Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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E para isso. É. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. como o inglês. Tem-se utilizado. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. mas também de outros assuntos. o americano e o francês. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. o local e a época. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. reporta-se a um sistema normativo. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. enfeixado na Constituição. numa terceira acepção possível. mas proteger direitos. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. a defesa da Constituição. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. Numa vertente mais restrita. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. os fins socioeconômicos do Estado. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. em especial limitar o poder arbitrário. O conceito de constitucionalismo transporta. Partindo. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. Kildare Gonçalves Carvalho. em sentido jurídico. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. como sociológica: “em termos jurídicos. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. e. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. no fundo. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. do estado e das instituições democráticas. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. e que se encontra acima dos detentores do poder. uma teoria normativa da política.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. então. 4 . preferindo falar em “movimentos constitucionais”. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. sociologicamente. um claro juízo de valor. por seu turno. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Neste sentido. Numa segunda acepção. assim.

França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. • Princípio do governo limitado. se contrapõe ao absolutismo. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). ii. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). ii. a. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. Foi uma retrospectiva do direito Grego. em 1787. 1. Estabelece as regras do jogo político. após a Independência das 13 Colônias. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). Estado Hebreu: estado teocrático. Inglaterra: rule of law – governo das leis . A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Por isso. Como ressaltado por Jorge Miranda. b. Hoje. Grécia antiga: democracia constitucional. • Separação dos poderes. Foi a 1ª experiência constitucional. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. como e até onde pode mandar. desde logo. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. fases pelas quais passou a constituição. Influenciaram o direito francês e americano. d. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. integram-no. Foi a mais avançada forma de governo. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). quem.surgiu em substituição ao governo dos homens. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. porém. (Livro do Alexandre de Morais). Garantia jurisdicional. b. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. em 1791. e da França. 2. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. a partir da Revolução Francesa. Governo limitado. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. Roma: idéia de liberdade. A democracia é a representação da vontade da maioria. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Atribui competências aos três poderes. c. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam.

3. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. estabelecendo diretrizes. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. 4. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. XX). Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Garantia de direitos. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. na época das Revoluções Liberais. Constituições de países subdesenvolvidos. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. havia regras. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. estarão subordinados a ela. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Idéias principais: i. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. a maioria da nação. Eram apenas uma diretriz. aplica-se a analogia. b. diretrizes. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). Hoje. Constituições da democracia marxista ou socialista. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Constituições da democracia racionalizada. sem força vinculante. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. os costumes 6 . algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. c. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. Separação de poderes. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Começou a se falar em um direito moral. A partir dessas novas idéias. Força normativa da constituição: antes. d. PE e PJ). ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. ii. XIX. Todos os poderes constituídos (PL. Segundo a tradição francesa. ligada à idéia de liberdade. Novas idéias foram surgindo. as constituições tinham caráter mais político. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. c. foi o Abade Sieyès. O Estado é um meio para atingir determinados fins. b. estabelecidos pela Constituição. as quais são denominadas por pós-positivismo. Ex. Rússia. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. O ser humano é um fim em si mesmo. Constituições da democracia social. a. direitos fundamentais.

Solidariedade. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. Os princípios. espuma do chopp. Para Barroso. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. que é aplicada mais às regras. há uma euforia dos princípios. é o juiz. mas quem dirá o que ela é.. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Participação. fidelidade partidária. o judiciário aumenta sua força. Entre uma regra específica e um princípio geral. g. Para Paulo Bonavides. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Universalização.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. 7 . o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Hoje. d. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Ex. c. Mas essa é uma posição muito radical. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Verdade.  Aplicação direta da constituição. etc. A aplicação da norma se dá pela subsunção. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Não se aplica diretamente a constituição. Hoje. aborto no caso da acrania.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Na Itália. Consenso. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Quando o legislativo é fraco. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Na jurisprudência do STF. aplica-se a regra específica. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. verticalização. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Continuidade. união homoafetiva. os princípios. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. etc. cotas em universidades. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. tratado internacional tinha status de lei ordinária. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. b. pois esta é a concretização de um princípio geral. e. f. • • 5. é o judiciário. Teoria Concretista Geral. Integração. Ele atua como legislador negativo e positivo. Eles são importantes. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. demarcação de reservas indígenas. Constitucionalismo do futuro. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. de uma forma geral.

a solidariedade. o P. a participação. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). segundo o art. do art. CR) e. nos termos desta Constituição”. dá-se através dos representantes do povo.U. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Habeas Corpus Act de 1679. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . que são os deputados federais (âmbito federal). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. I. Contratos de colonização. 14. 1º da Lei 9. referendo e iniciativa popular”.709/98 (que regulamentou o art. Bill of Rights de 1689. cujo titular é o povo. a continuidade. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). CR. Compact (1620). Fundamental Orders of Connecticut (1662). caput. mediante: plebiscito. portanto. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Podemos falar. 46. de forma expressa. Vale dizer. O titular do poder é o povo. 1º. II e III. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. com valor igual para todos. de soberania popular. o exercício deste poder. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. Act of Settlement de 1701. verdadeiro sistema híbrido. de acordo com o art. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). então. concretizando a soberania popular. que. Como regra. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. a verdade. Petition of Rights de 1628. pertinentes. Carta outorgada por Carlos II (1662). Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). CR). por intermédio de seus representantes.

. 1°. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. portanto. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. têm a mesma forma de elaboração). a que Carl Schmitt chama de Constituição. O art. Para entender tal concepção. ou seja. para ele. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. A conferência realizada por ele. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). é vinculante e obrigatória. PL. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. As leis constitucionais são todo o restante. §2º. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. quando não corresponde à Real. o restante. 242. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. A Constituição Escrita. Esta é a concepção que hoje prevalece. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. a Constituição é norma pura. não passaria de uma simples “folha de papel”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. que adota o conceito decisionista de constituição. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. mas apenas leis constitucionais. Segundo ele. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. Esta concepção atualmente é inadmissível. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel.: art. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. mas materialmente distintas. Essas normas são programáticas. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. como por ex. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Constituição e leis constitucionais são. PJ. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). com exceção do Preâmbulo. Toda a Constituição. ou seja. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. o caráter normativo e vinculante da Constituição. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). caso contrário. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. → Segundo Hans Kelsen. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. os direitos fundamentais. na sociologia. na política ou na filosofia). pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. que surgiram com as constituições mais prolixas. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). conforme o prisma de análise. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição.

devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. a Constituição tem sim fundamento sociológico. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. . A CR/88. neste sentido. Seu único comando. Ou seja. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). é a Constituição escrita (CR/88). 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. não introduz nenhuma novidade. e também jurídico. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é).Território. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. condicionante desta mesma cultura. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). define tais elementos estruturais. qual seja. . é: todos devem obedecer a Constituição. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. portanto. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). 10 . ela não existe na realidade. mas que trata de todos os aspectos.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. não está escrita. Gilmar Mendes). a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. quais sejam: .a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. . é uma norma pressuposta. por isso não tem nenhum expoente específico. . ao mesmo tempo. posta pelo Estado). Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade.Povo.Finalidade. é apenas uma pressuposição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. modificando-a. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. segundo esta concepção. todos os setores da vida social. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas.Soberania. é um elemento conformador.

. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88).não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. votada.. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. por alguns estudiosos. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior).escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita.não codificadas (ou legais. No Brasil. . toda Constituição histórica é costumeira. .pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. 1967. pois toda constituição é escrita e não-escrita. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. . 1937. a Constituição Inglesa. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. surge em um só momento. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. podendo ser: . e como é bastante prolixa. Obs. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). 3) Quanto à origem: . a constituição não se torna democrática. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada).democrática. Nesse caso. É uma aprovação simbólica). não surge de uma só vez em um só momento. Constituição Espanhola/1930. há pouco espaço para se ter costumes como regras. promulgada. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. trata-se de modalidade anacrônica. por ex.outorgada: é a constituição imposta.: as constituições outorgadas recebem.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. consuetudinária (não é escrita).dogmática: sempre escrita. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. de maneira unilateral. . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). Ex. Por isso mesmo. como por ex. tem também vários documentos escritos. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). dos dogmas predominantes naquele momento histórico. é fruto das idéias. 11 . de uma só vez. quem vota a matéria são as lideranças. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. as constituições outorgadas foram as de 1824. o apelido de “Cartas Constitucionais”. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. . ou variadas): ex..

Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). (Obs. inclusive a CR/88). Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. sucintas.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Por este motivo. CR).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Ex. É uma constituição em sentido material.: art. São chamadas também de clássicas. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).: a Constituição dos EUA).) . . reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo.fixas: não poderiam ser modificadas.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. . É uma classificação típica das constituições costumeiras. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. É uma constituição em sentido formal. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Em 2000. Como se submete a esse tratado internacional. Ex. . Constituição Inglesa. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. portanto muito difícil de serem modificadas. 1º. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. sem se preocupar com os detalhes. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. . . como é o caso da CR/88.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. Ex.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador). Não existe controle de constitucionalidade das leis. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. sendo assim. passou a haver hierarquia entre as normas. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. mas sim o processo mais dificultoso. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. deixou de ser considerada flexível. ou seja.

Rígidas. Não-escritas (inorgânicas. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais).garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. o DF. QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). É a CR/88. União. democrática. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. formal.: art. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Democráticas (populares.: a CR/88 é ainda Eclética. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Característica das constituições clássicas. mas sim uma obrigatoriedade!). dogmática. Flexíveis (ou plásticas). • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). Ecléticas. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Fixas. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. codificada.: art. dogmáticas. básicas ou clássicas). Ex. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. o União. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). como por ex. o Estados. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). 3º. sumárias. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . CR. sucintas. rígida (ou super-rígida). 13 . Constituição programática (ou dirigente). costumeiras ou consuetudinárias). Constituição em sentido formal. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. o Municípios. votadas ou promulgadas). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). Históricas. (processo legislativo). Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). Canotilho. e não de apenas uma ideologia.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. prolixa. OBS. pois valem a todos os entes federados. porque é fruto de várias ideologias. que surgiram com um objetivo pré-definido. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). 59 e segs. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. . dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. Pactuadas (ou pactuais).

enquanto as regras são mais específicas. obrigatoriamente escrita. LC. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. No entanto. No topo. sejam elas originárias ou derivadas. direitos fundamentais ou não. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. uma Constituição só possui relevância sociológica. as medidas provisórias. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. tem de ser. por ser rígida. II a VII). que existem como complementação dos ANP). 59. 5º. o indireto. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. as leis delegadas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. Para que exista supremacia formal. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. princípios ou regras. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. que a CR/88. ordinárias e complementares). porque os princípios têm maior amplitude. Importa dizer. se tiver também supremacia formal. cujo fundamento de validade são as leis e. por 3 níveis hierárquicos. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. DL e Resoluções – ☺art. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. estaduais. CR). MP. Leis Delegadas. distritais e municipais. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466.: decretos e regulamentos. 59. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. a Constituição tem que ser rígida. 59. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. as derivadas (art. para fins de controle de constitucionalidade. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. a Constituição. basicamente. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . §3º).343/SP. encontram-se as normas constitucionais originárias. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara.

Cabe controle de legalidade (discussão incidental). ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 47. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. a previsão constitucional exige complementação. Quando não exigir LC. 69. Residual. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Essa aprovação não é obrigatória. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Portanto. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. No entanto. Leis delegadas. Não varia.status constitucional. 47 é a regra geral. No caso da prisão civil por dívida. por uma questão de economia legislativa. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Anotar como complemento posteriormente. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. 69. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. que regula a LC. Lei ordinária Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art.☺Art. é sempre o mesmo número ☺Art.☺Art. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). Reservada pela CR/88. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . mas somente uma recomendação. MPs. OBS: O art. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Por ser uma matéria reservada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC .

conforme previsto no art. há hierarquia. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. como o controle exercido será de constitucionalidade. assim. 16 . E. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). • União – ☺Arts. no caso de repartição vertical. III. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. Hierarquia entre Lei Federal. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. Havendo conflito (ex. 30 (assunto de interesse local). pois não está ligada diretamente à Constituição. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. d. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 21.: lei estadual trata de matéria de competência da União). Parei aqui. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. não cabe ADIN. • Estado – ☺Art. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. Assim. 25.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. DF). CR. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. a competência para resolução é do STF. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. 102. Assim. ☺Art.

Com a EC/45. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. Não existe. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. . normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. Abrangeria não somente a constituição. é diretriz hermenêutica. como para Canotilho. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. os TI de direitos humanos. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Como não tem caráter normativo.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). visando assegurar a supremacia da constituição. b) Parte permanente = normas gerais – arts.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. Tirando o preâmbulo. o CDC. ou seja. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. mas também o preâmbulo. portanto. 17 . deve estar inserida no texto da CR. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. quando são equivalentes às EC. seja uma norma de referência para ele. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). contudo. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. Refere-se. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. . Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade).Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. etc. . Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. Assim. tem função interpretativa).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. se considerar em relação a uma expressão é total. Não Auto-aplicável. ocorre. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. 61. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. 3. ou seja. Assim. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. Ex.: competência privativa do PR (☺art. mas o prof. aliás. o Min. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). MI. Não Auto-executável. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. Assim. 4 e 5. Obs. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. Ou seja.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. e Não Bastante em Si. pois. Dependem do prisma de observação. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. . 18 . Ex. I – que exige LC para instituir impostos residuais).3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. STF não é mais aplicada. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. Pode ser: . Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental).2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. as Súm. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. 5. ADC e ADPF. ADI. Ex. às vezes. A omissão parcial nada mais é que uma ação. art. não pode ser suprido pela sua sanção).de princípio programático. Aqui.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. CR). 5° a 17). Formas de Inconstitucionalidade: 3. ou seja. há uma divergência na doutrina. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. mas caberá ADIN por omissão). quando não é respeitada uma norma de competência. 3. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. §1º.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. AIO. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. não será cabível mandado de injunção. No STF.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. 154. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. . 3. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: .: a Súm. (Obs.de princípio institutivo (Obs.

b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. aos Atos Normativos Primários. 3. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). já sendo inconstitucional desde a sua origem. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). ou seja. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. que se ligam indiretamente à constituição. e grande parte da doutrina. pois. a inconstitucionalidade será indireta.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. atos previstos no art. no controle concentrado abstrato. § 2°). a inconstitucionalidade será direta. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. Obs. Segundo STF. No caso do decreto. reflexamente (ou de maneira 19 .: a palavra “não”. CR. Assim. 66. como altera sentido do texto. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Ex. todo parágrafo. Quando se fala em inconstitucionalidade. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. b. Relaciona-se. decretos regulamentares. 59. No caso da lei. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. de ofício ou a requerimento da parte. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). pode ser questionado. que só pode atingir todo artigo. toda alínea ou todo inciso (☺art. Para o prof. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Se o decreto é ilegal. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. o que houve foi um desrespeito à Constituição. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. Ex. ou seja. o decreto se torna inconstitucional. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. não se trata de revogação. refere-se. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. ato originariamente constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. não pode ser retirada). Pode ser: b.

porque o chefe do PE. promulgar e fazer publicar as leis. por isso aqui não há que se falar em controle).. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. 84. embora participe do processo legislativo. a inconstitucionalidade será direta. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. viola o art. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). por isso ocorre antes da promulgação da lei. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. ele não precisaria impetrar o MS. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. a inconstitucionalidade é indireta. 66. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. porque ele é o único que participa do processo legislativo. IV.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. quando ele participa do processo legislativo. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. 84. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. se ele entender que o projeto é inconstitucional. tem fundamento de validade indireto. O veto tem que ser expresso. que se exerce através do veto (☺art. No 1° caso. assim. . 66. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL.sancionar. não pode impetrar o MS. 60 parag 4. EX:art. portanto. . CR). O chefe do PE. como pelo PE e PJ: . o projeto 20 .ou concreto. O veto é relativo. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). mas uma mera análise política. Art. segundo o STF. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. pois pode ser derrubado (☺art. porque o ato não fere diretamente a CR). é excepcional. já que de maneira indireta. prevenir que a CR seja violada. IV . mas sim analisar cada caso concreto. OBS: não adianta decorar o nome do ato. §2º. Caso contrário. Obs. é fundamento de validade direto e no 2° caso. CR. O único legitimado para impetrar esse MS. Trata se de um controle incidental.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo).Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). ela não está violando o direito de ninguém). parágrafo. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. inciso ou alínea).

60. 168): o STF. que. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). interpretações regimentais. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. Se o projeto tramita na CD. V. somente o Deputado Estadual. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. secreto. mas um processo legislativo constitucional. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Leitura do livro do Lenza (pág. ADC ou ADPF. a fim de repará-la. desta feita. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. etc. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. §4º. Ademais. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. a separação dos poderes. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . constituindo-se normas constitucionais interpostas. ou seja. Legislativo? Sim. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. vinculam os atos e procedimentos legislativos. contudo. muito embora não sejam formalmente constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. na linha do voto de Gilmar Mendes. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. em um primeiro momento. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. por maioria de votos. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). se na Assembléia Legislativa. o PR elaborará então a LD. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. se está no Senado. tendo como objeto esse Dec. CR. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo.. Na verdade. Assim. mormente. que entende que “. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art.. ☺art. universal e periódico. o voto direto.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. 21 . Questão: o PR. aos direitos fundamentais”. na qual o projeto esteja tramitando. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. V . pois não se trata de ato normativo. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. e as normas do RI são questões interna corporis). o Senador. vedando-se. 68. os direitos e garantias individuais” – ou seja. que é o chamado Decreto Legislativo. não lhe cabendo. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. já que trata-se de um ato normativo. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. as cláusulas pétreas. 49. pode ajuizar uma ADI. No entanto.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas.

71. Obs. através da edição de um Decreto. .Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. esse rol foi ampliado.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. 84. ao negar cumprimento à lei. Gilmar Mendes. nesse caso. III) Súmula 347. mas segundo o Min. Não se analisa o mérito da MP). 62. no exercício de suas atribuições. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). não havia relevância alguma). pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. já no STJ não há qualquer ressalva. . Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . Antes da CR/88. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). porém. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. mas tão somente aos prefeitos. CR).. Legislativo para sustar.. ela deve ser objeto de controle. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. Assim. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. IV. clara e evidente – ou seja. Após a CR/88. 4. o chefe do PE teria que. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. CR). expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. estudado de forma detalhada a seguir. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. GE.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. tampouco que o PR. nesse caso o CN pode editar um Dec. ao fazer um Decreto Regulamentar. ou seja. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. O chefe do PE (e só ele – PR. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. por ex. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. é necessário fazer-se um controle repressivo). No entanto. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. O TC é órgão auxiliar do PL (art. não é um entendimento consolidado.. simultaneamente. pois.084). Desde já.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. segundo o STF? Resposta: em regra. exorbita os limites do Poder Regulamentar. Ele será. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. II) art. STF: o Tribunal de Contas. quando.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. pode o PJ analisar tais pressupostos. Apenas excepcionalmente. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). ajuizar uma ADI. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE.

porque significam coisas diferentes!).A. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. ao mesmo tempo. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. interessante: em 1965. 1792 Hayburn s case. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. porque surgiu nos EUA. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). No Brasil. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). Seu criador foi o grande Hans Kelsen. Segundo caso.S. É também chamado de controle aberto.: na Suíça. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. Primeiro caso. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. que completa este ano 20. em se tratando de lei nacional.Hilton x U. quem exerce o controle é o PJ. o controle é feito pelo PL. com 19 anos de Constituição. em 1803. e é adotado pela maioria dos países europeus. Obs. Por isso. Por isso.: França – que tem o Conselho Constitucional. inclusive o STF). em 1920 (bem depois do controle difuso). órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). já foram feitas 56 EC! 23 . sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. ou seja. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. Ex. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. se se tratar de lei local. porque surgiu na Áustria. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). mas das espécies de controle. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. para não gerar essa confusão. isso não é verdade. dentro de sua competência. 4. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. haviam sido feitas apenas 16 EC. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. difuso e concentrado).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. já na CR/88.

No Brasil. e a partir desse antecedente. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. é proteger as normas da CR. Este efeito é típico do controle abstrato. A análise da lei sempre será feita em tese. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. porque em estando revogada. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. sendo o controle 24 . Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). 102. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. o principal defensor dessa tendência é o Min. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. Com base nesse argumento. O efeito vertical. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. se fala em efeito vertical. A finalidade não se confunde com a competência. por ser uma relação vertical. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Segundo este instituto. ou tendência de verticalização. mas tão somente de controle concreto. também não podem ser objeto de controle abstrato. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. mas deve ser estendido ao controle concreto). O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. ou seja. Da mesma forma. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). No direito brasileiro. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. já não ameaça mais a supremacia da constituição. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. Por isso o Min. (O STF é o guardião da CR – art. Gilmar Mendes. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. 97. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano).

como fica o papel do Senado Federal? ☺art. ou seja. que deu provimento à reclamação. Na decisão do STF. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. Assim. como a decisão tem efeitos inter partes. ainda. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Assim. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Antes. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. o direito de greve dos servidores públicos. em ocorrendo isso. 52. ou seja. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante).335/AC). ou seja. E. 25 . a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. ou seja. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Então. No Acre. não permite essa mutação). O Relator da Reclamação foi o Min.917/SP. viola o princípio da igualdade. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. não há necessidade da suspensão pelo Senado. tendo efeito apenas inter partes. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. o Min. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. do PL. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). não uma simples mutação. sendo acompanhado pelo Min. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. se assim fosse. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Por fim. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Eros Grau. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional.959/SP. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. No Legislativo: Mas. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. X. segundo ele. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Outra situação interessante foi o RE 197. CR. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). disse que apesar de ser um controle difuso concreto. Não houve reclamação quanto a essa decisão. sem que ocorra modificação no seu texto. Então o Min. e não erga omnes. então não sabemos a posição dos demais ministros.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. 4. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. pelo menos por parte de alguns ministros. houve decisões proferidas em 3 MI (712. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. em seu voto. Por fim. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. Gilmar Mendes. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. Gilmar Mendes. Gilmar Mendes (e também o Min. Pois no controle difuso. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização.

o que se dá no “plenário virtual”. não tem natureza processual como as súmulas comuns. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. político ou jurídico. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido.417/0 e Lei 11.art. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. por estarem mais próximos dos indivíduos. não cabe ao STF analisar. analisado no dispositivo (conseqüente). No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. (☺ Lei 11. A repercussão geral (art. eles não se reúnem fisicamente. atualmente. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). julgando-o procedente ou improcedente. 103-A). 26 . que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. estão os procedimentalistas. A súmula vinculante tem natureza constitucional. pois tem o papel de guardião da Constituição. § 3°. não é o objeto principal do pedido.418/06). fundamentação e dispositivo. mas apenas a causa de pedir (antecedente). 102. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. O RE. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. O papel do STF não é julgar litígios individuais. por sua vez. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. No controle concreto. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. Contrários a essa tendência de abstrativização. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. não precisam chegar até o STF. a rigor. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. ou seja. é um instrumento de controle concreto e há. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. concorda com isso).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. somando-se os votos de todos eles. Num segundo momento (conseqüente). social. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. Segundo Eduardo Appio. é uma questão incidental.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante.

I. .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. sejam poderes públicos. questões ditas de passagem. art. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito.erga omnes .EC 45/04: art. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. não determinantes para a decisão) não vinculam.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante .17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.868/99 – Lei da ADI e da ADC. . 28.Lei 9. Sendo assim.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. §2º. há previsão não só na lei como também na CR). secundárias do julgado.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).882/99 – ADPF.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. 27 . O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. 5. . eles também são vinculantes. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.: . 10. 102. 102. Ademais. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. mas tão somente a ratio decidendi. Dispositivo L.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: .vinculante. art. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. mas também à fundamentação. . . P. a chamada eficácia vinculante. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. e ele se encontra no Dispositivo. Mas não é tudo da fundamentação que vincula.U. conforme está previsto no caput do art. a razão determinante da decisão. ou seja.Lei 9. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. sejam particulares.

também fica vinculado). . a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. cuja função não é legislativa. e outros dizem ser um ato anulável. mesmo que não tenham sido impugnadas.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. 28 . por sua vez. Só atinge a norma impugnada. Obs. no caso Marbury x Madison).a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. No entanto. se as leis devem ser cumpridas. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. .803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. Por este entendimento. até que o PJ a declare inconstitucional. . Respeitando o efeito vinculante.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. mas sim fiscalizatória. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). inclusive o Tribunal de Contas.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. segundo o prof. pois atinge apenas o dispositivo. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. estes estarão sim vinculados). outros dizem ser nulo. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. já os órgãos fracionários do STF. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . inclusive os chefes do PE. que se quiser. estadual e municipal). Atinge a norma impugnada + normas paralelas. (20/03/09) 5.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. .: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos.o PL (na verdade. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. como a coisa julgada. . o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. a função legislativa). impedida de evoluir). mas os sistemas de preclusão processual. É um entendimento que vem desde 1. pode modificar seu entendimento. suas turmas e seus ministros.

os efeitos são erga omnes).882/92 (art. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. ☺art. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. como os servidores agiram de boa-fé. Exs. O STF.. Lei 9. portanto. porque o ato é nulo desde a sua origem.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. assim. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. ou 2) excepcional interesse social. no caso do controle abstrato. Assim. portanto. 27. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. o efeito que produzirá.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem).683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. que revogou a Lei A. Ou seja. Mas.Normas anteriores à CR. . passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento).112/90.)”. com seus normais efeitos ex tunc. poderá o STF. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). ☺RE 197. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . como regra é retroativo: ex tunc. Visto a natureza do ato inconstitucional. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. não admite a “constitucionalização superveniente”. . A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. 11).” . é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. o Min. como a Lei 9. 27).868/92 (art. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. Neste caso. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato).). decidiu que. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. etc. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. autor e réu.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. não precisariam deixar os cargos. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). o STF. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. por questão de segurança jurídica. e não no de não-recepção). com inteiro teor).Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B.

Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. o prof. portanto foi recepcionada. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009.: a norma x tem dois significados possíveis. . ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. quando todos os Estados tiverem DP. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. mas sua interpretação). Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). um significado A e um B. quanto .Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. Segundo o STF.Corresponde a um juízo de .O Tribunal precisaria observar . desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. controle difuso-concreto. assim. 5. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. que trata da ação de reparação ex delicto.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. para que este corrija a norma. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). Ex. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. evitando a inconstitucionalidade progressiva. depois de ter sido recepcionada.O Tribunal não precisaria 30 . o resultado será o mesmo. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: .4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. ex. (A norma já passou pelo crivo da constituição. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. Em alguns casos. portanto. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. mas nem sempre. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. . e a norma já foi recepcionada pela CR e. mas. era uma questão “obter dictum”. ela progressivamente se tornará inconstitucional). a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. reproduzida pelo STF). entende-se que a norma (B) é inconstitucional. 134. portanto. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. chamada “Apelo ao Legislador”. com um só sentido). CPP. Assim.2: art. 68.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico).1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). constitucionalidade. à medida que a situação fática for alterada. CR x art. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. com condições de trabalho iguais às do MP.Corresponde a um juízo de . não foram todos os ministros que se manifestaram). de fato.

por arrastamento. de ofício. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. 2º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. . Obs. o juiz pode. se for um dispositivo autônomo. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). 97). (*) Para o STF.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. portanto. se manifestar de ofício sobre o art. . dentro de uma mesma lei). . se o art. no controle abstrato. 3º. portanto.É uma técnica de decisão judicial. mesmo que não tenha sido questionado. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. 2º. o texto da norma. 2º. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. o juiz não pode. de ofício.É permitida uma interpretação e. desde que não altere o sentido do restante da norma. 1º e 3º e.Não há qualquer modificação no texto da norma. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. não podendo. Ocorre que. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. Na declaração com redução de texto. . Assim. 1º e 3º. e são permitidas as demais. 1º ou do art. da Lei x. Trata-se de controle abstrato. são excluídas as demais. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. observar a cláusula da reserva de plenário (*). no controle concreto. 2º for dependente do art.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . ou todo o artigo. esta só se faz necessária quando se afasta. . nem sobre os demais. . em princípio. no controle concreto. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. . não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. declarar a inconstitucionalidade. b. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. b) Com redução de texto: b. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. total ou parcialmente. como ambas são equivalentes. em razão do Princípio da inércia.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. a cláusula de reserva de plenário.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. O STF. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. ou seja. em regra.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. do art. ser objeto de ADI. não poderá.É excluída uma determinada interpretação.

Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. Contudo. portanto. neste caso. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. e por arrastamento. Mas nem todo controle concreto é difuso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Sobre o tema: 32 . mas é que esta não é necessária. portanto. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. mas apenas a causa de pedir. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. apesar de sozinho não ter aplicação. Assim. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. ACP para fechamento dos bingos. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. O pedido será a proteção de direitos. Neste caso. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. todo controle difuso é concreto. Ou seja. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Obs. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. pois será uma questão discutida incidentalmente. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. Ex. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. O dispositivo.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. porque. dentre elas a ACP. ADCe ADPF). a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. mas também quando há usurpação da competência do STF). julgará procedente ou improcedente o pedido. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. No Brasil. já que o STF pode. de ofício. julga também inconstitucional o decreto. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir.

: eleição do Presidente do tribunal.022. conseqüentemente. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. Regra da “full bench”. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. que é função legislativa. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). no caso. 97.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. 93. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. pois. STJ ☺ RE 227. por meio da ACP. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). por entendê-la inconstitucional (inter partes). porém. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. 557. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo.159. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. ☺art. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). XI – órgão especial: para que seja criado. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. porém. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. No tocante. Nada impede. não pode ser delegada. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. é função possível de ser delegada.646. Os juízes singulares podem. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). que é mais de 50% dos presentes). Em outras palavras. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. desde que. Assim. 97. em defesa de contribuintes. os Tribunais não têm admitido que. Assim. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI).. teremos uma lei material. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. elaboração de Regimento Interno. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. de efeitos concretos. porém. assim. na prática. Segundo esta cláusula. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. Assim. STJ ☺ Resp. também não pode ser delegada). 33 . O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. por exemplo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. por ex. as chamadas leis de efeitos concretos. o que só se pode obter por meio de ADI. no âmbito dos Tribunais. que é função política. e no mínimo 11 membros. 294. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. dotada de caráter de universalidade e abstração”.

Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição.U. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. P. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. ou em caso de interpretação conforme. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. de acordo com o posicionamento do STF. se existir no Tribunal. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. pela maioria dos seus membros.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. 97. se for acolhida. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente.. ☺art. CPC) seria inconstitucional: o art. como guardião da CR. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). 34 . O professor não concorda. Decidido o antecedente. 481.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. Há uma repartição funcional de competências. podendo decidir o caso concreto. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. abstratamente. porque para o STF ambas são equivalentes. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Quanto à 2ª exceção. 481. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. no entanto. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. será lavrado o acórdão.. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. prosseguirá o julgamento.U. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. Há quem critique tais exceções. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. ao órgão especial). chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. a argüição de inconstitucionalidade (. sabe-se que o STF é o guardião da CR. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade.. se entender que a lei é inconstitucional. sob o argumento de que o dispositivo (art. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. . O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. Assim. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Exceções: P. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). assim.

portanto. no todo ou em parte. se assim o fosse ela já seria vinculante). A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. 35 . como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. esta decisão deve ser submetida ao plenário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Quando o SF suspende a lei. sustentam que o efeito é ex tunc. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. CR – compete privativamente ao SF suspender. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. 178. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. Efeitos. O SF apenas suspende a lei. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. que não comporta delegação. A cláusula vale também para o controle concentrado. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). como se tratasse de uma revogação. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. Outros autores. Ademais. passa a ter efeito erga omnes. quando isso ocorre. 52. trata-se de uma competência exclusiva. O STF já admitia essas duas exceções. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. O SF não é obrigado a suspender. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. não estando vinculado à decisão do STF. a lei deixa de ser aplicada. a decisão do STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. o SF não pode suspender toda a lei. bem como ou STF. entendem que se trata de um ato discricionário. RISTF. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). 2) Outros autores. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. ela se refere à decisão do STF. por isso o faz dali em diante. em regra. A suspensão se dá através de uma Resolução. Na verdade. Ou seja. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). Esta suspensão só ocorre no controle difuso. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. ou seja. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. É o entendimento mais correto. que não pode ser retroativa. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. art. X. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e.

sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. está fazendo uma análise. requisitos para a criação de CPI. Mas. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. LC. Ressalta que a letra da norma (art. esta norma não é de observância obrigatória. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. em razão do princípio da simetria. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . desta decisão proferida pelo TJ. não se referem ao âmbito estadual e municipal. 52. CR) não comporta este entendimento. a resposta é negativa. normas referentes ao TCU. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. CR: prevê o escrutínio secreto. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. obrigatoriamente. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. 61: iniciativa do presidente. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. 178. Nas situações em que o TJ julga. e se o STF. LO. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. cujo modelo. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. o que. Segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Art. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. Na ADPF este fenômeno também é possível. 66. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. no controle difuso-concreto. CR. Segundo o professor. pela simetria deve ser atribuída ao governador. um RE para o STF. RISTF) – e isso é óbvio. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. por ser um órgão do PL Federal. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. mas. deve-se recorrer ao entendimento do STF. 57. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. já que o SF não atua de forma correta. É uma construção da jurisprudência do STF. se toda a lei foi declarada inconstitucional. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Por isso. etc. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). Neste caso. a partir do momento que resolve fazê-lo. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. 59 e segs. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. Gilmar Mendes. O SF. já o SF não. ou seja. §4°. Quando se fala em decisão definitiva do STF. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. cabe. configuraria uma mutação constitucional. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. não havendo a necessidade de suspensão da lei. segundo o Min. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. sendo norma de observância obrigatória. esse entendimento é desejável. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. Art. se for apenas uma parte.

ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição).112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. o SF teria um número enorme de representantes). que deve ser observado no âmbito federal. 58. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). Classificação de Osvaldo Aranha B. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). art. por não existir uma federação de municípios.: Lei 8. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. visto que.). estadual e municipal. retirando a lei do ordenamento jurídico. 37.: CTN. não havendo. estadual.: arts.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Ex. outros 37 .” Análise do enunciado pelo prof. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. ele está atuando como órgão de caráter nacional.: art. sendo específica para os servidores públicos civis da União. assim. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Ex. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. 59. como aos Estados. distrital e municipal). X. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. §3º. Ex. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). no controle abstrato (ADI. da organização da União. por isso pode suspender leis também dos Estados. porém. se aplicando ao âmbito federal. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. no todo ou em parte. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. 52. só se aplicando ao âmbito federal). Sabe-se. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). CR). Assim. Ex. do DF e até municipais. está defendendo interesses apenas da União. portanto. quando o SF atua. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. São os dispositivos que se referem tanto à União. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. a suspensão. Quando o SF atua como órgão federal. mas não trata apenas dos interesses da União. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. os que tratam do TCU. Quando o SF suspende os efeitos da lei. ADC ou ADPF). pelo Senado Federal. É também uma lei emanada do CN. 19. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. também. etc. por isso pode suspender lei estadual e municipal.

SE e AM. 38 . então. de fato. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. em decisão definitiva. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). é a AL que suspende a lei. MS. Embora não haja consenso. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). pró-ativos (ex nunc). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso).346. Segundo o STF. . o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. de 10/10/1997. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. é a Câmara Municipal. RN. na sua esfera de competência. não retroativos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). os dois tipos são constitucionais.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. Poderá. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. Com efeito. 2º grupo: . ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. da AP Federal direta e indireta. declarando uma lei inconstitucional. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). adotou-se. visto que. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG).346. TO. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. Portanto. Entretanto. é sempre a AL que suspende a lei. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . porque o seu parâmetro não é a CR. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). por força do referido Decreto nº 2. no âmbito da AP Federal. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). visto que.

(23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. a competência é do TJ). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. onde não existem partes formais (autor e réu). 39 . São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: .: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). o duplo grau de jurisdição. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. 103. 5) Ação rescisória. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). mas sim legitimados. deve haver a previsão da legitimidade. de acordo com essas leis. em seu art. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. Como são ações de controle abstrato. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.ADPF. 4) Recurso da decisão de mérito. ou na CR ou na lei. . não cabe. ela é meramente jurisprudencial). salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. e não do trânsito em julgado. A Constituição. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. obviamente. que são a União e os Estados). e . tendo partes – autor e réu. Obs.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.ADC. . a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. a ampla defesa. ☺Lei 9.868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. Por se tratar de um processo de índole objetiva.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma).

PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. . A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Assim. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). ou seja. .Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia..S. . para ter legitimidade. CS e ECAN. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Para ter âmbito nacional. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). a partir de então. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando.Confederação sindical significa de âmbito federal. confederação local: sindicato.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício.A entidade de classe. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Obs. . tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. Executivo PR GE – GDF P.Os GE. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). . confederação regional: F. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. . segundo a jurisprudência do STF: . .O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. . Os demais podem fazê-lo sem advogado.A norma do art. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).

ou seja. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. 41 . Lei 9. direitos e garantias fundamentais. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. Ex. Não serão objeto de ADI e ADC. 102.☺art. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). . questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. I. 1º.TIDH (3/5 e 2T) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. admite-se o seu controle. todas estão no mesmo nível. nas normas que tratam de outra matéria). como por ex. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância.: decreto regulamentar do PR. a. sem interferência do PJ. ele poderá ser objeto. 102. por isso não é ANP).Norma formalmente constitucional . caso o decreto emane diretamente da CR. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). são questões próprias de RI. Obs.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. pois geralmente está abaixo do decreto. OBS. geral e abstrato. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. decreto regulamentar. 5º.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). .882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. I. §3º . estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. para ser objeto de ADC e ADI.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. a. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. o RI pode.

e. posteriores a 5/10/88. é preciso primeiro ser transformado em EC). ainda que ele proponha a ação – ou seja. 42 . 103. Assim. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Lembrar que não cabe assistência. Obs. ou seja. pode ser qualquer ato do poder público.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . se um novo PGR o substituir. poder-se-ia admitir o veto jurídico. sem exceção. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. só podendo ser objeto de controle difuso. Gilmar Mendes e de um prof. STF). §1º. de defensor legis. Hoje. §3º. Lei do DF não pode objeto de ADC. ainda. na outra. salvo embargos de declaração. como está havendo uma influência de um controle no outro. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. da mesma forma na ADPF. Tem status de ministro de estado. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. leis suspensas pelo SF. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). . o STF admitiu. Função geral do AGU (art. se seu entendimento for diverso. 103. não ameaça mais a supremacia constitucional. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. portanto está subordinado ao PR.leis revogadas. CR. § 3° é uma função especial. intervenção de terceiros e recursos. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). No caso de emenda. também poderá dar parecer em sentido contrário. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. Atuação do AGU: ☺art. medidas provisórias revogadas. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal).PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado.Súmula. CR. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. ele vai atuar como fiscal da Constituição. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. A função do art. devendo ser de todos eles intimado. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. segundo o STF. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. O PGR atua como “custus constitutionis”. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). 103. Mas. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. pois não produzem mais efeitos.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. não pode ser objeto de ADPF: . ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. Atuação do PGR: ☺art. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. . por analogia. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto.

Ele não é alguém interessado na causa. 7º. §3º. Na ADPF. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato.868. §1º. . A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. em seu art. Cabe também na ADPF. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. o das audiências públicas. Nesse caso. 7º. §1º. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis).Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. 43 . seria “amigo do tribunal”. A previsão expressamente contida no art. o AGU até poderia participar. sendo feita por toda a sociedade. art. só vai contribuir para a decisão do tribunal. não há o que se defender. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Foi introduzida pela Lei 6. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Não há previsão para a ADC e ADPF.868. 31).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato).385/73 (☺ art. mas não têm nada haver com amicus curiae. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. art.868/99 vale só para a ADI. 9.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. Está desempenhando uma função especial. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Na ADI por omissão. A exposição dos motivos da Lei 9. Portanto. portanto. Ela já existia antes. A audiência pública está prevista na Lei 9.868. por fim. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Tem natureza de auxiliar do juízo. §2º da Lei 9. Mas atenção: existe um outro instituto. Posteriormente. em especial no direito norte-americano. Amicus Curiae: Em uma tradução. §1º e art.884/94 (CADE). por analogia. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. não precisará do AGU para defendê-la. a Lei 8. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. 89. 20. 6º. nos estados que adotam a commum low. Mesmo sem previsão legal. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. disciplinou a figura.868/99 -☺art. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). 482. ☺ art. §2º e art. “amigo da corte”. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). É muito comum nos tribunais internacionais. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. Importante: ainda que como Advogado da União. o AGU não será obrigado a defender a lei. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. de “defensor legis” e. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). Quando o AGU desempenha essa função. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. 7°.

Mas depois que a lei foi feita. por ex. poderia afastar esta presunção.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. autor e réu. J. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. não tendo partes. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. R.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Barbosa e E. Aurélio. em despacho irrecorrível. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. ou seja. Gracie). 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. “a”. O STF ainda tem exigido pertinência temática. ressalta-se que esta é apenas relativa. Marco Aurélio não admitiu.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. porque iria envolver matéria em relação à vida. Foi uma exceção. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. . a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso.102. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. É. Obs. portanto. . a mais correta. cabe amicus curiae. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). . Surgiu com a EC/03. I. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica.. é um equívoco. seria uma exceção). 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. admitindo prova em contrário. ou seja.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. pois admitiu pessoa física em controle concreto. O juiz de primeiro grau. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. Lei 9. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. (Obs.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). segundo o professor.868/99. Quando 44 . Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. Mello. Apesar de que era relevante. M.Com relação à presunção de constitucionalidade. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Para o prof. Lewandowski.

e . Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.Princípios Constitucionais Sensíveis. §1º. . Como visto. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. não há que se declarar uma lei constitucional).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. Segundo a doutrina. nas outras ações ela também poderá ocorrer). . Gilmar Mendes. a Lei 9. .882/99.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). art.102. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. .Cláusulas Pétreas. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. e . para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. VII).U. o FHC ajuizou ADC. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão.). Não é uma ação de inconstitucionalidade. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. Portanto.868/99. no entanto.Princípios Constitucionais. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. 14. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. CR e Lei 9. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. portanto. é mais restrito: somente a violação. III). art. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. inclusive o Poder Executivo. II. P. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. Mas. ADPF: ☺ Art.14.Título I: Princípios Fundamentais. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. nos quais a lei esteja sendo discutida. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. Cabe prorrogação. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. na ADPF 33: .Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental.868/99. 45 . Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. 34.869/99.21. os preceitos fundamentais são: .Cláusulas Pétreas. O parâmetro. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. em seu art. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. Através do AGU. O STF admitiu ☺Informativo 518. . .

e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. Ex. 4°.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. na ADPF. ou seja. P. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. Ela vai ao juiz de primeiro grau.882/99). 1º. § 1° da lei 9. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo.U. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. 1º. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). O ato pode ser anterior ou posterior à CR. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.882/99. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Características: . as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. estadual e municipal. Aqui.: surge a partir de um caso concreto. como guardião da CR. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. Obs. Art. podendo ser um meio de controle difuso.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. leva a questão ao STF através de ADPF. Incluindo-se. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). Segundo Neri da Silveira. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. 46 . Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9.: gestante com feto com acrania. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Mas se algum dos legitimados souber da ação. apenas o STF. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. 196 e ao meio ambiente. dentro do órgão judiciário). como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. a vinculação é vertical. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. os legitimados podem levar não todo o processo. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. embora lá há uma vinculação horizontal. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. ainda. art. dentro do mesmo tribunal. Um dos legitimados. Proposta diretamente no STF.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. neste rol. O objeto pode ser da esfera federal. embora seja bastante difícil existir esse meio).Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade.

MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. No entanto. Ex. 5°. TSE/TER (art. STJ (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. para fazê-lo em trinta dias”. nas CE ou em lei federal). h). 102. Assegurar a efetividade de suas normas. Obs. coletivos e individuais indisponíveis (art. É controle abstrato. 5°.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). à soberania e à cidadania”. por ex. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. 121. 129. q). É controle concreto. .O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.Admite-se a fungibilidade. mas a converteu em ADI. 47 . em se tratando de órgão administrativo. .Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. . § 2º . o STF transforma a ADPF em ADI. à soberania e à cidadania). O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). V).: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. 105.CR: STF (art. É a mesma da ADI. ADC e ADPF (art. I. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. II e III).CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. I. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. LXXI .. O STF admitiu a ADPF. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . 103. § 4°.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. .

(☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. organização sindical. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. concretize a norma (faça a norma concreta).2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público.MI Coletivo: o STF o tem admitido. LXX: PP c/ CN. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. Se o PL) e. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. competente de sua omissão (em regra. O STF. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. Há. Recentemente. autores que admitem. em se tratando de órgão da AP. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . é b) Concretista: concretiza a norma. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. mudou seu posicionamento. ECAN e associação c/ 1 ano). em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. Mas atenção. ou seja. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. ou seja. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. Obs. portanto. apenas razoável e não peremptório. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. no entanto.Órgãos públicos. mas esse prazo era direito. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. portanto não podem impetrar MI. 5º. entes federativos e PJ dir. não pode concretizar a norma. . mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. recentemente. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. não pode fazer a norma para o caso concreto. público: MI protege dir. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma).: na ADI 3682 b. fundamentais em face do Estado.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir.

Ela se subdivide em – geral e individual. o PJ. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. como regra. criando uma norma geral e abstrata. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. 36. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. intervir nos Estados). continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Surge a partir do caso concreto. em um primeiro momento. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. 34. 680. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. III. No MI.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. o STF está atuando como legislador positivo. Essa corrente é bastante criticada. porque adotava a corrente não concretista). Portanto. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. porque nem a AIO tem esse poder. ademais. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. ou seja.040). CR (provimento. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. VI). A regra é o principio da não-intervenção. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. ao mesmo tempo. Recentemente. De acordo com esta concepção. pelo STF. 708 e 712). Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). não cabe liminar (antes. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. a intervenção é uma exceção (a União não pode. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. ou seja. 2. 34. 652. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. nestes casos de omissão parcial. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. A omissão total não cabe MC. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. ou seja. O efeito seria apenas inter partes. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. VII). o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. O STF adotou essa corrente no MI 232. Mesmo adotando a corrente concretista. 49 . e 2) recusa à execução de lei federal (art. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e.

O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. ☺art. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. Esta forma não foi prevista na CR. mas sim. portanto. O parâmetro aqui é mais amplo. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). §3º. 36. §2º. ☺art. nem no RISTF. o PR então poderá decretar a intervenção. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. IV. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. mas que surge a partir de um caso concreto. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. 125. CR. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. 35. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). § 1°. CR). Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. O STF é o guardião da CR. se o STF der provimento à representação do PGR. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. se violados. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. As partes aqui são o Estado e o Município. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. 127. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. É dispensada a apreciação política pelo PL. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). Isto está previsto no art. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. OBS. da ADPF). É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. STF). RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. e sim em face da CR. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). da decisão do TJ caberá um RE para o STF. 50 . 614. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. O RE. CR. que é o pressuposto para a representação interventiva. CR. é claro. além. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. no âmbito federal). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). foi uma criação da jurisprudência do STF. no âmbito do TJ.

São apenas órgãos aos quais se atribui. Assim. retira sua força do direito natural. pois o Estado decorre da soberania popular. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. social e juridicamente organizado. corroborando essa perspectiva. que deve observar o direito natural. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Bonavides. Schmitt). o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. em nome do povo. ou seja. por delegação popular. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Portanto. Para os jusnaturalistas. que formulou esta teoria no fim do Séc. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. expressa por meio de seus representantes. segundo o Abade Sieyès. Na 1ª etapa. segundo o abade Emmanuel Sieyès. cria o Estado. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. em alguns casos. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. Obs. Modernamente. a vontade do constituinte é a vontade do povo. pode usurpar do povo a titularidade do poder. Está acima do direito positivo. um dos precursores dessa doutrina. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. É ele um titular passivo. que é sempre superior aos poderes constituídos. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. analisa-se se o poder é legítimo ou não. mas jamais é quem o exerce. C.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. XVIII). a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Celso de Mello. que. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. porém. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Assim. o exercício dessa magna prerrogativa. editando a nova Constituição. é a nação.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. há legitimidade objetiva. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). Ele pode ser classificado em três espécies: 52 .Decorrente (art.Material . 11. para ser considerado legítimo. por conseguinte.Reformador (art. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. 25. já que o poder constituinte já é originário. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. 60. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo).Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . que é seu verdadeiro titular.Formal . apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. art. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. ADCT) .Revisor (art. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. Assim. correspondendo aos anseios daquela sociedade. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC.Revolucionário . se esta correspondência existir o poder será legítimo. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. ADCT. Obs. Espécies Tradicionais: . Portanto. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. 3º. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.: o prof. Dessa forma. CR) .Histórico .

: este poder tem este nome porque para o Direito. 1946. através da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. há alguns valores que são morais. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. O povo é o titular do PCOM. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). No caso do Brasil. GV). mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. 53 . Obs. b) é um poder inalienável. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. No caso do Brasil. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. foi criado um direito natural). pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. ela nunca deixa de ser do povo. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. Obs. Ex. que substituirá a anterior. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. independente e soberano. a nenhum pré-requisito jurídico. ou seja. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. No plano axiológico. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). 1937. é apenas uma classificação quanto ao momento. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. 1934. mas não a primeira e sim uma nova. 1988. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. Apesar de ser um poder incondicionado. não perde a titularidade do poder constituinte. através de normas constitucionais. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. ex. . 1967/69.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. O Abade Sieyes. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891.: se é um poder autônomo e incondicionado. Obs. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição.

De acordo esse limite. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. com os avanços da sociedade. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. na pena de morte. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). no art. ficando um pouco relativizada. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. observados os princípios estabelecidos na CR. No entanto. Não se trata de um limite jurídico. na verdade. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. 11 do ADCT. as constituições estaduais não são recepcionadas. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. não concorda muito com isso. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. Quando a CR consagra o art. 25. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. por ex. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). Ex. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Dentro desse limite. mas continua a existir como característica essencial deste poder. A partir do momento que a CR surge. 54 . A CR/88. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. O prof. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). Fábio Konder Comparato fala. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. a doutrina deduz deste art. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. 25. contudo. ele encontra limites no texto da CR. No caso da CR/88.. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Ex. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Esta AL. ☺art. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. mas meta jurídico (fora do direito). Obs. por se tratar de uma conquista da sociedade. Ainda que o estado seja soberano. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. aqueles sobre os quais há um consenso profundo.

não existe um modelo a priori de separação dos poderes.: presidencialismo x parlamentarismo). e o STF decidiu que não havia problema. §1º . § 3°). . que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. V ???) I) Expressos na constituição: art. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. 27. VII. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . vedada a recondução. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). 34. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. 57.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. 93. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. são essas as normas de repetição obrigatória. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. por enquanto. ou seja. Estão presentes no art. 61. Segundo o STF. diferente dos extensíveis. 75. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. § 1°. que se estendem aos Estados. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . §4º não é norma de observância obrigatória). mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex.). Se subdividem em: 55 .traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. mas foi uma decisão super apertada (6x5).: ☺art. Há dois grupos: (art. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. 58. II) Implícitos: CPI (art.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. 58. porque o art. CR. 57. Obs. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. processo legislativo (art. §4º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. Mas. 59 e segs. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. . Obs. composição. são as normas de auto-organização da União.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. CR.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF.

. . nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. CR.) – contém uma vedação expressa. . no entanto. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal.: art. 136). Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. cujo procedimento está previsto no art. CR. ou seja.não é inicial. Trata-se de um poder previsto na CR e. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . Ex.. E. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. portanto.é limitado.não é autônomo. 34). 137). .. . mas é possível deduzi-las. 37. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios.titularidade: é do povo. uma limitação temporal para o poder revisor – art. 60. decorre da lei e não da força. 3°.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. . Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.normas mandatórias: ex.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 19. Ex. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. .).: art.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. 60. . A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração. CR (é vedado à U. . II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .normas vedatórias: ex. ADCT).é condicionado. e se for decretado o estado de sítio (art. .: os arts. portanto.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. é conseqüente. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada...é um poder jurídico (e não de fato).exercício: é pelo CN. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. se for decretado o estado de defesa (art. §1º. DF e M. 56 . em qualquer estado da Federação (art.

no qual há 4 sessões legislativas.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. . 61. a PEC vai para a promulgação. CR). . é o de que o art.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). II e III) uma exceção à regra geral.Discutido e aprovado.A última limitação formal objetiva está prevista no art. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. 60. assim. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. 60 (incisos I. por fim. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). ademais. 60. §10). através da iniciativa popular (art. proposta rejeitada no dia 15/01. CR. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. ☺art. também podem propor projeto de lei o povo. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. 44. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. Ex. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. 61 é a regra geral de iniciativa. . Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). §2º). §5º. ☺art. 60. após a iniciativa. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. Este art. Obs. possamos usar o procedimento previsto no art.U. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. apenas o PR. não promulga. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. ela será chamada de extraordinária. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. não pode haver emenda de emenda. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. não veta. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. 61. sendo o art. a PEC será discutida em cada casa do CN. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. no âmbito do MP. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. 61. que é o período de 4 anos do mandato do PR. . para que. se a matéria for rejeitada. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. também chamadas de implícitas. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa.Feita a iniciativa. 67. . Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). 62. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. §3º.).Além do PR. A Sessão legislativa (art. o PGR. apesar de não existir previsão expressa. no âmbito do PJ. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. . não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre).A nossa Constituição é rígida. No caso de projeto de lei. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. §2º). o STF e Tribunais Superiores. do SF ou do CN. b) o entendimento majoritário da doutrina. . GE. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. 60. P. DF e DE. 57 . no âmbito do PE. no entanto.

A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. ademais. o voto não é universal. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. VI. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Ou seja. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. o que é secreto é o escrutínio. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. 60. Expressas: ☺art. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. universal e periódico. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. 58 . §4º. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. Universal e Periódico: . a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. Secreto. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). secreto. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. Curiosamente. o direito de participar das eleições. As cláusulas pétreas são. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. b) Preservar a identidade material da Constituição. c) Voto Direto. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. que é o modo como se realiza o exercício do voto. São as chamadas cláusulas pétreas.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. na verdade. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. mas sim. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. . que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o que é universal é o direito de sufrágio. CR. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. c) Assegurar o processo democrático. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. a). conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). 150. . A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. não é secreto. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Se elas não existissem. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. pois.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição.

por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. 60. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art.Há quem defenda. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. Chama-se dupla revisão. pois seria uma forma da fraudar a constituição. O art. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. 60 poderia ser modificado. 60. O prof. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. é o art. sendo uma garantia individual. far-se-ia uma EC revogando o art. 60 seria CP. não tem nada a ver com CP). Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. não o serem). e não em direitos e garantias fundamentais. ADCT). Ex. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Obs. . CR). todo o art. não alterando-o). III. 2º. por isso.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. 150. não concorda. CR. para posterior alteração do conteúdo. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. (23/04/09) 2. b. comportam diferentes interpretações. Assim. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. ou. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. CR. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. e por conseqüência. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. Lá estão as limitações ao poder reformador. sistematicamente. que não é unânime na doutrina. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional.: primeiro.: FGTS. mas os demais não (ex. por uma questão lógica. com a dignidade da pessoa humana. Assim. posteriormente. em princípio. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. pois. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . 5º. como um todo. segundo a qual o art. CP). Os direito fundamentais se encontram. não seriam cláusulas pétreas. inclusive. Os demais direitos e garantias fundamentais. Mas o STF já considerou que o art. é CP. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). A CR fala em direitos e garantias individuais. §4º. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. . Um exemplo.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. dispostos do art. 5º. que proíbe a pena de morte. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. Para ele. são CP. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. mas refere-se a uma reforma. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial.

3º. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. O direito adquirido pode ser relativizado. a constituição atinge prestações vencidas. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. esse era o entendimento do STF. não sendo um princípio absoluto. A retroatividade mínima é automática. tem que haver previsão expressa na constituição. CR). c) Máxima: a retroatividade não é automática. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. mas seus efeitos surgem após a constituição. O ato ocorreu antes. em sentido formal. Antes da CR/88. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. excepcional e transitória de alteração da Constituição. Revisão é a via extraordinária. XXXVI. 60. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. o STF tem entendimento unânime. .Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. não abrangendo apenas leis em sentido formal. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. Ex. não abrange EC. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. Ex. 5°. 3º. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. Ex. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. ☺art. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. A limitação imposta no art.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. em sessão unicameral. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). mas também emendas à constituição. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. portanto. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). 3º. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. mas ainda não pagas. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Com relação ao assunto acima. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). tem que haver previsão expressa na constituição. art. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . contados da promulgação da Constituição. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. b) Média: a retroatividade não é automática. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. 60. 3º. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. ADCT. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. e de forma geralmente mais extensa. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. especificamente. Além disso. circunstanciais. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. 61 . §§1º e 4º).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

b) Histórico: no seu desdobramento. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Por isso. mas apenas valores: o preâmbulo. esse método também é conhecido como método valorativo. como início e limite para a interpretação. aqueles desenvolvidos por Savigny. 65 . e não isoladamente. Toda norma está dentro de um sistema. Constituição da República. como todas as demais. Por isso. Não existe uma norma jurídica sozinha. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. devido à complexidade da interpretação constitucional. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. para o direito público. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). portanto. É o início de uma interpretação. eles são suficientes. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Imagine a Constituição norte-americana. e os valores fossem o seu espírito. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. entra o elemento histórico evolutivo. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Esse método não é apenas sistemático. partindo da idéia de sistema. com algumas peculiaridades. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. só tem alma. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. esses elementos são insuficientes. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Ex: princípio da não contradição. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. para o direito privado. 52. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. O texto da norma funciona. Além disso. X. é também o limite para a interpretação. Buscam os valores subjacentes à constituição. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Ela não tem normas jurídicas. Nele estão os valores supremos da sociedade. O grande problema é que. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos.

de argumentação. lugares comuns. certa insegurança jurídica. da doutrina. a favor e contra. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. Ex. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Por isso. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. cujo plural é “topoi”. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. dos princípios gerais do direito. ele também é conhecido como método sociológico. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). vence o argumento que for mais convincente. que contraria o positivismo jurídico. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. acaba fazendo com que a interpretação seja variável.. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. mais um 66 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. Os topoi são esquemas de pensamento. de casos que comportam mais de uma solução possível. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. 2. Este problema será solucionado pela argumentação. Problema é a questão difícil. Ex. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. do senso comum. como. enfraquece-se a força normativa da constituição. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. que é apenas mais um topos. formas de raciocínio. os operadores do direito servem-se de topoi. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. → Crítica: feita por Canotilho. ou a de que um é mais correto do que o outro). da jurisprudência dominante.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). os quais são submetidos a várias opiniões. mas sim diante de problemas. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. por ex. ou seja. o que geraria uma grande insegurança jurídica). porque trabalham não com a idéia de sistema. pontos de vista ou lugares comuns. pois comporta mais de uma solução possível). Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. Se se permite interpretações divergentes. como ocorre neste método. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. Violação de correspondência de presos. Isso gera certa instabilidade. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Esses pontos de vista. Assim. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Assim. Ex. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes.

são coisas diversas. Além de serem métodos aporéticos. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). interpretação e aplicação constituem um processo unitário. ao lado de Hans Kelsen. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. não podem ser utilizados de forma abstrata. por serem métodos concretistas. São métodos indissociáveis. diferentemente dos dois primeiros. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. quando se fala em hermenêutica. Hermenêutica e interpretação não se confundem. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. devendo-se fazer uso de outro método. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. Ocorre que. Os métodos III e IV. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). ainda que dos mais importantes. este método não poderá ser aplicado. Ele parte. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. e o problema concreto a resolver. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. A principal diferença. a compreensão prévia do intérprete. sua aplicação a casos complexos. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. Assim. e sim na sua concretização. Para este método. Assim. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. não se deve falar em interpretação constitucional. na sociedade aberta de intérpretes. que a questão não seja simples. de única solução possível. porém. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. são também métodos concretistas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. como já vimos. se for caso de lacuna. mas em concretização). é preciso que haja um problema. ou seja. 67 . (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. e concretizador à aplicação. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. é bom lembrar. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Método concretista. pois. Não se pode separar as duas coisas. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete).

→ Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. limita a interpretação. pois. mas também na sua interpretação. traduzido pelo Min. mas a toda a sociedade. bem como a quebra da unidade constitucional. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Segundo o autor. Quando ele fala em democratização. 68 . Essas duas figuras podem ser. Assim. em regra. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Judiciário. Ainda que a Corte seja o intérprete final. ao mesmo tempo.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. ele na verdade não o é. Não diz respeito aos critérios de interpretação. por sua vez. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão).Elementos do âmbito da norma . todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Fala-se que são utilizados. A democracia deve servir não apenas para a criação. mas refere-se àqueles que podem interpretar. aberta a toda a sociedade. mas também para a interpretação da Constituição. A norma é o mandamento. Segundo ele. . O que ele chama de domínio normativo. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . é a realidade social tratada pelo texto da norma. a norma só surgiria após a interpretação do texto. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. O texto não tem o comando. Friedrich M. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. regulada pela norma. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. ele dirige e. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Para ele. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. Na prática. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). Paulo Bonavides o tratar como um método.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. é o comando que se extrai da norma interpretativa. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. O texto tem duas funções muito relevantes. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). que têm legitimidade para a interpretação. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Gilmar Mendes). para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).

sem modificá-la. Entende que. 69 . vinculante e obrigatória. do povo. preocupado com a segurança jurídica. Esta questão está ligada à separação dos poderes. o poder legislativo é claramente fraco. Por isso o judiciário tem ganhado força. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. norma e fato. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. Assim. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. no Brasil. superado o valor da norma). Na verdade. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. que corresponde à vontade do constituinte originário. No pós-positivismo. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Também denominado de originalismo. textualismo e preservacionismo. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. 3) Existe uma única resposta correta. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. surge a idéia de norma (gênero). Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). que se subdivide em princípios e regras. Segundo Conrado Hubner. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. Assim. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. bastante discutido nos dias atuais. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. como a constituição é feita por representantes do povo. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. quando interpretada. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Em virtude do caráter normativo dos princípios. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. A segunda corrente. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). os direitos têm que ser iguais para todos. Após. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). surge o Positivismo Jurídico. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. A norma. mas de forma concreta. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Hoje.

A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. Elas se aplicam de acordo com a subsunção. genérica. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. 70 .Princípios. → Regras: são “mandamentos de definição”. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes.generalidade . Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. há uma subsunção lógica.Postulados. ou seja.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. e . A norma é um gênero e. Ambos são normas. peso ou valor. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. Ex. ou seja.Regras. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e.: aposentadoria compulsória.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . apenas os princípios possuem a dimensão da importância. As regras possuem aplicação automática. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. quando se vai aplicar um princípio. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). Assim. que apontam para o sentido contrário. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. dentro do gênero norma jurídica. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. será invalidada. Eles não definem a medida exata. é preciso saber quais são as normas opostas. em havendo um conflito no âmbito da validade. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. que envolvem a aplicação deste princípio. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. O grau de abstração é a diferença. Alexy afirma haver exceções. como elementos do sistema normativo constitucional: . Para Habermas. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. impessoal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). . mas a medida do possível. princípios são “mandamentos de otimização”. . imperativa. . impõem resultados. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão).dimensão que eles ocupam (Alexy) . o que ocorre por meio da ponderação. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. bilateral). isto é.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. → Princípios X Regras: . Segundo Robert Alexy. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições.

Com base nessas premissas. embasados na supremacia da Constituição.: proporcionalidade.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Ex. por isso não são aplicados diretamente. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Segundo a LICC. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. nem estabelecem competência ou conduta. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Mas e os postulados? Segundo esse autor. 71 . Os postulados são denominados. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. de modo a realizar os valores nela consagrados. pela maioria da doutrina. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. Não estão na constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. também conhecido como antinomia de princípios. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. será feita a análise de alguns postulados que. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Eles não apontam um fim. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. interpretação conforme a Constituição. Nesse aspecto. como princípios. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. cronológico e da especialidade. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. É um conflito sempre no caso concreto. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. mas não têm a mesma função dos princípios. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência.

significa que as demais leis devem obediência a ela. e. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. o Chefe do Poder Executivo. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. E. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. quando entender que uma norma é inconstitucional. No Poder Legislativo. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. na dúvida. Se a constituição é a norma suprema. Se há mais de um significado. Ou seja. pode deixar de aplicar a norma de ofício. é necessário que a Constituição seja rígida. no Poder Judiciário. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. se entendê-la inconstitucional. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). No Poder Executivo. Toda Constituição tem supremacia material. excepcionalmente. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. Se o texto tem apenas um significado. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. não tem como fazer interpretação conforme. Não se retira a lei do ordenamento. Excepcionalmente. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. no controle difuso. Da mesma forma. pode ser exercido através do veto jurídico. para ter essa supremacia. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. significa que ele é unívoco. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. pois existe uma presunção de constitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. No Brasil. ficam vinculados àquela decisão. deve optar pela constitucionalidade. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. A 72 . Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. o Poder Judiciário. assim. o Princípio da Supremacia da Constituição. na dúvida. a lei deve ser declarada constitucional. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Essa presunção é relativa (iuris tantum). tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). por ser presunção relativa. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. presume-se que agiram de acordo com ela. Ele pode negar a aplicação da lei. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. como no âmbito do Poder Executivo e. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Todo projeto de lei passa por um controle.

defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Ex: Brasília é a capital federal. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. essa corrente é chamada de “subjetivista”. existem.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. necessário harmonizar esses dois princípios.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. Portanto. Geralmente. Segundo Kruger.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. a norma inferior. passando ela pela constituição. Obs. é conhecida como mens legis. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. logo é conhecida como corrente “objetivista”. pois. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. 81. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. É como se filtrasse a lei. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. mas. Na verdade. normas superiores e normas inferiores. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Em uma sociedade democrática e pluralista. num estado democrático. Isso é impossível. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. poderia declarar o art. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. ao mesmo tempo. Outro ex. na constituição. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). b) Fim pretendido: . etc. . A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. Ao se admitir que essa norma é superior. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Busca a vontade do objeto interpretado. que busca a vontade da lei. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. 73 . isso não ocorre. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. prevalece a vontade da lei. Logo. é necessário observar os valores consagrados na constituição. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Hoje. há várias tensões entre as normas constitucionais. defender uma corrente subjetivista é muito difícil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. §1º. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Antes. Hoje em dia. Temos o voto direto como cláusula pétrea. de direito previdenciário. sendo. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. A segunda corrente.

valores. O relator indeferiu a petição inicial. O Juiz irá ver. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. no caso concreto. deve-se buscar essa concordância prática. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. O STF declarou constitucional. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. se ambos estão consagrados na Constituição da República. e voto pelo CN é a exceção. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. Assim. Eles são muito parecidos. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. violava a liberdade de exercício de comércio. ou seja. Ex: voto direto é a norma geral. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. qual dos dois grupos tem um peso maior. inclusive. as duas normas têm conflito entre si. princípios ou valores. Nesse caso. ele se basearia no princípio da unidade. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. interesses. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. §1º. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. aplica-se o princípio da Concordância Prática. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. criando um efeito conservador da unidade. que é anterior à Constituição da República. Abstratamente. O STF analisou 02 casos: a) Art. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Pode ser usada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Sempre que possível. bens ou interesses. Uma existe ao lado da outra. é necessário utilizar a ponderação. Essa lei. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. pelo legislador. Segundo este princípio. 74 . tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Se ele entrasse no mérito da questão. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. a integração política e social. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. Quando se tem uma colisão entre bens. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. O que é isso? É semelhante a uma balança. e não em abstrato). na hora de se interpretar a Constituição. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. 45. O que tiver o peso maior irá prevalecer. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça.

Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. da tortura. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. sendo o guardião da constituição. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. não. Ex.: a proibição da pena de morte. não se aplicando para a interpretação constitucional. não. 75 . VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. por mais importantes que sejam. que contribua para o debate de interesse geral. ou seja. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. 343. a privacidade deve ser preservada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Deve haver uma cedência recíproca. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. poderia fotografar. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. proporcionando-lhes uma força otimizadora. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. Exs. eis que ambos se relacionam. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. às vezes. para que outros direitos sejam assegurados. STF não foi abandonada. cabe ação rescisória (obs. O importante é saber que todos os princípios. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. do contrário. até uma compreensão equivocada. mas também a ratio decidenti. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. 2) relativização da coisa julgada: o STF. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. do trabalho escravo são regras. e não princípios. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. Caso contrário. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. mesmo que a pessoa seja pública e em local público.: a Súm. Ex: Se tiver na praia.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. na academia. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”.

Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. o desempenho concreto de sua função social. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. a função social para a qual foi criada. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. 2) Direito de greve. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. . validade é. . é também conhecida como eficácia jurídica. sobretudo o Tribunal Constitucional. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF.br: download de questões – Hot site do professor Novelino.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). Este princípio. CR/88 (aplicação imediata). Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. 5º. é também conhecida como eficácia social. a qual significa a realização do direito.com. . 4. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. §1º. Exs. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. no Brasil.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade.335/AC. 76 . É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . pois. Ver no Site Editora Método.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.

É um princípio implícito. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. maiores hão 77 . CR. No Brasil. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). ou seja. Não é o entendimento mais cobrado em provas. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. em sua origem. pois. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Para Jellinek. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. Ele está ligado. para que o Estado não atue de forma arbitrária. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. desproporcional. 5º. Para que um ato seja considerado proporcional. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Se o ato for desnecessário. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. utiliza-se o termo razoabilidade. dentre os meios existentes. do Prof. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. deveria conceder uma autonomia maior. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. Nos sistemas da commum Law. uma restrição à liberdade só será possível se. Na Alemanha. não está textualmente consagrado. Alegam que a restrição seria desproporcional. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. Ex. será também desproporcional. utiliza-se o termo proporcionalidade. Ex. por isso sua importância. uma densidade semântica que ele não tinha antes. mas apenas como menções. É uma influência do direito norte-americano. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. LIV. à garantia do devido processo legal. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. 1º. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. ele tem que ser adequado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. não se deve abater pardais com canhões. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. É uma influência do direito alemão. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. ☺art. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. Assim. apto para atingir o fim almejado. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo.

pode ser chamada de proibição do excesso. Nesse caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Há uma outra face desse princípio. 78 . Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. que é chamada de proibição de insuficiência. o poder público age aquém do que deveria. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. ou proibição por defeito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. A face acima exposta do princípio.

porém. Situa-se no domínio da história ou da política. não é norma de repetição obrigatória. Esses princípios sim. sendo. refletindo posição ideológica do constituinte. mas é a tese por nós adotada. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. 79 . o Brasil é um país leigo. O que acontece é que o preâmbulo contém. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. portanto. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. não tem relevância jurídica. caráter normativo e. Como se sabe. o preâmbulo. anteposta ao articulado constitucional. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual.. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. Em âmbito estadual. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. pois. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. portanto. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. Ocorre que todas as constituições brasileiras. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. proclamação mais ou menos solene. não é componente necessário de qualquer Constituição. qualquer religião oficial da RFB. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). inscritos na Constituição. É uma corrente intermediária em relação às demais. dado que. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. O nome não é o mais apropriado. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Não tem. Para o STF. laico ou não-confessional. mais ou menos significante. O min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. mas no domínio da política. não tendo força normativa. incidirão na ordem local. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. reproduzidos ou não na Constituição estadual. Não contém. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo.. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. relevância jurídica. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. apresentado de forma não articulada. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. não existindo. Assim. com exceção das de 1891 e 1937. pois. de regra. No Brasil.

enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. 80 . Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. fundada na harmonia social e comprometida. o bem-estar. Esta é a sua natureza. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. na ordem interna e internacional. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. a liberdade. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. a segurança. com a solução pacífica das controvérsias”. pluralista e sem preconceitos. o desenvolvimento. Ao estabelecer os valores supremos. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.

destaca-se a de José Afonso da Silva. mas admite lei. isenções (art. Ela não depende de lei. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. no Brasil. 184. 128. §5º). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). P. dentre as quais. Quando se fala em aplicabilidade imediata. 53). por sua vez. §5º). A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. que “contenha” o seu conteúdo. prerrogativas (art. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). é uma NEP? Não. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). Não depende de regulamentação. imediata e integral. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta.U. 95. (É a mais cobrada em provas).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. A integralidade. possivelmente restringível ou redutível. A NEC. vedações (art. Uma NEC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. que poderá variar conforme o seu enunciado. apenas 81 .: normas que estabelecem imunidades (art. Exs. → Normas de Eficácia Contida: O prof. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. enquanto não for restringida por lei. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . Não são a mesma coisa. enquanto não for restringida. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. como se poderia imaginar). Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. O que as difere é o grau desta eficácia. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto.

é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. Exs. caracterizadas justamente por este tipo de norma).: art. poderá criar impostos residuais. 37. ☺art. O caput do art. VII. mas o seu §1º. 9º dá a entender tratar-se de NEP. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. esclarece que trata-se de uma NEC. A NEC pode ser restringida: . etc. 3°. II e III deste mesmo art. art. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. mas não é uma NEP.. interesse social. e art. P. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. são NEP (como são as normas dos incisos I. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. é obrigatória.: ordem pública.Facultativas: ex. VII. mas dizer como esse direito será exercido. se quiser. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. VII (direito de greve dos servidores públicos). ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . que a regulamente. 37. – ex. etc. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. segurança nacional. 37. Indireta porque depende de uma outra vontade. conforme a lei. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. 95). A norma constitucional tinha eficácia. art. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. necessidade ou utilidade pública. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. em regra. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. Ex. ofício ou profissão. 136 e 137).por lei (ex. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo.: art. É indireta ou mediata. e não quais são os meios para se atingir o fim. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. etc. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. 95. 102. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). eis que estabelecem o fim a ser atingido. . PU: União poderá delegar aos estados. XII c/c arts. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei).).por conceitos de direito público (ex.Impositivas: ex. que não é norma). 154: a União. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. . O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. quais são os efeitos. As vedações. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. mas não disse quem pode propor.U. que faz parte da mesma norma. CR.: art. XXIII e XXIV).: art. que dirige os rumos do Estado. de forma que antes da Lei 9. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. XIII. A lei não irá restringir o direito. não há omissão inconstitucional. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. ☺art. Não é apenas um conselho. art. 82 . e mediata porque depende de alguma condição. 5º. mas pode ser). 5º.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. Neste caso. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. . Se ela fosse uma NEP. XXII. 5º. Assim.U. mas. 9º. art. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.: trata de vedações que são impostas aos juízes. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. art. ela nunca poderia ser restringida. Ex. 22.por outra norma constitucional (ex.

a NEL produz efeitos: ela exige lei. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. tem eficácia. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. ademais. Assim. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. exaurem sua eficácia. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). as Cláusulas Pétreas. uma eficácia negativa (e apenas esta. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Diz que o direito se auto produz. 83 . 2º. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Por isso não dependem de outra vontade. pois. ADCT.: As NEP. Elabora-se uma norma genérica. imediata e integral). ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. Obs. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. OBS. Uma última classificação. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. cumprida a sua finalidade. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. mencionada por alguns autores. também conhecidas como normas super-eficazes. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. não depende de outros sistemas. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. porque ela não tem eficácia positiva). Traduz um sistema fechado. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta.: art. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). Ex. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Para ela. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. São as normas do ADCT. antes da lei ser feita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. Marcelo Neves critica essa concepção. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis.

84 . com o caráter de normas constitucionais.: ☺art. Assim. e sim como normas ordinárias. quando do surgimento de uma nova Constituição. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. § 1°. ou seja.P → A.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. §2º (que fala do Colégio Pedro II. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização.N. podendo. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. sempre que nasce uma nova Constituição. como normas infraconstitucionais. parte final). art. caso compatíveis com a nova Constituição. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. Faremos o estudo de alguns institutos. por esta teoria. → CR → A.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. Ex. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). serem recepcionadas pela nova Constituição. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade.N. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. porém. não. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. Quando uma nova constituição é criada. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. 242. 2°. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. também limitado juridicamente). aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. CR. XXXVI – “lei” em sentido amplo). Como se percebe. as leis infraconstitucionais. com pequenas exceções. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. nada impede que a norma constitucional. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. Assim. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. o STF entendeu que. 51 do ADCT. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. desde que haja expressa previsão. tenha retroatividade média ou máxima. deve existir expresso pedido na Constituição. Ex. sendo regra a retroatividade mínima. IV. dentre outras. 7º. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”.: art. diante da aplicação imediata. 88 . têm retroatividade mínima. Assim. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. Como outro exemplo de retroatividade mínima. vale dizer. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). como é o caso do art. 7º. 5º. IV. para tanto. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. c) por outro lado. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. vale dizer. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. que. Contudo. por regra.

conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. Sob o ponto de vista dogmático. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. assim. em um todo sistemático. é obvio. os quais estabelecem a sua forma. diverso e opostos. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. seja como diretiva na solução de casos concretos. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. sobretudo. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Desse modo. Em situações novas. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. a menos. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. ainda não regulamentadas de forma mais específica. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. o que os coloca numa posição de superioridade. a divisão de seus poderes (art. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. por conseqüência. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Executam.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. Dessa forma. não só das ações dos poderes estatais. De uma forma geral.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. é claro. 1º). e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. estrutura e fundamento (art. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. 2º). como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. da função positiva que 89 . como também ao exercício abusivo de certos direitos. atuando como um limite. pois servem de critério para o legislador que. ao elaborar as leis. 4º). pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. seja como orientação para progresso da legislação. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo.

sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. sendo criados novos critérios distintivos da República. A baixa densidade semântica. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. 34. aos entes que compõem a federação. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. a Constituição veda. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. CR). o direito de secessão. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. esses conceitos foram se esvaziando. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. quanto para o legislador na elaboração das leis. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). Com o passar do tempo. redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. No tocante ao Poder Executivo. DF e Município. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. 90 . 1º. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). que reinava de forma absoluta e irresponsável. I). do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização.

a vontade popular representada pelo parlamento. ainda. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. a independência dos juízes. seja através de representantes. à questão perene da Justiça. sob as circunstancias transitórias. a legalidade da Administração. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. Em um Estado democrático. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. Em um Estado de direito. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. No Estado material de direito. Sob o aspecto material. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. seja diretamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. 91 . Aqui. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. não apenas os indivíduos. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. ou. No que se refere ao princípio democrático. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. não é absoluta e ilimitada.

exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. independente. na ordem internacional. 6º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. o indivíduo se sente útil e respeitado. no plano interno. por não ter de acatar. 92 . uns para com os outros. No plano externo. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. por essa razão. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. em nenhum momento podem ser colocados de lado. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. na ordem internacional. A soberania externa se refere à representação dos Estados. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Todavia. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. Por essa razão. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. Supremo. a soberania migrasse do soberano para o povo.

com a queda do comunismo. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. 17). 206. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 220). a sociedade pluralista é. Fruto da concepção liberal. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. I). que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. a de opinião. derradeiramente. de idéias e de instituições de ensino (art. partidário (art. Mais tarde. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. uma sociedade conflitiva. a partir do início da década de 90. deve constituir o seu objetivo supremo. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. conforme os ditames da justiça social. Este fundamento é concretizado. A escravidão. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. a filosófico-religiosa. 3º. independentemente de autorização de órgãos públicos. 170). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. É ela o valor supremo que irá informar a criação. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. de reunião e de associação. por natureza. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. político (art. artística. 215 e 216) e dos meios de informação (art. a profissional. ao contrário. passando a se revestir de normatividade. assim. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. justa e solidária (art. de comunicação. 170). a Constituição. salvo nos casos previstos em lei. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. a de informação. 93 . e. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. cultural (arts. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. a intelectual. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. a tortura. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. III). dentre elas. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. 1º). a sexual. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). o que pode levar a divisões irredutíveis. Por essa razão. mas. Por isso. ainda. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. científica. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. de interesses contraditórios e antinômicos. é um princípio básico do liberalismo econômico. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista.

mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). sexo. cada vez mais. mas também a de que o Estado garanta. Poder-se-ia dizer. a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. seja por terceiros. sua existência material. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. moradia. à dignidade da pessoa humana. não como um fim em si mesmo. ou para com a pessoa. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). a todo e qualquer cidadão. mas um atributo que todo ser humano possui. A dignidade da pessoa humana não é um direito. na medida em que procura representar um subconjunto. Por isso. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. Esta acepção. Por outro prisma. condição social ou qualquer outro requisito. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. ligada ao valor liberdade. ligada ao valor igualdade. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. e. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. idade. o acesso aos valores. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. etc. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. econômicos e culturais. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. mas. Portanto.) imprescindíveis para uma vida digna. possui um caráter positivo. Todavia. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. o que significa dizer que na criação. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. dentro dos direitos sociais. Portanto. menor (minimizando o problema dos custos). vem sendo denominado de “mínimo existencial”. por exigir uma abstenção. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. educação fundamental. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. por outro. em alguns casos. independentemente de usa origem. não apenas por parte do Estado. possui um caráter negativo. Assim. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. mas também dos particulares. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. em um primeiro momento. Esta acepção. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). mais importante. 94 . seja pelo próprio Estado. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. que seja efetivamente exigível do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”.

pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. 14 e seguintes). 12 e seguintes). . Para que o cidadão participe da vida política do Estado. ligados à liberdade. consagradas ao longo das constituições. portanto. devido à escassez de recursos. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida.direitos sociais (art. CF/88. Visam proteger o valor igualdade. . O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero.direitos prestacionais: são. 6° e seguintes). basicamente. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. igualdade e dignidade. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. 95 . uma constitucional e uma doutrinária. São direitos ligados à cidadania. .direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. à participação política. estão consagrados em normas de eficácia limitada. CR/88). que divide os direitos fundamentais em: . . mas também no art. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. . 5°. 5°. Em sua maioria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. consagrados no plano internacional. O Estado deve fazer escolhas trágicas. os direitos sociais (arts. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. são os direitos individuais consagrados no art. Essa classificação é legislativa.direitos políticos (art. 6º ao 11. exigem prestações materiais ou jurisdicionais.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado.direitos à nacionalidade (art. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes.direitos individuais. 6° e 7°). Já os direitos humanos não possuem essa divisão. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. Têm caráter positivo e negativo. devido ao custo de serem prestados. Assim. Enfim. Em sua maioria. . Têm um caráter negativo. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. a diferença básica se refere ao plano de consagração. do qual são espécies: . Em termos materiais. pois surgiram em uma única época. Exigem uma atuação positiva do Estado. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos).

a autodeterminação dos povos (art. queria que ele respeitasse suas liberdades. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. os direitos prestacionais. Por isso. Não houve substituição de uma geração por outra. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Têm caráter negativo. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. por exigirem uma prestação do Estado. Ou seja. igualdade e fraternidade (nesta ordem). Exigem uma ação do Estado. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. → Igualdade: Direitos Sociais. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. São basicamente os direitos individuais. Como vimos. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. da solidariedade entre países ricos e países pobres. direito de comunicação. movimento encabeçado pelo proletariado. 96 . Os direitos de defesa. CR/88). pois. já os de 2ª geração não. econômicos e culturais. e geralmente em normas auto-aplicáveis. então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. segundo Jellinek). Obs. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Esta é a sua preocupação principal. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. São considerados basicamente como direitos coletivos. A 3ª geração. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. à autodeterminação dos povos. exigindo uma abstenção. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Tais direitos têm caráter positivo. 4º. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Estão ligados. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. diretamente à igualdade material. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. e a dele é a mais cobrada em concursos). Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Têm como objetivo. são direitos de caráter negativo. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. diante da necessidade de cooperação. de 1789: liberdade. XX. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. enfim. Eles foram surgindo com o passar do tempo. XVIII. Exs: direito ao meio ambiente. ao lado da 4ª. das gerações. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. como a família. São chamados direitos civis e políticos. portanto. ao desenvolvimento ou progresso. e estas gerações coexistem atualmente. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. sobretudo de princípio programático).: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. por exigirem uma abstenção. Vejamos quais foram as gerações. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. a imprensa livre e o funcionalismo público.

artístico. Ou seja. Os argumentos contrários a esta união. → Globalização: direito à democracia. que seria a vontade da maioria. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. a fixação da garantia. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. esta alteração não foi feita em seu livro. e isso acaba por prejudicar as minorias. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. as disposições assecuratórias. traz direitos ligados à pluralidade. com a declaração do direito”. quiçá quanto a 5ª. Afora esta peculiaridade. em defesa dos direitos. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada.: quanto ao direito à paz.P. Ele abrange um pluralismo religioso. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. ocorrendo não raro juntar-se.I. Paulo Bonavides. Ou seja. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. outros são difusos). são direitos difusos). mas há divergências na doutrina quanto a isso. inclusive das minorias. Esta geração de direitos advém da globalização política. V. o prof. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. na mesma disposição constitucional ou legal. ☺ADPF 132. o direito a adoção. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. 1º. as demais características são tratadas pelo prof. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas.). Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. etc. de ideologias políticas e partidárias. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. à informação e ao pluralismo (D. Ex. limitam o poder. conserva nossas identidades. estas as garantias. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. ao analisar a Constituição de 1891. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. ele tem uma importância muito grande. de conteúdo). Aquelas instituem os direitos. à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. que alguns dizem trazer os direitos à internet. que são as que. como os previdenciários. São também direitos transindividuais (em sua maioria. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. um pluralismo cultural. Assim. os direitos de família. CR/88).: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Por isso o direito à democracia é tão importante. Ele preserva. 97 . Além desse aspecto. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). Porém. um pluralismo ideológico. Ao lado da vontade da maioria. Em uma ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. de orientações sexuais. Quando se fala em pluralismo político. caso violados. Quem tem o papel contra-majoritário. econômico. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões.

ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais.Historicidade: possuem caráter histórico. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. os apátridas e as pessoas jurídicas.direito ao juízo natural (direito) – o art. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex.: direito de propriedade versus desapropriação). decidir qual direito deverá prevalecer. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. Normas positivas. nascendo com o Cristianismo. no caso concreto. O caput do art.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). . na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. portanto. muitas vezes. como é o caso. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. . havendo. Contudo.: HC.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. 5º. coarctando.). ainda que não individualistas. HD. Nada impediria. é claro. são indisponíveis. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. XXXVII. de modo indiscriminado. uma vez consagrado o direito. se o direito garantido não possui alguma especificidade. .Universalidade: destinam-se. mas nunca a sua renunciabilidade. ou caberá ao intérprete. Isso porque. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. emite uma opinião (direito de opinar). sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. que só pode ser proposta pelo cidadão. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. quando.. conjugando-a com a sua mínima restrição. Obs. conflito de interesses. Exemplos: .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. 98 . 5º. através da interpretação sistemática. ilegalmente preso.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. os estrangeiros não residentes. . não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. ou magistrado. a todos os seres humanos. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). etc. como é o caso da ação popular. confronto. por ex. Se são sempre exercíveis e exercidos. juntamente. . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. no caso concreto. Deve-se observar. .

eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. mas. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Posteriormente. ordem pública.). de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Assim. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. fática e juridicamente. 5º. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. só trazendo relações entre o Estado e o particular. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. então. §1º. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. 99 . sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. No entanto. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. não dependendo de legislação. pois. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. fala-se. para isso. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). mas o pressuposto do qual ela parte). → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Ingo Sarlet afirma que o art. analisando caso a caso. §1º. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Não se admitiria. etc. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. 5º. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. então. causando uma desfiguração no direito privado. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade.

243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”.HC 12. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. tão somente pela falta de previsão. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. que não adota essa teoria). Deve-se aplicar tanto esta teoria. mesmo realizando atividades idênticas. esta teoria seria a mais adequada. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. então. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. muito abertos. não sendo necessária uma intermediação legislativa. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.700. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. Para a realidade brasileira. A autonomia da vontade requer tal ponderação. Ainda se trata de uma questão muito nova. etc. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . Espanha e Portugal.) . ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). no entanto.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. Assim. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. de uma forma geral.Resp. O juiz. a proteção tem que ser maior. . através de princípios. Os DF são expressados. .243/DF. 249. A jurisprudência. isso poderia causar uma série de problemas.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. e. como a segunda.858. se exteriorizam. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. mas ainda não há decisão quanto a isso.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. devendo sobre eles prevalecer. contrato de adesão. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. . devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. ainda que esta regulamentação não exista. Se. é possível a sua aplicação com base na Constituição. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Segundo Virgilio da Silva. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. Determinação de observância do Princípio da isonomia. Mas. a aplicação será indireta. quando há uma relação de igualdade real na relação.24. . para que os princípios pudessem ser concretizados. E como os princípios são muito vagos. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.*RE 161.: empregado e empregador. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. houver uma desigualdade fática. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.☺RE 161. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. . Em contrapartida.RE 201. mas.RE 175. . Segundo esta teoria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. Se não houver uma previsão expressa na lei.RE 160.00 para R$ 86. em geral.RE 158.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. ☺art. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. III e art. 5º. 5º. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. à igualdade. Por isso. CR. pois. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. ☺art. Nos 78 incisos deste art. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Quanto ao caso do aborto sentimental (art. não há uma renúncia definitiva. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. por óbvio. Há dois entendimentos: 104 . 170. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). Esta questão é bastante clara.: esta segurança que o art. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. O direito a vida. um caso constitucional de violação de direitos. CP) a questão é um pouco mais polêmica. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. à segurança e à propriedade. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. também não pode ser renunciado. No caso do big brother. Porque o direito à vida é irrenunciável. como DF é pressuposto dos demais direitos. CR/88. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. pois a vida é uma direito irrenunciável. caput. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. 5º. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. XLVII. abre-se mão temporariamente à privacidade. à liberdade. A renúncia é definitiva. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. não há que se falar em não exercício). II. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Obs. 1º. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. um outro direito fundamental. 128. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. é. Este pode ocorrer. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa.

não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. 128). assegurando a autonomia da vontade. portanto. Para o direito brasileiro. CP não teria sido recepcionado pela CR. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. o art. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. mas sim interpretando a CR/88. por 7 votos a 4. nas quais não se tem uma opinião moral definida. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto.Direito à privacidade: 105 . deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. 3) dignidade da pessoa humana. por isso. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Ademais. é relativo. então. A questão ainda está sendo discutida no STF. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. insuficiente para a proteção do direito. mas de modo geral). Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. o feto não tem a menor chance de sobrevida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. mas sim da acrania. a morte não decorre do aborto. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. OBS. sabendo que ela vai morrer. já que o CP é anterior à CR. E o direito à vida. em razão do risco de morte intra-uterina. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. sem o sistema nervoso central. 128. discutida na ADPF 54. O STF. segundo Canotilho. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. 128 (em 1940). Nos EUA e na França. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. já que na época em que foi feito o art. não haveria vida. II. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). como todos os outros. e. entendeu que. . Se há dois argumentos defensáveis. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. além de colocar em risco a sua própria vida. o STF não estaria legislando. é uma forma de tortura psicologia. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. a vida termina com a morte encefálica. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. ela é a única ação de controle abstrato cabível. Se isso fosse possível.

é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. 5º. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. No entanto. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. CR. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Proteção da honra e da imagem. Nesses casos. veremos cada um separadamente. ela é ilícita. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. por exemplo. histórico. Há decisões judiciais onde muitas vezes. na verdade. Esta é excludente de ilicitude. a gravação é considerada lícita. em seguida. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. quebra de sigilo e interceptação telefônica. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. É gênero. no art. Então. a honra e a imagem das pessoas. X. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. Neste caso. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Em regra. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. 5º. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Se filmar uma passeata. Questão de Concurso: Gravação clandestina. O direito de liberdade é maior. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. sobretudo. Ao realizar essa ponderação. 1. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. Ex: matérias de interesse público. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Ex: policial federal recebendo dinheiro. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. científico ou cultural. etc. contra um estelionatário. O prof. sobretudo. vida privada. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. é a esfera da vida privada. os princípios da moralidade e da publicidade. É vedada pelo art. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. não tem privacidade. quando pratica um ato na condição de agente público. pois há uma excludente de antijuridicidade. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. de uma forma geral. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). a imagem pode ser usada num processo. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Será considerada prova lícita. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Ex. O agente público. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. O direito a privacidade está consagrado. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Numa gravação clandestina. a restrição é legítima. maior a proteção a ser dada. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. 106 . Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). são direitos independentes. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. que se subdivide em: intimidade. não há violação à privacidade. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. Ainda que não afete a honra. Ex: Radares eletrônicos. Nesses casos é vedada a gravação como prova. CR. Se tiver gravado um crime. Mas. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. contra um chantagista. Logo. uma gravação feita clandestinamente. Não há que se falar em colisão. o direito à imagem foi violado. X.

o BB poderia quebrar o sigilo. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. não há decisão do STF. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Isso é uma violação clara do direito de privacidade.. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Quando a CR fala em “poder de investigação”. mas na decisão acima houve discussão a respeito. 2. São poderes instrutórios. XII. E o Ministério Público? Segundo o STF. O prof. informáticos. etc. como havia verba pública envolvida. Ex: extrato de conta corrente. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. De acordo com o art. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. outros entendem que não há proteção. por ex. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. A lei. Essa declaração. X. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. a duração da chamada. 107 . Os jornais publicaram essas declarações. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. Essa exceção só confirma a regra. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. essa decisão foi para um caso específico. Quanto às CPIs municipais. fiscal e telefônico. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. § 3º. fiscais. 5º. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Dentro do próprio STF há divergência. com base no princípio da simetria. No entanto. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. falaremos da interceptação telefônica. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. 3. Tem uma decisão do STF muito comentada. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. O inciso X impede a gravação clandestina. de um cd room. Além do juiz.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Na Itália. ele não pode requisitar diretamente. CR. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. 2°) admite. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. por enquanto. O STF decidiu que. A interceptação das comunicações é vedada pelo art.). Dentro dela. divulgaram todas as declarações na internet. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. Quando se quebra o sigilo telefônico. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. XII. já que não existe poder judiciário municipal. está em vigor. O Min. que é uma exceção a essa regra. 5º. não poderá quebrar sigilos. em ação cível originária. 58. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Quem pode é só o juiz e a CPI. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. naquele caso específico. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. 5º. Se ele quiser. Ele alegou a ilegalidade desse ato. ainda que não seja sigilosa. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal).: Podem existir várias outras exceções. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. deve ter uma certa salvaguarda. outros dizem ser pelo art.

também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. Em relação à comunicação epistolar. por uma terceira pessoa. No entanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. o sigilo poderá ser violado. mas. durante o estado de defesa e o estado de sítio. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. segundo o STF. será gravação clandestina. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta.. Pois. Ela protege 4 formas de comunicações. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. neste caso. será interceptação telefônica. a liberdade de comunicação. Em relação a essas. é equivocado.. mas foi feita por um terceiro. Na interceptação. protege a liberdade de comunicações. Com relação ao sigilo de dados. Nessas hipóteses. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. X. 5º. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. abrem-se todas as correspondências. segundo o prof. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Aliás. não estaria protegido por esse dispositivo. Porém. Para o STF. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. seja pelo art. Para o prof. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Na prática. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. XII. o STF tem um entendimento que. Mas isso não é a posição do STF. pode haver restrições às comunicações telefônicas. também protege a privacidade. 5º. Não são admitidas para outras finalidades. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. O art. Se um souber. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. já que protege-se a liberdade de comunicação. 5º. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Além dessas duas hipóteses. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. os dados de informática em si não estão protegidos.. 5º. a Constituição não estabelece qualquer requisito. XII. seja pelo art. O STF entende que com base o art. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. Se um souber. Ela deve ser usada para situações excepcionais. sobretudo. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Quando se falou do método tópico problemático. Então. em determinadas hipóteses. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Para o prof. A interceptação não pode ser uma regra de investigação.

Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. violado. Somente o juiz. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. nesses casos. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Ela deve ser o último recurso. se houver o consentimento de um dos moradores. e não pelo dono da casa. 5º. CF/88. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Essa decisão foi recente (☺MS 27.483 – medida cautelar concedida nesse MS). 5º. prorrogáveis por mais 15). c) Art. essa lógica tem sido invertida. A Constituição trata de 2 situações distintas. d) Art. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Além disso. e mais ninguém. imagine numa situação normal. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. Na jurisprudência do STF. por nenhuma outra autoridade. seja durante o dia seja durante a noite. Nesse artigo. vejamos: a) Art. salvo o flagrante delito. devemos analisar 2 situações diferentes. 5º. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). XII: interceptação telefônica b) Art. Ex: crime dentro de uma residência. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. • Prestar socorro 109 . A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. qualquer pessoa pode entrar. Ou seja. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. Vejamos as situações: 1. a entrada deve ser permitida pela empregada. a polícia pode entrar. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. não há falar em violação de domicílio. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida.296/96. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Como é o meio mais fácil. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Recentemente. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. XI: violação de domicílio. Durante o estado de defesa. Com relação à inviolabilidade do domicílio. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. O professor acha que há certo abuso neste caso. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. Com o consentimento. 5º. Pode ser que com os abusos recentes. Nem mesmo CPI. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. o Min. XII. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. Segundo o STF. pode determinar a prática desses atos. 5°. nem a CPI. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Se numa situação excepcional. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Art. Sem consentimento já é diferente. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. LX: sigilo imposto a processo judiciário. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. Se houver o consentimento. LXI: possibilidade de prisão. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Então.

hoje. compreende escritórios. Quando o sol nascer é dia. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. quando o sol se põe é noite. entre eles Alexandre de Moraes. compartimentos habitados. por serem situações emergenciais. não poderá mais entrar no domicílio. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. pois se respeitar também o critério cronológico. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. entre outros aposentos. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. 110 . a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Então. É utilizado por JAS. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. ☺Art. Na maioria dos casos. Se entrar com o uso da força. não encontrou nenhuma decisão a respeito. não só dos moradores daquela casa. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. CP. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. 2. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. consultórios. entra no conceito de casa. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. prevista no dispositivo. E o carro? O prof. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. se estiver vazio. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. a prova colhida será considerada ilícita. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Alguns autores. seja do dia seja da noite. Ele deve dizer “aqui você não entra”. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. onde o caminhoneiro dorme. na parte em que o público tem livre acesso. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. 150. a casa pode ser invadida a qualquer hora. mais tradicional. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. não entra no conceito de casa. Ex: parte de trás do caminhão. Entra no conceito de casa. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. 3. Só que o STF já proferiu decisões. propõem uma utilização conjunta desses critérios. estabelecimentos comerciais e industriais. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Segundo ele. Segundo o entendimento do STF. mas dos vizinhos também. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. que traz uma conceituação bastante extensiva. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. Se houver o consentimento do morador. mais adequado. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. a prova é lícita. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. porque a noite é o período de descanso. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. não entra em conceito de casa.

XXX. 111 . São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Esse critério é razoável. Objetivo 2. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Para esses casos. pois viola o princípio da isonomia. é necessário que ele seja: 1. justifica-se a altura. idade. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Se o critério não for objetivo. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Esse critério não é nenhuma discriminação. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Mas. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. arbitrário. Quando se fala em princípio da igualdade. XXX. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. 5º. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. da constituição. Ex: critério preconceituoso. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. 7º. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. 7º. É a que está consagrada no caput do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Para que o critério seja constitucional. ele não estará de acordo com o fim consagrado. razoável e proporcional. Uma vez dentro do estabelecimento. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Não irá fazer concurso para homens participarem. Nestes casos. 2. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. CF/88. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. CR. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. cor e estado civil. não significa que a lei não possa fazer distinções. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. em situações diferentes. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. Razoável 3. discriminatório.

Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. e não à igualdade material. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Porém. Mas. 5º c/c art. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. Ex: Alíquotas de imposto de renda. No caso da Índia. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Segundo JAS. Tem autores que entendem ser inconstitucional. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. 3º. para tentar reduzir as desigualdades. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Visa uma redução das desigualdades fáticas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . O prof. ☺art. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. Como uma pessoa que não teve acesso à escola. igualdade e fraternidade. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Quando se fala em igualdade material. Para o professor. Dificilmente. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Se o Estado não proporcionar esses direitos. mas reduzir as desigualdades existentes. Isso é igualdade formal. Então. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). não haverá uma igualdade real. utiliza-se das ações. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Não é uma forma de resolver o problema. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. mas é necessário analisar uma série de fatores. Essas ações não surgiram nos EUA. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. por exemplo. Quando se fala em igualdade material. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Ex: Cotas para pessoas carentes. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Criaram-se outras ações afirmativas. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. 112 . O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. que eram desiguais em relação aos seus senhores. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. aconteceu o contrário. O prof. surge a questão relacionada às ações afirmativas. e prolongaram as que já existiam. A cota deve ser proporcional à população. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. Em princípio. acha que esse argumento não convence. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. pois elas criam uma discriminação reversa. seria igualdade material. e os desiguais de forma desigual. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Para outros autores. essas ações são constitucionais. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. A tendência é que elas aumentem. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. mas na Constituição Indiana em 1947. essas ações deveriam existir por 10 anos. disse que está ligada à igualdade material. o critério discriminador seria desproporcional.

Poder Legislativo. mas também para quem irá elaborar a lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. cientificamente falando. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. . No Brasil. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. CF/88.medida imediatista e inapropriada. de saúde. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. mas eles não tiveram oportunidade de escola. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Argumentos contrários: . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. são destinatários do princípio da igualdade. sem exceção. Eles não têm apenas a eficácia vertical. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . (18/06/09) Argumentos favoráveis: .em uma sociedade pluralista. tolerante. quando se fala em destinatários. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. aberta. . é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. 113 . O problema é com relação à subjetividade do critério.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. Apesar de ser uma relação entre particulares.fere o mérito. Portanto. . Então.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. Juridicamente falando. Poder Executivo e Poder Judiciário). . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. A justificativa parece não ser inconstitucional. Eles foram libertados.fomenta o racismo e o ódio racial . miscigenada e multicultural. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. .Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. seja por particulares. Isso é uma questão de política pública.princípio da isonomia (discriminação reversa). e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. visa compensar uma dívida histórica. atinge todos os poderes públicos . 208. seja pelo governo. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. não sendo necessária essa distinção.favorece negros de classe média alta. Além dessa eficácia.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. pois já faz parte do próprio critério republicano. . previsto no art.

IV. para outros teria. mas apenas para as mulheres. Logo. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. é outra questão. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Não existem direitos absolutos. não teria sido recepcionado. ela é constitucional. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. Basta ser um critério objetivo e para todos. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Se o sujeito será responsabilizado ou não. etc. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. As provas 114 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Ex: Lei Maria da Penha. em regra. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. sendo vedado o anonimato. ela pressupõe responsabilidade. Ex: Passeata para legalização da maconha. I. Isso significa que. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. ela exerceu o seu direito. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. discriminatórias. Apologia ao crime é diferente disso. de expressar o pensamento. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. É uma denúncia feita anonimamente.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. É livre a manifestação de pensamento. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. É constitucional? Sim. Questão de Concurso – Cespe: No art. desde que essas restrições não sejam autoritárias. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. Ex: art. o problema é dele. Não é um direito absoluto. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. segundo o professor. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. e violou direitos de terceiros. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. não deve ser estendida para os homens. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. O homem não é a parte mais frágil da relação. 100. 5º. ela pode ser responsabilizada. em princípio. Pode defender no plano das idéias. Para alguns. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. a lei pode estabelecer distinções. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Logo em seguida. Se a pessoa agiu de forma abusiva. desde que seja para atenuar desníveis existentes. CPC – ação de alimentos. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. 5º. Protege a mulher. O particular não é obrigado. ele deve licitar. Mas. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. Por que a Constituição.

Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). desde 1989 (advento da República). Os templos recebem uma proteção especial. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. O Estado deve manter-se neutro. ela deve ser protegida. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Ex: seqüestrador escreve bilhete. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. VI. ele não pode ser admitido. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. 2. de ter crença. por exemplo. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. há 02 hipóteses em que o STF admite. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. 2. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. se não há qualquer identificação. ou de não ter crença em nada. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Não se pode admitir que o parlamento. CR. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. deve ocorrer uma “tradução institucional”. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. 5º. abrangendo a liberdade de crença. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. Para Habermas. No Brasil não há uma religião oficial. com o advento da República. desde que não viole o direito de terceiro. pedindo resgate. o equilíbrio das religiões. Pode fazer um exame grafotécnico. Em relação ao culto. Garantir a simetria da liberdade religiosa. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. A liberdade de consciência é a mais ampla. 3. Esta liberdade está consagrada no art. não é o caso do Estado brasileiro. houve a total separação entre Estado e Igreja. inclusive em lugar aberto ao público. I. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. A religião desempenha um papel fundamental. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. então. ainda 2. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. O dever funcional da autoridade é investigar. apesar de a maioria da população ser católica. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. 19. Quando são produzidos pelo próprio acusado. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. → Alguns temas polêmicos: 115 . os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. de crença e de culto. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. CR. O Estado brasileiro. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Isso significa que. e. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Porém. O culto pode ser exercido em qualquer local. Vejamos: 1. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião.

sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Determinada família quer matricular o filho naquela escola.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. 215. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. ocorreu um caso muito semelhante. . §1º. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. São feriados puramente religiosos. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. 210. CR). mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. §2º. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. a neutralidade do Poder Judiciário. então. Segundo o prof. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. e cultura é competência comum – da União. Não teria sentido acabar com esses feriados. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Entretanto. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Na Alemanha.. estados e municípios (☺art. logo. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. e não à justiça do trabalho – ☺art. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. O 116 . Mas. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. É importante respeitar o ensino de cada um. 5º. CR). imagine uma cidade pequena. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. onde se tem poucas escolas boas. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. o argumento supracitado não está correto.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. Há um trecho do livro do Dworkin. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. a escola não deve impor ao menino. VIII. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. O tribunal. CR. Entretanto. não poderia ser confessional. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. 23. são culturais. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. há algumas ações. Pode um ateu. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. inegavelmente. . Neste caso. que odeia guerra. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Para o prof. a competência é em relação à cultura. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Portanto. e o aluno optou a se matricular nessa escola. políticos e religiosos. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. fazendo uma ponderação entre os princípios. a competência é da União.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .

Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. 5º. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Segundo Jean Rivero. XVI. Liberdade de reunião. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. XVII e XXI. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. mesmo que em locais abertos ao público. 5º. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. então. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1.) 2. terminada a reunião. essa hipótese é de representação processual. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. as pessoas se reúnem e. CR. Para que as pessoas possam se reunir. 4. o argumento deve ser racionalmente justificado. não é necessária a autorização estatal. desviar o trânsito. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. mas direitos individuais de expressão coletiva. A associação. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. existem 2 semelhanças e 1 diferença. 3. 2. JAS diz que não são direitos coletivos. Ex: reunião de condomínio. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). A pessoa alega imperativo de consciência. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Criação de partidos políticos. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. CR: Não é só a liberdade de se associar. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. 5º. não são os religiosos. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. 15. IV). por sua vez. mas a de permanecer associado. tem o caráter permanente. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. de cooperativas. ☺ art. Criação de sindicatos. O prof. A República é o governo das razões. CR. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 5º. conforme portaria da ANVISA. Quem fará a tradução não é a Igreja. Se não houver essa lei. Não cumprindo com a obrigação. elas vão embora. ☺art. Ex. Há. (Não pode reunir pessoas armadas. Ex: fazer segurança. XXI. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. Criação de associações e. mas os políticos. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. etc. ainda. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. Por que a CR exige prévio aviso. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Caso não cumpra com a prestação alternativa. XVI. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). na forma da lei. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim.

mas sim contrárias ao direito e. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. não pode existir mais de uma federação por território. 5º. LXX. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). É o entendimento de Daniel Sarmento. defendendo direito alheio. ADC e ADPF. ilegítimas. ter um patrimônio mínimo. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. não impede que o direito de propriedade seja protegido. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. a propriedade terá uma proteção menor. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. A associação impetra em nome próprio. como a Constituição garante o direito de propriedade. Segundo o STF. Segundo JAS. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Função Social da propriedade: A CR. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. 5º. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. 2. Em seguida. Ex: Invasões de terra pelo MST. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. Segundo o STF. segundo o prof. segundo o qual. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. do próprio regime desse direito. A Constituição não garante o direito à propriedade. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. a função social. III. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. é mais correto. tendo um menor peso na ponderação. ☺art. Segundo o STF. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). no seu art. se não for atendida. em seu art. mas não pode ajuizar ADI. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Segundo ele. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. portanto. CR) quando ajuíza uma ação. 118 . garante o direito de propriedade. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. 8º. pode ser dada numa Assembléia Geral. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. XXIII. XXII. mas faz parte da estrutura desse direito. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida.. 5º. O que acontece é que se não cumprir a função social. não são legítimas essas invasões. Se ele tem proteção. Ela só garante o direito de propriedade. segundo o prof. Há um outro entendimento que. O sindicato (☺art. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. por exemplo. o direito de propriedade pertence ao direito público. não precisando de autorização expressa.

que deve ser prévia. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. ou por interesse social. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. na desapropriação. o proprietário não tem culpa. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. 2. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. A função social. normalmente. A polícia requisitou determinadas propriedades. deverá ser em dinheiro. 184. a indenização será sempre posterior. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Sempre que há requisição. há uma transferência compulsória da propriedade. Os principais aspectos são 2. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. CR. a saber: por necessidade pública. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 182. ele não poderá ser prejudicado. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. VII). mas sobre a propriedade em si. b) ☺ art. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. É um aspecto lógico. 186. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. CF/88: Trata-se de imóvel rural. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. §4º. Ex: caso de Eloá. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Propriedade Rural: ☺art. Propriedade Urbana: ☺art. Na requisição. 182. por ser inerente ao direito de propriedade. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Logo. justa e. etc. b. XXV) e as militares (☺art. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. uma escola pública. como decorrência do primeiro. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. 139. indenização por títulos da dívida pública). Sempre haverá indenização. Além do caráter absoluto. CR. Ela faz parte do regime do direito de propriedade.000 habitantes (§1°). A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. em regra. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. IPTU progressivo no tempo. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. deve haver indenização? Não. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Desapropriação: Diferentemente da requisição. §2º. Vejamos: a) ☺art. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. como um apartamento. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. Para atender a função social. a saber: a.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. diante de uma emergência. por utilidade pública. 5º. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . restringe o caráter absoluto. Como haverá indenização se houver dano. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). só haverá indenização se houver dano. No caso de requisição. Vejamos abaixo.

. . Para esse fim. 3. por ter prazo menor. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. 185. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. Se ela é produtiva. não precária. 250 m2.o morador não pode ter outro imóvel. §3° e art. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Necessidades permanentes da sociedade. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). o imóvel deve ter. seja urbano ou rural. Só não podem ser para fins de reforma agrária. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Só que. 191.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. 243 da CR.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade).: Imóveis públicos. 120 . Confisco: No Brasil. 50 hectares. no máximo. ininterrupta. CR). regra. etc. prévia e. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. Nesse caso. possuir o imóvel como se fosse seu. Requisição Refere-se a bens e serviços. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). Usucapião: Na Constituição da República. não há pagamento de indenização. parágrafo único. não podem ser adquiridos por usucapião. É sempre indenizável (justa.). CF/88. os bens serão confiscados – art. Se ele tiver outro imóvel. 2. A Constituição não permite – ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. sejam urbanos ou rurais. §5º. paga em dinheiro). O confisco de propriedade está previsto no art. precisa recorrer ao judiciário). Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. Como o confisco é uma sanção. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). em Indenização posterior se houver dano. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. 5º. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Obs. São imunes a impostos (☺art. CR). . pacífica. . 184. Vejamos: . a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. emergências da sociedade. 183. PU.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). sem oposição. é porque ela está cumprindo a sua função social. Necessidades transitórias. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. no máximo. 243. Na CR.

interpretando a lei da maneira (A).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. não era muito democrática). Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. etc. As hipóteses mais importantes são: 1. No direito penal. não. Esta hipótese é. a saber: 1. é uma conjugação das duas anteriores. desde que seja mais benéfica para o réu. na verdade. ato jurídico perfeito e coisa julgada. mas que vale especificamente para o direito tributário. XXXVI. Alguns a interpretavam de maneira (A). Em regra.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. a regra também é a não retroatividade (art. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. mas deve respeitar a coisa julgada. 5º e no art. inicial. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). Em resumo. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. A lei interpretativa retroage. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. a CR/88 entrou em vigor. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . 3. outros a interpretavam de maneira (B). CR). 2. 106. média e mínima. b) Retroatividade benigna. só que exclusiva para o direito tributário. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Para responder a essa questão. a lei interpretativa retroage. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. 5º. Durante a vigência desse contrato. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. autônomo. Retroatividade da Lei Penal. XL. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. Seria correspondente à primeira hipótese. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. 5º. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Todas as demais o consagraram. é necessário diferenciar duas situações. A garantia existe para a proteção desse direito. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa.

haverá uma retroatividade média. através de norma de eficácia plena. 5º.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. mas isso está superado. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. dirige-se apenas ao legislador ordinário.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. até mesmo. extintas. . a Constituição da República entrou em vigor. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. coisa julgada e ato jurídico perfeito. b) Retroatividade média: pode ocorrer. e não lei em sentido restrito. haverá uma retroatividade máxima. 654 e Súm. Após a Constituição de 1988. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. ☺Súm. É claro que isso não é desejável. portanto. Se a Constituição atingir essa prestação. Só que para haver essa retroatividade.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. interpreta a lei em sentido amplo. É o ato que está apto a produzir os efeitos. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. As parcelas podem ser reduzidas e. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Ex. → Coisa julgada: 122 . A EC poderia prejudicar direito adquirido. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. Na retroatividade máxima.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. 2. Se mudar o real. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. porque geraria uma insegurança jurídica. . ela afeta a todos. . Só que para haver essa retroatividade. mas as leis não. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. em regra. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. de acordo com a legislação da época. . 473. XXXVI) é lei em sentido estrito e. O prof. automaticamente. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. no caso de retroatividade mínima. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. Não pode haver a redução. porque geraria uma insegurança jurídica. inclusive as de ordem pública. não há posição prevalecente. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Havendo mudança de regime jurídico. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Nesse caso. STF. Ex: Determinada prestação. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. e não as parcelas que compõem o vencimento. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. e não o ato exaurido. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Antes de a prestação ser paga. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. É claro que isso não é desejável. Portanto. Não existe direito adquirido em relação a esse regime.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. será necessário que a Constituição diga expressamente.

eles o são porque ainda poderão ser consagrados. No art. ou seja. como doutrinador. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. 5º.: salário mínimo). O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. e não propriamente como ministro). Dirley Jr. 2. §1º. Direitos Sociais: 1. b) o art. 7º. para dar decisões concretizando tais direitos. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. são NEL (de princípio programático). esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. 5º. e pelo Min. em sua maioria. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. independentemente da sua natureza. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. à medida que a sociedade o determine. exigem uma atuação positiva do Estado. segundo Robert Alexy. consagrados em NEP ou NEC. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. Assim. como teórico do direito (ou seja. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. A administrativa não tem essa proteção. Por isso. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. independentemente de qualquer fator. . Já os direitos sociais. do seu enunciado. §1º. Os direitos de defesa são. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. nós deveríamos interpretar o art. Ou seja. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais.☺art. por ex. 5º. Mas isso não é verdade. pois são mais facilmente implementados. Eficácia: todo direito tem um custo. Os princípios. em regra. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. . mas é apenas a coisa julgada judicial.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. Em cada época. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. e isso para muitos é um ponto negativo. Eros Grau. de sociedades pluralistas. são mandados de otimização. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro.. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. o que significa que possuem um caráter positivo.

2ª fase: é a que nos encontramos hoje. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. todas. . é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). que estamos buscando. segurança. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Norma de direito social não gera direito subjetivo. doutrinador do RS. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. Em outros lugares. Como têm apenas eficácia negativa. pois. normatividade. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . etc. Argumentos contrários à intervenção judicial: . Portanto. só porque recorreram ao PJ. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. não geram direitos subjetivos. Por isso. por ex. A visão do juiz é bilateral. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Esse entendimento já foi superado. por ex. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ.). 3ª fase: é a fase desejável. Assim. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Quando se fala em direitos sociais. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. é importante definir tais critérios.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases.000. por ser norma programática. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes.000. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. assim. Obs. educação.). implicitamente. Pedro Taques). Primeiramente. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. legítimas (saúde. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. O que se busca. pois. essa atuação talvez não seja tão justa. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. as normas possuem uma textura aberta. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. previdência. quando foi dado um maior papel ao PJ.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Esses direitos sociais não teriam. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. trabalho. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.. .Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. rodovias. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. lazer. em tese. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.

porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. no que diz respeito aos direitos sociais. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. teríamos a maior utilização das ações coletivas. em 1972. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. Não é o entendimento que prevalece. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. o outro cresce. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. . É preciso. Os direitos sociais estão consagrados em normas. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos).A democracia não é apenas vontade da maioria. segundo Ingo Sarlet.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. por isso. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. em razão do Princípio da Igualdade. De se ver que quando se fala em direitos sociais. sufrágio universal. pois. A reserva do possível. Assim. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. eleições periódicas. mas a todos que se encontrem na mesma situação. ou seja. Se um poder se encolhe. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. saber se a demanda é razoável. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). Esses argumentos são os que devem prosperar. e é muito utilizada no Brasil. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). inclusive a minoria. Ademais. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). eles acabariam sendo inviabilizados. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. não se encaixaria na realidade brasileira. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.Caráter normativo da constituição. 125 . em razão das limitações orçamentárias existentes. Se não se estabelecer os critérios.Déficit democrático das instituições representativas. entra-se muito nas questões ideológicas. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. . . Mas. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação.

da liberdade material e do princípio do estado social. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. em razão de sua textura aberta. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. é o entendimento mais adequado. maior o risco de não ter efetividade. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Assim. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. Segundo Ricardo Lobo Torres. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. é o mínimo existencial. que é a corte suprema na Alemanha.. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. pelo cumprimento voluntário da constituição. depende de cada época e de cada sociedade. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. Vejamos: 1. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. Segundo Ana Paula de Barcellos. a questão da efetividade será prejudicada. saúde.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. educação e moradia. A reserva do possível é uma matéria de direito público. em 1953. Se não definir o conteúdo. por ser necessária para a 126 .Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Segundo o prof. Ou seja. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. que a demanda custa y. mas teria um peso maior na ponderação. etc. quando se estabelece o mínimo existencial. A efetividade passa pela sociedade. 2. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. assistência em caso de necessidade. . que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. essa concretização. Outros autores já falam apenas em saúde. Não é o máximo desejado. Por que falamos em “mínimo”. mas deve também ser provada. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. que existem z pessoas na mesma situação. . e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. No Brasil. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. precisam ser concretizados. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível.

já dizia algo muito semelhante. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. fazem parte da população brasileira. entre eles: laços culturais. pois. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. haveria um engessamento do legislador e do PE. costumes. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. e do Estado Democrático e Social de Direito. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. Ele tem. não pode haver uma redução dessa concretização. esse prazo não pode mais ser reduzido. 127 . A partir do momento que um direito social é concretizado. estatístico. irão concretizar os direitos sociais. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. ao estudar as normas de princípios programáticos. segundo ele. CR). um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. o que prejudicaria a sociedade. Os poderes públicos. Todos que moram no Brasil. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Por isso. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. assim. Há dois posicionamentos quanto ao tema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. da máxima efetividade (art. 5º. da dignidade da pessoa humana. haver uma redução do grau de concretização. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). Ex. língua. Pode. §1º. JAS. e. um pensamento mais flexível sobre o tema. Segundo ele.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. consciência coletiva. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. que significa nação. passaria a fazer parte do próprio direito social. só ampliado. independentemente da nacionalidade. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. de acordo com a necessidade. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. fala-se em vedação do retrocesso social. históricos. 2) posicionamento de um autor português. População está relacionada ao conceito demográfico.

que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). b). §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. Se o casal estiver a serviço de outro país. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. c. de acordo com o art. Obs. I. §6°.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). 12. estrangeiros residentes. 12.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. os pais têm que ser brasileiros. desde que haja reciprocidade. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). não há direito público subjetivo. É geralmente adotada por países que estão em formação. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. Refere-se aos brasileiros natos. 12. II) Jus Sanguinis: ascendência. Refere-se aos brasileiros naturalizados. 227. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. CF/88. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. 12. b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos.815/80. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. considera a nacionalidade dos pais.Diferenças de tratamento 128 . não haver condenação penal e requerimento do interessado. por uma questão de soberania nacional. I. o filho terá nacionalidade brasileira. Quando a pessoa é nascida no Brasil. I. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. art. a). Pelo critério funcional. há direito público subjetivo do estrangeiro. De acordo com o critério sanguíneo. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. II) Naturalização expressa (art. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). adquirem a nacionalidade do país onde residem. 12. É o caso do Brasil. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. 112 e 115. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. terá naturalidade brasileira. A EC 54 alterou o art. . Neste caso. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. se não se manifestarem contrariamente. .Quase nacionalidade (art.

o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. 5°. CF/88): 129 . VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). CF/88). membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. 12. só poderá ser extraditado: .segurança nacional: oficial das forças armadas. d) Extradição (art. Mas. Se o estado desrespeita essa regra. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). confundir a súmula acima com a seguinte. presidente da CD. ou que tenha filho brasileiro.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. 5°. Não se pode. Já na entrega. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. Os critérios utilizados são: . . Expulsão: consiste na retirada a forca. . LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. §4°. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. Na extradição. b) 6 assentos do Conselho da República (art.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. em razão da superioridade da Constituição. Princípios relacionados à extradição: . . §3°). No caso de brasileiro naturalizado. 89. A deportação está mais próxima da expulsão. 12. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. no entanto. 12. não se poderá invadir esse estado. §2°. . a ela aplica-se a súmula 1. .815 (ato nocivo ao interesse nacional). Mas. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. portanto. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. .se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. em razão da soberania nacional. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. cria-se um problema de relação internacional. presidente do SF. 65 da lei 6. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes.linha sucessória do presidente da república: PR.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais.Perda da nacionalidade (art. do território brasileiro. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. XL. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. Importante analisar a Súmula 421. dependente da economia paterna. vice. 5°.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art.

81.é direto: é a regra. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. salvo se por meio de ação rescisória. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. 14. one vote”. com a realização de eleições periódicas. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. ou seja. que exige uma alternância de poder. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. Direitos Políticos: .Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. §1º). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). e não requisitos preconceituosos. Para JAS.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. Servem ao controle do próprio direito. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). salvo nos casos das alíneas a e b. A CR/88 adota o sufrágio universal. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. voto é o exercício desse direito. 130 . Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. São requisitos apenas técnico-formais. . é o direito político em si. perderá a nacionalidade brasileira. o sufrágio censitário (ex. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). §1º. . pelo CN. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. na forma da lei (que ainda não existe). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. Características que o voto possui no Brasil: . caput). . é o direito de votar (e não de ser votado). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. . e esse país não admite dupla nacionalidade ???.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. one vote” – “one person. com uma única exceção: art. 14. nacionalidade e alistamento. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto).tem valor igual para todos: “one man. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Além dessas características do voto. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies.é periódico: essa periodicidade do voto. inclusive sendo cláusula pétrea. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político.

filiação partidária. 12. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. a inelegibilidade em relação aos militares (art. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). assim. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). Assim. até que se atinja a plena cidadania. Além dessas condições relativas à idade mínima. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade.☺§3º. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. 14. no governo de SP). e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. . §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. 14. dentistas. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. em caso de reeleição. os inalistáveis são os estrangeiros. §1º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva.é conhecida como inelegibilidade reflexa. . que geralmente admitem desincompatibilização. 14. etc. 14. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. se houver reciprocidade (art. é o direito da pessoa ser votada.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. domicílio eleitoral na circunscrição. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. Primeiramente. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). ou seja. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. Quando a Constituição fala apenas em lei. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. §8º). e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. no caso do art. com exceção dos portugueses equiparados. 14 traz um questionamento. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. 14). No Brasil. trata-se de lei ordinária. ☺ar. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. 14. ela é adquirida progressivamente. Ex.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. §3º? Segundo o STF. §3º. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . e desincompatibilizou-se 6 meses 131 .este dispositivo fala em sucessão e em substituição. ou seja. 14. salvo se já titular do cargo. §5º . §7º . o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. então.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. do art. Mas o §9º do art. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária).

5º. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. não há como readquirir os direitos políticos). nos termos do art. VIII). Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. Todas as outras hipóteses do art. 15 (incisos II. portanto. mas o prof. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. o prof. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. Kildare. é algo temporário. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. III e V) são hipóteses de suspensão. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. Com base nessa distinção. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. A doutrina (JAS. 15. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. I. 132 . 15.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). seus parentes também poderiam ser candidatos. e quanto a isso não há divergência doutrinária.

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