Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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e que se encontra acima dos detentores do poder. do estado e das instituições democráticas. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. como sociológica: “em termos jurídicos. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. 4 . Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. Kildare Gonçalves Carvalho. assim. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. uma teoria normativa da política. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. em sentido jurídico. Numa vertente mais restrita. numa terceira acepção possível. O conceito de constitucionalismo transporta. E para isso. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. por seu turno. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. o local e a época. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. então. Partindo. um claro juízo de valor. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. reporta-se a um sistema normativo. É. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. Neste sentido. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. como o inglês. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. enfeixado na Constituição. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. sociologicamente. a defesa da Constituição. o americano e o francês. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. os fins socioeconômicos do Estado. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. Numa segunda acepção. e. em especial limitar o poder arbitrário. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. mas também de outros assuntos. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. mas proteger direitos. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. no fundo. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. Tem-se utilizado. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades.

Foi a mais avançada forma de governo. b. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Hoje. Foi a 1ª experiência constitucional. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. d. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Grécia antiga: democracia constitucional. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). A democracia é a representação da vontade da maioria. quem. Foi uma retrospectiva do direito Grego. Estado Hebreu: estado teocrático. integram-no. desde logo. • Separação dos poderes. e da França. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. 1. Como ressaltado por Jorge Miranda. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. a partir da Revolução Francesa. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Atribui competências aos três poderes. a. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Estabelece as regras do jogo político. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Por isso. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. se contrapõe ao absolutismo. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). 2. ii. porém. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. b. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. após a Independência das 13 Colônias. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Governo limitado. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. • Princípio do governo limitado. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). em 1791. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. c. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. ii. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Garantia jurisdicional. Roma: idéia de liberdade. como e até onde pode mandar.surgiu em substituição ao governo dos homens. (Livro do Alexandre de Morais). fases pelas quais passou a constituição. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Influenciaram o direito francês e americano. em 1787. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje.

Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Força normativa da constituição: antes. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Hoje. havia regras. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Constituições de países subdesenvolvidos. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. O ser humano é um fim em si mesmo. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. 3. 4. d. Separação de poderes. aplica-se a analogia. diretrizes. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. PE e PJ). c. XIX. Constituições da democracia social. ou seja. a maioria da nação. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. a. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Eram apenas uma diretriz. Idéias principais: i. Constituições da democracia racionalizada. foi o Abade Sieyès. XX). ao contrário do que ocorre com a norte-americana. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. sem força vinculante. direitos fundamentais. Novas idéias foram surgindo. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Constituições da democracia marxista ou socialista. estabelecendo diretrizes. Rússia. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). b. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. os costumes 6 . Todos os poderes constituídos (PL. as quais são denominadas por pós-positivismo. na época das Revoluções Liberais. c. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. b. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. O Estado é um meio para atingir determinados fins. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. Garantia de direitos. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. as constituições tinham caráter mais político. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Segundo a tradição francesa. ii. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. A partir dessas novas idéias. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. estabelecidos pela Constituição. estarão subordinados a ela. Ex. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. ligada à idéia de liberdade. Começou a se falar em um direito moral.

o judiciário aumenta sua força. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Integração. Ele atua como legislador negativo e positivo. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). são aplicados através de ponderação entre os princípios. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. há uma euforia dos princípios. Para Barroso. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. espuma do chopp. 7 . os princípios. Ex. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. é o judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro).. mas quem dirá o que ela é. etc.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Participação. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Teoria Concretista Geral. aplica-se a regra específica. Continuidade. • • 5. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. verticalização. e. c. Hoje. etc. tratado internacional tinha status de lei ordinária. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Consenso. Na Itália. Não se aplica diretamente a constituição. f. pois esta é a concretização de um princípio geral. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Entre uma regra específica e um princípio geral. g. Os princípios. Mas essa é uma posição muito radical. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. aborto no caso da acrania. cotas em universidades. de uma forma geral. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Na jurisprudência do STF. A aplicação da norma se dá pela subsunção. demarcação de reservas indígenas. fidelidade partidária. que é aplicada mais às regras. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. é o juiz. Para Paulo Bonavides. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Universalização. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. união homoafetiva. Quando o legislativo é fraco. d. Constitucionalismo do futuro.  Aplicação direta da constituição. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Verdade. Eles são importantes. b. Solidariedade. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Hoje.

os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. então. de soberania popular. CR) e. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. a participação. portanto. Carta outorgada por Carlos II (1662). com valor igual para todos. Compact (1620). a solidariedade. cujo titular é o povo. o P. de acordo com o art. dá-se através dos representantes do povo. Petition of Rights de 1628. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). de forma expressa. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Vale dizer. 1º da Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. concretizando a soberania popular. o exercício deste poder. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. do art. 14. segundo o art. que. CR). que são os deputados federais (âmbito federal). Assim. nos termos deste lei e das normas constitucionais. O titular do poder é o povo. o povo também o realiza diretamente (democracia direta).U. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Podemos falar. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Habeas Corpus Act de 1679. pertinentes. referendo e iniciativa popular”. caput. Bill of Rights de 1689. I. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa.709/98 (que regulamentou o art. verdadeiro sistema híbrido. a continuidade. mediante: plebiscito. Como regra. Act of Settlement de 1701. por intermédio de seus representantes. 1º. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 46. nos termos desta Constituição”. Fundamental Orders of Connecticut (1662). Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. a verdade. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). CR. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. II e III. Contratos de colonização.

Esta é a concepção que hoje prevalece. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. na sociologia. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). não passaria de uma simples “folha de papel”. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. → Segundo Hans Kelsen. a Constituição é norma pura. 242. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. quando não corresponde à Real. O art. para ele. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. 1°. PL. como por ex. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. têm a mesma forma de elaboração). os direitos fundamentais. caso contrário. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. Segundo ele. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. As leis constitucionais são todo o restante. Para entender tal concepção. Constituição e leis constitucionais são. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. conforme o prisma de análise.. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. que adota o conceito decisionista de constituição. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. a que Carl Schmitt chama de Constituição. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). na política ou na filosofia). ou seja. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). Esta concepção atualmente é inadmissível. é vinculante e obrigatória. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. Toda a Constituição. mas materialmente distintas. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. A conferência realizada por ele. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . §2º. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. mas apenas leis constitucionais. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929).: art. A Constituição Escrita. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. o restante. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. com exceção do Preâmbulo. o caráter normativo e vinculante da Constituição. PJ. ou seja. que surgiram com as constituições mais prolixas. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. portanto. Essas normas são programáticas.

a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. é apenas uma pressuposição. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. é um elemento conformador.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. posta pelo Estado). 10 . define tais elementos estruturais. é a Constituição escrita (CR/88).Soberania. A CR/88. . Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade.Povo. condicionante desta mesma cultura. é uma norma pressuposta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . quais sejam: . seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. modificando-a. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. ao mesmo tempo.Território. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. portanto. . Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. . Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. não está escrita. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). Seu único comando. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. ela não existe na realidade. e também jurídico. é: todos devem obedecer a Constituição. não introduz nenhuma novidade. segundo esta concepção. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. . os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. neste sentido. por isso não tem nenhum expoente específico. a Constituição tem sim fundamento sociológico. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. mas que trata de todos os aspectos. todos os setores da vida social. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. Gilmar Mendes). qual seja. Ou seja.Finalidade. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado.

1967. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. 3) Quanto à origem: . há pouco espaço para se ter costumes como regras. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.não codificadas (ou legais. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. . toda Constituição histórica é costumeira.: as constituições outorgadas recebem. pois toda constituição é escrita e não-escrita. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. No Brasil. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Ex. tem também vários documentos escritos. Nesse caso.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. .não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa.outorgada: é a constituição imposta. de maneira unilateral. o apelido de “Cartas Constitucionais”. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). ou variadas): ex. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. . intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. consuetudinária (não é escrita). dos dogmas predominantes naquele momento histórico. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). . Obs. trata-se de modalidade anacrônica. a constituição não se torna democrática. não surge de uma só vez em um só momento. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. e como é bastante prolixa.. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. a Constituição Inglesa.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código.. de uma só vez. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. por alguns estudiosos.dogmática: sempre escrita. quem vota a matéria são as lideranças. 11 . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). as constituições outorgadas foram as de 1824. surge em um só momento. promulgada. . é fruto das idéias. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. . É uma aprovação simbólica). como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). por ex. Constituição Espanhola/1930. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. como por ex. 1937. podendo ser: .escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. Por isso mesmo.democrática. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. votada. 4) *Quanto ao modo de elaboração: .pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.

Por este motivo. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . É uma constituição em sentido material. Não existe controle de constitucionalidade das leis.: a Constituição dos EUA).imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.fixas: não poderiam ser modificadas.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . sucintas. (Obs.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. ou seja.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . sendo assim. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. 1º.) . sem se preocupar com os detalhes. . O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Ex. Ex. São chamadas também de clássicas. passou a haver hierarquia entre as normas. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . mas sim o processo mais dificultoso. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. É uma constituição em sentido formal.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. . Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. . Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. Como se submete a esse tratado internacional. É uma classificação típica das constituições costumeiras. portanto muito difícil de serem modificadas.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais.: art. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. . Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. CR).constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. como é o caso da CR/88. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Em 2000. Constituição Inglesa. deixou de ser considerada flexível. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. inclusive a CR/88). Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). . Ex. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”.

Flexíveis (ou plásticas). o Estados. votadas ou promulgadas). a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. porque é fruto de várias ideologias. Democráticas (populares. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês).: art. OBS. sumárias. costumeiras ou consuetudinárias). como por ex. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. dogmáticas. o DF. Não-escritas (inorgânicas.: a CR/88 é ainda Eclética. prolixa. (processo legislativo). Pactuadas (ou pactuais). Canotilho. sucintas. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). União. dogmática. Ecléticas. rígida (ou super-rígida). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Constituição programática (ou dirigente). Ex.: art. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). 13 . básicas ou clássicas). que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). 59 e segs. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. CR. Característica das constituições clássicas. pois valem a todos os entes federados. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Históricas. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. 3º. e não de apenas uma ideologia. mas sim uma obrigatoriedade!). As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. que surgiram com um objetivo pré-definido.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. codificada. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). Constituição em sentido formal. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). formal. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. democrática. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. É a CR/88. . Rígidas. o União. Fixas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. o Municípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

porque os princípios têm maior amplitude.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição.343/SP. distritais e municipais. as leis delegadas. 59. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. enquanto as regras são mais específicas. o indireto. Importa dizer. a Constituição tem que ser rígida. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. para fins de controle de constitucionalidade. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. obrigatoriamente escrita. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. basicamente. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. Para que exista supremacia formal. cujo fundamento de validade são as leis e. que existem como complementação dos ANP). LC. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. §3º). II a VII). Leis Delegadas. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. que a CR/88.: decretos e regulamentos. sejam elas originárias ou derivadas. 59. a Constituição. MP. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. por 3 níveis hierárquicos. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. se tiver também supremacia formal. princípios ou regras. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. CR). ordinárias e complementares). por ser rígida. tem de ser. as derivadas (art. estaduais. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. direitos fundamentais ou não. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. 5º. No topo. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. DL e Resoluções – ☺art. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . uma Constituição só possui relevância sociológica. as medidas provisórias. 59. No entanto. encontram-se as normas constitucionais originárias.

Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Não varia. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Residual. Portanto.☺Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. 47 é a regra geral. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. MPs. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Leis delegadas. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Essa aprovação não é obrigatória. é sempre o mesmo número ☺Art. Por ser uma matéria reservada. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. No entanto. 69. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. 47. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Cabe controle de legalidade (discussão incidental). por uma questão de economia legislativa.status constitucional.☺Art. Lei ordinária Art. a previsão constitucional exige complementação. 69. OBS: O art. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. que regula a LC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . No caso da prisão civil por dívida. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . mas somente uma recomendação. Reservada pela CR/88.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Quando não exigir LC. Anotar como complemento posteriormente. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária.

pois não está ligada diretamente à Constituição. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Parei aqui. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). DF). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. como o controle exercido será de constitucionalidade. a competência para resolução é do STF. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Hierarquia entre Lei Federal. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União).: lei estadual trata de matéria de competência da União). 21. 25. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. 30 (assunto de interesse local). não cabe ADIN. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. assim. E. 102. 16 . • União – ☺Arts. conforme previsto no art. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. • Estado – ☺Art. III.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Assim. há hierarquia. no caso de repartição vertical. d. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. ☺Art. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. Assim. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. Havendo conflito (ex. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). CR.

é diretriz hermenêutica. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. visando assegurar a supremacia da constituição. Com a EC/45.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. como para Canotilho. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. tem função interpretativa). o CDC. . o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. seja uma norma de referência para ele. Assim. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. . Como não tem caráter normativo. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. deve estar inserida no texto da CR. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). para alguns é amplo e para outro é mais restrito. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. ou seja. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. mas também o preâmbulo. b) Parte permanente = normas gerais – arts.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. Tirando o preâmbulo. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). Não existe. 17 . A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Refere-se. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. contudo. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. etc. . Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. os TI de direitos humanos. Abrangeria não somente a constituição. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). quando são equivalentes às EC.

art. Dependem do prisma de observação. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. CR). a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. No STF. MI. e Não Bastante em Si. 5° a 17). se considerar em relação a uma expressão é total. . atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. Não Auto-executável. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88.de princípio institutivo (Obs. STF não é mais aplicada.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). Obs. 3. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Assim.: a Súm. não pode ser suprido pela sua sanção). não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. ou seja. 18 . as Súm. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.de princípio programático. . A omissão parcial nada mais é que uma ação. mas o prof.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. Ou seja. §1º. ADC e ADPF.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. 3. Aqui. ocorre. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). quando não é respeitada uma norma de competência. Ex. aliás. 154. AIO. às vezes. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). o Min. 5. 4 e 5.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). 69 – desrespeito a quorum de aprovação. Assim. não será cabível mandado de injunção. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . 61. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Pode ser: .: competência privativa do PR (☺art. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. ou seja. mas caberá ADIN por omissão). I – que exige LC para instituir impostos residuais).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. ADI. 3. Não Auto-aplicável. (Obs.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. Ex. Ex.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Formas de Inconstitucionalidade: 3. pois. há uma divergência na doutrina.

ou seja.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. Pode ser: b. a inconstitucionalidade será indireta. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. refere-se. como altera sentido do texto. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. não se trata de revogação. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. que se ligam indiretamente à constituição. Quando se fala em inconstitucionalidade. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. Ex. Assim.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). o decreto se torna inconstitucional. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. b. o que houve foi um desrespeito à Constituição. 59. que só pode atingir todo artigo. ato originariamente constitucional. a inconstitucionalidade será direta. todo parágrafo. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Relaciona-se. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). ou seja.: a palavra “não”. No caso do decreto. 66.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. CR. pois. Obs.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. no controle concentrado abstrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. de ofício ou a requerimento da parte. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Para o prof. reflexamente (ou de maneira 19 . Se o decreto é ilegal. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). aos Atos Normativos Primários. já sendo inconstitucional desde a sua origem. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Ex. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. pode ser questionado. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. No caso da lei. 3. § 2°). Segundo STF. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. não pode ser retirada). decretos regulamentares. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. e grande parte da doutrina. atos previstos no art. toda alínea ou todo inciso (☺art. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente.

porque o chefe do PE. 66. porque ele é o único que participa do processo legislativo. o projeto 20 . ele não precisaria impetrar o MS.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. quando ele participa do processo legislativo. 66. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. a inconstitucionalidade é indireta. O único legitimado para impetrar esse MS. . No 1° caso. pois pode ser derrubado (☺art. que se exerce através do veto (☺art. não pode impetrar o MS. assim. Trata se de um controle incidental. §2º..Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). 84. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. Obs. 60 parag 4. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. a inconstitucionalidade será direta. por isso aqui não há que se falar em controle). mas sim analisar cada caso concreto. O chefe do PE. O veto é relativo. tem fundamento de validade indireto. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. como pelo PE e PJ: . 84. Art. por isso ocorre antes da promulgação da lei.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. prevenir que a CR seja violada. já que de maneira indireta. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias).sancionar. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. porque o ato não fere diretamente a CR). através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. embora participe do processo legislativo. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. Caso contrário. EX:art. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. promulgar e fazer publicar as leis. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. OBS: não adianta decorar o nome do ato. ela não está violando o direito de ninguém). ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. IV .1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. .Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. parágrafo. é excepcional. portanto. O veto tem que ser expresso. mas uma mera análise política.ou concreto.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. IV. CR. CR). viola o art. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. é fundamento de validade direto e no 2° caso. se ele entender que o projeto é inconstitucional. inciso ou alínea). mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. segundo o STF.

o CN poderá editar um outro ato normativo primário. e as normas do RI são questões interna corporis). já que trata-se de um ato normativo. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. Ademais. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. constituindo-se normas constitucionais interpostas. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. 68. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. o Senador. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . 49. aos direitos fundamentais”. os direitos e garantias individuais” – ou seja.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. secreto. por maioria de votos. a fim de repará-la. 60. Legislativo? Sim. universal e periódico. vinculam os atos e procedimentos legislativos. Assim. que. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. §4º. Na verdade. contudo. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. em um primeiro momento. pois não se trata de ato normativo. interpretações regimentais. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. etc. muito embora não sejam formalmente constitucionais.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. a separação dos poderes. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. Questão: o PR. Se o projeto tramita na CD. o voto direto. mormente. ☺art. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo.. V . que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. desta feita. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. na qual o projeto esteja tramitando. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. somente o Deputado Estadual. pode ajuizar uma ADI. o PR elaborará então a LD. que é o chamado Decreto Legislativo. na linha do voto de Gilmar Mendes. as cláusulas pétreas. No entanto. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. ou seja. não lhe cabendo. V. vedando-se. que entende que “. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional.. Leitura do livro do Lenza (pág. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). se na Assembléia Legislativa. CR. mas um processo legislativo constitucional. 21 . 168): o STF. se está no Senado. ADC ou ADPF. tendo como objeto esse Dec.

Obs. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). não havia relevância alguma). Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Não se analisa o mérito da MP). 62. mas tão somente aos prefeitos. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. O chefe do PE (e só ele – PR. ao negar cumprimento à lei. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. Ele será. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. nesse caso o CN pode editar um Dec. através da edição de um Decreto. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. 84. . mas segundo o Min. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. III) Súmula 347. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). .: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. o chefe do PE teria que. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. 4. 71. ela deve ser objeto de controle.. estendendo-se inclusive ao PR e Gov.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Assim. ajuizar uma ADI. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. não é um entendimento consolidado. Apenas excepcionalmente. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). No entanto. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). STF: o Tribunal de Contas. é necessário fazer-se um controle repressivo). CR). pode o PJ analisar tais pressupostos. tampouco que o PR. II) art. estudado de forma detalhada a seguir.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. simultaneamente. Legislativo para sustar. O TC é órgão auxiliar do PL (art. Desde já. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). IV. já no STJ não há qualquer ressalva. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. esse rol foi ampliado. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. ao fazer um Decreto Regulamentar. porém. por ex. segundo o STF? Resposta: em regra. clara e evidente – ou seja. quando. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). nesse caso. pois. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes.. Após a CR/88. no exercício de suas atribuições. CR).084). devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. ou seja. Gilmar Mendes. Antes da CR/88. exorbita os limites do Poder Regulamentar.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. GE. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR.

É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. Ex. No Brasil. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. Segundo caso. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. em 1920 (bem depois do controle difuso). que completa este ano 20.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. 4. difuso e concentrado). b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Obs. se se tratar de lei local. Primeiro caso. já foram feitas 56 EC! 23 . porque surgiu nos EUA. ao mesmo tempo.A. já na CR/88. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). em se tratando de lei nacional. inclusive o STF).: na Suíça. e é adotado pela maioria dos países europeus. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). interessante: em 1965. ou seja. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. Por isso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional.: França – que tem o Conselho Constitucional. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. Por isso.S. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. 1792 Hayburn s case.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. isso não é verdade.Hilton x U. o controle é feito pelo PL. com 19 anos de Constituição. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. dentro de sua competência. porque surgiu na Áustria. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. haviam sido feitas apenas 16 EC. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). quem exerce o controle é o PJ. É também chamado de controle aberto. porque significam coisas diferentes!). O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). mas das espécies de controle. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. em 1803. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. para não gerar essa confusão.

Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. mas deve ser estendido ao controle concreto). as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. O efeito vertical. A finalidade não se confunde com a competência. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). sendo o controle 24 . 97. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. Da mesma forma. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Com base nesse argumento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Este efeito é típico do controle abstrato. é proteger as normas da CR. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Gilmar Mendes. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. ou seja. porque em estando revogada. Segundo este instituto. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. se fala em efeito vertical. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. (O STF é o guardião da CR – art. já não ameaça mais a supremacia da constituição.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. ou tendência de verticalização. Por isso o Min. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. por ser uma relação vertical. A análise da lei sempre será feita em tese. nos EUA chamado de “Binding Effect”. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. o principal defensor dessa tendência é o Min. mas tão somente de controle concreto. e a partir desse antecedente. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. No Brasil. No direito brasileiro. 102. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. também não podem ser objeto de controle abstrato.

do PL. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. tendo efeito apenas inter partes. No Legislativo: Mas. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. O Relator da Reclamação foi o Min. e não erga omnes. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Assim. Gilmar Mendes. não uma simples mutação. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Assim. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. ou seja. Gilmar Mendes (e também o Min. 4.335/AC). Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. não permite essa mutação). Então. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). No Acre. 52. Por fim. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. E. como a decisão tem efeitos inter partes. segundo ele. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. não há necessidade da suspensão pelo Senado. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Não houve reclamação quanto a essa decisão. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. ainda. se assim fosse. ou seja. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. pelo menos por parte de alguns ministros. em ocorrendo isso. CR. que deu provimento à reclamação. o direito de greve dos servidores públicos. Antes. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). X. Na decisão do STF. o Min. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. sendo acompanhado pelo Min. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto).959/SP. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta.917/SP. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Gilmar Mendes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Pois no controle difuso. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. então não sabemos a posição dos demais ministros. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. ou seja. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Por fim. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. viola o princípio da igualdade. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. sem que ocorra modificação no seu texto. ou seja. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Outra situação interessante foi o RE 197. em seu voto. Eros Grau. houve decisões proferidas em 3 MI (712. 25 . Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Então o Min.

social. A repercussão geral (art. No controle concreto. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. Num segundo momento (conseqüente).418/06). ou seja. concorda com isso). o que se dá no “plenário virtual”. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. 103-A). atualmente. mas apenas a causa de pedir (antecedente). não precisam chegar até o STF. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. a rigor. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. O RE. não tem natureza processual como as súmulas comuns. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. O papel do STF não é julgar litígios individuais. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. político ou jurídico. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. não cabe ao STF analisar. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. eles não se reúnem fisicamente. é um instrumento de controle concreto e há.art. analisado no dispositivo (conseqüente). pois tem o papel de guardião da Constituição. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Contrários a essa tendência de abstrativização. 102. por estarem mais próximos dos indivíduos. somando-se os votos de todos eles. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. por sua vez. A súmula vinculante tem natureza constitucional. estão os procedimentalistas. fundamentação e dispositivo. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . julgando-o procedente ou improcedente. 26 . § 3°.417/0 e Lei 11.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. não é o objeto principal do pedido. (☺ Lei 11. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. é uma questão incidental. Segundo Eduardo Appio. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo.

Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação .Lei 9. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. 102. e ele se encontra no Dispositivo. 102. sejam poderes públicos. sejam particulares. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). a razão determinante da decisão. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.erga omnes . a chamada eficácia vinculante. §2º. Ademais. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. ou seja. mas tão somente a ratio decidendi. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.: . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . art. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. 28. há previsão não só na lei como também na CR). art. conforme está previsto no caput do art. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI.EC 45/04: art. P. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. . .efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. 10. secundárias do julgado. mas também à fundamentação. não determinantes para a decisão) não vinculam.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . .U.Obter Dicta: não tem efeito vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes.868/99 – Lei da ADI e da ADC.I. Sendo assim. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. eles também são vinculantes. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. . mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. questões ditas de passagem. .vinculante. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. 27 .CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). Dispositivo L. 5.882/99 – ADPF.Lei 9. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.

28 . também fica vinculado). outros dizem ser nulo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . Só atinge a norma impugnada.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. . Por este entendimento. no caso Marbury x Madison). . o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. No entanto. segundo o prof. estes estarão sim vinculados). já os órgãos fracionários do STF. até que o PJ a declare inconstitucional.o PL (na verdade. e outros dizem ser um ato anulável. . a função legislativa). inclusive o Tribunal de Contas. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. pois atinge apenas o dispositivo. estadual e municipal). . com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. impedida de evoluir).Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. se as leis devem ser cumpridas. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. inclusive os chefes do PE.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. . que se quiser. É um entendimento que vem desde 1. (20/03/09) 5.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. cuja função não é legislativa. suas turmas e seus ministros. mas sim fiscalizatória. mas os sistemas de preclusão processual. pode modificar seu entendimento. Respeitando o efeito vinculante. Obs. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. mesmo que não tenham sido impugnadas.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. por sua vez. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. como a coisa julgada.

decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. com inteiro teor). não admite a “constitucionalização superveniente”. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. portanto. não precisariam deixar os cargos.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.112/90.868/92 (art. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado.” . como a Lei 9. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). 27. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . Mas. 11). outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. etc. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. poderá o STF. autor e réu. assim.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. ☺art.Normas anteriores à CR. Exs. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). . Assim. o Min. portanto. como os servidores agiram de boa-fé.)”. O STF. e não no de não-recepção). ou 2) excepcional interesse social.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9.). de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. porque o ato é nulo desde a sua origem. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. 27). incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). no caso do controle abstrato.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. o STF. Neste caso. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não.. ☺RE 197. que revogou a Lei A. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. por questão de segurança jurídica.882/92 (art.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. decidiu que. como regra é retroativo: ex tunc. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. os efeitos são erga omnes). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. o efeito que produzirá.. Lei 9. Ou seja. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Visto a natureza do ato inconstitucional. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. com seus normais efeitos ex tunc.

quanto . em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. evitando a inconstitucionalidade progressiva. Assim. . de fato. depois de ter sido recepcionada. portanto. (A norma já passou pelo crivo da constituição. Ex. Em alguns casos. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. CR x art.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. para que este corrija a norma. 134. portanto foi recepcionada. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. mas. . com condições de trabalho iguais às do MP. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. portanto. mas sua interpretação). Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . pelo MP – a competência é da DP e não do MP. à medida que a situação fática for alterada. ela progressivamente se tornará inconstitucional). e a norma já foi recepcionada pela CR e. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.Corresponde a um juízo de . Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). o prof.Corresponde a um juízo de . a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. com um só sentido). chamada “Apelo ao Legislador”. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. era uma questão “obter dictum”. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). o resultado será o mesmo.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). 68. CPP. Segundo o STF. constitucionalidade. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. ex. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido.O Tribunal não precisaria 30 . assim. que trata da ação de reparação ex delicto. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. mas nem sempre. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. um significado A e um B.: a norma x tem dois significados possíveis. quando todos os Estados tiverem DP.2: art.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. não foram todos os ministros que se manifestaram). 5.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. controle difuso-concreto. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. Ex.O Tribunal precisaria observar . reproduzida pelo STF). A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade.

dentro de uma mesma lei). o texto da norma. . analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. o juiz pode. Trata-se de controle abstrato. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. a cláusula de reserva de plenário. ser objeto de ADI.Não há qualquer modificação no texto da norma. portanto. da Lei x. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. Na declaração com redução de texto. esta só se faz necessária quando se afasta. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). . 1º e 3º. ou todo o artigo. por arrastamento. e são permitidas as demais.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. não poderá. . mesmo que não tenha sido questionado. (*) Para o STF. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . 1º ou do art. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. desde que não altere o sentido do restante da norma. . Há um Decreto que está regulamentando esta lei.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. O STF. não podendo.É permitida uma interpretação e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. do art. se o art. nem sobre os demais. 2º. 1º e 3º e. Obs. . Ocorre que. declarar a inconstitucionalidade. em razão do Princípio da inércia. se manifestar de ofício sobre o art. no controle abstrato. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. 2º. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. . portanto. de ofício. no controle concreto.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). . se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. o juiz não pode. ou seja. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). b. 97). Assim.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. em princípio. 2º for dependente do art. observar a cláusula da reserva de plenário (*). no controle concreto.É uma técnica de decisão judicial. se for um dispositivo autônomo. são excluídas as demais. b) Com redução de texto: b. de ofício. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia.É excluída uma determinada interpretação. em regra. como ambas são equivalentes. total ou parcialmente. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. 3º. 2º. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação.

podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. neste caso. pois será uma questão discutida incidentalmente. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. Ex. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. mas é que esta não é necessária. No Brasil. dentre elas a ACP. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. julgará procedente ou improcedente o pedido. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. mas também quando há usurpação da competência do STF). pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). Ou seja. O pedido será a proteção de direitos. O dispositivo. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. portanto. Assim. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Sobre o tema: 32 . já que o STF pode. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. portanto. mas apenas a causa de pedir. todo controle difuso é concreto. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. porque. e por arrastamento. Neste caso. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. ACP para fechamento dos bingos. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração).: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. Obs. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. ADCe ADPF). Mas nem todo controle concreto é difuso. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. apesar de sozinho não ter aplicação. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Contudo. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. julga também inconstitucional o decreto. de ofício.

a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. porém. XI – órgão especial: para que seja criado. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. por ex. que é mais de 50% dos presentes). e no mínimo 11 membros. Assim. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. STJ ☺ Resp. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. por exemplo. por entendê-la inconstitucional (inter partes).022. é função possível de ser delegada. STJ ☺ RE 227. 97. Regra da “full bench”. o que só se pode obter por meio de ADI. assim. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei.: eleição do Presidente do tribunal. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma.646. Segundo esta cláusula. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. Em outras palavras. os Tribunais não têm admitido que. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. teremos uma lei material. porém.. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. ☺art. Os juízes singulares podem. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. porém. no caso. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. 557.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). na prática. não pode ser delegada. 97. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. em defesa de contribuintes. as chamadas leis de efeitos concretos. 294. elaboração de Regimento Interno. no âmbito dos Tribunais. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). Assim. No tocante. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. desde que. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. Assim. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. conseqüentemente. de efeitos concretos. pois. Nada impede.159. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. dotada de caráter de universalidade e abstração”. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). de Hugo Nigro Mazzilli (pg. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. também não pode ser delegada). por meio da ACP. que é função legislativa. que é função política. 33 . nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. 93. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes).

apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). .. se existir no Tribunal.U. 481. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). ou em caso de interpretação conforme. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. Há quem critique tais exceções. Há uma repartição funcional de competências. pela maioria dos seus membros. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. Decidido o antecedente.U. porque para o STF ambas são equivalentes. assim. podendo decidir o caso concreto. P. se for acolhida. no entanto. ao órgão especial). O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. sob o argumento de que o dispositivo (art. como guardião da CR. Assim. CPC) seria inconstitucional: o art. se entender que a lei é inconstitucional. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). 481. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). de acordo com o posicionamento do STF. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. prosseguirá o julgamento.. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. abstratamente. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. Exceções: P. sabe-se que o STF é o guardião da CR. será lavrado o acórdão. O professor não concorda. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário).)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. Quanto à 2ª exceção. ☺art. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. 34 . pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988.. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. 97. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. a argüição de inconstitucionalidade (. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial.

bem como ou STF. a lei deixa de ser aplicada. A cláusula vale também para o controle concentrado. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. É o entendimento mais correto. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. O SF não é obrigado a suspender. 2) Outros autores. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. Quando o SF suspende a lei. X. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. ela se refere à decisão do STF. trata-se de uma competência exclusiva. sustentam que o efeito é ex tunc. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. O STF já admitia essas duas exceções. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. 35 . como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. se assim o fosse ela já seria vinculante). passa a ter efeito erga omnes. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. CR – compete privativamente ao SF suspender. ou seja. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. entendem que se trata de um ato discricionário. a decisão do STF. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. Na verdade. 178. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. art. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). por isso o faz dali em diante. 52. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. em regra. no todo ou em parte. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. quando isso ocorre. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. A suspensão se dá através de uma Resolução. RISTF. que não comporta delegação. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. que não pode ser retroativa. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). o SF não pode suspender toda a lei. portanto. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). não estando vinculado à decisão do STF. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. Efeitos. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. Ademais. esta decisão deve ser submetida ao plenário. como se tratasse de uma revogação. O SF apenas suspende a lei. Outros autores. Ou seja. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato.

Art. não se referem ao âmbito estadual e municipal. ou seja. a resposta é negativa. CR: prevê o escrutínio secreto. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. 178. 66. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. esta norma não é de observância obrigatória. sendo norma de observância obrigatória. normas referentes ao TCU. 57. Na ADPF este fenômeno também é possível. em razão do princípio da simetria. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. Mas. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). LO. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. 61: iniciativa do presidente. mas. Por isso. cujo modelo. O SF. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. Art. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . configuraria uma mutação constitucional. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. o que. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Quando se fala em decisão definitiva do STF. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. se for apenas uma parte. está fazendo uma análise. por ser um órgão do PL Federal. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). pela simetria deve ser atribuída ao governador. um RE para o STF. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Segundo o STF. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. e se o STF. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. esse entendimento é desejável. se toda a lei foi declarada inconstitucional. obrigatoriamente. CR) não comporta este entendimento. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. cabe. deve-se recorrer ao entendimento do STF. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. LC. Gilmar Mendes. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. 52. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). já que o SF não atua de forma correta. segundo o Min. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. 59 e segs. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. CR. não havendo a necessidade de suspensão da lei. Segundo o professor. Ressalta que a letra da norma (art. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. É uma construção da jurisprudência do STF. §4°. etc. requisitos para a criação de CPI. Neste caso. já o SF não. desta decisão proferida pelo TJ. RISTF) – e isso é óbvio. a partir do momento que resolve fazê-lo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. no controle difuso-concreto. Nas situações em que o TJ julga. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse.

: CTN. estadual e municipal. por isso pode suspender leis também dos Estados.” Análise do enunciado pelo prof. Ex. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. estadual. da organização da União. do DF e até municipais. CR). Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. retirando a lei do ordenamento jurídico. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. 19.: Lei 8. Classificação de Osvaldo Aranha B. Ex. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis.: art.).: arts. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. ele está atuando como órgão de caráter nacional. São os dispositivos que se referem tanto à União. Quando o SF suspende os efeitos da lei. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. 58. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. a suspensão. assim. se aplicando ao âmbito federal. É também uma lei emanada do CN. porém. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. §3º. é como se os Estados e DF também estivessem atuando.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. por isso pode suspender lei estadual e municipal. os que tratam do TCU. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). art. também. no todo ou em parte. só se aplicando ao âmbito federal). ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. X. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. está defendendo interesses apenas da União. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. 59. visto que. Sabe-se. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. 52. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. como aos Estados. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Assim. que deve ser observado no âmbito federal. sendo específica para os servidores públicos civis da União. por não existir uma federação de municípios. ADC ou ADPF). portanto. outros 37 . que dispõem sobre o processo legislativo (arts. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). o SF teria um número enorme de representantes). mas não trata apenas dos interesses da União. distrital e municipal). etc. Ex. no controle abstrato (ADI. quando o SF atua. 37. pelo Senado Federal. Quando o SF atua como órgão federal. Ex. não havendo.

de 10/10/1997. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). porque o seu parâmetro não é a CR. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Embora não haja consenso.346. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. então. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. Segundo o STF. Poderá. de fato. . não retroativos). é a Câmara Municipal. visto que. 2º grupo: . a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. adotou-se.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. RN. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. visto que. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Com efeito. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. da AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. pró-ativos (ex nunc). Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). o enunciado acima transcrito está corretíssimo. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. por força do referido Decreto nº 2. 38 . De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. Entretanto. Portanto. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. é sempre a AL que suspende a lei. MS. é a AL que suspende a lei. na sua esfera de competência. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). os dois tipos são constitucionais. no âmbito da AP Federal.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. SE e AM. declarando uma lei inconstitucional. em decisão definitiva. TO.346.

e não do trânsito em julgado.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. ou na CR ou na lei. onde não existem partes formais (autor e réu).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. 103. não cabe. 39 . Obs. Como são ações de controle abstrato. a competência é do TJ). ☺Lei 9. . Por se tratar de um processo de índole objetiva. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . 5) Ação rescisória. o duplo grau de jurisdição. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). de acordo com essas leis. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. A Constituição. 4) Recurso da decisão de mérito. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. mas sim legitimados. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada.ADPF. a ampla defesa. em seu art.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). tendo partes – autor e réu. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. deve haver a previsão da legitimidade. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. ela é meramente jurisprudencial).882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. . isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.ADC. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. e . o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). que são a União e os Estados).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. obviamente.

segundo a jurisprudência do STF: . passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). . a partir de então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. ou seja. confederação local: sindicato.Os GE.A entidade de classe. CS e ECAN. Executivo PR GE – GDF P. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. Obs. Os demais podem fazê-lo sem advogado. . . Para ter âmbito nacional.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN.Confederação sindical significa de âmbito federal. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. .S.. confederação regional: F. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). para ter legitimidade. . .O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P.A norma do art. . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). . o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). Assim.

I. ou seja. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. como por ex. a.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. Obs. direitos e garantias fundamentais. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. todas estão no mesmo nível. OBS. admite-se o seu controle. sem interferência do PJ. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. caso o decreto emane diretamente da CR. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. ele poderá ser objeto. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . Ex. Não serão objeto de ADI e ADC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . . para ser objeto de ADC e ADI. Lei 9. . 1º. a. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). 102. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. I. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. o RI pode.TIDH (3/5 e 2T) . por isso não é ANP). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato.☺art.: decreto regulamentar do PR. nas normas que tratam de outra matéria). ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. §3º . 5º. pois geralmente está abaixo do decreto. geral e abstrato. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. 102.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). salvo se envolver violação a direitos fundamentais. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).Norma formalmente constitucional . o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. são questões próprias de RI. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. 41 . decreto regulamentar.

como está havendo uma influência de um controle no outro. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. 103.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. o STF admitiu. ainda. Atuação do AGU: ☺art. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. é preciso primeiro ser transformado em EC). salvo embargos de declaração.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. segundo o STF. Função geral do AGU (art. STF). PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). ou seja. Tem status de ministro de estado. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. da mesma forma na ADPF. ele vai atuar como fiscal da Constituição.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. §3º. CR. devendo ser de todos eles intimado. Lei do DF não pode objeto de ADC.Súmula. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Mas. e. posteriores a 5/10/88. Assim. . → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. por analogia. A função do art. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. Hoje. ainda que ele proponha a ação – ou seja. medidas provisórias revogadas. O PGR atua como “custus constitutionis”. intervenção de terceiros e recursos. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. . 42 . se seu entendimento for diverso. não ameaça mais a supremacia constitucional. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). portanto está subordinado ao PR. Lembrar que não cabe assistência. §1º. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. poder-se-ia admitir o veto jurídico. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. 103. leis suspensas pelo SF. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). pode ser qualquer ato do poder público. No caso de emenda. sem exceção. não pode ser objeto de ADPF: . pois não produzem mais efeitos. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. também poderá dar parecer em sentido contrário. 103. Gilmar Mendes e de um prof. Obs. CR. só podendo ser objeto de controle difuso. de defensor legis. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Atuação do PGR: ☺art. se um novo PGR o substituir. § 3° é uma função especial. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . rejeitadas ou havidas por prejudicadas. na outra.leis revogadas.

Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis.868/99 -☺art. só vai contribuir para a decisão do tribunal. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Mas atenção: existe um outro instituto. de “defensor legis” e.868. Foi introduzida pela Lei 6. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Ela já existia antes. não precisará do AGU para defendê-la. sendo feita por toda a sociedade. “amigo da corte”. Na ADI por omissão. não há o que se defender. §2º e art. Quando o AGU desempenha essa função. o das audiências públicas.385/73 (☺ art. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado).868. Nesse caso. em especial no direito norte-americano. seria “amigo do tribunal”. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. por analogia. §3º. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). por fim. portanto. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 7º. 43 .868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Mesmo sem previsão legal. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Está desempenhando uma função especial. A audiência pública está prevista na Lei 9. Na ADPF. 31). Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. 6º. Não há previsão para a ADC e ADPF. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). o AGU até poderia participar. Ele não é alguém interessado na causa. Portanto.868/99 vale só para a ADI. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. em seu art. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. 9. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. §1º e art. Tem natureza de auxiliar do juízo. A exposição dos motivos da Lei 9. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. Amicus Curiae: Em uma tradução.884/94 (CADE). mas não têm nada haver com amicus curiae. disciplinou a figura. §1º. Posteriormente. art. 20. Cabe também na ADPF. ☺ art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. A previsão expressamente contida no art. 89. 7°. É muito comum nos tribunais internacionais. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). . §1º. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. 7º. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. nos estados que adotam a commum low. 482. Importante: ainda que como Advogado da União. §2º da Lei 9.868. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. a Lei 8. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. o AGU não será obrigado a defender a lei. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. art.

Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. em despacho irrecorrível. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. O juiz de primeiro grau. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). . admitindo ser intervenção de terceiros (C. (Obs. Surgiu com a EC/03. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. R. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Lei 9. Barbosa e E. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros.868/99. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. .não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. Foi uma exceção. I. não tendo partes. cabe amicus curiae. a mais correta. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. O STF ainda tem exigido pertinência temática. porque iria envolver matéria em relação à vida. por ex. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. . autor e réu. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. seria uma exceção). Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Lewandowski.. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Quando 44 . Aurélio. admitindo prova em contrário. Marco Aurélio não admitiu. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. portanto. pois admitiu pessoa física em controle concreto. ou seja. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Para o prof. segundo o professor. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Mas depois que a lei foi feita. J. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. é um equívoco. ressalta-se que esta é apenas relativa. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). É.Com relação à presunção de constitucionalidade. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. ou seja. “a”. Gracie). elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente).Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. poderia afastar esta presunção. Apesar de que era relevante. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Mello. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .102. Obs. M.

Mas. é mais restrito: somente a violação. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9.102. no entanto. em seu art. Através do AGU. art. os preceitos fundamentais são: . .Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. ADPF: ☺ Art. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. Cabe prorrogação.869/99. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. P. art. Gilmar Mendes. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.868/99. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. inclusive o Poder Executivo.868/99. 14.Princípios Constitucionais. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.21. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.Princípios Constitucionais Sensíveis. Segundo a doutrina. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.14. portanto.Título I: Princípios Fundamentais.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. na ADPF 33: . nos quais a lei esteja sendo discutida. Não é uma ação de inconstitucionalidade.). CR e Lei 9. o FHC ajuizou ADC. §1º. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. 34. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. . mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF.U. . II. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. Portanto. nas outras ações ela também poderá ocorrer). VII). . O parâmetro. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.882/99. Como visto. a Lei 9. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. e .Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas).Cláusulas Pétreas. III). e . não há que se declarar uma lei constitucional). por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. .Cláusulas Pétreas. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. O STF admitiu ☺Informativo 518. . 45 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.

os legitimados podem levar não todo o processo.: ADPF 54 (questão do anencéfalo).882/99. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. P. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. O objeto pode ser da esfera federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. estadual e municipal. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Segundo Neri da Silveira. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos.882/99). Proposta diretamente no STF. Um dos legitimados.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. dentro do mesmo tribunal. dentro do órgão judiciário). ainda.: surge a partir de um caso concreto. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. a vinculação é vertical. 4°. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. Características: . Obs. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau.U. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. apenas o STF. Art. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Aqui. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. embora lá há uma vinculação horizontal. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. ou seja. art. embora seja bastante difícil existir esse meio).: gestante com feto com acrania. leva a questão ao STF através de ADPF. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. podendo ser um meio de controle difuso. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Ela vai ao juiz de primeiro grau.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. 1º. 196 e ao meio ambiente. como guardião da CR. Incluindo-se.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. 1º. na ADPF. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. Ex. § 1° da lei 9. 46 . que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Mas se algum dos legitimados souber da ação. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). neste rol.

Ex.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Assegurar a efetividade de suas normas. . 5°.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . É controle abstrato. 129. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).CR: STF (art.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. LXXI . 102. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. TSE/TER (art. É a mesma da ADI. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. I. mas a converteu em ADI. I. por ex.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. 121. É controle concreto. o STF transforma a ADPF em ADI. h). para fazê-lo em trinta dias”. Obs. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. q).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . em se tratando de órgão administrativo. . à soberania e à cidadania”. § 4°.. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). . 47 . II e III). V). ADC e ADPF (art. à soberania e à cidadania). nas CE ou em lei federal). 103. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. 105.Admite-se a fungibilidade. coletivos e individuais indisponíveis (art. STJ (art. O STF admitiu a ADPF. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. § 2º . 5°. No entanto. .

portanto. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). 5º. concretize a norma (faça a norma concreta).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. ou seja. ou seja. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. Se o PL) e.MI Coletivo: o STF o tem admitido. competente de sua omissão (em regra. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. é b) Concretista: concretiza a norma. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. mudou seu posicionamento. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. apenas razoável e não peremptório. não pode fazer a norma para o caso concreto. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. organização sindical. Recentemente. O STF. mas esse prazo era direito.Órgãos públicos. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. LXX: PP c/ CN. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. em se tratando de órgão da AP. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. no entanto. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. ECAN e associação c/ 1 ano). . público: MI protege dir. autores que admitem. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). Obs. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. entes federativos e PJ dir. Mas atenção. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. não pode concretizar a norma. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. portanto não podem impetrar MI. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder.: na ADI 3682 b. recentemente. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. Há. fundamentais em face do Estado. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação.

O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. intervir nos Estados). 34. ou seja. pelo STF. 652. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). 708 e 712). O STF adotou essa corrente no MI 232. A regra é o principio da não-intervenção. III. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. VII). Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Surge a partir do caso concreto. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). o STF está atuando como legislador positivo. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 2. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. O efeito seria apenas inter partes. e 2) recusa à execução de lei federal (art. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. como regra. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). 34. CR (provimento. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. ao mesmo tempo. ou seja. Ela se subdivide em – geral e individual. VI). de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. porque nem a AIO tem esse poder. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. não cabe liminar (antes. ou seja. 680. Essa corrente é bastante criticada. ademais. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. A omissão total não cabe MC. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. criando uma norma geral e abstrata. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. Portanto. o PJ. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. 36. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. em um primeiro momento. porque adotava a corrente não concretista). Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. Mesmo adotando a corrente concretista. No MI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. De acordo com esta concepção. 49 . a intervenção é uma exceção (a União não pode. nestes casos de omissão parcial. Recentemente.040). Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336.

A decisão do STF tem natureza político-administrativa. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. nem no RISTF. IV. 614. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. Esta forma não foi prevista na CR. 125. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. no âmbito federal). O STF é o guardião da CR. CR). mas que surge a partir de um caso concreto. 127. OBS. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. no âmbito do TJ. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. foi uma criação da jurisprudência do STF. se violados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. é claro. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. As partes aqui são o Estado e o Município. da ADPF). já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. 50 . em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. §3º. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). § 1°. É dispensada a apreciação política pelo PL. portanto. CR. ☺art. mas sim. que é o pressuposto para a representação interventiva. §2º. 36. e sim em face da CR. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). O RE. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. ☺art. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). STF). além. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. 35. o PR então poderá decretar a intervenção. se o STF der provimento à representação do PGR. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. O parâmetro aqui é mais amplo. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Isto está previsto no art. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. CR. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. CR.

ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. cria o Estado. analisa-se se o poder é legítimo ou não. retira sua força do direito natural. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. pois o Estado decorre da soberania popular. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Assim. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. em alguns casos. editando a nova Constituição. Obs. É ele um titular passivo. São apenas órgãos aos quais se atribui. por delegação popular. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . que é sempre superior aos poderes constituídos. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. porém. Bonavides. Para os jusnaturalistas. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. expressa por meio de seus representantes. ou seja. C. em nome do povo. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. corroborando essa perspectiva. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. um dos precursores dessa doutrina. Assim. Schmitt). que formulou esta teoria no fim do Séc.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. que. Na 1ª etapa. o exercício dessa magna prerrogativa. é a nação. segundo o Abade Sieyès. Portanto. que deve observar o direito natural. a vontade do constituinte é a vontade do povo. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. mas jamais é quem o exerce. social e juridicamente organizado. Celso de Mello. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. Está acima do direito positivo. XVIII). pode usurpar do povo a titularidade do poder. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. segundo o abade Emmanuel Sieyès. Modernamente.

já que o poder constituinte já é originário. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . Portanto. 60. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Revolucionário . Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. art. Espécies Tradicionais: . no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. Obs.Material . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. que é seu verdadeiro titular.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . ADCT) . correspondendo aos anseios daquela sociedade.Revisor (art. para ser considerado legítimo.Reformador (art. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. 11. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando.Histórico .Decorrente (art. há legitimidade objetiva. CR) . Dessa forma. Assim.: o prof. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. 3º. por conseguinte. ADCT.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. se esta correspondência existir o poder será legítimo.Formal . 25.

pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. através de normas constitucionais. GV). ela nunca deixa de ser do povo. 1934. Obs. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). Apesar de ser um poder incondicionado. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. é apenas uma classificação quanto ao momento. Obs. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. ex. que substituirá a anterior.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. 1937. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. Obs. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. 53 . O Abade Sieyes. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. ou seja. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). O povo é o titular do PCOM. No caso do Brasil. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. 1967/69. 1946.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). a nenhum pré-requisito jurídico. foi criado um direito natural). Ex. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. há alguns valores que são morais. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). No caso do Brasil. mas não a primeira e sim uma nova. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. b) é um poder inalienável. 1988. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”.: este poder tem este nome porque para o Direito. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. . revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. através da Constituição. No plano axiológico.: se é um poder autônomo e incondicionado. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. não perde a titularidade do poder constituinte. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. independente e soberano. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto).

Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. na pena de morte. com os avanços da sociedade. ficando um pouco relativizada. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). observados os princípios estabelecidos na CR. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. O prof. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. 54 . Ex. No caso da CR/88. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Obs. mas meta jurídico (fora do direito). A CR/88.. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Ex. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. Dentro desse limite.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. no art. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). a doutrina deduz deste art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. contudo. por ex. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. ele encontra limites no texto da CR. as constituições estaduais não são recepcionadas. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. 11 do ADCT. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. 25. Não se trata de um limite jurídico. Fábio Konder Comparato fala. não concorda muito com isso. 25. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. Ainda que o estado seja soberano. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. na verdade. Esta AL. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. No entanto. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. ☺art. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. por se tratar de uma conquista da sociedade. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Quando a CR consagra o art. De acordo esse limite. A partir do momento que a CR surge. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88.

mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. ou seja. II) Implícitos: CPI (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. VII. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. são essas as normas de repetição obrigatória. 58. Obs.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. mas foi uma decisão super apertada (6x5). §1º .). CR. processo legislativo (art. 27. 57.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação.: presidencialismo x parlamentarismo). 93. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). 61. § 1°. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. que se estendem aos Estados. §4º não é norma de observância obrigatória). que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. composição. 75. Obs. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. Há dois grupos: (art.: ☺art. Segundo o STF. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. são as normas de auto-organização da União. Mas. . Se subdividem em: 55 . vedada a recondução. V ???) I) Expressos na constituição: art. diferente dos extensíveis. §4º. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. Estão presentes no art. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. § 3°). 57.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. por enquanto. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. porque o art. 59 e segs.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. 58.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. e o STF decidiu que não havia problema. . CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). CR.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 34.

Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. 137). Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. em qualquer estado da Federação (art. mas é possível deduzi-las.não é autônomo. uma limitação temporal para o poder revisor – art.: art. . As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. ..titularidade: é do povo. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.é condicionado. portanto. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. . Ex. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. . 56 .) – contém uma vedação expressa. 60.normas vedatórias: ex. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. 34). 3°. CR. cujo procedimento está previsto no art. . §1º. 60. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: .: os arts.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CR. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. decorre da lei e não da força. portanto. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. Trata-se de um poder previsto na CR e. E. se for decretado o estado de defesa (art.não é inicial. . que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. 37..Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. 19. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. . e se for decretado o estado de sítio (art.: art. ADCT). de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. DF e M. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. .é limitado. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. CR (é vedado à U. .é um poder jurídico (e não de fato). Ex. no entanto.). .. ou seja.exercício: é pelo CN.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. é conseqüente.normas mandatórias: ex. 136).

há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. §5º. DF e DE. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. não pode haver emenda de emenda.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa).Discutido e aprovado. 44. para que. . ☺art. no âmbito do PJ.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. também podem propor projeto de lei o povo. A Sessão legislativa (art.Feita a iniciativa. 67. é o de que o art. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. . no qual há 4 sessões legislativas. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. a PEC será discutida em cada casa do CN.A última limitação formal objetiva está prevista no art. por fim. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). através da iniciativa popular (art. possamos usar o procedimento previsto no art. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. também chamadas de implícitas. ela será chamada de extraordinária. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. 61 é a regra geral de iniciativa. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). . Ex. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. a PEC vai para a promulgação. Obs. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). que é o período de 4 anos do mandato do PR. GE. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. II e III) uma exceção à regra geral. no entanto. §2º). o STF e Tribunais Superiores. se a matéria for rejeitada. 60 (incisos I. o PGR. não veta. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.U. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. apenas o PR. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). 60.). por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. 60. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. CR. após a iniciativa. §3º. 61. 61.Além do PR. .A nossa Constituição é rígida. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). apesar de não existir previsão expressa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. assim. . . A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. P. Este art. ☺art. CR). no âmbito do PE. b) o entendimento majoritário da doutrina. . O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. §2º). No caso de projeto de lei. 57 . 61. proposta rejeitada no dia 15/01. 60. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). §10). também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. do SF ou do CN. sendo o art. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. 60. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. ademais. 62. no âmbito do MP. não promulga. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso.

Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. Secreto. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. não é secreto. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. 58 . São as chamadas cláusulas pétreas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. .A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Curiosamente. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. As cláusulas pétreas são. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. universal e periódico. secreto. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. CR.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. segundo o STF. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. VI. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. Se elas não existissem. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). c) Assegurar o processo democrático. 150. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. pois. ademais. Ou seja. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. mas sim. . Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). o voto não é universal. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Expressas: ☺art. c) Voto Direto. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. o que é secreto é o escrutínio. que é o modo como se realiza o exercício do voto. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. Universal e Periódico: . a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. na verdade. b) Preservar a identidade material da Constituição. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o direito de participar das eleições. a). A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. §4º. 60. o que é universal é o direito de sufrágio. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo.

Um exemplo.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. inclusive. não o serem). dispostos do art. Ex. Obs. que não é unânime na doutrina. segundo a qual o art. 60. como um todo. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. ou. 2º. far-se-ia uma EC revogando o art. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Assim. é o art. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. §4º. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. . seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. Os direito fundamentais se encontram. para posterior alteração do conteúdo. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). CR. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). 60. sendo uma garantia individual.: FGTS. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. CR. com a dignidade da pessoa humana. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. 150. 60 poderia ser modificado. não seriam cláusulas pétreas. (23/04/09) 2. que proíbe a pena de morte. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. sistematicamente. Lá estão as limitações ao poder reformador. O art. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . pois. Para ele. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. não concorda. e não em direitos e garantias fundamentais. todo o art. 5º. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. 60 seria CP. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. A CR fala em direitos e garantias individuais. comportam diferentes interpretações. III. pois seria uma forma da fraudar a constituição.: primeiro. 5º. Mas o STF já considerou que o art. O prof.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. ADCT). Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. CP). b. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. CR). Os demais direitos e garantias fundamentais. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. e por conseqüência.Há quem defenda. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. em princípio. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. não alterando-o). No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. são CP. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. Assim. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. por isso. . mas os demais não (ex. posteriormente. Chama-se dupla revisão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. é CP. mas refere-se a uma reforma. por uma questão lógica. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. não tem nada a ver com CP).

A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Ex. não sendo um princípio absoluto. Antes da CR/88. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . XXXVI. portanto. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. 60. contados da promulgação da Constituição. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. c) Máxima: a retroatividade não é automática. tem que haver previsão expressa na constituição. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. CR). A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. 5°. tem que haver previsão expressa na constituição. 3º. em sentido formal. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). mas também emendas à constituição. excepcional e transitória de alteração da Constituição. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. . em sessão unicameral. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). esse era o entendimento do STF. mas ainda não pagas. não abrange EC. Ex. 3º. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Ex. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. ☺art. O direito adquirido pode ser relativizado. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. a constituição atinge prestações vencidas. o STF tem entendimento unânime. 3º. mas seus efeitos surgem após a constituição. não abrangendo apenas leis em sentido formal. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. A retroatividade mínima é automática.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Revisão é a via extraordinária. Com relação ao assunto acima. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. b) Média: a retroatividade não é automática. A limitação imposta no art. O ato ocorreu antes. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto.

circunstanciais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 60. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). Além disso. ADCT. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. especificamente. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. 3º. §§1º e 4º). 61 . e de forma geralmente mais extensa. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. Esse método não é apenas sistemático. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. 52. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. Nele estão os valores supremos da sociedade. partindo da idéia de sistema. Por isso. Além disso. só tem alma. mas apenas valores: o preâmbulo. e não isoladamente. para o direito público. como todas as demais. Imagine a Constituição norte-americana. Buscam os valores subjacentes à constituição. como início e limite para a interpretação. e os valores fossem o seu espírito. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. é também o limite para a interpretação. Toda norma está dentro de um sistema. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). esses elementos são insuficientes. O texto da norma funciona. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. O grande problema é que. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). devido à complexidade da interpretação constitucional. É o início de uma interpretação. entra o elemento histórico evolutivo. para o direito privado. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). aqueles desenvolvidos por Savigny. 65 . bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). esse método também é conhecido como método valorativo. Ela não tem normas jurídicas. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. com algumas peculiaridades. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Constituição da República. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Por isso. É como se a norma fosse o corpo da constituição. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. X. b) Histórico: no seu desdobramento. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Ex: princípio da não contradição. eles são suficientes. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Não existe uma norma jurídica sozinha.

III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. cujo plural é “topoi”. por ex. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Ex. a favor e contra. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). formas de raciocínio. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. lugares comuns. Isso gera certa instabilidade. mas sim diante de problemas. da doutrina. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. ou seja. enfraquece-se a força normativa da constituição. que é apenas mais um topos. ele também é conhecido como método sociológico. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. do senso comum.. que contraria o positivismo jurídico. Assim. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). os operadores do direito servem-se de topoi. ou a de que um é mais correto do que o outro). esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Se se permite interpretações divergentes. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. pontos de vista ou lugares comuns. de argumentação. Ex. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. vence o argumento que for mais convincente. Os topoi são esquemas de pensamento. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. dos princípios gerais do direito. → Crítica: feita por Canotilho. Problema é a questão difícil. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. pois comporta mais de uma solução possível). vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. de casos que comportam mais de uma solução possível. Por isso. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. porque trabalham não com a idéia de sistema. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. como. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. mais um 66 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Ex. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Violação de correspondência de presos. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. os quais são submetidos a várias opiniões. o que geraria uma grande insegurança jurídica). Este problema será solucionado pela argumentação. certa insegurança jurídica. Assim. 2. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Esses pontos de vista.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. como ocorre neste método. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. da jurisprudência dominante. Por ter uma feição mais política do que jurídica.

segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). ao lado de Hans Kelsen. Os métodos III e IV. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. diferentemente dos dois primeiros. e concretizador à aplicação. devendo-se fazer uso de outro método. que a questão não seja simples. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Para este método. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Não se pode separar as duas coisas. porém. se for caso de lacuna. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). A principal diferença. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. a compreensão prévia do intérprete. Hermenêutica e interpretação não se confundem. como já vimos. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. e sim na sua concretização. sua aplicação a casos complexos. não se deve falar em interpretação constitucional. é preciso que haja um problema. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. Ocorre que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. mas em concretização). e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. são coisas diversas. e o problema concreto a resolver. São métodos indissociáveis. na sociedade aberta de intérpretes. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. pois. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Ele parte. de única solução possível. ainda que dos mais importantes. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. são também métodos concretistas. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. quando se fala em hermenêutica. Assim. Além de serem métodos aporéticos. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). ou seja. 67 . Assim. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. este método não poderá ser aplicado. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Método concretista. por serem métodos concretistas. não podem ser utilizados de forma abstrata. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. é bom lembrar. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo).

Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. Ainda que a Corte seja o intérprete final. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. mas também para a interpretação da Constituição. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. ele dirige e. Quando ele fala em democratização. A democracia deve servir não apenas para a criação. Friedrich M. Paulo Bonavides o tratar como um método. Na prática. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Fala-se que são utilizados. mas a toda a sociedade. . aberta a toda a sociedade. que têm legitimidade para a interpretação. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. traduzido pelo Min. O que ele chama de domínio normativo. pois. a norma só surgiria após a interpretação do texto. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). 68 . Judiciário. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo.Elementos do âmbito da norma .Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. O texto tem duas funções muito relevantes. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. O texto não tem o comando. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. por sua vez.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. Não diz respeito aos critérios de interpretação. bem como a quebra da unidade constitucional. é a realidade social tratada pelo texto da norma. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. em regra. Segundo ele. Assim. ele na verdade não o é. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. regulada pela norma.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . ao mesmo tempo.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . Para ele. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . Essas duas figuras podem ser. mas refere-se àqueles que podem interpretar. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). limita a interpretação. Gilmar Mendes). mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. mas também na sua interpretação. A norma é o mandamento. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Segundo o autor.

a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. preocupado com a segurança jurídica. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Também denominado de originalismo. vinculante e obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. textualismo e preservacionismo. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. os direitos têm que ser iguais para todos. que corresponde à vontade do constituinte originário. que se subdivide em princípios e regras. Segundo Conrado Hubner. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. do povo. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Assim. Esta questão está ligada à separação dos poderes. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. como a constituição é feita por representantes do povo. Na verdade. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). sem modificá-la. mas de forma concreta. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. A norma. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. surge o Positivismo Jurídico. o poder legislativo é claramente fraco. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Hoje. surge a idéia de norma (gênero). Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. superado o valor da norma). norma e fato. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Entende que. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Após. A segunda corrente. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. Em virtude do caráter normativo dos princípios. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Por isso o judiciário tem ganhado força. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Assim. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. bastante discutido nos dias atuais. quando interpretada. 3) Existe uma única resposta correta. no Brasil. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. No pós-positivismo. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). 2) Limitação ao conteúdo da constituição. 69 . Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor.

A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. caso a resolução seja feita com base na hierarquia.Postulados. e . quando se vai aplicar um princípio. dentro do gênero norma jurídica. Eles não definem a medida exata. princípios são “mandamentos de otimização”. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. há uma subsunção lógica. mas a medida do possível.Regras. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. imperativa. Ambos são normas.Princípios. As regras possuem aplicação automática. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. bilateral). peso ou valor. ou seja. é preciso saber quais são as normas opostas. . O grau de abstração é a diferença. Para Habermas. ou seja. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. que envolvem a aplicação deste princípio. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. Alexy afirma haver exceções.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . impõem resultados. 70 . → Princípios X Regras: . ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. o que ocorre por meio da ponderação. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. A norma é um gênero e. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). . . uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.: aposentadoria compulsória. isto é. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. Ex. Assim. Segundo Robert Alexy. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”.generalidade . Princípios são muito mais abstratos do que as regras. será invalidada. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. em havendo um conflito no âmbito da validade. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja.dimensão que eles ocupam (Alexy) . que apontam para o sentido contrário.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. genérica. como elementos do sistema normativo constitucional: . → Regras: são “mandamentos de definição”. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. impessoal.

Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. mas não têm a mesma função dos princípios. será feita a análise de alguns postulados que. pela maioria da doutrina. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. nem estabelecem competência ou conduta. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Segundo a LICC. como princípios. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. interpretação conforme a Constituição. Nesse aspecto. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. também conhecido como antinomia de princípios. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. embasados na supremacia da Constituição. É um conflito sempre no caso concreto. por isso não são aplicados diretamente. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Mas e os postulados? Segundo esse autor. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. Não estão na constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. de modo a realizar os valores nela consagrados. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Ex. 71 .: proporcionalidade. Com base nessas premissas. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. cronológico e da especialidade. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Eles não apontam um fim.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Os postulados são denominados.

Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). significa que ele é unívoco. e. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. significa que as demais leis devem obediência a ela. Toda Constituição tem supremacia material. pode deixar de aplicar a norma de ofício. na dúvida. No Brasil. Ou seja. Se o texto tem apenas um significado. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. para ter essa supremacia. pode ser exercido através do veto jurídico. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Ele pode negar a aplicação da lei. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. no Poder Judiciário. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. o Princípio da Supremacia da Constituição. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. a lei deve ser declarada constitucional. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. ficam vinculados àquela decisão. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Excepcionalmente. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. não tem como fazer interpretação conforme. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. quando entender que uma norma é inconstitucional. Se a constituição é a norma suprema. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. E. pois existe uma presunção de constitucionalidade. na dúvida. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. como no âmbito do Poder Executivo e. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. o Poder Judiciário. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Da mesma forma. se entendê-la inconstitucional. No Poder Executivo. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. assim. Não se retira a lei do ordenamento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Se há mais de um significado. A 72 . O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). o Chefe do Poder Executivo. excepcionalmente. no controle difuso. No Poder Legislativo. Todo projeto de lei passa por um controle. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Essa presunção é relativa (iuris tantum). é necessário que a Constituição seja rígida. presume-se que agiram de acordo com ela. por ser presunção relativa. deve optar pela constitucionalidade.

Em uma sociedade democrática e pluralista. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Ao se admitir que essa norma é superior. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. poderia declarar o art. §1º. Na verdade.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. isso não ocorre. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. que busca a vontade da lei. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. etc. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. É como se filtrasse a lei. há várias tensões entre as normas constitucionais. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. A segunda corrente. Outro ex. Isso é impossível. é necessário observar os valores consagrados na constituição. Antes. essa corrente é chamada de “subjetivista”. normas superiores e normas inferiores. a norma inferior. necessário harmonizar esses dois princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Temos o voto direto como cláusula pétrea. de direito previdenciário. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional).Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Hoje. prevalece a vontade da lei. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. na constituição. ao mesmo tempo. num estado democrático.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. mas. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. existem. . Hoje em dia. Portanto. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. pois. Obs. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. logo é conhecida como corrente “objetivista”. b) Fim pretendido: . sendo.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. 81. é conhecida como mens legis. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Ex: Brasília é a capital federal. Busca a vontade do objeto interpretado. Geralmente. Logo. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Segundo Kruger. passando ela pela constituição. 73 .

§1º. Quando se tem uma colisão entre bens. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. pelo legislador. Pode ser usada. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. é necessário utilizar a ponderação. Ex: voto direto é a norma geral. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Essa lei. deve-se buscar essa concordância prática. violava a liberdade de exercício de comércio. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. Assim. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. criando um efeito conservador da unidade. se ambos estão consagrados na Constituição da República. na hora de se interpretar a Constituição. 45. Segundo este princípio. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O STF declarou constitucional. inclusive. as duas normas têm conflito entre si. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. interesses. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. princípios ou valores. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. Uma existe ao lado da outra. O que tiver o peso maior irá prevalecer. bens ou interesses. 74 . ele se basearia no princípio da unidade. O relator indeferiu a petição inicial. Se ele entrasse no mérito da questão. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. no caso concreto. Nesse caso. aplica-se o princípio da Concordância Prática. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. qual dos dois grupos tem um peso maior. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Eles são muito parecidos. O que é isso? É semelhante a uma balança. que é anterior à Constituição da República. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. ou seja. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. e voto pelo CN é a exceção. e não em abstrato). valores. O STF analisou 02 casos: a) Art. a integração política e social. Sempre que possível. Abstratamente. O Juiz irá ver.

dizendo que a ponderação é muito subjetiva. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. sendo o guardião da constituição. da tortura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. para que outros direitos sejam assegurados. 75 . há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. até uma compreensão equivocada. que contribua para o debate de interesse geral. e não princípios. não.: a proibição da pena de morte. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. Deve haver uma cedência recíproca. Ex: Se tiver na praia. Ex. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição .lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada.: a Súm. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Exs. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. do trabalho escravo são regras. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. 343. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. O importante é saber que todos os princípios. 2) relativização da coisa julgada: o STF. poderia fotografar. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. por mais importantes que sejam. ou seja. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Caso contrário. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. mas também a ratio decidenti. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. às vezes. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. cabe ação rescisória (obs. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. a privacidade deve ser preservada. não. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. proporcionando-lhes uma força otimizadora. STF não foi abandonada. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. eis que ambos se relacionam. na academia. não se aplicando para a interpretação constitucional. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. do contrário.

Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. 4.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional. CR/88 (aplicação imediata). a função social para a qual foi criada. . §1º. . 5º. pois. é também conhecida como eficácia jurídica. a qual significa a realização do direito. é também conhecida como eficácia social. 76 . no Brasil.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.335/AC. Ver no Site Editora Método. sobretudo o Tribunal Constitucional. o desempenho concreto de sua função social.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. . a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. .Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação.com. 2) Direito de greve. Este princípio. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). Exs. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. validade é.

A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Não é o entendimento mais cobrado em provas. deveria conceder uma autonomia maior. para que o Estado não atue de forma arbitrária. ou seja. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. 1º. utiliza-se o termo razoabilidade. utiliza-se o termo proporcionalidade. Alegam que a restrição seria desproporcional. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Nos sistemas da commum Law. Para que um ato seja considerado proporcional. não se deve abater pardais com canhões. É um princípio implícito. 5º. Ex. Assim. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. não está textualmente consagrado. ☺art. Se o ato for desnecessário. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Ele está ligado. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Para Jellinek. pois. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. em sua origem. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. No Brasil. maiores hão 77 . É uma influência do direito alemão. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. apto para atingir o fim almejado. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. desproporcional. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. ele tem que ser adequado. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. será também desproporcional. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. à garantia do devido processo legal. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. LIV. mas apenas como menções. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. uma densidade semântica que ele não tinha antes. Ex. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. CR. do Prof. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. É uma influência do direito norte-americano. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. por isso sua importância. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. Na Alemanha. uma restrição à liberdade só será possível se. dentre os meios existentes.

o poder público age aquém do que deveria. ou proibição por defeito. Nesse caso. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. pode ser chamada de proibição do excesso. que é chamada de proibição de insuficiência. A face acima exposta do princípio. Há uma outra face desse princípio. 78 . sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.

O nome não é o mais apropriado. reproduzidos ou não na Constituição estadual. Ocorre que todas as constituições brasileiras. anteposta ao articulado constitucional. pois. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. laico ou não-confessional. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. dado que. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. No Brasil. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. não é componente necessário de qualquer Constituição. não tem relevância jurídica. mais ou menos significante. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Assim. Para o STF. inscritos na Constituição. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. porém. o preâmbulo. relevância jurídica. Não tem. não existindo. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. não é norma de repetição obrigatória. Em âmbito estadual. mas é a tese por nós adotada. qualquer religião oficial da RFB. Não contém. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. O min. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. refletindo posição ideológica do constituinte. Esses princípios sim. O que acontece é que o preâmbulo contém. mas no domínio da política.. pois. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). Como se sabe. portanto. 79 .. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. não tendo força normativa. com exceção das de 1891 e 1937. Situa-se no domínio da história ou da política. o Brasil é um país leigo. sendo. de regra. portanto. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. proclamação mais ou menos solene. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. incidirão na ordem local. caráter normativo e. apresentado de forma não articulada. É uma corrente intermediária em relação às demais.

O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. 80 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. a liberdade. na ordem interna e internacional. o bem-estar. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Ao estabelecer os valores supremos. pluralista e sem preconceitos. o desenvolvimento. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Esta é a sua natureza. com a solução pacífica das controvérsias”. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. fundada na harmonia social e comprometida. a segurança.

Não depende de regulamentação. enquanto não for restringida por lei. O que as difere é o grau desta eficácia. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. Quando se fala em aplicabilidade imediata. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. §5º). Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. imediata e integral. que poderá variar conforme o seu enunciado. → Normas de Eficácia Contida: O prof. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Não são a mesma coisa. por sua vez. isenções (art. Ela não depende de lei. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. apenas 81 . mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. Exs.U. enquanto não for restringida. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). mas admite lei. A NEC. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Uma NEC. que “contenha” o seu conteúdo. destaca-se a de José Afonso da Silva. (É a mais cobrada em provas). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. P. A integralidade. 184. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. 53). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. prerrogativas (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. como se poderia imaginar).: normas que estabelecem imunidades (art. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). vedações (art. 128. no Brasil. dentre as quais. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. §5º). é uma NEP? Não. 95.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. possivelmente restringível ou redutível.

CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. XXII. etc..: art. que dirige os rumos do Estado. 9º. mas dizer como esse direito será exercido. poderá criar impostos residuais.Facultativas: ex. eis que estabelecem o fim a ser atingido.: art. mas não disse quem pode propor. art. 5º. A NEC pode ser restringida: . caracterizadas justamente por este tipo de norma). que a regulamente. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. que faz parte da mesma norma.: ordem pública. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. mas o seu §1º. 9º dá a entender tratar-se de NEP. 37.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. 154: a União. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. se quiser. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. ofício ou profissão. 95). 95. art. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. mas pode ser). O caput do art. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. . Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. ☺art. As vedações. mas.Impositivas: ex. é obrigatória. PU: União poderá delegar aos estados. e não quais são os meios para se atingir o fim.: art. art. A norma constitucional tinha eficácia. etc. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. interesse social. Exs. CR. – ex. 22. P.por outra norma constitucional (ex. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. XXIII e XXIV). são NEP (como são as normas dos incisos I. 102. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. 5º. . É indireta ou mediata. 5º. necessidade ou utilidade pública. Indireta porque depende de uma outra vontade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. mas não é uma NEP. 82 . e mediata porque depende de alguma condição. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Neste caso.U. Se ela fosse uma NEP. Não é apenas um conselho. Assim. em regra. 37. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. XII c/c arts. conforme a lei. ☺art.por conceitos de direito público (ex. art. VII. ela nunca poderia ser restringida. II e III deste mesmo art. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. 3°. não há omissão inconstitucional. Ex. de forma que antes da Lei 9. e art. Ex. VII.: art. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. que não é norma). esclarece que trata-se de uma NEC. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). quais são os efeitos. . art.U. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. segurança nacional. 37. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos.).por lei (ex. A lei não irá restringir o direito. 136 e 137). XIII. etc. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: .: trata de vedações que são impostas aos juízes. VII (direito de greve dos servidores públicos). mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários).

pois. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. cumprida a sua finalidade. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Para ela. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. Diz que o direito se auto produz. ADCT. antes da lei ser feita. Uma última classificação. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Elabora-se uma norma genérica. não depende de outros sistemas. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. também conhecidas como normas super-eficazes. tem eficácia. uma eficácia negativa (e apenas esta. as Cláusulas Pétreas. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Marcelo Neves critica essa concepção. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Por isso não dependem de outra vontade. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Traduz um sistema fechado. OBS. a NEL produz efeitos: ela exige lei. São as normas do ADCT. porque ela não tem eficácia positiva). Obs. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. ademais. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. exaurem sua eficácia. imediata e integral). ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. mencionada por alguns autores. Assim. Ex. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior.: art. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Elas são criadas para uma determinada finalidade e. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica.: As NEP. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. 2º. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. 83 .

mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. Faremos o estudo de alguns institutos.N. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. porém. podendo. § 1°. Ex. com o caráter de normas constitucionais. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. como normas infraconstitucionais. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. por esta teoria. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). caso compatíveis com a nova Constituição. sempre que nasce uma nova Constituição. 84 . apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. 242.N.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. §2º (que fala do Colégio Pedro II. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. e sim como normas ordinárias. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. → CR → A. parte final). esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.P → A. art. 2°. não. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. serem recepcionadas pela nova Constituição. ou seja. quando do surgimento de uma nova Constituição.: ☺art. Quando uma nova constituição é criada. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. Assim.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

por regra. 5º. CR. Ex. Assim. deve existir expresso pedido na Constituição. XXXVI – “lei” em sentido amplo). vale dizer. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. Como se percebe. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. IV. como é o caso do art. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. que. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. também limitado juridicamente). ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. com pequenas exceções. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Assim. Contudo. têm retroatividade mínima. nada impede que a norma constitucional. dentre outras. 51 do ADCT. 7º. IV. c) por outro lado. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais.: art. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). o STF entendeu que. 7º. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. diante da aplicação imediata. sendo regra a retroatividade mínima. desde que haja expressa previsão. 88 . a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. tenha retroatividade média ou máxima. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. Como outro exemplo de retroatividade mínima. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. as leis infraconstitucionais. para tanto. vale dizer.

2º). pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. assim. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Desse modo. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. ainda não regulamentadas de forma mais específica. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. é claro. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. De uma forma geral. Dessa forma. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Em situações novas. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. ao elaborar as leis. por conseqüência. é obvio. pois servem de critério para o legislador que. seja como diretiva na solução de casos concretos. estrutura e fundamento (art. 1º). seja como orientação para progresso da legislação. como também ao exercício abusivo de certos direitos. sobretudo. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. a menos. atuando como um limite. os quais estabelecem a sua forma. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. em um todo sistemático. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. da função positiva que 89 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. não só das ações dos poderes estatais. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. 4º). a divisão de seus poderes (art. Executam. o que os coloca numa posição de superioridade. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. diverso e opostos. Sob o ponto de vista dogmático.

DF e Município. o direito de secessão. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. esses conceitos foram se esvaziando. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). No tocante ao Poder Executivo. CR). A baixa densidade semântica. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. 1º. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. sendo criados novos critérios distintivos da República. 34. quanto para o legislador na elaboração das leis. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Com o passar do tempo. que reinava de forma absoluta e irresponsável. 90 . a Constituição veda. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. I). sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. aos entes que compõem a federação. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais.

mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. não é absoluta e ilimitada. a independência dos juízes. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. ou. No que se refere ao princípio democrático. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Em um Estado democrático. seja através de representantes. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. a vontade popular representada pelo parlamento. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. 91 . Em um Estado de direito. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. a legalidade da Administração. No Estado material de direito. à questão perene da Justiça. Aqui. Sob o aspecto material. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. ainda. não apenas os indivíduos. sob as circunstancias transitórias. seja diretamente.

o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. Supremo. 6º). é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. independente. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. em nenhum momento podem ser colocados de lado. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. por essa razão. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. por não ter de acatar.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. no plano interno. No plano externo. Por essa razão. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. na ordem internacional. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. a soberania migrasse do soberano para o povo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. 92 . na ordem internacional. o indivíduo se sente útil e respeitado. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. Todavia. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. uns para com os outros.

93 . Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. o que pode levar a divisões irredutíveis. Por isso. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. Este fundamento é concretizado. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. 215 e 216) e dos meios de informação (art. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. Por essa razão. artística. deve constituir o seu objetivo supremo. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. a profissional. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. a de opinião. Mais tarde. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. de interesses contraditórios e antinômicos. político (art. de idéias e de instituições de ensino (art. de reunião e de associação. é um princípio básico do liberalismo econômico. mas. A escravidão. É ela o valor supremo que irá informar a criação. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. com a queda do comunismo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. a sexual. partidário (art. a de informação. assim. científica. 170). vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. ainda. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. a intelectual. a partir do início da década de 90. 220). núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. por natureza. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. III). sobretudo o sistema de direitos fundamentais. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. I). as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. e. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. a sociedade pluralista é. conforme os ditames da justiça social. 17). ao contrário. salvo nos casos previstos em lei. independentemente de autorização de órgãos públicos. justa e solidária (art. uma sociedade conflitiva. 1º). sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. 170). 3º. Fruto da concepção liberal. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. de comunicação. passando a se revestir de normatividade. a filosófico-religiosa. 206. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. a tortura. cultural (arts. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). dentre elas. derradeiramente. a Constituição.

que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. o que significa dizer que na criação. que seja efetivamente exigível do Estado. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. sua existência material. a todo e qualquer cidadão. Esta acepção. na medida em que procura representar um subconjunto. moradia. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. Por isso. o acesso aos valores. por exigir uma abstenção. ligada ao valor igualdade. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. Portanto. e. ligada ao valor liberdade. mas também dos particulares. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. educação fundamental. Por outro prisma. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). à dignidade da pessoa humana. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Todavia. sexo. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. em um primeiro momento. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. mais importante. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária.) imprescindíveis para uma vida digna. 94 . Esta acepção. por outro. ou para com a pessoa. em alguns casos. possui um caráter negativo. mas também a de que o Estado garanta. seja por terceiros. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. seja pelo próprio Estado. Assim. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. menor (minimizando o problema dos custos). independentemente de usa origem. econômicos e culturais. não apenas por parte do Estado. Portanto. mas. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. idade. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. dentro dos direitos sociais. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. condição social ou qualquer outro requisito. etc. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. não como um fim em si mesmo. Poder-se-ia dizer. possui um caráter positivo. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. mas um atributo que todo ser humano possui. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. cada vez mais. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico.

direitos políticos (art. basicamente. Têm um caráter negativo. consagradas ao longo das constituições. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. devido ao custo de serem prestados. 14 e seguintes). ligados à liberdade. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. . Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. devido à escassez de recursos. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 5°. Têm caráter positivo e negativo. Em termos materiais.direitos prestacionais: são. Já os direitos humanos não possuem essa divisão.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Exigem uma atuação positiva do Estado. 6° e 7°). Visam proteger o valor igualdade. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. O Estado deve fazer escolhas trágicas. uma constitucional e uma doutrinária. 6º ao 11. são os direitos individuais consagrados no art. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Essa classificação é legislativa. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. consagrados no plano internacional.direitos individuais. pois surgiram em uma única época. 12 e seguintes). pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Em sua maioria. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). Assim. a diferença básica se refere ao plano de consagração. . estão consagrados em normas de eficácia limitada. . Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Em sua maioria. 6° e seguintes). São direitos ligados à cidadania. igualdade e dignidade. 95 . Enfim. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. . 5°. que divide os direitos fundamentais em: . . CR/88). A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. portanto. .direitos sociais (art. os direitos sociais (arts. do qual são espécies: . CF/88. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional.direitos à nacionalidade (art. à participação política. mas também no art.

reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. sobretudo de princípio programático). diante da necessidade de cooperação. de 1789: liberdade. movimento encabeçado pelo proletariado. Como vimos. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. enfim. são direitos de caráter negativo. como a família. 4º. ao desenvolvimento ou progresso. igualdade e fraternidade (nesta ordem). da solidariedade entre países ricos e países pobres. à autodeterminação dos povos. a imprensa livre e o funcionalismo público. Obs. exigindo uma abstenção. das gerações. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Vejamos quais foram as gerações. queria que ele respeitasse suas liberdades. Ou seja. CR/88). exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. XVIII. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. → Igualdade: Direitos Sociais. Por isso. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Exigem uma ação do Estado. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Exs: direito ao meio ambiente. São basicamente os direitos individuais. diretamente à igualdade material. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. São chamados direitos civis e políticos. segundo Jellinek). Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Esta é a sua preocupação principal. Os direitos de defesa. Têm caráter negativo.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Têm como objetivo. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. por exigirem uma prestação do Estado. a autodeterminação dos povos (art. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Não houve substituição de uma geração por outra. então. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. já os de 2ª geração não. os direitos prestacionais. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. direito de comunicação. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. por exigirem uma abstenção. portanto. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. econômicos e culturais. São considerados basicamente como direitos coletivos. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Estão ligados. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. e geralmente em normas auto-aplicáveis. e estas gerações coexistem atualmente. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. ao lado da 4ª. 96 . → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. A 3ª geração. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. XX. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Tais direitos têm caráter positivo. pois. e a dele é a mais cobrada em concursos).

Porém. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. mas há divergências na doutrina quanto a isso. caso violados. V. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. 97 . o prof. etc. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. esta alteração não foi feita em seu livro. econômico. que são as que. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. e isso acaba por prejudicar as minorias. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Afora esta peculiaridade. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. as disposições assecuratórias. Além desse aspecto. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. São também direitos transindividuais (em sua maioria. ocorrendo não raro juntar-se. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Assim. ☺ADPF 132. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Esta geração de direitos advém da globalização política. são direitos difusos). Ou seja. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. outros são difusos). traz direitos ligados à pluralidade. 1º. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. CR/88). à informação e ao pluralismo (D. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. conserva nossas identidades.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. Quando se fala em pluralismo político. Por isso o direito à democracia é tão importante. os direitos de família.I. de conteúdo). inclusive das minorias. Os argumentos contrários a esta união. artístico. Aquelas instituem os direitos. Ex. Ao lado da vontade da maioria.: quanto ao direito à paz. as demais características são tratadas pelo prof. na mesma disposição constitucional ou legal. um pluralismo ideológico. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas).P. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). estas as garantias. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Ele abrange um pluralismo religioso. Paulo Bonavides. com a declaração do direito”. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Quem tem o papel contra-majoritário.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. de ideologias políticas e partidárias. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. → Globalização: direito à democracia. limitam o poder. Ou seja. como os previdenciários. de orientações sexuais. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. o direito a adoção. a fixação da garantia. quiçá quanto a 5ª. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal.). O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. em defesa dos direitos. que seria a vontade da maioria. um pluralismo cultural. Ele preserva. ele tem uma importância muito grande. que alguns dizem trazer os direitos à internet. ao analisar a Constituição de 1891. Em uma ponderação.

de modo indiscriminado. como é o caso. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). Obs. a todos os seres humanos.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . O caput do art. no caso concreto. são indisponíveis. etc. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. conjugando-a com a sua mínima restrição.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. decidir qual direito deverá prevalecer. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. através da interpretação sistemática.: HC.direito ao juízo natural (direito) – o art. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. . emite uma opinião (direito de opinar).: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. Se são sempre exercíveis e exercidos. portanto. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. no caso concreto. ilegalmente preso. . XXXVII.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. ou magistrado. havendo. que só pode ser proposta pelo cidadão. Normas positivas.. Isso porque. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. confronto. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. coarctando. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). 5º. ou caberá ao intérprete.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. Exemplos: . . de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. é claro. mas nunca a sua renunciabilidade.: direito de propriedade versus desapropriação). . se o direito garantido não possui alguma especificidade.Historicidade: possuem caráter histórico. Deve-se observar. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. uma vez consagrado o direito. . passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. muitas vezes. os apátridas e as pessoas jurídicas.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. 98 . 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. por ex. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.Universalidade: destinam-se. quando. . Nada impediria. 5º. juntamente. ainda que não individualistas. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. como é o caso da ação popular.). os estrangeiros não residentes. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. HD. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Contudo. . na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. conflito de interesses. nascendo com o Cristianismo.

Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. Não se admitiria. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. só trazendo relações entre o Estado e o particular. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). não dependendo de legislação. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Assim. mas o pressuposto do qual ela parte). ordem pública. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. causando uma desfiguração no direito privado. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. etc. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. mas. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. então. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Posteriormente. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. §1º. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. pois. para isso. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. 5º. Ingo Sarlet afirma que o art.). analisando caso a caso. 99 . verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. então. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. §1º. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. No entanto. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. 5º. fática e juridicamente. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. fala-se.

RE 175. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares.Resp.00 para R$ 86. ainda que esta regulamentação não exista.*RE 161.RE 158. então. Espanha e Portugal.243/DF. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. a aplicação será indireta.☺RE 161.) .: empregado e empregador. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. em geral. . como a segunda. Mas. que não adota essa teoria). mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).700. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. Os DF são expressados.RE 201. Segundo Virgilio da Silva. Para a realidade brasileira. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. é possível a sua aplicação com base na Constituição. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. etc. a proteção tem que ser maior. não sendo necessária uma intermediação legislativa. muito abertos. mesmo realizando atividades idênticas. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . 249. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. contrato de adesão. para que os princípios pudessem ser concretizados. houver uma desigualdade fática. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.858. no entanto.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . tão somente pela falta de previsão. Assim. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. . mas ainda não há decisão quanto a isso. . e.HC 12. isso poderia causar uma série de problemas.RE 160. Ainda se trata de uma questão muito nova. .243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. se exteriorizam. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Em contrapartida. esta teoria seria a mais adequada. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. A jurisprudência. . com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. quando há uma relação de igualdade real na relação.24. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. através de princípios. Se não houver uma previsão expressa na lei. de uma forma geral. mas.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Segundo esta teoria.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. A autonomia da vontade requer tal ponderação. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Se. . Determinação de observância do Princípio da isonomia. E como os princípios são muito vagos. devendo sobre eles prevalecer. O juiz. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Quanto ao caso do aborto sentimental (art. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Obs. à liberdade. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. à igualdade. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. A renúncia é definitiva. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Esta questão é bastante clara. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. abre-se mão temporariamente à privacidade. 1º. à segurança e à propriedade. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). O direito a vida. pois a vida é uma direito irrenunciável. 170. II. CP) a questão é um pouco mais polêmica. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. CR/88. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. por óbvio. No caso do big brother. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. um caso constitucional de violação de direitos. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. não há uma renúncia definitiva. é. não há que se falar em não exercício). Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. 5º. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. 5º. pois. CR. Porque o direito à vida é irrenunciável. 5º. Por isso. Nos 78 incisos deste art. ☺art. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito.: esta segurança que o art. 128. também não pode ser renunciado. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. caput. XLVII. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). Quanto a esta hipótese não há controvérsias. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. III e art. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. como DF é pressuposto dos demais direitos. Há dois entendimentos: 104 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. ☺art. Este pode ocorrer. um outro direito fundamental.

Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. a morte não decorre do aborto. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Nos EUA e na França.Direito à privacidade: 105 . é relativo. Ademais. sabendo que ela vai morrer. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. discutida na ADPF 54. já que na época em que foi feito o art. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). 128. mas sim interpretando a CR/88. já que o CP é anterior à CR. como todos os outros. e. sem o sistema nervoso central. em razão do risco de morte intra-uterina. mas de modo geral). . A questão ainda está sendo discutida no STF. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. OBS. não haveria vida. Se há dois argumentos defensáveis. além de colocar em risco a sua própria vida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. insuficiente para a proteção do direito. ela é a única ação de controle abstrato cabível. por 7 votos a 4. então. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. segundo Canotilho. portanto. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. E o direito à vida. assegurando a autonomia da vontade. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. 3) dignidade da pessoa humana. a vida termina com a morte encefálica. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. Se isso fosse possível. O STF. entendeu que. 128 (em 1940). o STF não estaria legislando. CP não teria sido recepcionado pela CR. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. mas sim da acrania. Para o direito brasileiro. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. 128). o feto não tem a menor chance de sobrevida. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. o art. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. II. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. é uma forma de tortura psicologia. por isso. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. nas quais não se tem uma opinião moral definida.

pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. sobretudo. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. Ainda que não afete a honra. Se filmar uma passeata. sobretudo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Se tiver gravado um crime. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. de uma forma geral. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Neste caso. O direito de liberdade é maior. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. 1. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. veremos cada um separadamente. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. etc. contra um estelionatário. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Então. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. são direitos independentes. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. não tem privacidade. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. é a esfera da vida privada. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. em seguida. Ex. a honra e a imagem das pessoas. ela é ilícita. que se subdivide em: intimidade. Ex: policial federal recebendo dinheiro. quebra de sigilo e interceptação telefônica. O prof. 5º. Logo. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. o direito à imagem foi violado. por exemplo. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Esta é excludente de ilicitude. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. no art. Há decisões judiciais onde muitas vezes. a imagem pode ser usada num processo. CR. Em regra. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. O agente público. não há violação à privacidade. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. a gravação é considerada lícita. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. vida privada. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. quando pratica um ato na condição de agente público. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. Ao realizar essa ponderação. uma gravação feita clandestinamente. maior a proteção a ser dada. os princípios da moralidade e da publicidade. X. Nesses casos é vedada a gravação como prova. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. É vedada pelo art. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. na verdade. X. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Proteção da honra e da imagem. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. contra um chantagista. a restrição é legítima. 106 . CR. histórico. Nesses casos. Não há que se falar em colisão. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Ex: matérias de interesse público. Numa gravação clandestina. 5º. Será considerada prova lícita. científico ou cultural. Mas. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. No entanto. pois há uma excludente de antijuridicidade. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Ex: Radares eletrônicos. É gênero. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. O direito a privacidade está consagrado.

O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. O prof. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. com base no princípio da simetria. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. ele não pode requisitar diretamente. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. outros entendem que não há proteção. São poderes instrutórios. X. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. naquele caso específico. não poderá quebrar sigilos. Tem uma decisão do STF muito comentada. já que não existe poder judiciário municipal. Quando se quebra o sigilo telefônico. não há decisão do STF.: Podem existir várias outras exceções. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. A lei. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. em ação cível originária. Ele alegou a ilegalidade desse ato. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. Quanto às CPIs municipais. Quem pode é só o juiz e a CPI. Ex: extrato de conta corrente. Se ele quiser. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. mas na decisão acima houve discussão a respeito. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. fiscais. Dentro dela. por ex. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial.). Os jornais publicaram essas declarações. 5º. o BB poderia quebrar o sigilo. está em vigor. por enquanto. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. XII. como havia verba pública envolvida. De acordo com o art. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Quando a CR fala em “poder de investigação”. informáticos. etc. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. 2. essa decisão foi para um caso específico. ainda que não seja sigilosa. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. às informações constantes na declaração de imposto de renda. deve ter uma certa salvaguarda. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. a duração da chamada. 3. O Min. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. divulgaram todas as declarações na internet. O inciso X impede a gravação clandestina. CR. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. 5º. 2°) admite. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Dentro do próprio STF há divergência. fiscal e telefônico. 107 . outros dizem ser pelo art. Além do juiz. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. falaremos da interceptação telefônica. XII. de um cd room. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. O STF decidiu que. 58. Essa declaração. E o Ministério Público? Segundo o STF. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. 5º. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Essa exceção só confirma a regra. que é uma exceção a essa regra. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso.. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. § 3º. No entanto. Na Itália. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos.

será interceptação telefônica. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Se um souber. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. abrem-se todas as correspondências. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Para o prof. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. pode haver restrições às comunicações telefônicas. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. por uma terceira pessoa. Em relação à comunicação epistolar. O art. mas foi feita por um terceiro. mas. protege-se apenas a liberdade de comunicação. já que protege-se a liberdade de comunicação. Na prática. Se um souber. sobretudo. a liberdade de comunicação. 5º. X. 5º. Na interceptação. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. protege a liberdade de comunicações. o STF tem um entendimento que. XII. em determinadas hipóteses. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. também protege a privacidade. seja pelo art. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Em relação a essas. Mas isso não é a posição do STF. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Para o prof. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. 5º. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. 5º. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Ela deve ser usada para situações excepcionais. será gravação clandestina. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. neste caso. os dados de informática em si não estão protegidos. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Nessas hipóteses. Ela protege 4 formas de comunicações. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. segundo o prof. Com relação ao sigilo de dados. Então. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Além dessas duas hipóteses. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. seja pelo art. segundo o STF. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio.. não estaria protegido por esse dispositivo. Aliás. O STF entende que com base o art. Para o STF. a Constituição não estabelece qualquer requisito. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . XII. No entanto. Pois. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Porém.. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Não são admitidas para outras finalidades. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. o sigilo poderá ser violado. é equivocado. Quando se falou do método tópico problemático.

a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). prorrogáveis por mais 15).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. XII. nem a CPI. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Somente o juiz. Se numa situação excepcional. Ex: crime dentro de uma residência. 5°. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. se houver o consentimento de um dos moradores. Nesse artigo. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Ou seja. 5º. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Se houver o consentimento. Pode ser que com os abusos recentes. 5º. Vejamos as situações: 1. violado. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. e não pelo dono da casa. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. • Prestar socorro 109 . Como é o meio mais fácil. 5º. nesses casos. A Constituição trata de 2 situações distintas. LX: sigilo imposto a processo judiciário. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Nem mesmo CPI. c) Art. vejamos: a) Art. essa lógica tem sido invertida. o Min. Art. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida.483 – medida cautelar concedida nesse MS). CF/88. a polícia pode entrar. Além disso. imagine numa situação normal. qualquer pessoa pode entrar. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Sem consentimento já é diferente. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. XII: interceptação telefônica b) Art. e mais ninguém. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9.296/96. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Na jurisprudência do STF. a entrada deve ser permitida pela empregada. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. O professor acha que há certo abuso neste caso. LXI: possibilidade de prisão. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Com relação à inviolabilidade do domicílio. Essa decisão foi recente (☺MS 27. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. pode determinar a prática desses atos. por nenhuma outra autoridade. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. XI: violação de domicílio. Recentemente. salvo o flagrante delito. 2. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Ela deve ser o último recurso. 5º. Segundo o STF. devemos analisar 2 situações diferentes. Então. d) Art. não há falar em violação de domicílio. Com o consentimento. Durante o estado de defesa. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. seja durante o dia seja durante a noite. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial.

É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. hoje.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. porque a noite é o período de descanso. Quando o sol nascer é dia. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. a casa pode ser invadida a qualquer hora. 2. 150. não entra no conceito de casa. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). não só dos moradores daquela casa. Ex: parte de trás do caminhão. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Então. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. seja do dia seja da noite. É utilizado por JAS. 110 . Na maioria dos casos. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Segundo ele. Se entrar com o uso da força. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. compartimentos habitados. por serem situações emergenciais. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. entre outros aposentos. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Se houver o consentimento do morador. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. consultórios. não poderá mais entrar no domicílio. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. estabelecimentos comerciais e industriais. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. a prova colhida será considerada ilícita. mais adequado. ☺Art. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. E o carro? O prof. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. na parte em que o público tem livre acesso. 3. CP. quando o sol se põe é noite. a prova é lícita. pois se respeitar também o critério cronológico. entra no conceito de casa. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Só que o STF já proferiu decisões. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. mais tradicional. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. mas dos vizinhos também. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. onde o caminhoneiro dorme. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. compreende escritórios. Segundo o entendimento do STF. que traz uma conceituação bastante extensiva. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. se estiver vazio. não entra em conceito de casa. Entra no conceito de casa. prevista no dispositivo. Alguns autores. propõem uma utilização conjunta desses critérios. entre eles Alexandre de Moraes.

Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. CR. da constituição. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. 7º. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. 111 . XXX. justifica-se a altura. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. idade. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. não significa que a lei não possa fazer distinções. pois viola o princípio da isonomia. 7º. Esse critério não é nenhuma discriminação. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Ex: critério preconceituoso. Para esses casos. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. É a que está consagrada no caput do art. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. XXX. Não irá fazer concurso para homens participarem. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Uma vez dentro do estabelecimento. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Para que o critério seja constitucional. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. 5º. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. cor e estado civil. ele não estará de acordo com o fim consagrado. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. em situações diferentes. 2. Objetivo 2. Se o critério não for objetivo. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. discriminatório. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Mas. razoável e proporcional. CF/88. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Quando se fala em princípio da igualdade. é necessário que ele seja: 1. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Esse critério é razoável. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Razoável 3. Nestes casos. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. arbitrário.

5º c/c art. Mas. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. disse que está ligada à igualdade material. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Segundo JAS. 112 . Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. e não à igualdade material. Visa uma redução das desigualdades fáticas. aconteceu o contrário. Ex: Alíquotas de imposto de renda. seria igualdade material. A cota deve ser proporcional à população. Não é uma forma de resolver o problema. 3º. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. e os desiguais de forma desigual. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. acha que esse argumento não convence. Tem autores que entendem ser inconstitucional. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Quando se fala em igualdade material. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. ☺art. mas na Constituição Indiana em 1947. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. essas ações deveriam existir por 10 anos. essas ações são constitucionais. Isso é igualdade formal. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. igualdade e fraternidade. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. O prof. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Criaram-se outras ações afirmativas. surge a questão relacionada às ações afirmativas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . Ex: Cotas para pessoas carentes. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. mas reduzir as desigualdades existentes. mas é necessário analisar uma série de fatores. Porém. Então. que eram desiguais em relação aos seus senhores. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Quando se fala em igualdade material. utiliza-se das ações. O prof. Essas ações não surgiram nos EUA. Para outros autores. o critério discriminador seria desproporcional. No caso da Índia. Dificilmente. não haverá uma igualdade real. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Para o professor. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. pois elas criam uma discriminação reversa. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. por exemplo. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. Em princípio. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. A tendência é que elas aumentem. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. e prolongaram as que já existiam. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. para tentar reduzir as desigualdades. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. seja por particulares. Portanto. seja pelo governo.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . . .Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. Além dessa eficácia. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Argumentos contrários: . não sendo necessária essa distinção. Isso é uma questão de política pública.fomenta o racismo e o ódio racial . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . previsto no art. . Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. Eles foram libertados. mas eles não tiveram oportunidade de escola. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. tolerante. A justificativa parece não ser inconstitucional. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. atinge todos os poderes públicos . . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado.favorece negros de classe média alta.medida imediatista e inapropriada. visa compensar uma dívida histórica. cientificamente falando. Poder Executivo e Poder Judiciário). No Brasil. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.princípio da isonomia (discriminação reversa). pois já faz parte do próprio critério republicano. sem exceção. Juridicamente falando. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material.em uma sociedade pluralista. miscigenada e multicultural. O problema é com relação à subjetividade do critério. são destinatários do princípio da igualdade. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. .Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . mas também para quem irá elaborar a lei. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. 208.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. de saúde. Apesar de ser uma relação entre particulares. 113 . . Então. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Poder Legislativo.fere o mérito. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. quando se fala em destinatários. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. CF/88. Eles não têm apenas a eficácia vertical. aberta. .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.

000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. 5º. É constitucional? Sim. e violou direitos de terceiros. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. a lei pode estabelecer distinções. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Logo. Apologia ao crime é diferente disso. sendo vedado o anonimato. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. em princípio. O particular não é obrigado. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. ela exerceu o seu direito. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Isso significa que. segundo o professor. As provas 114 . Ex: Lei Maria da Penha. Ex: art. Questão de Concurso – Cespe: No art. É uma denúncia feita anonimamente. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. 5º. IV. Para alguns. é outra questão. não teria sido recepcionado. mas apenas para as mulheres. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. ela é constitucional. Protege a mulher. CPC – ação de alimentos. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. o problema é dele. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. É livre a manifestação de pensamento. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Por que a Constituição. ela pode ser responsabilizada. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Se a pessoa agiu de forma abusiva. desde que essas restrições não sejam autoritárias. ele deve licitar. para outros teria. Pode defender no plano das idéias. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. de expressar o pensamento. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Não é um direito absoluto. I. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. Ex: Passeata para legalização da maconha. Logo em seguida. discriminatórias. Basta ser um critério objetivo e para todos. em regra. ela pressupõe responsabilidade. 100. etc. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. Mas. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. O homem não é a parte mais frágil da relação. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Se o sujeito será responsabilizado ou não. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. não deve ser estendida para os homens. desde que seja para atenuar desníveis existentes. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Não existem direitos absolutos.

Para que os critérios religiosos sejam admitidos. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. CR. 2. houve a total separação entre Estado e Igreja. I. O dever funcional da autoridade é investigar. Vejamos: 1. há 02 hipóteses em que o STF admite. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Pode fazer um exame grafotécnico. O culto pode ser exercido em qualquer local. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. O Estado brasileiro. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. ele não pode ser admitido. Isso significa que. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. A religião desempenha um papel fundamental. abrangendo a liberdade de crença. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. Porém. ainda 2. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. ela deve ser protegida. ou de não ter crença em nada. o equilíbrio das religiões. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. se não há qualquer identificação. 5º. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. desde 1989 (advento da República). Esta liberdade está consagrada no art. Garantir a simetria da liberdade religiosa. VI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. No Brasil não há uma religião oficial. por exemplo. Em relação ao culto. 2. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. pedindo resgate. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. CR. Ex: seqüestrador escreve bilhete. de ter crença. → Alguns temas polêmicos: 115 . O Estado deve manter-se neutro. com o advento da República. e. desde que não viole o direito de terceiro. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. então. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. A liberdade de consciência é a mais ampla. Não se pode admitir que o parlamento. inclusive em lugar aberto ao público. Quando são produzidos pelo próprio acusado. de crença e de culto. Para Habermas. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. não é o caso do Estado brasileiro. apesar de a maioria da população ser católica. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. 3. deve ocorrer uma “tradução institucional”. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Os templos recebem uma proteção especial. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. 19.

É importante respeitar o ensino de cada um. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. e cultura é competência comum – da União. políticos e religiosos. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. Mas. há algumas ações. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. imagine uma cidade pequena.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mas não quer que ele aprenda a religião da escola. a escola não deve impor ao menino. não poderia ser confessional. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. CR). a neutralidade do Poder Judiciário. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Na Alemanha. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. . Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. que odeia guerra. estados e municípios (☺art. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Para o prof. os argumentos religiosos não fazem parte da política. O tribunal. ocorreu um caso muito semelhante. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. fazendo uma ponderação entre os princípios. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. e não à justiça do trabalho – ☺art. . então. §2º. onde se tem poucas escolas boas. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. 210. logo. e o aluno optou a se matricular nessa escola. Segundo o prof. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. 23.. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art.. inegavelmente. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. Há um trecho do livro do Dworkin. São feriados puramente religiosos. o argumento supracitado não está correto. VIII. a competência é em relação à cultura. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Entretanto. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Pode um ateu. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. CR. Portanto. O 116 . Neste caso. 5º. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. a competência é da União.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. §1º. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. Entretanto. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. 215. CR). Não teria sentido acabar com esses feriados. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. são culturais. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional.

JAS diz que não são direitos coletivos. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. ☺ art. o argumento deve ser racionalmente justificado. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. (Não pode reunir pessoas armadas. Criação de partidos políticos. mas direitos individuais de expressão coletiva. Caso não cumpra com a prestação alternativa. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. existem 2 semelhanças e 1 diferença. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. XVI. 2. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. não são os religiosos. essa hipótese é de representação processual. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Criação de associações e. 5º. ☺art. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. O prof. então. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Quem fará a tradução não é a Igreja. XVII e XXI. 15. Ex: reunião de condomínio. na forma da lei. CR. 3. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. ainda. Não cumprindo com a obrigação. elas vão embora.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. 5º. as pessoas se reúnem e. A associação. terminada a reunião. Se não houver essa lei. conforme portaria da ANVISA. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. tem o caráter permanente. IV). 4. Ex. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. A República é o governo das razões. CR. Ex: fazer segurança. de cooperativas. Liberdade de reunião. 5º. por sua vez. etc. Há. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. CR: Não é só a liberdade de se associar. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Por que a CR exige prévio aviso. mesmo que em locais abertos ao público. Para que as pessoas possam se reunir. desviar o trânsito. mas a de permanecer associado. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Criação de sindicatos. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. 5º. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. A pessoa alega imperativo de consciência. mas os políticos. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. XXI. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). XVI. Segundo Jean Rivero. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. não é necessária a autorização estatal.) 2. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art.

a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). segundo o prof. segundo o prof. não são legítimas essas invasões. Segundo o STF. não precisando de autorização expressa. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. tendo um menor peso na ponderação. Segundo ele. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. não impede que o direito de propriedade seja protegido. A Constituição não garante o direito à propriedade. 2. Segundo o STF. ter um patrimônio mínimo. Função Social da propriedade: A CR. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. mas faz parte da estrutura desse direito. Ex: Invasões de terra pelo MST. XXII. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Em seguida. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. do próprio regime desse direito. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. portanto. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). mas sim contrárias ao direito e. em seu art. A associação impetra em nome próprio. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Só pode representar se houver autorização expressa. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. a função social. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. é mais correto. Se ele tem proteção. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. ilegítimas. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. É o entendimento de Daniel Sarmento. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Ela só garante o direito de propriedade. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. por exemplo. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. O sindicato (☺art. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. pode ser dada numa Assembléia Geral. Segundo JAS. ☺art. mas não pode ajuizar ADI. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. Segundo o STF. como a Constituição garante o direito de propriedade. defendendo direito alheio. segundo o qual. Há um outro entendimento que. no seu art. 8º. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. 5º. O que acontece é que se não cumprir a função social. se não for atendida.. a propriedade terá uma proteção menor. XXIII. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. III. LXX. ADC e ADPF. 118 . Em razão do princípio da Unicidade Sindical. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). garante o direito de propriedade. não pode existir mais de uma federação por território. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. 5º. o direito de propriedade pertence ao direito público. 5º. CR) quando ajuíza uma ação. O Sindicato pode impetrar MS coletivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal.

só haverá indenização se houver dano. indenização por títulos da dívida pública). como um apartamento. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Para atender a função social. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. §4º. 184. 139. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. normalmente. por utilidade pública. justa e. VII). Vejamos abaixo. Propriedade Urbana: ☺art. Vejamos: a) ☺art. por ser inerente ao direito de propriedade. IPTU progressivo no tempo. o proprietário não tem culpa. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Como haverá indenização se houver dano. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). diante de uma emergência. como decorrência do primeiro. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. A polícia requisitou determinadas propriedades. §2º. No caso de requisição. 186. que deve ser prévia. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. 182. Desapropriação: Diferentemente da requisição. Na requisição. Sempre haverá indenização. CR. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Propriedade Rural: ☺art. A função social. ele não poderá ser prejudicado. em regra. a saber: a. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Ex: caso de Eloá. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. CF/88: Trata-se de imóvel rural. 2. b.000 habitantes (§1°). → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. a indenização será sempre posterior. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Quando o imóvel é desapropriado por interesse social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. b) ☺ art. 5º. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. deve haver indenização? Não. Logo. uma escola pública. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. Os principais aspectos são 2. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. restringe o caráter absoluto. XXV) e as militares (☺art. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. CR. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. É um aspecto lógico. há uma transferência compulsória da propriedade. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. deverá ser em dinheiro. a saber: por necessidade pública. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Sempre que há requisição. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. mas sobre a propriedade em si. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. etc. na desapropriação. ou por interesse social. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Além do caráter absoluto. 182.

Obs. 243 da CR. é porque ela está cumprindo a sua função social.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. Necessidades transitórias. 243. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. precisa recorrer ao judiciário). . a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. regra. Só que. prévia e. §3° e art. Para esse fim. Como o confisco é uma sanção. Requisição Refere-se a bens e serviços.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. seja urbano ou rural. não podem ser adquiridos por usucapião. por ter prazo menor. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. . não há pagamento de indenização. não precária. CR). o imóvel deve ter. 183. 184. O confisco de propriedade está previsto no art. ininterrupta.).Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Se ele tiver outro imóvel. os bens serão confiscados – art. parágrafo único. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. 250 m2. 120 . PU. A Constituição não permite – ☺art. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Vejamos: . emergências da sociedade. 5º. Se ela é produtiva. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião.o morador não pode ter outro imóvel.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Só não podem ser para fins de reforma agrária. CF/88. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). 3. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. em Indenização posterior se houver dano.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). sejam urbanos ou rurais. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Nesse caso. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). no máximo. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). Usucapião: Na Constituição da República. Confisco: No Brasil. 191. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). etc. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. .Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. Na CR. sem oposição. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos.: Imóveis públicos. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. §5º. 2. CR). possuir o imóvel como se fosse seu. 50 hectares. paga em dinheiro). 185. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. . no máximo. pacífica. É sempre indenizável (justa. Necessidades permanentes da sociedade. São imunes a impostos (☺art. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional.

não. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. só que exclusiva para o direito tributário. mas que vale especificamente para o direito tributário. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. A lei interpretativa retroage. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. na verdade. Para responder a essa questão. 5º. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Esta hipótese é. mas deve respeitar a coisa julgada. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. a CR/88 entrou em vigor. média e mínima. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. é necessário diferenciar duas situações. Todas as demais o consagraram. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). As hipóteses mais importantes são: 1. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. etc. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. a lei interpretativa retroage. a saber: 1. outros a interpretavam de maneira (B). → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. ato jurídico perfeito e coisa julgada. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. interpretando a lei da maneira (A). 5º e no art. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Durante a vigência desse contrato. XXXVI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. CR). 5º. Seria correspondente à primeira hipótese. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. a regra também é a não retroatividade (art. 2. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. Retroatividade da Lei Penal. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 .) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. b) Retroatividade benigna. XL. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. inicial. No direito penal. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Em regra. 106. Alguns a interpretavam de maneira (A). é uma conjugação das duas anteriores. A garantia existe para a proteção desse direito. autônomo. Em resumo. não era muito democrática). 3. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. desde que seja mais benéfica para o réu. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades.

Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. A EC poderia prejudicar direito adquirido. O prof. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. 2. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. b) Retroatividade média: pode ocorrer. e não lei em sentido restrito. extintas. através de norma de eficácia plena. a Constituição da República entrou em vigor. 5º. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Portanto. As parcelas podem ser reduzidas e. haverá uma retroatividade máxima. Não pode haver a redução. Só que para haver essa retroatividade. será necessário que a Constituição diga expressamente. porque geraria uma insegurança jurídica. É o ato que está apto a produzir os efeitos. e não as parcelas que compõem o vencimento. e não o ato exaurido. no caso de retroatividade mínima. .Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Na retroatividade máxima. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. STF. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. . Após a Constituição de 1988.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. 473. Ex: Determinada prestação.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. interpreta a lei em sentido amplo. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. ☺Súm. de acordo com a legislação da época. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Se a Constituição atingir essa prestação. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. ela afeta a todos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Havendo mudança de regime jurídico. portanto. Antes de a prestação ser paga. automaticamente. . → Coisa julgada: 122 . A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. não há posição prevalecente. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. mas isso está superado.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Nesse caso. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. mas as leis não. 654 e Súm. . haverá uma retroatividade média. XXXVI) é lei em sentido estrito e. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. É claro que isso não é desejável. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. inclusive as de ordem pública. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Ex. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. até mesmo. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. em regra. Só que para haver essa retroatividade. Se mudar o real. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. porque geraria uma insegurança jurídica. É claro que isso não é desejável.

Dirley Jr. 5º. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. por ex. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. Direitos Sociais: 1. Em cada época. à medida que a sociedade o determine.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. . O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. como teórico do direito (ou seja. em regra. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Eros Grau. 2. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. A administrativa não tem essa proteção. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Ou seja. em sua maioria. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. e não propriamente como ministro). 5º. pois são mais facilmente implementados.☺art. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. . Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. 7º. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. independentemente da sua natureza. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. e pelo Min. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. §1º. são NEL (de princípio programático). de sociedades pluralistas. ou seja. Os princípios. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . mas é apenas a coisa julgada judicial. Mas isso não é verdade. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. exigem uma atuação positiva do Estado. Os direitos de defesa são. e isso para muitos é um ponto negativo. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. segundo Robert Alexy. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. são mandados de otimização. o que significa que possuem um caráter positivo. Já os direitos sociais. como doutrinador. para dar decisões concretizando tais direitos. do seu enunciado. 5º. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. consagrados em NEP ou NEC. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. nós deveríamos interpretar o art.. independentemente de qualquer fator. No art. Por isso. §1º. Eficácia: todo direito tem um custo.: salário mínimo). ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. b) o art.

educação. legítimas (saúde. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. rodovias. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. essa atuação talvez não seja tão justa. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento.000. pois. Esse entendimento já foi superado. que estamos buscando. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. por ex. não geram direitos subjetivos. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. Primeiramente. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. etc. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. Por isso. implicitamente. . quando foi dado um maior papel ao PJ. normatividade. Portanto. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. Quando se fala em direitos sociais. lazer. Esses direitos sociais não teriam. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. Argumentos contrários à intervenção judicial: . doutrinador do RS.). A visão do juiz é bilateral. 3ª fase: é a fase desejável. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. Obs.000.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). Norma de direito social não gera direito subjetivo. O que se busca. é importante definir tais critérios. segurança. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . assim. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. Em outros lugares. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. por ex. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ.).Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. em tese. só porque recorreram ao PJ. todas.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof.. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. Como têm apenas eficácia negativa. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. pois. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. previdência. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. por ser norma programática.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. as normas possuem uma textura aberta. Pedro Taques). trabalho. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Assim. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. . Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2.

Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. segundo Ingo Sarlet. inclusive a minoria. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão.Caráter normativo da constituição. por isso. eleições periódicas. 125 . mas a todos que se encontrem na mesma situação. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). . De se ver que quando se fala em direitos sociais. Ademais. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática.A democracia não é apenas vontade da maioria. no que diz respeito aos direitos sociais. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . Esses argumentos são os que devem prosperar. o outro cresce. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. . e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. Os direitos sociais estão consagrados em normas. Mas. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude.Déficit democrático das instituições representativas. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). em razão do Princípio da Igualdade. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. em 1972. Se não se estabelecer os critérios. não se encaixaria na realidade brasileira. ou seja. A reserva do possível. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. . Assim. e é muito utilizada no Brasil. saber se a demanda é razoável. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. sufrágio universal. pois. em razão das limitações orçamentárias existentes. Se um poder se encolhe. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. teríamos a maior utilização das ações coletivas. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. entra-se muito nas questões ideológicas. Não é o entendimento que prevalece. eles acabariam sendo inviabilizados. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. É preciso.

“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Não é o máximo desejado. Segundo Ricardo Lobo Torres. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. depende de cada época e de cada sociedade.. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. A efetividade passa pela sociedade. educação e moradia. 2. em razão de sua textura aberta. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. que existem z pessoas na mesma situação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. da liberdade material e do princípio do estado social. . Segundo Ana Paula de Barcellos. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Assim. . é o mínimo existencial. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. mas teria um peso maior na ponderação. Ou seja. precisam ser concretizados. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. é o entendimento mais adequado. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. essa concretização. a questão da efetividade será prejudicada. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. que é a corte suprema na Alemanha. Vejamos: 1. pelo cumprimento voluntário da constituição. Se não definir o conteúdo. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. maior o risco de não ter efetividade. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. assistência em caso de necessidade. quando se estabelece o mínimo existencial. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. por ser necessária para a 126 . Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. mas deve também ser provada. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. A reserva do possível é uma matéria de direito público. saúde. que a demanda custa y. Outros autores já falam apenas em saúde. No Brasil. em 1953. Segundo o prof. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Por que falamos em “mínimo”. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. etc.

A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). JAS. estatístico. Todos que moram no Brasil. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. pois. Os poderes públicos.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. já dizia algo muito semelhante. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. e. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. esse prazo não pode mais ser reduzido. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. consciência coletiva. costumes. Por isso. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. 127 . O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. irão concretizar os direitos sociais. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. não pode haver uma redução dessa concretização. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. Ele tem. só ampliado. língua. independentemente da nacionalidade. segundo ele. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. §1º. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. entre eles: laços culturais. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. haver uma redução do grau de concretização. CR). passaria a fazer parte do próprio direito social. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Segundo ele. um pensamento mais flexível sobre o tema. ao estudar as normas de princípios programáticos. População está relacionada ao conceito demográfico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. o que prejudicaria a sociedade. A partir do momento que um direito social é concretizado. 5º. e do Estado Democrático e Social de Direito. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. Ex. Há dois posicionamentos quanto ao tema. assim. Pode. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. históricos. 2) posicionamento de um autor português. da dignidade da pessoa humana. fala-se em vedação do retrocesso social. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. da máxima efetividade (art. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. fazem parte da população brasileira. que significa nação. haveria um engessamento do legislador e do PE. de acordo com a necessidade.

§6°. considera a nacionalidade dos pais. A EC 54 alterou o art. . .Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. I. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. não haver condenação penal e requerimento do interessado. 12. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. há direito público subjetivo do estrangeiro. Refere-se aos brasileiros naturalizados. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. Neste caso. É geralmente adotada por países que estão em formação. II) Naturalização expressa (art. c. 12. não há direito público subjetivo. II) Jus Sanguinis: ascendência. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a). II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. I. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). o filho terá nacionalidade brasileira. 12. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. 227. Pelo critério funcional. se não se manifestarem contrariamente. adquirem a nacionalidade do país onde residem. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. os pais têm que ser brasileiros. I. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”.815/80. É o caso do Brasil. de acordo com o art. Quando a pessoa é nascida no Brasil. por uma questão de soberania nacional. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso.Quase nacionalidade (art. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 112 e 115. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Se o casal estiver a serviço de outro país. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. Refere-se aos brasileiros natos.Diferenças de tratamento 128 . art. desde que haja reciprocidade. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. CF/88. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. 12. estrangeiros residentes. b). De acordo com o critério sanguíneo. terá naturalidade brasileira. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. Obs.

a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. A deportação está mais próxima da expulsão. Expulsão: consiste na retirada a forca. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. . b) 6 assentos do Conselho da República (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. 5°. dependente da economia paterna. confundir a súmula acima com a seguinte.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. Mas. . o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. presidente da CD. 12. §4°. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. §3°). A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. só poderá ser extraditado: . mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. Os critérios utilizados são: . XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.linha sucessória do presidente da república: PR. CF/88): 129 . VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. §2°. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. CF/88). CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. . do território brasileiro. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. . todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). d) Extradição (art. não se poderá invadir esse estado.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art.segurança nacional: oficial das forças armadas. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. no entanto. 12.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. . cria-se um problema de relação internacional. Mas. Se o estado desrespeita essa regra. ou que tenha filho brasileiro. No caso de brasileiro naturalizado. a ela aplica-se a súmula 1. 65 da lei 6. 5°. presidente do SF.815 (ato nocivo ao interesse nacional). 5°. Na extradição. Não se pode. Importante analisar a Súmula 421. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. 12. 89. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma).se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. Princípios relacionados à extradição: . em razão da soberania nacional.Perda da nacionalidade (art. em razão da superioridade da Constituição. XL. vice. Já na entrega. portanto. .

. que exige uma alternância de poder. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. salvo nos casos das alíneas a e b. São requisitos apenas técnico-formais. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas).tem valor igual para todos: “one man. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. §1º. Além dessas características do voto. 130 . há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). one vote” – “one person. Características que o voto possui no Brasil: . é o direito de votar (e não de ser votado).é direto: é a regra. Direitos Políticos: . Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. one vote”. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. na forma da lei (que ainda não existe).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. . perderá a nacionalidade brasileira. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. Servem ao controle do próprio direito. inclusive sendo cláusula pétrea. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Para JAS. 81. §1º). . Só se aplica ao brasileiro naturalizado. e não requisitos preconceituosos. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). salvo se por meio de ação rescisória. pelo CN.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. com uma única exceção: art. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. caput). . 14. com a realização de eleições periódicas. o sufrágio censitário (ex. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. ou seja. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. voto é o exercício desse direito. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. A CR/88 adota o sufrágio universal. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. 14.é periódico: essa periodicidade do voto. é o direito político em si. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. nacionalidade e alistamento. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto.

São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). ☺ar. filiação partidária. no caso do art. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. com exceção dos portugueses equiparados. salvo se já titular do cargo. 14 traz um questionamento. dentistas. 14. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. no governo de SP). trata-se de lei ordinária. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . . §8º). 14. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. Quando a Constituição fala apenas em lei. Além dessas condições relativas à idade mínima.☺§3º. do art. 14. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. §3º? Segundo o STF. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. domicílio eleitoral na circunscrição. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade).é conhecida como inelegibilidade reflexa. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. Primeiramente. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. 12. ou seja. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. §1º). §7º . 14. etc. No Brasil.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. §5º . Mas o §9º do art. 14. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). que geralmente admitem desincompatibilização. . 14). devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. então. se houver reciprocidade (art. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. Ex. assim. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária).: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). é o direito da pessoa ser votada.este dispositivo fala em sucessão e em substituição.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. até que se atinja a plena cidadania. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). a inelegibilidade em relação aos militares (art. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. §3º. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). 14. Assim. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. ou seja. os inalistáveis são os estrangeiros. em caso de reeleição. ela é adquirida progressivamente. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). seus parentes também poderiam ser candidatos. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. o prof. Todas as outras hipóteses do art. I. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 15 (incisos II. Kildare. e quanto a isso não há divergência doutrinária. é algo temporário. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. 132 . CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. portanto. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. não há como readquirir os direitos políticos). VIII). 15. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. 15. III e V) são hipóteses de suspensão. mas o prof. Com base nessa distinção. 5º. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. A doutrina (JAS. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. nos termos do art. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa.