. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. possui um caráter positivo. Portanto. possui um caráter negativo. seja por terceiros. em alguns casos. não como um fim em si mesmo. o acesso aos valores. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. mas também dos particulares. por outro. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. seja pelo próprio Estado. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. menor (minimizando o problema dos custos). Poder-se-ia dizer. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico.) imprescindíveis para uma vida digna. Assim. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. independentemente de usa origem. 94 . haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). o indivíduo não poderá ter uma vida digna. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. etc. mas um atributo que todo ser humano possui. moradia. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Por isso. à dignidade da pessoa humana. que seja efetivamente exigível do Estado. educação fundamental. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. sexo. por exigir uma abstenção. econômicos e culturais. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. A dignidade da pessoa humana não é um direito. e. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. ou para com a pessoa. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. Por outro prisma. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Esta acepção. Todavia. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. mas também a de que o Estado garanta. sua existência material. em um primeiro momento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. a todo e qualquer cidadão. ligada ao valor liberdade. ligada ao valor igualdade. Esta acepção. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. idade.

Têm caráter positivo e negativo. à participação política. Em sua maioria. .direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. . . ligados à liberdade.direitos prestacionais: são. . devido ao custo de serem prestados. basicamente. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos).direitos à nacionalidade (art. mas também no art. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. igualdade e dignidade. Em termos materiais. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. CR/88). . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. 6° e 7°). 12 e seguintes). A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. Exigem uma atuação positiva do Estado.direitos sociais (art. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. 95 . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. do qual são espécies: . consagrados no plano internacional. 6º ao 11. 5°. Em sua maioria. são os direitos individuais consagrados no art.direitos individuais. que divide os direitos fundamentais em: . pois surgiram em uma única época. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Assim. consagradas ao longo das constituições. CF/88. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. São direitos ligados à cidadania. Enfim. O Estado deve fazer escolhas trágicas.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos políticos (art. . Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. 6° e seguintes). 14 e seguintes). devido à escassez de recursos. a diferença básica se refere ao plano de consagração. estão consagrados em normas de eficácia limitada. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Visam proteger o valor igualdade. Essa classificação é legislativa. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. Têm um caráter negativo. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. uma constitucional e uma doutrinária. 5°. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. os direitos sociais (arts. portanto.

direito de comunicação. Por isso. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Exs: direito ao meio ambiente. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Não houve substituição de uma geração por outra. a autodeterminação dos povos (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. por exigirem uma abstenção. das gerações. e estas gerações coexistem atualmente. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. da solidariedade entre países ricos e países pobres. ao lado da 4ª. sobretudo de princípio programático). Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. São considerados basicamente como direitos coletivos. Estão ligados. 4º.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Como vimos. e geralmente em normas auto-aplicáveis. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Os direitos de defesa. e a dele é a mais cobrada em concursos). como a família. Têm caráter negativo. já os de 2ª geração não. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Ou seja. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. movimento encabeçado pelo proletariado. à autodeterminação dos povos. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. pois. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. XX. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Esta é a sua preocupação principal. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. diante da necessidade de cooperação. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. econômicos e culturais. Tais direitos têm caráter positivo. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. 96 . exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. enfim. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. então. XVIII. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Exigem uma ação do Estado. portanto. queria que ele respeitasse suas liberdades. Têm como objetivo. A 3ª geração. ao desenvolvimento ou progresso. Obs. igualdade e fraternidade (nesta ordem). → Igualdade: Direitos Sociais. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Vejamos quais foram as gerações. por exigirem uma prestação do Estado. a imprensa livre e o funcionalismo público. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. de 1789: liberdade. são direitos de caráter negativo. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. São chamados direitos civis e políticos. CR/88). diretamente à igualdade material. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. São basicamente os direitos individuais. os direitos prestacionais. segundo Jellinek). exigindo uma abstenção.

hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Paulo Bonavides.: quanto ao direito à paz. Aquelas instituem os direitos. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. as disposições assecuratórias. artístico. Quando se fala em pluralismo político. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. um pluralismo ideológico. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). → Globalização: direito à democracia. São também direitos transindividuais (em sua maioria. traz direitos ligados à pluralidade. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. caso violados. estas as garantias. mas há divergências na doutrina quanto a isso. na mesma disposição constitucional ou legal. um pluralismo cultural. Afora esta peculiaridade. os direitos de família. 97 .: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. Ao lado da vontade da maioria. Porém. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. à informação e ao pluralismo (D. as demais características são tratadas pelo prof. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. que seria a vontade da maioria. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. que são as que. quiçá quanto a 5ª. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. Ele preserva. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais.P. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. são direitos difusos). Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. o prof. ☺ADPF 132.). de conteúdo). o direito a adoção. Por isso o direito à democracia é tão importante. Ou seja. limitam o poder. ocorrendo não raro juntar-se. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Assim. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. ele tem uma importância muito grande. V. de ideologias políticas e partidárias. que alguns dizem trazer os direitos à internet. outros são difusos). que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. de orientações sexuais. Em uma ponderação. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. econômico. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. inclusive das minorias. ao analisar a Constituição de 1891. Os argumentos contrários a esta união.I. CR/88). conserva nossas identidades. com a declaração do direito”. em defesa dos direitos. etc. a fixação da garantia. Ele abrange um pluralismo religioso. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Além desse aspecto. esta alteração não foi feita em seu livro. Ou seja. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Esta geração de direitos advém da globalização política. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). Ex. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. como os previdenciários. 1º. e isso acaba por prejudicar as minorias. Quem tem o papel contra-majoritário.

Inalienabilidade: como são conferidos a todos.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. havendo. . na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. . se o direito garantido não possui alguma especificidade. a todos os seres humanos.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente.: direito de propriedade versus desapropriação). veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia).). Se são sempre exercíveis e exercidos.Universalidade: destinam-se. confronto. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. no caso concreto.Historicidade: possuem caráter histórico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. que só pode ser proposta pelo cidadão. HD. . 5º. . os apátridas e as pessoas jurídicas. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. . A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. ilegalmente preso. é claro. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.direito ao juízo natural (direito) – o art. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. muitas vezes. quando. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. como é o caso. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. como é o caso da ação popular. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional.. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. ou magistrado.: HC. Exemplos: . uma vez consagrado o direito. Normas positivas. por ex. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. coarctando. 5º. .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. Nada impediria. são indisponíveis. Obs.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. Deve-se observar. no caso concreto. ainda que não individualistas. XXXVII. O caput do art. os estrangeiros não residentes. através da interpretação sistemática. emite uma opinião (direito de opinar). portanto. Isso porque. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). conflito de interesses. ou caberá ao intérprete. de modo indiscriminado. nascendo com o Cristianismo. Contudo. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. conjugando-a com a sua mínima restrição. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. mas nunca a sua renunciabilidade. etc. . 98 . VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). decidir qual direito deverá prevalecer. juntamente.

eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. fática e juridicamente. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. pois. causando uma desfiguração no direito privado. 5º. mas o pressuposto do qual ela parte). mas. Assim. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. No entanto. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. ordem pública. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. então. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. etc. só trazendo relações entre o Estado e o particular. 99 . os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. não dependendo de legislação. Ingo Sarlet afirma que o art. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). 5º. Não se admitiria. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. §1º. fala-se. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. §1º. para isso. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). então. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. analisando caso a caso. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações.). Posteriormente. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram.

se exteriorizam.RE 158. .00 para R$ 86.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). contrato de adesão.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .) .RE 201. então. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. . tão somente pela falta de previsão.Resp. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão.RE 160. Deve-se aplicar tanto esta teoria. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. A jurisprudência. Segundo esta teoria. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. devendo sobre eles prevalecer. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.858.RE 175. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. . Se.HC 12. que não adota essa teoria). em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. aplica diretamente os DF às relações entre particulares.*RE 161. . Segundo Virgilio da Silva. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Assim.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Mas. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. a aplicação será indireta. ainda que esta regulamentação não exista. quando há uma relação de igualdade real na relação. esta teoria seria a mais adequada. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Para a realidade brasileira. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Os DF são expressados. não sendo necessária uma intermediação legislativa.☺RE 161. 249. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. Em contrapartida. é possível a sua aplicação com base na Constituição. através de princípios. houver uma desigualdade fática. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. mas ainda não há decisão quanto a isso. e. Espanha e Portugal. para que os princípios pudessem ser concretizados. etc.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. O juiz. mesmo realizando atividades idênticas. isso poderia causar uma série de problemas.: empregado e empregador. em geral. Se não houver uma previsão expressa na lei. E como os princípios são muito vagos. mas. de uma forma geral.24. . Ainda se trata de uma questão muito nova. como a segunda. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . Determinação de observância do Princípio da isonomia. A autonomia da vontade requer tal ponderação. muito abertos.243/DF. no entanto. .700. a proteção tem que ser maior.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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como DF é pressuposto dos demais direitos. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito.: esta segurança que o art. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. não há que se falar em não exercício). → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. 128. 5º. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. não há uma renúncia definitiva. CR. Por isso. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. 1º. Há dois entendimentos: 104 . O direito a vida. A renúncia é definitiva. caput. um outro direito fundamental. 5º. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. No caso do big brother. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. CP) a questão é um pouco mais polêmica. ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. abre-se mão temporariamente à privacidade. à segurança e à propriedade. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. à igualdade. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. ☺art. pois a vida é uma direito irrenunciável. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. à liberdade. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. XLVII. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Nos 78 incisos deste art. III e art. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. 170. é. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. pois. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. II. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Esta questão é bastante clara. também não pode ser renunciado. por óbvio. 5º. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. CR/88. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. um caso constitucional de violação de direitos. Porque o direito à vida é irrenunciável. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. Este pode ocorrer. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. Obs.

em razão do risco de morte intra-uterina. Ademais. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Para o direito brasileiro. então. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. mas sim interpretando a CR/88. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. a vida termina com a morte encefálica. CP não teria sido recepcionado pela CR. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. OBS. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. 128. O STF. II. é uma forma de tortura psicologia. A questão ainda está sendo discutida no STF. discutida na ADPF 54. . Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. o feto não tem a menor chance de sobrevida. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. sem o sistema nervoso central. como todos os outros. Se há dois argumentos defensáveis. segundo Canotilho. por isso. o Estado não deve impor condutas externas imperativas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. entendeu que. e. 128 (em 1940). ela é a única ação de controle abstrato cabível. a morte não decorre do aborto. já que na época em que foi feito o art. não haveria vida. já que o CP é anterior à CR. Se isso fosse possível. Nos EUA e na França. por 7 votos a 4. 128). mas sim da acrania. sabendo que ela vai morrer. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. E o direito à vida. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. 3) dignidade da pessoa humana. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. além de colocar em risco a sua própria vida. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. mas de modo geral).Direito à privacidade: 105 . é relativo. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. nas quais não se tem uma opinião moral definida. o STF não estaria legislando. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. portanto. o art. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. insuficiente para a proteção do direito. assegurando a autonomia da vontade.

a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. 5º. 106 . quebra de sigilo e interceptação telefônica. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Ex: Radares eletrônicos. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Ex. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. veremos cada um separadamente. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. por exemplo. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Então. O prof. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. CR. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. X. uma gravação feita clandestinamente. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. a restrição é legítima. maior a proteção a ser dada. Ex: matérias de interesse público. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. ela é ilícita. Questão de Concurso: Gravação clandestina. O direito de liberdade é maior. Neste caso. O direito a privacidade está consagrado. Ainda que não afete a honra. Não há que se falar em colisão. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Nesses casos. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. quando pratica um ato na condição de agente público. contra um chantagista. a honra e a imagem das pessoas. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. etc. Ex: policial federal recebendo dinheiro. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. a imagem pode ser usada num processo. Proteção da honra e da imagem. na verdade. 5º. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. sobretudo. não tem privacidade. contra um estelionatário. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. no art. Mas. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. os princípios da moralidade e da publicidade. em seguida. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. são direitos independentes. Numa gravação clandestina. Em regra. Logo. CR. X. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Se tiver gravado um crime. científico ou cultural. sobretudo. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. É gênero. Esta é excludente de ilicitude. é a esfera da vida privada. Se filmar uma passeata. vida privada. Será considerada prova lícita. de uma forma geral. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. não há violação à privacidade. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. histórico. É vedada pelo art. que se subdivide em: intimidade. O agente público. No entanto. a gravação é considerada lícita. 1. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. o direito à imagem foi violado. pois há uma excludente de antijuridicidade. Ao realizar essa ponderação. A esfera da publicidade não está prevista na constituição.

Ex: extrato de conta corrente. fiscais. o BB poderia quebrar o sigilo. Essa declaração. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. deve ter uma certa salvaguarda. XII. Dentro dela. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Ainda que se admita a criação de CPI municipal. essa decisão foi para um caso específico. São poderes instrutórios. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. que é uma exceção a essa regra. XII. Tem uma decisão do STF muito comentada. 58. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. A lei. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. X. Na Itália. 107 . 5º. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. informáticos. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. Essa exceção só confirma a regra. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Quem pode é só o juiz e a CPI. outros dizem ser pelo art. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. não há decisão do STF. O inciso X impede a gravação clandestina. Se ele quiser. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. como havia verba pública envolvida. 5º. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. O prof. por ex. etc. mas na decisão acima houve discussão a respeito. outros entendem que não há proteção. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. E o Ministério Público? Segundo o STF. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. De acordo com o art. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. 5º. está em vigor. a duração da chamada. O STF decidiu que. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI.). Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Dentro do próprio STF há divergência. de um cd room. ele não pode requisitar diretamente. 3. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Quanto às CPIs municipais. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Ele alegou a ilegalidade desse ato. naquele caso específico.. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. em ação cível originária. 2. Quando a CR fala em “poder de investigação”. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. ainda que não seja sigilosa. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. 2°) admite.: Podem existir várias outras exceções. CR. No entanto. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. § 3º. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. O Min. por enquanto. fiscal e telefônico. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Quando se quebra o sigilo telefônico. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Além do juiz. divulgaram todas as declarações na internet. já que não existe poder judiciário municipal. com base no princípio da simetria. falaremos da interceptação telefônica. não poderá quebrar sigilos. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Os jornais publicaram essas declarações.

também protege a privacidade. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. 5º. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Aliás. abrem-se todas as correspondências. XII. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. O art. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. seja pelo art. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. mas foi feita por um terceiro. a liberdade de comunicação. Não são admitidas para outras finalidades. Além dessas duas hipóteses. Nessas hipóteses. sobretudo. Em relação à comunicação epistolar. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Ela deve ser usada para situações excepcionais. será interceptação telefônica. X. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. pode haver restrições às comunicações telefônicas. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Com relação ao sigilo de dados. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Então. Para o prof. em determinadas hipóteses. 5º. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.. Quando se falou do método tópico problemático. Ela protege 4 formas de comunicações. segundo o prof. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. neste caso. por uma terceira pessoa. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. protege a liberdade de comunicações. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Porém. a Constituição não estabelece qualquer requisito. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. 5º. XII. Na prática. 5º. Para o STF. No entanto. não estaria protegido por esse dispositivo. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . seja pelo art. Se um souber. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. o sigilo poderá ser violado. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. os dados de informática em si não estão protegidos. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. o STF tem um entendimento que. Para o prof. O STF entende que com base o art. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. será gravação clandestina. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. mas. Em relação a essas. Se um souber. Na interceptação. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. segundo o STF. é equivocado. Mas isso não é a posição do STF. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Pois.. protege-se apenas a liberdade de comunicação.. já que protege-se a liberdade de comunicação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo.

Essa decisão foi recente (☺MS 27. XII. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Somente o juiz. pode determinar a prática desses atos. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Sem consentimento já é diferente. nem a CPI. Na jurisprudência do STF. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Se numa situação excepcional. A Constituição trata de 2 situações distintas. salvo o flagrante delito. se houver o consentimento de um dos moradores. essa lógica tem sido invertida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. nesses casos. imagine numa situação normal. O professor acha que há certo abuso neste caso. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. CF/88. Ela deve ser o último recurso. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. e mais ninguém. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Art. Além disso. prorrogáveis por mais 15). O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”.296/96. violado. LX: sigilo imposto a processo judiciário. não há falar em violação de domicílio. 2. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Nesse artigo. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. vejamos: a) Art. devemos analisar 2 situações diferentes. Então. Ex: crime dentro de uma residência. Pode ser que com os abusos recentes. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Durante o estado de defesa. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. 5º. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Se houver o consentimento. Ou seja. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. por nenhuma outra autoridade. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Nem mesmo CPI. Como é o meio mais fácil. Com o consentimento. XI: violação de domicílio. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. 5º. a entrada deve ser permitida pela empregada. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. LXI: possibilidade de prisão. 5º. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. e não pelo dono da casa. Com relação à inviolabilidade do domicílio. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. d) Art. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. • Prestar socorro 109 .483 – medida cautelar concedida nesse MS). seja durante o dia seja durante a noite. qualquer pessoa pode entrar. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Vejamos as situações: 1. Segundo o STF. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). o Min. c) Art. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. a polícia pode entrar. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. XII: interceptação telefônica b) Art. Recentemente. 5°. 5º. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição.

CP. a prova é lícita. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. porque a noite é o período de descanso. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Na maioria dos casos. hoje. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Só que o STF já proferiu decisões. quando o sol se põe é noite. não entra no conceito de casa. não entra em conceito de casa. É utilizado por JAS. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. o STF considera as provas lícitas por causa disso. 2. consultórios. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. mais tradicional. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. seja do dia seja da noite. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. na parte em que o público tem livre acesso. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. entre outros aposentos. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Segundo ele. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. E o carro? O prof. Quando o sol nascer é dia. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. 110 . se estiver vazio. mais adequado. Entra no conceito de casa. não poderá mais entrar no domicílio. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. compartimentos habitados. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Se entrar com o uso da força. entra no conceito de casa. ☺Art. estabelecimentos comerciais e industriais. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. pois se respeitar também o critério cronológico. onde o caminhoneiro dorme. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. não encontrou nenhuma decisão a respeito. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. prevista no dispositivo. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. entre eles Alexandre de Moraes. a casa pode ser invadida a qualquer hora. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. propõem uma utilização conjunta desses critérios. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. 150. por serem situações emergenciais. mas dos vizinhos também. a prova colhida será considerada ilícita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Se houver o consentimento do morador. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Segundo o entendimento do STF. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Ex: parte de trás do caminhão. Então. não só dos moradores daquela casa. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. compreende escritórios. que traz uma conceituação bastante extensiva. Alguns autores. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. 3. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo.

da constituição. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Para esses casos. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Uma vez dentro do estabelecimento. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. é necessário que ele seja: 1. idade. 7º. em situações diferentes. Objetivo 2. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Esse critério não é nenhuma discriminação. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. pois viola o princípio da isonomia. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. CF/88. Nestes casos. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. arbitrário. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. discriminatório. XXX. Quando se fala em princípio da igualdade. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. razoável e proporcional. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. XXX. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Se o critério não for objetivo. Ex: critério preconceituoso. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Não irá fazer concurso para homens participarem. cor e estado civil. Para que o critério seja constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Mas. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. 7º. justifica-se a altura. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . É a que está consagrada no caput do art. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. não significa que a lei não possa fazer distinções. 111 . mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Razoável 3. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. CR. 2. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. 5º. Esse critério é razoável. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial.

Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Mas. 112 . Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Para o professor. Visa uma redução das desigualdades fáticas. utiliza-se das ações. Não é uma forma de resolver o problema. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). o critério discriminador seria desproporcional. Essas ações não surgiram nos EUA. disse que está ligada à igualdade material. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Criaram-se outras ações afirmativas. mas é necessário analisar uma série de fatores. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. ☺art. aconteceu o contrário. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . a idéia que se tem é a redução de desigualdades. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. mas reduzir as desigualdades existentes. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. 3º. 5º c/c art. essas ações deveriam existir por 10 anos. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). No caso da Índia. O prof. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. e os desiguais de forma desigual. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Quando se fala em igualdade material. por exemplo. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. A tendência é que elas aumentem. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. Porém. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Dificilmente. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. O prof. Em princípio. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. e não à igualdade material. Segundo JAS. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. mas na Constituição Indiana em 1947. Então. igualdade e fraternidade. acha que esse argumento não convence.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. surge a questão relacionada às ações afirmativas. essas ações são constitucionais. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. seria igualdade material. Ex: Cotas para pessoas carentes. pois elas criam uma discriminação reversa. Isso é igualdade formal. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. A cota deve ser proporcional à população. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Para outros autores. e prolongaram as que já existiam. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Quando se fala em igualdade material. Se o Estado não proporcionar esses direitos. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. não haverá uma igualdade real. para tentar reduzir as desigualdades.

. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Portanto. 208. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. sem exceção.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. são destinatários do princípio da igualdade.favorece negros de classe média alta. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. Isso é uma questão de política pública. cientificamente falando. Então.em uma sociedade pluralista.fere o mérito. Além dessa eficácia. aberta. mas também para quem irá elaborar a lei. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. CF/88. Juridicamente falando. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. . pois já faz parte do próprio critério republicano.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. previsto no art. O problema é com relação à subjetividade do critério. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.medida imediatista e inapropriada. seja pelo governo. 113 . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. visa compensar uma dívida histórica. No Brasil. de saúde. .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada.Poder Legislativo. Eles foram libertados. . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. mas eles não tiveram oportunidade de escola. não sendo necessária essa distinção. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . A justificativa parece não ser inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. miscigenada e multicultural. . Eles não têm apenas a eficácia vertical. seja por particulares. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei.fomenta o racismo e o ódio racial . Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. quando se fala em destinatários.princípio da isonomia (discriminação reversa). Argumentos contrários: . . Apesar de ser uma relação entre particulares. tolerante. Poder Executivo e Poder Judiciário). atinge todos os poderes públicos . (18/06/09) Argumentos favoráveis: .

Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. o problema é dele. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Por que a Constituição. etc. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Não existem direitos absolutos. de expressar o pensamento. Questão de Concurso – Cespe: No art. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. em princípio. Protege a mulher. Basta ser um critério objetivo e para todos. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Mas. 5º. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Ex: Passeata para legalização da maconha.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. CPC – ação de alimentos. É constitucional? Sim. IV. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. para outros teria. a lei pode estabelecer distinções. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. e violou direitos de terceiros. em regra. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. As provas 114 . A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Se o sujeito será responsabilizado ou não. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Se a pessoa agiu de forma abusiva. ela pode ser responsabilizada. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. É livre a manifestação de pensamento. ela é constitucional. não deve ser estendida para os homens. Apologia ao crime é diferente disso. ele deve licitar. O homem não é a parte mais frágil da relação. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. é outra questão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. É uma denúncia feita anonimamente. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. segundo o professor. sendo vedado o anonimato. Não é um direito absoluto. ela pressupõe responsabilidade. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. 5º. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Logo em seguida. 100. Isso significa que. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. O particular não é obrigado. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. I. Logo. não teria sido recepcionado. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Ex: Lei Maria da Penha. Ex: art. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Para alguns. discriminatórias. mas apenas para as mulheres. Pode defender no plano das idéias. ela exerceu o seu direito. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor.

ou de não ter crença em nada. de crença e de culto. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Porém. O Estado brasileiro. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. ele não pode ser admitido. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. A liberdade de consciência é a mais ampla. não é o caso do Estado brasileiro. desde 1989 (advento da República). Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Em relação ao culto. Esta liberdade está consagrada no art. ela deve ser protegida. Para Habermas. deve ocorrer uma “tradução institucional”. 5º. Não se pode admitir que o parlamento. por exemplo. há 02 hipóteses em que o STF admite. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. O culto pode ser exercido em qualquer local. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Quando são produzidos pelo próprio acusado. Os templos recebem uma proteção especial. se não há qualquer identificação. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. com o advento da República. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Ex: seqüestrador escreve bilhete. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. CR. 3. A religião desempenha um papel fundamental. de ter crença. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. CR. VI. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. → Alguns temas polêmicos: 115 . O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Vejamos: 1. 2. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. desde que não viole o direito de terceiro. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. abrangendo a liberdade de crença. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. O dever funcional da autoridade é investigar. ainda 2. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. apesar de a maioria da população ser católica. 19. o equilíbrio das religiões. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Isso significa que. inclusive em lugar aberto ao público. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. O Estado deve manter-se neutro. Pode fazer um exame grafotécnico. I. então. houve a total separação entre Estado e Igreja. Garantir a simetria da liberdade religiosa. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. pedindo resgate. e. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. No Brasil não há uma religião oficial. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1.

imagine uma cidade pequena. .Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Entretanto. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. São feriados puramente religiosos. e o aluno optou a se matricular nessa escola. a escola não deve impor ao menino. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. que odeia guerra. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. então.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. CR. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. os argumentos religiosos não fazem parte da política. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. §1º. CR). O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Há um trecho do livro do Dworkin. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. VIII. e não à justiça do trabalho – ☺art. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Entretanto. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. O tribunal. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. Neste caso. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Na Alemanha. Para o prof. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. e cultura é competência comum – da União. Não teria sentido acabar com esses feriados. Pode um ateu. Sendo o Estado brasileiro um estado laico.. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. . b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. a competência é em relação à cultura. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Segundo o prof. 215. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. não poderia ser confessional. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. ocorreu um caso muito semelhante. §2º. a competência é da União. políticos e religiosos. são culturais. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. 210. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. a neutralidade do Poder Judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Mas. O 116 . CR). ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art.. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. onde se tem poucas escolas boas. fazendo uma ponderação entre os princípios. Portanto. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. há algumas ações. o argumento supracitado não está correto. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. É importante respeitar o ensino de cada um. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. 23. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. inegavelmente. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. 5º. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. estados e municípios (☺art. logo.

conforme portaria da ANVISA.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. ☺art. Ex: reunião de condomínio. Há. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). então. 5º. Segundo Jean Rivero. XVII e XXI. Não cumprindo com a obrigação. 2. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. ainda. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Criação de partidos políticos. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. XVI. mas direitos individuais de expressão coletiva. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Para que as pessoas possam se reunir. IV). Criação de sindicatos. existem 2 semelhanças e 1 diferença. as pessoas se reúnem e. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Se não houver essa lei. O prof. Por que a CR exige prévio aviso. Ex: fazer segurança. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. na forma da lei. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. A República é o governo das razões. (Não pode reunir pessoas armadas. Criação de associações e. 5º. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. desviar o trânsito. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. A pessoa alega imperativo de consciência. CR: Não é só a liberdade de se associar. terminada a reunião. não são os religiosos. ☺ art. etc. 4. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 5º.) 2. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. tem o caráter permanente. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. A associação. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). por sua vez. XVI. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. não é necessária a autorização estatal. 3. Caso não cumpra com a prestação alternativa. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. mesmo que em locais abertos ao público. essa hipótese é de representação processual. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. CR. mas a de permanecer associado. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Liberdade de reunião. o argumento deve ser racionalmente justificado. mas os políticos. 15. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. elas vão embora. Ex. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. CR. de cooperativas. 5º. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Quem fará a tradução não é a Igreja. XXI. JAS diz que não são direitos coletivos.

Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. 5º. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). 2. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. mas não pode ajuizar ADI. não precisando de autorização expressa. 8º. ilegítimas. 5º. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. 5º. o direito de propriedade pertence ao direito público. garante o direito de propriedade. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. A Constituição não garante o direito à propriedade. Há um outro entendimento que. XXII. não pode existir mais de uma federação por território. Segundo o STF. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. mas sim contrárias ao direito e. a função social. Segundo JAS. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. segundo o prof. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Ela só garante o direito de propriedade. O que acontece é que se não cumprir a função social. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. ter um patrimônio mínimo. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. se não for atendida. ☺art. III. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. no seu art. A associação impetra em nome próprio. em seu art. não impede que o direito de propriedade seja protegido. O sindicato (☺art. Ex: Invasões de terra pelo MST. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. por exemplo. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. pode ser dada numa Assembléia Geral. Se ele tem proteção. Segundo o STF. Função Social da propriedade: A CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. segundo o prof. Segundo o STF. é mais correto. do próprio regime desse direito. LXX. mas faz parte da estrutura desse direito. como a Constituição garante o direito de propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. ADC e ADPF. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. 118 . portanto. defendendo direito alheio. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). segundo o qual. tendo um menor peso na ponderação. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. Em seguida. Segundo ele. CR) quando ajuíza uma ação. É o entendimento de Daniel Sarmento. XXIII. não são legítimas essas invasões. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. a propriedade terá uma proteção menor..

Para atender a função social. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. a saber: por necessidade pública. §2º. CF/88: Trata-se de imóvel rural. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Vejamos: a) ☺art. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. 186.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. só haverá indenização se houver dano. O título deve ser entregue antes da desapropriação. b) ☺ art. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. A função social. Sempre que há requisição. há uma transferência compulsória da propriedade. VII). Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. A polícia requisitou determinadas propriedades. o proprietário não tem culpa. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Logo. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. É um aspecto lógico. Os principais aspectos são 2. como um apartamento. Como haverá indenização se houver dano. por utilidade pública. na desapropriação. diante de uma emergência. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. em regra. XXV) e as militares (☺art. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. §4º. uma escola pública. ou por interesse social. 182. a indenização será sempre posterior. No caso de requisição. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição.000 habitantes (§1°). A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. deve haver indenização? Não. CR. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. CR. deverá ser em dinheiro. Ex: caso de Eloá. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. mas sobre a propriedade em si. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. 182. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). Propriedade Urbana: ☺art. indenização por títulos da dívida pública). etc. por ser inerente ao direito de propriedade. a saber: a. 184. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. que deve ser prévia. justa e. Sempre haverá indenização. normalmente. Vejamos abaixo. Propriedade Rural: ☺art. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Na requisição. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Além do caráter absoluto. como decorrência do primeiro. 2. 5º. restringe o caráter absoluto. 139. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Desapropriação: Diferentemente da requisição. b. IPTU progressivo no tempo. ele não poderá ser prejudicado. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção.

. . 5º. Obs. A Constituição não permite – ☺art. prévia e. regra. paga em dinheiro). §5º. Nesse caso.o morador não pode ter outro imóvel. Se ele tiver outro imóvel. Necessidades permanentes da sociedade. São imunes a impostos (☺art. sejam urbanos ou rurais. 2. no máximo. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. o imóvel deve ter. . os bens serão confiscados – art. precisa recorrer ao judiciário). Na CR. 191. em Indenização posterior se houver dano.: Imóveis públicos.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. não precária. Só não podem ser para fins de reforma agrária. por ter prazo menor. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). no máximo. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. PU. ininterrupta. Só que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . É sempre indenizável (justa. seja urbano ou rural. Se ela é produtiva. Usucapião: Na Constituição da República. Vejamos: . etc. não podem ser adquiridos por usucapião. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. sem oposição. CR). 50 hectares. pacífica. 120 . 184. Requisição Refere-se a bens e serviços. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. 185. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. parágrafo único. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). 3. Confisco: No Brasil. 243 da CR. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. Necessidades transitórias.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. 250 m2. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. emergências da sociedade. é porque ela está cumprindo a sua função social. 183. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. CR). §3° e art. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). .Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. 243. CF/88.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). não há pagamento de indenização. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. possuir o imóvel como se fosse seu. O confisco de propriedade está previsto no art. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Para esse fim. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). Como o confisco é uma sanção.). b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. etc. autônomo. A lei interpretativa retroage. mas que vale especificamente para o direito tributário. Durante a vigência desse contrato. Alguns a interpretavam de maneira (A). No direito penal. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. Todas as demais o consagraram. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. ato jurídico perfeito e coisa julgada. interpretando a lei da maneira (A). desde que seja mais benéfica para o réu. na verdade. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. 5º e no art. Em regra. a lei interpretativa retroage. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. As hipóteses mais importantes são: 1. 3.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. mas deve respeitar a coisa julgada. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Retroatividade da Lei Penal. é necessário diferenciar duas situações. não era muito democrática). 5º. CR). Para responder a essa questão. é uma conjugação das duas anteriores. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. inicial. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. não. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. XXXVI. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. outros a interpretavam de maneira (B). só que exclusiva para o direito tributário. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. 2. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. média e mínima. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. a CR/88 entrou em vigor. Em resumo. A garantia existe para a proteção desse direito. a regra também é a não retroatividade (art. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Seria correspondente à primeira hipótese. b) Retroatividade benigna. XL. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). 5º. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. a saber: 1. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. 106. Esta hipótese é.

. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. É claro que isso não é desejável. Nesse caso. . Se a Constituição atingir essa prestação. e não as parcelas que compõem o vencimento. mas isso está superado. Ex: Determinada prestação. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Ex. Na retroatividade máxima. porque geraria uma insegurança jurídica. É claro que isso não é desejável. Havendo mudança de regime jurídico. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. no caso de retroatividade mínima. ela afeta a todos. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. extintas. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Só que para haver essa retroatividade. a Constituição da República entrou em vigor. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. A EC poderia prejudicar direito adquirido. Antes de a prestação ser paga. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. haverá uma retroatividade média. Após a Constituição de 1988.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. STF. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. 2. → Coisa julgada: 122 . porque geraria uma insegurança jurídica. e não o ato exaurido. através de norma de eficácia plena. ☺Súm. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. automaticamente. . Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. de acordo com a legislação da época. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. É o ato que está apto a produzir os efeitos. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. não há posição prevalecente. As parcelas podem ser reduzidas e. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. será necessário que a Constituição diga expressamente. O prof. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. interpreta a lei em sentido amplo. haverá uma retroatividade máxima. Não pode haver a redução. 473. Só que para haver essa retroatividade.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. até mesmo. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Portanto. 654 e Súm. em regra. inclusive as de ordem pública. e não lei em sentido restrito. 5º. coisa julgada e ato jurídico perfeito.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Se mudar o real. b) Retroatividade média: pode ocorrer. . portanto.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. mas as leis não.

exigem uma atuação positiva do Estado. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. No art. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. Ou seja. para dar decisões concretizando tais direitos. Em cada época. à medida que a sociedade o determine. Direitos Sociais: 1. em regra. em sua maioria. A administrativa não tem essa proteção. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Por isso. são NEL (de princípio programático). e pelo Min. ou seja. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. de sociedades pluralistas. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Os direitos de defesa são. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. Eros Grau. §1º. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Mas isso não é verdade. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. e isso para muitos é um ponto negativo. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. ambos eleitos pelo povo de forma democrática.. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Já os direitos sociais. por ex. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. como doutrinador. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. independentemente da sua natureza. . Os princípios. e não propriamente como ministro).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. §1º. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. consagrados em NEP ou NEC. 5º. do seu enunciado. 5º. 2. mas é apenas a coisa julgada judicial. Eficácia: todo direito tem um custo. pois são mais facilmente implementados. . mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais.: salário mínimo). Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. são mandados de otimização.☺art. nós deveríamos interpretar o art. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. b) o art. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . 7º. Assim. segundo Robert Alexy. o que significa que possuem um caráter positivo. independentemente de qualquer fator. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. como teórico do direito (ou seja. 5º. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Dirley Jr.

Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. só porque recorreram ao PJ. Obs. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. quando foi dado um maior papel ao PJ. por ex. rodovias. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. Primeiramente. Assim. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes.000. não geram direitos subjetivos. é importante definir tais critérios. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. implicitamente. Argumentos contrários à intervenção judicial: . A visão do juiz é bilateral.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Esses direitos sociais não teriam. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. pois. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. etc. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Como têm apenas eficácia negativa. trabalho. essa atuação talvez não seja tão justa. Pedro Taques). para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. O que se busca. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. legítimas (saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve).Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Quando se fala em direitos sociais. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. . doutrinador do RS. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. pois. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. todas. normatividade. . as normas possuem uma textura aberta.). que estamos buscando. Esse entendimento já foi superado. em tese. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral.). educação. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. lazer. por ser norma programática. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. 3ª fase: é a fase desejável. Norma de direito social não gera direito subjetivo. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. segurança. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. Em outros lugares. previdência. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. Portanto.000. Por isso. assim. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. por ex..

já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. eles acabariam sendo inviabilizados.Caráter normativo da constituição. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. em razão das limitações orçamentárias existentes. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Não é o entendimento que prevalece. em 1972. inclusive a minoria. Se não se estabelecer os critérios. De se ver que quando se fala em direitos sociais. saber se a demanda é razoável. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). o outro cresce. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Ademais.A democracia não é apenas vontade da maioria. não se encaixaria na realidade brasileira. segundo Ingo Sarlet. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . É preciso. Assim. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Os direitos sociais estão consagrados em normas. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). mas a todos que se encontrem na mesma situação. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. . Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Esses argumentos são os que devem prosperar. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. 125 . a democracia tem também um aspecto substancial – todos. A reserva do possível. Mas. sufrágio universal. eleições periódicas. em razão do Princípio da Igualdade. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). e é muito utilizada no Brasil. . estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. Se um poder se encolhe. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. . Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. ou seja.Déficit democrático das instituições representativas. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. teríamos a maior utilização das ações coletivas. por isso. entra-se muito nas questões ideológicas. pois. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. no que diz respeito aos direitos sociais. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.

mas teria um peso maior na ponderação. etc. quando se estabelece o mínimo existencial. maior o risco de não ter efetividade. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. Se não definir o conteúdo. Ou seja.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. que existem z pessoas na mesma situação. em razão de sua textura aberta. a questão da efetividade será prejudicada. Por que falamos em “mínimo”. depende de cada época e de cada sociedade. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. pelo cumprimento voluntário da constituição. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). saúde. A reserva do possível é uma matéria de direito público. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. em 1953. é o mínimo existencial. No Brasil. Vejamos: 1. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. que é a corte suprema na Alemanha. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Assim. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. por ser necessária para a 126 .“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. é o entendimento mais adequado. mas deve também ser provada. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Não é o máximo desejado. Outros autores já falam apenas em saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada.. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. educação e moradia. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. da liberdade material e do princípio do estado social. . 2. que a demanda custa y. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. A efetividade passa pela sociedade. essa concretização. . O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Segundo Ana Paula de Barcellos. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. assistência em caso de necessidade. Segundo o prof. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Segundo Ricardo Lobo Torres. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. precisam ser concretizados. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo.

Há dois posicionamentos quanto ao tema. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. língua. CR). 5º. de acordo com a necessidade. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. fazem parte da população brasileira. independentemente da nacionalidade. da máxima efetividade (art. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. segundo ele. 127 . Por isso. pois. assim. só ampliado. JAS. e do Estado Democrático e Social de Direito. esse prazo não pode mais ser reduzido.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. haveria um engessamento do legislador e do PE. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. da dignidade da pessoa humana. históricos. não pode haver uma redução dessa concretização. População está relacionada ao conceito demográfico. Pode. o que prejudicaria a sociedade. e. entre eles: laços culturais. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. já dizia algo muito semelhante. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. ao estudar as normas de princípios programáticos. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. 2) posicionamento de um autor português. irão concretizar os direitos sociais. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. um pensamento mais flexível sobre o tema. estatístico. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. haver uma redução do grau de concretização. Os poderes públicos. Ex. costumes. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. consciência coletiva. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. A partir do momento que um direito social é concretizado. passaria a fazer parte do próprio direito social. fala-se em vedação do retrocesso social. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. Todos que moram no Brasil. que significa nação. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. §1º. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. Segundo ele. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. Ele tem.

a). os pais têm que ser brasileiros. . a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. De acordo com o critério sanguíneo. Obs. 12. II) Naturalização expressa (art. art. não haver condenação penal e requerimento do interessado. . b). por uma questão de soberania nacional. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. Neste caso. estrangeiros residentes. c. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. Refere-se aos brasileiros naturalizados. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). o filho terá nacionalidade brasileira. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. de acordo com o art. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. se não se manifestarem contrariamente. adquirem a nacionalidade do país onde residem. É o caso do Brasil. É geralmente adotada por países que estão em formação.815/80. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. A EC 54 alterou o art. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Refere-se aos brasileiros natos. Pelo critério funcional. terá naturalidade brasileira. 12. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 12. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). não há direito público subjetivo. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. desde que haja reciprocidade. 12. há direito público subjetivo do estrangeiro. considera a nacionalidade dos pais. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Se o casal estiver a serviço de outro país. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. I. 227. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional.Diferenças de tratamento 128 . I. 112 e 115. §6°. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. CF/88. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Quando a pessoa é nascida no Brasil. 12.Quase nacionalidade (art. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. I. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. II) Jus Sanguinis: ascendência.

5°. Mas. só poderá ser extraditado: . pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. CF/88): 129 . a ela aplica-se a súmula 1. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Expulsão: consiste na retirada a forca. §2°.815 (ato nocivo ao interesse nacional). a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Princípios relacionados à extradição: . presidente do SF. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. no entanto. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. não se poderá invadir esse estado. vice. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art.linha sucessória do presidente da república: PR. . . em razão da soberania nacional. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente).segurança nacional: oficial das forças armadas.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. portanto. em razão da superioridade da Constituição.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. cria-se um problema de relação internacional. CF/88).se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. . Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. Os critérios utilizados são: . . 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. Na extradição. 12. Se o estado desrespeita essa regra. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. do território brasileiro. Mas. . A deportação está mais próxima da expulsão. Importante analisar a Súmula 421. ou que tenha filho brasileiro.Perda da nacionalidade (art. presidente da CD. Já na entrega. No caso de brasileiro naturalizado. 12. b) 6 assentos do Conselho da República (art.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. 65 da lei 6. XL. 12.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. §3°). confundir a súmula acima com a seguinte. §4°. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. 89. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. d) Extradição (art. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. 5°. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). Não se pode. dependente da economia paterna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. 5°. .

é periódico: essa periodicidade do voto.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). one vote”. é o direito político em si. Além dessas características do voto.é direto: é a regra. o sufrágio censitário (ex. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. na forma da lei (que ainda não existe). 14. Características que o voto possui no Brasil: . Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos.tem valor igual para todos: “one man. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. . ou seja. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). voto é o exercício desse direito. salvo se por meio de ação rescisória. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. Para JAS. 81. 14.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Servem ao controle do próprio direito. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. A CR/88 adota o sufrágio universal. Direitos Políticos: . pelo CN. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. 130 . há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. salvo nos casos das alíneas a e b. . São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. com a realização de eleições periódicas. nacionalidade e alistamento. é o direito de votar (e não de ser votado). one vote” – “one person. caput). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). e não requisitos preconceituosos. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). São requisitos apenas técnico-formais. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. com uma única exceção: art. perderá a nacionalidade brasileira. §1º. . que exige uma alternância de poder. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). §1º). . Só se aplica ao brasileiro naturalizado. inclusive sendo cláusula pétrea. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima.

☺§3º. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. §1º). 14. que geralmente admitem desincompatibilização. Quando a Constituição fala apenas em lei. ou seja. domicílio eleitoral na circunscrição. §3º. §8º). salvo se já titular do cargo. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. até que se atinja a plena cidadania. do art. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). dentistas. 14). a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. a inelegibilidade em relação aos militares (art. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. filiação partidária.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. §7º . §3º? Segundo o STF. assim. trata-se de lei ordinária. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. Além dessas condições relativas à idade mínima. ela é adquirida progressivamente. 14. ☺ar. se houver reciprocidade (art. 14. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . 14.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). Ex. em caso de reeleição. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos.é conhecida como inelegibilidade reflexa. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). . no caso do art. 14. No Brasil. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). com exceção dos portugueses equiparados. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). no governo de SP). etc. §5º . farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. é o direito da pessoa ser votada. . a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). 14. Assim. 14 traz um questionamento. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. então. ou seja. Mas o §9º do art. 12. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. os inalistáveis são os estrangeiros. Primeiramente.

mas o prof. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. portanto. Kildare. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. 5º. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. 15 (incisos II. 15. VIII). A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. Com base nessa distinção. 132 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). o prof. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. nos termos do art. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. A doutrina (JAS. Todas as outras hipóteses do art. é algo temporário. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. e quanto a isso não há divergência doutrinária. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. III e V) são hipóteses de suspensão. 15. I. não há como readquirir os direitos políticos). Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. seus parentes também poderiam ser candidatos.