Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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os fins socioeconômicos do Estado. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. como o inglês. no fundo. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. como sociológica: “em termos jurídicos. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. por seu turno. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. mas também de outros assuntos. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. Partindo. assim. Tem-se utilizado. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. O conceito de constitucionalismo transporta. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. o americano e o francês. a defesa da Constituição. mas proteger direitos. um claro juízo de valor. Neste sentido. Numa vertente mais restrita. numa terceira acepção possível. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. e. É. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. uma teoria normativa da política. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. E para isso. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. 4 . em especial limitar o poder arbitrário. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. reporta-se a um sistema normativo. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. enfeixado na Constituição. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. o local e a época. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. então. em sentido jurídico. Numa segunda acepção. Kildare Gonçalves Carvalho. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. sociologicamente. do estado e das instituições democráticas. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. e que se encontra acima dos detentores do poder.

Hoje. c. 1. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Foi a 1ª experiência constitucional. Estado Hebreu: estado teocrático.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Inglaterra: rule of law – governo das leis . A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Roma: idéia de liberdade. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. em 1787. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. como e até onde pode mandar. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). após a Independência das 13 Colônias. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). quem. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Atribui competências aos três poderes. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. a partir da Revolução Francesa. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. integram-no. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). A democracia é a representação da vontade da maioria. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. • Princípio do governo limitado. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. em 1791. Foi uma retrospectiva do direito Grego. • Separação dos poderes. 2. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. ii. Garantia jurisdicional. Foi a mais avançada forma de governo. porém. Por isso. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. b. desde logo. Influenciaram o direito francês e americano. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. d. Grécia antiga: democracia constitucional. ii. b. (Livro do Alexandre de Morais). Estabelece as regras do jogo político. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas.surgiu em substituição ao governo dos homens. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Como ressaltado por Jorge Miranda. a. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Governo limitado. se contrapõe ao absolutismo. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. fases pelas quais passou a constituição. e da França.

estabelecendo diretrizes. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. O ser humano é um fim em si mesmo. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. Ex. foi o Abade Sieyès. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. a. A partir dessas novas idéias. d. os costumes 6 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Força normativa da constituição: antes. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. as quais são denominadas por pós-positivismo. XX). Constituições da democracia racionalizada. ii. sem força vinculante. ou seja. Segundo a tradição francesa. diretrizes. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. direitos fundamentais. Separação de poderes. 4. Hoje. estarão subordinados a ela. c. Rússia. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Eram apenas uma diretriz. Constituições da democracia social. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Idéias principais: i. havia regras. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. b. O Estado é um meio para atingir determinados fins. aplica-se a analogia. Todos os poderes constituídos (PL. Começou a se falar em um direito moral. Novas idéias foram surgindo. XIX. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. 3. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). b. a maioria da nação. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. estabelecidos pela Constituição. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. na época das Revoluções Liberais. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. PE e PJ). ligada à idéia de liberdade. c. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Constituições da democracia marxista ou socialista. as constituições tinham caráter mais político. Garantia de direitos. Constituições de países subdesenvolvidos. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios.

Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Participação. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. etc. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. união homoafetiva. 7 . toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. c. A aplicação da norma se dá pela subsunção. aborto no caso da acrania. Universalização. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Consenso. pois esta é a concretização de um princípio geral. Eles são importantes. Na Itália. é o juiz. Constitucionalismo do futuro. d. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. é o judiciário. Na jurisprudência do STF. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. há uma euforia dos princípios. Continuidade. Solidariedade. Hoje.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). demarcação de reservas indígenas. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial.. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. e. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Hoje. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). fidelidade partidária.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. g.  Aplicação direta da constituição. f. Ele atua como legislador negativo e positivo. etc. Não se aplica diretamente a constituição. cotas em universidades. Quando o legislativo é fraco. o judiciário aumenta sua força. aplica-se a regra específica. verticalização. Entre uma regra específica e um princípio geral. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Integração. espuma do chopp. Os princípios. são aplicados através de ponderação entre os princípios. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Mas essa é uma posição muito radical. Ex. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. mas quem dirá o que ela é. Teoria Concretista Geral. os princípios. Verdade. b. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Para Paulo Bonavides. de uma forma geral. • • 5. que é aplicada mais às regras. Para Barroso.

Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). que são os deputados federais (âmbito federal). dá-se através dos representantes do povo. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). de soberania popular. caput. o P. a continuidade. 46.U. Act of Settlement de 1701. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. segundo o art. Fundamental Orders of Connecticut (1662). portanto. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). 1º. 1º da Lei 9. Carta outorgada por Carlos II (1662). CR) e. CR. Habeas Corpus Act de 1679. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. de acordo com o art. II e III. nos termos desta Constituição”. a participação. Vale dizer. verdadeiro sistema híbrido. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. com valor igual para todos. pertinentes. o exercício deste poder. Bill of Rights de 1689. Compact (1620). Assim. do art. referendo e iniciativa popular”. CR). conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . então. a verdade. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente.709/98 (que regulamentou o art. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. Contratos de colonização. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. concretizando a soberania popular. mediante: plebiscito. a solidariedade. 14. Como regra. Podemos falar. de forma expressa. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. por intermédio de seus representantes. cujo titular é o povo. nos termos deste lei e das normas constitucionais. O titular do poder é o povo. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. I. Petition of Rights de 1628.

. §2º. mas materialmente distintas. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. Esta é a concepção que hoje prevalece. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). A conferência realizada por ele. a Constituição é norma pura. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. o restante. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. Para entender tal concepção. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. na sociologia. na política ou na filosofia). os direitos fundamentais. caso contrário. têm a mesma forma de elaboração). que surgiram com as constituições mais prolixas. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). → Segundo Hans Kelsen. Esta concepção atualmente é inadmissível. Toda a Constituição. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). PJ. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). As leis constitucionais são todo o restante. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. é vinculante e obrigatória. PL. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. mas apenas leis constitucionais. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. para ele. quando não corresponde à Real. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. como por ex. ou seja. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Essas normas são programáticas. A Constituição Escrita. O art. conforme o prisma de análise. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. a que Carl Schmitt chama de Constituição. Constituição e leis constitucionais são. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. o caráter normativo e vinculante da Constituição. que adota o conceito decisionista de constituição. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. portanto. não passaria de uma simples “folha de papel”. 242. 1°. com exceção do Preâmbulo. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. Segundo ele. ou seja.: art.

Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. ao mesmo tempo. segundo esta concepção. não está escrita. . condicionante desta mesma cultura. . Seu único comando.Povo. neste sentido. e também jurídico. qual seja. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. é um elemento conformador. . define tais elementos estruturais.Finalidade. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. Ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. posta pelo Estado). A CR/88. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é apenas uma pressuposição. por isso não tem nenhum expoente específico. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). 10 . 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. Gilmar Mendes). mas que trata de todos os aspectos. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. . não introduz nenhuma novidade. portanto. ela não existe na realidade. é a Constituição escrita (CR/88).a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. é: todos devem obedecer a Constituição. modificando-a. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. todos os setores da vida social. quais sejam: .Território. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. a Constituição tem sim fundamento sociológico. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário.Soberania. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. é uma norma pressuposta.

Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. a Constituição Inglesa. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). trata-se de modalidade anacrônica.dogmática: sempre escrita.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. há pouco espaço para se ter costumes como regras. por ex. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . podendo ser: . dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. . que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). o apelido de “Cartas Constitucionais”. por alguns estudiosos.não codificadas (ou legais.outorgada: é a constituição imposta. a constituição não se torna democrática. de uma só vez. 1967. Por isso mesmo. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. É uma aprovação simbólica). . Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte).democrática. No Brasil..codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. 3) Quanto à origem: .: as constituições outorgadas recebem. e como é bastante prolixa. de maneira unilateral. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática.. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. . Obs. tem também vários documentos escritos. como por ex. não surge de uma só vez em um só momento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. promulgada. as constituições outorgadas foram as de 1824. . 1937. 11 . Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. votada. surge em um só momento. ou variadas): ex. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. é fruto das idéias. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). . consuetudinária (não é escrita). Nesse caso. pois toda constituição é escrita e não-escrita.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. .não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Ex. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Constituição Espanhola/1930. toda Constituição histórica é costumeira. quem vota a matéria são as lideranças.

Ex. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. passou a haver hierarquia entre as normas. . 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. sem se preocupar com os detalhes. . Como se submete a esse tratado internacional.: art. .constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. . CR). Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. mas sim o processo mais dificultoso. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. inclusive a CR/88). Em 2000. sucintas. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. É uma constituição em sentido material. Não existe controle de constitucionalidade das leis.fixas: não poderiam ser modificadas. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). ou seja. deixou de ser considerada flexível.: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) .prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina.) . 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. portanto muito difícil de serem modificadas. 1º. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. . É uma classificação típica das constituições costumeiras. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. como é o caso da CR/88. É uma constituição em sentido formal. sendo assim.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. São chamadas também de clássicas.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Ex. Por este motivo. Ex.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Constituição Inglesa. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. (Obs. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): .: a Constituição dos EUA). bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível.

porque é fruto de várias ideologias. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). 13 . o DF. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). Constituição em sentido formal. costumeiras ou consuetudinárias).dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. básicas ou clássicas). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. CR. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas.: art. Ex. Constituição programática (ou dirigente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . que surgiram com um objetivo pré-definido. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. o União. Históricas. OBS. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Canotilho. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). e não de apenas uma ideologia. Flexíveis (ou plásticas). QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. Rígidas.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. (processo legislativo). sumárias. o Estados. Característica das constituições clássicas. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. dogmáticas. prolixa. Pactuadas (ou pactuais). democrática. mas sim uma obrigatoriedade!).: art. sucintas. 3º. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. formal. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos).: a CR/88 é ainda Eclética. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. Ecléticas. União. Não-escritas (inorgânicas. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. votadas ou promulgadas). rígida (ou super-rígida). que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). codificada. como por ex. dogmática. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). É a CR/88. Democráticas (populares. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. pois valem a todos os entes federados. o Municípios. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. . Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). 59 e segs. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. Fixas.

por ser rígida. a Constituição tem que ser rígida. DL e Resoluções – ☺art. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. tem de ser. ordinárias e complementares). 5º. Importa dizer. Leis Delegadas. distritais e municipais. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . MP. que existem como complementação dos ANP).343/SP. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. princípios ou regras. porque os princípios têm maior amplitude. 59. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. as medidas provisórias. obrigatoriamente escrita. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição.: decretos e regulamentos. 59. CR). LC. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. No entanto. as derivadas (art. 59. para fins de controle de constitucionalidade. a Constituição. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. No topo. cujo fundamento de validade são as leis e. sejam elas originárias ou derivadas. II a VII).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. basicamente. enquanto as regras são mais específicas. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. estaduais. encontram-se as normas constitucionais originárias. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. por 3 níveis hierárquicos. as leis delegadas. se tiver também supremacia formal. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. uma Constituição só possui relevância sociológica. Para que exista supremacia formal. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. §3º). direitos fundamentais ou não. que a CR/88. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. o indireto.

esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. 47 é a regra geral. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes).☺Art. 69. 69. Por ser uma matéria reservada.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Não varia.☺Art. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. é sempre o mesmo número ☺Art. 47. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. MPs. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). No entanto. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . No caso da prisão civil por dívida. por uma questão de economia legislativa. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Leis delegadas. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Portanto. Essa aprovação não é obrigatória. Anotar como complemento posteriormente. Residual. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade.status constitucional. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). OBS: O art. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Lei ordinária Art. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. a previsão constitucional exige complementação. mas somente uma recomendação. Reservada pela CR/88. Quando não exigir LC. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. que regula a LC. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Assim. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. há hierarquia. CR. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. conforme previsto no art. Assim. DF). 30 (assunto de interesse local). 102. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. • Estado – ☺Art. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). III. • União – ☺Arts. ☺Art. assim. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Parei aqui. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. d. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). 25. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 16 . como o controle exercido será de constitucionalidade. no caso de repartição vertical. não cabe ADIN.: lei estadual trata de matéria de competência da União). pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). Hierarquia entre Lei Federal. Havendo conflito (ex. pois não está ligada diretamente à Constituição. a competência para resolução é do STF. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. E. 21.

Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). etc. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. Abrangeria não somente a constituição. 17 . A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. . quando são equivalentes às EC. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. contudo. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. Como não tem caráter normativo. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. portanto. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. visando assegurar a supremacia da constituição. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. . Com a EC/45. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Refere-se. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. Assim. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). o CDC. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. ou seja. mas também o preâmbulo. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. é diretriz hermenêutica. Tirando o preâmbulo. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. seja uma norma de referência para ele. . Não existe. deve estar inserida no texto da CR.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. tem função interpretativa).Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). como para Canotilho. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. os TI de direitos humanos. b) Parte permanente = normas gerais – arts. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos.

b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Ex. Dependem do prisma de observação. ou seja. MI. Assim. se considerar em relação a uma expressão é total. Assim. STF não é mais aplicada. 18 . No STF. pois. 3. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). ocorre.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. às vezes. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim.de princípio programático. A omissão parcial nada mais é que uma ação. ou seja. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. mas caberá ADIN por omissão). Ex. Não Auto-aplicável.: a Súm. . (Obs. Aqui.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Não Auto-executável. I – que exige LC para instituir impostos residuais).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. CR). . ADI. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Pode ser: .: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). não será cabível mandado de injunção.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . as Súm. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. art.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Ou seja. quando não é respeitada uma norma de competência. há uma divergência na doutrina. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo.: competência privativa do PR (☺art. §1º. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.de princípio institutivo (Obs. 4 e 5. não pode ser suprido pela sua sanção). o Min. Ex. Obs. Formas de Inconstitucionalidade: 3. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. 3. 5. ADC e ADPF. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. mas o prof. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). 3. 154. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 61.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. aliás. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. 5° a 17). AIO. e Não Bastante em Si.

aos Atos Normativos Primários.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Segundo STF. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). Ex. ou seja. Pode ser: b. Assim. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. No caso da lei. refere-se. não se trata de revogação. pois. Quando se fala em inconstitucionalidade. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). ato originariamente constitucional. que se ligam indiretamente à constituição. e grande parte da doutrina. a inconstitucionalidade será direta. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. 66.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. atos previstos no art. no controle concentrado abstrato. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. todo parágrafo. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. Relaciona-se. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. pode ser questionado. o decreto se torna inconstitucional. a inconstitucionalidade será indireta. 59. já sendo inconstitucional desde a sua origem. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. § 2°). como altera sentido do texto. Obs. toda alínea ou todo inciso (☺art. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Para o prof.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. CR. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. b. No caso do decreto. Ex. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. 3. não pode ser retirada). reflexamente (ou de maneira 19 .: a palavra “não”. ou seja. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. que só pode atingir todo artigo. decretos regulamentares. de ofício ou a requerimento da parte. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. Se o decreto é ilegal.

Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. 84. CR. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. a inconstitucionalidade é indireta. promulgar e fazer publicar as leis. não pode impetrar o MS. O único legitimado para impetrar esse MS. segundo o STF. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. 84. é excepcional. 60 parag 4. viola o art. embora participe do processo legislativo. parágrafo. Obs. porque o chefe do PE. assim. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. O chefe do PE. se ele entender que o projeto é inconstitucional. a inconstitucionalidade será direta. ele não precisaria impetrar o MS. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. 66. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. 66. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). portanto. como pelo PE e PJ: . Caso contrário. mas sim analisar cada caso concreto. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. OBS: não adianta decorar o nome do ato.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). .1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. O veto tem que ser expresso. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. CR).sancionar. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). mas uma mera análise política. ..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. prevenir que a CR seja violada. que se exerce através do veto (☺art. No 1° caso. quando ele participa do processo legislativo. porque ele é o único que participa do processo legislativo. tem fundamento de validade indireto. §2º. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). Trata se de um controle incidental. IV . já que de maneira indireta.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. EX:art. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. por isso ocorre antes da promulgação da lei. pois pode ser derrubado (☺art. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. IV.ou concreto. o projeto 20 . ela não está violando o direito de ninguém). inciso ou alínea). é fundamento de validade direto e no 2° caso. porque o ato não fere diretamente a CR).Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. Art. por isso aqui não há que se falar em controle). mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. O veto é relativo.

constituindo-se normas constitucionais interpostas. interpretações regimentais. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. ou seja. etc. os direitos e garantias individuais” – ou seja. somente o Deputado Estadual. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. No entanto. desta feita.. 21 . Se o projeto tramita na CD. secreto. a fim de repará-la. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. mormente. por maioria de votos. se na Assembléia Legislativa. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado.. mas um processo legislativo constitucional. vedando-se. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . que entende que “. Assim. o Senador. 49. Leitura do livro do Lenza (pág. se está no Senado. 68. que é o chamado Decreto Legislativo. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Questão: o PR. as cláusulas pétreas. 60. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. 168): o STF. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. na qual o projeto esteja tramitando. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. o PR elaborará então a LD. muito embora não sejam formalmente constitucionais. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato).Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. em um primeiro momento. o voto direto. já que trata-se de um ato normativo. tendo como objeto esse Dec. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). e as normas do RI são questões interna corporis). Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. contudo. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. Na verdade. pois não se trata de ato normativo. ☺art. §4º. vinculam os atos e procedimentos legislativos. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. a separação dos poderes. Legislativo? Sim. CR. aos direitos fundamentais”. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. pode ajuizar uma ADI. ADC ou ADPF. universal e periódico. que. V . V.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. Ademais. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. não lhe cabendo. na linha do voto de Gilmar Mendes. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ.

4. Após a CR/88. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. estendendo-se inclusive ao PR e Gov.084). quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. clara e evidente – ou seja. é necessário fazer-se um controle repressivo). que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. o chefe do PE teria que. 84. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. quando. nesse caso. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Apenas excepcionalmente.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. IV. Ele será. Não se analisa o mérito da MP). porém. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. exorbita os limites do Poder Regulamentar. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. CR). CR). Gilmar Mendes. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). Antes da CR/88. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. ou seja. ela deve ser objeto de controle. Assim. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. Obs. tampouco que o PR. GE. ajuizar uma ADI. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. No entanto. 62. STF: o Tribunal de Contas. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). Desde já. esse rol foi ampliado. mas segundo o Min. 71. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. estudado de forma detalhada a seguir.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo.. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. III) Súmula 347. segundo o STF? Resposta: em regra. por ex. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. não é um entendimento consolidado. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. . não havia relevância alguma). o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. pois. mas tão somente aos prefeitos. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). através da edição de um Decreto. simultaneamente.. O TC é órgão auxiliar do PL (art. ao fazer um Decreto Regulamentar.. II) art. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. ao negar cumprimento à lei. pode o PJ analisar tais pressupostos. já no STJ não há qualquer ressalva. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. O chefe do PE (e só ele – PR. . nesse caso o CN pode editar um Dec. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Legislativo para sustar. no exercício de suas atribuições.

no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. ao mesmo tempo. em se tratando de lei nacional. Por isso. haviam sido feitas apenas 16 EC. difuso e concentrado). No Brasil.Hilton x U. dentro de sua competência. Ex. para não gerar essa confusão. interessante: em 1965. se se tratar de lei local. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto).A. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Obs.: na Suíça. em 1920 (bem depois do controle difuso). e é adotado pela maioria dos países europeus. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. porque surgiu na Áustria. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. o controle é feito pelo PL. com 19 anos de Constituição. 1792 Hayburn s case.: França – que tem o Conselho Constitucional. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. 4. em 1803. isso não é verdade.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. inclusive o STF). mas das espécies de controle.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. Primeiro caso. já na CR/88. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. Por isso. que completa este ano 20. É também chamado de controle aberto. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). porque surgiu nos EUA. quem exerce o controle é o PJ. ou seja. já foram feitas 56 EC! 23 . ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. porque significam coisas diferentes!).S. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). Segundo caso. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão.

bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. e a partir desse antecedente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. já não ameaça mais a supremacia da constituição. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. o principal defensor dessa tendência é o Min. No Brasil. sendo o controle 24 . Por isso o Min. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. A finalidade não se confunde com a competência. No direito brasileiro. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. A análise da lei sempre será feita em tese. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). também não podem ser objeto de controle abstrato. mas tão somente de controle concreto. Com base nesse argumento. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. (O STF é o guardião da CR – art. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante.4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. ou seja. 97. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). mas deve ser estendido ao controle concreto). uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. por ser uma relação vertical. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. se fala em efeito vertical. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. ou tendência de verticalização. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. Da mesma forma. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. nos EUA chamado de “Binding Effect”. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. O efeito vertical. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. 102. Gilmar Mendes. Este efeito é típico do controle abstrato. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). Segundo este instituto. é proteger as normas da CR. porque em estando revogada.

os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). CR. 4. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. em ocorrendo isso. como a decisão tem efeitos inter partes. Então. E. ou seja. sem que ocorra modificação no seu texto. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. em seu voto. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Por fim. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Gilmar Mendes (e também o Min.959/SP. Não houve reclamação quanto a essa decisão. Gilmar Mendes.917/SP. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Assim. Antes. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. O Relator da Reclamação foi o Min. Outra situação interessante foi o RE 197. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. houve decisões proferidas em 3 MI (712. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto.335/AC). esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. então não sabemos a posição dos demais ministros. Gilmar Mendes. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. No Legislativo: Mas. e não erga omnes. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Eros Grau. ou seja. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. o Min. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). se assim fosse. o direito de greve dos servidores públicos. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Na decisão do STF. 25 . disse que apesar de ser um controle difuso concreto. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. 52. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). No Acre. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. viola o princípio da igualdade. não uma simples mutação. Então o Min. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Assim. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. que deu provimento à reclamação. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Por fim. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. tendo efeito apenas inter partes. segundo ele. do PL. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. pelo menos por parte de alguns ministros. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. ou seja. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. X. sendo acompanhado pelo Min. não permite essa mutação). Pois no controle difuso. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. ou seja. ainda. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes.

Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. político ou jurídico. atualmente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. o que se dá no “plenário virtual”. § 3°. Segundo Eduardo Appio. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. (☺ Lei 11. analisado no dispositivo (conseqüente). já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. No controle concreto. A súmula vinculante tem natureza constitucional. não precisam chegar até o STF. não tem natureza processual como as súmulas comuns. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. a rigor. O RE. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. ou seja. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. por estarem mais próximos dos indivíduos. não cabe ao STF analisar. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. 26 .418/06). julgando-o procedente ou improcedente. Num segundo momento (conseqüente). fundamentação e dispositivo. somando-se os votos de todos eles. 103-A). No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . pois tem o papel de guardião da Constituição. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. mas apenas a causa de pedir (antecedente). social. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. 102. por sua vez. A repercussão geral (art. Contrários a essa tendência de abstrativização. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo.417/0 e Lei 11. eles não se reúnem fisicamente. é uma questão incidental. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. estão os procedimentalistas. não é o objeto principal do pedido.art. concorda com isso). a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. O papel do STF não é julgar litígios individuais. é um instrumento de controle concreto e há. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade).

questões ditas de passagem. não determinantes para a decisão) não vinculam. 5. a chamada eficácia vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.882/99 – ADPF.EC 45/04: art. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. 28. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. . mas tão somente a ratio decidendi.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. . a razão determinante da decisão. §2º. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR.vinculante.Lei 9. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .erga omnes . ou seja. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.868/99 – Lei da ADI e da ADC. secundárias do julgado.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). 27 . sejam particulares. e ele se encontra no Dispositivo. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . mas também à fundamentação. Ademais. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.Lei 9. eles também são vinculantes. P. . Mas não é tudo da fundamentação que vincula. 10. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado.: . Sendo assim.I. 102. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. 102. . se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. há previsão não só na lei como também na CR). cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. art. .U. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. art. Dispositivo L. conforme está previsto no caput do art. sejam poderes públicos. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).

o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. já os órgãos fracionários do STF. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. Obs.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. outros dizem ser nulo.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. no caso Marbury x Madison). que se quiser. mesmo que não tenham sido impugnadas.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. impedida de evoluir). o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. . mas os sistemas de preclusão processual. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. se as leis devem ser cumpridas. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. por sua vez. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. . segundo o prof. até que o PJ a declare inconstitucional. Por este entendimento.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. pois atinge apenas o dispositivo. No entanto. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. É um entendimento que vem desde 1. cuja função não é legislativa. também fica vinculado). Só atinge a norma impugnada.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. (20/03/09) 5. estadual e municipal).o PL (na verdade. mas sim fiscalizatória. e outros dizem ser um ato anulável.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. inclusive os chefes do PE. suas turmas e seus ministros. inclusive o Tribunal de Contas. a função legislativa). estes estarão sim vinculados). . pode modificar seu entendimento. 28 . com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. Respeitando o efeito vinculante. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. . como a coisa julgada. . para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: .

112/90. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto.868/92 (art.Normas anteriores à CR. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). ☺RE 197. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 .A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Mas. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. Assim. o efeito que produzirá. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. como a Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. ou 2) excepcional interesse social.882/92 (art.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. poderá o STF. decidiu que. não precisariam deixar os cargos. 11). porque o ato é nulo desde a sua origem. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. por questão de segurança jurídica. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. . não admite a “constitucionalização superveniente”. Ou seja. autor e réu. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. com inteiro teor). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. os efeitos são erga omnes).. com seus normais efeitos ex tunc. como regra é retroativo: ex tunc. portanto. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). que revogou a Lei A.)”. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. . Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. portanto. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. o STF. Exs. Visto a natureza do ato inconstitucional. 27. o Min.” . por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. e não no de não-recepção).. como os servidores agiram de boa-fé. O STF. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Lei 9. ☺art. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. Neste caso. assim. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. 27). porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). etc. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. no caso do controle abstrato.). decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade.

em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade.2: art. constitucionalidade.Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. quanto . ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. Segundo o STF. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. Assim. . portanto foi recepcionada. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. de fato. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. Em alguns casos. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. quando todos os Estados tiverem DP. portanto. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. . 5. Ex. 134.: a norma x tem dois significados possíveis.Corresponde a um juízo de . para que este corrija a norma.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). com condições de trabalho iguais às do MP. CPP. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). ela progressivamente se tornará inconstitucional). chamada “Apelo ao Legislador”. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. (A norma já passou pelo crivo da constituição. reproduzida pelo STF). depois de ter sido recepcionada. 68. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. e a norma já foi recepcionada pela CR e. evitando a inconstitucionalidade progressiva. à medida que a situação fática for alterada. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. um significado A e um B. o prof. Ex.O Tribunal não precisaria 30 . com um só sentido). não foram todos os ministros que se manifestaram). portanto. que trata da ação de reparação ex delicto. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. controle difuso-concreto.O Tribunal precisaria observar . que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. mas. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. mas nem sempre. assim.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. mas sua interpretação). mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . o resultado será o mesmo.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.Corresponde a um juízo de . ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. era uma questão “obter dictum”. CR x art.

portanto. b. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 1º e 3º. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). . no controle concreto. no controle concreto. 97).É excluída uma determinada interpretação. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. portanto. Na declaração com redução de texto. . não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo).2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. a cláusula de reserva de plenário. (*) Para o STF. ser objeto de ADI. Trata-se de controle abstrato. o texto da norma. 1º ou do art.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. se manifestar de ofício sobre o art. se for um dispositivo autônomo. no controle abstrato. o juiz pode. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . de ofício. esta só se faz necessária quando se afasta. em razão do Princípio da inércia. Assim. não poderá. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. desde que não altere o sentido do restante da norma. b) Com redução de texto: b. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). .É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. Obs. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). em regra. 2º for dependente do art. são excluídas as demais. 2º. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. . . o juiz não pode. de ofício. por arrastamento. nem sobre os demais.Não há qualquer modificação no texto da norma. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. total ou parcialmente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. em princípio. . 2º. observar a cláusula da reserva de plenário (*). 1º e 3º e. não podendo. se o art. da Lei x. ou seja. ou todo o artigo. e são permitidas as demais. 3º. como ambas são equivalentes. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. mesmo que não tenha sido questionado. do art.É permitida uma interpretação e.É uma técnica de decisão judicial. O STF. dentro de uma mesma lei). analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Ocorre que. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. declarar a inconstitucionalidade.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. . 2º.

apesar de sozinho não ter aplicação. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. pois será uma questão discutida incidentalmente. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. de ofício. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. já que o STF pode. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Sobre o tema: 32 . A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. portanto. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). mas também quando há usurpação da competência do STF). a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. neste caso. ACP para fechamento dos bingos. porque. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. mas apenas a causa de pedir. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado).1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. julga também inconstitucional o decreto. portanto. Neste caso. Assim. Ou seja. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. julgará procedente ou improcedente o pedido. Ex.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. todo controle difuso é concreto. mas é que esta não é necessária. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). ADCe ADPF). Mas nem todo controle concreto é difuso. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. Obs. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. No Brasil. O dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. O pedido será a proteção de direitos. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. e por arrastamento. dentre elas a ACP. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. Contudo. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). se o caso for de inconstitucionalidade material da lei.

em defesa de contribuintes. 294. porém. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. por entendê-la inconstitucional (inter partes).: eleição do Presidente do tribunal. e no mínimo 11 membros. Segundo esta cláusula. 557. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança.. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. 97. Assim. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”.022. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). elaboração de Regimento Interno. desde que. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). ☺art. o que só se pode obter por meio de ADI. Em outras palavras. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. pois. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. no caso. STJ ☺ Resp. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. 33 . da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. porém.159. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. Nada impede. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. de efeitos concretos. não pode ser delegada. que é função política. XI – órgão especial: para que seja criado. assim. Assim. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. as chamadas leis de efeitos concretos. STJ ☺ RE 227.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. teremos uma lei material. que é mais de 50% dos presentes). conseqüentemente. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 97.646. também não pode ser delegada). Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. por exemplo. No tocante. Regra da “full bench”. 93. é função possível de ser delegada. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. no âmbito dos Tribunais. Assim. que é função legislativa.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. os Tribunais não têm admitido que. por meio da ACP. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. porém. por ex. na prática. Os juízes singulares podem. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. de Hugo Nigro Mazzilli (pg.

P. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. Assim. podendo decidir o caso concreto. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). 481. ☺art. sabe-se que o STF é o guardião da CR. sob o argumento de que o dispositivo (art. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. Quanto à 2ª exceção. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). Há quem critique tais exceções. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). no entanto. será lavrado o acórdão. O professor não concorda. Exceções: P. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). como guardião da CR. de acordo com o posicionamento do STF. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). ou em caso de interpretação conforme. pela maioria dos seus membros. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. se for acolhida. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. . Há uma repartição funcional de competências. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. CPC) seria inconstitucional: o art. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. ao órgão especial). apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. assim. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou.. a argüição de inconstitucionalidade (. 34 .U. abstratamente..U.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. se entender que a lei é inconstitucional. Decidido o antecedente.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. 97. porque para o STF ambas são equivalentes. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. se existir no Tribunal. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. 481. prosseguirá o julgamento.

O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. 2) Outros autores. por isso o faz dali em diante. no todo ou em parte. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. ela se refere à decisão do STF. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. esta decisão deve ser submetida ao plenário. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. É o entendimento mais correto. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. a decisão do STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. Na verdade. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. 178. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). afasta a sua incidência no todo ou em parte”. Ou seja. que não comporta delegação. O SF apenas suspende a lei. como se tratasse de uma revogação. Esta suspensão só ocorre no controle difuso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Outros autores. sustentam que o efeito é ex tunc. quando isso ocorre. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. Ademais. O SF não é obrigado a suspender. CR – compete privativamente ao SF suspender. A cláusula vale também para o controle concentrado. X. em regra. entendem que se trata de um ato discricionário. o SF não pode suspender toda a lei. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. a lei deixa de ser aplicada. que não pode ser retroativa. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. portanto. não estando vinculado à decisão do STF. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. RISTF. trata-se de uma competência exclusiva. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. art. Quando o SF suspende a lei. se assim o fosse ela já seria vinculante). O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. 35 . bem como ou STF. ou seja. 52. Efeitos. O STF já admitia essas duas exceções. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. A suspensão se dá através de uma Resolução. passa a ter efeito erga omnes.

É uma construção da jurisprudência do STF. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. esta norma não é de observância obrigatória. já o SF não. RISTF) – e isso é óbvio. configuraria uma mutação constitucional. não se referem ao âmbito estadual e municipal. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. §4°. Quando se fala em decisão definitiva do STF. Mas. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. sendo norma de observância obrigatória. no controle difuso-concreto. se toda a lei foi declarada inconstitucional. um RE para o STF. está fazendo uma análise. 59 e segs. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Por isso. 178. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). e se o STF. já que o SF não atua de forma correta. deve-se recorrer ao entendimento do STF. ou seja. 66. a resposta é negativa. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. 57. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. obrigatoriamente. etc. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Nas situações em que o TJ julga. LC. Art. Ressalta que a letra da norma (art. normas referentes ao TCU. 52. 61: iniciativa do presidente. CR) não comporta este entendimento. cujo modelo. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. cabe. mas. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. por ser um órgão do PL Federal. não havendo a necessidade de suspensão da lei. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. Na ADPF este fenômeno também é possível. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Gilmar Mendes. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. em razão do princípio da simetria. LO. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. O SF. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. requisitos para a criação de CPI. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). desta decisão proferida pelo TJ. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Segundo o STF. o que. CR: prevê o escrutínio secreto. esse entendimento é desejável. Segundo o professor. CR. segundo o Min. a partir do momento que resolve fazê-lo. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. Art. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. pela simetria deve ser atribuída ao governador. Neste caso. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. se for apenas uma parte. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). o SF só poderá suspender a lei por inteiro.

como aos Estados. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). Ex.: art. também. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. São os dispositivos que se referem tanto à União. 37. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. Ex. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. outros 37 . ADC ou ADPF). o SF teria um número enorme de representantes). pelo Senado Federal. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. portanto. está defendendo interesses apenas da União. Assim. Ex. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). §3º. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). no controle abstrato (ADI. É também uma lei emanada do CN. Quando o SF suspende os efeitos da lei. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. estadual. visto que. assim. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. X. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. mas não trata apenas dos interesses da União. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. Quando o SF atua como órgão federal. Ex. só se aplicando ao âmbito federal). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. ele está atuando como órgão de caráter nacional. não havendo. do DF e até municipais. por isso pode suspender leis também dos Estados. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. distrital e municipal). no todo ou em parte. quando o SF atua. 59. que deve ser observado no âmbito federal. da organização da União. 58. art. por isso pode suspender lei estadual e municipal.). Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. porém. 52.: CTN.: Lei 8. CR). sendo específica para os servidores públicos civis da União. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. 19. a suspensão. etc. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. retirando a lei do ordenamento jurídico. por não existir uma federação de municípios. Classificação de Osvaldo Aranha B. é como se os Estados e DF também estivessem atuando.: arts. se aplicando ao âmbito federal.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). os que tratam do TCU. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União.” Análise do enunciado pelo prof. estadual e municipal. Sabe-se.

o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. RN. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal.346. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). MS. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Entretanto. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. no âmbito da AP Federal. de fato. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. é a AL que suspende a lei. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. em decisão definitiva.346. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. SE e AM. Segundo o STF. de 10/10/1997. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Com efeito. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. Embora não haja consenso. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. por força do referido Decreto nº 2. 2º grupo: . no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). TO.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. 38 . Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. pró-ativos (ex nunc). os dois tipos são constitucionais. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). visto que. é sempre a AL que suspende a lei. então. declarando uma lei inconstitucional. adotou-se. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. da AP Federal direta e indireta. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). Poderá. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). na sua esfera de competência.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. não retroativos). porque o seu parâmetro não é a CR. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. . é a Câmara Municipal. Portanto. visto que. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta.

obviamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. não cabe. e . ela é meramente jurisprudencial). salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). que são a União e os Estados). isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). de acordo com essas leis. tendo partes – autor e réu. 5) Ação rescisória. Por se tratar de um processo de índole objetiva. mas sim legitimados.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. 4) Recurso da decisão de mérito. A Constituição. . O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática.ADC. .: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). Obs. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. a competência é do TJ). ☺Lei 9. deve haver a previsão da legitimidade.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. onde não existem partes formais (autor e réu). se concentra em apenas um Tribunal – o STF.ADPF. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. 103. ou na CR ou na lei. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. Como são ações de controle abstrato.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. e não do trânsito em julgado. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. 39 . em seu art. o duplo grau de jurisdição. a ampla defesa.

Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. CS e ECAN.S. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. confederação local: sindicato. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices).O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. a partir de então.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. Executivo PR GE – GDF P.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. . Para ter âmbito nacional. . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. .: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Os demais podem fazê-lo sem advogado.A norma do art.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. ou seja. . a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. .. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Obs.Confederação sindical significa de âmbito federal. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. segundo a jurisprudência do STF: .Os GE. para ter legitimidade. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). .A entidade de classe. confederação regional: F. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Assim. . . Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).

decreto regulamentar. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. para ser objeto de ADC e ADI. 102. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. por isso não é ANP). o RI pode. estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. caso o decreto emane diretamente da CR. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. . direitos e garantias fundamentais. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. 5º. Lei 9. geral e abstrato. I. I. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). como por ex. todas estão no mesmo nível. . a.TIDH (3/5 e 2T) .Norma formalmente constitucional . ou seja. são questões próprias de RI.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. OBS. Obs. pois geralmente está abaixo do decreto. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. admite-se o seu controle. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ele poderá ser objeto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. Não serão objeto de ADI e ADC. 41 . a. sem interferência do PJ. §3º . 1º. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .☺art. .: decreto regulamentar do PR.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. nas normas que tratam de outra matéria).atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. 102.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. Ex. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).

ele vai atuar como fiscal da Constituição. §3º. STF). mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). rejeitadas ou havidas por prejudicadas. ainda que ele proponha a ação – ou seja. §1º. pode ser qualquer ato do poder público. se um novo PGR o substituir. 103. Gilmar Mendes e de um prof. o STF admitiu. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Atuação do PGR: ☺art. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). salvo embargos de declaração. e. também poderá dar parecer em sentido contrário. da mesma forma na ADPF. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. por analogia. Mas. só podendo ser objeto de controle difuso. de defensor legis. O PGR atua como “custus constitutionis”. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . se seu entendimento for diverso. é preciso primeiro ser transformado em EC). No caso de emenda. Atuação do AGU: ☺art. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. não pode ser objeto de ADPF: . CR. como está havendo uma influência de um controle no outro. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. intervenção de terceiros e recursos. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada.Súmula.leis revogadas. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). A função do art. Obs. leis suspensas pelo SF. portanto está subordinado ao PR. Assim. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). 103. Tem status de ministro de estado. Hoje. medidas provisórias revogadas. Lei do DF não pode objeto de ADC. 103.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. ainda. § 3° é uma função especial. CR. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. segundo o STF. não ameaça mais a supremacia constitucional. 42 . . devendo ser de todos eles intimado. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. poder-se-ia admitir o veto jurídico. ou seja. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. sem exceção. . na outra. Função geral do AGU (art. posteriores a 5/10/88. Lembrar que não cabe assistência. pois não produzem mais efeitos.

ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). em seu art. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. 482. §1º. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei.868. Mas atenção: existe um outro instituto. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. portanto. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. 43 . Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. o AGU não será obrigado a defender a lei. Amicus Curiae: Em uma tradução. 7°. por fim. o AGU até poderia participar. A previsão expressamente contida no art. Mesmo sem previsão legal.868. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. nos estados que adotam a commum low. 6º. 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). ☺ art. Nesse caso. §2º da Lei 9. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. 7º.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. “amigo da corte”. de “defensor legis” e. Não há previsão para a ADC e ADPF. §2º e art. a Lei 8. Tem natureza de auxiliar do juízo. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. 89. o das audiências públicas. §3º. 7º. Ele não é alguém interessado na causa. art. §1º e art. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. §1º. 31).868/99 vale só para a ADI. sendo feita por toda a sociedade. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). mas não têm nada haver com amicus curiae.868/99 -☺art. Cabe também na ADPF. Portanto. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Importante: ainda que como Advogado da União. Na ADI por omissão. 20. A audiência pública está prevista na Lei 9. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. . CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. disciplinou a figura. Quando o AGU desempenha essa função. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Foi introduzida pela Lei 6. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. não precisará do AGU para defendê-la. Está desempenhando uma função especial. seria “amigo do tribunal”. só vai contribuir para a decisão do tribunal. não há o que se defender.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. A exposição dos motivos da Lei 9. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. É muito comum nos tribunais internacionais. Na ADPF. art. por analogia. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. em especial no direito norte-americano.385/73 (☺ art. Posteriormente.868.884/94 (CADE). Ela já existia antes.

poderia afastar esta presunção. Gracie). pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. . Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Surgiu com a EC/03. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. por ex.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. R. segundo o professor. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. O juiz de primeiro grau. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). admitindo ser intervenção de terceiros (C.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. J. admitindo prova em contrário. a mais correta.102. Lei 9. I. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Quando 44 . não tendo partes. ou seja. seria uma exceção). é um equívoco. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. É. Apesar de que era relevante. Foi uma exceção. Para o prof. Mello. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. Barbosa e E. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. Aurélio. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso.Com relação à presunção de constitucionalidade. Marco Aurélio não admitiu. cabe amicus curiae. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. ressalta-se que esta é apenas relativa.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). M. O STF ainda tem exigido pertinência temática. (Obs. autor e réu. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. portanto. . pois admitiu pessoa física em controle concreto. . Mas depois que a lei foi feita. em despacho irrecorrível. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. “a”. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. Obs. Lewandowski. ou seja. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. porque iria envolver matéria em relação à vida. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado.868/99. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos.

para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. Gilmar Mendes. inclusive o Poder Executivo. 14.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. os preceitos fundamentais são: . §1º. Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. art. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. ADPF: ☺ Art. na ADPF 33: . 34. Portanto. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. . 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim.Cláusulas Pétreas.21. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. .). mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia).868/99.869/99. Através do AGU. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. Cabe prorrogação. P.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. art.Princípios Constitucionais. nos quais a lei esteja sendo discutida.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. CR e Lei 9.Cláusulas Pétreas. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. e . pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. Como visto. . Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente.Título I: Princípios Fundamentais. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP.14.882/99. o FHC ajuizou ADC. Segundo a doutrina. Mas. Não é uma ação de inconstitucionalidade. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). e .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. no entanto. não há que se declarar uma lei constitucional). VII). . 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. . .Princípios Constitucionais Sensíveis. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. a Lei 9. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental.U. portanto. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. O parâmetro. em seu art. III). II. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. nas outras ações ela também poderá ocorrer). 45 . O STF não concordou e mandou juntar mais ações.102.868/99. O STF admitiu ☺Informativo 518.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. é mais restrito: somente a violação. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública.

§ 1° da lei 9. como guardião da CR. Proposta diretamente no STF. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. Segundo Neri da Silveira. estadual e municipal. Ex. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. os legitimados podem levar não todo o processo. Características: . para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional.882/99. dentro do órgão judiciário). caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. apenas o STF.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. Obs. 1º. Aqui. podendo ser um meio de controle difuso. 46 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. ainda. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Mas se algum dos legitimados souber da ação. 196 e ao meio ambiente. dentro do mesmo tribunal. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. embora lá há uma vinculação horizontal. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. leva a questão ao STF através de ADPF. 4°.882/99). que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). art. embora seja bastante difícil existir esse meio).U. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Incluindo-se. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição.: gestante com feto com acrania. Art. na ADPF. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. O objeto pode ser da esfera federal.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. Ela vai ao juiz de primeiro grau. ou seja. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. Um dos legitimados. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. neste rol.: surge a partir de um caso concreto. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 1º. a vinculação é vertical. P.

nas CE ou em lei federal). V).Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. Assegurar a efetividade de suas normas. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). . ADC e ADPF (art. 5°. o STF transforma a ADPF em ADI. O STF admitiu a ADPF.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora.Admite-se a fungibilidade. à soberania e à cidadania). 105. coletivos e individuais indisponíveis (art. . O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). É controle concreto. I. . 47 . É controle abstrato. para fazê-lo em trinta dias”. É a mesma da ADI.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. . 129. por ex. à soberania e à cidadania”. I. em se tratando de órgão administrativo. h). § 2º .conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 5°. STJ (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . LXXI .CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. No entanto. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. 121. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). TSE/TER (art. II e III). Ex. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. 102. 103. q). mas a converteu em ADI. Obs. § 4°. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade..CR: STF (art. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: .

concretize a norma (faça a norma concreta). Mas atenção. mas esse prazo era direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. Recentemente. organização sindical. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. apenas razoável e não peremptório. no entanto. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. autores que admitem.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. . usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. recentemente. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. Obs. Há. elaboração da norma não pode ajuizar AIO.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. ou seja.MI Coletivo: o STF o tem admitido. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. Se o PL) e. não pode fazer a norma para o caso concreto. 5º. ou seja. ECAN e associação c/ 1 ano). portanto não podem impetrar MI. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). não pode concretizar a norma. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. competente de sua omissão (em regra. portanto. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 .: na ADI 3682 b. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. fundamentais em face do Estado. O STF. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. público: MI protege dir. é b) Concretista: concretiza a norma. mudou seu posicionamento. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). em se tratando de órgão da AP. entes federativos e PJ dir.Órgãos públicos. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. LXX: PP c/ CN.

a intervenção é uma exceção (a União não pode. A regra é o principio da não-intervenção. como regra. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. ademais. ao mesmo tempo. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. ou seja. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. nestes casos de omissão parcial. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. em um primeiro momento. ou seja. 36. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. porque nem a AIO tem esse poder. Surge a partir do caso concreto. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. Recentemente. Portanto. CR (provimento. III. o PJ. 34. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). VI). 680.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. não cabe liminar (antes. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. intervir nos Estados). e 2) recusa à execução de lei federal (art. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 34. pelo STF. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. porque adotava a corrente não concretista). A omissão total não cabe MC. Essa corrente é bastante criticada. Ela se subdivide em – geral e individual. De acordo com esta concepção. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. 49 . Mesmo adotando a corrente concretista. criando uma norma geral e abstrata. 652. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. ou seja. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. 2. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. 708 e 712). VII). Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). O efeito seria apenas inter partes. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. No MI. o STF está atuando como legislador positivo.040). O STF adotou essa corrente no MI 232.

poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. 35. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). CR). será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. O STF é o guardião da CR. ☺art. Isto está previsto no art. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). §3º. o PR então poderá decretar a intervenção. se o STF der provimento à representação do PGR. OBS. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. ☺art. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. mas que surge a partir de um caso concreto. da ADPF). foi uma criação da jurisprudência do STF. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. O RE. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. além. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. CR. portanto. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. nem no RISTF. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. 125. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). no âmbito federal). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). que é o pressuposto para a representação interventiva. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. §2º. IV. 614. CR. As partes aqui são o Estado e o Município. O parâmetro aqui é mais amplo. 127. 50 . no âmbito do TJ. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. É dispensada a apreciação política pelo PL. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. § 1°. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. Esta forma não foi prevista na CR. é claro. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. e sim em face da CR. 36. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. se violados. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. CR. mas sim. STF). 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual).

Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. um dos precursores dessa doutrina. pode usurpar do povo a titularidade do poder. social e juridicamente organizado. retira sua força do direito natural. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. que. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. segundo o Abade Sieyès. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Bonavides. Schmitt). Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. C. São apenas órgãos aos quais se atribui. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. em alguns casos. por delegação popular. Está acima do direito positivo. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Assim. a vontade do constituinte é a vontade do povo. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. É ele um titular passivo. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. ou seja. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Modernamente. editando a nova Constituição. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. que formulou esta teoria no fim do Séc. que deve observar o direito natural. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Obs. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. o exercício dessa magna prerrogativa. Portanto. Celso de Mello. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Assim. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. mas jamais é quem o exerce. em nome do povo. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. porém. XVIII). Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. que é sempre superior aos poderes constituídos. pois o Estado decorre da soberania popular. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. corroborando essa perspectiva. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. cria o Estado. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. Na 1ª etapa. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). expressa por meio de seus representantes. segundo o abade Emmanuel Sieyès. Para os jusnaturalistas. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. é a nação.

Espécies Tradicionais: . Dessa forma. 11.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. se esta correspondência existir o poder será legítimo. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. por conseguinte. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. art.Revisor (art. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. que é seu verdadeiro titular.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. 3º. Assim. Portanto. correspondendo aos anseios daquela sociedade. há legitimidade objetiva.: o prof.Reformador (art. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Histórico . 60. 25.Decorrente (art. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. para ser considerado legítimo. ADCT. Obs. já que o poder constituinte já é originário.Material . ADCT) .Revolucionário . CR) .Formal . Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . entende que a expressão “originário” seria uma redundância. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).

: se é um poder autônomo e incondicionado. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. independente e soberano. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). 53 . Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. O Abade Sieyes. 1937. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. através da Constituição. No caso do Brasil. b) é um poder inalienável. 1988. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. ela nunca deixa de ser do povo. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. Obs. No caso do Brasil. Apesar de ser um poder incondicionado. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. Ex. Obs. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. 1946. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. 1934. No plano axiológico. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. O povo é o titular do PCOM.: este poder tem este nome porque para o Direito. ex. 1967/69. foi criado um direito natural). que substituirá a anterior. . revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. mas não a primeira e sim uma nova. é apenas uma classificação quanto ao momento. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. a nenhum pré-requisito jurídico. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). não perde a titularidade do poder constituinte. ou seja. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. há alguns valores que são morais. GV). c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. através de normas constitucionais. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. Obs. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior.

mas continua a existir como característica essencial deste poder. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. A CR/88. Não se trata de um limite jurídico. mas meta jurídico (fora do direito). 25. No caso da CR/88. No entanto. Quando a CR consagra o art. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. observados os princípios estabelecidos na CR. na pena de morte. no art. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). uma nova constituição não poderia criar um estado unitário.. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Ex. ficando um pouco relativizada. com os avanços da sociedade. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. por se tratar de uma conquista da sociedade. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. 25. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. O prof. não concorda muito com isso. por ex. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Obs. Ex. a doutrina deduz deste art. contudo. ele encontra limites no texto da CR. na verdade. Ainda que o estado seja soberano. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. ☺art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). 11 do ADCT. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Dentro desse limite. Esta AL. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Fábio Konder Comparato fala. as constituições estaduais não são recepcionadas. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). 54 . além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). De acordo esse limite. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. A partir do momento que a CR surge. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88.

c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. ou seja. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. . CR. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. 57.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. Estão presentes no art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88.Requisitos para a criação de CPI: ☺art.: presidencialismo x parlamentarismo). porque o art.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. V ???) I) Expressos na constituição: art. Obs. Obs. § 1°. Mas. Segundo o STF. Há dois grupos: (art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória.). Se subdividem em: 55 . que se estendem aos Estados. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). §4º. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. são essas as normas de repetição obrigatória. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). VII. composição. II) Implícitos: CPI (art. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. e o STF decidiu que não havia problema. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. 27. 34. 58. 93. são as normas de auto-organização da União. 57. por enquanto. §4º não é norma de observância obrigatória).: ☺art. 58. mas foi uma decisão super apertada (6x5). para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. § 3°). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . processo legislativo (art.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. diferente dos extensíveis.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. 61. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. §1º . que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. CR.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. . → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . vedada a recondução. 75. 59 e segs.

A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. Ex.. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional.. DF e M.não é autônomo. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios.: art. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR.. mas é possível deduzi-las. . 60. 137). CR. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.é condicionado. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. portanto. Trata-se de um poder previsto na CR e. 136). CR (é vedado à U. portanto. se for decretado o estado de defesa (art. . .normas vedatórias: ex.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. 19. . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. . uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . no entanto. ou seja.não é inicial.) – contém uma vedação expressa. e se for decretado o estado de sítio (art. uma limitação temporal para o poder revisor – art.é limitado.: art.normas mandatórias: ex. 60. . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. é conseqüente. 56 . . C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. ADCT). em qualquer estado da Federação (art. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. .. CR.: os arts. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. cujo procedimento está previsto no art. §1º. Ex.titularidade: é do povo. 34).é um poder jurídico (e não de fato). . 37. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. decorre da lei e não da força. 3°.).: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. .exercício: é pelo CN.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. E.

P. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. a PEC será discutida em cada casa do CN. §5º. por fim. se a matéria for rejeitada. sendo o art. 61. b) o entendimento majoritário da doutrina. no entanto. 44.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. Obs. A Sessão legislativa (art. 61 é a regra geral de iniciativa. no âmbito do MP. o STF e Tribunais Superiores. no âmbito do PE. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). ☺art. 60. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto.U. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. proposta rejeitada no dia 15/01. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR.Discutido e aprovado.Além do PR. apenas o PR. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). 61. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. . 60. 61. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. 67. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. ademais.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. .A nossa Constituição é rígida. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. que é o período de 4 anos do mandato do PR. . há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. a PEC vai para a promulgação.A última limitação formal objetiva está prevista no art. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. não promulga. é o de que o art. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. possamos usar o procedimento previsto no art. apesar de não existir previsão expressa. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. §2º). 60. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). no qual há 4 sessões legislativas. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. também chamadas de implícitas. 60 (incisos I. DF e DE. §10). Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). II e III) uma exceção à regra geral. também podem propor projeto de lei o povo. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. . CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. para que.Feita a iniciativa. . No caso de projeto de lei. ☺art. CR. não pode haver emenda de emenda. ela será chamada de extraordinária. CR). segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. §2º). que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. do SF ou do CN. GE. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). após a iniciativa. Ex. 57 . por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. no âmbito do PJ. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. 60. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei.). *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. §3º. 62. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. o PGR. não veta. . . Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. assim. Este art. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). através da iniciativa popular (art.

VI. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. o que é secreto é o escrutínio. Curiosamente. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. São as chamadas cláusulas pétreas. As cláusulas pétreas são. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. §4º. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Universal e Periódico: . Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. . Se elas não existissem. c) Voto Direto. secreto. mas sim. o que é universal é o direito de sufrágio. pois. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). 58 . Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). que é o modo como se realiza o exercício do voto. Expressas: ☺art. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. ademais. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. Ou seja. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Secreto. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. 60.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. segundo o STF. a). A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. universal e periódico. CR. c) Assegurar o processo democrático. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. . na verdade. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. 150. o direito de participar das eleições. b) Preservar a identidade material da Constituição.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. ao estabelecer limitações à vontade da maioria.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. o voto não é universal. não é secreto. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade).

Um exemplo. inclusive. III. 2º.Há quem defenda. Obs. ou. segundo a qual o art. é CP. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. todo o art. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. CR.: primeiro. 60. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. . e não em direitos e garantias fundamentais. mas os demais não (ex. sendo uma garantia individual. 60. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. não alterando-o). Assim. 150. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Os direito fundamentais se encontram. 5º.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. b. Os demais direitos e garantias fundamentais. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. sistematicamente. Chama-se dupla revisão. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. far-se-ia uma EC revogando o art. Lá estão as limitações ao poder reformador. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. que proíbe a pena de morte. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). mas refere-se a uma reforma. são CP. que não é unânime na doutrina. CP). 60 seria CP. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. pois. como um todo. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. ADCT). o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. por uma questão lógica. 60 poderia ser modificado. com a dignidade da pessoa humana. A CR fala em direitos e garantias individuais. O art. Para ele. §4º. . não concorda. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. Mas o STF já considerou que o art.: FGTS. é o art. posteriormente. por isso. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. comportam diferentes interpretações. O prof. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Ex. e por conseqüência. para posterior alteração do conteúdo.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. pois seria uma forma da fraudar a constituição. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Assim. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. (23/04/09) 2. não o serem). 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). CR. em princípio. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. não seriam cláusulas pétreas. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. dispostos do art. CR). seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. 5º. não tem nada a ver com CP).

60. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. não sendo um princípio absoluto. contados da promulgação da Constituição. CR). ADCT é uma limitação temporal (5 anos).A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Ex. tem que haver previsão expressa na constituição. XXXVI. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. mas também emendas à constituição. art. em sessão unicameral. Revisão é a via extraordinária. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. Ex. portanto. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. não abrange EC. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. . b) Média: a retroatividade não é automática. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. esse era o entendimento do STF. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. a constituição atinge prestações vencidas. Com relação ao assunto acima. em sentido formal. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. O ato ocorreu antes. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. c) Máxima: a retroatividade não é automática.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . 5°. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. O direito adquirido pode ser relativizado. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). 3º. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. A limitação imposta no art. A retroatividade mínima é automática. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. mas seus efeitos surgem após a constituição. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. 3º. 3º. tem que haver previsão expressa na constituição. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. Antes da CR/88. Ex. ☺art. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. o STF tem entendimento unânime. excepcional e transitória de alteração da Constituição.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. mas ainda não pagas. não abrangendo apenas leis em sentido formal.

a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. circunstanciais. e de forma geralmente mais extensa. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). 61 . especificamente. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Além disso. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. §§1º e 4º). Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. ADCT. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 60. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. 3º. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. esse método também é conhecido como método valorativo. aqueles desenvolvidos por Savigny. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. É como se a norma fosse o corpo da constituição. O texto da norma funciona. só tem alma. esses elementos são insuficientes. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. e os valores fossem o seu espírito. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Por isso. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. devido à complexidade da interpretação constitucional. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. mas apenas valores: o preâmbulo. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. Esse método não é apenas sistemático. como todas as demais. X. eles são suficientes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. Ex: princípio da não contradição. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. para o direito privado. como início e limite para a interpretação. Não existe uma norma jurídica sozinha. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). entra o elemento histórico evolutivo. partindo da idéia de sistema. Por isso. Imagine a Constituição norte-americana. e não isoladamente. É o início de uma interpretação. Além disso. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Buscam os valores subjacentes à constituição. O grande problema é que. Toda norma está dentro de um sistema. Constituição da República. b) Histórico: no seu desdobramento. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Se a constituição é uma lei (tese da identidade). ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. com algumas peculiaridades. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. 65 . → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. é também o limite para a interpretação. portanto. Ela não tem normas jurídicas. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). 52. para o direito público. Nele estão os valores supremos da sociedade.

Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Assim. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. de casos que comportam mais de uma solução possível. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. enfraquece-se a força normativa da constituição. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. que contraria o positivismo jurídico. pontos de vista ou lugares comuns. Problema é a questão difícil. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. ou seja. ele também é conhecido como método sociológico. Ex. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). cujo plural é “topoi”. dos princípios gerais do direito. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. da doutrina. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático).. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Isso gera certa instabilidade. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Se se permite interpretações divergentes.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. 2. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. que é apenas mais um topos. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. formas de raciocínio. lugares comuns. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. mas sim diante de problemas. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. ou a de que um é mais correto do que o outro). Esses pontos de vista. do senso comum. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. mais um 66 . de argumentação. Violação de correspondência de presos. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. como ocorre neste método. pois comporta mais de uma solução possível). Os topoi são esquemas de pensamento. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. os quais são submetidos a várias opiniões. Assim. Por ter uma feição mais política do que jurídica. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Ex. certa insegurança jurídica. da jurisprudência dominante. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. por ex. vence o argumento que for mais convincente. porque trabalham não com a idéia de sistema. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Por isso. o que geraria uma grande insegurança jurídica). É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Ex. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. Este problema será solucionado pela argumentação. os operadores do direito servem-se de topoi. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). a favor e contra. → Crítica: feita por Canotilho. como.

que a questão não seja simples. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. por serem métodos concretistas. Não se pode separar as duas coisas. são também métodos concretistas. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). e sim na sua concretização. não podem ser utilizados de forma abstrata. ao lado de Hans Kelsen. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. é preciso que haja um problema. Ele parte. porém. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Assim. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. de única solução possível. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. Os métodos III e IV. mas em concretização). se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. diferentemente dos dois primeiros. 67 . a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). e concretizador à aplicação. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. Ocorre que. e o problema concreto a resolver. Além de serem métodos aporéticos. na sociedade aberta de intérpretes. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Método concretista. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. pois. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. é bom lembrar. São métodos indissociáveis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. Para este método. quando se fala em hermenêutica. A principal diferença. ainda que dos mais importantes. se for caso de lacuna. não se deve falar em interpretação constitucional. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Hermenêutica e interpretação não se confundem. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. são coisas diversas. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. este método não poderá ser aplicado. como já vimos. Assim. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. ou seja. a compreensão prévia do intérprete. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. devendo-se fazer uso de outro método. sua aplicação a casos complexos. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação.

Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). ele dirige e. Fala-se que são utilizados. O texto não tem o comando.Elementos do âmbito da norma . todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Gilmar Mendes). O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. O que ele chama de domínio normativo. Assim. O texto tem duas funções muito relevantes. A democracia deve servir não apenas para a criação. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . mas refere-se àqueles que podem interpretar. traduzido pelo Min. mas também na sua interpretação. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. em regra. bem como a quebra da unidade constitucional. a norma só surgiria após a interpretação do texto. ele na verdade não o é. é a realidade social tratada pelo texto da norma. limita a interpretação. A norma é o mandamento. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. 68 . → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Judiciário.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. que têm legitimidade para a interpretação. Friedrich M. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). a interpretação constitucional tem que ser democratizada. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Essas duas figuras podem ser. Paulo Bonavides o tratar como um método. Segundo o autor. ao mesmo tempo. Segundo ele. por sua vez. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). mas também para a interpretação da Constituição. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Ainda que a Corte seja o intérprete final. Quando ele fala em democratização.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. é o comando que se extrai da norma interpretativa. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. pois. . Para ele. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. aberta a toda a sociedade. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. regulada pela norma. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. mas a toda a sociedade. Não diz respeito aos critérios de interpretação. Na prática.

do povo. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Assim. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. bastante discutido nos dias atuais. Entende que. quando interpretada. que se subdivide em princípios e regras. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. 3) Existe uma única resposta correta. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. norma e fato. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Esta questão está ligada à separação dos poderes. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. sem modificá-la. No pós-positivismo. no Brasil. textualismo e preservacionismo. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Na verdade. Em virtude do caráter normativo dos princípios. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. A segunda corrente. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. que corresponde à vontade do constituinte originário. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. mas de forma concreta. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. os direitos têm que ser iguais para todos. superado o valor da norma). Após. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Por isso o judiciário tem ganhado força. como a constituição é feita por representantes do povo. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. surge a idéia de norma (gênero). A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Segundo Conrado Hubner. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). o poder legislativo é claramente fraco. Assim. Hoje. preocupado com a segurança jurídica. A norma. 69 . Também denominado de originalismo. vinculante e obrigatória. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. surge o Positivismo Jurídico.

Regras. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. Assim. em havendo um conflito no âmbito da validade. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. O grau de abstração é a diferença. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. isto é. Eles não definem a medida exata.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . princípios são “mandamentos de otimização”. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). Dworkin entende regra como mandamento definitivo. o que ocorre por meio da ponderação. será invalidada. como elementos do sistema normativo constitucional: . peso ou valor. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. mas a medida do possível. impõem resultados. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. e . Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. . que apontam para o sentido contrário. 70 . ou seja. Ex. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). dentro do gênero norma jurídica. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico.dimensão que eles ocupam (Alexy) .Postulados.Princípios. Para Habermas. . Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. A norma é um gênero e. é preciso saber quais são as normas opostas. quando se vai aplicar um princípio. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. imperativa.: aposentadoria compulsória. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. ou seja. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. Ambos são normas.generalidade .Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. há uma subsunção lógica. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. genérica. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. Alexy afirma haver exceções. → Princípios X Regras: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. que envolvem a aplicação deste princípio. bilateral). → Regras: são “mandamentos de definição”. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). As regras possuem aplicação automática. Segundo Robert Alexy. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. .Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. impessoal.

são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. por isso não são aplicados diretamente. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. de modo a realizar os valores nela consagrados. Eles não apontam um fim. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Não estão na constituição. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. pela maioria da doutrina. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Nesse aspecto. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Segundo a LICC. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo.: proporcionalidade. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Ex. 71 . será feita a análise de alguns postulados que. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. nem estabelecem competência ou conduta. Mas e os postulados? Segundo esse autor. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. mas não têm a mesma função dos princípios. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Com base nessas premissas. embasados na supremacia da Constituição. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. também conhecido como antinomia de princípios. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. como princípios. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. cronológico e da especialidade. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). É um conflito sempre no caso concreto. Os postulados são denominados. interpretação conforme a Constituição.

o Princípio da Supremacia da Constituição. no Poder Judiciário. a lei deve ser declarada constitucional. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Se há mais de um significado. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Não se retira a lei do ordenamento. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Se o texto tem apenas um significado. o Chefe do Poder Executivo. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. A 72 . Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). por ser presunção relativa. ficam vinculados àquela decisão. na dúvida. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Todo projeto de lei passa por um controle. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. como no âmbito do Poder Executivo e. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Essa presunção é relativa (iuris tantum). Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. Toda Constituição tem supremacia material. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. excepcionalmente. Excepcionalmente. é necessário que a Constituição seja rígida. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Ele pode negar a aplicação da lei. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Ou seja. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. se entendê-la inconstitucional. presume-se que agiram de acordo com ela. no controle difuso. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. pois existe uma presunção de constitucionalidade. pode deixar de aplicar a norma de ofício. E. deve optar pela constitucionalidade. No Brasil. No Poder Executivo. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. pode ser exercido através do veto jurídico. não tem como fazer interpretação conforme. Se a constituição é a norma suprema. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Da mesma forma. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. na dúvida. significa que as demais leis devem obediência a ela. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. o Poder Judiciário. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. No Poder Legislativo. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. significa que ele é unívoco. para ter essa supremacia. assim. e. quando entender que uma norma é inconstitucional. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição.

necessário harmonizar esses dois princípios. Logo. etc. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. existem. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Segundo Kruger. a norma inferior. logo é conhecida como corrente “objetivista”. Em uma sociedade democrática e pluralista. mas. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Obs.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Antes. 73 . 81. poderia declarar o art. é necessário observar os valores consagrados na constituição. é conhecida como mens legis. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. sendo. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Na verdade. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). b) Fim pretendido: . Ao se admitir que essa norma é superior. de direito previdenciário. §1º. Isso é impossível. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. há várias tensões entre as normas constitucionais. Geralmente. ao mesmo tempo. normas superiores e normas inferiores. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Outro ex. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. A segunda corrente. Hoje em dia. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Busca a vontade do objeto interpretado. É como se filtrasse a lei. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. pois. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Portanto. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. passando ela pela constituição.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. Ex: Brasília é a capital federal. Hoje. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. na constituição. isso não ocorre. essa corrente é chamada de “subjetivista”. prevalece a vontade da lei. num estado democrático. que busca a vontade da lei.

Pode ser usada. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Sempre que possível. e não em abstrato). o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. valores. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. O STF analisou 02 casos: a) Art. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. ele se basearia no princípio da unidade. Nesse caso. O que tiver o peso maior irá prevalecer. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. Eles são muito parecidos. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. violava a liberdade de exercício de comércio. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. Ex: voto direto é a norma geral. interesses. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. Se ele entrasse no mérito da questão. O que é isso? É semelhante a uma balança. e voto pelo CN é a exceção. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Segundo este princípio. §1º. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. que é anterior à Constituição da República. as duas normas têm conflito entre si. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. O Juiz irá ver. deve-se buscar essa concordância prática. Essa lei. Quando se tem uma colisão entre bens. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. princípios ou valores. no caso concreto. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. Assim. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. ou seja. se ambos estão consagrados na Constituição da República. bens ou interesses. na hora de se interpretar a Constituição. a integração política e social. é necessário utilizar a ponderação. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. O relator indeferiu a petição inicial. Uma existe ao lado da outra. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Abstratamente. O STF declarou constitucional. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. criando um efeito conservador da unidade. inclusive. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. qual dos dois grupos tem um peso maior. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. pelo legislador. 74 . 45.

na academia. para que outros direitos sejam assegurados. 2) relativização da coisa julgada: o STF. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. poderia fotografar. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Caso contrário. ou seja. Atenção: não confundir princípios com regras – ex.: a proibição da pena de morte. que contribua para o debate de interesse geral. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. até uma compreensão equivocada. por mais importantes que sejam. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. às vezes. cabe ação rescisória (obs. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). eis que ambos se relacionam. mas também a ratio decidenti. sendo o guardião da constituição. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. do contrário. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. 75 . é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. proporcionando-lhes uma força otimizadora. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. Exs. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. Ex: Se tiver na praia. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. STF não foi abandonada. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. e não princípios. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. O importante é saber que todos os princípios. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . dizendo que a ponderação é muito subjetiva. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. não se aplicando para a interpretação constitucional. Deve haver uma cedência recíproca. não. Ex. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. 343.: a Súm. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. do trabalho escravo são regras. não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. a privacidade deve ser preservada. da tortura.

Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. a função social para a qual foi criada. no Brasil. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. é também conhecida como eficácia social. pois. 4. Ver no Site Editora Método. . Este princípio.com. 2) Direito de greve. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. . 5º. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art.335/AC. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). o desempenho concreto de sua função social. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . Exs. CR/88 (aplicação imediata).Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. a qual significa a realização do direito. validade é.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. 76 . é também conhecida como eficácia jurídica. §1º.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. sobretudo o Tribunal Constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. . .

cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. por isso sua importância. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. Para Jellinek. utiliza-se o termo razoabilidade. pois. do Prof. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. É um princípio implícito. Nos sistemas da commum Law. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. apto para atingir o fim almejado. uma restrição à liberdade só será possível se. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. Ex. deveria conceder uma autonomia maior. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. Na Alemanha. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. Assim. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). uma densidade semântica que ele não tinha antes. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. No Brasil. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. utiliza-se o termo proporcionalidade. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. CR. mas apenas como menções. LIV. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. 1º. Se o ato for desnecessário. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). É uma influência do direito norte-americano. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. desproporcional. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. à garantia do devido processo legal. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. para que o Estado não atue de forma arbitrária. dentre os meios existentes. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. não está textualmente consagrado. Ex. não se deve abater pardais com canhões. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. Alegam que a restrição seria desproporcional. ☺art. ele tem que ser adequado. maiores hão 77 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. será também desproporcional. 5º. Não é o entendimento mais cobrado em provas. Para que um ato seja considerado proporcional. É uma influência do direito alemão. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. ou seja. Ele está ligado. em sua origem. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não).

Há uma outra face desse princípio. Nesse caso. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. pode ser chamada de proibição do excesso. A face acima exposta do princípio. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. 78 . Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. o poder público age aquém do que deveria. que é chamada de proibição de insuficiência. ou proibição por defeito. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção.

mas é a tese por nós adotada. Para o STF. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. O min. pois.. apresentado de forma não articulada. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. Em âmbito estadual. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. Como se sabe.. Não contém. portanto. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. Ocorre que todas as constituições brasileiras. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. reproduzidos ou não na Constituição estadual. sendo. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. inscritos na Constituição. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. No Brasil. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. relevância jurídica. mas no domínio da política. caráter normativo e. não tendo força normativa. o Brasil é um país leigo. Assim. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. O que acontece é que o preâmbulo contém. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. não é norma de repetição obrigatória. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. Esses princípios sim. não é componente necessário de qualquer Constituição. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. não existindo. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. proclamação mais ou menos solene. dado que. portanto. incidirão na ordem local. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. com exceção das de 1891 e 1937. de regra. não tem relevância jurídica. refletindo posição ideológica do constituinte. O nome não é o mais apropriado. 79 . Não tem. É uma corrente intermediária em relação às demais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. pois. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. laico ou não-confessional. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. mais ou menos significante. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). anteposta ao articulado constitucional. porém. o preâmbulo. Situa-se no domínio da história ou da política. qualquer religião oficial da RFB.

na ordem interna e internacional. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. o desenvolvimento. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. 80 . o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. pluralista e sem preconceitos. Esta é a sua natureza. Ao estabelecer os valores supremos. o bem-estar. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. fundada na harmonia social e comprometida. a liberdade. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. a segurança. com a solução pacífica das controvérsias”. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.

§5º). Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). prerrogativas (art. por sua vez. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). A integralidade. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. 184. possivelmente restringível ou redutível. 95. P. Exs.U. enquanto não for restringida por lei. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. dentre as quais.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. enquanto não for restringida.: normas que estabelecem imunidades (art. A NEC. mas admite lei. é uma NEP? Não. Ela não depende de lei. vedações (art. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. que poderá variar conforme o seu enunciado. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. Quando se fala em aplicabilidade imediata. como se poderia imaginar). §5º). (É a mais cobrada em provas). A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. destaca-se a de José Afonso da Silva. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. imediata e integral.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. 128. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. 53). → Normas de Eficácia Contida: O prof. que “contenha” o seu conteúdo. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). Não depende de regulamentação. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. O que as difere é o grau desta eficácia. isenções (art. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Uma NEC. Não são a mesma coisa. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. apenas 81 . no Brasil.

: trata de vedações que são impostas aos juízes. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. conforme a lei. – ex. 82 . A NEC pode ser restringida: . As vedações. 9º dá a entender tratar-se de NEP.Facultativas: ex. É indireta ou mediata. XII c/c arts. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição.por outra norma constitucional (ex. 5º. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. interesse social.Impositivas: ex. VII. CR. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. e mediata porque depende de alguma condição.U. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. Ex. 136 e 137). O caput do art. P. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. . eis que estabelecem o fim a ser atingido. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer).). Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. VII (direito de greve dos servidores públicos). não há omissão inconstitucional. segurança nacional. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. necessidade ou utilidade pública. 95. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. 102. . 154: a União.por lei (ex. e não quais são os meios para se atingir o fim. etc. PU: União poderá delegar aos estados. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). em regra.: art. se quiser. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. mas não disse quem pode propor.. ela nunca poderia ser restringida. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.por conceitos de direito público (ex. ofício ou profissão. que faz parte da mesma norma. Ex. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. 95). mas. 22. mas dizer como esse direito será exercido. 37. 37. art. quais são os efeitos. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. e art. poderá criar impostos residuais. . mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). que não é norma). etc. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . art. de forma que antes da Lei 9. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. Não é apenas um conselho. etc. 5º. que dirige os rumos do Estado. 5º. Neste caso. Se ela fosse uma NEP. mas pode ser). Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei.: art. Indireta porque depende de uma outra vontade. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. caracterizadas justamente por este tipo de norma). são NEP (como são as normas dos incisos I. II e III deste mesmo art. que a regulamente. ☺art. 3°. XXII. 37. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. A norma constitucional tinha eficácia. A lei não irá restringir o direito. esclarece que trata-se de uma NEC. Exs. art. art.: ordem pública. mas o seu §1º. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição.: art. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. 9º. XIII. art.: art. mas não é uma NEP. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Assim.U. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. XXIII e XXIV). VII. ☺art. é obrigatória.

Por isso não dependem de outra vontade. ADCT. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. São as normas do ADCT.: As NEP. Traduz um sistema fechado. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. 2º. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. exaurem sua eficácia. tem eficácia. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). também conhecidas como normas super-eficazes. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. cumprida a sua finalidade. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. mencionada por alguns autores. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. a NEL produz efeitos: ela exige lei. Uma última classificação. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. imediata e integral). Marcelo Neves critica essa concepção. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. porque ela não tem eficácia positiva). Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. pois.: art. Elabora-se uma norma genérica. não depende de outros sistemas. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Obs. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Assim. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. antes da lei ser feita. ademais. uma eficácia negativa (e apenas esta. Para ela. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. OBS. 83 . Diz que o direito se auto produz. as Cláusulas Pétreas. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível).

esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. § 1°. ou seja. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. Ex. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. 84 . Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. Assim. caso compatíveis com a nova Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). porém. como normas infraconstitucionais. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. quando do surgimento de uma nova Constituição. não. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. art. Faremos o estudo de alguns institutos. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. sempre que nasce uma nova Constituição. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. Quando uma nova constituição é criada. serem recepcionadas pela nova Constituição.N. parte final). podendo. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. §2º (que fala do Colégio Pedro II. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior.P → A. por esta teoria. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental.N. → CR → A. 2°. com o caráter de normas constitucionais. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade.: ☺art. e sim como normas ordinárias. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. 242.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

Ex. dentre outras. 5º. por regra. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. como é o caso do art. desde que haja expressa previsão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. Contudo. CR. sendo regra a retroatividade mínima. IV. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. Assim. 7º. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. que. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. Como outro exemplo de retroatividade mínima. para tanto. Assim. diante da aplicação imediata. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. deve existir expresso pedido na Constituição. tenha retroatividade média ou máxima. Como se percebe. XXXVI – “lei” em sentido amplo). bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. vale dizer. vale dizer. também limitado juridicamente). lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. têm retroatividade mínima. nada impede que a norma constitucional. 51 do ADCT. com pequenas exceções. IV. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. o STF entendeu que.: art. c) por outro lado. as leis infraconstitucionais. 7º. 88 .

o que os coloca numa posição de superioridade. 1º). É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. ao elaborar as leis. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. em um todo sistemático. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. a menos. De uma forma geral. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. 4º). pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. sobretudo. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. Dessa forma. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. os quais estabelecem a sua forma.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. é obvio. Desse modo. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. diverso e opostos. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. como também ao exercício abusivo de certos direitos. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. seja como orientação para progresso da legislação. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. seja como diretiva na solução de casos concretos. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. atuando como um limite. 2º). o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. da função positiva que 89 . 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. por conseqüência. não só das ações dos poderes estatais. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. pois servem de critério para o legislador que. estrutura e fundamento (art. assim. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. a divisão de seus poderes (art. Executam. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Em situações novas. ainda não regulamentadas de forma mais específica. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. Sob o ponto de vista dogmático. é claro. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico.

Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. DF e Município. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. 34. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. quanto para o legislador na elaboração das leis. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. A baixa densidade semântica. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. a Constituição veda. CR). Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. I). é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). aos entes que compõem a federação. que reinava de forma absoluta e irresponsável.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. esses conceitos foram se esvaziando. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. No tocante ao Poder Executivo. Com o passar do tempo. 90 . redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. o direito de secessão. 1º. sendo criados novos critérios distintivos da República.

91 . mas também o próprio Estado está submetido ao direito. a vontade popular representada pelo parlamento. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. Sob o aspecto material. a legalidade da Administração. Em um Estado democrático. seja diretamente. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. seja através de representantes. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. a independência dos juízes. sob as circunstancias transitórias. No Estado material de direito. não é absoluta e ilimitada. ainda. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. Em um Estado de direito. Aqui. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. ou. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. à questão perene da Justiça. No que se refere ao princípio democrático. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. não apenas os indivíduos.

uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. por essa razão.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. uns para com os outros. independente. Todavia. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. 92 . Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. por não ter de acatar. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. em nenhum momento podem ser colocados de lado. na ordem internacional. Por essa razão. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. 6º). o indivíduo se sente útil e respeitado. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. na ordem internacional. No plano externo. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. Supremo. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. a soberania migrasse do soberano para o povo. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. no plano interno.

A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. 215 e 216) e dos meios de informação (art. conforme os ditames da justiça social. 170). ao contrário. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. de interesses contraditórios e antinômicos. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. cultural (arts. a tortura. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. a de informação. a intelectual. a filosófico-religiosa. 17). ainda. III). assim. Este fundamento é concretizado. Por isso. deve constituir o seu objetivo supremo. 3º. por natureza. de comunicação. Por essa razão. a sexual. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. 206. artística. a sociedade pluralista é. 220). derradeiramente. a de opinião. com a queda do comunismo. passando a se revestir de normatividade. salvo nos casos previstos em lei. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. é um princípio básico do liberalismo econômico. a profissional. e. Mais tarde. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. de reunião e de associação. a Constituição. uma sociedade conflitiva. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. Fruto da concepção liberal. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. independentemente de autorização de órgãos públicos. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. dentre elas. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. o que pode levar a divisões irredutíveis. de idéias e de instituições de ensino (art. 93 . mas. 170). principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. A escravidão. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. justa e solidária (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. partidário (art. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. a partir do início da década de 90. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. I). político (art. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. científica. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. É ela o valor supremo que irá informar a criação. 1º).

em um primeiro momento. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. mas. o que significa dizer que na criação. mas um atributo que todo ser humano possui. seja pelo próprio Estado. e. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. dentro dos direitos sociais. Assim. Por outro prisma. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. Esta acepção. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. moradia. não como um fim em si mesmo. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). em alguns casos. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. 94 . na medida em que procura representar um subconjunto. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana.) imprescindíveis para uma vida digna. Esta acepção. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. mais importante. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. sexo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. Todavia. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. econômicos e culturais. menor (minimizando o problema dos custos). impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. o acesso aos valores. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. Poder-se-ia dizer. não apenas por parte do Estado. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. etc. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. sua existência material. ou para com a pessoa. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. Por isso. ligada ao valor liberdade. por exigir uma abstenção. à dignidade da pessoa humana. condição social ou qualquer outro requisito. educação fundamental. cada vez mais. mas também a de que o Estado garanta. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. possui um caráter negativo. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. seja por terceiros. A dignidade da pessoa humana não é um direito. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. que seja efetivamente exigível do Estado. idade. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. a todo e qualquer cidadão. possui um caráter positivo. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Portanto. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). Portanto. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. por outro. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. independentemente de usa origem. mas também dos particulares. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). ligada ao valor igualdade. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado.

6° e 7°). Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos individuais. igualdade e dignidade. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. Em sua maioria. estão consagrados em normas de eficácia limitada. . Em termos materiais. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. 12 e seguintes). A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. pois surgiram em uma única época. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. . uma constitucional e uma doutrinária. mas também no art. 6° e seguintes). 6º ao 11.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Enfim. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. portanto. consagradas ao longo das constituições. CF/88.direitos prestacionais: são. Visam proteger o valor igualdade. Essa classificação é legislativa. à participação política.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Têm caráter positivo e negativo.direitos à nacionalidade (art. que divide os direitos fundamentais em: . pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. . são os direitos individuais consagrados no art. devido ao custo de serem prestados. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. CR/88). consagrados no plano internacional. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. 95 . Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos).direitos políticos (art. São direitos ligados à cidadania. . Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. O Estado deve fazer escolhas trágicas. Têm um caráter negativo. 5°.direitos sociais (art. 5°. Exigem uma atuação positiva do Estado. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. Em sua maioria. Assim. devido à escassez de recursos. os direitos sociais (arts. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. . a diferença básica se refere ao plano de consagração. basicamente. . Para que o cidadão participe da vida política do Estado. do qual são espécies: . 14 e seguintes). ligados à liberdade.

das gerações. econômicos e culturais. ao desenvolvimento ou progresso. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. por exigirem uma prestação do Estado. Obs. então. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. A 3ª geração. portanto. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. Os direitos de defesa. São chamados direitos civis e políticos. Têm caráter negativo. Por isso. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. e estas gerações coexistem atualmente. os direitos prestacionais. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. como a família. e a dele é a mais cobrada em concursos). Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. enfim. Exigem uma ação do Estado. Tais direitos têm caráter positivo. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Esta é a sua preocupação principal. e geralmente em normas auto-aplicáveis. ao lado da 4ª. Ou seja. Eles foram surgindo com o passar do tempo. diretamente à igualdade material. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Têm como objetivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Não houve substituição de uma geração por outra. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Vejamos quais foram as gerações. à autodeterminação dos povos. Estão ligados. diante da necessidade de cooperação. direito de comunicação. da solidariedade entre países ricos e países pobres. → Igualdade: Direitos Sociais.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. a autodeterminação dos povos (art. São considerados basicamente como direitos coletivos. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. 4º. XVIII. segundo Jellinek). pois. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. exigindo uma abstenção. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. queria que ele respeitasse suas liberdades. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Como vimos. São basicamente os direitos individuais. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. 96 . direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. por exigirem uma abstenção. Exs: direito ao meio ambiente. XX. a imprensa livre e o funcionalismo público. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. de 1789: liberdade. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. sobretudo de princípio programático). CR/88). movimento encabeçado pelo proletariado. já os de 2ª geração não. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. são direitos de caráter negativo. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos.

CR/88). à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. um pluralismo ideológico. etc. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. que são as que. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. um pluralismo cultural. os direitos de família. de ideologias políticas e partidárias. Em uma ponderação. Aquelas instituem os direitos. como os previdenciários. em defesa dos direitos. traz direitos ligados à pluralidade. e isso acaba por prejudicar as minorias.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. são direitos difusos). V. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. que alguns dizem trazer os direitos à internet. outros são difusos). que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. → Globalização: direito à democracia. que seria a vontade da maioria. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Esta geração de direitos advém da globalização política.P. estas as garantias. Além desse aspecto. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores.I. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). de conteúdo). na mesma disposição constitucional ou legal. ao analisar a Constituição de 1891. ele tem uma importância muito grande. Quem tem o papel contra-majoritário. Ele preserva. artístico. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. conserva nossas identidades. à informação e ao pluralismo (D. Quando se fala em pluralismo político. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. caso violados. Afora esta peculiaridade. 1º. ☺ADPF 132. econômico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. Paulo Bonavides. Os argumentos contrários a esta união. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. o direito a adoção. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. Assim. a fixação da garantia. Ou seja. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. 97 . as disposições assecuratórias. esta alteração não foi feita em seu livro. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. mas há divergências na doutrina quanto a isso. limitam o poder. quiçá quanto a 5ª. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. as demais características são tratadas pelo prof. o prof. com a declaração do direito”. Por isso o direito à democracia é tão importante. Ao lado da vontade da maioria. ocorrendo não raro juntar-se. Porém. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Ou seja. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. Ele abrange um pluralismo religioso. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares.: quanto ao direito à paz. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). de orientações sexuais. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Ex. São também direitos transindividuais (em sua maioria.). A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. inclusive das minorias.

A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. Contudo. por ex. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito.direito ao juízo natural (direito) – o art. Normas positivas.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. confronto. havendo. ilegalmente preso. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. mas nunca a sua renunciabilidade. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. juntamente. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. se o direito garantido não possui alguma especificidade. ou magistrado. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. no caso concreto. . Nada impediria. a todos os seres humanos. ainda que não individualistas. coarctando. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. são indisponíveis. os estrangeiros não residentes. como é o caso da ação popular.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial.Historicidade: possuem caráter histórico.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: .). a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). O caput do art. ou caberá ao intérprete. Deve-se observar. que só pode ser proposta pelo cidadão. de modo indiscriminado. quando.: HC. no caso concreto.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. através da interpretação sistemática. . 5º. XXXVII. . decidir qual direito deverá prevalecer. Se são sempre exercíveis e exercidos. nascendo com o Cristianismo. etc.Universalidade: destinam-se. Exemplos: .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. como é o caso. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. os apátridas e as pessoas jurídicas. portanto. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. emite uma opinião (direito de opinar).Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. conjugando-a com a sua mínima restrição. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. muitas vezes.. conflito de interesses. . . uma vez consagrado o direito. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. Isso porque.: direito de propriedade versus desapropriação). 5º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. . ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. HD. é claro. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). 98 . Obs.

Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. §1º. 99 . De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. fática e juridicamente. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787).). seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. etc. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. só trazendo relações entre o Estado e o particular. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. para isso. Assim. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. mas o pressuposto do qual ela parte). como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). ordem pública. então. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. causando uma desfiguração no direito privado. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. 5º. Não se admitiria. não dependendo de legislação. fala-se. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Posteriormente. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. analisando caso a caso. então. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. §1º. No entanto. Ingo Sarlet afirma que o art. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. 5º. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. mas. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. pois.

215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. que não adota essa teoria). não sendo necessária uma intermediação legislativa. .) . Se houver lei determinando a aplicação dos DF.700. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . etc. houver uma desigualdade fática. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. então.RE 158. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. Mas. se exteriorizam. . .HC 12.243/DF.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. Ainda se trata de uma questão muito nova. Segundo Virgilio da Silva. mas.858. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. quando há uma relação de igualdade real na relação. Segundo esta teoria. Os DF são expressados. E como os princípios são muito vagos. A jurisprudência.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. esta teoria seria a mais adequada.*RE 161. Em contrapartida. 249. a aplicação será indireta. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. através de princípios. mas ainda não há decisão quanto a isso. para que os princípios pudessem ser concretizados. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Se.RE 175.Resp. Deve-se aplicar tanto esta teoria. de uma forma geral. . os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Assim. mesmo realizando atividades idênticas. tão somente pela falta de previsão. é possível a sua aplicação com base na Constituição.: empregado e empregador. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.00 para R$ 86. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. Se não houver uma previsão expressa na lei. devendo sobre eles prevalecer. A autonomia da vontade requer tal ponderação. em geral. ainda que esta regulamentação não exista.24. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. a proteção tem que ser maior.☺RE 161. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.RE 160. no entanto.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).RE 201. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. e. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. Para a realidade brasileira. Determinação de observância do Princípio da isonomia. Espanha e Portugal. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 . contrato de adesão. . em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. isso poderia causar uma série de problemas. O juiz. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. como a segunda. muito abertos. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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Quanto ao caso do aborto sentimental (art. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. XLVII. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Esta questão é bastante clara. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. 1º. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. ☺art. II. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. um outro direito fundamental. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. 5º. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. Há dois entendimentos: 104 . caput. 5º. não há uma renúncia definitiva. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. 5º. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Obs. Nos 78 incisos deste art. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. por óbvio. como DF é pressuposto dos demais direitos. No caso do big brother. à liberdade. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. 128. ☺art. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. III e art. O direito a vida. não há que se falar em não exercício). também não pode ser renunciado. à igualdade. à segurança e à propriedade. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. Por isso. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. 170. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). um caso constitucional de violação de direitos. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. pois a vida é uma direito irrenunciável. Porque o direito à vida é irrenunciável. A renúncia é definitiva. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro.: esta segurança que o art. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. Este pode ocorrer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. é. abre-se mão temporariamente à privacidade. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. CP) a questão é um pouco mais polêmica. pois. CR/88. CR.

quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. E o direito à vida. e. o STF não estaria legislando. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). 128). como todos os outros.Direito à privacidade: 105 . já que na época em que foi feito o art. o art. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. segundo Canotilho. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. o feto não tem a menor chance de sobrevida. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. ela é a única ação de controle abstrato cabível. 128. é relativo. assegurando a autonomia da vontade. insuficiente para a proteção do direito. portanto. Para o direito brasileiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. já que o CP é anterior à CR. não haveria vida. a vida termina com a morte encefálica. discutida na ADPF 54. além de colocar em risco a sua própria vida. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Nos EUA e na França. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. OBS. então. a morte não decorre do aborto. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. mas sim da acrania. mas sim interpretando a CR/88. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. 3) dignidade da pessoa humana. por isso. por 7 votos a 4. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. Se isso fosse possível. Ademais. entendeu que. nas quais não se tem uma opinião moral definida. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. 128 (em 1940). II. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. CP não teria sido recepcionado pela CR. sabendo que ela vai morrer. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Se há dois argumentos defensáveis. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. O STF. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. em razão do risco de morte intra-uterina. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. A questão ainda está sendo discutida no STF. mas de modo geral). Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. é uma forma de tortura psicologia. sem o sistema nervoso central. . Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis.

sobretudo. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. 5º. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Se tiver gravado um crime. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Ex: matérias de interesse público. de uma forma geral. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. veremos cada um separadamente. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. Nesses casos é vedada a gravação como prova. a gravação é considerada lícita. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. sobretudo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Ex. é a esfera da vida privada. em seguida. no art. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. etc. Neste caso. O prof. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. o direito à imagem foi violado. 1. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. não há violação à privacidade. Mas. Numa gravação clandestina. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. No entanto. Proteção da honra e da imagem. Esta é excludente de ilicitude. Ainda que não afete a honra. os princípios da moralidade e da publicidade. O direito de liberdade é maior. contra um estelionatário. Questão de Concurso: Gravação clandestina. ela é ilícita. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. quando pratica um ato na condição de agente público. Ao realizar essa ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). não tem privacidade. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. científico ou cultural. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Se filmar uma passeata. por exemplo. pois há uma excludente de antijuridicidade. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. na verdade. Então. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. a honra e a imagem das pessoas. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. a imagem pode ser usada num processo. Logo. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. vida privada. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. maior a proteção a ser dada. É vedada pelo art. Não há que se falar em colisão. histórico. Será considerada prova lícita. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. X. uma gravação feita clandestinamente. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. O direito a privacidade está consagrado. que se subdivide em: intimidade. Ex: Radares eletrônicos. 106 . Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. 5º. a restrição é legítima. CR. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. O agente público. É gênero. Em regra. X. contra um chantagista. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Nesses casos. são direitos independentes. CR. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. quebra de sigilo e interceptação telefônica.

. X. Na Itália. 5º. De acordo com o art. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. falaremos da interceptação telefônica. Quando a CR fala em “poder de investigação”. Quem pode é só o juiz e a CPI. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. Dentro do próprio STF há divergência. está em vigor. Além do juiz. São poderes instrutórios. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. não há decisão do STF. naquele caso específico. CR. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. O prof. Essa exceção só confirma a regra.). Quanto às CPIs municipais. já que não existe poder judiciário municipal. por enquanto. outros dizem ser pelo art. Ex: extrato de conta corrente. 5º. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. O Min. ele não pode requisitar diretamente. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. Os jornais publicaram essas declarações. mas na decisão acima houve discussão a respeito. 2. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. a duração da chamada. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. ainda que não seja sigilosa. fiscal e telefônico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Dentro dela. A lei. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. 3. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. Ele alegou a ilegalidade desse ato. em ação cível originária. XII. Tem uma decisão do STF muito comentada. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. 5º. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. E o Ministério Público? Segundo o STF. essa decisão foi para um caso específico. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. 58. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. XII. de um cd room. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. § 3º. como havia verba pública envolvida. outros entendem que não há proteção. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. divulgaram todas as declarações na internet. não poderá quebrar sigilos. por ex. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. que é uma exceção a essa regra. com base no princípio da simetria. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. 2°) admite. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. Essa declaração. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. o BB poderia quebrar o sigilo. às informações constantes na declaração de imposto de renda. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo.: Podem existir várias outras exceções. Se ele quiser. 107 . pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Quando se quebra o sigilo telefônico. deve ter uma certa salvaguarda. informáticos. O STF decidiu que. No entanto. etc. fiscais. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. O inciso X impede a gravação clandestina.

A interceptação não pode ser uma regra de investigação. XII. 5º. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Para o prof. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. por uma terceira pessoa. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. X. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Se um souber. Além dessas duas hipóteses. abrem-se todas as correspondências. os dados de informática em si não estão protegidos. Nessas hipóteses. a liberdade de comunicação. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. a Constituição não estabelece qualquer requisito. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . mas. é equivocado. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Aliás. 5º. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Mas isso não é a posição do STF.. Em relação à comunicação epistolar. Porém. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. também protege a privacidade. seja pelo art. durante o estado de defesa e o estado de sítio. seja pelo art. Pois. O STF entende que com base o art. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Então. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. o sigilo poderá ser violado. Em relação a essas. XII. O art. Ela protege 4 formas de comunicações. não estaria protegido por esse dispositivo. Com relação ao sigilo de dados. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. protege-se apenas a liberdade de comunicação. protege a liberdade de comunicações. segundo o prof. será gravação clandestina. mas foi feita por um terceiro. Não são admitidas para outras finalidades. Para o prof. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. 5º. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. já que protege-se a liberdade de comunicação. Se um souber. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. No entanto. o STF tem um entendimento que.. neste caso. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Quando se falou do método tópico problemático. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. Na interceptação. Para o STF. segundo o STF. sobretudo. Ela deve ser usada para situações excepcionais. Na prática. em determinadas hipóteses. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. será interceptação telefônica.. 5º.

É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. e não pelo dono da casa. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Recentemente. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Se numa situação excepcional. XII: interceptação telefônica b) Art. prorrogáveis por mais 15). o Min. devemos analisar 2 situações diferentes. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Ex: crime dentro de uma residência. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. Essa decisão foi recente (☺MS 27. 5º. Com o consentimento. Ou seja. Ela deve ser o último recurso. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. c) Art. violado. Vejamos as situações: 1. A Constituição trata de 2 situações distintas. Além disso. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. imagine numa situação normal. 2. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. • Prestar socorro 109 .296/96. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Como é o meio mais fácil. Somente o juiz. O professor acha que há certo abuso neste caso. por nenhuma outra autoridade. Na jurisprudência do STF. essa lógica tem sido invertida. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Sem consentimento já é diferente. LX: sigilo imposto a processo judiciário. vejamos: a) Art. Então. a polícia pode entrar. a entrada deve ser permitida pela empregada. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Nesse artigo. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Nem mesmo CPI. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. qualquer pessoa pode entrar. 5°. nem a CPI. XI: violação de domicílio. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. Segundo o STF. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. 5º. Com relação à inviolabilidade do domicílio. e mais ninguém. CF/88. 5º. Art. Pode ser que com os abusos recentes. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. salvo o flagrante delito. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. nesses casos. LXI: possibilidade de prisão. Se houver o consentimento. se houver o consentimento de um dos moradores. pode determinar a prática desses atos. seja durante o dia seja durante a noite. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. d) Art. XII. Durante o estado de defesa. 5º. não há falar em violação de domicílio. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado.

Quando o sol nascer é dia. não só dos moradores daquela casa. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. a casa pode ser invadida a qualquer hora. a prova colhida será considerada ilícita. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. onde o caminhoneiro dorme. Alguns autores. porque a noite é o período de descanso. É utilizado por JAS. que traz uma conceituação bastante extensiva. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. não poderá mais entrar no domicílio. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. entra no conceito de casa. consultórios. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. na parte em que o público tem livre acesso. entre outros aposentos. mas dos vizinhos também. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Entra no conceito de casa. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. estabelecimentos comerciais e industriais. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. 150. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. compartimentos habitados. Segundo o entendimento do STF. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. entre eles Alexandre de Moraes. Segundo ele. hoje. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. ☺Art. 3. quando o sol se põe é noite. não entra em conceito de casa. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. o STF considera as provas lícitas por causa disso. 110 . prevista no dispositivo. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. mais adequado. Se houver o consentimento do morador. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. mais tradicional. não encontrou nenhuma decisão a respeito. propõem uma utilização conjunta desses critérios. se estiver vazio. Ex: parte de trás do caminhão. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Só que o STF já proferiu decisões. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. compreende escritórios. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). a prova é lícita. pois se respeitar também o critério cronológico. Então. CP. E o carro? O prof. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. seja do dia seja da noite. Na maioria dos casos. Se entrar com o uso da força.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. 2. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. não entra no conceito de casa. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. por serem situações emergenciais.

7º. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. não significa que a lei não possa fazer distinções. Quando se fala em princípio da igualdade. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. CF/88. XXX. idade. Nestes casos. cor e estado civil. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. é necessário que ele seja: 1. razoável e proporcional. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Ex: critério preconceituoso. Esse critério é razoável. pois viola o princípio da isonomia. Não irá fazer concurso para homens participarem. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Objetivo 2. Se o critério não for objetivo. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. ele não estará de acordo com o fim consagrado. 2. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. CR. justifica-se a altura. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . da constituição. Mas. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Razoável 3. Para esses casos. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Esse critério não é nenhuma discriminação. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. XXX. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. É a que está consagrada no caput do art. em situações diferentes. 7º. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Para que o critério seja constitucional. Uma vez dentro do estabelecimento. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. discriminatório. 5º. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. arbitrário. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. 111 .

Se o Estado não proporcionar esses direitos. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Tem autores que entendem ser inconstitucional. utiliza-se das ações. disse que está ligada à igualdade material. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Ex: Cotas para pessoas carentes. mas é necessário analisar uma série de fatores. mas na Constituição Indiana em 1947. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Criaram-se outras ações afirmativas. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. No caso da Índia. Isso é igualdade formal.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Em princípio. Mas. para tentar reduzir as desigualdades. Porém. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. A cota deve ser proporcional à população. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Ex: Alíquotas de imposto de renda. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. o critério discriminador seria desproporcional. igualdade e fraternidade. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. mas reduzir as desigualdades existentes. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. que eram desiguais em relação aos seus senhores. essas ações são constitucionais. O prof. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Não é uma forma de resolver o problema. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Dificilmente. O prof. e os desiguais de forma desigual. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. não haverá uma igualdade real. Segundo JAS. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Quando se fala em igualdade material. Essas ações não surgiram nos EUA. Então. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. seria igualdade material. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. Visa uma redução das desigualdades fáticas. 3º. aconteceu o contrário. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. A tendência é que elas aumentem. essas ações deveriam existir por 10 anos. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. 112 . É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. por exemplo. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. pois elas criam uma discriminação reversa. acha que esse argumento não convence.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. 5º c/c art. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Para o professor. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. ☺art. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. e prolongaram as que já existiam. Quando se fala em igualdade material. e não à igualdade material. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Para outros autores.

eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. visa compensar uma dívida histórica. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. Isso é uma questão de política pública. Apesar de ser uma relação entre particulares. Portanto. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. Argumentos contrários: . . quando se fala em destinatários. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. 113 .fomenta o racismo e o ódio racial . .favorece negros de classe média alta. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. aberta. pois já faz parte do próprio critério republicano. O problema é com relação à subjetividade do critério. não sendo necessária essa distinção.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. CF/88.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. Eles não têm apenas a eficácia vertical. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. seja por particulares.Eficácia vertical: todos os poderes públicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.em uma sociedade pluralista. de saúde. seja pelo governo. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais.fere o mérito. Eles foram libertados. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. miscigenada e multicultural. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema.Poder Legislativo. são destinatários do princípio da igualdade. Além dessa eficácia.medida imediatista e inapropriada.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. tolerante.princípio da isonomia (discriminação reversa). (18/06/09) Argumentos favoráveis: . Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. previsto no art. . a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. A justificativa parece não ser inconstitucional. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . 208. mas eles não tiveram oportunidade de escola. . atinge todos os poderes públicos . mas também para quem irá elaborar a lei. sem exceção. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. . Juridicamente falando. Poder Executivo e Poder Judiciário).Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. Então. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. cientificamente falando. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . . . No Brasil.

discriminatórias. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Pode defender no plano das idéias. Por que a Constituição. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. É constitucional? Sim. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. o problema é dele. Apologia ao crime é diferente disso. ela exerceu o seu direito. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Não é um direito absoluto. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. desde que seja para atenuar desníveis existentes. ela é constitucional. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. ela pressupõe responsabilidade. Não existem direitos absolutos. Ex: Lei Maria da Penha. ela pode ser responsabilizada. não deve ser estendida para os homens. para outros teria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Para alguns. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Protege a mulher. É livre a manifestação de pensamento. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. em princípio. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. 100. 5º. Ex: art. É uma denúncia feita anonimamente. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. a lei pode estabelecer distinções. e violou direitos de terceiros. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. sendo vedado o anonimato. é outra questão. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Basta ser um critério objetivo e para todos. etc. O homem não é a parte mais frágil da relação. IV. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. não teria sido recepcionado. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. desde que essas restrições não sejam autoritárias. 5º. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. I. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. em regra. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. CPC – ação de alimentos. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Logo. Questão de Concurso – Cespe: No art. As provas 114 . Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. O particular não é obrigado. Ex: Passeata para legalização da maconha. segundo o professor. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. ele deve licitar. Logo em seguida. Isso significa que. Se a pessoa agiu de forma abusiva. mas apenas para as mulheres. Mas. de expressar o pensamento.

No Brasil não há uma religião oficial. de ter crença. 2. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. CR. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Vejamos: 1. então. 5º. 3. 2. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Em relação ao culto. ele não pode ser admitido. Esta liberdade está consagrada no art. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. com o advento da República. O culto pode ser exercido em qualquer local. ela deve ser protegida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. desde 1989 (advento da República). Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Ex: seqüestrador escreve bilhete. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. VI. inclusive em lugar aberto ao público. Isso significa que. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Garantir a simetria da liberdade religiosa. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. O Estado deve manter-se neutro. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. A religião desempenha um papel fundamental. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. pedindo resgate. por exemplo. I. Quando são produzidos pelo próprio acusado. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. CR. o equilíbrio das religiões. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. ainda 2. deve ocorrer uma “tradução institucional”. ou de não ter crença em nada. desde que não viole o direito de terceiro. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. Não se pode admitir que o parlamento. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Os templos recebem uma proteção especial. O Estado brasileiro. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. de crença e de culto. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. → Alguns temas polêmicos: 115 . A liberdade de consciência é a mais ampla. e. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Porém. não é o caso do Estado brasileiro. Para Habermas. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. houve a total separação entre Estado e Igreja. O dever funcional da autoridade é investigar. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. apesar de a maioria da população ser católica. abrangendo a liberdade de crença. 19. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. se não há qualquer identificação. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. Pode fazer um exame grafotécnico. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. há 02 hipóteses em que o STF admite.

Para o prof. . Há um trecho do livro do Dworkin. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. fazendo uma ponderação entre os princípios. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. CR). os argumentos religiosos não fazem parte da política. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. estados e municípios (☺art. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. que odeia guerra. e não à justiça do trabalho – ☺art. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. Entretanto. são culturais. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Não teria sentido acabar com esses feriados. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa..Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Na Alemanha. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. políticos e religiosos. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. ocorreu um caso muito semelhante. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Neste caso. CR. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. imagine uma cidade pequena. São feriados puramente religiosos. . a neutralidade do Poder Judiciário.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. a competência é da União. o argumento supracitado não está correto. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. a competência é em relação à cultura. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Portanto. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. §1º. 215. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. 5º. Pode um ateu. então. logo. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. há algumas ações. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. inegavelmente. Mas.. a escola não deve impor ao menino. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. §2º. VIII. onde se tem poucas escolas boas. 210. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . O 116 . CR). pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. e cultura é competência comum – da União. 23. Entretanto. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O tribunal. É importante respeitar o ensino de cada um. Segundo o prof. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. não poderia ser confessional.

5º. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. 5º. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. por sua vez. terminada a reunião. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. não são os religiosos. Ex: fazer segurança. A pessoa alega imperativo de consciência. ☺ art. não é necessária a autorização estatal. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. mas a de permanecer associado. CR. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Para que as pessoas possam se reunir. O prof. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. XXI. etc. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). conforme portaria da ANVISA. Liberdade de reunião. então. tem o caráter permanente. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Criação de associações e. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. ainda. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. mas os políticos. XVII e XXI. Criação de sindicatos. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. mesmo que em locais abertos ao público. XVI. 15. as pessoas se reúnem e. Ex. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. 5º. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Segundo Jean Rivero. 5º. mas direitos individuais de expressão coletiva. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. essa hipótese é de representação processual. XVI. Criação de partidos políticos. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Por que a CR exige prévio aviso. A associação. 4. CR. IV). CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. desviar o trânsito.) 2. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Há. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. de cooperativas. (Não pode reunir pessoas armadas. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . 3. Não cumprindo com a obrigação. na forma da lei. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). elas vão embora. o argumento deve ser racionalmente justificado. JAS diz que não são direitos coletivos. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. A República é o governo das razões. ☺art. Quem fará a tradução não é a Igreja. CR: Não é só a liberdade de se associar. Ex: reunião de condomínio. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. Se não houver essa lei.

O sindicato (☺art. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. 2. Se ele tem proteção. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. 8º. 118 . em seu art. Segundo JAS. Segundo o STF. se não for atendida. não são legítimas essas invasões. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). ela tem legitimidade para ajuizar ADI. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. 5º. a função social. mas não pode ajuizar ADI. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. III. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Função Social da propriedade: A CR. É o entendimento de Daniel Sarmento. CR) quando ajuíza uma ação. Só pode representar se houver autorização expressa. segundo o prof. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. A associação impetra em nome próprio. não pode existir mais de uma federação por território. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. Segundo ele. mas sim contrárias ao direito e. 5º. segundo o qual. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. o direito de propriedade pertence ao direito público. LXX. por exemplo. ADC e ADPF. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Em seguida. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. Segundo o STF. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. não precisando de autorização expressa. ☺art. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. ilegítimas. XXII. defendendo direito alheio. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). Segundo o STF. do próprio regime desse direito. Ex: Invasões de terra pelo MST. XXIII. no seu art. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Há um outro entendimento que. mas faz parte da estrutura desse direito. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. é mais correto. segundo o prof.. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. ter um patrimônio mínimo. tendo um menor peso na ponderação. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. como a Constituição garante o direito de propriedade. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. portanto. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. garante o direito de propriedade. Ela só garante o direito de propriedade. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. não impede que o direito de propriedade seja protegido. 5º. pode ser dada numa Assembléia Geral. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. a propriedade terá uma proteção menor. O que acontece é que se não cumprir a função social. A Constituição não garante o direito à propriedade. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1.

Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. 182. etc. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Como haverá indenização se houver dano. a saber: a. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. a saber: por necessidade pública. normalmente. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. uma escola pública. CR. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. só haverá indenização se houver dano. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. como um apartamento. 182. Sempre haverá indenização. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. deverá ser em dinheiro. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. deve haver indenização? Não. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. na desapropriação. Vejamos abaixo. É um aspecto lógico. A função social. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. Ex: caso de Eloá. Na requisição. §2º. a indenização será sempre posterior. Além do caráter absoluto. justa e. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. 2. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. 184. como decorrência do primeiro. Desapropriação: Diferentemente da requisição. §4º. há uma transferência compulsória da propriedade. ou por interesse social. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. Propriedade Urbana: ☺art. Os principais aspectos são 2. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. mas sobre a propriedade em si.000 habitantes (§1°). Para atender a função social. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. b) ☺ art. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). restringe o caráter absoluto. Propriedade Rural: ☺art. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. o proprietário não tem culpa. 139. indenização por títulos da dívida pública). é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Sempre que há requisição. por utilidade pública. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. A polícia requisitou determinadas propriedades. Vejamos: a) ☺art. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. 186. IPTU progressivo no tempo. CR. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. 5º. b. VII). ele não poderá ser prejudicado. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. diante de uma emergência. XXV) e as militares (☺art. Logo. CF/88: Trata-se de imóvel rural. por ser inerente ao direito de propriedade. No caso de requisição. em regra. que deve ser prévia.

admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). 185. Vejamos: . b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. regra.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Se ela é produtiva. CR). emergências da sociedade. Como o confisco é uma sanção. a propriedade não pode estar cumprindo a função social.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. Usucapião: Na Constituição da República. 3. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. §3° e art. 5º. Só não podem ser para fins de reforma agrária. Para esse fim. em Indenização posterior se houver dano.: Imóveis públicos. A Constituição não permite – ☺art. no máximo. 243 da CR. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. parágrafo único. 50 hectares. seja urbano ou rural. CR). Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade).Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. não há pagamento de indenização. sem oposição. São imunes a impostos (☺art. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. ininterrupta. 243. CF/88. 250 m2. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). O confisco de propriedade está previsto no art. no máximo. precisa recorrer ao judiciário). possuir o imóvel como se fosse seu. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . por ter prazo menor. .). prévia e. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Necessidades permanentes da sociedade. PU. É sempre indenizável (justa. os bens serão confiscados – art. . a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos.o morador não pode ter outro imóvel. Na CR. 183. 184. não precária. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Requisição Refere-se a bens e serviços. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). Só que. paga em dinheiro). Nesse caso. Confisco: No Brasil.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). 191. é porque ela está cumprindo a sua função social. o imóvel deve ter. pacífica. Se ele tiver outro imóvel. não podem ser adquiridos por usucapião. sejam urbanos ou rurais. Necessidades transitórias. Obs. 2. . . §5º. 120 . Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. etc.

a regra também é a não retroatividade (art. 5º. a CR/88 entrou em vigor. CR). XL. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. ato jurídico perfeito e coisa julgada. 5º. não. As hipóteses mais importantes são: 1. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. 2. média e mínima. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. Em regra. não era muito democrática). é necessário diferenciar duas situações. XXXVI. Seria correspondente à primeira hipótese. inicial. desde que seja mais benéfica para o réu. outros a interpretavam de maneira (B). começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. só que exclusiva para o direito tributário. na verdade. Todas as demais o consagraram. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. mas deve respeitar a coisa julgada. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. 106. etc. 5º e no art. b) Retroatividade benigna. Para responder a essa questão.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. 3. a lei interpretativa retroage. A garantia existe para a proteção desse direito. Alguns a interpretavam de maneira (A). Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. é uma conjugação das duas anteriores. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. a saber: 1. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. No direito penal. Em resumo. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Esta hipótese é. mas que vale especificamente para o direito tributário. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. Retroatividade da Lei Penal. Durante a vigência desse contrato. interpretando a lei da maneira (A). Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. autônomo. A lei interpretativa retroage. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 .

inclusive as de ordem pública. É claro que isso não é desejável. ela afeta a todos. e não o ato exaurido. extintas. em regra. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. coisa julgada e ato jurídico perfeito. no caso de retroatividade mínima. ☺Súm. Na retroatividade máxima. 654 e Súm. . mas as leis não. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Não pode haver a redução. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Se a Constituição atingir essa prestação. .: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. A EC poderia prejudicar direito adquirido. porque geraria uma insegurança jurídica. . até mesmo. automaticamente. Não existe direito adquirido em relação a esse regime.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. a Constituição da República entrou em vigor. Havendo mudança de regime jurídico. através de norma de eficácia plena. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Ex. 2. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. 473. Portanto. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. b) Retroatividade média: pode ocorrer. haverá uma retroatividade média. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. mas isso está superado. e não as parcelas que compõem o vencimento. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. haverá uma retroatividade máxima.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Só que para haver essa retroatividade. O prof. Ex: Determinada prestação. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. As parcelas podem ser reduzidas e. É claro que isso não é desejável. interpreta a lei em sentido amplo. não há posição prevalecente. Só que para haver essa retroatividade. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. e não lei em sentido restrito. será necessário que a Constituição diga expressamente. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Nesse caso. Antes de a prestação ser paga. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. porque geraria uma insegurança jurídica. de acordo com a legislação da época. . dirige-se apenas ao legislador ordinário. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Se mudar o real. portanto. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. 5º. → Coisa julgada: 122 . Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Após a Constituição de 1988. STF. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.

a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. como doutrinador. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Por isso. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata.: salário mínimo). . são NEL (de princípio programático). existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. pois são mais facilmente implementados. §1º. e não propriamente como ministro). Em cada época.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. exigem uma atuação positiva do Estado. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. . PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. 5º. em regra. para dar decisões concretizando tais direitos. segundo Robert Alexy. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. b) o art. 5º. Eros Grau. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. são mandados de otimização. do seu enunciado. nós deveríamos interpretar o art. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. independentemente de qualquer fator. A administrativa não tem essa proteção. e isso para muitos é um ponto negativo.☺art. No art. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. em sua maioria. Já os direitos sociais. 2. Assim. §1º. 5º. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. por ex. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. consagrados em NEP ou NEC. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. ou seja. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Dirley Jr. Mas isso não é verdade. independentemente da sua natureza. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Os princípios. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. 7º. e pelo Min.. Os direitos de defesa são. mas é apenas a coisa julgada judicial. Ou seja. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. de sociedades pluralistas. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. como teórico do direito (ou seja. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. à medida que a sociedade o determine. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Eficácia: todo direito tem um custo. Direitos Sociais: 1. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. o que significa que possuem um caráter positivo.

Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. Portanto. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. Assim. quando foi dado um maior papel ao PJ. segurança. implicitamente. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . rodovias. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. trabalho. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. . assim.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Primeiramente. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. as normas possuem uma textura aberta. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. é importante definir tais critérios. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. Por isso. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.000. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. essa atuação talvez não seja tão justa.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. educação. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. doutrinador do RS. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Quando se fala em direitos sociais. não geram direitos subjetivos. Pedro Taques). para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.). só porque recorreram ao PJ. Esses direitos sociais não teriam. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. .Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. O que se busca.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). pois. por ser norma programática. por ex. Norma de direito social não gera direito subjetivo. Como têm apenas eficácia negativa. Esse entendimento já foi superado.. 3ª fase: é a fase desejável. A visão do juiz é bilateral. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos.). Obs. previdência. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. Argumentos contrários à intervenção judicial: . por ex. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. em tese. legítimas (saúde. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado.000. etc. normatividade. todas. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. lazer. que estamos buscando. pois.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Em outros lugares.

no que diz respeito aos direitos sociais. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Se não se estabelecer os critérios. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.Déficit democrático das instituições representativas. De se ver que quando se fala em direitos sociais. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Não é o entendimento que prevalece. teríamos a maior utilização das ações coletivas. Esses argumentos são os que devem prosperar. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. em razão do Princípio da Igualdade. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. ou seja. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Assim. o outro cresce. eles acabariam sendo inviabilizados. 125 . e é muito utilizada no Brasil. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Mas. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. por isso. em 1972. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). entra-se muito nas questões ideológicas. segundo Ingo Sarlet. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. mas a todos que se encontrem na mesma situação. em razão das limitações orçamentárias existentes. Os direitos sociais estão consagrados em normas. . Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. A reserva do possível. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado).Caráter normativo da constituição. . são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: .“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. saber se a demanda é razoável. sufrágio universal. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica).A democracia não é apenas vontade da maioria. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). Se um poder se encolhe. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. inclusive a minoria. É preciso. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. eleições periódicas. Ademais. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. . não se encaixaria na realidade brasileira. pois.

que a demanda custa y. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. Não é o máximo desejado. No Brasil. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. que existem z pessoas na mesma situação. a questão da efetividade será prejudicada. Segundo Ana Paula de Barcellos.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. essa concretização. em 1953. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Assim. Segundo Ricardo Lobo Torres. Vejamos: 1. depende de cada época e de cada sociedade. que é a corte suprema na Alemanha. . Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. é o mínimo existencial. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. maior o risco de não ter efetividade. 2. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. . O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. etc. é o entendimento mais adequado. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. em razão de sua textura aberta. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. assistência em caso de necessidade. A reserva do possível é uma matéria de direito público. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Por que falamos em “mínimo”.. Se não definir o conteúdo. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. A efetividade passa pela sociedade. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. saúde. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Outros autores já falam apenas em saúde. Segundo o prof. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. quando se estabelece o mínimo existencial. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. da liberdade material e do princípio do estado social. por ser necessária para a 126 . Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. precisam ser concretizados. mas teria um peso maior na ponderação. pelo cumprimento voluntário da constituição. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. educação e moradia. Ou seja. mas deve também ser provada. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos).

que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. A partir do momento que um direito social é concretizado. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. passaria a fazer parte do próprio direito social. População está relacionada ao conceito demográfico. 5º. Ex. não pode haver uma redução dessa concretização. costumes. fazem parte da população brasileira. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. o que prejudicaria a sociedade. segundo ele. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. §1º. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. esse prazo não pode mais ser reduzido. que significa nação. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. fala-se em vedação do retrocesso social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. haver uma redução do grau de concretização. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. independentemente da nacionalidade. irão concretizar os direitos sociais. e. Segundo ele. 2) posicionamento de um autor português. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. JAS. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. ao estudar as normas de princípios programáticos. 127 . assim. já dizia algo muito semelhante. Há dois posicionamentos quanto ao tema. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. estatístico. históricos. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. só ampliado. da máxima efetividade (art.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. um pensamento mais flexível sobre o tema. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. Pode. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. Por isso. haveria um engessamento do legislador e do PE. consciência coletiva. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). entre eles: laços culturais. Todos que moram no Brasil. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. de acordo com a necessidade. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. Os poderes públicos. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. e do Estado Democrático e Social de Direito. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. CR). língua. da dignidade da pessoa humana. Ele tem. pois. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso.

. I. 12. II) Naturalização expressa (art. 12. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Refere-se aos brasileiros naturalizados. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. . É o caso do Brasil. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Pelo critério funcional. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). De acordo com o critério sanguíneo. de acordo com o art. II) Jus Sanguinis: ascendência. §6°. considera a nacionalidade dos pais. 12. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. I. 12.Diferenças de tratamento 128 . I. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. por uma questão de soberania nacional. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. o filho terá nacionalidade brasileira. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. É geralmente adotada por países que estão em formação. se não se manifestarem contrariamente. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. a). A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Refere-se aos brasileiros natos. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. b). adquirem a nacionalidade do país onde residem.Quase nacionalidade (art. Obs. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. A EC 54 alterou o art. há direito público subjetivo do estrangeiro. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. 112 e 115.815/80. c. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. 12. CF/88. terá naturalidade brasileira. art.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). 227. não haver condenação penal e requerimento do interessado. Se o casal estiver a serviço de outro país. os pais têm que ser brasileiros. estrangeiros residentes. Neste caso. desde que haja reciprocidade. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. não há direito público subjetivo. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”.

Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. Mas. 12. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Na extradição. . confundir a súmula acima com a seguinte. Os critérios utilizados são: . Já na entrega.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. Expulsão: consiste na retirada a forca. . b) 6 assentos do Conselho da República (art. cria-se um problema de relação internacional. presidente da CD. Importante analisar a Súmula 421. portanto. em razão da soberania nacional. §2°. . vice. d) Extradição (art. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. 5°. a ela aplica-se a súmula 1. . presidente do SF. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. XL. A deportação está mais próxima da expulsão. só poderá ser extraditado: . 12. Princípios relacionados à extradição: . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. dependente da economia paterna.815 (ato nocivo ao interesse nacional). ou que tenha filho brasileiro.Perda da nacionalidade (art. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. Não se pode. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. No caso de brasileiro naturalizado. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. do território brasileiro. no entanto. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. 65 da lei 6. 89. 5°.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. CF/88). §3°). §4°. 5°. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. 12. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. Se o estado desrespeita essa regra. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. não se poderá invadir esse estado. CF/88): 129 .Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato.linha sucessória do presidente da república: PR. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. .segurança nacional: oficial das forças armadas. Mas. . em razão da superioridade da Constituição. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis.

14. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. salvo nos casos das alíneas a e b. 81. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. Características que o voto possui no Brasil: . é o direito político em si. . O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. nacionalidade e alistamento.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. com a realização de eleições periódicas. . voto é o exercício desse direito. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. e não requisitos preconceituosos.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). . ou seja. 14. Servem ao controle do próprio direito. one vote” – “one person. é o direito de votar (e não de ser votado). na forma da lei (que ainda não existe). e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). o sufrágio censitário (ex. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. A CR/88 adota o sufrágio universal. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. que exige uma alternância de poder. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Para JAS. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. perderá a nacionalidade brasileira.tem valor igual para todos: “one man. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). Além dessas características do voto.é direto: é a regra. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. 130 . e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. com uma única exceção: art. §1º).é periódico: essa periodicidade do voto. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. caput). §1º. inclusive sendo cláusula pétrea. . Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. salvo se por meio de ação rescisória. Direitos Políticos: . São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). one vote”. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. São requisitos apenas técnico-formais. pelo CN.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.

14. No Brasil. 14. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. é o direito da pessoa ser votada. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade. ou seja. Primeiramente. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. . 14.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. 14 traz um questionamento. §3º? Segundo o STF. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. então. trata-se de lei ordinária. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). assim. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). §1º). 14.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. ☺ar. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. 14. etc. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. a inelegibilidade em relação aos militares (art. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). 14. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. que geralmente admitem desincompatibilização. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. Quando a Constituição fala apenas em lei. se houver reciprocidade (art. no caso do art. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . Ex. no governo de SP). b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. §7º . ou seja.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. §5º .: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. dentistas. até que se atinja a plena cidadania. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. §8º). 12. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade.é conhecida como inelegibilidade reflexa. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. 14). é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). os inalistáveis são os estrangeiros. do art. domicílio eleitoral na circunscrição. com exceção dos portugueses equiparados. salvo se já titular do cargo.☺§3º. em caso de reeleição. . §3º. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. filiação partidária. Assim. Mas o §9º do art. Além dessas condições relativas à idade mínima. ela é adquirida progressivamente. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização.

Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. Kildare. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. VIII). adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. não há como readquirir os direitos políticos). III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. 15. Com base nessa distinção. o prof. 132 . é algo temporário. 15 (incisos II. nos termos do art. e quanto a isso não há divergência doutrinária. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. 15. 5º. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. I. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. III e V) são hipóteses de suspensão. A doutrina (JAS. Todas as outras hipóteses do art. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. seus parentes também poderiam ser candidatos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. mas o prof. portanto.

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