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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

Boletim informativo
ANO 1, N.º 2 Fevereiro de 2005

MPI responde ao Prof. Fernando


Editorial Santana
Cá estamos mais CARTA ABERTA dos para a região ao longo de a esperança de haver isenção
uma vez. cerca de quatro anos (1992 a e coragem crítica por parte da
Esperamos que 1996, Plano Director de Resí- classe científica ligada ao
Exmo Sr. Professor Fernando
tenha sido do vosso agrado
Santana, duos Sólidos Urbanos da Sub processo. Mas em vão.
a primeira edição do nosso
boletim informativo. -Região Oeste - PDRSU). A “limpeza do sécu-
Nesta edição, A revista ÁGUA E Como se recordará, lo” estava em marcha de for-
continuarmos a publicação AMBIENTE, número de Maio o MPI surgiu de forma expon- ma imparável e os aterros
de memorandos sobre o de 2004, escolhe como tema tânea aglutinando cidadãos eram anunciados como o
complexo processo do Ater- de capa “67 % dos ATERROS interessados no processo do verdadeiro “MUST”, parafra-
ro Sanitário do Oeste e des- Aterro Sanitário do Oeste seando o Sr. Professor.
SANITÁRIOS VIOLAM A LEI”,
tacamos a realização da
sendo o Editorial assinado por (ASO), com o desejo de parti- Mas em vão.
Assembleia Geral Ordinária
que se realizará na 4ª-feira, VExa. cipar nas decisões e exercer A “limpeza do sécu-
dia 30 de Março, pelas O Movimento Pró – o seu legítimo direito de fisca- lo” estava em marcha de for-
21.00 horas, na nossa sede, Informação para a Cidadania lização nesta área tão sensí- ma imparável e os aterros
ou seja, no edifício da Junta e Ambiente (MPI) leu com vel como é a da gestão dos eram anunciados como o
de Freguesia do Vilar. (Ver toda a atenção (e redobrado RSU. verdadeiro “MUST”, parafra-
convocatória na última pági- interesse) o editorial de VExa, O MPI rejeitou sem- seando o Sr. Professor.
na) pre formas demagógicas de Calou-se a opinião
Desejando um
bem como o artigo referido
óptimo ano de 2005, des- acima, dada a importante contestação pelo que estudou pública e o MPI com o argu-
pedimo-nos até à Assem- intervenção do Sr. Professor os processos e documenta- mento aliciante (e correcto) da
bleia Geral. no processo do Aterro Sanitá- ção existentes e a legislação necessidade do encerramento
rio do Oeste. em vigor (nacional e comuni- das lixeiras. Nada mais havia
No artigo constatam tária), tendo recorrido a técni- que questionar pois o encer-
O Presidente da Direc- -se gravíssimos problemas cos credíveis e juristas con- ramento das lixeiras dava
ção nos aterros sanitários e um rol ceituados. protagonismo e resolvia pro-
de ilegalidades identificadas Aliás, a contestação blemas de muitas autarquias.
Humberto Pereira Ger-
pela Inspecção Geral do e as questões levantadas pelo Uma estratégia que a curto
mano
Ambiente. MPI surgiram sempre dos prazo dava enormes frutos
Sobre esta matéria estudos efectuados pelas (eleitorais e de visibilidade,
pouco ou nada já nos sur- entidades que supervisiona- dado o protagonismo para os
preende pois foram situações vam na matéria, nomeada- seus executores).
Nesta edição: previstas pelo MPI, quando mente os que foram concreta- Outras questões
ousou, há cerca de 4 anos, mente elaborados para a chave para o sucesso do
pôr em causa a estratégia Resioeste. programa e sua sustentabi-
escolhida pelo governo do Infelizmente os lidade a longo prazo eram
Editorial do Prof. Fernando
Partido Socialista para aplica- governantes e as autoridades
Santana 3 esquecidas, nomeadamen-
ção dos cerca de 1.000 que superintendem nesta
área entenderam que o MPI te:
Aterro Sanitário do Oeste milhões de euros de fundos
— Incongruências do Estudo de comunitários para implemen- era uma organização incómo- = Eram os aterros integrais
Localização do ASO 4e5 tar uma correcta e sustentada da e em vez de promoverem a melhor solução tecnológi-
Política de Gestão dos Resí- o diálogo sério e isento assis- ca da altura?
duos Sólidos Urbanos (RSU), tiu-se a uma verdadeira esca- = Estava-se a proteger o
Ambiente e Cidadania - lada de silenciamento do MPI
Compostagem doméstica 6
estratégia esta que contrariou ambiente e as populações
as recomendações dos estu- por parte do poder.
dos que tinham sido elabora- Ainda acalentámos
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com os locais escolhidos para cons- seu editorial acima referido, activo e participativo da sociedade
truir os aterros? porque razão colaborou nas civil.
= Porquê aterros em cima de aquífe- tentativas de ridicularizar as O Sr. Professor é, assim, um
ros e na Reserva Ecológica Nacio- críticas do MPI e dos seus dos responsáveis pela grave situação
nal ? representantes, e aceitou que temos agora em matéria de ges-
= Estava-se a contar com o cumpri- defender as mentiras do tão dos RSU.
mento das orientações de Bruxelas e Governo e da Resioeste Porque o Sr. Professor sabia
a cumprir as leis internas? usando para isso a sua auto- que estava a induzir as pessoas em
A ausência de resposta e ridade científica? erro como o provam as suas afirma-
debate sobre estas questões prova- · Que poder exerceu sobre si ções feitas, agora, no editorial acima
ram que os fins justificaram os meios. o governo socialista, a referido:
Os políticos do governo e os Resioeste ou, eventualmen- - Portugal não utilizou SOLUÇÕES
responsáveis autárquicos da região te, o Sr. Eng.º José Sócrates, TECNOLÓGICAS MAIS OU MENOS
optaram por tentar calar o MPI, com pai da solução que o Sr. Pro- ELABORADAS para o tratamento e
argumentos populistas de que estaría- fessor agora põe em causa destino final dos RSU, quando na
mos a manipular e a ser egoístas. O de forma tão contundente? maior parte dos países europeus já se
fácil argumento de que tudo não pas- Perguntas certamente incó- utilizavam;
sava de uma tentativa de desacreditar modas para o Sr. Professor, mas que - Contudo, e apesar das técnicas de
o governo veio à baila, mais uma vez. foram feitas por quem não tendo os minimização de impactes
O costume! seus conhecimentos sobre a matéria (impermeabilização, encobrimento de
A Resioeste empenhou-se teve, no entanto, mais coragem e resíduos, tratamento de lixiviados,
em campanhas milionárias de contra mais capacidade critica para antever etc.), constituíam a mesma solução de
informação. os problemas. destino final, SOLUÇÃO POUCO
A classe científica ligada ao Com as suas incoerências e INTERESSANTE, POTENCIADORA
processo abdicou das suas responsa- faltas de rigor, o Sr. Professor parece DE VERDADEIROS LEGADOS DE
bilidades pois viu- que se juntou ao grupo dos consulto- LIXO PARA AS GERAÇÕES FUTU-
- se comprometida com o sistema e res e técnicos que em Portugal dão RAS;
“abençoou-o”. Veja-se só a manipula- pareceres e/ou fazem estudos con- - Os aterros são APENAS, dispositi-
ção clara dos estudos sobre o Aterro soante as conclusões desejadas por vos a jusante dos sistemas;
Sanitário do Oeste que a classe cien- quem os encomenda. - De um modo geral ESTAMOS PRÓ-
tífica elaborou e validou. Em nossa opinião, o Sr. Pro- XIMOS DE ATINGIR A SATURAÇÃO;
Não vale a pena aprofundar, fessor perdeu uma excelente oportuni- - É urgente encontrar soluções credí-
aqui, estas questões. dade de contribuir para que Portugal veis, económica e ambientalmente
Mas vale a pena, isso sim, aproveitasse uma ocasião histórica sustentáveis que não se limitem a
lembrar o que o Sr. Professor defen- com a dádiva dos 1.000 milhões de assegurar que haverá destino final
deu e disse na altura. euros da Europa para implementar para os resíduos, sob PENA DE AO
Recorda-se certamente, Sr. uma política moderna e sustentada de CONTRÁRIO GARANTIRMOS APE-
Professor, de ter participado, em gestão dos RSU. NAS A CONTINUIDADE DAS LIXEI-
2000, numa reunião de esclarecimen- É que na sua posição RAS, embora de outro tipo;
to na Assembleia Municipal do Cada- (Responsável pelo Departamento de - A produção de resíduos é crescente
val, como consultor convidado pela Ambiente da Faculdade de Ciências e e deficiente a recolha selectiva;
Resioeste. Tecnologia da Universidade Nova de - Há que ter CORAGEM POLÍTICA;
Nesta sessão o Sr. Professor Lisboa), qualquer opinião técnica Desculpe-nos Sr. Professor
Fernando Santana defendeu com toda envolve um grau de responsabilidade mas estas suas palavras deveriam ter
a convicção as teses que agora ataca que o MPI não dispõe. Com as suas sido proferidas quando se exigia de
as quais não são mais do que uma teses em defesa da Resioeste, o Sr. sua parte CORAGEM POLÍTICA e
reprodução dos alertas, receios, críti- Professor iludiu muita gente de boa fé ISENÇÃO, não agora quando é fácil
cas e previsões do MPI (perdoe-nos a e contribuiu para dar força a decisões constatar a verdade dos factos e
imodéstia, mas é uma realidade públi- perniciosas para os interesses da começam a aparecer muitos
ca e que consta nos nossos documen- economia do nosso país e bem estar “profetas”.
tos). das populações. Mas o MPI sabe, infelizmen-
Afinal, perguntamos: Com a exposição pública e te, que o Sr. Professor não está só.
· Qual das teses é a do Sr. mediática que teve, o Sr. Professor Não nos esquecemos dou-
Professor Fernando Santa- assumiu especiais responsabilidades tros nefastos contributos para esta
na? no processo e perdeu uma oportuni- desgraça anunciada, a saber:
· Se a tese que valida é a do dade de dar voz a um movimento pró- · O Instituto dos Resíduos
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(entidade que deveria fiscalizar tendo chegado a afirmar que não científica vai marcando pontos no seu
com independência o governo, existia um aquífero na quinta de descrédito perante a sociedade civil.
mas abdicou desta função permi- S. Francisco onde está construí- Felizmente há excepções e
tindo nomeadamente que as do o ASO!!!; nestas não podemos deixar de referir
obras se iniciassem sem que do · Os jogos de interesses na Comis- o Sr. Professor Martins de Carvalho e
ponto de vista legal estivessem são Europeia (ao serviço dos a Sra. Eng.ª Inês Batalha Reis, reco-
cumpridas todas as exigências); governos e não das populações nhecidos técnicos que desde a primei-
· Direcção Regional do Ambiente onde as nossas queixas caíram ra hora se manifestaram disponíveis
de Lisboa e Vale do Tejo (com em saco roto); para nos ajudar a encontrar a verdade
pareceres estranhos, omissões e · O Sr. Presidente da República e que com sacrifício da sua vida pes-
recusa de fornecimento de docu- (que acusou o MPI de fundamen- soal deram um precioso contributo
mentos ao MPI); talista). para a valorização do nosso trabalho
· Os senhores consultores da Não nos interessa saber quem sempre pautado pelo rigor e contrário
empresa IPA (empresa responsá- ganhou com esta política verdadeira- a teses oportunistas ou sem funda-
vel pelos estudos encomendados mente desastrosa pois não é essa a mento técnico e científico.
pela RESIOESTE, que os mani- nossa razão de existência, nem a Oxalá que este triste exem-
pularam com omissões e erros nossa função. plo possa servir para uma mudança
grosseiros); Interessa-nos, isso sim, é de atitudes e para a moralização do
· O Sr. Professor Catedrático que o país perdeu. sistema em que nos sentimos atola-
Manuel Oliveira (Hidrogeólogo da Infelizmente constatamos dos.
Faculdade de Ciências da Univer- que para muitos políticos e responsá-
sidade de Lisboa), figura destaca- veis pela governação a sociedade civil Com os nossos melhores cumprimen-
da do PS, membro da Assem- é meramente uma figura decorativa tos,
bleia Municipal de Torres Vedras em Portugal. O MPI
e um acérrimo crítico do MPI, E constatamos que a classe

EDITORIAL da revista “ÁGUA E AMBIENTE” de Maio de 2004


Dos aterros se ignore que os aterros são apenas díveis (atente-se de facto nas condi-
Quando na maior parte dos dispositivos a jusante dos sistemas, ções reais do País), económica e
países europeus já se utilizavam, ou sujeitos portanto às suas lógicas e ambientalmente sustentadas, que não
ensaiavam, soluções tecnológicas modos de funcionamento. se limitem a assegurar que haverá
mais ou menos elaboradas para o A evolução dos sistemas destino final para os resíduos, sob
tratamento e destino final de resíduos ditará o tipo e quantidade de resíduos pena de ao contrário garantirmos
sólidos urbanos, Portugal descobria, para deposição final, sendo inexorá- apenas a continuidade de lixeiras,
com honras de inauguração ministe- vel, pelas limitações de eficiência, embora de outro tipo.
rial, os aterros sanitários. Há que que se necessitará sempre de locais À semelhança das imposi-
reconhecer que, para um país que para acumulação de materiais resi- ções comunitárias, incidindo directa-
começava a aperceber-se dos incon- duais, seja na forma de actuais ater- mente nos sistemas, ou a jusante
venientes das lixeiras, os aterros sur- ros ou de novas concepções para (limitações à deposição) para que se
giram como um verdadeiro “must”, aquele efeito. repercutam naquelas, há que respon-
qual corolário de sistemas de resí- Uma vez que os aterros sabilizar os utentes. Já não resolve
duos a justificar-lhes a respectiva reflectem o funcionamento dos siste- esperar pela evolução positiva da
capacidade. mas, facilmente se compreende por- consciência ecológica. Com equida-
Contudo, e apesar das técni- quê entre nós, e de modo geral, este- de, garantida por regulação adequa-
cas de minimização de impactes que jamos próximos de atingir a sua satu- da, com sensibilização para a neces-
adoptavam (impermeabilização, reco- ração. Produção de resíduos crescen- sidade, com... principalmente com
brimento de resíduos, tratamento de te e deficiente recolha selectiva têm coragem política para inverter a situa-
lixiviados, etc.) constituíam a mesma sido ingredientes bastantes para tal ção, cobrando aos utentes os servi-
solução de destino final, com deposi- situação, podendo prever-se que difi- ços que lhe são facultados, proporcio-
ção indiferenciada de resíduos, mate- cilmente atingiremos as metas de nalmente aos seus comportamentos.
rializando portanto uma solução pou- reciclagem e de valorização a que
co interessante, potenciadora de ver- estamos obrigados perante a União Fernando Santana
dadeiros legados de lixo para as Europeia. Ou seja, é urgente, para o
gerações futuras. Ainda assim, não médio prazo, encontrar soluções cre- fernandosantana@about.pt
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d e
raio
a o
Aterro Sanitário do Oeste
Incongruências do “Estudo de Localização do Aterro
Sanitário do Oeste” (IPA, 2000)
O “Estudo de Localiza- quais apontadas pelas próprias 2.2- Ocupação e uso
ção do Aterro Sanitário do Oes- Universidades. actual do solo e da sua
te” (ELASO) foi elaborado Se dúvidas havia quanto envolvente - S. Francisco/
para a Resioeste pela IPA- à inadequabilidade da Qta de S. Malpique teve a classificação
Inovação e Projectos em Francisco para a localização do de 5, pois foi considerado
Ambiente, Lda, publicado em ASO, a análise do ELASO veio que a envolvente é predomi-
Janeiro de 2000, após a compra confirmá-las. nantemente de utilização flo-
do terreno para a construção do De forma muito resumi- restal, mas na realidade a
aterro, cerca de 97 hectares, na da são enumerados exemplos envolvente é essencialmente
confluência de 3 concelhos que demonstram o que atrás é agrícola. Ao invés, Vale da
(Cadaval, T. Vedras e Alen- denunciado: Palha, onde se localiza a
quer), correspondente à Quinta 1- Metodologia utiliza- lixeira intermunicipal Cada-
de S. Francisco, devido a forte da no processo decisório - É val-Bombarral, o que corres-
pressão das populações e, em substancialmente diferente da ponde a um uso idêntico ao
particular, a moção da Assem- que habitualmente é seguida pretendido o que caberia uma
bleia Municipal do Cadaval, em processos de decisão da classificação de 5, mas obte-
aprovada por unanimidade em localização de aterros sanitá- ve 3!
1999. rios, isto é, o estudo deveria ter 2.3- Ordenamento
De referir que no estu- sido efectuado antes da compra do território - Pelo facto de
do, em termos gráficos, não são do terreno e da realização do se ter considerado que o
apresentadas algumas fracções Estudo de Incidências Ambien- espaço dominante era flores-
da localização
astecia o concelhoinicial,
de Quinta
Torres tais, o que por si só, levanta tal, não ter sido feita referên-
de S. Francisco, nomeadamente
Vedras e actualmente pode ser sérias dúvidas quanto à trans- cia à REN e, mais grave ain-
a zona decomo
encarado Monteuma Agulhas
reservae parência do processo. da, não constar no mapa
uma zona próxima da povoação
estratégica e mesmo um sistema 2- Análise dos descri- (Anexo 3-B) as áreas urba-
de reforço
de Olho Polido, mas quepara
e de reserva inte-o tores - Os 10 locais estudados na e urbanizável (de 12 hec-
actual sistema dependente da
gram a propriedade da são classificados, para cada tares) do Olho Polido, con-
RESIOESTE
água de Casteloe inclui a sul par-
de Bode, mas descritor, na escala de 1 (muito tígua à Qta de S. Francisco,
te doELASO
no Malpique. não se atende à desfavorável) a 5 (muito favo- conforme consta no PDM
Apesar
importância da aquífero,
deste sua aborda-pois rável). de Torres Vedras, sendo
gem e conclusões terem
os dois locais considerados sido 2.1- Condicionantes - parcialmente substituídas por
validadas
mais pelo Departamento
favoráveis à localização S. Francisco/Malpique com espaço agrícola, S. Francis-
de Ciências e Engenharia do 62,8% de REN e 1,6% de RAN co/Malpique é classificada
Ambiente da Faculdade de (O terreno comprado possui com 4 (favorável)! O mesmo
Ciências e Tecnologia da Uni- cerca de 90% de REN!) é dos que Pedras Negras e Estor-
versidade Nova de Lisboa 10 locais estudados com maior nadiço, com espaços domi-
(FCT/UNL), e do Instituto de percentagem condicionada por nantes apenas florestais e
Ciência
do Aplicada
aterr e Tecnologia
o, S.Francisco/ este tipo de regime, mas obtém apenas 6% de RAN no 2º
da Faculdade
Malpique de Ciências
e Pedras Negras, – a classificação de 3 (favorável), caso.
Universidade
estão de Lisboa (ICAT/
ambos localizados na sua porque inexplicavelmente é 2.4- Distribuição das
FC-UL),
zona de lideradas
recarga, pelopelo Prof.
que, atribuída maior importância à populações - É estabelecido
Fernando
ambos Santana
deveriam ter sidoe excluí-
Prof. RAN, o que originou que, por o critério arbitrário de 2 Km
Manuel
dos, de Oliveira,
havendo respectiva-
alternativas fora exemplo, Vale da Palha com
mente,
do não deixafacto,
aquífero!.De de suscitar
2 dos 4,5% de RAN e 18,5% de REN
várias situados
locais dúvidas,foraalgumas
de qualquerdas obtivesse igual classificação!
dos sistemas aquíferos relevan-
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também desagua na lagoa de Óbidos), foi considerada a importância deste facto quanto à afectação da qua-
terreno, no entanto, no descritor l i d fero abastecia o concelho de lagoa. S.Francisco/
- Ocupação e uso actual do solo ade Torres Vedras e actualmente Malpique é o único local
e da sua envolvente, faz-se refe- das pode ser encarado como uma que afecta duas bacias
rência a esses limites! A proxi- á g reserva estratégica e mesmo um hidrográficas, a do Rio Real
midade do Olho Polido era uas sistema de reforço e de reserva e a do Rio Alcabrichel e
motivo para inviabializar à par- n a para o actual sistema dependen- re não apenas uma, como é fe
tida a instalação do aterro. Mas, r i d te da água de Castelo de Bode, a considerado no estudo.
no caso do Outeiro Sobreiro foi mas no ELASO não se atende à 2.9- Bio-ecologia -
contabilizada a povoação de importância deste aquífero, pois Em relação a este descritor
Casais Larana, que está clara- os dois locais considerados o parecer do ICAT/FC-UL
mente fora do círculo de 2 mais favoráveis à localização refere “… não ter sido dado
Km de raio em relação a esse do aterr o, S.Francisco/ apreço suficiente aos nor-
local. Malpique e Pedras Negras, mativos decorrentes do
2.5- Ar - A área de estão ambos localizados na sua grau de coincidência dos
influência potencial (AIP) varia zona de recarga, pelo que, locais com a REN os quais,
consoante a ocupação da envol- ambos deveriam ter sido excluí- pelo menos na presente fase
vente – zona florestal ou urbana dos, havendo alternativas fora de selecção de sítios, deve-
(2,3 Km) e campo aberto (5,3 do aquífero!.De facto, 2 dos riam ser defendidos com
Km). No local S.Francisco/ locais situados fora de qualquer intransigência.”
Malpique foi considerada a dos sistemas aquíferos relevan- S.Francisco/
envolvência predominantemen- tes para a região, Estornadiço e Malpique é dos 10 locais
te florestal em todas as direc- Vale da Palha, são penalizados que mais próximo está de
ções, resultando uma AIP de neste descritor pela assunção uma ZPN (a da Serra de
2,3 Km, o que é falso, conforme da existência de uma falha acti- Montejunto), no entanto
demostrado no descritor – Ocu- va, baseada apenas com recurso obteve a classificação de 5.
pação e uso actual de solo e sua a uma carta de 1/500.000, o que 2.10- Paisagem -
envolvente. De facto, a ocupa- o próprio parecer do ICAT con- Devido à proximidade desta
ção florestal é de apenas sidera exagerada a atribuição! importante Zona de Paisa-
26,9% !, pelo que é dos locais, 2.8- Recursos hídricos gem Natural (ZPN) de
em estudo, mais desfavorável e superficiais - Mais uma vez âmbito regional, o Parecer
não o mais favorável! S.Francisco/Malpique é benefi- do ICAT/FC-UL refere que
2.6- Ruído - Foram ciada devido a incorrecções, “… deve ser particularmen-
cometidos dois erros na avalia- por exemplo considera-se como te dada atenção à riqueza
ção de S.Francisco/Malpique. favorável a localização do ater- geral das paisagens na
Não foi considerada a popula- ro nas cabeceiras das bacias zona mais próxima do geo-
ção de Outeiro da Cabeça, hidrográficas (??), o que está centro e à proximidade dos
foram ainda “esquecidas” a em total contradição com o relevos da ZPN de Monte-
população potencial máxima de espírito da Lei da REN (DL junto.
600 pessoas atribuída à área 93/90 de 19 de Março, Anexo 2.10- Custos econó-
urbanizável do Olho Polido e os I). Não foi feita qualquer refe- micos e sociais - Na avalia-
32 habitantes da Qta de S. Fran- rência ao facto deste local dre- ção de S.Francisco/
cisco, por exemplo. nar para a bacia hidrográfica do Malpique não se valorizou
2.7- Geologia, hidro- Rio Real (a principal bacia que o potencial de desenvolvi-
geologia e geotecnia - A Qta de alimenta a lagoa de Óbidos), no mento económico no âmbi-
S. Francisco está situada na entanto na análise do local to do projecto da Rota dos
zona de recarga do sistema Gaeiras, abrangida pela bacia Vinhos a financiar pelo pro-
aquífero designado pelo INAG hidrográfica do rio Arnóia (que grama comunitário LEA-
(1997) por “Sistema Aquífero DER, previsto para o zona.
do Cretácico de Torres Vedras”.
Como refere o Eurogeol Prof. Mas havia ainda
Martins de Carvalho, este aquí- mais a apontar !!! *
b
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Ambiente e Cidadania
Compostagem folhas, etc), para evitar que as falta de oxigénio vai fermentar,
doméstica moscas sejam atraídas. dando origem à produção de bio-
A compostagem é um pro- gás (altamente inflamável e explo-
“Em matéria de lixo, nin- cesso natural que necessita de sivo), maus cheiros e de águas
guém está inocente”. Frase extre- oxigénio (o recipiente tem de ter lixiviantes, com uma elevada carga
mamente feliz para exprimir a res- aberturas laterais, e no fundo deve microbiana e química (sobretudo,
ponsabilidade que todos, sem colocar-se palha ou ramos peque- ácidos).
excepção, têm em relação ao pro- nos), humidade (regar um pouco Se para além disto se
blema do lixo. Assim, uma coisa no Verão e tempo seco) e calor acrescentar que, mesmo os
que o cidadão comum pode fazer (colocar o recipiente num local modernos equipamentos utilizados
para reduzir substancialmente abrigado do vento frio do norte e na construção e concepção dos
(cerca de 40%) a quantidade de evitar locais sombrios no Inverno). recentes aterros sanitários para
lixo que deposita no contentor, é a Ao fim de 4-5 meses, apro- minimizar estes efeitos, ou seja, os
compostagem no quintal (ou na ximadamente, deve-se fazer a sistemas de impermeabilização do
varanda!) “viragem”, ou seja, tirar o compos- fundo e taludes, os sistemas de
Pode começar hoje mes- to para o compartimento ao lado drenagem e tratamento e biogás e
mo a fazer a compostagem no seu pela ordem inversa à que tinha de drenagem e tratamento de lixi-
quintal ou varanda, pois não é sido depositado inicialmente, e viados, possuíem muitas limita-
necessária a existência de ecopon- deste modo, podem colocar-se ções, como por exemplo, a reduzi-
tos, basta que tenha um caixote de novos resíduos no compartimento da garantia comercial das telas
lixo apenas para os materiais bio- que ficou vazio. A “viragem” desti- usadas na impermeabilização
degradáveis, que no início fará um na-se à homogeneização do pro- (apenas 10 anos para as telas e 5
pouco de confusão, mas é tudo cesso de compostagem. Ao fim de anos para as suas soldaduras) , a
uma questão de hábito, (veja infor- outros 4-5 meses, o composto que reduzida eficiência da recolha do
mação contida na caixa) e de um foi “virado” estará pronto, e isso biogás produzido (apenas 30 a 40
compostor ou de um recipiente verifica-se através do seu cheiro %), facilmente se conclui que o
para compostagem feito por você agradável a floresta, do aspecto tratamento da matéria orgânica
mesmo. O compostor é um equipa- granular e eventual aparecimento deve ser considerada prioritária,
mento simples que se pode adqui- de minhocas, e pode-se colocar em qualquer aterro, dito
rir por exemplo nos Centros de nas plantações de hortaliça, vasos “controlado”.
Jardinagem, e será a melhor solu- para plantas de casa, etc, espa- Com a compostagem, para
ção para quem não tem quintal. O lhando-o em camadas de 1 a 2 cm além de se minimizarem os riscos
recipiente para compostagem feito ligeiramente misturado com a ter- dos aterros, é possível aumentar
por si, pode ser do tipo de uma ra, mas sem enterrar. significativamente o seu tempo de
caixa de fruta em tamanho grande A matéria orgânica vida útil e reduzir de forma acen-
(1mx1mx1m), sem fundo, dividida (materiais biodegradáveis) quando tuada o uso de fertilizantes quími-
ao meio, e um dos lados deve reti- depositada nos aterros sanitários, cos, que estão a produzir índices
rar-se facilmente, para se tirar é um dos principais causadores de de contaminação das águas, dos
facilmente o composto com uma problemas na gestão dos mesmos, solos e da atmosfera considerados
pá. pelo que a solução técnica mais preocupantes.
O caixote do “lixo” apenas adequada para o tratamento desta O ambiente e a qualidade
com materiais biodegradáveis, importante componente do lixo de vida não tem preço!
deve ser despejado todos os 2 a 4 doméstico é a sua valorização,
dias, e convem misturar os restos como é o caso da compostagem. Mª Alexandra Azevedo
da cozinha com os resíduos do De facto, esta matéria uma vez
jardim e quintal (aparas de relva, depositada nos aterros, devido à Médica Veterinária,
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Breves
4º Encontro Nacional do Não faltaram castanhas, • Maria Alexandra S. Azeve-
MUSP pão caseiro, frutos secos, boa do (vice-presidente da
O MUSP—Movimento bebida e boa disposição. direcção do MPI).
dos Utentes dos Serviços Públi- Terminou com a informa- Indicados pela Câmara
cos realizou o seu 4º Encontro ção dos últimos desenvolvimen- Municipal do Cadaval:
Nacional, no dia 23 de Outubro, tos sobre o processo do Aterro e • Gonçalo Rebelo de Andra-
em Setúbal. do tratamento dos efluentes das de (deputado municipal do
Apesar do MPI ter sido suiniculturas. * Cadaval e vogal da direc-
convidado a participar em todos ção do MPI);
os Encontros, só em 2004 foi pos-
Comissão de Acompa- • Augusto Barardo
sível a nossa participação, tendo nhamento (proprietário de um pomar
uma experiência interessante, A Comissão de Acompa- de pereiras na vizinhança
uma vez que fomos confrontados nhamento do Sistema de Trata- do aterro);
com muitas pessoas que pelas mento de RSU dos Oeste, reúne • Ricardo Machado
razões mais diversas lutam, tal sensivelmente uma vez por mês e (deputado municipal do
como nós, por uma sociedade é constituída pelos seguintes Cadaval).
melhor. * elementos: Registamos com agrado a
Indicados pela Junta de abertura ao diálogo manifestado
Reunião/Convívio Freguesia do Vilar: pela RESIOESTE, possibilitando
Realizou-se no dia 20 de • Humberto Pereira Germa- a participação do Sr. Carlos
Novembro, pelas 18.00 horas, na no (secretário da Junta de Pereira do Olho Polido na reu-
cave do Pavilhão Gimnodesporti- Freguesia do Vilar, depu- nião realizada no dia 4 de
vo do Vilar, uma reunião/ tado municipal do Cadaval Novembro e, mais recentemente,
convívio aberto a sócios, não e presidente da direcção do a participação de 3 elementos da
sócios e acompanhantes. MPI); freguesia de Pêro Moniz, incluin-
do o Presidente da Junta e do
Eng.º José Sardinha, administra-

A preencher pelo MPI


MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente N.º de sócio
__|__|__|__|__
Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezem-
bro, n.º 2, 2550-069 VILAR CDV Data
___/___/___
Tel./fax: 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

PROPOSTA PARA ADMISSÃO DE SÓCIO

Nome_________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
Morada ________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
Telefone: ________________, fax: __________________, e.mail _________________________________
B.I. N.º ______________________, data de nascimento ___/___/___ , estado civil ___________________
N.º de contribuinte: _____________________ , profissão _______________________________________

Data ____/____/____ Assinatura do candidato a sócio __________________________________________


Quota mínima anual: € 2 , quantia paga _______________________________________,
PRECISA-SE
M P I — M O V I M E N T O P R Ó - I N F O R M AÇ Ã O P AR A A
C I D AD AN I A E AM B I E N T E

Morada: Edifício da Junta de Freguesia


do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2
2550-069 VILAR CDV Voluntário(a) para colaborar
Tel./fax: (+351) 262 771 060 na edição do boletim infor-
e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt mativo.

Denúncias - Ambiente
Sempre que testemunhe uma agressão
ambiental deve denunciá-la do seguinte
modo:
• Telefonar para a linha SOS Ambiente
808 200 520
A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e enca-
POR UM MELHOR AMBIENTE !!
minha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do
Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Nature-
O papel usado neste boletim é virgem za e do Ambiente) da GNR.
porque não encontrámos no mercado
papel A3 reciclado. ou
O papel A4 e envelopes usados na activi- • Aceder ao site:
dade do MPI é 100% reciclado.

CONVOCATÓRIA
De acordo com os estatutos do MPI – Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambien-
te, convoco a Assembleia Geral ordinária desta Associação, que se realizará na sede social, sita no edi-
fício da Junta de Freguesia do Vilar, no dia 30 de Março, pelas 21.00 horas, com a seguinte ordem de
trabalhos:

1- Votação do Relatório e Contas do ano 2004.


2- Discussão e votação do Plano de actividades e Orçamento para 2005.
3- Deliberação sobre a adesão ao MUSP
4- Deliberação sobre a subscrição da petição “Transgénicos Fora do Prato”
5- Outros assuntos.

Não havendo número legal de associados para a Assembleia funcionar, fica desde já marcada
uma segunda convocação para meia hora depois, funcionando com qualquer número de associados

Vilar, 11 de Março de 2005

O Presidente da Assembleia Geral

Nuno Pereira Azevedo

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