Introdução

1.1. Locação – noção e importância do instituto

Noção: “Locação é o 1) contrato pelo qual uma das partes se obriga a proporcionar à outra o 2) gozo 3) temporário de uma coisa, mediante 4) retribuição”. – (1022.º CCiv). A locação é um género amplo, onde participam duas espécies fundamentais: o arrendamento e o aluguer.

1.2.

Caracteres definidores do conceito legal de locação

Na definição do 1022.º CCiv, emergem os seguintes traços característicos: 1- Contrato: Antes de mais a locação é definida como um “contrato” (1022.º CCiv). E uma vez que este contrato se encontra tipificado na lei (1022.º ss. CCiv), é um contrato típico. Admite-se frequentemente na doutrina que tal princípio não será absoluto, comportando desvios. Apresentamos de seguida os dois casos mais relevantes: 1.ª Excepção - Contrato de Promessa a que tenha sido dado execução específica nos termos do 830.º CCiv A questão é controvertida:  JANUÁRIO GOMES defende que o arrendamento, nestes casos, é constituído por sentença (a sentença da execução específica);  PINTO FURTADO defende que o arrendamento ainda é constituído por contrato, uma vez que a decisão do juiz não é alheia à vontade das partes, mas limita-se a impor a observância do que elas ajustaram no contrato de promessa, sendo o contrato prometido a moldar a relação arrendatícia e não a sentença judicial. 2.ª Excepção – Arrendamento em caso de divórcio/separação judicial de pessoas e bens (1793.º e 1794.º CCiv; 4.º Lei 7/2001) Neste caso, o tribunal pode dar de arrendamento a qualquer dos cônjuges, a seu pedido, a cada de morada de família, quer seja comum quer própria de outro. Este arrendamento fica sujeito às regras do arrendamento para habitação, mas o tribunal pode definir as condições. O n.º 2 do 1793.º CCiv denomina este arrendamento de contrato, no entanto, entende PINTO FURTADO que a qualificação não é a mais adequada, uma vez que não há acordo de vontades na constituição da relação arrendatícia. Assim, em vez de contrato, temos aqui um despacho do juiz, sendo esta a real fonte da relação arrendatícia.

1

2- Obrigação de proporcionar a outrem o gozo de uma coisa corpórea (1022.º; 1031.º/b) CCiv) A obrigação que impende sobre o locador de proporcionar o gozo de uma coisa, desdobra-se em três noções:  A da obrigação, ou seja, o vínculo a que fica adstrito o locador pelo contrato;  A do gozo que pode ser estipulado;  E a de coisa susceptível de ser locada. A Obrigação Tal obrigação executa-se através de duas prestações distintas (1031.º CCiv):  A de entrega da coisa locada (prestação de dare);  A de assegurar o gozo da coisa para os fins a que se destina (1037.º/1 a contrario CCiv), podendo ser: o (prestação de facere): realização de reparações e ou despesas necessárias ao gozo da coisa (1036.º CCiv); ou, o (prestação non facere): não perturbar o gozo da coisa (excepções: 1038.º/b) e e) CCiv…). Esta prestação constitui uma obrigação de execução continuada, porque se prolonga ininterruptamente no tempo. O Gozo Este vocábulo designa um conceito amplo que compreende dentro de si duas noções mais restritas e precisas: Uso -> Aproveitamento das utilidades das coisas, para satisfação de necessidades Fruição -> Aproveitamento dos frutos da coisa

Gozo

Pode haver locação só de uso, de mera fruição ou locação de uso e fruição. (Locação só de uso: aluguer de veículos automóveis terrestres sem condutor; Locação de mera fruição: sublocação total). O gozo proporcionado ao locatário pode compreender a generalidade das utilidades da coisa, ou restringir-se a alguma delas (ex: quando num prédio urbano se concede unicamente a utilização da superfície da sua fachada ou de um muro, para afixação de cartazes publicitários). A Coisa Nos termos do 204.º/1 CCiv são coisas imóveis:  Os prédios urbanos e rústicos;  As águas;  As árvores, os arbustos e os frutos naturais ligados ao solo;  Os direitos inerentes aos imóveis mencionados nas alíneas anteriores;  As partes integrantes dos prédios rústicos e urbanos. Dispõe ainda o 205.º/1 do CC que “são móveis todas as coisas não compreendidas no artigo anterior”. 2

Assim, devemos concluir que o contrato de arrendamento abrange a locação de um prédio rústico ou urbano, de águas do domínio privado, de árvores, arbustos ou frutos ligados ao solo ou de um direito inerente a tais imóveis. De forma diversa, de uma forma geral, podemos afirmar que o contrato de aluguer consiste na locação de qualquer coisa não compreendida na noção anterior. 3- Carácter temporário A locação não pode celebrar-se por mais de 30 anos (1022.º; 1025.º CCiv). Esta é uma norma imperativa, não estando disponível para ser alterada pelas partes. O 1099.º ss. CCiv permite, ainda, que o arrendamento possa ser celebrado como contrato de duração indeterminada, sendo que, tal, não coloca obstáculos à sua natureza temporária (o contrato é temporário, não está é definido o seu término). No que toca ao à locação de bens imóveis (arrendamento), o carácter temporário não impede a sua prorrogação sucessiva. Neste caso, o prazo de 30 anos corresponde apenas ao limite máximo do prazo inicial do contrato e não ao seu limite de duração, pelo que ocorrendo a renovação do prazo, nos termos do 1054.º CCiv, naturalmente que nada impedirá que tal leve a que o contrato de arrendamento tenha uma duração máxima superior a 30 anos. 4- Retribuição A retribuição é a contrapartida, a que fica obrigado o locatário, pelo gozo temporário da coisa, que lhe é facultado pelo locador. Não há locações gratuitas (1038.º/a) CCiv), não havendo a retribuição, estaríamos perante um contrato de comodato. A retribuição pode ser constituída por quaisquer bens económicos – uma coisa ou uma prestação – quando isso não esteja concretamente proibido e não conduza à configuração de um novo tipo legal de contrato (Ex: uma quota de frutos). No 1075.º/1 CCiv prevê que, para o arrendamento urbano, a retribuição será constituída por “uma prestação pecuniária periódica”. A retribuição deverá ser determinada (ou determinável). No entanto, retribuição determinada não quer dizer que esta tenha de ser fixa, em princípio, é admissível a estipulação de rendas escalonadas.

1.3.

Espécies básicas da locação no Direito português: aluguer e arrendamento

Nos termos do 1023.º CCiv é possível distinguir entre duas modalidades de locação: → Aluguer: quando recai sobre coisa móvel. → Arrendamento: quando recai sobre coisa imóvel. Regimes legais de arrendamento Regime no âmbito do RAU: (DL 321-B/90; DL 257/95)  Arrendamento para habitação  Arrendamento para comércio e indústria 3

º/b) CCiv). o que significa que é possuidor. Crítica: o gozo da coisa pelo locatário está limitado aos fins expressos no contrato (1083. 1. para fins:  Habitacionais (1092. presume-se arrendamento rural (2. recreativo. 1133.º a 1098. à pecuária e à floresta (2.º a 1107.º/c) CCiv). CCiv):  Prazo certo (1095.1.º CCiv): (L 6/2006 e 31/2012)  Arrendamento urbanos: quando recai sobre prédios urbanos.º ss.º/2 CCiv. CCiv):  Arrendamento rústico para fim não sujeito a regime especial. 1125.  Se o arrendamento recair sobre prédios rústicos. se o locatário fosse titular de um direito real de gozo não era preciso 4 .º/2 CCiv). há titulares de direitos de crédito que também podem recorrer ao contencioso possessório (1188. florestais ou outras actividades de produção de bens e serviços associados à agricultura. Crítica: o locatário é um mero detentor (1253. O conceito de “prédio” encontra-se no 204.º/2 CCiv).º ss.º CCiv)  Duração indeterminada (1099. o que caracteriza os direitos reais (1031.º/2.  Arrendamento para exercício de profissão liberal Arrendamento para fins não habitacionais Regime no âmbito do NRAU (e actual) (1067. Arrendamento Urbano 2.º/2. Natureza Jurídica do Direito do Arrendatário A natureza jurídica do arrendatário é controvertida na doutrina.º/1 DL 294/2009).  Arrendamento para fim comercial ou industrial  Arrendamento para exercício de profissão liberal  Arrendamento para fim desportivo  Arrendamento para fim associativo.º/1 DL 294/2009).º/2 CCiv) 2) O locatário pode recorrer ao contencioso possessório. e o que pode ser objecto de posse são os direitos reais de gozo (1037.ª Posição (minoritária): o direito do arrendatário é um DIREITO REAL de gozo (Tese Realista) Argumentos: 1) Há um poder directo e imediato do locatário sobre a coisa. político e outros Arrendamento rústico: quando recai sobre prédios rústicos. e pode ser:  Rural: quando tenha fins agrícolas.º CCiv)  Antigo arrendamento vinculístico (doutrina!!)  Não Habitacionais (1108.  Não Rural: quando for destinado a outros fins.

comodato). Revisão: Contrato Misto vs. ou seja.º-A/2 CCiv.º/in fine. o direito do locatário só é oponível ao locador. ou seja. 1109. o que mais de resto é uma característica dos direitos de crédito. um direito de crédito (1682. 2. normalmente (excepção – 1108. sendo possível recusar a restituição da coisa (1311. 4) Quando há uma transmissão da posição do locador.ª Posição (maioritária): o direito do arrendatário é um direito de crédito (Tese Personalista) Argumentos: 1) Argumento de Coerência Sistémica: Todos os direitos reais de gozo encontram-se elencados no Livro III do CCiv. 3) Há casos em que se reconhece o direito de propriedade. Ao ter uma prestação. Âmbito do objecto do contrato de arrendamento urbano Nos termos do 1064.º CCiv): Este argumento traduz-se no conceito de locação.2. ou seja. 2) Argumento Literal: O próprio legislador chama ao arrendamento um direito pessoal de gozo.º CCiv). A mesma lógica está patente no 1682.º CCiv) Critica: o direito do locatário. vulgo “Time Sharing”. instalação de antenas) ou janelas e varandas (para assistir a cortejos)).º-A/1/a) CCiv). 2.º CCiv). na verdade. podendo abranger tanto a totalidade como parte da coisa sobre que incide (1064. que está previsto em legislação avulsa.º CCiv o contrato de arrendamento urbano tem. (ex: partes do prédio. tem uma eficácia meramente relativa.º/2 CCiv) Critica: há outros direitos obrigacionais que levam à improcedência da acção de reivindicação (ex. tem um direito de crédito. União de Contratos Contratos Mistos Unidade Contratual Um único negócio jurídico Elementos essenciais contratuais distintos de tipos de União de Contratos Pluralidade Contratual Cada negócio jurídico tem autonomia própria Os contratos não vivem separadamente Finalidade económica comum Vicissitudes de um repercutem-se no outro         5 . 3) Argumento Conceptual (1022. por objecto prédios urbanos. muros e terraços (publicidade. o direito do locatário está previsto no Livro II do mesmo diploma. tem uma prestação. Ora. excepcionando o direito real de habitação periódica. Aqui o locatário tem apenas o direito de exigir ao locador o gozo da coisa.dizer que ele pode propor acções possessórias pois já se sabe que os titulares de direitos reais de gozo as podem propor (princípio da utilidade das normas). o locatário conserva intactos os seus direitos e obrigações (1057.

ª Teoria: Teoria da Absorção -> o regime de arrendamento deve absorver a situação do aluguer. como móveis. 2. 3. ou inclusão num contrato de aspectos próprios de outros negócios jurídicos (405. Assim: 1.º/2 CCiv).): aquele que resulta da fusão de dois ou mais contratos ou partes de contratos distintos. 2.º CCiv): Originalmente.º CCiv): Neste caso. não sendo possível apurar a sua vontade. acessórios ou uma parte rústica. estabelece-se que é a vontade dos contraentes que determina a qualificação do arrendamento como urbano ou rural. o NRAU determinou a extinção do vinculismo arrendatício deixando de se estabelecer imperativamente a teoria da absorção. na falta ou insuficiência de qualquer desses critérios. Caso o contrato tenha por objecto não apenas um prédio urbano.ª Teoria: Teorias da Combinação -> devem aplicar-se combinadamente os dois regimes. na falta/insuficiência de qualquer dos primeiros dois critérios. uma mera presunção.º1). funcionando o fim principal do contrato e a renda atribuída a cada uma das partes apenas como critérios de resolução de casos dubitativos. aplicase.º Critério: Vontade dos contraentes (n. mas também elementos de outra natureza. passando esta a constituir. No entanto. agora.ª Teoria: Teoria da Analogia -> o regime deve considerar-se lacunoso. estar-se-á perante um contrato misto (e não um contrato de arrendamento típico). Regra: Presunção da absorção do regime do aluguer pelo do arrendamento. aplica-se. 3. a integrar por analogia. o CCiv determinava a aplicação da teoria da absorção. Assim.ª Situação: Arrendamento conjunto de parte urbana e parte rústica (1066.º Critério: Correspondência com a parte principal do contrato/valor da renda atribuída (n. 6 . sendo que.º 3). considerando arrendamento urbano todo o contrato e renda todo o preço locativo. vamos observar as duas situações previstas no CCiv: 1.º 2). Qual o regime que regula o contrato misto? Há várias teorias: 1. Excepção: As partes podem afastar a presunção.ª Situação: Locação de imóveis mobilados e seus acessórios (1065. Tendo os vários regimes em mente. 2. que as partes podem afastar. o arrendamento será havido como urbano.Contrato Misto (Def.º Critério: Regime do arrendamento urbano (n.

ié. sem nada mais acrescentar.1. 1793/1 CCiv).º CCiv) ou “morada” (1484/2. significa.Resumindo.2. O prédio arrendado só será considerado de habitação se lhe for dado um uso residencial.1. casa do campo. 1067.º CCiv). a vida íntima familiar (não comunitária) que decorre dentro de casa – vida doméstica. 2. “Habitação” O significado de “habitação” é sinónimo de “uso residencial” (1092. Não é incomum repartir-se a vida doméstica por mais de um edifício (ex. que nos referimos à habitação estável. 1682-B/2. quando se fale de habitação. nele se faça decorrer a vida não comunitária. Habitar. Presume-se. sendo ambas adequadas à vida privada que se faz em diferentes épocas do ano) 7 . em matéria de arrendamento. em certos aspectos da sua vida quotidiana (repouso. a habitação não permanente da habitação estável (habitação permanente ou primária). Assim. Total Quanto ao âmbito Parcial Arrendamento Urbano Contrato Típico Quanto ao objecto Imóvel Urbano Imóvel + Móvel Contrato Misto Urbano + Rústico 2.1. No nosso direito é importante distinguir. casa da cidade. defesa própria e dos filhos de tenra idade). casa na praia. pois. residir. carece de se apartar da comunidade para realizá-los em casa. 1682-A/2.º. morar. dentro do núcleo restrito e fechado da família. não sendo essencial que se desenvolva exclusivamente num único edifício.2. Espécies Legais de Arrendamento Urbano para Habitação – O VINCULÍSMO Apesar de o homem ser um ser eminentemente social. Arrendamento para habitação Arrendamento urbano para habitação (Def): locação de prédio ou parte de prédio urbano para fim habitacional (1064. procriação.

hoje.º CCiv) Este preceito foi instituído com o fim de proteger a situação dos trabalhadores artesanais que realizem a profissão na própria residência. mesmo de pequena dimensão. insalubres ou tóxicas. por período transitório. uma forma de exploração do trabalho infantil ou clandestino. pois tal desvirtua a racio legis do vinculismo.º CCiv) 1. enquanto sistema legalmente imposto. a empresa artesanal. nem a sua espécie ou qualidade. não interessando a quantidade de objectos produzidos ou transformados. que pela pequena dimensão e recatado aproveitamento que fazem da casa. o ensino particular.ª Situação . realizando nele o comércio. não descaracterizam o seu uso habitacional.º CCiv são três os elementos caracterizadores da “indústria doméstica”:  Ser a “indústria doméstica” exercida pelo arrendatário: “Indústria doméstica” deve entender-se como: PINTO FURTADO o exercício. a par da vida doméstica. Essa ampliação do fim consignado no contrato poderá constituir fundamento de resolução por parte do senhorio. a aptidão que estas casas têm para a realização de actividades que não propriamente os actos da vida doméstica. com o fim de obviar à escassez de casas perante as imperiosas exigências sociais da procura. porém. as próprias indústrias que. ainda que tributado. No entanto. defendendo que o preceito deveria inverter-se: o seu exercício seria proibido. o arrendamento de uma ou várias casas com fim de lazer é compatível com a existência de um arrendamento urbano para habitação permanente do agregado familiar.Exercício de pequena INDÚSTRIA DOMÉSTICA (1092. JURISPRUDÊNCIA MAIORITÁRIA a qualificação legal de uma indústria como doméstica depende apenas da verificação dos requisitos constantes deste artigo. Excepções à resolução com fundamento em ampliação do fim do contrato  Exercício de pequena indústria doméstica (1092. incompatíveis com o exercício doméstico. perigosa. pode atrair o arrendatário. O que não se admite é a cumulação de dois ou mais arrendamentos vinculísticos para habitação permanente alternada.º CCiv)  Hospedagem a não mais que três hospedes (1093. o legislador admitiu a legitimidade do exercício de certas actividades. por entender que as indústrias domésticas são. indústria ou profissão liberal. no sentido de tentar modificar o destino contratualmente atribuído. Existe. 8 . designadamente por se revelarem incómodas. pelas suas características. das actividades laborais que costumam desenvolver-se no âmbito das paredes domésticas (ex: trabalho a domicílio. quem censure esta disposição. Segundo o 1092.Neste sentido. o exercício de profissão liberal em escala doméstica) e já não. Acresce que. sejam. salvo cláusula em contrário – MENEZES CORDEIRO.

no arrendamento para habitação. “empregadas domésticas residentes”). familiares ou não). com o que se pretende criar riqueza” – Anotações ao Regime do Arrendamento Urbano (5. pela sua gravidade e consequências. Sem ocupar mais de três auxiliares assalariados (o arrendatário realiza pessoal e isoladamente a indústria doméstica. dentro de uma utilização prudente. o arrendatário estará. pág. 63 e 242).º/2 proémio – “incumprimento que. que se caracteriza fundamentalmente pela compra de bens naturais ou de produtos para revenda. no fundamento de resolução pelo senhorio (1083.HOSPEDAGEM a não mais que três hospedes (1093. por força do 1083.  Os colaterais até ao 3.ª Situação . Obviamente que.º CCiv podem residir com o arrendatário.  Os seus parentes ou afins na linha reta. ou realiza-a com os seus auxiliares assalariados. noutros produtos ou objectos. é conciliável com a prestação de hospedagem a não mais de três pessoas. Assim. que se tornam mais valiosos por via dessa transformação". todas as pessoas previstas no n. a aplicar à casa um fim diverso ao que foi destinado. fica de fora a actividade comercial. incorrendo assim. 9 . ainda que igual ou inferior a três.º/1 CCiv).ª Ed. Assim. os que vivam com o arrendatário em economia comum (1093. por utilização contrária “aos bons costumes”. Assim. A presunção do 1093. A prática de hospedagem nessas condições tem de ser equiparada ao excesso do limite legal. Se a actividade exercida não tiver alguma das características acima. salvo cláusula em contrário. ainda. intervindo o comerciante na circulação da riqueza através de uma actividade de mediação e.º/2 CCiv é iuris et de iure (inilidível). este limite máximo admitido deve ser compatível com a capacidade de ocupação concreta da casa. Não se incluem no número de hóspedes.º/2/b) CCiv. esta estará sempre condicionada à capacidade de alojamento. 2. são eles:  Pessoa que com ele viva em União de Facto. torne inexigível à outra parte a manutenção do arrendamento”.º/2/c) CCiv). No entanto. com ela. que neste último caso.º/1/a) CCiv).º grau. dependerá de existir ou não uma dependência na casa arrendada destinada directa/indirectamente ao exercício da profissão).º 2 do 1093. Na casa de habitação. o exercício de profissões liberais (entendendo alguns autores.  Devendo partir-se da ideia básica de que será industrial "toda a actividade que transforma matérias-primas ou produtos.º CCiv) O uso residencial do prédio. O mesmo se concluí no caso de o arrendatário exercer qualquer indústria doméstica violando cláusula contratual que proíba a sua prática (1083.  Qualquer pessoa relativamente à qual haja obrigação de convivência ou alimentos (2009.º/1 CCiv. como afirma MÁRIO FROTA: “Três hóspedes são demais para um T-0”.. o número de hóspedes – subsumindo-se ao fundamento de resolução previsto no 1083. apesar da ilimitada permissão do 1093/1/a) CCiv.

º CCiv): Sendo a oposição realizada pelo senhorio.  O arrendatário. 1096.  120 dias -> 6 anos ≩ prazo de duração inicial/renovação ≥ 1 ano  60 dias -> 1 ano ≩ prazo de duração inicial/renovação ≥ 6 meses. Caso Prático: Contrato celebrado (hoje).º/2/c) NRAU).º 1/b)).º e 1098. Assim. a mesma tem que ser efectuada nos seguintes prazos:  240 dias -> prazo de duração inicial/renovação ≥ 6 anos. tem direito de denúncia (1098. o Afastar a renovação automática. o Os períodos de renovação (que podem ser diferentes do período inicial – ex.2. ou.No caso de oposição para o termo do prazo de duração inicial -> 240 dias (n. Espécies Legais de Arrendamento Urbano para Habitação – Prazo Certo (1095. no entanto. prazo certo: 6 anos.º/1.º CCiv) As linhas estruturais deste subtipo legal de arrendamento urbano para habitação.º/3 a 5 CCiv).  O prazo deve constar de cláusula inserida no contrato (1095. as partes podem definir: o A duração inicial do contrato. quando pode fazê-lo? 6 anos 240 dias 1 1 1 1 ano (…) 120 dias . nos contratos celebrados por prazo inferior a 30 dias (n. além da livre oposição à renovação. Comunicação da oposição (9.º/1 CCiv). uma norma supletiva. 3.º 1/a)) .º a 1098. Duração inicial: 6 anos Renovável por períodos sucessivos de 1 ano.º/1 CCiv).  1/3 do prazo de duração inicial/renovação-> prazo de duração inicial/renovação do prazo ≨ 6 meses. simplesmente.2.  Renova-se automaticamente.º CCiv).º/1 ab initio.2.º/2 CCiv).º/1 e 2 CCiv).º 2).No caso de oposição para o termo do prazo de uma das renovações -> 120 dias (n.1. renovação: 3 em 3). 10 . denúncia (1096. excepto. 6 NRAU) O comprovativo da comunicação acompanhado do contrato constitui pressuposto necessário ao processo especial de despejo (15. são as seguintes:  É um arrendamento de prédio urbano (1064. Esta é.º/2 ab initio CCiv).  Por prazo não superior a 30 anos (1095.  Em que o Senhorio e Arrendatário têm direito à livre oposição à renovação (1096. 1097.º/3. Oposição à Renovação pelo Senhorio (1097. permitindo-se estipulação em contrário (1096. caso não haja oposição à renovação. Senhorio pretende opor-se à renovação.

 1/3 do prazo de duração inicial/renovação-> prazo de duração inicial/renovação do prazo ≨ 6 meses.  Comunicação com a antecedência exigida nas al. Duração inicial: 6 anos Renovável por períodos sucessivos de 1 ano.º/3 CCiv. quando pode fazê-lo? 6 anos 120 dias 1 90 dias 1 1 1 ano (…) . decorrido 1/3 do prazo de duração inicial do contrato ou da sua renovação. quando pode fazê-lo? 6 anos 2 anos 1 1 1 1 ano (…) 11 .º 1/b)). ainda. Duração inicial: 6 anos Renovável por períodos sucessivos de 1 ano. a mesma tem de ocorrer nos seguintes prazos:  120 dias -> prazo de duração inicial/renovação ≥ 6 anos.º/1 e 2 CCiv) Sendo a oposição à renovação realizada pelo arrendatário. Caso Prático: Contrato celebrado (hoje). Denúncia pelo Arrendatário (1098. a) ou b) do 1098.  90 dias -> 6 anos ≩ prazo de duração inicial/renovação ≥ 1 ano  60 dias -> 1 ano ≩ prazo de duração inicial/renovação ≥ 6 meses. O Arrendatário pretende opor-se à renovação. com a antecedência seguinte:   120 dias do termo pretendido -> prazo de duração inicial/renovação ≥ 1 ano. mediante comunicação ao senhorio.º 1/a)) . 60 dias do termo pretendido -> prazo de duração inicial/renovação ≨ 1 ano Não esquecer dos dois pressupostos cumulativos:  Decorrido 1/3 do prazo de duração inicial/renovação. denunciá-lo a todo o tempo. Caso Prático: Contrato celebrado (hoje).º/3 a 5 CCiv) O arrendatário pode.No caso de oposição para o termo do prazo de duração inicial -> 120 dias (n. A comunicação do arrendatário produz efeitos no final do prazo inicial do contrato ou no final do prazo de cada período de renovação.No caso de oposição para o termo do prazo de uma das renovações -> 90 dias (n.Oposição à Renovação pelo Arrendatário (1098. O Arrendatário pretende denunciar (para o prazo mínimo).

neste caso concreto. se aplica o regime antigo! O mesmo acontece no que diz respeito à mudança de regras referentes à habitação não permanente. António pretende opor-se à sua renovação. até 01/03/2013. António estaria dentro do prazo para oposição. como no nosso Direito positivo o é. arrendatário.3. 2. ser instituído regime transitório para contratos antigos. nos termos da nova lei.2. contudo. por parte do arrendatário. Efeitos: 31/05/2013. entende a doutrina que.º CCiv. António deveria ter comunicado a oposição à renovação.No caso de denúncia durante o prazo de uma das renovações -> 4 meses + 120 dias (n. antes não sujeita à renovação automática. Neste caso. sem. pela indeterminação temporal. 240 dias antes do termo do contrato. Espécies Legais de Arrendamento Urbano para Habitação – DURAÇÃO INDETERMINADA Quando as partes não estipulam prazo. renovando-se automaticamente de 3 em 3 anos. facto que veio a ser alterado com a nova lei. Questão: O limite de trinta anos. apesar da L 31/2012 nem sequer estar ainda em vigor nessa data!!!!! Por não fazer qualquer sentido e ser lesivo dos direitos do arrendatário/senhorio.+ 120 dias (1/3 -> 4 meses) + 120 dias . a contar da comunicação (ex: prazo antecedência: 120 (4 meses). comunicação: 20/01/2013. nestes casos. 1/3 A denúncia do contrato só produz efeitos no FINAL do mês calendar. o que resulta que o contrato. pois. previa que a oposição à renovação automática. se forme uma locação perpétua. dos contratos de arrendamento celebrados ao abrigo do regime anterior? António. estabelecido no 1025.º 3/a)).º CCiv para a locação aplica-se também aos contratos de arrendamento de duração indeterminada? PINTO FURTADO “a existência de tal limite destina-se essencialmente a evitar que. com prazo inicial de 6 anos. só se extingue 131 dias após a comunicação!!…) Que dizer. Hoje (01/01/2013). quando seja passível. O prazo inicial termina em 30/06/2013.No caso de denúncia durante o prazo de duração inicial -> 2 anos + 120 dias (n. onde agora se exige oposição à renovação (1096. Em 14/11/2012 foi dada nova redacção ao 1098. porém.1. de denúncia suscitada livremente por qualquer das partes” 12 . na redacção da L 6/2006. pela L 31/2012. em 01/11/2012. Assim. prevendo regras diferentes para a oposição à renovação. Quid Iuris? O 1098/1 CCiv. razão para fazer funcionar semelhante limite perante um arrendamento de duração indeterminada. fosse comunicada ao senhorio com a antecedência mínima de 120 dias do termo do contrato – ou seja. comparar ambas as redações). Não haverá. ou seja.º CCiv. celebrou um contrato de arrendamento de uma habitação por prazo certo. o contrato presume-se de dois anos (com aplicação apenas aos contratos celebrados a partir de 14/11/2012).º 3/a)) .

sendo a comunicação subscrita por ambos (12. Ser o senhorio proprietário/comproprietário/usufrutuário do prédio há mais de 2 anos.º/9 CCiv). Com relação à faculdade de denúncia do senhorio existem alguns limites.º/6 CCiv).º/3 NRAU). Exige-se apenas uma comunicação ao senhorio com antecedência não inferior a:  120 dias -> quando o contrato tenha a duração efectiva superior a 1 ano.º CCiv): O 1100. Não ter.º/1/a) CCiv).º/4.º grau (1102. salvo por motivo que não lhe seja imputável (1103. → → Denúncia pelo senhorio – c/ fundamento: para demolição ou realização de obras de remodelação ou restauro profundos: 13 . A violação desta obrigação obriga o senhorio a pagar ao arrendatário uma indemnização correspondente a 10 anos de renda (1103.º grau (1101/a) CCiv): → → → Pagamento ao arrendatário do equivalente a um ano de renda (1102.º/1 proémio CCiv). O contrato tenha tido a duração efectiva de pelo menos dois anos (1103. a contar da comunicação (1100. Vejamos. salvo se tiver adquirido por sucessão (1102. O senhorio terá de dar ao local a utilização invocada no prazo de 3 meses e por um período mínimo de 2 anos. Denúncia pelo arrendatário (1100. há mais de 1 ano. mas o arrendatário terá de pagar as rendas correspondentes ao período do pré-aviso (1100. a denúncia carece do consentimento de ambos os cônjuges (1682. o contrato cessa. obrigando apenas a uma antecedência mínima de 120 ou mesmo 60 dias se o contrato tiver até um ano de duração efectiva (1100. Se estivermos perante a casa de morada de família.º CCiv prevê para o arrendatário uma denúncia ad nutum (sem justificação). Caso não seja respeitado o prazo de pré-aviso. no momento da entrega do locado (1103.º/5 CCiv).  30 dias -> quando o senhorio impeça a sua renovação automática.º/10 CCiv). na área dos concelhos de Lisboa/Porto ou limítrofes ou na respectiva localidade (quanto ao resto do país). 1098.º/1 NRAU). A denúncia produz efeitos no final de um mês correspondente do calendário gregoriano. Denúncia pelo senhorio – c/ fundamento: para habitação do senhorio ou dos seus descendentes de 1.º/1/b) CCiv). casa própria ou arrendada que satisfaça as suas necessidades de habitação própria ou dos seus descendentes em 1. A comunicação ao senhorio deve ser feita por carta registada com aviso de recepção (9.º-B/a) CCiv).º CCiv). independentemente da sua duração efectiva.º/8 CCiv).Denúncia: O arrendamento com duração indeterminada admite amplamente a denúncia pelo arrendatário.º/3 CCiv).  60 dias -> quando o contrato tenha a duração efectiva de 6 meses a 1 ano.

2. remetido em carta regista com aviso de recepção – 9.º/c) CCiv).º/2/a) e b). a atestar pelo município (7. O Contrato de Arrendamento – CARACTERÍSTICAS Antes de mais.º Fundamento: Denúncia com fundamento em demolição do imóvel (7.  2. a título supletivo (1103. 3. -> A comunicação.º/2/c) RJOPA) A denúncia com os fundamentos do 1101. Ser necessária por força da degradação do prédio.º ss.ª Opção: Pagamento de uma indemnização correspondente a um ano de renda (1103.º Fundamento: Denúncia com fundamento em remodelação ou restauro profundos: A denúncia com base num destes fundamentos obtém-se mediante acordo das partes entre duas alternativas: 1. o senhorio não estará obrigado a qualquer das opções no caso de:    A demolição ser ordenada nos termos do 89.º/2/a) RJOPA). -> Devendo constar da comunicação de forma expressa o fundamento da denúncia. No entanto.º/6/a) CCiv. 3. quer quanto ao valor da renda e encargos) (1103.º RJUE – Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (7. tal como no fundamento anterior. 14 . 3 a 5 RJOPA) Na falta de acordo. no que toca à classificação dos negócios jurídicos. definida por acordo das partes ou a primeira opção (supletivamente).º/2 RJOPA). 6.º/3 e 57.º/1/b). 8.º/2/b) RJOPA).º/4 CCiv.3. 24.º/b) CCiv é feita mediante: -> Comunicação ao arrendatário com a antecedência não inferior a 6 meses sobre a data pretendida para desocupação (é suficiente escrito assinado pelo declarante. no caso de não haver acordo. OU 2. do RJOPA – Regime Jurídico das Obras em Prédios Arrendados)  1. sob pena de ineficácia.º/1 RJOPA) Neste caso aplicam-se.ª Opção: Garantir o realojamento do arrendatário no mesmo concelho.º/1/a) RJOPA). 6. Denúncia pelo senhorio – s/ fundamento: O senhorio pode ainda denunciar o contrato mediante comunicação ao arrendatário com antecedência não inferior a 2 anos sobre a data em que pretenda a cessação (1101. em condições análogas às que já detinha (quer quanto ao local. 7.º/2/a) e b). prevalece a primeira opção.→ A denúncia com algum destes fundamentos é objecto de legislação especial (1103.º/6/b) CCiv. Decorrer de plano de pormenor de reabilitação urbana (7. vamos fazer uma revisão à matéria de Teoria Geral do Direito Civil. no prazo de 30 dias após comunicação.º/2 RJOPA). 6. deverá ser acompanhada da demostração de que irá ser efectivamente realizada a operação urbanística (1103.º/11 -> 6. uma das opções acima.º/1 NRAU).

arrendamento). aleatórios e parciários. Negócios jurídicos reais são. vínculo este designado sinalagma. pelo menos. A classificação dos negócios jurídicos em sinalagmáticos ou não sinalagmáticos tem como critério a existência no conteúdo do negócio de um especial vínculo entre as prestações e contraprestações das partes. uma álea. Os negócios aleatórios são negócios de risco. as partes assumem voluntária e conscientemente o risco da eventualidade do desequilíbrio patrimonial (ex: jogo e aposta. São consensuais aquele para cuja celebração é suficiente o consenso das partes. perfeita. Os negócios podem ser classificados em obrigacionais ou reais. à execução de prestações. Os contratos onerosos.º/2. ié. assentando no critério do modo de ser da contrapartida que é própria da onerosidade. não sendo necessária uma forma especial de expressão da declaração negocial ou de documentação do negócio. a comportamentos devidos (ex: mandato. Os primeiros.ª parte CCiv). ou de alguma delas. Nestes negócios. nem a prática de uma especial formalidade como a entrega. e ainda que não haja entrega da coisa vendida). Os negócios parciários são aqueles que se caracterizam pela participação de uma ou de ambas as partes no resultado de um acto ou de uma actividade económica. constituem a subclasse dos negócios jurídicos reais quoad constitutionem (ex: mútuo e o depósito típicos). do resultado económico da operação económica subjacente. os que têm efeitos de direitos reais – eficácia real – e. subclassificam-se em comutativos. aqueles que têm eficácia real constituem uma subclasse: a dos negócios jurídicos reais quoad effectum (ex: compra e venda – opera com a transmissão da propriedade em consequência da simples celebração do contrato. contratos de seguro). entre as atribuições patrimoniais implicadas pelo negócio. por outro.º CCiv). que muitas vezes é uma percentagem. em termos tais que a falta de uma tem como consequência que a outra não seja exigível ou seja restituída. No caso dos negócios sinalagmáticos a prestação ou a atribuição patrimonial de uma das partes constitui a razão de ser e o fundamento jurídico da sua contraprestação ou da atribuição patrimonial correspectiva. A violação das exigências legais de forma acarreta a nulidade do negócio (220. Nos negócios aleatórios existe. os que se materializam com a entrega da coisa que constitui o seu objecto. da coisa que é objecto de negócio (219. um risco que dá ao negócio o seu sentido jurídico. Aos decidirem da sua celebração. a atribuição patrimonial de uma ou de mais partes traduz-se numa participação. São classificados como obrigacionais os negócios jurídicos dos quais resulte a vinculação das partes. equivalente (ex: compra e venda) (237. comodato. Esta 15 . em princípio.º CCiv). Os segundos. aqueles contratos que se fecham sem que ocorra a entrega da coisa. por outro lado. ié. sob o critério classificativo da sua forma.Os negócios jurídicos classificam-se em consensuais e formais. Quer dizer que à atribuição patrimonial de uma das partes corresponde uma atribuição patrimonial da outra parte de valor. no próprio tipo de negócio ou como sua característica essencial. São formais os negócios para cuja celebração ou titulação a lei exija uma forma especial. real ou simbólica. Nos negócios comutativos a onerosidade é.

previsto no 15.º CCiv).Contrato nominado e típico: Possui denominação (nomem iuris) e regime regulado pela lei (1022. um contrato consensual (fica perfeito. mas não tem necessariamente de o ser (ex: parceria. 289. para o efeito. 441 a 450 Agora sim. Com efeito. não poderá o arrendatário utilizar os meios possessórios (1037. e não um elemento constitutivo deste. 4. antes. mesmo não sendo proprietário da coisa locada. 2. lhe fazer a respectiva entrega. Não é pois um contrato real quoad constitutionem. a comandita e a própria sociedade). Assim. este.Contrato consensual: O contrato de arrendamento não exige. associação em participação. pág. um direito real de gozo para o arrendatário. a equivalência da posse do objecto do arrendamento. 798. contra o senhorio.Contrato obrigacional: O contrato de arrendamento não transfere. É. 5.º e ss. por si.º CCiv). CCiv). Não é. Não cumprindo a forma o contrato é nulo (220. mas um contrato obrigacional. por si. o arrendatário paga o correspondente preço locativo). o arrendamento é um direito pessoal de gozo. resultando em que: a) O senhorio tem a obrigação de assegurar o gozo da coisa (1032.º/b) CCiv). O contrato sob forma escrita é pressuposto necessário para se recorrer ao procedimento especial de despejo. na falta de entrega.Contrato oneroso: Implica sacrifícios de ambas as partes (o senhorio abdica do gozo da coisa. Como salienta expressamente o 1022.º CCiv). c) O direito do arrendatário é tutelável através de acção de cumprimento (817.º. para seu acabamento. vamos analisar as características do contrato de arrendamento: 1. 1064.Contrato formal: Forma escrita (1069. a qual representa já a execução do contrato. mas. por conseguinte. a obrigação de o senhorio proporcionar ao arrendatário o gozo do prédio arrendado e de. In Teoria Geral do Direito Civil.º CCiv). real quoad effectum. que haja entrega do bem arrendado. contraposto a uma obrigação positiva do senhorio (1031.º e ss.participação é usualmente proporcional ao valor da entrada ou da actividade da parte.º. de PEDRO PAIS DE VASCONCELOS. completa-se com a estipulação da simples obrigação de proporcionar o seu gozo ao arrendatário. apenas respondendo por incumprimento se não conseguir proporcionar o gozo da coisa ao arrendatário (1034. completo ou acabado no próprio momento em que se exprime o consenso).º/2 CCiv). 16 .º L 6/2006. b) O senhorio pode constituir validamente o contrato. visto o contrato ser obrigacional e não conferir. 3. nem um simples gozo de natureza obrigacional. portanto.º CCiv.º CCiv).

6.º/1 – ex: 1051. 11 e ss. antes.Contrato de execução duradoura: As prestações de qualquer das partes aparecem relacionadas com um certo período de tempo que delimita o seu conteúdo e extensão (sobre as Modalidades das Prestações. A e mulher declararam arrendar a C a referida fracção (denominada "unidade habitacional).º CCiv) – podendo o locatário efectuar a redução da renda proporcional à privação ou diminuição do gozo da coisa. -> Definição de contrato locação (1022. – Dr.º/a) CCiv). Da qualificação do arrendamento como contrato sinalagmático. sito na Estrada N1.Contrato sinalagmático: Ambos os contraentes estão sujeitos a obrigações recíprocas (o senhorio de proporcionar o gozo da coisa -1031. é exercida de forma constante).ª Cátia Cebola) A prestação do senhorio (proporcionar o gozo da coisa) é uma prestação contínua (não sofre qualquer interrupção.º/2 CCiv) e. b) Resolução por incumprimento (801. c) Caducidade por impossibilidade não culposa de uma das prestações (795.º/2.º/2 CCiv). Justifique a sua resposta.Contrato comutativo: As prestações (concessão de gozo vs. concelho de Pombal. sempre que este seja celebrado com duração indeterminada (1099. remeto para a sebenta facultada pela Professora de Obrigações I – pág. Caso Pratico: A e mulher são proprietários de uma fracção autónoma do prédio X. com início em 1 de Dezembro de 2012 e mediante a retribuição mensal global de 400 euros. MANUEL DE ANDRADE).. quando exercida pelo senhorio. resulta a aplicação de vários institutos jurídicos: a) Excepção de não cumprimento (428.º CCiv). sem eficácia retroactiva (434. Há um nexo de interdependência entre as prestações das partes (“toma-lá-dá-cá” cf. 1) Tendo em conta os factos enunciados pronuncie-se sobre a qualificação do contrato. A resolução não tem eficácia retroactiva uma vez que o arrendamento constitui contrato de execução duradoura (434. CCiv). 1083.º/b). A prestação do arrendatário (pagar a renda) é uma prestação periódica (não é executada ininterruptamente. 17 .º ss. em ordem a tutelar a parte mais fraca – o arrendatário (1083. 1040. o arrendatário de pagar a renda – 1038. É um contrato bilateral. mas renova-se em sucessivos períodos de tempo). pagamento do preço) de ambas as partes são certas e não aleatórias.º CCiv).º ss. -> Espécies de locação: arrendamento e aluguer (1023. incluindo todo o seu mobiliário. esteja sujeita a fundamentos mais restritos.º/2 CCiv).º ss. O facto de o contrato de arrendamento ser de execução duradoura implica que: a) Se aplique o instituto de denúncia do contrato. 7.º/e) a g) CCiv). b) Exista um regime especial de resolução. 8. CCiv).

º/2/e) NRAU).º/1/b) – 90 dias.-> Definição de contrato misto -> Presunção do 1065.º/2 CCiv). é amplamente reconhecida. -> União de contratos (Contrato de Prestação de Serviços + Contrato de Hospedagem) – são dois contratos autónomos.º/2/c). 4) Suponha que. C pretende opor-se à renovação do contrato. para além de C. se um findar o outro também finda (e aqui estão três formas diferentes de dizermos a mesmíssima coisa…. Em consequência. -> No silêncio das partes considera-se celebrado por 2 anos. Entretanto a 1 de Setembro de 2014. em geral. CCiv). -> Prescrição do direito de resolução do contrato – 1 ano (1085. Quid Juris? -> Limite de 3 pessoas – Pequena Indústria Doméstica (1092. Quid iuris? -> Vivem em economia comum (1093.º CCiv). o pagamento de uma retribuição. Joana. 18 . em vez de celebrarem imediatamente o contrato final.) 2.º/1/b) CCiv). Luísa e Sónia.º/1 CCiv). renovável por períodos de igual duração (1096. qual a forma para o fazer? -> Prazo certo (1094. como contrapartida. 2) O contrato de arrendamento foi celebrado oralmente. a solidão incomodava-o e o tempo livre era muito. Pode fazê-lo? Se a resposta for afirmativa. O Contrato de Arrendamento – A Promessa de Arrendamento A susceptibilidade de as partes. Decidiu prestar serviços de engomagem para fora. tendo sido estipulado pelo arrendatário. contratou uma pessoa para o ajudar nos serviços domésticos. 3) Imagine que o contrato foi celebrado e que as partes nada dizem sobre o prazo de duração do contrato. -> Procedimento (15. -> Oposição à renovação pelo arrendatário (C) – 1098. Quid Juris? -> Forma escrita (1069. na nossa ordem jurídica (410. teria direito a residir no local.º ss. mas na dependência um do outro. a situação em causa veio a demonstrar-se demasiado trabalhosa para C. -> Máximo de 3 Hóspedes (1093.º/3 CCiv). primas de C e foram também viver com eles Maria. passaram a residir no locado Eneida e Francisca. -> Comunicação – 9.º/1 CCiv). Todavia. não sobrevivendo um sem o outro. 6 NRAU.4. -> Resolução do contrato (1083. para além do montante salarial pago em dinheiro.º/1.º CCiv) – as partes devem ser restituídas à forma anterior. 1047. 5) Imagine que C residia sozinho. começarem por se vincular tão-somente à celebração de contrato futuro. considerandose arrendamento de prédio urbano todo o contrato.º e 289.º CCiv – o arrendamento sobrelevará ao aluguer.º CCiv) -> Nulidade (220.º/1/a) e 2 CCiv). ficando contratualmente estipulado que a mesma.

º CCiv). dever-se-á recorrer ao mecanismo da redução e admitir que o negócio será válido como promessa unilateral.º/1 e 2 CCiv). O direito à execução específica poderá ser afastado nos termos do 830.A Promessa pode formar um:  Negócio jurídico unilateral.º e 410.º/2 CCiv). em que as duas partes se vinculam à celebração do futuro contrato. Forma: O contrato de promessa de arrendamento deverá constar de documento particular assinado.  Resolução do contrato.º CCiv).  Tiver sido fixado sinal. Contrato bilateral assinado só por um dos contraentes: Neste caso. exigir do outro o cumprimento. ou seja. se o contrato for:  Unilateral (411. Direito à execução específica O beneficiário de uma promessa de contrato. 410. desde que a tal não se oponha a natureza da obrigação (830. o Unilateral.º/1 CCiv). uma vez que para o contrato de arrendamento é exigida a forma escrita (cjg. em qualquer altura.  Tiver sido estipulada cláusula penal 19 . podendo este ser: o Bilateral. quando:  Houver convenção em contrário. Incumprimento do contrato Existe incumprimento definitivo quando a prestação se tornou impossível ou deixou de ter interesse para a parte não faltosa e incumprimento temporário quando existe apenas uma demora ou atraso.º CCiv. Prazo: O contrato-promessa não tem de conter cláusula a estabelecer o prazo em que será celebrado o contrato prometido. 1069.º CCiv): qualquer dos contraentes poderá.º CCiv). solitariamente. à prestação de um contrato futuro (457. Assim. não cumprida. obter sentença que produza os efeitos da declaração negocial do faltoso.º/2. em que só uma das partes se vincula (411.  Bilateral (777. No caso de incumprimento definitivo. pelo qual certa pessoa se obriga. pode. 411.º CCiv): o “tribunal” poderá fixar à outra parte um prazo para o exercício do direito.  Contrato (Contrato-Promessa). sobressaiam três direitos ao não faltoso:  Indemnização. a requerimento do promitente. na falta de convenção contrária. salvo se se mostrar que não teria sido concluído sem a parte viciada (292.  Direito à execução específica.

21-3-1985 . disposto no 1688 CC. tendo o cônjuge do faltoso sido chamado à execução específica. ainda.º 338. 336). imediatamente proteste que arguirá a anulabilidade. quando a intervenção deste seja necessária para assegurar a legitimidade negocial do contrato definitivo? STJ -> considerou a execução inadmissível. mas apenas a emitir um sucedâneo do contrato prometido. Supremo. onerar ou arrendar. que a sentença de execução específica se limita a projectar para o como-que-contrato prometido. o efeito jurídico da execução específica.º 345. Acresce que. solitariamente. sob pena de praticar acto inútil. necessariamente. implicaria. p. A extinção do estatuto familiar. PINTO FURTADO que compreender-se-ia que o tribunal se recusasse a decretar a execução específica se o contrato definitivo resultante fosse nulo. se admite expressamente a execução específica. a alienação. Leg. não é executar uma obrigação. se o não interveniente se recusar à celebração do contrato definitivo. de modo algum pode conceber-se é que se considere inadmissível a execução específica em virtude de o contrato definitivo. permitindo. com a vinculação de um só dos cônjuges.º 350. que de tal execução resultaria. uma vez que se a obrigação de contratar constituída pela promessa. Jurs.Questão: Para a execução específica. porém. p. as relações patrimoniais a que o casamento deu origem. mas emitir um como-que-contrato-prometido. O que pode admitir-se é que. para a hipótese de falecimento do signatário da promessa. ou deverá figurar ainda a assinatura do seu cônjuge. Posto isto. se exclua o direito à impugnação. e já não há que aplicar a regra do 1682-A CPC. o tribunal não estaria a impor a cônjuge não subscritor o cumprimento de uma obrigação que ele não assumiu. Supremo. arrendamento. Não se entende que por se extinguir o estatuto familiar. mais do que uma obrigação de alienar. Que. bastará que conste do documento escrito a assinatura do contraente remisso. um conhecimento oficioso da anulabilidade. cf. por sua natureza. é suficiente a sua celebração por apenas um dos cônjuges. Admitindo. Assim. tornando-se admissível a execução específica” PINTO FURTADO -> não subscreve este entendimento. O que. tal contrato.º. envolve. 31-10-1985 – BMJ n. estar sujeito a uma eventual impugnação do cônjuge do promitente faltoso. se tivesse logo subscrito. 20 . 296) – “…se o casamento se dissolveu. Isto porque. tendo apenas cabimento a indemnização por incumprimento da promessa (Supremo 28-6-1984 . 408. pois ele não implica. fê-lo nos estritos termos em que foi subscrita. pois isso. em si. o contrato definitivo. 126. p. não obstante a falta de subscrição da promessa do cônjuge supérstite (Supremo 7-10-1993 – Ver. ao cônjuge não subscritor o direito de impugnação que este teria. nesse caso faz sentido o tribunal pôr termos ao processo. Diz. só opera para o futuro e não. produzida pela dissolução. 409. uma obrigação de contratar.º CCiv). porém. cessam. oneração. se em vez da promessa. relativamente a uma obrigação herdada. assim. entende que: Para a validade do contrato-promessa sem eficácia real. transmitida aos herdeiros. ou constituição de outros direitos pessoais de gozo sobre imóveis que exijam dupla intervenção conjugal (1682 e 1682-A CCiv). proibido por lei (287. p.BMJ n.BMJ n.

2. Convém. industrial ou exercício de profissão liberal -> a transmissibilidade impor-se-á face ao disposto no 1113. não se vislumbra.Transmissão No tocante à transmissão das posições negociais dos promitentes rege o 412. pois não poderá nesse tipo de arrendamento. 21 . nem ao promitente senhorio nem ao sucessor do promitente arrendatário.º 2).5.º/1 CCiv).º CCiv. 2.º CCiv e os herdeiros do promitente arrendatário poderão exigir ao promitente senhorio a outorga do contrato  Em qualquer dos tipos de arrendamento.º CCiv. não cair no equívoco de identificar estritamente a pessoa deste com a do utente do prédio.  O arrendamento para fim comercial. assim: 1. não podendo exigir-se a celebração do contrato prometido. os direitos e obrigações transmitem-se aos sucessores das partes. no caso de: 1. O Contrato de Arrendamento – OS SUJEITOS Os sujeitos do contrato são aqueles que nele assumem a posição de contraentes:  O senhorio (aquele que presta arrendamento). não fincando também arrendatário desvinculado perante do falecimento do de cujus. na prática. Assim.ª Posição: PINTO FURTADO:  Especificamente para a promessa. em virtude do contrato celebrado. todavia. ié. uma vez que não é forçoso que as posições de arrendatário e de utente do prédio coincidam. Assim: A transmissão entre vivos: Sujeita-se às regras gerais (n. tendo estes de cumprir a promessa daquele.º 1. os sucessores do promitente arrendatário não ficarão vinculados à promessa. A transmissão mortis causa: Aplica-se o disposto no n.  Assim.ª Situação: Falecimento do Arrendatário: Esta situação é controvertida. a posição do arrendatário é intransmissível. excepto se forem exclusivamente pessoais.ª Situação: Falecimento do Senhorio: A posição do de cujus é transmissível aos seus sucessores. um só caso em que os direitos e obrigações do promitente arrendatário não sejam exclusivamente pessoais (412.  O arrendatário (aquele que adquire arrendamento). sendo de natureza pessoal.ª Posição: PEREIRA COELHO:  O arrendamento para habitação -> o promitente senhorio deixa de estar obrigado a realizar o contrato prometido. invocar-se a analogia do 1106. 2.

e 1110. poderá haver lugar à transmissão (≠ comunicabilidade) do arrendamento. casos estejamos na presença de um arrendamento para habitação.º ss. um acto de administração extraordinário (os que possam afectar seriamente o património a que reportem) quando celebrada por prazo superior a 6 anos ou com duração indeterminada (1024.º/c) CCiv).. caducando o contrato de locação com a cessação dos poderes legais de administração – 122.º ex-vi 1732.º ss. 138.  Regime de Separação OU Comunhão de Adquiridos POSTERIOR ao contrato de arrendamento -> NÃO SE COMUNICA o direito do arrendatário (1735. interditos e inabilitados – será o representante legal que poderá celebrar os respectivos contrato. Assim.  O maior de 16 anos. assim:  Regime Comunhão Geral OU Comunhão de Adquiridos ANTERIOR ao contrato de arrendamento -> o direito do arrendatário COMUNICA-SE ao outro cônjuge “nos termos gerais (a contrario no 1733.COMUNICABILIDADE (1068. 22 .º e 1106. o arrendamento. correntes).º CCiv (e de que falaremos mais tarde).º CCiv) ou de duração indeterminada (1099.º ss.º CCiv)  Todos os que podem contratar e administrar os seus bens (no caso dos incapazes – menores. Apesar se não haver lugar à comunicabilidade. 1051.º/1 CCiv). quando o imóvel for adquirido com o produto do seu trabalho (127.º ss. sempre que for celebrada por prazo inferior a 6 anos e.  Superior a 6 anos (1095. nos termos do 1105. só poderão ser celebrados nessa qualidade por pessoas com capacidade para a prática desses actos.º ss.º/1/a) CCiv). constitui um acto de administração ordinária. e 1110.º CCIV) O direito de arrendatário será comunicável ao cônjuge nos termos gerais e de acordo com o regime de bens vigente.º/2 e 1110. Tal disposição aplica-se ao arrendamento urbano. ainda que superior a 6 anos ou por duração indeterminada.º/b) CCiv). a contrario.º e 1724. CAPACIDADE (tutela os interesses do contratante) A locação constitui para o locador um acto de administração ordinária (de importância patrimonial e risco económico negligenciáveis.  Arrendatário -> para este. Pessoas singulares: Têm capacidade para celebrar contratos de arrendamento com duração:  Até 6 anos com prazo certo (1095.º CCiv)  Senhorios -> uma vez que se trata de acto de administração extraordinária.º/1/a) CCiv).º e 1722. 152.

Uma vez que o arrendamento para habitação é atributo próprio de pessoas singulares. OU  Se o negócio excluir por sua natureza a possibilidade de um conflito de interesses. 1935. LEGITIMIDADE (tutela os interesses de terceiros) Legitimidade para dar de arrendamento  Contratos de Arrendamento celebrados por prazo superior a 6 anos ou com duração indeterminada  Proprietário (1305.º/1/b) CCiv).º/2 e 1112. se se encontrar autorizado a subarrendar o prédio. Arrendatário. fazê-lo a favor de terceiro. Porém.º CCiv).º. 23 . Questão: Pode o representante dar de arrendamento ao seu cônjuge? Já não se aplicam as regras do negócio consigo mesmo pois está em causa o cônjuge. mas entende-se que também este negócio é anulável pois na opinião da doutrina deve aplicar-se aqui analogicamente o 281. tutores.  Pais.º.º/1 CCiv).º. curadores ou administradores de bens de menores interditos ou inabilitados (a contrario 1889.º/1 CCiv – transmissão da posição do locatário). Procurador com poderes especiais para o acto.º/1 CCiv).º CCiv).º/1 CCiv).º/1/a) CCiv).º CCiv). também estas têm capacidade jurídica excepto quanto àquilo que é indissociável da pessoa singular (1051. existem Excepções:  Se o representado tiver especificamente consentido na celebração.º 154. 1109. 2087.Pessoas colectivas Quanto às pessoas colectivas (160. 139. acima referidos. 1938. + Importantes  Usufrutuário (1444.  Consignatário de rendimentos (661.º/f).  Cabeça-de-Casal (2079.º e 110.  Curadores provisórios ou definitivos do ausente (94.º CCiv). 1059. o representante não pode dar de arrendamento a si próprio pois o negócio consigo mesmo é anulável (261. total ou parcialmente (1038.  Contratos de Arrendamento celebrados por prazo inferior a 6 meses  Qualquer das pessoas com poderes para celebrar arrendamento pelo prazo superior a 6 anos ou com duração indeterminada.  Mandatário com poderes gerais de administração (1159.     Fiduciário (2290. Pais ou tutores.º/1/m).º CCiv). poderá. com autorização do tribunal (1889.º/1 CCiv).º CCiv).º/d) – casos de caducidade.º CCiv. 1971.º/m). não está a pessoa colectiva em condições de exercer os correspondentes direito. Questão: Pode um representante dar de arrendamento a si próprio? Em princípio não. no entanto.

Isto significa que.º/2.   Administradores de sociedades e outras pessoas colectivas.º/h) CCiv). 1682.º. Assim. prevalecerá o direito daquele que houver registado primeiro (6.º. onde se estabelece a habitação própria permanente da família nuclear. ainda que depois não possa isoladamente dispor dele se o arrendamento se comunicar ao outro cônjuge (1068. Mas.º/1 CRPredial). sem prejuízo das regras próprias do registo (407. uma vez que este pode denunciar o contrato uma vez atinja a maioridade. para assegurar habitação ao pupilo ou tal se mostre necessário à administração do património deste (1938. que em princípio não está sujeita a forma especial (princípio da liberdade de forma – 219.º-A/1/a) CCiv).º CCiv).  Tutor.º/1. só poderá ser aplicada no caso de os dois contratos terem duração superior a seis anos. independentemente do regime (1682.º-A/2 CCiv).º CCiv)  Pais em representação do menor (“a contrario” 1889. sem necessidade do consentimento do outro (1690. 424.º/1 CCiv). De acordo com o 2. Depositário judicial de bens penhorados. 406. O Contrato de Arrendamento – OPONIBILIDADE A TERCEIROS Quando por contratos sucessivos. caso contrário não faria sentido.7. dos comproprietários (1024. por escrito. 24 . 2. se o prazo convencionado de qualquer um dos contratos ou de ambos os contratos for inferior a seis anos. 1024. 2.º/1/d). 1971.º/2 CPC).º CIRE).º/2 CCiv). sobre a mesma coisa. Administrador da Insolvência (55. 94.º/1/b) CCiv). arrestados ou consignados em depósito (843. quando o regime não é o de separação de bens (1682. arrolados.º/5. impor-se-á o que haja sido celebrado primeiro. se constituírem.º/1/m) do CRPredial apenas estão sujeitos a registo os arrendamentos cuja duração se fixe em mais de seis anos.6. Cônjuges -> carece do consentimento de ambos os cônjuges: a) O arrendamento de bens imóveis próprios ou comuns. administrador de bens ou curador. tal regra. o contrato de arrendamento urbano está sujeito a forma escrita. O Contrato de Arrendamento – forma Diferentemente do que sucede com a locação em geral.  Casos Especiais: Compropriedade -> exige consentimento. direitos pessoais de gozo incompatíveis. prevalece o direito mais antigo em data. “Casa de morada da família” -> edifício incorporado no solo.º CCiv). no caso de o senhorio haver arrendado o mesmo imóvel a mais do que um arrendatário.º CCiv).º-B CCiv) (o pagamento das rendas é da responsabilidade de ambos os cônjuges – 1691. Legitimidade para tomar de arrendamento  Mandatário com poderes gerais de administração (1159. a favor de pessoas diferentes. b) o arrendamento da casa de morada de família.  Qualquer dos cônjuges.

contraria a boa-fé e é desconforme com os bons costumes. quando isso lhe era exigível (“Casos Especiais”) -> anulabilidade.  Ilegitimidade negocial: Do cônjuge -> um dos cônjuges presta arrendamento sem o consentimento do outro.º/2 CCiv) -> nulidade atípica.  Padeça de vício de vontade (culpa na formação. embora não a tenha provocado participou na sua prática (actuações ingénua.  Haja incapacidade de exercício de direitos (menoridade. Do consorte -> quando o consorte administrador presta arrendamento sem consentimento dos outros (1024. A falta de forma não pode ser suprida através de exibição de recibo de renda. recuperando a sua liberdade. que frustra a expectativa da outra parte.º) -> nulidade (220. constitui um comportamento contraditório.º.º/1. como “ venire contra factum proprium”: num primeiro tempo o agente daria azo a uma nulidade formal. oportunista e contraditória).º/1/a) CCiv) -> anulabilidade (1893. pode ocorrer uma inalegabilidade formal. CCiv) Verificada uma situação de invalidade.º CCiv).  Ocorra violação dos limites legais relativos ao objecto e fim negocial (280. que só pode ser invocada pelos outros consortes.º CCiv). invocaria a nulidade. interdição) -> anulabilidade. mas não está sujeita a prazo e é susceptível de sanação através de confirmação (288.  Perde o direito a receber a renda (devendo restituir aquelas que haja recebido). bem.º CCiv) -> nulidade.A falta de forma escrita determina a nulidade do contrato de arrendamento urbano (220. A jurisprudência tem entendido que nesta situação o contrato é ineficaz em relação aos outros consortes. A inalegabilidade formal Este tipo de abuso de direito consiste na invocação da invalidade formal de um negócio pela parte que provocou intencionalmente a ocorrência do vício de que decorre (actuação dolosa) ou que. simulação (…) (240. No entanto. nestas circunstâncias. A invocação do vício formal. erro sobre os motivos.º CCiv). inabilitação.INVALIDADE A invalidade do contrato de arrendamento urbano. pode ocorrer sempre que:  Não seja celebrado pela forma legalmente exigida (1069.º/1/m) e 1938. 2. prevalecendo-se do negócio (nulo) assim mantido enquanto lhe conviesse. terá as seguintes consequências: Para o senhorio:  Deixa de ser obrigado a assegurar o gozo do imóvel. Haveria uma grosseira violação da confiança com a qual o sistema não poderia pactuar. 25 .8.  Seja celebrado contra disposição de carácter imperativo (294. O Contrato de Arrendamento . na melhor (ou pior) altura. o que consubstanciaria abuso de direito. Dos pais/tutores -> na locação de bens por duração superior a 6 anos (1889. A anulabilidade pode ser arguida pelo cônjuge/seu herdeiro no prazo de 6 meses a contar do conhecimento (1687.º/1 CCiv).º ss.º CCiv) -> nulidade.º/1 e 2 CCiv). confiante. 281. 1940. Este caso tem sido tratado em numerosas decisões judiciais que o qualificam.

OBRIGAÇÕES DO SENHORIO Obrigações do Senhorio . “Entrega” -> todo o acto com idoneidade para “pôr à disposição” do arrendatário o gozo da coisa arrendada. salvo estipulação das partes em sentido diverso (“princípio da autonomia da vontade”). podendo o arrendatário exigila a “todo o tempo”. designadamente por este não ter aceite celebrar o arrendamento pela forma legalmente exigível (“A inalegabilidade formal”) 2. MAS JÁ NÃO  Acção de despejo. será a de fazer a entrega do prédio arrendado ao arrendatário.º/2/a) CCiv). Lugar: A tradição material do imóvel.º CCiv).º/1 CCiv). Caso a invalidade do arrendamento ser imputável ao senhorio. a primeira e fundamental obrigação do senhorio.A ENTREGA Sendo a locação o contrato pelo qual uma das partes se obriga a “proporcionar à outra o gozo temporário de uma coisa”. Tempo de entrega: Havendo prazo estipulado. habilitando-o assim a gozá-lo (1031. será aplicável o disposto no 777.º CCiv). entregando-lhe aí as chaves de entrada. por efeito da invalidade do contrato. cumprir-se-á esse prazo (805.º NRAU). o senhorio terá de intentar:  Acção de invalidade e consequente restituição do imóvel (285. deverá realizar-se no lugar onde se encontra o imóvel.º/a). pode esta ser exigida judicialmente (817.1.º CCiv.9. assim como o senhorio poderá “a todo tempo” proceder à entrega. Caso haja incumprimento da obrigação de entrega. no caso de o senhorio ser proprietário do imóvel (1311. no arrendamento urbano. inexiste) (14.  Tradição Simbólica -> o senhorio entrega as chaves da casa arrendada ao locatário.º CCiv). Efeitos do Contrato 2. uma vez que esta destina-se a fazer cessar a situação jurídica do arrendamento (que no caso.  Entrega indirecta/mediata -> entrega feita por terceiro. por força da natureza das coisas.9. 1022. nada havendo sido estipulado. Efeitos do Contrato . Para obter a restituição do imóvel.º CCiv). OU  Acção de reivindicação.Para o arrendatário:  Deverá restituir o valor correspondente ao gozo locativo do imóvel (289. sendo aplicáveis as regras da excepção de não cumprimento do contrato (290.º CCiv). As duas obrigações de restituição devem ser cumpridas simultaneamente (o que basicamente redundará em nada…). A entrega pode ser feita por:  Tradição Material -> o senhorio leva pessoalmente o arrendatário à intimidade da casa arrendada. 26 .

como acontece nos casos da cláusula de “arrendamento de imóvel no estado em que se encontra”. significando que perderá as benfeitorias voluptuárias. embora se preveja supletivamente que é sobre o senhorio que recai o dever de realizar obras. Essas prestações compreendem despesas a cargo do senhorio a fim de assegurar ao arrendatário o gozo da coisa (1031. cabe ao senhorio a obrigação consequente de realizar as prestações necessárias ao cabal exercício desse gozo. encargos tributários) (1030. mas inclui prestações positivas (comportamentos activos por parte do senhorio) pontuais ou específicas para que se possa materializar o gozo da coisa pelo locatário. igualmente. não se resume a não perturbar o uso ou fruição do locatário.º/3 CCiv) das: o Obras urgentes que não se compadeçam com delongas do procedimento judicial.º/1 CCiv). Fundamento de resolução No caso de as obras estarem a cargo do senhorio. quando não se compadeça com dilação alguma) e contanto avise o senhorio ao mesmo tempo.Obrigações do Senhorio .º/1. por via da sua ilicitude. salvo quando estas. nos termos contratuais. direito ao seu reembolso (1036. o que se justifica. 27 . Assim. a sua não realização constitui fundamento de resolução do contrato pelo arrendatário (1083. 1074. para os fins a que ele se destina e em conformidade com a legislação urbanística aplicável (1074.º/2 CCiv).º 2). uma vez que o valor da renda pode ser convencionado em função dessa obrigação. o arrendatário só poderá efectuar obras no prédio se obtiver autorização escrita do senhorio ou quando o contrato o permita (n.º/2 CCiv)  o o Nos restantes casos. MAS SÓ para arrendamentos para fins não habitacionais (1111.º/1. admite-se estipulação em contrário.º/b) CCiv) e podem dividir-se em duas classes:  Os encargos -> despesas necessárias para o imóvel locado continuar a realizar a sua função (aquelas que decorrem do funcionamento da coisa) (ex: despesas de condomínio. tendo. As benfeitorias -> todas as despesas de conservação do imóvel. em relação a elas.º/1 CCiv). Com EXCEPÇÃO (1036. 1111.º/1 CCiv).º/3 e 4 CCiv). equiparado ao possuidor de má-fé (1046.º/2.º e 1078. não as podendo sequer levantar (1275. o arrendatário ficará. tendo. Obras urgentíssimas (ié. por força de estipulação no contrato. Assim. 1074.PROPORCIONAR O GOZO (prestação positiva) Além da entrega. Obras exigidas por lei ou requeridas pelo fim do contrato.º CCiv).º ex-vi 1074. A obrigação a que o locador está adstrito. corram por conta do arrendatário.º/3 e 4 CCiv). e que não tenham sido levadas a cabo pelo senhorio em tempo útil. direito ao seu reembolso (1036. o arrendatário.

º CCiv).  Realojamento do arrendatário por período não inferior a 2 anos em condições análogas às que ele detinha (quer quanto ao local.º/2/c) RJOPA). ou a proceder à sua realização coerciva (89. MENEZES LEITÃO entende que não está excluída a possibilidade de o arrendatário solicitar a intimação do senhorio à realização das obras (89.º/2/a) RJOPA). o arrendatário possa utilizar a excepção de não cumprimento do contrato para se recusar a pagar a renda. sem culpa. mas por culpa sua (1032.º 3). com excepção das demolições:  Ordenadas nos termos do 89.º/1/a) RJOPA). 33-42).º/1/proémio RJOPA) junto do arrendatário. Excepção de não cumprimento Não parece que.º 3). A denúncia obriga o senhorio a indemnizar o arrendatário ou a garantir o seu realojamento (ver tópico anterior. 2. excepto quando a necessidade de demolição resultar de acção/omissão do proprietário (n. a lei permite ao senhorio a realização de obras de remodelação ou restauro profundo. Obras de demolição do prédio urbano O senhorio pode denunciar o contrato quando pretenda efectuar a demolição do imóvel (1101. o desconhecia. no entanto. enquanto se mantiver o gozo do imóvel. apenas podendo efectuar a redução da renda na medida proporcional à privação ou diminuição do gozo (1040. podendo o município intimar aquele a fazer obras. do momento da entrega e o locador não provar que. aplica-se supletivamente a primeira solução (6.º/1/b). Apesar do RJOPA ter deixado de fazer referência a qualquer requerimento do arrendatário. Solicitação ao Município pela intimação do senhorio à realização de obras Quando a legislação urbanística aplicável imponha a realização de obras. Obras de remodelação ou restauro profundo do prédio urbano Sempre que o estado do prédio o justifique.º/3 RJUE ou 57. entre:  Pagamento de indemnização correspondente a um ano de renda (6.º/2 RJUE). Colectânea de Jurisprudência -ASTJ 14 (2006).Garantia contra os vícios O cumprimento do contrato de arrendamento por parte do locador impõe que se encontre a coisa locada isenta de vício que lhe não permita realizar cabalmente o fim a que se destina.º CCiv) (Ac STJ 4/4/2006. excepto quando ordem de demolição resultar de acção/omissão culposa do proprietário (n. considerar certos casos como abuso de direito 28 .º/b) CCiv). Ocorrendo vício impeditivo da cabal realização do fim.º RJUE). 3 a 5 RJOPA). esse dever recairá sobre o senhorio e não sobre o arrendatário. ou. que obrigam à desocupação do locado (4. considera-se o contrato não cumprido.  Decorrentes do plano de pormenor de reabilitação urbana (7.º RJRU por força do 6.º/1 RJOPA).º RJRU (7. em consequência da não realização das obras. É possível. se o defeito datar. pp.º/2 RJOPA). (tratando-se de obra realizada no âmbito do regime de reabilitação urbana.º/6 RJOPA). A denúncia do contrato com tais fundamentos obriga a obtenção de acordo (6. 7. aplica-se o 73. Na falta de acordo. pelo menos.º/2/b) RJOPA). a atestar pelo município (7.  Por força da degradação do prédio.º/1 RJOPA). ou mesmo se surgir só após a entrega. quer quanto ao valor da renda e encargos) (6.

º/1 e 6.º/1 RJOPA):  Não seja possível o seu realojamento  Este não concorde com as condições oferecidas Para proceder às obras. deverá:  Assegurar os realojamento dos arrendatários existentes em condições idênticas quanto (15.º RJOPA). 17.º RJOPA). o arrendatário deve ser notificado para reocupar o local no prazo de 3 meses. Arrendamento não habitacional -> a entidade promotora pode limitar-se a indemnizar o arrendatário pelo valor de um ano de renda. Determinação da realização de obras pelo município e outras entidades O município/entidade gestora de operação de reabilitação urbana pode determinar a realização de obras coercivas nos prédios arrendados.º RJOPA).º/3 a 5 RJOPA): o Ao local.  Até ao período de um ano após a data da conclusão das obras (13. que envia ao senhorio por escrito. a entidade promotora deve elaborar previamente um orçamento. o arrendatário deve ser notificado com antecedência não inferior a 30 dias (16.º.º/2 RJOPA. A entidade promotora das obras coercivas pode (91. o Ao valor da renda. A obrigação do pagamento da renda pelo arrendatário mantém-se.º ss.º RJOPA). o Aos encargos. aquando da sua ocupação. não podendo ultrapassar o limite do orçamento enviado ao senhorio (14. caso (15.º RJOPA).º RJOPA). Caso não reocupe o locado o contrato caduca (17. 29 . 17.º RJUE):  Proceder ao despejo administrativo.  Ocupar o prédio (total ou parcialmente). proceder-se-á ao seu arrolamento (21.º e 107. A entidade promotora recupera os gastos realizados nas obras recebendo os depósitos de renda que o arrendatário é obrigado a efectuar (19. Para tal. 19. No caso de serem encontrados bens no local.  Afixação na sede da junta de freguesia.º NRAU) por:  Carta registada. NRAU). devendo este passar a depositá-la (15. salvo justo impedimento.º RJOPA.º/3 e 6.  Edital na porta da casa. o qual representa o valor máximo pelo qual este será responsável (14. Depois de concluídas as obras. caso as mesmas não sejam realizadas pelos senhorios (12.º CCiv).º/1 e 18.º RJOPA).por parte do arrendatário quando apresente tal requerimento em desconformidade com o convencionado com o senhorio (334. Antes da concretização do despejo administrativo.

1273. o valor) e as benfeitorias voluptuárias (as que. lhe aumentam. nos termos aplicáveis às benfeitorias realizadas por possuidor de boa-fé. uma vez que prevalece sobre a própria convenção em contrário.º e 1275. 1096.º/5.º/2 e 1074. Quando a entidade promotora se encontrar integralmente ressarcida. salário mínimo) Obrigações do Senhorio . mediante autorização escrita do senhorio (1074.  Terá direito a levantar as benfeitorias úteis (as que. avaliado nos termos do CIMI (35.º/2 RJOPA).º/2/a) e b) NRAU.º/1 CCiv). notifica o arrendatário no prazo de 10 dias.º/3 e 4 CCiv). com o fundamento em necessidade de habitação própria ou dos seus descendentes em 1. pode ser-lhe atribuído 50% dos depósitos (18.º/a) CCiv).º CCiv). cedendo apenas nos casos previstos na lei. acresce uma obrigação negativa: a de não praticar actos impeditivos desse gozo ou susceptíveis de o diminuírem ou afectarem.º/3 e 4 CCiv).º/1 e 1074. 30 . servem apenas para recreio do benfeitorizante). Esta é uma obrigação de carácter imperativa (1037. A renda a praticar corresponde a 1/15 do valor do locado.º/1 e 2 RJOPA. contanto o possa fazer sem detrimento do prédio ou fracção arrendada.º grau -> indemnização correspondente a 1 ano de renda (1101. Entende-se por: RABC – Rendimento Anual Bruto Corrigido (a correcção é feita nos termos do DL 266-C/2012) RMNA – Retribuição Mínima Nacional Anual (vulgo. Obrigações do Senhorio . não sendo indispensáveis à conservação da coisa. não sendo indispensáveis à conservação nem aumentando o valor da coisa.A COMPENSAÇÃO/INDEMNIZAÇÃO Certos factos durante o cumprimento do contrato ou por causa da sua cessação impõem ao senhorio uma obrigação de: Compensação: o Por reparações e outras despesas urgentes (1036. 20. todavia.º CCiv). ou seja:  Terá direito a ser indemnizados das benfeitorias necessárias (as que têm por fim evitar a perda. a fim de ser reembolsado das obras realizadas (20.Caso o senhorio demonstre que as rendas são indispensáveis para o sustento do seu agregado familiar/sustentabilidade económica da pessoa colectiva.º/3 RJOPA). o Por reparações urgentíssimas (1036. pelos usos ou pelo consentimento pontual do locatário. o Por obras do arrendatário. da cessação do dever de depositar a renda (19. destruição ou deterioração da coisa). Caso existam fogos devolutos (não arrendados) no prédio reabilitado. Indemnização: o Por denúncia justificada dos contratos de duração indeterminada. o município pode arrendá-los (por concurso público.NÃO IMPEDIR O GOZO (prestação negativa) Além da obrigação positiva de manutenção do gozo da coisa. por prazo de 2 anos renováveis).º/2 RJOPA).

nos 1075. Para o arrendamento urbano e salvo disposição em contrário. 1410.º CCiv (1091.º/a) CCiv exprime-se como a primeira das obrigações do locatário a de “pagar a renda ou o aluguer”. Não correspondendo as rendas com os meses do calendário gregoriano. com fundamento em demolição ou realização de obras de remodelação ou restauro profundos (1101. com as seguintes opções alternativas:  Indemnização correspondente a 1 ano de renda. 2. especificamente para o arrendamento urbano. Obrigações do Arrendatário – PAGAMENTO DA RENDA No 1038.  Celebração de novo contrato de arrendamento. OU  Garantir o realojamento do arrendatário em condições análogas às que este já detinha.º/3 e 4 CCiv). 550.º CCiv).º/1. Efeitos do Contrato . Diz-se renda.º/1/b) CCiv).º a 558.º/2. periódica ou única.º CCiv. a prestação patrimonial. em dinheiro. se as rendas tiverem sido estipuladas em correspondência com os meses do calendário gregoriano. podendo estipular-se uma antecipação superior.º/2 CCiv. mantendo-se a obrigação de preferência enquanto não for exigível a restituição do prédio (1091.Obrigações do Arrendatário Analisadas as obrigações legais do senhorio.º/1 CCiv). Esta regra é supletiva.9. Obrigações do Senhorio – OBRIGAÇÃO DE PREFERÊNCIA O senhorio deve dar preferência ao arrendatário na:  Compra e venda ou dação em cumprimento do prédio arrendado há mais de 3 anos (1091.ºb) e 1 CCiv). A disciplina desta obrigação do locatário encontra-se nos art.º CCiv.º.º CCiv). a que se obriga o arrendatário em contrapartida do gozo do imóvel. estabeleceu-se que a renda corresponde a uma prestação pecuniária periódica (1075.º CCiv e. a primeira vencer-seá no momento da celebração do contrato e cada uma das restantes no primeiro dia útil do mês imediatamente a anterior àquele a que diga respeito (1075. 1053. 31 . No arrendamento urbano. em tema de arrendamento.2. em caso de caducidade do seu contrato do arrendatário (1091.ºs 416.º a 1042. Momento/tempo O momento do pagamento da renda é disciplinado pelo 1039. mas nunca superior a 3 meses (1076. espécie ou constituindo uma quota de frutos.ºs 1039. aplicar-se-á o disposto no 1039. complementando-se pelo 1075.º/1 CCiv.º/2 CCiv).º/1/a) CCiv). O direito de preferência do arrendatário é graduado imediatamente acima do direito de preferência conferido ao proprietário solo e sujeito ao regime geral dos art.o Por denúncia justificada dos contratos de duração indeterminada. devendo a renda ser paga no último dia do período a que respeita.º a 1077.º a 418. cabe agora passar àquelas em que fica constituído o arrendatário.

A consignação em depósito não é uma obrigação do arrendatário (841. caso não seja efectuado o pagamento da renda. o arrendatário poderá consignar em depósito a renda não recebida (813. tal se deveu ao facto de o senhorio não ter ido nem ter mandado receber a prestação no dia do vencimento (1039. bimensais. 841. não necessita interpor acção judicial.º/2 CCiv e 17. presumindo-se que. deve ser feito no domicílio do arrendatário. tal faculdade assenta no “princípio da liberdade contratual” e aplicação “a contrario” do Regime da Locação. e remetido por carta registada com aviso de recepção (19.º/1 CCiv). 297. bastando comunicação do senhorio (9. no entanto o arrendatário por fim à mora no prazo de 1 mês (1084. o senhorio tem o direito de exigir. a junção do(s) duplicado(s) do(s) depósito(s) à contestação em processo judicial instaurado pelo senhorio. semestrais e anuais). pretendendo o senhorio cobrar as rendas em dívida. por falta de pagamento de rendas .º/2 NRAU). Se. devendo comunicar ao senhorio por escrito assinado pelo declarante. 1084. salvo se o contrato for resolvido com base na falta de pagamento (1041. o arrendatário proceder ao depósito das rendas e o senhorio decidir impugnar tal depósito.º-A NRAU).º e 279.º/3 CCiv).É legítima a correspondência convencional das rendas a períodos diferentes do mês (rendas semanais.º e 1042.º CCiv. No entanto. aplicando-se.º ss. faculdade que só pode exercer uma vez com referência a cada contrato (n.ºs 1041. pode ocorrer quando:  A mora do arrendatário for igual ou superior a dois meses (1083. Lugar Não havendo estipulação ou usos em contrário. 32 . terá de instaurar acção de despejo (21. trimestrais. A mora constitui fundamento de resolução do contrato.º/d) CCiv).º 4). A mora Para a mora no pagamento da renda é aplicável a disciplina geral da locação.º/2 NRAU).º/2 CCiv) Cláusula penal moratória É possível estabelecer uma cláusula penal moratória no contrato de arrendamento. uma indemnização equivalente a 50% do que for devido.º/2 CCiv).º/2. podendo o arrendatário fazer cessar a mora.º CCiv.º/2 CCiv).º 1042. a regra do 1039.19. contida nos art.º/1 NRAU) (produz o efeito da comunicação. 842. Caso o atraso do arrendatário exceda os oito dias subsequentes ao vencimento. Recusando-se o senhorio a receber a renda. pelo senhorio.º/1 e 9.º/3 CCiv).º/7 NRAU. Resolução de contrato com base na falta de pagamento da renda A resolução do contrato com base na falta de pagamento da renda.º.º. além do valor correspondente à renda ajustada. realizando o pagamento da renda vencida dentro dos oito dias subsequentes ao vencimento (1041. no entanto. pode. NRAU ). na falta de cláusula acerca do vencimento. dado que a lei (até ver…) considera título executivo o próprio contrato de arrendamento quando acompanhado do comprovativo de comunicação ao arrendatário do montante da dívida (14.

A fiança prestada mantém-se durante todo o período de vigência do arrendamento.º/1 CCiv). Obrigações do Arrendatário – EVENTUAL PAGAMENTO DE ENCARGOS E DESPESAS DO IMÓVEL A lei prevê que o regime dos encargos e despesas seja estipulado (por escrito) pelas partes (1078.. acordar o pagamento de uma quantia fixa mensal a pagar por conta dos encargos/despesas. A forma mais comum de garantia de pagamento das obrigações do arrendatário é a fiança. 3. podendo. sendo admissível a convenção de rendas escalonadas (incremento no valor da renda ao longo da vigência do contrato – ex: 1. o fiador não se pode opor à execução dos seus bens para pagamento da dívida afiançada ainda que não estejam esgotados os bens do devedor susceptíveis de penhora…. o seu montante pode ser objecto de alteração. inclusive. 49 ss. O arrendatário se constitua em mora superior a oito dias.º/1 CCiv). com renúncia do fiador ao benefício da excussão prévia (ié. num período de 12 meses.).º ano: € 400. com referência a cada contrato (1083. com acertos semestrais (n. podendo a primeira actualização ser exigida após um ano de vigência do contrato e as seguintes sucessivamente.º/4 CCiv). incluindo as suas renovações (!!!).º/1 CCiv). Fianças – pág.  Actualização anual da renda. no pagamento da renda. JANUÁRIO GOMES / contra: GALVÃO TELLES).º 7) Caso as partes nada estipulem.).º/1 e 2 NRAU). Dr. 62 ss. pela:  Actualização da renda por estipulação das partes (1077.º ano: € 200. Para efeitos de actualização o senhorio deve comunicar. podendo as partes convencionar que o fiador apenas se obriga pelo período inicial de duração do contrato (excluindo as renovações) ou que a fiança se extinga logo que ocorra qualquer alteração da renda. há que pensar duas vezes antes de…). a lei já não concede ao arrendatário a possibilidade de sanar a situação (n.portanto.º/2 CCiv e 24. Garantias do pagamento da renda As partes podem caucionar. por escrito e com a antecedência mínima de 30 dias.º ss NRAU). sendo aplicável a essa determinação os critérios do 883. o coeficiente de actualização e a nova renda dele resultante (1077.º/2/c) CCiv. aplica-se o regime supletivo (1078. um ano após a actualização anterior (1077.º 4 in fine). Nesta situação. por mais de quatro vezes.º ano: € 300. Uma vez fixada a renda.ª Cátia Cebola – pág. o cumprimento das obrigações respectivas (1076. como segue: 33 .º/2 a 6 CCiv).º/2. A obrigação de pagamento da renda pode assim. de acordo com os coeficientes de actualização vigentes (1077. no momento da celebração do contrato. A renda apurada é arredondada para a unidade de cêntimo imediatamente superior (25. ser objecto de qualquer garantia que as partes venham a estipular para a hipótese de incumprimento do arrendatário. Fixação da renda A renda não tem que estar determinada. bastando que seja determinável. 9.º ex-vi 939.º/2/b) CCiv). 2. 624. por qualquer das formas legalmente previstas (sobre garantias gerais e especiais ver Sebenta de Obrigações II da Prof... PINTO LOUREIRO.º NRAU).º CCiv (a questão é controvertida -> a favor: MENEZES LEITÃO. nos termos gerais. seguidas ou interpoladas.

º 2). 1083. Os encargos devem ser contratados no nome do responsável pelo pagamento (n. e eventualmente suprir deficiências ou exigir responsabilidade pelos danos.º ss.º 4) o Excepção: caso o arrendatário seja responsável por um encargo/despesa contratado em nome do senhorio:  O Senhorio deve apresentar o comprovativo de pagamento ao arrendatário. Obrigações do Arrendatário .º/7 NRAU.º/d) CCiv) e de comunicação ao senhorio de quaisquer vícios da coisa. sob pena de o senhorio poder resolver o contrato (1072.º/1. mediante comunicação ao arrendatário (1084.º/3).º/b) CCiv impõe ao locatário a obrigação de facultar o exame da coisa locada. exceptuam-se da ilicitude os seguintes casos (1072.  Da ausência for devida ao cumprimento de deveres militares/profissionais. ameaça de perigo ou de arrogação de direitos sobre a coisa por parte de terceiros (1038. O exame visa permitir ao senhorio controlar o bom estado do imóvel.º/2 CCiv). do cônjuge ou do unido de facto. aparentemente à remissão para a situação de mora do credor (813. No entanto. nos termos do 9.º 6). o arrendatário fica investido num dever jurídico de guarda ou custódia e de manutenção ou conservação do locado.  A obrigação vence-se no final do mês seguinte ao da comunicação do senhorio (n.  Da ausência devida a prestação de apoios continuados a pessoas com deficiência com grau de incapacidade superior a 60%.º/2/d) CCiv). não podendo perdurar mais de dois anos. Podendo o arrendatário pôr fim à mora no prazo de 1 mês (1084.  O arrendatário cumpre a obrigação simultaneamente com o pagamento da renda subsequente (n. causados.º 6). CCiv)]. este exame 34 . deveres estes que emergem das obrigações de utilização prudente (1038.º/h) CCiv). o senhorio poderá resolver o contrato (1083.º/2 in fine):  De força maior ou de doença. no prazo de 1 mês (n.   Encargos e despesas correntes respeitantes a fornecimento de bens e serviços (água/luz…) -> são por conta do arrendatário (n. faculdade que só pode exercer uma vez com referência a cada contrato (n.º 4) Obrigações do Arrendatário – USAR EFECTIVAMENTE O IMÓVEL O arrendatário urbano deve usar efectivamente o imóvel para o fim do contrato.MANUTENÇÃO DO PRÉDIO Ao receber a coisa locada. Mora Caso o arrendatário entre em mora no pagamento dos encargos/despesas por prazo superior a 2 meses. Obrigações do Arrendatário – EXAME DO PRÉDIO O 1038.º 5) [a lei não esclarece quais as consequências no caso do senhorio ultrapassar o mês. incluindo a familiares. 1083.  De a utilização for mantida por quem tenha o direito de usar o locado e quando o faça há mais de um ano. Despesas de condomínio -> são por conta do senhorio (nº 3).º/3 CCiv).º/2. a este. não deixando de o utilizar por mais de um ano.

através da resolução do contrato. designadamente. Pluralidade de fins Neste caso há que distinguir duas situações: 1.º/2/c) CCiv). pelo contrato ou por disposição da lei. mas alarga-se ainda ao dever que ocorre de mostrar a casa a quem pretenda recebê-la em arrendamento. perturbando o gozo do arrendatário.º/3 e 4 CCiv).º CCiv).º CCiv). CCiv) como nas relações entre arrendatários de partes de uma mesma coisa (1422.º/3 CCiv). A violação desta obrigação dá ao senhorio fundamento para resolução do contrato (1083. se destina o prédio arrendado (1038. Obrigações do Arrendatário – RESPEITAR AS LIMITAÇÕES IMPOSTAS AOS PROPRIETÁRIOS Os arrendatários estão sujeitos às limitações impostas aos proprietários de coisas imóveis. torne inexigível à outra parte a manutenção do arrendamento (1083.º ss. o senhorio tem direito de indemnização pelos danos causados. A imposição não se limita ao exame do senhorio. Em caso de incumprimento. O primeiro pela actuação em desrespeito dos limites à propriedade imobiliária (483.º/1 e 2 CCiv) – Teoria da Combinação 35 . constituindo.º CCiv). no entanto.º CCiv). Obrigações do Arrendatário – NÃO APLICAÇÃO PARA FIM DIVERSO A utilização do arrendatário. se esse incumprimento.º ss. o segundo pela omissão em não impedir essa actividade do arrendatário (486. Admitem-se. se o não for (1067.ª Situação: Se não houver subordinação de uns fins aos outros (1028. quando o poderia fazer. Não havendo licença de utilização. fundamento de resolução (1083. ou como não habitacional. sendo a responsabilidade solidária e sendo o direito de regresso realizado na medida das respectivas culpas (497. pela sua gravidade ou consequências. são elas:  A pequena indústria doméstica (1092.º/2/a) CCiv). ambos respondem pelos danos a terceiro (490.tem de ser exercido em termos moderados.º/2 CCiv). Caso as partes não estipulem o fim do contrato de arrendamento? O local arrendado poderá ser usado no âmbito das suas aptidões.º/c) CCiv).º/1 CCiv). mesmo que prudente. o arrendamento vale como habitacional se o local for habitável. ainda. para um máximo de e hóspedes (1093. sob pena de constituir abuso de direito (334.º/1/b) CCiv).  A hospedagem. resultantes da licença de habitação. CCiv). Pluralidade de responsáveis Os outros proprietários ou condóminos poderão reagir contra o arrendatário e contra o senhorio. excepções. tanto nas relações de vizinhança (1346. findo o contrato com o arrendatário (1081.º CCiv). Assim. não poderá afastar-se do fim a que. A violação deste dever do arrendatário confere ao senhorio o direito à resolução do contrato.

º/d) CCiv (e. se esse incumprimento. ainda. A caracterização desta imprudência tem de fazer-se caso a caso. e vir a assumir. Exemplo: Se alguém arrendar simultaneamente duas fracções. todavia. uma para instalação de um restaurante e outra para servir de armazém aos produtos desse restaurante.Observar-se-á. pela sua gravidade ou consequências. torne inexigível à outra parte a manutenção do arrendamento (1083. ainda que se admita que a invalidade ou resolução de um dos elementos possa afectar igualmente o outro em caso de não ser possível a discriminação ou haver solidariedade dos diversos elementos entre si.º/3 CCiv) – Teoria da Absorção Sempre que exista um fim preponderante no arrendamento.1043. Exemplo: sobrepovoamento do prédio por familiares ou pessoas em economia comum em número tão elevado que constitua um uso imprudente que torne inexigível a manutenção pelo senhorio em tais condições. a invalidade ou resolução do arrendamento relativo ao restaurante afectará igualmente o arrendamento relativo ao armazém. será aplicado a todo o contrato o regime daquele. Naturalmente. Obrigações do Arrendatário – UTILIZAÇÃO IMPRUDENTE A obrigação do arrendatário de não fazer da coisa locada uma utilização imprudente está descrita no 1038. 1084. caso contrário haverá fundamento para resolução do contrato (1083. a lei presume a responsabilidade do arrendatário. na verdade. devido à solidariedade existente entre os dois. ou o caso da célebre caso francês da idosa que tinha quase tantos gatos como a Carla…27 ao todo!! Se ocorrer a destruição do imóvel ou se verificarem deteriorações no mesmo não correspondentes a uma prudente utilização.º CCiv).º/1 CCiv). a desvalorização resultante da sua vetustez (1073.º/e) CCiv). situar-se dentro do fim a que se destina o gozo do prédio ou fracção. este elidir a presunção demonstrando que não resultaram de causa que lhe seja imputável nem a terceiro a quem tenha permitido a utilização (1044. relativamente a cada um deles. 2. 36 . Obrigações do Arrendatário –TOLERAR REPARAÇÕES/OBRAS URGENTES Efectivamente pode haver necessidade de reparações urgentes para evitar a deterioração da coisa locada. sendo que por vezes a própria autoridade pública impõe essas reparações para evitar riscos maiores Nestes casos. o regime respectivo. A violação desta obrigação confere ao senhorio o direito à resolução do contrato.º/2 proémio.ª Situação: Se um dos fins for principal e os outro subordinados (1028.º/1 CCiv) A utilização por. designadamente.º CCiv). o arrendatário não é responsável pelos estragos que a acção do tempo causa ao imóvel.º/2 CCiv). podendo. terá o arrendatário de suportar essa perturbação do gozo da coisa em ordem a evitar maiores riscos para o prédio (1038. através de um prudente arbítrio do juiz. carácter imprudente. porém.

º a 1141. Em qualquer hipótese. Obrigações do Arrendatário – COMUNICAÇÃO DA CEDÊNCIA DO GOZO DO PRÉDIO O 1038. sublocação ou comodato. assim. 1049. desde que não haja autorização legal (ver quadro abaixo) ou convencional. O preceito enumera. 1032.º CCiv). quando permitida ou autorizada.º/2 proémio CCiv (1084.º/d). A comunicação não está sujeita a nenhum requisito especial de forma.º. A sua violação é considerada tão grave que a lei sanciona com a faculdade do senhorio pedir nesse caso ao tribunal a resolução do contrato.º CCiv (se. salvo se tiver reconhecido o beneficiário da cedência como tal (1083.º/4 CCiv considera inexigível ao senhorio a manutenção do arrendamento.º CCiv). A violação deste dever jurídico pode constituir fundamento de resolução do contrato de arrendamento urbano por parte do senhorio. Não cumprindo o arrendatário esta obrigação. nos termos do 1083.º/1 CCiv).º/2/e) CCiv). sempre que tenha conhecimento de vícios na coisa ou saiba que a ameaça algum perigo ou que terceiros se arrogam direitos em relação a ela (implica um dever de custódia mínimo). excepto se a lei o permitir ou o locador autorizar. a menos que este a tenha reconhecido.º/2/e). se o arrendatário. 1049. face ao carácter aberto da norma do 1083.º CCiv). 1083. não poderá a cedência ser oposta ao senhorio.  Sublocação (1060. Obrigações do Arrendatário – CONHECIMENTO DE VICIO/PERIGO QUE AMECE O PRÉDIO O 1038.º. (1061. mas releva para efeitos da (ir)responsabilidade do locador por vícios da coisa locada (1033. permitindo nesse caso a resolução por comunicação à outra parte. no prazo de um mês.º/1 CCiv). desde que o outro contraente consinta na transmissão – 424. pela sua gravidade. O prazo considera-se observado mesmo que venha o senhorio a ter conhecimento da comunicação só mais tarde. a cedência de gozo da coisa.º/f) CCiv impõe ao arrendatário a obrigação de não proporcionar a outrem o gozo total/parcial da coisa por meio de cessão onerosa/gratuita da sua posição jurídica. se houver oposição do arrendatário à realização de obra ordenada por autoridade pública. o arrendatário fica abrangido pela proibição. sendo que a violação de tal obrigação constituí fundamento para resolução.º/5 CCiv) Obrigações do Arrendatário – NÃO PROPROCIONAR A OUTREM O GOZO DO PRÉDIO O 1038.º/3.O 1083.  Comodato (1129. torne inexigível ao senhorio a manutenção do arrendamento). 1084. ainda que esta fique sem efeito. Estes três casos não esgotam as hipóteses em que está proibido o arrendamento urbano proporcionar o gozo do prédio a terceiro. cessar essa oposição (1083. 37 .º/g) CCiv estabelece que o locatário é obrigado a comunicar ao locador. diferente destas. 3 figuras de transmissão do gozo total/parcial:  Cessão da posição jurídica de locatário (qualquer das partes pode transmitir a terceiro a sua posição contratual.º a 1063. desde que o facto seja ignorado pelo locador. permitindo-lhe resolver o contrato.º/h) CCiv impõe ao locatário a obrigação de avisar imediatamente o locador.º CCiv). dentro de 15 dias.

130 e ss. Dr. O locatário responde pela perda ou da deterioração da coisa (não incluída no ponto anterior) salvo se resultarem de causa que lhe não seja imputável nem a terceiro.Obrigações do Arrendatário – RESTITUIR O PRÉDIO Estabelece o 1038.º 2).º/1 CCiv).º CCiv). no entanto.º CCiv). em caso de mora do arrendatário. EXCEPTO: o Acordo das partes -> exigível no momento por elas fixado.º a 1046. é apenas a partir da interpelação.º CCiv. devendo. que a obrigação se vence automaticamente.º/1 CCiv) e inversão do risco pela perda ou deterioração da coisa (807. assim:  O prédio deve ser restituído por ele. a faculdade de consignar em depósito o imóvel (841. a título de indemnização. essa.º CCiv). o Disposição legal -> como é o caso da resolução do contrato. com as respectivas consequências legais em termos de indemnização (804.º/i) CCiv que é obrigação do locatário restituir a coisa locada findo contrato.º/1 CCiv).º/1/b) CCiv). o senhorio: → Não terá o direito de reclamar a renda do arrendatário ou indemnização pelo atraso na restituição. obrigação. a renda que estava estipulada (1045.º/1. (ver Sebenta de Obrigações II – da Prof.ª Cátia Cebola – pág. for impedida por facto relativo ao senhorio. ressalvadas as deteriorações (ou estragos. → Deverá indemnizar as maiores despesas em que o arrendatário tenha incorrido pelo facto da restituição não ter ocorrido na data prevista (816. após a extinção do arrendamento. 805. A desocupação do locado é imediatamente exigível (1081. ainda. porém.º CCiv). Ser exigível não implica.º/1 CCiv) ou as que se destinem a assegurar o conforto ou comodidade.º/1 CCiv) e. do latim. Se o prédio não for restituído por qualquer causa. verifica-se uma situação de mora do credor (813. → O arrendatário tem. no estado em que foi recebido. a quem tenha permitido a utilização (1044. em que a desocupação do locado só é exigível passado um mês após a resolução (salvo disposição em contrário) (1087. que o arrendatário entra em mora quanto à restituição (777. Nessa situação.º CCiv) → Deverá suportar o risco por qualquer perda ou deterioração posterior do imóvel (814. deter = pior) inerentes a uma prudente utilização em conformidade com os fins do contrato (1043.    38 .º CCiv). a indemnização é elevada ao dobro (n. findo o contrato. que se regula pormenorizadamente nos artºs 1043. o arrendatário é obrigado a pagar ao senhorio.º/1 CCiv).)  Se a restituição do imóvel por parte do arrendatário. estas últimas ser reparadas (1073.

Garantia do Cumprimento das Obrigações de Arrendatário Para garantia do cumprimento das diferentes obrigações que impendem sobre o arrendatário. (ver o que foi dito debaixo do tópico Garantias do pagamento da renda) BOM ESTUDO!! BOA FREQUÊNCIA! REMETAM!!! 39 . pode ser-lhe exigido que preste fiança.