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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

Boletim informativo
ANO 1, N.º 2 Fevereiro de 2005

Editorial
Cá estamos mais uma vez. Esperamos que tenha sido do vosso agrado a primeira edição do nosso boletim informativo. Nesta edição, continuarmos a publicação de memorandos sobre o complexo processo do Aterro Sanitário do Oeste e destacamos a realização da Assembleia Geral Ordinária que se realizará na 4ª-feira, dia 30 de Março, pelas 21.00 horas, na nossa sede, ou seja, no edifício da Junta de Freguesia do Vilar. (Ver convocatória na última página) Desejando um óptimo ano de 2005, despedimo-nos até à Assembleia Geral. O Presidente da Direcção Humberto Pereira Germano

MPI responde ao Prof. Fernando Santana
CARTA ABERTA Exmo Sr. Professor Fernando Santana, A revista ÁGUA E AMBIENTE, número de Maio de 2004, escolhe como tema de capa “67 % dos ATERROS SANITÁRIOS VIOLAM A LEI”, sendo o Editorial assinado por VExa. O Movimento Pró – Informação para a Cidadania e Ambiente (MPI) leu com toda a atenção (e redobrado interesse) o editorial de VExa, bem como o artigo referido acima, dada a importante intervenção do Sr. Professor no processo do Aterro Sanitário do Oeste. No artigo constatam -se gravíssimos problemas nos aterros sanitários e um rol de ilegalidades identificadas pela Inspecção Geral do Ambiente. Sobre esta matéria pouco ou nada já nos surpreende pois foram situações previstas pelo MPI, quando ousou, há cerca de 4 anos, pôr em causa a estratégia escolhida pelo governo do Partido Socialista para aplicação dos cerca de 1.000 milhões de euros de fundos comunitários para implementar uma correcta e sustentada Política de Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), estratégia esta que contrariou as recomendações dos estudos que tinham sido elaborados para a região ao longo de cerca de quatro anos (1992 a 1996, Plano Director de Resíduos Sólidos Urbanos da Sub -Região Oeste - PDRSU). Como se recordará, o MPI surgiu de forma expontânea aglutinando cidadãos interessados no processo do Aterro Sanitário do Oeste (ASO), com o desejo de participar nas decisões e exercer o seu legítimo direito de fiscalização nesta área tão sensível como é a da gestão dos RSU. O MPI rejeitou sempre formas demagógicas de contestação pelo que estudou os processos e documentação existentes e a legislação em vigor (nacional e comunitária), tendo recorrido a técnicos credíveis e juristas conceituados. Aliás, a contestação e as questões levantadas pelo MPI surgiram sempre dos estudos efectuados pelas entidades que supervisionavam na matéria, nomeadamente os que foram concretamente elaborados para a Resioeste. Infelizmente os governantes e as autoridades que superintendem nesta área entenderam que o MPI era uma organização incómoda e em vez de promoverem o diálogo sério e isento assistiu-se a uma verdadeira escalada de silenciamento do MPI por parte do poder. Ainda acalentámos a esperança de haver isenção e coragem crítica por parte da classe científica ligada ao processo. Mas em vão. A “limpeza do século” estava em marcha de forma imparável e os aterros eram anunciados como o verdadeiro “MUST”, parafraseando o Sr. Professor. Mas em vão. A “limpeza do século” estava em marcha de forma imparável e os aterros eram anunciados como o verdadeiro “MUST”, parafraseando o Sr. Professor. Calou-se a opinião pública e o MPI com o argumento aliciante (e correcto) da necessidade do encerramento das lixeiras. Nada mais havia que questionar pois o encerramento das lixeiras dava protagonismo e resolvia problemas de muitas autarquias. Uma estratégia que a curto prazo dava enormes frutos (eleitorais e de visibilidade, dado o protagonismo para os seus executores).

Nesta edição:

Editorial do Prof. Fernando Santana 3 Aterro Sanitário do Oeste
— Incongruências do Estudo de 4e5 Localização do ASO

Ambiente e Cidadania Compostagem doméstica 6

Outras questões chave para o sucesso do programa e sua sustentabilidade a longo prazo eram esquecidas, nomeadamente: = Eram os aterros integrais a melhor solução tecnológica da altura? = Estava-se a proteger o ambiente e as populações

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com os locais escolhidos para construir os aterros? = Porquê aterros em cima de aquíferos e na Reserva Ecológica Nacional ? = Estava-se a contar com o cumprimento das orientações de Bruxelas e a cumprir as leis internas? A ausência de resposta e debate sobre estas questões provaram que os fins justificaram os meios. Os políticos do governo e os responsáveis autárquicos da região optaram por tentar calar o MPI, com argumentos populistas de que estaríamos a manipular e a ser egoístas. O fácil argumento de que tudo não passava de uma tentativa de desacreditar o governo veio à baila, mais uma vez. O costume! A Resioeste empenhou-se em campanhas milionárias de contra informação. A classe científica ligada ao processo abdicou das suas responsabilidades pois viu- se comprometida com o sistema e “abençoou-o”. Veja-se só a manipulação clara dos estudos sobre o Aterro Sanitário do Oeste que a classe científica elaborou e validou. Não vale a pena aprofundar, aqui, estas questões. Mas vale a pena, isso sim, lembrar o que o Sr. Professor defendeu e disse na altura. Recorda-se certamente, Sr. Professor, de ter participado, em 2000, numa reunião de esclarecimento na Assembleia Municipal do Cadaval, como consultor convidado pela Resioeste. Nesta sessão o Sr. Professor Fernando Santana defendeu com toda a convicção as teses que agora ataca as quais não são mais do que uma reprodução dos alertas, receios, críticas e previsões do MPI (perdoe-nos a imodéstia, mas é uma realidade pública e que consta nos nossos documentos). Afinal, perguntamos: · Qual das teses é a do Sr. Professor Fernando Santana? · Se a tese que valida é a do

seu editorial acima referido, porque razão colaborou nas tentativas de ridicularizar as críticas do MPI e dos seus representantes, e aceitou defender as mentiras do Governo e da Resioeste usando para isso a sua autoridade científica? · Que poder exerceu sobre si o governo socialista, a Resioeste ou, eventualmente, o Sr. Eng.º José Sócrates, pai da solução que o Sr. Professor agora põe em causa de forma tão contundente? Perguntas certamente incómodas para o Sr. Professor, mas que foram feitas por quem não tendo os seus conhecimentos sobre a matéria teve, no entanto, mais coragem e mais capacidade critica para antever os problemas. Com as suas incoerências e faltas de rigor, o Sr. Professor parece que se juntou ao grupo dos consultores e técnicos que em Portugal dão pareceres e/ou fazem estudos consoante as conclusões desejadas por quem os encomenda. Em nossa opinião, o Sr. Professor perdeu uma excelente oportunidade de contribuir para que Portugal aproveitasse uma ocasião histórica com a dádiva dos 1.000 milhões de euros da Europa para implementar uma política moderna e sustentada de gestão dos RSU. É que na sua posição (Responsável pelo Departamento de Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa), qualquer opinião técnica envolve um grau de responsabilidade que o MPI não dispõe. Com as suas teses em defesa da Resioeste, o Sr. Professor iludiu muita gente de boa fé e contribuiu para dar força a decisões perniciosas para os interesses da economia do nosso país e bem estar das populações. Com a exposição pública e mediática que teve, o Sr. Professor assumiu especiais responsabilidades no processo e perdeu uma oportunidade de dar voz a um movimento pró-

activo e participativo da sociedade civil. O Sr. Professor é, assim, um dos responsáveis pela grave situação que temos agora em matéria de gestão dos RSU. Porque o Sr. Professor sabia que estava a induzir as pessoas em erro como o provam as suas afirmações feitas, agora, no editorial acima referido: - Portugal não utilizou SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS MAIS OU MENOS ELABORADAS para o tratamento e destino final dos RSU, quando na maior parte dos países europeus já se utilizavam; - Contudo, e apesar das técnicas de minimização de impactes (impermeabilização, encobrimento de resíduos, tratamento de lixiviados, etc.), constituíam a mesma solução de destino final, SOLUÇÃO POUCO INTERESSANTE, POTENCIADORA DE VERDADEIROS LEGADOS DE LIXO PARA AS GERAÇÕES FUTURAS; - Os aterros são APENAS, dispositivos a jusante dos sistemas; - De um modo geral ESTAMOS PRÓXIMOS DE ATINGIR A SATURAÇÃO; - É urgente encontrar soluções credíveis, económica e ambientalmente sustentáveis que não se limitem a assegurar que haverá destino final para os resíduos, sob PENA DE AO CONTRÁRIO GARANTIRMOS APENAS A CONTINUIDADE DAS LIXEIRAS, embora de outro tipo; - A produção de resíduos é crescente e deficiente a recolha selectiva; - Há que ter CORAGEM POLÍTICA; Desculpe-nos Sr. Professor mas estas suas palavras deveriam ter sido proferidas quando se exigia de sua parte CORAGEM POLÍTICA e ISENÇÃO, não agora quando é fácil constatar a verdade dos factos e começam a aparecer muitos “profetas”. Mas o MPI sabe, infelizmente, que o Sr. Professor não está só. Não nos esquecemos doutros nefastos contributos para esta desgraça anunciada, a saber: · O Instituto dos Resíduos

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(entidade que deveria fiscalizar com independência o governo, mas abdicou desta função permitindo nomeadamente que as obras se iniciassem sem que do ponto de vista legal estivessem cumpridas todas as exigências); Direcção Regional do Ambiente de Lisboa e Vale do Tejo (com pareceres estranhos, omissões e recusa de fornecimento de documentos ao MPI); Os senhores consultores da empresa IPA (empresa responsável pelos estudos encomendados pela RESIOESTE, que os manipularam com omissões e erros grosseiros); O Sr. Professor Catedrático Manuel Oliveira (Hidrogeólogo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), figura destacada do PS, membro da Assembleia Municipal de Torres Vedras e um acérrimo crítico do MPI,

tendo chegado a afirmar que não existia um aquífero na quinta de S. Francisco onde está construído o ASO!!!; · Os jogos de interesses na Comissão Europeia (ao serviço dos governos e não das populações onde as nossas queixas caíram em saco roto); · O Sr. Presidente da República (que acusou o MPI de fundamentalista). Não nos interessa saber quem ganhou com esta política verdadeiramente desastrosa pois não é essa a nossa razão de existência, nem a nossa função. Interessa-nos, isso sim, é que o país perdeu. Infelizmente constatamos que para muitos políticos e responsáveis pela governação a sociedade civil é meramente uma figura decorativa em Portugal. E constatamos que a classe

científica vai marcando pontos no seu descrédito perante a sociedade civil. Felizmente há excepções e nestas não podemos deixar de referir o Sr. Professor Martins de Carvalho e a Sra. Eng.ª Inês Batalha Reis, reconhecidos técnicos que desde a primeira hora se manifestaram disponíveis para nos ajudar a encontrar a verdade e que com sacrifício da sua vida pessoal deram um precioso contributo para a valorização do nosso trabalho sempre pautado pelo rigor e contrário a teses oportunistas ou sem fundamento técnico e científico. Oxalá que este triste exemplo possa servir para uma mudança de atitudes e para a moralização do sistema em que nos sentimos atolados. Com os nossos melhores cumprimentos, O MPI

EDITORIAL da revista “ÁGUA E AMBIENTE” de Maio de 2004
Dos aterros Quando na maior parte dos países europeus já se utilizavam, ou ensaiavam, soluções tecnológicas mais ou menos elaboradas para o tratamento e destino final de resíduos sólidos urbanos, Portugal descobria, com honras de inauguração ministerial, os aterros sanitários. Há que reconhecer que, para um país que começava a aperceber-se dos inconvenientes das lixeiras, os aterros surgiram como um verdadeiro “must”, qual corolário de sistemas de resíduos a justificar-lhes a respectiva capacidade. Contudo, e apesar das técnicas de minimização de impactes que adoptavam (impermeabilização, recobrimento de resíduos, tratamento de lixiviados, etc.) constituíam a mesma solução de destino final, com deposição indiferenciada de resíduos, materializando portanto uma solução pouco interessante, potenciadora de verdadeiros legados de lixo para as gerações futuras. Ainda assim, não se ignore que os aterros são apenas dispositivos a jusante dos sistemas, sujeitos portanto às suas lógicas e modos de funcionamento. A evolução dos sistemas ditará o tipo e quantidade de resíduos para deposição final, sendo inexorável, pelas limitações de eficiência, que se necessitará sempre de locais para acumulação de materiais residuais, seja na forma de actuais aterros ou de novas concepções para aquele efeito. Uma vez que os aterros reflectem o funcionamento dos sistemas, facilmente se compreende porquê entre nós, e de modo geral, estejamos próximos de atingir a sua saturação. Produção de resíduos crescente e deficiente recolha selectiva têm sido ingredientes bastantes para tal situação, podendo prever-se que dificilmente atingiremos as metas de reciclagem e de valorização a que estamos obrigados perante a União Europeia. Ou seja, é urgente, para o médio prazo, encontrar soluções credíveis (atente-se de facto nas condições reais do País), económica e ambientalmente sustentadas, que não se limitem a assegurar que haverá destino final para os resíduos, sob pena de ao contrário garantirmos apenas a continuidade de lixeiras, embora de outro tipo. À semelhança das imposições comunitárias, incidindo directamente nos sistemas, ou a jusante (limitações à deposição) para que se repercutam naquelas, há que responsabilizar os utentes. Já não resolve esperar pela evolução positiva da consciência ecológica. Com equidade, garantida por regulação adequada, com sensibilização para a necessidade, com... principalmente com coragem política para inverter a situação, cobrando aos utentes os serviços que lhe são facultados, proporcionalmente aos seus comportamentos. Fernando Santana fernandosantana@about.pt

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d e raio a o

Aterro Sanitário do Oeste
Incongruências do “Estudo de Localização do Aterro Sanitário do Oeste” (IPA, 2000)
quais apontadas pelas próprias Universidades. Se dúvidas havia quanto à inadequabilidade da Qta de S. Francisco para a localização do ASO, a análise do ELASO veio confirmá-las. De forma muito resumida são enumerados exemplos que demonstram o que atrás é denunciado: 1- Metodologia utilizada no processo decisório - É substancialmente diferente da que habitualmente é seguida em processos de decisão da localização de aterros sanitários, isto é, o estudo deveria ter sido efectuado antes da compra do terreno e da realização do Estudo de Incidências Ambientais, o que por si só, levanta sérias dúvidas quanto à transparência do processo. 2- Análise dos descritores - Os 10 locais estudados são classificados, para cada descritor, na escala de 1 (muito desfavorável) a 5 (muito favorável). 2.1- Condicionantes S. Francisco/Malpique com 62,8% de REN e 1,6% de RAN (O terreno comprado possui cerca de 90% de REN!) é dos 10 locais estudados com maior percentagem condicionada por este tipo de regime, mas obtém a classificação de 3 (favorável), porque inexplicavelmente é atribuída maior importância à RAN, o que originou que, por exemplo, Vale da Palha com 4,5% de RAN e 18,5% de REN obtivesse igual classificação! 2.2- Ocupação e uso actual do solo e da sua envolvente - S. Francisco/ Malpique teve a classificação de 5, pois foi considerado que a envolvente é predominantemente de utilização florestal, mas na realidade a envolvente é essencialmente agrícola. Ao invés, Vale da Palha, onde se localiza a lixeira intermunicipal Cadaval-Bombarral, o que corresponde a um uso idêntico ao pretendido o que caberia uma classificação de 5, mas obteve 3! 2.3- Ordenamento do território - Pelo facto de se ter considerado que o espaço dominante era florestal, não ter sido feita referência à REN e, mais grave ainda, não constar no mapa (Anexo 3-B) as áreas urbana e urbanizável (de 12 hectares) do Olho Polido, contígua à Qta de S. Francisco, conforme consta no PDM de Torres Vedras, sendo parcialmente substituídas por espaço agrícola, S. Francisco/Malpique é classificada com 4 (favorável)! O mesmo que Pedras Negras e Estornadiço, com espaços dominantes apenas florestais e apenas 6% de RAN no 2º caso. 2.4- Distribuição das populações - É estabelecido o critério arbitrário de 2 Km

O “Estudo de Localização do Aterro Sanitário do Oeste” (ELASO) foi elaborado para a Resioeste pela IPAInovação e Projectos em Ambiente, Lda, publicado em Janeiro de 2000, após a compra do terreno para a construção do aterro, cerca de 97 hectares, na confluência de 3 concelhos (Cadaval, T. Vedras e Alenquer), correspondente à Quinta de S. Francisco, devido a forte pressão das populações e, em particular, a moção da Assembleia Municipal do Cadaval, aprovada por unanimidade em 1999. De referir que no estudo, em termos gráficos, não são apresentadas algumas fracções da localização inicial, Torres astecia o concelho de Quinta de S. Francisco, nomeadamente Vedras e actualmente pode ser a zona Monte Agulhas e encaradodecomo uma reserva uma zona próxima da povoação estratégica e mesmo um sistema de Olho Polido, mas que intede reforço e de reserva para o gram a propriedade da actual sistema dependente da RESIOESTE e inclui a sul mas água de Castelo de Bode, parte ELASO não nodo Malpique. se atende à Apesar da sua abordaimportância deste aquífero, pois gem e terem sido os doisconclusõesconsiderados locais validadas pelo Departamento mais favoráveis à localização de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL), e do Instituto de Ciência Aplicada e Tecnologia do aterr o, S.Francisco/ da Faculdade de Ciências – Malpique e Pedras Negras, Universidade de Lisboa na sua estão ambos localizados(ICAT/ FC-UL), recarga, pelo que, zona de lideradas pelo Prof. Fernando Santana e Prof. ambos deveriam ter sido excluíManuel de Oliveira, respectivados, havendo alternativas fora mente, não deixa de 2 dos do aquífero!.De facto, suscitar várias dúvidas, algumas das locais situados fora de qualquer dos sistemas aquíferos relevan-

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também desagua na lagoa de Óbidos), foi considerada a importância deste facto quanto à afectação da quaterreno, no entanto, no descritor l i d fero abastecia o concelho de lagoa. S.Francisco/ ade Torres Vedras e actualmente - Ocupação e uso actual do solo Malpique é o único local e da sua envolvente, faz-se refe- das pode ser encarado como uma que afecta duas bacias á g reserva estratégica e mesmo um rência a esses limites! A proxihidrográficas, a do Rio Real midade do Olho Polido era uas sistema de reforço e de reserva e a do Rio Alcabrichel e n a para o actual sistema dependen- re não apenas uma, como é fe motivo para inviabializar à partida a instalação do aterro. Mas, r i d te da água de Castelo de Bode, a considerado no estudo. no caso do Outeiro Sobreiro foi mas no ELASO não se atende à 2.9- Bio-ecologia contabilizada a povoação de Em relação a este descritor importância deste aquífero, pois Casais Larana, que está clarao parecer do ICAT/FC-UL os dois locais considerados refere “… não ter sido dado mais favoráveis à localização mente fora do círculo de 2 Km de raio em relação a esse do aterr o, S.Francisco/ apreço suficiente aos norlocal. Malpique e Pedras Negras, mativos decorrentes do 2.5- Ar - A área de estão ambos localizados na sua grau de coincidência dos influência potencial (AIP) varia zona de recarga, pelo que, locais com a REN os quais, consoante a ocupação da envolambos deveriam ter sido excluípelo menos na presente fase vente – zona florestal ou urbana dos, havendo alternativas fora de selecção de sítios, deve(2,3 Km) e campo aberto (5,3 do aquífero!.De facto, 2 dos riam ser defendidos com Km). No local S.Francisco/ locais situados fora de qualquer intransigência.” Malpique foi considerada a dos sistemas aquíferos relevanS.Francisco/ envolvência predominantemenMalpique é dos 10 locais tes para a região, Estornadiço e te florestal em todas as direcque mais próximo está de Vale da Palha, são penalizados ções, resultando uma AIP de uma ZPN (a da Serra de neste descritor pela assunção 2,3 Km, o que é falso, conforme Montejunto), no entanto da existência de uma falha actidemostrado no descritor – Ocuobteve a classificação de 5. va, baseada apenas com recurso pação e uso actual de solo e sua a uma carta de 1/500.000, o que 2.10- Paisagem Devido à proximidade desta envolvente. De facto, a ocupao próprio parecer do ICAT conimportante Zona de Paisação florestal é de apenas sidera exagerada a atribuição! gem Natural (ZPN) de 26,9% !, pelo que é dos locais, 2.8- Recursos hídricos âmbito regional, o Parecer em estudo, mais desfavorável e superficiais - Mais uma vez do ICAT/FC-UL refere que não o mais favorável! S.Francisco/Malpique é benefi“… deve ser particularmen2.6- Ruído - Foram ciada devido a incorrecções, cometidos dois erros na avaliapor exemplo considera-se como te dada atenção à riqueza ção de S.Francisco/Malpique. favorável a localização do atergeral das paisagens na Não foi considerada a popularo nas cabeceiras das bacias zona mais próxima do geoção de Outeiro da Cabeça, hidrográficas (??), o que está centro e à proximidade dos foram ainda “esquecidas” a em total contradição com o relevos da ZPN de Montepopulação potencial máxima de espírito da Lei da REN (DL junto. 600 pessoas atribuída à área 93/90 de 19 de Março, Anexo 2.10- Custos económicos e sociais - Na avaliaurbanizável do Olho Polido e os I). Não foi feita qualquer refeção de S.Francisco/ 32 habitantes da Qta de S. Franrência ao facto deste local dreMalpique não se valorizou cisco, por exemplo. nar para a bacia hidrográfica do o potencial de desenvolviRio Real (a principal bacia que 2.7- Geologia, hidromento económico no âmbigeologia e geotecnia - A Qta de alimenta a lagoa de Óbidos), no to do projecto da Rota dos S. Francisco está situada na entanto na análise do local Vinhos a financiar pelo prozona de recarga do sistema Gaeiras, abrangida pela bacia grama comunitário LEAaquífero designado pelo INAG hidrográfica do rio Arnóia (que DER, previsto para o zona. (1997) por “Sistema Aquífero do Cretácico de Torres Vedras”. Mas havia ainda Como refere o Eurogeol Prof. mais a apontar !!! * Martins de Carvalho, este aquíb

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Ambiente e Cidadania
Compostagem doméstica “Em matéria de lixo, ninguém está inocente”. Frase extremamente feliz para exprimir a responsabilidade que todos, sem excepção, têm em relação ao problema do lixo. Assim, uma coisa que o cidadão comum pode fazer para reduzir substancialmente (cerca de 40%) a quantidade de lixo que deposita no contentor, é a compostagem no quintal (ou na varanda!) Pode começar hoje mesmo a fazer a compostagem no seu quintal ou varanda, pois não é necessária a existência de ecopontos, basta que tenha um caixote de lixo apenas para os materiais biodegradáveis, que no início fará um pouco de confusão, mas é tudo uma questão de hábito, (veja informação contida na caixa) e de um compostor ou de um recipiente para compostagem feito por você mesmo. O compostor é um equipamento simples que se pode adquirir por exemplo nos Centros de Jardinagem, e será a melhor solução para quem não tem quintal. O recipiente para compostagem feito por si, pode ser do tipo de uma caixa de fruta em tamanho grande (1mx1mx1m), sem fundo, dividida ao meio, e um dos lados deve retirar-se facilmente, para se tirar facilmente o composto com uma pá. O caixote do “lixo” apenas com materiais biodegradáveis, deve ser despejado todos os 2 a 4 dias, e convem misturar os restos da cozinha com os resíduos do jardim e quintal (aparas de relva, folhas, etc), para evitar que as moscas sejam atraídas. A compostagem é um processo natural que necessita de oxigénio (o recipiente tem de ter aberturas laterais, e no fundo deve colocar-se palha ou ramos pequenos), humidade (regar um pouco no Verão e tempo seco) e calor (colocar o recipiente num local abrigado do vento frio do norte e evitar locais sombrios no Inverno). Ao fim de 4-5 meses, aproximadamente, deve-se fazer a “viragem”, ou seja, tirar o composto para o compartimento ao lado pela ordem inversa à que tinha sido depositado inicialmente, e deste modo, podem colocar-se novos resíduos no compartimento que ficou vazio. A “viragem” destina-se à homogeneização do processo de compostagem. Ao fim de outros 4-5 meses, o composto que foi “virado” estará pronto, e isso verifica-se através do seu cheiro agradável a floresta, do aspecto granular e eventual aparecimento de minhocas, e pode-se colocar nas plantações de hortaliça, vasos para plantas de casa, etc, espalhando-o em camadas de 1 a 2 cm ligeiramente misturado com a terra, mas sem enterrar. A matéria orgânica (materiais biodegradáveis) quando depositada nos aterros sanitários, é um dos principais causadores de problemas na gestão dos mesmos, pelo que a solução técnica mais adequada para o tratamento desta importante componente do lixo doméstico é a sua valorização, como é o caso da compostagem. De facto, esta matéria uma vez depositada nos aterros, devido à falta de oxigénio vai fermentar, dando origem à produção de biogás (altamente inflamável e explosivo), maus cheiros e de águas lixiviantes, com uma elevada carga microbiana e química (sobretudo, ácidos). Se para além disto se acrescentar que, mesmo os modernos equipamentos utilizados na construção e concepção dos recentes aterros sanitários para minimizar estes efeitos, ou seja, os sistemas de impermeabilização do fundo e taludes, os sistemas de drenagem e tratamento e biogás e de drenagem e tratamento de lixiviados, possuíem muitas limitações, como por exemplo, a reduzida garantia comercial das telas usadas na impermeabilização (apenas 10 anos para as telas e 5 anos para as suas soldaduras) , a reduzida eficiência da recolha do biogás produzido (apenas 30 a 40 %), facilmente se conclui que o tratamento da matéria orgânica deve ser considerada prioritária, em qualquer aterro, dito “controlado”. Com a compostagem, para além de se minimizarem os riscos dos aterros, é possível aumentar significativamente o seu tempo de vida útil e reduzir de forma acentuada o uso de fertilizantes químicos, que estão a produzir índices de contaminação das águas, dos solos e da atmosfera considerados preocupantes. O ambiente e a qualidade de vida não tem preço! Mª Alexandra Azevedo Médica Veterinária,

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Breves
4º Encontro Nacional do MUSP
O MUSP—Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos realizou o seu 4º Encontro Nacional, no dia 23 de Outubro, em Setúbal. Apesar do MPI ter sido convidado a participar em todos os Encontros, só em 2004 foi possível a nossa participação, tendo uma experiência interessante, uma vez que fomos confrontados com muitas pessoas que pelas razões mais diversas lutam, tal como nós, por uma sociedade melhor. * Não faltaram castanhas, pão caseiro, frutos secos, boa bebida e boa disposição. Terminou com a informação dos últimos desenvolvimentos sobre o processo do Aterro e do tratamento dos efluentes das suiniculturas. * • Maria Alexandra S. Azevedo (vice-presidente da direcção do MPI). Indicados pela Câmara Municipal do Cadaval: • Gonçalo Rebelo de Andrade (deputado municipal do Cadaval e vogal da direcção do MPI); • Augusto Barardo (proprietário de um pomar de pereiras na vizinhança do aterro); • Ricardo Machado (deputado municipal do Cadaval). Registamos com agrado a abertura ao diálogo manifestado pela RESIOESTE, possibilitando a participação do Sr. Carlos Pereira do Olho Polido na reunião realizada no dia 4 de Novembro e, mais recentemente, a participação de 3 elementos da freguesia de Pêro Moniz, incluindo o Presidente da Junta e do Eng.º José Sardinha, administra-

Comissão de Acompanhamento
A Comissão de Acompanhamento do Sistema de Tratamento de RSU dos Oeste, reúne sensivelmente uma vez por mês e é constituída pelos seguintes elementos: Indicados pela Junta de Freguesia do Vilar: • Humberto Pereira Germano (secretário da Junta de Freguesia do Vilar, deputado municipal do Cadaval e presidente da direcção do MPI);

Reunião/Convívio
Realizou-se no dia 20 de Novembro, pelas 18.00 horas, na cave do Pavilhão Gimnodesportivo do Vilar, uma reunião/ convívio aberto a sócios, não sócios e acompanhantes.

A preencher pelo MPI

MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

N.º de sócio __|__|__|__|__ Data ___/___/___

PROPOSTA PARA ADMISSÃO DE SÓCIO
Nome_________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Morada ________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Telefone: ________________, fax: __________________, e.mail _________________________________ B.I. N.º ______________________, data de nascimento ___/___/___ , estado civil ___________________ N.º de contribuinte: _____________________ , profissão _______________________________________ Data ____/____/____ Assinatura do candidato a sócio __________________________________________ Quota mínima anual: € 2 , quantia paga _______________________________________,

M P I — M O V I M E N T O P R Ó - I N F O R M AÇ Ã O P AR A A C I D AD AN I A E AM B I E N T E

PRECISA-SE
Voluntário(a) para colaborar na edição do boletim informativo.

Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: (+351) 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

Denúncias - Ambiente
Sempre que testemunhe uma agressão ambiental deve denunciá-la do seguinte modo: • Telefonar para a linha SOS Ambiente
POR UM MELHOR AMBIENTE !!
O papel usado neste boletim é virgem porque não encontrámos no mercado papel A3 reciclado. O papel A4 e envelopes usados na actividade do MPI é 100% reciclado. A linha funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e encaminha as denuncias para a IGA (Inspecção Geral do Ambiente) e para o SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR.

808 200 520

ou

Aceder ao site:

CONVOCATÓRIA
De acordo com os estatutos do MPI – Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente, convoco a Assembleia Geral ordinária desta Associação, que se realizará na sede social, sita no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, no dia 30 de Março, pelas 21.00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: 12345Votação do Relatório e Contas do ano 2004. Discussão e votação do Plano de actividades e Orçamento para 2005. Deliberação sobre a adesão ao MUSP Deliberação sobre a subscrição da petição “Transgénicos Fora do Prato” Outros assuntos.

Não havendo número legal de associados para a Assembleia funcionar, fica desde já marcada uma segunda convocação para meia hora depois, funcionando com qualquer número de associados Vilar, 11 de Março de 2005 O Presidente da Assembleia Geral

Nuno Pereira Azevedo