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MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente

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ANO 2, N.º 6

Boletim informativo
Fevereiro de 2006 Editorial

Conforme poderão constatar ao ler este boletim, muitos foram os esforços nos nossos tribunais no âmbito do processo do Aterro Sanitário do Oeste. Mas apesar de aparentemente sem resultados queremos reafirmar a nossa determinação em lutar por um correcta gestão do ´”lixo” produzido na região . Assim, continuamos com a queixa na Comissão Europeia e noutras entidades, nomeadamente na Procuradoria Geral da República. O ano 2006 promete não nos dar descanso, mas continuamos dispostos a “arriscar”, pois “Só quem arrisca é livre!”

CONVOCATÓRIA
De acordo com os estatutos do MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente, convoco a Assembleia Geral Ordinária desta Associação, que se realizará na sede social, sita no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, dia 18 de Março, sábado, pelas 21.00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: 1– Votação do Relatório e Contas do ano 2005 2– Discussão e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2006. 3– Deliberação sobre a adesão à “Plataforma Transgénicos Fora do Prato”. 4– Outros assuntos. Não havendo número legal de associados para a Assembleia funcionar, fica desde já marcada uma segunda convocação para meia hora depois, funcionando com qualquer número de associados. Vilar, 17 de Fevereiro de 2005 O Presidente da Assembleia Geral

Nuno Pereira Azevedo

O Presidente da Direcção

Aterro Sanitário do Oeste
Processos judiciais
Divulgamos neste boletim um memorando sobre os processos judiciais no âmbito do processo do Aterro Sanitário do Oeste. Apesar de resumido não deixa de ser extenso, dada a grande quantidade de processos que foram interpostos.
1- PROVIDÊNCIAS CAUTELARES: 1.1- PROC. N.º 258/99 - Contra a RESIOESTE, vários representantes da população do concelho do Cadaval, pediram a suspensão do processo do ASO devidos aos danos irreversíveis e irreparáveis para o ambiente e qualidade de vida das populações envolventes da área destinada à construção, ao abrigo da Lei de acção Popular n.º 83/95, de 31 de Agosto, no Tribunal Judicial da Comarca do Cadaval, em 7/12/1999, o Dr. Telmo Correia e Drª Ana Antunes foram os advogados. O Tribunal decidiu em 18/5/2000 suspender a providência cautelar, em face da junção aos autos pela RESIOESTE do ELASO (Estudo de Localização do Aterro Sanitário do Oeste), sendo assim esgotado o objecto do pro-

Humberto Pereira Germano

Nesta edição:
ATERRO SANITÁRIO DO OESTE—Processos judiciais 1a4 5º Encontro Nacional do MUSP 5
Ptaforma “Transgénicos Fora do Prato” 5

Ambiente e Cidadania: Não, à queima de lixo! 6

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cedimento cautelar.
1.2- PROC. N.º 209/2000 - Contra RESIOESTE e a Associação de Municípios do Oeste (AMO), vários residentes no concelho de Torres Vedras, freguesias do Maxial e Outeiro da Cabeça, pediram também a suspensão do processo do ASO ao abrigo da Lei de Acção Popular, no Tribunal Judicial da Comarca de Torres Vedras, no ano de 2000, o advogado foi o Dr. Nuno Pinto Coelho de Faria. A decisão do tribunal foi o indeferimento liminar, apesar de ter considerado que não era competente para a apreciação da legalidade de qualquer acto administrativo e sem ter ouvido qualquer testemunha, tendo o juiz discordado das razões para o pedido da providência cautelar.

Perante esta decisão foi apresentado recurso - PROC. N.º 7873/00, no Tribunal da Relação de Lisboa por se considerar que houve incumprimento/violação de normativos substantivos (constitucionais) e processuais, dado que a decisão ignorou a motivação da pretensão formulada reduzindo-a a mera manifestação de repúdio por uma solução, tecendo mesmo considerações sobre a eventual justeza da mesma, fazendo uma análise que está excluída dum indeferimento liminar. Este Tribunal mantém a decisão que indeferiu liminarmente a petição, por incompetência do Tribunal Judicial da Comarca de Torres Vedras. Na sequência desta decisão do Tribunal da Relação de Lisboa foi apresentado requerimento no Supremo Tribunal Administrativo, em 22/12/2000, a fim de ser fixado o Tribunal Competente para conhecer da causa - PROC. N.º 372. O Procurador-Geral-Adjunto emitiu douto parecer julgando improcedente o recurso, devem declarar-se competentes os tribunais administrativos e em 11/12/2001 o Supremo Tribunal Administrativo atribuiu a jurisdição aos tribunais administrativos. 1.3- PROC. N.º 102/00 - Contra RESIOESTE, vários residentes no concelho de Alenquer, freguesia de Vila Verde dos Francos, pediram também a suspensão do processo do ASO ao abrigo da Lei de Acção Popular, no Tribunal Judicial da Comarca de Alenquer, no ano de 2000, o advogado foi o Dr. Nuno Pinto Coelho de Faria. Estando pendente igual providência no Tribunal de Torres Vedras é impossível a repetição de uma causa (n.º 1, art.º 497º do C.P.C.), de facto os pedidos são os mesmos, por outro lado, a jurisdição competente é a administrativa, pelo que a decisão foi o indeferimento liminar. 1.4- PROC. N.º 173/00 - Contra a RESIOESTE, vários representantes da população do concelho do Cadaval, vieram mais uma vez pedir a suspensão do processo do ASO, no Tribunal Judicial da Comarca do Cadaval, no ano 2000, o advogado foi o Dr. Nuno Pinto Coelho de Faria. Em 21/12/2000 o Tribunal Judicial da Comarca do Cadaval decidiu que era incompetente, o Tribunal competente é o Tribunal Administrativo e absolve a RESIOESTE. Foi apresentado recurso de agravo desta decisão - PROC. N.º 6100/01 – 8ª Secção, ao Tribunal da Relação de Lisboa, que em 28/6/2001 concedeu provimento ao agravo revogando a decisão recorrida e determina a respectiva produção de provas. Mas a RESIOESTE apresenta um agravo desta decisão do Tribunal da Relação ao Supremo Tribunal de Justiça - PROC. N.º 3241/01-1, tendo em 28/01/2002 deu provimento ao agravo e assim revoga a decisão recorrida, confirmando-se o decidido em primeira instância. 2- INTIMAÇÕES PARA UM COMPORTAMENTO 2.1- PROC. N.º 958/00 da 4ª secção - Contra a RESIOESTE foi pedido por Gonçalo Rebelo de Andrade e outros, todos residentes no Vilar – Cadaval, que a RESIOESTE se abstenha de continuar as obras do aterro, já que o local não é adequado, e devido às ilegalidades do processo. Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, entregue no ano 2000, o advogado foi o Dr. Eusébio Gouveia. O Ministério Público deu razão à RESIOESTE quando defende que o meio adequado é a suspensão de eficácia, assim o pedido de intimação deve ser rejeitado. Em 22/01/2001 o Tribunal rejeita a intimação, por ilegalidade na sua interposição.

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Na sequência desta decisão foi interposto RECURSO - PROC. N.º 5378/01 no Tribunal Central Administrativo, cuja decisão em 3/5/2001 negou provimento ao recurso, confirmando a sentença recorrida. 2.2- PROC. N.º 625/01 2ª Secção – Contra a RESIOESTE veio a Junta de Freguesia do Vilar pedir ao Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa que a RESIOESTE se abstenha de iniciar a deposição de resíduos no ASO, alegando a falta de licenciamento pela Direcção Geral do Ambiente e a falta de avaliação de impacte ambiental nos termos da Lei 69/2000. O advogado foi o Dr. Nuno Pinto Coelho de Faria. O Ministério Público emite parecer de que a intimação não pode deixar de ser indeferida por irregularidades na forma processual. O Tribunal rejeitou a providência requerida pela Junta de Freguesia do Vilar, porque não foi identificado o meio processual principal. 3- SUSPENÇÃO DE EFICÁCIA DO ACTO DO MINISTRO DO AMBIENTE DE 23/10/2000 e subsidiariamente SUSPENÇÃO JUDICIAL DE EFICÁCIA DO ACTO DO PRESIDENTE DO INR 1/8/2000 e ainda subsidiariamente PROVIDÊNCIAS CAUTELARES - PROC. N.º 47 968 A pedido do município do Cadaval, de Gonçalo Rebelo de Andrade e Humberto Pereira Germano, foi interposta no Supremo Tribunal de Justiça, em 24/7/2001. O advogado foi o Dr. Gonçalo Guerra Tavares. No ofício do Secretário de Estado do Ambiente ao Provedor de Justiça datado de 2003/10/15 anexo a um ofício do Provedor de Justiça dirigido ao MPI, de 15/3/2004, é referido que a decisão final proferida em Outubro de 2001 não deu provimento ao pedido dos recorrentes tendo tal decisão sido objecto de recurso que veio a ser considerado deserto por falta de alegações dos recorrentes. Nas contra-alegações do proc.º 48042 é dito que a decisão deste processo foi o do pedido de suspensão ter sido julgado extemporâneo (isto é, ter expirado o prazo). 4- RECURSOS CONTENCIOSOS 4.1- DE ANULAÇÃO COM EFEITOS SUSPENSIVOS DO DESPACHO N.º 3893/2000 DO SEOTCN (Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza) PROC. N.º 46.107 Foi interposto no Supremo Tribunal Administrativo por Gonçalo Rebelo de Andrade e Humberto Germano, sendo o advogado o Dr. Nuno Pinto Coelho de Faria Alegou-se que o despacho deveria ser conjunto com o Ministério do Equipamento Social, do Ministério do Planeamento, criados subsequentemente à extinção do “Ministério do Equipamento, Planeamento e da Administração do Território” e do Ministério da Economia e das Finanças. Desconhecemos ainda a decisão final. 4.2- DO ACTO DO MINISTRO DO AMBIENTE DE 23/10/2000 - PROC. N.º 48042 Contra o Ministro do Ambiente foi interposto em 24/9/2001, no Supremo Tribunal Administrativo por Gonçalo Rebelo de Andrade e Município do Cadaval. O advogado foi o Dr. Gonçalo Guerra Tavares e, mais tarde, o Dr. Nuno Faria. Alega-se essencialmente a nulidade do acto recorrido pela: nulidade do despacho do SEOTCN, da subsequente ilegalidade do parecer da CMC de 31/1/2000 e a falta de avaliação de impacte ambiental. O Ministério Público emite parecer em que o recurso não merece provimento. O Supremo Tribunal Administrativo profere um despacho em 8/5/2003 em que o recurso deve prosseguir, uma vez que a nulidade do acto do M.A. dependerá em último caso, da declaração de nulidade do acto que lhe subjaz e que constitui o objecto do recurso n.º 46107 (o despacho do SEOTCN), assim será nulo se este também for declarado nulo, pelo que promove que se solicite informação sobre o proc. 46107. Em 17/2/2005 emite uma decisão final negando provimento ao recurso, porque entendeu que o acto do Ministro não é a “autorização prévia” da operação dos resíduos, a qual foi concedida pelo INR em 1/8/2000 (no entanto o próprio INR tinha enviado um ofício ao MPI dizendo que não tinha emitido

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6- OUTROS Para além destes processo foram ainda interpostos outros relacionados com o processo do Aterro Sanitário do Oeste: 5.1- PROC. N.º 358/01 4ª Secção - INTIMAÇÃO PARA CONSULTA E PASSAGEM DE CERTIDÃO, entregue no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, pedido por Humberto Pereira Germano, contra a Direcção Regional do Ambiente de Lisboa e Vale do Tejo (DRA-LVT), devido à falta de resposta desta entidade a um requerimento de 23/2/2001 para consulta dos relatórios dos técnicos da DRA-LVT que têm acompanhado a obra de construção do ASO, da monitorização das águas existentes na envolvente do local, etc O Ministério Público emitiu parecer onde pugna pela verificação dos pressupostos de deferimento do pedido e, consequentemente, pela intimação da autoridade requerida. A decisão em 5/6/2001 deferiu o pedido e, em consequência, decide intimar a autoridade requerida para em 10 dias, facultar a consulta do processo administrativo pedido pelo requerente. Por falta de resposta da DRAOT – LVT, em desrespeito ao tribunal, foi feito 2º requerimento ao Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa e o mesmo, em 28/6/2001 proferiu despacho onde consta o seguinte: “informar as partes em como foi entregue ao Ministério Público certidão do requerimento inicial, da sentença proferida, ... e do despacho que sobre ela recaiu, para efeitos de apuramento de responsabilidade criminal”. Mais nada se sabe !! 5.2- PROC. N.º 555 – A/01 3ª Secção - SUSPENÇÃO DE EFICÁCIA DA DELIBERAÇÃO DE 24/4/2001 DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DO CADAVAL (AMC), entregue em 26/06/2001 no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, pedido por Luís Fernando dos Santos Pina – Presidente da AMC contra a AMC. O Ministério Público emitiu parecer pronunciando-se no sentido do deferimento do pedido de suspensão, mas o tribunal em 07/11/2001 indeferiu o pedido de suspensão de eficácia. 5.3- PROC. N.º 288/A/01 1ª Secção - SUSPENSÃO DE EFICÁCIA DA DELIBERAÇÃO DA C.M.C. DE 26/3/2001 – Nulidade do parecer de 31/1/2000, entregue no Tribunal Administrativo do Círculo de Coimbra, em 2001, pedido pelo Vice-Presidente da C.M.C. em substituição do respectivo presidente, contra a própria C.M.C. O tribunal indeferiu o pedido de suspensão de eficácia. Foi interposto recurso desta decisão - PROC. N.º 6010/02, entregue no Tribunal Central Administrativo. O Ministério Público pronuncia-se pelo indeferimento do pedido de suspensão e manutenção da sentença recorrida e em 31/1/2002 o tribunal indeferiu o pedido do recurso. 5.4- PROC. n.º 205/02-A, da 2ª Secção - SUSPENSÃO DE EFICÁCIA DA DELIBERAÇÃO DA C.M.C. de 26/3/2001 – Nulidade do parecer de 31/1/2000, entregue no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, interposta pela RESIOESTE, tendo o tribunal impugnado a referida deliberação. *

Conforme se pode constatar, foram muitos os processos a correr em tribunal, infelizmente sem que até à data houvesse uma decisão que nos fosse favorável. Por outro lado, daquilo que conseguimos compreender da linguagem jurídica, parece-nos legitimo duvidar da independência e isenção dos tribunais.

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5º Encontro Nacional do MUSP
Es te ano o Encontro Nacional do MUSP a (Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos) realizou-se na cidade de Vila Nova de Gaia, a 26 de Novembro de 2005. Participaram cerca de 50 associações/ comissões, desde comissões de utentes de serviços de saúde, comissões de utentes de transportes públicos, sindicatos, associações de defesa do ambiente, etc. O MPI apresentou um comunicação em que abordou o tema “Ambiente e saúde pública” procurando sensibilizar os presentes para a importância da defesa do ambiente dadas as implicações na nossa saúde, assim foram apresentadas algumas estatísticas de problemas de saúde relacionadas com o ambiente, nomeadamente aumento de cancros, alergias e infertilidade, e os riscos dos aterros sanitários e duma incorrecta gestão dos resíduos. Foi ainda abordado o tema dos “Alimentos transgénicos”, tendo sido incorporado no documento final do encontro o texto apresentado pelo MPI sobre este tema. Na comunicação de uma Comissão de Utentes de Serviços de Saúde foi lido o poema que transcrevemos ao lado, por se aplicar nas mais diversas situações da nossa vida, nomeadamente de quem luta pela defesa do ambiente, para além de ser de grande beleza e profundidade. *

Rir é arriscar parecer parvo Chorar é arriscar parecer sentimental Procurar alguém é arriscar-se a um compromisso Expressar sentimentos é arriscar-se a ser rejeitado Mostrar os teus sonhos perante a multidão é arriscar a fazer o ridículo Amar é arriscar não ser correspondido Ir para a frente contra vento e marés é arriscar o fracasso. Mas é preciso correr riscos Para evitar o maior de todos: não arriscar nada! Quem não arrisca não faz nada. Talvez evite o sofrimento e a dor, mas não pode aprender, sentir, mudar crescer ou amar. Amarrado por estas certezas, é um escravo. Confiscou a sua liberdade. Só quem arrisca é livre!

autorização prévia e para além disso, a decisão final estranhamente nada refere quanto ao processo n.º 46

Plataforma Transgénicos Fora do Prato
O que é o Organização informal de organizações não governamentais e colaboradores individuais. o Apoiada explicitamente por uma dezena de ONGs silenciosas (subscritoras do abaixoassinado). o Criada em 1999, reactivada em 2003. Objectivo geral o Impedir a libertação de OGM no ambiente, em todo o mundo Objectivos imediatos o Travar a introdução de OGM cultivados em Portugal o Travar a comercialização de OGM em Portugal A Plataforma 'Transgénicos Fora do Prato' é uma estrutura integrada por oito entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura: ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul. A AGROBIO (Associação de Agricultura Biológica) pertencia à Plataforma, mas retirou-se em fins de 2005. O MPI já subscreveu o abaixo-assinado “Transgénicos Fora do Prato”, e a direcção vai propor a adesão à Plataforma na próxima Assem-

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Ambiente e Cidadania
Não, à queima de lixo !!
É uma prática muito vulgar fazer fogueiras para queimar lixos, pensando-se que com isso se consegue fazer “desaparecer” aquilo que nos incomoda, o certo é que não se devem queimar lixos, principalmente, plásticos, porque são libertados produtos altamente tóxicos para a atmosfera. Para melhor compreensão desta questão, convém apresentar alguns dos produtos tóxicos libertados e quais os seus efeitos no Ambiente e saúde pública. - Dioxinas São dos mais tóxicos compostos químicos conhecidos, são cerca de 30.000 vezes mais venenosos que a estricnina, basta um grama para que 100 milhões de pessoas tenham absorvido a quantidade máxima de dioxinas para toda a sua vida. Acumulam-se no líquido amniótico, glândula mamária (e, consequentemente, saindo pelo leite materno), no cérebro, na gordura de peixes de águas frias (exemplo: salmão), etc. Os seus efeitos são inúmeros, dos quais se destacam os seguintes: 1- Infertilidade masculina, devido a anormalidades no desenvolvimento dos testículos, produção de espermatozóides com defeitos e diminuição da concentração de espermatozóides no esperma. 2- Aumento da concepção de crianças do sexo feminino. 3- Aumento da taxa de cancros, por exemplo, dos testículos. 4- Aumento de malformações congénitas. - Furanos Provocam o cancro. - Metais Pesados (Chumbo, cádmio) Estão contidos nas tintas de impressão. O cádmio acumula-se nos rins e pulmões, o chumbo, nos ossos. Causam, por exemplo, cancros, alterações no comportamento, dificuldades de aprendizagem (particularmente nas crianças), etc., devido a lesões no sistema nervoso. Todos estes tóxicos são extremamente venenosos e persistentes, acumulando-se nos seres vivos, dado que são eliminados muito lentamente, podendo ultrapassar dezenas de anos e espalham-se por todo o planeta! - Outros São ainda libertadas outras substâncias, tais como ácido clorídrico, dióxido de carbono, dióxido de enxofre, etc., responsáveis pelo efeito de estufa e pelas chuvas ácidas. Para além disto, queimar lixo é um desperdício de matérias-primas e de energia. Reciclar papel poupa 3 vezes mais energia do que a que se obtém queimando esse mesmo papel e no caso dos plásticos poupa-se 5 vezes mais. De facto, a reciclagem permite poupar matérias-primas e energia, reduzir a poluição (do ar, água e solos), criar postos de trabalho, etc., porque respeita uma lei básica da natureza que é: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.” É por estes motivos que os ambientalistas não concordam com as centrais de incineração e defendem que o lixo deve ser o mais aproveitado possível para reciclagem. Existem neste momento duas incineradoras em Portugal Continental, uma em S. João da Talha (Lisboa) e outra no Porto, e uma na ilha da Madeira, que foram fortemente contestadas pelas populações envolventes e por associações ambientalistas e merecem uma permanente contestação até que um dia venham a ser proibidas, tal como já aconteceu nalguns estados dos Estados Unidos da América. A queima dos resíduos das podas também deve ser evitada, pois ao queimar estes resíduos estamos a desperdiçar matéria orgânica, indispensável à fertilização do solo, assim em alternativa devem ser triturados e espalhados no solo para facilitar a sua decomposição ou utilizados para compostagem (isto é, produção de composto ou adubo natural).

Mª Alexandra Azevedo
Bibliografia: 1- “O tratamento dos lixos”, Teixo n.º 1 Verão de 1994, p. 21 2- “Ambiente em números”, ABC Ambiente, 24 de Fevereiro de 1995, p. 24 3- “Espermatozóides em queda”, ABC Ambiente, Agosto 1999, p. 12 4-- “Poluentes orgânicos persistentes (POP’s)”, ABC Ambiente, Maio 2000, p. 7. 5- “O “Livro Verde” sobre o PVC”, ABC Ambiente, Outubro 2000, p. 20. 6- “Saúde ameaçada”, ABC Ambiente, Fevereiro 2001, p. 21. 7- “Parecer sobre gestão dos Resíduos Urbanos da ERSUC”, Quercus,

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Breves
MPI aderiu ao MUSP Na reunião de direcção realizada no dia 20 de Outubro de 2005, foi deliberado aderir ao MUSP (Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos). A assembleia-geral realizada em 30 de Março mandatou a direcção para deliberar sobre esta questão depois de procurar mais informações sobre as condições de adesão a este movimento. Uma vez que o MUSP ainda está em processo de legalização não serão cobradas quotas. tuguesa das Associações de Defesa do Ambiente), a que o MPI já se associou, organiza anualmente um encontro nacional. Nos dias 16 e 17 de Dezembro de 2005 realizou-se o 16ª encontro, em Lisboa, cujo tema foi “Seca—um desafio nacional”. se aos insistentes pedidos por parte da Comissão de Acompanhamento. Deliberação da Câmara Municipal de Alenquer contra os ensaios com milho transgénico No dia 27 de Janeiro da Câmara Municipal de Alenquer deliberou por unanimidade a proposta de deliberação da Coligação “Pela nossa Terra” que consta na aplicação do Princípio da Precaução incluindo nas culturas experimentais e em propor à Assembleia Municipal a declaração da área do concelho de Alenquer como “Zona Livre de cultivo de variedades geneticamente modificadas”. *

Monitorização da qualidade do ar na envolvência do Aterro Sanitário do Oeste Durante o mês de Janeiro foram efectuadas análises à qualidade do ar em 3 locais próximos do Aterro Sanitário, junto à vedação, no Olho Polido e no Vilar, durante um período mínimo de 1 semana por local. Esta monitorização agora realizada deve-

Encontro Nacional das Associações de Defesa do Ambiente A CPADA (Confederação Por-

A preencher pelo MPI

MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2, 2550-069 VILAR CDV Tel./fax: 262 771 060 e.mail: mpi.cidadania.ambiente@clix.pt

N.º de sócio __|__|__|__|__ Data ___/___/___

PROPOSTA PARA ADMISSÃO DE SÓCIO
Nome_________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Morada ________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Telefone: ________________, fax: __________________, e.mail _________________________________ B.I. N.º ______________________, data de nascimento ___/___/___ , estado civil ___________________ N.º de contribuinte: _____________________ , profissão _______________________________________ Data ____/____/____ Assinatura do candidato a sócio __________________________________________ Quota mínima anual: € 2 , quantia paga _______________________________________,

M P I — M O V I M E N T O P R Ó - I N F O R M AÇ Ã O P AR A A C I D AD AN I A E AM B I E N T E

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Denúncias - Ambiente
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Aceder ao site: www.gnr.pt/portal/internet/sepna Por escrito, através de fax 213 432

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AVISO
PEDE-SE A TODAS AS PESSOAS COM QUEIXAS

SOBRE O MAU FUNCIONAMENTO DO ATERRO SANITÁRIO DO OESTE A FAZÊ-LAS POR ESCRITO, ENTREGANDO-NOS UMA CÓPIA, COMO FORMA DE CONSEGUIRMOS PROVA DESTA QUEIXA, UMA VEZ QUE A INSPECÇÃO GERAL DO AMBIENTE RECUSA-SE A FORNECER UM RELATÓRIO COM TODAS AS QUEIXAS RECEBIDAS:

- ATRAVÉS DO FAX N.º 213 432 777, QUEM NÃO
POSSUIR APARELHO DE FAX, PODE DIRIGIR-SE À JUNTA DE FREGUESIA DO VILAR PARA O SEU ENVIO.

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n.º 63

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