Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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como o inglês. então. o americano e o francês. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. enfeixado na Constituição. Kildare Gonçalves Carvalho. um claro juízo de valor. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. em especial limitar o poder arbitrário. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. como sociológica: “em termos jurídicos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. O conceito de constitucionalismo transporta. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. 4 . muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. e. por seu turno. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. E para isso. e que se encontra acima dos detentores do poder. em sentido jurídico. uma teoria normativa da política. mas também de outros assuntos. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. numa terceira acepção possível. É. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. mas proteger direitos. os fins socioeconômicos do Estado. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. Partindo. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. do estado e das instituições democráticas. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. sociologicamente. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. Numa vertente mais restrita. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. Numa segunda acepção. reporta-se a um sistema normativo. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Tem-se utilizado. assim. no fundo. Neste sentido. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. a defesa da Constituição. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. o local e a época.

1. Foi a 1ª experiência constitucional. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Roma: idéia de liberdade. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. (Livro do Alexandre de Morais). como e até onde pode mandar. b. Atribui competências aos três poderes. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). em 1791. ii. a. c. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Influenciaram o direito francês e americano. Governo limitado. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Por isso. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. em 1787. desde logo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. ii. Foi a mais avançada forma de governo. integram-no. 2. fases pelas quais passou a constituição. A democracia é a representação da vontade da maioria. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. a partir da Revolução Francesa. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais.surgiu em substituição ao governo dos homens. Garantia jurisdicional. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. d. quem. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. porém. • Separação dos poderes. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Grécia antiga: democracia constitucional. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. • Princípio do governo limitado. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . Hoje. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. Estado Hebreu: estado teocrático. após a Independência das 13 Colônias. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. se contrapõe ao absolutismo. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. e da França. b. Inglaterra: rule of law – governo das leis . Foi uma retrospectiva do direito Grego. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. Como ressaltado por Jorge Miranda. Estabelece as regras do jogo político.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. os costumes 6 . PE e PJ). algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. Todos os poderes constituídos (PL. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Constituições da democracia social. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Força normativa da constituição: antes. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. b. estarão subordinados a ela. na época das Revoluções Liberais. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. Ex. XIX. Segundo a tradição francesa. O ser humano é um fim em si mesmo. 4. direitos fundamentais. Eram apenas uma diretriz. sem força vinculante. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). 3. Idéias principais: i. Rússia. Constituições da democracia racionalizada. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. diretrizes. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Constituições da democracia marxista ou socialista. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. A partir dessas novas idéias. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. a maioria da nação. Garantia de direitos. as quais são denominadas por pós-positivismo. havia regras. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. as constituições tinham caráter mais político. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Começou a se falar em um direito moral. O Estado é um meio para atingir determinados fins. c. a. Separação de poderes. Hoje. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. d. Constituições de países subdesenvolvidos. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. estabelecendo diretrizes. aplica-se a analogia. estabelecidos pela Constituição. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. ii. ou seja. foi o Abade Sieyès. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. b. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. c. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. XX). ligada à idéia de liberdade. Novas idéias foram surgindo. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime).

os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Solidariedade. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Verdade. Continuidade. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Consenso.  Aplicação direta da constituição. e. c. demarcação de reservas indígenas. 7 . de uma forma geral. Hoje. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. verticalização. tratado internacional tinha status de lei ordinária. espuma do chopp. EUA: nós estamos submetidos à constituição. o judiciário aumenta sua força. Participação. Na Itália. são aplicados através de ponderação entre os princípios. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. é o judiciário. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. os princípios. Ele atua como legislador negativo e positivo. etc. há uma euforia dos princípios. aplica-se a regra específica. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. Teoria Concretista Geral.. cotas em universidades. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Entre uma regra específica e um princípio geral. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. pois esta é a concretização de um princípio geral. g. é o juiz. Ex. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Os princípios. Para Paulo Bonavides. Eles são importantes. que é aplicada mais às regras. Hoje. Não se aplica diretamente a constituição. A aplicação da norma se dá pela subsunção. mas quem dirá o que ela é. Universalização. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. aborto no caso da acrania. fidelidade partidária. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. b.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). d. Na jurisprudência do STF. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Para Barroso. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). f.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). Quando o legislativo é fraco. Mas essa é uma posição muito radical. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. união homoafetiva. • • 5. etc. Integração. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Constitucionalismo do futuro.

dá-se através dos representantes do povo. de forma expressa. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781).U. de soberania popular.709/98 (que regulamentou o art. portanto. com valor igual para todos. que. mediante: plebiscito. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. a participação. do art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. o exercício deste poder. a verdade. o P. “ é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. a continuidade. O titular do poder é o povo. segundo o art. por intermédio de seus representantes. Act of Settlement de 1701. II e III. referendo e iniciativa popular”. nos termos desta Constituição”. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. CR) e. a solidariedade. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Habeas Corpus Act de 1679. de acordo com o art. 46. cujo titular é o povo. Compact (1620). Bill of Rights de 1689. Podemos falar. 1º da Lei 9. pertinentes. CR). CR. I. 1º. verdadeiro sistema híbrido. Como regra. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. Contratos de colonização. nos termos deste lei e das normas constitucionais. Vale dizer. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. Petition of Rights de 1628. concretizando a soberania popular. caput. que são os deputados federais (âmbito federal). o povo também o realiza diretamente (democracia direta). 14. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). Assim. então. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Fundamental Orders of Connecticut (1662). Carta outorgada por Carlos II (1662).

As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. Essas normas são programáticas. caso contrário. Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. As leis constitucionais são todo o restante.: art. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Esta concepção atualmente é inadmissível. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. mas materialmente distintas. a Constituição é norma pura. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. o restante.. os direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). PL. Toda a Constituição. A conferência realizada por ele. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. a que Carl Schmitt chama de Constituição. que surgiram com as constituições mais prolixas. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. o caráter normativo e vinculante da Constituição. que adota o conceito decisionista de constituição. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. O art. Para entender tal concepção. ou seja. na sociologia. portanto. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. mas apenas leis constitucionais. Segundo ele. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. com exceção do Preâmbulo. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. é vinculante e obrigatória. na política ou na filosofia). para ele. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. não passaria de uma simples “folha de papel”. têm a mesma forma de elaboração). tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. Esta é a concepção que hoje prevalece. 242. quando não corresponde à Real. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. §2º. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. PJ. → Segundo Hans Kelsen. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Constituição e leis constitucionais são. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. A Constituição Escrita. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). ou seja. como por ex. 1°. conforme o prisma de análise.

Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. Seu único comando. neste sentido. A CR/88. ao mesmo tempo. por isso não tem nenhum expoente específico. é um elemento conformador. a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). portanto.Povo. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). seja pela introdução de novos elementos através de emendas. .a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. condicionante desta mesma cultura. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. . . É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”.Território. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). . não introduz nenhuma novidade. a Constituição tem sim fundamento sociológico. Ou seja. é a Constituição escrita (CR/88). posta pelo Estado). é: todos devem obedecer a Constituição. todos os setores da vida social. define tais elementos estruturais. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. ela não existe na realidade. e também jurídico. mas que trata de todos os aspectos.Soberania. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. é apenas uma pressuposição. qual seja. 10 . Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado.Finalidade. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. é uma norma pressuposta. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. segundo esta concepção.a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. Gilmar Mendes). tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . modificando-a. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. quais sejam: . não está escrita.

que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. 1937.: as constituições outorgadas recebem. . 3) Quanto à origem: . Ex.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. . pois toda constituição é escrita e não-escrita. surge em um só momento. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição.dogmática: sempre escrita. 1967. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. promulgada.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. tem também vários documentos escritos.outorgada: é a constituição imposta. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. as constituições outorgadas foram as de 1824. votada. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. a Constituição Inglesa. de uma só vez. consuetudinária (não é escrita). 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. .não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. como por ex. toda Constituição histórica é costumeira. a constituição não se torna democrática. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . e como é bastante prolixa. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo.democrática. No Brasil. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). por ex. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. trata-se de modalidade anacrônica.. é fruto das idéias. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. É uma aprovação simbólica). A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). .. podendo ser: .escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. há pouco espaço para se ter costumes como regras. . pelo agente revolucionário (grupo ou governante). Nesse caso. 11 . por alguns estudiosos. de maneira unilateral. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). Por isso mesmo. o apelido de “Cartas Constitucionais”. ou variadas): ex. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição.não codificadas (ou legais. quem vota a matéria são as lideranças. Obs. não surge de uma só vez em um só momento. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. Constituição Espanhola/1930.

Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. sem se preocupar com os detalhes. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. deixou de ser considerada flexível. . . Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.: a Constituição dos EUA). independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional).: art. É uma constituição em sentido formal.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. CR).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . mas sim o processo mais dificultoso. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. como é o caso da CR/88. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. Por este motivo.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . Ex. portanto muito difícil de serem modificadas. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex. Como se submete a esse tratado internacional. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. É uma classificação típica das constituições costumeiras. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. (Obs. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material.fixas: não poderiam ser modificadas. Não existe controle de constitucionalidade das leis. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. passou a haver hierarquia entre as normas.constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo).flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. sendo assim. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. ou seja. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). . Ex. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Ex. O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. . a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. . 1º. inclusive a CR/88). uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. sucintas.) . 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . Em 2000. Constituição Inglesa. É uma constituição em sentido material. São chamadas também de clássicas. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .

QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas. costumeiras ou consuetudinárias). QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). formal. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). . e não de apenas uma ideologia. mas sim uma obrigatoriedade!). (processo legislativo). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. Semi-rígidas (ou semiflexíveis).: art. Característica das constituições clássicas. União. 13 . democrática. votadas ou promulgadas). OBS. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. o União. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Flexíveis (ou plásticas). 59 e segs. porque é fruto de várias ideologias. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). codificada.: a CR/88 é ainda Eclética.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. rígida (ou super-rígida). Democráticas (populares. Constituição programática (ou dirigente). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). o Municípios. dogmáticas. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). É a CR/88. Rígidas. que surgiram com um objetivo pré-definido.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. básicas ou clássicas). Fixas. o Estados. Ecléticas. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. sucintas. como por ex. Não-escritas (inorgânicas. Ex. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. Históricas. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado.: art. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. Canotilho. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). 3º. Pactuadas (ou pactuais). prolixa. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Constituição em sentido formal. pois valem a todos os entes federados. sumárias. dogmática. o DF.

cláusulas pétreas ou demais dispositivos. Para que exista supremacia formal. que a CR/88. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. tem de ser. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. 59. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. encontram-se as normas constitucionais originárias. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. distritais e municipais. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . se tiver também supremacia formal. as derivadas (art. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. a Constituição tem que ser rígida. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. Leis Delegadas.: decretos e regulamentos. que existem como complementação dos ANP). 59. as leis delegadas. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. No topo. II a VII). Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição.343/SP. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. por ser rígida. 5º. as medidas provisórias. LC. porque os princípios têm maior amplitude. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. para fins de controle de constitucionalidade. obrigatoriamente escrita. direitos fundamentais ou não. No entanto. o indireto. DL e Resoluções – ☺art. a Constituição. Importa dizer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. §3º). os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. MP. 59. uma Constituição só possui relevância sociológica. princípios ou regras. estaduais. basicamente. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. enquanto as regras são mais específicas. CR). Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. por 3 níveis hierárquicos. do Senado e do Congresso Nacional (☺art. sejam elas originárias ou derivadas. ordinárias e complementares). cujo fundamento de validade são as leis e.

esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Portanto. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. No caso da prisão civil por dívida. a previsão constitucional exige complementação. Quando não exigir LC. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. Leis delegadas. MPs. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Cabe controle de legalidade (discussão incidental). Residual. 47 é a regra geral. mas somente uma recomendação. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. por isso não entendo como pode tamanho formalismo.☺Art. Essa aprovação não é obrigatória. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. por uma questão de economia legislativa. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Não varia. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. No entanto. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . 69. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO).☺Art. 69. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. Anotar como complemento posteriormente. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental).  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Reservada pela CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . é sempre o mesmo número ☺Art.status constitucional. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Lei ordinária Art. que regula a LC. OBS: O art. 47. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Por ser uma matéria reservada.

A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Parei aqui. no caso de repartição vertical. 102. há hierarquia. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. CR. conforme previsto no art. 21. ☺Art. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). Assim. Assim. pois não está ligada diretamente à Constituição. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. assim. d. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. como o controle exercido será de constitucionalidade. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. • Estado – ☺Art. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). • União – ☺Arts. 30 (assunto de interesse local). III. 25. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. 16 . a competência para resolução é do STF. não cabe ADIN. E. DF). Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. Hierarquia entre Lei Federal.: lei estadual trata de matéria de competência da União). Havendo conflito (ex.

tem função interpretativa). todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. Refere-se. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. 17 . este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. como para Canotilho. Abrangeria não somente a constituição. Não existe. A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. visando assegurar a supremacia da constituição. etc. deve estar inserida no texto da CR. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. portanto. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. Tirando o preâmbulo. os TI de direitos humanos. . é diretriz hermenêutica. . quando são equivalentes às EC. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. ou seja. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. contudo. Como não tem caráter normativo. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Assim. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. . seja uma norma de referência para ele. Com a EC/45. mas também o preâmbulo. o CDC. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. b) Parte permanente = normas gerais – arts.

quando não é respeitada uma norma de competência. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).de princípio programático. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação.: a Súm. 5. não será cabível mandado de injunção. as Súm. I – que exige LC para instituir impostos residuais). diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. ou seja. ADI. §1º.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. pois. não pode ser suprido pela sua sanção). Ex. 154.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). . 18 .Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. mas o prof. AIO. No STF. ou seja. . 69 – desrespeito a quorum de aprovação. CR).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Ex. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. às vezes. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). 5° a 17). Pode ser: . o Min. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . STF não é mais aplicada. mas caberá ADIN por omissão).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . A omissão parcial nada mais é que uma ação. Aqui. 3. 61.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada.: competência privativa do PR (☺art. Formas de Inconstitucionalidade: 3. 3.de princípio institutivo (Obs. Obs. 4 e 5. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. aliás. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. 3. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. ADC e ADPF. Não Auto-executável.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. MI. Ex. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. (Obs. ocorre. Ou seja. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial.: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Assim.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. Dependem do prisma de observação. se considerar em relação a uma expressão é total. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. há uma divergência na doutrina.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. art. Assim. Não Auto-aplicável. e Não Bastante em Si.

a inconstitucionalidade será direta. Quando se fala em inconstitucionalidade. pode ser questionado. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. decretos regulamentares. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. como altera sentido do texto.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). 59. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. que só pode atingir todo artigo. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. Ex. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. § 2°). no controle concentrado abstrato. pois. CR. Assim. Relaciona-se. reflexamente (ou de maneira 19 . 3. não pode ser retirada). ato originariamente constitucional. 66. de ofício ou a requerimento da parte. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. refere-se. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. já sendo inconstitucional desde a sua origem. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. ou seja. No caso da lei. o decreto se torna inconstitucional. Para o prof. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. não se trata de revogação. b. Se o decreto é ilegal. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido.: a palavra “não”. toda alínea ou todo inciso (☺art. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. que se ligam indiretamente à constituição.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. e grande parte da doutrina. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. Ex. aos Atos Normativos Primários. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. o que houve foi um desrespeito à Constituição. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. atos previstos no art.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. Obs. todo parágrafo. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI).2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. Pode ser: b.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Segundo STF. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). a inconstitucionalidade será indireta. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. No caso do decreto.

O veto é relativo. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. é excepcional. a inconstitucionalidade será direta. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. IV. é fundamento de validade direto e no 2° caso. EX:art. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. 84. Trata se de um controle incidental. 84. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. portanto. promulgar e fazer publicar as leis. como pelo PE e PJ: . §2º. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. por isso ocorre antes da promulgação da lei. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). O veto tem que ser expresso. ele não precisaria impetrar o MS. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias).: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. porque o ato não fere diretamente a CR). que se exerce através do veto (☺art. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). prevenir que a CR seja violada.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. OBS: não adianta decorar o nome do ato. O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). Obs. o projeto 20 . já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. O único legitimado para impetrar esse MS.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. No 1° caso. pois pode ser derrubado (☺art. quando ele participa do processo legislativo. Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. porque ele é o único que participa do processo legislativo. 66. . segundo o STF. CR). parágrafo. inciso ou alínea).Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. embora participe do processo legislativo. Caso contrário. mas sim analisar cada caso concreto. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. 60 parag 4. a inconstitucionalidade é indireta. IV . .ou concreto. tem fundamento de validade indireto. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. já que de maneira indireta. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. O chefe do PE. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. assim. porque o chefe do PE. se ele entender que o projeto é inconstitucional. Art. viola o art. 66. por isso aqui não há que se falar em controle).sancionar.. CR. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. ela não está violando o direito de ninguém). mas uma mera análise política. não pode impetrar o MS.

Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. Na verdade.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. as cláusulas pétreas. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). que é o chamado Decreto Legislativo. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. §4º. tendo como objeto esse Dec. interpretações regimentais. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). No entanto. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. muito embora não sejam formalmente constitucionais. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. a fim de repará-la. ou seja. a separação dos poderes. aos direitos fundamentais”. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. que..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. na linha do voto de Gilmar Mendes. V . CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. secreto. contudo. pode ajuizar uma ADI. vedando-se. 21 . Assim. somente o Deputado Estadual. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . ☺art. vinculam os atos e procedimentos legislativos. se na Assembléia Legislativa. já que trata-se de um ato normativo. o voto direto. mas somente o parlamentar da respectiva Casa.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. que entende que “. Leitura do livro do Lenza (pág. os direitos e garantias individuais” – ou seja. etc. 168): o STF. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. em um primeiro momento. e as normas do RI são questões interna corporis). pois não se trata de ato normativo. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Se o projeto tramita na CD. ADC ou ADPF. universal e periódico. 49. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. na qual o projeto esteja tramitando. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. Ademais. Questão: o PR.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. Legislativo? Sim. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. 68. mormente. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. desta feita. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. CR. constituindo-se normas constitucionais interpostas. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. mas um processo legislativo constitucional. por maioria de votos. V. se está no Senado. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. o PR elaborará então a LD. não lhe cabendo. 60.. o Senador.

O chefe do PE (e só ele – PR. No entanto. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). já no STJ não há qualquer ressalva. II) art.. III) Súmula 347.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. nesse caso o CN pode editar um Dec.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. Assim. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Legislativo para sustar. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. IV. é necessário fazer-se um controle repressivo). Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). pode o PJ analisar tais pressupostos. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . GE. . no exercício de suas atribuições. ao fazer um Decreto Regulamentar.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. nesse caso. ela deve ser objeto de controle. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). tampouco que o PR. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). por ex. O TC é órgão auxiliar do PL (art. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. Não se analisa o mérito da MP). Antes da CR/88. Obs. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. ao negar cumprimento à lei. CR). Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. não é um entendimento consolidado. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. quando. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. porém.. não havia relevância alguma). Gilmar Mendes. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). CR). 71.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. mas tão somente aos prefeitos.. mas segundo o Min. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. exorbita os limites do Poder Regulamentar. 4. Ele será. simultaneamente. . Após a CR/88. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. o chefe do PE teria que. clara e evidente – ou seja. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. Desde já. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. STF: o Tribunal de Contas. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional. 84.084). devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. segundo o STF? Resposta: em regra. Apenas excepcionalmente. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). esse rol foi ampliado. pois. ou seja. 62. estudado de forma detalhada a seguir. ajuizar uma ADI. através da edição de um Decreto.

difuso e concentrado). c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. quem exerce o controle é o PJ. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. já foram feitas 56 EC! 23 . Segundo caso. se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional.: França – que tem o Conselho Constitucional. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. interessante: em 1965. já na CR/88. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). que completa este ano 20. Por isso. No Brasil. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. porque significam coisas diferentes!). ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. Por isso. e é adotado pela maioria dos países europeus. em se tratando de lei nacional. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. com 19 anos de Constituição.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto.Hilton x U.: na Suíça. dentro de sua competência. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). Primeiro caso.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. ou seja. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. haviam sido feitas apenas 16 EC. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. se se tratar de lei local. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. porque surgiu nos EUA. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. inclusive o STF). porque surgiu na Áustria. isso não é verdade. o controle é feito pelo PL. 4. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. mas das espécies de controle.S. 1792 Hayburn s case. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana).A. em 1803. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). ao mesmo tempo. Ex. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. para não gerar essa confusão. É também chamado de controle aberto. Obs. em 1920 (bem depois do controle difuso). Seu criador foi o grande Hans Kelsen.

ou tendência de verticalização. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. A análise da lei sempre será feita em tese. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. No direito brasileiro. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. o principal defensor dessa tendência é o Min. nos EUA chamado de “Binding Effect”. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. ou seja. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. também não podem ser objeto de controle abstrato. Segundo este instituto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. 97. 102. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. por ser uma relação vertical. porque em estando revogada. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. já não ameaça mais a supremacia da constituição. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. e a partir desse antecedente. é proteger as normas da CR. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. mas deve ser estendido ao controle concreto). se fala em efeito vertical. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. Por isso o Min. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). mas tão somente de controle concreto. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. No Brasil. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Este efeito é típico do controle abstrato. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. A finalidade não se confunde com a competência. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. Com base nesse argumento. O efeito vertical. (O STF é o guardião da CR – art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Gilmar Mendes. Da mesma forma. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. sendo o controle 24 .

dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. o Min. Eros Grau. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Gilmar Mendes. O Relator da Reclamação foi o Min. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. Antes. No Acre. o direito de greve dos servidores públicos. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. E.959/SP. não permite essa mutação). sendo acompanhado pelo Min. Por fim. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. Então o Min. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). Não houve reclamação quanto a essa decisão. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. ou seja. ou seja. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena.917/SP. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). segundo ele.335/AC). até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. em seu voto. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. CR. então não sabemos a posição dos demais ministros. Gilmar Mendes. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. Na decisão do STF. ainda. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. Assim. viola o princípio da igualdade. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. 52. Assim. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. houve decisões proferidas em 3 MI (712. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. 4. não há necessidade da suspensão pelo Senado. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). sem que ocorra modificação no seu texto. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. se assim fosse. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). do PL. No Legislativo: Mas. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. tendo efeito apenas inter partes. que deu provimento à reclamação. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. não uma simples mutação. como a decisão tem efeitos inter partes. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Então. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. ou seja. Pois no controle difuso. e não erga omnes. 25 . Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. pelo menos por parte de alguns ministros. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. em ocorrendo isso. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. Por fim. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. Outra situação interessante foi o RE 197. X. ou seja. Gilmar Mendes (e também o Min.

O papel do STF não é julgar litígios individuais. somando-se os votos de todos eles. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório.417/0 e Lei 11. por estarem mais próximos dos indivíduos. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. não tem natureza processual como as súmulas comuns. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. Contrários a essa tendência de abstrativização. (☺ Lei 11.1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. Segundo Eduardo Appio. ou seja. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. A súmula vinculante tem natureza constitucional. concorda com isso). eles não se reúnem fisicamente. é um instrumento de controle concreto e há. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. não é o objeto principal do pedido. Caso contrário o STF não vai admitir o RE.418/06). fundamentação e dispositivo. por sua vez.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão.art. atualmente. não cabe ao STF analisar. a rigor. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. estão os procedimentalistas. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. analisado no dispositivo (conseqüente). social. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. político ou jurídico. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. A repercussão geral (art. o que se dá no “plenário virtual”. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. pois tem o papel de guardião da Constituição. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. O RE. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). 26 . 102. No controle concreto. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. 103-A). Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. mas apenas a causa de pedir (antecedente). § 3°. Num segundo momento (conseqüente). uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. julgando-o procedente ou improcedente. é uma questão incidental. não precisam chegar até o STF.

. eles também são vinculantes. ou seja. o efeito vinculante atinge as normas paralelas. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica.Lei 9. 10. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. art.882/99 – ADPF. 5. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . a razão determinante da decisão. §2º. sejam poderes públicos.vinculante.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. P. .: . questões ditas de passagem.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante.868/99 – Lei da ADI e da ADC. mas tão somente a ratio decidendi.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante).EC 45/04: art.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. 28. Sendo assim.U. . conforme está previsto no caput do art. a chamada eficácia vinculante. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. há previsão não só na lei como também na CR). Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. 27 . e ele se encontra no Dispositivo. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional.erga omnes . não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . Mas não é tudo da fundamentação que vincula.I. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. secundárias do julgado. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. Ademais. mas também à fundamentação. 102. não determinantes para a decisão) não vinculam. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. . . sejam particulares. art. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: .Lei 9.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. Dispositivo L.Obter Dicta: não tem efeito vinculante. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. 102. Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos.

o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. mas sim fiscalizatória. No entanto. também fica vinculado). inclusive os chefes do PE. cuja função não é legislativa. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. .: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. mas os sistemas de preclusão processual. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. Respeitando o efeito vinculante. estadual e municipal). inclusive o Tribunal de Contas. . Obs. suas turmas e seus ministros. Por este entendimento. Só atinge a norma impugnada. estes estarão sim vinculados). a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. . O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. impedida de evoluir). se as leis devem ser cumpridas. . Atinge a norma impugnada + normas paralelas. a função legislativa). mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. já os órgãos fracionários do STF.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio. e outros dizem ser um ato anulável. (20/03/09) 5. mesmo que não tenham sido impugnadas. pois atinge apenas o dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: .Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. outros dizem ser nulo. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. 28 . no caso Marbury x Madison).Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA.o PL (na verdade. que se quiser. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. .) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. pode modificar seu entendimento. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. até que o PJ a declare inconstitucional. como a coisa julgada. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. segundo o prof. É um entendimento que vem desde 1. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. por sua vez. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto.

☺art. A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. autor e réu. portanto..917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. Ou seja.)”. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). Lei 9. com inteiro teor). Mas. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. porque o ato é nulo desde a sua origem. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. não precisariam deixar os cargos. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. 11).Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. ☺RE 197. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. que revogou a Lei A. O STF. Neste caso.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. . 27. o efeito que produzirá.). e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. portanto. com seus normais efeitos ex tunc. como regra é retroativo: ex tunc. os efeitos são erga omnes). como os servidores agiram de boa-fé.” . como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.868/92 (art. . vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. como a Lei 9. etc. no caso do controle abstrato.. Visto a natureza do ato inconstitucional.112/90. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. o Min. ou 2) excepcional interesse social.Normas anteriores à CR. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (.882/92 (art. e não no de não-recepção). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. 27). poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). Assim. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). o STF. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Exs. poderá o STF.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. não admite a “constitucionalização superveniente”. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. por questão de segurança jurídica. decidiu que. assim.

ex. 134. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex.: a norma x tem dois significados possíveis. era uma questão “obter dictum”. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. o resultado será o mesmo. mas. mas nem sempre. 5. . mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico).O Tribunal não precisaria 30 . quando todos os Estados tiverem DP. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. portanto foi recepcionada. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. o prof. . constitucionalidade. um significado A e um B. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. reproduzida pelo STF). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. Ex. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . assim. 68. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR.Corresponde a um juízo de . mas sua interpretação). não foram todos os ministros que se manifestaram). Ex. quanto . Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. CR x art. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional.Corresponde a um juízo de . com condições de trabalho iguais às do MP.O Tribunal precisaria observar . Segundo o STF. Em alguns casos.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. e a norma já foi recepcionada pela CR e. pelo MP – a competência é da DP e não do MP. CPP. com um só sentido). portanto. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. portanto. depois de ter sido recepcionada. a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. que trata da ação de reparação ex delicto. evitando a inconstitucionalidade progressiva. (A norma já passou pelo crivo da constituição.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. ela progressivamente se tornará inconstitucional).Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). de fato. para que este corrija a norma. controle difuso-concreto.2: art. à medida que a situação fática for alterada. chamada “Apelo ao Legislador”. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países).Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Assim. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado.

O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . no controle abstrato. 97). . . observar a cláusula da reserva de plenário (*). a cláusula de reserva de plenário. . o texto da norma.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. 3º. ou seja. 1º e 3º e.É permitida uma interpretação e. . 2º. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. por arrastamento. não podendo. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. o juiz pode.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. se for um dispositivo autônomo. de ofício. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. Assim. declarar a inconstitucionalidade. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. em razão do Princípio da inércia. nem sobre os demais. em regra. 2º. no controle concreto. mesmo que não tenha sido questionado.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. 1º ou do art. Obs. em princípio. portanto. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). se manifestar de ofício sobre o art. ou todo o artigo. no controle concreto. esta só se faz necessária quando se afasta. .É excluída uma determinada interpretação. Trata-se de controle abstrato. 1º e 3º. que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). Na declaração com redução de texto. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. são excluídas as demais. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei.É uma técnica de decisão judicial. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. ser objeto de ADI. desde que não altere o sentido do restante da norma. do art. (*) Para o STF. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. o juiz não pode. 2º for dependente do art. O STF. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. . Ocorre que. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos. portanto. dentro de uma mesma lei). se o art. da Lei x. b) Com redução de texto: b. como ambas são equivalentes. de ofício. 2º. não poderá. . total ou parcialmente.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional.: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode).Não há qualquer modificação no texto da norma. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). b.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que. e são permitidas as demais.

de ofício. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. e por arrastamento.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. portanto. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. O dispositivo. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado. julgará procedente ou improcedente o pedido. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. Neste caso. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. ADCe ADPF). mas também quando há usurpação da competência do STF). o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. Assim. todo controle difuso é concreto. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. pois será uma questão discutida incidentalmente. julga também inconstitucional o decreto. mas apenas a causa de pedir. dentre elas a ACP. Contudo. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. já que o STF pode. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. neste caso. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Obs. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. portanto. apesar de sozinho não ter aplicação. ACP para fechamento dos bingos. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. porque. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. Sobre o tema: 32 . Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). Mas nem todo controle concreto é difuso. Ou seja. mas é que esta não é necessária. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. No Brasil. o STF entendeu que não houve usurpação da competência.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). O pedido será a proteção de direitos. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. Ex.

Nada impede.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. é função possível de ser delegada. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. Assim. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. 97. não pode ser delegada. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. em defesa de contribuintes. 93. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. conseqüentemente.: eleição do Presidente do tribunal. dotada de caráter de universalidade e abstração”. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. os Tribunais não têm admitido que. 294. no caso.. que é função legislativa. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. porém. STJ ☺ Resp. Os juízes singulares podem.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. porém. por meio da ACP. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. por entendê-la inconstitucional (inter partes). que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. Segundo esta cláusula. as chamadas leis de efeitos concretos. 97. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. na prática. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). elaboração de Regimento Interno. Assim. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). Em outras palavras. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. e no mínimo 11 membros. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. por exemplo. também não pode ser delegada). ☺art. de efeitos concretos. que é mais de 50% dos presentes). A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. STJ ☺ RE 227. que é função política.646. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). no âmbito dos Tribunais. Regra da “full bench”. pois. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). desde que. 33 . Assim. 557. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. XI – órgão especial: para que seja criado. teremos uma lei material. No tocante. porém. o que só se pode obter por meio de ADI. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências.022. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. por ex. assim. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.159. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade).

o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. 481. Há uma repartição funcional de competências. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. 97. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão). deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. como guardião da CR. ☺art. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. . Há quem critique tais exceções.U. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. ao órgão especial). chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). abstratamente. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). Decidido o antecedente. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. se existir no Tribunal. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. O professor não concorda. 34 .)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. podendo decidir o caso concreto. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. P.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. a argüição de inconstitucionalidade (. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. de acordo com o posicionamento do STF. pela maioria dos seus membros. Exceções: P. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). prosseguirá o julgamento. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. assim. no entanto. porque para o STF ambas são equivalentes. sob o argumento de que o dispositivo (art. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. se entender que a lei é inconstitucional. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”.. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade.U. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. 481. se for acolhida. sabe-se que o STF é o guardião da CR. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. Quanto à 2ª exceção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. Assim. ou em caso de interpretação conforme. será lavrado o acórdão. CPC) seria inconstitucional: o art.. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes).

bem como ou STF. se assim o fosse ela já seria vinculante). a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. ela se refere à decisão do STF. portanto. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. que não pode ser retroativa. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. a decisão do STF. RISTF. É o entendimento mais correto. Na verdade. a lei deixa de ser aplicada. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). trata-se de uma competência exclusiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. O SF apenas suspende a lei. como se tratasse de uma revogação. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. Quando o SF suspende a lei. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. esta decisão deve ser submetida ao plenário. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. entendem que se trata de um ato discricionário. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. ou seja. passa a ter efeito erga omnes. em regra. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. Ou seja. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. o SF não pode suspender toda a lei. A cláusula vale também para o controle concentrado. CR – compete privativamente ao SF suspender. Ademais. sustentam que o efeito é ex tunc. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). O SF não é obrigado a suspender. X. que não comporta delegação. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. 178. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. por isso o faz dali em diante. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. O STF já admitia essas duas exceções. 52. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. A suspensão se dá através de uma Resolução. 2) Outros autores. Outros autores. 35 . art. quando isso ocorre. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. no todo ou em parte. Efeitos. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. não estando vinculado à decisão do STF.

já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. Mas. deve-se recorrer ao entendimento do STF. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. mas. 57. 59 e segs. Neste caso. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Gilmar Mendes. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. Segundo o professor. CR: prevê o escrutínio secreto. cujo modelo. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. esta norma não é de observância obrigatória. Na ADPF este fenômeno também é possível. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. ou seja. no controle difuso-concreto. 61: iniciativa do presidente. RISTF) – e isso é óbvio. LC. 178. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). segundo o Min. já o SF não. por ser um órgão do PL Federal. sendo norma de observância obrigatória. CR. o que. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). um RE para o STF. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. Nas situações em que o TJ julga. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. obrigatoriamente. desta decisão proferida pelo TJ. É uma construção da jurisprudência do STF. Ressalta que a letra da norma (art. §4°. Art. LO. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. a partir do momento que resolve fazê-lo. Por isso. e se o STF. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. 52. a resposta é negativa. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. se for apenas uma parte. cabe. configuraria uma mutação constitucional. normas referentes ao TCU. Art. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. não se referem ao âmbito estadual e municipal. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. etc. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. não havendo a necessidade de suspensão da lei. se toda a lei foi declarada inconstitucional. já que o SF não atua de forma correta. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. em razão do princípio da simetria. 66. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. Segundo o STF. esse entendimento é desejável. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. O SF. está fazendo uma análise. requisitos para a criação de CPI. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. CR) não comporta este entendimento. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). Quando se fala em decisão definitiva do STF. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. pela simetria deve ser atribuída ao governador. o SF só poderá suspender a lei por inteiro.

O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. É também uma lei emanada do CN. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. estadual. mas não trata apenas dos interesses da União.). etc. portanto. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. 58. estadual e municipal. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. por isso pode suspender leis também dos Estados. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Sabe-se. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). no todo ou em parte.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. está defendendo interesses apenas da União. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse.: CTN. pelo Senado Federal. não havendo. 52. se aplicando ao âmbito federal. Quando o SF suspende os efeitos da lei. Classificação de Osvaldo Aranha B.: arts. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. X. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. também.” Análise do enunciado pelo prof. a suspensão. por não existir uma federação de municípios. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. no controle abstrato (ADI. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. visto que. §3º. por isso pode suspender lei estadual e municipal.: art. Ex. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). retirando a lei do ordenamento jurídico. assim. CR). só se aplicando ao âmbito federal). Ex.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. Assim. os que tratam do TCU. distrital e municipal). não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). Ex. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Ex. 19.: Lei 8. outros 37 . como aos Estados. da organização da União. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. art. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. porém. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. 37. quando o SF atua. que deve ser observado no âmbito federal. o SF teria um número enorme de representantes). É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen. São os dispositivos que se referem tanto à União. ADC ou ADPF). Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. do DF e até municipais. Quando o SF atua como órgão federal. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. 59.

O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). por força do referido Decreto nº 2. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. é a AL que suspende a lei. MS. não retroativos). visto que. Segundo o STF. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. Poderá. RN.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. de fato. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes). uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . porque o seu parâmetro não é a CR. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). é sempre a AL que suspende a lei. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. 2º grupo: . quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. . Portanto.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. Entretanto. declarando uma lei inconstitucional. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. de 10/10/1997. no âmbito da AP Federal. pró-ativos (ex nunc). da AP Federal direta e indireta. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. em decisão definitiva. SE e AM. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. TO. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). adotou-se. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. Embora não haja consenso. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. 38 .346. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. os dois tipos são constitucionais. visto que. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. é a Câmara Municipal. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. então. Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional).346. na sua esfera de competência. Com efeito. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF.

mas sim legitimados. A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. 103. e não do trânsito em julgado. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. Obs. . isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).ADC. que são a União e os Estados).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. ela é meramente jurisprudencial). . → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. 39 .868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. A Constituição. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. e . 4) Recurso da decisão de mérito. de acordo com essas leis.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. Como são ações de controle abstrato. tendo partes – autor e réu. a ampla defesa. ou na CR ou na lei. 5) Ação rescisória. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. deve haver a previsão da legitimidade. em seu art. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . ☺Lei 9. Por se tratar de um processo de índole objetiva. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). onde não existem partes formais (autor e réu). não cabe. a competência é do TJ).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. obviamente.ADPF.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. o duplo grau de jurisdição.

Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. ou seja. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. para ter legitimidade. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. segundo a jurisprudência do STF: .Confederação sindical significa de âmbito federal. Obs. CS e ECAN. . . Assim. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. .S. . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. a partir de então. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).A entidade de classe. .Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. Para ter âmbito nacional..Os GE.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). confederação local: sindicato. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. .A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.A norma do art. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. . Executivo PR GE – GDF P. mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente). confederação regional: F. Os demais podem fazê-lo sem advogado. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação).O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.

em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. a. sem interferência do PJ. 102.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. ele poderá ser objeto. I.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. §3º . I. o RI pode. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. decreto regulamentar. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. pois geralmente está abaixo do decreto. são questões próprias de RI.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). admite-se o seu controle.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .TIDH (3/5 e 2T) . por isso não é ANP). 1º. Não serão objeto de ADI e ADC. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. Ex.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. para ser objeto de ADC e ADI. .normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato.Norma formalmente constitucional . . salvo se envolver violação a direitos fundamentais. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade).atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. 102.☺art. geral e abstrato.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. ou seja. OBS. . já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. nas normas que tratam de outra matéria). Lei 9.questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição).: decreto regulamentar do PR. todas estão no mesmo nível. 41 . CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. caso o decreto emane diretamente da CR. a. direitos e garantias fundamentais. Obs. 5º. como por ex.

sem exceção. e. 103. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. portanto está subordinado ao PR. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. . chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). § 3° é uma função especial. como está havendo uma influência de um controle no outro. O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. ele vai atuar como fiscal da Constituição. não ameaça mais a supremacia constitucional. não pode ser objeto de ADPF: . CR. Lembrar que não cabe assistência. Hoje. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. §3º. 42 . Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. Função geral do AGU (art.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. 103. ou seja. Mas. A função do art. Atuação do PGR: ☺art. Lei do DF não pode objeto de ADC. leis suspensas pelo SF. pois não produzem mais efeitos. na outra. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. é preciso primeiro ser transformado em EC). medidas provisórias revogadas. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). também poderá dar parecer em sentido contrário. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. se seu entendimento for diverso. o STF admitiu. posteriores a 5/10/88. salvo embargos de declaração. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. ainda que ele proponha a ação – ou seja. de defensor legis. pode ser qualquer ato do poder público. §1º. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ainda. intervenção de terceiros e recursos. STF).leis revogadas. CR. da mesma forma na ADPF. por analogia.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Obs. No caso de emenda. segundo o STF. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. devendo ser de todos eles intimado.Súmula. . ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. só podendo ser objeto de controle difuso. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. se um novo PGR o substituir. Gilmar Mendes e de um prof. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. Assim.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. O PGR atua como “custus constitutionis”. 103. Tem status de ministro de estado. Atuação do AGU: ☺art.

Importante: ainda que como Advogado da União. mas não têm nada haver com amicus curiae. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). de “defensor legis” e. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. art. a Lei 8. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional.868/99 vale só para a ADI. 7º. o AGU não será obrigado a defender a lei. seria “amigo do tribunal”.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). o das audiências públicas. A audiência pública está prevista na Lei 9. A previsão expressamente contida no art. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. disciplinou a figura. Posteriormente. em seu art. nos estados que adotam a commum low.868. §1º e art. §1º. Portanto. 482. Quando o AGU desempenha essa função.868. portanto. não há o que se defender. ☺ art. por analogia. Está desempenhando uma função especial. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. Foi introduzida pela Lei 6. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). 7º. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Não há previsão para a ADC e ADPF. Ele não é alguém interessado na causa. em especial no direito norte-americano. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. 89. 20.385/73 (☺ art. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. por fim. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. Tem natureza de auxiliar do juízo. só vai contribuir para a decisão do tribunal. É muito comum nos tribunais internacionais. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. A exposição dos motivos da Lei 9. art. 31). Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. §1º. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes.884/94 (CADE).868. §2º da Lei 9. Ela já existia antes. 43 .Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. . Amicus Curiae: Em uma tradução. sendo feita por toda a sociedade.868/99 -☺art. Mesmo sem previsão legal. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. o AGU até poderia participar. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. 7°. Nesse caso. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). §3º. 6º. Na ADI por omissão. “amigo da corte”. §2º e art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Mas atenção: existe um outro instituto. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Cabe também na ADPF. Na ADPF. não precisará do AGU para defendê-la. 9.

ou seja.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. “a”.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. Barbosa e E. . Obs. segundo o professor. Aurélio. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). Surgiu com a EC/03. M. . 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. J. ou seja. não tendo partes. Apesar de que era relevante. pois admitiu pessoa física em controle concreto.102. Mello. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). cabe amicus curiae. portanto. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. ressalta-se que esta é apenas relativa. O juiz de primeiro grau. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros.. Para o prof. seria uma exceção). autor e réu. É. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. I. em despacho irrecorrível. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. Quando 44 . (Obs. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. por ex. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF.868/99. porque iria envolver matéria em relação à vida. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. a mais correta. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. O STF ainda tem exigido pertinência temática. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente).Com relação à presunção de constitucionalidade. admitindo ser intervenção de terceiros (C. R. . Lewandowski. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Lei 9. Mas depois que a lei foi feita. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. é um equívoco. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. poderia afastar esta presunção.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Marco Aurélio não admitiu. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. admitindo prova em contrário. Foi uma exceção.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Gracie).

os preceitos fundamentais são: . Mas. ADPF: ☺ Art. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. . Como visto. e .868/99.869/99. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. é mais restrito: somente a violação. 45 . 34.Princípios Constitucionais.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas).). Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. art. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. . esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. . mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. III). Gilmar Mendes.102. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional. Segundo a doutrina.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. II. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário. O parâmetro. 14. para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. §1º. o FHC ajuizou ADC. O STF admitiu ☺Informativo 518. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.14. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. VII). nas outras ações ela também poderá ocorrer). art. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. na ADPF 33: .21. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). Cabe prorrogação. . em seu art. portanto.U. pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. inclusive o Poder Executivo. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. a Lei 9. não há que se declarar uma lei constitucional).Princípios Constitucionais Sensíveis. nos quais a lei esteja sendo discutida. . Portanto. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. Através do AGU.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art.Cláusulas Pétreas. CR e Lei 9. e . O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário.882/99. P. no entanto. Não é uma ação de inconstitucionalidade. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.Título I: Princípios Fundamentais.868/99.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. .Cláusulas Pétreas.

na ADPF. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. Incluindo-se. 4°. § 1° da lei 9. Aqui. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. 1º. estadual e municipal. Ela vai ao juiz de primeiro grau. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie.: surge a partir de um caso concreto. art. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. 46 . Mas se algum dos legitimados souber da ação. P. neste rol. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. Art. ainda. Proposta diretamente no STF. Características: . Obs.: gestante com feto com acrania. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. O objeto pode ser da esfera federal. podendo ser um meio de controle difuso. 1º. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). embora seja bastante difícil existir esse meio).882/99).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. ou seja.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. como guardião da CR. dentro do mesmo tribunal. Ex.U.882/99. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. os legitimados podem levar não todo o processo. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. a vinculação é vertical. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. embora lá há uma vinculação horizontal. apenas o STF. Segundo Neri da Silveira. Um dos legitimados. 196 e ao meio ambiente. leva a questão ao STF através de ADPF. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. dentro do órgão judiciário).: ADPF 54 (questão do anencéfalo).

5°. É controle abstrato. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. . É a mesma da ADI. TSE/TER (art. Obs. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . 105. Ex. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). em se tratando de órgão administrativo.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. 121.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. Assegurar a efetividade de suas normas. 103. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). h). nas CE ou em lei federal). No entanto. mas a converteu em ADI. É controle concreto.Admite-se a fungibilidade. 47 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . . LXXI . ADC e ADPF (art. V). em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. para fazê-lo em trinta dias”. o STF transforma a ADPF em ADI. § 4°. I. STJ (art.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). O STF admitiu a ADPF. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. por ex. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. .. I.CR: STF (art. à soberania e à cidadania). será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. . 102. II e III). coletivos e individuais indisponíveis (art. q).conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. § 2º . 129. à soberania e à cidadania”.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. 5°.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos.

segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). Há. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos.Órgãos públicos. público: MI protege dir. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. Mas atenção. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. LXX: PP c/ CN. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. Recentemente. competente de sua omissão (em regra. mudou seu posicionamento. Obs. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. apenas razoável e não peremptório.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. ou seja. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. 5º.MI Coletivo: o STF o tem admitido. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. concretize a norma (faça a norma concreta). Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. não pode concretizar a norma. ou seja. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. portanto.: na ADI 3682 b. O STF.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. mas esse prazo era direito. entes federativos e PJ dir. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. portanto não podem impetrar MI. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. no entanto. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. recentemente. fundamentais em face do Estado.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é b) Concretista: concretiza a norma. Se o PL) e. autores que admitem. não pode fazer a norma para o caso concreto. . ECAN e associação c/ 1 ano). A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. em se tratando de órgão da AP. organização sindical.

mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. No MI. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. ou seja. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. como regra. 680. nestes casos de omissão parcial. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Ela se subdivide em – geral e individual. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. não cabe liminar (antes. VI). 2.040). O efeito seria apenas inter partes. Mesmo adotando a corrente concretista. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. 49 . a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. A regra é o principio da não-intervenção. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. criando uma norma geral e abstrata. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). Surge a partir do caso concreto. 34. ao mesmo tempo. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. o PJ. 36. A omissão total não cabe MC. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. ou seja. pelo STF. em um primeiro momento. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. CR (provimento. III. 708 e 712). O STF adotou essa corrente no MI 232. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. e 2) recusa à execução de lei federal (art. porque nem a AIO tem esse poder. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. De acordo com esta concepção. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. Essa corrente é bastante criticada. intervir nos Estados). 34. VII). ademais. Portanto. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. Recentemente. ou seja. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. porque adotava a corrente não concretista). 652. o STF está atuando como legislador positivo. a intervenção é uma exceção (a União não pode.

§2º. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. portanto. mas sim. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. O RE. ☺art. O STF é o guardião da CR. É dispensada a apreciação política pelo PL. 35.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. foi uma criação da jurisprudência do STF. Esta forma não foi prevista na CR. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. 127. CR. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). As partes aqui são o Estado e o Município. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. Isto está previsto no art. 125. ☺art. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. 50 . se o STF der provimento à representação do PGR. o PR então poderá decretar a intervenção. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). IV. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. 36. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. nem no RISTF. § 1°. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. além. OBS. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. se violados. da ADPF). e sim em face da CR. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). que é o pressuposto para a representação interventiva. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). é claro. O parâmetro aqui é mais amplo. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. STF). CR). no âmbito federal). A decisão do STF tem natureza político-administrativa. no âmbito do TJ. §3º. mas que surge a partir de um caso concreto. 614. será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. CR. CR. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário.

Obs. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Assim. um dos precursores dessa doutrina. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. analisa-se se o poder é legítimo ou não. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. que. que formulou esta teoria no fim do Séc. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. Modernamente. que é sempre superior aos poderes constituídos. que deve observar o direito natural. social e juridicamente organizado. por delegação popular. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. Portanto. segundo o Abade Sieyès. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. São apenas órgãos aos quais se atribui. ou seja. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. é a nação. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. cria o Estado. XVIII). Bonavides. mas jamais é quem o exerce. Assim. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. C. Está acima do direito positivo. expressa por meio de seus representantes. a vontade do constituinte é a vontade do povo. Na 1ª etapa. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. segundo o abade Emmanuel Sieyès. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. É ele um titular passivo. em alguns casos. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. editando a nova Constituição. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). o exercício dessa magna prerrogativa. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. retira sua força do direito natural.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. em nome do povo. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. pode usurpar do povo a titularidade do poder. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. pois o Estado decorre da soberania popular. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. porém. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. corroborando essa perspectiva. Schmitt). Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Para os jusnaturalistas. Celso de Mello.

por conseguinte. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. já que o poder constituinte já é originário.Material .Formal . que é seu verdadeiro titular. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. há legitimidade objetiva.Decorrente (art. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. 25. ADCT) . mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. Obs. Espécies Tradicionais: .Reformador (art.: o prof. Assim. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). se esta correspondência existir o poder será legítimo. é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo.Histórico . 3º. correspondendo aos anseios daquela sociedade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). 60.Revisor (art. CR) . tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. ADCT. Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. art. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . Portanto. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . 11. para ser considerado legítimo. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. Dessa forma.Revolucionário .

que substituirá a anterior. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). foi criado um direito natural). Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. ex. b) é um poder inalienável. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. 1934. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. Obs. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). não perde a titularidade do poder constituinte. Apesar de ser um poder incondicionado. No caso do Brasil. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. No plano axiológico. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). Obs. é apenas uma classificação quanto ao momento. 1937.: este poder tem este nome porque para o Direito. 53 . . ela nunca deixa de ser do povo. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. através da Constituição. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. O povo é o titular do PCOM. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. GV).: se é um poder autônomo e incondicionado. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. O Abade Sieyes. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. a nenhum pré-requisito jurídico. No caso do Brasil. através de normas constitucionais. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. Ex. 1967/69.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). Obs. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). independente e soberano. 1988. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. 1946. ou seja. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. há alguns valores que são morais. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. mas não a primeira e sim uma nova.

observados os princípios estabelecidos na CR. por se tratar de uma conquista da sociedade. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. as constituições estaduais não são recepcionadas. A CR/88. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. Dentro desse limite. ele encontra limites no texto da CR. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos.. não concorda muito com isso. Não se trata de um limite jurídico. a doutrina deduz deste art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. No entanto. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). Esta AL. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. 11 do ADCT. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. Obs. ☺art. Quando a CR consagra o art. 54 . Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Fábio Konder Comparato fala. mas continua a existir como característica essencial deste poder. contudo. De acordo esse limite. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Ex. 25. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. com os avanços da sociedade. No caso da CR/88. mas meta jurídico (fora do direito). A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. na pena de morte. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). na verdade. Ainda que o estado seja soberano. por ex. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. 25. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. ficando um pouco relativizada. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. Ex. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. no art. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. A partir do momento que a CR surge. O prof. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte.

58. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). são as normas de auto-organização da União. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. Estão presentes no art. CR. . Obs.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. 57.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. V ???) I) Expressos na constituição: art. §1º . 58. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. §4º não é norma de observância obrigatória). VII. II) Implícitos: CPI (art. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. 75. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. mas foi uma decisão super apertada (6x5). que se estendem aos Estados. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . § 1°. 61. 59 e segs. vedada a recondução. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração.: presidencialismo x parlamentarismo). § 3°). composição. §4º. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . . processo legislativo (art. 34. CR. e o STF decidiu que não havia problema. ou seja. porque o art. 27. Mas.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário.: ☺art. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. Segundo o STF. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. 93.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. Obs.). aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. por enquanto. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. Se subdividem em: 55 . este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). 57. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. Há dois grupos: (art. são essas as normas de repetição obrigatória. diferente dos extensíveis. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art.

. . Ex. é conseqüente. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição.normas mandatórias: ex. ou seja. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . .: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados.titularidade: é do povo. mas é possível deduzi-las. . Trata-se de um poder previsto na CR e. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. . A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.não é inicial. decorre da lei e não da força. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. em qualquer estado da Federação (art.normas vedatórias: ex. cujo procedimento está previsto no art. 136).O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”.: os arts.. 3°. E. CR.é condicionado. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. 19. 34).). 137). portanto. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. . CR.. . II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 60. . portanto. 37. 60. DF e M.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada.é limitado.Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. . a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. 56 . CR (é vedado à U. .) – contém uma vedação expressa.não é autônomo.: art.. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I .exercício: é pelo CN. se for decretado o estado de defesa (art. Ex. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada.é um poder jurídico (e não de fato). §1º.: art. no entanto. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. uma limitação temporal para o poder revisor – art. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.. e se for decretado o estado de sítio (art. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. ADCT).

Discutido e aprovado. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. que é o período de 4 anos do mandato do PR.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. se a matéria for rejeitada. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). P.Feita a iniciativa. é o de que o art. 44. . através da iniciativa popular (art. após a iniciativa. 61. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. o PGR. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. 60 (incisos I. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados).A nossa Constituição é rígida. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. . não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. DF e DE. o STF e Tribunais Superiores. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. ademais. proposta rejeitada no dia 15/01.A última limitação formal objetiva está prevista no art. §5º. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). A Sessão legislativa (art. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. 61. no âmbito do PE. no âmbito do MP. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. No caso de projeto de lei. CR. assim. 61. . 67. Ex. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. apenas o PR. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. a PEC vai para a promulgação. Obs. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. §3º. do SF ou do CN. . não veta. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. ☺art. . sendo o art. . primeiro em uma casa e depois na segunda casa. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. para que. Este art. também chamadas de implícitas. §2º). ☺art. no entanto. ela será chamada de extraordinária. CR).Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. 62. apesar de não existir previsão expressa. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). 60. no âmbito do PJ. por fim. b) o entendimento majoritário da doutrina. 60. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. II e III) uma exceção à regra geral.U. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). . há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. não pode haver emenda de emenda.Além do PR. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). no qual há 4 sessões legislativas. §2º).). §10). CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. também podem propor projeto de lei o povo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. não promulga. 60. a PEC será discutida em cada casa do CN. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. possamos usar o procedimento previsto no art. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. 57 . 60. GE. 61 é a regra geral de iniciativa.

a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. São as chamadas cláusulas pétreas. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. 58 . A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. universal e periódico. segundo o STF. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. c) Assegurar o processo democrático. b) Preservar a identidade material da Constituição. c) Voto Direto. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. que é o modo como se realiza o exercício do voto. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. Secreto. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. mas sim. CR. pois. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. 60.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. o que é secreto é o escrutínio.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. VI.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. o que é universal é o direito de sufrágio. . não é secreto. Se elas não existissem. 150. §4º. Curiosamente. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. secreto. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. o voto não é universal. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. na verdade. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). a). cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. As cláusulas pétreas são. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). ademais. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Expressas: ☺art. . o direito de participar das eleições. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. Ou seja. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. Universal e Periódico: .

Há quem defenda. far-se-ia uma EC revogando o art. CP). Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. por uma questão lógica. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. . não tem nada a ver com CP). é CP. sendo uma garantia individual. não alterando-o). 150. Os direito fundamentais se encontram. pois foi o entendimento dado pela soberania popular. Assim. 2º. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. como um todo. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). comportam diferentes interpretações. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. Para ele. pois seria uma forma da fraudar a constituição. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. Ex. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. O prof. Mas o STF já considerou que o art. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. CR. sistematicamente. III. não concorda. mas refere-se a uma reforma. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . (23/04/09) 2. b. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. é o art. 60 seria CP. Os demais direitos e garantias fundamentais. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. ou. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. Assim. O art. todo o art. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. para posterior alteração do conteúdo. em princípio. posteriormente. 5º. uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. Lá estão as limitações ao poder reformador. CR). inclusive. 5º. pois. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. . com a dignidade da pessoa humana.: FGTS. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. 60 poderia ser modificado. são CP. e por conseqüência. Chama-se dupla revisão. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. dispostos do art. e não em direitos e garantias fundamentais. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. que não é unânime na doutrina. ADCT). 60. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. CR. segundo a qual o art. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. A CR fala em direitos e garantias individuais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. Obs. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. mas os demais não (ex. por isso. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. §4º. 60. não o serem). Um exemplo.: primeiro. não seriam cláusulas pétreas. que proíbe a pena de morte. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides).

5°. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. não sendo um princípio absoluto.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. CR). A limitação imposta no art. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. portanto. tem que haver previsão expressa na constituição. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. em sessão unicameral. 3º. esse era o entendimento do STF. Revisão é a via extraordinária. 3º. tem que haver previsão expressa na constituição. c) Máxima: a retroatividade não é automática. Com relação ao assunto acima. O direito adquirido pode ser relativizado. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. não abrangendo apenas leis em sentido formal. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. Antes da CR/88. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. 60. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. b) Média: a retroatividade não é automática. art. 3º. contados da promulgação da Constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. ☺art. não abrange EC. XXXVI. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. A retroatividade mínima é automática. mas ainda não pagas. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. mas seus efeitos surgem após a constituição. o STF tem entendimento unânime. Ex. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Ex. . O ato ocorreu antes. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). excepcional e transitória de alteração da Constituição. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. mas também emendas à constituição. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. em sentido formal. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. a constituição atinge prestações vencidas. Ex.

e de forma geralmente mais extensa. circunstanciais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. especificamente. 3º. já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. 61 . (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. §§1º e 4º). 60. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. ADCT. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. Além disso.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

X. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. Por isso. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. O grande problema é que. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). devido à complexidade da interpretação constitucional. eles são suficientes. Esse método não é apenas sistemático. 65 . Além disso. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. esses elementos são insuficientes. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. e não isoladamente. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). portanto. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. 52. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Na busca pelo “Espírito da Constituição”. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Ex: princípio da não contradição. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. Constituição da República. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. Toda norma está dentro de um sistema. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. só tem alma. É o início de uma interpretação. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. partindo da idéia de sistema. com algumas peculiaridades. como início e limite para a interpretação. Buscam os valores subjacentes à constituição. O texto da norma funciona. é também o limite para a interpretação. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. Ela não tem normas jurídicas. b) Histórico: no seu desdobramento. esse método também é conhecido como método valorativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Nele estão os valores supremos da sociedade. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. para o direito público. Não existe uma norma jurídica sozinha. como todas as demais. É como se a norma fosse o corpo da constituição. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. Por isso. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. aqueles desenvolvidos por Savigny. mas apenas valores: o preâmbulo. entra o elemento histórico evolutivo. e os valores fossem o seu espírito. para o direito privado. Imagine a Constituição norte-americana. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes.

Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Assim. da jurisprudência dominante. Ex. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). Ex. mas sim diante de problemas. os operadores do direito servem-se de topoi. porque trabalham não com a idéia de sistema. a favor e contra. enfraquece-se a força normativa da constituição. Por isso. que contraria o positivismo jurídico. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. cujo plural é “topoi”. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). pontos de vista ou lugares comuns. vence o argumento que for mais convincente. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. Esses pontos de vista. por ex. que é apenas mais um topos. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade.. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. Ex. de casos que comportam mais de uma solução possível. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. de argumentação. Este problema será solucionado pela argumentação. → Crítica: feita por Canotilho. pois comporta mais de uma solução possível). certa insegurança jurídica. da doutrina. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. acaba fazendo com que a interpretação seja variável.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. do senso comum. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. como ocorre neste método. Assim. Por ter uma feição mais política do que jurídica. os quais são submetidos a várias opiniões. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. o que geraria uma grande insegurança jurídica). esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. lugares comuns. ele também é conhecido como método sociológico. mais um 66 . Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. 2.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. Isso gera certa instabilidade. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Violação de correspondência de presos. formas de raciocínio. Os topoi são esquemas de pensamento. Problema é a questão difícil. Se se permite interpretações divergentes. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. ou a de que um é mais correto do que o outro). como. dos princípios gerais do direito. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. ou seja. O STF utilizou o seguinte argumento ( topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”.

É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. pois. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). se for caso de lacuna. Para este método. não podem ser utilizados de forma abstrata. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. Os métodos III e IV. devendo-se fazer uso de outro método. Assim. e sim na sua concretização. Hermenêutica e interpretação não se confundem. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Ocorre que. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. por serem métodos concretistas. Além de serem métodos aporéticos. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). e o problema concreto a resolver. são também métodos concretistas. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. e concretizador à aplicação. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. A principal diferença. 67 . se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Ele parte. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. sua aplicação a casos complexos. na sociedade aberta de intérpretes. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Método concretista. é preciso que haja um problema.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. quando se fala em hermenêutica. ainda que dos mais importantes. Não se pode separar as duas coisas. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. mas em concretização). Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). que a questão não seja simples. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. São métodos indissociáveis. Assim. porém. são coisas diversas. ou seja. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. como já vimos. de única solução possível. ao lado de Hans Kelsen. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. a compreensão prévia do intérprete. é bom lembrar. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. diferentemente dos dois primeiros. este método não poderá ser aplicado. não se deve falar em interpretação constitucional.

pois. é o comando que se extrai da norma interpretativa. regulada pela norma. Fala-se que são utilizados. aberta a toda a sociedade. Friedrich M.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. mas a toda a sociedade. é a realidade social tratada pelo texto da norma. Quando ele fala em democratização. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. ao mesmo tempo. ele dirige e. traduzido pelo Min.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . 68 . Judiciário. mas também na sua interpretação. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. bem como a quebra da unidade constitucional. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. Para ele. Paulo Bonavides o tratar como um método. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição.Elementos do âmbito da norma . por sua vez. mas também para a interpretação da Constituição. A democracia deve servir não apenas para a criação. Segundo o autor. O texto tem duas funções muito relevantes. Essas duas figuras podem ser. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. mas refere-se àqueles que podem interpretar. Não diz respeito aos critérios de interpretação. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. Assim. Ainda que a Corte seja o intérprete final. que têm legitimidade para a interpretação. Segundo ele. Na prática. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. O que ele chama de domínio normativo. . VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. em regra. O texto não tem o comando. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. limita a interpretação.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). A norma é o mandamento. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. ele na verdade não o é. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. a norma só surgiria após a interpretação do texto. Gilmar Mendes).Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina .

o poder legislativo é claramente fraco. que corresponde à vontade do constituinte originário. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. Esta questão está ligada à separação dos poderes. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Também denominado de originalismo. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. mas de forma concreta. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Após. que se subdivide em princípios e regras. Assim. Na verdade. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. 3) Existe uma única resposta correta. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. vinculante e obrigatória. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. Por isso o judiciário tem ganhado força. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. Segundo Conrado Hubner. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. sem modificá-la. quando interpretada. surge a idéia de norma (gênero). A segunda corrente. superado o valor da norma). Em virtude do caráter normativo dos princípios. No pós-positivismo. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. como a constituição é feita por representantes do povo. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). norma e fato. do povo. Hoje. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. A norma. os direitos têm que ser iguais para todos. preocupado com a segurança jurídica. surge o Positivismo Jurídico. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Assim. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). Entende que. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. 69 . no Brasil. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. textualismo e preservacionismo. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. bastante discutido nos dias atuais.

Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro.: aposentadoria compulsória. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. mas a medida do possível.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. há uma subsunção lógica. 70 . Ex. que apontam para o sentido contrário. bilateral). As regras possuem aplicação automática. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). → Princípios X Regras: . o que ocorre por meio da ponderação.Princípios. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. Ambos são normas. . caso a resolução seja feita com base na hierarquia. O grau de abstração é a diferença.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade. dentro do gênero norma jurídica. → Regras: são “mandamentos de definição”.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. isto é. Segundo Robert Alexy.generalidade . será invalidada. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. peso ou valor. Eles não definem a medida exata. princípios são “mandamentos de otimização”. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. genérica. ou seja.dimensão que eles ocupam (Alexy) . Elas se aplicam de acordo com a subsunção. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado).proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . quando se vai aplicar um princípio. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. impessoal. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. . Assim. e . como elementos do sistema normativo constitucional: . Princípios são muito mais abstratos do que as regras. em havendo um conflito no âmbito da validade. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. Alexy afirma haver exceções. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. ou seja. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. imperativa.Regras. é preciso saber quais são as normas opostas. . que envolvem a aplicação deste princípio. Para Habermas. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. A norma é um gênero e. impõem resultados. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e.Postulados.

também conhecido como antinomia de princípios. Com base nessas premissas. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Os postulados são denominados.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. cronológico e da especialidade. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. nem estabelecem competência ou conduta. Eles não apontam um fim. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. É um conflito sempre no caso concreto. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. Ex. Mas e os postulados? Segundo esse autor. por isso não são aplicados diretamente. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. embasados na supremacia da Constituição. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Não estão na constituição. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. como princípios. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas.: proporcionalidade. Nesse aspecto. será feita a análise de alguns postulados que. Segundo a LICC. de modo a realizar os valores nela consagrados. 71 . interpretação conforme a Constituição. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. pela maioria da doutrina. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. mas não têm a mesma função dos princípios. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas.

presume-se que agiram de acordo com ela. na dúvida. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Toda Constituição tem supremacia material. Todo projeto de lei passa por um controle. pois existe uma presunção de constitucionalidade. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Excepcionalmente. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Essa presunção é relativa (iuris tantum). como no âmbito do Poder Executivo e. Ou seja. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. se entendê-la inconstitucional. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. No Poder Legislativo. pode ser exercido através do veto jurídico. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. E. Se a constituição é a norma suprema. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). pode deixar de aplicar a norma de ofício. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. No Poder Executivo. o Chefe do Poder Executivo. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. o Princípio da Supremacia da Constituição. Se há mais de um significado. a lei deve ser declarada constitucional. quando entender que uma norma é inconstitucional. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. assim. no Poder Judiciário. Não se retira a lei do ordenamento. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. significa que ele é unívoco. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. o Poder Judiciário. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. deve optar pela constitucionalidade. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. e. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Da mesma forma. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. é necessário que a Constituição seja rígida. no controle difuso. Ele pode negar a aplicação da lei. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. na dúvida. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. A 72 . deve-se optar pelo significado conforme a constituição. No Brasil. Se o texto tem apenas um significado. Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. para ter essa supremacia. significa que as demais leis devem obediência a ela. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. não tem como fazer interpretação conforme. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. excepcionalmente. ficam vinculados àquela decisão.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. por ser presunção relativa. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. mas. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. é conhecida como mens legis. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. num estado democrático. Ex: Brasília é a capital federal. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Geralmente. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. existem. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Na verdade. sendo. logo é conhecida como corrente “objetivista”. 81. É como se filtrasse a lei. Portanto. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Ao se admitir que essa norma é superior. Isso é impossível. ao mesmo tempo. Logo. prevalece a vontade da lei. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. que busca a vontade da lei.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Outro ex. normas superiores e normas inferiores. Antes. Em uma sociedade democrática e pluralista. Obs. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. 73 . a norma inferior. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. poderia declarar o art. Hoje. Busca a vontade do objeto interpretado. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. A segunda corrente. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. pois. essa corrente é chamada de “subjetivista”. na constituição. b) Fim pretendido: . O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. de direito previdenciário. é necessário observar os valores consagrados na constituição. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. isso não ocorre. etc. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Segundo Kruger. necessário harmonizar esses dois princípios. há várias tensões entre as normas constitucionais. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. passando ela pela constituição. . Hoje em dia. Temos o voto direto como cláusula pétrea. §1º. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. pelo legislador. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. O STF analisou 02 casos: a) Art. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. Segundo este princípio. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. no caso concreto. 45. O Juiz irá ver. Quando se tem uma colisão entre bens. Assim. ou seja. qual dos dois grupos tem um peso maior. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. princípios ou valores. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. criando um efeito conservador da unidade. a integração política e social. na hora de se interpretar a Constituição. Ex: voto direto é a norma geral. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Abstratamente. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. ele se basearia no princípio da unidade. deve-se buscar essa concordância prática. Uma existe ao lado da outra. que é anterior à Constituição da República. Eles são muito parecidos. Pode ser usada. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. O que tiver o peso maior irá prevalecer. e não em abstrato). deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. Nesse caso. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. inclusive. as duas normas têm conflito entre si. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. violava a liberdade de exercício de comércio. bens ou interesses. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Essa lei. valores. interesses. 74 . aplica-se o princípio da Concordância Prática. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Se ele entrasse no mérito da questão. O STF declarou constitucional. O relator indeferiu a petição inicial. e voto pelo CN é a exceção. Sempre que possível. O que é isso? É semelhante a uma balança. é necessário utilizar a ponderação. §1º. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. se ambos estão consagrados na Constituição da República.

dizendo que a ponderação é muito subjetiva. não se aplicando para a interpretação constitucional. que contribua para o debate de interesse geral. não. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . Exs. sendo o guardião da constituição. poderia fotografar. 75 . cabe ação rescisória (obs. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. mas também a ratio decidenti. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. na academia. do contrário. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. da tortura. para que outros direitos sejam assegurados. O importante é saber que todos os princípios. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. Caso contrário. e não princípios. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. não. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. 2) relativização da coisa julgada: o STF. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. Deve haver uma cedência recíproca. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. a privacidade deve ser preservada. até uma compreensão equivocada. às vezes. do trabalho escravo são regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. eis que ambos se relacionam. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. Ex.: a Súm. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). 343. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. proporcionando-lhes uma força otimizadora.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. por mais importantes que sejam. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. ou seja.: a proibição da pena de morte. STF não foi abandonada. Ex: Se tiver na praia. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios.

é também conhecida como eficácia social. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. . Este princípio. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. . §1º. validade é. 4. 2) Direito de greve.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Exs. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior.com. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. sobretudo o Tribunal Constitucional. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. pois.br: download de questões – Hot site do professor Novelino. . (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. o desempenho concreto de sua função social.335/AC. é também conhecida como eficácia jurídica. no Brasil. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. a qual significa a realização do direito.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. Ver no Site Editora Método. . Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). a função social para a qual foi criada. 76 .Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior. 5º. CR/88 (aplicação imediata). Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.

será também desproporcional. Para Jellinek. desproporcional. CR. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). mas apenas como menções. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. à garantia do devido processo legal. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. pois. Nos sistemas da commum Law. Na Alemanha. Alegam que a restrição seria desproporcional. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Para que um ato seja considerado proporcional. LIV. em sua origem. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Não é o entendimento mais cobrado em provas. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. por isso sua importância. ☺art. Ex. deveria conceder uma autonomia maior. É uma influência do direito norte-americano. Ele está ligado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. apto para atingir o fim almejado. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Se o ato for desnecessário. No Brasil. uma densidade semântica que ele não tinha antes. ele tem que ser adequado. utiliza-se o termo proporcionalidade. utiliza-se o termo razoabilidade. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. 1º. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). É um princípio implícito. dentre os meios existentes. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. não se deve abater pardais com canhões. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. ou seja. Ex. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. maiores hão 77 . Assim. para que o Estado não atue de forma arbitrária. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. uma restrição à liberdade só será possível se. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. não está textualmente consagrado. do Prof. 5º. É uma influência do direito alemão. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo.

Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. Nesse caso. pode ser chamada de proibição do excesso. Há uma outra face desse princípio. o poder público age aquém do que deveria. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. que é chamada de proibição de insuficiência. 78 . A face acima exposta do princípio.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. ou proibição por defeito.

Esses princípios sim. O que acontece é que o preâmbulo contém. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito.. não tendo força normativa. pois. qualquer religião oficial da RFB. reproduzidos ou não na Constituição estadual. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. proclamação mais ou menos solene. proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. dado que. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. inscritos na Constituição. o Brasil é um país leigo. o preâmbulo. refletindo posição ideológica do constituinte. não é componente necessário de qualquer Constituição. Como se sabe. Em âmbito estadual. com exceção das de 1891 e 1937. 79 . não é norma de repetição obrigatória. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. laico ou não-confessional. porém. Assim. apresentado de forma não articulada. mais ou menos significante.. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. Para o STF. Ocorre que todas as constituições brasileiras. de regra. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. O min. anteposta ao articulado constitucional. mas no domínio da política. não existindo. No Brasil. pois. portanto. incidirão na ordem local. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. relevância jurídica. sendo. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Não contém. não tem relevância jurídica. caráter normativo e. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. Situa-se no domínio da história ou da política. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. mas é a tese por nós adotada. O nome não é o mais apropriado. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Não tem. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. É uma corrente intermediária em relação às demais. portanto. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo.

o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. fundada na harmonia social e comprometida. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Ao estabelecer os valores supremos. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. a liberdade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Esta é a sua natureza. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. com a solução pacífica das controvérsias”. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. a segurança. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. 80 . enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. o bem-estar. o desenvolvimento. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). na ordem interna e internacional. pluralista e sem preconceitos.

vedações (art. §5º). Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. como se poderia imaginar). A NEC.U. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). possivelmente restringível ou redutível. P. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. por sua vez. 184. mas admite lei. Exs. dentre as quais. isenções (art. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Uma NEC.: normas que estabelecem imunidades (art. → Normas de Eficácia Contida: O prof. que “contenha” o seu conteúdo. Ela não depende de lei. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . se refere à impossibilidade de sofrer restrição. (É a mais cobrada em provas). imediata e integral. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. O que as difere é o grau desta eficácia. enquanto não for restringida por lei. no Brasil. Não depende de regulamentação. prerrogativas (art. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. Não são a mesma coisa. enquanto não for restringida. destaca-se a de José Afonso da Silva. 53). que poderá variar conforme o seu enunciado. é uma NEP? Não. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição).) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. 95. Quando se fala em aplicabilidade imediata.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. §5º). A integralidade. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). apenas 81 . 128. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).

A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. 82 . interesse social. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos.. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). VII. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. 37. A NEC pode ser restringida: . b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. em regra. ofício ou profissão. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. necessidade ou utilidade pública.: art. 5º. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei.Impositivas: ex. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei.U. e mediata porque depende de alguma condição. mas não disse quem pode propor. 95). não há omissão inconstitucional.: art.por lei (ex. 3°. Indireta porque depende de uma outra vontade. 9º dá a entender tratar-se de NEP.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. art. XIII. 154: a União. de forma que antes da Lei 9. e art. ela nunca poderia ser restringida. eis que estabelecem o fim a ser atingido. 9º. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. se quiser. caracterizadas justamente por este tipo de norma). que dirige os rumos do Estado. Ex. mas não é uma NEP. CR. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. . são NEP (como são as normas dos incisos I. A lei não irá restringir o direito. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. quais são os efeitos. art. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. 102. A norma constitucional tinha eficácia. 22. XXIII e XXIV).por outra norma constitucional (ex. – ex. Assim. Se ela fosse uma NEP. art. 5º. que não é norma). 95. etc. Exs. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. As vedações. O caput do art. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. XII c/c arts. que faz parte da mesma norma. esclarece que trata-se de uma NEC.: art.). neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P.U. e não quais são os meios para se atingir o fim. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. mas o seu §1º. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . P. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição.por conceitos de direito público (ex. ☺art. . 37. . 37. PU: União poderá delegar aos estados. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. mas pode ser).: art.: ordem pública.: trata de vedações que são impostas aos juízes. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. II e III deste mesmo art. XXII. art. Ex. 136 e 137). etc.Facultativas: ex. É indireta ou mediata. art. VII. etc. VII (direito de greve dos servidores públicos). segurança nacional. mas dizer como esse direito será exercido. 5º. conforme a lei. que a regulamente. Neste caso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. poderá criar impostos residuais. é obrigatória. ☺art. Não é apenas um conselho. mas.

Diz que o direito se auto produz. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. as Cláusulas Pétreas. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. uma eficácia negativa (e apenas esta. Uma última classificação. tem eficácia. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. pois. Marcelo Neves critica essa concepção. 2º. Ex. Por isso não dependem de outra vontade. 83 . deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. ADCT. OBS. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. São as normas do ADCT. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. cumprida a sua finalidade. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. Elabora-se uma norma genérica.: art. também conhecidas como normas super-eficazes. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Obs. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. imediata e integral). Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. a NEL produz efeitos: ela exige lei. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. não depende de outros sistemas. antes da lei ser feita. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma.: As NEP. mencionada por alguns autores. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. exaurem sua eficácia. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Para ela. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. ademais. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Traduz um sistema fechado. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). porque ela não tem eficácia positiva). Assim. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição.

Assim. ou seja. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria.N. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. 84 . porém. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior.: ☺art.N. § 1°. §2º (que fala do Colégio Pedro II. por esta teoria. serem recepcionadas pela nova Constituição. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. art. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. parte final). e sim como normas ordinárias. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). sempre que nasce uma nova Constituição. podendo. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. com o caráter de normas constitucionais. não. como normas infraconstitucionais. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. quando do surgimento de uma nova Constituição. Faremos o estudo de alguns institutos. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. 242.P → A. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. 2°. caso compatíveis com a nova Constituição. Quando uma nova constituição é criada. Ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. → CR → A. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas).: art. Ex. também limitado juridicamente). bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. que. para tanto. com pequenas exceções. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. 51 do ADCT. dentre outras. diante da aplicação imediata. sendo regra a retroatividade mínima. desde que haja expressa previsão. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. Como se percebe. vale dizer. como é o caso do art. CR. têm retroatividade mínima. IV. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. as leis infraconstitucionais. tenha retroatividade média ou máxima. 7º. Contudo. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. nada impede que a norma constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. o STF entendeu que. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. XXXVI – “lei” em sentido amplo). Assim. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. vale dizer. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. Assim. 5º. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. c) por outro lado. por regra. IV. 88 . 7º. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. Como outro exemplo de retroatividade mínima. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. deve existir expresso pedido na Constituição.

como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. Executam. não só das ações dos poderes estatais. 1º). deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. atuando como um limite. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. Em situações novas. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. da função positiva que 89 . Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. em um todo sistemático. seja como orientação para progresso da legislação. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. De uma forma geral. Desse modo. como também ao exercício abusivo de certos direitos. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. ainda não regulamentadas de forma mais específica. por conseqüência. a menos. 4º). o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. diverso e opostos. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. a divisão de seus poderes (art. é claro. é obvio. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. 2º). Dessa forma. pois servem de critério para o legislador que. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. ao elaborar as leis. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. seja como diretiva na solução de casos concretos. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. sobretudo. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. Sob o ponto de vista dogmático. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. os quais estabelecem a sua forma. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. estrutura e fundamento (art. o que os coloca numa posição de superioridade. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. assim.

A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. Com o passar do tempo. A baixa densidade semântica. 34. DF e Município. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. quanto para o legislador na elaboração das leis. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). que reinava de forma absoluta e irresponsável. aos entes que compõem a federação. CR). a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. I). sendo criados novos critérios distintivos da República. a Constituição veda. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. esses conceitos foram se esvaziando. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. 90 . redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. o direito de secessão. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. No tocante ao Poder Executivo. 1º. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia.

No que se refere ao princípio democrático. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. No Estado material de direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. seja diretamente. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. à questão perene da Justiça. Em um Estado democrático. Aqui. sob as circunstancias transitórias. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Sob o aspecto material. ainda. não é absoluta e ilimitada. seja através de representantes. Em um Estado de direito. a legalidade da Administração. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. ou. a independência dos juízes. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. não apenas os indivíduos. 91 . a vontade popular representada pelo parlamento.

independente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). 92 . a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. No plano externo. no plano interno. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. Supremo. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. por essa razão. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente. por não ter de acatar. o indivíduo se sente útil e respeitado. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. 6º). em nenhum momento podem ser colocados de lado. uns para com os outros. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. A soberania externa se refere à representação dos Estados. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. na ordem internacional. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. na ordem internacional. a soberania migrasse do soberano para o povo. São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. Todavia. Por essa razão. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que.

diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. a tortura. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. ainda. cultural (arts. 17). 170). sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. por natureza. a sociedade pluralista é. de idéias e de instituições de ensino (art. uma sociedade conflitiva. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. a profissional. e. econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. a filosófico-religiosa. a partir do início da década de 90. conforme os ditames da justiça social. artística. a intelectual.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. de interesses contraditórios e antinômicos. é um princípio básico do liberalismo econômico. Fruto da concepção liberal. III). Este fundamento é concretizado. 170). ao contrário. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. a sexual. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. a Constituição. partidário (art. de comunicação. justa e solidária (art. dentre elas. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. derradeiramente. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. Mais tarde. 93 . como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. com a queda do comunismo. a de informação. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. político (art. 3º. a de opinião. assim. Por isso. o que pode levar a divisões irredutíveis. independentemente de autorização de órgãos públicos. Por essa razão. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. A escravidão. mas. salvo nos casos previstos em lei. passando a se revestir de normatividade. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. de reunião e de associação. É ela o valor supremo que irá informar a criação. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. 220). I). a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. científica. deve constituir o seu objetivo supremo. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. 206. 1º). os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. 215 e 216) e dos meios de informação (art.

a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. Por outro prisma. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. Por isso. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. econômicos e culturais. Assim. em alguns casos. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. à dignidade da pessoa humana. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. não apenas por parte do Estado. a todo e qualquer cidadão. sexo. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. idade. cada vez mais. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Esta acepção. ou para com a pessoa. dentro dos direitos sociais. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. seja pelo próprio Estado. por outro. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. que seja efetivamente exigível do Estado. Todavia. moradia. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. mas também dos particulares. Portanto. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. A dignidade da pessoa humana não é um direito. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo).) imprescindíveis para uma vida digna. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. não como um fim em si mesmo. mas também a de que o Estado garanta. 94 . o acesso aos valores. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. mas um atributo que todo ser humano possui. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. educação fundamental. por exigir uma abstenção. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. ligada ao valor liberdade. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. e. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). sua existência material. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. mais importante. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. etc. ligada ao valor igualdade. menor (minimizando o problema dos custos). seja por terceiros. possui um caráter negativo. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). condição social ou qualquer outro requisito. em um primeiro momento. Esta acepção. na medida em que procura representar um subconjunto. possui um caráter positivo. independentemente de usa origem. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. Portanto. Poder-se-ia dizer. mas. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. o que significa dizer que na criação. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente.

Em sua maioria. 6° e 7°). . . 5°. CF/88. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. Têm um caráter negativo.direitos políticos (art. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. basicamente. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. à participação política. Em termos materiais. Assim. estão consagrados em normas de eficácia limitada. devido à escassez de recursos. Visam proteger o valor igualdade. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Já os direitos humanos não possuem essa divisão.direitos sociais (art. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. CR/88). a diferença básica se refere ao plano de consagração. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. . Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. 5°. 12 e seguintes). 95 . que divide os direitos fundamentais em: . devido ao custo de serem prestados. são os direitos individuais consagrados no art. ligados à liberdade. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado.direitos prestacionais: são. uma constitucional e uma doutrinária. Exigem uma atuação positiva do Estado. pois surgiram em uma única época. consagrados no plano internacional. . Têm caráter positivo e negativo.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. O Estado deve fazer escolhas trágicas. 14 e seguintes). do qual são espécies: . os direitos sociais (arts. Enfim. Essa classificação é legislativa. 6° e seguintes). portanto. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. consagradas ao longo das constituições. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. São direitos ligados à cidadania.direitos individuais.direitos à nacionalidade (art. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). mas também no art. igualdade e dignidade. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. . 6º ao 11. Em sua maioria.

diretamente à igualdade material. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. → Igualdade: Direitos Sociais. igualdade e fraternidade (nesta ordem). como a família. ao lado da 4ª. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. direito de comunicação. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. movimento encabeçado pelo proletariado. a autodeterminação dos povos (art. a imprensa livre e o funcionalismo público. portanto. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. e estas gerações coexistem atualmente. queria que ele respeitasse suas liberdades. CR/88). alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. São chamados direitos civis e políticos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. segundo Jellinek). que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. então. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. por exigirem uma prestação do Estado. Têm caráter negativo. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. Exs: direito ao meio ambiente. Eles foram surgindo com o passar do tempo. 4º. Exigem uma ação do Estado. de 1789: liberdade. A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. sobretudo de princípio programático). Vejamos quais foram as gerações. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. enfim.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. exigindo uma abstenção. e geralmente em normas auto-aplicáveis. das gerações. os direitos prestacionais. São considerados basicamente como direitos coletivos. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. e a dele é a mais cobrada em concursos). Estão ligados. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Obs. XVIII. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. por exigirem uma abstenção. A 3ª geração. diante da necessidade de cooperação. à autodeterminação dos povos. Não houve substituição de uma geração por outra. 96 . Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. pois. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. são direitos de caráter negativo. XX. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. ao desenvolvimento ou progresso. Ou seja. Esta é a sua preocupação principal. econômicos e culturais. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Como vimos. já os de 2ª geração não. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. Por isso. Têm como objetivo. Os direitos de defesa. São basicamente os direitos individuais. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. Tais direitos têm caráter positivo. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade.

Quem tem o papel contra-majoritário. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. Ele preserva. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada.).P. de ideologias políticas e partidárias. Paulo Bonavides. Quando se fala em pluralismo político. e isso acaba por prejudicar as minorias. à informação e ao pluralismo (D. Por isso o direito à democracia é tão importante. Assim. Afora esta peculiaridade. que são as que. traz direitos ligados à pluralidade. econômico. um pluralismo ideológico. um pluralismo cultural. as disposições assecuratórias. são direitos difusos). as demais características são tratadas pelo prof.I. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. 1º. Ex. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. Ou seja.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. os direitos de família. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. São também direitos transindividuais (em sua maioria. Aquelas instituem os direitos. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. artístico. como os previdenciários. Ao lado da vontade da maioria. que alguns dizem trazer os direitos à internet. em defesa dos direitos. Ou seja. mas há divergências na doutrina quanto a isso. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. ☺ADPF 132. V. Esta geração de direitos advém da globalização política. o direito a adoção. Em uma ponderação. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). 97 . O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. com a declaração do direito”. estas as garantias.: quanto ao direito à paz. Ele abrange um pluralismo religioso. esta alteração não foi feita em seu livro. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. Porém. CR/88). segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). este direito teria um peso mais elevado do que os demais. ocorrendo não raro juntar-se. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. caso violados. de conteúdo). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. → Globalização: direito à democracia. Além desse aspecto. etc. inclusive das minorias. ele tem uma importância muito grande. limitam o poder. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. na mesma disposição constitucional ou legal. quiçá quanto a 5ª. Os argumentos contrários a esta união. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. a fixação da garantia. conserva nossas identidades. outros são difusos). A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. de orientações sexuais. o prof. que seria a vontade da maioria. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. ao analisar a Constituição de 1891. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração.

portanto. que só pode ser proposta pelo cidadão. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. . de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. ou caberá ao intérprete. se o direito garantido não possui alguma especificidade. 5º. .. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. Obs.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). Contudo.direito ao juízo natural (direito) – o art. de modo indiscriminado. O caput do art. os apátridas e as pessoas jurídicas. Normas positivas. Isso porque. conjugando-a com a sua mínima restrição. Se são sempre exercíveis e exercidos. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. decidir qual direito deverá prevalecer. muitas vezes. por ex. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). os estrangeiros não residentes. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. havendo. nascendo com o Cristianismo. como é o caso da ação popular.Inalienabilidade: como são conferidos a todos. conflito de interesses. confronto. etc. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: .Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. coarctando. é claro. que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. uma vez consagrado o direito. . a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. . mas nunca a sua renunciabilidade. HD. ou magistrado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. juntamente. Deve-se observar. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. através da interpretação sistemática.: direito de propriedade versus desapropriação). XXXVII. emite uma opinião (direito de opinar). quando. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. 5º. são indisponíveis.Universalidade: destinam-se. como é o caso.).Historicidade: possuem caráter histórico. ilegalmente preso. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. . no caso concreto. a todos os seres humanos. 98 .: HC. Nada impediria. no caso concreto. Exemplos: . .é inviolável a liberdade de consciência e de crença. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. ainda que não individualistas.

causando uma desfiguração no direito privado. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. 5º. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. Ingo Sarlet afirma que o art. mas o pressuposto do qual ela parte). os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. etc. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. fala-se. 99 . verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. No entanto. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. Não se admitiria. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. então. Posteriormente. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. então. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). analisando caso a caso. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. ordem pública. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. §1º. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. não dependendo de legislação. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais.). sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. fática e juridicamente. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. para isso. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. §1º. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. mas. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). Assim. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. só trazendo relações entre o Estado e o particular. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. 5º. pois. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais.

Em contrapartida. a proteção tem que ser maior. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Se não houver uma previsão expressa na lei. devendo sobre eles prevalecer. A jurisprudência. Ainda se trata de uma questão muito nova. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. Segundo Virgilio da Silva. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . . é possível a sua aplicação com base na Constituição.700. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.: empregado e empregador.243/DF. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. não sendo necessária uma intermediação legislativa. Para a realidade brasileira. Determinação de observância do Princípio da isonomia. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. e. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. mas.RE 175. de uma forma geral. a aplicação será indireta.00 para R$ 86. . Os DF são expressados. . em geral. muito abertos. O juiz. então. Se. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.RE 160. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade.858. etc. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. Espanha e Portugal. isso poderia causar uma série de problemas. . todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria.RE 158. que não adota essa teoria). Se houver lei determinando a aplicação dos DF. no entanto.*RE 161. ainda que esta regulamentação não exista. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. tão somente pela falta de previsão. como a segunda. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. . a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. mesmo realizando atividades idênticas.☺RE 161.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18.HC 12.Resp.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. quando há uma relação de igualdade real na relação. A autonomia da vontade requer tal ponderação. E como os princípios são muito vagos.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .24. Mas. contrato de adesão. 249. mas ainda não há decisão quanto a isso. se exteriorizam. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.RE 201. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. esta teoria seria a mais adequada. Segundo esta teoria. Deve-se aplicar tanto esta teoria. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. para que os princípios pudessem ser concretizados. houver uma desigualdade fática. através de princípios.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. aplica diretamente os DF às relações entre particulares.) . . Assim.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. abre-se mão temporariamente à privacidade. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. à igualdade. pois a vida é uma direito irrenunciável. ☺art. não há uma renúncia definitiva. pois. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). II. como DF é pressuposto dos demais direitos. 5º. um caso constitucional de violação de direitos. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). caput. ☺art. não há que se falar em não exercício). No caso do big brother. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. é. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. Esta questão é bastante clara. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. Nos 78 incisos deste art. Há dois entendimentos: 104 . CR/88. CR. 5º. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. XLVII. 1º.: esta segurança que o art. Este pode ocorrer. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. A renúncia é definitiva. por óbvio. Por isso. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Obs. 5º. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. também não pode ser renunciado. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. um outro direito fundamental. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. 170. Porque o direito à vida é irrenunciável. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. à liberdade. III e art. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. O direito a vida. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. CP) a questão é um pouco mais polêmica. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. à segurança e à propriedade. 128. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes.

A questão ainda está sendo discutida no STF. já que o CP é anterior à CR. II. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. Se há dois argumentos defensáveis. além de colocar em risco a sua própria vida. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. a vida termina com a morte encefálica. segundo Canotilho. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. já que na época em que foi feito o art. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. 128. é uma forma de tortura psicologia. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. CP não teria sido recepcionado pela CR. entendeu que. discutida na ADPF 54. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. é relativo. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. o STF não estaria legislando. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. e. então.Direito à privacidade: 105 . . Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. mas sim interpretando a CR/88. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. assegurando a autonomia da vontade. E o direito à vida. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Se isso fosse possível. OBS. portanto. não haveria vida. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. sem o sistema nervoso central. Nos EUA e na França. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. insuficiente para a proteção do direito. deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. O STF. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. em razão do risco de morte intra-uterina. 3) dignidade da pessoa humana. a morte não decorre do aborto. o art. Para o direito brasileiro. por 7 votos a 4. por isso. o feto não tem a menor chance de sobrevida. sabendo que ela vai morrer. Ademais. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. mas sim da acrania. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). como todos os outros. 128 (em 1940). não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. 128). ela é a única ação de controle abstrato cabível. nas quais não se tem uma opinião moral definida. mas de modo geral).

são direitos independentes. O direito a privacidade está consagrado. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. O prof. por exemplo. É gênero. CR. contra um chantagista. CR. 1. Nesses casos é vedada a gravação como prova. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. vida privada. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. 106 . Esta é excludente de ilicitude. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. quebra de sigilo e interceptação telefônica. veremos cada um separadamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Ainda que não afete a honra. Neste caso. uma gravação feita clandestinamente. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. o direito à imagem foi violado. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. sobretudo. X. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Logo. Ao realizar essa ponderação. histórico. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. na verdade. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Numa gravação clandestina. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. a restrição é legítima. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Proteção da honra e da imagem. ela é ilícita. Ex: Radares eletrônicos. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. de uma forma geral. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Não há que se falar em colisão. a gravação é considerada lícita. O agente público. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). em seguida. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. contra um estelionatário. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Ex. 5º. Se filmar uma passeata. científico ou cultural. quando pratica um ato na condição de agente público. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). Se tiver gravado um crime. não há violação à privacidade. X. Mas. O direito de liberdade é maior. é a esfera da vida privada. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. os princípios da moralidade e da publicidade. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. Ex: matérias de interesse público. 5º. Então. no art. pois há uma excludente de antijuridicidade. Nesses casos. Será considerada prova lícita. que se subdivide em: intimidade. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. não tem privacidade. sobretudo. etc. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. Há decisões judiciais onde muitas vezes. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. É vedada pelo art. maior a proteção a ser dada. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Em regra. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. No entanto. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. a imagem pode ser usada num processo. a honra e a imagem das pessoas.

naquele caso específico. Tem uma decisão do STF muito comentada. essa decisão foi para um caso específico. de um cd room. já que não existe poder judiciário municipal. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. outros dizem ser pelo art. informáticos. Ex: extrato de conta corrente. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. De acordo com o art. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. XII. Quando a CR fala em “poder de investigação”. a duração da chamada. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. Dentro dela. Ele alegou a ilegalidade desse ato.: Podem existir várias outras exceções. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. com base no princípio da simetria. 5º. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. 58. 2. Além do juiz. ele não pode requisitar diretamente. o BB poderia quebrar o sigilo. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. que é uma exceção a essa regra. E o Ministério Público? Segundo o STF. São poderes instrutórios. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. Quem pode é só o juiz e a CPI. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. mas na decisão acima houve discussão a respeito. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. outros entendem que não há proteção. Na Itália. como havia verba pública envolvida. 2°) admite. etc. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). 107 . X. falaremos da interceptação telefônica. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. XII. Quanto às CPIs municipais. Essa exceção só confirma a regra. divulgaram todas as declarações na internet. por ex. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Os jornais publicaram essas declarações. deve ter uma certa salvaguarda. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Essa declaração. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. ainda que não seja sigilosa. A lei.. CR. Quando se quebra o sigilo telefônico. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. em ação cível originária. por enquanto.). Se ele quiser. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. § 3º. 3. Dentro do próprio STF há divergência. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. não poderá quebrar sigilos. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. 5º. O STF decidiu que. às informações constantes na declaração de imposto de renda. está em vigor. No entanto. fiscais. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. O prof. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. não há decisão do STF. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. 5º. fiscal e telefônico. O Min. O inciso X impede a gravação clandestina. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode.

Na interceptação. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. protege a liberdade de comunicações. seja pelo art. Para o prof. O STF entende que com base o art. Não são admitidas para outras finalidades. Quando se falou do método tópico problemático. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Para o STF. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. já que protege-se a liberdade de comunicação. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Além dessas duas hipóteses. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal.. é equivocado. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Para o prof. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. será interceptação telefônica. a Constituição não estabelece qualquer requisito. também protege a privacidade. durante o estado de defesa e o estado de sítio.. 5º. Em relação a essas. Se um souber. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. o STF tem um entendimento que. seja pelo art. neste caso. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. 5º. pode haver restrições às comunicações telefônicas. os dados de informática em si não estão protegidos. 5º. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. mas foi feita por um terceiro. não estaria protegido por esse dispositivo. Se um souber. Então. Ela deve ser usada para situações excepcionais. segundo o STF. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. abrem-se todas as correspondências. XII. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. segundo o prof. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. Ela protege 4 formas de comunicações. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. em determinadas hipóteses. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. No entanto. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. será gravação clandestina. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Na prática. Porém. o sigilo poderá ser violado. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. X. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Em relação à comunicação epistolar. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. Nessas hipóteses. Mas isso não é a posição do STF. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. a liberdade de comunicação. Aliás.. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). Pois. XII. 5º. por uma terceira pessoa. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. sobretudo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. mas. O art. Com relação ao sigilo de dados. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública.

não há falar em violação de domicílio. o Min. 5º. Com relação à inviolabilidade do domicílio. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. vejamos: a) Art. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Vejamos as situações: 1. Ou seja. Segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. Além disso. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. 5º. Como é o meio mais fácil. prorrogáveis por mais 15). e mais ninguém. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). essa lógica tem sido invertida. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. por nenhuma outra autoridade. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores.296/96. salvo o flagrante delito. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. nesses casos. qualquer pessoa pode entrar. c) Art. XII. d) Art. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. A Constituição trata de 2 situações distintas. LXI: possibilidade de prisão. Pode ser que com os abusos recentes. Somente o juiz. Recentemente. CF/88. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. Com o consentimento. seja durante o dia seja durante a noite. XII: interceptação telefônica b) Art. devemos analisar 2 situações diferentes. imagine numa situação normal. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. a entrada deve ser permitida pela empregada. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. Ex: crime dentro de uma residência. violado. e não pelo dono da casa. Se numa situação excepcional. Nem mesmo CPI. 5º. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. a polícia pode entrar. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. Se houver o consentimento. Nesse artigo. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. 5°. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Ela deve ser o último recurso.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Essa decisão foi recente (☺MS 27. Art. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. XI: violação de domicílio. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. 5º. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. LX: sigilo imposto a processo judiciário. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. pode determinar a prática desses atos. nem a CPI. 2. Na jurisprudência do STF. O professor acha que há certo abuso neste caso. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. Sem consentimento já é diferente. • Prestar socorro 109 . Durante o estado de defesa. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. se houver o consentimento de um dos moradores. Então. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias.

que traz uma conceituação bastante extensiva. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. pois se respeitar também o critério cronológico. Na maioria dos casos. E o carro? O prof. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. estabelecimentos comerciais e industriais. Ex: parte de trás do caminhão. É utilizado por JAS. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. entra no conceito de casa. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. Ele deve dizer “aqui você não entra”. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Se entrar com o uso da força. Só que o STF já proferiu decisões. não encontrou nenhuma decisão a respeito. na parte em que o público tem livre acesso. Entra no conceito de casa. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. onde o caminhoneiro dorme. propõem uma utilização conjunta desses critérios. a prova colhida será considerada ilícita. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. mais adequado. se estiver vazio. Segundo o entendimento do STF. seja do dia seja da noite. entre eles Alexandre de Moraes. ☺Art. quando o sol se põe é noite. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Então. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. hoje. 150. mas dos vizinhos também. 2. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. mais tradicional. não só dos moradores daquela casa. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. 3. Quando o sol nascer é dia. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. 110 . Alguns autores. porque a noite é o período de descanso. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. não entra no conceito de casa. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. a prova é lícita. o STF considera as provas lícitas por causa disso. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. por serem situações emergenciais. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. prevista no dispositivo. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. não poderá mais entrar no domicílio. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. não entra em conceito de casa. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. entre outros aposentos. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. compartimentos habitados. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. compreende escritórios. Se houver o consentimento do morador. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Segundo ele. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. consultórios. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. CP.

5º. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Esse critério é razoável. idade. arbitrário. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido . Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Esse critério não é nenhuma discriminação. Uma vez dentro do estabelecimento. XXX. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. 7º. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. 7º. razoável e proporcional. justifica-se a altura. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. 2. Para que o critério seja constitucional. Se o critério não for objetivo. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. É a que está consagrada no caput do art. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. discriminatório. cor e estado civil. ele não estará de acordo com o fim consagrado. Nestes casos. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. da constituição. 111 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. XXX. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. em situações diferentes. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. é necessário que ele seja: 1. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Razoável 3. Ex: critério preconceituoso. Objetivo 2. Não irá fazer concurso para homens participarem. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. CF/88. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. Para esses casos. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. CR. Quando se fala em princípio da igualdade. Mas. não significa que a lei não possa fazer distinções. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. pois viola o princípio da isonomia. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital.

utiliza-se das ações. O prof. surge a questão relacionada às ações afirmativas. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. mas na Constituição Indiana em 1947. essas ações deveriam existir por 10 anos. Porém. Segundo JAS. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). o critério discriminador seria desproporcional. por exemplo. A cota deve ser proporcional à população. e os desiguais de forma desigual. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. para tentar reduzir as desigualdades. O prof. 112 . Para o professor. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. disse que está ligada à igualdade material. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. Quando se fala em igualdade material. Para outros autores. ☺art. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. Em princípio. Isso é igualdade formal. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. Não é uma forma de resolver o problema. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. Ex: Alíquotas de imposto de renda. Mas. pois elas criam uma discriminação reversa. Se o Estado não proporcionar esses direitos. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. mas reduzir as desigualdades existentes. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. Visa uma redução das desigualdades fáticas. Criaram-se outras ações afirmativas. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso .Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. e não à igualdade material. Essas ações não surgiram nos EUA. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. mas é necessário analisar uma série de fatores. Quando se fala em igualdade material. Dificilmente. 5º c/c art. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. A tendência é que elas aumentem. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Ex: Cotas para pessoas carentes. que eram desiguais em relação aos seus senhores. não haverá uma igualdade real. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. e prolongaram as que já existiam. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. 3º. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. seria igualdade material. No caso da Índia. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Então. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. igualdade e fraternidade. acha que esse argumento não convence. aconteceu o contrário. Tem autores que entendem ser inconstitucional. essas ações são constitucionais.

o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. de saúde. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. mas também para quem irá elaborar a lei. . 208. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. atinge todos os poderes públicos .medida imediatista e inapropriada. miscigenada e multicultural. Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. Poder Executivo e Poder Judiciário). A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. .fere o mérito. aberta.princípio da isonomia (discriminação reversa).Poder Legislativo.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Eles não têm apenas a eficácia vertical. No Brasil. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca.em uma sociedade pluralista. A justificativa parece não ser inconstitucional.favorece negros de classe média alta. Eles foram libertados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. . O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . CF/88. O problema é com relação à subjetividade do critério. pois já faz parte do próprio critério republicano. Apesar de ser uma relação entre particulares. mas eles não tiveram oportunidade de escola. a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios. sem exceção. Juridicamente falando. seja por particulares. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. previsto no art. tolerante. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. 113 . As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. . Argumentos contrários: . visa compensar uma dívida histórica. Isso é uma questão de política pública. . Portanto. cientificamente falando.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei.fomenta o racismo e o ódio racial . quando se fala em destinatários. não sendo necessária essa distinção. são destinatários do princípio da igualdade. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. . Então.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. . alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei .Eficácia vertical: todos os poderes públicos. seja pelo governo. Além dessa eficácia. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material.

A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. Por que a Constituição. Protege a mulher. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Questão de Concurso – Cespe: No art. É livre a manifestação de pensamento. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. Para alguns. o problema é dele. não deve ser estendida para os homens. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. 100. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. É uma denúncia feita anonimamente. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. segundo o professor. Não existem direitos absolutos. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. CPC – ação de alimentos. Pode defender no plano das idéias. Isso significa que. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Se a pessoa agiu de forma abusiva. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. Não é um direito absoluto. As provas 114 . Logo. discriminatórias. Ex: Passeata para legalização da maconha. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. Logo em seguida. a lei pode estabelecer distinções. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. O particular não é obrigado. mas apenas para as mulheres. não teria sido recepcionado. ele deve licitar. etc. de expressar o pensamento. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. desde que seja para atenuar desníveis existentes. e violou direitos de terceiros. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. 5º. sendo vedado o anonimato. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. em regra. O homem não é a parte mais frágil da relação. Basta ser um critério objetivo e para todos. ela pressupõe responsabilidade. ela exerceu o seu direito. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. 5º. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. é outra questão. Se o sujeito será responsabilizado ou não. ela é constitucional. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. para outros teria. I. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. Ex: Lei Maria da Penha. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Mas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. ela pode ser responsabilizada. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Apologia ao crime é diferente disso. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. em princípio. IV. É constitucional? Sim. Ex: art. Se ela não pode ser admitida como prova no processo.

de crença e de culto. ainda 2. desde que não viole o direito de terceiro. abrangendo a liberdade de crença. No Brasil não há uma religião oficial. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Garantir a simetria da liberdade religiosa. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. desde 1989 (advento da República). há 02 hipóteses em que o STF admite. 2. → Alguns temas polêmicos: 115 . o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Pode fazer um exame grafotécnico. A liberdade de consciência é a mais ampla. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. ela deve ser protegida. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. se não há qualquer identificação. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. de ter crença. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. 5º. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. Quando são produzidos pelo próprio acusado. 3. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. O Estado deve manter-se neutro. não é o caso do Estado brasileiro. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. O Estado brasileiro. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. por exemplo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Para Habermas. CR. Não se pode admitir que o parlamento. e. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. com o advento da República. Esta liberdade está consagrada no art. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. O dever funcional da autoridade é investigar. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. 2. O culto pode ser exercido em qualquer local. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. apesar de a maioria da população ser católica. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. houve a total separação entre Estado e Igreja. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. o equilíbrio das religiões. A religião desempenha um papel fundamental. Isso significa que. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. inclusive em lugar aberto ao público. 19. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. Em relação ao culto. Porém. deve ocorrer uma “tradução institucional”. VI. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. CR. Os templos recebem uma proteção especial. então. pedindo resgate. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. ou de não ter crença em nada. Vejamos: 1. ele não pode ser admitido. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. I. Ex: seqüestrador escreve bilhete.

23. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. a competência é em relação à cultura. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. que odeia guerra. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. imagine uma cidade pequena. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. logo. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados.. . Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. 215. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. Na Alemanha. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. VIII. a neutralidade do Poder Judiciário. onde se tem poucas escolas boas. Para o prof. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Portanto. O 116 . CR). a escola não deve impor ao menino. CR). Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. O tribunal. são culturais. e não à justiça do trabalho – ☺art. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Não teria sentido acabar com esses feriados. 210. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. Segundo o prof. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. e cultura é competência comum – da União. Pode um ateu. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. Há um trecho do livro do Dworkin. há algumas ações. 5º. ocorreu um caso muito semelhante. políticos e religiosos. então. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. Entretanto. mas não quer que ele aprenda a religião da escola. §2º. e o aluno optou a se matricular nessa escola. não poderia ser confessional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . os argumentos religiosos não fazem parte da política. a competência é da União. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. São feriados puramente religiosos. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. fazendo uma ponderação entre os princípios. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. o argumento supracitado não está correto. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. estados e municípios (☺art. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. É importante respeitar o ensino de cada um. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. §1º. . Mas. CR. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns..Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. Entretanto. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Neste caso. inegavelmente.

→ Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. 4. Segundo Jean Rivero. CR: Não é só a liberdade de se associar.) 2. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. Quem fará a tradução não é a Igreja. 2. terminada a reunião. Ex. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. XVI. conforme portaria da ANVISA. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Criação de associações e. Ex: fazer segurança. então. O prof. desviar o trânsito. ☺ art. XVII e XXI. 5º. de cooperativas. JAS diz que não são direitos coletivos. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. CR. Não cumprindo com a obrigação. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. o argumento deve ser racionalmente justificado. XXI. mas os políticos. Por que a CR exige prévio aviso. Para que as pessoas possam se reunir. ainda. ☺art. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. 5º. não são os religiosos. etc. elas vão embora. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. A República é o governo das razões. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. CR. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . na forma da lei. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. mesmo que em locais abertos ao público. por sua vez. não é necessária a autorização estatal. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Ex: reunião de condomínio. mas a de permanecer associado. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. IV). (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). tem o caráter permanente. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. existem 2 semelhanças e 1 diferença. A pessoa alega imperativo de consciência. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. (Não pode reunir pessoas armadas. mas direitos individuais de expressão coletiva. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). as pessoas se reúnem e. 3. Criação de sindicatos. Liberdade de reunião. Há. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. 15. A associação. essa hipótese é de representação processual. XVI. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. Se não houver essa lei. 5º. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. 5º. Criação de partidos políticos.

Há um outro entendimento que. 118 . Segundo JAS. LXX. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. Segundo o STF. Segundo o STF. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. Só pode representar se houver autorização expressa. 5º. por exemplo. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. 5º. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). pode ser dada numa Assembléia Geral. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. CR) quando ajuíza uma ação. Ex: Invasões de terra pelo MST. não precisando de autorização expressa. ter um patrimônio mínimo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. Segundo o STF. XXII. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. defendendo direito alheio. garante o direito de propriedade. mas faz parte da estrutura desse direito. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. 2. do próprio regime desse direito. 5º. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. mas sim contrárias ao direito e. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). Em seguida. segundo o prof. não pode existir mais de uma federação por território. A Constituição não garante o direito à propriedade. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. o direito de propriedade pertence ao direito público. como a Constituição garante o direito de propriedade. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Ela só garante o direito de propriedade. III. Se ele tem proteção. A associação impetra em nome próprio. segundo o prof. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. 8º. O sindicato (☺art. segundo o qual. ☺art. É o entendimento de Daniel Sarmento. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. tendo um menor peso na ponderação.. se não for atendida. a propriedade terá uma proteção menor. ADC e ADPF. a função social. ilegítimas. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. em seu art. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. no seu art. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. mas não pode ajuizar ADI. O que acontece é que se não cumprir a função social. portanto. é mais correto. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. não são legítimas essas invasões. Segundo ele. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. não impede que o direito de propriedade seja protegido. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. XXIII. Função Social da propriedade: A CR.

restringe o caráter absoluto. diante de uma emergência. por ser inerente ao direito de propriedade. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. etc. ele não poderá ser prejudicado. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. a saber: por necessidade pública. normalmente. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. Para atender a função social. Propriedade Urbana: ☺art. em regra. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. deve haver indenização? Não. Logo. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. 139. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. que deve ser prévia. Desapropriação: Diferentemente da requisição. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. 2. IPTU progressivo no tempo. Sempre que há requisição. É um aspecto lógico. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Na requisição. Ex: caso de Eloá. como um apartamento. deverá ser em dinheiro. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. há uma transferência compulsória da propriedade. indenização por títulos da dívida pública). b) ☺ art. justa e. CR. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. na desapropriação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1.000 habitantes (§1°). Vejamos: a) ☺art. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Como haverá indenização se houver dano. CF/88: Trata-se de imóvel rural. b. mas sobre a propriedade em si. 182. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. Vejamos abaixo. a indenização será sempre posterior. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. como decorrência do primeiro. VII). ou por interesse social. 5º. XXV) e as militares (☺art. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. só haverá indenização se houver dano. 186. §4º. por utilidade pública. Além do caráter absoluto. Os principais aspectos são 2. o proprietário não tem culpa. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. CR. O título deve ser entregue antes da desapropriação. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. Propriedade Rural: ☺art. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. No caso de requisição. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. A polícia requisitou determinadas propriedades. a saber: a. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. §2º. 184. uma escola pública. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . Sempre haverá indenização. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. A função social. 182. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social).

PU.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. Só não podem ser para fins de reforma agrária. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Para esse fim. não podem ser adquiridos por usucapião. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. ininterrupta. paga em dinheiro). por ter prazo menor. não há pagamento de indenização. 243. São imunes a impostos (☺art. 191. regra. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). Nesse caso. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . . CF/88. os bens serão confiscados – art.o morador não pode ter outro imóvel. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. é porque ela está cumprindo a sua função social. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). 185. O confisco de propriedade está previsto no art. sem oposição. CR).Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). no máximo. CR). Só que. 184. pacífica. ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. Usucapião: Na Constituição da República. seja urbano ou rural. . sejam urbanos ou rurais. Se ele tiver outro imóvel. 5º. §3° e art. Confisco: No Brasil. 183. etc. . Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). 250 m2. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. 120 . Necessidades permanentes da sociedade. Se ela é produtiva. Como o confisco é uma sanção. 243 da CR. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. não precária. A Constituição não permite – ☺art. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. possuir o imóvel como se fosse seu. Necessidades transitórias.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. no máximo. prévia e. É sempre indenizável (justa. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). o imóvel deve ter. §5º. Vejamos: . Na CR. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. Obs. 2.: Imóveis públicos. precisa recorrer ao judiciário). parágrafo único.). emergências da sociedade. 50 hectares. . 3. Requisição Refere-se a bens e serviços.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. em Indenização posterior se houver dano.

XL. Todas as demais o consagraram. não era muito democrática).) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. Seria correspondente à primeira hipótese. Durante a vigência desse contrato. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. outros a interpretavam de maneira (B). inicial. é necessário diferenciar duas situações. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. na verdade. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. CR). Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . XXXVI. não. Em resumo. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. A garantia existe para a proteção desse direito. 106. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Alguns a interpretavam de maneira (A). 5º. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). etc. só que exclusiva para o direito tributário. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. b) Retroatividade benigna. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. a CR/88 entrou em vigor. As hipóteses mais importantes são: 1. desde que seja mais benéfica para o réu. Em regra. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. média e mínima. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. a regra também é a não retroatividade (art. mas que vale especificamente para o direito tributário. 2. 5º e no art. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. interpretando a lei da maneira (A). 3. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. é uma conjugação das duas anteriores. a lei interpretativa retroage. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. Esta hipótese é. Para responder a essa questão. A lei interpretativa retroage. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. mas deve respeitar a coisa julgada. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. No direito penal. 5º. O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. a saber: 1. autônomo. Retroatividade da Lei Penal. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades.

A EC poderia prejudicar direito adquirido.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. É claro que isso não é desejável.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Se a Constituição atingir essa prestação. Portanto. b) Retroatividade média: pode ocorrer. . interpreta a lei em sentido amplo. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Só que para haver essa retroatividade. ela afeta a todos. XXXVI) é lei em sentido estrito e. coisa julgada e ato jurídico perfeito. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. 654 e Súm. a Constituição da República entrou em vigor. O prof. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. e não lei em sentido restrito. STF. será necessário que a Constituição diga expressamente. Havendo mudança de regime jurídico. ☺Súm. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. 5º.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Só que para haver essa retroatividade. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. automaticamente. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. em regra. Antes de a prestação ser paga. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. Não pode haver a redução. porque geraria uma insegurança jurídica. de acordo com a legislação da época. e não as parcelas que compõem o vencimento. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. portanto. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. extintas. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. no caso de retroatividade mínima. haverá uma retroatividade média. As parcelas podem ser reduzidas e. Nesse caso. Ex: Determinada prestação. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. . Se mudar o real. 473. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. mas as leis não. É claro que isso não é desejável. . Ex. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. não há posição prevalecente. mas isso está superado. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. Na retroatividade máxima. → Coisa julgada: 122 . É o ato que está apto a produzir os efeitos. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. Após a Constituição de 1988. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. porque geraria uma insegurança jurídica. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. e não o ato exaurido. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. inclusive as de ordem pública. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. haverá uma retroatividade máxima. até mesmo. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. 2. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. através de norma de eficácia plena.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. .

nós deveríamos interpretar o art. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. eles o são porque ainda poderão ser consagrados. ou seja. como teórico do direito (ou seja. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. segundo Robert Alexy. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Já os direitos sociais. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. à medida que a sociedade o determine. §1º.☺art. consagrados em NEP ou NEC. independentemente de qualquer fator. em sua maioria. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . e isso para muitos é um ponto negativo. . Ou seja. em regra. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata.: salário mínimo). Dirley Jr. Assim. 7º. Por isso. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. mas é apenas a coisa julgada judicial. 5º. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. são mandados de otimização. b) o art. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. e não propriamente como ministro). são NEL (de princípio programático). O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. 5º. 2. A administrativa não tem essa proteção. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. pois são mais facilmente implementados. Direitos Sociais: 1. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. como doutrinador. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. do seu enunciado. independentemente da sua natureza. . Eficácia: todo direito tem um custo. §1º. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. Os princípios. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. por ex. de sociedades pluralistas. Os direitos de defesa são. o que significa que possuem um caráter positivo. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. 5º. Eros Grau. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA.. exigem uma atuação positiva do Estado. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Mas isso não é verdade. Em cada época. e pelo Min. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. para dar decisões concretizando tais direitos. No art. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria.

Assim. em tese. Argumentos contrários à intervenção judicial: . que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. trabalho. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. Portanto. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. Esses direitos sociais não teriam. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. não geram direitos subjetivos. Primeiramente. Por isso. pois.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. doutrinador do RS.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases.000. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . lazer. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. essa atuação talvez não seja tão justa. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. pois. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. Como têm apenas eficácia negativa. por ex. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. assim. . o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Norma de direito social não gera direito subjetivo. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. as normas possuem uma textura aberta. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. rodovias. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também.000.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados.. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas. O que se busca. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. Quando se fala em direitos sociais. segurança. implicitamente. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. educação. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. quando foi dado um maior papel ao PJ. que estamos buscando. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente.). . mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. é importante definir tais critérios.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais.). Obs. normatividade. Pedro Taques). por ser norma programática. por ex. só porque recorreram ao PJ. ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Em outros lugares. Esse entendimento já foi superado. previdência. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. 3ª fase: é a fase desejável. etc. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. A visão do juiz é bilateral. legítimas (saúde. todas.

sufrágio universal. Esses argumentos são os que devem prosperar. no que diz respeito aos direitos sociais. mas a todos que se encontrem na mesma situação. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). ou seja. Se um poder se encolhe. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: .“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Se não se estabelecer os critérios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. 125 . inclusive a minoria. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. Não é o entendimento que prevalece. eles acabariam sendo inviabilizados. e é muito utilizada no Brasil. A reserva do possível. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. De se ver que quando se fala em direitos sociais. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. por isso. pois. teríamos a maior utilização das ações coletivas. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. entra-se muito nas questões ideológicas.A democracia não é apenas vontade da maioria. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica).Déficit democrático das instituições representativas. não se encaixaria na realidade brasileira. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. segundo Ingo Sarlet. É preciso. . Mas. a democracia tem também um aspecto substancial – todos. Assim. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. . saber se a demanda é razoável. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. Ademais. .Caráter normativo da constituição. em razão das limitações orçamentárias existentes. o outro cresce. Os direitos sociais estão consagrados em normas. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. em 1972. em razão do Princípio da Igualdade. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. eleições periódicas.

No Brasil. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. que é a corte suprema na Alemanha. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível.. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Segundo o prof. etc. mas teria um peso maior na ponderação. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. A efetividade passa pela sociedade. que existem z pessoas na mesma situação. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. por ser necessária para a 126 .“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. pelo cumprimento voluntário da constituição. Segundo Ana Paula de Barcellos.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. em 1953. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. assistência em caso de necessidade. Assim. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Se não definir o conteúdo. . Segundo Ricardo Lobo Torres. . Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. Por que falamos em “mínimo”. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Outros autores já falam apenas em saúde. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. é o entendimento mais adequado. maior o risco de não ter efetividade. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. essa concretização. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. quando se estabelece o mínimo existencial. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. saúde. em razão de sua textura aberta. Ou seja. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. precisam ser concretizados. da liberdade material e do princípio do estado social. A reserva do possível é uma matéria de direito público. depende de cada época e de cada sociedade. Não é o máximo desejado. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. que a demanda custa y. é o mínimo existencial. a questão da efetividade será prejudicada. mas deve também ser provada. 2. Vejamos: 1. educação e moradia.

não pode haver uma redução dessa concretização. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. Todos que moram no Brasil. e. haveria um engessamento do legislador e do PE. de acordo com a necessidade. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. já dizia algo muito semelhante. assim. A partir do momento que um direito social é concretizado. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. Há dois posicionamentos quanto ao tema. Por isso. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. estatístico. passaria a fazer parte do próprio direito social. entre eles: laços culturais. Segundo ele. 5º. da máxima efetividade (art. independentemente da nacionalidade. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. costumes. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. consciência coletiva. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. só ampliado. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. §1º. que significa nação. ao estudar as normas de princípios programáticos. 2) posicionamento de um autor português. um pensamento mais flexível sobre o tema. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. haver uma redução do grau de concretização. Ele tem. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. o que prejudicaria a sociedade. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. segundo ele. Os poderes públicos. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Pode. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. esse prazo não pode mais ser reduzido. fazem parte da população brasileira. fala-se em vedação do retrocesso social. Ex. JAS. históricos. da dignidade da pessoa humana. População está relacionada ao conceito demográfico. e do Estado Democrático e Social de Direito. língua. pois. irão concretizar os direitos sociais. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. 127 . caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). CR). O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo.

b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . I. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. Obs. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. há direito público subjetivo do estrangeiro.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). 12. II) Naturalização expressa (art. 12. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. não haver condenação penal e requerimento do interessado. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. I. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. art. 12. De acordo com o critério sanguíneo. §6°. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. 112 e 115. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. de acordo com o art. Refere-se aos brasileiros natos. b). estrangeiros residentes. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. adquirem a nacionalidade do país onde residem. . o filho terá nacionalidade brasileira. Refere-se aos brasileiros naturalizados. É o caso do Brasil. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. CF/88. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). por uma questão de soberania nacional. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. Quando a pessoa é nascida no Brasil. se não se manifestarem contrariamente. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. A EC 54 alterou o art.Diferenças de tratamento 128 . os pais têm que ser brasileiros. desde que haja reciprocidade. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. não há direito público subjetivo. É geralmente adotada por países que estão em formação. c. Pelo critério funcional. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. 12. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. 12. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. a). . 227.Quase nacionalidade (art. Se o casal estiver a serviço de outro país. I. II) Jus Sanguinis: ascendência.815/80. considera a nacionalidade dos pais. terá naturalidade brasileira. Neste caso. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados.

só poderá ser extraditado: . CF/88). LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. 5°. 12. 5°.segurança nacional: oficial das forças armadas. portanto. XL. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. 5°. No caso de brasileiro naturalizado. §4°. cria-se um problema de relação internacional. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. Não se pode. Importante analisar a Súmula 421. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. Os critérios utilizados são: . Na extradição.linha sucessória do presidente da república: PR.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. §3°).se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização.Perda da nacionalidade (art. Mas. 12. Já na entrega. dependente da economia paterna. . O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. 12. CF/88): 129 . não se poderá invadir esse estado. b) 6 assentos do Conselho da República (art. . Se o estado desrespeita essa regra.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. 89. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. a ela aplica-se a súmula 1. em razão da superioridade da Constituição. d) Extradição (art. Expulsão: consiste na retirada a forca. Princípios relacionados à extradição: . . . de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. no entanto. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. ou que tenha filho brasileiro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. do território brasileiro. presidente da CD. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. . o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos.815 (ato nocivo ao interesse nacional). membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. vice. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. §2°. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. A deportação está mais próxima da expulsão. . 65 da lei 6. confundir a súmula acima com a seguinte. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. Mas. presidente do SF. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. em razão da soberania nacional.

Só se aplica ao brasileiro naturalizado. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. §1º).Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. one vote” – “one person.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. São requisitos apenas técnico-formais.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. perderá a nacionalidade brasileira. Além dessas características do voto. com a realização de eleições periódicas. Para JAS. na forma da lei (que ainda não existe). Características que o voto possui no Brasil: . CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. que exige uma alternância de poder. Direitos Políticos: . Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). inclusive sendo cláusula pétrea. nacionalidade e alistamento. one vote”. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. é o direito de votar (e não de ser votado). salvo nos casos das alíneas a e b. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). A CR/88 adota o sufrágio universal. 14. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. pelo CN. 14. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. o sufrágio censitário (ex. e não requisitos preconceituosos. . caput). é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. salvo se por meio de ação rescisória. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. voto é o exercício desse direito. .tem valor igual para todos: “one man. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. ou seja. 81. §1º. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. com uma única exceção: art. . . 130 . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados.é direto: é a regra. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art.é periódico: essa periodicidade do voto. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. é o direito político em si. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Servem ao controle do próprio direito. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa.

☺§3º. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). 14 traz um questionamento. ela é adquirida progressivamente. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. 14. §8º). e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. etc. 14. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. ou seja. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). no caso do art.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). que geralmente admitem desincompatibilização. 14.é conhecida como inelegibilidade reflexa. Ex. §7º . No Brasil. . A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. então. a inelegibilidade em relação aos militares (art. §3º? Segundo o STF. §5º . §1º). farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). Além dessas condições relativas à idade mínima. do art. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. Primeiramente. dentistas. o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. com exceção dos portugueses equiparados. é o direito da pessoa ser votada. §3º. Mas o §9º do art. salvo se já titular do cargo. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. se houver reciprocidade (art. Quando a Constituição fala apenas em lei. . até que se atinja a plena cidadania. b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. assim. ou seja. 14. trata-se de lei ordinária. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). 14). 14. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. no governo de SP). em caso de reeleição. Assim. 14. filiação partidária. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. domicílio eleitoral na circunscrição. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. ☺ar. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. 12. os inalistáveis são os estrangeiros. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania).

Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. nos termos do art. o prof. A doutrina (JAS. seus parentes também poderiam ser candidatos. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. 15. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. mas o prof. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. VIII). A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. 15. 15 (incisos II. Com base nessa distinção. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. portanto. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. 5º. I. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. não há como readquirir os direitos políticos). Kildare. III e V) são hipóteses de suspensão. 132 . e quanto a isso não há divergência doutrinária. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. é algo temporário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). Todas as outras hipóteses do art. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição.

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