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MEMORIA E IDENT ADE
-
MinelPol MScu e VtAutri e
194, e mr em Pari e 1992. Rom
Frm for-se e swlgi e traa/
c par dCentre Natwnl d mRe­
chl Sciti -C.Se iress ac­
¢o volto d ii pra as rç entre
pli e cincis· sii M d su tese d
dltorad orikU pr Pi, e Bou e d­
f naÉck Pratied HautÉbem
1975, c-s a dæotr cams d
pqu�c0Úm para u rfi m
ria sbr o pm d innsl e
siloçes les. Entr ses úhw trabl
iclem-s u eh sbr mmsor­
vte dccd cocetraço publiad
sb o títl L'expience cncentationnaire: es­
Si sur le maintien d I'identité soiale (Pari
Ftwns Mel 19), e um pa sr
a Ai ( bomoexuels rc au SA.
Pollc estev n Brasi entr otro e d­
zmm d 197 c pr" vine d
CPD e dPPGA dMu NmlNa
oo cou etrevit sbre aAi a
AlaAlv dAbr eAi Cargpl­
cad em Qência Hoje, vL7 nR41 (ab.198).
Proferi tmb n CPL, a coferi
aqui transcri qv s smar a su wtíg
MMeri cin, sini", pad
e Ed" HIónc3(1989). Prest ams Ie
um mgep a est egran m­
uJcicis .sii n Fran.a.
SOCIAL
Michael Pollak
rtarei aqui do prblema da ligaço
entr memória e identidade social,
mais especificamente no âmbito dhistó­
ras de vida, ou daquilo que hoje, cmo
nova ár de pequisa, se chma de história
oral.
Ultimamente tem aparecido cero nú­
mero de publicçõs que dizem rpeito,
sob aspectos relativamente diferente, ora
ao problem da memória - e refiro-me
apns à abrdagem histórica - ora ao
problema da identidade.
Par falar apena da França, a úllima
obra de Femand Braudel foi prcisamnte
um livro sbre a identidade deste país.
Neste C¿é claro, predominava a preou­
pação com os conceitos de identidade e de
COlltrçãO, W longa duração, de uma
identidade nacionl. No que diz nito à
memória, pnso sobretudo no livro de
Pierre Nora, Les lieu d la mémoire, que
é uma tentativa de encontrar uma metoo­
loga para apreender, nos vestígio da m­
mória, aquilo que poe rlacion-lo, prin­
cipalmente, U no exclusivamente, cm
a memória plític. Finalmente, no caso
^oIoLÞOnlcwbca lOl¡nænUt mmMpr Monique Augr. A ediço ¢de ÏHom.
ZU¤w1uorum, Rio de Janeiro. VO!.ð,o 10,Iºº2,y. 2 ìIì.
wÓRI E IWAESL 201
das diveras psquisas de história orl, que
utilizm entrevists, sobretudo entrevistas
de história de vida, é óbvio que o que s
rcolhe são mem6rias individuais, ou, s
for o caso de entrevistas de grp, memó­
ria mais cletivas, e o problema aí é sbr
como interpretar C material.
Se lev8 em conta certo número de
conitos usdo fqüentemnte n histó­
m da Frnça - ms é claro que eu peria
me rferir a qualquer outr paí -, malgu­
O desigçs, atribuídas a detennin­
dos príoos, que aludem diretamente a
fato de mmória, muito m do que a
acntecmentos ou fatos histórics no tra­
balhdos por memórias. Por exemplo,
quando s fala nos "anos smbrio", par
designr a époa de Vichy, ou quando se
fala W"trnta gloroo", que so o trinta
&W psteriore a 195, C expn
rmetem mis a n de memória, ou
sj, a prcpçs da relidade, do que à
Cactulidade psitivista subjacente a tis
prepõ.
A priori, a memória parce sr um fe­
nômen individual, algo relativamente ín­
tim, próprio da Qa. Mas Mauric
Halbwacb, Danos 2(30,já hvia subli­
nado que a memória deve ser entendida
tambm, ou sobretudo, como um fenôme-
W cletivo e scial, ou seja, cmo um
fenmeno contrído coletivamente csub­
mtido a flutuaçõs, trnforaçõs, mu­
danas cntantes.
Se detaca)1 es cracterític flu­
tuante, mutável, da memória, tanto indivi­
duai quanto coletiva, devemos lembrar
também que n maioria das memórias
existem marcos ou ponto rlativamente
invariantes, imutáveis. Toos o que já re­
alizram entrevitas de história de vida
prcebem que no decrrer de uma entrevis­
mmuito longa, em que a ordem cronológi­
ca no está sndo necesramente obde­
cida, em que o entrevistado voltam vá­
rias vezs ao mesmos aconteimentos, m
Hs voltas a detcnnindos príoos da
vida, ou a ceros fatos, algo de invariante.
É como se, numa história de vida indivi­
dual - O u acntece igualmente em
memórias cntrídas cletivamnte -
houvess elemnto irdutíveis, em que o
trbalho de solidificação da memória foi
tão importante que impsibilitou a oor­
rncia de mudançs. Em cero sntido, de­
tennindo númro de elemnto tomam-se
realidade, pasam a Caur parte da prpria
essência da ps, muito embr outros
tantos acontecimento e fato pos am se
moificar em funço do interloutores, ou
em funço do movimento da fala.
Quais são, prnto, OS elemento con­
titutivos da memória, individul ou cleti­
va? Em primeiro lugar, so o aconeci­
menos vividos Q liLnte. Em sgun­
do lugar, so O acntecimentos que eu
chmara de "vivido pr tabela", ou sja,
acontecmento vivido plo grp ou pla
coletividade à qul a pes a s snte pr­
tencer. São acontecimentos do quais a
pes a nm smpr participou ms que, n
imgnário, tomrm tamanho relevo que,
no fim das contas, é quas imposível que
ela cniga saber s paricipu ou não. Se
formo mis lohge, a Caconteimento
vivido pr tbla vêm se juntar too o
evento que não se situm dentro do epa­
ço-tempo de uma pesa ou de um gp.
É prfeitamente psível que, pr mio da
soializço plítica, ou da soializaço
histórica, OM um fenômeno de prjeço
ou de identifcaço cm detennindo pas­
sado, tão fore que pemo falar numa
memória quae que herdada. D fato -e eu
gostaria de rmeter aí ao livr de Philippe
Joutard sbre o camiard -, poem
existir aContecimnto regionais que trau­
matzrm tanto, mrcarm tnto uma r­
gião ou um gp, que su memória pode
ser tranmitida ao longo do século cm
allísimo gu de identificaço.
Além dô acnteimnto, a mmó­
ra é contituída pr j O,peolge.
Aqui tambm pemos aplicar o mesmo
202 EÄmTRC -1ººZ1û
esquema, falar de prsonger ralmente
encontrdas W decrrer da vida, de pr­
ngen freqüentadas pr tabla, indireta­
mente, mas que, por assim dizer, s tran­
forarm quase que em cnbecidas, e ain­
da de peronager que nâo prenceram
neCamente ao espaço-temp da ps­
soa. Por exemplo, W cso da Franç, no
é preciso ter vivido na époa do genral D
Gaulle para senti-lo como um contempo­
rneo.
Além dos acntecimentos e das pera­
nager, pemo finalmente arlar o m-
goræ.Existem lugares da memória, luga­
res paricularmente ligados a uma lem­
brança, que poe sr uma lembrança pes­
soal, mas também pode no ter apoio no
tempo cronológico. Pode sr, por exemplo,
um lugar de férias na infância, que penna­
ncceu muito forte D memória da pssoa,
muito marante, independentemente da
data real em que a vivência se deu. Na
memória mais públic, nos aspctos lnais
público da pesoa, pode haver lugares de
apio da memória, que são os lugares de
comemorção. L monumentos aos mor­
tos, por exemplo, pdem serir de base a
uma relembranç de um proo que a
g viveu por ela mesma, ou de um
príoo vivido pr tabla. Para a m
geraço n Eurpa ete é o caso da Segun­
da Guerra Mundial.
Lis muito longínquos, fora do espa­
ço-temp da vida de uma pesa, pdem
cntituir lugar importante para a memóra
do grup, e pr coreguinte da própria
pessa, seja pr tabela, seja pr pertenci­
menta a C grp. Aqui estou me referin­
do ao exemplo de certo eurpeus cm

origer ns colôlúas. A memória da Africa,
seja dos Camarõs ou do Cnga, pe
fazer pare da heranç da fanulia com tania
fon que s trarforma prticmente em
sentimento de prencimento. Outro exem­
plo sria o da sgunda geração dos pies
ris na França, que na verdade nem che­
garm a nscr n Argélia, mas entre os
quais a lembrnça arelin foi mantida de
tal maneir que o lugar s tomou formdor
da mmória.
Ï três critério, amolecimentos,
peronger e lugares, conhecidos direta
ou indiretamente, pdem obviamente dizr
respito a acontecimento, pronagen e
lugares rais, empiricmente fundados em
fato cnto. Npe se trtar Þm
da projeço de outrs evento. É o caso, na
França, da como entre fatos ligado a
um ou outra guerr. A Primeira Guerra
Mundial deixou m8 muito fore em
ceras regõs, pr cau do gne númer
de moros. Ficou grvada a guerr que foi
mais devastadora, e fqüentemente o
moros da Segunda Guerra foram asimi­
lado aos da Primeira. Em ceras rgõs,
as duas viraram uma s, quas que mo
grande guerra.
O que orre nes e csos são pranto
trarferências, projeçõs. Numa série de
entrevists que fizmo sobr a guerr n
Nonnandia, que foi invadida em 190 plas
trpas alemãs e foi a primeira a sr libra­
da, encntramos Q as que, na épa do
fato, deviam ter por volta de 15,16, 17 ano,
e se lembrvam dos soldado alemães cm
capacetes pntudo (caq d pie).
Or Ocpacetes pntudo so tipiLnte
pntsiano, do temp da Primeira Guerr
Mundial, e foram udos até 1916, 1917.
Er prnto um trarferênia caracteri­
tic, a partir da memória do pais, da ou­
paço alemã da Alscia cLren n Primi­
r Guera, quando o sldado alemãe
eram aplidado de "cpactes pntudo",
para a Sgunda Guerra. Um trarferênia
pr hernç, pr as im dizer.
Além dCdiver prj, que g
dem oorr em relaço 8 evento, lugar
e peronager, ætmbm o prblema do
vestígio datdo da memória, ou sja,
aquilo que fic gravado cm data pn
de um aconRnto. Em fnção da exp­
riência de uma ps oa, de sua mção W
vida públic, as datas da vida privada e da
wÓRI E ILAE SO 203
vida pública vão ser ora 3imiladas, ora
etritamente separadas, ora vão [altar no
relato ou U biografa. Quando fizmos en­
trvistas com dons de casa da Nonnandia
que pa&aram pla guera, pla Ocupação,
pla Librtação etc., as datas prisas que
pudemos identifcar em S relato erm
as da vida Camiliar: nscimento dos bm,
até memo datas muito precisas de nasi­
mento de todo os primos, todas as prmas,
toos os sobrinhos e sobrs. Mas havia
uma nítida imprcisão em relaço às datas
públics, ligadas à vida plític.
No extremo oposto, só par marcar a
plaridade, se fzennos entrevistas com
pronagen públics, a vida Camiliar, a
vida privada, vai quase que deaparer do
relato. Iremos nos deparar com a recon­
trçao política da biografia, e as datas pú­
blicas quase que s tomam datas privadas.
É claro que no podemos interretar i&o
exclusivamente como uma epcie de b~
bre-contrçao polític da pronagem.
Poe oorrr de Cato que as coaçõs da vida
pública, como pr exemplo o tempo dispo­
nível, levem uma Qa, a parir de um
cero momento de sua vida, a rduzir-se
praticamente à peronagem públic, à re­
presentação dessa pernagem. Não se de­
ve poranto cniderr e&e aspeto c­
mo indicadors de dissimulaço ou Calsif­
caço do rlato. O que imprta é sbr qual
é a ligaço real disso com a cntrção da
prsonagem.
Sobretudo em relação à datas públicas,
observam-se clar fenômenos de trnCe­
rência queàs vezcsão até, pr a&im dizer,
sanciondos legalmente. No caso do fim
da guerra, analisamos as comemoraÇ na
Frnça, isto é, usamos cmo indicdores
empírics as práticas de comemoração, em
vez de nos apoiannos nas mem6ras indi­
viduais. Obseramos em que dias do ano e
de que maneira o habitantes de pequens
aldeias comemorvam o fim da guera.
Ne&e cso tambm pudemos verificr, n
.
maior pare das regiões frnceas, que, em-
bora haja datas oficiais relativas ao fim da
Primeira Guerra Mundial, dia ¡1 de no­
vembro, e da Segunda Guerr, dia 8 de
maio, n prátic, quas que espontânea e
automaticamente, as ppulaçõs só guar­
davam uma única data, o 11 de novembr.
O 8 de maio er clarmente identificado
como um Ceriado qualquer, como um do­
mingo, enquanto no 11 de novembro reali­
zavam-se cmemorçõs duplas, alusivas
a ambas as gueras. P memórias indivi­
duais e a atuação das assciaçes de ex­
combatentes juntvam-se para atribuir à
Primeira Guerra um peo maior para a
história da França do que a Segunda, atra­
vé de uma memória mai traumática, li­
gada ao número de vítimas.
Outro Cator que atua nes trnferncia
do 8 de maio par o 11 de novembro é
simplemente a real imprãncia histórica
das rspectivas datas par detenninada re­
gião. Podemo ver que, por asim dizr, a
memória pde "ganhar" da Cnologia ofi­
cial. Sabe-se que a França foi librada por
etapa. Em cneqüência, a data da vivên­
cia da Libração e do fim da guera não é
a mema par toos. O 8 de maio é uma
data longúlqua, prque é muito pterior à
da Libração de Paris. O gande momento
de alegria popula r não é 195, no é O 8 de
maio, e sim a segunda metade do ano de
194. A rigor, pe-se dizr que, além da
tranferência entre datas oficiais, æ tam­
bém o predomínio da memória sobre de­
temúnada cronologia política, ainda que
esta última esteja mis foremente inveti­
da pla retóric, até mesmo pla ronstr­
ção historiogrfic.
Depis desta curta intrução, que
motr o diCerentes elemento da memó­
ria, bm como os fenômenos de projeção
e transCerência que poem oorrer dentro
da organizção da memória individual ou
coletiva, já temo uma primeir caracteri­
zção, aproximada, do fenômeno da me­
mória.A memória éseletiva. Nem tudo fica
grvado. Nem tudo fica rgistrado.
204 ESÄ S IlSTRCS-1992110
A memória é, em pa re, herdada, não se
refere apens à vida fíica da pessoa. A
memória tambm sof flutuaçe que so
fnço do momento em que ela é articula­
da, em que ela está sndo expresa. P
preoupações do momento constituem um
elemento de estruturação da memóra. Isso
é verdade também em relação à memória
coletiva, ainda que esta seja bem mais
organizada. Todos sabem que até as datas
ofciais são fortemente estruturadas do
pnto de vist polític. Quando se proura
enquadrr a memória nacional pr meio de
datas oficialmente sleciondas para as
festas ncionais, m muitas vezes proble­
Ø de luta plítica. A memória organiza­
dísima, que é a memória ncional, con­
titui um objeto de disputa importante, e so
,comuns os conflitos para detenninar que
data e que acontecimento vão ser grava­
dos na mmóra de um povo.
| último elemento da memória - a
sua organizção em funço das preocupa­
çõs ps oais e polítics do momento­
mostra que a mem6ria é m fenômeno
construíd. Quando falo em cnstrução,
em nível individual, quero dizer que os
moo de constrção podem tanto ser
conciente como inconscientes. O que a
memória individual gava, reclc, exclui,
relembra, é evidentemente o resultado de
um verdadeiro trabalho de orgæço.
Se podemos dizr que, em todos os
níveis, a memória é um fenômeno cons­
truído social e individualmente, quando s
trata da memória herdada, podemos tm­
bm dizer que há uma ligação fenomeno­
lógica muito estreita entre a memóra e o
sentimento de identidade. Aqui o senti­
mento de identidade está sendo tomado no
seu sentido mais superficial, U que DOS
basta no momento, que é o sentido da
imagem de si, para si e pa. ra os outros. Isto
é, a imagem que uma pessoa adquire ao
longo da vida referente a ela própria, a
imagem que ela cnstrói e apresenta aos
outros e a si prpria, para acreditar na sua
própria repreentção, mas também para
ser perebida da maneira como quer ser
percebida pelos outros.
Nes cnstrução da identidade - e æ
recor à titertur da psicologa soial, e,
em pae, da psicnlise -bmelemen­
tos esencias. H a unidade fíica, ou seja,
o sentimento de ter fronteirs fíics, no
caso do corpo da Q a, ou frontiras de
prtencimento ao grupo, no caso de um
coletivo; æ a cntinuidade dentro do tem­
p, W sentido fíico da palavr, U tm­
bém no sentido moral e psicológico; final­
mente, b o sentimento de corência, ou
seja, de que os diferente elementos que
fonnam um indivíduo são efetivamente
unificdos. D tal moo is o é importante
que, se houver fore ruptura dese senti­
mento de unidade ou de continuidade, po­
demo observar fenômenos patológicos.
Poemo porando dizr que a mem6ria é
melmento constituine do sentimento d
idntidd, tnto individual como coletiva,
na medida em que ela é tmbém um fator
extremamente importante do sentimento de
continu idade e de crencia de uma pessoa
ou de um grp em sua recnstrção de si.
Se assimilamo aqui a identidade social
à imagem de si, para si e para os outros, há

um elemento dC definições que neces-
sariamente escpa ao indivíduo C¡ por ex­
teno, ao gupo, e este elemento, obvia­
mente, é o Outm. Ninguém pode construir
uma auto-imagem isenta de mudança, de
negociação, de tranfonnação em função
dos outros. A contrção da identidade é
um fenômeno que s produz em referncia
ao outros, em referência aos critérios de
aceitabilidade, de admissibilidade, de cre­
dibitidade, e que se faz por meio da nego­
ciação direta com outros. Vale dizer que
memória e identidade podem perfeitamen­
te sernegociadas, e não são fenômenos que
devam ser compreendidos como esências
de uma pesoa ou de um grp.
Se é possível o confronto entre a memó­
ria individual e a' memória dos outros, isso
wOkFHOM£SO 205
motra que U memóri e U inid sã
valor dputd em cnllitos soiais e
interrupais, e particulannente em confi­
to que opm gups plítics diver.
Too mundo sb até que pnto a mmória
familiar pe ser fonte de confiito entr
Qas. Por exemplo, todos os que fe­
rm psuisas de história orl sobr as
estruturas fmþna clase popular,
cmo já un Áut, puderam verifcr
o quanto um nsimento ilegtimo pe ser
um ponto impornte quando s trta de
reslver litígios ligado a hernças. Não s
trta apns de hernç no sentido mate­
rial, Utambém no sentido mOl1l, ou seja,
do valor atribuído a detenninada filiação.
Sabm que a mmória, bm cmo o
sentimento de identidade ness cntinui­
dadeherdada, constituem um ponto impor­
tante na disputa pelos valores familiar,
um pnto foal na vida das pes as.
Em nível mais oranizdo, vejamos o
que acntece em relaço à memória de um
grpo. Tomemos como grups no apns
paridos plítico ou sindicato, U tm­
bm grups um puco mais i,úrmais. Na
França, tomri o exemplo daqueles que,
durante a Se&nda Guerra Mundial, foram
deprado. E totalmente trágic verificr
até que ponto a memória dele constitui um
cacife imporante para serem recnbecidos
plo outms, ou seja, serm valorizdos
plo outrs, num momento, logo depois
da guerra, em que nin/' Iém ou quase nin­
guém quer mis ouvir falar em sofrimento.
Além do prblema da valorizção em re­
laço à soiedade em geral, n divelidade
das lembrnçs e das mmórias rvela m­
se tambm disputas e litígio entre o pr­
prio subgrp de deprtados. Adepra­
ço foi viveniada de moo diferente, con­
fore suas razs oficiais. Um motivo C÷
mo a paricipaÇo n Resistência er mais
fácil de valorizar depis da guerra do que,
pr exemplo, ter sido pr numa bli pr
ser judeu. Ou ainda, ter sido deprado pr
condenaço de delito penal, pr ter atuado
no merdo ngo. Há um multidão de
motivos, uma multidão de memóras e
lembranças que tomam difícil a valoriz­
ção em rlaço à sociedade em gerl e que
poem ser a origem de confito entre g-
• • •
soas que VlvenCarm o memo acntec-
mento e que, Upriori, pr terem elelonto
constitutivo comun em sus vidas, deve­
ram sentir-se como prenntes ao me­
mo grup de destino, à mesma memra.
O carter cnlitivo s tor evidente na
memória de orgnizaçõs cntituídas, tais
cmo as fampolíticas ou idelógics.
Para ficar no cao francês, Q falar da
memória da Resistênca. É sabido que a
Resistência franc teve cmponentes
muito divelifcado: grp comunistas,
grp gullista, grp que hviam op­
tado pr uma resistência organizda dentro
do paí, e que aderiram mais ou meno
rpidamnte, ou mais ou meno lentamen­
te, ao generl D Gaulle. Por coneguinte,
nes memória m um cro númer de
objetivos, de conflitos, de litgo. b par
sabr quem detinha a verdadeir legtimi­
dade de ter sido a vanguarda da Reistên­
cia, bouve grande disputas no jogo políti­
co francês depis de 195 entre as duas
famíias plíticas e ideológcas que erm,
de um lado, o gauUismo, e do outr, o
comunismo. O objetivo era verem rc­
nhecida a interpretaço do Qdo de cada
um e, logo, B su memóra espeífic. A
elaboraço destip de mmória implica
um trbalh muito árduo, que tom temp,
e que cniste na valorço e hierrqui­
zç das dt das plngen e do
acntemento.
No intituto onde trbalho, o Institut
d'llistoir du Temp Pren� fIms pe­
quisas sbr a lembrn d Resistência e
pudemos verifcr que, W ano 50, a pr­
cntagem de resistentes que relatavam ter
ouvido ps oalmente o aplo do genral
D Gaulle, W 18 de junh de 190, er
relativamente bD. Mas se boje formo
entrevitr antigo ritente, trm di-

20 Fro S msroRlC-1910
fcldades em encontrr um que não tenha
esutado o aplo do 18de junho.Sobcrs
aspetos, a mmória gauUista cnguiu
transformar-s em memória ncional, ou,
pelo meno, deixou cro número de dats
extremamente valorizada.
Outro fato que cntitui uma epcie de
amostra de acro entr as diveras farrullas
da Resistência é o perongem de Jean
Moulin. Nos ano 50, Jean Moulin aparec
como um dos líderes da Reistência que
puc gente conhecu pesoalmente. De­
pis do trslado do seu corp para o Pant­
héon, e do seu reonhecimento como líder
incontete da Resistência inter, ou seja,
como aquele que foi enviado pr Lndres
e realizu a obra de unifcação dos diveros
grupos da Reistência, ele pasou a ser
conheido pes almente pr toos.
Etá clar pranto que a memória es­
pcificamente política pode ser motivo de
disputa entre várias organizçõs. Para ca­
rcterizr ess memória constituída, eu
gostara de introduzir o conceito de traba­
lho d enadamento d mem6ria. Vale
dizr: há um trabalho que é parcialmente
realizdo pelos historiadores. Temos histo­
riadors orgânics, num sntido tomado
empretado de Grmci, que são os histo­
riadores do Partido Cmunista, o historia­
dore do movimento gauUista, o historia­
dor scialistas, o sindiclits etc., cuja
tarefa é precisamente enqudrr a memó­
ria. Em relaço à hernç do sculo X,
que cnider a história cmo sendo em
eséncia uma históra ncionl, podemos
pruntar s a funço do historador no
terá consistido, até cero pnto, nese tra­
balho de enquadramnto visando à forma­
ção de uma história ncional. Este fenôme­
no é mais clarmente acntudo em paíes
cuja unifcção ncional se deu tardiamen­
te, e onde a ciência histórica tinha uma
tarefa de unifcção e manutenço da uni­
dade. Etou me rferndo a cra cornte
da historiogfia alem do séclo X,
Uda plo nome de Tritschke, O
tambm em outros países C fenômeno é
bem conheido de too.
Por coneguinte, o trabalho de enqua­
dramento da memória pode ser analisado
em termo de invetimento. Eu pderia
dizr que, em cero sntido, uma história
soial da história sria a anális dese u-
balho de enquadramento da memória. Tal
análise pe ser feita em organizçõs po­
líticas, sindicais, n Igja, enfim, em tudo
aquilo que leva os gupos a solidificrem
o social.
Além do trbalho de enquadrmento da
memória, há também o trabaUI dpr
pria mem6ria em si. Lseja: cada vez que
uma memóra etá rlativamente contituí­
da, ela efetua um trabalho de manutenção,
de corência, de unidade, de continuidade,
da organizção. Por exemplo, a parir do
momento em que o Parido Comunista
amarrou bem a sua história e a sua memó­
ria, esa mesma memria pasou a trba­
lhr por si s,a influir n organizção, O
gerções futuras de quadro; os inveti­
mentos do passdo, pr asim dizr, rende­
ram jurs. L fenômeno tor-s bem
claro em momentos em que, em função da
percepão pr outrs organizçõs, é pre­
ciso realizar o trbalho de rearrmação da
memória do próprio gpo. bé óbvio no
caso do Partido Comunista. Cada vez que
ocrre uma roranizção intera, a cada
reorientação idelógica imporante, D~
crever-s a história do partido e a históra
geral. Tais momentos no oorm à t,
são objeto de invetimento extremamente
custosos em teros plítico e em termos
de corência, de unidade, e pranto de
identidade da oranizção. Como sbe­
mos, é neses momento que oorm as
cisõs e a criação, sobr um fndo hetero­
gêne de memória, ou de fidelidade à me­
mória antiga, de novo agrpamentos.
Epro que esta rápida decrção da pr­
blemática da contituição e da contrço
soial da memória em diveros níveis mos­
tre que æ um pr a ser pago, em termos
wÓRI E IEAE SO 207
de invetimento e de risco, na hora da
mudança e da rearrmação da memória, e
evidencie também a ligação deta cm
aquilo que a sociologia cham de identida­
des coletivas. Por identidades coletivas,
estou aludindo a todos os investimentos
que um grpo deve fazer ao longo do tem­
p, todo o trabalho necssário par dar a
cada membro do grup - quer se trte de
falia ou de nção - o sntimento de
unidade, de continuidade e de cerência.
Gtaria de enfati1r que, quando a me­
mória e a identidade etão sufcientemente
contituídas, suficientemente instituídas,
suficientemente amardas, os question­
mento vindos de grpos exter à orga­
nizção, os problemas colodos plo ou­
tros, não chegam a provoar a neces idade
de se proeder a Drmaçõe, nem no
nível da identidade cletiva, nem no nível
da identidade individual. Quando a memó­
ria e a identidade trbalham pr si sós, isso
coresponde àquilo que eu chamria de
conjunturs ou peroos æ¶ em que
diuúnui a preoupação cm a memória e a
identidade. Se compararmos, pr exemplo,
países de antiga tradição nacional, paíes
que são Etados nacionais æmuito séc­
lo, com Etado ncionais rntes, vere­
mo que a preoupação com a identidade
e a memória toma feiçõs bem diferentes
nos dois cso. Poeríamos tomr cmo
objeto de anlis a corrlação, em períoos
de longa durço, entre a rarrmção d
rlaçs entre paí em momento de cr­
se ou de guer, e a crise da memória e do
sentimento de identidade cletiva que fe­
qüentemente precede, acompanh ou su­
cede ese momento.
Seguindo esta uúnha hipótese, pera­
mo prpr aqui um pnto par discsâo:
pr que srá que atulmente asistimo a
um interse renovado, Ociências huma­
O e na históra, pelo problem da forte
ligação entr memória e identidade? L
interese é patente em muitas publicçe,
que utili= métoos muito diferentes,tis
como a análise das commorç, do
lugars, mas tmbém a ædos discur­
so, de textos, de entrvistas e de histórias
individuais. É cm est quetão que cn­
cluo mexposição.
lnterençóes no debate
- Sobre a cr(ica 0 história oral como
métod apoiado O meória capa d
prodir represenaçãe e não reconstitui­
çõs do ra Í.
Se a memória é socialmente contrída,
é óbvio que toda doumentação também o
é. Para mnão há difernç fundamental
entre fonte cnme fonte oral. A crítica da
fonte, Ucmo too historiador aprende a
fazr, deve, a meu ver, sr aplicada a fontes
de tudo quanto é tip. Dess pnto de vista,
a fonte oral é exatamente comparvel à
fonte ecrita. Nem a fonte esrita pe ser
tomada tal e qual ela s apreenta.
O trbalho do historador faz- smpre
a partir de algum fonte. É evidente que a
contrção que fzmo do pasdo, inclu­
sive a contrção mis pitivista, é smpre
trbutária da intereiaço do domento.
Na medida em que C intermediaço é
iWpável, too o trbalho do historador
já se apia numa prmeira rntrção.
Peno que no pemo mai prmneer,
do pnto de vist epistemológc, pre a
uma ingenuidade psitivista primária. Nâo
acedito que hoj em dia hja muita gente
que defenda C psição.
Agora, é óbvio que a coleta de repre­
sentaçõ por mio da história oral, que é
tambm históra de vida, toru-s clar­
mente um intrmento privilegado par
abrir novos cmpo de pesquisa. Por
exemplo, hoje pemo ahrdar o proble­
ma da memória de moo muito diferente
de como s fazia dez anos atrás. Temos
novo intrmento metoológicos, ms
208 ESÄ S HSTRlC-1910
sobretudo, temo novo cmp. A rigor,
sem asumir O ponto de vista do poitivis­
mo ingênuo, poemos cnidenu que a
prpria história das reprentaçõs sria a
história da rcontrço cronlógica dete
ou daquele períoo. O que se tem feito
rcentemente, como por exemplo a histó­
ria da auto-apreentação das elites de um
paí, e tambm a história da cultur ppu­
lar, ou da autoprepo ppular, é, a meu
ver, uma história prfeitamente legtima.
Por outr lado, .. multiplicço do ob­
jeto que poem interesar à história, pro­
duzda pla história oral, implic indireta­
mente aquilo que eu chamaria de uma sen­
sibilidade epistemológc espfic, agu­
çada. Por iso memo acredito que a
história oral no obriga a levar ainda mais
a sério a crítica das fontes. E na meida em
que, atravé da história oral, a crític das
fontes toma-se imprios e aumnta a exi­
gência técnica e metoológica, acrdito
que smo levados a prder, além da inge­
nuidade psitivist, a ambição e a cndi­
çõ de posibilidade de uma históra vista
cmo ciênia de síntee par toa as ou­
ÍÆ cências humans e soais. H uma
prpiva que cnidera a história cmo
sendo a reontrção, par um proo de­
temdo, de toos o materiais que as
outras ciências ns forem. Ma n me­
dida em que o objtos da história se diver­
sifcm, s multiplicm, eu Q lment
vejo, ness pluralizço, um grnde difi­
culdade em mnter a ambiço da história
cmo ciênca de sítes. Pemo que, pla
força das ciss, a história vir a ser um
disiplina pariclarizda -sem s tomr
parial, pois é iso que s crítica hoj n
história orl, a su alegda parcialidade.
Ach que é este o destin da história, tl­
vez. Nisso vejo uma cntinuidade entre a
história soial quntificda e a história
oral. Acredito que C dois cmp apa-
rntemnte lão opsto apresntam uma
continuidade. Vejo também uma rlaço
paricularmente estreita entr a história e
ceros subampo da sociologia.
Algo que quer voltar a sublinhr é o
problema da subjetividade e das fontes.
Em primeiro lugar, até as mais subjetivas
da fontes, tis como uma história de vida
individual, pdem sfrr um crítica, pr
cMlIto de inforçs obtidas a par­
tir de fontes diferentes. Mas acredito que,
ao faz-lo, e vou dar um exemplo, chega­
mo rapidamente a egotar a capacidade de

trabalho do puisadors. E pn r-
conhecr iso honestamente.
Na psquisa sobr histórias de vida de
mulhere deporadas, de onde foi extrído

o meu artigo ''Ltémoignge", a primeira
história de vida que rolhemos, com du­
rço de aproximdamente dez hors, foi
controlada sob todo o aspco. Érmo
quatr psquisadores para uma só história
de vida, e começamo um controle muito
crrado de toa as inforç. Primeiro,
cntrolam a data de nsimnto da mu­
lhr, mediante cnult ao rgstro civil.
Dpis, controlam as ecrituras do apar­
tamlto de sua famíia em Viena, a dat do
cmhio que a levou par o cmpo de
extemo, a data da opração que sfreu
em Auchwitz. Achamos isso tudo. Par

um 5entrevista, um só história de vida,
quatr Qas trbalharm durnte dois
anos. Fic evidente que se voê fIr um
projeto implicando uma centena de histó­
ras de vida, até memo ums trint, ir
logo esgotar a psibilidade de trabalho da
equip. Se pretendermo cntolar too
OS dados, será muito difícl realizr isso na
prátic.
Acho que o que devemos fazr é levan­
tar meios de controlar as distors ou a
gelão da memória. Quanto menos uma
históra de vida for pré<ontruída, mais
• tmcaut c Nalalic Hci.ic pubicdo cmAcæmÎoÄem_ ó eæò>Ìm,6ì/61·3-2,|u�IW6.
Vcrzlm,d M .PoIlk. mmmaNÞp.�!3. 'Ågeto ml´ímímÞlt¯.
MOkmE IEAE S 209
iso funionrá. Numa história de vida
muito cmprida, æ cras cisas que so
completamente solidifcdas. Na minha
expriência de trbalho, as coisas mis s­
lidifcdas, assim com as cisas mis flui­
das - ou sja, as que se trnfoM de
uma sessão de entrvista par outr -so
as mais prblemtics. Pardoxalmente,
são ao msmo temp inicdors de "ver­
dade" e d "falsidade", no sentido psiti­
vista do tenoo. Aaedito que as pares mais
contrídas dizem rpito àquilo que é
mverdadeiro par um pesa, O ao
memo tempo apontam par aquilo que é
mais falso, sobretudo quando a construção
de detenoinada imagem no tem ligação,
ou está em franc rptur com o pasado
ral. O que mais no deve intresar, numa
entrevista, são as pares mais sólidas e as
meno sólidas. Eu diria que Wmais sólido
e no meno sólido se encontr o que é mis
fácil de identi fcr como sendo veradeiro,
bm cmo aquilo que levanta problemas
de interprtaço.
Vou dar um exemplo. Entre o fatos
mtrumtivtes dos Cgde exter­
múllo, hvia algun que apareceram D
prmiro rlato publicado imdiata­
mente depi da guer. Or, tis fatos
desaparcerm do rlato publicado en­
tre 1949 e 1980, par só raparcer agora,
em dois relatos publicdo recentemente.
Lfato dizm respeito ao nscimento
de flhos de mulhere depradas. Nos
cmps de extemo, quando um depr­
tada etava grávida, a cmunidade das mu­
lhre a enia par que Do fosmora.
Como não pderia ter Wtrbalho o mesmo
rndimento das demais, a grvida sria
mor logo que fose decobrta. Então
hvia ese prblema agudo.da rlidade
biológc da mulher, da alega do nsi­
mento, coinidindo totalmente, naquele
univero, com a irevitbWdade da more,
tnto do recm-ndo cmo da mãe.
Ltema apareu na história dvi­
da que rlhemos, O smpr ligado a
out mulher que no a en\vistada. b
quno uma entrvistada ns cntou o fato
em relação a outr mulher que já Uamo
entrvistado foi que pudemo trtr do a­
sunto. L outr mulher tinha tido real­
mente uma crianç no camp de extermf­
nio, e pudemo rtomar ento a sua própria
experiência. O que fcou clar foi que C
fato m sido slidamente rgstrdo C
mo acontrnto cletivo, H no indi·
vidual. Não pdia aparecr como aconte­
CleltO inividul pr sr trgc demis,
traumatizante demis. Mas aparecia em
todas as entrevists cm muit força. Nas
histórias de vida publicadas logo depois da
guerra, aparia talvez pr sr mis ime­
diatmente dizível do que depis de 1949.
No OO de nU entrevistas, pudemos
motrar que o ato de rlatar o evento pe­
sol, atribuindo-o a outr pssoa, no aten­
dia a 'uma eventul vontde de falser a
infonaço, O er simplemente uma
transpsiço Wsária, que prmitia
trnmitir um expriência extremamnte
doloro. Por cnguinte, aito que
entre o ufalso" e o uveradeiro", entre aqui·
lo que o rlato tem de mis slidifcado e
de mis variável, poemos enontrar aqui­
lo que é mis importante para a psoa.
Voltando ao primeir assunto, acredito
que a história ta lcomo a pequismo pde
ser exreÜente rca cmo proutor de
novo temas, de nvo objeto e de novas
interretaç. A história está s tranfor­
mando em hitóri, histórias parciais e
pluris, até mesmo sob o aspcto da crno­
loga. A ese respito, gotaria de contar
um C.Numa palestr sbr história oral
no U, ministrda pr um psquisdor
alemão, ete relatou uma puia realiz·
da n Alemnh, n qual tinh verficdo
que as dats imprantes da história alem,
da história orl do Z Povinho, no erm
1933, nem 1938-39, início da guer, nm
195. Erm 195 e 19.
.
A interretço er que, W histrias
individuais do pvo alemão, cr políti-
210 EÄ8H8WMC-1ººZ10
C tis como a tomada do poer pelo 3
Reich haviam sido recalcados, ou então
no tinham sido vivido cmo tão marcan­
te. N as duas datas lembradas eram
datas Unte prque corespondiam a
uma clar melhoria econômic. Para mui­
ta famias alemãs, 1935 er a primeira
vez que s asistia à estabilizço do em­
prego e da rnda familiar, asim como
194 er o ano da reforma monetára. Por­
tanto, o aconkento marcnte no er a
criaço da República Feeral Alemã em
1949, no era o fm da guera em 1945, mas
era 1948, data da reform monetária. De
repnte, de um dia para outro, o mercado
neg foi substituído pr um mercado mais
acsível, houve um cme de estabiliza­
ção eonômic, e isto se fixou n cronolo­
gia vivenciada. Agor, como poemos dis­
tinguir uma cl/Ologia "verdadeir" de
uma Cnologia "falsa"? Acredito que a
única cisa que se poe dizr é que existem
cronologias plurais, em função do seu mo­
do de contrço, no sntido do enquadra­
mento da memória, e também em função
de uma vivência difernciada das realida­
des.
O mais engraçado desa história foi que
n disO o que se sguiu um historiador
francês diss: "É um absurdo, é inadmissí­
vel, não s pe ignorr as realidades, não
se pe dizer que 1948 é mis imporante
que 1945'" Só que o historiador alemão
no tinha dito nada diso, disse apnas que
as cronologias flXadas são plurais e dife­
rniadas. Para o historiador francêS iso
er indmissível. Mas quando se passou a
falar da França, e do 8 de maio de 1945, e
de 1944, cuja imprncia relativa depen­
dia da vivência, W cao ele não se c­
loou prblema al,um! Ele aí admitia mui­
to bm esa polifonia das datas fixadas.
Eta é apns uin historinha, mas que
motr bm, a meu ver, que a única saída
é admitir a pluralidade da históra, das
realidades, e, logo, das crnologias histo­
ricmente admissíveis.
- Sor a tennia d hi6r oral a
valorir o sbjetivo por opoião ao ob­
jetivo:
Posdizr que, de fato, æ C movi­
mento, bastante primário. ¾uO cn­
ferências intercionis sobr históra orl.
O historador etava s restrngndo aos
arquivos, e, de repente, etá se cnfrntan­
do cm a ralidade cnta. Num atitude
quas militante, quer dar a palavra àqueles
que jamais a tiverm, daí es vontde de
reabilitar o subjetivo frente ao objetivo.
Cria-se assim uma oposição entr história
oral e história soial quantifcada, enquan­
to eu, pr mim, não vejo opiço, e sim
continuidade ptencial.
Acho que hoje a quetão objetivo vers
subjetivo etá um puco ultrapassada. Em
ceros artigo de Beraux, e sbretudo de
Régin Robin, a quetão foi trprtda
para outro nível. O debate entre subjetivi­
dade e objetividade tranforou-e num
debate opondo a escrita literária à esrt
cientifcista. Havera de um lado o vazio, o
seco, o enfadonho, que sra o disur
científico, ainda por cima reducionista e,
diz Régine Robin, fechado à pluralidade do
real, enquanto a históra orl sria uma d
pssibilidades de reintroduzr nas ciências
humanas, depois do príodo etruturalista,
uma esrita não apnas subjetiva, O so­
bretudo literária. Régine Robin tom cmo
paradigma daquilo que deveramo fzr o
rma nc clásic do século Ae do início
do século x prtanto, o próprio rD
polifônic, do tip Pru� Muil, Jame
Joyc. Dizela que a pluralidade do roD
é em ralidade o critério do verdadeiro no
discrso sobre o soial. Ou sja: o discr
científico, com o su fehamento e su
tendência rducionista, é um disrso que
rstringe a r lidade, e por cnguinte no
é veradeir, já que no leva em conta O
plurl-aqui se trata mis do plurl do que
do subjetivo, o subjetivo no é mais o pro­
blem para Régne Robin. A história de vida
M0uËIEAE sO 2¡¡
inividual dirtmente rlatada, que a pr­
mira gerço de bÍloradore colo em
term de opiço, é ruda pr ela,
prque ela ach que a históra individual
exprs, de fato, o pr-antrído soia�
em vez da verdade, enqunto a contrço
romne sria o moo privilegado da
escrita, cpaz de rstituir a verdade soial
em ka su altertiva e k a sua
plurldade.
É clar que qundo cnfntamo a pro­
dução atual sbr história de vida com Mu­
sil, Prout e Jame Joyce, o argumento é
extremmente válido. N quando pg­
mo tudo aquilo que foi esto no cmpo
rmU, cm pr exemplo Olivm
que se cmprm Westçs de trem ou de
ônibus, compto cm a ténica romn­
c de condenço de várias psibilidades
em uma ou duas prongen que têm um
Cde amor que gerlmente cheg ærias
do invers ímil, verifiC que a falta de
domínio da ténica rmaOprduz tanto
dno-verdadeir, de no-plural, quanto o
faria a falt d domínio ténic W cmp
d ciênias soiais. Digo prtanto que se
no proprcionmo o meio e as cndi­
ç para cntruir cientificamente, com
toas a kOdas quais dispmo hoje
em dia, temo cndiçõ de produzr um
discurso ralmente snível à pluralidade
d rlidade. Temo um psibilidade,
no de objetividade, ms de objetivação,
que leva em cont a pluralidade d reali­
dade e do ato. Acredito que um discr
científic destip é príeitamente psí­
vel, nem que sja cm projto.
Não acito pranto es opoiçao, que
no é m entre subjetivo e objetivo, Ø
entre ténica rmanesa -vista cmo res­
tituição verdadeir do scial - e escrita
cientítica -vista como rucionista. Aliás,
acrdito que as opsiçe binárias, d
quais as di5 õs intelectuais fazm
grnde uo - subjtiv% bjetivo, rcio­
nl!ucionl, científic/religo -só ser­
vem par Ûde acusaço ou de autoleg-
timaço. Ach que é muito mais æm-
sante etudar as cndiçõs de psibilidade
dess opoiçs do que levá-las a sro em
si mems. A rigor, quaoo apar es
tipo de dw o, não s deve dr impor­
tância, a no ser, é clar, que s queir
utilizr um des s plo numa tátic det­
nada a marar foremente uma piço.

-bobrc oinio d uiiçã dhÌ8lórm
or0lO¿8gÍï0 hÍïlórÌc0:
Um fato que ach imprante é que, na
Europa, a primeir gerço do psquisa­
dors que trbalhrm com história oral,
cmo Beraux n Frnç e Rieder n Ale­
manh, entre outr, veio da sciologa
demogfic e da anlis quantitativa da
mudança soial. Foi prtanto a impsibi­
lidade da explicço por meio da obsra­
ção de longs séries que levou a u. L
ponto de ruptur W tendênia dséries
rlativamente homogêneas prmnciam
inexplicáveis, e foi esse o pnto de parida
do interese daquele g al em rlaço æ
histórias de vida. Peno que a história de
vida aparecu como um intrmento privi­
legado para avaliar o mmentos de mu­
danç, o mmentos de trnformção.
- bobrc 0 8cnïÌbÌÌÌdd H lr0b0mo d
hÍïlórm or0Í:
Acho que este é um aspeto extrm­
mente intersante, ma que no per­
mos reslver aqui. Sria iprante obsr­
var a mani de trabalhr dos historiado
res, quer eles trabalhem com esrto bio­
grfics ou com relato, ou sja, sria
impornte etudar no com O Q ele
trbalhm, ms como ele trbalhm.
Quando a gente cnvera sbr & "c:­
nh" do trabalho cm o clegas, é ps í­
vel oberar cisas mujto
Um exemplo é a ggem do d'l0ilto,
que a gente pde pgar, pe sntir n mo
a qualidade do papel, para a fich mCm-
2¡2 ÐÃM RO-1Y1û
mada, que dói n vista e que só Wpnnite
aprtar um boto. Whistoriadore que so
Mdo aruivos, que sntem a W idade
de sgurr o papl velho, e que falam diso,
do ØUJV o que eu Qfalar, depis
da entrvist, do cafeÐ srido pr
aquela velh snhra que quase me ch­
mou de m... Ach que æum senibili­
dade Wtrabalho científic, e cda vez que
OM um mudanç W trbalho, ela s
traduz quase que fsicamnte na senibili­
dade das mnipulaçõs. Seria muito inte­
rs ante refazer um história das ciências
quetionndo a imprância dess senibi­
lidade no cntato com os materiais sobr
o quais a gente trabalha, em rlaço àquilo
que a gente psquisa e sbre o que a gente
esrve.
- Sobre a Imiaçã d história oral ao
tepo presente:
A história oral pnnite fr uma histó­
ria do tempo presnte, e es hisJria é
muito contestada. Há vários tips de hos­
tilidades. Por exemplo, æ uma opição
entr fonte clássics, legítimas, e fontes
que eto adquirindo nova legitimidade.
Na França æ tambm a "dIgnidade" do
príoo. A história mdieval, pr exemplo,
é o qo, é o que existe de mais fno. É
claro que quando voê etá acstumado a
trbalhr com a Idade Média, vai ser difcil
se ric1ar em entrevistas ÍMas ætambém
um problema de legtimidade, até mesmo
em relação à história contemprânea. P
história do príodo seguinte à Primira
Guer Munial é vista com bm mnos
"dig" do que a história de períoos mis
antigos. Por trdição, a corração dos
historiadores já no vê cm muito bn
olhos O cmp da hitória do tempo pr­
sente, e a história oral, então, é o ne pls
ultra da novidade.
O problem da história cntemprne
é que gerlmente o arquivo ainda no
foram abero, no æposibilidade de !¬
ZIo dado cm out fontes, a prpri
fonte so bastant duvidoss, só s dispe
de jor que são coniderdos fontes de
terira ou quar categoria. Aíjunt-se um
monte de obstáculo, de innveniente.
-Sobr a s Wiord fone
escrita:
Na Frana tivemo exemplo disso, em
relação a asinaturs de mnifetos. Quan­
do o hitorador psitivista, que acreita
naquilo que etá esrito, W asinaturs
que cntam W mnifeto, ouvir as pe­
soas que suptamnte asinaram, ele vai
levarum susto com o suto desss ps oas.
Isto porque, fqüentemente, as ps oas
que organizm os abaixo-asinados no
têm temp de telefonr para too mundo,
contam cm a cncordância de um cida­
dão, coloam su nome e depis esquecem
de avisá-lo. Ete é um caso em que a fonte
escrita no psui validade superor à da
fonte oral.
-Sobre o dpoimeno pré-coOú, co­
mum entre os pollieos:
A ese respeito, Q falar a parir das
entrevistas que fiz com as deprada. En­
tre elas, hvia militantes deprada pr
rzõs políticas, pr açõs n Resistência,
mas havia também algums que tinhm
sido deportadas quase que pr acaso, por­
que tinham escndido um mla, algo a­
sim, ou sja, pr um ato não-plítico. L
go, havera uma opiço entre o dir
dets últimas e o das outras, um dir
relativamente constrído, de mulhers que
depois da Librtação tiverm funs po­
líticas, foram deputadas à Asmbléia Na­
cional na França. Se quiser fzer a
anlise dC rlatos, srá nUrio in­
truzrs outro elemnto que no o
conteúdo, elementos que dim rpito ao
estilo.
MmEBW AE5 2¡3
LgÞmCHRtÎ0, 8 mcuVct, cÞ-
ubUctgucOuI8t8gt0gH8 VÎd8 u8d8Icm
dcmluM¡.bcV0cm0mIÎVctuumSÎIw-
Q08Î8¡dc]uSIÎÜOg800udcC0mUQ0
dc V0c gt0gtÍ0, Om0 c 0 C dc um
8ÆSI80u dcumg0¡ÍIÎO, ccSIæ.Ïm8
Q 8 gucm uu08 uÎu_ucmgc@uuI0u
gucm c¡8 c, dc Þgulc Sct 8ÎÎOI8d8 8
Þ¡8l8t Om Í0Î 8 Sw VÎd8, Icm muÎD
dÎÜCu¡d8dcg8M cuIcudctWSûDÎI0 ÎuIc-
Þ c.¼cdÎÍÍCΡ MD Í8¡8t,gu8uI0mÎS
Í8Î8t dc SÎ. Ïm w guÎS8, uVcmS
8æÎm ÎuIcÞ cm 8m¡Î$t 0 mu¡0 c 0
cmgÞ_0d0gmu0mQ ÎSuIΡÎZd0S
g8MÍ8¡8tdcSÎgngH8.¯¡VcZSc]8ÎulcÞS-
S8ulc cu OuDtÎæ0 cmdcI8¡bm.
ÏuIÞ 8S Í8Îæ dc dcgHd8S, cnuIM-
m0mIÎg0dccSIΡ0.c5IÎÎ0Ct0u0¡0@C0,
mIΡ0Icm8IÎC0,c0gucCbmm0SdccSIΡ0
Í8CIu8¡.Å0 ÞÎ8I0mÎ5luMcæcS mcSIÎ-
Ì0, Vc]8mUm. N dmODtÎm0 guc 0
gÞd0m d0 cSIÎÎ0 CRuÌ0@O ml8V8
C0tÞÎ8CÎ0md0C0m8OMCIcÆIÎOdc um
@um0dc mC0Î8tUg80.UI0c,gcu-
æcmSÎgt0gtÎ0cmIcH0dc duMg80,dc
OuIÎuuÎd8dc,cSÎhcmIctm0S dcÎuÍ-
CÎ0 c Üm, m0 c1B SÎmg¡cSmculc mlut8Î.
ÏctOUm0 l8mDm guc 0 tcÎ8I0 gucSc-
_uÎ8um8 Ou0¡0@cMÍ0HcmcuIcC0tÞ-
Î8CÎ0md0C0m8gtcMµ8 dc um M8¡Î-
ZQ0g¡ÍIÎC8.
O M_um0mu¡0,0lcmlÎC0~mMH8
wtÎ0VcHüOtwcm0uIMSguÎ-
$S ¬ c gu8ud0 8¡_ucm M ¡Î_8 guO m
Cmu¡0@8,dÎ/gt cXcmg¡0,guc8ÎuÑ0Î8
m0 IcVc ÎmgHÎ8, m dcgG M¡8 u
Icmg dc C¡8, m0 cm Ictm0 dc um8
ScgucuCÎ8m¡8t, mg ¡cmDMtguc0
ÎmgH8uIccM8mIcmw. ÏdcgÎSU
Q V8ÎM¡8t8DÞSwgmÜ 80, m0cm
IcH dc "Ü0mcu d0ul0MmcuI0 cmDÎ
cQ, I0HÎ-m CbÍc dc MPÎQ cm I8¡
cQ¯, m8DÞ8mcdÎCcm_cM¡, 0u
8Dtc 0m0 ×uI0d&gÎI8¡cIC.þ
O0C0HcSgudÎ8 8um@u cÌcV8dWÎm
dcæ0¡8tÎZQ0,BumcXgtÎcuCÎ8gmÜS-
SÎ0m¡dcmdÎO,dc]utÍSD,cuÍÎm,IMDV8-
5cdcgRÍlSSÎ0mG¡1ÀMÎS,cm0dcm0ÎD-
ÞS ¡Î_8d8S à VÎd8g¡ÍIÎO, à VÎd8 gúD¡ÎO.
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214 ET8W8WRCO8- Iºº2I0
Em compnsção, encontrmos tam­
bm duas significções para o U de OH,a
impotência e o distanciamento. No primei­
ro caso, trt-e de um coletivo ao qual s
prtenc, mas que não tem, ou perdeu, o
donnio da situaço. A significação do
distanciamento só pe ser identificad em
fnço do contexto, e foi muito obsrvada
entre profssionis liberais. Por exemplo,
as médicas e as advogadas tendiam fore­
mente, quando falavam do gpo de médi­
cas do cmpo de cncentração, a usar OH¿
e no "nós" -os plíticos, quando se refe­
rem ao seu grupo de Resistência, sempre
dizem "nó".
No caso de 'NO`, observamos tam­
bém essentido de distanciamento. Havia
o caso de uma deportada que dizia "Mas o
que é que voê está fazendo aqui ao meu
lado?", e em realidade era dela mesma que
estava falando. Lm que er uma coisa
patológca, e quando a desperonalizção
vai longe demais, ese "voc" patológico
pde degingolar no Ude "ela" em lugar
de "eu". A prda excssiva do contrle de
si pode memo desmbar n patologa.
Acntece a mema cis par o plural,
numa funço de distanciamento e de impo­
tência. Por exemplo: "Nó etávamos too
amontodos no vagão, feito animais, nó
estvamo todo n mema situaço, e de
rpnte tem un que enlouquecm, que no
agüentm mais, não poem deixar de gtar
e chrr prue etão cm fome", e então,
de rpente, o relato se rfere a es as g
como sndo "ele". Quando as psoas pr­
dem o cntrole da situaço e se torm srs
inumanos, entr a terceir Q a, marcn­
do um maior distnciamento e des olidari­
zção em rlaço a um sub-unidade do
mesmo gup.
Quando encntrmo U sigifca­
ç, que são aliás bem mis numeross do
que as de Bnveniste, as aplicamos ao

noso texto e, de fato, observamos que os
rlato cronológicos, principalmente polí­
tico, usavam obviamente "eu" e Hn6s",
logo, expresavam a segurança do eu e da
identidade, com a experiência do domínio
da realidade. Em cmpnsação, as pessoas
que estvam situadas embaixo na escla
soial usavam muito "eu", mas tambm
el
a
gente", o que assinala a preença do desti­
no incontrolável. O plural era qllas sem­
pre (Ia gente". O "nó" deignava exclusi­
vamente a fanu1ia doméstic no sentido
estrito, isto é, as crianças etc.
Com essa análise do estilo e dos prno­
mes pssoais colocdos em relação com
situaçõs e acontecimentos, a história de
vida -esta é a minha hipótese -ganha um
indicador muito fdedigo do gau de do­
mínio da realidade. O predomínio de de­
terinados pronomes pessoais no cnjun­
to de um relato de vida seria uma medida,
ou um indicador, do gru de segurança
intera da pesoa.
Observamos, e iso é muito inters an­
te, que no momento da cbegada a um uni­
vero totalitário, ao camp de cncentra­
ção, havia psoas que saíam do comboio,
perdiam a sua famíia durnte a seleção,
não tinham mais ninguém, e caíam imedia­
tmente do
O
C
^
par "a gente", b fla­
vam "a gente". Enquanto u,as militantes
políticas, memo quando não tinbam nin­
guém W trem, coneravam um ligação
imgnára comoulrs pessas, ou cm um
ideal que as podia manter afastadas daque­
la realidade, e logo usavam o "nós" das
depradas. Era portanto algo extrema­
mente fore.
Ainda não publicamos u, mas acho
que, se trabalhamos com eses textos, é
preciso integar a análise do estilo e a
análie de ceros indicadors como o U
dos prnomes pesoais. W um monte de
coisas que se pode extrir daí.
Na cbegda do cmbio, bvi l imeiat seleço qwseprava 0 grups e dirigia parte dos ream-chegad0 pR
a dmR de gæ,omgo brrac etc., a parrde citérios jami escla�cido (N.d.T.).
M0M£REMLS 215
-Sobr a iconografa conservad por d­
termids grge su inerrOão ds

uagens:
Tenho a imprs ão dque mcomo que
uma memória visual que é rcontrída.
Mas em tenno de pequisa, não temos
nda a W repito. Só g me rferir
ao trbalb de Nor sobr a integração
dos lugars da memória e sbre o simbo­
los e as imgen que se fonm a parir dos
monumento. Temos tambm trabalhos
sobre comemorçõs, sbr a montagem
das comemoraçõs e a mudanas que vão
oorrendo nelas. Etudamo, pr exemplo,
qual seria a razo pla qual, n França, em
detenninadas ép(, o ex-combatentes
uam puc unifonne ao desflar. Isto é,
pesquismos o valor relativo da farda em
detemdas épocs. Será algo epntâ­
ne? Integramo es es aspdo ao traba­
lho sobre cmemorção e sbr o lugre
da memória. N no sentido da quetâo
que me foi col(da, talvez enrntremo
algumas pistas n di rção da história soial
da are. O que sra interssnte, sra o
estudo das mudanças e da significção de­
sas imagen. É um assunto muito impor­
tante. A única roisa nes direção tlvez
sejam o trabalhos de Choutan, que en­
controu, em cerimônias que se referm a
fato histórco do século A, no sul da
Frnça, a prença de elemnto ligado às
guers de religão do sculo X, que
parecem ter sido prjetado no imginário
desa montagem.