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Marcelo Novelino. Direito Constitucional

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  • Objeto:
  • Constitucionalismo:
  • Evolução do Constitucionalismo:
  • Constitucionalismo e Soberania Popular:
  • CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:
  • Concepções de Constituição:
  • Aspectos conclusivos:
  • Classificações das Constituições:
  • HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Supremacia da Constituição:
  • Hierarquia dos Tratados Internacionais:
  • Lei Ordinária X Lei Complementar:
  • Lei complementar Lei ordinária
  • Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:
  • CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:
  • Conceito:
  • Parâmetro ( normas de referência):
  • Formas de Inconstitucionalidade:
  • Formas de Controle de Constitucionalidade :
  • 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:
  • a) Preventivo:
  • b) Repressivo:
  • 4.2) Quanto à natureza do órgão:
  • 4.3) Quanto à competência:
  • a) Difuso:
  • b) Concentrado:
  • 4.4) Quanto à finalidade:
  • a) Concreto:
  • b) Abstrato:
  • e concreto
  • Formas de Declaração da Inconstitucionalidade:
  • 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:
  • 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:
  • 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:
  • 5.4) Quanto à extensão da declaração:
  • Exercício do Controle Jurisdicional:
  • 6.1) Controle difuso-concreto:
  • d) ADI no STF e ADI no TJ:
  • 6.2) Controle concentrado-abstrato:
  • Atuação do PGR:
  • Atuação do AGU:
  • Amicus Curiae:
  • Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:
  • Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:
  • Efeitos da decisão de mérito no MI:
  • Controle Concentrado-Concreto:
  • RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:
  • PODER CONSTITUINTE
  • PODER CONSTITUINTE ::
  • Conceito e finalidade:
  • Natureza:
  • Titularidade do Poder Constituinte:
  • Poder Constituinte Supranacional:
  • Espécies Tradicionais:
  • A) Poder Constituinte (Originário):
  • B) Poder Constituinte Decorrente:
  • C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):
  • Direito Adquirido:
  • Reforma x Revisão:
  • HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:
  • Introdução:
  • Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:
  • (hermenêutica constitucional)
  • Métodos de Interpretação da Constituição:
  • I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):
  • II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):
  • III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):
  • IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):
  • V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller):
  • VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):
  • Interpretativismo e não interpretativismo:
  • Elementos do Sistema Normativo Constitucional:
  • Postulados Normativos de Interpretação:
  • Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:
  • Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:
  • PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:
  • Natureza Jurídica:
  • Preâmbulo como diretriz hermenêutica:
  • APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
  • Classificação das Normas Constitucionais - JAS:
  • Classificação de outros autores:
  • NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:
  • Revogação:
  • Teoria da Desconstitucionalização:
  • Teoria da Recepção:
  • Constitucionalização Superveniente:
  • Repristinação:
  • Mutação Constitucional:
  • Graus de retroatividade da norma constitucional:
  • PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
  • Funções dos Princípios Constitucionais:
  • Princípios Estruturantes:
  • Princípio Republicano:
  • Princípio Federativo:
  • Princípio do Estado Democrático de Direito:
  • FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:
  • Soberania:
  • Cidadania:
  • Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:
  • Pluralismo Político:
  • Dignidade da pessoa humana:
  • DIREITOS FUNDAMENTAIS:
  • Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:
  • Classificação dos Direitos Fundamentais:
  • Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:
  • Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:
  • Natureza dos Direitos Fundamentais:
  • Características dos Direitos Fundamentais:
  • Eficácia e Aplicabilidade:
  • Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:
  • Limite dos limites:
  • Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:
  • DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:
  • Direito à vida:
  • - Direito à privacidade:
  • Princípio da Igualdade:
  • Direitos ligados à liberdade:
  • Direito de propriedade:
  • Direito de segurança jurídica:
  • Direitos Sociais:
  • Direitos da Nacionalidade:
  • Direitos Políticos:

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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por seu turno. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. do estado e das instituições democráticas. no fundo. 4 . a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. enfeixado na Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. o americano e o francês. em sentido jurídico. os fins socioeconômicos do Estado. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Tem-se utilizado. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. Numa vertente mais restrita. e que se encontra acima dos detentores do poder. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. E para isso. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. Kildare Gonçalves Carvalho. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. e. então. o local e a época. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. uma teoria normativa da política. assim. como sociológica: “em termos jurídicos. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. em especial limitar o poder arbitrário. Partindo. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. mas proteger direitos. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. sociologicamente. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. É. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. numa terceira acepção possível. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. a defesa da Constituição. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Neste sentido. mas também de outros assuntos. reporta-se a um sistema normativo. O conceito de constitucionalismo transporta. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. Numa segunda acepção. um claro juízo de valor. como o inglês.

as Fundamental orders of Connecticut de 1639). A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). (Livro do Alexandre de Morais). Hoje. Atribui competências aos três poderes. Foi a mais avançada forma de governo. Grécia antiga: democracia constitucional. 1. b. a. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. ii. 2. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. porém. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. após a Independência das 13 Colônias. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. e da França. Garantia jurisdicional. desde logo. fases pelas quais passou a constituição. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. em 1787. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Roma: idéia de liberdade. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. em 1791. A democracia é a representação da vontade da maioria. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Influenciaram o direito francês e americano. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Governo limitado. Foi a 1ª experiência constitucional. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. se contrapõe ao absolutismo. Estabelece as regras do jogo político. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. b.surgiu em substituição ao governo dos homens. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. d. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Por isso. como e até onde pode mandar. c. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Estado Hebreu: estado teocrático. integram-no.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. • Separação dos poderes. • Princípio do governo limitado. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. quem. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Como ressaltado por Jorge Miranda. ii. a partir da Revolução Francesa. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Igualdade (dos cidadãos perante a lei).

Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. b. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. estabelecidos pela Constituição. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. b. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Separação de poderes. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Constituições da democracia marxista ou socialista. Começou a se falar em um direito moral. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Constituições da democracia racionalizada. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Todos os poderes constituídos (PL. os costumes 6 . A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. ou seja. Constituições de países subdesenvolvidos. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. a maioria da nação. d. diretrizes. havia regras. Idéias principais: i. ligada à idéia de liberdade. c. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Força normativa da constituição: antes. Ex. O Estado é um meio para atingir determinados fins. estabelecendo diretrizes. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. sem força vinculante. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. O ser humano é um fim em si mesmo. XIX. as quais são denominadas por pós-positivismo. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. PE e PJ). Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Eram apenas uma diretriz. Segundo a tradição francesa. a. A partir dessas novas idéias. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. na época das Revoluções Liberais. direitos fundamentais. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. aplica-se a analogia. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. as constituições tinham caráter mais político. Rússia. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Hoje. XX). estarão subordinados a ela. 3. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. 4. Constituições da democracia social. foi o Abade Sieyès. ii. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Garantia de direitos. Novas idéias foram surgindo. c.

b. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. aplica-se a regra específica. é o juiz. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. é o judiciário. Participação. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. d. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Para Paulo Bonavides. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Ele atua como legislador negativo e positivo. Hoje. Os princípios. cotas em universidades.  Aplicação direta da constituição. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. união homoafetiva. c. Continuidade. há uma euforia dos princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). verticalização. aborto no caso da acrania. Quando o legislativo é fraco. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. espuma do chopp.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Na jurisprudência do STF. Eles são importantes. Para Barroso. de uma forma geral. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Consenso. tratado internacional tinha status de lei ordinária. • • 5. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Verdade. Hoje..  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). demarcação de reservas indígenas. etc. fidelidade partidária. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. 7 . e. etc. são aplicados através de ponderação entre os princípios. pois esta é a concretização de um princípio geral. Universalização. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Na Itália. Teoria Concretista Geral. Entre uma regra específica e um princípio geral. mas quem dirá o que ela é. o judiciário aumenta sua força. f. A aplicação da norma se dá pela subsunção. Ex. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. g. Solidariedade. os princípios. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Não se aplica diretamente a constituição. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Integração. Mas essa é uma posição muito radical. Constitucionalismo do futuro. que é aplicada mais às regras.

Vale dizer. Podemos falar. nos termos desta Constituição”. Petition of Rights de 1628. de soberania popular. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). 1º da Lei 9. Contratos de colonização. pertinentes. Habeas Corpus Act de 1679. de acordo com o art. Compact (1620). concretizando a soberania popular. portanto. II e III. o exercício deste poder. mediante: plebiscito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Como regra. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. dá-se através dos representantes do povo. referendo e iniciativa popular”. O titular do poder é o povo. Assim. Fundamental Orders of Connecticut (1662). que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. a solidariedade. a participação. CR). Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . 1º. 14. 46. I. o P. então. nos termos deste lei e das normas constitucionais. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. de forma expressa. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. CR) e. segundo o art. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). verdadeiro sistema híbrido. com valor igual para todos. a verdade. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. cujo titular é o povo. por intermédio de seus representantes. a continuidade. Act of Settlement de 1701. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. CR. que. caput. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa).U. Bill of Rights de 1689. Carta outorgada por Carlos II (1662). que são os deputados federais (âmbito federal).709/98 (que regulamentou o art. do art.

que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. caso contrário.: art. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. As leis constitucionais são todo o restante. A conferência realizada por ele. Esta é a concepção que hoje prevalece. PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). quando não corresponde à Real. Constituição e leis constitucionais são. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). mas apenas leis constitucionais. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. Essas normas são programáticas. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. 1°. é vinculante e obrigatória. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. O art. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. ou seja. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. com exceção do Preâmbulo. a Constituição é norma pura. na política ou na filosofia). pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. o restante. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. o caráter normativo e vinculante da Constituição. que adota o conceito decisionista de constituição. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. Toda a Constituição. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Segundo ele. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. Esta concepção atualmente é inadmissível. que surgiram com as constituições mais prolixas. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. Para entender tal concepção. os direitos fundamentais. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. A Constituição Escrita. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). portanto. → Segundo Hans Kelsen. têm a mesma forma de elaboração). §2º. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. conforme o prisma de análise. na sociologia. PL. a que Carl Schmitt chama de Constituição. como por ex. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. 242. para ele. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. não passaria de uma simples “folha de papel”. mas materialmente distintas. ou seja.. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM.

a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. . condicionante desta mesma cultura. Ou seja.Finalidade. ela não existe na realidade. não introduz nenhuma novidade. neste sentido. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). qual seja. 10 . posta pelo Estado). não está escrita. é uma norma pressuposta. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. mas que trata de todos os aspectos. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). por isso não tem nenhum expoente específico. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. é a Constituição escrita (CR/88). Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Seu único comando. . a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. A CR/88. todos os setores da vida social. segundo esta concepção. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. modificando-a. Gilmar Mendes). ao mesmo tempo. é um elemento conformador.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. quais sejam: . e também jurídico. . só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. é: todos devem obedecer a Constituição. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é apenas uma pressuposição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. . seja pela introdução de novos elementos através de emendas. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). define tais elementos estruturais. portanto. a Constituição tem sim fundamento sociológico.Território.Povo.Soberania. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal.

trata-se de modalidade anacrônica. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. tem também vários documentos escritos. 1967. a constituição não se torna democrática. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. de uma só vez.. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. . intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. ou variadas): ex. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. . dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.democrática. a Constituição Inglesa. promulgada. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia.não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. quem vota a matéria são as lideranças. o apelido de “Cartas Constitucionais”. há pouco espaço para se ter costumes como regras. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. surge em um só momento. 1937.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. Ex. Constituição Espanhola/1930. podendo ser: .não codificadas (ou legais. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. É uma aprovação simbólica).: as constituições outorgadas recebem. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. 11 . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). toda Constituição histórica é costumeira.dogmática: sempre escrita. como por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. Nesse caso. . . votada. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. não surge de uma só vez em um só momento.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). por ex. é fruto das idéias. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). e como é bastante prolixa. Obs.outorgada: é a constituição imposta.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. . 3) Quanto à origem: . No Brasil. pois toda constituição é escrita e não-escrita. Por isso mesmo. de maneira unilateral.. consuetudinária (não é escrita). 4) *Quanto ao modo de elaboração: . por alguns estudiosos. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). as constituições outorgadas foram as de 1824. . O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas.

6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Constituição Inglesa. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Ex. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Em 2000. portanto muito difícil de serem modificadas. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . mas sim o processo mais dificultoso. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. CR). sendo assim.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. ou seja. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). sucintas.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. .semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. inclusive a CR/88). mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. . independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais.: art. Como se submete a esse tratado internacional. como é o caso da CR/88. É uma classificação típica das constituições costumeiras. É uma constituição em sentido material. passou a haver hierarquia entre as normas. Ex.fixas: não poderiam ser modificadas. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. Ex. Não existe controle de constitucionalidade das leis. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. deixou de ser considerada flexível. . Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. São chamadas também de clássicas.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . sem se preocupar com os detalhes. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. . (Obs. 1º. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.: a Constituição dos EUA). É uma constituição em sentido formal.) . Por este motivo. .

União. 3º. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. porque é fruto de várias ideologias. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). (processo legislativo). Pactuadas (ou pactuais). Canotilho. 59 e segs. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. pois valem a todos os entes federados. Constituição programática (ou dirigente). Flexíveis (ou plásticas). Semi-rígidas (ou semiflexíveis).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. . QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. codificada. dogmáticas.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). o Estados. Constituição em sentido formal. como por ex. costumeiras ou consuetudinárias). Característica das constituições clássicas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Não-escritas (inorgânicas. Fixas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: art. dogmática. básicas ou clássicas). Rígidas. o DF. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. CR. É a CR/88. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. OBS. prolixa. democrática. sucintas. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). o União. votadas ou promulgadas). e não de apenas uma ideologia. Democráticas (populares. mas sim uma obrigatoriedade!). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Históricas. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Ex. 13 . que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). rígida (ou super-rígida). que surgiram com um objetivo pré-definido. o Municípios. Ecléticas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. formal.: art. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. sumárias. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. → Considerando algumas das espécies supramencionadas.: a CR/88 é ainda Eclética.

Para que exista supremacia formal. as derivadas (art. cujo fundamento de validade são as leis e. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. princípios ou regras. DL e Resoluções – ☺art. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. No entanto. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . as medidas provisórias. tem de ser. 59. distritais e municipais. basicamente. direitos fundamentais ou não. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. porque os princípios têm maior amplitude. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. encontram-se as normas constitucionais originárias. ordinárias e complementares). Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. a Constituição tem que ser rígida. se tiver também supremacia formal. que existem como complementação dos ANP). → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. obrigatoriamente escrita.343/SP. §3º). as leis delegadas. a Constituição. que a CR/88. No topo. por ser rígida. II a VII). Leis Delegadas. 59. estaduais. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. por 3 níveis hierárquicos. 5º. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. para fins de controle de constitucionalidade. 59. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. MP. sejam elas originárias ou derivadas. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. uma Constituição só possui relevância sociológica. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. LC.: decretos e regulamentos. CR). enquanto as regras são mais específicas. Importa dizer. o indireto.

61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Reservada pela CR/88. No entanto. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros).☺Art. é sempre o mesmo número ☺Art. 69.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada.status constitucional. No caso da prisão civil por dívida. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Leis delegadas. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Anotar como complemento posteriormente. Não varia. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). por uma questão de economia legislativa. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Lei ordinária Art. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). É variável porque depende do n° de parlamentares presentes .☺Art. Essa aprovação não é obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . 47. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. a previsão constitucional exige complementação. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. 47 é a regra geral. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. Portanto. OBS: O art. MPs. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. 69. mas somente uma recomendação. que regula a LC. Quando não exigir LC. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Por ser uma matéria reservada. Residual.

há hierarquia. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). CR. conforme previsto no art. assim. pois não está ligada diretamente à Constituição. 21. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). d. Havendo conflito (ex. não cabe ADIN.: lei estadual trata de matéria de competência da União). A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Assim. 16 . A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. 102. 25. como o controle exercido será de constitucionalidade. Assim. Parei aqui. 30 (assunto de interesse local). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. E. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. a competência para resolução é do STF. no caso de repartição vertical. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. • União – ☺Arts. DF). Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. • Estado – ☺Art. ☺Art. Hierarquia entre Lei Federal. III.

. . deve estar inserida no texto da CR. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. . 17 . inclusive os princípios implícitos também podem – ex. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). seja uma norma de referência para ele. Abrangeria não somente a constituição.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. tem função interpretativa). quando são equivalentes às EC. Tirando o preâmbulo. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. Como não tem caráter normativo. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. contudo. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. os TI de direitos humanos. Não existe. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. o CDC. portanto. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. Assim. Refere-se.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. visando assegurar a supremacia da constituição. mas também o preâmbulo. como para Canotilho. etc. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). é diretriz hermenêutica. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. ou seja. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Com a EC/45. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. b) Parte permanente = normas gerais – arts. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco.

Assim. pois. Não Auto-aplicável. se considerar em relação a uma expressão é total. Ex. mas o prof. há uma divergência na doutrina. 3. 5. aliás. Ou seja. Ex. Não Auto-executável. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. 3. ou seja. (Obs. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). . diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. ou seja. No STF. Ex. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. AIO. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. Obs. 61. MI. CR). b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. STF não é mais aplicada. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex.de princípio programático. as Súm.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. quando não é respeitada uma norma de competência. ADI. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. §1º. não será cabível mandado de injunção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. Assim. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. A omissão parcial nada mais é que uma ação. ocorre.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. 3. Formas de Inconstitucionalidade: 3. o Min. não pode ser suprido pela sua sanção).3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental).de princípio institutivo (Obs. Dependem do prisma de observação. ADC e ADPF. 5° a 17).: competência privativa do PR (☺art. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. 18 .Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Pode ser: . I – que exige LC para instituir impostos residuais).: a Súm. 4 e 5. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. 154. .1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. às vezes.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. mas caberá ADIN por omissão). Aqui. e Não Bastante em Si. art.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma.

a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. 3. Para o prof. decretos regulamentares. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. como altera sentido do texto. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Pode ser: b.: a palavra “não”. todo parágrafo. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. o decreto se torna inconstitucional. que se ligam indiretamente à constituição. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). a inconstitucionalidade será indireta. no controle concentrado abstrato. CR.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. pode ser questionado. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. o que houve foi um desrespeito à Constituição.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. pois. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. a inconstitucionalidade será direta. 59. e grande parte da doutrina.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. Quando se fala em inconstitucionalidade. No caso do decreto. Se o decreto é ilegal. Ex. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. não pode ser retirada). Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. Segundo STF. atos previstos no art. de ofício ou a requerimento da parte. já sendo inconstitucional desde a sua origem. Assim. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. No caso da lei. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. que só pode atingir todo artigo. ou seja. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Obs. refere-se. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. ou seja. ato originariamente constitucional. não se trata de revogação. Ex. aos Atos Normativos Primários. Relaciona-se. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. § 2°).2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. toda alínea ou todo inciso (☺art. 66. b. reflexamente (ou de maneira 19 .

quando ele participa do processo legislativo. 84. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. Caso contrário. O veto é relativo. porque o chefe do PE.sancionar. o projeto 20 .Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. EX:art. . é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). ela não está violando o direito de ninguém). Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. CR. por isso aqui não há que se falar em controle).. Obs. CR). embora participe do processo legislativo. OBS: não adianta decorar o nome do ato. assim.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. já que de maneira indireta. mas sim analisar cada caso concreto. viola o art. segundo o STF. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). a inconstitucionalidade será direta. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. a inconstitucionalidade é indireta. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. não pode impetrar o MS. No 1° caso. IV. 84. O chefe do PE. por isso ocorre antes da promulgação da lei. inciso ou alínea). quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). é fundamento de validade direto e no 2° caso. Trata se de um controle incidental. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. O único legitimado para impetrar esse MS.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). porque ele é o único que participa do processo legislativo. . O veto tem que ser expresso. mas uma mera análise política. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. portanto. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. é excepcional. §2º.ou concreto. Art. IV . que se exerce através do veto (☺art. parágrafo.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. porque o ato não fere diretamente a CR). 60 parag 4. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. prevenir que a CR seja violada. 66. pois pode ser derrubado (☺art. promulgar e fazer publicar as leis. como pelo PE e PJ: . se ele entender que o projeto é inconstitucional. 66. ele não precisaria impetrar o MS. tem fundamento de validade indireto. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

V. a fim de repará-la. desta feita. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. tendo como objeto esse Dec.. 60. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. ou seja. muito embora não sejam formalmente constitucionais. vinculam os atos e procedimentos legislativos. aos direitos fundamentais”. Questão: o PR. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. a separação dos poderes. o voto direto. se na Assembléia Legislativa. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. pode ajuizar uma ADI. que entende que “. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). e as normas do RI são questões interna corporis). Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. os direitos e garantias individuais” – ou seja. somente o Deputado Estadual. mas um processo legislativo constitucional. Na verdade. o Senador. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. ADC ou ADPF. mormente. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. 68. §4º. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. 168): o STF. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. Assim. vedando-se. etc. em um primeiro momento. já que trata-se de um ato normativo. No entanto.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. contudo. Ademais. as cláusulas pétreas. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Legislativo? Sim. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. que. se está no Senado. 21 . quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). não lhe cabendo. Se o projeto tramita na CD. universal e periódico. interpretações regimentais. na linha do voto de Gilmar Mendes. na qual o projeto esteja tramitando.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. Leitura do livro do Lenza (pág. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. V . CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. o PR elaborará então a LD. 49.. pois não se trata de ato normativo. que é o chamado Decreto Legislativo. por maioria de votos. ☺art.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. constituindo-se normas constitucionais interpostas. secreto. CR. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: .

o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência).Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. 62. 4. 71. pode o PJ analisar tais pressupostos.084). . através da edição de um Decreto. ao negar cumprimento à lei. nesse caso. IV. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. STF: o Tribunal de Contas. Não se analisa o mérito da MP). estudado de forma detalhada a seguir. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. não é um entendimento consolidado. mas tão somente aos prefeitos. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Apenas excepcionalmente. no exercício de suas atribuições. quando. ajuizar uma ADI. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. Antes da CR/88. Desde já. é necessário fazer-se um controle repressivo). 84. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). simultaneamente.. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. já no STJ não há qualquer ressalva. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. ao fazer um Decreto Regulamentar. No entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. ou seja. O TC é órgão auxiliar do PL (art. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. exorbita os limites do Poder Regulamentar. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. III) Súmula 347. nesse caso o CN pode editar um Dec. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP.. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.. não havia relevância alguma). o chefe do PE teria que.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . só havia um legitimado para propor ADI (PGR). O chefe do PE (e só ele – PR. clara e evidente – ou seja. mas segundo o Min. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. . segundo o STF? Resposta: em regra. Assim. GE. ela deve ser objeto de controle. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. Obs. II) art. Após a CR/88. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. pois. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. esse rol foi ampliado. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. porém. Legislativo para sustar. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. Gilmar Mendes. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. CR). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. Ele será. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. CR).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. tampouco que o PR. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). por ex.

dentro de sua competência. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. inclusive o STF). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. No Brasil. ou seja. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). em 1920 (bem depois do controle difuso). interessante: em 1965. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). isso não é verdade. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). que completa este ano 20.Hilton x U. e é adotado pela maioria dos países europeus. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. em 1803.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. já na CR/88. É também chamado de controle aberto. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. para não gerar essa confusão. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). porque significam coisas diferentes!). já foram feitas 56 EC! 23 . a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Ex. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. difuso e concentrado). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. o controle é feito pelo PL. haviam sido feitas apenas 16 EC. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão.A. Primeiro caso.S. porque surgiu nos EUA. 1792 Hayburn s case. Obs. com 19 anos de Constituição. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. se se tratar de lei local. ao mesmo tempo.: na Suíça. mas das espécies de controle. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. quem exerce o controle é o PJ. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). Por isso.: França – que tem o Conselho Constitucional. em se tratando de lei nacional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. porque surgiu na Áustria.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. 4. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. Por isso. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. Segundo caso. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ).

corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). também não podem ser objeto de controle abstrato. 102. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Com base nesse argumento. O efeito vertical. A finalidade não se confunde com a competência. mas deve ser estendido ao controle concreto). b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. ou tendência de verticalização.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). porque em estando revogada. é proteger as normas da CR. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Segundo este instituto. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. se fala em efeito vertical. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. No Brasil. mas tão somente de controle concreto. Gilmar Mendes. Da mesma forma. o principal defensor dessa tendência é o Min. No direito brasileiro. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Este efeito é típico do controle abstrato. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. (O STF é o guardião da CR – art. por ser uma relação vertical. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). A análise da lei sempre será feita em tese. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. sendo o controle 24 . Por isso o Min. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). 97. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). e a partir desse antecedente. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. ou seja. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência.

No Legislativo: Mas. Pois no controle difuso. o direito de greve dos servidores públicos. Antes. se assim fosse. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. O Relator da Reclamação foi o Min. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. segundo ele. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira.335/AC). 708 e 670) que analisaram a mesma questão. 52. do PL. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Assim. como a decisão tem efeitos inter partes. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). que deu provimento à reclamação. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Eros Grau. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. ou seja. 4. CR. e não erga omnes. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. ou seja. Outra situação interessante foi o RE 197. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). não uma simples mutação. viola o princípio da igualdade. sem que ocorra modificação no seu texto. 25 . O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). não permite essa mutação).917/SP. Gilmar Mendes (e também o Min. Gilmar Mendes. Assim. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Por fim. Então o Min. ainda. Por fim. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. tendo efeito apenas inter partes. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes.959/SP. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. pelo menos por parte de alguns ministros. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. E. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. houve decisões proferidas em 3 MI (712. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. ou seja. Gilmar Mendes. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. ou seja. X. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Na decisão do STF. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. em seu voto. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. No Acre. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. em ocorrendo isso. o Min. não há necessidade da suspensão pelo Senado. então não sabemos a posição dos demais ministros. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. como fica o papel do Senado Federal? ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. sendo acompanhado pelo Min. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Então. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC.

Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. 103-A). Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. § 3°. fundamentação e dispositivo. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . não precisam chegar até o STF. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes.art. A repercussão geral (art. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. ou seja.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). não cabe ao STF analisar. O papel do STF não é julgar litígios individuais. 26 . não tem natureza processual como as súmulas comuns. pois tem o papel de guardião da Constituição.417/0 e Lei 11. julgando-o procedente ou improcedente. Num segundo momento (conseqüente). O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. a rigor. (☺ Lei 11. Segundo Eduardo Appio. social.418/06). Contrários a essa tendência de abstrativização. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. político ou jurídico. é uma questão incidental. o que se dá no “plenário virtual”. mas apenas a causa de pedir (antecedente). 102. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. atualmente. somando-se os votos de todos eles. A súmula vinculante tem natureza constitucional. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. analisado no dispositivo (conseqüente). já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. eles não se reúnem fisicamente. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. por sua vez. No controle concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. O RE. concorda com isso). é um instrumento de controle concreto e há. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. não é o objeto principal do pedido. por estarem mais próximos dos indivíduos. estão os procedimentalistas. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico.

Obter Dicta: não tem efeito vinculante. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. 102. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. . as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão.U. Sendo assim. . Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. . a chamada eficácia vinculante. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.erga omnes .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.Lei 9. . mas também à fundamentação. 10.I. a razão determinante da decisão.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. 102.882/99 – ADPF. Ademais. eles também são vinculantes.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Mas não é tudo da fundamentação que vincula.Lei 9.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. art. e ele se encontra no Dispositivo. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. . art. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. secundárias do julgado. mas tão somente a ratio decidendi. conforme está previsto no caput do art. P. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. sejam particulares.EC 45/04: art.: . questões ditas de passagem. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Dispositivo L. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. 28. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. 5. 27 . cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). ou seja. §2º. sejam poderes públicos. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.868/99 – Lei da ADI e da ADC. não determinantes para a decisão) não vinculam.vinculante. há previsão não só na lei como também na CR).

Só atinge a norma impugnada.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. . pode modificar seu entendimento. que se quiser. mesmo que não tenham sido impugnadas.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. segundo o prof. suas turmas e seus ministros. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. mas sim fiscalizatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . É um entendimento que vem desde 1.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. outros dizem ser nulo. . estes estarão sim vinculados). a função legislativa). mas os sistemas de preclusão processual. no caso Marbury x Madison). No entanto. Respeitando o efeito vinculante. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. . Obs. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. inclusive os chefes do PE. (20/03/09) 5.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. até que o PJ a declare inconstitucional. . como a coisa julgada. Por este entendimento. estadual e municipal). Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. . com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. por sua vez. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. impedida de evoluir). como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes.o PL (na verdade. inclusive o Tribunal de Contas. pois atinge apenas o dispositivo.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. cuja função não é legislativa. se as leis devem ser cumpridas.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. e outros dizem ser um ato anulável. já os órgãos fracionários do STF. 28 .: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. também fica vinculado). o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.

porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). por questão de segurança jurídica.” .868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. o Min. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. . é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. portanto. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. ☺RE 197. decidiu que. o efeito que produzirá. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).882/92 (art. que revogou a Lei A.. o STF. não admite a “constitucionalização superveniente”.868/92 (art. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. porque o ato é nulo desde a sua origem. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. e não no de não-recepção). portanto. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. como os servidores agiram de boa-fé. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. como a Lei 9. . 27. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF.)”. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). Exs. Assim.112/90. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. os efeitos são erga omnes). ☺art. Visto a natureza do ato inconstitucional.). 11). como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato).Normas anteriores à CR. Ou seja. Neste caso. Lei 9. ou 2) excepcional interesse social. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. assim.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. etc. 27).. poderá o STF. com inteiro teor). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. no caso do controle abstrato. com seus normais efeitos ex tunc. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. Mas. O STF. como regra é retroativo: ex tunc. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. não precisariam deixar os cargos. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. autor e réu. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.

entende-se que a norma (B) é inconstitucional. Ex. um significado A e um B. que trata da ação de reparação ex delicto. era uma questão “obter dictum”. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. para que este corrija a norma. com um só sentido). Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). 68. quanto . Assim. com condições de trabalho iguais às do MP. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). reproduzida pelo STF). e a norma já foi recepcionada pela CR e. Ex. chamada “Apelo ao Legislador”. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. mas nem sempre. (A norma já passou pelo crivo da constituição. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. portanto. Em alguns casos. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. depois de ter sido recepcionada. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida.2: art.O Tribunal precisaria observar .Corresponde a um juízo de . a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. constitucionalidade. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. ela progressivamente se tornará inconstitucional). pelo MP – a competência é da DP e não do MP. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. . CPP. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. ex. CR x art. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. Segundo o STF. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. quando todos os Estados tiverem DP.O Tribunal não precisaria 30 . portanto foi recepcionada. 5. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . portanto.: a norma x tem dois significados possíveis. não foram todos os ministros que se manifestaram). 134. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. mas sua interpretação). de fato.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. . o prof. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional.Corresponde a um juízo de . o resultado será o mesmo. à medida que a situação fática for alterada. evitando a inconstitucionalidade progressiva. mas. assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. controle difuso-concreto.

ser objeto de ADI. Obs. Ocorre que. da Lei x. observar a cláusula da reserva de plenário (*). b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. o texto da norma. Na declaração com redução de texto. em regra. são excluídas as demais.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. como ambas são equivalentes. e são permitidas as demais. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. por arrastamento. 2º. portanto. desde que não altere o sentido do restante da norma. de ofício.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. . o juiz pode. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). . não poderá. . .Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. se o art. dentro de uma mesma lei). b.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. esta só se faz necessária quando se afasta. 2º for dependente do art. 3º. no controle concreto. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. ou seja.É permitida uma interpretação e. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). a cláusula de reserva de plenário. no controle concreto. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 2º. mesmo que não tenha sido questionado. 2º.É excluída uma determinada interpretação. 1º e 3º. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts.Não há qualquer modificação no texto da norma.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). em princípio. nem sobre os demais. se manifestar de ofício sobre o art. se for um dispositivo autônomo. ou todo o artigo. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. . 1º e 3º e. o juiz não pode. total ou parcialmente. Assim. no controle abstrato. . (*) Para o STF. em razão do Princípio da inércia.É uma técnica de decisão judicial.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. O STF. de ofício. do art. . 1º ou do art. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. b) Com redução de texto: b. declarar a inconstitucionalidade. portanto. não podendo. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . Trata-se de controle abstrato. 97).

Ex. e por arrastamento. Assim. mas é que esta não é necessária. O pedido será a proteção de direitos. ADCe ADPF). o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. julga também inconstitucional o decreto. mas também quando há usurpação da competência do STF). A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Contudo. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. pois será uma questão discutida incidentalmente. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. apesar de sozinho não ter aplicação. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado).: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. neste caso. Sobre o tema: 32 . Neste caso. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. portanto. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. todo controle difuso é concreto. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. porque. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. O dispositivo. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). o STF entendeu que não houve usurpação da competência. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. No Brasil. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. dentre elas a ACP. portanto. Mas nem todo controle concreto é difuso. de ofício. Obs. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). julgará procedente ou improcedente o pedido. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Ou seja. ACP para fechamento dos bingos. mas apenas a causa de pedir. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. já que o STF pode.

desde que. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. na prática. assim. e no mínimo 11 membros. elaboração de Regimento Interno. 97. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. no caso. Os juízes singulares podem. 33 . 93. também não pode ser delegada). à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. porém. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). ☺art. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. Em outras palavras. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. porém. por exemplo.: eleição do Presidente do tribunal. 294. STJ ☺ RE 227. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. de efeitos concretos. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. 557. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. por meio da ACP. No tocante.646. o que só se pode obter por meio de ADI. Nada impede. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. Segundo esta cláusula. conseqüentemente. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Regra da “full bench”. é função possível de ser delegada. Assim. XI – órgão especial: para que seja criado. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. os Tribunais não têm admitido que.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). não pode ser delegada. pois. que é função política. Assim. que é mais de 50% dos presentes). os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. por ex. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). no âmbito dos Tribunais. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. que é função legislativa. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. 97. dotada de caráter de universalidade e abstração”. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade).022. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. por entendê-la inconstitucional (inter partes). expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF).. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. Assim. porém. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. STJ ☺ Resp. teremos uma lei material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. em defesa de contribuintes.159. as chamadas leis de efeitos concretos.

O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. ou em caso de interpretação conforme. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). como guardião da CR. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade.. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. . se entender que a lei é inconstitucional. 481. ☺art. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. ao órgão especial). Exceções: P. sob o argumento de que o dispositivo (art. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. assim. Quanto à 2ª exceção. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. 34 .Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. podendo decidir o caso concreto. pela maioria dos seus membros. se existir no Tribunal. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. porque para o STF ambas são equivalentes.U. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Decidido o antecedente.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). P. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). CR é uma NEP (norma de eficácia plena). para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. prosseguirá o julgamento. Assim. no entanto.. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. de acordo com o posicionamento do STF. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. a argüição de inconstitucionalidade (. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. 97. O professor não concorda. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. Há quem critique tais exceções. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). Há uma repartição funcional de competências. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. CPC) seria inconstitucional: o art. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. sabe-se que o STF é o guardião da CR. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. se for acolhida..U. 481. será lavrado o acórdão. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. abstratamente.

ou seja. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. por isso o faz dali em diante. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. X. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. sustentam que o efeito é ex tunc. em regra. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. 35 . 178. A cláusula vale também para o controle concentrado. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). não estando vinculado à decisão do STF. passa a ter efeito erga omnes. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. quando isso ocorre. Na verdade. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. entendem que se trata de um ato discricionário. a decisão do STF. o SF não pode suspender toda a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. como se tratasse de uma revogação. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. 2) Outros autores. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. que não pode ser retroativa. O SF apenas suspende a lei. art. a lei deixa de ser aplicada. bem como ou STF. O STF já admitia essas duas exceções. esta decisão deve ser submetida ao plenário. CR – compete privativamente ao SF suspender. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). Outros autores. se assim o fosse ela já seria vinculante). trata-se de uma competência exclusiva. 52. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. O SF não é obrigado a suspender. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. ela se refere à decisão do STF. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. Ou seja. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. no todo ou em parte. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. RISTF. Efeitos. que não comporta delegação. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). A suspensão se dá através de uma Resolução. Quando o SF suspende a lei. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. portanto. Ademais. É o entendimento mais correto.

haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Esse assunto está sendo discutido pelo STF. 52. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Art. e se o STF. não se referem ao âmbito estadual e municipal. 59 e segs. Por isso. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. se for apenas uma parte. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). O SF. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Neste caso. já que o SF não atua de forma correta. obrigatoriamente. mas. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. cujo modelo. pela simetria deve ser atribuída ao governador. esta norma não é de observância obrigatória. não havendo a necessidade de suspensão da lei. RISTF) – e isso é óbvio. Quando se fala em decisão definitiva do STF. etc. Gilmar Mendes. está fazendo uma análise. Mas. Ressalta que a letra da norma (art. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. em razão do princípio da simetria. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. segundo o Min. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. configuraria uma mutação constitucional. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. 57. Segundo o professor. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. 61: iniciativa do presidente. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. cabe. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. 66. CR. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. se toda a lei foi declarada inconstitucional. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Segundo o STF. sendo norma de observância obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. LO. ou seja. Na ADPF este fenômeno também é possível. normas referentes ao TCU. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. CR: prevê o escrutínio secreto. CR) não comporta este entendimento. LC. §4°. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. um RE para o STF. por ser um órgão do PL Federal. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). esse entendimento é desejável. a partir do momento que resolve fazê-lo. desta decisão proferida pelo TJ. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. a resposta é negativa. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. requisitos para a criação de CPI. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. 178. Nas situações em que o TJ julga. deve-se recorrer ao entendimento do STF. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. o que. já o SF não. É uma construção da jurisprudência do STF. no controle difuso-concreto. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Art.

” Análise do enunciado pelo prof. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. 37. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. É também uma lei emanada do CN. sendo específica para os servidores públicos civis da União. mas não trata apenas dos interesses da União. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento.: art. que deve ser observado no âmbito federal. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. distrital e municipal). Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. o SF teria um número enorme de representantes). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. por não existir uma federação de municípios. quando o SF atua. X. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). ele está atuando como órgão de caráter nacional. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). retirando a lei do ordenamento jurídico. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. da organização da União. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. 19. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). Ex. outros 37 . estadual. não havendo. Assim. visto que. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. a suspensão. Quando o SF suspende os efeitos da lei. §3º. Quando o SF atua como órgão federal. Ex. estadual e municipal. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. 58.). Classificação de Osvaldo Aranha B. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. por isso pode suspender leis também dos Estados. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. só se aplicando ao âmbito federal). se aplicando ao âmbito federal. os que tratam do TCU. no controle abstrato (ADI. etc. por isso pode suspender lei estadual e municipal. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. 59. assim. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. também. está defendendo interesses apenas da União. Ex. Sabe-se. Ex. pelo Senado Federal.: arts. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. São os dispositivos que se referem tanto à União. do DF e até municipais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. como aos Estados. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional.: Lei 8. porém. 52. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. no todo ou em parte. ADC ou ADPF). CR). portanto.: CTN. art.

346. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. porque o seu parâmetro não é a CR.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. adotou-se. . Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. Portanto. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Com efeito. de fato. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. não retroativos). o enunciado acima transcrito está corretíssimo. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. 38 . visto que. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. pró-ativos (ex nunc). é a AL que suspende a lei.346. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). de 10/10/1997. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. TO. então. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). declarando uma lei inconstitucional. Entretanto. MS. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. é sempre a AL que suspende a lei. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). RN. em decisão definitiva. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. SE e AM. é a Câmara Municipal. os dois tipos são constitucionais. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. da AP Federal direta e indireta. na sua esfera de competência. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. Embora não haja consenso. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. por força do referido Decreto nº 2. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. 2º grupo: . Segundo o STF. visto que. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. no âmbito da AP Federal. Poderá. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs.

2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. Por se tratar de um processo de índole objetiva.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . Obs. Como são ações de controle abstrato. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. . 103. A Constituição.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 4) Recurso da decisão de mérito. deve haver a previsão da legitimidade. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.ADPF. obviamente. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. onde não existem partes formais (autor e réu).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. o duplo grau de jurisdição. e . 5) Ação rescisória. que são a União e os Estados).ADC. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. ☺Lei 9. a competência é do TJ). em seu art. de acordo com essas leis. a ampla defesa.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). tendo partes – autor e réu. mas sim legitimados. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. não cabe. ou na CR ou na lei. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 39 . e não do trânsito em julgado. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). ela é meramente jurisprudencial). A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. .

.S. . tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. confederação local: sindicato.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. . a partir de então. segundo a jurisprudência do STF: . . . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. Os demais podem fazê-lo sem advogado. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.A norma do art. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. .A entidade de classe. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. CS e ECAN. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.Os GE. ou seja. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). confederação regional: F. Obs. para ter legitimidade.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. . . 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). Para ter âmbito nacional. Executivo PR GE – GDF P. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.Confederação sindical significa de âmbito federal. Assim.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.

a. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). 102. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. admite-se o seu controle. Lei 9. Obs. decreto regulamentar. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. §3º . caso o decreto emane diretamente da CR. sem interferência do PJ. ele poderá ser objeto. direitos e garantias fundamentais. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . geral e abstrato. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.Norma formalmente constitucional . 102.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. são questões próprias de RI. a. 5º. . OBS. I. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. Ex. pois geralmente está abaixo do decreto.☺art.: decreto regulamentar do PR. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. ou seja. .TIDH (3/5 e 2T) . Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). todas estão no mesmo nível.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. Não serão objeto de ADI e ADC. I. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. nas normas que tratam de outra matéria). questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. 1º. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. como por ex. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). 41 . para ser objeto de ADC e ADI.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. por isso não é ANP). o RI pode.

Assim. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. §1º. não ameaça mais a supremacia constitucional. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. Tem status de ministro de estado. 103. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. Obs. ainda que ele proponha a ação – ou seja. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. e. também poderá dar parecer em sentido contrário. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. Gilmar Mendes e de um prof. o STF admitiu. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. não pode ser objeto de ADPF: . da mesma forma na ADPF. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). . Mas. ou seja. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). portanto está subordinado ao PR. No caso de emenda. pois não produzem mais efeitos. segundo o STF. medidas provisórias revogadas. 103. Lembrar que não cabe assistência. Atuação do AGU: ☺art. como está havendo uma influência de um controle no outro. na outra. ainda. por analogia. só podendo ser objeto de controle difuso. intervenção de terceiros e recursos. 103. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. § 3° é uma função especial. salvo embargos de declaração. pode ser qualquer ato do poder público. CR. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). Atuação do PGR: ☺art. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado.leis revogadas. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. ele vai atuar como fiscal da Constituição. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. O PGR atua como “custus constitutionis”. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. de defensor legis. A função do art. 42 . devendo ser de todos eles intimado. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. CR. leis suspensas pelo SF. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. Lei do DF não pode objeto de ADC. . se seu entendimento for diverso. sem exceção.Súmula. é preciso primeiro ser transformado em EC). posteriores a 5/10/88. Função geral do AGU (art. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. Hoje. STF). ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. §3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . se um novo PGR o substituir.

A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. nos estados que adotam a commum low. só vai contribuir para a decisão do tribunal. Cabe também na ADPF. . Nesse caso. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Foi introduzida pela Lei 6. o AGU até poderia participar. por fim. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. §3º. ☺ art. A audiência pública está prevista na Lei 9.868. Portanto.868.868/99 -☺art. 482. §2º e art. o das audiências públicas. a Lei 8. §2º da Lei 9. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. 9. A previsão expressamente contida no art. 89. Mesmo sem previsão legal. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). A exposição dos motivos da Lei 9. 43 . *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. §1º. Na ADI por omissão. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). 7º. Ela já existia antes. Mas atenção: existe um outro instituto. em especial no direito norte-americano. art. 7º. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. É muito comum nos tribunais internacionais. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. Na ADPF.385/73 (☺ art. 31). mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. disciplinou a figura. 20. Está desempenhando uma função especial. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato).868/99 vale só para a ADI. de “defensor legis” e. “amigo da corte”. 6º. portanto. Amicus Curiae: Em uma tradução. Quando o AGU desempenha essa função. por analogia. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Posteriormente.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. sendo feita por toda a sociedade. seria “amigo do tribunal”. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. §1º. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. art. §1º e art. Não há previsão para a ADC e ADPF. Importante: ainda que como Advogado da União. não precisará do AGU para defendê-la. o AGU não será obrigado a defender a lei. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. em seu art. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. mas não têm nada haver com amicus curiae. Tem natureza de auxiliar do juízo. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes.868. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. 7°.884/94 (CADE). ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). que também representam uma abertura à interpretação da constituição. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Ele não é alguém interessado na causa. não há o que se defender.

cabe amicus curiae. Mas depois que a lei foi feita. Lei 9. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Aurélio. O STF ainda tem exigido pertinência temática. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Marco Aurélio não admitiu. M. É. Mello. R. Barbosa e E. por ex. em despacho irrecorrível. . autor e réu. Quando 44 . pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Apesar de que era relevante. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Foi uma exceção.. “a”. é um equívoco. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. poderia afastar esta presunção. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .102. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. . 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. portanto. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). J. seria uma exceção).868/99. Lewandowski. porque iria envolver matéria em relação à vida. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. . (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). a mais correta. ressalta-se que esta é apenas relativa. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. segundo o professor. pois admitiu pessoa física em controle concreto.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Para o prof. (Obs. ou seja. admitindo prova em contrário. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). 3º) Gilmar Mendes: ele não fala.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. ou seja. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. I. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Gracie). Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. não tendo partes. Obs. Surgiu com a EC/03. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. O juiz de primeiro grau.Com relação à presunção de constitucionalidade. ele diz embora não possível intervenção de terceiros.

para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.869/99. Cabe prorrogação. os preceitos fundamentais são: .882/99. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. no entanto. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. na ADPF 33: .Cláusulas Pétreas. 45 .Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição).Título I: Princípios Fundamentais. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. inclusive o Poder Executivo. O parâmetro. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.21.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.14. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. é mais restrito: somente a violação. II. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.U. . §1º. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. Portanto.Princípios Constitucionais Sensíveis. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. . Não é uma ação de inconstitucionalidade. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. P. .). não há que se declarar uma lei constitucional). a Lei 9.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). III). Como visto. O STF admitiu ☺Informativo 518. em seu art. Através do AGU. . nos quais a lei esteja sendo discutida.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. VII). 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. art.Cláusulas Pétreas. nas outras ações ela também poderá ocorrer). . o FHC ajuizou ADC. e . CR e Lei 9. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.868/99. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.Princípios Constitucionais. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia).102. art. 34. Gilmar Mendes. Segundo a doutrina. e . .Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. ADPF: ☺ Art. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. portanto. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”.868/99. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. 14. Mas.

Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. § 1° da lei 9. Ela vai ao juiz de primeiro grau. Características: . art. Ex. 196 e ao meio ambiente. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. Mas se algum dos legitimados souber da ação. dentro do mesmo tribunal. embora lá há uma vinculação horizontal. P. apenas o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Art. Segundo Neri da Silveira. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. 1º. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Proposta diretamente no STF.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. na ADPF. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. estadual e municipal. Aqui. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato.: gestante com feto com acrania. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar.882/99.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante.: surge a partir de um caso concreto. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. como guardião da CR. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. ainda. 4°. neste rol. embora seja bastante difícil existir esse meio). 46 . os legitimados podem levar não todo o processo. Incluindo-se. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. Obs. ou seja.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). podendo ser um meio de controle difuso. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau.882/99). O objeto pode ser da esfera federal. Um dos legitimados. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.U. 1º. leva a questão ao STF através de ADPF. a vinculação é vertical. dentro do órgão judiciário).

É controle abstrato. 102.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.. à soberania e à cidadania). LXXI . TSE/TER (art. em se tratando de órgão administrativo. No entanto.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. . (O órgão tem que ter competência determinada na CR. I. O STF admitiu a ADPF. 103. . governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. Obs. II e III).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5°. 121. h). É a mesma da ADI. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. I. para fazê-lo em trinta dias”.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. coletivos e individuais indisponíveis (art. STJ (art. Ex. § 2º . mas a converteu em ADI.Admite-se a fungibilidade. § 4°. nas CE ou em lei federal).O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. ADC e ADPF (art. . LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 5°. É controle concreto. q). 105. . Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. o STF transforma a ADPF em ADI. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. 47 .CR: STF (art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). 129. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). à soberania e à cidadania”.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . por ex. V). Assegurar a efetividade de suas normas. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).

O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. em se tratando de órgão da AP. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. Se o PL) e. não pode concretizar a norma. competente de sua omissão (em regra. Mas atenção. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). ou seja. é b) Concretista: concretiza a norma.MI Coletivo: o STF o tem admitido. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. ou seja. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. portanto não podem impetrar MI. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora.Órgãos públicos. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. entes federativos e PJ dir. Obs. . mudou seu posicionamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mas esse prazo era direito. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. autores que admitem. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. LXX: PP c/ CN.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. 5º.: na ADI 3682 b. Recentemente.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. O STF. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. organização sindical. portanto. público: MI protege dir. no entanto. não pode fazer a norma para o caso concreto. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. ECAN e associação c/ 1 ano). Há. fundamentais em face do Estado. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. apenas razoável e não peremptório. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. recentemente. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. concretize a norma (faça a norma concreta).

em um primeiro momento. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar.040). 36. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. criando uma norma geral e abstrata. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. ou seja. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. e 2) recusa à execução de lei federal (art. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. Mesmo adotando a corrente concretista. 2. o PJ. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. o STF está atuando como legislador positivo. 34. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. No MI. Recentemente. pelo STF. não cabe liminar (antes. III. VII). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. ou seja. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. O STF adotou essa corrente no MI 232. 34. Portanto. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. De acordo com esta concepção. porque adotava a corrente não concretista). A regra é o principio da não-intervenção. CR (provimento. 708 e 712). ao mesmo tempo. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. Essa corrente é bastante criticada. ou seja. VI). O efeito seria apenas inter partes. nestes casos de omissão parcial. 652. intervir nos Estados). Surge a partir do caso concreto. como regra. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. A omissão total não cabe MC. porque nem a AIO tem esse poder. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. Ela se subdivide em – geral e individual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. ademais. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 680. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. 49 . a intervenção é uma exceção (a União não pode.

36. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. foi uma criação da jurisprudência do STF. §2º. OBS. portanto. CR). poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). ☺art. mas que surge a partir de um caso concreto. nem no RISTF. ☺art. As partes aqui são o Estado e o Município. Esta forma não foi prevista na CR. 35. STF). mas sim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. além. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). no âmbito federal). A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. O parâmetro aqui é mais amplo. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. 614. CR. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). 127. IV. é claro. se violados. § 1°. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. e sim em face da CR. da ADPF). se o STF der provimento à representação do PGR. Isto está previsto no art. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. 50 . O RE. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. O STF é o guardião da CR. CR. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. 125. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). o PR então poderá decretar a intervenção. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. É dispensada a apreciação política pelo PL. §3º. CR. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). que é o pressuposto para a representação interventiva. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. no âmbito do TJ.

cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. ou seja. que. XVIII). analisa-se se o poder é legítimo ou não. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. cria o Estado. É ele um titular passivo. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. mas jamais é quem o exerce. social e juridicamente organizado. Para os jusnaturalistas. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Assim. que deve observar o direito natural. em nome do povo. que formulou esta teoria no fim do Séc. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. o exercício dessa magna prerrogativa. Assim. expressa por meio de seus representantes. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Schmitt). O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. que é sempre superior aos poderes constituídos. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Celso de Mello. Está acima do direito positivo. segundo o abade Emmanuel Sieyès. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). pode usurpar do povo a titularidade do poder. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Bonavides. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. a vontade do constituinte é a vontade do povo. Obs. por delegação popular. segundo o Abade Sieyès. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. Portanto. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. corroborando essa perspectiva. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. retira sua força do direito natural. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. em alguns casos. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. C. pois o Estado decorre da soberania popular. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. Na 1ª etapa. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . um dos precursores dessa doutrina. é a nação. porém. Modernamente. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. editando a nova Constituição. São apenas órgãos aos quais se atribui.

Formal . é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Portanto.Revolucionário .Material . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). 25. se esta correspondência existir o poder será legítimo. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. art. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). que é seu verdadeiro titular.Decorrente (art. ADCT. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. 3º. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Dessa forma. há legitimidade objetiva. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. para ser considerado legítimo.Histórico .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . 60. Espécies Tradicionais: . Assim. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.: o prof.Revisor (art. por conseguinte.Reformador (art. Obs. 11. CR) . correspondendo aos anseios daquela sociedade. ADCT) . já que o poder constituinte já é originário.

Obs. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). No caso do Brasil. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. a nenhum pré-requisito jurídico. independente e soberano. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. No caso do Brasil. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. mas não a primeira e sim uma nova. 53 . Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição.: este poder tem este nome porque para o Direito. O Abade Sieyes. Ex. ex. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. é apenas uma classificação quanto ao momento. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. que substituirá a anterior. 1937. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. através de normas constitucionais. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. ou seja.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. O povo é o titular do PCOM. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. Apesar de ser um poder incondicionado.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. ela nunca deixa de ser do povo. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. . GV). b) é um poder inalienável. No plano axiológico. 1988. Obs. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo.: se é um poder autônomo e incondicionado. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). Obs. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. foi criado um direito natural). através da Constituição. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. 1946. não perde a titularidade do poder constituinte. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. há alguns valores que são morais. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). 1967/69. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). 1934. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824.

Quando a CR consagra o art. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). 11 do ADCT. 25. com os avanços da sociedade. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. A partir do momento que a CR surge. Dentro desse limite. Esta AL. Ex. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Fábio Konder Comparato fala. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. na pena de morte. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. 54 . De acordo esse limite. A CR/88. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. No entanto. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Obs. No caso da CR/88. as constituições estaduais não são recepcionadas. ficando um pouco relativizada. observados os princípios estabelecidos na CR. na verdade. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. no art. Ainda que o estado seja soberano. Não se trata de um limite jurídico. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. 25. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. ele encontra limites no texto da CR. ☺art. por ex. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. por se tratar de uma conquista da sociedade. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. Ex. não concorda muito com isso. mas meta jurídico (fora do direito). a doutrina deduz deste art. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. O prof. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado).. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. contudo.

para apuração de fato determinado e prazo certo de duração.).Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. Obs. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. que se estendem aos Estados. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. Há dois grupos: (art. §4º. Se subdividem em: 55 . 75. e o STF decidiu que não havia problema. Estão presentes no art. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. 57. 34. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal).Requisitos para a criação de CPI: ☺art. são as normas de auto-organização da União. .Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. §4º não é norma de observância obrigatória).traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. mas foi uma decisão super apertada (6x5). 93. 59 e segs. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). V ???) I) Expressos na constituição: art. VII. 27. porque o art. 57. § 1°. II) Implícitos: CPI (art. processo legislativo (art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88.: presidencialismo x parlamentarismo). que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. vedada a recondução. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . Obs. CR. Segundo o STF. por enquanto. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . § 3°). aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. são essas as normas de repetição obrigatória.: ☺art. ou seja. 58. 58. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. CR. diferente dos extensíveis. Mas. composição. §1º . normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. . 61. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário.

é limitado. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. 19. 60. CR (é vedado à U. .: art.: os arts. Trata-se de um poder previsto na CR e. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. E. uma limitação temporal para o poder revisor – art.. 37. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. . se for decretado o estado de defesa (art. no entanto.é condicionado. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. ADCT).não é inicial. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.) – contém uma vedação expressa.é um poder jurídico (e não de fato). 60.. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 3°. mas é possível deduzi-las. é conseqüente. cujo procedimento está previsto no art. . CR. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.titularidade: é do povo..O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. . 137). Ex. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. 136).normas mandatórias: ex.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. . em qualquer estado da Federação (art. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. Ex. . III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. 56 .Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. DF e M.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .normas vedatórias: ex. . . 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. decorre da lei e não da força. 34). . A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. portanto. .). §1º.não é autônomo. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados.: art. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. e se for decretado o estado de sítio (art. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .. ou seja.exercício: é pelo CN. CR. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. portanto. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade.

Feita a iniciativa. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. no entanto. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. ela será chamada de extraordinária. 60 (incisos I. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. possamos usar o procedimento previsto no art. não veta. CR). é o de que o art. também chamadas de implícitas. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. apesar de não existir previsão expressa. DF e DE. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. do SF ou do CN. §3º. no âmbito do MP. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. II e III) uma exceção à regra geral. 61. . . §5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. P. Este art. 61. Ex. CR. por fim. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. §10). não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa).U. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa.Além do PR. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). 60. b) o entendimento majoritário da doutrina.). No caso de projeto de lei. ☺art. a PEC será discutida em cada casa do CN. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. 61 é a regra geral de iniciativa. se a matéria for rejeitada. proposta rejeitada no dia 15/01. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). o STF e Tribunais Superiores. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. não pode haver emenda de emenda. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). sendo o art. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. 60. 44. também podem propor projeto de lei o povo. Obs. ademais. no âmbito do PE. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. que é o período de 4 anos do mandato do PR. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. o PGR. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. a PEC vai para a promulgação. . . 67. 62. apenas o PR. §2º). pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa).Discutido e aprovado. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. .A última limitação formal objetiva está prevista no art. . trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. após a iniciativa. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. assim. 60. para que. 60. não promulga. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). ☺art. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. GE. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. . §2º). ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. no qual há 4 sessões legislativas. no âmbito do PJ.A nossa Constituição é rígida. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. 61. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. através da iniciativa popular (art. A Sessão legislativa (art. 57 .

Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. a). universal e periódico. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Ou seja.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. na verdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. São as chamadas cláusulas pétreas. Expressas: ☺art. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). c) Voto Direto. pois. não é secreto. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. o voto não é universal. As cláusulas pétreas são. o que é universal é o direito de sufrágio. que é o modo como se realiza o exercício do voto. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. o que é secreto é o escrutínio. b) Preservar a identidade material da Constituição. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. c) Assegurar o processo democrático. Curiosamente. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. VI. 58 . é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. Se elas não existissem. 150. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. ademais. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. §4º. secreto. 60. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. . CR. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. . o direito de participar das eleições. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Universal e Periódico: . Secreto. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. segundo o STF. mas sim.

inclusive. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. CR. e por conseqüência. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. Um exemplo. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. ou. não seriam cláusulas pétreas. comportam diferentes interpretações. 60. segundo a qual o art. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. não concorda.: FGTS. ADCT). 5º. é o art. Assim. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. posteriormente. e não em direitos e garantias fundamentais. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. que proíbe a pena de morte. . como um todo.Há quem defenda.: primeiro. pois seria uma forma da fraudar a constituição. em princípio. CP). que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Os direito fundamentais se encontram. que não é unânime na doutrina. pois. Mas o STF já considerou que o art. é CP. (23/04/09) 2. todo o art. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. com a dignidade da pessoa humana. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. após este plebiscito eles teriam se tornado CP.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. Chama-se dupla revisão. 60 seria CP. O prof. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. b. não o serem). 60. . desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. A CR fala em direitos e garantias individuais. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. sistematicamente. por uma questão lógica. 5º. sendo uma garantia individual. mas os demais não (ex. Obs. far-se-ia uma EC revogando o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. III. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). CR. 2º. por isso. 150. O art. Para ele. não alterando-o). dispostos do art. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. mas refere-se a uma reforma. são CP. não tem nada a ver com CP). que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. 60 poderia ser modificado. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. Assim. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. CR). Ex. Os demais direitos e garantias fundamentais. Lá estão as limitações ao poder reformador. para posterior alteração do conteúdo. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . §4º. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR).

art. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). portanto. mas seus efeitos surgem após a constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. não abrangendo apenas leis em sentido formal. mas também emendas à constituição. A retroatividade mínima é automática. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. ☺art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Ex. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). o STF tem entendimento unânime.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. a constituição atinge prestações vencidas. O ato ocorreu antes. mas ainda não pagas. Ex. 5°. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. O direito adquirido pode ser relativizado. excepcional e transitória de alteração da Constituição. 3º. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. A limitação imposta no art. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. não sendo um princípio absoluto. Com relação ao assunto acima. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. Ex. tem que haver previsão expressa na constituição. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. c) Máxima: a retroatividade não é automática. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. CR). O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. tem que haver previsão expressa na constituição. em sessão unicameral. Antes da CR/88. XXXVI. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. 60. Revisão é a via extraordinária. b) Média: a retroatividade não é automática. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. 3º. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. contados da promulgação da Constituição. esse era o entendimento do STF. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. não abrange EC. em sentido formal. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. . 3º.

Além disso. ADCT. 3º. especificamente. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. 60. 61 . §§1º e 4º). a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. e de forma geralmente mais extensa. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. circunstanciais. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

eles são suficientes. É o início de uma interpretação. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. para o direito privado. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. mas apenas valores: o preâmbulo. Constituição da República. Por isso. entra o elemento histórico evolutivo. partindo da idéia de sistema. Esse método não é apenas sistemático. É como se a norma fosse o corpo da constituição. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Imagine a Constituição norte-americana. X. Ela não tem normas jurídicas. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). para o direito público. Ex: princípio da não contradição. como início e limite para a interpretação. Nele estão os valores supremos da sociedade. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. b) Histórico: no seu desdobramento. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Toda norma está dentro de um sistema. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Não existe uma norma jurídica sozinha. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. e não isoladamente. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. O grande problema é que. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Por isso. esse método também é conhecido como método valorativo. é também o limite para a interpretação. O texto da norma funciona. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Na busca pelo “Espírito da Constituição”. com algumas peculiaridades. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. como todas as demais. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). portanto. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. e os valores fossem o seu espírito. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. esses elementos são insuficientes. 52. aqueles desenvolvidos por Savigny. só tem alma. devido à complexidade da interpretação constitucional. 65 . c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Além disso. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Buscam os valores subjacentes à constituição. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos.

formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. a favor e contra. certa insegurança jurídica. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. os operadores do direito servem-se de topoi. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. que contraria o positivismo jurídico. Violação de correspondência de presos. ele também é conhecido como método sociológico. cujo plural é “topoi”. de argumentação. vence o argumento que for mais convincente. ou a de que um é mais correto do que o outro). Ex. Ex. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. do senso comum. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. Por isso. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Os topoi são esquemas de pensamento. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante).: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. que é apenas mais um topos. os quais são submetidos a várias opiniões.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. mais um 66 . ou seja. lugares comuns. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. pois comporta mais de uma solução possível). Este problema será solucionado pela argumentação. porque trabalham não com a idéia de sistema. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. enfraquece-se a força normativa da constituição. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Por ter uma feição mais política do que jurídica. 2.. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). pontos de vista ou lugares comuns. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. mas sim diante de problemas. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Se se permite interpretações divergentes. → Crítica: feita por Canotilho. Ex. como. o que geraria uma grande insegurança jurídica). de casos que comportam mais de uma solução possível. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Assim. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. como ocorre neste método. Problema é a questão difícil. da jurisprudência dominante. da doutrina. Isso gera certa instabilidade. dos princípios gerais do direito. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. formas de raciocínio. por ex. Assim. Esses pontos de vista.

Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Método concretista. de única solução possível. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. ainda que dos mais importantes. Os métodos III e IV. pois. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Assim. devendo-se fazer uso de outro método. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). são também métodos concretistas. quando se fala em hermenêutica. por serem métodos concretistas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. e concretizador à aplicação. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. na sociedade aberta de intérpretes. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). São métodos indissociáveis. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. este método não poderá ser aplicado. não se deve falar em interpretação constitucional. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. Para este método. diferentemente dos dois primeiros. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. ou seja. 67 . A principal diferença. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. que a questão não seja simples. e sim na sua concretização. é preciso que haja um problema. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). se for caso de lacuna. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. e o problema concreto a resolver. Hermenêutica e interpretação não se confundem. a compreensão prévia do intérprete. como já vimos. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Ocorre que. mas em concretização). Assim. é bom lembrar. não podem ser utilizados de forma abstrata. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. ao lado de Hans Kelsen. Além de serem métodos aporéticos. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Ele parte. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. são coisas diversas. Não se pode separar as duas coisas. porém. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. sua aplicação a casos complexos. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma.

mas também para a interpretação da Constituição. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . é a realidade social tratada pelo texto da norma. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Gilmar Mendes). 68 . Na prática. O texto tem duas funções muito relevantes. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). em regra. ao mesmo tempo. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. por sua vez. Segundo ele. A democracia deve servir não apenas para a criação. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. O texto não tem o comando. ele dirige e. Para ele. Paulo Bonavides o tratar como um método. Essas duas figuras podem ser. pois. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. Assim. O que ele chama de domínio normativo. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . que têm legitimidade para a interpretação. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). mas também na sua interpretação. Fala-se que são utilizados. traduzido pelo Min. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. aberta a toda a sociedade. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Ainda que a Corte seja o intérprete final. mas a toda a sociedade. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição.Elementos do âmbito da norma . para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. A norma é o mandamento. a norma só surgiria após a interpretação do texto.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina .Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. mas refere-se àqueles que podem interpretar. bem como a quebra da unidade constitucional. ele na verdade não o é. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. regulada pela norma. Quando ele fala em democratização. . a interpretação constitucional tem que ser democratizada. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Não diz respeito aos critérios de interpretação. Judiciário. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Segundo o autor. limita a interpretação. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). Friedrich M.

Após. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). 3) Existe uma única resposta correta. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. superado o valor da norma). Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. norma e fato. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Hoje. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. mas de forma concreta. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. A norma. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. preocupado com a segurança jurídica. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Segundo Conrado Hubner. que se subdivide em princípios e regras. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. bastante discutido nos dias atuais. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. textualismo e preservacionismo. que corresponde à vontade do constituinte originário. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Na verdade. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. o poder legislativo é claramente fraco. Assim. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. No pós-positivismo. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. do povo. Assim. Por isso o judiciário tem ganhado força. surge a idéia de norma (gênero). Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Esta questão está ligada à separação dos poderes. como a constituição é feita por representantes do povo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. A segunda corrente. no Brasil. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). vinculante e obrigatória. Também denominado de originalismo. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. quando interpretada. sem modificá-la. os direitos têm que ser iguais para todos. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. surge o Positivismo Jurídico. 69 . Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Entende que.

generalidade . quando se vai aplicar um princípio. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. Para Habermas.Postulados. princípios são “mandamentos de otimização”. peso ou valor. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. → Regras: são “mandamentos de definição”. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. isto é. Alexy afirma haver exceções. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. e . Eles não definem a medida exata.dimensão que eles ocupam (Alexy) . nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. ou seja. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. em havendo um conflito no âmbito da validade. . Referem-se à abstração (a norma é abstrata. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições.Princípios. impõem resultados. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. A norma é um gênero e. . que envolvem a aplicação deste princípio. dentro do gênero norma jurídica. ou seja. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica).: aposentadoria compulsória. impessoal. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão).Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. o que ocorre por meio da ponderação. que apontam para o sentido contrário. é preciso saber quais são as normas opostas. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. há uma subsunção lógica. Segundo Robert Alexy. imperativa. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. Ambos são normas. O grau de abstração é a diferença. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. mas a medida do possível. 70 . .Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. como elementos do sistema normativo constitucional: . Assim. será invalidada. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. As regras possuem aplicação automática. genérica. Ex.Regras. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. → Princípios X Regras: . bilateral).

Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. por isso não são aplicados diretamente. Ex. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Mas e os postulados? Segundo esse autor. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. como princípios. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Nesse aspecto. pela maioria da doutrina. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . 71 . a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. mas não têm a mesma função dos princípios. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais.: proporcionalidade. será feita a análise de alguns postulados que. nem estabelecem competência ou conduta. embasados na supremacia da Constituição. Segundo a LICC. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Com base nessas premissas. de modo a realizar os valores nela consagrados. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. interpretação conforme a Constituição. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Eles não apontam um fim. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. também conhecido como antinomia de princípios. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Não estão na constituição. Os postulados são denominados. É um conflito sempre no caso concreto. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. cronológico e da especialidade.

parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. No Brasil. o Poder Judiciário. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. pois existe uma presunção de constitucionalidade. a lei deve ser declarada constitucional. para ter essa supremacia. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. se entendê-la inconstitucional. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. e. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. o Princípio da Supremacia da Constituição. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. deve optar pela constitucionalidade. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. como no âmbito do Poder Executivo e. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. No Poder Executivo. pode deixar de aplicar a norma de ofício. o Chefe do Poder Executivo. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. A 72 . Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. significa que as demais leis devem obediência a ela. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Toda Constituição tem supremacia material. Excepcionalmente. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Todo projeto de lei passa por um controle. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Da mesma forma. não tem como fazer interpretação conforme. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. E. No Poder Legislativo. quando entender que uma norma é inconstitucional. Não se retira a lei do ordenamento. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. na dúvida. presume-se que agiram de acordo com ela. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. por ser presunção relativa. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. ficam vinculados àquela decisão. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Essa presunção é relativa (iuris tantum). Ele pode negar a aplicação da lei. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. na dúvida. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. excepcionalmente. Se a constituição é a norma suprema. Se há mais de um significado. assim. significa que ele é unívoco. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. pode ser exercido através do veto jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. é necessário que a Constituição seja rígida. no Poder Judiciário. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Se o texto tem apenas um significado. no controle difuso. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Ou seja. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade.

que busca a vontade da lei. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. necessário harmonizar esses dois princípios. Logo. isso não ocorre. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. num estado democrático. 73 . mas. §1º. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. é necessário observar os valores consagrados na constituição.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. essa corrente é chamada de “subjetivista”. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Obs. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. logo é conhecida como corrente “objetivista”. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. de direito previdenciário. poderia declarar o art. Ex: Brasília é a capital federal. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. ela consagra o monopólio de determinadas atividades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. existem. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Isso é impossível. Em uma sociedade democrática e pluralista. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. prevalece a vontade da lei. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. passando ela pela constituição. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. b) Fim pretendido: . • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. etc. pois. a norma inferior. Busca a vontade do objeto interpretado.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Segundo Kruger. A segunda corrente. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. É como se filtrasse a lei. Geralmente. . Na verdade. na constituição. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Antes. é conhecida como mens legis. 81. Portanto. Temos o voto direto como cláusula pétrea.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. normas superiores e normas inferiores. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Hoje em dia. sendo. ao mesmo tempo. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Ao se admitir que essa norma é superior. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Outro ex. há várias tensões entre as normas constitucionais. Hoje. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo.

qual dos dois grupos tem um peso maior. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. ele se basearia no princípio da unidade. Assim. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. e voto pelo CN é a exceção. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. deve-se buscar essa concordância prática. 45. interesses. Eles são muito parecidos. as duas normas têm conflito entre si. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Pode ser usada. Essa lei. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. inclusive. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. bens ou interesses. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. O que tiver o peso maior irá prevalecer. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. Quando se tem um conflito em abstrato de normas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Segundo este princípio. a integração política e social. Ex: voto direto é a norma geral. valores. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Se ele entrasse no mérito da questão. O Juiz irá ver. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O STF analisou 02 casos: a) Art. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. que é anterior à Constituição da República. se ambos estão consagrados na Constituição da República. ou seja. é necessário utilizar a ponderação. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. e não em abstrato). O relator indeferiu a petição inicial. Abstratamente. Sempre que possível. violava a liberdade de exercício de comércio. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. criando um efeito conservador da unidade. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Quando se tem uma colisão entre bens. O STF declarou constitucional. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. 74 . na hora de se interpretar a Constituição. pelo legislador. Nesse caso. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. §1º. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Uma existe ao lado da outra. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. princípios ou valores. O que é isso? É semelhante a uma balança. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. no caso concreto.

para que outros direitos sejam assegurados. eis que ambos se relacionam. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe.: a Súm. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). do contrário. que contribua para o debate de interesse geral. 75 . VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. do trabalho escravo são regras. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios.: a proibição da pena de morte. e não princípios. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. não se aplicando para a interpretação constitucional. até uma compreensão equivocada. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. às vezes. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . 2) relativização da coisa julgada: o STF. não. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Ex. por mais importantes que sejam. Caso contrário. Exs. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. 343. mas também a ratio decidenti. Ex: Se tiver na praia. poderia fotografar. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. proporcionando-lhes uma força otimizadora. na academia. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. da tortura. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. cabe ação rescisória (obs. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. O importante é saber que todos os princípios. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. Deve haver uma cedência recíproca. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. ou seja. STF não foi abandonada. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. sendo o guardião da constituição. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. a privacidade deve ser preservada. não.

no Brasil. é também conhecida como eficácia jurídica. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. pois. §1º.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. o desempenho concreto de sua função social. 5º. Este princípio. a função social para a qual foi criada. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Ver no Site Editora Método.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.com. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. CR/88 (aplicação imediata). a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. . É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . sobretudo o Tribunal Constitucional. . 4. a qual significa a realização do direito. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. validade é.335/AC. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. 2) Direito de greve. Exs. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. . 76 . Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição).Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. é também conhecida como eficácia social.

CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. CR. É um princípio implícito. 1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. É uma influência do direito alemão. pois. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). uma restrição à liberdade só será possível se. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. do Prof. ele tem que ser adequado. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. Assim. Na Alemanha. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. será também desproporcional. não se deve abater pardais com canhões. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). 5º. É uma influência do direito norte-americano. dentre os meios existentes. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. em sua origem. Não é o entendimento mais cobrado em provas. à garantia do devido processo legal. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Alegam que a restrição seria desproporcional. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Se o ato for desnecessário. LIV. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. ☺art. uma densidade semântica que ele não tinha antes. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. deveria conceder uma autonomia maior. Para Jellinek. ou seja. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Ex. No Brasil. para que o Estado não atue de forma arbitrária. mas apenas como menções. utiliza-se o termo proporcionalidade. não está textualmente consagrado. apto para atingir o fim almejado. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. maiores hão 77 . utiliza-se o termo razoabilidade. Ex. Para que um ato seja considerado proporcional. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. desproporcional. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. por isso sua importância. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Nos sistemas da commum Law. Ele está ligado.

o poder público age aquém do que deveria. A face acima exposta do princípio. pode ser chamada de proibição do excesso. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. que é chamada de proibição de insuficiência. Nesse caso. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. Há uma outra face desse princípio. 78 . Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. ou proibição por defeito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção.

Ocorre que todas as constituições brasileiras. No Brasil. o preâmbulo. o Brasil é um país leigo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. de regra. proclamação mais ou menos solene. mas no domínio da política. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal.. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição.. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). mas é a tese por nós adotada. Não tem. Não contém. qualquer religião oficial da RFB. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. 79 . caráter normativo e. não tendo força normativa. porém. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. não existindo. O nome não é o mais apropriado. mais ou menos significante. Para o STF. portanto. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. refletindo posição ideológica do constituinte. É uma corrente intermediária em relação às demais. O min. pois. não tem relevância jurídica. dado que. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. relevância jurídica. reproduzidos ou não na Constituição estadual. sendo. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. O que acontece é que o preâmbulo contém. Como se sabe. portanto. inscritos na Constituição. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Assim. não é norma de repetição obrigatória. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. não é componente necessário de qualquer Constituição. Em âmbito estadual. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. Situa-se no domínio da história ou da política. laico ou não-confessional. pois. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. apresentado de forma não articulada. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Esses princípios sim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. anteposta ao articulado constitucional. com exceção das de 1891 e 1937. incidirão na ordem local.

fundada na harmonia social e comprometida. o bem-estar. o desenvolvimento. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). a segurança. a liberdade. Ao estabelecer os valores supremos. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. na ordem interna e internacional. pluralista e sem preconceitos. com a solução pacífica das controvérsias”. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. 80 . Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Esta é a sua natureza.

imediata e integral. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). isenções (art. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. no Brasil. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. (É a mais cobrada em provas). enquanto não for restringida. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto).: normas que estabelecem imunidades (art. prerrogativas (art. §5º). é uma NEP? Não. O que as difere é o grau desta eficácia. possivelmente restringível ou redutível. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais .U. enquanto não for restringida por lei. dentre as quais. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. vedações (art. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. P. §5º). como se poderia imaginar). mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. destaca-se a de José Afonso da Silva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Quando se fala em aplicabilidade imediata.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. Uma NEC.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. A NEC. Não são a mesma coisa. 184. que poderá variar conforme o seu enunciado. Exs. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. 128. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. que “contenha” o seu conteúdo. apenas 81 . 95. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). → Normas de Eficácia Contida: O prof. A integralidade. 53). Ela não depende de lei. mas admite lei. por sua vez. Não depende de regulamentação.

de forma que antes da Lei 9. mas não disse quem pode propor. CR. que dirige os rumos do Estado. 9º dá a entender tratar-se de NEP. e mediata porque depende de alguma condição. PU: União poderá delegar aos estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. art. 136 e 137). E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). Se ela fosse uma NEP. caracterizadas justamente por este tipo de norma). 154: a União. As vedações. mas não é uma NEP. A lei não irá restringir o direito.: art. II e III deste mesmo art. 9º. Ex. 5º. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. 102. mas dizer como esse direito será exercido. etc. ☺art. art. 37. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. – ex. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. 37. 37. VII. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. e não quais são os meios para se atingir o fim. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. se quiser. 95. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Assim.: art. Neste caso.U. esclarece que trata-se de uma NEC. que não é norma). Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. que faz parte da mesma norma.). art. ☺art. são NEP (como são as normas dos incisos I. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. mas o seu §1º. art. interesse social. XXIII e XXIV). etc. não há omissão inconstitucional. Indireta porque depende de uma outra vontade. . 3°. art. 95). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. em regra. poderá criar impostos residuais. VII. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. . O caput do art. mas. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar.: art. 82 . A norma constitucional tinha eficácia. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P.: ordem pública.: trata de vedações que são impostas aos juízes. 5º.por conceitos de direito público (ex. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. ela nunca poderia ser restringida. quais são os efeitos. etc. eis que estabelecem o fim a ser atingido. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). é obrigatória. É indireta ou mediata. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. ofício ou profissão. conforme a lei. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.Facultativas: ex. VII (direito de greve dos servidores públicos).por lei (ex. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. Não é apenas um conselho. Ex. 5º.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. mas pode ser). A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. XIII. segurança nacional. 22. a CR não tem conselhos e sim mandamentos.Impositivas: ex. necessidade ou utilidade pública. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. A NEC pode ser restringida: . P.U. e art. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. XII c/c arts. Exs. que a regulamente. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. XXII..: art. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. . O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição.por outra norma constitucional (ex.

Elabora-se uma norma genérica. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão.: As NEP. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). ademais. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. cumprida a sua finalidade. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. Por isso não dependem de outra vontade. pois. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Uma última classificação. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. porque ela não tem eficácia positiva).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL.: art. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. Diz que o direito se auto produz. 83 . São as normas do ADCT. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. exaurem sua eficácia. também conhecidas como normas super-eficazes. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Ex. não depende de outros sistemas. Marcelo Neves critica essa concepção. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. mencionada por alguns autores. as Cláusulas Pétreas. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Para ela. Assim. a NEL produz efeitos: ela exige lei. imediata e integral). Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. uma eficácia negativa (e apenas esta. tem eficácia. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. OBS. Traduz um sistema fechado. 2º. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. antes da lei ser feita. ADCT. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. Obs. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma.

Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. parte final). e sim como normas ordinárias. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. como normas infraconstitucionais. quando do surgimento de uma nova Constituição.P → A. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade.N. § 1°. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. §2º (que fala do Colégio Pedro II. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Ex. serem recepcionadas pela nova Constituição.: ☺art. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. porém. 2°. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. → CR → A. podendo. 84 . por esta teoria. ou seja. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.N. Faremos o estudo de alguns institutos. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. sempre que nasce uma nova Constituição. art. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. 242. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). caso compatíveis com a nova Constituição. Quando uma nova constituição é criada. com o caráter de normas constitucionais. não. Assim.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

deve existir expresso pedido na Constituição. que. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. Como se percebe. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu.: art. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. como é o caso do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. Como outro exemplo de retroatividade mínima. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. IV. sendo regra a retroatividade mínima. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. vale dizer. 5º. tenha retroatividade média ou máxima. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. o STF entendeu que. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. com pequenas exceções. Assim. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). 88 . podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. 7º. Ex. desde que haja expressa previsão. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. 51 do ADCT. Assim. Contudo. têm retroatividade mínima. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. nada impede que a norma constitucional. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. 7º. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. para tanto. IV. CR. por regra. c) por outro lado. diante da aplicação imediata. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. as leis infraconstitucionais. dentre outras. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. também limitado juridicamente). Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. vale dizer. XXXVI – “lei” em sentido amplo). podemos esquematizar: a) as normas constitucionais.

Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. ainda não regulamentadas de forma mais específica. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. Desse modo. 4º). por conseqüência. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. não só das ações dos poderes estatais. diverso e opostos. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. os quais estabelecem a sua forma. seja como diretiva na solução de casos concretos. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. 2º). assim. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. em um todo sistemático. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. é obvio. 1º). os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. sobretudo. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. o que os coloca numa posição de superioridade. Dessa forma.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. a menos. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. a divisão de seus poderes (art. Executam. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. ao elaborar as leis. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. estrutura e fundamento (art. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. da função positiva que 89 . deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. seja como orientação para progresso da legislação. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. De uma forma geral. pois servem de critério para o legislador que. é claro. Em situações novas. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. Sob o ponto de vista dogmático. como também ao exercício abusivo de certos direitos. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. atuando como um limite.

No tocante ao Poder Executivo. 1º. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). 34.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. esses conceitos foram se esvaziando. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. quanto para o legislador na elaboração das leis. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. A baixa densidade semântica. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. o direito de secessão. a Constituição veda. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. 90 . o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. que reinava de forma absoluta e irresponsável. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. CR). e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Com o passar do tempo. sendo criados novos critérios distintivos da República. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. aos entes que compõem a federação. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. DF e Município. I). é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art.

mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. não é absoluta e ilimitada. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. sob as circunstancias transitórias. a legalidade da Administração. Sob o aspecto material. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. 91 . Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. ou. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não apenas os indivíduos. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. No que se refere ao princípio democrático. à questão perene da Justiça. No Estado material de direito. Em um Estado de direito. seja através de representantes. ainda. Aqui. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. a independência dos juízes. a vontade popular representada pelo parlamento. seja diretamente. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. Em um Estado democrático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos.

A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. em nenhum momento podem ser colocados de lado. Por essa razão. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. independente. por não ter de acatar. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. No plano externo. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. a soberania migrasse do soberano para o povo. A soberania externa se refere à representação dos Estados. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. no plano interno. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. Todavia. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. 6º). o indivíduo se sente útil e respeitado. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. uns para com os outros. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. na ordem internacional. 92 . São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. por essa razão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. na ordem internacional. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). Supremo.

e. a sexual. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. I). a de informação. 220). de interesses contraditórios e antinômicos. a de opinião. A escravidão. Por isso. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. conforme os ditames da justiça social. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a intelectual. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. 215 e 216) e dos meios de informação (art. 170). de reunião e de associação. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. é um princípio básico do liberalismo econômico. ao contrário. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. político (art. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. derradeiramente. partidário (art. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. a tortura. independentemente de autorização de órgãos públicos. a profissional. uma sociedade conflitiva. cultural (arts. científica. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. artística. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a filosófico-religiosa. a sociedade pluralista é. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. 93 . por natureza. Fruto da concepção liberal. a Constituição. Por essa razão. Mais tarde. 206. ainda. mas. 17). justa e solidária (art. 3º. dentre elas. É ela o valor supremo que irá informar a criação. deve constituir o seu objetivo supremo. Este fundamento é concretizado. III). passando a se revestir de normatividade. de comunicação. de idéias e de instituições de ensino (art. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. 170). salvo nos casos previstos em lei. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. a partir do início da década de 90. com a queda do comunismo. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. o que pode levar a divisões irredutíveis. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 1º). assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial.

que seja efetivamente exigível do Estado. por outro. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. a todo e qualquer cidadão. o que significa dizer que na criação. possui um caráter positivo. Portanto. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. idade. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. não como um fim em si mesmo. A dignidade da pessoa humana não é um direito. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. moradia. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. à dignidade da pessoa humana. Poder-se-ia dizer. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. econômicos e culturais. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. Assim. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. em alguns casos. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. sexo. sua existência material. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. o acesso aos valores. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. condição social ou qualquer outro requisito. e. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. mas. por exigir uma abstenção. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. mas um atributo que todo ser humano possui. possui um caráter negativo. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Todavia. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. seja pelo próprio Estado. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. mais importante. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. ligada ao valor liberdade. na medida em que procura representar um subconjunto. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). em um primeiro momento. menor (minimizando o problema dos custos). 94 . independentemente de usa origem. seja por terceiros. Esta acepção. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). dentro dos direitos sociais. Por outro prisma. educação fundamental. não apenas por parte do Estado. Portanto. Esta acepção. mas também a de que o Estado garanta. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. etc. cada vez mais. ligada ao valor igualdade. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Por isso.) imprescindíveis para uma vida digna. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. mas também dos particulares. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. ou para com a pessoa.

tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. . Em termos materiais. ligados à liberdade. 6° e 7°). Assim. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. os direitos sociais (arts. igualdade e dignidade. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. . portanto. Visam proteger o valor igualdade. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. à participação política. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. 5°. basicamente. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. devido à escassez de recursos. 6º ao 11. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. Exigem uma atuação positiva do Estado. Em sua maioria. são os direitos individuais consagrados no art. uma constitucional e uma doutrinária. O Estado deve fazer escolhas trágicas. 95 . CF/88. 6° e seguintes). têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Em sua maioria. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). estão consagrados em normas de eficácia limitada. .direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. mas também no art.direitos à nacionalidade (art. Para que o cidadão participe da vida política do Estado.direitos individuais. Têm caráter positivo e negativo.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. consagradas ao longo das constituições. . Enfim. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. do qual são espécies: . A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. a diferença básica se refere ao plano de consagração. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. . pois surgiram em uma única época. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. São direitos ligados à cidadania.direitos prestacionais: são. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. CR/88). Têm um caráter negativo. 12 e seguintes). 5°. que divide os direitos fundamentais em: . devido ao custo de serem prestados. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. consagrados no plano internacional.direitos sociais (art. Essa classificação é legislativa. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. 14 e seguintes).direitos políticos (art.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.

ao lado da 4ª. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Têm caráter negativo. queria que ele respeitasse suas liberdades. direito de comunicação. movimento encabeçado pelo proletariado. São considerados basicamente como direitos coletivos. e estas gerações coexistem atualmente. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. A 3ª geração. Obs. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. como a família. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Tais direitos têm caráter positivo. Os direitos de defesa. pois.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. de 1789: liberdade. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. → Igualdade: Direitos Sociais. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. das gerações. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. 96 . diante da necessidade de cooperação. Exigem uma ação do Estado. exigindo uma abstenção.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. São basicamente os direitos individuais. igualdade e fraternidade (nesta ordem). então. são direitos de caráter negativo. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. da solidariedade entre países ricos e países pobres. ao desenvolvimento ou progresso. Como vimos. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. CR/88). por exigirem uma abstenção. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. os direitos prestacionais. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. diretamente à igualdade material. à autodeterminação dos povos. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. econômicos e culturais. a autodeterminação dos povos (art. portanto. Eles foram surgindo com o passar do tempo. e a dele é a mais cobrada em concursos). e geralmente em normas auto-aplicáveis. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. XVIII. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. já os de 2ª geração não. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Têm como objetivo. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. por exigirem uma prestação do Estado. enfim. 4º. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Esta é a sua preocupação principal. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Ou seja. segundo Jellinek). As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. a imprensa livre e o funcionalismo público. Por isso. XX. São chamados direitos civis e políticos. Estão ligados. Não houve substituição de uma geração por outra. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. sobretudo de princípio programático). Vejamos quais foram as gerações. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Exs: direito ao meio ambiente. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações.

são direitos difusos).). como os previdenciários. Assim. Porém. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Quem tem o papel contra-majoritário. Os argumentos contrários a esta união. Esta geração de direitos advém da globalização política. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. ao analisar a Constituição de 1891. esta alteração não foi feita em seu livro. → Globalização: direito à democracia. artístico. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). o prof. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. conserva nossas identidades. ☺ADPF 132. etc. as demais características são tratadas pelo prof. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. um pluralismo cultural. ocorrendo não raro juntar-se.P. que alguns dizem trazer os direitos à internet. os direitos de família. Ou seja. Por isso o direito à democracia é tão importante. Aquelas instituem os direitos. V. em defesa dos direitos. econômico. estas as garantias. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. que são as que. um pluralismo ideológico. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. na mesma disposição constitucional ou legal. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Ou seja. à informação e ao pluralismo (D. de ideologias políticas e partidárias. de orientações sexuais. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Afora esta peculiaridade. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. as disposições assecuratórias. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. caso violados. 1º. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos.I. traz direitos ligados à pluralidade. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. inclusive das minorias. Ex.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos.: quanto ao direito à paz. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. limitam o poder. e isso acaba por prejudicar as minorias. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Paulo Bonavides. Quando se fala em pluralismo político. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. de conteúdo). a fixação da garantia. Em uma ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. outros são difusos). apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. o direito a adoção. mas há divergências na doutrina quanto a isso. Ele preserva. quiçá quanto a 5ª. CR/88). 97 . Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). que seria a vontade da maioria. ele tem uma importância muito grande. Além desse aspecto. Ele abrange um pluralismo religioso. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Ao lado da vontade da maioria. com a declaração do direito”. São também direitos transindividuais (em sua maioria.

são indisponíveis. 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.direito ao juízo natural (direito) – o art. ilegalmente preso. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. no caso concreto. . no caso concreto. é claro. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. ainda que não individualistas. 98 . levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. havendo.Universalidade: destinam-se. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia).: direito de propriedade versus desapropriação). que só pode ser proposta pelo cidadão. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial.: HC. nascendo com o Cristianismo. . coarctando. Exemplos: . Nada impediria.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. Contudo. O caput do art. como é o caso.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. através da interpretação sistemática. muitas vezes. Deve-se observar. a todos os seres humanos. ou caberá ao intérprete. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. se o direito garantido não possui alguma especificidade. ou magistrado. . os estrangeiros não residentes. confronto. por ex. mas nunca a sua renunciabilidade.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. . os apátridas e as pessoas jurídicas. 5º.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. conjugando-a com a sua mínima restrição.. emite uma opinião (direito de opinar).é inviolável a liberdade de consciência e de crença. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. conflito de interesses. etc. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir.Historicidade: possuem caráter histórico. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. portanto. . de modo indiscriminado. HD. uma vez consagrado o direito.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). Obs. juntamente. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. quando. Normas positivas.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. decidir qual direito deverá prevalecer.). XXXVII. como é o caso da ação popular. Isso porque. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Se são sempre exercíveis e exercidos. . .

5º. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. mas. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. mas o pressuposto do qual ela parte). e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Não se admitiria. pois. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. ordem pública. Assim. fática e juridicamente. Posteriormente. etc. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. analisando caso a caso. Ingo Sarlet afirma que o art. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. 99 . fala-se. então. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. §1º. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. §1º. para isso. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade.). os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. causando uma desfiguração no direito privado. No entanto. não dependendo de legislação. só trazendo relações entre o Estado e o particular. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. 5º. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. então. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. 249. de uma forma geral. mas ainda não há decisão quanto a isso. e. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. ainda que esta regulamentação não exista.RE 175. Determinação de observância do Princípio da isonomia. . quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.*RE 161.RE 158. mesmo realizando atividades idênticas. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.243/DF. E como os princípios são muito vagos. é possível a sua aplicação com base na Constituição. quando há uma relação de igualdade real na relação. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. em geral. então.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Se. tão somente pela falta de previsão. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . houver uma desigualdade fática. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. . que não adota essa teoria). mas.RE 160. . .243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. A autonomia da vontade requer tal ponderação. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares.700. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. . mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. se exteriorizam.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. muito abertos. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Para a realidade brasileira. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.24.858.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. a proteção tem que ser maior. esta teoria seria a mais adequada. Segundo esta teoria.Resp. A jurisprudência. Ainda se trata de uma questão muito nova. a aplicação será indireta. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Os DF são expressados. Se não houver uma previsão expressa na lei. não sendo necessária uma intermediação legislativa. etc.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . devendo sobre eles prevalecer.RE 201. para que os princípios pudessem ser concretizados. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Espanha e Portugal. através de princípios.) . contrato de adesão. Mas. isso poderia causar uma série de problemas.: empregado e empregador. como a segunda. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.HC 12. Deve-se aplicar tanto esta teoria.00 para R$ 86. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.☺RE 161. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. Assim. Segundo Virgilio da Silva. O juiz. no entanto. .547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. Em contrapartida.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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1º. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. à igualdade. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. caput. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. II. CR/88. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. também não pode ser renunciado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. 128. não há que se falar em não exercício). XLVII. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. No caso do big brother. Este pode ocorrer. 5º. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. é. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. à liberdade. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. 170. CP) a questão é um pouco mais polêmica. por óbvio. um outro direito fundamental. Quanto a esta hipótese não há controvérsias.: esta segurança que o art. um caso constitucional de violação de direitos. Porque o direito à vida é irrenunciável. pois. 5º. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). ☺art. como DF é pressuposto dos demais direitos. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. 5º. A renúncia é definitiva. abre-se mão temporariamente à privacidade. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. não há uma renúncia definitiva. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Nos 78 incisos deste art. III e art. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. pois a vida é uma direito irrenunciável. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Por isso. Esta questão é bastante clara. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Obs. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. à segurança e à propriedade. CR. ☺art. O direito a vida. Há dois entendimentos: 104 .

como todos os outros. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. II. E o direito à vida. por 7 votos a 4. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. 128 (em 1940). Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. entendeu que. 128. ela é a única ação de controle abstrato cabível. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. segundo Canotilho. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. sabendo que ela vai morrer. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. portanto. é uma forma de tortura psicologia. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. A questão ainda está sendo discutida no STF. a vida termina com a morte encefálica. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. nas quais não se tem uma opinião moral definida. já que o CP é anterior à CR. já que na época em que foi feito o art.Direito à privacidade: 105 . 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. mas sim interpretando a CR/88. CP não teria sido recepcionado pela CR. 3) dignidade da pessoa humana. em razão do risco de morte intra-uterina. e. é relativo. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Se isso fosse possível. Se há dois argumentos defensáveis. O STF. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Nos EUA e na França. a morte não decorre do aborto. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. mas de modo geral). então. o art. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Para o direito brasileiro. discutida na ADPF 54. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. mas sim da acrania. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. sem o sistema nervoso central. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. . não haveria vida. o STF não estaria legislando. por isso. 128). assegurando a autonomia da vontade. insuficiente para a proteção do direito. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. Ademais. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. além de colocar em risco a sua própria vida. OBS.

há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Esta é excludente de ilicitude. Mas. O agente público. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. é a esfera da vida privada. a gravação é considerada lícita. em seguida. veremos cada um separadamente. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. 106 . 5º. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. sobretudo. Nesses casos é vedada a gravação como prova. O prof. o direito à imagem foi violado. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. não há violação à privacidade. histórico. na verdade. contra um estelionatário. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Não há que se falar em colisão. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Ao realizar essa ponderação. a honra e a imagem das pessoas. X. É gênero. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Ex: gravação feita contra um seqüestrador. Neste caso. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. científico ou cultural. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. ela é ilícita. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. são direitos independentes. Se tiver gravado um crime. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Ainda que não afete a honra. Nesses casos. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. de uma forma geral. os princípios da moralidade e da publicidade. Ex: Radares eletrônicos. maior a proteção a ser dada. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. 1. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Numa gravação clandestina. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Se filmar uma passeata. Proteção da honra e da imagem. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Logo. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. CR. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). É vedada pelo art. sobretudo. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Em regra. Então. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Ex: matérias de interesse público. quebra de sigilo e interceptação telefônica. quando pratica um ato na condição de agente público. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. uma gravação feita clandestinamente. CR. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. O direito de liberdade é maior. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. etc. contra um chantagista. por exemplo. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. não tem privacidade. Será considerada prova lícita. Ex. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). O direito a privacidade está consagrado. que se subdivide em: intimidade. no art. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. a imagem pode ser usada num processo. X. Questão de Concurso: Gravação clandestina. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. 5º. No entanto. vida privada. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. pois há uma excludente de antijuridicidade. a restrição é legítima.

tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. que é uma exceção a essa regra. não poderá quebrar sigilos.: Podem existir várias outras exceções. 3. outros dizem ser pelo art. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. está em vigor. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. O inciso X impede a gravação clandestina. Quando a CR fala em “poder de investigação”. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. informáticos. Ex: extrato de conta corrente. naquele caso específico. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Os jornais publicaram essas declarações. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. fiscais. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Dentro do próprio STF há divergência. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. por enquanto. essa decisão foi para um caso específico. De acordo com o art.. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. mas na decisão acima houve discussão a respeito. por ex. etc. 58. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. O Min. 2°) admite. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. com base no princípio da simetria. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. A lei. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. divulgaram todas as declarações na internet. 5º. outros entendem que não há proteção. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. o BB poderia quebrar o sigilo. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. a duração da chamada. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Na Itália. não há decisão do STF. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. 5º. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Quando se quebra o sigilo telefônico. X. No entanto. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Essa exceção só confirma a regra. de um cd room. como havia verba pública envolvida. falaremos da interceptação telefônica. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. ele não pode requisitar diretamente. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. fiscal e telefônico. São poderes instrutórios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. deve ter uma certa salvaguarda. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim.). em ação cível originária. Se ele quiser. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. às informações constantes na declaração de imposto de renda. XII. 2. Essa declaração. E o Ministério Público? Segundo o STF. Tem uma decisão do STF muito comentada. Dentro dela. O prof. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. XII. 107 . ainda que não seja sigilosa. § 3º. 5º. Quanto às CPIs municipais. CR. Ele alegou a ilegalidade desse ato. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Quem pode é só o juiz e a CPI. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Além do juiz. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. O STF decidiu que. já que não existe poder judiciário municipal.

o sigilo poderá ser violado. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. mas foi feita por um terceiro. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. também protege a privacidade. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Porém. não estaria protegido por esse dispositivo. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. já que protege-se a liberdade de comunicação. segundo o STF. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. 5º.. 5º. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Com relação ao sigilo de dados. Ela protege 4 formas de comunicações. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. protege a liberdade de comunicações. por uma terceira pessoa. a liberdade de comunicação. a Constituição não estabelece qualquer requisito. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. abrem-se todas as correspondências. Então. Para o prof. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. No entanto. Mas isso não é a posição do STF. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Quando se falou do método tópico problemático. Não são admitidas para outras finalidades. será interceptação telefônica. 5º. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. em determinadas hipóteses. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas.. Para o prof. Na interceptação. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. seja pelo art. sobretudo.. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. seja pelo art. Nessas hipóteses. Na prática. os dados de informática em si não estão protegidos. X. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. XII. XII. Além dessas duas hipóteses. Se um souber. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Ela deve ser usada para situações excepcionais. O STF entende que com base o art. neste caso. Em relação a essas. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Em relação à comunicação epistolar. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. será gravação clandestina. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. segundo o prof. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Aliás. é equivocado. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Se um souber. Pois. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). O art. Para o STF. 5º. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. mas. o STF tem um entendimento que. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas.

salvo o flagrante delito. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. LX: sigilo imposto a processo judiciário. seja durante o dia seja durante a noite. Ou seja. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. Pode ser que com os abusos recentes.483 – medida cautelar concedida nesse MS). ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. por nenhuma outra autoridade. imagine numa situação normal. • Prestar socorro 109 . LXI: possibilidade de prisão. d) Art. 5º. Então. 5°. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. devemos analisar 2 situações diferentes. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Sem consentimento já é diferente. Art. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). nem a CPI. qualquer pessoa pode entrar. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. o Min. violado. prorrogáveis por mais 15). Na jurisprudência do STF. Durante o estado de defesa. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. XII. Com o consentimento. Recentemente. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição.296/96. Ex: crime dentro de uma residência. a entrada deve ser permitida pela empregada. XII: interceptação telefônica b) Art. Nesse artigo. vejamos: a) Art. 5º. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Como é o meio mais fácil. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Somente o juiz. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Ela deve ser o último recurso. 5º. essa lógica tem sido invertida. Se numa situação excepcional. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. c) Art. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. A Constituição trata de 2 situações distintas. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Além disso. Essa decisão foi recente (☺MS 27. XI: violação de domicílio. não há falar em violação de domicílio. Se houver o consentimento. Segundo o STF. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. se houver o consentimento de um dos moradores. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. e mais ninguém. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. O professor acha que há certo abuso neste caso. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. pode determinar a prática desses atos. CF/88. a polícia pode entrar. nesses casos. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. e não pelo dono da casa. Nem mesmo CPI. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. 5º. Vejamos as situações: 1. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente.

propõem uma utilização conjunta desses critérios. Então. Alguns autores. Só que o STF já proferiu decisões. compartimentos habitados. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. entra no conceito de casa. mas dos vizinhos também. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. não só dos moradores daquela casa. consultórios. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. na parte em que o público tem livre acesso. Na maioria dos casos. 3. CP. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. entre eles Alexandre de Moraes. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. ☺Art. É utilizado por JAS. porque a noite é o período de descanso. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. a prova é lícita. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. pois se respeitar também o critério cronológico. E o carro? O prof. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Quando o sol nascer é dia. 110 . Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. estabelecimentos comerciais e industriais. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. hoje. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Segundo ele. não entra em conceito de casa. compreende escritórios. seja do dia seja da noite. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. 150. onde o caminhoneiro dorme. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. prevista no dispositivo. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. que traz uma conceituação bastante extensiva. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. se estiver vazio. Ele deve dizer “aqui você não entra”. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. mais adequado. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. a prova colhida será considerada ilícita. a casa pode ser invadida a qualquer hora. quando o sol se põe é noite. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. mais tradicional. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. 2. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Se entrar com o uso da força. Ex: parte de trás do caminhão. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Se houver o consentimento do morador.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. entre outros aposentos. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Entra no conceito de casa. por serem situações emergenciais. Segundo o entendimento do STF. não poderá mais entrar no domicílio. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. não encontrou nenhuma decisão a respeito. não entra no conceito de casa. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo.

Se o critério não for objetivo. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. da constituição. justifica-se a altura. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. Nestes casos. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. 2. É a que está consagrada no caput do art. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. discriminatório. Razoável 3. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. pois viola o princípio da isonomia. Para que o critério seja constitucional. Objetivo 2. 5º. XXX. idade. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Não irá fazer concurso para homens participarem. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. razoável e proporcional. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Esse critério é razoável. XXX. em situações diferentes. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Esse critério não é nenhuma discriminação. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. CF/88. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Mas. não significa que a lei não possa fazer distinções. ele não estará de acordo com o fim consagrado. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. CR. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Para esses casos. 7º. 7º. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Ex: critério preconceituoso. 111 . Quando se fala em princípio da igualdade. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Uma vez dentro do estabelecimento. é necessário que ele seja: 1. arbitrário. cor e estado civil.

e não à igualdade material. mas na Constituição Indiana em 1947. surge a questão relacionada às ações afirmativas. aconteceu o contrário. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. mas reduzir as desigualdades existentes. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. ☺art. 112 . O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Isso é igualdade formal. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). a idéia que se tem é a redução de desigualdades. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. O prof. Se o Estado não proporcionar esses direitos. 5º c/c art. disse que está ligada à igualdade material. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. A tendência é que elas aumentem. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. No caso da Índia. Tem autores que entendem ser inconstitucional. Segundo JAS. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. o critério discriminador seria desproporcional. Essas ações não surgiram nos EUA. Ex: Cotas para pessoas carentes. Dificilmente. A cota deve ser proporcional à população. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. seria igualdade material. Em princípio. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. Mas. essas ações deveriam existir por 10 anos. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. e prolongaram as que já existiam. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. igualdade e fraternidade. essas ações são constitucionais. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Quando se fala em igualdade material. e os desiguais de forma desigual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Criaram-se outras ações afirmativas. pois estão ligadas diretamente à igualdade material.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Não é uma forma de resolver o problema. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Para outros autores. utiliza-se das ações. Visa uma redução das desigualdades fáticas. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. O prof. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). que eram desiguais em relação aos seus senhores. mas é necessário analisar uma série de fatores. Para o professor. por exemplo. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Quando se fala em igualdade material. para tentar reduzir as desigualdades. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. pois elas criam uma discriminação reversa. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. acha que esse argumento não convence. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. 3º. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. Porém. Então. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. não haverá uma igualdade real. Ex: Alíquotas de imposto de renda.

tolerante. Então. . Eles foram libertados. seja por particulares. de saúde. No Brasil.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. CF/88. previsto no art. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . são destinatários do princípio da igualdade. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. .fomenta o racismo e o ódio racial . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. . seja pelo governo. Isso é uma questão de política pública. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação.princípio da isonomia (discriminação reversa).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. cientificamente falando. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. Juridicamente falando. Apesar de ser uma relação entre particulares. Poder Executivo e Poder Judiciário). O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. . pois já faz parte do próprio critério republicano. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. 208. Portanto. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. atinge todos os poderes públicos . aberta. O problema é com relação à subjetividade do critério. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. A justificativa parece não ser inconstitucional. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.em uma sociedade pluralista.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. sem exceção. . mas também para quem irá elaborar a lei. .medida imediatista e inapropriada. visa compensar uma dívida histórica.Poder Legislativo.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Eles não têm apenas a eficácia vertical.fere o mérito. Argumentos contrários: . quando se fala em destinatários. Além dessa eficácia. não sendo necessária essa distinção. 113 . Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. miscigenada e multicultural. mas eles não tiveram oportunidade de escola. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros.favorece negros de classe média alta. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. .

Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. mas apenas para as mulheres. Por que a Constituição. É constitucional? Sim. não deve ser estendida para os homens. o problema é dele. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. etc. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. para outros teria. Questão de Concurso – Cespe: No art. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Não é um direito absoluto. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. em regra. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. em princípio. 5º. CPC – ação de alimentos. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. discriminatórias. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Ex: Passeata para legalização da maconha. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. 5º. Não existem direitos absolutos. Ex: art. É livre a manifestação de pensamento. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. a lei pode estabelecer distinções. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. de expressar o pensamento. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. e violou direitos de terceiros. Isso significa que. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Logo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. ele deve licitar. Apologia ao crime é diferente disso. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Pode defender no plano das idéias. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. ela é constitucional. Mas. ela pode ser responsabilizada. É uma denúncia feita anonimamente. é outra questão. O homem não é a parte mais frágil da relação. Logo em seguida. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Protege a mulher. I.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. O particular não é obrigado. IV. 100. segundo o professor. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Ex: Lei Maria da Penha. As provas 114 . Se a pessoa agiu de forma abusiva. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. sendo vedado o anonimato. Para alguns. ela exerceu o seu direito. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. desde que seja para atenuar desníveis existentes. ela pressupõe responsabilidade. não teria sido recepcionado. Basta ser um critério objetivo e para todos. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. cabe direito de resposta proporcional ao agravo.

salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Garantir a simetria da liberdade religiosa. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. há 02 hipóteses em que o STF admite. CR. 2. e. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). A religião desempenha um papel fundamental. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Em relação ao culto. não é o caso do Estado brasileiro. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. por exemplo. ainda 2. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. com o advento da República. → Alguns temas polêmicos: 115 . A neutralidade do Estado fica muito clara no art. então. se não há qualquer identificação. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Esta liberdade está consagrada no art. A liberdade de consciência é a mais ampla. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. de crença e de culto. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. Os templos recebem uma proteção especial. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Vejamos: 1. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. O Estado deve manter-se neutro. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. ela deve ser protegida. 2. CR. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. I. deve ocorrer uma “tradução institucional”. O Estado brasileiro. 5º. 19. o equilíbrio das religiões. 3. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. inclusive em lugar aberto ao público. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Para Habermas. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. O culto pode ser exercido em qualquer local. desde 1989 (advento da República). não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Pode fazer um exame grafotécnico. ele não pode ser admitido. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Porém. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. de ter crença. Não se pode admitir que o parlamento. desde que não viole o direito de terceiro. ou de não ter crença em nada. Isso significa que. houve a total separação entre Estado e Igreja. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. pedindo resgate. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Ex: seqüestrador escreve bilhete. abrangendo a liberdade de crença. apesar de a maioria da população ser católica. O dever funcional da autoridade é investigar. Quando são produzidos pelo próprio acusado. VI. No Brasil não há uma religião oficial. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo.

Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Portanto. Pode um ateu. o argumento supracitado não está correto. . Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. estados e municípios (☺art. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Entretanto. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. inegavelmente. §1º. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. políticos e religiosos. Mas. são culturais. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. CR). que odeia guerra. fazendo uma ponderação entre os princípios. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais.. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. . mas não quer que ele aprenda a religião da escola. 210.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. São feriados puramente religiosos. e não à justiça do trabalho – ☺art. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. logo. Na Alemanha. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. os argumentos religiosos não fazem parte da política. e cultura é competência comum – da União. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. a neutralidade do Poder Judiciário. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. há algumas ações. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. §2º.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Não teria sentido acabar com esses feriados. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. 5º. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. O tribunal. onde se tem poucas escolas boas. a escola não deve impor ao menino. O 116 . VIII. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. É importante respeitar o ensino de cada um. não poderia ser confessional. Entretanto. imagine uma cidade pequena. CR). e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. então. Neste caso.. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Para o prof. ocorreu um caso muito semelhante. CR. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. a competência é em relação à cultura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Há um trecho do livro do Dworkin. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. 215. Segundo o prof. 23. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. a competência é da União.

mesmo que em locais abertos ao público. mas os políticos. Se não houver essa lei. XVII e XXI. tem o caráter permanente. CR: Não é só a liberdade de se associar. elas vão embora. o argumento deve ser racionalmente justificado. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. então. 5º. Criação de sindicatos. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Para que as pessoas possam se reunir. A pessoa alega imperativo de consciência. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. CR. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. não são os religiosos. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. Por que a CR exige prévio aviso. CR. Ex. ainda. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. 4. terminada a reunião. Liberdade de reunião. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. A República é o governo das razões. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Quem fará a tradução não é a Igreja. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Ex: reunião de condomínio. O prof. XXI. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). 3. (Não pode reunir pessoas armadas. Criação de partidos políticos. ☺art. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. essa hipótese é de representação processual. Há. as pessoas se reúnem e. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. 2. etc. Não cumprindo com a obrigação. XVI. não é necessária a autorização estatal. mas a de permanecer associado. ☺ art. Segundo Jean Rivero. por sua vez. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito.) 2. JAS diz que não são direitos coletivos. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. 15. Caso não cumpra com a prestação alternativa. XVI. na forma da lei. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. conforme portaria da ANVISA. 5º. Criação de associações e. IV). mas direitos individuais de expressão coletiva. desviar o trânsito. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. 5º. 5º. A associação. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Ex: fazer segurança. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. de cooperativas.

Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. ☺art. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. ilegítimas. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. do próprio regime desse direito. ter um patrimônio mínimo. por exemplo. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). LXX. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Segundo o STF. Há um outro entendimento que. como a Constituição garante o direito de propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. o direito de propriedade pertence ao direito público. III. segundo o prof. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. a função social. em seu art. mas não pode ajuizar ADI. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. no seu art. O sindicato (☺art. não pode existir mais de uma federação por território. Ela só garante o direito de propriedade. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. É o entendimento de Daniel Sarmento. XXII. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. garante o direito de propriedade. tendo um menor peso na ponderação. ADC e ADPF. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. é mais correto. portanto. A associação impetra em nome próprio. segundo o prof. O que acontece é que se não cumprir a função social. Função Social da propriedade: A CR. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. não impede que o direito de propriedade seja protegido. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Segundo JAS. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. 5º. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Se ele tem proteção. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. segundo o qual. Segundo o STF. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. CR) quando ajuíza uma ação. A Constituição não garante o direito à propriedade. pode ser dada numa Assembléia Geral. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. XXIII. não precisando de autorização expressa. mas sim contrárias ao direito e. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Em seguida. Segundo o STF. Ex: Invasões de terra pelo MST. mas faz parte da estrutura desse direito. defendendo direito alheio. 5º. Segundo ele. a propriedade terá uma proteção menor. 8º. não são legítimas essas invasões.. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. 5º. se não for atendida. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. 2. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. 118 .

A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. 139. XXV) e as militares (☺art. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. É um aspecto lógico. VII). ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. por ser inerente ao direito de propriedade. em regra. A função social. CF/88: Trata-se de imóvel rural. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. normalmente. Além do caráter absoluto. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. justa e. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. IPTU progressivo no tempo. só haverá indenização se houver dano. CR. uma escola pública. restringe o caráter absoluto. 5º. Propriedade Rural: ☺art. b. a saber: por necessidade pública. §4º. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. mas sobre a propriedade em si. na desapropriação. 186. diante de uma emergência. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. por utilidade pública. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Na requisição. deverá ser em dinheiro. Os principais aspectos são 2. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. No caso de requisição. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. Sempre que há requisição. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. O título deve ser entregue antes da desapropriação.000 habitantes (§1°). Sempre haverá indenização. Logo. b) ☺ art. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. A polícia requisitou determinadas propriedades. deve haver indenização? Não. Propriedade Urbana: ☺art. 184. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. a saber: a. o proprietário não tem culpa. 2. que deve ser prévia. Desapropriação: Diferentemente da requisição. ou por interesse social. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Para atender a função social. 182. Vejamos: a) ☺art. a indenização será sempre posterior. ele não poderá ser prejudicado. CR. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. indenização por títulos da dívida pública). A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. há uma transferência compulsória da propriedade. §2º. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Vejamos abaixo. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Como haverá indenização se houver dano. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. como decorrência do primeiro. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). etc. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. 182. como um apartamento. Ex: caso de Eloá. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art.

precisa recorrer ao judiciário). Usucapião: Na Constituição da República. etc. 243 da CR. no máximo. A Constituição não permite – ☺art.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. . 191. . 250 m2. Se ela é produtiva. CR). Confisco: No Brasil. O confisco de propriedade está previsto no art. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. emergências da sociedade. ininterrupta. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 184. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Vejamos: . seja urbano ou rural. por ter prazo menor. CF/88. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). 5º. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. 3. é porque ela está cumprindo a sua função social. Se ele tiver outro imóvel.). 243. É sempre indenizável (justa. Para esse fim. não precária. não há pagamento de indenização. paga em dinheiro). b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. 2.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. CR). em Indenização posterior se houver dano. Só não podem ser para fins de reforma agrária.: Imóveis públicos. sejam urbanos ou rurais. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). parágrafo único. Obs. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. Como o confisco é uma sanção. PU. Necessidades permanentes da sociedade. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. . pacífica. Nesse caso. São imunes a impostos (☺art. prévia e. regra. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Só que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Requisição Refere-se a bens e serviços. .o morador não pode ter outro imóvel.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. 183. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). no máximo. 185. não podem ser adquiridos por usucapião. sem oposição. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. §3° e art. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. 50 hectares. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). Na CR. possuir o imóvel como se fosse seu. o imóvel deve ter. §5º.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). Necessidades transitórias. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). os bens serão confiscados – art. 120 .

Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. outros a interpretavam de maneira (B). é uma conjugação das duas anteriores. XL. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. na verdade. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. a regra também é a não retroatividade (art. 5º. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . não. média e mínima. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Durante a vigência desse contrato. interpretando a lei da maneira (A). tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Para responder a essa questão. As hipóteses mais importantes são: 1. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. A garantia existe para a proteção desse direito. mas deve respeitar a coisa julgada. 5º. 3.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. CR). 106. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. A lei interpretativa retroage. Em regra. etc. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. só que exclusiva para o direito tributário. Esta hipótese é.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. a CR/88 entrou em vigor. autônomo. Alguns a interpretavam de maneira (A). a lei interpretativa retroage. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Todas as demais o consagraram. 5º e no art. Em resumo. Retroatividade da Lei Penal. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. é necessário diferenciar duas situações. mas que vale especificamente para o direito tributário. não era muito democrática). inicial. desde que seja mais benéfica para o réu. No direito penal. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. 2. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Seria correspondente à primeira hipótese. b) Retroatividade benigna. a saber: 1. XXXVI. ato jurídico perfeito e coisa julgada.

A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. mas isso está superado. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. e não as parcelas que compõem o vencimento. até mesmo. . A EC poderia prejudicar direito adquirido. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Portanto.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. porque geraria uma insegurança jurídica. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Na retroatividade máxima. Nesse caso. 654 e Súm.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Só que para haver essa retroatividade. Antes de a prestação ser paga. porque geraria uma insegurança jurídica. . já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. É claro que isso não é desejável. Ex. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. inclusive as de ordem pública. mas as leis não. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. interpreta a lei em sentido amplo. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. STF. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Ex: Determinada prestação. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. As parcelas podem ser reduzidas e. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. 2. no caso de retroatividade mínima. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. haverá uma retroatividade média. É claro que isso não é desejável. → Coisa julgada: 122 . extintas. portanto. automaticamente. Havendo mudança de regime jurídico. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Após a Constituição de 1988. haverá uma retroatividade máxima. .1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. ela afeta a todos. Só que para haver essa retroatividade. 473. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. b) Retroatividade média: pode ocorrer. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. e não o ato exaurido. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. através de norma de eficácia plena. em regra. ☺Súm. a Constituição da República entrou em vigor. Se mudar o real. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. de acordo com a legislação da época. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. não há posição prevalecente. 5º. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Se a Constituição atingir essa prestação. será necessário que a Constituição diga expressamente. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Não pode haver a redução. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. coisa julgada e ato jurídico perfeito. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. O prof. e não lei em sentido restrito. .

: salário mínimo). 5º. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. No art. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. consagrados em NEP ou NEC. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. e pelo Min. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. à medida que a sociedade o determine. Direitos Sociais: 1. . por ex.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material.☺art. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. exigem uma atuação positiva do Estado. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. em regra. Ou seja. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. §1º. de sociedades pluralistas. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . 2. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. 7º. Por isso. Assim. Mas isso não é verdade. Eros Grau. como doutrinador. mas é apenas a coisa julgada judicial. ou seja. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados.. para dar decisões concretizando tais direitos. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. segundo Robert Alexy. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. do seu enunciado. em sua maioria. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. nós deveríamos interpretar o art. são NEL (de princípio programático).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. e isso para muitos é um ponto negativo. são mandados de otimização. Dirley Jr. b) o art. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. Os princípios. independentemente de qualquer fator. A administrativa não tem essa proteção. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. Já os direitos sociais. . §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. §1º. independentemente da sua natureza. Os direitos de defesa são. Eficácia: todo direito tem um custo. e não propriamente como ministro). como teórico do direito (ou seja. 5º. o que significa que possuem um caráter positivo. 5º. Em cada época. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. pois são mais facilmente implementados. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais.

previdência. por ex. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Pedro Taques).Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Portanto. legítimas (saúde.). doutrinador do RS. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente.000.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. essa atuação talvez não seja tão justa. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Como têm apenas eficácia negativa. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. trabalho.000. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. lazer. Por isso. Primeiramente. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Quando se fala em direitos sociais. por ser norma programática. Em outros lugares. pois. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. não geram direitos subjetivos. implicitamente. Esse entendimento já foi superado. educação.. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. normatividade. segurança. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. Esses direitos sociais não teriam. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Argumentos contrários à intervenção judicial: . . Obs. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. quando foi dado um maior papel ao PJ. assim. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. rodovias. . O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. que estamos buscando.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. em tese. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. só porque recorreram ao PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. O que se busca. Assim. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. todas. por ex. as normas possuem uma textura aberta. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 .Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Norma de direito social não gera direito subjetivo. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. pois. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. é importante definir tais critérios.). para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. 3ª fase: é a fase desejável. etc. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. A visão do juiz é bilateral.

segundo Ingo Sarlet. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. inclusive a minoria. em razão do Princípio da Igualdade. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. É preciso. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Esses argumentos são os que devem prosperar. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Os direitos sociais estão consagrados em normas. por isso.Déficit democrático das instituições representativas. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado.A democracia não é apenas vontade da maioria. Não é o entendimento que prevalece. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. eleições periódicas. . e é muito utilizada no Brasil. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. no que diz respeito aos direitos sociais. Mas. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Se um poder se encolhe. não se encaixaria na realidade brasileira. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). em 1972. Ademais. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. entra-se muito nas questões ideológicas. eles acabariam sendo inviabilizados. Assim. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. sufrágio universal. Se não se estabelecer os critérios. saber se a demanda é razoável. . já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. mas a todos que se encontrem na mesma situação. ou seja. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. De se ver que quando se fala em direitos sociais. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. pois. 125 . II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). A reserva do possível. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. em razão das limitações orçamentárias existentes. . teríamos a maior utilização das ações coletivas. o outro cresce.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e.Caráter normativo da constituição.

e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. que existem z pessoas na mesma situação. Outros autores já falam apenas em saúde. precisam ser concretizados. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. educação e moradia. a questão da efetividade será prejudicada. A reserva do possível é uma matéria de direito público. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. por ser necessária para a 126 . provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana.. Segundo o prof. maior o risco de não ter efetividade.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. pelo cumprimento voluntário da constituição. etc. é o entendimento mais adequado. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. em 1953. Segundo Ana Paula de Barcellos. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. essa concretização. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Por que falamos em “mínimo”. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. saúde. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. . é o mínimo existencial. . que é a corte suprema na Alemanha. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. mas teria um peso maior na ponderação. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Não é o máximo desejado. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. mas deve também ser provada. No Brasil. que a demanda custa y. 2. A efetividade passa pela sociedade. assistência em caso de necessidade. Se não definir o conteúdo. Ou seja. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. em razão de sua textura aberta. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. quando se estabelece o mínimo existencial. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). da liberdade material e do princípio do estado social. depende de cada época e de cada sociedade. Vejamos: 1.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. Segundo Ricardo Lobo Torres. Assim. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof.

Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. independentemente da nacionalidade. da dignidade da pessoa humana. um pensamento mais flexível sobre o tema. que significa nação. entre eles: laços culturais. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. de acordo com a necessidade. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. já dizia algo muito semelhante. passaria a fazer parte do próprio direito social. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. §1º. ao estudar as normas de princípios programáticos. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. e do Estado Democrático e Social de Direito. esse prazo não pode mais ser reduzido. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. haveria um engessamento do legislador e do PE. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. 127 . Por isso. CR). só ampliado. Todos que moram no Brasil. da máxima efetividade (art. língua. Pode. fala-se em vedação do retrocesso social. históricos. JAS. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. o que prejudicaria a sociedade. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. costumes. assim. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). fazendo parte do conteúdo do próprio direito. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. Ele tem. Segundo ele. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. consciência coletiva. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. População está relacionada ao conceito demográfico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. e. Ex. segundo ele. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. não pode haver uma redução dessa concretização. 5º. Há dois posicionamentos quanto ao tema. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. fazem parte da população brasileira. 2) posicionamento de um autor português. Os poderes públicos. pois. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. estatístico. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. haver uma redução do grau de concretização. irão concretizar os direitos sociais. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. A partir do momento que um direito social é concretizado.

estrangeiros residentes. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. Refere-se aos brasileiros natos. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. Pelo critério funcional. Se o casal estiver a serviço de outro país. não haver condenação penal e requerimento do interessado. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. É o caso do Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. terá naturalidade brasileira. . em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. 12. 112 e 115. É geralmente adotada por países que estão em formação. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. A EC 54 alterou o art. II) Jus Sanguinis: ascendência.Diferenças de tratamento 128 . I. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Quando a pessoa é nascida no Brasil. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. CF/88. De acordo com o critério sanguíneo. o filho terá nacionalidade brasileira. há direito público subjetivo do estrangeiro. Neste caso. I. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. . Refere-se aos brasileiros naturalizados. 12. 12. 12.815/80. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. se não se manifestarem contrariamente. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). §6°. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. não há direito público subjetivo. 12. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. desde que haja reciprocidade. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. art. II) Naturalização expressa (art. os pais têm que ser brasileiros. de acordo com o art. c. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. 227. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). a). I. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). Obs. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art.Quase nacionalidade (art. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. considera a nacionalidade dos pais. por uma questão de soberania nacional. adquirem a nacionalidade do país onde residem. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). b).

se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. b) 6 assentos do Conselho da República (art.segurança nacional: oficial das forças armadas. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. vice.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. Já na entrega. em razão da soberania nacional.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). CF/88).815 (ato nocivo ao interesse nacional).Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. . CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. dependente da economia paterna. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. A deportação está mais próxima da expulsão. Princípios relacionados à extradição: . CF/88): 129 . Não se pode. cria-se um problema de relação internacional. Importante analisar a Súmula 421. 65 da lei 6. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. Na extradição. 5°. portanto. do território brasileiro.Perda da nacionalidade (art. . em razão da superioridade da Constituição. não se poderá invadir esse estado. presidente do SF. a ela aplica-se a súmula 1. presidente da CD. . 12. 12. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). 89. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. 5°. . O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. . o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. d) Extradição (art. Os critérios utilizados são: . . XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. 5°. ou que tenha filho brasileiro. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art.linha sucessória do presidente da república: PR. Mas. 12. §2°. Se o estado desrespeita essa regra. só poderá ser extraditado: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. Mas. No caso de brasileiro naturalizado. no entanto. Expulsão: consiste na retirada a forca. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. confundir a súmula acima com a seguinte. XL. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. §4°. §3°). VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos.

pelo CN. .é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). ou seja. §1º. salvo se por meio de ação rescisória. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. Servem ao controle do próprio direito. . caput). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. Para JAS. é o direito de votar (e não de ser votado). Direitos Políticos: . São requisitos apenas técnico-formais. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. 14. e não requisitos preconceituosos. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. com uma única exceção: art. A CR/88 adota o sufrágio universal.é periódico: essa periodicidade do voto. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.tem valor igual para todos: “one man. nacionalidade e alistamento. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. perderá a nacionalidade brasileira. one vote”. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. §1º). na forma da lei (que ainda não existe). . salvo nos casos das alíneas a e b. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. . São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. one vote” – “one person. que exige uma alternância de poder. 14.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). com a realização de eleições periódicas. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. 81.é direto: é a regra. Características que o voto possui no Brasil: . a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). 130 . voto é o exercício desse direito. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). inclusive sendo cláusula pétrea. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. o sufrágio censitário (ex. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. Além dessas características do voto. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. é o direito político em si.

. 12. até que se atinja a plena cidadania. 14. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . Assim.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). então. dentistas.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. Ex. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). 14. Primeiramente. ou seja. é o direito da pessoa ser votada. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. 14. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. filiação partidária. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. ela é adquirida progressivamente.é conhecida como inelegibilidade reflexa. domicílio eleitoral na circunscrição. §1º).este dispositivo fala em sucessão e em substituição. do art. §3º. §5º .☺§3º. com exceção dos portugueses equiparados. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14. no caso do art. ou seja. a inelegibilidade em relação aos militares (art. Além dessas condições relativas à idade mínima. se houver reciprocidade (art. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. Quando a Constituição fala apenas em lei. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. §8º). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. §7º . 14. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. etc. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. . parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. 14 traz um questionamento. no governo de SP). 14). que geralmente admitem desincompatibilização. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. Mas o §9º do art. No Brasil. os inalistáveis são os estrangeiros. salvo se já titular do cargo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. trata-se de lei ordinária. ☺ar. em caso de reeleição. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. assim. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. §3º? Segundo o STF. 14. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte.

adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. portanto. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. seus parentes também poderiam ser candidatos. o prof. não há como readquirir os direitos políticos). III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. é algo temporário. 15.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. III e V) são hipóteses de suspensão. A doutrina (JAS. Kildare. VIII). 15 (incisos II. Com base nessa distinção. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. I. Todas as outras hipóteses do art. mas o prof. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. 5º. 132 . 15. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. e quanto a isso não há divergência doutrinária. nos termos do art.

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