O ius cogens é hoje conhecido como sendo as normas peremptórias gerais de DI, inderrogáveis pela vontade das partes.

Esta alusão foi inicialmente trazida a público por Hugo Grotius como princípios imperativos de DI, estando também presente na CVDTE nos artigos 53º e 64º. Ainda assim temos de ter em conta um critério mais amplo sobre o que caracteriza o ius gogens (consequentemente uma oposição ao ius dispositivum). Este é um caso de uma evolução cronológica grande, desde o inicio com Hugo Grotius até ficar reconhecido num texto de valor convencional, CVDTE. Em primeiro lugar, o artigo 53º, fala-nos do ius cogens como sendo o parâmetro aferidor da validade dos tratados internacionais aquando da sua realização; e em segundo lugar, artigo 64º, como parâmetro da vigência dos tratados internacionais após a sua feitura. O grande interesse das normas de ius cogens no DI é o de servir de critério para extinguir os conflitos entre as normas e as fontes de DI. Desta forma é-lhe atribuído a relevância necessária para que essas normas se sobressaiam por inteiro no DI. Sem duvida que a relevância do ius cogens no DI é da maior importância, mas o principal dos problemas com que o ius cogens se defronta é o da determinação material. E ao lermos a CVDTE não nos esclarece porque aí não encontramos a essência do seu conteúdo. Apenas refere que o ius cogens respeita as normas de DI imperativo. O impulso seria o de incorporar o ius cogens ao DI geral porque se identifica com a maior parcela do DI que contem uma maior abrangência subjectiva. Isso não é admissível porque poderia confundir vários aspectos. Puramente, a construção substantiva do ius cogens só é concretizada se recorrermos ás normas e princípios que contêm importância extrema no contexto da sociedade internacional, os quais se impõem a essa sociedade. Deve-se também desunir o ius cogens das fontes normativas, isto porque se percebe que o ius cogens não deriva de nenhuma fonte em concreto, apenas pode advir, em parte, da fonte convencional como da fonte consuetudinária. Aqui se vê também o carácter evolutivo do ius cogens não estando “agarrado” a nenhuma fonte em concreto nem á altura em que foram produzidas as normas sendo que amanha as normas de ius cogens podem não ser as mesmas de hoje.